Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

domingo, dezembro 30, 2007

Profissão perigo: acidente de trabalho



‘‘Estava serrando uma madeira numa serra circular e, na hora em que aconteceu o acidente, não deu tempo de ver nada. A serra puxou a madeira e senti a mão arder como se fosse a picada de um mosquito.

Mas quando puxei a mão, três dedos estavam pendurados. O pessoal da obra me levou para o hospital, mas o médico falou que não tinha mais jeito. Tinha que arrancar de vez.’’


Nome: José Rudval dos Santos
Profissão : Carpinteiro
Acidente: Perdeu três dedos na serra circular






Serra circular de mesa encontrada na maioria das obras civis. Mesa adaptada de tábuas. Serra elétrica sem nenhuma proteção de segurança.
A Serra Elétrica deverá:
1- ser provida de coifa protetora do disco e cutelo divisor, com identificação do fabricante, quando adquirida. A ausência da coifa protetora do disco e do cutelo divisor caracteriza risco grave e iminente;
2- ser provida de coifa confeccionada em material resistente de forma a oferecer proteção efetiva e cutelo em aço duro com espessura igual ao disco, com borda em bisel polido, não pintado;
3- estar sob mesa estável, com fechamento de suas faces inferior, anterior e posterior, construída em madeira de qualidade e resistente, com espessura mínima de 25 milímetros ou em material metálico ou, similar de resistência equivalente, sem irregularidades, com dimensionamento suficiente para a execução das tarefas;
4- ter a carcaça do motor aterrada elétricamente;
5- ser acionada através botoeira, sendo o circuito elétrico protegido por um disjuntor;
6- ter um disco mantido afiado e travado e ser substituído quando apresentar trincas, dentes quebrados ou empenamentos;
7- ter as transmissões de força mecânica protegidas obrigatoriamente por anteparos fixos e resistentes, não podendo ser removidos, em hipótese alguma durante a execução trabalhos;
8- ser provida ainda de coletor de serragem.

Construtora deve pagar R$ 40 mil a carpinteiro atingido por serra elétrica

Minas Gerais - A 5ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª Região (Minas Gerais), acompanhando voto da desembargadora Lucilde D’Ajuda Lyra de Almeida, negou provimento a recurso ordinário de uma construtora e a condenou a pagar R$ 40 mil de indenização por danos morais a um empregado que foi vítima de acidente de trabalho.

Segundo informações do tribunal, no caso, o trabalhador encontra-se afastado do trabalho desde fevereiro de 2006, recebendo auxílio-acidente. Contratado como carpinteiro ele acidentou-se no canteiro de obras, quando, utilizando uma serra elétrica para cortar um madeirite, sofreu violento impacto na região abdominal. A perícia constatou que faltava no equipamento a coifa, dispositivo de proteção contra impactos, durante a realização do corte.

Em decorrência do acidente, o funcionário submeteu-se a cirurgia de urgência, já que houve ruptura de alça intestinal, esmagamento do pâncreas e hemorragia intra-abdominal.
No pós-operatório, transcorridos 120 dias do acidente, apresentou complicações causadas por processo infeccioso e teve de passar por nova cirurgia. Hoje, ainda apresenta traumas físicos e psíquicos com manifestações relacionadas ao estado de fragilidade e exaustão.
No entendimento da Turma, a construtora não tomou as medidas necessárias para evitar o acidente e não zelou pela segurança do trabalhador.

“Neste contexto é indubitável o nexo causal entre o dano sofrido pelo funcionário e as atividades laborais exercidas em benefício da construtora. Assim, muito embora parcial a incapacidade para o trabalho, houve, efetivamente, prejuízo á saúde do obreiro, com o sofrimento físico e mental, a perda da paz interior, o sentimento de dor, de angústia, de menos-valia, configurando o dano moral por ele sofrido”, concluiu a relatora.
A decisão da Turma dobrou o valor da indenização, que havia sido estabelecida em R$ 20 mil pelo Juízo de primeira instância.

Fonte: Última Instância - 25 de outubro de 2007


Mutilações em indústrias Moveleiras e Riscos




As mutilações dos dedos são um drama que afeta muitos trabalhadores da indústria de móveis.

No pólo moveleiro do Planalto Norte Catarinense, dois terços dos acidentes são ferimentos nos dedos e nas mãos











Comentário
A mão é o principal instrumento de trabalho e perdê-la significa não só um grande trauma físico e psicológico para o trabalhador, mas também o fim inesperado do emprego.
O acidente de trabalho que atinge as mãos provoca limitações importantes para os trabalhadores, dependendo da gravidade do acidente, pode provocar o afastamento do trabalho somente por alguns dias ou até causar lesões irreversíveis e incapacitantes, para o trabalho e para as atividades da vida diária. Além do trauma físico, estes danos podem afetar profundamente a vida dos trabalhadores, acarretando prejuízos econômicos e de relacionamento familiar. (Fundacentro)

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sexta-feira, dezembro 28, 2007

A revolucionária Serra Circular - SAWSTOP


Apresentada no evento SolidWords 2007 a SawStop, foi considerada uma das inovações de maior sucesso na feira por prevenir acidentes graves com a ferramenta. Segundo o inventor, Stephen Gass, a serra elétrica foi desenvolvida para ser a mais segura já construída.

A serra elétrica de mesa foi desenvolvida integralmente com preocupação com a segurança e qualidade. Ele apresenta um revolucionário sistema de segurança que pára e retrai a lâmina (dentro de 5 milissegundos) após contacto acidental, reduzindo drasticamente a gravidade de ferimentos dos usuários. O sistema de segurança fornece proteção invisível (não interfere com o seu trabalho), é sempre "em funcionamento" e executa continuamente o auto testes. A serra também inclui dispositivo de contragolpe.
foto ampliada : http://zonaderisco.nafoto.net/photo20071228212306.html

Acidentes com serra circular nos USA
Todos os anos nos Estados Unidos, há dezenas de milhares de feridos graves em serras circulares. Essas lesões mudam a vida das pessoas e custam para sociedade bilhões de dólares em despesas médicas, salários perdidos, seguros de acidentes de trabalho, aumento da taxas de seguro, perda de produtividade, etc.

A Agência de Segurança de Produtos ao Consumidor dos Estados Unidos (The US Consumer Product Safety Commission) relata que todos os anos, serras circulares estão envolvidas em acidentes:
■ Mais de 60.000 feridos
■ Mais de 3.000 amputações
■ US $ 2 bilhões em prejuízos são causados

É uma lesão a cada 9 minutos!

Custo de acidente de amputação
A OSHA calculou o custo de acidente no local de trabalho em US$ 45,608.00

Custo de tratamento médico: US$ 400,000.00

Custo de ações trabalhistas nos USA: 1 milhão a 5 milhões de dólares

O Instituto de Ferramentas Elétricas, uma associação de fabricantes de ferramentas elétricas, estima que existem atualmente 6 milhões de serras circulares de mesa em uso nos Estados Unidos. Supondo 60.000 feridos por ano, equivale uma serra a cada 100 estará envolvida em um acidente grave, a cada ano, e uma em cada 10 serras de mesa estará envolvida em um grave acidente durante os próximos dez anos. Com esses números, o risco de uma pessoa sofrer uma lesão grave numa serra é alarmante.

A serra SawStop foi projetada com finalidade de minimizar esse risco e inclui uma nova revolucionária tecnologia que detecta quando alguém acidentalmente entra em contacto com a lamina da serra e, em seguida, pára a lâmina em milisegundos.

Na maioria dos casos, este tipo de acidente resultaria apenas um pequeno corte na serra SawStop, em vez de um ferimento grave que provavelmente ocorreria em um serra normal.

A fotografia ao lado mostra o que acontece em uma serra SawStop, quando uma salsicha (representando um dedo) atinge a lâmina girando a uma velocidade de cerca de 31 cm por segundo.

O sistema de segurança da serra inclui um sistema de detecção eletrônico que detecta quando uma pessoa entra em contacto com a lâmina. O sistema induz um sinal elétrico para a lâmina e, em seguida, monitora o sinal de mudança.

O corpo humano tem inerente uma capacitância e condutividade elétrica muito grande, que provoca a queda do sinal quando uma pessoa entra em contacto com a lâmina.

A madeira tem inerente uma capacitância e condutividade elétrica muito pequena e não provoca a queda do sinal.

Este desenho mostra a mudança no sinal elétrico quando um dedo tocou os dentes da lamina da serra durante um ensaio real.

A linha representa o sinal elétrico que caiu rapidamente quando a lâmina tocou o dedo.

As ondulações no sinal ilustram as mudanças no sinal elétrico que foram detectadas como dois sucessivos dentes tocaram o dedo. Quando o sistema de detecção enxerga desta maneira e conhece como uma pessoa tocou a lâmina.

Um de ação rápida de frenagem pára a lamina quando o contacto é detectado. O freio inclui uma mola ultra resistente para empurrar um bloco de alumínio, chamado lingüeta de trava, em direção aos dentes da lâmina para parar a lâmina de girar. A mola é mantida na compressão por fio elo‑fusivel até que o contato é detectado.

Quando o contato é detectado, o sistema envia um sinal elétrico para romper o elo-fusivel e liberar a mola. A mola empurra a lingüeta de trava para os dentes da lâmina que gira, e os dentes cortam o alumínio e fixam, assim pára a lâmina.
Tudo isso acontece em cerca de 3-5 milisegundos.
Ao mesmo tempo, o momentum angular da lâmina causa a retração da lamina para baixo da mesa e o motor é desligado automaticamente.

O mecanismo de trava é mostrado no desenho à esquerda. A seta mostra como o pivô da lingüeta de trava nos dentes da lâmina.
A lingüeta de trava é parte de um módulo substituível, que inclui a mola, o elo fusível e circuitos eletrônicos necessários para romper o fusível.

O módulo de frenagem é simples de usar e os componentes devem ser mudados se o freio é acionado.
A substituição do módulo de frenagem é rápido e é mais fácil mudar do que a lâmina.

Fonte: SawStop



Vídeos
A máquina custa nos USA cerca de 4.000 dólares, incluindo acessórios. Analisando custo e benefício da máquina, vale a pena a sua aquisição, pois reduz a gravidade dos acidentes, aumenta a proteção ao trabalhador e reduz os custos de ações trabalhistas. Quanto à qualidade da máquina, ela tem maior precisão nos cortes e produtividade. A serra tem uma série de acessórios de segurança, tais como, régua-guia, coifa, sistema contra retrocesso e sistema de bloqueio de energização/acionamento (chave de bloqueio, lockout). No Brasil é comum utilizar para acionar a serra uma botoeira ou seccionadora (qualquer um pode acionar a máquina).

No Brasil não temos detalhamento de acidentes como são feitos nos USA em relação a custos, tipos de acidentes por máquinas, etc.
Entretanto temos alguns dados estatísticos sobre acidentes de serras circulares de madeira, tais como; serras circulares de madeiras são responsáveis por 15% dos acidentes investigados pelo INSS-SP.
Ferimento do punho e da mão- 53.581, muito provável uma porcentagem de acidentes é devido a serra circular.
Amputação traumática ao nível do punho e da mão - 6.672. muito provável uma porcentagem de amputações é devido a serra circular.

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quarta-feira, dezembro 26, 2007

Explosão de Posto de gasolina-vídeo

Vídeo sobre a explosão, mostra toda seqüência da operação de abastecimento e o momento da explosão.

Cenário da explosão;
A explosão ocorreu em 19 de novembro de 2007, durante o abastecimento do posto de gasolina.
Vide artigo postado no blog:
http://zonaderisco.blogspot.com/2007/11/exploso-em-posto-de-gasolina.html

1 - O caminhão tanque chega ao posto de gasolina para abastecimento
2 - O frentista orienta o motorista do caminhão para estacionar no local correto.
3 - O motorista do caminhão desce da cabine e o frentista contorna o caminhão e sobe pela parte traseira para verificar o combustível
4 - Em cima do caminhão, semi-encurvado abre a tampa do tanque e pega o celular no bolso. Nessa etapa o frentista tinha de verificar o nível de combustível e como estava escuro, ele tirou o celular do bolso para iluminar (visor) a linha, dentro do tanque, que indica esse nível. Nesse momento houve a explosão.
5 -O corpo do frentista é envolvido por uma bola de fogo e cai no chão. Ele rola no chão envolto em chamas, enquanto o motorista pega um extintor para tentar apagar as chamas.

Vide o vídeo

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terça-feira, dezembro 25, 2007

Relaxando no trabalho


Os progressos da tecnologia cada vez mais deixam as pessoas presas a cadeiras para trabalhar. O uso de computadores é uma constante no dia a dia de muitas profissões. Só que isso traz problemas ao corpo e a mente.

Ficar horas sentado na frente do computador pode trazer tensões musculares que as pessoas nem percebem, enrijecendo a musculatura, prejudicando a circulação sanguínea e "travando" a nuca, os ombros e a coluna.

Claro que ninguém pode deixar de trabalhar, mas certas posturas e exercícios nos ajudam a enfrentar a falta de mobilidade. Pra começar, sente-se mantendo a coluna ereta, colocando a bacia no fundo da cadeira e procurando equilibrar os ísquios, que são os ossos que temos nas nádegas.

E enquanto trabalha, de vez em quando faça inspirações e expirações profundas, pois isso oxigena o sangue e cada célula do corpo. Sua saúde física e mental vai agradecer.

O alongamento diminui a tensão muscular, ativa a circulação, reduz a ansiedade, o estresse e a fadiga, diminui o risco de lesões, ajuda na hora do trabalho e desenvolve a consciência corporal.

Você pode se alongar no trabalho quando se sentir rígido ou cansado ou tenso, antes e depois de fazer uma caminhada, ao chegar a sua sala ou mesa, no início da tarde e também quando precisar se concentrar e dar o melhor de si. Para isto não há necessidade de grandes esforços, equipamento ou roupa especial.

Alguns detalhes importantes dos exercícios:
■ Procure respirar lentamente sem bloquear a respiração e relaxe,
■ Concentre-se nos músculos e articulações envolvidos,
■ Sinta o alongamento até perceber uma leve tensão e mantenha por alguns segundos,
■ Não insistir até sentir dor,
■ Faça-os dentro do seu limite, cada indivíduo é diferente do outro,
■ Oriente-se pela sensação do alongamento,
■ O exercício deve ser brando, suave,

Você poderá realizá-los ao esperar uma chamada telefônica, no momento de espera de um programa no computador, no trânsito, no intervalo de um serviço ou tarefa, etc. Não é necessário realizar todos no mesmo momento, porém faça-os pelo menos duas vezes por dia.

Fonte: Yahoo Noticias - 09 de dezembro de 2007 e Emforma

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sábado, dezembro 22, 2007

Máquinas geradoras de acidentes do trabalho

1-PRENSAS: responsáveis por 31,8% de todos os acidentes graves investigados pelo INSS-SP.

2-SERRAS CIRCULARES DE MADEIRAS: responsáveis por 15% dos acidentes investigados pelo INSS-SP.

3-TUPIAS E DESEMPENADEIRAS: responsáveis por 15% dos acidentes investigados pelo INSS-SP.

4-INJETORAS DE PLÁSTICO: responsáveis por 39% dos acidentes graves na indústria plástica em 1992.

5-GUILHOTINAS: responsáveis por 2,6% de todos os acidentes graves causados por máquinas.

6-CALANDRAS E CILINDROS: responsáveis por 6,6% de todos os acidentes graves causados por máquinas.

7-MOTOSSERAS: em 43% dos acidentes, são atingidas mãos e braços.

8-MÁQUINAS DE DESCORTIFICAR E DESFIBRAR O SISAL: acidentes provocados por tais máquinas constituem um dos exemplos mais trágicos e conhecidos associados com mutilaçoes graves.

Fonte: Coleção Previdência Social – volume 13
Elaboração: SPS/ MPS – Ministério da Previdência Social

Acidentes do Trabalho com Ferimentos e Lesões Ligados ao Punho e Mão – 2003
Em relação ao total de acidentes registrados, 34,2 % dos acidentes estão relacionados a ferimentos e lesões ligadas ao punho e a mão



Fonte: AEPS/2003
Elaboração: SPS/ MPS – Ministério da Previdência Social









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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Assédio Moral ou Sexual

A violência moral e a sexual no ambiente do trabalho não são um fenômeno novo. As leis que tratam do assunto ajudaram a atenuar a existência do problema, mas não o resolveram de todo. Há a necessidade de conscientização da vítima e do agressor(a), bem como a identificação das ações e atitudes, de modo a serem adotadas posturas que resgatem o respeito e a dignidade, criando um ambiente de trabalho gratificante e propício a gerar produtividade.

Assédio sexual
A abordagem, não desejada pelo outro, com intenção sexual ou insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de subalternos ou dependentes. Para sua perfeita caracterização, o constrangimento deve ser causado por quem se prevaleça de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Assédio Sexual é crime (art. 216-A, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 10.224, de 15 de maio de 1991).

Assédio moral
É toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, escritos, comportamento, atitude, etc.) que, intencional e freqüentemente, fira a dignidade e a integridade física ou psíquica de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.

As condutas mais comuns, dentre outras, são:
■ instruções confusas e imprecisas ao(à) trabalhador(a);
■ dificultar o trabalho;
■ atribuir erros imaginários ao(à) trabalhador(a);
■ exigir, sem necessidade, trabalhos urgentes;
■ sobrecarga de tarefas;
■ ignorar a presença do(a) trabalhador(a), ou não cumprimentá- lo(a) ou, ainda, não lhe dirigir a palavra na frente dos outros, deliberadamente;
■ fazer críticas ou brincadeiras de mau gosto ao(à) trabalhador(a) em público;
■ impor horários injustificados;
■ retirar-lhe, injustificadamente, os instrumentos de trabalho;
■ agressão física ou verbal, quando estão sós o(a) assediador(a) e a vítima;
■ revista vexatória;
■ restrição ao uso de sanitários;
■ ameaças;
■ insultos;
■ isolamento.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Comentário
O mundo industrial sofreu um processo de revolução tecnológico e método de trabalho no final da década de 80. Anteriormente o profissional estudava ou trabalhava visando desenvolver profissionalmente em um único emprego no decorrer dos anos de trabalho.
Existia uma relação profissional duradoura. A partir da década de 90 o meio industrial teve de adaptar-se a um novo tipo de relação de trabalho, com a introdução de tecnologia eletrônica (computação, programação de máquinas/equipamentos, etc.), o que era feito manualmente ou semi-automático pelo trabalhador, agora, a máquina comanda o processo através da programação executado pelo trabalhador. Como houve redução de tempo no processo de serviço, o trabalhador assumiu outras tarefas, fechando o ciclo do processo de execução do serviço.
Acabou-se a era do trabalho segmentado. Como houve aumento de produtividade provocado pela tecnologia, resultou numa economia de mão de obra. Hoje produz mais produto ou serviço com pouca mão de obra. Devido a isso, houve enxugamento da mão de obra na organização industrial tanto na atividade vertical (diretoria e gerência) como na atividade horizontal (trabalhador). Hoje, o ciclo de vida útil de uma empresa depende da aceitação do produto pelo mercado e principalmente da concorrência.
A empresa é bombardeada por outros concorrentes e ela necessita atualiza-se tecnologicamente constantemente.
Acabou-se o tempo da fidelidade do produto pelo consumidor que influenciava no crescimento vegetativo da empresa.
Devido à pressão do mercado e dos concorrentes a empresa tem de superar metas e ser competitiva, o que afeta o local de trabalho. O local de trabalho sofre com essa pressão externa (mercado, concorrência, aquisição de empresa, etc.). Existe uma pressão psicológica muito grande no local de trabalho devido ao próprio dinamismo do mercado. O trabalho industrial ou de serviço lembra muito a estrutura de uma colméia, cada célula depende da outra e todas estão interligadas. No fundo o que existe entre as empresas é uma guerra comercial, ou melhor, um jogo de guerra comercial. Essa guerra não visa à destruição do concorrente e sim a posse do seu domínio.
"Na essência é o uso planejado do produto ou outras ações psicológicas (valor intangível do produto) com o objetivo principal de influenciar as opiniões, emoções, atitudes e comportamento do mercado ou dos concorrentes, de forma a alcançar os objetivos da empresa."
Segundo Sônia Mascaro Nascimento, consultora jurídico-trabalhista, advogada, "o assédio moral (manipulação perversa, terrorismo psicológico) caracteriza-se por ser uma conduta abusiva, de natureza psicológica, que atenta contra a dignidade psíquica, de forma repetitiva e prolongada, e que expõe o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de causar ofensa à personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica, e que tenha por efeito excluir a posição do empregado no emprego ou deteriorar o ambiente de trabalho, durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções”.
Existe uma zona cinzenta entre a pressão do mercado (exigência), em que a empresa repassa ao trabalhador (metas, método de trabalho, hoje o trabalhador tem de ser eficiente e eficaz, etc.) e alguns tópicos da definição de assédio moral na concepção trabalhista.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

Calçados "'croc" causam acidentes

Calçado da moda no Brasil, o modelo "croc" (sandália, cujo solado é feito de espuma especial e antiderrapante e com furos para ventilação) é motivo de polêmica nos Estados Unidos.

Relatos de acidentes
Surgiram diversos relatos de crianças que se acidentaram ao utilizar o calçado, principalmente em escadas rolantes.

Avisos em escadas rolantes
No maior sistema de metro dos EUA – o metrô de Washington – já foram até colocados anúncios alertando os usuários sobre o uso desse tipo de calçado nas escadas rolantes. Os cartazes mostram a foto de um crocodilo, mas não mencionam o modelo "croc" diretamente.

Pé fica preso devido a característica da sandália
De acordo com os relatos que apareceram nos Estados Unidos e até em Cingapura e no Japão, os acidentes com pé preso acontecem devido a dois dos principais atrativos para a compra do produto: flexibilidade e aderência. Algumas pessoas afirmam que o calçado fica preso nos “dentes” no fundo ou na parte superior da escada rolante, ou mesmo na fenda entre os degraus ou na lateral das escadas rolantes.

Foto: O garoto Rory McDermott, 4 anos, mostra o pé machucado na escada rolante

Acidente
Rory McDermott, um garoto de quatro anos que prendeu seu pé no mês passado. Naquela momento ele calçava um Croc numa escada rolante num shopping Center no norte da Virginia. Sua mãe conseguiu libertá-lo, mas a unha do seu dedão foi quase completamente arrancada, causando sangramento intenso.

No começo, a mãe de Rory não tinha idéia do que poderia ter causado o acidente. Só mais tarde alguém no hospital comentou algo sobre o calçado de seu filho. Então ela começou a suspeitar dos Crocs e fez uma pesquisa na internet.

Pesquisa na internet e vários acidentes em escadas rolantes
“Cheguei em casa e escrevi num buscador na internet as palavras Croc e escada rolante e começaram a aparecer várias histórias parecidas”, disse Jodi McDermott, de Vienna, Vancouver. “Se eu soubesse disso antes, meu filho nunca teria usado esse calçado."

Crocs e as crianças
Todos os relatos de ferimentos graves envolviam crianças pequenas. Os Crocs normalmente são usados por crianças de até 2 anos. A empresa fabricante do calçado que virou moda em todo o mundo lançou os sapatos em sua menor versão, o tamanho 4/5, na primavera passada.

Relatos de acidentes em alguns países
Japão
No Japão o governo alertou os consumidores que já recebeu 39 relatos de sandálias – em sua maioria Crocs ou similares – ficando presas em escadas rolantes do fim de agosto ao início de setembro. A maioria desses relatos parece envolver crianças pequenas, algumas de até dois anos de idade.

Kazuo Motoya, do Instituto de Tecnologia e Avaliação do Japão, disse que as crianças estão mais sujeitas a acidentes com escadas rolantes, em parte porque elas ficam “pulando quando estão de pé na escada rolante, em vez de ficar atentas ao lugar em que seus pés estão”.

Cingapura
Em Cingapura, uma menina de 2 anos de idade usando tamancos de borracha – a marca não foi identificada – teve seu dedão completamente arrancado num acidente com escada rolante no ano passado, de acordo com relatos da mídia local.
Foto - Jornal Lianhe Zaobao – Singapura – november, 7 2006

Estados Unidos
E no aeroporto de Atlanta um menino de 3 anos usando Crocs sofreu um corte fundo na parte superior de seus dedos em junho. Esse foi um dos sete casos de calçado preso em aeroportos desde o dia primeiro de maio e cinco deles envolviam Crocs, segundo Roy Springer, gerente de operações da empresa que administra o terminal.

Uma loja norte-americana que atende ao público infantil, a subsidiária da Mattel chamada "American Girl", colocou cartazes em três locais diferentes dando instruções para que os clientes calçando Crocs ou sandálias semelhantes usem os elevadores em vez das escadas rolantes.

Suécia
Hospitais proibiram a utilização de Crocs (sapatos e sandálias) pelas equipes médicas por incidentes que ocorreram com equipamentos. Os equipamentos deixaram de funcionar. Descobriram que funcionários estavam utilizando sapatos semelhanres aos Crocs, que tem característica de acumular elevada carga estática, devido ao tipo de solado e é feito totalmente de plástico.

A empresa
A Crocs, empresa sediada no Colorado e responsável pelo produto original (hoje o calçado é feito também por imitadores, mas foi esse produto que deu o nome genérico ao calçado), afirmou que a empresa não mantém um registro dos motivos dos chamados ao serviço ao consumidor. Mas a companhia afirma estar ciente de “alguns poucos” problemas envolvendo acidentes ligados aos calçados, que são feitos de resina sintética macia.

Fonte: G1 – 18 de setembro de 2007 e The local, 18 April 2007

Comentário:
Toda tecnologia transporta em seu sistema riscos latentes (não existe sistema totalmente seguro). Quando os riscos latentes transformam em riscos visíveis resultantes de uma série de eventos não previstos e da convergência de fatores adversos, eles se somam e ocorre o desastre.
Veja o cenário da ocorrência do incidente com a sandália

Foto: acidente em um shopping na região do Butantã, Brasil – outubro de 2007 - Não houve ferimentos

Criança
Criança pequena, em fase de iniciação de atividade locomotora (pernas), coloca os pés em áreas indevidas, brincam e não presta atenção em etapas de movimento.
Escada rolante
Já apresenta risco para jovens, adultos idosos. Apoiar nos corrimões, colocar os pés fora da faixa de segurança ( junção do degrau com parte lateral) e não levantar os pés no momento da saída da escada rolante

Croc - Empresa
A origem do calçado era para esporte náutico, devido ao seu solado antiderrapante que não marcava o deck do barco. E os furos existentes do calçado eram para que água pudesse escoar e ventilar. É um calçado antitranspirante e não cria fungos e bactérias.
Em 2003 Crocs se tornou um fenômeno universalmente aceito como um calçado confortável e para todas as ocasiões. Para as crianças a aceitação foi elevada devido as suas cores fortes e chamativas. Há diversos modelos para adultos; tênis e botas.

Resultado
Um calçado antiderrapante, inadequado para criança numa faixa etária até sete anos, que arrasta um pouco os pés e em local inadequado (escada rolante) pode causar acidente. Lembra muito o idoso com tênis, ele não levanta o pé suficiente para se locomover e arrasta o pé e o solado do tênis é de borracha não desliza suficiente, ele poderá tropeçar e cair.

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segunda-feira, dezembro 17, 2007

Renault faz recall do Logan - Risco é fatal

A Renault do Brasil está convocando os proprietários do sedã Logan fabricados até o início de novembro deste ano para verificação e eventual substituição das rótulas axiais da caixa de direção. Em texto publicado nos jornais desta segunda (17 de dezembro de 2007), a montadora alerta (e admite): "As peças [defeituosas] podem causar ruído e possível desacoplamento do sistema de direção do veículo, o que, eventualmente, pode ocasionar acidentes com ferimentos graves ou fatais". De acordo com a fábrica, a convocação inclui 10.534 unidades do Logan vendidas no Brasil. É o segundo recall do modelo.

Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o sedã da Renault fechou o mês de novembro com 10.808 unidades vendidas.

Ou seja, praticamente todos os carros (ou, seguindo esses números, 97,5% deles) que estão rodando no Brasil precisarão ser checados pela fábrica. O Logan é o atual campeão de vendas da Renault no país. Recentemente, foi lançado o Sandero, derivado da mesma plataforma do sedã.

Além da convocação pela mídia, a Renault enviará aos proprietários uma comunicação direta da empresa, convidando-os a comparecer a uma concessionária da marca. O serviço é feito gratuitamente.

A Renault oferece, para mais informações, o telefone e o e-mail do Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-0555615 (ligação gratuita) e atendimento@renaultsac.com.br.

Fonte: UOL Ultimas Noticias – 17 de dezembro de 2007

Comentário:
Com a entrada em vigor, em 1990, do Código do Consumidor, a relação entre montadoras e proprietários de veículos mudou. Muitos passaram a ser chamados para comparecer à concessionária, a fim de checar eventuais problemas, que poderiam comprometer a segurança do veículo. É o chamado “recall” (recolhimento por parte do fabricante de produtos defeituosos para conserto).

O recall deve ser feito por meio de anúncios na imprensa (jornais, revistas ou emissoras de televisão).

Através desse “recall”, as montadoras previnem problemas, desgaste da imagem do produto e da empresa e, principalmente, ações judiciais.

Os recalls são, quase sempre, de problemas que podem colocar o proprietário em risco. São defeitos; no air bags, cintos de segurança, parafusos, caixas de direção, freios, carros que pegam fogo sozinhos, etc.

Por que está acontecendo tanto recall?

Imagem que as montadoras vendem ao consumidor: carro perfeito, alto índice de segurança e qualidade.

Mas isso não acontece na prática, pois o “recall” dos veículos desde 2000 a 2007, perfaz 3.754.280, (fonte site Estrada) para uma produção de veículos para o mercado interno, para o mesmo período de 2000 a 2007 de 13.426.312 (fonte: Anfavea ). A participação do recall na venda de veículos no mercado interno atinge 27,96%.

Para as montadoras que vendem a imagem de um produto confiável, seguro e com qualidade a porcentagem de recall na produção de veículos é muito elevado.

Podemos indagar sobre a qualidade dos veículos nacionais? As empresas utilizam tantos programas de gestão em toda cadeia produtiva do produto, mas o resultado obtido não é transformado em sucesso, pois os veículos saem das fábricas com tantos defeitos.

As montadoras e Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) deveriam ter um banco de dados de todos recalls existentes para que o consumidor possa pesquisar e obter informação sobre a segurança de determinado carro.

Por exemplo, caso de um proprietário que tem um carro no recall, mas vendeu antes do conhecimento dessa convocação, como outro proprietário teria conhecimento desse recall ?

Para quem vai comprar um carro usado é fundamental saber se o veículo foi objeto de recall e se o proprietário tomou as providências necessárias.

Mas algumas montadoras alegam que esse tipo de informação é de interesse exclusivo do proprietário do veículo. Mas quem seria o responsável do veículo, o primeiro ou o segundo proprietário?

Nos últimos anos somente 50% dos proprietários convocados compareceram às concessionárias para os reparos necessários nos veículos.

Quantos carros que trafegam nas cidades e estradas que necessitam de recalls, mas os proprietários não os fazem ou por falta de conhecimento, podem estar envolvidos em acidentes em que as montadoras desconhecem a existência desses acidentes, ocorridos em função de defeitos nos veículos convocados para recall?

Recalls não comunicados
Um motorista que perde a direção do carro e bate numa carreta, poderá ser considerado imprudente ou até acusado de ter dormido ao volante? Mas sem uma perícia adequada, fica difícil comprovar a verdadeira causa, principalmente quando o veículo é novo e foi objeto de recall.
O Instituto de Criminalística de São Paulo, por exemplo, não é informado dos recalls realizados pelas montadoras. Caso o perito tivesse essa informação, facilitaria muito a investigação. As Polícias Rodoviárias também não são informadas. Muito menos a Justiça e as Seguradoras, em casos de acidentes.

Prazo médio para substituição
O prazo médio dado pelas montadoras para a substituição da peça é de seis meses. Esse tempo, na verdade, deve ser indeterminado, já que o Código de Defesa do Consumidor obriga o fornecedor a fazer a convocação dos proprietários, mas não fixa o prazo para que se apresentem nem o prazo para que a convocação vença. No entender do Procon-SP, se o produto que oferece perigo continua no mercado, o fornecedor deve se responsabilizar por ele independentemente de prazo.

O que diz o Código do consumidor
Muitas empresas afirmam que deixam de ter responsabilidade pelo conserto 180 dias depois de ele ter sido realizado, o que é ilegal. Diz o Código de Defesa do Consumidor: "Art. 27: Prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção 2 deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria."
Fonte: Site Estrada, Folha Online

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domingo, dezembro 16, 2007

Convivendo com o perigo: Plataforma de trabalho


Rodovia – Via Anchieta – sentido Santos para São Paulo – Setembro de 2006
Andaime meio enferrujado, tábuas soltas. Deve ter sapata para nivelar o piso (estrada inclinada).Deslocamento difícil . Imagino um trabalhado preocupado, olhando para o teto do túnel fazendo o serviço e ao mesmo tempo movimentando-se (potencial de queda).
O correto e o mais seguro é utilizar plataforma de trabalho articulada, sob base de um veiculo.
A concessionária possui ISO, Responsabilidade Social para terceiros, mas esquece da responsabilidade interna dos seus trabalhadores/prestadores.
É tanto papel para controlar na área de segurança, acaba esquecendo do fundamental que é a inspeção, fiscalização e monitoramento dos serviços. ACCA
Foto: Cosmo Palasio

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Convivendo como perigo - viaduto



Construção de viaduto
Obra de duplicação da BR-101, trecho de obra em Santa Catarina, 02/12/2007
Obra sob fiscalização do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes – DNIT
Nota-se que o trabalhador está fazendo a montagem da estrutura de ferragem do viaduto, sem luvas para proteção das mãos e cinto de segurança (está a mais de 3 metros de altura)

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sexta-feira, dezembro 14, 2007

Bebê salvo por um fio

Dialogo entre a central de emergência e uma mãe pedindo ajuda, pois o bebê com apenas 10 dias de vida, engasgou com leite

- Central de Emergência 190, boa tarde.
O soldado Cilézio Ramos, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), na Capital, atendeu a ligação no dia 19 de outubro.
- Mãe; boa tarde, é que eu estou com minha neném passando mal, ela engasgou aqui, não está respirando - respondeu Susan Schneider, bastante nervosa.
O soldado então perguntou:
- A senhora não está vendo se ela respira?
- Ela está roxinha.

O soldado Cilézio, que não é socorrista, demonstrou calma ao tentar salvar a vida do bebê.

Os pais não sabiam como proceder
Ao lado de Susan, o pai, Charles Zander, sacudia a pequena Mariana, com 10 dias de vida. O bebê havia acabado de mamar e estava se sufocando com o leite. Inexperiente, o casal não sabia como proceder.

O socorro demoraria
Quando soube que o socorro demoraria de 10 a 15 minutos, o soldado Cilézio teve de tomar uma atitude. Sentindo a mãe muito abalada, ele pediu para falar com Charles. Calmo e firme, orientou o pai, temoroso de machucar a filha.

O diálogo a seguir salvou Mariana.
- Pega sua filha, fecha tua mão embaixo do umbigo dela e aperta. Dá uma apertadinha com força mesmo, para ver se ela consegue desengasgar aí, cara, vai. Vê se consegue.
- Voltou a respirar.
- Beleza? E aí?
- Ela já está fazendo barulhinho. Deu um soluço!
- Pode colocar teu dedo na boquinha dela, devagarinho, pra tirar esse líquido, esse leite.
- Ela está chupando meu dedo!

- Esta chupando teu dedo? Beleza, meu! Beleza, "gurizão"!
- Obrigado! - disse o pai, chorando.

A emoção foi tão grande que o bombeiro fez questão de conhecer Mariana e os seus pais.

Fonte: Diário Catarinense - 03 de dezembro de 2007.

Comentário
O ideal é que os pais adquirem noções de primeiros socorros (em entidades reconhecidas) antes que seus filhos comecem a andar. As medidas de emergência tomadas nos minutos iniciais são extremamente importantes para que o acidente não se torne uma fatalidade. Nem sempre o atendimento de emergência estará disponível (demora, falta de viatura, etc).
No Brasil em 2005, o sufocamento foi responsável por 586 vítimas com menos de 1 ano. No total, 140 mil crianças foram hospitalizadas, aproximadamente 380 por dia.

O sufocamento acontece quando existe alguma coisa bloqueando as vias aéreas parcial ou completamente. Coisas que podem bloquear as vias aéreas incluem:
■ Comidas que descem pela traquéia
■ Pequenos objetos que ficam presos na garganta e nas vias aéreas
■ Secreções que bloqueiam as vias aéreas, como catarro, sangue, vômito ou líquidos engolidos pelo lugar errado

Cérebro sem oxigênio
Quando a via aérea fica completamente obstruída, o cérebro fica sem oxigênio. Sem oxigênio, o cérebro pode começar a morrer em 4 a 6 minutos. Inúmeras pessoas, muitas delas crianças, morrem de sufocamento todo ano. Saber o que fazer quando você ou alguma outra pessoa estiverem com sufocamento pode salvar uma vida. Saber como prevenir sufocamento também é importante.

Prevenção
Não dê para crianças menores de 5 anos:
■ Bolinha de gude
■ Castanhas de qualquer tipo
■ Pipoca
■ Alimentos com sementes como melancia, uvas e cerejas
■ Chicletes (especialmente os de bola)
■ Balas duras (como as balas soft), pastilhas para tosse ou dor de garganta
■ Cachorro quente, salsicha e uvas sem sementes são causas comuns de sufocamentos em crianças. Corte-os antes de oferecer as crianças abaixo de 5 anos;
■ Não deixe a criança mascar ou chupar balões ou pedaços de balões de borracha;
■ Mantenha os objetos pequenos e sólidos como clipes de papel e botões longe de crianças com menos de 3 aos de idade. Certifique-se de que a criança não tenha ao seu alcance brinquedos com pequenos componentes, como olhos de bicho de pelúcia, peças de jogo, etc.;
■ Coloque trincos/fechaduras à prova de crianças nos armários que contenham objetos pequenos;
■ Certifique-se de manter todos os remédios e vitaminas em locais inacessíveis para as crianças. Coloque-os em armários trancados, se necessário;
■ Remova as embalagens plásticas e adesivos de todos os objetos e brinquedos da criança.

Alguns dados dos Estados Unidos sobre sufocamento:
■ Em 1997, 659 crianças com menos de 14 anos morreram por obstrução das vias aéreas (sufocação, engasgo, estrangulamento).
■ Dessas crianças, aproximadamente 80%, tinham menos de quatro anos de idade.
■ A maior parte dos casos acima aconteceu dentro de casa.
■ No ambiente de dormir ocorrem 60% dos sufocamentos. A criança pode sufocar quando sua face vira contra o colchão, travesseiro, acolchoado macio ou quando alguém na mesma cama rola sobre ela.
■ Cerca de 900 crianças, cuja morte é atribuída à Síndrome da Morte Súbita do Lactente, a cada ano são encontradas em ambientes potencialmente sufocantes, freqüentemente de barriga para baixo, com o nariz e boca cobertos por acolchoados macios. Todas as crianças devem ser colocadas para dormir de barriga para cima para reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Riscos com bebê
Uma estudo realizado nos Estados Unidos em 2003, publicado no jornal especializado Pediatrics afirma que os pais que compartilham suas camas com seus bebês aumentam em 40 vezes a chance de a criança ser asfixiada, dizem especialistas.
Os especialistas que realizaram o trabalho dizem que o hábito de dormir com bebês está cada vez mais popular em vários países, assim como o índice de mortalidade por esse motivo.

Mortes de bebês
Só nos Estados Unidos, acredita-se que um em cada oito bebês durma com os pais.
Menos de um em cada 100 mil bebês que dormem em berços morrem sufocados, comparados com a morte de 25,5 de cada 100 mil para aqueles que dormem em camas de adulto.

Cama com bebê
É particularmente arriscado dividir uma cama com um bebê se um pai ou uma mãe tiver ingerido bebida alcoólica, drogas ou algum remédio que prejudique os reflexos do adulto.
Sob essas circunstâncias, é possível que o adulto se vire por cima do bebê e permaneça alheio à sua presença.
Há décadas existe o debate sobre as vantagens e desvantagens de os pais dormirem com o bebê na mesma cama. Os que são a favor, defendem a idéia dizendo que isso facilita o entrosamento da família e ajuda na hora de dar de mamar.

"É certo que as pessoas queiram estar perto dos seus bebês à noite, mas não achamos que a criança deva ficar na cama de um adulto", disse chefe da pesquisa James Kemp.

"É difícil controlar uma situação potencialmente capaz de provocar asfixiamento.”

O pesquisador também revela que, enquanto o sufocamento de bebês em camas de adultos está aumentando nos Estados Unidos, as mortes por asfixiamento em berços estão em queda.

Um porta-voz da organização inglesa Foundation for the Study of Infant Deaths (Fundação para o Estudo de Mortes de Crianças) estendeu o alerta para o perigo de dormir com um bebê no sofá: "Os pais jamais deveriam adormecer com seu bebê num sofá, o que aumenta 50 vezes o risco de sufocamento da criança"

Na Grã-Bretanha, uma pesquisa feita entre 1996 e 2002 concluiu que até metade das mortes súbitas de bebês acontecem quando a criança está dormindo na cama com os pais.

Os pesquisadores dizem que, até os oito meses de idade, a criança não tem a capacidade motora de se virar ou engatinhar para sair debaixo de um cobertor ou se desvencilhar de um travesseiro que pode estar sobre ela.

Fonte: BBC Brasil - 07 de outubro, 2003 e Lincx - Serviços de Saúde

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quinta-feira, dezembro 13, 2007

Cuidados na instalação de enfeites de Natal


As decorações de Natal já começaram a ser preparadas em todo o país. Fachadas de estabelecimentos comerciais e residências recebem enfeites para a data comemorativa. É necessário, no entanto, tomar algumas precauções para evitar que a iluminação natalina provoque choques elétricos e curtos-circuitos.

Faltam poucas semanas para a chegada do Natal. Assim, milhares de famílias em todo país já estão se preparando para decorar a casa, enfeitar a fachada e armar os presépios e pinheirinhos, seguindo uma tradição que a cada ano fica mais sofisticada e criativa, além de mais iluminada.

O mesmo se dá com o comércio, onde as lojas e vitrinas são revestidas de um colorido especial, aguardando a época do ano onde o movimento é maior. Um belo espetáculo de luzes e de brilho que toma conta das cidades, enchendo os olhos e alegrando ainda mais essa época festiva.

Mas é preciso tomar alguns cuidados para evitar que a iluminação natalina e os enfeites luminosos sejam causa de acidentes com choques elétricos e curtos-circuitos.

Os choques domésticos são comuns e acontecem com relativa freqüência, mas dependendo das circunstâncias em que ocorrer o acidente ou do estado físico da pessoa que levar o choque, as conseqüências podem ser bastante sérias.

Para alertar esse problema a Copel (Companhia Paranaense de Energia), criou o programa Natal com Segurança com a intenção de evitar acidentes.

As recomendações são as seguintes:

1º Passo
É escolher com cuidado os cordões de luz, mangueiras e pisca-piscas, que devem ser de boa procedência, certificados pelos institutos controladores de qualidade. . É importante comprar equipamentos de qualidade que tenham a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

2º Passo
Antes de fazer a instalação dos enfeites, especialmente dos anos anteriores, é essencial verificar as condições gerais e prestar muita atenção às emendas e à película plástica isolante. Todas as emendas e conexões dos cordões devem estar protegidas com fita isolante de boa qualidade.

3º Passo
É importante ter certeza de que a capacidade e a resistência dos condutores sejam compatíveis com a carga elétrica requerida, observando o correto dimensionamento de cabos e fios.
Outra recomendação importante é assegurar-se de que a capacidade e a resistência dos condutores, tanto da fonte de energia quanto dos enfeites em si, sejam compatíveis com a carga elétrica requerida, observando o correto dimensionamento de cabos e fios. Essa é a forma de evitar que os fios derretam ou provoquem curtos-circuitos que podem levar aos incêndios. Na dúvida, convém consultar um eletricista de confiança.

Tomar cuidado
A ligação do equipamento na tomada só deve ser feita após a conclusão da montagem, para evitar acidentes por falhas no isolamento de fios ou nas emendas. Recomenda não tocar na fiação nem substituir lâmpadas queimadas com a instalação ligada à fonte de energia

Fachadas
Para decorar fachadas, jardins, varandas e grades; é importante tomar cuidado. A umidade é um fator de risco de acidentes. As conseqüências de um choque elétrico na presença de água são potencialmente muito mais graves e é fundamental que as pessoas tenham a máxima cautela.
Tomar cuidado para o perigo de quedas (subir em arvores, utilizar escadas, etc) durante a instalação de enfeites em ambientes exteriores: o ideal é que essas tarefas fiquem a cargo de pessoas preparadas, treinadas e equipadas.

Cuidado com a proximidade da rede elétrica
Não recomenda a instalação de adornos e objetos decorativos nas proximidades das redes elétricas, onde o risco de acidentes graves é maior. As condições de tensão de operação e a intensidade da corrente elétrica que transita pelas redes elétricas podem provocar acidentes fatais.

Dicas
■ O pisca-pisca usado para decorar pinheiros, janelas e fachadas só deve ser ligado na tomada depois que o arranjo estiver montado.
■ Não tocar em equipamentos elétricos com as mãos ou os pés molhados.
■ Se for preciso arrumar fios ou substituir lâmpadas, o enfeite deve ser desligado da tomada.
■ Somente um aparelho elétrico deve ser ligado em cada tomada.

Fonte: G1 e Copel – 22 de novembro de 2007

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terça-feira, dezembro 11, 2007

EUA exportam lixo eletrônico para países pobres

A maioria dos norte-americanos acredita que está contribuindo com o ambiente quando recicla seus computadores antigos, televisores e telefones celulares. Mas quando fazem isso, mesmo com as melhores das intenções, estão contribuindo para uma tendência global relacionada ao lixo eletrônico (também chamado de e-waste) que polui outros países. Isso porque, afirmam ativistas, os EUA enviam grande parte desse tipo de lixo a outros países.

Milhões de toneladas de lixo
Segundo a organização não-governamental Greenpeace, a cada ano os eletrônicos descartados somam até 50 milhões de toneladas de lixo -- “se a quantidade gerada anualmente fosse colocada em contêineres de um trem, seus vagões carregados dariam uma volta ao redor do mundo”, compara a ONG ambientalista.

Contaminação ambiental
Apesar de não haver dados específicos sobre essa prática dos Estados Unidos, ativistas estimam que de 50% a 80% das até 400 mil toneladas de eletrônicos colocados para reciclagem anualmente nos EUA acabem indo parar em outros países. Com isso, trabalhadores de países como a Índia, China e Nigéria têm de extrair metais, vidros e outros itens recicláveis, se expondo e também ao ambiente a uma mistura de elementos químicos tóxicos.
“Esse lixo está sendo reciclado, mas da maneira mais horrível que você pode imaginar”, afirmou Jim Puckett, da Basel Action Network, organização de Seattle (EUA) que deu o alerta sobre a “exportação” dos EUA para autoridades de Hong Kong. “Estamos preservando o nosso ambiente, mas contaminando todo o resto do mundo”, continuou em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Terceirização e quarteirização do lixo e preço baixo
Ainda de acordo com a agência, os responsáveis pelos programas de coleta de itens recicláveis – empresas, escolas, prefeituras – geralmente contratam as empresas que cobram menos pelo serviço e não querem saber o que acontece com os produtos descartados. Muitas empresas simplesmente vendem os itens mais caros e depois repassam a custos muito baixos os produtos que sobraram àqueles que exportam o lixo eletrônico.
“Muitas pessoas conseguem realizar esse tipo de exportação”, disse John Bekiaris, diretor-executivo da empresa HMR USA, que coleta equipamentos de tecnologia da informação de empresas em São Francisco, nos EUA.
Muitos desses exportadores afirmam que seu trabalho tem como objetivo levar produtos usados para que sejam aproveitados em países pobres.

Troca de lixo
Em setembro, depois de receber um alerta de ativistas, autoridades de Hong Kong interceptaram dois contêineres tinham centenas de monitores antigos e televisores descartados por norte-americanos. Como a China proíbe a importação de lixo eletrônico, os dois contêineres foram enviados de volta aos Estados Unidos. Segundo Vincent Yu, responsável pela empresa Fortune Sky USA, que realizou o transporte da carga, a companhia achava que estava exportando computadores de segunda mão, e não monitores e televisores velhos. Essa mesma empresa exporta computadores e outros componentes usados para a China, Malásia, Vietnã e outros países asiáticos.

Pretexto da reutilização de equipamentos eletrônico
”Há um grande mercado para computadores que as pessoas não usam mais. Não acho que isso vai causar poluição. Se as peças ainda podem ser usadas, é uma iniciativa boa para todos”, disse Yu, à agência de notícias Associated Press.
“A reutilização de equipamentos usados não passa de uma desculpa. É o novo passaporte para a exportação do lixo eletrônico”, afirmou Puckett, da Basel Action Network.

Leis e responsabilidades das empresas
Para muitos ativistas, a resposta para esse problema pode ser a criação de leis que obriguem os fabricantes de eletrônicos a reciclar seus próprios produtos, depois de usados. Essas leis encorajariam as empresas a produzir equipamentos facilmente recicláveis e com menos elementos químicos perigosos. Confira abaixo algumas dicas para minimizar os impactos no ambiente causados pelo uso da tecnologia.

Fonte: G1 – 19 de novembro de 2007

Comentário
Muitas vezes, o lixo industrial é dissimulado de exportações destinadas à reciclagem de material inexistente no pobre país importador. Nessas transações, corporações industriais assumem o papel de mecenas industriais (patrocinadores generosos) de novos postos de trabalho, que só serve nos países do Terceiro Mundo. Catador de lixo industrial ou trabalhador de lixo industrial, provocando contaminação ambiental e doença ocupacional. Por exemplo a Índia aceitou em desmontar um navio contaminado com amianto. Não só ocorre entre países, no Brasil, acontece muito em estados e cidades em que o lixo industrial é dissimulado ou devido à falta de fiscalização recebe autorização para colocação em aterro sanitário ou em lixão céu aberto.

O grande problema da reciclagem limpa ou verde é o preço. Os produtos dos fabricantes que oferecem programas de preservação ambiental em geral são mais caros e esses custos são repassados aos consumidores. E os consumidores estão sempre procurando preços competitivos, isto é, produtos mais baratos. O que predomina no mercado mundial é o consumidor popular e esse consumidor está a procura de produtos compatível com seu salário, não se preocupando se o produto possui ou não o selo verde.
O que significa o selo verde? O selo verde é um rótulo colocado em produtos comerciais, trazendo informações que asseguram que eles não foram produzidos à custa de um bem natural que foi degradado ou que seu uso, embalagem ou o resíduo que dele resultar, não irão causar dano ambiental. O selo confirma, por meio de uma marca colocada voluntariamente pelo fabricante, que determinados produtos são adequados ao uso e apresentam menor impacto ambiental em relação a seus concorrentes. ACCA

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sábado, dezembro 08, 2007

Chernobyl - Desastre


Dados obtidos do documentário passado no canal Discovery em 30de abril de 2006.


Quando houve a explosão, testemunhas relatam que o céu tinha as cores de um arco íris. Não imaginaram que o problema era tão grave.

Os bombeiros que iniciaram o combate ao incêndio na usina, sem proteção adequada para radiação, todos foram contaminados e morreram posteriormente.

As informações iniciais sobre a explosão enviadas ao governo, informavam que os problemas foram controlados. Ninguém sabia da extensão da contaminação
As autoridades locais demoraram 48 h para tomar uma resolução. O governo soviético soube da gravidade do problema através do monitoramento efetuado pela Suécia

As crianças mais velhas chegaram a ir à escola no dia seguinte da explosão. A maioria sabia do acidente, mas não tinha idéia do grau de perigo causado pela radiação.

O exercito soviético assumiu o comando da situação e faziam a medição da exposição a radiação, na cidade e próximo a usina, que ultrapassava centenas de vezes o que o ser humano poderia suportar.

O incêndio no núcleo do reator continuava a queimar, com gravidade e se a laje de concreto não suportasse a temperatura da camada incandescente, poderia atingir a água acumulada do combate ao incêndio, que estava sob o reator. Se acontecesse a explosão seria muito mais grave.

O exercito utilizando helicópteros jogavam toneladas de areia e nitrato de bário para controlar o incêndio e principalmente a temperatura.
Mas o núcleo continuava a queimar. Somente após o lançamento de toneladas de barra de chumbo a temperatura do reator começou a reduzir. Todos os pilotos dos helicópteros foram afetados pela radiação.

As populações das cidades foram retiradas através de ônibus ( 300 mil pessoas).

Foram convocados mineiros da região da Ucrânia para efetuar um túnel de acesso ao reator
Conseguiram efetuar o túnel em um mês, trabalhando 24 h, em equipes. Todos sem proteção contra radiação. A maioria morreu e outros com doença provocada pela radiação.

Para isolar a área e efetuar a limpeza do reator, o exercito convocou milhares de reservistas , cerca de 400 mil reservistas e milhares de civis.

Inicialmente o exercito utilizou equipamentos pesados com controle remoto para efetuar a limpeza do reator, mas radiação era tão elevada, que afetou os circuitos eletrônicos dos equipamentos.

Foram utilizados soldados, com proteções rudimentares (proteções de chumbo) para efetuar a limpeza e posteriormente isolar o reator. Cerca de 20 mil soldados foram mortos posteriormente e 250.000 ficaram incapacitados (doenças).

Equipes foram destinadas para eliminar todos os animais da área e demolir as edificações e posteriormente enterradas.





Foto: região verde afetada pela radiação


Na realidade o governo não estava preparado para essa situação e as informações iniciais minimizavam o problema.
Durante as horas iniciais a população não tinha noção da gravidade do problema e continuava com as atividades normais da cidade. O ar contaminado e população em seu cotidiano.

Nem os cientistas tinham a noção da gravidade da situação. Alguns estavam no local, sem nenhuma proteção contra radiação.
.
Os registros iniciais do desastre desapareceram, principalmente da região da Ucrânia e os hospitais não registravam todos os casos como conseqüência da radiação ( aumentaram o nível de exposição mínima permitida ao ser humano).

Numa reunião na Agencia internacional Nuclear, um cientista soviético com um relatório minucioso expôs a gravidade do problema e estimou em quase 40 mil mortos. A comunidade internacional não aceitou essa estimativa de mortos. A Franca não reconheceu que a poeira radioativa atingiu o seu território. Mas a região atingida teve posteriormente vários casos de câncer na tireóide.

Na Rússia houve vários casos de abortos e crianças deformadas por causa da contaminação (sem braços, deformação no rosto, etc).
Na época o governo soviético gastou cerca de 18 bilhões de dólares para controlar a radiação.

Cerca de 9.3000 foram reconhecidas com mortes causadas pela radiação (Agência Governamental). Greenpeace estima em mais de 93.000 mortos. Cerca de 5 milhões de pessoas ainda vivem em áreas contaminadas na Ucrânia, Belarus e Rússia. Cerca de 200.000 km2 de terra foi contaminada.

Comentário do documentário:
O documentário histórico , com resgate de filmagens da época e entrevistas com civis e militares que estavam no cenário do acidente, para efetuar a limpeza e resfriamento do reator. São relatos de pessoas comuns que enfrentaram o desafio, sem nenhuma proteção contra radiação . Em um dos relatos, um sobrevivente com seqüelas disse, “Alguém tinha de fazer o trabalho”. Milhares de pessoas morreram no decorrer dos anos vitimas de contaminação. O documentário mostra relatos de pessoas sofrendo dores físicas, psicológicas e outras carregando as anomalias genéticas, que passarão de gerações a gerações. Os especialistas dizem que a energia nuclear é limpa e extremamente segura. Mas segurança de qualquer tecnologia é relativa e não absoluta.
O estigma deixado por Chernobyl foi a contaminação ambiental envolvendo toda cadeia do ecossistema da Terra (água, peixe, solo, aves, reprodução, ser humano, etc). Nos seres humanos os efeitos da contaminação marcarão gerações a gerações com anomalias genéticas, cânceres, etc.


Foto: Cidade fantasma - A cidade de Pripyat foi construída para servir de moradia para trabalhadores da usina de Chernobyl. Ela foi abandonada 36 horas após a explosão.
Horário em que o alarme da Usina disparou 26 de abril de 1986 (01h23, hora local; 19h23, hora de Brasília)

BBC News





Informações gerais publicadas em jornais
1 - Notícia publicada no Deutsche Welle - Alemanha em 25 de abril de 2002, passados 16 anos do acidente nuclear de Chernobyl, um nível elevado de radioatividade ainda é constatado em diversos alimentos silvestres e carnes de caça na Alemanha. O Departamento Federal de Proteção contra Radioatividade (BfS) analisou diversos tipos de fungos comestíveis, de amoras silvestres e de carnes de caça, deparando com uma elevada contaminação restante, em especial de césio-137.
A região mais contaminada é a do sul da Alemanha, sobretudo a Floresta Bávara. O BfS chamou a atenção para a proibição em vigor de comercialização de alimentos que apresentem uma contaminação de césio-137 superior a 600 bequeréis por quilo. Os alimentos examinados apresentaram valores até cem vezes superiores a isto.

2 - Notícia publicada no El País, Espanha, abril de 2006; Cerca de 3,9 milhões de quilômetros quadrados da Europa (superfície equivalente a oito vezes a da Espanha) foram contaminados por césio 137 (mais de 4 mil Bq/m2), 40% da superfície da Europa", indica o relatório, que também especifica que 2,3% do território europeu receberam doses de contaminação mais elevada. Esse último dado é exatamente o que a OMS e a AIEA reconhecem. A Áustria foi o país mais exposto à nuvem radioativa, enquanto na Finlândia e na Suécia foram contaminados 5% do território. Em níveis inferiores de contaminação, a Alemanha, com 44% de suas terras contaminadas e o Reino Unido, com 34%, foram os países mais atingidos da velha Europa. A Espanha não está entre os países afetados pela nuvem tóxica.

As autoridades alimentares britânicas publicaram uma informação segundo a qual, "devido à contaminação provocada pelo acidente de Chernobyl, ovelhas de certas áreas do Reino Unido ainda contêm níveis de radioatividade acima dos limites de segurança. A agência [de padrões alimentares] mantém restrições ao movimento das ovelhas afetadas para proteger os consumidores".

O relatório acrescenta que o césio 137 passa da terra ao pasto e para os animais, e aplica a restrição a um total de 200 mil animais e 374 propriedades rurais. Nesse mesmo país o epidemiologista John Urquhart acaba de publicar um documento que registra um crescimento de 11% da mortalidade infantil nas áreas em que a nuvem tóxica teve maior impacto no final dos anos 80, contra 4% no restante do país.

Juntamente com o Reino Unido, persistem as restrições ao tráfego de alimentos na Suécia e na Finlândia, onde afetam principalmente a rena e produtos silvestres. E em algumas regiões da Alemanha, Áustria, Itália, Lituânia e Polônia, onde a caça, os cogumelos silvestres e uma espécie de peixe carnívoro registram um conteúdo excessivo de césio 137.

As conseqüências de Chernobyl foram desde o início motivo de discórdia, em parte pela opacidade com que a antiga URSS tratou uma catástrofe que tentou ocultar e minimizar até o último momento (também foi ocultada por outros países, como a França). Depois porque os danos atribuídos ao acidente influem na percepção do perigo que representa o desenvolvimento da energia nuclear, e não faltam partes interessadas em desenhar sua própria realidade.

3 - Noticia publicada na BBC News em abril de 2006, sobre o relatório da Comissão Européia, órgão executivo da UE, e nas imagens de satélite tomadas nos dias posteriores ao desastre, apresenta as seguintes ponderações;

As fotos mostram o deslocamento da nuvem tóxica desprendida pelo acidente, composta por elementos como o Césio 137, Estrôncio 90 e Iodo 131, com radioatividade equivalente a 200 vezes a das bombas de Hiroshima e Nagasaki combinadas.

A explosão que ocorreu na unidade quatro de Chernobyl na manhã do dia 26 de abril de 1986 espalhou nuvens radiativas por um raio de entre 7 e 9 quilômetros na atmosfera.

Estima-se que 30% das 190 toneladas de combustível do reator se espalhou pela região próxima à central, situada a 110 km ao norte da capital ucraniana, Kiev, e a 16 km da fronteira com Belarus, então território da União Soviética.

"O fogo que se seguiu à explosão, abastecido por 1.700 toneladas de grafite, durou oito dias e foi o principal responsável pela gravidade do desastre de Chernobyl", afirma o relatório.

Europa Ocidental
Segundo os cientistas britânicos, as maiores concentrações de material radiativo recaíram sobre Belarus, Rússia e Ucrânia, "mas mais da metade da quantidade total de emissões" geradas pelo acidente foi parar em solos da Europa Ocidental.

Cerca de 3.900.000 quilômetros quadrados da UE receberam mais de 4.000 becquereles por metro quadrado de Césio 137 (Bq/m2, unidade de medida de radioatividade), elemento com vida média de 30 anos.

Entre essas regiões, estão 80% do território da Áustria e da Suíça, 44% da Alemanha e 34% do Reino Unido. Além disso, 2,3% da Europa Ocidental foi contaminado com níveis superiores a 40.000 Bq/m2, uma porcentagem que inclui 5% das terras de Ucrânia, Finlândia e Suécia.

O relatório ressalta que a carne de animais silvestres na Alemanha apresenta atualmente uma média de 6.800 Bq/kg, mais de dez vezes superior aos 600 Bq/kg máximos permitidos pela UE em alimentos.

Níveis similares são encontrados em cogumelos, frutas e animais silvestres de certas regiões da Áustria, Italia e Suécia.

Só na Grã-Bretanha as restrições sobre alimentos contaminados por Chernobyl ainda afetam 200.000 ovelhas e a produção agrícola de 750 quilômetros quadrados de fazendas.

Até 2005 cerca de 5.000 casos de câncer de tiróide foram registrados entre moradores da Belarus, Rússia e Ucrânia que tinham menos de 18 anos na época do desastre.

Os cientistas britânicos estimam que nos próximos dez anos "Chernobyl causará de 30.000 a 60.000 mortes por câncer, entre 7 e 15 vezes mais que o estimado pela da Organização Mundial da Saúde (OMS)", que limita esse número a 9.000.

Para a organização não governamental Greenpeace, a estimativa é ainda mais pessimista. O grupo desacreditou os números da OMC ao afirmar que o número de mortos por câncer causado pelo acidente de Chrnobyl pode chegar a quase 100 mil pessoas.

O OMS (Organização Mundial da Saúde) questionou as conclusões do Greenpeace, reafirmando que no máximo 9 mil mortes seriam causadas pelo acidente.

4 - Hoje existem na Rússia 250.000 trabalhadores (que trabalharam na limpeza e na construção do isolamento do reator) que não recebem benefícios do governo (cuidados médicos e benefícios) e cerca de 20% são inválidos. (Agência Itar-Tass, 21/04/2006)

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quinta-feira, dezembro 06, 2007

Chernobyl: Os efeitos e seqüelas para o ser humano

Bastaram algumas horas, depois da explosão do reator nº 4 da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, no dia 26 de abril de 1986, para tornar inabitáveis e incultiváveis durante dezenas de anos cerca de 40 mil quilômetros quadrados.

Devido ao acidente, o termo “átomo pacífico” desapareceu na nuvem negra sobre o reator nuclear número 4 – em chamas – da usina de energia nuclear Chernobyl, na antiga União Soviética. A mais significativa e abrangente catástrofe tecnológica na história da humanidade ocorreu em uma pequena cidade ucraniana às margens do rio Pripyat.

Milhões de pessoas (por várias estimativas, entre 5 e 8 milhões) ainda residem em áreas que continuarão altamente contaminadas por muitos anos ainda pela poluição radioativa de Chernobyl.

Como a meia-vida do elemento radioativo mais liberado (embora longe de ter sido o único), Césio-137 (137Cs), é um pouco mais de 30 anos, as conseqüências radiológicas (e, portanto, de saúde) desse acidente nuclear continuarão a ser sentidas nos próximos séculos.

Este evento verdadeiramente global teve seus maiores impactos nas três antigas repúblicas soviéticas vizinhas – hoje países independentes da Ucrânia, Bielo-rússia e Rússia. Os impactos, contudo, se expandiram de forma muito mais ampla.

Mais de metade do Césio-137 emitido como resultado da explosão foi carregado, pela atmosfera, a outros países europeus. Pelo menos 14 outros países na Europa (Áustria, Suécia, Finlândia, Noruega, Eslovênia, Polônia, Romênia, Hungria, Suíça, República Tcheca, Itália, Bulgária, República da Moldova e Grécia) foram contaminados por níveis de radiação acima de 1 Ci/m2 (or 37 kBq/m2) – limite usado para definir áreas como “contaminadas”.

Em níveis inferiores, mas não em quantidades radioativas substanciais desprezíveis – ligadas ao acidente de Chernobyl – foram detectadas contaminações em todo o continente europeu, da Escandinávia ao Mediterrâneo, e na Ásia. Apesar da seriedade e extensão geográfica documentada da contaminação causada pelo acidente, a totalidade de impactos em ecossistemas, saúde humana, desempenho econômico e estruturas sociais continua desconhecida.

Em todos os casos, contudo, impactos assim tendem a ser extensos e duradouros. Juntando contribuições de numerosos cientistas, pesquisadores e profissionais da saúde, incluindo muitos da Ucrânia, Bielo-rússia e Rússia, esse relatório trata de um desses aspectos, especialmente a natureza e o escopo das conseqüências para a saúde humana, a longo prazo.

O alcance de estimativas do aumento de mortalidade resultante do acidente de Chernobyl transpõe uma escala extremamente ampla, dependendo precisamente do que é levado em consideração.

Por exemplo, o relatório de 2005 da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estimou que 4 mil mortes adicionais resultariam do acidente de Chernobyl. As mais recentes estatísticas publicadas indicam que, só na Bielo-rússia, Rússia e Ucrânia, o acidente resultou em cerca de 200 mil mortes adicionais – entre os anos de 1990 e 2004.

Os dados disponíveis revelam um alcance considerável em estimativa de mortalidade adicional resultante do acidente de Chernobyl (estima-se para os próximos anos milhões de pessoas), servindo para destacar as imensas incertezas ligadas ao conhecimento de todos os impactos do desastre.

Contaminação imediata da população e de trabalhadores

Quatro grupos de população tiveram os efeitos de saúde mais severos:
1 - trabalhadores de limpeza, incluindo civis e militares designados a continuar com suas atividades de limpeza e construir a camada protetora para o reator (escudo);
2 - pessoal evacuado de regiões perigosamente contaminados num raio de 30 km ao redor da usina;
3 - residentes das regiões menos (mas ainda perigosos) contaminadas; e
4 - crianças nascidas em famílias de qualquer um dos 3 grupos acima.

Algumas das principais descobertas relacionadas ao câncer e outras doenças (não-cancerígenas) são resumidas abaixo.

Câncer
Hoje está claro que a poluição de Chernobyl causou, de fato, um aumento em larga escala em cânceres. Em particular, cânceres são notavelmente mais comuns em populações das regiões altamente contaminadas e entre os “trabalhadores” (pessoal responsável pelo combate ao fogo e construção do escudo protetor, maior exposição à radiação, civis e militares) em comparação com grupos de referência (relativamente não expostos). Nos “trabalhadores” da Bielo-rússia, por exemplo, incidências de câncer de rins, bexiga e tireóide foram todos significativamente mais altas para o período de 1993 a 2003 do que em comparação com grupo de referência.
A leucemia foi significativamente mais alta nos “trabalhadores” da Ucrânia, em adultos na
Bielo-rússia e em crianças nas áreas mais contaminadas da Rússia e Ucrânia.

Outros exemplos incluem:
· Entre 1990 e 2000, um aumento de 40% em todos os cânceres na Bielo-rússia foi documentado, com aumentos maiores (52%) na região altamente contaminada (Gomel) do que nas regiões menos contaminadas de Brest (33%) e Mogilev (32%).
· Na Rússia, a morbidade do câncer nas altamente contaminadas regiões de Kaluga e Bryansk foi maior do que em todo o resto do país. Por exemplo, em áreas altamente contaminadas da região Bryansk, a morbidade foi 2,7 vezes maior do que em territórios menos contaminados da região.
· Em áreas contaminadas da região Zhytomir da Ucrânia, o número de adultos com câncer quase
triplicou entre 1986 e 1994, de 1,34% para 3,91%.

Câncer de tireóide
O câncer de tireóide cresceu dramaticamente nos três países (como esperado), devido às grandes quantidades de iodo radioativo liberadas pela catástrofe de Chernobyl. Por exemplo, a incidência na região altamente contaminada de Bryansk, no período de 1988-1998, foi o dobro da Rússia como um todo – e o triplo que figura em 2004. Somente para a Federação Russa, Bielo-rússia e Ucrânia, estimam-se que possivelmente ultrapasse 60.000 casos adicionais.
Crianças que tinham de 0 - 4 anos, na época da exposição, foram particularmente vulneráveis a esse câncer.
Antes do acidente, a ocorrência de câncer de tireóide entre crianças e adolescentes calculou a média de 0,09 casos em cada 100.000. Depois de 1990, a freqüência de ocorrência subiu para 0,57-0,63 em cada 100.000. O pico da morbidade do câncer de tireóide – entre esses que eram crianças e adolescentes no momento da catástrofe – previsto no período de 2001-2006.
O câncer da glândula tireóide causado por Chernobyl pareceu ser extraordinariamente agressivo, com progressão rápida e antecipada para formar tumores secundários nas glândulas linfáticas e pulmões – o que piorou o prognóstico e, freqüentemente, demandou a realização de intervenções cirúrgicas múltiplas.
Dada a particularidade de períodos de longo estado latente – que pode ser associada ao câncer de tireóide –, novos casos induzidos por Chernobyl podem emergir nas próximas décadas. O monitoramento a longo prazo das populações “de risco”, incluindo aquelas que receberam doses relativamente baixas, será essencial para permitir intervenção médica oportuna e efetiva.

Leucemia
Altas taxas de leucemia aguda entre os “trabalhadores” bielo-russos foram observadas, pela primeira vez, em 1990-91. A partir de 1992, aumentos significativos na incidência de todas as formas de leucemia foram detectáveis na população adulta da Bielo-rússia como um todo. Na Ucrânia, a freqüência de cânceres sangüíneos malignos foi significativamente maior do que no período pré-catástrofe nas quatro partes mais contaminadas das regiões de Zhytomyr e Kiev, tanto durante os primeiros quatro anos quanto durante o sexto ano após a catástrofe.
Leucemia infantil na região de Tula, no período pós-Chernobyl, excedeu significativamente a média de escala da Rússia, especialmente em crianças com idade de 10-14. Em Lipetsk, os casos de leucemia aumentaram 4.5 vezes de 1989 até 1995. Alguns dados sugerem risco aumentado de leucemia até mesmo para crianças expostas ainda no útero das mães.

Outros cânceres
Um aumento no câncer de trato respiratório, em mulheres, foi observado nas áreas mais contaminadas da região de Kaluga. De 1995 em diante, excessos de cânceres de estômago, pulmão, mama, reto, colo e tireóide, medula óssea e sistema linfático também foram detectados nas áreas sudoeste dessa região. Na região de Tula, taxas extraordinariamente altas de câncer ósseo e do sistema nervoso central foram detectáveis em crianças durante o período de 1990-1994.
Nos territórios mais contaminados da Ucrânia, a incidência de câncer de mama continuou relativamente estável – e um tanto mais baixa do que nos arredores –, durante o período de 1980-1992. Contudo, de 1992 em diante, incidências de câncer de mama – nos territórios contaminados – começou a crescer. Aumentos significativos na incidência de cânceres de bexiga foram detectados nos territórios contaminados da Ucrânia, em anos recentes.

Doenças não-cancerígenas
As mudanças identificadas na incidência de doenças cancerígenas relatadas por estudos de populações expostas à radiação – surgindo do acidente de Chernobyl – são somente um aspecto da amplitude de impactos para a saúde relatadas. Somado a isso, aumentos significativos em doenças não-cancerígenas entre as populações expostas também foram relatados – ainda que a escala dada da exposição e os números dos estudos sejam poucos.
Apesar das dificuldades em deduzir as relações absolutas de causa-efeito e a relativa escassez de dados – dado o impacto internacional substancial da liberação de Chernobyl – os vários relatórios são suficientes para tornar bem claro que a morbidade e mortalidade baseada somente em mudanças projetadas e observadas em escalas de doenças cancerígenas (entre essas populações) poderiam subestimar, consideravelmente, todo o escopo e escala de impactos sobre a saúde humana.

Sistema Respiratório
A exposição dos sistemas respiratórios humanos aos materiais radioativos liberados pelo acidente de Chernobyl aconteceu através de dois caminhos. Nas fases iniciais da liberação radioativa, a formação de “partículas quentes” líquidas e sólidas (em diferentes tamanhos) – junto com radionuclídeos em forma gasosa – significou que o caminho da aspiração era o mais significativo. Subseqüentemente, a irradiação externa de material depositado foi considerada a rota mais significativa de exposição de sistema respiratório.

Entre os evacuados da zona de 30-km na Bielo-rússia, os casos de morbidade respiratória quase dobraram.
Essa morbidade representou em torno de um terço dos problemas observados nos evacuados e nesses adultos e adolescentes que continuaram residindo nas regiões contaminadas. Em crianças, os problemas respiratórios representaram quase dois terços da morbidade documentada.
Os estudos mais amplos reportados parecem ser esses dos “trabalhadores” envolvidos em fazer a segurança e limpeza do local – depois do incidente. Neste grupo, a doença pulmonar obstrutiva crônica – na forma de bronquite obstrutiva crônica e asma brônquica – foi reportada como das principais razões para mortalidade, morbidade e invalidez. Nesses casos, os estudos subseqüentes permitiram que observações compreensíveis de saúde fossem ligadas com os perfis de dose de radiação reconstruídos. Isto permitiu a progressão de problemas reportados ser documentada com algum detalhe. Este grupo fornece um exemplo relativamente raro de uma população atingida pela liberação de radiação – que foi seguida com algum detalhe.

Sistema Digestivo
Há alguma evidência de irregularidades do sistema digestivo sendo mais freqüente entre indivíduos expostos a radiação de Chernobyl. Um levantamento realizado em 1995 sugeriu que a morbidade dessas irregularidades era 1,8 vezes maior entre os evacuados bielo-russos e habitantes dos territórios contaminados do que entre a população bielorussa como um todo. Entre 1991 e 1996, o incidente reportado de úlcera péptica – na população da Bielo-rússia – aumentou em quase 10%.
Na Ucrânia existem relatórios mais amplos. Durante 1988-1999 uma duplicação de morbidade do sistema digestivo foi observada na população que ainda morava em áreas contaminadas. Problemas de sistema digestivo reportados entre evacuados adultos da cidade de Prypyat – e na zona de 30 km – foram mais comuns do que no resto da população. Os índices de morbidade do sistema digestivo entre esses moradores das zonas de controle rígido de radiação foram maiores do que para a população ucraniana em larga escala. Este foi também o caso das crianças, em quem a doença do sistema digestivo aumentou mais que o dobro entre 1988 e 1999. Entre crianças, houve uma clara tendência de relatos aumentados de patologia do órgão digestivo e descobertas similares foram feitas para crianças expostas ainda no útero. Outra vez, a incidência dobrou. As irregularidades do sistema digestivo foram reportadas como a causa mais comum de doença de saúde – em crianças morando em regiões contaminadas.

Sistema vascular de sangue
A exposição à poluição radioativa de Chernobyl foi ligada não somente a câncer no sangue (maligno) e doenças linfáticas, mas também com condições não malignas do sistema vascular – que estão propensas a ter sido mais prontamente diagnosticadas como um resultado da atenção direta nesses sistemas, relacionados com sua sensibilidade a doenças malignas.
Na Bielo-rússia, dez anos após o acidente de Chernobyl, doenças de sangue aumentaram – com um aumento maior reportado nas áreas contaminadas. O distúrbio do total de células brancas também foi reportado – dos subgrupos da população, morando nos territórios afetados por Chernobyl.
Os estudos mais extensos e holísticos parecem ter sido feitos na Ucrânia. A aterosclerose generalizada precoce e doença cardíaca coronariana se desenvolveram mais comumente nos evacuados da zona de 30 km e naqueles moradores das áreas poluídas com radionuclídeos – se comparados à população em geral.
Em um estudo internacional relativamente incomum, as condições hemorrágicas e icterícia congênita em bebês recém nascidos foram monitoradas em várias das áreas expostas à radiação de Chernobyl – na Bielo-rússia, Ucrânia e Federação Russa. Esses foram descobertos sendo 4,0 e 2,9 vezes mais comuns, respectivamente, do que nas áreas não contaminadas levantadas no estudo.

Sistemas cutâneos e músculo–esquelético
Dados específicos sobre reações do sistema músculo-esquelético e de tecido conjuntivo à exposição radioativa (resultante do acidente em Chernobyl) são relativamente raros. Isto é indiscutivelmente devido, em parte, ao fato de esses sistemas não serem considerados – por si só – criticamente vulneráveis. Não obstante, dados reportados de áreas contaminadas na Bielo-rússia e Ucrânia sugerem que complicações músculo-esquelético aumentaram notoriamente. Exames de esqueleto fetal também revelaram incorporação de 137-Cs em ossos e uma ocorrência de anormalidades maior do que a esperada.
Um estudo internacional de saúde neonatal, conduzido em vários das regiões contaminadas, sugeriu uma tendência crescente de desenvolvimento de deficiências músculo-esquelético.

Estado (status) Hormônio/endócrino
Em 1993, mais de 40% das crianças pesquisadas na região Gomel (Bielo-rússia) tiveram aumento da glândula tireóide enquanto, na Ucrânia, o dano à tireóide foi observado em 35,7% dos 3 019 adolescentes das regiões de Vinnitsk e Zhytomyr – que tinham de 6-8 anos de idade, na época do acidente.

A ocorrência de doenças no sistema endócrino – em crianças morando nas partes contaminadas por Chernobyl, em Tula (região na Rússia) – quintuplicou em 2002, comparada ao período pré-acidente. A morbidade na população adulta – morando nas regiões altamente contaminadas, sudoeste da região de Bryansk – excede a média regional em 2.6 vezes.
Parece que uma reação generalizada nos indivíduos morando em áreas contaminadas aumentou a atividade do sistema endócrino – que só se estabilizou 5-6 anos depois de sair dessas áreas. Nas áreas russas afetadas pela radioatividade de Chernobyl, disfunções generalizadas na produção e balanço de hormônios sexuais foram descritas enquanto um nível persistentemente elevado de doença endócrina auto-imune – hiroadenite autoimune, tireo-toxicose e diabetes – foi observado de 1992 em diante, nos territórios ucranianos contaminados.
De forma completa, a patologia do sistema endócrino é um impacto altamente importante e significativo nessas populações expostas à radiação de Chernobyl. Dada a importância do sistema endócrino na modulação de todo o funcionamento do corpo, não é de se surpreender que outras disfunções também tenham sido observadas.

Anormalidades de função imune
Reações imunes generalizadas
O sistema imune é um sistema modulado por função endócrina. Consequentemente, anormalidades do sistema imunológico podem ser esperadas onde o sistema endócrino é perturbado. Somado a isso, a radiação de íons pode afetar, diretamente, componentes do sistema imune.
Na Bielo-rússia, um estudo da situação (status) do sistema imune de 4 000 homens expostos a pequenas – mas duradouras – doses de radiação mostrou que exposição à radiação crônica leva à perda da habilidade (do sistema imune) de resistir ao desenvolvimento de doenças infecciosas, bem como não-infecciosas.

Na Ucrânia, as mudanças mais desfavoráveis foram observadas em crianças com altas doses de irradiação da tireóide (acima de 200 cGy), ainda no útero das mães. Entre essas crianças, 43,5% desenvolveram deficiência imune – comparada com 28,0% no grupo de controle.

Doenças infecciosas
A interferência no sistema imune pode impactar sobre a ocorrência e severidade de doenças infecciosas na população mais ampla. Algumas das estatísticas juntadas pós-Chernobyl sugerem que as populações expostas à radiação podem ser mais vulneráveis a doença.
Descobriu-se que infecções congênitas ocorreram 2,9 vezes mais do que antes do acidente em recém nascidos cujas mães vieram de regiões contaminadas pela radiação.

Anormalidades genéticas e aberrações cromossomáticas
As freqüências de aberrações cromossomáticas em áreas da Ucrânia, Bieolorússia e Rússia que foram contaminadas pelo incidente de Chernobyl são, notavelmente, maiores do que a média global.
Aberrações cromossomáticas que pensaram ser atribuídas a Chernobyl foram relatadas até na Áustria, Alemanha e Noruega.
Aumentos na freqüência de mutação de cromossomos freqüentemente correlacionaram com a incidência maior de uma variedade de doenças.

Por exemplo, maiores aberrações cromossomáticas em linfócitos foram descobertas coincidindo com níveis diagnosticados de desafio psicopatológico e imunossupressão secundária, em 88% dos “trabalhadores” pesquisados.

Sistema reprodutivo e urogenital
Durante 1988-1999, doenças do sistema urogenital mais do que duplicaram em populações ainda morando em regiões mais contaminadas da Ucrânia. Um aumento triplicado em doenças inflamatórias internas, disfunções no ciclo menstrual e tumores (benignos) de ovário foram reportados em mulheres expostas. Em outras regiões contaminadas, tanto impotência quanto infertilidade masculina foi se tornando, em relatos, mais freqüente desde o acidente. Mudanças estruturais nos tubos seminíferos e disfunção na produção de esperma foram reportadas em três quartos dos homens pesquisados – na região de Kaluga, na Rússia.
Mais de 8-10 anos depois do acidente, a ameaça de gravidez interrompida se tornou mais freqüente em evacuados da zona de 30 km e naqueles vivendo em regiões contaminadas.

Em grupos altamente expostos na Ucrânia, mais da metade das mulheres grávidas sofreram complicações durante a gravidez.
É improvável que os impactos tenham se limitado a Rússia, Bielo-rússia e Ucrânia. Pelo oeste europeu e Escandinávia (incluindo Grécia, Hungria, Polônia, Noruega, Finlândia e Alemanha), estudos identificaram exposição (ainda no útero) à radiação de Chernobyl como possível fator contribuinte em abortos espontâneos, baixo peso no nascimento e sobrevivência infantil reduzida.


Envelhecimento precoce
A idade “biológica” aparente de pessoas morando em conhecidas áreas contaminadas pela radiação (na Ucrânia) aumentou de forma desproporcional, com o passar dos anos desde o acidente – com a idade “biológica” avaliada, agora, excedendo a idade real em mais de 7-9 anos. Num estudo de 306 trabalhadores, essa discrepância foi estimada entre 5 e 11 anos. Nas regiões mais contaminadas da Bielo-rússiarússia, a idade média para morte de vítimas por ataque cardíaco foi de 8 anos mais baixa do que para a população geral.

Órgãos sensitivos
Em áreas contaminadas nos arredores de Chernobyl, disfunções dos olhos – tais como catarata (incluindo em recém nascidos) e outros problemas – foram encontrados com maior freqüência do que na vizinhança, nas regiões menos contaminadas. Ainda que os maiores riscos ocorram com as maiores exposições, não há um limiar conhecido de dose radioativa a qual abaixo o risco de catarata não aumente. De forma similar, outros problemas de visão que ocorrem naturalmente em todas as populações (em algum nível) – tais como a degradação da retina – foram relatados com maior freqüência em populações irradiadas.

Disfunções neurológicas e psicológicas
Mesmo níveis comparativamente baixos de radiação podem resultar em algum nível de dano aos sistemas nervoso central e periférico. Avaliar toda a extensão do dano neurológico resultante das liberações de Chernobyl é, portanto, uma tarefa muito difícil.
Contudo, em trabalhadores da Rússia, por exemplo, doenças neurológicas foram o segundo grupo mais comum de doenças relatadas, estimando 18% de toda a morbidade. Disfunções neurológicas e psiquiátricas – entre adultos nas regiões contaminadas pela radiação, na Bielo-rússia – também foram consideradas mais freqüentes do que o normal (31,2% comparados a 18,0%).
Aumentos nas disfunções mentais e do sistema nervoso também foram relatados em crianças de algumas áreas contaminadas da Bielo-rússia – incluindo diminuição de QI – ainda que sua relação com medidas diretas de exposição à radiação não seja sempre nítida.

Conclusão
As evidências relativas aos impactos da liberação de radiação na saúde humana, pelo acidente de Chernobyl são altamente diversas e complexas – mas de grande significado. Muitas das características do acidente e suas conseqüências – tal como a incerteza quanto ao total de quantidade liberada de radionuclídeos, distribuição desigual de radioatividade, efeitos seqüenciais e simultâneos de exposições radioisótopos múltiplos – bem como limitações no monitoramento médico, diagnóstico, previsão e tratamento de doenças fazem conjuntamente, dessa forma, a restituição de muitos padrões previamente aplicados e métodos inaplicáveis.
A avaliação completa das conseqüências à saúde humana do acidente de Chernobyl é, portanto, provável que continue uma tarefa quase impossível – de forma que sua real extensão de morbidade e mortalidade resultante poderá nunca ser totalmente avaliada.

Fonte: Chernobyl Children´s Project International e Greenpeace

Comentário
Os especialistas consideram a energia nuclear como uma tecnologia segura, com ausência de risco incontrolável. Mas existe algum tipo de tecnologia realmente segura? O que os especialistas procuram ou tenham a pretensão é controlar a caixa de Pandora (internamente reserva as surpresas desagradáveis, caso ocorra a sua ativação) e os labirintos perigosos do processo, podemos imaginar a figura mitológica grega do Minotauro (vivia em labirinto, dificilmente encontrava a saída). Queremos dominar o destino ou desafiá-lo, pretendendo construir a segurança absoluta. Por mais que haja segurança não conseguimos eliminar a incerteza. Mas quando incerteza penetra no sistema, ela reclama seus direitos e quase sempre de maneira cruel.
Veja o caso de Chernobyl dos sobreviventes da tragédia e das crianças que na época estavam nos ventres das mães que não tinham culpa de nada, com seqüelas irreparáveis mostrando ao mundo as conseqüências desse apocalipse tecnológico.

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