Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, dezembro 30, 2008

Sem o dedo mindinho, a mão está quase perdida


1- Primeiro quirodáctilo, polegar.
2- Segundo quirodáctilo, indicador.
3- Terceiro quirodáctilo, dedo médio.
4- Quarto quirodáctilo, dedo anelar
5 - Quinto quirodáctilo, dedo mínimo, dedinho ou mindinho.

O mindinho, o humilde dedo mínimo, sempre foi considerado um acessório decorativo, uma extensão elegante da taça de vinho.

Então o que perde quem não o tem?
"Perde 50% da força da mão, facilmente", disse Laurie Rogers, terapeuta ocupacional com certificação em terapia da mão, do Hospital Nacional da Reabilitação, em Washington. Ela explicou que, enquanto a função dos dedos indicador e médio, junto com o polegar, é de pinçar e agarrar, o mindinho se une ao anular para dar força.

Experiência própria: fratura do mindinho
Eu soube disso em abril deste ano, quando caí e quebrei um osso -da espessura de um lápis- na base do dedo mínimo direito. A fratura aconteceu na articulação metacarpofalangeana (MCF), onde o dedo se une à mão. Cinco meses depois, o dedo não dobrava sozinho. Eu não podia cerrar o punho, manipular uma raquete de tênis nem segurar halteres com firmeza.
Minha situação estava longe de ser rara. Fraturas do dedinho e do seu metacarpo -osso que se estende da base do dedo até dentro da mão- ocorrem com quase o dobro da freqüência de fraturas em outros conjuntos do dedo.
"As pessoas acham que se não dói e dá para mexer o dedo é porque não está quebrado", disse Scott Edwards, chefe de cirurgia de mão e cotovelo do Hospital da Universidade Georgetown, em Washington. "Isso simplesmente não é verdade."

Operação
Consertar um dedinho quebrado pode envolver pinos, placas e parafusos. Oito dias depois da minha queda, dois pinos foram inseridos pela articulação MCF. Esse procedimento ambulatorial religou minha falange proximal e fortaleceu o nó médio do dedo. Um gesso foi aplicado da ponta dos dedos ao cotovelo.
Doze dias depois, o gesso foi retirado, e a reabilitação começou. Fui rápido para a fisioterapia, mas caí numa terapeuta que era tímida demais para manipular o meu dedo. Quando encontrei outra, meu dedo estava rígido, e o surgimento de fibroses (tecido cicatricial) parecia bem avançado.

Problema: fibrose
A fibrose é bem mais proeminente e problemática nos dedos porque praticamente não há músculo, e os tendões ficam diretamente sobre o osso. Acumular fibrose no dedo mínimo equivale a "pôr cola dentro de um relógio", segundo Benson.
Uma ressonância magnética do dedo, feita depois que os pinos haviam sido retirados, confirmou que a fibrose havia imobilizado os tendões flexores, que são os tendões, no lado da palma, que permitem que os dedos se dobrem. Além da falta de terapia adequada no prazo necessário, a genética também pode ter contribuído, já que algumas pessoas criam fibroses com mais facilidade que outras.

Cirurgia
Em outubro, me submeti a uma tenólise dos flexores, na qual Edwards liberou meus tendões. No dia seguinte à cirurgia, iniciei a fisioterapia. No começo deste mês, completei o tratamento. Meu dedo agora se dobra com facilidade, e a mão recuperou a sua força habitual. De quebra, o humilde mindinho conquistou o meu respeito.

Fonte: Folha de São Paulo e The New York Times - 29 de dezembro de 2008

Vídeo: Acidente com serra circular de mesa (table saw), mostrando a mão do trabalhador, quatro meses após o acidente.


Comentário:
A mão é um dos principais instrumentos de trabalho do profissional. Perdê-la significa não só um grande trauma físico e psicológico como o fim inesperado da força de trabalho do empregado.

Os acidentes de trabalho envolvendo as mãos têm chamado a atenção pelos índices elevados. Nos dados oficiais, eles envolvem desde os traumáticos até aqueles denominados ferimentos menores e doenças ocupacionais.

Durante o ano de 2007, foram registrados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cerca de 653,1 mil acidentes do trabalho. Comparado com 2006, o número de acidentes de trabalho aumentou 27,5%.

No ano de 2007, os acidentes de trabalho, com maior participação foram;
■ ferimentos do punho e da mão – 11,5%
■ dorsalgia – 7,8%
■ e fratura ao nível do punho ou da mão – 6,4 do total

As partes do corpo com maior incidência de acidentes de motivo típico foram;
■ dedo – 30,4%
■ mão (exceto punho ou dedos) – 9%
■ pé (exceto artelhos) - 7,3% do total.

Os números mostram que, em todo o Brasil, as partes do corpo mais atingidas foram justamente as mãos e os dedos, totalizando 171.218 registros. Na seqüência aparecem os pés, com cerca de 36 mil ocorrências.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Bleve em trem cargueiro em Murdock, Ilinóis

Em 3 de setembro de 1983, em Murdock, Ilinóis, EUA, um trem cargueiro transportando propano e isobutano descarrilou provocando incêndio e posteriormente explosão com Bleve. Houve duas explosões com Bleve;
■ a primeira com propano, nota-se que no vídeo um dos vagões é lançado a quase 1 km.
■ a segunda explosão muito mais violenta com isobutano, com um clarão que foi visto a dezenas de quilômetros.

O motivo do descarrilamento foi a péssima conservação de dormentes dos trilhos.





Como ocorre o BLEVE (boiling liquid expanding vapor explosion)?
Um BLEVE ocorre quando há ruptura de um tanque sob pressão.
Mas que fenômeno físico ocorre?
Para compreender o fenômeno, devemos levar em consideração os seguintes fatores:
■1.A pressão interior do reservatório
Quando o reservatório está aquecido, há um aumento de pressão no seu interior.
■ 2 Quantidade de líquido
Quando o reservatório está aquecido, a substância em seu interior se transforma do estado líquido em estado gasoso. Há uma diminuição da quantidade de líquido no reservatório, aumentando bruscamente a temperatura bem acima do ponto de ebulição.
■ 3 Superfície exposta
O líquido no interior do tanque pode absorver uma parte do calor das paredes do reservatório e diminui a velocidade de seu enfraquecimento. Porém a quantidade de líquido diminui e a superfície do reservatório, exposta e sem defesa, aumenta a sua temperatura.
■ 4.Resistência material do reservatório
A superfície do reservatório superaquece gradativamente, a resistência do reservatório diminui cada vez mais. A 400o C o aço perde 30% de sua resistência . A 700o C o aço perde 90% de sua resistência. Em geral a superfície do reservatório superaquece e perde suas propriedades mecânicas, levando à ruptura. Quando a pressão interior aumenta além do que pode suportar o tanque, ele se rompe e o BLEVE ocorre. É preciso igualmente compreender quanto menor o tanque, mais rapidamente ocorrerá o BLEVE, devido à facilidade de aquecimento, a pressão aumentará no seu interior e as paredes do tanque enfraquecerão.

O BLEVE pode ocorrer em pequenos reservatórios:
Bola de fogo (fireball)
Fenômeno que se verifica quando o volume de vapor inflamável, inicialmente comprimido num recipiente, escapa repentinamente para a atmosfera e, devido à despressurização, forma um volume esférico de gás, cuja superfície externa queima, enquanto a massa inteira eleva-se por efeito da redução da densidade provocada pelo superaquecimento.

Fonte : Université Queen’s, Kingston – Ontário – Canadá – A.M. Birk – pesquisador

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quarta-feira, dezembro 24, 2008

Salvamento dramático em Maryland

Pouco antes das 8 h de terça-feira, 23 de dezembro, uma tubulação de 1,70 m de diâmetro rompeu-se perto do luxuoso Congressional Country Club em Bethesda, Maryland, Washington.

De repente, equipes de emergência que foram treinadas nas proximidades do Rio Potomac tiveram de colocar em prática as habilidades, que eles aprenderam nas corredeiras traiçoeiras do rio em uma rua de subúrbio.

Pedidos de reforços de emergência chegaram aos postos de bombeiros em toda a região, devido à extensão do problema quando se tornou evidente. Bombeiros e equipes de resgate, paramédicos e helicópteros foram ao local.

Os bombeiros tiveram dificuldades de resgatar os motoristas e passageiros cujos carros ficaram presos nas corredeiras das águas da tubulação rompida. Foram utilizados cordas de segurança, barco e até helicóptero. Foram resgatadas 12 a 16 motoristas para locais seguros.

Resgate com helicóptero
Em uma operação delicada, com várias tentativas, o helicóptero baixou uma cesta de salvamento para erguer uma motorista e seu filho para fora do carro, que estava sendo fustigado pela água.

Fonte: McClatchy Newspapers - December 23, 2008


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sábado, dezembro 20, 2008

Não há proteção total contra enchentes

Suíça usa sistema integrado de proteção contra enchentes


Nas últimas três décadas, as enchentes causaram prejuízos de mais de 10 bilhões de dólares na Suíça.

Para reduzir os danos, o país adota uma estratégia integral de prevenção às cheias;
■ combina obras de construção civil com medidas de organização e planejamento,
■ controle rígido da ocupação do solo e proteção ao meio-ambiente.
■ seguro obrigatório cobre os prejuízos em caso de catástrofe.

Investimento anual
Os governos federal, estaduais e municipais da Suíça investem anualmente em torno de 3 bilhões de dólares em medidas de proteção contra riscos naturais, especialmente contra enchentes e avalanches de neve.
Mas isso ainda não torna o país imune a catástrofes. As enchentes de 2005 e 2007 mostraram que a prevenção ainda pode ser melhorada, sobretudo diante das previsões de que intempéries extremas podem se tornar mais freqüentes com a mudança climática.
Para o quadriênio 2008-2011, somente o governo federal prevê investimentos de 708 milhões de dólares na proteção contra cheias. Os 26 estados pedem um aumento desse montante para 1,3 bilhão. Mas, devido aos gastos adicionais com as duas últimas cheias, o máximo que Berna está disposta a dar é em torno de 1 bilhão de dólares.

Prejuízos
Apesar de investir muito em prevenção, o país teve grandes prejuízos materiais decorrentes das enchentes nas últimas três décadas. Na do ano passado, que atingiu o centro, oeste e noroeste do país, houve também vários feridos, mas nenhuma morte.

Mais mortes no esqui do que nas cheias
"Na Suíça morrem menos pessoas por causa de enchentes do que por desrespeito às regras nas pistas de esqui", compara o secretário-adjunto de Meio Ambiente do país, Andreas Götz. "Como temos uma longa experiência com cheias, a consciência dos riscos é muito forte", acrescenta.

Tragédia no Vale Itajaí
Andreas Götz recebeu de um funcionário de sua secretaria fotos da tragédia no Vale do Itajaí com o seguinte comentário: "Veja o que pode acontecer quando não se tem um sistema de proteção contra cheias". Götz diz que não se surpreendeu com o número de mortes em Santa Catarina. "Na China, mais de um milhão de pessoas morreram devido a enchentes nos últimos anos."

Know how de prevenção suíço,
Götz admite não conhecer as medidas preventivas adotadas no Brasil, mas acredita que o know how da Suíça, considerado um país modelo em proteção contra enchentes na região dos Alpes, pode ser adaptado a qualquer país.
"Temos estreitos contatos nessa área com o Japão. E acabamos de fazer um workshop com o ministro da Água da China. Ele disse que vai aplicar em seu país o que aprendeu conosco."

Sistema integral de prevenção às cheias
Com base nas experiências feitas durantes as catástrofes dos anos de 1980, o governo suíço reviu sua estratégia e adotou um "sistema integral de prevenção às cheias". Ele considera toda uma cadeia de fatores que podem influenciar uma enchente, desde a queda da chuva até o dano, e aponta as medidas que podem ser tomadas para diminuir os prejuízos. (ver gráfico)

O sistema inclui;
■ construção de muros, diques, pontes móveis, corredores de escoamento, bacias de retenção da água,
■ desassoreamento e renaturalização dos rios,
■ proteção das matas ciliares e áreas ribeirinhas.

Essas obras são combinadas com medidas de planejamento;
■ proibir construções em áreas de risco
■ de organização (planos para evacuar atingidos),
■ aprimoramento dos sistemas de avaliação de riscos, de medição e de alerta do nível das águas,
■ planos de emergência nacionais, estaduais e municipais.

Mapas das áreas de risco
Além disso, a Secretaria Federal de Meio Ambiente (Bafu, na sigla em alemão) está mapeando todas as áreas de risco do país (a metade já está feita), uma medida que enfrenta a resistência de proprietários que temem a desvalorização de seus imóveis. Contra esse temor, Götz tem um argumento simples: "A proteção contra cheias é sempre melhor do que de repente perder a vida. O poder público tem a obrigação de proteger os cidadãos contra riscos".

Segundo Götz, os mapas de risco são indispensáveis para aperfeiçoar constantemente o sistema de proteção e usar os recursos públicos da melhor maneira possível. "Com essas informações, é possível até simular a possível evolução de uma enchente e ensaiar a reação das autoridades nos três níveis de governo", explica.

A Suíça também usa dois sistemas de alerta contra catástrofes naturais: além de um serviço federal, agências de meteorologia privadas disparam alertas via SMS. "Quanto melhor a previsão tanto mais rápido pode ser a reação. Mas o alerta sozinho não basta. O importante é que, com base no alarme, sejam tomadas as decisões corretas", afirma Götz.

Seguro obrigatório
Quando, apesar de todas as medidas preventivas, ocorrem prejuízos, como foi o caso em 2005 e 2007, um seguro obrigatório contra incêndio e riscos naturais repõe as perdas privadas (fora estragos no terreno) e o Estado reconstrói a infra-estrutura, explica Olivier Overnay, diretor do Departamento Nacional de Proteção contra Enchentes da Suíça.
Sem esse seguro, ninguém pode construir na Suíça. Pelo fato de ser obrigatório para todos os proprietários de imóveis, é relativamente barato para os padrões suíços. Overnay ilustra isso com um exemplo.
Para uma casa no valor de 500 mil francos (413 mil dólares), situada no cantão (estado) de Friburgo, no oeste da Suíça, o seguro é de 210 francos (173 dólares) ao ano. A taxa corresponde a 42 centavos de franco por 1.000 francos segurados. Se o imóvel for destruído por incêndio ou catástrofe natural, o seguro repõe um de mesmo valor de mercado.

A taxa do seguro varia de cantão para cantão, porque a prevenção às cheias na Suíça é principalmente uma tarefa dos estados, mas a idéia que está por trás é a mesma em todo o país: "criar um máximo de solidariedade a um custo mínimo para que ninguém passe necessidade ou fique sem teto depois de uma catástrofe", explica Overnay.

"Não se pode impedir completamente os prejuízos, mas a meta tem de ser, pelo menos, reduzi-los ao mínimo", diz Overnay. E Andreas Götz completa: "A melhor proteção contra cheias é dar espaço suficiente à água, tanto nos rios quanto em áreas de retenção. Cada metro colocado à disposição da água também significa um espaço de vida a mais para a natureza."

A catástrofe não cai do céu : Sistema integral de proteção

Proteção contra cheias
Exemplos de medidas de prevenção às enchentes na Suíça.

O governo suíço adota um "sistema integral de proteção contra enchentes", que considera os diferentes fatores envolvidos e combina obras de construção civil com medidas logísticas, planos de emergência e preservação ambiental.





Foto: A ponte Saltina, em Brig (oeste da Suíça), pode ser elevada durante cheias, um sistema que é adotado também em outras regiões.









Foto: Com os blocos de concreto articulados, usados em Kuessnacht, perto de Zurique, um prédio inteiro ou até um povoado pode ser cercado rapidamente por um muro de proteção contra cheias.

Fonte:Swiss Info - 5 de Dezembro de 2008









Vídeo - Inundação no Vale do Itajaí

Comentário:
As recomendações dos especialistas suíços são idênticas dos especialistas brasileiros, porém na Suíça os órgãos dos governos têm mentalidade de prevenção de riscos com cultura de gerenciamento em que as partes envolvidas se convergem em busca da minimização dos danos. Une execução de obras com planejamento (proibição de construções em áreas de riscos, plano de evacuação e de emergência).
Na Suíça existe uma preocupação no uso e ocupação do solo, enquanto no Brasil temos apenas leis virtuais, o governo finge que fiscaliza.
Alguns especialistas em Santa Catarina apontam o excesso de chuva como à causa principal, mas esquecem o que houve de errado no passado e no presente no uso e ocupação solo na área urbana e rural. Os acidentes similares podem ser prevenidos no futuro. Entretanto, os registros históricos demonstram que tais desastres se repetem após um ciclo. As pessoas e os governantes mudam e as lições são esquecidas.
Vi na televisão o semblante do governador de SC, preocupado e tenso, mas ao mesmo tempo ele incentiva mudanças na lei ambiental facilitando o desmatamento e a ocupação do solo em região críticas. O Estado de Santa Catarina terá um prejuízo de alguns bilhões de reais no PIB do Vale do Itajaí afetando o PIB do Estado. Alguns moradores não retornarão as condições de vida antes do desastre (o que aconteceu em Nova Orleans, falência de pessoa física). As pequenas e médias empresas sofrerão muito para retornar as atividades plenas antes do desastre, algumas fecharão as portas ao longo da retomada das atividades.
Lembrando o livro Primavera Silenciosa de Rachel Carson;
■ A natureza é vulnerável a intervenção humana
■ A natureza é silenciosa, mas é devastadora.
ACCA

Desastre do Morro do Baú pelo Google Earth
Como utilizar o arquivo:
1 - Clique duas vezes no arquivo abaixo, ele abrirá automaticamente o Google Earth, já com o zoom na área atingida.
2 – Cada ponto tem uma ou mais fotos associadas. Clicando no ponto, abrirá um hiperlink para foto, que deve ser clicado para abrir a foto no próprio Google ou no navegador.
3 – É necessário ter no computador o Google Earth para visualizar o arquivo. Quem não o tiver pode baixá-lo em http://earth.google.com/.

Levantamento fotográfico Morro do Baú - Epagri-Ciram

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sexta-feira, dezembro 19, 2008

Foto de menina em favela do Haiti ganha prêmio do Unicef




















A imagem de uma menina haitiana caminhando descalça em meio à água e sujeira em um bairro pobre de Porto Príncipe, obra da fotógrafa belga Alice Smeets, foi escolhida em Berlim, como a melhor fotografia de 2008 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ela foi escolhida entre 1.450 fotos, segundo a entidade.
A foto, tirada em julho de 2007, em um bairro pobre da capital haitiana, mostra uma menina com um vestido branco e laços no cabelo da mesma cor, andando junto a porcos e cercada de lixo.

Favela no Haiti
Na favela os haitianos convivem com porcos soltos pelas vielas, onde o esgoto corre a céu aberto e o cheiro ruim chega a ser insuportável até mesmo para quem passa de carro pelo local.
Também é grande o numero de amontoados de lixo que se pode avistar pelas ruas da cidade, a maioria palha de milho, garrafas plásticas e sobras de cachos de banana.
A água que se mistura ao esgoto é usada para lavar a comida, além da limpeza de carros, motocicletas e vans. Alguns armazenam a água do esgoto em garrafas e bacias para, posteriormente, usar para lavar as roupas e utensílios em geral.
Também e comum ver os porcos andando sobre a água. Eles dividem o mesmo espaço com as pessoas. Ambos vasculham até os montes de lixo na tentativa de obter comida.

Fonte: G1 e Folha Online - - 18 de dezembro de 2008

Vídeo
Uma equipe multimídia da Agência Brasil, formada pelos jornalistas Aloisio Milani (direção), Marcello Casal Jr. (fotografia) e Oswaldo Alves (cinegrafia) partiu para registrar, sem escolta da Organização das Nações Unidas (ONU), o cotidiano da mais pobre favela de Porto Príncipe, Cité Soleil.

Comentário:
O Haiti é a nação mais pobre das Américas
População: 8,4 milhões
280 mil habitantes: 3,4% da população tem o vírus da Aids
Expectativa de vida: 52 anos (a média na América Latina é de 69 anos)
80% da população vive abaixo da linha de pobreza
80% da população economicamente ativa está desempregada
47% da população é analfabeta
Mortalidade infantil: 73,4 mortos por mil nascidos vivos
75% das crianças não são vacinadas
PIB: US$ 3,6 bilhões (1999)
Renda per capita anual: US$ 440 em 2003 (um sexto da brasileira)
Posição no IDH: 153o lugar entre 177 países no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (o Brasil é o 63º)

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terça-feira, dezembro 16, 2008

Regras para a Formação em Eletricidade e subsídio a NR-10

Comentário
O artigo apesar de analisar a necessidade da formação em eletricidade em relação à norma da OSHA, explica muito bem em alguns tópicos genéricos a necessidade dessa formação e principalmente efetuar a análise do risco de serviço, que nem sempre o trabalhador conhece o risco elétrico e suas conseqüências. Não é somente o eletricista que necessita dessa formação e treinamento como a maioria dos profissionais de segurança está focada, mas sim os trabalhadores de forma direta ou indireta tenham contatos com eletricidade e necessitam de práticas de trabalho relacionados à segurança contra riscos elétricos. Esse artigo serve muito bem como subsídio técnico e como nota explicativa à norma brasileira NR-10, que trata sobre a eletricidade. ACCA

Os sistemas e os equipamentos elétricos de potência são hoje muito complexos, bem como os procedimentos de segurança, a manutenção e a operação, aplicados ao trabalho nesses sistemas ou na sua proximidade, são igualmente complexos. Como resultado os eletricistas, técnicos e os engenheiros devem ser capacitados em todos os aspectos das práticas e dos procedimentos de trabalho de forma a executar o seu trabalho adequadamente. Dennis K. Neitzel, Ingeniero Profesional Certificado

Os regulamentos da Occupational Safety and Health Administration (OSHA) requerem que os empregadores documentem a proficiência dos empregados na execução das tarefas elétricas antes de poder certificar que foram adequadamente formados e para poder manter essa certificação enquanto estiverem empregados. Alguns dos regulamentos da OSHA vão até mais longe, responsabilizando o empregador em limitar o acesso a certos trabalhos aos empregados que são "certificados", "competentes" ou "qualificados", significando que foram especialmente treinados para realizar certas tarefas específicas ou especializadas. Esses requisitos refletem o ponto de vista da OSHA, segundo o qual a formação é uma parte essencial dos programas de saúde e segurança de cada empregador.

Requisitos específicos da formação
A OSHA 29 CFR 1910.332 (a) estabelece que os seus requisitos de formação "se aplicam aos empregados que enfrentam um risco de choque elétrico não reduzido a um nível seguro pelos requisitos da insta1açao elétrica das Seções 1910.303 até 1910-308".

O preâmbulo da subparte S, "Electrical Standards Federal Registers", nota que "os empregados devem ser treinados nas práticas de trabalho relacionadas com segurança na presente norma, bem como em outras práticas necessárias para a segurança em relação aos riscos elétricos".

E o Directorate of Compliance Program da OSHA, o STD 1-16.7, estabelece que "todos os empregados que enfrentam um risco de choque elétrico, queimaduras ou outras lesões relacionadas, não reduzido até um nível seguro pelos requisitos de segurança das instalações da Subparte S, devem ser treinados em práticas de trabalho relacionadas com segurança requeridas pela 29 CFR 1910.331-335”.

Consideram-se reduzidos até um nível seguro os sistemas e equipamentos que são normalmente fechados ou de outra maneira inacessíveis aos empregados, como requerido pela norma de instalação, ou que funcionam com voltagens inferiores a 50 volts, são considerados como sendo reduzidos até um nível seguro. Entretanto, quando a tampa de um recinto for retirada ou aberta para inspeção ou manutenção dos componentes energizados, os empregados enfrentam um risco de choque elétrico e, portanto, aplicam-se os requisitos de formação e práticas de trabalho previstos na norma 1910.331-335.


A OSHA fornece uma lista de categorias de ocupação típicas que recai nos requisitos formação e práticas de trabalho seguras previstas na norma 1910.331-335 na tabela S-4 e esclarece esse requisito em uma nota afirmando que "os empregados nas ocupações listadas na tabela S-4 enfrentam um risco desse tipo e devem ser treinados". Outros empregados que poderão enfrentar um risco de lesão comparável devido a choque elétrico ou outros riscos elétricos devem também ser treinados. Os riscos elétricos são condições elétricas perigosas reconhecidas, como partes energizadas expostas e equipamento elétrico não protegido que pode se tornar energizado de forma inesperada.

Análise de riscos de trabalho
Como fazem os empregadores para saber qual é a formação que seus empregados precisam? Realizam uma análise dos trabalhos/tarefas e uma análise dos riscos relacionadas com as tarefas para avaliar a situação do trabalho de todos seus empregados de forma a determinar se enfrentam um risco do choque elétrico ou outros riscos elétricos no seu trabalho. Isso é feito por um estudo cuidadoso e um registro de cada passo do trabalho, identificando as tarefas e os elementos que os compõem, identificando os riscos existentes ou potenciais, e determinando a melhor maneira de executar o trabalho e de reduzir ou eliminar os riscos.


A realização de uma análise de riscos não é opcional. A OSHA 29 CFR 1910.132(d) (1) requer que os empregadores “avaliem o lugar do trabalho de forma a determinar a existência ou a probabilidade de ocorrência de riscos, que impliquem a necessidade de utilização de equipamento pessoal de proteção (PPE)". A OSHA 29 CFR 1910.132(f) (1) também requer dos empregadores que treinem cada empregado que deve utilizar PPE.

Uma análise de riscos do trabalho pode ajudar muito na redução dos acidentes e lesões no lugar do trabalho, mas apenas será efetiva se for revista e atualizada periodicamente. Mesmo se o trabalho não mudou, uma revisão pode detectar riscos que foram omissos em análises anteriores.

Re-treinamento
Cada vez que se revê uma análise de risco de trabalho, todos os empregados afetados pelas mudanças deveriam ser treinados no novo trabalho, no uso do equipamento pessoal de proteção ou nos métodos de trabalho. Uma análise do trabalhos/tarefas e riscos pode também ser usada para treinar novos empregados para as etapas do trabalho e para todo tipo de riscos relacionados.

Pessoas qualificadas
Qualquer pessoa exposta a riscos elétricos deve ser "qualificada" para executar tarefas sobre ou perto de equipamento ou dos circuitos. Quem é uma pessoa qualificada?
O artigo 100 do Código Elétrico Nacional define uma pessoa qualificada como "uma pessoa que tem habilidade e conhecimentos relacionados com a construção e operação de equipamento e instalações elétricas e recebeu formação de segurança relativa aos riscos associados.

Tabela S-4
Categorias ocupacionais típicas de empregados expostos a riscos elevados de acidentes elétricos
■ Supervisores de operários
■ Engenheiros elétricos ou eletrônicos
■ Montadores de equipamento elétrico ou eletrônico
■ Técnicos elétricos e eletrônicos1
■ Eletricistas
■ Operadores de máquinas industriais'
■ Operadores de máquinas manuais
■ Mecânicos e reparadores1
■ Pintores'
■ Perfuradores e trabalhadores não qualificados1
■ Engenheiros de processo1
■ Soldadores

(1) Os trabalhadores pertencentes a esses grupos não precisam ser formados se o seu trabalho ou o trabalho dos que supervisionam não os coloca, a eles próprios ou as pessoas que supervisionam suficientemente perto de componentes expostos de circuitos elétricos, operando a 50 volts ou mais para causar risco.Essa definição faz referência à edição 2400 do NFPA 70E, Segurança Elétrica no Lugar de Trabalho, para requisitos de formação.

De acordo com Seção 110.6(D) (I) do NFPA 70E, alguém é considerado como qualificado se ele estiver "treinado e tiver conhecimento na construção e operação de equipamento ou de um método de trabalho específico" e pode "reconhecer e evitar os riscos elétricos que poderiam estar presentes com respeito a esse equipamento ou método de trabalho". Deve também estar familiarizado com as ''as técnicas especiais preventivas, com equipamento pessoal de proteção, incluindo materiais de proteção contra o arco elétrico, isolantes e de proteção e com ferramentas e equipamento de ensaios isolados”.

A seção 110.6 (D) (1) indica que alguém pode ser considerado qualificado para um certo equipamento ou métodos, mas não para outros. Especificamente, indica que uma pessoa em formação que, durante essa formação, demonstrou habilidade para executar tarefas de forma segura no seu nível de formação e quem trabalha abaixo da supervisão direta de uma pessoa qualificada "pode ser considerado qualificado para executar essas tarefas".

As pessoas autorizadas a trabalhar no interior da área limitada de aproximação a componentes energizados, operando a 50 volts ou mais, devem pelo menos ser capazes de distinguir os componentes energizados do equipamento elétrico de outras partes não energizadas e determinar a voltagem nominal dos componentes energizados expostos. Eles deveriam também estar familiarizados com as distâncias de aproximação especificadas na Tabela 1430.2C da NFPA 70E e com as voltagens correspondentes as quais serão expostos. Ademais, deveriam também ser capazes de determinar o grau e extensão do risco, bem como o equipamento pessoal de proteção e o planejamento das tarefas de que vão precisar para executar as tarefas de forma segura.

A OSHA também discute aquilo que faz com uma pessoa seja "qualificada". De acordo com a 1910.332(b)(3), é uma pessoa que, no mínimo, pode distinguir componentes energizados do equipamento elétrico de outros componentes e determinar a voltagem nominal dos componentes energizados expostos, as distâncias de segurança especificadas na 1910.333(c) e as voltagens correspondentes as quais ele ou ela serão expostos. A OSHA requer também que empregados qualificados "cujo trabalho sobre equipamento energizado envolva ou contato direto ou contato por ferramentas ou materiais recebam a formação necessária para cumprir com a 1910.333(C)(2).

A OSHA 1910.332(C) descreve o tipo de formação requerida como "curso ou em serviço". Na maioria dos casos, são necessários os dois tipos de formação.

Ao requerer que os empregados sejam formados em, e familiarizados com, "as práticas de trabalho relacionadas com segurança requeridas pela 1910.331 até' 1910.335 que pertence aos seus postos de trabalho respectivos", a OSHA 1910.332(b) estipula claramente que os empregados não precisam ser formados em relação a todos os riscos ou equipamento contemplados por esse requisito, se não estiverem a ele expostos. Entretanto, eles devem estar treinados para lidar com as tarefas que apresentam um risco.

Por exemplo, um pintor que não é um trabalhador de eletricidade qualificado e, portanto, não precisa ser treinado para utilizar equipamento elétrico de ensaio, desmontar um sistema de bloqueio, utilizar equipamento de proteção elétrica ou desenergizar um sistema elétrico ou instalar um sistema de bloqueio/sinalização (lockout/tagout). Entretanto, deveria conhecer as distâncias de segurança desde as linhas aéreas e o objetivo de um bloqueio/sinalização (lockout/tagout), os requisitos para um equipamento portátil conectado por cabo, bem como não usar líquidos inflamáveis perto de equipamento que possa produzir faíscas. Mesmo um pintor deve ser "qualificado" para lidar com qualquer risco elétrico que possa enfrentar no trabalho.

De acordo com a OSHA l910.332(b)(2), mesmo os empregados qualificados cobertos pelo parágrafo (a) devem ser treinados e familiarizados com prática de segurança relacionadas com eletricidade que não estejam especificamente mencionadas nas seções 1910.331 até 1910.335, mas que sejam necessárias para sua segurança. O Directorate of Compliance Program, STD 1-16.7 da OSHA, estipula também que "os empregados não qualificados devem ser treinados para enfrentar os riscos inerentes a eletricidade como alta voltagem, corrente elétrica, arco elétrico, falha à terra e falta de dispositivo de proteção.

Qualquer prática de segurança relacionada com eletricidade que não estiver especificamente incluída nas Seções 1910.331 até 1910.335, mas que seja necessária para garantir a segurança em condições de trabalho especificas deverá ser incluída.
Assim um empregador deve avaliar os riscos que correm cada um dos seus empregados no posto de trabalho para determinar se enfrentam qualquer risco não incluído na OSHA 1910.332(b)(2).

Do ponto do vista legal, o Directorate of Compliance Program da OSHA, STDI-16.7, estabelece claramente que a falta de formação do pessoal, tanto qualificado como não qualificado de acordo com os requisitos, será considerada uma violação grave. Independentemente dos regulamentos e normas, entretanto, o melhor motivo para formar empregados é de garantir a confiabilidade dos sistemas e equipamento elétrico e garantir a segurança dos empregados.

Mesmo se não houvesse regulamentos da OSHA ou normas da NFPA que requeiram a formação de pessoas qualificadas e não qualificadas, formar é a escolha correta. Se a indústria quer manter os seus sistemas elétricos em condições seguras e confiáveis e providenciar um ambiente de trabalho seguro para os seus empregados, deve realizar análises de trabalho/tarefas para identificar os requisitos específicos de formação e providenciar uma formação adequada.

Fonte: NFPA Journal Latinoamericano – Setembro de 2007
Dennis K. Neitzel, CPE (Membro sênior, IEE) é o diretor do AVO Training Institute, Inc, Dallas, Texas, e membro do comitê da NFPA 70E, segurança elétrica no local de trabalho. Ele é co-autor do Manual de Segurança Elétrica e presidente do grupo de trabalho para a revisão da norma IEE 902, “Guia do IEE para a Manutenção, Operação e Segurança de Sistemas Industriais e Comerciais de Energia”.

Acidente com arco voltaico



Simulação de um arco voltaico

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domingo, dezembro 14, 2008

Acidentes de trabalho fatais entre brasileiros em Massachusetts

Os brasileiros compõem o maior grupo de recém-chegados a Massachusetts após 1990. De acordo com dados do Centro de Estudos para Mercados de Trabalho da Northeastern University, entre 2000 a 2003, 19% de todos os novos imigrantes do estado eram brasileiros. Os brasileiros vêm a Massachusetts em busca de trabalho, mas assim como vários outros imigrantes, em comparação a trabalhadores norte-americanos, têm uma probabilidade maior de ser empregados em trabalhos perigosos onde o controle dos riscos é inadequado. Acredita-se também que há outros fatores contribuintes ao risco dos imigrantes sofrerem acidentes de trabalho.
Estes incluem
■ falta de supervisão e treinamento de segurança adequados, geralmente combinados às barreiras lingüística,
■ grau de instrução,
■ falta de informação dos trabalhadores imigrantes sobre padrões de segurança e de saúde e sobre seus direitos legais.
■ longas jornadas, insegurança trabalhista, e discriminação étnica e racial no local de trabalho podem também contribuir ao risco elevado de acidentes de trabalho.

Casos de Acidentes Fatais
Desde 1991, quando o Programa de Vigilância de Saúde Ocupacional (OHSP pelas suas siglas em inglês) do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts começou a manter um registro dos acidentes de trabalho fatais, não foi registrada nenhuma fatalidade entre trabalhadores de origem brasileira até 1998. Em contraste, entre 1999 e 2007, 15 trabalhadores de origem brasileira sofreram acidentes de trabalho fatais em Massachusetts.

Construção Civil
■ Um carpinteiro de 42 anos, de uma construtora caiu de uma altura de 6 metros do segundo andar de um prédio residencial.
■ Um montador de telhados de 24 anos, de uma construtora caiu de uma altura de 5 metros do andaime onde reparava as telhas de uma casa.
■ Um carpinteiro de 57 anos, de uma montadora de estrutura de telhado, caiu de uma altura aproximada de 4 metros da varanda do segundo andar de um prédio residencial novo. Ele estava re-instalando as grades da varanda que haviam sido originalmente instaladas de forma incorreta.
■ Um trabalhador de construção de 27 anos, de uma empresa de alvenaria caiu de uma altura aproximada de 39 metros de um andaime que ele e um colega estavam desmontando. O andaime desmoronou quando o último apoio de metal que fixava a estrutura ao prédio residencial foi removido.
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Outras Indústrias
■ Um jardineiro de 36 anos, trabalhando como diarista de uma empresa de paisagismo subiu em uma árvore e estava cortando alguns dos galhos superiores quando a base da árvore cedeu fazendo com que a vítima caísse de uma altura aproximada de 9 metros na entrada pavimentada da garagem.
■ Um trabalhador de 48 anos, empregado em uma padaria caiu de uma escada de mão que estava usando para poder alcançar a estante superior dentro de uma câmara frigorífica.
■ Um trabalhador de 41 anos, de uma empresa de ventilação, aquecimento e ar condicionado, caiu de uma altura de 6 metros de uma escada de extensão enquanto fazia uma abertura de ventilação no telhado de um prédio residencial novo.

Características das vítimas
■ Todas estas vítimas eram homens entre 18 e 59 anos de idade, e mais da metade (56%) trabalhava em construção.
■ Quedas corresponderam a 50% das fatalidades.
■ Três dos trabalhadores em construção foram mortos por veículos em movimento.
■ Duas fatalidades foram resultado de violência no local de trabalho.

Medidas para Prevenir Acidentes de Trabalho Fatais
Um fato importante é considerar que além dos fatores demográficos e de exposição que ocasionaram esses incidentes, muitas das fatalidades poderiam ter sido evitadas se houvessem medidas de segurança, tais como;
■ treinamentos sobre procedimentos de segurança no trabalho,
■ sistemas de comunicação de alerta e
■ uso de equipamento de proteção pessoal.

Prevenção
Em Massachusetts, o OHSP, pesquisadores, organizações comunitárias e a Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA) estão trabalhando juntos para reduzir o risco e os acidentes fatais entre trabalhadores brasileiros.

Algumas dessas atividades incluem:
■ O OHSP, o Centro do Imigrante Brasileiro (CIB) e o Projeto Colaboração para um Ambiente Melhor de Trabalho para os Brasileiros (COBWEB) estão trabalhando juntos para aprimorar os dados coletados sobre acidentes de trabalho fatais. Isso representa um esforço para melhor identificar os antecedentes e as causas dos acidentes fatais, e de forma mais específica, identificar fatores que podem receber intervenções.
■ O Centro do Imigrante Brasileiro criou uma Aliança com a Região I da OSHA para oferecer treinamento de segurança e saúde ocupacional a trabalhadores da área de construção que falam português. Esta iniciativa resultou no treinamento de mais de 180 trabalhadores no curso de 10 horas oferecido pela OSHA.
■ Ativistas e jornalistas da comunidade brasileira têm chamado a atenção da população de forma enfática à morte de trabalhadores brasileiros, colaborando assim com meios de comunicação da comunidade (rádio, jornal e televisão) para fazer com que segurança ocupacional seja um assunto discutido na comunidade.
■ O OHSP, em colaboração com o CIB e o COBWEB, produz Alertas de Segurança em português/inglês que descrevem e discutem casos de fatalidades trabalhistas entre brasileiros. Estes materiais têm sido usados para educar a comunidade brasileira sobre riscos no local de trabalho e estratégias de prevenção.
Outros materiais sobre saúde e segurança em português criados pelo OHSP incluem:
■ Seguro contra Acidentes de Trabalho em Massachusetts (Workers’ Compensation in Massachusetts)
■ Quedas: A Maior Causa de Acidentes Fatais em Obras de Construção (Falls: The Leading Killer on Construction Sites)
■ Medidas de Segurança no Trabalho com Escadas (Ladder Safety for Residential Contractors)
■ Medidas de Segurança no Trabalho com Andaimes (Scaffold Safety for Residential Construction Contractors)

Fonte: Este folheto informativo foi preparado pelo Programa de Vigilância de Saúde Ocupacional do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts com fundos do Instituto Nacional para a Saúde e Segurança Ocupacional.

Comentário
Neste artigo publicado nota-se a diferença de mentalidade prevencionista americana preocupada com a pequena empresa ou trabalhador autônomo, buscando ferramentas (prevenção, treinamento, informação, etc) para que eles possam trabalhar de modo seguro. Aqui no Brasil o governo não se preocupe com esse nível detalhe de segurança.
A norma brasileira relativa à Segurança e Medicina de Trabalho foi criada em 1978 e OSHA americana no início da década de 80. As duas caminharam em sentidos opostos. A norma brasileira desde o seu início dá ênfase à fiscalização e penalização as empresas infratoras, porém os resultados são irrisórios, não há uma diminuição substancial nos acidentes de trabalho. É um modelo que chegou a exaustão.
A redução de acidentes é um processo de aprendizagem que passa por diversas etapas; nível cultural do trabalhador, entidades de segurança, sindicato do trabalhador, órgão fiscalizador e justiça de trabalho. No Brasil essas etapas não funcionam direito.
Há muitos anos os governos mudam as leis, normas, para melhorar a segurança, ou melhor, o sistema de arrecadação, mas o país continua com índice de acidentes sempre crescente.
As alterações realizadas pelo Ministério do Trabalho lembram muito uma frase em espanhol; Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas.
Enquanto a OSHA americana dá ênfase a prevenção e a norma é a ferramenta para atingir esse objetivo. Esse modelo busca sinergia entre organizações, entidades sindicais, visando reduzir risco e acidentes fatais. Por exemplo, em 2006, a OSHA enviou milhares de cartas para as empresas que apresentaram elevado índice de acidentes, dando ênfase para reforçar a política de prevenção de acidentes nessas empresas. A OSHA não mencionou nada sobre cumprimento de normas.
No Brasil, as entidades estão mais preocupadas na implantação de normas, na discussão de normas, etc, do que na divulgação de prevenção de acidentes, educação de trabalho, etc.

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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Trabalhador morre após queda do 10º andar de prédio em obras


O acidente aconteceu por volta das 15h, terça-feira, 9 de dezembro de 2008, na rua 232 em Meia Praia, Itapema, Santa Catarina.
Causa
Segundo Jorge Turela, empreiteiro da obra e colega de Rolnei, ele caiu quando colocava a bandeja de segurança no 10º andar do prédio. Devido ao calor, Rolnei retirou o cinto de segurança.

Morte
Rolnei teve múltiplas fraturas no corpo. Pernas, braços, punhos e face estavam quebrados. A vítima teve morte imediata. Ele era natural de Capão da Canoa (RS), e estava na cidade há quatro meses. A construtora responsável pela obra é Teixeira Teixeira.

Estava sem cinto
Segundo alguns populares e moradores de prédios vizinhos, o trabalhador não usava os equipamentos de segurança, porém os peritos que analisaram o corpo afirmam que o capacete foi encontrado ao lado de Rolnei e o cinto de segurança estava no 10º andar, onde ele trabalhava antes da queda.

Fonte: Jornal Atlântico - Quarta-Feira, 10 de Dezembro de 2008

Comentário:
Olhando a foto, o que podemos imaginar o que se passou na mente do trabalhador, numa situação perigosa, colocando bandeja de segurança no 10º andar , não utilizando cinto de segurança para efetuar esse serviço? Ele estava fazendo um serviço para aumentar a proteção de segurança para os trabalhadores e ao mesmo tempo executando-o sem a sua própria proteção individual. Muito provável ele não tinha noção da importância do conjunto de segurança, bandeja de proteção e cinto de segurança. Essa noção de segurança ou de aprendizagem passa pela política de segurança da empresa. Qual é a importância da segurança do trabalho na construção civil? Na maioria das construtoras, quase nenhuma.
A garantia da Segurança e Saúde Ocupacional na grande maioria das empresas de construção civil, no Brasil, ainda encontra-se no estágio de cumprimento da legislação. É como um time amador, o técnico entrega o calção, a camisa e antes da partida o time faz uma oração. Na construção civil é mais ou menos assim, a construtora entrega o capacete, cinto de segurança, sapato e dá algumas instruções de segurança. Todos estão aptos para jogar, ou melhor, para trabalhar.
Quando ocorre um acidente de trabalho ou uma fatalidade, as empresas procuram eximir de responsabilidades enfatizando suas políticas de segurança, tais como;
■ Nunca deixamos de cumprir as determinações do Ministério do Trabalho.
■ Fornecemos os EPIs necessários, mas os trabalhadores não os usam adequadamente.

A norma atual é mais rigorosa e complexa, mas na prática ela não está surtindo o efeito desejável, pois permanece elevado o número de acidentes.
Segundo estudos de especialistas esse problema reflete em:
■ o avanço do desenvolvimento da cultura de segurança é muito lento, os trabalhadores são inertes às campanhas de segurança;
■ é difícil para os trabalhadores trabalhar seguramente se não existe a cultura de segurança na organização;
■ as campanhas de segurança geralmente resumem-se a um slogan, o rumo para alcançar a segurança permanece obscuro e remoto para muitos empregados e empregadores;
■ as pequenas empresas não tem recursos suficiente para implantar gerenciamento de segurança, embora estas tenham um importante papel como empreiteiras no sistema da construção;
■ os efeitos do treinamento são mínimos no sistema de sub-contratação, pois promover treinamentos de orientação ou dos trabalhadores em serviço não é tarefa fácil, porque muitos deles não são empregados diretos da empresa;
■ existe falta de treinamento e experiência dos “profissionais de segurança” no gerenciamento da segurança;
■ existem concepções erradas da segurança, tipo o uso de EPI’s para a resolução de problemas.

A legislação está preocupada na implementação de regras de segurança, principalmente no que se refere às condições físicas de trabalho. Porém, o Ministério do Trabalho está simplesmente preocupado na fiscalização e penalização do empregador por violar a legislação. Essa mentalidade de fiscalizar e penalizar não cria condições a longo prazo para construir uma cultura de segurança entre os empregadores e trabalhadores.

Concluindo, o grande erro nas normas de segurança é que não existe ênfase no desempenho e conduta segura. Partem do princípio que implantando as normas todos os problemas serão resolvidos. Esse é o cenário do filme brasileiro chamado “Trabalho”, os atores são quase os mesmos (governo, empresa, empregado, sindicato), o enredo é sempre atualizado (normas) e o resultado é sempre o mesmo, acidentes e fatalidades. O Brasil está sempre fazendo do filme “Trabalho”, um remake.

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terça-feira, dezembro 09, 2008

Acidente com extintor de incêndio em Home Center

O incidente na Home Depot começou aproximadamente às 14 h 15 min, 9 de abril de 2006, domingo à tarde, quando um cliente conduzindo um carrinho de compras pela seção de pintura da loja bateu em um extintor de 10 kg fixado na parede, que aparentemente causou à descarga.
O extintor soltou com violência irritante substância química de fosfato de amônio, composto químico retardante ao fogo usado também em fertilizantes. Embora o produto químico seja considerado não tóxico, ele pode causar irritação quando inalado.

Atendimento de emergência
"A loja ainda estava sendo estava evacuada, quando chegamos ao local," disse Daniel King, chefe de emergência da cidade de Greene. Acrescentando que não tinha certeza quantas pessoas estavam no interior naquele momento.
O pessoal de emergência inicialmente tratou dois pacientes, mas muito mais pessoas começaram queixar-se da falta de respiração e irritação nos olhos.

Vítimas
O pessoal de emergência tratou de 14 pessoas, sendo 11 delas foram encaminhadas aos hospitais da cidade. O mais seriamente afetado foi um homem que sofreu um ataque de asma grave.

Unidade de Resgate
O incidente foi atendido por membros da unidade de gerenciamento de emergência do condado de Greene com paramédicos e pessoal de resgate de Coxsackie, de Catskill, de Cairo e de Leeds.
"No início foi uma grande incógnita," disse Daniel. "Eu nunca tive qualquer coisa semelhante a isto até agora, um extintor de incêndio."

Home Depot
O porta-voz do setor de comunicação corporativo da companhia em Atlanta, Yancey Casey, disse que a loja foi fechada e uma empresa foi contratada para ajudar na limpeza.

Fonte: Times Union - Monday, April 10, 2006

Comentário:
Na maioria das vezes, em um incidente como esse, consideramos quase banal. Mas não preocupamos com as conseqüências, onde ocorreu o problema, o meio ambiente. O meio ambiente pode ser, clientes, funcionários, etc. Entre eles, poderemos encontrar algumas pessoas alérgicas, outras asmáticas, ou aquelas que entram em pânico devido à ocorrência. Se no local não tiver atendimento de emergência, as conseqüências serão muito mais graves, provavelmente com risco de vida.

Característica do fosfato de amônio:
Irritante para o nariz e a garganta. Irritante para os olhos. Se inalado, causará tosse ou dificuldade respiratória.

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sábado, dezembro 06, 2008

Tragédia em discoteca em Lima


O fogo tomou conta da casa noturna Utopia, localizada no centro comercial Jockey Plaza, na madrugada de sexta-feira, 20 de Julho de 2002, quando cerca de mil pessoas se divertiam no local.
Foto - Pista de dança, antes da tragédia – decoração – muito plástico - Caretas - Edición Nº 1731-25 de julio de 2002
Festa
A boate havia organizado a festa para comemorar seu segundo mês de funcionamento.
O local era novo. Fazia apenas dois meses que havia sido inaugurado. Há quem afirma que se tratava de um pequeno paraíso musical, epicentro da diversão juvenil de fim de semana.
Aquele recanto encravado em um luxuoso centro comercial Jockey Plaza Center, de Monterrico, batizado pelos proprietários como “Utopia”, se converteu em verdadeiro inferno. A moderna e exclusiva discoteca que, aparentemente, dispunha dos mais avançados sistemas de segurança, era na realidade uma bomba relógio. Ninguém podia imaginar que a discoteca seguraria em seu interior, onde pouco antes numerosos casais estavam se divertindo, dezenas de jovens e adolescentes.
Era a chamada “festa do Zôo”. Assim chamado pelos organizadores, com o propósito de atrair mais clientes. Na entrada da discoteca, um robusto cavalo, havia sido colocado como um anfitrião especial. No interior, ameaçadores, permaneciam enjaulados um tigre de bengala e um leão africano.

Discoteca
A estrutura da discoteca parece como um losango, tendo uma das pontas a entrada principal do local. A discoteca também tem quatro bares nas extremidades e um na parte de trás.
As pessoas entram pelo segundo piso e descem a escada. À direita dirigem-se até ao bar VIP e à esquerda descem por uma escada, que as conduzem ao primeiro nível, onde fica a pista de dança circular. Essa escada também se comunica com os demais níveis superiores.
Todas as paredes revestidas com material sintético altamente inflamável. O teto de cada nível, desenhado com especial luxo, forrado com cortiças brancas, apesar do perigo que representava. Além da porta principal, contava com outras três vias de escape, mas nenhuma com sinalização correspondente, para saída de emergência.

Interrupção de energia e falta de luz de emergência
Quando as instalações elétricas paralisaram, o sistema de ventilação deixou de funcionar e causou um acúmulo de fumaça nos ambientes, devido à falta de ventilação natural. O fogo, com ambiente impregnado de fumaça e elevada temperatura, se propagou rapidamente.

Pensaram que o fogo fazia parte da festa
Tudo parecia irreal, parte de uma festa especial. Talvez por isso, o pessoal tomou consciência do perigo muito tarde. Até que tudo começou. Aproximadamente às três horas da madrugada, quando iniciou o incidente, quase 1000 jovens lotavam a discoteca que apenas tinha capacidade para 400 pessoas.
A densa fumaça produzida pelo fogo invadiu os ambientes. Quem se encontrava no local, procuraram escapar. As chamas afetaram as instalações elétricas e as luzes se apagaram. O pânico se apoderou de todos e produziu um barulho infernal. Homens e mulheres, desesperados, caminhando num labirinto, buscando às cegas às saídas.

Falta de coordenação
Ninguém explica porque o pessoal responsável pela segurança, não alertou os bombeiros imediatamente, apesar da situação que ameaçava. Tampouco entende as razões de outros funcionários de segurança de outros estabelecimentos localizados no Jockey Plaza não ajudaram na tragédia.

Controvérsias da origem do incêndio:
1- As causas do incidente não foram confirmadas, mas testemunhas disseram que o incêndio começou quando um malabarista estava fazendo um espetáculo “engolindo fogo”, denominado “pirofagia” e as chamas então atingiram as cortinas do local. O espetáculo contava ainda com vários animais, como um leão e um tigre, que também morreram no desastre aparentemente asfixiados.
Foto - Barman fazendo malabarismo com bebidas com fogos.
Caretas - Edición Nº 1731-25 de julio de 2002
2 - Quando um dos cinzeiros com gasolina especial colocado no primeiro piso acendeu-se, o fogo chegou até o teto do segundo piso. “Na discoteca Utopia era costume de colocar cinzeiros com gasolina nos bares e logo acendê-los, o qual tinha um significado. Disseram-me que, em um dos cinzeiros colocaram muita gasolina e no momento de acendê-los, o fogo subiu até o teto”, revelou o jornalista do Canal N Raul Tola, que se encontrava no local, descartando a versão de que havia malabaristas realizando espetáculo com fogo.

3 - Um jovem que não quis identificar-se, afirmou que o foi o DJ (disk-jockey) da discoteca Utopia, quem iniciou o fogo dentro de sua própria cabina, quando fazia malabarismo com uma pequena taça com fogo. “Antes havia sido realizado na discoteca um espetáculo com fogo, nos bares, controlado, pois os tampos dos bares eram de aço. Eu estava a um metro e meio do DJ, junto com outras duas pessoas e pudermos ver como começou o fogo e logo se desencadeou o pânico”, expressou.
“Na terceira vez que o DJ realizou seu malabarismo, pegou fogo no teto da cabina, começou o inferno”, enfatizou.

Testemunhas
1 - A estudante da Universidade de Lima, Martha Sofia Céspedes Calderón, 19 anos. Afirmou que depois das 2 h da madrugada, o DJ anunciou um novo ritmo frenético, música eletrônica, desenfreada e caótica. “Apareceu próxima a cabine de som, localizada no terceiro nível e começou a dançar, marcando passo da gente. Nesse momento, vi incendiar-se uma tocha. Fiquei impressionada pela originalidade do número”, disse a jovem.
“Além disso, havia anunciado a exibição de um leão”, disse a estudante. Ricardo, o namorado confirmou. “Ninguém teve medo, quase todos começaram seguir o ritmo da música e pularam de seus lugares”. “Não sei em que momento o fogo aumentou e alcançou o teto do terceiro nível. A cabine do DJ também começou a arder”, acrescentou o namorado. Ambos confirmam que no instante que viram o responsável pelo som correr, entenderam que estava em perigo.
“Corremos, corremos, até a porta principal. Tivemos de cruzar um corredor por detrás da cabine de som em chamas. A saída estava bloqueada. Creio que morreria, quando mais pessoas começaram a chegar no mesmo lugar e começaram a pressionar. Não podíamos respirar, não havia luz e o local totalmente ocupado pela fumaça. Deus é grande, creia-me, a porta cedeu e chegamos na área do estacionamento”, disse Marta, exteriorizando também angústia gerada pela experiência.
2 - Saí do local com mais absoluta tranqüilidade. Também não era a maneira mais cômoda, mas foi relativamente normal dentro da situação, confirmou o jornalista do Canal N, Raul Tola, mas muitas pessoas haviam entrado em estado de choque. Ele revelou que o local não contava com medidas de segurança adequadas, e que não havia extintores e as saídas não estavam sinalizadas. “Havia uma série de elementos que me parece não foram levados em consideração no momento de projetar o local. Segundo Raul Tola, muitas pessoas faleceram em conseqüência da asfixia, atropelamento e pisoteamento entre os jovens que queriam sair apressadamente. “A maior parte das pessoas que estava fora do recinto, estava muito nervosa, muitas mulheres chorando e em estado de pânico e outras estavam intoxicadas pela fumaça. Alguns empregados de alguma maneira indicavam a saída, como o pessoal dos bares”, disse Raul Tola.
Foto - O Barman brincando com fogo. Nota-se, também a taça com fogo. Caretas – Edición no 1733 - 8 de agosto de 2002
3 – Segundo relato de uma testemunha, que estava próximo o DJ (disc-jockey)
Quando o DJ realizou seu malabarismo com uma taça com fogo e atingiu o teto da cabina, o inferno começou, enfatizou. Não conseguimos controlar o fogo e começamos a avisar os assistentes do que estava passando, disse. Eu mesmo comecei a alertar o pessoal, gritava desesperadamente, mas não havia portas de saída sinalizadas para que o público pudesse evacuar do local rapidamente. Não vi o DJ com algum extintor para apagar o incêndio. Tampouco observei que ninguém na discoteca pegou um extintor, porque simplesmente não tinha nenhum no recinto. A testemunha expressou; “Creio que se atuasse em tempo, com apenas um extintor teria controlado o fogo na cabina e evitado que propagasse para o teto”.
A testemunha afirmou que tanto foi o desespero dos assistentes que trataram de apagar as chamas jogando bebida e água em garrafa, sem saber que isso aumentava ainda mais as chamas.
“Creio, que se produziu o curto-circuito, porque as chamas propagaram-se em poucos minutos no local”, sustentou. Disse que, muita gente estava se asfixiando no local. “Eu fui um dos primeiros a sair do local, mas a maioria ainda estava no local. Atropelaram-se, caíam, se asfixiaram, aquilo era um inferno e eu não podia fazer nada para ajudar, foi algo horrível, ao fazê-lo, quase não podia respira pela densa fumaça, escutava gritos de dor, era terrível”.
“Tinha gente se jogando do segundo piso pelo desespero de não saber onde ficava a porta de saída”. Além disso, “eu tinha cortado as pernas e o corpo, porque havia vidros jogados no piso por todos os lados”.
“Não havia segurança”, concluiu a testemunha da tragédia. “Apenas havia uma porta em condições para escapar”.

Evacuação de pessoal e emergência
Devido ao elevado número de feridos, as ambulâncias e as viaturas policiais foram insuficientes para efetuar a remoção para os hospitais. Tiveram de utilizar veículos particulares. A evacuação das pessoas iniciou-se às 3 h 15 min da madrugada. Os bombeiros corriam de um lado para outro, tirando macas ou carregando os feridos inconscientes nos ombros e os para-médicos, tratando de reanimar com massagem cardíaca vários jovens que não evidenciavam sinais de vida.

Corpos de Bombeiros e socorristas
Às 3 h 09 min da madrugada, a central de bombeiros recebeu o aviso de emergência. Cerca de 60 bombeiros de diversas regiões de Lima foram deslocados para o local. A polícia e a Unidade Especial de Emergência de Surco mobilizaram um contingente semelhante ao Corpo de Bombeiros, quase na mesma hora, quando a discoteca ardia em chamas, sem controle.
Os bombeiros tiveram problemas operacionais, pois não tinham aparelhos autônomos de respiração suficientes ou máscaras contra gases. A maioria dos socorristas e bombeiros entrou no local utilizando lenços ou o próprio vestuário para se proteger.
A fumaça no local era tão densa que as lanternas ou os refletores não conseguiam iluminar o ambiente. Os bombeiros e as unidades especiais entraram no local em fila indiana e tateando o local. Os bombeiros e os socorristas tiveram que multiplicar esforços e lutar contra o tempo para salvar vidas
A pista de dança da discoteca era especial, tipo anti-stress. Estrutura elevada metálica, revestido em borracha. A borracha altamente combustível foi consumida rapidamente e produziu fumaça altamente tóxica, intoxicando e matando diversas pessoas.
Cerca de 400 pessoas entre bombeiros, policiais e unidades especiais de resgate participaram do resgate.

Balanço de mortos e feridos
Na primeira semana depois da ocorrência:
30 mortes, centenas de pessoas permaneceram internadas em hospitais ou em observações.
Na segunda semana depois da ocorrência:
30 mortes, 15 pessoas permaneceram internadas em hospitais, sendo 10 estados graves em UTI’s e 58 pessoas foram liberadas

Responsabilidade da segurança
José Chueca Romero, diretor do Shoping Center Jockey Plaza, informou que o sistema de segurança do recinto comercial estava em operação e que a administração da discoteca nunca comunicou que haveria espetáculo de fogo.
Ele afirmou:
■ que as portas de saída estavam funcionando sem problema e assim como contavam com extintores e mangueiras em caso de incêndio. Chueca Romero responsabilizou os proprietários da discoteca Utopia pela tragédia.
■ que cada um dos 200 locais possui seu próprio sistema de segurança. Nesse sentido confirmou que são os responsáveis dos respectivos locais que fazem as inspeções para determinar se o sistema de segurança se encontra ou não em perfeitas condições.
■ isso foi uma ocorrência trágica, isolada, em cinco anos de funcionamento do shopping e nuca tivemos um incidente dessa magnitude.

Falta treinamento dos funcionários e equipamentos de incêndio
Foi um desastre anunciado, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários, Tulio Nicolini.
Assegurou que:
■ o local era uma verdadeira bomba relógio que por desgraça explodiu.
■ apesar de que a edificação é moderna, não contava com equipamentos contra incêndios básicos, para enfrentar com êxito uma emergência desse tipo. Existem disposições locais e normas internacionais que obrigam os proprietários de imóveis semelhantes a instalar sistemas de chuveiros automáticos.
■ não tinha procedimentos de evacuação, sinalizações ou portas de saída adequadas, enfatizou.
■ os funcionários do local não estavam preparados para orientar o público e conduzir a evacuação em situação de perigo. E que o centro noturno não era suficientemente amplo para abrigar tanta gente.
■ havia mais de 1.000 pessoas, é uma barbaridade. Ninguém utilizou extintores, conforme puderam verificar os primeiros brigadistas que chegaram ao local.
Ministério Público
O Ministério Público designou Lavander Rivera para assumir a investigação do caso. Lavander Rivera solicitou a intervenção dos agentes da Unidade Contra Incêndios, da Diretoria de Segurança do Estado, com finalidade de estabelecer as causas do incêndio. Ela também inspecionou pessoalmente o imóvel destruído, comprovando que não existia sinalização para as saídas de emergência e tampouco equipamentos contra incêndio. Por esta razão avalia denunciar penalmente os proprietários por “exposição de pessoas ao perigo”.

Falta de coordenação na fiscalização
Um mês antes da tragédia, o Instituto Nacional de Defesa Civil detectou áreas com problemas de saídas em caso de emergência, nas instalações do shopping Jockey Plaza, de acordo com o relatório técnico da segunda região da Defesa Civil.

Problemas relacionados no relatório datado de 30 de junho de 2002.
■ algumas áreas livres e corredores de circulação de pessoal foram invadidos com mercadorias, painéis publicitários e outros objetos, dificultando a saída e evacuação, tanto em situações normais, como em caso de ocorrência de emergência.
■ o centro comercial possui sinalização incompleta; de rotas de fuga em caso de emergência, de segurança e de extintores.

Vários sobreviventes do incêndio confirmaram que a falta de sinalizações; de rotas de fuga no interior da discoteca, assim como a dificuldade de encontrar os extintores, pelos que tentaram apagar o fogo com bebidas, que aumentou ainda mais o fogo e acelerou a tragédia.

A inspeção de segurança foi realizada por Romelio Mejía Rodrigo, inspetor de segurança da Unidade de Prevenção da Segunda Região da Defesa Civil, o fiscal Wilfredo Ureta Torres e o representante da municipalidade Walter Elera Ortigas.

De acordo com as observações mencionadas no relatório técnico, foram recomendadas as seguintes modificações:
■ Revisar a sinalização de segurança nos encontros de vigas e colunas de concreto armado, em cada um dos pisos do shopping.
■ Colocar sinalização que orientem a evacuação até as saídas existentes nos pavimentos ou até as escadas mais próximas.
■ Sinalização e colocação dos extintores em locais que possam ser vistos de qualquer ponto.

Apesar de ter encontrado algumas deficiências nas medidas de segurança do shopping, o relatório técnico da Defesa Civil, conclui;
■ que o local reúne as condições regulares de segurança, em caso de movimentação sísmica (terremoto).
■ em relação a incêndio; o local apresenta condições de segurança suficientes, tais como; extintores e hidrantes.

A Defesa Civil emitiu um outro relatório técnico a respeito da segurança da discoteca e concluiu que não tinha problema.

De acordo com a versão do gerente geral da discoteca, Percy North Carrión, a Defesa Civil havia comprovado o cumprimento das medidas de segurança do local. Embora, os fatos e as versões das testemunhas que sobreviveram à tragédia contradizem as versões de Percy North e da Defesa Civil.

As testemunhas confirmam que a porta principal de acesso estava fechada, também que os cinzeiros continham gasolina (material inflamável) para chamar a atenção do público até o bar, onde se vendia bebidas.
Segundo os sobreviventes, o fogo começou na cabina do disk-jockey, que estava instalada sobre a rota principal de acesso a discoteca.

Resposta da Defesa Civil
A Segunda Região da Defesa Civil afirma que advertiu a discoteca Utopia para providenciar instalações de segurança contra incêndio, extintores e sinalização de segurança, antes de iniciar o funcionamento”.

De acordo com a informação da Defesa Civil, as recomendações mencionadas constam no relatório técnico básico de segurança em Defesa Civil, realizado em 30 de abril, depois de verificar as instalações do local, solicitado pelos diretores da empresa Inversiones García North.

A fiscal Olinda Landavere e funcionários da Defesa Civil comprovaram no local a falta de sinalização de rotas de fuga, a qual as pessoas presentes no local se refugiaram nos banheiros, onde morreram por asfixia e não saíram pelas rotas de fuga.

A Defesa Civil afirma que neste caso violaram as condições de segurança “ao estabelecer um espetáculo com fogo aberto em um lugar fechado, com as dimensões e características inapropriadas”.

Falta de autorização
A discoteca é de propriedade da empresa Inversiones García North S.A.C, representada pelo acionista majoritário e gerente geral Percy North Carrión. O prefeito do distrito de Surco, Carlos Dargent, assegurou que a empresa inaugurou o local sem autorização municipal. “Não tinha licença de funcionamento e nem de construção”, disse Carlos Dargent.
”Não foi aprovado a autorização, por não apresentar as condições de segurança apropriadas”, acentuou o prefeito. Um dos funcionários municipais presentes na conferência de imprensa, afirmou sem dúvida: foi um crime que a discoteca funcione sem autorização municipal.
O prefeito de Surco, Carlos Dargen, jurisdição à qual pertence o centro comercial, afirmou às emissoras de Lima que os proprietários serão processados pelo município pela falta de segurança do estabelecimento.
O diretor da Municipalidade de Surco, Luis Recavarren afirmou que o relatório elaborado pela Defesa Civil, que informava que a Discoteca Utopia, apresentava em condições de segurança, impediu o seu fechamento.

Inspeção realizada após o incêndio
A fiscal Claudia Olinda Lavander Rivera e uma equipe de peritos da Direção de Investigação Criminal realizaram uma nova inspeção na discoteca, constatando:
■ que o local era revestido internamente com material sintético inflamável que, ao entrar em combustão, gerou gases tóxicos mortais.
■ os tetos dos quatro níveis incluíam revestimento de cortiça, material que desintegra ao ser submetido a altas temperaturas, aumentando ainda mais o fogo.
■ todos os pilares de concreto foram decorados com revestimento de acrílico, enquanto o piso estava revestido com material de borracha.

A inspeção permitiu comprovar, também, em que pese o perigo que todos estavam expostos, a quem buscavam diariamente o local para diversões, em todo o estabelecimento, havia apenas dois extintores manuais, os quais não foram utilizados.
Constatou-se, que a inspeção anterior tinha verificado, havia apenas uma sinalização até as portas de saída, a qual tinha indicação em inglês, fato que havia impedido de orientar-se a quem não dominava esse idioma.

Os peritos criminalísticos retiraram amostras de materiais dos setores que foram mais afetados pelo incêndio, assim como daqueles que ficaram intactos, com finalidade de realizar exames de laboratórios correspondentes.

Problemas na fiscalização de discotecas e bares
A Municipalidade de Lima mantém inúmeros conflitos legais com os proprietários de discotecas e bares noturnos que se negam executar medidas de segurança e que poderiam provocar tragédia similar a que ocorreu em Surco, porque são verdadeiras armadilhas mortais. A diretora Municipal de Fiscalização e Controle, Gabriela Adrianzén, informou que até o momento não pode suspender o funcionamento das discotecas Los Botes e Calle devido ao recurso de amparo legal que outorga o poder judicial.
Os locais possuem saídas de emergência inadequadas, em números reduzidos, explicou a funcionária, apenas pode abrigar no máximo 300 pessoas. Embora, nos fins de semana os proprietários permitem ingresso de 600 a 1000 pessoas, colocando em risco a vida das pessoas.

Shopping Center Jockey Club
O shopping iniciou suas atividades em 1997, como maior centro comercial do Peru. Está construído em um terreno de 130 mil m2, localizado no bairro de Hipódromo de Monterrico, no cruzamento das principais vias de acesso da cidade de Lima; estrada Panamericana e a avenida Javier Prado.
O shopping possui cerca 230 lojas comerciais, que proporcionam variedades de produtos e serviços, 12 salas de cinemas e restaurantes. A estimativa de venda anual é de US$ 300 milhões. Cerca de 2 milhões de pessoas circulam mensalmente e efetuam aproximadamente 1,5 milhão de transações comerciais.

Históricos de incêndios em discotecas
16-04-1997, Amarante, Portugal: 13 pessoas morreram, briga entre grupos, incêndio criminoso.
28-10-1998, Gotemburgo, Suécia: Incêndio numa discoteca, com excesso de lotação, com 63 mortes.
25-12-1998, Lima, Peru: Delinqüentes jogam uma bomba de gás lacrimogêneo na pista de dança da discoteca Suárez. A porta principal e a saída de emergência estavam fechadas, morreram nove pessoas
20-10-2000, México D.F., México: Incêndio na discoteca Lobohombo, que não tinha saída de emergência, morreram vinte pessoas.
25-12-2000, Luoyang, China: Cerca de 309 morreram no incêndio numa discoteca no centro comercial Dongdu.
01-01-2001, Volendam, Holanda: 10 mortos e 130 feridos no incêndio na discoteca Het Hemeltje.
01-09-2001, Tokio, Japão: Incêndio na discoteca Mah-Jongg Club, situada no terceiro andar de um edifício. Corredores estreitos e falta de ventilação, provocaram a de 44 pessoas.

Fontes: La República - Jueves, 21/25 de julio del 2002 , Caretas – Peru – Edición no 1733 - 2 de agosto de 2002 ABC – Espanha - domingo 21 de julio de 2002, USA Today - 07/20/2002

Comentário:
Nota-se que nesse incêndio na Discoteca Utopia, em Lima, Peru, as deficiências observadas na segurança contra incêndio não fogem dos padrões observados em outros incêndios ocorridos em outras partes do mundo.

O paradigma das deficiências que resultam no incidente são:
1 - Proteção ativa
■ deficiência na proteção contra incêndio (extintores, hidrantes, chuveiros automáticos, brigada de incêndio, procedimento de emergência, iluminação de emergência, etc)
■ sistema de ventilação
2 - Na segurança passiva
■ análise do projeto ( novo ou adaptação de uma edificação com suas deficiências estruturais, obsoletismo)
■ material inflamável empregado
■ revestimento com material inflamável
■ corredores de circulação
3 - Excesso de lotação
4 - Deficiência de fiscalização e aprovação de projetos pelos órgãos envolvidos (municipais, estaduais e Corpo de Bombeiros)
5 - Falta de coordenação dos órgãos envolvidos para aprovação do projeto

A tragédia da discoteca Utopia, lembra a tragédia que ocorreu na Casa Noturna em Minas Gerais, quanto às deficiências . Parece reprise:
■ O Canecão Mineiro não tinha estrutura de emergência para funcionar como casa de shows, segundo o capitão Antônio Rocha, do Corpo de Bombeiros. "Não havia saídas de emergências e outros itens obrigatórios de segurança, como iluminação própria para esses casos e sinalizações de saídas", disse ele. .
■ O Canecão Mineiro, não tinha a licença da prefeitura para funcionar, além da falta de um plano de segurança. A ausência do alvará foi confirmada pelo procurador-geral do município.

Após uma grande tragédia, quer seja no Brasil ou em outros países, sempre indagamos: O que houve de errado? Discutimos quem foi o culpado ou adotamos o jogo do empurra-empurra entre os órgãos envolvidos. E nunca preocupamos com a prevenção. O que pode dar errado?
Passado algum tempo, voltamos à rotina das deficiências dos órgãos competentes, isto é, o ciclo dos quatro F’s;
■ Falta de recursos dos órgãos responsáveis,
■ Falta de fiscalização,
■ Falta de aplicação das normas de segurança e
■ Falta de prevenção.

Exigência básica de segurança para discotecas conforme normas internacionais

1-Extintores e hidrantes
2-Sistema de chuveiros automáticos (sprinkler)
3-Detectores de fumaça interligados ao sistema de iluminação de emergência (rota de fuga)
4-Iluminação de saídas de emergência (portas e saídas)
5-Central de alarme de emergência
6-Portas de emergência com barras antipânico, com sinalização luminescente
7-Locais com lotação acima de 200 pessoas, pessoal com treinamento para procedimento de emergência
8-Portas de entrada e saída, com aberturas suficientes para evacuação pelo menos da metade da lotação
9-Sistema de comunicação de emergência
10-Os estabelecimentos devem possuir selo de certificação e aprovação pelos órgãos municipais e pelo Corpo de Bombeiros

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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Salva-vidas resgatados por Salva-vidas


Em treinamento para salvar vidas no próximo verão, um grupo de bombeiros e policiais militares esteve perto de se tornar vítima do mar na quarta-feira, à tarde, 3 de dezembro de 2008. Parte da equipe que nadava na praia do Cassino, em Rio Grande, foi arrastada por uma correnteza e teve de ser resgatada do mar por embarcações. Todos se salvaram.

O grupo de 47 homens treinava na praia para atuar como salva-vidas. A equipe e o instrutor entraram na água por volta das 16h para a parte prática do exercício. Com flutuadores e bóias, eles nadavam. Após passarem à arrebentação, acabaram puxados por uma corrente marítima que os conduzia para dentro do mar. Do grupo, 17 conseguiram retornar a nado para a terra, saindo do mar por volta das 17h. Os outros 30 ficaram na água à espera de resgate.

Correnteza forte
Com nadadeiras e uma pequena bóia de plástico, os salva-vidas enfrentaram ondas de até três metros e nadaram mais de 500 metros, além da última das cinco linhas de arrebentação das ondas. Quando tentavam retornar, tiveram uma surpresa: davam braçadas, mas não saíam do lugar. Nadávamos e não saíamos do lugar. A sensação era de que eu era sempre o último do grupo — contou Vagner Gonzales, 28 anos, de Pelotas, explicando a sensação de desespero do momento em que estavam na água. A água estava muito violenta e começou a separar os homens. Uns têm mais velocidade do que os outros, então, resolvemos permanecer juntos, disse José Carlos Rodrigues Martins, 47 anos, de São Gabriel.

Ao ver colegas sem poder dar braçadas, os salva-vidas decidiram se dividir. A maioria ficou junto, boiando em grupos de oito, enquanto 17 retornavam, no braço, até a praia. Um dos que conseguiu nadar para a costa foi o soldado Anderson Arriens, 26 anos. Ele diz que se deixou levar em paralelo ao longo da praia e, quando a corrente perdeu força, nadou em diagonal.
O capitão Riomar dos Santos, 48 anos de idade e 21 como salva-vidas, foi um dos primeiros a chegar à praia. Veterano, acionou o pedido de socorro.

Uma corrente de retorno nos pegou e impedia nossa volta à costa. É exaustivo, se é ruim para a gente, imagina para um cidadão que não tem nossa forma física e nem está acostumado, descreve o capitão Ben-Hur Pereira da Silva, 37 anos, 20 como nadador experimentado.

Ajuda e resgate
Para auxiliar no resgate, foram mobilizados três botes do Grupamento de Fuzileiros Navais do Rio Grande, da Marinha, uma lancha da praticagem da Barra e os bombeiros do Cassino. O salvamento terminou por volta das 19h. Os homens resgatados passaram por uma avaliação no momento em que chegavam à terra. Para aquecer o corpo, recebiam cobertores.

Hospitalizados
Cinco tiveram de ser levados para o hospital com suspeita de hipotermia. Como passaram quase três horas no mar, eles sofreram queda da temperatura corporal e foram levados ao hospital. Até às 23h, os cinco permaneciam no Pronto Socorro da Santa Casa sem previsão de serem liberados.
A hipotermia ocorre quando o corpo enfrenta baixas temperaturas ambientes por tempo prolongado, o que ocorreu no caso dos salva-vidas porque o mar estava frio.

Salva-Vidas experientes
O instrutor, capitão Riomar dos Santos, explica que, como o grupo era formado por salva-vidas experientes e que estavam com equipamentos, não havia risco de afogamento.
A nossa preocupação é que logo ficaria escuro e seria difícil localizar o grupo. Eles poderiam morrer de hipotermia, diz o capitão, que conseguiu voltar nadando para a beira da praia.
Coordenador de treinamento da Operação Golfinho do Litoral Sul, o major Adilomar Silva explica que, em busca do melhor treinamento, são escolhidos propositalmente dias em que mar esteja mais agitado. A idéia é simular uma situação de veraneio. Infelizmente, a corrente traiçoeira arrastou o grupo para dentro. Fica a experiência, disse.

Como estava o mar
Segundo o relato dos salva-vidas, o mar estava revolto. A corrente arrastava as pessoas para longe da costa O vento sul era, com rajadas, de 50 km/h, considerado forte.

Alerta para os ventos
Um alerta da praticagem da Barra (órgão que controla a entrada das embarcações na barra de Rio Grande), de terça-feira, já avisava sobre a força dos ventos no litoral sul. Por isso, a barra ficou fechada desde as 19h40min de terça-feira até às 15h30min de quarta-feira. Neste intervalo de tempo, embarcações não entraram nem saíram pelo canal.

Fontes: Zero Hora – 04 de Dezembro de 2008 e Jornal Agora - Rio Grande, 05 de Dezembro de 2008

Comentário:
Esse acidente é interessante mostra que qualquer tipo de treinamento em cenário próximo ao real deverá ter uma equipe de prontidão para qualquer tipo de imprevisto, tais como; acidente, indisposição de pessoal, etc. A auto‑suficiência ou a impetuosidade do tipo de treinamento ou desconhecimento do local, em que os lideres acham que controlam todas as variáveis que concorrem para o acidente, é quando acontece o desastre.
Conhecendo o inimigo: Em 400 a.C o general chinês Sun Tzu escreveu um livro sobre “A arte da guerra” e um dos tópicos do livro ele disse "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada batalha vencida você sofrerá uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...". Ele quis dizer; que a falta de planejamento, falta de conhecimento do cenário ou do local, falta de conhecimentos dos riscos presentes no cenário, tudo isso concorrem para a derrota ou desastre.
No caso do grupo de salva-vidas, concorreram várias falhas durante o treinamento, tais como;
■ Falta de uma equipe de emergência para eventual acidente
■ Falta de bote inflável ou barco no local do treinamento
■ Única informação correta da região de treinamento, que não foi levada em conta, no sentido de precaução durante o treinamento: Alerta da praticagem da Barra (órgão que controla a entrada das embarcações na barra de Rio Grande), avisava sobre a força dos ventos no litoral sul. Por isso, a barra ficou fechada desde as 19h40min de terça-feira até às 15h30min de quarta-feira. Neste intervalo de tempo, embarcações não entraram nem saíram pelo canal.
Eles erraram ao entrar na água gelada, quando havia alerta de ondas grandes e ventos de até 50 km/h?
As falhas humanas são as principais causas dos acidentes, tais como;
■ deficiência de julgamento,
■ de supervisão e planejamento,
■ aspectos psicológicos e
■ indisciplina
Na maioria das vezes a pessoa com muita experiência subestima os riscos latentes.

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terça-feira, dezembro 02, 2008

Garoto de 12 anos morreu depois de usar excessivamente desodorante Lynx


Daniel Hurley, 12 anos, sofreu colapso e morreu no banheiro de sua casa "após utilização exagerada do desodorante. Ele foi envolvido pelo solvente contido no desodorante Lynx Vice spray e seu coração começou a bater irregularmente”, segundo inquérito policial.

Seu pai disse no inquérito “que estava fazendo um chá enquanto seu filho estava no banheiro em sua casa em Sandiacre, perto de Nottingham. O banheiro é adjacente à cozinha e eu gritei para ver se ele estava bem. Eu não ouvi nada e gritei novamente, mas ele não respondeu. Forcei a porta para abrir e encontrei meu filho desmaiado na banheira. Verifiquei sua freqüência cardíaca e sua respiração, mas ele não estava respirando”.

Uma ambulância levou Daniel para o hospital Nottingham's Queen's. Ele morreu cinco dias depois.

Daniel Hurley morreu após usar o desodorante Lynx Vice spray, mas o médico legista disse que a embalagem advertia claramente dos possíveis perigos.

O consultor patologista Dr. Andrew Hitchcock, que efetuou a autópsia em Daniel, disse que não encontrou evidencias de abuso de substâncias. Também não houve evidência de qualquer doença com risco de vida, de álcool ou drogas no organismo de Daniel.

O que temos neste caso é alguém que pode muito bem ter tido uma anormalidade cardíaca, na presença do solvente, disse Dr. Hitchcock. É muito provável que a inalação passiva do solvente quase certamente levou à sua morte, disse o patologista.

O médico legista Dr. Robert Hunter registrou o veredicto como morte acidental, dando como causa arritmia cardíaca, exagerada pela exposição a solventes. Ele disse que estava convencido que a Unilever, o fabricante do Lynx, advertiu suficiente sobre suas embalagens que quantidade excessiva de desodorante aerossol não devem ser usados em espaços fechados.

As embalagens de Lynx avisam que o produto deve ser mantido fora do alcance das crianças, acrescentando: A utilização em locais bem ventilados, evitar a pulverização prolongada.

No entanto, o Dr. Hunter disse: "Não sei quantas pessoas lêem a advertência sobre o uso do desodorante”. “As pessoas precisam saber sobre os riscos que esses produtos têm."
Um porta-voz da Re-Solve, uma organização que combate o uso e abuso de solvente, disse que era o primeiro caso que eles tinham conhecimento que alguém morreu em conseqüência de exposição acidental a solventes em aerossóis.

Fonte: Mail Online - 20th November 2008

Comentário:
Esse desodorante é conhecido em alguns países como Axe. É um tipo de desodorante-colônia para o corpo todo.
Interessante que os comerciais desse desodorante dão ênfases as fantasias sexuais, conquistas, garotas, etc. e quem usá-lo tem algo mais para oferecer, seria um desodorante afrodisíaco. Em alguns comerciais não há nenhuma preocupação com a inalação do desodorante, a utilização é geral no corpo, contradiz tudo o que se recomenda na embalagem. Para ler as recomendações da embalagem somente com uma lente de aumento ou lupa. As letrinhas do aviso são tão pequenas, que passam despercebidas pelos consumidores. Tive dificuldade de ler as advertências.
Como um fabricante desse produto, que é a Unilever fabrica e coloca no mercado um produto tão perigoso, que necessita de uma série de procedimentos que estão na embalagem tais como; cuidado não pode inalar, cuidado com chama aberta (calor), não deixar em local quente (cuidado deixar no carro), não perfurar a embalagem, cuidado com os olhos, cuidado com irritações na pele, etc. Afinal é produto de higiene pessoal ou uma bomba inflamável?
Usei uma vez e foi a última, pois achei muito irritante. Mesmo que você não queira, a pessoa inala um pouco durante a sua utilização.
O fabricante chega ao absurdo de recomendar sua utilização em espaço ventilado, esquecendo que o banheiro é um lugar fechado, pouco ventilado e cada vez menor. Imagino as pessoas que fumam no banheiro e utilizem esse desodorante. É um autentico lança-chamas ou bomba incendiária.
E as crianças e adolescentes acham que desodorante é semelhante a perfume, gostam passar no corpo. Nesse caso o desodorante deveria ter uma traja vermelha, proibindo para menores de 18 anos.
Todo produto do tipo aerossol de higiene pessoal acionado por propelente a base de solvente deveria ser proibido.

Composição do desodorante: Isobutano, butano, propano, álcool etílico, perfume, miristato de isopropila e triclosano.

Característica do Isobutano
Inalação: Pode ser irritante para as membranas mucosas. As altas concentrações pode causar sonolência. As concentrações muito altas podem agir como um asfixiante e causar dor de cabeça, sonolência, vertigem, excitação, excesso de salivação, vômito e inconsciência. A falta de oxigênio pode causar asfixia e levar a morte.

Outros efeitos da superexposição: Este produto é um asfixiante. A falta de oxigênio pode causar asfixia e levar a morte.

Proteção Respiratória (Tipo Específico): Utilize respirador com filtro para vapores orgânicos em concentrações até 10 vezes o TLV. Para concentrações ainda mais altas, use máscara com suprimento de ar, ou equipamento autônomo de respiração operando na pressão recomendada.

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