Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, abril 29, 2008

Trabalho monótono coloca o cérebro em piloto automático


Os erros podem ser previstos por padrões de atividade cerebral

Os trabalhos tediosos transformam a nossa mente em piloto automático, dizem os cientistas - e isso significa que podemos atrapalhar seriamente algumas tarefas simples.

Funções monótonas colocam o nosso cérebro “no modo de descanso”, se gostamos ou não dele, de acordo com Dr. Eichele e sua equipe, que relataram as conclusões na edição da revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências.
Eles descobriram erros que podem ser previstos até 30 segundos antes de se tornar, por padrões na nossa atividade cerebral.
A equipa espera projetar um controle de alerta precoce para o cérebro, para pilotos e outros serviços em "situações críticas".
Os cientistas dizem que o dispositivo seria particularmente apropriado para trabalhos monótonos onde a concentração é difícil de manter - tais como controle de passaporte e de imigração.

Erros anunciados antecipadamente
"Poderíamos ser capazes de construir um dispositivo (que pode ser colocado) nas cabeças de pessoas que tomam essas decisões fáceis," disse Dr. Eichele, da Universidade do Bergem, a Noruega. "Podemos medir o sinal e dar o feedback para o usuário, que seu cérebro está no estado em que suas decisões não estão no caminho correto." Os fones de ouvido podem ser projetados para oferecer "o alerta precoce" de erros

No estudo, Dr. Eichele e de sua equipe pediram aos participantes que repetidamente executassem "teste Eriksen-flanker" - um experimento no qual os indivíduos deve responder rapidamente às pistas visuais.
Enquanto fizeram isso, escaneamentos cerebrais foram realizados utilizando imagens de ressonância magnética.
Eles encontraram erros nos participantes do teste "anunciados antecipadamente" por um determinado padrão de atividade cerebral.
"Para nossa surpresa, até 30 segundos antes de cometer o erro, poderíamos detectar uma clara mudança de atividade", disse o Dr. Stefan Debener, Universidade de Southampton, Reino Unido.
"O cérebro começa a poupar, empregando menos esforços com vista a completar a mesma tarefa”.
"Vemos uma redução da atividade no córtex pré‑frontal. Ao mesmo tempo, vemos um aumento na atividade em uma área que está mais ativo em estados de repouso, conhecido como o modo padrão de rede (DMN)."

Segurança no local de trabalho
Este não é um sinal de que o cérebro vai dormir, diz Debener. "O estado de piloto automático seria uma metáfora melhor", ele explica. "Podemos assumir que a tendência para economizar na execução de tarefa leva a uma redução inadequada do esforço, causando assim erros."
O dispositivo poderia ajudar pilotos e controladores de tráfego aéreo manter o foco
Uma vez que esta situação começa cerca de 30 segundos, antes de um erro seja feito, poderia ser possível projetar um sistema de alerta precoce que alertasse a pessoa a ser mais cautelosa ou mais cuidadosa, disseram os pesquisadores.
Isto poderia melhorar significativamente a segurança no local de trabalho e também melhorar a realização das principais tarefas, tais como pilotagem ou dirigibilidade, análise de raios-X, ou proteção de segurança nos aeroportos por rastreamento.

Mas o escaner não é nem portátil suficiente e nem bastante rápido para ser prático para estes cenários da vida real, de modo que o próximo passo é ver se mais dispositivos móveis, tais como, EEG (eletroencefalograma) são capazes de detectar o fenômeno.
Um protótipo de um celular, e um amplificador de EEG, leve, está atualmente em desenvolvimento e pode estar pronto para o mercado "em 10 a 15 anos", diz o Dr. Debener, do MRC Institute of Hearing Research, at Royal South Hants Hospital.

"Mas primeiro, temos de definir o que está causando esses erros", acrescenta. "Não sabemos se a mudança na atividade cerebral que vemos tem um nexo causal com os erros. Depois que estabelecermos isso, podemos tentar desenvolver dispositivos de monitoramento", conclui o pesquisador.

Fonte: BBC News - 22 April 2008

Comentário:
No meio industrial, a maioria das atividades de serviços para os trabalhadores é repetitiva, monótona, que induz a erros. O trabalhador acha que têm controle total da operação, mas o seu cérebro cria armadilha, em que ele não percebe. É comum após um acidente, o trabalhador dizer que fez a operação correta, mas o cérebro criou uma armadilha na operação e ele conscientemente não percebeu, para que fizesse a correção da operação. Por causa disso devemos criar barreiras de segurança, para alertar o trabalhador para fazer a operação de modo seguro, com atenção e concentração. Esse estudo é interessante, pois no futuro poderá avaliar o trabalhador em relação à possibilidade de maior ocorrência ou não de um determinado trabalhador entrar na situação de piloto automático, numa situação potencialmente perigosa.

Qualquer tentativa em gerenciamento de risco, que focaliza primeiramente sobre o suposto erro latente dos processos mentais (esquecimento, falta de atenção, falta de cuidado, negligencia, etc.) e não procura externamente remover estas situações de “armadilhas de erros” é certo que vai falhar. Os erros humanos locais são os últimos e provavelmente a menor parcela controlável da seqüência causal que conduz a algum evento adverso.
Todas as organizações que funcionam em circunstâncias perigosas tendem a desenvolver barreiras, defesas e proteções que intervém entre a fonte do perigo e as vítimas potenciais ou as perdas que ocorreriam se o risco torna-se realizado.

Estas defesas podem ser;
■ ou “rígidos” (controles físicos, automação e projetos de segurança)
■ ou “leves” (procedimentos, protocolos, controles administrativos e as pessoas' que interagem com os problemas').

Os elementos humanos de um sistema podem enfraquecer ou criar lacunas nestas defesas de duas maneiras:
■ pelas falhas ativas e
■ pelas condições ou circunstancias latentes

As falhas ativas
São os atos inseguros cometidos por aqueles profissionais que interagem com os problemas. Estas podem ser por deslizes, lapsos, erros ou violações de procedimentos. Têm um impacto imediato e geralmente transitórias nas camadas defensivas. Tendem também a ocupar um “espaço” em toda a investigação subseqüente.

As condições ou circunstâncias latentes
São comparáveis aos sintomas de doença no corpo. Por eles, freqüentemente não fazem nenhum dano particular. Podem encontrar‑se adormecidas no sistema por longos períodos antes de combinar com os fatores locais e as falhas ativas para penetrar ou contornar as defesas. A pesquisa sugeriu que as organizações podem inserir as precondições para a falha, e que esta pode ocorrer muitos anos depois. Fonte: An Organisation with a Memory - Report of an expert group on learning from adverse events in the NHS, chaired by the Chief Medical Officer

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domingo, abril 27, 2008

Irresponsabilidade ao volante na estrada

A parada inesperada ocorreu no km 88, sem gasolina, o Voyage conduzido pelo vendedor Paulo Sérgio Carvalho Soares, 39 anos, ficou parado por 13 minutos no meio da rodovia no sentido Capital-Osório, às 7h57min, quando milhares de veículos se deslocavam em direção à BR-116 e ao Litoral. Uma câmera da concessionária Concepa, instalada nas proximidades para o monitoramento do trecho, flagrou vários veículos freando bruscamente ou desviando na última hora para evitar a colisão com o automóvel que estava parado.

Uma das imagens mais impressionantes é a de dois carros que deparam com o Voyage e desviam para a esquerda. Os motoristas, que se mantinham a aproximadamente 10 metros um do outro, não tiveram tempo para reduzir a velocidade. Em outro instante, um caminhão freia para evitar a colisão e obriga outro carro a sair da pista junto ao canteiro central.

O motorista falava calmamente no celular dentro do carro
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deslocou uma viatura ao local, onde os policiais constataram sinais de embriaguez e prenderam o motorista, que falava ao celular dentro do carro. Com acenos aos demais condutores, os policiais sinalizaram o trecho e empurraram o carro para o acostamento. O automóvel foi guinchado, e o motorista encaminhado à Delegacia de Delitos de Trânsito.

Exame constatou embriaguez
Paulo Sérgio Carvalho Soares foi submetido a exame de teor alcoólico no Departamento Médico Legal (DML), que atestou 0,85 grama de álcool por litro (g/l) de sangue. O índice é superior ao limite atual, de 0,6 g/l, o equivalente a duas latas de cerveja.

Sem carteira de motorista, embriagado e carro sem combustível
O motorista foi autuado pela PRF por embriaguez ao volante, por dirigir sem carteira de habilitação (a multa também é aplicada ao proprietário do veículo), por falta de combustível em via pública e por trafegar com equipamentos obrigatórios sem condições, como extintor de incêndio vazio e pneu estepe desgastado. As multas superam R$ 2,2 mil.
Na delegacia, o condutor do Voyage foi indiciado por embriaguez ao volante, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Ele responderá ao processo em liberdade.
Vídeo mostra o carro parado na pista e os demais veículos tentando desviar.

Fonte: Zero Hora - 26 de abril de 2008

Comentário
Em 1997, uma pesquisa realizada em quatro capitais brasileiras, pela Associação Brasileira dos Departamentos de Trânsito - ABDetran, revelou;
■ que 61% das vítimas de acidentes tinham indícios de alcoolemia, e que 27,2% destes excediam 0,6 decigramas de álcool por litro de sangue, o valor permitido por lei para motoristas.
■ o mesmo estudo revelou que entre os motoristas feridos ou mortos em acidentes, 75% haviam ingerido alguma quantidade de bebida alcoólica, sendo que 30% deles apresentavam níveis de álcool superiores ao permitido.
Falta de estatística confiável
Como não possuímos estatísticas amplas e confiáveis sobre acidente com uso de álcool, a proporção de fatalidades pode variar de 50% a 70% dependendo dos critérios adotados.
No Brasil, ainda são poucos os estudos que correlacionam o número de acidentes de trânsito com o uso de bebidas alcoólicas. Dados do IML de São Paulo de 1999 mostram que 47% das vítimas fatais de acidentes de trânsito (colisões e atropelamentos) apresentavam álcool no sangue no momento do acidente.
Ainda que não tenhamos estatísticas nacionais amplas, todos os trabalhos de caráter epidemiológico pontuais e regional apontam para a grande relação entre acidentes de trânsito com veículos automotores e o uso de bebidas alcoólicas. Estes números variam de aproximadamente de 25% dos casos atendidos no pronto socorro (feridos) até 50 a 55% dos casos fatais. Fonte: CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool

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sexta-feira, abril 25, 2008

Todos precisam de normas


"Um mundo sem normas entraria rapidamente em colapso”


Poucas pessoas param para pensar nas normas. Mas, desde o sistema GSM dos telefones celulares até o código ISBN dos livros, elas fazem o mundo funcionar
Uma norma é uma convenção estabelecida por consenso. A metrologia -ciência que estuda as medições- é o principal exemplo disso. O comércio e a industrialização seriam impossíveis sem escalas comuns para medir massa, tamanho e volume. "Precisamos de uma tonelada de aço". Como seria possível comunicar isso se não houvesse uma medida estabelecida por comum acordo?

Medições padronizadas reduzem custos
As medições padronizadas abriram o caminho para coisas como instrumentos ferroviários e peças de máquinas. O primeiro comitê técnico da ISO, Organização Internacional de Normatização (International Organization for Standardization), foi formado para determinar normas internacionais para a confecção das ranhuras dos parafusos, cujas diferenças de tamanho acarretaram um gasto adicional estimado em US$ 50 milhões (cerca de US$ 1.510 milhões de hoje) ao orçamento das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Desde então, as vitórias da padronização incluem o cartão de crédito, o teclado e o sistema GSM de telefones celulares.

Exemplo: contêineres de transporte
Os contêineres de transporte (ISO 668) são um padrão clássico. Seu desenho foi estabelecido por um acordo entre centenas de associações comerciais durante uma série de encontros da ISO entre 1957 e 1967 e, uma vez que a escolha foi confirmada e publicada, permitiu que as companhias transportadoras e as fábricas de contêiner de todo o mundo usassem o mesmo conjunto de especificações. A partir de então, era possível construir caminhões nos Estados Unidos para carregar contêineres feitos na Coréia.
Ter um padrão internacional permite que companhias e países que não têm familiaridade uns com os outros entrem em novos mercados e negociem com confiança. Mas concordar sobre os padrões nem sempre é tão simples; eles podem ter implicações que vão além da questão técnica. As decisões sobre especificações de força, higiene ou sobre uma nova peça de hardware para computador podem ter profundas conseqüências para o consumo de energia global, para a saúde pública e para a mudança tecnológica.

Padrões ISSO são modelos
Orquestrar esse processo faz da ISO um organismo de imensa importância. Apesar de ser uma associação composta principalmente por organizações nacionais privadas de padronização, ela atua como consultora de dezenas de agências das Nações Unidas, e suas normas são freqüentemente incorporadas à legislação dos Estados Unidos e da União Européia. Os padrões ISO são usados para definir as disputas da Organização Mundial do Comércio. O secretário-geral da ISO, Alan Bryden, gosta de descrever a organização como sendo "a sala de máquinas da globalização".

Como era antes
O modelo moderno de padronização surgiu com o completo florescimento da industrialização na Europa e nos Estados Unidos nos primeiros anos do século 20. Antes da criação dos organismos nacionais de padronização, as companhias formavam associações privadas para resolver questões como a medição da eletricidade ou a possível uniformização dos tamanhos das peças de aço.
Durante a Segunda Guerra Mundial a padronização foi assumida pelos governos. Os Aliados criaram um comitê de coordenação de padronização para melhor alinhar suas indústrias de defesa. Mais tarde, quando concluíram que a padronização internacional deveria ser parte da arquitetura do pós-guerra, o modelo que Charles Le Maistre havia desenvolvido -de consenso entre as companhias do setor privado- foi escolhido como base da Organização Internacional de Normatização.

A primeira norma da ISO
A primeira norma da ISO, publicada em 1951, sacramentou a temperatura de 20º C como padrão para realizar medições de comprimento e volume. Nos anos 60, dezenas de normas eram produzidas a cada ano. Um dos maiores sucessos da ISO, o código ISBN de numeração de livros (International Standard Book Numbering), foi adotado em 1970.
Nos anos 70, a padronização começou a se expandir além da fronteira da indústria para o setor de serviços. O ISO 9000, que regula o gerenciamento de qualidade, foi publicado em 1987 e hoje é a norma internacional mais conhecida no mundo dos negócios, criando em torno de si toda uma indústria de certificação e consultoria. Em algumas ocasiões, oito comitês técnicos ISO se reúnem em algum lugar do mundo. Seus integrantes, que estão entre as mais de 100 mil pessoas comprometidas com a ISO no mundo, são "emprestados" pelas companhias privadas para ajudar a definir as normas.

As decisões
A ISO se orgulha de seu comprometimento com o consenso. Uma vez que um padrão é extraído de um comitê técnico, é colocado em votação em toda a associação. Cada país tem direito a um voto, e, para que uma norma seja aprovada, ela precisa do apoio de dois terços dos países que participaram de sua formulação e também não pode ser vetada por 25% ou mais do total de membros da associação.
Com os países em desenvolvimento somando 127 dos seus 157 membros, a ISO alega que suas normas, apesar de serem na maioria das vezes redigidas pelas maiores companhias e economias do mundo, nunca podem ser impostas sobre aqueles que não têm meios de fazer parte do processo, levando-se em conta o veto. Em todo caso, segundo a organização, os países mais pobres têm participado cada vez mais da formulação das normas.
O secretário-geral Bryden apontou a emergência da China, da Índia e de Fiji nos campos de normas têxteis, de aço e de água mineral, respectivamente, como prova da mudança de perfil da ISO. A delegação iraniana descreve sua liderança no comitê técnico sobre cosméticos femininos como a maior conquista iraniana em termos de padronização.

Elaboração de norma: custo muito caro
Mas permanece o fato de que a padronização é um jogo caro e os países ocidentais mais ricos tendem a dominá-la. Howard Mason, executivo da BAE Systems e integrante de um subcomitê ISO que lida com dados industriais, disse que o desenvolvimento de apenas uma norma por parte de sua equipe custou US$ 10 milhões. Os encontros dos comitês técnicos por todo o mundo, que normalmente contam com centenas de pessoas e acontecem três vezes por ano, são normalmente subsidiados pelas companhias e por organismos de padronização nacionais interessados na eventual norma. A ISO não paga pelo deslocamento e pelo tempo dos especialistas, o custo de suas presenças é bancado pelos empregadores.
Como resultado, a normatização é quase sempre decidida por aqueles que podem pagar por ela: 73% dos comitês técnicos da ISO são formados por organismos de padronização das economias do G-8. Se incluirmos a Escandinávia, Suíça e Austrália, o número sobe para 85%. O simples fato de enviar um representante para uma reunião de padronização pode ser caro e inviável para os órgãos de padronização dos países pobres.
O debate sobre quem controla e quem se beneficia com a normatização deve se intensificar à medida que a ISO continua sua marcha na direção do "aspecto humano". Novas normas em áreas como o gerenciamento ambiental, segurança alimentar e responsabilidade social corporativa estão levantando dúvidas sobre se um processo criado para determinar o tamanho padrão de um rolamento deveria ser usado para elaborar normas com óbvias conseqüências sociais.

ISO 26000 – Responsabilidade Social
De qualquer forma, ambos os lados concordam que a cobaia será o ISO 26000. Ele representa a tentativa da organização de redigir, até o fim de 2009, um padrão de grande alcance para o que ela chama de "responsabilidade social". Reconhecendo a sensibilidade do assunto -a responsabilidade social corporativa é um campo já saturado de inúmeros órgãos de normatização do "comércio justo"- a ISO criou um processo único com o objetivo de trazer novas vozes às negociações, incluindo sindicatos, consumidores e organizações beneficentes.
Mas de acordo com alguns participantes dos debates, o resultado é um comitê em expansão, com cerca de 500 delegados, atormentado por dúvidas sobre se o padrão deveria ser adotado, ou pelo menos certificado. Muitos temem que o documento resultante seja praticamente inútil por ser muito restrito por causa o comprometimento.
As razões que tornam a padronização atrativa -o fato de que ela é voluntária e determinada por consenso- só continuam existindo quando não é possível obter nenhuma vantagem desobedecendo a norma, quando todos têm motivos (normalmente relacionados ao lucro) para se submeter a ela. Mas o problema com as normas que dizem respeito aos direitos dos trabalhadores ou ao gerenciamento ambiental é que pode haver incentivos comerciais poderosos, porém de curto prazo, para infringi-las. Nesse caso são necessárias regras e sanções, além de toda a complicação relacionada à legislação, representação e responsabilidade.

Uma leitura otimista da tentativa de lançar normas como o ISO 26000 é que os 60 anos de experiência da organização permitem que ela apóie a legislação e encontre o que se chama de "um dourado caminho do meio" entre o que muitos vêem como interesses divergentes. Mas os críticos dizem que a ISO só é capaz de lançar normas que seus membros queiram obedecer.
Não ajuda em nada a ISO o fato de a padronização ser um negócio competitivo e que, quando necessário, as pessoas podem conseguir sua certificação com outro órgão. Apesar de a ISO ser o órgão de padronização mais significativo do mundo, é uma associação privada e só consegue seu sucesso por conta de esforço e trabalho duro. Ela tem de permanecer atrativa já que 59% de seu orçamento vêm de taxas de associação e 34% da venda de certificações. A ISO está no topo da pirâmide dos órgãos de normatização, todos se acotovelando para lançar normas populares e lucrativas, e a própria existência dessa concorrência gera uma pressão.

Os envolvidos na normatização gostam de imaginar o que aconteceria se os padrões dessem errados ou desaparecessem. O material de propaganda do dia Mundial de Padronização no ano passado, em 14 de outubro, diziam: "Um mundo sem normas entraria rapidamente em colapso. O transporte e o comércio iriam parar. A Internet simplesmente deixaria de funcionar. Centenas de milhares de sistemas que dependem de tecnologia de informação e comunicação iriam falhar ou parar."
O secretário-geral da ISO, Bryden, aborda o problema expandindo sua analogia do "motor da globalização". "Se tudo está indo bem, o barco está navegando e o sol está brilhando, você pode ficar no convés e não precisa descer para a sala de máquinas", diz. "Mas se algo dá errado, você tem de ir lá embaixo. Quando as pessoas vão à sala de máquinas de um grande navio pela primeira vez, elas normalmente ficam bastante impressionadas."

Fonte: UOL Mídia Global - Prospect Magazine – 16 de março de 2008

Comentário:
Norma é um documento estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido, que fornece, para uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto.
A importância Econômica da Norma Técnica, permite: padronização, estabelece padrões de grandeza (metrologia) e facilita acesso a mercados (nacionais, internacionais), poderá obter aumento de produtividade, produto de melhor qualidade e menor custo, e maior competitividade.

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quarta-feira, abril 23, 2008

Acidente fatal numa indústria de estrutura metálica na Espanha


O acidente ocorreu em 18 de abril de 2008, às 17 h 30 min, na empresa Demag, especializada na fabricação de vigas e localizada a rua Buenos Aires do Polígono Industrial Camporroso de Alcalá de Henares, Espanha, segundo fontes municipais.

O trabalhador estava soldando uma viga quando ocorreu a explodiu, provocado por acúmulo de gás em seu interior, e ele foi jogado contra uma estrutura metálica causando-lhe a morte.
O Serviço de Atendimento de Emergência da Comunidade de Madri explicou que a viga que explodiu é usada em algumas indústrias como estrutura portante, para fixar componentes pesados, e tinha capacidade para suportar quase dez toneladas.

Vitima
A vítima ficou presa entre duas vigas de ferro e sofreu politraumatismos, fratura na base do crânio e da coluna vertebral. Os bombeiros conseguiram retirá-lo utilizando uma das gruas da própria empresa e os socorristas tentaram reanimá-lo durante trinta minutos, sem sucesso.

Serviço de emergência
Duas viaturas de Bombeiros da Comunidade de Madri, uma unidade móvel de Serviço de Atendimento de Emergência e efetivos da Polícia Local e Nacional estiveram no local.

Causa provável
Como sua estrutura é vazia, os técnicos investigam como tinha acumulado gás em seu interior.

Fonte: El Mundo – 18 de abril de 2008

Comentário:
Pelas fotos nota-se, que a viga metálica era fechada nas extremidades. Pode ser durante o tratamento de superfície, elementos contaminantes oriundos da estampagem e proteção da chapa (óleos e graxas, etc.) não fora removidos adequadamente durante o processo.
Com aquecimento do aço durante a soldagem, com ar no interior da viga e/ou alguma substância contaminante tinha as condições ideais para explosão (fonte de calor e vapores).
Fumos e gases de soldagem são de difícil classificação. A composição e quantidade dependerão do material com o qual se está trabalhando, do processo, procedimento e consumível utilizado. Outras condições que podem influenciar a composição e quantidade de fumos e gases incluem: revestimento do material a ser soldado (como pintura, eletrodeposição ou galvanização), o número de operações de soldagem e o volume da área de trabalho, a qualidade e quantidade de ventilação, a presença de contaminantes na atmosfera (como vapores de hidrocarbonetos clorados originados de operações de limpeza ou pintura).
Os produtos de decomposição originados de operações normais incluem aqueles originados por volatilização, reação ou oxidação de ingredientes, material a ser soldado e seu revestimento, entre outros.
Os produtos de decomposição esperado do uso normal incluem complexos de óxidos e fluoretos, bem como monóxido e dióxido de carbono, óxido de nitrogênio e composição do eletrodo.

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segunda-feira, abril 21, 2008

Pulverização gera impacto ambiental em Lucas do Rio Verde

O segundo maior produtor de grãos do Brasil, o município de Lucas do Rio Verde, MT, sofreu um acidente ambiental dentro de sua área urbana, devido à pulverização ilegal de agrotóxico. Despejado irregularmente com um avião monomotor no início de março de 2006, o agrotóxico é amplamente utilizado na monocultura da soja.

Localização
Lucas do Rio Verde, situado no Centro-norte de Mato Grosso, está entre os municípios que mais crescem no país e, em apenas 16 anos de emancipação político-administrativa, transformou-se em um pólo regional de desenvolvimento sustentável, com uma população de quase 22.000 habitantes. Segundo um estudo da ONU (Organização das Nações Unidas), sua população desfruta de um dos melhores índices de qualidade de vida do Estado. Privilegiado por extraordinárias condições de clima e de solo, tem sua economia baseada numa agricultura altamente tecnificada e com excepcionais índices de produtividade.


Foto: Google Earth - cidade e o entorno, cercado de plantações
Contaminação ambiental
As casas, as plantas frutíferas, ornamentais e medicinais, e as próprias pessoas ficaram expostas aos efeitos de uma pulverização ilegal de agrotóxicos. Segundo a associação de pequenos produtores, sindicatos locais e especialistas, o veneno era um herbicida dessecante para apressar a colheita da soja, cultura que trouxe os lucros para os grandes produtores da região.
O estrago se estendeu desde as dezenas de pequenas hortas particulares, plantas frutíferas e ornamentais, o Horto de Plantas Medicinais, ligado à Fundação Padre Peter.

Contaminação humana
As pessoas, se queixaram de diarréias, vômitos e urticárias.

Testemunha da aplicação
O chacareiro Ivo Casonato, que perdeu toda a sua produção de frutas e hortaliças, disse que testemunhou o momento em que o avião fazia rasantes sobre a sua propriedade. "O céu estava cheio de nuvens pesadas. No horizonte, podia-se ver a cortina d´água. Do outro lado do Rio Verde, a menos de 500 metros, um avião fazia pulverização de agrotóxico sobre a lavoura de soja do vizinho", relata.

Foto: Google Earth - Plantações no entorno da cidade
Conseqüências da aplicação
A bióloga Lindonésia Andrade, responsável pelo Horto Medicinal, disse que o efeito de veneno foi bem rápido. No dia seguinte à pulverização, dia 2 de março, o estrago já era visível em toda a cidade. "As folhas ficavam como um papel amassado e queimado, outras ficavam todas perfuradas e em volta dos furos logo começava a necrosar (apodrecer). No quarto dia as folhas entraram em necrose total e começaram a cair", lembra.

Prejuízos
No município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, existe um cinturão em torno da cidade ocupado por pequenos produtores de hortaliças, chamados de "chacareiros". São mais de 100 produtores filiados à Associação dos Chacareiros. Cerca de 40 deles estão em propriedades que circundam a cidade.

Segundo o presidente da associação, Celito Trevisan, todos os membros foram convocados para registrar as perdas que tiveram em decorrência da cidade ter sido pulverizada por uma nuvem de agrotóxicos trazida pelos ventos, a "pulverização por deriva", como eles chamam. Até o momento, 14 pequenos produtores registraram prejuízos da ordem de R$ 100 mil.
Sergio Miller também é chacareiro, perdeu toda sua produção de hortaliças devido ao veneno pulverizado sobre a cidade. Segundo ele, "toda essa produção que estava plantada , principalmente as folhas, a gente jogou fora".

Perda total do Horto Medicinal
A bióloga Lindonésia Andrade, explica que esse veneno também tem o poder de diminuir a ação de crescimento das plantas."Tivemos que fazer uma poda radical e só agora (dia primeiro de abril) as plantas estão começando a soltar novas gemas (brotos).Vamos acompanhar para ver o que vai ser possível aproveitar ou o que teremos que erradicar e plantar novamente".

O Horto Medicinal contava com mais de 200 espécies de plantas catalogadas. Muitas ervas ocupavam canteiros inteiros que hoje estão limpos. As plantas tiveram que ser arrancadas. Um caminhão saiu carregado de galhos, ramos e folhas mortas resultante da poda radical. Ela explica que muitas variedades são bastante raras, só dão sementes uma vez ao ano e demorarão muito para se recuperar.

Suspeita do produto
A responsável pelo Horto Medicinal suspeita que o veneno utilizado tenha sido o Paraquat, um poderoso agrotóxico utilizado para dessecar as folhas da soja e apressar a colheita. "Um veneno que nos países desenvolvidos nem se utiliza mais, porque é do tipo 1, é muito tóxico, além de prejudicar a vegetação, ainda prejudica outros os seres vivos, inclusive nós", disse.

Conseqüência no ser humano
Nos seres humanos esse agrotóxico tem um efeito cumulativo, explica a bióloga. "Quanto mais lento pior, porque os efeitos rápidos, dor de cabeça, vômito e diarréia, são fáceis de identificar, mas os efeitos lentos, futuramente podem levar a diversas pessoas daqui da cidade e da região próxima, a desenvolver diversos tipos de tumores malignos como, por exemplo, câncer de próstata, de testículos, as mulheres podem ter câncer de ovário, de mama. É uma preocupação, é um caso de saúde pública, porque futuramente vamos ter pessoas doentes na cidade".

Inquérito
Depois do acidente, foi instalado pelo Ministério Público um procedimento administrativo para apurar os fatos. A pedido da promotoria, a Delegacia de Policia Civil de Lucas do Rio Verde abriu inquérito civil e criminal. No entanto, ainda não foram feitas as perícias para identificar as provas materiais do crime.

Ministério Público – regularização de aplicação de agrotóxico
O Ministério Público em Lucas do Rio Verde (MT) realizou no início de maio uma audiência pública para debater o uso de agrotóxicos e tentar regularizar o uso de venenos por produtores rurais e a fiscalização do poder público. A audiência se realiza após a nuvem de agrotóxicos que caiu sobre o município no início de março e as primeiras investigações sobre o caso.
Segundo a promotora Patrícia Eleutério Campos, as denúncias de danos ambientais causados por pulverização aérea de dessecantes apresentaram a necessidade da legalização das aeronaves, que fazem pulverização, junto à Agencia Nacional de Aviação Civil e ao Ministério da Agricultura. "Eram poucas as aeronaves registradas, o que dificultava muito a fiscalização", disse.

Fiscalização de agrotóxico
Outra recomendação refere-se ao papel do poder público na fiscalização do uso e da venda de agrotóxicos onde se espera uma maior integração entre os diversos órgãos públicos para que exista uma fiscalização eficiente. O objetivo principal da audiência publica, segundo a promotora, "não era achar um culpado, e sim discutir as medidas que devem ser tomadas para se prevenir que esse tipo de acidente volte a ocorrer".
Participaram da audiência, além de representantes da sociedade civil organizada de Lucas do Rio Verde, pilotos de avião que fazem pulverização agrícola, membros do secretariado da prefeitura municipal e peritos da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
"O que deve acontecer a partir de agora é uma reflexão da sociedade sobre o grande uso de agrotóxicos que esse tipo de agricultura utiliza, pois a cidade de Lucas do Rio Verde é referência em qualidade de vida no estado. E fatos como estes não contribuem em nada para uma sociedade saudável", defende a promotora Patrícia Eleutério ao comentar a audiência.

Fiscalização, campanha e treinamento
Entre as sugestões de produtores e pequenos agricultores no encontro estão: a necessidade de fiscalizar de maneira mais eficiente o uso de agrotóxicos; pesquisas para se reduzir a quantidade de veneno nas lavouras; elaboração do termo de ajustamento de conduta com os agricultores para uso de agrotóxicos; treinamento para aplicadores dos venenos; e campanhas para conscientizar sobre as regras e impactos do seu uso.

Peritos – conclusão
Os peritos foram convocados pelo Ministério Publico para ajudar nas investigações sobre o acidente.
O grupo concluiu que houve pulverização de agrotóxico sobre a cidade, mas ressaltam que não há como saber que tipo de agrotóxico causou estes danos, e nem como saber como foi feita - se por aeronaves ou por implementos terrestres. No relatório, os peritos discordam das conclusões dos fiscais do Ministério da Agricultura, que descartam a possibilidade dessa pulverização ter sido feita por aeronave.

Fonte: Diário da Serra e Terra Notícias, no período de 13 de abril a 15 de maio de 2006

Comentário
Produtos herbicidas foram criados exatamente para ser tóxicos e biocidas, isto é, para eliminar algumas espécies de seres vivos, cuja ação é danosa aos interesses do homem. Eles são encontrados por toda parte, porque sua ação vai mais além daquela para o qual ele foi originalmente fabricado: contamina o solo, o ar, a água (até mesmo as águas subterrâneas), a chuva, as plantas e tudo que estiver no ambiente. Seus resíduos exercem ação contaminadora sobre aves, peixes, animais e plantas silvestres, animais domésticos, até chegar nos seres humanos.

As pessoas mais diretamente atingidas têm sido as que vivem nas áreas agrícolas. Se inalado ou ingerido, causam intoxicações graves, que podem até ter seus efeitos minimizados se o atendimento for imediato.
O Paraquat é um agrotóxico persistente que depois de sucessivas aplicações tende a ficar acumulado na terra.
■ Tem uma média longa de vida no solo: de 16 meses (estudos em laboratórios, condições aeróbicas) e até 13 anos (estudo de campo), segundo pesquisa do Fórum Emaús.
■ A exposição a esse produto por ingestão, inalação ou via cutânea pode causar, a longo prazo, insuficiência renal, hepática e cardíaca, bem como cicatrizes nos pulmões e estreitamento esofágico. Não existe antídoto para o herbicida.

Câncer de pele
Estudos com trabalhadores agrícolas de Taiwan e da Costa Rica também vincularam o Paraquat com o câncer de pele, segundo a pesquisadora Katharina Wesseling, do Instituto Regional de Substâncias Tóxicas (Iret) da Universidade Nacional da Costa Rica.

Falta de EPI
O Iret apresentou, um relatório regional sobre o uso do Paraquat sem mecanismos adequados para a proteção dos agricultores, em sua maioria pequenos e médios. “Seria necessário que os trabalhadores usassem traje especial e máscaras, e que os aparelhos de bombeamento usado para espalhar o produto não tivessem vazamentos. É quase impossível que pequenos e médios produtores tenham os equipamentos adequados, explicou Hermosillas”.

Proibido na Europa
A Suécia o proibiu em 1983, sendo seguida por Áustria, Dinamarca, Finlândia, Hungria e Eslovênia. Em 2002, a Malásia se incorporou ao grupo de países que declararam guerra a esse herbicida, indicou o jornalista e pesquisador John Madeley, em seu relatório especializado intitulado “O controvertido herbicida da Syngenta”, a distribuidora mundial do Paraquat. A Syngenta absorveu a companhia Zeneca, que era a principal produtora do Paraquat. Atualmente, o pesticida é produzido em grandes quantidades na China, onde a empresa conta com uma grande fábrica, informou Madeley. Fonte: Tierra América

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sábado, abril 19, 2008

Explosão de botijão de GLP com gás natural (GNV)


Em abril de 2004, por volta das 8h30, o motorista de um Gol chegou, no Posto Cem, de bandeira BR, localizado na BR 116, arredores de Curitiba, PR, para fazer o abastecimento. O motorista havia feito a conversão para GNV de seu veículo em oficina credenciada pelo Inmetro em abril de 2004, desde então, vinha abastecendo regularmente o veiculo com gás natural em postos de GNV.

Abastecimento
O frentista, treinado para seguir os procedimentos de segurança, solicitou que o motorista saísse do carro e abriu o porta-malas para verificar se o cilindro estava instalado corretamente. Feitos esses procedimentos, iniciou o abastecimento de GNV.

Conseqüência
Segundos depois, ocorreu o rompimento súbito e violento do botijão (com deslocamento de ar, sem fogo) que destruiu completamente o Gol. As peças voaram mais de 80 metros e, graças aos procedimentos de segurança adotados pelo posto, não causou ferimentos a nenhuma das pessoas que estavam próximas ao veículo.

Motivo da explosão
A explosão aconteceu porque o motorista colocou um botijão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) escondido no carro, encoberto pelo carpete do carro, e ligou nele a tubulação que deveria estar conectada ao cilindro de gás natural. E o gás natural foi direcionado para o botijão de GLP, que suporta uma pressão máxima de 15 atmosferas, enquanto o cilindro próprio para GNV é projetado para receber o gás natural sob pressão, numa faixa de 180 atm a 220 atm.

O motorista queria economizar
O rapaz, dono desse carro, achou que era mais barato abastecer o botijão de gás no posto do que comprar um botijão novo. Seu objetivo era economizar uns 5 ou 6 reais, mas acabou perdendo o carro.

Danos
O carro ficou quase que totalmente destruído, incluindo o botijão de GLP. O cilindro de GNV foi o único item que permaneceu intacto.

Seguro
Os prejuízos do carro não terão cobertura pelo seguro, uma vez que o motorista adotou procedimento ilegal no veículo.

Fonte: Gazeta do Povo – abril de 2004

Comentário:
Gás natural e gás de cozinha (GLP) são a mesma coisa?
Não, suas composições são bem diferentes. O gás de botijão (GLP, ou Gás Liquefeito de Petróleo), composto basicamente por propano e butano, é altamente tóxico e inflamável. Já o gás natural é composto principalmente por metano e etano e, além de ser mais leve que o ar (o que faz com que se dissipe em caso de vazamento), não é tóxico.

Sobre o GNV - Gás Natural Veicular
O gás natural veicular é uma mistura de elementos, cujo principal componente (cerca de 93%) é o metano. Esse gás é extraído de reservas naturais e utilizado largamente como combustível em todo o mundo. É o mesmo gás utilizado em residências, no comércio e na indústria.
A utilização do GNV em veículos automotores se dá pela conversão de veículo a gasolina ou a álcool para que eles possam utilizar o GNV como combustível alternativo, tornando-se bi-combustíveis.
O GNV é armazenado sob alta pressão, em tanques especiais que passam por testes rigorosos para garantir a segurança da sua utilização em veículos, incluindo táxis, ônibus, veículos de transporte alternativo, frotas cativas de empresas e particulares.

Segurança - Gás Natural Veicular
O gás natural veicular é um combustível seguro, principalmente se o compararmos com outros combustíveis normalmente utilizados em veículos automotores. Os tanques utilizados para armazenar o GNV são mais resistentes que aqueles utilizados no armazenamento de gasolina e álcool. Esses tanques contam com sistemas de válvulas e chaves que evitam o vazamento de gás e, caso este ocorra, cortam a alimentação do mesmo, evitando o escape.
Além disso, o ponto de ignição é bem mais alto que o dos outros combustíveis (670ºC contra 200ºC do álcool e 300ºC da gasolina), o que minimiza o risco de acidentes com incêndios.
O GNV é mais leve que o ar, ao contrário do GLP, que é mais pesado. Isso influencia na segurança porque, em caso de vazamento, o GNV escapa e se dissipa rapidamente na atmosfera, evitando formar os bolsões que causam as explosões.
O teor de toxicidade do gás natural veicular é considerado baixo, causando problemas apenas se a pessoa for exposta a altas concentrações do gás, geralmente em ambientes fechados. Fonte: Comgás

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quinta-feira, abril 17, 2008

Doença misteriosa dos trabalhadores de uma processadora de carne de porco

A doença com a qual os médicos do Centro Médico de Austin se depararam no outono de 2007 era de fato estranha. Três pacientes apresentavam o mesmo conjunto incomum de sintomas: fadiga, dor, fraqueza, dormência e formigamento nas pernas e nos pés.
Os pacientes tinham algo mais em comum: todos trabalhavam na Quality Pork Processors, uma indústria local de processamento de carnes. A desordem parecia envolver danos aos nervos, mas os médicos não tinham nenhuma idéia sobre o que a causava.

Preocupação com o surto da doença
Na fábrica, enfermeiras no departamento médico também começaram a notar o mesmo padrão sinistro. Os três trabalhadores reclamaram junto a elas sentirem "as pernas pesadas", e as enfermeiras os orientaram a procurarem médicos. Elas também descobriram um quarto caso, e temeram que mais trabalhadores adoecessem, e que uma doença séria pudesse estar disseminando-se pela fábrica.
"Pensamos em conjunto e achamos que algo andava errado", conta Carole Bower, a chefe do departamento.

Fabricante: Quality Pork Processors
A Quality Pork Processors, abate e esquarteja 19 mil porcos por dia, e remete a maior parte dos animais abatidos para a Hormel Foods (fabricante de carne apresuntada e produtora de bacon e de outras carnes processadas). O complexo, que emite nuvens de fumaça e um odor característico, é fácil de ser localizado a partir de qualquer parte da cidade.
A Quality Pork é a segunda maior empregadora da cidade, com 1.300 funcionários. A maioria destes trabalha em turnos de oito horas junto a uma esteira transportadora - basicamente, uma "unidade de desmontagem" -, retalhando uma parte específica de cada carcaça. O trabalho é duro e cansativo, mas a fábrica é excepcionalmente limpa e os benefícios são bons, afirma Richard Morgan, presidente do sindicato local. Muitos dos trabalhadores são imigrantes latinos.

Primeiro paciente da doença misteriosa
Um homem a quem os médicos chamam de "caso original" - o primeiro paciente que eles descobriram - adoeceu em dezembro de 2006, e ficou hospitalizado na Clínica Mayo durante cerca de duas semanas. O seu trabalho na Quality Pork consistia em extrair os cérebros das cabeças dos suínos.
"Ele estava bastante enfermo e altamente afetado neurologicamente, apresentando fraqueza significativa nas pernas e perda das funções na parte inferior do corpo", diz Daniel H. Lachance, um neurologista da Clínica Mayo.

Doença neurológica
Exames revelaram que a medula espinhal do homem estava bastante inflamada. A causa parecia ser uma reação autoimune: o seu sistema imunológico estava atacando equivocadamente os seus próprios nervos, como se estes fossem corpos estranhos ou germes. Os médicos não foram capazes de descobrir por que isso aconteceu, mas o tratamento padrão para a inflamação - uma droga esteróide - pareceu ajudar (o paciente não quis conceder entrevistas).
Lachance afirma que as doenças neurológicas às vezes desafiam a compreensão, e este parece ser um caso de tal tipo. À época, não ocorreu a ninguém que o problema pudesse estar relacionado à ocupação do paciente.
Por volta da primavera, o funcionário retornou ao trabalho. Mas, dentro de semanas, adoeceu novamente. Mais uma vez, ele recuperou-se após alguns meses e voltou ao trabalho - apenas para adoecer de novo.

Em novembro de 2007, começaram a surgir outros casos.
No final, havia 12 casos - seis homens e seis mulheres, distribuídos por uma faixa etária de 21 a 51 anos. Os médicos e o proprietário da indústria, percebendo que estavam lidando com um surto patológico, já haviam feito contato com o Departamento de Saúde de Minnesota, que, por sua vez, buscou ajuda federal junto ao Centro para Controle e Prevenção de Doenças.

Doença considerada grave
Embora o surto parecesse ser pequeno, a investigação adquiriu um caráter de urgência porque a doença era séria, e as autoridades de saúde temiam que isso pudesse indicar um novo risco para outros funcionários da indústria de processamento de carnes.
"É importante identificar o que é isso, já que parece ser uma nova síndrome, e não sabemos de fato quantas pessoas podem ter sido afetadas nos Estados Unidos ou mesmo no mundo", diz Jennifer McQuiston, uma veterinária do centro.

Histórico de registros médicos
No início de novembro, Aaron DeVries, médico epidemiologista do departamento de saúde de Minnesota, visitou a fábrica e vasculhou os seus registros médicos. A doença não tinha semelhança com o mal da vaca louca ou com a triquinose, a famosa infecção causada por um parasita devido à ingestão de carne de porco crua ou mal cozida. E ela tampouco era transmitida de uma pessoa a outra - os familiares dos trabalhadores doentes não foram afetados -, nem representava qualquer ameaça para as pessoas que comiam carne de porco.

Suspeita: local de trabalho
Uma pesquisa com os trabalhadores confirmou aquilo de que as enfermeiras da fábrica haviam suspeitado: aqueles que adoeceram trabalhavam na "mesa das cabeças", onde os trabalhadores cortam a carne de cabeças de porcos - ou próximo daquela unidade.

Manipulação do cérebro do porco: explosão de cérebros
Em 28 de novembro, Ruth Lynfield, a diretora de epidemiologia do Estado, visitou a fábrica. Ela e a proprietária, Kelly Wadding, examinaram com atenção especial a mesa das cabeças. Lynfield ficou especialmente assustada com um procedimento chamado "explosão de cérebros".
Quando cada cabeça chegava ao final da mesa, um funcionário inseria uma mangueira de metal na abertura do crânio através da qual passa a medula espinhal. A seguir, explosões de ar submetido a intensa compressão transformavam o cérebro em uma pasta que era ejetada pelo mesmo orifício no crânio, freqüentemente fazendo com que fragmentos de tecido cerebral se espalhassem por todos os lados e respingassem no operador da mangueira.

Iguaria apreciada: pasta do cérebro do porco
Essa pasta de cérebros era aglutinada, acondicionada em recipientes de 4,5 kg e vendida como alimento - em sua maior parte para a China e a Coréia, onde os cozinheiros a fritam segundo a moda oriental conhecida como "stir frying", e também para certas partes da América Latina nas quais as pessoas gostam de comer os cérebros com ovos mexidos.

O local era isolado
A pessoa responsável pela explosão dos cérebros ficava separada dos outros trabalhadores por um escudo de plexiglass que tinha espaço suficiente na parte inferior para permitir que as cabeças entrassem trazidas pela esteira de transporte. Tal espaço era também suficiente para que tecido cerebral atingisse funcionários que trabalham por perto.
"Foi possível ver a transformação de tecido cerebral em aerossol", diz Lynfield.

Utilizava EPI (equipamento de proteção individual)
Os trabalhadores usavam capacetes, luvas, jalecos de laboratório e óculos de proteção, mas muitos tinham os braços expostos, e nenhum usava máscaras ou protetores faciais para impedir a ingestão ou a inalação do aerossol de tecido cerebral.

Interromperam o serviço de coleta de cérebros
Lynfield perguntou a Kelly Wadding: “O que você acha que está acontecendo?" A dona da fábrica observou o quadro por algum tempo e disse: "Vamos parar de coletar cérebros".
Naquele dia a Quality Pork interrompeu aquela operação e ordenou que todos os trabalhadores da mesa das cabeças usassem protetores faciais.

Ar comprimido utilizado no serviço
Epidemiologistas contataram 25 abatedouros de porcos nos Estados Unidos, e descobriram que apenas dois outros usavam ar comprimido para a extração de cérebros. Um deles, uma fábrica da Hormel em Nebraska, não registrou nenhum caso. Mas o outro, o Indiana Packers, em Delphi, Indiana, relatou vários possíveis casos que estão sendo investigados. Essas duas outras fábricas, assim como a Quality Pork, deixaram de usar ar comprimido para explodir cérebros.

Método de trabalho usado desde 1998
Mas por que a exposição a cérebros de suínos provocou a doença? E por que isso ocorreu só agora, se o sistema de ar comprimido é usado em Minnesota desde 1998?
No início as autoridades de saúde acharam que talvez os porcos tivessem alguma nova infecção que fosse transmitida às pessoas através do tecido cerebral. Às vezes infecções podem desencadear uma resposta imunológica descontrolada em humanos, como a doença que atingiu os trabalhadores. Mas, até o momento, inúmeros exames para a detecção de vírus, bactérias e parasitas não detectaram sinais de infecção.

Suposição: Reação imunológica do organismo
Como resultado, Lynfield diz que os investigadores começaram a se inclinar para uma teoria aparentemente bizarra: a de que a exposição ao cérebro suíno em si poderia ter desencadeado uma intensa reação do sistema imunológico, algo semelhante a uma gigantesca e descontrolada reação alérgica. Algumas pessoas podem ser mais susceptíveis do que outras, talvez devido a características genéticas ou a exposições a tecido animal ocorridas no passado. O tecido cerebral transformado em aerossol pode ter sido inalado ou ingerido, ou ainda pode ter penetrado no organismo pelas membranas mucosas do nariz ou da boca ou através de fissuras na pele.
"Isso é algo que ninguém antecipou, e sobre o qual ninguém pensou", diz Michael Osterholm, um médico epidemiologista que está trabalhando como consultor para a Hormel e a Quality Pork. Osterholm, professor de saúde pública da Universidade de Minnesota e ex-diretor de epidemiologia do Estado, diz que o governo nunca criou diretrizes relativas a esse tipo de exposição no local de trabalho.

Porque o problema surgiu apenas agora?
Mas isso ainda não explicaria por que o problema surgiu repentinamente agora. Os investigadores estão tentando descobrir se algo mudou recentemente - o nível de pressão de ar das mangueiras, por exemplo - e também se no passado ocorreram outros casos que simplesmente não foram detectados.
"Não há dúvida que as respostas ainda não apareceram", afirma Osterholm. "Mas faz sentido, sob o ponto de vista biológico, que o que ocorria aqui era uma inalação de material cerebral dos porcos, provocando uma reação imunológica". Segundo ele, o que pode estar ocorrendo é uma "imitação imunológica", o que significa que o sistema imunológico cria anticorpos para combater uma substância estranha - algo presente nos cérebros de porcos -, mas os anticorpos também atacam o tecido nervoso do indivíduo porque este tecido é bastante similar a certas moléculas dos cérebros suínos.
"Essa é a bela e a fera do sistema imunológico", diz Osterholm. "Ele é muito eficiente em combater objetos estranhos, mas sempre que há uma semelhança acentuada com os nossos tecidos ele também se volta contra nós".

Porcos parecem-se muito com os humanos.
Anatomicamente, os porcos parecem-se muito com os humanos. Mas não se sabe até que ponto existe uma equivalência bioquímica entre o cérebro do porco e o tecido nervoso humano.
Para descobrir isso, o departamento de saúde de Minnesota pediu a ajuda do médico Ian Lipkin, da Universidade Columbia, um especialista no papel do sistema imunológico nas doenças neurológicas. Lipkin começou a testar plasma sangüíneo dos pacientes de Minnesota para buscar sinais de uma reação imunológica a componentes do cérebro do porco. E ele também deseja estudar o gene do porco para a mielina, para determinar até que ponto ele é similar ao gene da mielina humana. "É um problema interessante", diz Lipkin. "Creio que podemos resolvê-lo".

Recuperação dos trabalhadores afetados
A maioria dos trabalhadores está se recuperando, e alguns retornaram ao emprego, mas outros, inclusive o primeiro a ficar doente, ainda estão incapacitados para o trabalho. Até o momento, não foram registrados novos casos.
"Não posso afirmar que alguém tenha voltado completamente ao normal", diz Lachance, um neurologista da Clínica Mayo. "Acredito que demorará vários meses para que possamos entender de verdade o ciclo dessa doença".

Descobrir a causa
Lynfield espera descobrir a causa. Mas ela diz: "Não sei se teremos uma resposta definitiva. Suspeito que seremos capazes de descartar algumas hipóteses, e que poderemos determinar se é provável que a doença seja causada por uma resposta autoimune. Creio que aprendemos muito, mas pode levar algum tempo até a conclusão desse processo de aprendizado. Trata-se de uma grande história de detetive".

Fonte: UOL Mídia Global - The New York Times – 05 de fevereiro de 2008

Comentário:
Fico imaginando como seria tratado essa doença no Brasil? Algum especialista diria, tem Cipa? Tem relatórios? É fatalidade? Não temos estrutura para gerenciar tantas entidades ou agências envolvidas na questão para buscar uma solução para o problema e principalmente com análises laboratoriais.

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terça-feira, abril 15, 2008

Explosão em depósito de fogos na Holanda

Em 13 de maio de 2000, houve uma explosão de um depósito de fogos de artifício que devastou a cidade de Enschede, na Holanda. Uma enorme bola de fogo produziu uma onda explosiva. A primeira, pequena, detonou centenas de fogos e fez com que as pessoas saíssem de suas casas para observar.
Depois da segunda explosão, pessoas cobertas de sangue sentavam-se confusas e estupefatas no meio da rua. A explosão foi sentida num raio de 30 quilômetros.

Depósito de fogos
Pelo menos 100 t de fogos de artifício foram armazenadas no depósito, localizado em bairro residencial.


Foto: Circulo em amarelo – local de armazenagem – Nota‑se que a região é densamente habitada - Paul Hofstee - Division of Urban Planning & Management International Institute for Aerospace Survey and Earth Sciences (ITC)

Destruição
Parte da cidade ficou reduzido a escombros, carros queimados, os telhados (asbestos, amianto) foram arrancados das casas e pedaços de vidros espalhados na rua. Cerca de 400 casas foram destruídas e 900 casas seriamente avariadas. Pelo menos 2.000 pessoas perderam suas casas


Contaminação
As autoridades holandesas alertaram a população da cidade de Enschede (135 quilômetros a leste de Amsterdã) sobre o perigo da existência de resíduos cancerígenos de amianto em suspensão na atmosfera, liberados pela violenta explosão da fábrica de fogos de artifício.

Foto - tirada um mês depois da explosão - Paul Hofstee - Division of Urban Planning & Management International Institute for Aerospace Survey and Earth Sciences (ITC) Enschede, the Netherlands

Mortes e Feridos
22 pessoas morreram e 947 feridos. Quatro bombeiros morreram durante combate ao fogo.

Emergência e Resgate
Os trabalhos de resgate e transporte de vizinhos de feridos contaram com o auxílio de ambulâncias enviadas por cidades vizinhas. A ajuda veio não só de cidades holandesas, mas de Rheine, na Alemanha, cuja fronteira fica próxima a Enschede.

Localização da fábrica e depósito
A fábrica foi construída em 1977, na época o depósito ficava fora da cidade, mas com o desenvolvimento da cidade, a fábrica ficou cercada de moradias.

Inspeção de segurança
A fábrica tinha autorização para funcionamento e passou por todas as inspeções obrigatórias, incluindo a inspeção do exército da Holanda.

Causa provável
A causa do incêndio nunca foi oficialmente confirmada.

Prejuízos
Os danos estimados apenas pelas seguradoras foram 302 milhões de dólares.

Comentário da agencia inglesa de Saúde e Segurança, HSE (Health & Safety Executive) sobre a explosão de Enschede e se poderia acontecer na Inglaterra.
A agência inglesa de segurança e saúde HSE (Health &Safety Executive) assegura que um cenário semelhante não aconteceria aqui, pois as distâncias de separação entre tais fábricas e residências atingem 185 metros. “Se o poder de explosão de fogos caírem na categoria mais elevada, mais perigosa, a distancia seria de 421 metros”, disse o porta voz da HSE.

Os fogos de artifícios no Reino Unido estão sujeitos ao mesmo regime de controle de explosivos.
■ Acima de uma tonelada, as lojas de fogos, devem ser cadastradas pela autoridade local de fogo.
■ Um limite inferior a 100 kg, aplica-se para fogos de artifícios mais potentes usados por profissionais para espetáculos de fogos.
■ Acima de 7,2 toneladas podem ser mantidos em lojas licenciadas por um conselho. As quantidades maiores exigem uma licença da HSE com especial anuência da autoridade local.

O Reino Unido tem um sistema de licenciamento e exigências bem definido para manter zonas de separação em torno de lojas com explosivos. Essas zonas de separação são destinadas para proteger os edifícios habitados na vizinhança de uma explosão perigosa. Entretanto, a HSE está revendo a legislação de explosivos. Essa revisão levará em conta algumas lições de Enschede.

Fonte: Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, BBC News, no período de 13 de maio a 16 de maio de 2000 e Protective Civil, December/2000.

O vídeo mostra a seqüência de explosão da fábrica e depósito


O vídeo mostra a seqüência de explosão vista pelo lado da cidade


Comentário:
No Brasil o Ministério do Exército fiscaliza a fabricação de produtos controlados (de acordo com R-105) , com a colaboração das Secretarias de Segurança Pública e prefeituras locais.

O que diz o regulamento do Exército
No Título II, capítulo 1 sobre atividades controladas, categorias de controle, graus de restrição e grupo de utilização, no art. 8o , o regulamento explica a necessidade do controle de um produto
Art. 8o - A classificação de um produto como controlado pelo Ministério do Exército tem por premissa básica a existência de poder de destruição ou outra propriedade de risco que indique a necessidade de que o uso seja restrito a pessoas físicas e jurídicas legalmente habilitadas, capacitadas técnica, moral e psicologicamente, de modo a garantir a segurança da sociedade e do país.

Localização de fábrica
No Título IV, capítulo IV, art. 70, o regulamento define de maneira clara, a localização das instalações de fabricas de fogos de artifícios
Art. 70. - Não serão permitidas instalações de fábricas de fogos de artifício e artifícios pirotécnicos, pólvoras, explosivos e seus elementos e acessórios e produtos químicos agressivos no perímetro urbano das cidades, vilas ou povoados, devendo essas instalações ser afastadas do perímetro urbano de centros povoados e, sempre que possível, protegidas por acidentes naturais do terreno ou por barricadas, de modo a preservá-los dos efeitos de explosões.

Depósito e lojas de fogos
No Título V, capítulo V, construção de depósitos o regulamento define as distancias mínimas:
Art. 128. - As distâncias mínimas a serem observadas com relação a edifícios habitados, ferrovias, rodovias e a outros depósitos, para fixação das quantidades de explosivos e acessórios que poderão ser armazenadas num depósito, constam das Tabelas de Quantidades-Distâncias, Anexo 15.
Mas no art. 2, capítulo V, do Título IV, o regulamento permite a venda de pólvora
§ 2º - As firmas de armas e munições que não possuam depósitos apropriados, ou não fizerem prova de que se utilizam de depósitos municipais, só poderão manter para a venda, no balcão, o máximo de vinte quilogramas de pólvora de caça, vinte quilogramas de pólvora química e mil metros de estopim, devendo a pólvora química estar contida em recipientes de paredes de baixa resistência e a altura da coluna de pólvora no interior desses recipientes não deve ser maior do que trinta centímetros.

Anexo 15
No caso da explosão em Enschede, o depósito continha 100 toneladas de fogos, a distância mínima permitida seria 660 metros para imóveis.

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domingo, abril 13, 2008

Explosão de pneu deixa rapaz com traumatismo craniano

Em 05 de março de 2008, por volta das 21h30, Rodrigues enchia um pneu de trator, quando este estourou, arremessando a vítima cerca de cinco metros de altura. Segundo informações de uma testemunha, Rodrigues se chocou com uma viga no teto.

Vítima
Rodrigues Júnior dos Santos, de 23 anos, trabalhava na Borracharia JR, com o pai, proprietário do local em Dourados, Mato Grosso.
O rapaz sofreu traumatismo craniano, quebrou o pé esquerdo e sofreu outros ferimentos. Ele foi encaminhado para o Hospital de Urgência e Trauma, mas devido à gravidade do quadro, foi removido à UTI do Hospital Evangélico, onde ele está internado em estado grave. (

Fonte: Midiamax - 06 de março de 2008

Comentário
Foto: grade ou gaiola de segurança utilizada para auxiliar em reparos de pneus, evita acidentes de trabalho, segurança do operador.

A pressão do ar em um pneu de caminhão inflado e montado num aro ou roda cria uma energia explosiva. Esta pressão pode ocasionar a explosão do pneu com uma força tão grande que se a pessoa for atingida por um componente de aro ou pneu, pode morrer ou ficar seriamente ferido.
As agências de segurança australiana e americana alertam do perigo de fazer reparo de pneus de máquinas/equipamentos sem obedecer a procedimento de segurança. As agências relatam inúmeros casos de explosões de pneus no momento de suas retiradas ou reparos em rodas, provocando acidentes fatais ou ferimentos graves.

Algumas das principais recomendações da Associação Latino Americana de Pneus e Aros (ALAPA);

Recomendações
1.Os empregados não devem ser permitidos trabalhar nas rodas com trincas e fissuras até que estejam treinados e instruídos nos reparos de todos os tipos de rodas
2.Não utilizar soldagem em rodas com pneus inflados
3.Não utilizar sobrepressão em pneus (pressão acima do permitido, de acordo com a especificação do pneu)
4.Inflar pneus à distância, através de mangueira e controle de pressão
5.Esvaziar o pneu antes de retirar a roda
Riscos em potencial
1.Inflar rapidamente um pneu vazio
2.Inflar pneu muito quente (ar quente)
3.Pneus quentes
4.Estrutura da roda danificada
5.Procedimento de trabalho inseguro (ferramentas inadequadas, soldagem, não obedecer à especificação técnica do pneu e roda)

■ Evite acidentes graves ou até mesmo fatais seguindo estas recomendações;
1.Não aqueça as rodas na tentativa de torná-las "moles" para facilitar o processo de desempenho ou reparos devidos a batidas ou fortes impactos.
2.Liga especial utilizada em rodas sofre tratamento térmico e um aquecimento descontrolado pode descaracterizar as propriedades mecânicas da roda.
Nunca submeta a roda a qualquer operação de enchimento com solda.

Vídeo mostrando a grade ou gaiola de segurança utilizada para auxiliar em reparos de pneus

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sexta-feira, abril 11, 2008

Japão obriga empresas a controlar obesidade de funcionários

Em uma tentativa de conter o avanço do número de japoneses acima do peso, o governo do Japão vai obrigar empresas a medirem a circunferência da cintura dos funcionários acima dos 40 anos.
A medida, que deve atingir 56 milhões de japoneses, prevê que homens com medidas acima de 85 centímetros e mulheres com mais de 90 centímetros de cintura serão incluídos em um grupo de alto risco.
A partir daí especialistas da área de saúde deverão traçar um plano de ação para mudar seus hábitos alimentares e incluir exercícios físicos em sua rotina. Algumas pessoas ainda serão aconselhadas a se tratar com um médico.
A medida do governo, que entrou em vigor no mês de abril, ainda prevê que as empresas cortem em 10% o número de funcionários acima do peso até 2012.

Aumento de contribuição para a previdência
As companhias que não atingirem a meta terão de aumentar a contribuição para a previdência desses funcionários em 10%.

Colesterol e infarto
Segundo o governo, o objetivo é detectar, ainda nos estágios iniciais, sintomas da síndrome metabólica – um conjunto de fatores de risco que, associados, elevam as chances de se desenvolver doenças cardíacas.
Entre os fatores de risco estão obesidade, alimentação inadequada e ao sedentarismo, que pode elevar os níveis do colesterol e causar doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto.

Causa mais comum de mortes
No Japão, doenças cardiovasculares são a segunda causa mais comum de mortes — responsáveis por aproximadamente 30% do total —, ficando atrás apenas do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, 13 milhões de pessoas ou um sexto da população, sofrem de síndrome metabólica e outros 14 milhões estão sob risco de desenvolver a condição.

Zona de risco de obesidade
Um estudo realizado pelo órgão, em 2004, estima que o índice é maior em faixas etárias mais elevadas: um de cada dois homens e uma em cada cinco mulheres entre 40 e 74 anos sofreriam da síndrome ou estariam na zona de risco.

Maus hábitos alimentares
A medida foi recebida com surpresa por alguns setores da sociedade, já que os japoneses são reconhecidos por sua forma esbelta, hábitos saudáveis e altos índices de longevidade.
Nos últimos anos, no entanto, o país vem registrando um aumento nos casos de obesidade e de doenças causadas por maus hábitos alimentares, como a síndrome metabólica.

Padrões
Alguns especialistas temem que a medição compulsória da barriga tenha um efeito contrário ao desejado: um aumento do consumo de remédios e dos gastos com a saúde.

Mas para o diretor da Sociedade do Japão para Estudo da Obesidade, Yuji Matsuzawa, a medida é válida e torna o Japão “um dos primeiros países a se dedicarem nacionalmente à prevenção da síndrome metabólica”, disse ele ao jornal Asahi.

Com os exames de medição da circunferência da cintura , o governo quer controlar os custos do seguro-saúde no Japão, que totalizaram 3,31 trilhões de ienes (R$ 560 bilhões , 331 bilhões de dólares) no ano fiscal de 2005 e tendem a aumentar mais com o avanço da proporção de idosos na população.

Uma pessoa é considerada portadora da síndrome metabólica quando a medida da cintura excede o limite estabelecido e o indivíduo apresenta pelo menos dois sintomas, entre os quais pressão alta, índices elevados de mau colesterol ou de gordura e alto teor de açúcar no sangue.

O padrão japonês para identificar a doença foi estabelecido em abril de 2005 por um comitê formado por representantes de oito grupos de pesquisadores dedicados a várias especialidades médicas, como diabetes, obesidade e arteriosclerose. Outros países seguem outros critérios para definir a doença.

Fonte: BBC Brasil - 24 de março de 2008

Comentário
A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como doença grave, que atinge proporções epidêmicas no mundo, e é fator de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado e diabetes. Até mesmo graus leves de sobrepeso podem levar indivíduos a desenvolver doenças. Estima-se que, no Brasil, cerca de 40% da população está acima do peso ou é obesa.

A obesidade mata por ano, cerca de 300 mil pessoas nos Estados Unidos, e quase 100 mil no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A secretaria de Saúde dos Estados Unidos calcula o custo econômico direto e indireto da obesidade, devido às doenças que causa (cardiovasculares, diabetes, câncer), em US$ 120 bilhões ao ano.
O tratamento relacionado a obesidade custa tanto ou mais do que doenças causadas por envelhecimento, fumo e bebida, segundo pesquisa européia. É responsável por dois por cento da despesa de saúde nacional na Austrália e na França, mais de três por cento no Japão e Portugal e quatro por cento na Holanda

Principais doenças associadas à obesidade em adultos:

Doenças cardiovasculares:
Vários fatores de risco: excesso de peso, hipertensão arterial, estresse, sedentarismo, diabetes, fumo, elevação do colesterol, hereditariedade, idade, sexo (a incidência é maior entre os homens) e menopausa.

Diabetes tipo 2:
Atinge, em sua maioria, pessoas com mais de 40 anos, obesas e que tenham parentes de primeiro grau diabéticos. Os sintomas do diabetes tipo 2, às vezes, demoram a aparecer, por isso a importância de se realizar os exames de rotina para um diagnóstico precoce: quanto mais cedo for descoberta, mais eficaz é o tratamento.

Hipertensão arterial - É a chamada pressão alta.
Fatores de risco: pessoas com excesso de peso, vida sedentária, que consomem sal em excesso e que têm casos na família. Se não for controlada, pode danificar órgãos nobres como o coração, cérebro e rins, acelerar o processo de endurecimento e entupimento das artérias (a chamada aterosclerose).
Estima-se que a obesidade seja responsável por um terço dos casos. O risco de ser hipertenso aumenta 50% em pessoas com sobrepeso. Perder dez quilos reduz em 26% o risco de ter pressão alta. Para o sucesso do tratamento, o hipertenso deve chegar ao peso ideal.

Outras doenças
Outras doenças também estão associadas à obesidade, como algumas formas de câncer, doenças respiratórias, cálculo biliar e doenças ósteo-articulares. Existe ainda o aspecto psicológico, relacionado à estigmatização do obeso, o que leva a quadros depressivos, diminuição da auto estima e do relacionamento social.

Calcule o seu Índice de Massa Corporal (IMC)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/corpo/2001-calculadora_imc.shtml

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quarta-feira, abril 09, 2008

Problema no cinto de segurança foi a causa de morte em obra

No dia 12 de janeiro de 2008, o eletricista montador José Ribamar Muniz Oliveira fazia o reposicionamento de cabos elétricos da linha de transmissão Bandeiras I e II, uma modificação do projeto necessária para evitar a interrupção do fornecimento de energia de uma extensa área da capital paulista em razão da obra da ponte sobre o rio Pinheiros, na zona sul de São Paulo.

Falha do equipamento e queda fatal
Ele era funcionário da Montagens Projetos & Obras Ltda, de São Paulo, e caiu de uma altura de 19,5 metros, sobre concreto, sem nenhuma chance de sobrevivência.
No momento da queda, o operário usava todos os equipamentos de proteção necessários, o que surpreendeu a fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo (SRTE/SP). Suspeitando tratar-se de um episódio de falha do equipamento de proteção, o auditor do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) Joaquim Gomes Pereira emitiu um termo de apreensão dos equipamentos utilizados durante obra.

Análises das peças na Fundacentro
As peças apreendidas - dois cintos de segurança tipo paraquedista, um talabarte de posicionamento em "Y" e uma "trava quedas" - foram encaminhadas para análises à Fundacentro, órgão do MTE.

Laudo confirma falha do equipamento
O laudo da Fundacentro (de número 043/208-A), confirmou a hipótese da fiscalização, determinando que a causa da queda está ligada ao cinto de segurança, que apresentou deformação e não conformidade em suas costuras nos passantes de sustentação, resultando em irregularidades que causaram o acidente fatal.

Provável cassação do certificado de aprovação do equipamento
Diante da confirmação do problema com o equipamento de proteção, a SRTE/SP encaminhou ao MTE, em Brasília, a recomendação de cassar o Certificado de Aprovação (C.A. 18140) do cinto modelo CG760. Ocorrendo a cassação, o fabricante deverá recolher o produto do mercado para evitar novos acidentes, arcando com todos os custos do procedimento e podendo ser responsabilizado civil e criminalmente pelos clientes e trabalhadores lesados.
Fonte: Superintendência Regional do Trabalho e Emprego - SRTE/SP - 24 de março de 2008

Comentário:
Se entrarmos no site do Ministério do Trabalho, no tópico de certificado aprovado, o cinto em questão é da Carbografite.


Protege os usuários contra quedas por suspensão dorsal. Cinturão para trabalhos estacionários e em redes elétricas. Possui duas meia argolas na cintura, duas peitorais e uma dorsal.
Possui cinco fivelas de engate para regulagens: duas peitorais, duas nas pernas e uma na cintura.
Resistência aprovada em conformidade com a norma NBR 11370/2001, para usuários até 100Kg.
Peso: 1300g
CA: 18140CG 760E

Certificação de Aprovação
Nº do CA: 18140
Nº do Processo: 46016.000827/08-20
Data de Emisão: 5/6/2007 Validade: 05/06/2012

Tipo do Equipamento: cinturão tipo pára-quedista e talabarte de segurança
Natureza: Nacional
Fabricante: Carbografite Industrial de Soldas Ltda

O texto da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego oferece poucas informações técnicas do motivo ou provável deficiência do cinto de segurança. A única informação evidente é em relação ao laudo da Fundacentro que informa: “cinto de segurança, apresentou deformação e não conformidade em suas costuras nos passantes de sustentação, resultando em irregularidades que causaram o acidente fatal”. Trabalho em altura utiliza o sistema redundante de segurança, isto é, talabarte em Y e linha de vida ou cabo guia com trava‑quedas. Houve falha geral? Esse cinto tem argola peitoral, dorsal e de cintura para colocação do cabo guia ou linha de vida, falharam todos?

Pelo resultado do laudo, houve realmente baixa qualidade do material de proteção? Alguém precisa ser responsabilizado? .
Será que o material que é enviado para a Fundacentro para sua aprovação, continua com a mesma qualidade depois de sua certificação?

A manutenção e conservação do equipamento de segurança da montadora estavam de acordo com manual do fabricante do equipamento?
É comum a aquisição de cinto de segurança com acessórios de outros fabricantes? Deve ser esse caso em questão?

É um caso interessante em que às partes envolvidas deveriam ser mais transparentes na divulgação do real motivo da falha e transmitir um alerta aos profissionais da área de segurança das recomendações necessárias para evitar esse tipo de problema. Nos USA, é comum a OSHA emitir um boletim de alerta.
Não preocupamos com o procedimento de resgate de um trabalhador que está suspenso pelo cinto após uma queda e a colocação do cinto de modo adequado no corpo. Nos USA há muitos acidentes com cintos provocados por sufocação ou interrupção de circulação de sangue no organismo, devido à colocação inadequada do cinto (cinto frouxo ou apertado) durante a queda. As ordens de serviços sobre cinto de segurança estão apenas preocupadas com os dispositivos de segurança e esquece do procedimento adequado do cinto no corpo (treinamento de colocação e amarração). O trabalhador em geral coloca o cinto de segurança como se fosse um cinto normal de calça, esquecendo da inspeção do cinto e detalhes de amarração (atenção aos cortes aos desgastes devido à sua utilização), pois o cinto é o cordão umbilical de sua sobrevivência.
Encontramos mo mercado cinto de segurança tipo pára‑quedista desde 30,00 (18 dólares) a 600 reais (350 dólares). Como se diz a qualidade do EPI é para todos gostos.

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terça-feira, abril 08, 2008

Incêndio e pânico no shopping Unicenter, na Argentina

O incêndio começou pouco depois das 19 h 10 min, 30 de outubro de 2005, no terceiro andar do shopping Unicenter, o maior da Argentina, em Martinez, na região metropolitana de Buenos Aires. Foi no setor dos jogos infantis, chamado Aventura Center.
Como todos os domingos, o lugar estava cheio de crianças. No restante do shopping tinha entre 40.000 e 50.000 pessoas.
O fogo teria começado no setor de diversão "Aventura Center" entre os carrinhos elétricos bate‑bate, que estavam funcionando, e o jogo "A Boca do dragão", que está fora de uso. Em princípio, o pessoal de segurança tentou apagar com extintores de incêndio, mas quando atingiu o teto e propagou-se, teve que realizar a evacuação do local.

Cronologia do evento
■ Cerca das 19 h começou o incêndio no setor de diversões infantis "Aventura Center", no terceiro andar, no jogo desativado "Dragão Aéreo".
■ Às 19 h 15 min , a brigada de incêndio do shopping tentou sufocar o incêndio com os recursos que existiam no lugar.
■ Às 19 h 30 min, o shopping foi evacuado por setores. Gerou-se um grande caos na área de estacionamento, onde as pessoas tentaram levar seus veículos e provocou congestionamento total na saída..
■ Às 19 h 35 min, viaturas de bombeiros de vários lugares começaram a chegar ao shopping e tendo dificuldade para entrar, devido ao congestionamento na saída dos veículos do shopping.
■ Às 21 h 05 min, os bombeiros conseguiram atingir o foco de incêndio e controlá-lo.
■ Às 21 h 17 min, interrompeu o fornecimento de energia elétrica em todo o estabelecimento para evitar qualquer curto circuito ou reinicio de propagação de incêndio. Os bombeiros permaneceram no local para fazer escaldo e remoção de entulhos

Shopping Unicenter
O shopping Unicenter foi inaugurado em 13 de outubro de 1988, sobre um terreno de quase 160.000 m2 situado na auto-estrada Panamericana, entre as ruas Edison e Paraná, em Martínez, e atualmente é o maior do país.
A área construída totaliza 103.000 m2 , dos quais correspondem 63.000 m2 de área comercial e 40.000 m2 de área de estacionamento coberto para automóveis.
O conjunto comercial compreende;
■ 300 lojas, um hipermercado Jumbo, de 12.700 m2 de área de vendas
■ um setor de 3.000 m2 destinado aos jogos para crianças.
■ um estacionamento para 6.500 automóveis, sendo 4.000 cobertos
■ praça de alimentação e restaurantes para 1800 pessoas.

O movimento do público está facilitado mediante dez escadas rolantes , quatro elevadores de passageiros (um deles é panorâmico) e duas correias transportadoras de 35 m de comprimento cada uma. Possui 14 salas de cinema, com capacidade para 3.300 pessoas, e estão equipadas com um sistema de som digital único na América do Sul.

O empreendimento do shopping no valor 38 milhões de dólares foi realizado pela empresa Cencosud, de origem chilena.
Aventura Center
Um centro de diversão, primeiro parque temático “indoor” da Argentina , com uma área de 3.000 m2 e 24 pistas de boliche, de última geração.

Evacuação por setores
Os seguranças atuaram rapidamente e começaram a evacuar o lugar. Demoraram 20 minutos em evacuar o shopping , seguindo o Procedimento de Operação para Emergências (POPE).
No inicio a evacuação foi feita no 3o andar, nas áreas próximas ao incêndio, expandindo para as demais áreas do andar e depois para os demais andares.
Toda informação de evacuação foi realizada pelo sistema de som e sinalização intermitente de iluminação com indicação para evacuar o local.
A evacuação foi realizada com calma, mas houve principio de correria, medo e pânico entre algumas pessoas.

Estacionamento, confusão e caos
Os maiores problemas existiram no estacionamento, onde entram 6.500 veículos. Muitas pessoas, em vez de sair caminhando do local, quiseram retirar-se com seus carros, o que provocou um congestionamento e vários veículos chocaram-se quando tentavam sair.
Com o engarrafamento na saída do shopping dificultou o acesso das viaturas dos bombeiros e ambulâncias. .

Área isolada
Os bombeiros demoraram em chegar porque a auto-estrada Panamericana transformou-se num passeio de curiosos que se detinham para ter um melhor ângulo de visão do fogo e as colunas de fumaça. O perímetro do shopping foi isolado pelos bombeiros para deter aos curiosos e poder realizar seus trabalhos.

Testemunhas
Marcela, uma das funcionarias das lojas do Unicenter, afirmou: “Chamou-nos a atenção, porque se apagou a luz, e em seguida o pessoal de segurança disse-nos que tínhamos que sair. Como saímos rápido, nem sequer vi a fumaça". Por outro lado, Mariano, cliente do shopping, comentou: "Estava num provador de roupa e tive que sair rápido. A saída foi ordenada. No instante que estava fora do shopping, vi uma espessa coluna de fumaça".
As pessoas que se evacuaram mais tarde, encontraram a fumaça se expandindo em toda área do shopping, foram as que mais sustos passaram e geraram momentos de maior tensão. Sobretudo, o pessoal que estava nas salas de cinema, que são 14.

Propagação do fogo e fumaça
A propagação do incêndio foi rápida. Em seguida cobriu o teto, e as chamas atravessaram as aberturas e se recortaram sobre a cobertura do shopping. A fumaça ocupou espaço. E começou a baixar, e as pessoas também baixavam e corriam pelos corredores e pelas áreas de estacionamento e, mais abaixo, pelo supermercado Jumbo.

Estacionamento - testemunha
“Sabes, o que aconteceu? Os bombeiros não podiam entrar. A gente, em vez de sair à pé, queria sair como carro. Lembrei o que aconteceu no Paraguai? Claro. Quem pode esquecer a catástrofe de Ycuá Bolaños (incêndio no supermercado), em Assunção do Paraguai, que se cobrou 400 vidas. Talvez também pensaram alguma outra tragédia, mais próxima no tempo, a de Cromagnon (discoteca, Buenos Aires) , onde faleceram 193 pessoas”, disse Nicolás Gutiérrez.

Corpo de Bombeiros
Às 19 h 35 min, chegaram os bombeiros. O chefe do Corpo de Bombeiros Voluntários de San Isidro, comandante Javier Ozan, disse: "Demoramos 15 ou 20 minutos para poder entrar. Todos queriam sair com seu veículo, teve engarrafamento e não podíamos entrar“. “Finalmente entramos.Eram 70 homens e 25 viaturas de bombeiros, que rapidamente despachamos suas equipes em frente ao shopping”.

Recursos envolvidos na emergência
Estiveram no local cerca de 150 bombeiros, dezenas de viaturas, de várias unidades de bombeiros, como também, a Defesa Civil e a Cruz Vermelha.

Controle do incêndio
Às 21 h 10 min, os bombeiros conseguiram atingir o foco do incêndio, com ajuda de três escadas mecânicas e controlaram o incêndio que se desenvolvia no 3o piso.
No interior do shopping, o ar cheirava plástico queimado, que era mais intenso à medida que se aproximava do terceiro andar. Alguém gritou: "Fechem os hidrantes". As mangueiras deixaram de funcionar, pois a água escorria pelas escadas e acumulava na área do estacionamento. No terceiro andar, o ar era quase irrespirável. Os bombeiros, permaneceram no local para o rescaldo e remoção de entulhos.

Danos materiais
Cinemas – as salas foram danificadas pela água do incêndio, reabririam em uma semana.
Praça de alimentação – os restaurantes mais próximos à área de Aventura Center, sofreram danos causados pela água de incêndio
Aventura Center – a estrutura foi severamente danificada, prazo de recuperação indeterminado

Vitimas
Dos oito bombeiros que resultaram com princípio de asfixia, ficaram cinco internados no hospital de San Isidro, com queimaduras leves, em estado de observação e 16 clientes com princípio de asfixia devido à inalação de fumaça, foram atendidos no hospital e liberados.

Reabertura do shopping
O shopping abriu suas portas na segunda-feira, 31 de outubro, pela manhã, mas sem acesso ao setor dos jogos do terceiro andar e cinemas.

Causa do incêndio
O incêndio iniciou-se por causa de um curto-circuito em um jogo, A Boca do Dragão, que estava fora de uso, segundo o resultado das perícias realizadas.

Históricos de incêndios
■ Janeiro de 2004 – Incêndio ocorreu no shopping Abasto. Foi um princípio de incêndio em um forno de um supermercado que está no interior do complexo comercial. O incidente não provocou vítimas.
■ 14 de dezembro de 2000 – Incêndio que ocorreu em Alto Palermo, shopping localizado em Santa Fé e Coronel Díaz. Como em Unicenter, o incêndio originou-se e provocou importantes danos no setor de jogos, além de danificar uma parte da praça de alimentação. Dois bombeiros sofreram um princípio de asfixia e outro recebeu um forte golpe. Algumas testemunhas do incêndio disseram, que as chamas foram provocadas por um curto‑circuito em uma das máquinas de jogos.

Fontes: El Clarín, La Nación, Pagina 12, El Dia, no período de 30 de outubro a 01 de novembro de 2005.

Comentário:
No caso do incêndio do shopping, um dos principais problemas que ocorreu, foi na saída dos clientes com os seus respectivos veículos, que geraram engarrafamentos na saída do shopping e como conseqüência dificultando a entrada dos bombeiros.
Houve momentos de desespero, com algumas colisões e crises nervosas no estacionamento do shopping quando os motoristas provocaram engarrafamento em sua tentativa por salvar os seus próprios veículos das chamas e fugir do lugar.
No Brasil, especificamente em São Paulo, alguns shopping centers apresentam na área de estacionamento obstáculos à movimentação de veículos dos bombeiros e de resgate, que alguns casos, dificilmente as viaturas terão acesso às edificações para operações de combate ao fogo e resgate.

Relacionamos os principais problemas;
A maioria dos shopping centers, o estacionamento é pago e como conseqüência criaram obstáculos para efetuar a operação e controle tais como; cabines, cancelas, coberturas, ilhas (provocam estrangulamentos das ruas internas) e ruas interna para acesso as cabines, estreitas e raios curtos para operação de manobra.

O que diz a instrução técnica do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo
A Instrução Técnica fixa condições mínimas exigíveis para o acesso e estacionamento de viaturas de bombeiros nas edificações e áreas de risco, visando a disciplinar o seu emprego operacional na busca e salvamento de vítimas e no combate a incêndios.

Principais requisitos
Via de acesso e faixa de estacionamento
1 - Largura: mínima de 6,00 m.
2 - Comprimento mínimo de 15 m.
Obs: Tem muitos shopping centers, o comprimento de entrada de acesso é curto e em curva, não permitindo a manobra de viaturas
3 - Suportar viaturas com peso de 25.000 quilogramas-força.
4 - Desobstrução em toda a largura e com altura livre mínima de 4,50 m.
5 - Quando o acesso for provido de portão, este deverá atender à largura mínima de 4,00 m e altura mínima de 4,50 m.
Obs: A cabine, controle de entrada de veículo e cobertura, não atende este padrão
6 - A faixa de estacionamento deve estar livre de postes, painéis, árvores ou qualquer outro elemento que possa obstruir a operação das viaturas.

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