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quinta-feira, janeiro 23, 2025

BRASIL PODE TER DESERTO? O QUE SE SABE SOBRE DEGRADAÇÃO NO SEMIÁRIDO

 A caatinga é uma das áreas mais vulneráveis do Brasil para a degradação ambiental. Com um clima semiárido, o território está suscetível a um processo extremamente nocivo: a desertificação. Estima-se que o problema atinja cerca de 38 milhões de pessoas no Nordeste, entre elas, 42 povos indígenas.

O deserto natural leva milhões de anos para encontrar um equilíbrio entre biodiversidade e vegetação. Se uma área semiárida está passando por um processo de desertificação, isso é muito mais nocivo, porque os solos não passaram por milhões de anos para chegar em uma característica de deserto. Humberto Alves Barbosa, fundador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites) da UFAL

De acordo com Barbosa, essa nova área desertificada não teria uma autodefesa, e espécies invasoras poderiam se apropriar do cenário debilitado do ecossistema.

EM TESE, BRASIL NÃO TEM DESERTOS

O território brasileiro está numa região majoritariamente tropical com uma diversidade de biomas — e é essa característica que apoia a estabilidade da atmosfera e do solo. No país, existem regiões semiáridas, onde uma das principais características é a baixa quantidade de chuva e os longos períodos de seca — mas com indicies de pluviosidade maiores do que seriam os de um deserto.

A desertificação pode ser resultado de múltiplos fatores, como o manejo de animais para a pecuária e o desmatamento. Neste caso, há um desequilíbrio entre atmosfera e solo — de um lado há uma maior escassez de chuvas, e do outro o solo é levado à exaustão, perdendo a fertilidade. Outro fator que contribui para a desertificação são os incêndios florestais. "Eles provocam cicatrizes e interferem também nos nutrientes do solo", explica Barbosa.

As mudanças climáticas são apontadas como um dos fatores que intensificam o processo. Apesar de a desertificação não estar diretamente ligada ao aquecimento global, os eventos climáticos extremos relacionados ao aquecimento global, como as secas prolongadas, estão agravando o cenário das áreas afetadas.

O aquecimento global e as mudanças climáticas fazem o ambiente perder umidade. Temos um solo sem vegetação, com sol e uma temperatura muito intensa, e sem disponibilidade de água. Ali é um ambiente muito oportuno para a degradação da terra e, por consequência, de desertificação. Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente do Brasil à RFI

A desertificação gera problemas socioambientais. Além da perda da biodiversidade e a interferência no ecossistema, contribuindo para o aumento da temperatura global, ela pode causar o empobrecimento da população local e declínio da qualidade de vida, além do aumento de processos migratórios.

AS ÁREAS AFETADAS

As regiões semiáridas, vulneráveis à desertificação, estão em área que ocupa Nordeste e Sudeste. Ao todo, são mais de 1.400 municípios que estão nos nove estados da região Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.

Atualmente já foram mapeados seis núcleos de desertificação no Brasil: Seridó, (RN/PB), Cariris Velhos (PB), Inhamuns (CE), Gilbués (PI), Sertão Central (PE), Sertão do São Francisco (BA), segundo publicação do Insa (Instituto Nacional do Semiárido).

Um estudo do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostrou que há uma tendência do aumento de aridez em todo o território do Brasil, com exceção da região sul e litoral de São Paulo e Rio de Janeiro. No caso do Nordeste e do norte de Minas, os cientistas identificaram uma área árida, similar a desertos, um cenário nunca observado no país nas décadas anteriores, segundo documento.

TEM SOLUÇÃO?

Áreas desertificadas podem se regenerar. Segundo o Barbosa, o solo pode retomar a fertilidade e o suprimento de água. No entanto, o processo pode demorar mais de 30 anos e não considera a integração do ser humano com o território. "Ele tem que estar integrado e em equilíbrio", defende o professor. O monitoramento e a execução de políticas públicas para a convivência com a aridez nos locais atingidos são essenciais no combate à desertificação.

 Além disso, a depender do projeto, ele pode ser custoso. Estima-se que há 207 mil km² de solos em estado severo ou crítico de degradação na caatinga.

Investir na restauração e na recuperação desses 20 milhões de hectares é muito mais custoso do que a gente evitar o processo de desmatamento do cerrado, da caatinga ou de qualquer bioma, mas estes dois são os mais afetados pelo processo de desertificação. Alexandre Pires à RFI

TEMA ESTÁ SENDO DEBATIDO GLOBALMENTE

O problema da desertificação não é apenas brasileiro — ele atinge outros países da América Latina, além da Ásia e África. Líderes globais se reuniram em Riad, na Árabia Saudita, em dezembro de 2024, para debater soluções para a questão. Um dos pontos cruciais dos diálogos dizia respeito ao financiamento de ações de recuperação dos solos e adaptação a um clima mais seco.

Em escala global, 1,5 bilhão de hectares de terra precisam ser restauradas em cinco anos, a um custo estimado em US$ 2,6 trilhões até 2030 — US$ 191 bilhão por ano apenas para África, onde o combate à desertificação é uma questão de segurança alimentar.

Mas soluções baseadas na natureza se mostram eficazes. Um estudo de 2020 publicado na revista científica Global Change Biology já havia concluído que as intervenções baseadas na natureza são frequentemente tão eficazes, ou até mais eficazes, em 59% dos casos, do que outras intervenções para combater os efeitos das mudanças climáticas.

 Enquanto as discussões para uma decisão histórica sobre a seca estão em andamento, o relatório pede aos líderes globais que reconheçam os custos excessivos e evitáveis das secas e utilizem soluções proativas e baseadas na natureza para garantir o desenvolvimento humano dentro dos limites planetários. Andrea Meza, secretária executiva adjunta da CNULCD (Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação). Fonte: UOL - Ecoa - 13/01/2025 05h30

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segunda-feira, outubro 14, 2024

RIOS SE FORMAM NO SAARA APÓS TEMPESTADES RARAS

Palmeiras foram inundadas com tempestade no Saara

Uma rara sequência de tempestades inundou áreas do deserto do Saara nas últimas semanas, no norte da África, e deixou rios de água em meio às palmeiras e dunas de areia.

Em 10 de setembro, ao menos 20 pessoas morreram no Marrocos e na Argélia como consequência das chuvas. A distribuição de água potável e a infraestrutura de estradas e rede elétrica foram danificadas. As chuvas também atingiram algumas das regiões que sofreram um terremoto há um ano.

CHUVA NO SAARA

O Saara é considerado um dos lugares mais áridos do mundo e raramente recebe chuvas no final do verão. Segundo a representante da Diretoria Geral de Meteorologia do Marrocos, Houssine Youabeb, este tipo de precipitação não era vista há décadas na região. "Faz 30 a 50 anos que não chove tanto em um espaço de tempo tão curto", disse.

CHUVAS ALTERAM CLIMA NA REGIÃO

Essas chuvas, classificada por meteorologistas como uma tempestade extratropical, podem mudar o curso do clima da região nos próximos meses. Elas fazem com que o ar retenha mais umidade, causando mais evaporação e, consequentemente, mais tempestades, afirmou Youabeb.

Em média, o deserto marroquino registra menos de 250 milímetros de chuva por ano. Em algumas regiões, a precipitação não passa de uma dezena de milímetros anualmente. Segundo o governo marroquino, porém, apenas dois dias de chuva em setembro foram suficientes para disparar esta taxa.

Após as chuvas, a água jorrou pelas areias do Saara em meio a castelos e à flora do deserto. Satélites da Nasa identificaram a formação de rios de água enchendo o Lago Iriqui, que estava seco há 50 anos.

TEMPESTADE ACONTECE APÓS ANOS DE SECA EXTREMA

Tempestade rara no Saara reativou lago que estava seco há décadas

 A tempestade chega na região após seis anos consecutivos de seca, que forçaram o racionamento de água em diversas áreas do Marrocos.

A abundância de chuvas provavelmente ajudará a abastecer os aquíferos subterrâneos, que são usados para fornecer água às comunidades do deserto. Os reservatórios represados da região registraram enchimento a taxas recordes durante todo o mês de setembro. Não está claro, porém, até que ponto as chuvas de setembro ajudarão a aliviar a seca na região.

CICLONE EXTRATROPICAL,

Segundo a Nasa, em setembro, a tempestade que atinge o deserto está associada a um ciclone extratropical, um evento extremamente raro na região. "O sistema se formou sobre o Oceano Atlântico e se estendeu para o sul, puxando a umidade da África equatorial para o norte do Saara", escreveu a agência.

Ainda segundo a Nasa, uma pesquisa realizada por Moshe Armon, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade Hebraica de Jerusalém, indicou que, dos mais de 38 mil eventos de precipitação no Saara nas últimas duas décadas, apenas 30% deles ocorreram durante o verão. Desses, quase nenhum estava associado a um ciclone extratropical, como ocorre agora.

CHUVA NO DESERTO ESTÁ ASSOCIADA À SECA NA AMAZÔNIA

Uma análise publicada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, da Universidade Federal do Alagoas em agosto, mostra que ventos fortes e constantes vindos do sudeste do planeta, somado a uma anomalia na temperatura dos oceanos, também contribuem para a chuva no Saara e conectam o deserto à seca na Amazônia. 

"Com o [oceano] Atlântico Norte mais quente, ventos alísios [constantes] de sudeste têm mantido a ZCIT [Zona de Convergência Intertropical] muito afastada da Amazônia, inibindo as chuvas e beneficiando o Saara. Esse é apenas um dos impactos indiretos que a posição da ZCIT na África pode ter no clima da Amazônia", escreve o laboratório.  Fonte: DW – 9 setembro

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quarta-feira, outubro 09, 2024

SECA EXTREMA: RIO ACRE REGISTRA MENOR NÍVEL HISTÓRICO

LOCALIZAÇÃO

O  rio Acre tem sua nascente no Peru. O seu alto curso, até a localidade de Seringal Paraguaçu, atua como divisa entre Brasil e Peru. Deste ponto até Brasileia, marca fronteira entre Brasil e Bolívia, e a partir deste ponto adentra o território brasileiro. Logo abaixo da cidade de Porto Acre, já serpenteia no território do Estado do Amazonas, e deságua na margem direita do rio Purus, no Brasil, junto à cidade amazonense de Boca do Acre. No total, o rio Acre percorre mais de 1.190 km desde suas nascentes até a desembocadura. É atravessado por duas pontes internacionais: uma liga Assis Brasil a Iñapari (Peru) e outra liga Brasileia a Cobija (Bolívia).  Fonte: IBGE

CENÁRIO DE SECA

Essa é a segunda vez que o rio atinge essa marca. No ano de 2022, o rio chegou à cota de 1,25 m, no dia 2 de outubro. Neste ano, a bacia já atingiu mínima em setembro e a previsão é que continue secando. A Defesa Civil alerta que a situação é crítica em todos os 22 municípios do estado.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu situação de emergência em todos os 22 municípios do Acre por conta da seca severa. Além de Rio Branco , que já estava nesta condição desde 24 de julho, a pasta publicou uma portaria na sexta‑feira (16/08), anunciando outras 21 cidades.

A falta de chuvas e as queimadas também afetam a qualidade do ar, que é considerada péssima. A capital, Rio Branco, voltou ao topo da lista como cidade mais poluída do Brasil de acordo com a plataforma suíça IQAIR.

“Isso mostra que o Acre, e toda a região Norte, está sendo impactado com os eventos extremos de altas temperaturas e sem chuvas. Isso causa a redução dos nossos mananciais, dos níveis dos rios, aumenta a propagação dos incêndios florestais quando eles eclodem, e, em consequência, aumenta a poluição do ar pelo material particular, tanto da nossa região como de outros estados vizinhos, que o vento traz para cá também”, enfatiza o coronel Carlos Batista coordenador da Defesa Civil do Acre.

Em 21 de setembro o rio Acre chega a 1,23 m e a seca de 2024 se torna a maior em mais de meio século na capital

Nível baixou dois centímetros entre essa sexta-feira (20), quando marcou 1,25 metro, e o sábado (21) em Rio Branco.

MAIOR SECA DA HISTÓRIA

Com 1,23 metro alcançado neste sábado (21), o rio Acre chegou a menor marca registrada nos últimos 53 anos estabelecendo a seca de 2024 como a maior da história do estado. O manancial baixou dois centímetros desde a sexta (20).


Os prejuízos incluem:

1.Bacia em situação de seca: Toda a bacia do rio Acre em situação de alerta máximo para seca, agravada em razão da falta de chuvas na região, situação que já perdura há dois meses;

2.População impactada: Mais de 387 mil pessoas são afetadas nas zonas urbana e rural de Rio Branco;

3.Prejuízos: como resultado da seca, produtores perderam plantações e houve queda nas vendas. O baixo nível do manancial também afeta o transporte das mercadorias.

Toda a Bacia do rio Acre está em situação de alerta máximo para seca desde o dia 20 de junho, agravada em razão da falta de chuvas na região. Esta situação generalizada perdura há três meses. Fonte: g1 AC — Rio Branco - 21/09/2024; CNN , São Paulo - 20/09/2024


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segunda-feira, outubro 07, 2024

RIO NEGRO PODE PASSAR POR PIOR SECA DA HISTÓRIA

LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS


O rio Negro é o maior afluente da margem esquerda do rio Amazonas, na Amazônia, na América do Sul. É o sétimo maior rio do mundo em volume de água. Tem sua origem entre as bacias do rio Orinoco e Amazônica. Conecta-se com o Orinoco através do canal do Cassiquiare. Na Colômbia, onde tem a sua nascente, é chamado de rio Guainia. Seus principais afluentes são o rio Branco e o rio Vaupés. Disputa ser o começo do rio Orinoco junto com o rio Guaviare. Drena a região leste dos Andes na Colômbia. Após passar por Manaus, une-se ao rio Solimões e, a partir dessa união, este último passa a chamar-se rio Amazonas.

Todo ano, com o degelo nos Andes e a estação das chuvas na região Amazônica, o nível do rio sobe vários metros, alcançando sua máxima entre os meses de junho e julho. O pico coincide com o "verão amazônico". O nível do rio abaixa até meados de novembro, quando novamente inicia o ciclo da cheia. 

Em Manaus, a máxima do rio Negro vem sendo registrado há mais de cem anos, e há um quadro no Porto de Manaus com todos os registros históricos, inclusive o da maior cheia até então, ocorrida em 2012, alcançando, até 21 de maio (antes do início da vazante), a cota de 29,97 metros acima do nível do mar. 

Todos os rios da bacia Amazônica sofrem o mesmo fenômeno de subidas e baixas em seus níveis, comandados pelos dois maiores rios: o rio Negro e o rio Solimões (que, ao se encontrarem, abaixo da cidade de Manaus, formam o rio Amazonas). A partir de 1º de junho de 2021, esse registro foi superado, alcançando 29,98 metros , chegando, por fim, à nova máxima histórica de 30,02 metros, em 20 de junho de 2021. Fonte: Wikipédia - 27 de maio de 2024.


CENÁRIO DA SECA

Rio Negro registra a menor cota da história em Manaus (AM). Nesta sexta‑feira (4), chegou à marca de 12,66 m – a menor já observada desde o início do monitoramento em 1902, ou seja, em 122 anos. Os dados foram divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). De acordo com as projeções, os níveis podem reduzir ainda mais nos próximos dias.

“O processo de vazante do Rio Negro deve ainda continuar ao longo do mês de outubro até que a onda de cheia se estabeleça. Temos observado que a intensidade da  descida tem diminuído. Saímos de um patamar de descidas de 23 cm por dia para 14 cm diário e 11cm, nesta sexta‑feira ”, explica o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus, Andre Martinelli.

O valor da cota abaixo de zero não significa a ausência de água no leito do rio. Esses níveis são definidos com base em medições históricas e considerações locais, sendo que, mesmo quando o rio registra valores negativos, em alguns casos ainda há uma profundidade significativa.

O Rio Negro é o maior rio em extensão na Bacia Amazônica, sendo um dos maiores rios do mundo em volume de água.

A estiagem no Amazonas afeta mais de meio milhão de pessoas, com cerca de 140.300 famílias prejudicadas de alguma forma pela descida das águas. Todos os municípios do estado estão em situação de emergência.

EVENTOS CRÍTICOS EXTREMOS

A última década tem sido marcada por eventos extremos na Bacia do Rio Amazonas associados às mudanças climáticas, como detalha o coordenador nacional dos Sistemas de Alerta Hidrológico do SGB, Artur Matos: “Os anos de 2021 e 2022 foram marcados por grandes cheias, enquanto os de 2023 e 2024 por grandes secas. É um indicativo de que os extremos estão mais frequentes”. Fontes: SGB - Serviço Geológico do Brasil - 04/10/2024; Agencia Brasil - Publicada em 30/09/2024

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domingo, setembro 22, 2024

MONITORAMENTO MOSTRA QUE 99% DOS INCÊNDIOS SÃO POR AÇÃO HUMANA

 Apenas uma parte ínfima dos incêndios florestais que se proliferam pelo país é iniciada por causas naturais. A constatação é da doutora em geociências Renata Libonati, coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“De todos os incêndios que acontecem no Brasil, cerca de 1% é originado por raio. Todos os outros 99% são de ação humana”, afirma.

A pesquisadora é responsável pelo sistema Alarmes, um monitoramento diário por meio de imagens de satélite e emissão de alertas sobre presença de fogo na vegetação. Ao relacionar os dados com a proibição vigente de colocar fogo em vegetação, ela afirma que “todos esses incêndios, mesmo que não tenham sido intencionais, são de alguma forma criminosos”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Com base em dados que ficam disponíveis a cada 24h, a professora constata que “a situação é muito crítica” nos três biomas analisados, sendo a pior já registrada na Amazônia. Em relação ao Cerrado e o Pantanal, ela ressalta que a presença das chamas está “muito próxima do máximo histórico”.

Renata Libonati associa o fogo que consome vegetação em diversas regiões brasileiras a atividades econômicas. “A ocorrência dos incêndios no Brasil está intimamente relacionada ao uso da terra”.

Com o olhar de quem acompanha cada vez mais eventos climáticos extremos, a pesquisadora percebe um ultimato: “Nosso estilo de vida atual é incompatível com o bem-estar da nossa sociedade no futuro”.

Acompanhe os principais trechos da entrevista:

AGÊNCIA BRASIL: A PARTIR DO MONITORAMENTO REALIZADO PELO SISTEMA ALARMES, É POSSÍVEL TRAÇAR UM RETRATO DE COMO ESTÁ A SITUAÇÃO NO PAÍS?

Renata Libonati: O sistema Alarmes monitora atualmente os três principais biomas do Brasil: Amazônia, Cerrado e o Pantanal. Principais no sentido dos que mais queimam. No Pantanal, do início do ano até 18 de setembro, já teve cerca de 12,8% da sua área queimada. Fazendo um comparativo com 2020, o pior ano já registrado, 2020 queimou no ano todo cerca de 30% do bioma.

A média anual que o Pantanal queima é em torno de 8%. Então, 2020 foi muito acima e 2024 também ultrapassou a média de porcentagem diária atingida. Isso representa cerca de 1,9 milhão de hectares queimados em 2024 [para efeito de comparação, o estado do Sergipe tem quase 2,2 milhão de hectares]. Esse acumulado está abaixo do que queimou em 2020 no mesmo período, mas até o início de setembro, o acumulado era maior que o mesmo período de 2020.   

A Amazônia já teve cerca de 10 milhões de hectares queimados [o que equivale a mais que o estado de Santa Catarina]. Como a Amazônia é muito grande, isso representa em torno de 2,5% da sua área queimada. A situação é muito crítica. Esse é o pior ano já registrado desde que a gente tem medição aqui no nosso sistema, em 2012.

O Cerrado já queimou cerca de 11 milhões de hectares, o que corresponde a quase 6% da sua área. Esse valor está ligeiramente abaixo do ano que mais queimou, que foi em 2012.

De uma forma geral, a situação é muito crítica nos três biomas. A Amazônia no máximo histórico; e nos outros biomas, muito próxima do máximo histórico.

AGÊNCIA BRASIL: COM OS DADOS COLETADOS, NOTAM-SE INDÍCIOS DE AÇÕES CRIMINOSAS E/OU COORDENADAS?

Renata Libonati: O monitoramento por satélite não permite fazer distinção de que tipo de ignição originou determinado incêndio. O que posso dizer é que existem duas formas de iniciarmos um incêndio. A primeira é a forma humana, seja intencional ou criminosa. A segunda é a causa natural, que seriam os raios.

Percebemos um padrão que, de todos os incêndios que acontecem no Brasil, cerca de 1% é originado por raio. Todos os outros 99% são originados de ação humana. Desde maio até agora, não teve nenhuma ocorrência no Pantanal de incêndio começado por raio. Isso monitorado por satélite e com dados de descargas atmosféricas.

Isso nos indica que é fogo humano. Sabendo que existe decreto que tem proibido o uso do fogo em todas essas regiões devido à crise climática que a gente está vivendo esse ano, todos esses incêndios, mesmo que não tenham sido intencionais, são de alguma forma criminosos. Exceto quando é acidental.

AGÊNCIA BRASIL: SÃO LIGAÇÕES COM ATIVIDADES ECONÔMICAS, MAIS NOTADAMENTE A AGROPECUÁRIA?

Renata Libonati: Existem vários fatores que estão relacionados a esses inícios de incêndio. Por exemplo, o desmatamento, um fator que fica muito ligado ao início de incêndio, porque, em geral, utiliza-se o fogo em algumas situações de desmatamento.

A ocorrência dos incêndios no Brasil está intimamente relacionada ao uso da terra, às atividades econômicas, principalmente, ligadas ao desmatamento para abrir áreas de pastagem e agricultura e, quando já está consolidado, muitas vezes se utiliza o fogo por várias razões, e isso causa os grandes incêndios que estamos observando.

AGÊNCIA BRASIL: O FOGO, QUE JÁ FOI UM GRANDE ALIADO DA HUMANIDADE, ESTÁ CADA VEZ MAIS SE TORNANDO UM INIMIGO?

Renata Libonati: É muito importante não esquecer que o fogo nem sempre é ruim. Regiões como o Cerrado e parte do Pantanal, que são constituídas basicamente de regiões savânicas, são o que chamamos de dependentes do fogo. Precisam da ocorrência anual do fogo para manter a sua biodiversidade e padrão ecossistêmico. O que ocorre é justamente isso que você comentou, a ação humana alterou completamente o regime de fogo natural dessas regiões para um regime atual que é muito mais agressivo, no sentido que os incêndios são mais intensos, mais extensos e mais duradouros. Isso tem um efeito muito ruim mesmo em regiões que são dependentes do fogo.

É diferente da Amazônia e de qualquer floresta tropical, que a gente chama de ecossistemas sensíveis ao fogo. Quando ocorre, é altamente prejudicial. É sempre bom fazer essa distinção entre o Cerrado, Pantanal e Amazônia, porque as relações que cada ecossistema tem com o fogo são diferentes, e o uso do fogo precisa ou não ser tratado de forma diferente de acordo com o ecossistema.

AGÊNCIA BRASIL: COMO O SISTEMA ALARMES FAZ O MONITORAMENTO?

Renata Libonati: O sistema Alarmes foi lançado em 2020. Até aquela época, o monitoramento de área queimada por satélite era feito com atraso que podia chegar a três meses para a gente ter estimativas de quanto e de onde queimou. O sistema Alarmes veio para trazer uma informação que era muito requerida pelos órgãos de combate e prevenção, que era informação da área queimada de alguma forma rápida, em tempo quase real, para fazer as ações de planejamento do combate.

Nós utilizamos imagens de satélite da Nasa [agência espacial americana], aprendizado de máquina profundo [um método de inteligência artificial] e informações de focos de calor. Isso nos permitiu criar esses alertas rápidos. Enquanto antes nós precisávamos esperar de um a três meses para ter essas localizações do que queimou, nós temos essa informação no dia seguinte que queimou. Ele é atualizado diariamente com novas informações e vem sendo aprimorado através da colaboração com entidades públicas, privadas e até da sociedade. Nos ajudam a validar os nossos alertas e a qualidade dos nossos dados, por exemplo, através do sistema Fogoteca.

Brigadistas que estão combatendo tiram fotografias georreferenciadas e inserem isso no sistema como uma forma de saber que os nossos alertas estão corretos no tempo e no espaço. A Fogoteca vem crescendo desde então, nos auxiliando a melhorar essas estimativas com informação de campo, que é muito importante para validar e verificar a acurácia do monitoramento que fazemos por satélite.

AGÊNCIA BRASIL: HOUVE UMA ATUALIZAÇÃO ESTA SEMANA NO ALARMES, PARA AUMENTAR A PRECISÃO.

Renata Libonati: Essa diferença de dar a área queimada com atraso de três meses ou de um dia vai fazer com que você tenha uma melhor precisão quando tem mais tempo para trabalhar aquelas imagens do que quando você tem que fazer uma coisa muito rápida, quando perde um pouco a precisão. É aquele cobertor curto, quando eu tenho um processamento rápido, eu perco qualidade, mas ganho agilidade. Quando eu tenho um processamento lento, eu perco em agilidade, mas ganho em qualidade.

Os nossos alertas, por terem essa capacidade de identificar rapidamente o que que aconteceu, têm uma qualidade mais restrita que um dado mais lento. O que fizemos para atualizar isso foi juntar os dados mais lentos com os mais rápidos, de forma a diminuir essas imprecisões: efeitos de borda (superdimensionamento da área identificada) e omissões em casos específicos

AGÊNCIA BRASIL: O SISTEMA ALARMES É UMA FERRAMENTA. PARA CONTER A PROLIFERAÇÃO DE INCÊNDIOS NO PAÍS SÃO NECESSÁRIAS AÇÕES DA SOCIEDADE E GOVERNOS. COMO ESPECIALISTA NO ASSUNTO, SUGERE CAMINHOS?

Renata Libonati: A gestão do incêndio não passa apenas pelo combate. Muito pelo contrário, o pilar precisa ser a prevenção. Passa, por exemplo, por uma gestão da vegetação antes da época de fogo, fazer aceiros [terreno sem vegetação que serve como barreira para impedir a propagação do fogo], diminuir material combustível seco, muitas vezes através de queimas prescritas, quando se usa o que chamamos de "fogo frio", antes da época de fogo, quando a área ainda está úmida. Fragmentar a paisagem para quando chegar a época de fogo, ele não ter para onde ir porque você já tirou aquela biomassa dali, contendo o incêndio.

Essas técnicas de prevenção também englobam maior conscientização e educação ambiental sobre o uso do fogo. Maior fiscalização. Ações que precisam ser feitas de forma continuada ao longo de vários anos.

Diante das condições climáticas que estamos vivenciando nas últimas décadas e, principalmente, nos últimos anos, observamos que esses eventos extremos, como grandes secas e ondas de calor estão cada vez mais frequentes, duradouros e persistentes e essas são as condições que levam a grandes incêndios. Então qualquer ignição vai se propagar de uma forma muito rápida, muito intensa, e o combate é muito difícil.

Mesmo que tenhamos um empenho muito grande, como está acontecendo este ano por parte dos governos federal e estaduais empenhados no combate, mesmo assim essas condições climáticas são muito desfavoráveis ao combate. É muito difícil combater, por isso que é preciso sempre priorizar a prevenção. O Brasil deu um primeiro passo para isso, que foi a lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada o final de julho, sancionada pelo presidente da República.

Essa lei vai permitir uma mudança de paradigma na forma em que o Brasil realiza a sua gestão de incêndios, permitindo um pilar muito forte na prevenção do que propriamente no combate. Já demos um primeiro passo.

AGÊNCIA BRASIL: PODE SE DIZER QUE MUDANÇAS CLIMÁTICAS SÃO UMA AMEAÇA NÃO PARA O PLANETA, E, SIM, PARA A VIDA HUMANA?

Renata Libonati: O que estamos vivenciando hoje é um resultado do que a humanidade vem fazendo ao longo de várias décadas. Realmente é preciso fazer uma mudança na forma que a gente utiliza o planeta porque o nosso estilo de vida atual é incompatível com o bem-estar da nossa sociedade no futuro.

Se continuarmos a emitir gases do efeito estufa na mesma faixa que estamos hoje, vamos ter, os modelos climáticos indicam, nos 2050 até 2100, ocorrências muito mais frequentes de ondas de calor, de secas, enchentes como a que a gente viu no Rio Grande do Sul. Isso vai impactar diretamente a vida humana. É importante chamar atenção que sempre as pessoas que vivem em maior vulnerabilidade são aquelas que vão ser as mais impactadas.

AGÊNCIA BRASIL: VOLTANDO AO SISTEMA ALARMES, É UMA MOSTRA DE QUE A ACADEMIA ESTÁ CENTRADA PARA AS NECESSIDADES ATUAIS DA SOCIEDADE?

Renata Libonati: Essa ideia de que a universidade vive fechada nas suas quatro paredes já não procede. As universidades públicas, há algumas décadas, mudaram a forma de fazer ciência, passando por uma ciência que visa auxiliar na solução dos problemas que a nossa sociedade tem hoje. O Alarmes é, de fato, um bom exemplo de que todo o conhecimento gerado na academia pode ser utilizado na forma de trazer um benefício para a solução desses problemas. No caso, a gestão dos incêndios, que vai levar também a uma melhoria da qualidade do ar.

No caso do Alarmes, o desenvolvimento foi possível por conta de uma aproximação do Prevfogo [Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais] do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], que financiou um edital no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]. Foi um edital inédito e eles trouxeram os principais problemas que eles tinham. Um desses problemas era o monitoramento mais rápido da área queimada. Então é muito importante que haja investimentos públicos na universidade para que a gente possa ter condições de desenvolver e melhorar cada vez mais a inovação que podemos ter.

Nós tivemos também muitos investimentos de ONGs [organizações não governamentais], como Greenpeace, Wetlands Internacional, WWF, CEPF, Terra Brasilis. Uma série de ONGs preocupadas com a questão ambiental e que fomentaram algumas melhorias no sistema. Fonte: Agência Brasil - Rio de Janeiro -  Publicado em 20/09/2024

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segunda-feira, setembro 16, 2024

HISTÓRICO DAS SECAS NO BRASIL

 1583/1585 - Primeiro relato da seca nordestina feita pelo padre Fernão Cardim: "…uma grande seca e esterilidade na província e que 5 mil índios foram obrigados a fugir do sertão pela fome, socorrendo-se aos brancos". Grandes perdas de cana e aipim.

1606 - Região NE

1615 - Região NE

1652 - Região NE

1692/1693 - A capitania de Pernambuco é atingida por "peste". Frei Vicente do Salvador relatou que indígenas, foragidos pelas serras, reuniram-se em numerosos grupos e avançaram sobre as fazendas das ribeiras.

1709/1711 - Grande seca que atinge a Capitania do Maranhão.

1720/1721 - Seca com gravíssimas consequências sobre as províncias do Ceará e do Rio Grande do Norte.

1723/1727 - Grande seca que matou quase a totalidade dos escravos da região. Segundo Irineu Pinto, fiscais da Câmara pediram ao rei o envio de escravos.

1736/1737 - Região NE

1744/1745 - Grande desnutrição infantil assola a região.

1748/1751 - Região NE

1776/1778 - Seca e surto de varíola na região NE, com alto índice de mortalidade humana e animal (gado bovino) na caatinga. A Corte Portuguesa determina reunião de flagelados nas margens dos rios para repartição de terras adjacentes.

1782 - Censo determina população de 137.688 habitantes atingida por seca.

1790/1793 (1791-1792 ?) - Chamada de "grande seca" pelos velhos sertanejos foi também a seca dos pedintes. Uma Pia Sociedade Agrícola foi criada como a primeira organização de caráter administrativo assistencialista. O governo da metrópole estabeleceu um único corretivo, uma severa proibição ao corte das florestas. Segundo Euclides da Cunha, cartas régias de 17 de março de 1796, nomeando um juiz conservador de matas, e a 11 de junho de 1799, decretava que "se coíba a indiscriminada e desordenada ambição dos habitantes (da Bahia e Pernambuco) que têm assolado a ferro e fogo preciosas matas… que tanto abundavam e já hoje ficam à distâncias consideráveis, etc".

1808/1809 - Seca atinge Pernambuco na região do rio São Francisco. Quinhentas pessoas morreram de fome.

1824/1825 - Seca e varíola juntas definem essa grande seca. Campos esterilizados e fome atingem engenhos de cana-de-açúcar.

1831 - A Regência Trina autoriza a abertura de fontes artesianas profundas.

1833/1835 - Grande seca atinge Pernambuco.

1844/1846 - Grande fome. O saco de farinha de mandioca foi trocado por ouro ou prata.

1877/1879 - Uma das mais graves secas que atingiram todo o Nordeste. O Ceará, na época, com uma população de 800 mil habitantes foi intensamente atingido. Desses, 120 mil (15%) migraram para a Amazônia[ e 68 mil pessoas foram para outros Estados. A seca foi considerada devastadora: cerca de metade da população de Fortaleza pereceu, a economia foi arrasada, as doenças e a fome dizimaram até ao rebanho. Um registro pictórico existe, uma família de retirantes é fotografada em uma estação ferroviária do Nordeste brasileiro (Ceará). Nesse mesmo período, também como resultado de anomalias climáticas, milhões de pessoas morreram de fome na China e na Índia.[

1888/1889 - Lavouras destruídas e vilas abandonadas em Pernambuco e Paraíba. D. Pedro II criou a Comissão Seca (depois Comissão de Açudes e Irrigação), como resultado cria-se o projeto do Açude do Cedro na cidade de Quixadá, no Ceará.

1898/1900 - Seca atinge Pernambuco.

1909 - O Governo Nilo Peçanha cria o Instituto de Obras Contra as Secas (IOCS).

1915 - O Presidente Venceslau Brás na seca de 1915 reestruturou o Instituto de Obras Contra as Secas (IOCS), que passou a construir açudes de grandes portes. Com temor de saques, Campos de Concentração no Ceará foram criados para isolar a população faminta e impedir-lhe o movimento em direção as cidades.

1919 - O Governo Epitácio Pessoa transforma o IOCS em DNOCS que recebeu ainda em 1919 pelo Decreto 13.687, o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS) antes de assumir sua denominação atual, que lhe foi conferida em 1945 pelo Decreto-Lei 8.846 de 28 de dezembro de 1945, vindo a ser transformado em autarquia federal através da Lei n° 4229 de 1 de junho de 1963.

1925 - Seca em São Paulo força a Light a cortar de dois terços o fornecimento de energia elétrica .

1930 - Região NE

1932 - Região NE. Reutilização dos Campos de Concentração no Ceará com plano de controle social

1953 - Região NE

1954 - Região NE

1958 - Região NE

1962 - Região NE

1963 - Grande parte do Brasil enfrenta uma forte e intensa estiagem, seguida de recordes de calor. Este foi o ano mais seco da história em várias cidades, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. No Paraná a seca durou até janeiro do ano seguinte.

1966 - Região NE

 1979/1985 - Essa foi uma das secas mais prolongadas da história do Nordeste: durou 7 anos. O auge do problema foi em 1981.  

Década de 1980 - A década é considerada chuvosa, sendo marcada por apenas dois períodos de estiagem, correspondentes aos anos de 1982 e 1983.

Década de 1990 - Os anos de 1993, 1996, 1997, 1998 e 1999 foram anos sofríveis. Um apontamento de tendência de seca em 1998 antecedeu sua ocorrência graças a observação do fenômeno El Niño por meteorologistas, mas as ações de precaução e prevenção continuaram a serem pouco efetivas na mitigação dos problemas.

2000 e 2001 - Anos de estiagem relativa.

2004-2006 - Estiagem na Região Sul do Brasil.

2005 - A região Amazônica enfrenta um período de estiagem intensa.

2007 - Transposição do Rio São Francisco iniciada.

2007 - Seca na porção norte de Minas Gerais, considerada a mais grave já enfrentada pelo estado até então. Praticamente não choveu na região entre março e novembro de 2007 e as precipitações seguiram-se abaixo da média climatológica até fevereiro de 2008. Centenas de municípios entraram em estado de emergência, registraram-se 53 976 focos de incêndio (recorde histórico para o estado) e 190 mil cabeças de gado morreram.

2012 - 2017 - Seca na Região Nordeste, considerada a mais intensa desde 1845.

2014–2017 - Período de chuvas irregulares nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, atingindo setembro de 2017 com níveis críticos de reservatórios de usinas hidrelétricas e água potável, considerado a pior seca dos últimos 100 anos. A seca no Sudeste foi a responsável, em associação a fatores ligados à infraestrutura e planejamento, pela pior crise hídrica enfrentada pela região em 2014 e 2015. As chuvas retornaram ao estado de São Paulo de forma gradual ao longo de 2015, mas o quadro de estiagem se manteve e foi agravado em muitas áreas de Minas Gerais e Espírito Santo, estendendo-se também em 2016 e 2017.

2024 - A maior seca  do Brasil afeta 1.400 cidades em nível extremo ou severo. Esse período de estiagem chegou mais cedo, como um exemplo de mudança climática, que é causada por um conjunto de fatores, começando pelo aquecimento global. Fonte: Wikipédia, 22 de dezembro de 2023; Superinteressante – 21 dez 2016

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domingo, setembro 01, 2024

COM MAIS DE 10 MIL QUEIMADAS, AMAZONAS TEM PIOR MÊS DE AGOSTO DOS ÚLTIMOS 26 ANOS


O Amazonas tem o pior agosto em relação a queimadas dos últimos 26 anos. Os dados são do programa BD Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e levam em consideração o monitoramento feito desde 1998, quando o órgão começou a série histórica.

Parte do Amazonas está encoberto por uma mancha de fogo de quase 500 quilômetros de extensão, conforme captado pelo satélite europeu Corpenicus. O problema também afeta o Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e agora o Pará, formando um verdadeiro 'cinturão do fogo'.

O governo decretou emergência ambiental em todos os 62 municípios do estado e proibiu qualquer tipo de queimada. O fogo criou uma nova onda de fumaça que encobre Manaus e outros municípios do amazonenses.

Segundo o Inpe, de 1º a 31 de agosto, o Amazonas registrou 10.328 queimadas, o maior índice desde 1998, quando o instituto começou a monitorar os focos de calor na região. Até então, o recorde era de agosto de 2021, quando o estado havia registrado 8,5 mil focos de calor.

O número de queimadas em agosto deste ano é quase o dobro do registrado em agosto do ano passado: 5.474. O problema que já era grave em 2023, está pior este ano.

Em julho, o estado também já havia registrado o pior índice da história para o mês.

·        Número de queimadas no Amazonas de 1º a 31 de agosto de 2024: 10.328

·        Número de queimadas no Amazonas de 1º a 31 de agosto de 2023: 5.474.

Dos dez municípios que mais queimaram a Amazônia Legal em agosto, três estão no Amazonas: Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã. Os três, inclusive, estão localizados no Sul do estado, chamado de 'arco do fogo', devido a forte presença da pecuária na região.

Apuí está na quarta posição da lista com 2.267 queimadas. Lábrea vem logo atrás com 1.959 focos de calor e Novo Aripuanã fecha o ranking com 1.208. A lista traz ainda municípios do Pará, Rondônia e Mato Grosso do Sul.


SECA SEVERA

Além disso, o Amazonas vive uma seca severa. Dados da Defesa Civil do estado apontam que o Rio Negro, rio que banha Manaus, chegou a 19 metros neste domingo (1º). A seca é crítica em quase todos os mananciais do estado. Em Tabatinga, na Região do Alto Solimões, o Rio Solimões está com o nível mais baixo da história.


MANCHA DE FOGO AVANÇA

Uma mancha de fogo com mais 500 quilômetros de extensão e mais de 400 quilômetros de largura tem avançado sobre a Amazônia, conforme captado pelo satélite europeu Copernicus. O fenômeno cobre pelo menos seis estados da Amazônia Legal, dentre eles, o Amazonas.

Neste domingo (1º), a mancha de fogo reduziu o avanço sobre o Amazonas. Em compensação, o fenômeno começou a se estender sobre o Pará e avança sobre o Peru, Equador e a Colômbia.

Leonardo Vergasta, meteorologista do Laboratório do Clima (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), explicou que a mancha indica uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera, resultado das queimadas que produzem essa fumaça.

“A formação de queimadas está diretamente relacionada a concentração de dióxido de carbono, que é um gás que está presente na atmosfera terrestre. A circulação do vento está normal, mas as queimadas persistem na Região Sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia”, afirmou.

FALTA DE CHUVA

Vergasta também destacou que a falta de chuva intensifica o problema. “Regiões como Mato Grosso e Rondônia estão há mais de 90 dias sem chuva, enquanto o Sul do Amazonas e o Acre enfrentam uma seca de 7 a 21 dias. A ausência de chuva e as altas temperaturas durante a estação seca tornam a vegetação extremamente vulnerável às queimadas provocadas pela ação humana”, explicou.

FOGO É CAUSADO POR PECUARISTAS, DIZ IBAMA

Segundo o geógrafo e superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, as queimadas que atingem o Amazonas e que geram a onda de fumaça são causadas por pecuaristas.

"A fumaça sobe a partir das queimadas para formação de pasto na pecuária e são deslocadas para as regiões urbanizadas por massas de ar que são um fenômeno normal na climatologia amazônica", disse Joel. Fonte: g1 AM-01/09/2024

MAPA DE QUEIMADAS



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segunda-feira, agosto 12, 2024

ÓRGÃO AMBIENTAL APURA MORTE DE TONELADAS DE PEIXES EM PIRACICABA

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) apura suspeita de crime ambiental que pode ter resultado na morte de dezenas de toneladas de peixes em Piracicaba (a 157 km de São Paulo).

Na segunda-feira (15/07), a região do Tanquã, conhecida como mini Pantanal paulista, amanheceu coberta por um tapete formado por peixes mortos. 

O órgão ambiental ainda vai avaliar a quantidade exata de animais atingidos.

SUSPEITA, USINA DE ÁLCOOL

A suspeita é que a morte dos animais no rio do interior de São Paulo possa ter sido provocada por despejo irregular de substâncias pela Usina São José S/A Açúcar e Álcool.

A empresa, em nota, nega irregularidades.

"Após cinco inspeções realizadas pela Cetesb nas dependências da usina, nada foi informado à empresa formalmente que explique o motivo ou a origem da morte de peixes registrada nos últimos dias. Insinuações de envolvimento da usina nessa ocorrência são precoces e não têm, até agora, qualquer comprovação ou fundamento", diz a companhia.

"A empresa lembra que diversos incidentes envolvendo morte de peixes no rio Piracicaba vêm ocorrendo nos últimos anos, período este que a Usina São José estava inativa, tendo retomado suas atividades somente em maio deste ano."

MULTA

De acordo com a Cetesb, a multa aplicada pode chegar a R$ 50 milhões. O valor pode ser ainda maior se as análises indicarem agravamento do dano à natureza.

INSPEÇÃO

O órgão tem realizado coletas constantes de amostras da água para averiguar a situação do rio. Na  terça, técnicos retornaram ao Tanquã para realizar nova pesquisa.

Imagens do rio mostram uma grande quantidade de peixes, de diversas espécies, mortos na superfície da água. Segundo o órgão estadual, o fenômeno decorre de um descarte irregular que pode ter sido cometido pela usina de etanol e açúcar localizada no município de Rio das Pedras, na região de Piracicaba.

O Tanquã é abastecido pelo rio Piracicaba. Segundo a prefeitura do município, a mortandade de peixes é observada em alguns trechos do rio desde o último dia 7, quando teria ocorrido o descarte da substância.

Segundo a administração, somente na última quinta (11) foram recolhidas 2,9 toneladas de peixes. A ação antecedeu a nova onda de mortes no Tanquã. Na  quinta‑feira (18/07), a prefeitura pretende começar um novo trabalho de remoção por meio de contrato emergencial com empresa especializada.

LAUDO DA CETESB

Um laudo deve ser concluído pela Cetesb até sexta-feira (19/07), indicando a substância despejada na água e a penalidade a ser aplicada. A entidade também notificou a usina para que faça a retirada imediata dos peixes do Tanquã.

O diretor de licenciamento e controle do órgão, explica que o material descartado pela empresa é 20 vezes mais poluente que esgoto bruto e resulta em diminuição instantânea do oxigênio da água.

"A carga orgânica obtida pelas amostras é muito elevada, de modo que o próprio rio não dá conta de dissolver essa poluição, sobretudo na área do Tanquã, de águas calmas, menor profundidade e menor movimentação da água que, naturalmente, promove oxigenação através do contato com a atmosfera", diz o diretor.

As últimas amostras no rio indicam 3.000 mg de O2 (oxigênio) por litro. Já a oxigenação da água no local onde aconteceu a tragédia estava inferior a 1 mg de oxigênio por litro, quando o índice ideal para a água ser considerada boa é superior a 5 mg/l.

Segundo a Cetesb, a usina tem licença ambiental para realizar suas operações até 2025, mas estava com as operações paralisadas e retomou as atividades sem notificar o órgão.

Local do descarte

O descarte aconteceu no ribeirão Tijuco Preto, que deságua no rio Piracicaba. Entre o ponto de partida do material e o Tanquã, a substância deve ter percorrido cerca de 80 km, calcula o órgão ambiental.

"O estrago não foi maior pois em outras áreas o rio tem mais corredeiras e maior capacidade de dissolver o composto orgânico. O problema se agrava mesmo em áreas onde o produto se concentra e impede a reabilitação da natureza", destaca o diretor.

A Cetesb solicitou à empresa concessionária da usina hidrelétrica Salto Grande, em Americana, o vertimento de águas de seu reservatório, para um aumento no volume de água do rio Piracicaba que pode amenizar o problema e elevar a oxigenação.

Em nota, a prefeitura da cidade disse ainda que acionou o Ministério Público Estadual para apurar o caso e que pede que a prefeitura de Rio das Pedras seja responsabilizada pela contaminação. O órgão respondeu à imprensa, durante a tarde, que vai apurar o caso.

16.jul.2024 às 19h59

MULTA APLICADA

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) multou em R$ 18 milhões a Usina São José S/A Açúcar e Álcool, suspeita de crime ambiental pela morte de dezenas de toneladas de peixes em Piracicaba (a 157 km de São Paulo).

A aplicação de multa pelo acidente no interior de São Paulo foi divulgada pelo órgão na manhã de sexta-feira (19/07).

SUBSTÂNCIA IDENTIFICADA

Os primeiros peixes mortos apareceram no rio Piracicaba entre os dias 7 —quando ocorreu a contaminação, segundo análises— e 10 de julho. No dia 11, a prefeitura do município removeu cerca de três toneladas de peixes mortos da água.

No dia 15, a substância, agora identificada como melaço de cana-de-açúcar, atingiu uma área de preservação ambiental, o Tanquã, conhecida como mini Pantanal paulista, resultando em nova mortandade de animais.

MORTANDADE DE PEIXES

Estima-se que a tragédia tenha resultado em mais de 20 toneladas de peixes mortos. Um número mais preciso será divulgado ao decorrer do trabalho de limpeza do rio.

"A estimativa que temos para o repovoamento daquela região [do Tanquã] é de que possa demorar dez anos. Nos próximos cinco anos, as comunidades que vivem da pesca não terão a mínima capacidade de explorar o rio, tampouco o turismo. A alternativa a isso é cadastrar essas famílias e, em conjunto com estado e União, obter recursos para ajudá-las", disse o prefeito de Piracicaba. "Teremos que soltar uma média de 100 mil alevinos por ano para recuperar o rio. Isso exige estratégia, estudos, análises. Não podemos apenas chegar e soltá-los."

INQUÉRITO POLICIAL

No inquérito policial instaurado para investigar a contaminação, a polícia indica que houve vazamento de melaço da usina para o ribeirão Tijuco Preto, afluente do rio Piracicaba. "O produto é espesso e de difícil diluição", descreve o documento.

O material, uma vez no rio, teria descido cerca de 80 km, partindo de Rio das Pedras (cidade onde a usina funciona) e chegado ao Tanquã. Segundo a Cetesb, a área onde ocorreu a maior mortandade de peixes tem características geográficas que facilitaram a tragédia.

"O Tanquã é uma região de águas paradas e menor profundidade, o que contribuiu para a desoxigenação da água. O estrago só não foi maior rio acima pois o rio tem corredeiras e maior movimentação de água, o que naturalmente promove oxigenação", disse o diretor de licenciamento e controle da Cetesb.

Já no Tanquã, uma espécie de tapete foi formada pelos peixes mortos boiando na superfície. Segundo relatos de moradores e pescadores locais, o odor durante toda a semana foi piorando.

A camada formada pelos peixes mortos impede a visualização da água e é apontada como um outro problema ambiental, uma vez que prejudica a recuperação natural do rio e a oxigenação da água. Fontes: Folha de São Paulo-17.jul.2024; Folha de São Paulo-19.jul.2024 


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domingo, abril 28, 2024

PNEUS: O ITEM POLUIDOR MENOS CONHECIDO DOS CARROS ELÉTRICOS

A venda de veículos elétricos disparou, e a indústria de pneus vem tentando inovar para atender às necessidades desses carros relativamente mais pesados. E ainda há outro problema a ser resolvido.

A cada rotação, pneus soltam pequenas partículas que contaminam o ar e o solo e chegam até os oceanos

Sendo o único ponto de contato do carro com o asfalto, os pneus muitas vezes têm sua importância menosprezada. Eles precisam aderir à pista com firmeza suficiente para que os carros acelerem, façam curvas e freiem sem derrapar, mas também precisam reduzir a resistência ao rolamento o suficiente para manter a eficiência do uso de combustível.

Para os fabricantes de pneus, criar o pneu perfeito — que equilibre desempenho e durabilidade — é uma tarefa interminável. Nos últimos anos, esse trabalho foi ainda mais complicado pelos veículos elétricos.

VEÍCULOS MAIS PESADOS

Devido às suas grandes baterias, esses veículos tendem a ser significativamente mais pesados do que seus equivalentes com motores de combustão interna. O e-Golf da Volkswagen, por exemplo, é cerca de 400 quilos mais pesado que o Golf VII movido a gasolina. Esse peso adicional recai sobre os pneus do carro, por isso os veículos elétricos precisam de pneus mais resistentes.

Os veículos elétricos também tendem a ter mais torque do que os com motor de combustão, fazendo com que seus pneus precisem ser capazes de transferir tração para a estrada em segundos.

Os principais fabricantes de pneus estão trabalhando para melhorar o design dos pneus e inovar com novas fórmulas químicas para atender às necessidades dos veículos elétricos. Algumas marcas introduziram produtos especificamente para uso em veículos movidos a bateria, enquanto outras dizem que adaptaram todos os seus pneus para um melhor desempenho tanto para veículos elétricos quanto para veículos com motor de combustão.

"Otimizamos nossa linha de produtos há muito tempo, especialmente em termos de vida útil, resistência ao rolamento e ruído de rolamento – fatores que são particularmente benéficos para veículos elétricos", disse um porta-voz da fabricante de pneus Continental.

COMO OS PNEUS CAUSAM POLUIÇÃO

Quando se fala no impacto ambiental dos carros, o foco tende a ser a poluição do ar pelo sistema de escape. Mas os pneus também contribuem. Eles se desgastam com o tempo – a cada rotação, soltam pequenas partículas. As menores vão para o ar, onde podem ser inaladas ou saem da estrada para se acomodar no solo próximo.

"O uso dos pneus é provavelmente o problema mais complicado de resolver nos veículos", disse Nick Molden, fundador e CEO da empresa britânica Emissions Analytics. "Com muitos outros tipos de poluição, é possível efetivamente retê-la usando algum tipo de filtro ou catalisador. Mas o pneu é um sistema aberto – você não pode encapsular um pneu."

A Emissions Analytics realiza testes independentes em carros, incluindo de sistemas de escape e emissões de pneus. A empresa compilou dados que confirmam que a poluição de partículas dos pneus superou significativamente a dos escapamentos.

De acordo com um relatório da Emissions Analytics, um único carro perde, em média, quatro quilos de peso de partículas de pneus por ano. Multiplicado por toda a frota global, isso equivale a seis milhões de toneladas de partículas de pneus anualmente.

"Medimos a quantidade de material sólido que sai do escapamento na estrada e fazemos o mesmo medindo a massa que é eliminada pelos pneus", explicou Molden. "A cada ano, a quantidade que vem do escapamento fica cada vez menor, e a quantidade que vem dos pneus está crescendo, porque os veículos estão ficando mais pesados."

Um estudo de caso publicado pela Emissions Analytics comparou as emissões dos pneus de um Tesla Model Y com um Kia Niro e descobriu que as emissões particulares pelo desgaste dos pneus do carro da Tesla eram 26% maiores.

PREJUÍZO AO MEIO AMBIENTE

A poluição por partículas de pneus tem dois impactos negativos primários na saúde ambiental. O próprio particulado é levado para os cursos d'água e foi considerado uma fonte significativa de microplástico oceânico. Além disso, os pneus contêm compostos orgânicos voláteis (COVs), que são perigosos para a saúde humana e reagem na atmosfera criando névoa seca.

PRODUTO QUÍMICO 6PPD

Um produto químico particularmente preocupante nos pneus é o 6PPD, usado para evitar que a borracha rache ou quebre. O 6PPD também é solúvel em água, por isso é levado para fora das estradas pela chuva e chega a rios e oceanos, onde tem sido associado à mortandade em massa de salmões e trutas. Estudos posteriores descobriram que o 6PPD é absorvido por plantas comestíveis como alface e que o composto pode ser encontrado na urina humana.

"É missão da indústria de pneus garantir uma viagem segura e confortável com tranquilidade e, portanto, a adição de 6PPD à borracha de pneus é hoje indispensável", disse a fabricante de pneus Bridgestone à DW.

O PROBLEMA TEM SOLUÇÃO?

A eliminação gradual de veículos movidos a combustível fóssil é um aspecto urgentemente necessário para mitigar as mudanças climáticas. Mas se isso vier a piorar as emissões dos pneus, isso também é problemático.

"A solução óbvia é dirigir e vender menos carros", disse o ativista climático Tadzio Müller à DW. "A mudança para veículos elétricos visa nos convencer de que vai salvar o planeta, mas é claro que isso não é verdade, porque o problema sempre foi o crescimento capitalista", acrescenta.

Questionado se reduzir o uso geral do carro é a melhor solução para os impactos ambientais dos pneus, Molden disse à DW: "Sim, isso reduziria as emissões dos pneus. Mas, em termos de atividade econômica perdida, valeria a pena?"

"É melhor criar um mecanismo de mercado onde seja do interesse das empresas de pneus investir muito e apresentar as melhores formulações", disse Molden, acrescentando que atualmente há uma diferença de duas a três vezes em termos de toxicidade de COV entre certos pneus. Molden disse que, em geral, as principais marcas de pneus da Europa estão entre as melhores, enquanto as importações baratas tendem a ser as piores.

No nível individual, evitar acelerações rápidas e freagens bruscas pode reduzir o desgaste dos pneus. Também é aconselhável usar os pneus até o final de sua vida útil, pois os pneus novos liberam o dobro de partículas durante os primeiros dois mil quilômetros. Fonte: Deutsche Welle - 13/07/2023

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quinta-feira, fevereiro 22, 2024

AMAZÔNIA REGISTRA DÉCIMO MÊS CONSECUTIVO DE REDUÇÃO DO DESMATAMENTO,

O desmatamento da floresta amazônica teve queda de 60% em janeiro, em comparação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgados nesta quarta-feira (21), este é o décimo mês consecutivo de redução no desmatamento.

O monitoramento por imagens de satélite do Imazon mostra que a área devastada em janeiro de 2024 foi de 79 km². Em janeiro do ano anterior, a floresta perdeu 198 km² para o desmatamento.

Em dezembro, a destruição registrada havia sido de 108 km². Apesar da queda, o desmatamento observado em janeiro equivale à perda de mais de 250 campos de futebol por dia de floresta.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto. O sistema detecta áreas desmatadas em imagens de satélites de toda a Amazônia Legal e leva em conta degradações florestais o que ocorreram em áreas a partir de 1 hectare, o que equivale a aproximadamente 1 campo de futebol.

Nota explicativa: A  Amazônia Legal é a região que corresponde a 59% do território brasileiro e que engloba a área de 9 estados – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma parte do Maranhão.

O resultado de janeiro é o menor registrado para o mês desde 2018. Na época, o sistema mostrou que 70 km² da Amazônia foram desmatados. (veja no gráfico abaixo)

Desmatamento na Amazônia em janeiro. Dados são do Imazon e se referem a janeiro de cada ano, em km².

 


ESTADOS COM MAIOR DEVASTAÇÃO

A partir do monitoramento, é possível identificar os estados da Amazônia Legal com maior área desmatada. Roraima foi o estado com maior devastação em janeiro, com 32 km² desflorestados. A área representa 40% do total desmatado na região no período.

Mato Grosso e Pará compõem o ranking dos estados com maior área desmatada, com 19 km² e 14 km², respectivamente.

Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, explica que a liderança de Roraima no ranking de janeiro provavelmente ocorreu pelo regime de chuvas no estado funcionar de forma inversa aos outros oito que compõem a região.

“Enquanto os outros passam por um período de chuvas, Roraima está com o clima mais seco, o que facilita a prática do desmatamento, assim como a detecção da destruição pelos satélites”, analisa.

Apesar aparecerem no topo da lista, os resultados são de queda se comparados os anos de 2023 e 2024. No ano anterior, Roraima, por exemplo, teve 41 km² devastados, o que representa uma diminuição de 22% em comparação com este ano.

Todos os estados da Amazônia Legal registraram queda no desmatamento em relação ao ano anterior.

Roraima também concentra mais da metade das terras indígenas mais desmatadas na Amazônia em janeiro. Dos dez territórios indígenas com maior área devastada, seis ficam no estado.

Desmatamento por estados da Amazônia Legal em km²

Em janeiro de 2024, Roraima, Pará e Mato Grosso lideram a lista de estados que mais desmatam na região.


Com relação às unidades de conservação, Pará e Amazonas contabilizam a maior parte dos territórios entre aqueles com mais floresta derrubada. São três no Pará e três no Amazonas.

SISTEMA DE MONITORAMENTO DO IMAZON

O sistema do Imazon detecta áreas desmatadas em imagens de satélites de toda a Amazônia Legal.

Chamado de SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), o programa foi desenvolvido pelo Imazon em 2008, para reportar mensalmente o ritmo da degradação florestal e do desmatamento na região.

O sistema utiliza atualmente os satélites Landsat 7 e 8, da NASA, e Sentinel 1A, 1B, 2A e 2B, da Agência Espacial Europeia (ESA). Ambos são de domínio público, ou seja: seus dados podem ser usados por qualquer pessoa ou instituição.

Combinando esses satélites, o sistema é capaz de enxergar a mesma área a cada cinco a oito dias. Por isso, o sistema prioriza a análise de imagens adquiridas na última semana de cada mês.

Desse modo, caso uma área tenha sido degradada no início do mês e, depois, desmatada no final do mês, ela pode ser identificada como desmatamento no dado final.

Assim como o Deter, do Inpe, o calendário de monitoramento do SAD começa em agosto de um ano e termina em julho do ano seguinte por causa da menor frequência de nuvens na Amazônia. Os sistemas também são semelhantes porque servem como um alerta, mas não representam um dado oficial de desmatamento. Fonte: g1 - 21/02/2024 00h02 

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