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domingo, setembro 05, 2010

Acidente de trabalho causado pelo celular

Três operários caíram em uma tubulação no Bom Retiro, região central de São Paulo, no sábado, 4 de setembro. Bombeiros foram chamados para fazer o resgate dos homens.

Foto: A seta indica o tubulão, onde os trabalhadores entraram para pegar o celular

Dois deles foram retirados da tubulação de concreto ainda conscientes. Um foi atendido na Santa Casa; o outro, no PS Santana. O terceiro operário saiu desacordado e foi levado pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, para o Hospital das Clínicas.

O canteiro de obras onde os operários trabalhavam faz parte de um novo viaduto na Marginal Tietê. Após o acidente, a área teve de ser isolada.

Causa do acidente
A Dersa, que gerencia a obra, informou que o acidente aconteceu após o aparelho celular de um deles cair no tubulão. Ao tentar pegá-lo lá dentro, sentiu­‑se mal. Os outros dois foram ajudá‑lo.
Fonte: G1 SP-04 de setembro de 2010

Comentário:
O perigo de uso de celular em atividades não condizentes com os serviços. Os profissionais de segurança devem analisar os riscos de uso de celulares em áreas não apropriadas para sua utilização.
Veja esse caso, os custos envolvidos nesse resgate:
■ Custo dos bombeiros envolvidos nesse resgate. Acidente causado por imprudência
■ Custo do helicóptero. O custo mínimo de hora de helicóptero, cinco mil reais a hora.
■ Custo de atendimento dos hospitaisEsse acidente ocorreu na cidade de São Paulo que tem os recursos necessários para esse tipo de resgate e atendimento de emergência.
Um alerta para proibição e uso de celulares em canteiros de obras ou nas indústrias.

Imagina numa fábrica em que todos os trabalhadores utilizam celulares durante as atividades, alguns trabalhadores trabalhando em áreas de riscos, outros necessitando de concentração, o celular toca o trabalhador atende e quando retorna ao trabalho sofre um acidente ou provoca um acidente com a máquina, por falta de atenção ou cuidado.
Quando a pessoa atende a chamada telefônica, ela fica alheia à situação do risco do local e continua falando apesar do perigo, existente no local. A mente entra em stand-by em relação ao perigo e processa as informações da conversação telefônica.

O que está acontecendo normalmente em trânsito, motorista conversando no celular e provocando acidente por desatenção, descuido, etc., chegou ao ambiente de trabalho, principalmente no ambiente de produção, construção civil, onde predomina áreas de risco.

DADOS CONCRETOS SOBRE CONVERSAÇÃO NO CELULAR E SUAS CONSEQÜÊNCIA NO TRÂNSITO QUE SERVE PARA ANÁLISE NA ATIVIDADE DE RISCO;
■ Pesquisa realizada no Canadá demonstrou que o número de acidentes acontecido durante ou imediatamente após uma conversa ao telefone foi mais de quatro vezes maior do que o esperado na direção normal de veículos, bem como que os motoristas mais jovens têm maior tendência a vivenciar problemas nessa situação do que os mais velhos.
■Ao desligar o celular, a pessoa pode ficar remoendo o teor da conversa e, sem ter ninguém para confortá-lo, pode até causar um acidente como reação ao que acabou de ouvir.

Portanto, dependendo do assunto tratado ao telefone, a pessoa pode ter várias reações que irão refletir na segurança e responsabilidade, tais como; descarga emocional que acompanha o conteúdo do assunto tratado no momento da conversa, choro, agressividade, aumento da irritação e da tensão interna, a euforia e o entusiasmo.

Algumas dessas descargas quando vêm espontaneamente do Sistema Nervoso Autônomo, levam a pessoa tomar atitudes impulsivas. A sensação de impotência diante do desconhecido e a impossibilidade de uma tomada de decisão imediata provocam na pessoa um quadro de extrema angústia.

Fatores cognitivos – destaca as alterações de atenção causadas pela simples tarefa de elaboração e compreensão das frases, audição do que é falado e do toque do telefone, além do aspecto motor da fala que alteram comprovadamente a atividade cerebral quando realizadas em conjunto com outras tarefas complexas, como dirigir, trabalhar.

De acordo com estudos americanos, o cérebro parece ter uma capacidade finita de espaço para atividades que exigem atenção. Esta conclusão se baseia em observação de Ressonância Magnética (RMN) das atividades cerebrais das pessoas enquanto executam uma tarefa complexa, em comparação à execução de duas tarefas ao mesmo tempo. Nas pessoas que dirigem em trânsito pesado e usam celulares, demonstrou-se que a atividade cerebral não duplica e sim sofre um decréscimo.

Observação inadequada e falta de atenção são dois dos principais fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes automobilísticos. Não há nada que se possa fazer ao telefone para diminuir o efeito perturbador que uma simples conversa telefônica parece exercer sobre os efeitos perceptivos e nem se consegue programar conversas telefônicas, caracterizando-se em tarefa de percepção imprevisível.

A distração que resulta de conversas telefônicas é muito influenciada pela natureza da própria conversa, particularmente quando essa conversa demanda atenção. Uma conversa de negócios intensa pode distrair o motorista a ponto de o mesmo ignorar os potenciais sinais de perigo no trânsito.

Os motoristas precisam focar sua atenção exclusivamente nas ruas e nas estradas. Precisam evitar conversas complicadas e emocionadas e principalmente não fazer uso do telefone celular enquanto dirigem, ainda que através de fones ou “viva voz”.

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