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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quarta-feira, setembro 29, 2010

Raio mata gado

Um raio matou 18 cabeças de gado em uma fazenda no município de Uberaba

Fazendeiro perdeu na tarde de terça-feira, 28 de setembro de 2010, 18 cabeças de gado que estava debaixo de uma árvore, atingida por um raio. De acordo com o proprietário, cinco bois foram parar dentro de um córrego e outro ficou dependurado numa árvore, na fazenda Ponte Alta, localizada no município de Uberaba, Minas Gerais. Eram animais da raça Nelore PO, registrados pela ABCZ, com dois anos e meio de idade. De acordo com o proprietário, os animais não tinham seguro e cada um deles estava avaliado em cinco mil reais, chegando o prejuízo a aproximadamente em cem mil reais (55 mil dólares). Fonte: Jornal Uberaba, 29/09/2010

Raio mata 43 cabeças de gado em sítio de Paranavaí

Um raio matou 43 cabeças de gado em um sítio de Paranavaí (a 75 quilômetros de Maringá), na noite de sábado, 25 de setembro de 2010. De acordo com o dono do rebanho, Roque de Souza Dias, apenas dois animais sobreviveram à descarga elétrica. O prejuízo foi de aproximadamente 40 mil reais (22 mil dólares)..

Após o resultado de um laudo de veterinários da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), que comprovou a morte dos animais em decorrência das queimaduras provocadas pelo raio, a secretária afirma que uma equipe da secretaria de agricultura de Paranavaí está abrindo uma vala na propriedade, onde os animais serão enterrados. Fonte: Jornal da Manhã – Ponta Grossa, 27/092010


Raio Mata Gado

Em 14 de fevereiro de 2010, um caiu numa fazenda, no município de Sebastião Leme, Bertolinea, Piauí, matando 17 gados e deixando 2 feridos.

Comentário: Podemos agrupar as quedas de um raio em quatro tipos.
Primeiro tipo. Ataque direto
Quando uma pessoa ou alguma coisa que ela está segurando é atingida, é um ataque direto. A corrente do raio entra pela cabeça ou pela parte superior do tronco passando através do corpo para o chão através dos pés. Se várias pessoas estão de pé muito juntas mais de uma pode ser atingida.
Segundo cálculos feitos, a corrente sobe rapidamente até um pico de 1.000 A (ampéres), caindo imediatamente e, cerca de 10 microssegundos do começo, alcança 4A, conservando‑se esse valor pela duração da descarga. A ocorrência de uma centelha externa amplamente evidenciada, é confirmada nos relatos do acidente. Se ela ocorre fora do corpo ou através ou na parte externa da roupa, o cabelo e a barba podem ficar chamuscados. Pode haver marcas de queimaduras na sola dos pés e também nas roupas, e estas podem incendiar-se. Metais sobre o corpo, podem fundir provocando queimaduras. Se a centelha passa entre a roupa e o corpo, a corrente fluindo sobre a superfície da pele, pode converter o suor e a umidade da pele em vapor e, em conseqüência, a pressão resultante pode arrancar fora e as botas.
Segundo tipo de queda de raio é a centelha lateral.
Gráfico: Centelha lateral de uma cobertura ondulada de ferro, isolada do chão por uma estrutura de madeira seca. Quando um raio cai nas proximidades, o efeito das capacitâncias elétricas representadas por Cl e C2, é fazer elevar a cobertura a um potencial V2, em relação à terra, igual a VlCl(Cl-C2). A diferença de potencial entre a cobertura e a cabeça do ocupante do abrigo, pode se tornar suficientemente alta para provocar uma centelha sem que o abrigo seja atingido.
É mais claramente compreendida considerando-se o que acontece quando alguém está abrigado sob uma árvore e esta é atingida por um raio.

Estando em pé no chão, a pessoa está inicialmente no potencial terra. Contudo, como a corrente do raio descarregada sobre tronco pela árvore abaixo aumenta, a voltagem cai para a parte inferior do tronco que pode ter uma resistência de alguns quiloohms, podendo se tornar maior do que a força elétrica de ruptura do espaço de ar entre a pessoa e o tronco. Uma centelha lateral ocorre então através das vítimas.




Gráfico: Centelha lateral do tronco de uma árvore provocada par um raio. Primeiro, a corrente flui através do tronco.


A resistência elétrica do tronco, entre a solo e a cabeça de uma pessoa de pé, perto do tronco, pode ser de alguns quiloohms.


A formação da corrente através dela, pode descer pela parte inferior do tronco, para exceder a força de ruptura elétrica do ar entre o tronco e a vítima. Nessa etapa ocorre uma centelha lateral.


O terceiro tipo de queda de raio é a voltagem escalonada.


Se o raio cai em chão aberto, seja diretamente ou através de um objeto alto, como uma árvore ou um poste, a corrente é descarregada na massa da terra. Num solo acidentado, a distribuição da corrente produz diferentes voltagens de acordo com a distancia do local da queda. Uma pessoa ou um animal andando ao longo de um raio do ponto da queda, sofrerá uma diferença de
potencial entre as pernas.
Gráfico: Tipo comum de corrente (a) num solo uniformemente constituído, originada por um raio caindo em campo aberto. A curva da distribuição do potencial (b) mostra como uma voltagem "escalonada" se desenvolve entre as pernas de um homem ou de um animal de pé nas vizinhanças O quadrúpede tem mais probabilidades de morrer disso, do que os humanos, porque a corrente, fluindo entre as pernas dianteiras e traseiras, atravessa o coração, enquanto que no homem, a passagem e de uma perna para outra e o coração escapa.

O quarto tipo de queda é o da voltagem de contacto, chamado também às vezes, de potencial de toque. Pode ser considerado como um caso particular de centelha lateral, no qual a vítima, no momento em que o raio cai, faz realmente contato. Fonte: W. R. Lee - Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE)

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domingo, setembro 26, 2010

Celular no trânsito já matou 16 mil pessoas nos EUA

O simples fato de falar ao celular já distrai o motorista, conforme vários estudos demonstraram

A distração causada pelo uso de celulares no trânsito e, especialmente pelas mensagens de texto, matou nos Estados Unidos cerca de 16 mil pessoas entre 2001 e 2007, disseram pesquisadores.

A estimativa, uma das primeiras tentativas científicas de quantificar os acidentes causados por telefonemas e mensagens de texto, também sugere que um crescente número desses motoristas imprudentes tem menos de 30 anos.

"Nossos resultados sugerem que recentes e rápidos aumentos nos volumes das mensagens de texto resultaram em milhares de vítimas adicionais no trânsito nos Estados Unidos", escreveram Fernando Wilson e Jim Stimpson, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Norte do Texas, em artigo na revista American Journal of Public Health.

O estudo foi feito com base em dados da Comissão Federal de Comunicações e da Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário.

O simples fato de falar ao celular já distrai o motorista, conforme vários estudos demonstraram. Mas Wilson disse que a popularização das mensagens de texto e dos smartphones com acesso a emails e outros aplicativos leva o problema a um novo patamar.

Em 2002, segundo ele, a cada mês eram enviadas nos Estados Unidos 1 milhão de mensagens de texto; em 2008, o número subiu para 110 milhões.

O número de mortes no trânsito vem diminuindo no país. Foram 33.963 mil casos fatais no ano passado, menor nível desde meados da década de 1950, segundo dados oficiais.

AUMENTO DE ACIDENTE POR DISTRAÇÃO
Mas Wilson e Stimpson estimaram que, para cada 1 milhão de novos usuários de celular, há um aumento de 19 por cento nas mortes causadas pela distração ao volante.
"As mortes por distração como parcela de todas as vítimas das estradas subiram de 10,9 por cento em 1999 para 15,8 por cento em 2008, e grande parte do aumento ocorreu após 2005", escreveram eles. "Em 2008, aproximadamente 1 em cada 6 colisões fatais resultava de um motorista estar distraído enquanto dirigia", disse o estudo.
Wilson disse que 30 Estados proíbem o uso de mensagens de texto ao volante, e alguns Estados e municípios norte-americanos exigem equipamentos de viva-voz para motoristas que usem celulares.

Os órgãos federais vão estimular as empresas a conscientizarem seus empregados dos riscos de digitarem mensagens de texto enquanto dirigem para o trabalho. Wilson disse que é preciso melhorar a fiscalização, mas que isso não será fácil.

"Acho que uma solução perfeita seria instalar bloqueadores de celular em cada carro, mas isso não vai acontecer", disse o especialista, que atendeu um telefonema para ser entrevistado enquanto estava dirigindo, mas parou para falar.

Ao contrário de dirigir alcoolizado, onde você tem mecanismos eficazes de fiscalização, isso não existe para as mensagens de texto, O guarda simplesmente tem de dar a sorte de ver você digitando uma mensagem enquanto dirige.

Fonte: Estadão - 23 de setembro de 2010

Vídeo:

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quinta-feira, setembro 23, 2010

Incêndio atinge fábrica de tapetes em São Carlos

A fábrica de tapetes São Carlos pegou fogo na madrugada de quarta-feira, 24 de agosto de 2005, na cidade de São Carlos (231 km a noroeste de São Paulo).
O fogo começou por volta da 0h, em uma área aberta da empresa, onde fica estocada a matéria prima, derivada do petróleo. O vento ajudou a aumentar as chamas, que chegaram a 30 metros de altura.

ISOLAMENTO DA VIZINHANÇA
Quarteirões inteiros foram isolados e os moradores foram retirados às pressas das casas. A rede elétrica foi desligada para evitar maiores problemas, mas um poste acabou pegando fogo.

COMBATE AO INCÊNDIO
O tenente Márcio Campos, responsável pelo comando do Corpo de Bombeiros, afirma “que as primeiras viaturas chegaram ao local do incêndio cerca de um minuto depois de acionadas e já começaram a colocar em prática as estratégias de combate às chamas.As principais preocupações da equipe eram não permitir que o fogo atingisse os prédios da empresa e manter resfriados alguns setores onde havia material inflamável. Só para se ter uma idéia, as placas próximas aos tanques de gás industrial derreteram”, declarou.

CORPO DE BOMBEIROS E REFORÇOS
Cerca de 40 bombeiros de três cidades da região conseguiram controlar o fogo depois de 5 horas, com o apoio de mais de 100 homens de brigadas de outras empresas da cidade, que integram o plano de auxílio mútuo de combate a incêndios de São Carlos. Foram gastos 100.00 litros de água.
Equipes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e Defesa Civil também foram acionadas para atuar de madrugada e ao longo de toda a quarta-feira. Segundo o Corpo de Bombeiros, foi um dos maiores incêndios já registrados na cidade.

Foto: Em vermelho, área afetada pelo incêndio. Nota-se que a fábrica fica em região urbana.

VITIMAS
Não houve.

DANO MATERIAL
Cerca 1.200 toneladas de fibra sintética foram consumidas pelo fogo. A matéria prima estava armazenada ao livre em aproximadamente em uma área de 2 mil metros quadrados.

CAUSA PROVÁVEL
Há suspeita de que fagulhas de queimada em algum terreno próximo da fábrica possam ter iniciado o foco de incêndio.

SEGURO E PREJUÍZO
A empresa ainda não sabe os prejuízos mas garantiu que o material estava segurado.

MATERIAL DERRETIDO ENTUPIU A GALERIA DE ESGOTO E ÁGUA RESIDUAL DO INCÊNDIO
Devido à queima da fibra sintética, todo material escorreu para a rede de esgotos que, com o contato com a água, endureceu.
“Aproximadamente 250 metros da rede ficaram entupidos com o material derretido durante o incêndio” diz José Carlos Vieira, engenheiro do serviço de água e esgoto. Nas ruas vizinhas, o material derretido pelo calor brotava dos bueiros. Funcionários jogavam água para resfriar o local.

REPARO NA GALERIA DE ESGOTO
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (Saae) trocou diversos coletores da rede de esgoto situada na rua Miguel Giometti, na Vila Costa do Sol. Outros 120 metros da rede foram desentupidos.

COMUNICADO DA EMPRESA
A empresa informou que o incêndio ficou restrito à área externa (pátio de estoque de pequena parte de matéria prima usada na produção de forrações não tecidas), e que a capacidade produtiva (máquinas e equipamentos), estoques e logística foram não foram afetadas.

INQUÉRITO
A perícia da Polícia Civil esteve no local. O Corpo de bombeiros informou que a corporação vai esperar o resultado da perícia para confirmar as causas do fogo .

FÁBRICA
A fábrica ocupa uma área de 100 mil m2 e possui 70 mil m2 de área construída. Trabalha com várias linhas de carpetes, tapetes, para a linha automotiva e também com grama sintética.
A empresa emprega 500 funcionários e exporta para países do Mercosul como Argentina, Chile e Paraguai, além do México e Alemanha. .

Fontes: Cosmo São Carlos, Folha Online, São Carlos News, no período de 24/08 a 30/08/2005.

Comentário:
Nas situações onde os incêndios em instalações químicas, depósitos, ou grandes instalações comerciais são combatidos, os perigos e os riscos a vizinhança e ao ecossistema são muito maiores, tais como;
■ Em 13 de setembro de 2010, na cidade de Araras, houve incêndio numa indústria química, onde havia 16 tanques, todos com produtos químicos utilizados como matéria prima. Houve vazamento de matéria prima para vizinhança, queimando vinte veículos
■ Em março de 2009, uma grande explosão ocorreu numa indústria química em Diadema, São Paulo. Houve vazamento de produtos químicos que atingiu a vizinhança. Diversos imóveis na região também foram atingidos pelo fogo e material incandescente escoou pela rua..
Em primeiro lugar, é vital executar a identificação e a priorização dos respectivos perigos. A identificação e a priorização dos perigos de vazamento de produtos químicos e água residual de incêndio incluem três componentes:
■ O tipo e a quantidade dos produtos químicos armazenados ou no uso na instalação ,
■ Na proximidade de áreas humanas, e
■ Na proximidade de ecossistemas sensíveis.
É importante a avaliação do ecossistema da vizinhança para instalações de depósitos ou que usam volumes elevados de substâncias perigosas ecologicamente, especificamente, nas proximidades de vizinhança, canais, costa litorânea , devido a risco de incêndio químico. Algumas instalações podem armazenar ou usar volumes elevados de produtos químicos perigosos distantes dos locais ecologicamente sensíveis, porém devido ao vazamento e escoamento de água tóxica poderá atingir esses locais.

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terça-feira, setembro 21, 2010

Por que os acidentes acontecem?

A teoria do caos explica como um acontecimento insignificante pode se transformar numa tragédia desproporcional. E há gente tentando prever - e evitar - as catástrofes
Em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France acelerava na pista do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para atingir a velocidade de 400 quilômetros por hora, como fazia em todas as decolagens. No caminho, passou em cima de uma pedaço de titânio de 45 centímetros que um DC-10 deixara no asfalto minutos antes. Um dos pneus da asa esquerda explodiu e lançou uma tira de borracha de 4,5 quilos contra o fundo do tanque de combustível que estava um pouco à frente. O choque fez um furo no tanque e gerou calor suficiente para incendiar a gasolina que começou a vazar. As chamas atingiram as duas turbinas do avião, que estavam logo atrás. Elas continuaram a funcionar, mas com menos potência, e espalhando o combustível em um rastro de 60 metros. O Concorde subiu. Os sistemas de segurança do avião detectaram então que a origem do fogo eram as turbinas – e não o tanque –, o que fez o piloto desligá-las e tentar um pouso de emergência com os motores que sobravam.

A falta das turbinas fez com que, segundos depois, o avião atingisse o ponto crítico em que o ar sob as asas não faz pressão suficiente para garantir a sustentação. O Concorde – o mais veloz avião de passageiros do mundo – caiu sobre um hotel em Paris. Foram 113 mortos – quatro deles estavam em terra –, um hotel em ruínas, um avião destruído. E tudo começou com um pedacinho de metal de quase 0,5 metro de comprimento.

Diagnóstico: azar. Certo? Talvez não. Claro que ninguém supunha que um simples pedaço de metal poderia derrubar um avião tão moderno. Mas acidentes como esse – em que uma sucessão de pequenas falhas insignificantes dá origem a enormes catástrofes – são corriqueiros. E, segundo os pesquisadores que estudam a chamada "teoria do caos", um dos ramos mais interessantes da Matemática, tendem a se tornar cada vez mais comuns. É como se estivesse funcionando a todo momento, na vida de todos nós, a Lei de Murphy, aquela segundo a qual "se uma coisa pode dar errado, ela dará, e na pior hora possível".

RISCOS INSIGNIFICANTES TRANSFORMAM EM TRAGÉDIAS
A explicação para a prevalência cada vez maior da Lei de Murphy é que, pela teoria do caos, os riscos de que fatores insignificantes se transformem em tragédia aumentam à medida que aumenta a potência das fábricas, dos veículos e das máquinas. "Quanto mais energia você concentra em um espaço pequeno, maiores as conseqüências de qualquer ato", diz Moacyr Duarte, especialista em contenção de catástrofes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um acidente em uma fábrica no início do século XX poderia ser grave, mas não chega aos pés de um descuido em uma usina nuclear. Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si e maiores as chances de acidente.

Muitas vezes, os próprios equipamentos que cuidam da segurança aumentam a complexidade e acabam causando acidentes. Automatizar o gerenciamento de uma rede de trens, por exemplo, abre a possibilidade de as pessoas não estarem acostumadas com essas máquinas e as configurarem mal, ou de esses equipamentos quebrarem e levarem a colisões ou descarrilamentos. "É impossível eliminar todas as possibilidades de erro. O nosso trabalho consiste em reduzir o risco a níveis aceitáveis", diz o engenheiro João Batista Camargo Júnior, da Universidade de São Paulo, que pesquisa formas de evitar acidentes em redes de transportes.

PROPAGAÇÃO DE ERROS
"A idéia da propagação de erros está no centro da teoria do caos", afirma o físico Celso Grebogi, da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores mais citados no mundo nessa linha de pesquisa. A idéia é que, apesar de serem construídas com equações exatas, as máquinas sofisticadas não são tão estáveis quanto parecem. Da mesma forma que um floco de neve pode dar origem a uma avalanche, uma falha simples pode fazer um avião cair, uma fábrica pegar fogo ou uma empresa ir à falência se as condições em que ela acontecer favorecerem o desastre.

Da mesma forma, nossos equipamentos são compostos de várias partes que interagem, se movimentam e podem dar origem a momentos de instabilidade. É nesses momentos que a catástrofe fica mais próxima. As redes elétricas, que estão entre as construções mais complexas já feitas, podem absorver interferências corriqueiras como a queda de uma central. Mas, se essa falha acontecer em um momento de grande demanda, o sistema tende a chegar perto da área de instabilidade, bastando mais um empurrão para o desastre. Uma situação como essa aconteceu em janeiro, quando uma conexão entre Ilha Solteira e Araraquara, no interior de São Paulo, falhou em um momento de sobrecarga. Na tentativa de resolver o problema, outra linha na mesma região foi desligada, piorando a situação e jogando todo o sistema em uma instabilidade irreversível. Resultado: 11 Estados sem luz.

Fenômenos do mesmo tipo são encontrados em campos como engenharia, biologia, medicina, química e, principalmente, nos sistemas humanos. "Empresas e instituições financeiras são formadas por múltiplos agentes interagindo, trocando materiais e informações em uma dinâmica complexa. Às vezes, eles adquirem uma configuração tal em que basta uma fagulha para desencadear o desastre", diz o economista Thomaz Wood Jr., da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Em 2000, a euforia da internet fez a Nasdaq – o mercado de ações americano voltado para o setor tecnológico – funcionar em uma base irracional e instável. Bastou as primeiras empresas quebrarem que o mercado inteiro veio abaixo. Qual seria o responsável por um desastre como esse? "As pessoas estão acostumadas a pensar em termos de causa e efeito, mas não existe um culpado para essas situações. É uma questão de como o próprio sistema estava configurado naquele momento", diz Thomaz.

Da mesma forma, o catastrófico aumento de violência em muitas cidades não é só questão de falta de polícia, mas de uma enorme conjunção de fatores que envolve valores dominantes, educação, oportunidades, sistema legal e desigualdade social.

A dinâmica desses desastres parece desafiar a lógica da maioria das pessoas. "Quando indivíduos tentam resolver problemas complicados, trazem à tona um tipo de raciocínio que estimula erros. A partir daí, a situação se torna cada vez mais complexa e encoraja decisões que tornam as falhas ainda mais prováveis", diz o psicólogo Dietrich Dörner, da Universidade de Bamberg, Alemanha, no livro The Logic of Failure (A lógica do fracasso, inédito no Brasil). Dörner chegou a essa conclusão depois de realizar experimentos em que os participantes tentavam resolver situações complexas em jogos de computador. Em um deles, ele simulou um povo africano, os moros, que vivia da criação de gado e de plantar grãos. A situação não era boa: a mortalidade infantil era alta, o rebanho sofria de doenças transmitidas por moscas e havia seca e fome. Cada um dos 12 participantes tinha liberdade para, depois de estudar a situação, propor quaisquer soluções que achasse adequadas.

Com exceção de um, todos fracassaram. Em um primeiro momento, criaram uma rede de atendimento médico e diminuíram a mortalidade infantil; eliminaram as moscas e aumentaram a quantidade de gado; bombearam água do subsolo em grandes quantidades e enriqueceram as plantações. Depois de anos (simulados pelo computador), todas essas boas intenções tinham levado a uma catástrofe: as reservas de água se esgotaram, os rebanhos devoraram todas as pastagens e ficaram sem comida e a população, que havia aumentado muito, estava morrendo de fome.

Após dezenas de experiências semelhantes, Dörner percebeu que os maus participantes, de um modo geral, tinham uma abordagem menos complexa do sistema. Costumavam privilegiar apenas um aspecto, repetiam a mesma solução para vários problemas, não questionavam sua maneira de pensar e não analisavam as conseqüências de seus atos a longo prazo. Apesar de serem apenas simulações de computador, Dörner encontrou nelas modelos de comportamento semelhantes aos que ocorrem em catástrofes reais. "Eles aparecem especialmente em problemas como a degradação ambiental, a proliferação das armas nucleares, o combate ao terrorismo e o controle da superpopulação. Assim como na experiência dos moros, tentativas de lidar com esses perigos geralmente criam novos problemas ou exacerbam os antigos", diz Dörner.

PENSAMENTO SISTÊMICO
O pesquisador ressalta a importância de garantir a todos os envolvidos na operação de sistemas complexos uma habilidade chamada "pensamento sistêmico". Trata-se da capacidade de perceber o conjunto de elementos, em vez de se preocupar só com os mecanismos com os quais se trabalha no dia-a-dia. "Em sistemas complexos não é possível fazer apenas uma coisa, qualquer passo afetará muitos outros elementos", diz Dörner. Assim como as ferramentas evoluíram de pedaços de pedra para máquinas sofisticadas e gigantescas, o nosso comportamento precisa passar do simples raciocínio de causa e efeito para a análise de múltiplos fatores em interação. "Uma educação mais completa é fundamental para que as pessoas possam decidir que riscos são aceitáveis e quais não são", afirma Moacyr.

Uma área em que a abordagem complexa é crucial é o ambiente. Começa a ganhar força uma corrente que analisa os ecossistemas como uma mudança contínua, em que as catástrofes naturais são essenciais. "Estamos acostumados a ver os ecossistemas como a convivência de espécies em equilíbrio. Na verdade, todas as comunidades são freqüentemente assoladas por incêndios, enchentes, tempestades, terremotos ou secas", diz o ecólogo Seth Reice, da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos. Não reconhecer a importância desse tipo de interferência pode levar a desastres ainda maiores. Durante décadas, os administradores do Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos, o mais antigo parque nacional do mundo, apagaram todos os incêndios que encontraram. Acontece que, sem o fogo, que eliminava as árvores mais altas e permitia que os raios de sol chegassem às plantas rasteiras, muitas das espécies menores desapareceram.

Além disso, o fim dos pequenos incêndios fez com que uma grande quantidade de matéria orgânica se acumulasse no solo. Quando, em 1988, um grande incêndio começou, havia combustível suficiente para que ele se alastrasse por quase metade do parque. "Distúrbios acontecem e são parte do ciclo natural. A questão é ficarmos espertos e sairmos do caminho deles", diz Reice.

Ver os sistemas de forma mais dinâmica, complexa e instável é um dos fatores mais importantes para evitar acidentes. É possível, no entanto, que um novo método desenvolvido a partir da teoria do caos consiga prever catástrofes com meses e até anos de antecedência. É o que acredita o polêmico geofísico Didier Sornette, que divide seu tempo entre as universidades da Califórnia, Estados Unidos, e de Nice, na França. Seu método começou a ganhar forma em 1990, quando ele estudava a ruptura em materiais como concreto, fibras de carbono e alguns metais. Ele percebeu que os rompimentos desses materiais surgiam de minifraturas que iam aumentando e se somando devido ao tempo ou à pressão. Quando uma rachadura atingia um tamanho crítico, a liga inteira se tornava instável – da mesma forma que o pêndulo em seu ponto mais alto – e se rompia.

Sornette percebeu, então, que, antes do rompimento, as tais rachaduras liberavam sons e outras formas de energia muito sutis que se tornavam mais fortes quando se aproximavam do ponto crítico. Essas oscilações apareciam em diversos compostos, mas eram mais claras em materiais heterogêneos – em outras palavras: em sistemas complexos.

Sornette decidiu, então, buscar esses sinais em outros sistemas complexos. Conseguiu detectar oscilações parecidas em deslizamentos de terra, mesmo em registros feitos mais de um ano antes de eles acontecerem. Também encontrou-as em um dos eventos mais traumáticos por que passamos: o nascimento. Para o pesquisador, as contrações uterinas apresentam sinais matematicamente parecidos com os das rachaduras, que podem indicar a hora do nascimento e alertar partos prematuros. "Não estamos interessados em explicar todos os mecanismos por trás desses eventos extremos. Queremos apenas prevê-los", diz Sornette.

Se já parece estranho encontrar os mesmos sinais em sistemas físicos e biológicos, mais surpreendente foi vê-los em estruturas feitas pelo homem. Sornette encontrou os mesmos padrões nas oscilações dos preços nas Bolsas de Valores e afirma que suas previsões se aplicariam com sucesso para as dez maiores quedas desde 1962. Ele acredita que, com pesquisas futuras, seus métodos poderão prever desde terremotos até crises sociais, atentados terroristas e epidemias. "A idéia é ainda muito controversa, mas é possível que a maioria dos eventos extremos siga padrões semelhantes e, portanto, tenha um grau de previsibilidade", afirma.

OS ACIDENTES ACONTECEM
Mesmo que essas pesquisas não levem a previsões confiáveis, o importante é termos em mente que acidentes fazem parte do mundo e sempre acontecerão. A nossa própria evolução dependeu disso: não estaríamos aqui se um asteróide não tivesse destruído os dinossauros há 65 milhões de anos. Saber como e por que os desastres acontecem é questão de entender a dinâmica do que está ao redor e pensar nas conseqüências de cada um de nossos atos. Neste mundo complexo, cada gesto mínimo nosso implica em riscos – precisamos decidir quais são aceitáveis, já que eliminá-los é impossível.

TEORIA DO CAOS
No século XVII, Isaac Newton mudou a ciência ao descobrir que alguns fenômenos da natureza poderiam ser explicados com leis matemáticas. A partir daí, muitos pesquisadores acreditaram que as leis poderiam explicar e prever o comportamento de todos os fenômenos se fossem reunidas informações suficientes. Até que, em 1961, o meteorologista Edward Lorenz, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descobriu por acaso um dos mais importantes argumentos contra essa idéia. Ele havia programado um modelo, nos primitivos computadores da época, que simulava o movimento de ventos e de massas de ar. Um dia, quis repetir uma situação em seu programa e digitou os números correspondentes a ela, só que com algumas casas decimais a menos. Acreditava-se que essa ligeira imprecisão levaria a um resultado só um pouco diferente, mas ele se transformou totalmente. Era como se o bater de asas de uma borboleta na Ásia causasse, meses depois, um tornado na América.

Lorenz percebeu que seu modelo, embora construído com equações simples, poderia se tornar caótico e imprevisível. Nascia a "teoria do caos". Pesquisas feitas depois mostraram que o "efeito borboleta", como ficou conhecido, poderia ser encontrado em milhões de fenômenos, como o trânsito, o movimento de partículas em um líquido e as cotações da Bolsa. Cada um desses sistemas, apesar de obedecer a regras simples, pode adquirir infinitas configurações, de acordo com a influência de fatores aparentemente insignificantes – como casas decimais ou o bater das asas das borboletas. "A própria história funciona dessa forma", diz o físico Celso Grebogi, da USP. "A modificação de um pequeno acontecimento séculos atrás poderia levar o mundo para uma outra situação".

Segundo o psicólogo alemão Dietrich Dörner, operar sistemas complexos é como jogar xadrez sem saber todas as regras, em um tabuleiro com peças amarradas entre si, onde movimentar um peão muda a posição de todas as outras figuras. Ele dá as dicas de como se dar bem nessas situações:

1. Defina objetivos
Saiba com clareza o que você quer fazer. Se for algo pouco específico, como "aumentar a produtividade da empresa", procure desdobrar em outras metas, tomando o cuidado de não perder de vista o objetivo final. Evite objetivos contraditórios: saiba sempre qual deles é prioritário.

2. Crie um modelo
Estude os elementos do sistema e as relações entre eles, sem se confundir com detalhes excessivos nem reunir todos os fatores em uma explicação só. Entenda com0 o sistema funciona.

3. Faça previsões e extrapolações
Mais importante do que o estado atual de um sistema é a forma como ele tem evoluído. Uma dúzia de casos de uma doença infecciosa pode dar origem a uma epidemia em pouquíssimo tempo. Concentre-se nas tendências.

4. Planeje e execute as ações
Mas não sem antes imaginar quais serão os efeitos secundários de cada ato. Evite repetir uma solução vitoriosa para todos os casos. Os generais mais experientes foram os que mais sofreram baixas nas guerras do começo do século XX. Acostumados às guerras do século anterior, perderam todos os soldados quando a metralhadora foi inventada.

5. Analise os efeitos
Use suas ações como laboratório para saber se o modelo e a estratégia ainda são válidos. Se o trator não virou quando você girou o volante, problema: o modelo que você tinha do veículo precisa ser revisto urgentemente, antes que aquele muro chegue.
Fonte: Superinteressante – julho de 2002 - edição 178

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quinta-feira, setembro 16, 2010

Trem arrasta ônibus e mata 9 pessoas em Americana.

O acidente aconteceu por volta de 22h30 de quarta-feira, 8 de setembro, quando o ônibus, que fazia o trajeto Mathiense-Antonio Zanaga, tinha acabado de sair do terminal e ao atravessar a linha de trem foi atingido pela composição que seguia sentido Americana-Nova Odessa.

CHOQUE
O ônibus municipal da Viação VCA foi atingido em cheio pelo trem de carga e arrastado por cerca de 100 metros. O ônibus partiu ao meio e os destroços se espalharam por uma área de cerca de 100 metros.

LOCAL DO ACIDENTE
A área pela qual passa o trem é uma das mais movimentadas da cidade de Americana, município com cerca de 205 mil habitantes a 133 quilômetros da capital paulista. Ao lado da linha férrea estão lojas e casas, além de um terminal urbano de ônibus por onde passam aproximadamente 20 mil pessoas por dia.

VÍTIMAS:
O ônibus transportava 28 pessoas incluindo o motorista e o cobrador. Morreram no local do acidente nove pessoas, 15 pessoas foram levadas ao hospital, sendo três após dar entrada no Hospital Municipal da cidade morreram. Oito já foram liberadas e sete, incluindo o motorista do ônibus, ainda estão internadas.

TREM
A composição, que pertence à ALL (América Latina Logística) e levava milho, soja e açúcar ao porto de Santos, tem quatro locomotivas e 77 vagões, cada um pesando 100 toneladas.

DEPOIMENTO DO MOTORISTA
O delegado pretende indiciar o motorista do ônibus, Alonso de Carvalho, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Carvalho prestou depoimento no Hospital São Francisco, onde está internado, na sexta-feira, 10 de setembro. Ele disse que a sinalização na linha férrea foi tardia. O motorista explicou à polícia que só ouviu o apito quando o veículo estava com a roda dianteira sobre os trilhos e que não houve tempo para passar pelo cruzamento. Segundo ele, a composição que estava parada não interferiu na decisão de cruzar a linha férrea.

TESTEMUNHAS
■ Sobrevivente de uma das maiores tragédias urbana de Americana, segundo avaliação do Corpo de Bombeiros, a estudante Suelen, de 19 anos, ainda levará um tempo para aprender a lidar com o trauma do acidente que culminou na morte de nove pessoas anteontem à noite, na região central do município.
"Ainda ouço os gritos das pessoas pedindo socorro e o alarme do trem. É uma tragédia que nunca pensei em ver", afirmou. A jovem estava sentada em um dos bancos de trás do ônibus juntamente com dois amigos. Os três haviam acabado de sair da Escola estadual João 23. "O sinal estava vermelho e o trem já dava para ser visto, mas mesmo assim e não sabemos o porquê, o motorista tentou atravessar a linha férrea. De repente, o trem estava praticamente em cima do ônibus e todo mundo começou a gritar: 'O trem, o trem'", afirmou.
Suelen disse que com o impacto ela se agarrou nos bancos. "Vi aquela luz do trem em cima de mim e gritei para minha amiga: morri". O ônibus foi arrastado por cerca de cem metros. "Quando o ônibus parou só se via pertences e cacos de vidros espalhados pelo chão. Uma das portas abriu e meu amigo saiu. Logo em seguida foi a vez de uma amiga minha, depois a porta fechou", contou. Suelen e os amigos só sofreram algumas escoriações.

Também sentado na parte traseira do coletivo, o servente Adailton, 37 anos, disse que estava cochilando quando o trem atingiu o ônibus. "Acordei com o impacto e me agarrei nos bancos. Quando o ônibus parou ouvi uma mulher do lado do cobrador pedindo ajuda porque suas pernas estavam presas. Corri para ajudá-la e de repente já havia vários bombeiros", contou.

■ Um guarda municipal que prestou depoimento na quarta-feira, 15 de setembro, na Polícia Civil de Americana presenciou o acidente.Ele disse que viu o ônibus ser arrastado pelo trem, pessoas pulando para fora do veículo pelos vidros que foram quebrados e outras caindo feridas pelos lados e o ônibus sendo destroçado, conforme ia sendo empurrado pela composição férrea. O depoimento do guarda, Bonifácio Santana Filho, foi avaliado pela equipe do 1º Distrito Policial como o mais importante. Prestaram depoimento também dois policiais militares, que atenderam a ocorrência, mas chegaram a linha férrea às 0h20, quando já havia várias viaturas e as vítimas estavam sendo socorridas.

O guarda municipal Bonifácio tem posto de trabalho no Terminal Urbano e no dia do acidente iniciou sua jornada de trabalho por volta das 22h50. Ele disse que por volta das 22h50 viu um trem que vinha no sentido Centro-Interior e parou na estação ferroviária. Em depoimento, o guarda disse que estava ao lado do posto de serviço e notou que um ônibus passou no terminal e saiu de lá por volta das 23h20, após o mesmo descarregar e pegar passageiros. O veículo 141 saiu e poucos instantes depois ouviu o alerta da passagem de nível avisando que o trem estava se aproximando. Ele afirmou que ouviu uma buzina de trem se aproximar e acredita que era da composição que estava parada no sentido Capital-Interior.

Em seguida, o guarda que ouviu outra buzina mais distante, que acredita que seria do trem que seguia no sentido Interior-Capital. O guarda civil disse que logo depois ocorreu o estrondo e viu fagulhas vindo da passagem de nível. Ele acreditou ser da rede elétrica ou um trem descarrilado.
"Temeu que os vagões poderiam vir em sua direção e correu mais adiante no terminal. Logo depois ouviu vários gritos e pedidos de socorro e viu fagulhas. Pensou ser algum trem que poderia ter atingido o ônibus", consta no depoimento de Bonifácio.
Ele disse ter se aproximado do alambrado ao lado do posto da guarda e de lá viu o ônibus sendo empurrado pelo trem. Bonifácio foi quem telefonou para a Guarda Municipal solicitando apoio. O guarda municipal declarou na polícia que o "motorista não respeitou a sinalização sonora e luminosa".

AVISO DE PASSAGEM DE TREM
A ALL informou que quando o maquinista estava a 200 metros do cruzamento onde ocorreu o acidente ele acionou a buzina da locomotiva e mais três silvos em seguida. Segundo a empresa, quando o trem estava a 15 metros da passagem de nível o ônibus avançou sobre os trilhos e não houve espaço suficiente para frear a composição a tempo de evitar a colisão.
O maquinista ao avistar o ônibus acionou o botão de emergência que leva 500 metros para parar totalmente o trem. Como a distância era de 15 metros mesmo o trem trafegando a 30 quilômetros por hora se chocou contra o ônibus, que ainda bateu na composição que estava parada no pátio de manobras ficando completamente destruído.

SINALIZAÇÃO DO LOCAL
A ALL (América Latina Logística) defende que o ônibus atravessou a passagem de nível sem parar, no momento do cruzamento entre os trens, e que "testemunhas que presenciaram o acidente informam que a sinalização sonora e luminosa do cruzamento estava acionada, alertando para a preferencial e passagem do trem, mas não foi respeitada pelo motorista".
A empresa disse, em nota, que o maquinista seguiu os procedimentos de segurança e acionou a buzina e os freios da composição, "mas não foi possível parar a tempo de evitar a colisão, uma vez que o trem leva mais de 500 metros para parar totalmente após o acionamento da frenagem".
Segundo a ALL, o Código Nacional de Trânsito dá sempre preferencial à linha férrea e transpô-la é considerado infração gravíssima.

INQUÉRITO
Laudo sobre acidente deve sair dentro de 30 dias. A análise preliminar do IC (Instituto de Criminalística) aponta que o motorista se confundiu ao tentar atravessar a passagem de nível da Rua Carioba, já que um outro trem estava parado no local. O perito chefe da Polícia Técnico-Científica de Americana, Edvaldo Messias Barros, acredita inicialmente que o motorista viu a locomotiva parada e pensou que a sinalização se referia a este trem, não notando um segundo trem que se aproximava. Edvaldo esteve no local do acidente e fez a perícia técnica.

Fonte: O Liberal, Americana, 09 de setembro a 16 de setembro de 2010

Comentário:

O QUE DIZ AS NORMAS
■ A norma 215 do Regulamento Geral de Operação Ferroviária, deve-se tocar a buzina da locomotiva antes de iniciar a movimentação, ao se aproximar de túneis, viadutos ou de uma passagem de nível. No caso de cruzamentos, é preciso começar a tocar a buzina a não menos de 200 metros do local.
Considerando que são poucos os motoristas que cumprem a lei de trânsito e param antes de cruzar a linha férrea, a buzina passa a ser um instrumento imprescindível na passagem do trem.
■ Código de trânsito - Art. 212 - Deixar de parar o veículo antes de transpor linha férrea: Infração - gravíssima; Penalidade - multa.

As falhas humanas são as principais causas dos desastres. Nesse cenário de acidente, poderemos indagar, como é simples parar num cruzamento ferroviário ou numa rua ou avenida, olhar para os lados e seguir em frente. Mas existe outros fatores que envolvem nesse ato simples de parar, tornando-o mais complexo, o comportamento humano.
O comportamento humano nem sempre é constante e racional, e, portanto não segue padrões rígidos pré-estabelecidos. Nesse caso, à noite, depois de várias viagens, o motorista deve pensar, um trem de carga aproximando, vou perder muito tempo aqui, ele faz a avaliação se deve cruzar a linha ou não. Mas no local tinha um fator de risco adicional um trem parado, ele deve ter confundido quais dos trens estava sinalizando, quando percebeu já era tarde. Um trem com 4 locomotivas e 77 vagões, com quase 900 m de comprimento, com velocidade de 20 km/h. Quanto tempo o trem levará para passar o cruzamento? De três a quatro minutos. Ele pensou vou perder esse tempo esperando e fez a avaliação, pensou que iria dar para atravessar o cruzamento e houve a colisão.

Entre as falhas humanas, as principais são; deficiência de julgamento, aspectos psicológicos e indisciplina.

Nos Estados Unidos, as estatísticas mostram que aproximadamente a cada duas horas ocorre um acidente de trem em que um pedestre ou veículo é atingido por um trem. Em 2007, houve 13.067 acidentes ferroviários relacionados, de acordo com a Agência Americana Federal (Federal Railroad Administration Office). Estes acidentes resultaram em 851 mortes e 8.801 acidentes não fatais. Das mortes, 338 ocorreram em passagens de nível de estrada e 473 foram resultado de cruzamento de nível em regiões urbanas.
As estatísticas mostram que as lesões de acidente ferroviário em 2007, 1031 aconteceu em passagens de nível da estrada e 398 das lesões ocorreu em cruzamentos em regiões urbanas.

As principais causas de acidentes e de descarrilamentos, que resultaram em mortos e feridos em 2007 foram:
■ Fatores Humanos, 38,2% dos acidentes ferroviários;
■ Defeitos de linha férrea - 34,94% dos acidentes ferroviários;
■ Várias causas - 12,81% dos acidentes ferroviários;
■ Equipamentos com defeitos - 12,27% dos acidentes de estrada de ferro, e
■ Sinalização com defeitos - 1,76% dos acidentes de estrada de ferro.

De janeiro a março de 2008, houve um número recorde de acidentes ferroviários. Estes acidentes feriram quase 2.000 pessoas e 200 vítimas fatais. Mais da metade desses acidentes ferroviário foram causados por colisões em cruzamentos ou passagem de nível e mais de 60 por cento das lesões foram sofridos por trabalhadores da ferrovia.

As vítimas de acidentes ferroviários sofrem lesões semelhantes aos acidentes rodoviários. Lesões comuns, como resultado de acidentes ferroviários incluem trauma craniano e lesões na medula espinhal, concussões e lesões na cabeça, entorses, fraturas, escoriações, queimaduras e lesões de tecidos moles e internos.

Vídeo:
Colisao: Americana


Vídeo:
Mostra que a maioria dos veículos e pessoas não obedecem a sinalização e aproximação do trem


Vídeo:
Recomendações de segurança para travessia de linha férrea
Regras de travessia de linhas férreas:
■ Sempre assumir que um trem está vindo
■ Nunca deve tentar dirigir ou contornar uma cancela abaixada.
■ Nunca tenta atravessar a ferrovia antes do trem
■ Nunca deve atravessar a linha férrea sem espaço suficiente para travessia
■ Prestar atenção para um segundo trem
■ Atravessar a linha férrea nos locais indicados
■ Permaneça fora das pontes e túneis da linha férrea
■ Se o veiculo parar na linha férrea, saia imediatamente e peça ajuda.

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terça-feira, setembro 14, 2010

Choque? Ar seco?

Com a baixa umidade, a simples tarefa de abrir a porta do carro se transforma numa aventura temerosa. Você encosta na maçaneta e aquela sensação de choque, parece que enfiou o dedo na tomada.

ACÚMULO DE ESTÁTICA
Quando andamos, dirigimos ou fazemos qualquer movimento de atrito entre duas superfícies, produzimos energia eletrostática. Normalmente, essas cargas, que podem ser positivas ou negativas, dependendo do material, passam rapidamente do corpo para o ambiente, conduzidas principalmente pelas gotículas de água no ar. Quando o tempo fica seco, entretanto, essas partículas se acumulam. E, no momento em que tocamos em algum material condutor, como o metal do carro, essa energia é transferida numa descarga elétrica.

"O choque é uma transferência de cargas. Cria-se uma corrente entre a pessoa e a superfície", explica a física Márcia Fantini, da Universidade de São Paulo (USP). A criação dessas cargas não envolve nenhum fenômeno complexo. O simples raspar das roupas ao caminhar ou o atrito com o banco e o carpete do carro já são suficientes. No inverno, há também os agasalhos, gorros e cachecóis, que produzem energia com facilidade. Em geral, quanto mais sintético o tecido, maior seu potencial eletrostático.

CONDIÇÕES DO AMBIENTE E VESTUÁRIO
O fato de uma pessoa levar ou não um choque, portanto, depende das roupas que ela usa e das condições do ambiente em que está naquele momento. Segundo o engenheiro e físico Fernando Araújo-Moreira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), não há maneira prática de prever ou evitar as descargas. "Você teria de usar roupa 100% algodão, ou estar o tempo todo descalço", brinca o pesquisador.

Os sapatos com sola de borracha, no caso, impedem que a energia acumulada seja transferida para o solo. Na dúvida, pode-se fechar a porta do carro com o pé. "Não cheguei a fazer isso, mas já pensei duas vezes antes de encostar na porta", diz Mariangela.
Os choques não oferecem perigo, mas são mais poderosos do que se imagina. Dependendo da umidade do ar, podem chegar a 1.000 volts. Compare isso a uma tomada, de 110 ou 220 volts. A sorte, explica Araújo-Moreira, é que a descarga dura apenas alguns microssegundos. "É uma corrente muito intensa, mas muito curta."

FAÍSCAS
Às vezes, a descarga é tão intensa que produz um estalo, luz e até faíscas. Tanto que algumas salas cirúrgicas, repletas de oxigênio e outras substâncias inflamáveis são feitas com um piso especial condutor, para evitar que um choque acabe causando um incêndio. "Estamos falando de uma faísca completa, igual à de um isqueiro", diz o professor Ruy Alberto Corrêa Altafim, da Escola de Engenharia da USP-São Carlos. Uma alternativa mais simples, segundo ele, é umedecer o ambiente borrifando água no carpete, por exemplo.

CONTATO ENTRE PESSOAS
É comum também choques ocorrerem no contato entre pessoas, quando uma está com carga eletrostática diferente da outra. Especialmente quando se passa 15 horas por dia na frente de um computador, como o webdesigner Pérsio Toledo. A eletrostática do carpete e das roupas, mais a emitida pela máquina, já lhe rendeu vários choques aos cumprimentar amigos. Além de duas placas de vídeo queimadas. "Para mim, não tem tempo seco. É qualquer época do ano."
"Uma vez entreguei a chave para o frentista no posto e ele deu um pulo para trás", conta a engenheira Mariangela Carnevale. "Era um dia em que o carro estava dando muito choque."
Mais provavelmente, era Mariangela quem estava dando um choque no carro. O fenômeno é mais comum nesta época do ano por causa da falta da umidade no ar.

Eletrostática
Durante o tempo seco, partículas eletrostáticas que normalmente se dispensariam pela umidade do ar, ficam acumuladas no corpo, causando choques.
■ O atrito entre superfícies quando alguém anda ou dirige, pelo próprio raspar das roupas ou pelo contato com o banco do carro, cria um acúmulo de cargas no corpo. Elas podem ser positivas ou negativas, dependendo do material.
■ Quando se toca em algum objeto metálico, material condutor, como o metal da porta do carro ou maçanetas, ou mesmo em outra pessoa com um potencial elétrico diferente, ocorre uma transferência de cargas; ou seja, uma descarga elétrica, que acarreta um choque.
Fonte: O Estado de São Paulo

Comentário:
No Sudeste e em grande parte do Centro-Oeste o ar continua muito seco e mantém os índices de umidade abaixo de 20%.
O Mato Grosso do Sul registrou na segunda-feira, 13 de setembro, 6% de umidade relativa do ar. Segundo a Estação Meteorológica da Anhanguera/Uniderp, o índice de emergência é considerado o menor da história no estado e foi registrado em São Gabriel do Oeste e Jaraguari. Em Campo Grande, a umidade ficou em 11%..
A combinação baixa umidade e calor elevam risco de queimadas no meio ambiente (matas, florestas, etc) e no ambiente industrial, favorece riscos de incêndio e explosão, principalmente em indústrias que fabricam ou manipularam inflamáveis, em indústrias com concentração elevada de poeira e geração de estática, etc.
Em geral as indústrias que processam produtos que em alguma de suas fases se apresentem na forma de pó, acúmulo de estática, aterramento inadequado são indústrias de alto potencial de risco quanto a incêndios e explosões, com baixa umidade.
A Defesa Civil alerta ainda às pessoas para que não coloquem fogo em terrenos baldios e vegetação seca, pois a baixa umidade relativa do ar pode aumentar as chances de incêndio nas pastagens e florestas. Além de destruir a fauna e a flora, o fogo provoca o empobrecimento do solo e pode propagar-se em direção a indústrias, estabelecimentos comerciais e centros urbanos.

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sábado, setembro 11, 2010

Síndrome da Visão do Computador atinge cada vez mais adultos

O distúrbio ainda costuma ser ignorado nos consultórios, mas muitas pessoas estão com cada vez mais dificuldade de enxergar a uma distância média, cada vez mais pelos olhos por causa das novas tecnologias, como mostra reportagem publicada no "The Wall Street Journal"'.

Cerca de 80% dos adultos passam mais de três horas por dia em frente ao computador. Outros ainda usam notebooks, smartphones, videogames portáteis e tablets como o iPad, e acabam exigindo ainda mais dos olhos.

"Um bom oftalmologista conseguirá avaliar suas necessidades diárias e receitar uma boa lente para corrigir o problema "

O oftalmologista americano Jeffrey Anshel, presidente da Corporate Vision Consulting, alerta que o excesso de informação e de novas tecnologias está piorando nossa visão.

Um número crescente de americanos tem procurado os consultórios com queixas típicas da síndrome da visão do computador, caracterizada por dores de cabeça, vista embaçada, cansaço ocular e dores no pescoço. Os sintomas atingem 90% das pessoas que passam mais de três horas por dia em frente ao computador, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional dos EUA.

No entanto, os exames oftalmológicos ainda focam nos principais problemas de visão, como a miopia e a vista cansada. E como ainda não existem padrões para medir a nova síndrome, os médicos acabam buscando suas próprias maneiras de diagnosticar o distúrbio.

Para a maioria das pessoas que já usa óculos, diminuir os sintomas da síndrome não é fácil. Quem usa lentes bifocais, por exemplo, costumam ter problemas para manter o foco. Há também aqueles que precisam de várias receitas, e deixam os óculos com os graus diferentes em locais estratégicos em casa ou no trabalho.

Até mesmo quem não usa óculos pode estar prejudicando a visão ao ficar horas no computador. A médica Rachel Bishop, do Instituto Nacional do Olhos dos EUA, afirma que as pessoas podem não perceber, mas estão forçando a vista quando estão em frente à tela.

- Estas pessoas provavelmente vão se beneficiar enormemente de um par de óculos, mesmo achando que não precisam de lentes corretivas - acredita.

Um forma de minimizar o problema é criar momentos de descanso ao longo de cada hora no computador e lubrificar os olhos com frequência, piscando ou com colírios tipo lágrima. Ajustar o monitor também ajuda, diz Bishop.

- Um bom oftalmologista conseguirá avaliar suas necessidades diárias e receitar uma boa lente para corrigir o problema, se for necessário - completa.

Fonte: Globo Online - 18 de agosto de 2010

Comentário:
As novas tecnologias não apenas tornam a vida mais fácil, mas também produzem ou antecipem doenças aos usuários precocemente, tais como;
■ Problema de visão
■ Problema de Coluna
■ Sedentarismo
■ LER (lesão de esforço repetitivo)
Hoje em dia, as pessoas já não conseguem passar um minuto sequer sem o celular, sem o computador, sem a internet. Pessoas viraram reféns do mundo moderno e do trabalho.

Abaixo seguem 22 dicas do site The Lighting Blog para diminuirmos os sintomas citados acima:

1- O usuário deve ficar alguns minutos longe do computador e fora da mesa de trabalho, se possível, a cada hora.
2- Caso não possa deixar a mesa, é recomendável inclinar-se para trás, fechar os olhos e relaxar por alguns minutos.
3- Sugere-se separar trabalhos auxiliares para realizar durante estas pausas.
4- São muito proveitosos exercícios de alongamento com movimentos próprios para execução em ambiente de escritório, recomendados pela Clínica Mayo (atalho tinyurl.com/2wdwst).
5- Iluminações e brilhos que emanam de trás do monitor entram em contato direto com os olhos. Se houver opção, o mais recomendável é usar lâmpadas de mesa que fiquem em qualquer dos lados da área de trabalho. O monitor produz sua própria luz, de modo que o usuário apenas necessita ajustar a luz indireta ao redor de si.
6-Caso o local de trabalho seja próximo a uma janela por onde entre muito sol, é conveniente ajustar cortinas ou persianas para que as luzes não interfiram diretamente no monitor.
7- Evitar trabalhar em locais demasiado escuros, pois o monitor parecerá um farol no meio da escuridão. Os olhos terão de fazer força para enxergá-lo, por conta do contraste entre a ausência e a presença de luz intensa ao mesmo tempo. Se não há maneira de evitar, deve-se diminuir a luminosidade da tela. Isso permitirá um razoável conforto, mas, mesmo assim, em determinado momento os olhos vão se irritar.
8- Caso o usuário pretenda realmente se livrar do cansaço visual e necessite de luzes apropriadas para sua casa ou local de trabalho, existem lojas especializadas em iluminação de alta qualidade que podem se adequar ao padrão de cada um.
9- Plantas naturais no local de trabalho não só tornam os espaços mais úmidos, como também reduzem a poeira e outras partículas que poderiam irritar os olhos.
10- Alguns produtos naturais também podem ser úteis para aliviar olhos secos, que são uma das maiores reclamações entre usuários de computadores.
11- Monitores CRT convencionais (de tubo de imagem) podem ter sua intensidade regulada para reduzir o cansaço visual. Além disso, a taxa de “refresh” pode ser ajustada, melhorando a qualidade de vídeo e o conforto visual.
12- Modelos de tela plana valem o investimento, pois oferecem visualização melhor que as telas curvas. Além de maior qualidade visual, os monitores CRT de tela plana oferecem melhores taxas de refresh, além de ajustes mais ricos de contraste e cor. Muitos escritórios vêm optando por telas LCD por razões ergonômicas e de economia de energia. O mais importante é que a resolução da tela de LCD também reduz o cansaço visual.
13- Vale a pena investir em um laptop. Os modelos variam de 10 a 19 polegadas, possuem boa definição gráfica, cores profundas, contraste e várias formatações ajustáveis. É preciso comparar e determinar qual o que melhor se encaixa às necessidades e ao orçamento de cada usuário.
14- É necessário configurar adequadamente os elementos gráficos do computador para maximizar o conforto visual. Configurações são totalmente subjetivas e, por isso, laptops podem requerer freqüentes ajustes dependendo da luz e de outras variáveis do ambiente em que se encontram.
15- Tamanhos de fonte também podem ser ajustados para facilitar a leitura. Caso seja necessário se inclinar em direção à tela para ler o texto, é melhor aumentar um pouco o tamanho das letras. De acordo com a Clínica Mayo (atalho tinyurl.com/yp5uqh) “fontes pequenas podem causar aumento de pressão e de estresse visual”.
16- Optometristas recomendam que o monitor esteja a uma distância entre 50 e 70 cm dos olhos, aproximadamente à distância de um braço esticado.
17- Filtros e escudos anti-brilho para monitores podem ser de vidro óptico ou polarizado, servindo para telas CRT, telas planas ou laptops. Pode-se ainda optar por coberturas anti-estáticas, que repelem poeira.
18-Pessoas que trabalham com entrada de dados e assistentes administrativos usualmente convertem dados de documentos para bancos de dados eletrônicos. Recomenda-se a estes profissionais o uso de braçadeiras mecânicas para segurar o documento que está sendo digitado, mantendo-o a uma distância dos olhos igual à que separa os olhos do monitor, pois isso causará menor cansaço visual.
19-Programadores trabalham intensamente com linguagens de computador em que, às vezes, são utilizados muitos símbolos com configurações visuais complicadas. Em casos assim, é preferível que se utilize fontes simples, tais como Courier e New Courier.
20- Diretores de arte e webdesigners precisam de maiores resoluções gráficas de monitor para seus trabalhos. Devem, portanto, ajustar a configuração de vídeo para aliviar seus olhos. Usuários de Windows com monitor LCD, devem habilitar o ClearType, ferramenta para melhoria na resolução da imagem. O site de suporte da Microsoft traz instruções sobre como aprimorar as fontes de tela..
21-É importante fazer exames de vista regulares. De acordo com a Associação Norte-Americana de Optometria, adultos com mais de 40 anos deveriam fazer exames a cada três anos. De 40 a 60, a cada dois; e com mais de 60, a cada ano. Se o usuário tiver tendência a apresentar problemas de vista, ou se trabalhar com uma demanda diária muito pesada, então deveria fazer exames mais regularmente.
22- Outra opção são óculos de descanso para uso enquanto se trabalha no computador. São uma boa alternativa para atenuar o cansaço visual, mas seu uso é individual e requer recomendação médica.
Vídeo:

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quarta-feira, setembro 08, 2010

Explosão mata soldador

O soldador Vanderlúcio de 40 anos, morreu na tarde de terça-feira, 31 de agosto de 2010, quando começou a soldar uma carreta tanque com capacidade de 35 mil litros, que explodiu. O acidente ocorreu na região pólo da Petrobras, no Jardim Novo Mundo, em Goiânia.

CONSEQÜÊNCIA DA EXPLOSÃO
■ Pedaços da carreta atingiram um raio de 450 metros da empresa Rodobem , que atua na manutenção de caminhões.
■ Na empresa de José Mariano Alves, que fica em frente ao local, uma chapa de mais de cem quilos atingiu pedaço do telhado do escritório. Muitas telhas e madeiras da entrada do local desabaram. José estima que o prejuízo foi de aproximadamente R$ 5 mil. Ele relata que todas as vidraças de um galpão a 450 metros do local do acidente quebraram.
■ Na casa do pedreiro Fábio, que mora a 400 metros da empresa, um estilhaço de aço de aproximadamente 40 centímetros caiu na quina do telhado e 20 telhas quebraram. Ele afirma que ninguém se machucou com a lataria. “Com a explosão, o chão tremeu e chegou a balançar as árvores”, relatou.

VÍTIMA
Segundo o comandante do Policiamento Urbano da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), tenente Cleiton Pereira Lopes, no momento que o funcionário encostou o equipamento de solda no meio da carreta, ela explodiu.
O corpo da vítima ficou dilacerado com o impacto da explosão. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros Eduardo Campos Cardoso, quando o resgate chegou, a vítima não apresentava resquícios de vida. “Não havia osso por completo no corpo”, relata.

CAMINHÃO TANQUE
Os bombeiros afirmaram que a carreta estava carregada com gasolina do tipo Podium, que é mais volátil. O tenente Cardoso explica que para o procedimento de solda nesse tipo de recipiente deve fazer vaporização ou exaustão para retirar todo o vapor existente. “O vapor, nesse caso, é mais perigoso que o líquido. Não posso dizer que não foi feito o procedimento”, ressalta. O teto do galpão onde o tanque estava também ficou destruído, mas o cavalo que o tanque estava engatado não sofreu avarias. A intensidade da explosão foi tão forte que o tanque rasgou como um papel.

A EMPRESA
A empresa Rodobem não quis se pronunciar. O tio de Vanderlúcio, Antônio Batista da Silva, 56, conta que a vítima era casado e tinha três filhos.

Fonte: Hoje - 01 de setembro de 2010

Comentário:
Nos cursos de soldagem ou de soldador, a noção de segurança é específica para procedimentos de operação de soldagem e pessoal. O ambiente onde será executada a operação não há uma ênfase dos prováveis riscos que poderão incidir na operação de soldagem. O soldador deveria ter essa noção para exigir procedimentos de segurança em tambores, equipamentos, tanques que tem resquícios de líquidos inflamáveis ou a atmosfera explosiva.

O vapor residual de uma pequena quantidade de líquido é apenas suficiente preencher o tambor ou tanque com uma mistura explosiva de ar e de vapores inflamáveis.

Limpeza e reparos de tanques e equipamentos utilizados com inflamáveis:

Preparação de tanques e equipamentos

A limpeza do tanque e do equipamento deve estar a cargo de pessoal perfeitamente treinado, que esteja perfeitamente familiarizado com todos os riscos e salvaguardas necessários para a execução do trabalho com segurança.

Os tanques e o equipamento, bombas, linhas e válvulas devem ser sempre drenados e completamente lavados com fluxos de água antes de serem reparados. Os operários nunca deverão ser autorizados a fazer reparos em equipamentos enquanto os mesmos estiverem em operação e com as tubulações cheias. Deve ser verificado se todas as fontes de ignição foram eliminadas das cercanias do tanque.

Se seções da tubulação são para serem removidas e os flanges abertos, os parafusos inferiores devem ser afrouxados inicialmente e, embora as linhas tenham sido escoadas, todo o cuidado deve ser tomado para evitar o contato pessoal com o líquido drenado ou com o gotejamento oriundo do equipamento. Todos os respingos ou vazamentos devem ser removidos imediatamente através de lavagem com grandes quantidades de água na direção dos drenos adequados.

O tanque ou equipamento a ser reparado deve ser inicialmente esvaziado de todo o líquido e todas as tubulações chegando ou saindo do tanque (exceto respiradouros) após a drenagem, devem ser desconectadas ou bloqueadas.

O tanque deve ser limpo com vapor para a remoção residual do inflamável e de seus vapores. O fluxo e temperatura do vapor devem ser suficientes para elevar a temperatura do tanque acima da temperatura de ebulição do inflamável e a vaporização deverá ser continuada até que os vapores do inflamável tenham sido removidos. O tanque deve depois ser resfriado, preferivelmente enchendo-o de água e drenando-o uma ou duas vezes. O tanque deve ser depois limpo com ar fresco e o ar deve ser testado quando à presença de vapores do inflamável, por um método aprovado, antes de se permitir à entrada do pessoal. As linhas de vapor e água devem estar aterradas para evitar-se o acúmulo de eletricidade estática.

Entrada no tanque
■ Ninguém deve estar no tanque ou em espaço confinado até que uma permissão para o trabalho tenha sido assinada por pessoas autorizadas, indicando que a área foi testada e julgada segura. Além do mais, nenhum operário deve entrar num tanque ou recipiente que não tenha uma abertura de saída suficientemente larga para passar uma pessoa usando dispositivos de segurança, para efetuar um resgate através de cordas e equipamento respiratório de emergência. Deve ser verificado se o tanque ou recipiente pode ser abandonado pela entrada original.
■ Um elemento do lado de fora do tanque manterá os demais dentro do tanque, sob observação e outro elemento deve estar disponível por perto para prestar ajuda no resgate de algum outro, caso isto seja necessário.
■ Uma máscara respiratória com suprimento de ar ou máscaras autônomas, juntamente com equipamentos de resgate, devem estar sempre localizados do lado de fora da entrada do tanque, para serem usados em operações de resgate, qualquer que seja o tipo de equipamento respiratório utilizado pelo pessoal no interior do tanque.
■ Ventilação especial é recomendada durante todo o tempo que os homens estiverem limpando, reparando ou inspecionando o tanque e pode ser feita por exaustão ou remoção de vapores do fundo do tanque, seja através das aberturas do fundo ou por meio de exaustão através de tubos grandes flexíveis, quando os tanques tiverem apenas aberturas no topo. Os ventiladores ou aparelhos supridores de ar usados para a ventilação, necessária para evitar qualquer deficiência de oxigênio, deverão ser à prova de centelhas, devidamente revisados para se evitar atritos e aterrados. Nos tanques contendo só uma abertura no topo, deve-se tomar cuidado para se ter certeza da completa remoção dos vapores de todo o tanque. Também se deve tomar cuidado para evitar que os gases de exaustão reciclem para o interior do tanque.
■ Durante o curso do trabalho, testes freqüentes deverão ser feitos para determinar se a atmosfera do tanque está sendo mantida dentro da faixa de segurança. Esta precaução é necessária porque resíduos não completamente removidos pela lavagem podem recontaminar a atmosfera do tanque.
■ Em todos os casos, se o trabalho de reparo é interrompido, a atmosfera do tanque deve ser verificada completamente e emitida uma nova permissão de trabalho antes de se reassumir o serviço.
■ Se um funcionário limpador ou reparador de um tanque sentir-se mal, ele deve ser resgatado para se ministrar imediatamente os primeiros socorros.

Trabalho de reparos
■ O reparo externo do tanque, incluindo aqueles em serpentinas de vapor, corte, rebitagem e solda, deverão ser permitidos somente depois de perfeita limpeza e testes do tanque para se certificar de que o mesmo está livre de vapores e após ter sido emitida uma permissão de trabalho por pessoa autorizada. Devem ser feitos testes repetidos através de indicadores de gás adequados, quanto à presença de vapores inflamáveis e conteúdo de oxigênio, para a inteira proteção dos operários.
■ Toda solda externa ou combustão nos tanques ou equipamentos que tenham contido um inflamável, deverão ser feitas somente após tais recipientes terem sido completamente limpos com vapor. A limpeza deverá continuar enquanto prosseguir o trabalho de reparos. Encher tanques vazios limpos com gás inerte é outro método que poderá ser usado em solda ou combustão externa.
■ Em todos os casos, se o serviço de reparo for interrompido, a atmosfera do tanque deverá ser verificada completamente e uma nova permissão de trabalho deverá ser emitida para o reinício das operações.

Fontes: Folheto de Informações de Segurança n° 502 -Limpeza e Reparos de Tanques e Equipamentos Utilizados com Inflamáveis – CNS- IMBEL e Faculdade de Engenharia de Química de Lorena

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domingo, setembro 05, 2010

Acidente de trabalho causado pelo celular

Três operários caíram em uma tubulação no Bom Retiro, região central de São Paulo, no sábado, 4 de setembro. Bombeiros foram chamados para fazer o resgate dos homens.

Foto: A seta indica o tubulão, onde os trabalhadores entraram para pegar o celular

Dois deles foram retirados da tubulação de concreto ainda conscientes. Um foi atendido na Santa Casa; o outro, no PS Santana. O terceiro operário saiu desacordado e foi levado pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, para o Hospital das Clínicas.

O canteiro de obras onde os operários trabalhavam faz parte de um novo viaduto na Marginal Tietê. Após o acidente, a área teve de ser isolada.

Causa do acidente
A Dersa, que gerencia a obra, informou que o acidente aconteceu após o aparelho celular de um deles cair no tubulão. Ao tentar pegá-lo lá dentro, sentiu­‑se mal. Os outros dois foram ajudá‑lo.
Fonte: G1 SP-04 de setembro de 2010

Comentário:
O perigo de uso de celular em atividades não condizentes com os serviços. Os profissionais de segurança devem analisar os riscos de uso de celulares em áreas não apropriadas para sua utilização.
Veja esse caso, os custos envolvidos nesse resgate:
■ Custo dos bombeiros envolvidos nesse resgate. Acidente causado por imprudência
■ Custo do helicóptero. O custo mínimo de hora de helicóptero, cinco mil reais a hora.
■ Custo de atendimento dos hospitaisEsse acidente ocorreu na cidade de São Paulo que tem os recursos necessários para esse tipo de resgate e atendimento de emergência.
Um alerta para proibição e uso de celulares em canteiros de obras ou nas indústrias.

Imagina numa fábrica em que todos os trabalhadores utilizam celulares durante as atividades, alguns trabalhadores trabalhando em áreas de riscos, outros necessitando de concentração, o celular toca o trabalhador atende e quando retorna ao trabalho sofre um acidente ou provoca um acidente com a máquina, por falta de atenção ou cuidado.
Quando a pessoa atende a chamada telefônica, ela fica alheia à situação do risco do local e continua falando apesar do perigo, existente no local. A mente entra em stand-by em relação ao perigo e processa as informações da conversação telefônica.

O que está acontecendo normalmente em trânsito, motorista conversando no celular e provocando acidente por desatenção, descuido, etc., chegou ao ambiente de trabalho, principalmente no ambiente de produção, construção civil, onde predomina áreas de risco.

DADOS CONCRETOS SOBRE CONVERSAÇÃO NO CELULAR E SUAS CONSEQÜÊNCIA NO TRÂNSITO QUE SERVE PARA ANÁLISE NA ATIVIDADE DE RISCO;
■ Pesquisa realizada no Canadá demonstrou que o número de acidentes acontecido durante ou imediatamente após uma conversa ao telefone foi mais de quatro vezes maior do que o esperado na direção normal de veículos, bem como que os motoristas mais jovens têm maior tendência a vivenciar problemas nessa situação do que os mais velhos.
■Ao desligar o celular, a pessoa pode ficar remoendo o teor da conversa e, sem ter ninguém para confortá-lo, pode até causar um acidente como reação ao que acabou de ouvir.

Portanto, dependendo do assunto tratado ao telefone, a pessoa pode ter várias reações que irão refletir na segurança e responsabilidade, tais como; descarga emocional que acompanha o conteúdo do assunto tratado no momento da conversa, choro, agressividade, aumento da irritação e da tensão interna, a euforia e o entusiasmo.

Algumas dessas descargas quando vêm espontaneamente do Sistema Nervoso Autônomo, levam a pessoa tomar atitudes impulsivas. A sensação de impotência diante do desconhecido e a impossibilidade de uma tomada de decisão imediata provocam na pessoa um quadro de extrema angústia.

Fatores cognitivos – destaca as alterações de atenção causadas pela simples tarefa de elaboração e compreensão das frases, audição do que é falado e do toque do telefone, além do aspecto motor da fala que alteram comprovadamente a atividade cerebral quando realizadas em conjunto com outras tarefas complexas, como dirigir, trabalhar.

De acordo com estudos americanos, o cérebro parece ter uma capacidade finita de espaço para atividades que exigem atenção. Esta conclusão se baseia em observação de Ressonância Magnética (RMN) das atividades cerebrais das pessoas enquanto executam uma tarefa complexa, em comparação à execução de duas tarefas ao mesmo tempo. Nas pessoas que dirigem em trânsito pesado e usam celulares, demonstrou-se que a atividade cerebral não duplica e sim sofre um decréscimo.

Observação inadequada e falta de atenção são dois dos principais fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes automobilísticos. Não há nada que se possa fazer ao telefone para diminuir o efeito perturbador que uma simples conversa telefônica parece exercer sobre os efeitos perceptivos e nem se consegue programar conversas telefônicas, caracterizando-se em tarefa de percepção imprevisível.

A distração que resulta de conversas telefônicas é muito influenciada pela natureza da própria conversa, particularmente quando essa conversa demanda atenção. Uma conversa de negócios intensa pode distrair o motorista a ponto de o mesmo ignorar os potenciais sinais de perigo no trânsito.

Os motoristas precisam focar sua atenção exclusivamente nas ruas e nas estradas. Precisam evitar conversas complicadas e emocionadas e principalmente não fazer uso do telefone celular enquanto dirigem, ainda que através de fones ou “viva voz”.

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quinta-feira, setembro 02, 2010

Salmão é geneticamente alterado nos Estados Unidos


FDA decidirá se salmão transgênico pode ser consumido nos EUA
No dia 19, agência dará início a reunião de três dias para discutir aprovação do 'AquAdvantage'


Foto:Uma espécie de salmão de águas atlânticas foi geneticamente alterada para gerar indivíduos maiores. Na imagem, o peixe ao fundo foi manipulado no AquaBounty Technologies. O salmão alterado possui quase o dobro do comprimento do original. A agência norte-americana para controle sanitário irá decidir se consumo do peixe será autorizado. (Foto: REUTERS / Barrett & McKay Photo / AquaBounty Technologies / Handout)

As Autoridades de saúde americanas devem decidir se um salmão geneticamente modificado, que cresce mais e mais rápido que os naturais, pode ser liberado para o consumo nos Estados Unidos. Se a decisão for favorável, esse será o primeiro animal transgênico presente à mesa da população no país.
No dia 19 de setembro, a agência de vigilância sanitária Food and Drug Administration (FDA) dará início a uma reunião de três dias para discutir a possibilidade de aprovar o salmão modificado, chamado de AquAdvantage. Consultores externos vão oferecer dados e aconselhamento, embora a FDA tome a decisão final posteriormente.

A empresa de biotecnologia Aqua Bounty Technologies Inc., de Massachusetts, busca aprovação para vender o salmão transgênico para criadores em todos os Estados Unidos. O peixe é manipulado para crescer o dobro que o tradicional salmão do Atlântico, algo que, segundo a companhia, poderia impulsionar o setor pesqueiro americano e reduzir o impacto sobre o meio ambiente.

Mas especialistas em defesa do consumidor e em segurança alimentar estão preocupados que a alteração genética dos peixes possa ter o efeito contrário, levando a uma agricultura mais industrial e a uma potencial evasão para o campo. Os efeitos colaterais do consumo do peixe também são desconhecidos, com poucos dados para mostrar que ele é seguro.
"Estão, basicamente, colocando os peixes sob hormônio de crescimento permanente para que possam vender animais maiores e mais rapidamente", disse o analista político Jaydee Hanson, da ONG Centro para Segurança Alimentar.

A iniciativa também levanta questões sobre a industrialização dos suprimentos alimentares do país, numa época em que os consumidores - irritados com recalls de ovos e outros produtos - estão cada vez mais preocupados com segurança e interessados em refeições produzidas localmente.

Se a luz verde for dada pela FDA, o salmão pode ser seguido por uma truta e uma tilápia geneticamente modificadas pela Aqua Bounty. Outros cientistas também estão desenvolvendo porcos e vacas transgênicos para o consumo. Atualmente, os Estados Unidos já permitem vegetais transgênicos.
"Esse é um salmão do Atlântico em todos os sentidos mensuráveis", disse o presidente executivo da empresa, Ronald Stotish. "Quando você olha para o peixe, é impossível ver a diferença", completa.

A possibilidade de os consumidores aceitarem ou não animais geneticamente modificados pode impulsionar ou quebrar a empresa de biotecnologia, que aposta seu futuro nessa técnica desde que espera por uma aprovação, há 15 anos. Em 2009, a companhia registrou uma perda de US$ 4,8 milhões após uma reestruturação, em 2008, para preservar o caixa e se concentrar em terminar o processo de aprovação na FDA. Neste ano, a Aqua Bounty viu suas ações subirem 75%, para US$ 16 cada.

Fonte: Estadão - 31 de agosto de 2010


Foto: Modelo de fazenda de peixe no mar.

Comentário
Imagina um peixe GM (geneticamente modificado) escapar das instalações de engradados flutuantes no mar o que poderá acontecer com o salmão nativo? Competição pelo alimento? O que poderá acontecer no organismo humano? Quais serão as conseqüências desses salmões criados em cativeiros (fazendas), escaparem para o mar?
Há precedências de acidentes ou incidentes desde os cruzamentos de espécies criados ou pesquisas em laboratórios ou em cativeiros, tais como; abelha africana, caramujo africano, ou invasões biológicas marinhas trazidas por navios (água de lastro).
É mais um experimento criado por pesquisadores com interesses econômicos retirados da Caixa de Pandora. As conseqüências que poderão ocorrer são camufladas.

Alguns dados interessantes
■ Em 2000, em uma fazenda da região de Maine, EUA, escaparam 100.000 salmões
■Em 2007, Alabama, Mississippi e Louisiana proibiram peixe chinês depois que nas amostras foram encontrados antibióticos proibidos para uso em peixes, pelo Food and Drug Administration (FDA).
■ As preocupações também surgiram sobre o potencial para piscicultura para espalhar doenças aquáticas à pesca nativa, padrões epidemiológicos indicaram que o salmão de fazendas promoveu a disseminação de piolhos do mar, anemia infecciosa do salmão e propagando a doença para as populações nativas na Europa e América do Norte.. Fazendas de camarão também foram altamente suscetíveis à doença. Por exemplo, o vírus da síndrome da mancha branca dizimou as operações de aquacultura em algumas partes da Ásia e da América do Sul e ameaçava se espalhar para o camarão e outros crustáceos nativos através do camarão criado em cativeiro, devido inundações, descargas de lagoa ou a predação de aves.
■ Ambientalistas também criticaram fazendas de peixes marinhos como fontes de poluição grave, argumentado que o problema pode piorar com o crescimento da aquicultura. Eles analisaram as concentrações em descargas de resíduos de cercados e gaiolas em oceanos, incluindo fezes, alimentos não consumidos pelos peixes, antibióticos e pesticidas. Fonte: CQ Reseach
■ Estudo recente encomendado pela União Européia, revelou que peixes que são modificados para crescer mais rápido também têm uma maior tolerância às toxinas em seu ambiente. Os pesquisadores manifestaram preocupação com essas toxinas e o hormônio de crescimento acabariam nos consumidores.
■ A incapacidade da FDA para testar toda a gama de ameaças à saúde dos consumidores por alimentos transgênicos introduzidos, os testes da agência não incluem uma análise dos impactos dos animais transgênicos no meio ambiente.

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