Acidentes, Desastres, Segurança, Meio Ambiente, Riscos, Ciência e Tecnologia
domingo, junho 07, 2026
ATAQUE DE TUBARÃO NO LITORAL DE PERNAMBUCO
O litoral de
Pernambuco, especialmente a Região Metropolitana do Recife, vive um momento de
alerta máximo devido a uma sequência de incidentes graves com tubarões
ocorridos no início de junho de 2026
1º de Junho (Segunda-feira):
Uma mulher de 19 anos foi
mordida por um tubarão nesta segunda-feira (1º) na praia de Boa Viagem, na zona
sul do Recife. O local fica na altura da rua Padre Bernardino Pessoa. É o
segundo caso em dois dias envolvendo ataque do animal a banhistas na região.
De acordo com o Corpo de
Bombeiros, a vítima perdeu uma das pernas no ataque. Ela recebeu atendimento
ainda na praia, foi encaminhada ao Hospital Alfa para estabilização e depois
foi transferida para o Hospital da Restauração em uma UTI móvel do Samu. Seu
nome não foi divulgado.
De acordo com o Cemit (Comitê
Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões), a avaliação preliminar
indica que o animal envolvido no incidente desta segunda-feira foi um
tubarão-tigre adulto, com cerca de 3 m de comprimento.
O órgão disse que a espécie é
mais ativa no início da manhã e no fim da tarde, períodos em que costuma
intensificar a busca por presas.
31 de Maio (Domingo):
Um menino de 11 anos foi
atacado na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Ele sofreu ferimentos
graves e precisou ter a perna esquerda amputada.
O garoto foi mordido pelo
tubarão às 13h40, e banhistas acionaram o Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência) para os primeiros socorros.
Placa vermelha e branca na
areia da praia alerta para área sujeita a ataque de tubarão, com símbolos de
perigo e recomendações para evitar banho de mar.
De acordo com o Corpo de
Bombeiros, o menino sofreu ferimentos nos membros superiores e inferiores e
recebeu atendimento pré-hospitalar da equipe de guarda-vidas da corporação.
Foram mobilizadas três viaturas e oito militares no atendimento.
A criança teve a perna
esquerda amputada após dar entrada em estado gravíssimo no Hospital da
Restauração. Segundo o diretor da unidade, a criança sofreu uma lesão extensa
no membro inferior, que não podia ser revascularizada.
De acordo com o médico, o
menino chegou ao hospital com choque hemorrágico grave e foi encaminhado
diretamente ao centro cirúrgico. Segundo ele, a mordida destruiu a musculatura
da perna e atingiu vasos de grande calibre.
Ainda segundo o médico, a
criança foi mantida sedada e em ventilação mecânica após a cirurgia. O médico informou
também que houve fraturas no segundo e no terceiro metacarpos da mão esquerda,
que foram tratadas cirurgicamente.
O Cemit (Comitê Estadual de
Monitoramento de Incidentes com Tubarões) informou que o animal responsável é
um tubarão-cabeça-chata adulto, espécie que costuma frequentar áreas rasas em
busca de alimento.
A estimativa do órgão é de
que ele tem cerca de 2,5 metros de comprimento, calculados a partir do tamanho
da arcada deixada pela mordida.
Saúde
Ambos estão internados no
Hospital da Restauração (HR), no Recife. As atualizações médicas mais recentes
indicam que ambos estão conscientes e já respiram sem a ajuda de aparelhos,
embora o quadro ainda exija cuidados intensivos.
Com esses episódios,
Pernambuco já soma 4 incidentes em 2026 (incluindo um caso fatal em Olinda e um
caso leve em Fernando de Noronha no início do ano), chegando a um total
histórico de 84 registros desde 1992.
POR QUE PERNAMBUCO TEM TANTOS
ATAQUES
Especialistas em biologia
marinha reforçam que não existe uma causa única, mas sim uma combinação de
fatores geográficos e ambientais:
CANAL PROFUNDO:
A topografia da costa do
Grande Recife possui um canal profundo muito próximo da areia. Quando a maré
sobe, os tubarões (principalmente as espécies Tubarão-Tigre e Cabeça-Chata)
conseguem nadar até bem perto da praia.
IMPACTO AMBIENTAL E
PORTUÁRIO:
A construção do Porto de
Suape (décadas atrás) alterou as rotas migratórias dos animais e destruiu
habitats naturais. Além disso, o lixo e o esgoto despejados no mar atraem esses
predadores.
ÁREAS DE MAIOR RISCO:
O trecho entre: Cabo de Santo
Agostinho
Recife (Boa Viagem)
Olinda é considerado zona
crítica de risco para incidentes.
PROXIMIDADE DE RIOS:
A presença de foz de rios
deixa a água turva, o que dificulta a visão do tubarão e faz com que ele
confunda banhistas com suas presas habituais.
PRINCIPAIS RECOMENDAÇÕES AOS
BANHISTAS
O Comitê Estadual de
Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) reforça os cuidados
obrigatórios na região de Olinda, Recife, Jaboatão e Cabo de Santo Agostinho:
ÁREAS DE INTERDIÇÃO:
Respeite rigorosamente as
placas. O surf e outros esportes aquáticos são permanentemente proibidos nas
áreas de maior risco.
HORÁRIOS E MARÉS:
Evite entrar na água durante
a maré alta e nos períodos do amanhecer ou entardecer, quando os tubarões estão
mais ativos para caça.
CONDIÇÕES DA ÁGUA:
Nunca entre no mar se a água
estiver turva ou chuvosa.
PROFUNDIDADE:
Não avance para áreas
profundas (mantenha a água sempre abaixo da linha da cintura).
ADEREÇOS:
Evite usar objetos brilhantes
(como relógios, anéis e correntes) que possam refletir a luz e atrair a atenção
do animal.
Fonte: Folha de São Paulo - 1º.jun.2026 ;UOL, em São Paulo
- 01/06/2026
DESASTRES CLIMÁTICOS CAUSARAM PREJUÍZOS DE R$ 28 BILHÕES AO BRASIL EM 2025
Os desastres climáticos que
atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$
28,4 bilhões, aponta relatório da Aon, corretora e consultora de riscos sediada
no Reino Unido.
O número representa uma queda
em relação a 2024, quando os eventos extremos no país provocaram danos de US$
12 bilhões (R$ 62,8 bilhões na cotação atual), de acordo com a empresa. Naquele
ano, o montante foi impulsionado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujos
estragos somaram US$ 5 bilhões.
Beatriz Protasio, CEO de
resseguros para o Brasil na Aon, afirmou que o Brasil saiu de um patamar
histórico de baixo risco catastrófico para uma recorrência de perdas
multibilionárias.
"O nível de prejuízo
permanece acima das médias históricas do início do século, refletindo a maior
frequência de eventos extremos e a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e
do setor agrícola", diz.
SECA
A empresa calcula que as
secas causaram danos de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões) no último ano, 88% do
total. Protasio aponta que a estiagem afetou principalmente as regiões
Centro-Oeste e Sudeste, com impactos ao agronegócio, à geração de energia e ao
abastecimento de água.
TEMPESTADE
Tempestades geraram prejuízos
de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões), ou 11% do registrado, aponta o relatório,
e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do
Sul.
INUNDAÇÃO
O documento também identifica
prejuízos milionários com inundações concentradas no Sul, mas não oferece um
valor exato dos danos. Protasio diz que ainda há desafios em obter dados
precisos sobre esse tipo de fenômeno, devido às limitações das redes de medição
e à subnotificação de eventos em áreas menos urbanizadas.
PREJUÍZOS
As estimativas consideram
impactos à infraestrutura pública, às propriedades privadas e ao setor
produtivo, além de interrupções da atividade econômica. A metodologia combina
dados de fontes governamentais, seguradoras, resseguradoras, órgãos de defesa
civil e modelagens de risco catastrófico, explica a CEO.
Para Protasio, o cenário
reforça a urgência de uma agenda estruturada na gestão de riscos climáticos,
com foco em prevenção, alertas antecipados, modelagens e mudanças culturais.
PREJUÍZO GLOBAL É DE US$ 260
BILHÕES
A Aon contabiliza 49 eventos
extremos que geraram perdas econômicas na casa de bilhões de dólares em todo o
planeta em 2025, superando a média de longo prazo, de 46. Quanto aos desastres
com danos cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o
dobro das 17 esperadas para o ano, indicando a "acumulação de catástrofes
de médio porte cada vez mais frequentes".
Ao todo, os prejuízos globais
somaram US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, uma queda em relação aos US$
397 bilhões (R$ 2 trilhões na cotação atual) registrados em 2024 e o menor
valor desde 2015, segundo o relatório.
Apesar disso, o ano teve desastres
extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$
58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e
se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, de acordo com o
documento.
O furacão Melissa, que
atingiu o Caribe em outubro de 2025, gerou prejuízo de US$ 11 bilhões, sendo
US$ 9 bilhões apenas na Jamaica. Uma análise científica do grupo World Weather
Attribution apontou que as mudanças climáticas ampliaram o poder destrutivo do
fenômeno, com ventos 7% mais fortes do que o esperado em um mundo sem
aquecimento global. Fonte: Folha de São Paulo - 5.fev.2026
PETROBRAS TEM VAZAMENTO EM PERFURAÇÃO NA FOZ DO AMAZONAS
A Petrobras registrou um
vazamento durante a perfuração do poço FZA-M-59 na Bacia Marítima daFoz do
Amazonas . O documento oficial ao qual à DW teve acesso, assinado pelo gerente
geral de sondagem da empresa, informa que o incidente começou na madrugada de
domingo (04/01).
Segundo o documento da
própria Petrobras, o incidente é classificado como possível de causar dano ao
meio ambiente ou à saúde humana. De acordo com o relatório, o evento foi
constatado por um veículo operado remotamente (ROV), amplamente usado pela
indústria offshore. A inspeção detectou a descarga de um fluido usado na
perfuração para o mar através de uma conexão entre duas juntas.
O vazamento, estimado em 15
mil metros cúbicos, ocorreu a uma profundidade aproximada de 2.700 metros. As
atividades no local estão paralisadas. Não há feridos.
Em nota oficial a Petrobras confirmou que foi identificada
"perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a
sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da
costa do estado do Amapá".
Segundo a empresa, a perda do
fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. "As linhas serão
trazidas à superfície para avaliação e reparo", diz a nota. Ainda de
acordo com o comunicado, não há problemas com a sonda ou com o poço, que
permanecem em "total segurança".
Ao contrário do que relata o
documento a que a DW teve acesso, a nota afirma que "o fluido utilizado
atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há
dano ao meio ambiente ou às pessoas". A petroleira também afirmou que
"adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos
competentes". Fonte:DW- terça-feira, 6 de
janeiro de 2026
Fenômeno pode elevar as
temperaturas das cidades de 10 a 15 °C, expondo moradores a riscos associados
ao calor extremo.
"Ilhas de calor
urbanas" são áreas metropolitanas que ficam significativamente mais
quentes do que seus entornos rurais devido à concentração de edifícios, áreas
pavimentadas e atividades humanas, como a condução de veículos poluentes.
Como resultado, as ondas de
calor se intensificam nas áreas urbanas, que já abrigam metade da população
mundial. A estimativa é que esse número chegue a quase 70% até 2050. Tal
efeito, conhecido como "ilha de calor urbana" pode elevar as
temperaturas em 10 a 15 °C, expondo os moradores da região aos riscos
associados ao calor extremo.
O QUE CAUSA AS ILHAS DE CALOR
URBANAS?
As áreas rurais geralmente
são cobertas por grama, plantações ou florestas, o que ajuda a resfriar o ar. O
concreto escuro e o asfalto da cidade, por outro lado, absorvem o calor.
As plantas funcionam como um
ar-condicionado natural, captando água do solo através de suas raízes e
liberando-a no ar na forma de vapor. Superfícies impermeáveis, duras e escuras,
como calçadas, estacionamentos e ruas asfaltadas, não permitem a penetração da
água e, portanto, não proporcionam esse efeito de resfriamento.
Prédios altos e ruas
estreitas podem aquecer o ar que fica preso entre eles. Esses "cânions
urbanos" podem bloquear o fluxo natural de vento que, de outra forma,
ajudaria a resfriar a área. A poluição causada por automóveis ou pela queima de
combustíveis fósseis pode atuar como uma pequena camada de efeito estufa sobre
uma cidade, retendo o ar quente.
Ilhas de calor costumam se
formar ao longo do dia, à medida que calçadas e telhados emitem mais calor
solar – atingindo o pico entre três e cinco horas após o pôr do sol. Do nascer
do sol até o final da tarde, essas superfícies são expostas à intensa radiação
solar e absorvem calor através de inúmeras camadas. Esse calor armazenado é
então liberado lentamente após o pôr do sol.
ONDE SEU EFEITO É MAIS
INTENSO?
Cidades maiores tendem a
armazenar mais calor do que as menores. Os centros urbanos de Londres e Paris
costumam ser cerca de 4 °C mais quentes do que seus arredores rurais à noite. O
efeito de ilha de calor é ainda agravado pelo aumento das temperaturas globais.
O ano de 2024 foi o mais
quente já registrado, com cerca de 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais.
Sob as políticas atuais, a previsão é que esse aumento chegue a 2,7 °C até o
final do século. O prognóstico se explica pelo atual volume de queima de
combustíveis fósseis que aquecem o planeta e liberam gases de efeito estufa na
atmosfera.
Essas mesmas ilhas de calor,
aliás, podem estar agravando ainda mais as mudanças climáticas, pois
impulsionam a demanda por ar-condicionado, que, por sua vez, em muitas regiões
são movidos com energia gerada pela queima de combustíveis fósseis.
COMO RESFRIAR AS CIDADES?
Soluções para minimizar esse
efeito incluem tornar as cidades mais verdes, adicionando aos centros urbanos
árvores, arbustos e outras vegetações mais resistentes à seca, além de fontes e
lagos, telhados verdes ou "frios" que absorvem e transferem menos
calor do sol para os edifícios.
Esses telhados frios refletem
mais luz solar do que uma superfície convencional e, portanto, aquecem menos.
Telhados brancos permanecem mais frescos e podem refletir cerca de 60 a 90% da
luz solar, mas outras superfícies refletoras também são uma opção.
Cidades como Nova York, por
exemplo, começaram a pintar os telhados de branco em 2009 para ajudar a conter
o efeito ilha de calor. Telhados mais frios também podem reduzir as
temperaturas internas dos edifícios em até 30% e diminuir a poluição do ar e as
emissões de gases de efeito estufa, reduzindo a demanda por energia para resfriar
prédios.
No nível do solo, alguns
países optam por borrifar água nas calçadas para resfriá-las. No Japão, essa
prática tradicional centenária é conhecida como "uchimizu".
Outros preferem misturar
espaços residenciais, comerciais e recreativos ou instalar "pavimentos
frios" que usam materiais permeáveis para refletir mais a radiação solar
e aumentar a evaporação da água.
Megacidades como Los Angeles
e Tóquio já pavimentaram suas ruas com cores mais frias. Um estudo em um dos
bairros mais quentes de Los Angeles confirmou que um revestimento reflexivo é
capaz de reduzir o efeito de ilha de calor.
A prefeitura de Tóquio já
instalou cerca de 200 quilômetros dessas calçadas, priorizando áreas no centro
da cidade. Até 2030, a capital japonesa pretende cobrir 245 quilômetros de vias
metropolitanas.
A pequena cidade-estado
asiática de Singapura, por sua vez, tornou-se uma das cidades mais verdes do
mundo. Com mais de 40% de cobertura verde, ela conta com espaços destinado a reservas
naturais e parques, jardins e vegetação.
Até 2030, a cidade planeja
que cada cidadão tenha acesso a um parque a uma distância de dez minutos a pé.
Singapura também limita rigorosamente o número de carros em suas ruas por meio
de um caro sistema de licitação, com uma cota máxima para o número de veículos
que podem ser registrados. Fonte: DW - 22/09/2025
COMO LIDAR COM ONDAS DE CALOR CADA VEZ MAIS FREQUENTES?
Temperaturas extremamente
altas comprometem a saúde, desestabilizam a sociedade e paralisam
infraestruturas. O mundo conseguirá se adaptar a essa tendência?
Pessoas em todo o mundo estão
enfrentando temperaturas escaldantes causadas pelas mudanças climáticas.
No Brasil, o inverno nem
terminou, e a sexta onda de calor do ano deve atingir nos próximos dias o
Centro-Oeste, Nordeste e Norte, além de áreas do Sudeste e do Sul, como o
interior de São Paulo e de Minas Gerais e o norte do Paraná.
No verão europeu deste ano,
as mudanças climáticas fizeram triplicar o número de mortes decorrentes do
calor, segundo uma análise publicada nesta semana por pesquisadores do Imperial
College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical, ambas situadas em Londres.
Das 24,4 mil mortes causadas por calor neste ano no continente, 68%
provavelmente (16,5 mil) não teriam ocorrido se ondas de calor extremo não
estivessem cada vez mais frequentes, apontam os especialistas.
IMPACTO NAS PESSOAS E NAS
SOCIEDADES
As ondas de calor são o tipo
de clima extremo mais mortal em todo o mundo, com centenas de milhares de
pessoas morrendo todo ano por causas relacionadas ao calor. Entre os mais
vulneráveis estão pessoas com mais de 65 anos, mulheres grávidas, crianças e
pessoas com doenças crônicas ou pré-existentes.
As primeiras ondas de calor
no início da estação são particularmente mortais, pois as pessoas geralmente
estão menos preparadas e seus corpos ainda não se acostumaram às temperaturas
mais altas.
Existem três riscos físicos
principais associados às ondas de calor: desidratação, superaquecimento, e
exaustão por calor e insolação.
O calor intenso não afeta
apenas o corpo, mas também perturba a sociedade como a conhecemos. A Unicef
(Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência) afirma que uma em cada
cinco crianças —cerca de 500 milhões no total — vive em áreas que têm pelo
menos o dobro de dias extremamente quentes por ano em comparação com seis
décadas atrás. Muitos não têm infraestrutura, como ar-condicionado, para ajudar
a lidar com o calor.
Em maio, o Paquistão passou
por uma onda de calor em todo o país, com temperaturas chegando a 45 °C na
província mais populosa do país, Punjab. Várias outras reduziram o horário
escolar ou anteciparam as férias de verão. Ondas de calor também interromperam
as aulas no Sudão do Sul e nas Filipinas este ano.
Da mesma forma, o calor
extremo afeta o horário de trabalho das pessoas. Alguns países nas regiões mais
quentes do mundo tradicionalmente fazem uma pausa depois do almoço para a
sesta. Agora, outros em locais normalmente mais frios também estão discutindo
como gerenciar o horário de trabalho quando as temperaturas sobem demais.
Infraestruturas como
estradas, ferrovias e pontes são afetadas pelo calor excessivo. Superfícies de
estradas de asfalto padrão, que não são feitas para climas quentes, tendem a
formar sulcos e podem literalmente derreter, enquanto trilhos ferroviários
podem entortar e pontes podem se expandir e deformar.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO CENTRO
DO PROBLEMA
Dando continuidade a uma
tendência, 2024 foi o ano mais quente já registrado. Com base em dados
internacionais, a Organização Mundial Meteorológica (OMM) informou recentemente
que todos os anos da última década estão entre os dez mais quentes já
registrados.
"Não tivemos apenas um
ou dois anos com temperaturas recordes, mas uma série completa de dez anos.
Isso foi acompanhado por condições climáticas devastadoras e extremas, aumento
do nível do mar e derretimento do gelo, tudo impulsionado por níveis recordes
de gases de efeito estufa devido às atividades humanas", afirmou a
secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
As mudanças climáticas
causadas pelo homem aumentaram a frequência e a intensidade das ondas de calor
desde a década de 1950. Cada fração de grau de aquecimento é importante e fará
com que elas se tornem ainda mais fortes e ocorram com mais frequência.
O carvão, o petróleo e o gás
são, de longe, os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. Quando
esses combustíveis fósseis são queimados para alimentar motores de combustão,
gerar eletricidade, fabricar plásticos e aquecer casas, eles liberam gases de
efeito estufa. Esses gases agem como um cobertor, abafando a atmosfera da
Terra, retendo o calor do sol e contribuindo para o aumento das ondas de calor.
O calor extremo também pode
levar a um risco maior de outros tipos de desastres, como secas e incêndios
florestais, que tiveram recorde de destruição em 2024.
O QUE FAZER?
Especialistas em saúde
aconselham as pessoas a ficarem longe do calor sempre que possível, evitar
atividades extenuantes e beber bastante líquido, exceto álcool e cafeína.
As casas podem ser protegidas
até certo ponto com persianas ou cortinas fechadas. O ideal é fechar as janelas
durante as horas mais quentes, e abri-las para ventilar a casa nas horas mais
frescas.
Usar roupas de cores claras
que refletem o calor e a luz solar pode ajudar, assim como ventiladores
elétricos, se a temperatura ambiente estiver abaixo de 35 °C.
Estratégias de longo prazo
para tornar o calor mais suportável incluem tornar as cidades mais resilientes
às mudanças climáticas, com espaços verdes e plantio de árvores ao longo das
ruas. Isso não só fornece sombra, mas também reduz o calor retido no concreto.
De modo geral, especialistas
afirmam que impulsionar a transição para a energia verde através da utilização
de fontes renováveis é fundamental no desafio global de reduzir as
temperaturas.
Em 2024, 40% da eletricidade
mundial foi gerada a partir de energias renováveis. A energia solar foi o
principal impulsionador dessa tendência, de acordo com um relatório do think
tank global de energia Ember. Fonte: DW-quinta-feira, 18 de
setembro de 2025
QUEIMADAS ATINGIRAM 30 MILHÕES DE HECTARES NO PAÍS EM 2024
A primeira edição do
Relatório Anual do Fogo do MapBiomas mostra que quase metade de toda a área queimada
no Brasil desde 1985 foi na última década
Um quarto (24%) do território
nacional, equivalente à soma das áreas do Pará e do Mato Grosso, queimou pelo
menos uma vez entre 1985 e 2024.
Nas últimas quatro décadas,
206 milhões de hectares foram afetados pelo fogo com intensidades diferentes em
cada um dos seis biomas do País. Ao lado da Amazônia, que bateu recorde de
incêndios florestais em 2024, e da Mata Atlântica, que teve a maior área
afetada por fogo nas últimas quatro décadas, o Pantanal é destaque: teve 62% de
seu territórioqueimado pelo menos uma
vez no período mapeado pelo MapBiomas Fogo.
Os dados também ressaltam
a extensão da área queimada em 2024, quando 30 milhões de hectares foram
afetados – uma área 62% acima da média histórica de 18,5 milhões de hectares
por ano.
Os dados, obtidos a partir do
mapeamento de cicatriz de fogo com imagens de satélite, traçam o mais completo
retrato da ação do fogo em todo o território brasileiro e expõem alguns padrões
da ocorrência das queimadas e dos incêndios. Além de apresentar a alta
concentração do fogo em poucos meses do ano – o período de agosto a outubro
responde por 72% da área queimada no Brasil, com um terço (33%) ocorrendo em
setembro – o relatório aponta os biomas, estados, municípios e áreas protegidas
com maior área queimada. No caso dos biomas, o relatório mostra ainda os que
apresentaram maior recorrência do fogo. Em nível nacional, 64% da área afetada
pelo fogo em todo o país queimou mais de uma vez entre 1985 e 2024.
O Cerrado é o bioma com
maior recorrência do fogo: 3,7 milhões de hectares queimaram mais de 16 vezes
em 40 anos.
Outro dado do relatório é o
tamanho das cicatrizes deixadas pelo fogo no território. Em média, entre 1985 e
2024, a maior proporção (27%) correspondia a áreas queimadas entre 10 e 250
hectares. Em 2024, porém, quase um terço (29%) da área total queimada foi em
mega eventos de fogo com mais de 100 mil hectares afetados. Os dados também
mostram que 43% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 teve sua última
ocorrência de fogo nos últimos 10 anos (2014 a 2023).
Entre 1985 e 2024, 69,5% da
área queimada no Brasil ocorreu em vegetação nativa (514 milhões de hectares),
porém no ano de 2024 esse percentual subiu para 72,7% (21,8 milhões de
hectares). Houve mudança também no tipo de vegetação nativa mais afetada: historicamente,
a maior área de vegetação nativa queimada era de formação savânica, com uma
média anual de6,3 milhões de hectares;
em 2024, predominou a formação florestal, com 7,7 milhões de hectares –
extensão 287% superior àmédia
histórica.
Os biomas com maior proporção
de vegetação nativa afetada pelo fogo entre 1985 e 2024 foram Caatinga,
Cerrado, Pampa e Pantanal, todos com mais de 80% da extensão afetada. Na
Amazônia e Mata Atlântica, o fogo ocorreu principalmente em áreas antrópicas
(mais de 55%). No caso de Amazônia, pastagens respondem por 53,2% da área
queimada no período; na Mata Atlântica, 28,9% da extensão queimada eram de
pastagem e 11,4% de agricultura.
PANTANAL LIDERA EM ÁREAS
MAIORES QUE 100 MIL HECTARES QUEIMADOS
Entre os seis biomas brasileiros,
o Pantanal foi o mais afetado pelo fogo nos últimos 40 anos, proporcionalmente.
A quase totalidade (93%) dos incêndios ocorreu em vegetação nativa,
especialmente em formações campestres e campos alagados (71%). As pastagens
representaram 4% das áreas atingidas por fogo. O bioma mostra também uma grande
recorrência do fogo: três em cada quatro hectares (72%) queimaram duas vezes ou
mais nas últimas quatro décadas. As cicatrizes deixadas costumam ser mais
extensas do que em outros biomas: é no Pantanal que se encontra a maior
prevalência de extensões queimadas superiores a 100 mil hectares (19,6%).Áreas com cicatrizes de queimada entre 500 e
10 mil hectares também se destacam (29,5%) e estão distribuídas por diferentes
regiões do bioma. No ano passado, houve um aumento de 157% da área queimada no
Pantanal na comparação com a média histórica do período avaliado pelo MapBiomas
Fogo.
“Os dados históricos mostram
a dinâmica do fogo no Pantanal, que se relaciona com a presença da vegetação
natural e com os períodos de seca. Em 2024, o bioma queimou na região do
entorno do Rio Paraguai, região que passa por maiores períodos de seca desde a
última grande cheia em 2018”, explica Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento
do bioma Pantanal no MapBiomas. No Pantanal, Corumbá foi o município com maior
área queimada acumulada entre 1985 e 2024, com mais de 3,8 milhões de hectares.
MATA ATLÂNTICA BATE RECORDE
EM 2024
No caso da Mata Atlântica, o
ano de 2024 representou um recorde. Os 1,2 milhão de hectares afetados pelo
fogo no ano passado, que ficaram 261% acima da média histórica para o bioma, de
338,4 mil hectares por ano, são a maior extensão de área queimada em um único
ano desde 1985.No ano passado, São
Paulo concentrou 4 dos 10 municípios com maior proporção de área queimada no
Brasil, todos no entorno do município de Ribeirão Preto, uma região predominantemente
agrícola.
Entre 1985 e 2024, 8,3
milhões de hectares foram queimados pelo menos uma vez, o que corresponde a 7%
do bioma nos últimos 40 anos. A maior parte (60%) das cicatrizes mapeadas
ocorreu em área antrópica, sendo a pastagem a classe com maior ocorrência (3,9
milhões de hectares). Entre os tipos de cobertura natural, as formações
campestres lideram, com 2,2 milhões de hectares queimados no período analisado.
As áreas queimadas menores que 250 hectares são predominantes (80,7%). Quase
três em cada quatro hectares afetados pelo fogo na Mata Atlântica (72%) entre
1985 e 2024 queimaram somente uma vez nos últimos 40 anos.
“As áreas naturais na Mata
Atlântica são especialmente vulneráveis ao fogo, que não faz parte da dinâmica
ecológica desse bioma. Quando ocorrem, os incêndios acabam trazendo grandes
impactos aos escassos remanescentes florestais dentro do bioma. Além dos
prejuízos ambientais — como a degradação dos serviços ecossistêmicos
relacionados ao clima, à água e ao solo — são evidentes os danos econômicos e,
principalmente, os para a saúde e qualidade de vida da população”, aponta
Natalia Crusco, da equipe da Mata Atlântica do MapBiomas.
RECORDE DE ÁREA QUEIMADA NA
AMAZÔNIA EM 2024
Em 2024, a Amazônia registrou
a maior área queimada de toda a série histórica iniciada em 1985 e foi, de
longe, o bioma que mais queimou no país. O bioma apresentou aproximadamente
15,6 milhões de hectares queimados, um valor 117% superior à sua média
histórica. Essa área correspondeu a 52% de toda área nacional afetada pelo fogo
em 2024, tornando a Amazônia como o principal epicentro do fogo no Brasil no
ano passado.
Além do recorde em extensão,
2024 também marcouuma mudança em termos
qualitativos: pela primeira vez na série histórica, a vegetação florestal
tornou-se a classe de cobertura e uso da terra mais afetada pelo fogo na
Amazônia. Foram 6,7 milhões de hectares de florestasafetados pelo fogo (equivalente a 43% da área
queimada no bioma), superando os 5,2 milhões de hectares de pastagem queimados
(33,7%). Historicamente, as pastagens sempre haviam sido a classe mais atingida
pelo fogo no bioma.
“O fogo não é um elemento
natural da dinâmica ecológica das florestas amazônicas. As áreas queimadas que
marcaram o bioma em 2024 são resultado da ação humana, especialmente em um
cenário agravado por dois anos consecutivos de seca severa. A combinação entre
vegetação altamente inflamável, baixa umidade e o uso do fogocriou as condições perfeitas para a
propagação do mesmo em larga escala, levando a um recorde histórico de área
queimada na região.” afirma Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento do
bioma Amazônia do MapBiomas.
AMAZÔNIA E CERRADO CONCENTRAM
86% DA ÁREA QUEIMADA NO BRASIL
O Cerrado também se destaca
pela extensão afetada pelo fogo. Juntos, Cerrado e Amazônia,responderam por 86% da área queimada pelo
menos uma vez no Brasil entre 1985 e 2024: foram 89,5 milhões de hectares no
Cerrado e 87,5 milhões de hectares na Amazônia. Embora a área queimada nos dois
biomas seja semelhante, há uma grande diferença em termos proporcionais, uma
vez que a área total da Amazônia é quase o dobro do Cerrado. Por isso, na
Amazônia, a área queimada pelo menos uma vez nos últimos 40 anos corresponde a
21% do bioma; no Cerrado, esse percentual é de 45%.
É também na Amazônia e no
Cerrado que se encontram os três estados brasileiros líderes em área queimada:
Mato Grosso, Pará e Maranhão. Juntos, eles concentram 47% da área queimada em
todo o Brasil entre 1985 e 2024.Entre
os 15 municípios brasileiros que mais queimaram – e que, juntos, respondem por 10%
de toda a área afetada pelo fogo no Brasil nos últimos 40 anos – sete estão no
Cerrado e seis na Amazônia.
No Cerrado, a área
queimada, de 10,6 milhões de hectares em 2024, equivale a 35% do total queimado
no país no ano passado e representa um crescimento de 10% em relação à média
histórica de 9,6 milhões de hectares por ano.
“Historicamente, o Cerrado
evoluiu com a presença de fogo natural, geralmente provocado por raios durante
o início da estação chuvosa. No entanto, o que temos observado é um aumento
expressivo dos incêndios no período de seca, impulsionado principalmente por
atividades humanas e agravado pelas mudanças climáticas. Um dado especialmente
preocupante é o avanço do fogo sobre as formações florestais no Cerrado, que em
2024 atingiram a maior extensão queimada dos últimos sete anos — uma mudança na
dinâmica do fogo que ameaça de forma crescente a biodiversidade e a resiliência
desse bioma” comenta Vera Arruda pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do
MapBiomas Fogo.
CAATINGA E PAMPA: QUEIMADAS
ABAIXO DA MÉDIA EM 2024
Na Caatinga, a extensão
queimada, de 11,15 milhões de hectares queimados entre 1985 a 2024, representou
13% do bioma. Cerca de 38% da área queimada no bioma foi afetada pelo fogo mais
de uma vez ao longo dos últimos 40 anos. A prevalência foi de áreas menores que
250 hectares (53%). As formações savânicas são o tipo de vegetação mais afetado
pelo fogo (79%) na Caatinga, e representam 95% da vegetação nativa. Em 2024,
houve uma redução da área queimada de 16% com404 mil hectares queimadosa
respeito da média histórica de 480 mil hectares.
“Apesar de o fogo não ser um
elemento natural predominante na dinâmica ecológica da Caatinga, sua
recorrência em determinadas regiões chama a atenção. As formações savânicas têm
sido as mais impactadas, o que reforça a importância do monitoramento. A queda
observada em 2024, com valores abaixo da média nos últimos 10 anos da série
histórica, é positiva, mas não garante uma tendência de redução a longo prazo.”aponta Soltan Galano da equipe Caatinga do
MapBiomas.
PAMPA
O Pampa, por sua vez, tem a
menor área queimada – tanto em extensão (495 mil hectares), como
proporcionalmente em relação ao total do bioma (3%). Apesar de um leve aumento
em relação a 2023, os valores permaneceram abaixo da média anual, de 15,3 mil
hectares. O ano com maior área queimada dentro do período analisado foi 2022,
com 36,2 mil hectares.
As áreas queimadas no Pampa
são predominantemente pequenas, com cerca de 93% das cicatrizes de fogo
atingindo menos de 250 hectares. A maior parte dos incêndios (95%) ocorre em
áreas naturais, predominando nas formações campestres. A silvicultura foi o
tipo de uso antrópico com maior extensão de área queimada (19,6 mil hectares).
“A proporção de área queimada
no Pampa costuma ser baixa. Em 2024 os valores ficaram abaixo da média
histórica, especialmente por contado
fenômeno El Niño. No sul do Brasil,ele
se manifesta com volumes expressivos de chuva, como as observadas no primeiro
semestre — que incluíramas enchentes de
maio. Embora o fogo ocorra em menor escala no bioma, muitas áreas naturais
estão sujeitas a incêndios catastróficos nos períodos mais secos, como as áreas
pantanosas e os campos com grande acúmulo de biomassa, que resultam em danos
ambientais expressivos”, afirma Eduardo Vélez, coordenador de mapeamento do
bioma Pampa do MapBiomas.
Na avaliação dos
pesquisadores, os dados traçam o mais completo retrato da ação do fogo em todo
o território nacional e expõem alguns padrões da ocorrência das queimadas e dos
incêndios.
“O relatório permite apoiar o
planejamento de medidas preventivas e direcionar de forma mais eficaz os
esforços de combate aos incêndios”, conclui Ane Alencar, diretora de Ciências
do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo. Fonte: MapBiomas - 24 de
junho de 2025
Estudo encontra agrotóxicos
em amostras recolhidas em cidades paulistas. Exposição crônica mesmo a baixas
doses dessas substâncias pode causar danos à saúde.
A água da chuva se tornou uma
fonte alternativa de água potável devido à escassez causada pelas mudanças
climáticas e ao crescimento populacional. No entanto, os Centros de Controle e
Prevenção de Doenças (CDC) não recomendam o uso dessa água para beber, cozinhar
ou tomar banho sem tratamento prévio e enfatizam que a análise dela é
importante já que pode detectar contaminantes.
E foi justamente isso que um
grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fez. Eles
coletaram amostras de água da chuva entre agosto de 2019 e setembro de 2021 em
três cidades paulistas: Campinas, Brotas e a capital São Paulo. Eles
descobriram que essa água pode ser uma fonte de contaminação por agrotóxicos.
Segundo a pesquisa, cujo
resultado foi divulgado na revista científica Chemosphere no final de abril, 14
tipos de agrotóxicos foram identificados nessas amostras.
"Nós já sabíamos que uma
quantidade de agrotóxico é encontrada nas águas dos rios, mas na água da chuva
foi a primeira vez que foi estudado no Brasil. Isso mostra que essas partículas
de agrotóxicos estão presentes no ar", explica Cassiana Montagner,
pesquisadora do Instituto de Química da Unicamp, coordenadora do Laboratório de
Química Ambiental.
Os agrotóxicos podem chegar
aos rios de várias maneiras, como através do escoamento superficial da água da
chuva que carrega os produtos químicos, do manejo inadequado do solo ou do
vazamento ou derramamentos acidentais.
OS AGROTÓXICOS ENCONTRADOS
O herbicida atrazina, usado
em larga escala pelo agronegócio no país, foi detectado em todas as amostras de
água da chuva coletadas nas três cidades que integram o estudo e o fungicida
carbendazim, que tem seu uso proibido no Brasil, foi encontrado em 88% do
material coletado. Em Brotas ele foi o agrotóxico encontrado em maior
quantidade. O herbicida tebuthiuron foi detectado pela primeira vez em água de
chuva, estando presente em 75% das amostras.
Em 2022, a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso do carbendazim, dando o prazo de
doze meses para que os agricultores se adequassem à nova regra. A substância
pode causar mutações genéticas, diminuir a fertilidade e prejudicar o feto.
As concentrações dos
agrotóxicos encontradas nas amostras não ultrapassaram os limites permitidos
para a água potável no Brasil. Porém, algumas das substâncias detectadas não
têm padrões de segurança estabelecidos, ou seja, não há indicadores de
concentração segura.
Além disso, segundo os
pesquisadores, a exposição crônica mesmo a baixas doses dessas substâncias pode
causar danos à saúde humana a longo prazo. "Ninguém bebe ou tem contato
com essa água da chuva todos os dias, então o risco não é direto. Mas esse
estudo acende um alerta. Por exemplo, alguns desses produtos têm relação com
doenças crônicas como infertilidade, doenças neurológicas, respiratórias e
podem causar câncer", acrescenta Montagner.
PRESENTES NA ATMOSFERA
Com relação ao reuso, a
pesquisadora afirma que não há problemas em usar essa água da chuva para lavar
os quintais, por exemplo.
Outro ponto importante,
segundo o estudo, é que ao encontrar essas partículas de agrotóxicos na água da
chuva, isso mostra que essas substâncias estão presentes na atmosfera, ou seja,
também pode estar presente no ar que respiramos.
A pesquisa apontou também que
Campinas foi a cidade que apresentou a maior concentração de agrotóxicos, com
701 microgramas por metro quadrado. O município tem quase metade do território
ocupado por lavouras – o maior território de plantio entre as cidades
analisadas no estudo.
Em Brotas, onde os plantios
ocupam 30% da cidade, ficou em segundo lugar com a média de 680 microgramas por
metro quadrado. Já em São Paulo, que possui apenas 7% do seu território
agrícola, os índices chegaram a 223.
COMO OS AGROTÓXICOS VÃO PARAR
NA ÁGUA DA CHUVA
Parte dos agrotóxicos
aplicados nas lavouras se dissipa na atmosfera e pequenas partículas podem se
condensar nas gotículas de água que formam a chuva. Com a precipitação, o
produto retorna ao solo e pode alcançar locais mais distantes das plantações.
Isso acontece porque fatores como vento, temperatura e umidade influenciam na
sua distribuição.
O que ocorre com os
agrotóxicos é semelhante ao que ocorre com a chuva ácida. Esse tipo de chuva é
caracterizado pelos níveis elevados de ácidos sulfúrico e nítrico, formados
pela reação de dióxido de enxofre (SO₂) e óxidos de nitrogênio (NOₓ) com a
umidade da atmosfera. Esses poluentes são liberados principalmente pela queima
de combustíveis fósseis.
A diferença é que a
quantidade de micropartículas de agrotóxicos encontradas na água da chuva,
ainda estão em uma quantidade pequena, quando comparada à chuva ácida. "Eu
não diria que é uma nova vertente da chuva ácida, mas sim, mais um poluente que
estamos encontrando na água da chuva", diz Montagner. Fonte: DW - 24/05/2025
Um estudo publicado nesta
semana no periódico Ecology mostrou que 4.103 aves colidiram com janelas de
vidro em um período de sete décadas em 11 países das Américas Central e do Sul.
Segundo a pesquisa,
coordenada por dois pesquisadores brasileiros e por um cientista da
Universidade de Helsinque (Finlândia), observou que mais de 500 espécies
sofreram acidentes com essas estruturas, algumas ameaçadas de extinção, entre
1946 e 2020.
O levantamento mostrou que
2.537 aves morreram imediatamente após as colisões, e 1.515 foram encontradas
vivas e encaminhadas a centros de reabilitação. As épocas em que ocorreram os
acidentes provavelmente coincidem com períodos de migração e reprodução das
espécies, de acordo com o estudo.
Apenas no Brasil, foram
analisados os registros de 1.452 incidentes, incluindo indivíduos de espécies
ameaçadas de extinção, como gavião-pombo-pequeno (Buteogallus lacernulatus),
cigarrinha-do-sul (Sporophila falcirostris) e saíra-pintor (Tangara fastuosa),
endêmicas da Mata Atlântica.
A pesquisa foi liderada por
Augusto João Piratelli, da Universidade Federal de São Carlos, Bianca Ribeiro,
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, e por Ian MacGregor-Fors (Universidade
de Helsinki, Finlândia). Também colaboraram com o estudo mais de 100
pesquisadores, incluindo vários brasileiros.
Pesquisadora do Instituto
Nacional da Mata Atlântica (INMA), Flávia Guimarães Chaves, foi uma das
colaboradoras do estudo. Segundo ela, o levantamento mostra que janelas e
outras estruturas urbanas de vidro ameaçam as aves, já que elas não enxergam
essa barreira.
"Na cidade de São Paulo,
foram 629 colisões de aves. Não havia muita diferença se o vidro dessas
residências ou prédios era translúcido ou reflexivo", explica a
pesquisadora.
De acordo com a pesquisadora,
o estudo poderá subsidiar políticas públicas, normas de construção e campanhas
de conscientização voltadas à redução das colisões com vidros, um passo
importante para tornar as cidades mais amigáveis à biodiversidade.
"Um passo importante
para tornar as cidades mais amigáveis [para as aves] são ações simples como a
aplicação de adesivos nos vidros, como bolinhas numa distância entre dez e 15
centímetros, de forma simétrica, que fazem com que as aves possam enxergar
esses vidros. Outra possibilidade é utilizar cortinas antirreflexo e persianas
nas janelas. No período da construção ou reforma, pode-se optar por vidros que
sejam serigrafados, que possuem faixa UV na sua composição e são enxergadas
pelas aves". Fonte: Agência Brasil - Publicado
em 15/06/2025
JUNDIAÍ APURA VAZAMENTO DE CORANTE QUE TINGIU AVES EM PARQUE
A prefeitura de Jundiaí, São
Paulo, informou que estão sendo apuradas as causas da contaminação de um
córrego e do rio que banha a cidade por um corante químico que causou o
tingimento de animais (patos e gansos) no Parque das Tulipas.
Segundo a prefeitura, a
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) fará análises ambientais ao
longo de todo o curso do córrego e do rio, para verificar os níveis de contaminação
e a qualidade da água.
ACIDENTE
O incidente ocorreu na tarde
de terça-feira (13/05),após o motorista
de uma carreta descer do veículo, que começou a se mover sozinho e colidiu com
um poste, danificando os recipientes que armazenavam o líquido, que foi derramado
na rua.
CORANTE ATINGE O CÓRREGO
"Devido à grande
quantidade derramada, o produto escoou até uma boca de lobo localizada a cerca
de 50 metros do local do impacto. Essa boca de lobo tem ligação direta com o
córrego do Jardim das Tulipas, que atravessa o parque do bairro e deságua no
Rio Jundiaí", explicou a prefeitura.
DEFESA CIVIL E GRUPOS DE
APOIOS
Ainda de acordo com a
prefeitura, equipes da Defesa Civil, da Divisão Florestal da Guarda Municipal,
da organização não governamental (ONG) Mata Ciliar, do Departamento de
Bem-Estar Animal e do Grupo de Apoio e Defesa dos Animais atuaram de forma
conjunta para resgatar e preservar a vida dos patos e gansos atingidos. Alguns
estão sob os cuidados da Mata Ciliar e outros foram colocados em uma área
isolada do parque.
Segundo a prefeitura, a
Defesa Civil de Jundiaí e uma força-tarefa da prefeitura estão prestando
suporte às ações, envolvendo diversos órgãos municipais desde o início da
ocorrência.
ANALISE DA CONTAMINAÇÃO NO
CÓRREGO
"No momento, os esforços
estão concentrados na análise da contaminação no córrego, no Parque das Tulipas
e no Rio Jundiaí. A Cetesb deverá realizar análises ambientais ao longo de todo
o curso do córrego e do rio, para verificar os níveis de contaminação e a
qualidade da água".
A Cetesb informou que, como
medidas de controle, orientou a diluição do corante em água e está fazendo o
monitoramento contínuo, para garantir a saúde dos organismos aquáticos e
animais no local.
"O produto vazado é à
base de água, não classificado como inflamável ou reagente, usado em fazendas
de peixes e camarões, para tratar fungos e parasitas", acrescentou a
companhia.
MULTA
A Companhia Ambiental do
Estado de São Paulo (Cetesb) informou ter multado a fabricante e a
transportadoras envolvidas no vazamento de corantes que atingiu um córrego e
chegou ao Rio Jundiaí. Cada empresa foi autuada em R$ 370,2 mil.
“Além das multas, o
fabricante deverá adotar medidas de segurança para prevenir novos acidentes,
incluindo sistemas de contenção e protocolos de carga e descarga, processo que
será acompanhado pela Companhia”, diz a nota da empresa. Fontes: Agência Brasil-Publicado
em 15/05/2025; Agência Brasil - Publicado em 04/06/2025
BRASIL PODE TER DESERTO? O QUE SE SABE SOBRE DEGRADAÇÃO NO SEMIÁRIDO
A caatinga é uma das áreas
mais vulneráveis do Brasil para a degradação ambiental. Com um clima semiárido,
o território está suscetível a um processo extremamente nocivo: a desertificação.
Estima-se que o problema atinja cerca de 38 milhões de pessoas no Nordeste,
entre elas, 42 povos indígenas.
O deserto natural leva
milhões de anos para encontrar um equilíbrio entre biodiversidade e vegetação.
Se uma área semiárida está passando por um processo de desertificação, isso é
muito mais nocivo, porque os solos não passaram por milhões de anos para chegar
em uma característica de deserto. Humberto Alves Barbosa, fundador do Lapis
(Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites) da UFAL
De acordo com Barbosa, essa
nova área desertificada não teria uma autodefesa, e espécies invasoras poderiam
se apropriar do cenário debilitado do ecossistema.
EM TESE, BRASIL NÃO TEM
DESERTOS
O território brasileiro está
numa região majoritariamente tropical com uma diversidade de biomas — e é essa
característica que apoia a estabilidade da atmosfera e do solo. No país,
existem regiões semiáridas, onde uma das principais características é a baixa
quantidade de chuva e os longos períodos de seca — mas com indicies de
pluviosidade maiores do que seriam os de um deserto.
A desertificação pode ser
resultado de múltiplos fatores, como o manejo de animais para a pecuária e o
desmatamento. Neste caso, há um desequilíbrio entre atmosfera e solo — de um lado
há uma maior escassez de chuvas, e do outro o solo é levado à exaustão,
perdendo a fertilidade. Outro fator que contribui para a desertificação são os
incêndios florestais. "Eles provocam cicatrizes e interferem também nos
nutrientes do solo", explica Barbosa.
As mudanças climáticas são
apontadas como um dos fatores que intensificam o processo. Apesar de a
desertificação não estar diretamente ligada ao aquecimento global, os eventos
climáticos extremos relacionados ao aquecimento global, como as secas
prolongadas, estão agravando o cenário das áreas afetadas.
O aquecimento global e as
mudanças climáticas fazem o ambiente perder umidade. Temos um solo sem
vegetação, com sol e uma temperatura muito intensa, e sem disponibilidade de
água. Ali é um ambiente muito oportuno para a degradação da terra e, por
consequência, de desertificação. Alexandre Pires, diretor do Departamento de
Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente do Brasil à RFI
A desertificação gera
problemas socioambientais. Além da perda da biodiversidade e a interferência no
ecossistema, contribuindo para o aumento da temperatura global, ela pode causar
o empobrecimento da população local e declínio da qualidade de vida, além do
aumento de processos migratórios.
AS ÁREAS AFETADAS
As regiões semiáridas,
vulneráveis à desertificação, estão em área que ocupa Nordeste e Sudeste. Ao
todo, são mais de 1.400 municípios que estão nos nove estados da região
Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
Atualmente já foram mapeados
seis núcleos de desertificação no Brasil: Seridó, (RN/PB), Cariris Velhos (PB),
Inhamuns (CE), Gilbués (PI), Sertão Central (PE), Sertão do São Francisco (BA),
segundo publicação do Insa (Instituto Nacional do Semiárido).
Um estudo do Cemaden (Centro
Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e do Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais) mostrou que há uma tendência do aumento de
aridez em todo o território do Brasil, com exceção da região sul e litoral de
São Paulo e Rio de Janeiro. No caso do Nordeste e do norte de Minas, os
cientistas identificaram uma área árida, similar a desertos, um cenário nunca
observado no país nas décadas anteriores, segundo documento.
TEM SOLUÇÃO?
Áreas desertificadas podem se
regenerar. Segundo o Barbosa, o solo pode retomar a fertilidade e o suprimento
de água. No entanto, o processo pode demorar mais de 30 anos e não considera a
integração do ser humano com o território. "Ele tem que estar integrado e
em equilíbrio", defende o professor. O monitoramento e a execução de
políticas públicas para a convivência com a aridez nos locais atingidos são
essenciais no combate à desertificação.
Além disso, a depender do projeto, ele pode
ser custoso. Estima-se que há 207 mil km² de solos em estado severo ou crítico de
degradação na caatinga.
Investir na restauração e na
recuperação desses 20 milhões de hectares é muito mais custoso do que a gente
evitar o processo de desmatamento do cerrado, da caatinga ou de qualquer bioma,
mas estes dois são os mais afetados pelo processo de desertificação. Alexandre
Pires à RFI
TEMA ESTÁ SENDO DEBATIDO
GLOBALMENTE
O problema da desertificação
não é apenas brasileiro — ele atinge outros países da América Latina, além da
Ásia e África. Líderes globais se reuniram em Riad, na Árabia Saudita, em
dezembro de 2024, para debater soluções para a questão. Um dos pontos cruciais
dos diálogos dizia respeito ao financiamento de ações de recuperação dos solos
e adaptação a um clima mais seco.
Em escala global, 1,5 bilhão
de hectares de terra precisam ser restauradas em cinco anos, a um custo
estimado em US$ 2,6 trilhões até 2030 — US$ 191 bilhão por ano apenas para
África, onde o combate à desertificação é uma questão de segurança alimentar.
Mas soluções baseadas na
natureza se mostram eficazes. Um estudo de 2020 publicado na revista científica
Global Change Biology já havia concluído que as intervenções baseadas na
natureza são frequentemente tão eficazes, ou até mais eficazes, em 59% dos
casos, do que outras intervenções para combater os efeitos das mudanças
climáticas.
Enquanto as discussões para uma decisão
histórica sobre a seca estão em andamento, o relatório pede aos líderes globais
que reconheçam os custos excessivos e evitáveis das secas e utilizem soluções
proativas e baseadas na natureza para garantir o desenvolvimento humano dentro
dos limites planetários. Andrea Meza, secretária executiva adjunta da CNULCD
(Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação). Fonte: UOL - Ecoa - 13/01/2025
05h30
Uma rara sequência de
tempestades inundou áreas do deserto do Saara nas últimas semanas, no norte da
África, e deixou rios de água em meio às palmeiras e dunas de areia.
Em 10 de setembro, ao menos
20 pessoas morreram no Marrocos e na Argélia como consequência das chuvas. A
distribuição de água potável e a infraestrutura de estradas e rede elétrica
foram danificadas. As chuvas também atingiram algumas das regiões que sofreram
um terremoto há um ano.
CHUVA NO SAARA
O Saara é considerado um dos
lugares mais áridos do mundo e raramente recebe chuvas no final do verão.
Segundo a representante da Diretoria Geral de Meteorologia do Marrocos,
Houssine Youabeb, este tipo de precipitação não era vista há décadas na região.
"Faz 30 a 50 anos que não chove tanto em um espaço de tempo tão
curto", disse.
CHUVAS ALTERAM CLIMA NA
REGIÃO
Essas chuvas, classificada
por meteorologistas como uma tempestade extratropical, podem mudar o curso do
clima da região nos próximos meses. Elas fazem com que o ar retenha mais
umidade, causando mais evaporação e, consequentemente, mais tempestades,
afirmou Youabeb.
Em média, o deserto
marroquino registra menos de 250 milímetros de chuva por ano. Em algumas
regiões, a precipitação não passa de uma dezena de milímetros anualmente.
Segundo o governo marroquino, porém, apenas dois dias de chuva em setembro
foram suficientes para disparar esta taxa.
Após as chuvas, a água jorrou
pelas areias do Saara em meio a castelos e à flora do deserto. Satélites da
Nasa identificaram a formação de rios de água enchendo o Lago Iriqui, que
estava seco há 50 anos.
TEMPESTADE ACONTECE APÓS ANOS
DE SECA EXTREMA
Tempestade
rara no Saara reativou lago que estava seco há décadas
A tempestade chega na região
após seis anos consecutivos de seca, que forçaram o racionamento de água em
diversas áreas do Marrocos.
A abundância de chuvas
provavelmente ajudará a abastecer os aquíferos subterrâneos, que são usados
para fornecer água às comunidades do deserto. Os reservatórios represados da
região registraram enchimento a taxas recordes durante todo o mês de setembro.
Não está claro, porém, até que ponto as chuvas de setembro ajudarão a aliviar a
seca na região.
CICLONE EXTRATROPICAL,
Segundo a Nasa, em setembro,
a tempestade que atinge o deserto está associada a um ciclone extratropical, um
evento extremamente raro na região. "O sistema se formou sobre o Oceano
Atlântico e se estendeu para o sul, puxando a umidade da África equatorial para
o norte do Saara", escreveu a agência.
Ainda segundo a Nasa, uma
pesquisa realizada por Moshe Armon, do Instituto de Ciências da Terra da
Universidade Hebraica de Jerusalém, indicou que, dos mais de 38 mil eventos de
precipitação no Saara nas últimas duas décadas, apenas 30% deles ocorreram
durante o verão. Desses, quase nenhum estava associado a um ciclone
extratropical, como ocorre agora.
CHUVA NO DESERTO ESTÁ
ASSOCIADA À SECA NA AMAZÔNIA
Uma análise publicada pelo
Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, da Universidade
Federal do Alagoas em agosto, mostra que ventos fortes e constantes vindos do
sudeste do planeta, somado a uma anomalia na temperatura dos oceanos, também
contribuem para a chuva no Saara e conectam o deserto à seca na Amazônia.
"Com o [oceano]
Atlântico Norte mais quente, ventos alísios [constantes] de sudeste têm mantido
a ZCIT [Zona de Convergência Intertropical] muito afastada da Amazônia,
inibindo as chuvas e beneficiando o Saara. Esse é apenas um dos impactos
indiretos que a posição da ZCIT na África pode ter no clima da Amazônia",
escreve o laboratório. Fonte: DW – 9 setembro
SECA EXTREMA: RIO ACRE REGISTRA MENOR NÍVEL HISTÓRICO
LOCALIZAÇÃO
O rio Acre tem sua nascente no Peru. O seu alto
curso, até a localidade de Seringal Paraguaçu, atua como divisa entre Brasil e
Peru. Deste ponto até Brasileia, marca fronteira entre Brasil e Bolívia, e a
partir deste ponto adentra o território brasileiro. Logo abaixo da cidade de
Porto Acre, já serpenteia no território do Estado do Amazonas, e deságua na
margem direita do rio Purus, no Brasil, junto à cidade amazonense de Boca do
Acre. No total, o rio Acre percorre mais de 1.190 km desde suas nascentes até a
desembocadura. É atravessado por duas pontes internacionais: uma liga Assis
Brasil a Iñapari (Peru) e outra liga Brasileia a Cobija (Bolívia). Fonte: IBGE
CENÁRIO DE SECA
Essa é a segunda vez que o
rio atinge essa marca. No ano de 2022, o rio chegou à cota de 1,25 m, no dia 2
de outubro. Neste ano, a bacia já atingiu mínima em setembro e a previsão é que
continue secando. A Defesa Civil alerta que a situação é crítica em todos os 22
municípios do estado.
O Ministério da Integração e
do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu situação de emergência em todos
os 22 municípios do Acre por conta da seca severa. Além de Rio Branco , que já
estava nesta condição desde 24 de julho, a pasta publicou uma portaria na sexta‑feira
(16/08), anunciando outras 21 cidades.
A falta de chuvas e as
queimadas também afetam a qualidade do ar, que é considerada péssima. A
capital, Rio Branco, voltou ao topo da lista como cidade mais poluída do Brasil
de acordo com a plataforma suíça IQAIR.
“Isso mostra que o Acre, e
toda a região Norte, está sendo impactado com os eventos extremos de altas
temperaturas e sem chuvas. Isso causa a redução dos nossos mananciais, dos
níveis dos rios, aumenta a propagação dos incêndios florestais quando eles
eclodem, e, em consequência, aumenta a poluição do ar pelo material particular,
tanto da nossa região como de outros estados vizinhos, que o vento traz para cá
também”, enfatiza o coronel Carlos Batista coordenador da Defesa Civil do Acre.
Em 21 de setembro o rio Acre chega
a 1,23 m e a seca de 2024 se torna a maior em mais de meio século na capital
Nível baixou dois centímetros
entre essa sexta-feira (20), quando marcou 1,25 metro, e o sábado (21) em Rio
Branco.
MAIOR SECA DA HISTÓRIA
Com 1,23 metro alcançado
neste sábado (21), o rio Acre chegou a menor marca registrada nos últimos 53
anos estabelecendo a seca de 2024 como a maior da história do estado. O
manancial baixou dois centímetros desde a sexta (20).
Os prejuízos incluem:
1.Bacia em situação de seca:
Toda a bacia do rio Acre em situação de alerta máximo para seca, agravada em
razão da falta de chuvas na região, situação que já perdura há dois meses;
2.População impactada: Mais
de 387 mil pessoas são afetadas nas zonas urbana e rural de Rio Branco;
3.Prejuízos: como resultado
da seca, produtores perderam plantações e houve queda nas vendas. O baixo nível
do manancial também afeta o transporte das mercadorias.
Toda a Bacia do rio Acre está
em situação de alerta máximo para seca desde o dia 20 de junho, agravada em
razão da falta de chuvas na região. Esta situação generalizada perdura há três
meses. Fonte: g1 AC — Rio Branco - 21/09/2024;
CNN , São Paulo - 20/09/2024
O rio Negro é o maior
afluente da margem esquerda do rio Amazonas, na Amazônia, na América do Sul. É
o sétimo maior rio do mundo em volume de água. Tem sua origem entre as bacias
do rio Orinoco e Amazônica. Conecta-se com o Orinoco através do canal do
Cassiquiare. Na Colômbia, onde tem a sua nascente, é chamado de rio Guainia.
Seus principais afluentes são o rio Branco e o rio Vaupés. Disputa ser o começo
do rio Orinoco junto com o rio Guaviare. Drena a região leste dos Andes na
Colômbia. Após passar por Manaus, une-se ao rio Solimões e, a partir dessa
união, este último passa a chamar-se rio Amazonas.
Todo ano, com o degelo nos
Andes e a estação das chuvas na região Amazônica, o nível do rio sobe vários
metros, alcançando sua máxima entre os meses de junho e julho. O pico coincide
com o "verão amazônico". O nível do rio abaixa até meados de
novembro, quando novamente inicia o ciclo da cheia.
Em Manaus, a máxima do rio
Negro vem sendo registrado há mais de cem anos, e há um quadro no Porto de
Manaus com todos os registros históricos, inclusive o da maior cheia até então,
ocorrida em 2012, alcançando, até 21 de maio (antes do início da vazante), a
cota de 29,97 metros acima do nível do mar.
Todos os rios da bacia Amazônica
sofrem o mesmo fenômeno de subidas e baixas em seus níveis, comandados pelos
dois maiores rios: o rio Negro e o rio Solimões (que, ao se encontrarem, abaixo
da cidade de Manaus, formam o rio Amazonas). A partir de 1º de junho de 2021,
esse registro foi superado, alcançando 29,98 metros , chegando, por fim, à nova
máxima histórica de 30,02 metros, em 20 de junho de 2021. Fonte: Wikipédia - 27
de maio de 2024.
CENÁRIO DA SECA
Rio Negro registra a menor cota da história em
Manaus (AM). Nesta sexta‑feira (4), chegou à marca de 12,66 m – a menor já
observada desde o início do monitoramento em 1902, ou seja, em 122 anos. Os
dados foram divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). De acordo com as
projeções, os níveis podem reduzir ainda mais nos próximos dias.
“O processo de vazante do Rio
Negro deve ainda continuar ao longo do mês de outubro até que a onda de cheia
se estabeleça. Temos observado que a intensidade da descida tem diminuído. Saímos de um patamar de
descidas de 23 cm por dia para 14 cm diário e 11cm, nesta sexta‑feira ”,
explica o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência
Regional de Manaus, Andre Martinelli.
O valor da cota abaixo de
zero não significa a ausência de água no leito do rio. Esses níveis são
definidos com base em medições históricas e considerações locais, sendo que,
mesmo quando o rio registra valores negativos, em alguns casos ainda há uma
profundidade significativa.
O Rio Negro é o maior rio em
extensão na Bacia Amazônica, sendo um dos maiores rios do mundo em volume de
água.
A estiagem no Amazonas afeta
mais de meio milhão de pessoas, com cerca de 140.300 famílias prejudicadas de
alguma forma pela descida das águas. Todos os municípios do estado estão em
situação de emergência.
EVENTOS CRÍTICOS EXTREMOS
A última década tem sido
marcada por eventos extremos na Bacia do Rio Amazonas associados às mudanças
climáticas, como detalha o coordenador nacional dos Sistemas de Alerta
Hidrológico do SGB, Artur Matos: “Os anos de 2021 e 2022 foram marcados por
grandes cheias, enquanto os de 2023 e 2024 por grandes secas. É um indicativo
de que os extremos estão mais frequentes”. Fontes: SGB - Serviço
Geológico do Brasil - 04/10/2024; Agencia Brasil - Publicada em 30/09/2024