Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

domingo, junho 29, 2014

Enchentes e Inundações

As atividades antrópica vêm provocando alterações e impactos no ambiente há muito tempo, existindo uma crescente necessidade de se apresentar soluções e estratégias que minimizem e revertam os efeitos da degradação ambiental e do esgotamento dos recursos naturais que se observam cada vez com mais freqüência.

O problema das inundações em áreas urbanas existe em muitas cidades brasileiras e suas causas são tão variadas como assoreamento do leito dos rios, impermeabilização das áreas de infiltração na bacia de drenagem ou fatores climáticos. O homem por sua vez procura combater os efeitos de uma cheia nos rios, construindo represas, diques, desviando o curso natural dos rios, etc. Mesmo com todo esse esforço, as inundações continuam acontecendo, causando prejuízos de vários tipos.

USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
O melhor meio para se evitar grandes transtornos por ocasião de uma inundação é regulamentar o uso do solo, limitando a ocupação de áreas inundáveis a usos que não impeçam o armazenamento natural da água pelo solo e que sofram pequenos danos em caso de inundação. Esse zoneamento pode ser utilizado para promover usos produtivos e menos sujeitos a danos, permitindo a manutenção de áreas de uso social, como áreas livres no centro das cidades, reflorestamento, e certos tipos de uso recreacional.

INUNDAÇÕES
Inundações de áreas ribeirinhas: os rios geralmente possuem dois leitos, o leito menor onde a água escoa na maioria do tempo e o leito maior, que é inundado em média a cada 2 anos. O impacto devido a inundação ocorre quando a população ocupa o leito maior do rio, ficando sujeita a inundação;

Inundações devido à urbanização: as enchentes aumentam a sua freqüência e magnitude devido a ocupação do solo com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. O desenvolvimento urbano pode também produzir obstruções ao escoamento como aterros e pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e assoreamentos;

Estas enchentes ocorrem, principalmente, pelo processo natural no qual o rio ocupa o seu leito maior, de acordo com os eventos chuvosos extremos, em média com tempo de retorno superior a dois anos.

Este tipo de enchente, normalmente, ocorre em bacias grandes ( > 500 km2), sendo decorrência de processo natural do ciclo hidrológico. Os impactos sobre a população são causados, principalmente, pela ocupação inadequada do espaço urbano. Essas condições ocorrem, em geral, devido às seguintes ações:
■como, no Plano Diretor Urbano da quase totalidade das cidades brasileiras, não existe nenhuma restrição quanto ao loteamento de áreas de risco de inundação, a seqüência de anos sem enchentes é razão suficiente para que empresários loteiem áreas inadequadas;
■invasão de áreas ribeirinhas, que pertencem ao poder público, pela população de baixa renda;
■ocupação de áreas de médio risco, que são atingidas com freqüência menor, mas que quando o são, sofrem prejuízos significativos.

Os principais impactos sobre a população são:
■prejuízos de perdas materiais e humanas
■interrupção da atividade econômica das áreas inundadas
■contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outros
■contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos entre outros

PREVENÇÃO
O gerenciamento atual não incentiva a prevenção destes problemas, já que a medida que ocorre a inundação o município declara calamidade pública e recebe recursos a fundo perdido e não necessita realizar concorrência pública para gastar. Como a maioria das soluções sustentáveis passam por medidas não-estruturais que envolvem restrições a população, dificilmente um prefeito buscará este tipo de solução porque geralmente a população espera por uma obra.

Enquanto que, para implementar as medidas não-estruturais, ele teria que interferir em interesses de proprietários de áreas de risco, que politicamente é complexo a nível local. Além disso, quando ocorre a inundação ele dispõe de recursos para gastar sem restrições.
Para buscar modificar este cenário é necessário um programa a nível estadual voltado a educação da população, além de atuação junto aos bancos que financiam obras em áreas de risco.

IMPACTOS DEVIDO A URBANIZAÇÃO:
O planejamento urbano, embora envolva fundamentos interdisciplinares, na prática é realizado dentro de um âmbito mais restrito do conhecimento. O planejamento da ocupação do espaço urbano no Brasil não tem considerado aspectos fundamentais que trazem grandes transtornos e custos para a sociedade e para o ambiente.
O desenvolvimento urbano brasileiro tem produzido um aumento caótico na freqüência das inundações, na produção de sedimentos e na deterioração da qualidade da água superficial e subterrânea. A medida que a cidade se urbaniza, ocorre o aumento das vazões máximas (em até 7 vezes) devido a impermeabilização e canalização. A produção de sedimentos também aumenta de forma significativa, associada aos resíduos sólidos e a qualidade da água chega a ter 80% da carga de um esgoto doméstico.

DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estes impactos têm produzido um ambiente degradado, que na condições atuais da realidade brasileira somente tende a piorar. Este processo infelizmente não está sendo contido, mas está sendo ampliado à medida que os limites urbanos aumentam ou a densificação se torna intensa. A gravidade desse processo ocorre principalmente nas médias e grandes cidades brasileiras. A importância deste impacto está latente através da imprensa e da TV, onde se observam, em diferentes pontos do país, cenas de enchentes associadas a danos materiais e humanos.
Considerando ainda, que cerca de 80% da população encontra-se nas cidades, a parcela atingida é significativa.

NÃO EXISTE PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA.
O potencial impacto de medidas de planejamento das cidades é fundamental para a minimização desses problemas. No entanto, observa-se hoje que nenhuma cidade brasileira possui um Plano Diretor de Drenagem Urbana.
As ações públicas atuais estão indevidamente voltadas para medidas estruturais como a canalização, no entanto esse tipo de obra somente transfere a enchente para jusante. O prejuízo público é dobrado, já que além de não resolver o problema os recursos são gastos de forma equivocada. Esta situação é ainda mais grave quando se soma o aumento de produção de sedimentos (reduz a capacidade dos condutos e canais) e a qualidade da água pluvial (associada aos resíduos sólidos).
Esta situação é decorrente, na maioria dos casos, da falta de consideração dos aspectos hidrológicos quando se formulam os Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano. Deste modo são estabelecidos, por exemplo, índices de ocupação do solo incompatíveis com a capacidade da macrodrenagem urbana. Fonte: Ambiente Brasil 

Comentário:
Obs: Atividade antrópica é a ocupação de zonas terrestres pelo Homem e a decorrente de exploração, segundo as necessidades e as atividades humanas, dos recursos naturais.

PANORAMA NO BRASIL: OCUPAÇÃO URBANA, RURAL  E CRESCIMENTO POPULACIONAL

INÍCIO DO CENÁRIO: DESMATAMENTO
FLORESTA
Desde a época do Brasil Colônia até hoje,  a área desmatada dos três maiores biomas - Amazônia, Floresta Atlântica e Cerrado - soma, no total, 2,7 milhões de km2, ou 3l,7% do território nacional e 62 vezes a superfície do Estado do Rio.
A Mata Atlântica, desde o período colonial até hoje, perdeu 93% de suas florestas que originalmente cobriam 1,3 milhões de km2 ao longo do litoral. Em áreas como as florestas de araucária no Sul , há apenas 2% da cobertura original. O Cerrado perdeu 50% ou l milhão de km2, de sua cobertura original, desde o inicio de sua ocupação na década de 50. Já a Amazônia, nos últimos 25 anos, teve destruídos cerca de 15% da floresta ou 551 km2 .

AGRICULTURA
 Área cultivada em 1940  era de 13 milhões de hectares. O gado ocupava uma  área de pastagem de 100 milhões de hectares.
Área cultivada para agricultura em 2013; 67,7 milhões de hectares. O gado ocupa uma área de pastagem de 426 milhões de hectares. O aumento da ocupação rural significou maior desmatamento, erosão do solo, assoreamento de rios, etc.

URBANIZAÇÃO
 Em 1920, a população brasileira era de 27,5 milhões de habitantes e contabilizava, em seu imenso território, apenas 74 cidades maiores do que vinte mil habitantes. Nelas  residiam 4,6 milhões de pessoas, apenas 17% da população, e mais da metade concentrada na região
Sudeste
Em 1940, (população brasileira, 41 milhões, população urbana 13 milhões)  32% dos brasileiros habitavam zonas urbanas e em 2010, (população, 190 milhões), população urbana 160 milhões,  84,36%.

A urbanização  significou maior impermeabilização do solo urbano,  desmatamento, ocupações das várzeas, ocupações de encostas, canalização e retificações  de rios e riachos.

AS PRINCIPAIS CAUSAS DE INUNDAÇÃO:
■ A morfologia da cidade a região tem relevo altamente acidentado, formado por serras, morros, fundo de vale, e encostas íngremes.
■ O clima: chove torrencialmente na época do inverno
■ Uso e ocupação do solo de maneira desordenada
■ Não há mapeamento das áreas inundáveis quanto a:
1-Conhecimento da relação cota x risco de inundação
2- Definições dos riscos de inundação de cada superfície
3- Incorporação a Legislação Municipal de uso e ocupação do solo em zona de risco
4- Falta de uso de Sistema de Informações Geográficas na análise de projetos de edificações e equipamentos urbanos. Os riscos devem ser avaliados por meio de perspectivas técnicas capazes de antecipar possíveis danos à saúde humana e ao meio ambiente. O uso de um Sistema de Informações Geográficas contribuiria nas atividades de prevenção e preparação para riscos, possibilitando a diminuição dos desastres, e, em caso de ocorrências, tendo um caráter logístico, determinando como uma população atingida por tais eventos poderia ser evacuada e protegida. Seria a ferramenta ideal para que as autoridades públicas possam efetuar o gerenciamento do desastre a fim de alocar os recursos necessários para minimizar os efeitos do desastre.
5- Controle público da ocupação regular e irregular
■ a prática legalizada da construção ilegal e construção de obras públicas que não respeita o ecossistema.
■ O aumento da vulnerabilidade é atribuível ao uso do solo e da água que é muitas vezes ainda não considera as limitações impostas pela hidrogeologia. Em conseqüência disso há uma ocupação desordenada do solo, principalmente construções, desmatamento, etc
Infelizmente a historia de desastre natural demonstra que tais acidentes se repetem após um ciclo de poucos anos. Não aprendemos ou as pessoas mudam e as lições são esquecidas, com os erros dos que nos antecederam. Infelizmente, muita gente não consegue enxergar e nem tirar proveito dos fatos que já aconteceram , imagine a cegueira diante dos fatos portadores de futuro ou os mesmo futuros repetirão os mesmos erros. A natureza tem suas próprias leis para provocar o desastre.

Vídeo
Vídeo longo, porém explicativo.

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terça-feira, junho 24, 2014

Estrada que brilha no escuro é aberta na Holanda

ESTRADAS ILUMINADAS
Um trecho de uma estrada na Holanda recebeu uma pintura especial que brilha no escuro, com o objetivo de aumentar a segurança sem gastar eletricidade da rede.
A pintura contém um pó fotoluminescente que é carregado pela luz do Sol durante o dia e, lentamente, libera um brilho verde à noite, eliminando a necessidade de iluminação pública - na Europa, muitas estradas são iluminadas, como as ruas no Brasil.
O artista interativo Daan Roosegaarde se associou à empresa de engenharia civil holandesa Heijmans para implantar a ideia.
A tecnologia está sendo testada em um trecho de 500 m, e o lançamento oficial está previsto para o final deste mês.
É a primeira vez que as faixas que brilham são implantadas em uma estrada - estrada é a N329 em Oss, cerca de 100 quilômetros a sudeste de Amsterdã.

UMA VEZ CARREGADA, A FAIXA PODE BRILHAR POR ATÉ OITO HORAS.
"O governo está apagando a iluminação pública à noite para economizar dinheiro, a energia está se tornando muito mais importante do que poderíamos ter imaginado há 50 anos", disse Roosegaarde. "Este (projeto na) estrada é sobre segurança e com o foco em um mundo mais autossustentável e mais interativo."

INOVAÇÕES NAS ESTRADAS
A inovação nas estradas deve ser incentivada, disse o professor Pete Thomas, do Centro de Investigação de Segurança de Transportes da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha), mas novas tecnologias precisam ser testadas e sua eficácia em segurança precisa ser comparada com tecnologias já existentes.
"Colocar essa tecnologia em todas as estradas sem iluminação seria um grande investimento. Por isso, precisamos de provas concretas sobre como isso se compara com (a tecnologia) que já temos", disse ele.
Inicialmente, a equipe também tinha planos de desenvolver símbolos que apareceriam na estrada quando a temperatura externa chegasse a um determinado nível. A mistura de tinta sensível à temperatura seria usada para criar símbolos gigantes em formas de flocos de neve na pista para alertar os usuários de que a pista da estrada poderia estar congelada.
O trecho atual da estrada não inclui esta tecnologia sensível à temperatura.
O projeto ainda está em testes e espera-se que possa ser expandido internacionalmente ainda neste ano. A imprensa holandesa informou que a Heijmans está interessada em usar a tinta em outras estradas, mas que nenhum contrato havia sido negociado. Fonte: Inovação Tecnológica-com informações da BBC-15/04/2014

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terça-feira, junho 17, 2014

Bloqueador não oferece proteção total contra câncer de pele

Um estudo britânico recém-publicado faz um alerta para quem acha que, usando protetor solar, está totalmente protegido do câncer de pele.

Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, não se deve confiar apenas no bloqueador como forma de prevenção de melanomas - um tipo maligno de câncer de pele.

 USO DO PROTETOR SOLAR COM OUTRAS MEDIDAS PARA PROTEGER A PELE
"Os resultados ressaltam a importância de combinar o uso do protetor solar com outras medidas para proteger a cútis, como o ato de usar chapéus e roupas folgadas, além de ficar na sombra nos horários de sol forte", afirma o professor Richard Marais, principal responsável pelo estudo.

Publicada na revista Nature, a pesquisa feita em animais revelou detalhes sobre como os raios UV deixam as células epiteliais mais suscetíveis ao câncer.

É sabido que a exposição ao sol é um dos principais fatores de risco desse tipo de câncer de pele.

Mas ainda havia poucos detalhes sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.

PERIGO- EFEITOS DOS RAIOS UV
No estudo, os cientistas investigaram os efeitos dos raios UV na pele de camundongos para verificar a ação do protetor contra o câncer.
"Os raios UV atacam os mesmos genes que nos protegem contra seus efeitos nocivos, mostrando o quanto esse agente causador do câncer é perigoso ", disse Marais.

"Acima de tudo, esse estudo traz provas de que os bloqueadores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV."

Os pesquisadores descobriram que os raios UV causaram problemas no gene p53, que normalmente ajuda a proteger o corpo contra os efeitos de um DNA com falhas.

O estudo também mostra que o protetor pode reduzir a quantidade de falhas no DNA causadas pelos raios UV, atrasando o desenvolvimento do melanoma nos camundongos.

Julie Sharp, chefe de informação do instituto britânico de pesquisa sobre o câncer, disse que as pessoas tendem a achar que são "invencíveis" a partir do momento que passam a usar bloqueador solar e por isso ficam mais tempo sob o sol, ampliando a exposição aos raios UV.

HÁBITOS SEGUROS
"É essencial adquirir hábitos seguros para se proteger do sol e não se deixar queimar - queimaduras de sol são, aliás, um claro sinal de que o DNA das suas células epiteliais foi danificado e, a longo prazo, isso pode levar ao câncer de pele", disse.
O melanoma é o quinto câncer mais comum no Reino Unido, com mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com a doença por ano.
No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que houve 6.230 novos casos deste tipo de tumor em 2012, sendo 3.170 homens e 3.060 mulheres (2012). Fonte: UOL Notícias –11/06/2014

Comentário:
O QUE É O CÂNCER DE PELE?
É uma doença que ocorre por conta do desenvolvimento anormal das células da pele. Elas se multiplicam repetidamente até formar um tumor maligno. O câncer de pele é uma doença que tem cura, se descoberto logo no início.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA DESENVOLVER O CÂNCER DE PELE?
• História familiar de câncer de pele;
• Pessoas de pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros;
• Pessoas que trabalham frequentemente expostas ao sol sem proteção adequada;
• Exposição prolongada e repetida ao sol na infância e adolescência.
 O sol é importante para a saúde, mas é preciso ter cuidado com o excesso. Quando seus raios ultravioletas  (tipos A e B) atingem a pele, podem alterar suas células e provocar envelhecimento precoce, lesões nos olhos e câncer de pele. Alguns cuidados especiais são necessários, principalmente para aqueles que trabalham ao ar livre.

O QUE DEVE SER FEITO NO LAZER PARA PREVENIR O CÂNCER DE PELE?
• Evite exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
• Use sempre proteção adequada, como bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros, barraca e filtro solar com fator mínimo de proteção 15.
Usar o filtro solar apenas uma vez durante todo o dia não protege por longos períodos. É necessário reaplicá-lo a cada duas horas, durante a exposição solar. Mesmo filtros solares “à prova d’água” devem ser reaplicados.

E NO TRABALHO AO AR LIVRE?
• Evite trabalhar exposto ao sol nas horas mais quentes do dia;
• Não deixe de usar chapéus de abas largas, camisas de manga longa e calça comprida;
• Se possível, use óculos escuros e protetor solar;
• Procure lugares com sombra sempre que possível.

QUE SINAIS DE ALERTA DEVEM SER PROCURADOS?
• Manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram;
• Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor;
• Feridas que não cicatrizam em 4 semanas;
• Mudança na textura da pele ou dor.

COMO DEVE SER FEITO O AUTOEXAME DA PELE?
• Em frente a um espelho, com os braços levantados, examine seu corpo de frente, de costas e dos lados direito e esquerdo;
• Dobre os cotovelos e observe cuidadosamente as mãos, antebraços, braços e axilas;
• Examine as partes da frente, de trás e dos lados das pernas, além da região genital;
• Sentado, examine atentamente a planta e o peito dos pés, assim como os espaços entre os dedos;
• Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova ou secador, examine o couro cabeludo, pescoço e orelhas;
• Também com o auxílio do espelho de mão, examine as costas e as nádegas.

Atenção: Ao perceber qualquer alteração na pele, consulte um médico.
Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer  

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quarta-feira, junho 11, 2014

Incêndio em depósito de fertilizante em Santa Catarina

Um incêndio na terça-feira á noite, 23 horas, 24 de setembro,  em um depósito de fertilizante no terminal marítimo de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) provocou uma nuvem tóxica que obrigou os bombeiros a evacuarem dezenas de casas próximas ao local,  na madrugada de quarta-feira, 25 de setembro de 2013.  

EVACUAÇÃO
Cerca 50 pessoas foram levadas para os hospitais da região, sofrendo algum grau de intoxicação. A fumaça do nitrato pode causar insuficiência respiratória grave.
Segundo a Defesa Civil, 80 pessoas foram levadas para abrigos, no Colégio Estadual Santa Catarina. Entre elas, um grupo de 40 idosos de uma casa de repouso.
Os bombeiros fizeram evacuações nos bairros de Paulas, Capri, Ubatuba e Iperoba.
As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Pessoas intoxicadas foram encaminhadas para hospitais de São Francisco do Sul e Joinville. Conforme os Bombeiros Voluntários, a fumaça estava passando baixa sobre as casas.
 De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Antônio Edival Pereira, a orientação é que as pessoas procurem um local arejado, já que o produto contém substâncias tóxicas, como nitrato de amônia e cloreto de potássio. "Estamos trabalhando para amenizar a situação", declarou.

CORPO DE BOMBEIROS
O órgão acionou unidades de bombeiros de seis cidades próximas para combater as chamas.
Os bombeiros não puderam conter as chamas por falta de um produto químico usado nestas situações, disponível apenas na cidade de Itajaí (a 100km de Florianópolis).  
A Polícia Militar, a Defesa Civil e os bombeiros estão com dezenas de homens na área, todos usando máscaras de proteção.
A circulação na BR-280, que leva ao terminal, foi interrompida por 8 km, raio coberto pela nuvem de fumaça tóxica.
Segundo o Corpo de Bombeiros, foram deslocados para o local 70 bombeiros militares e voluntários, seis tanques com 10 mil litros de água.  
Quem mora nas proximidades, segundo o coronel Oliveira, deve evitar o contato com a fumaça. "Não é necessário esvaziar a cidade, mas aconselhamos a população que vive próximo do incêndio deixar suas casas", orientou o Coronel.

NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA ESPALHA
A nuvem de fumaça tóxica que cobre São Francisco do Sul deve alcançar o litoral do Paraná e o sul de São Paulo entre a tarde e a noite de quarta-feira, 25 de setembro, informou a empresa que monitora o clima em Santa Catarina.
A meteorologista Gilsânia Araújo, da Epagri/Ciram, informou que o vento levou a fumaça na direção do mar nesta manhã, mas à tarde vai mudar de direção e deve empurrar a nuvem até Paraná e São Paulo.
O tamanho da nuvem é incerto. Até as 12h de quarta-feira o incêndio ainda não havia sido controlado, o que alimentava a fumaça --- ela podia ser vista a 25 quilômetros do ponto do fogo, segundo os bombeiros.

PRODUTO QUÍMICO
A nuvem tóxica contém nitrato de amônia, difosfato de amônia e cloreto de potássio, segundo a Defesa Civil.
A professora Marlene Zannin, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), informou que as substâncias podem provocar irritação nos olhos, dores de garganta e, em casos extremos e raros, câncer.
"As pessoas devem evitar respirar a fumaça. Devem evitar se expor a ela", disse a professora.
O contato indireto com a fumaça (pela chuva, por exemplo) também pode provocar irritações, segundo a especialista, mas em escala menor.
Segundo nota da Prefeitura de São Francisco do Sul, não há feridos graves na cidade. Mas um número não estimado de pessoas procurou atendimento nos postos da cidade queixando-se de dor de garganta e tontura.

DEPÓSITO DE FERTILIZANTES
De acordo com as equipes de segurança, 10 toneladas de fertilizantes estavam no depósito da Global Logística, no terminal marítimo de São Francisco do Sul --a cidade tem o maior porto de Santa Catarina e o quinto maior do país, com uma movimentação anual de 5,4 milhões de toneladas, segundo a prefeitura.
Segundo o major Losso, do Corpo de Bombeiros, a informação inicial era de que a substância era nitrato de potássio, porém, ao checar os documentos da empresa, os bombeiros descobriram que a substância na verdade era nitrato de amônia. "Conferimos os documentos do importador e percebemos que era nitrato de amônia. A fumaça não é tóxica, mas causa intoxicação se for inalada em grandes quantidades", esclarece.

FUMAÇA NA CIRCUNVIZINHANÇA
A Prefeitura de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) está distribuindo desde o meio‑dia 5.000 máscaras à população para amenizar os problemas causados pela nuvem de fumaça tóxica que emana  da queima do fertilizante desde a madrugada.
O número de pessoas que procuraram ou foram levados aos hospitais da área subiu para 100, segundo as autoridades.
Um trecho de 20 km da BR-280 (estrada que liga a cidade a Joinville) está congestionado por gente que deixa a região em busca de segurança.
A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar bloquearam a rodovia, permitindo apenas a saída de moradores.
A coluna  da nuvem de fumaça tóxica podem  ser vistas a 30 quilômetros de distância, segundo relatos de moradores. A Defesa Civil emitiu um alerta também para Joinville, a maior de Santa Catarina, caso os ventos soprem na sua direção. O local e bairros circunvizinhos (Iperoba, Reta, Rocio Pequeno e Sandra Regina) precisaram ser evacuados por causa da fumaça.
Segundo informações passadas pelo Governo, cerca de 150 famílias foram retiradas das casas e levadas para a Escola Estadual Professora Claurinice Vieira Caldeira Forte. As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).
Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, pela localização do fogo, a fumaça deve ir no sentido do mar e acabará passando pelas praias da cidade. O vento na região de São Francisco do Sul é na direção Oeste/Sudeste.
No final da tarde de quinta-feira,  26 de setembro,  a fumaça tomou o centro da cidade, como uma neblina. O cheiro é semelhante ao de água sanitária. A orientação é que os moradores a evitem e rumem a lugares arejados.

INTOXICAÇÃO
Pelo menos 105 pessoas foram atendidas com sintomas de intoxicação no Hospital Nossa Senhora das Graças, em São Francisco do Sul, nenhuma em estado grave. Elas foram atendidas e apenas uma continuava em observação até as 13h50.
A fumaça causa irritação na mucosa. Se for inalada em quantidade, a fumaça causa queimaduras e irritação. A intoxicação pode causar insuficiência respiratória. Não podendo evitar o contato com a fumaça, a orientação é a utilização de máscaras.

CONTROVÉRSIA NA TOXICIDADE DO PRODUTO QUÍMICO
O governo do estado de Santa Catarina divulgou no início da tarde de quarta-feira, 25 de setembro,  nota onde afirma que o incêndio na carga de fertilizante à base de nitrato de amônia  não é tóxico. A nota informou que, de acordo com o Código Internacional de Produtos Perigosos da ONU, a substância é oxidante e não tóxica. Durante toda a manhã, porém, bombeiros informaram que a fumaça causada por este incêndio, por causa da substância queimada, seria tóxica.
O professor Nito Angelo Debacher, doutor em Química e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), disse que o nitrato de amônia ao entrar em contato com o calor gera gás amônia, que é tóxico. "Se tem amônia no gás, com certeza é tóxico. A fumaça estava muito densa. Eu não recomendaria ninguém a respirar aquilo", disse ele, contrariando a afirmação do governo de que a fumaça não é tóxica.
A supervisora do Centro de Informações Toxicológicas, Marlene Zannin, explica que a população deve permanecer calma e atenta aos sintomas. Segundo ela, a dispersão das substâncias geradas pela queima do nitrato de amônia, como nitrato de amônia, diafosfato de amônia e cloreto de potássio, provoca tosse, pele avermelhada, olhos lacrimejantes e doloridos, além de congestionamento das vias orais.

FUMAÇA  TOXICA ALCANÇA LITORAL DO PARANÁ
De acordo com o meteorologista do Climatempo, Marcelo Pinheiro, às 21 horas, a imagem do satélite mostrava que a fumaça já havia passado por Guaratuba e estava entrando na baía de Paranaguá.
Há risco, também, de a fumaça atingir os litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso porque fortes rajadas de vento provocadas por um ciclone extratropical que se formou em áreas do Sul e do Sudeste pode transportar essa fumaça para os dois Estados. Pela manhã, o ciclone chegou a impulsionar a fumaça na direção do mar.
Segundo o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, o comportamento da fumaça depende muito da altura em que ela está na atmosfera, mas, até então, tudo indica que ela não deva subir demais - o que reforça o fato dela continuar seguido para o Norte, na mesma direção do vento. A tendência é que o vento sul permaneça pelo menos até esta quinta-feira.

A DEFESA CIVIL NÃO SABIA DA TOXICIDADE DO PRODUTO
"Nós não sabíamos das consequências desse produto", disse secretário da Defesa Civil
Secretário Milton Hobus. Segundo ele, um engenheiro químico e o laudo da empresa exportadora do produto classificaram o nitrato de amônia como "moderadamente perigoso e tóxico".
Inicialmente, o governo afirmou que a fumaça gerada pelo incêndio químico que ocorreu em São Francisco do Sul não era tóxica. Foi confirmado que a fumaça é, sim, tóxica.  

COMBATE INICIAL

Foto 1 -  Inicialmente, os bombeiros precisaram retirar os contêineres que trancavam a frente e a lateral do   galpão. Pelas janelas, jatos de água eram lançados para umedecer o composto e reduzir a temperatura.

1-Uma canaleta e uma piscina foram improvisados do lado de fora para depositar a água que saía do galpão. O líquido era absorvido por um caminhão-pipa e levado para tratamento antes do descarte para evitar contaminação.

2-Bombeiros combatem o fogo jogando água para dentro do pavilhão.

3-No final da tarde, um guindaste foi usado para fazer furos no teto e permitir a saída  vertical da fumaça. As portas do galpão foram fechadas com os contêineres para impedir a entrada do vento e facilitar a visibilidade do operador que removia o fertilizante.

4-A proteção lateral do teto de zinco foi rompida para facilitar a saída  da fumaça e o acesso da água lançada prelos bombeiros.

5- Retroescavadeira retiravam do galpão e levavam para fora a parte do fertilizante que ainda não havia entrado em reação.

COMBATE AO INCÊNDIO
Enormes ventiladores levados pelo Corpo de Bombeiros vão ajudar no combate ao incêndio.
A combustão gerou uma nuvem amarelada que tomou conta de bairros da cidade, chegou ao Paraná e pode atingir até o litoral de São Paulo.
Segundo o tenente-coronel Sérgio Murilo de Melo, comandante do 7º Batalhão de Bombeiros de Santa Catarina, os ventiladores vão ajudar a desviar a fumaça de quem está combatendo o acidente.
"O vento hoje estava jogando todos os gases para cima de nós. Então, volta e meia tínhamos que parar a operação", contou ele.  Dois bombeiros ficaram feridos devido ao contato com a fumaça, que mudou de direção e os pegou de surpresa. Um deles permanece internado, mas sem risco de morte.
Agora, com o equipamento, a intenção é que os gases sejam desviados, para que se faça a retirada do resto dos fertilizantes que estão no galpão, etapa fundamental para acabar com a combustão.
"Esse material está queimando de dentro para fora", diz Melo. "Temos que resfriar e chegar no foco dessa reação química."
Havia 10 mil toneladas de fertilizantes à base de nitrato de amônia no local. Apenas 10% do material foi retirado até a noite de hoje, segundo estimativa dos bombeiros. O trabalho é feito com retroescavadeiras, cedidas pela prefeitura, governo estadual e pela empresa proprietária do galpão, a Global Logística.
Além dos ventiladores, um equipamento com tubos, trazido de Paranaguá (PR), vai ser usado para jogar água dentro do material em combustão.
A expectativa do Corpo de Bombeiros é que o incêndio seja controlado apenas a partir de sexta-feira à tarde. Até lá, as equipes vão ficar atentas à mudança do vento, que pode levar a nuvem de fumaça para outros bairros que não os que estão evacuados hoje.
O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Coronel Marcos Oliveira, estima que os trabalhos para normalizar a situação no depósito de fertilizantes em São Francisco do Sul podem durar mais de um dia.
— Temos que conter a fumaça e chegar até o centro da reação química para neutralizá-la. Vamos manter um grupo de 200 homens trabalhando 24 horas por dia em esquema de plantão até resolver o problema. Não temos um prazo específico, mas estimo que sejam várias horas, mais de um dia — disse ele.

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA NO COMBATE AO FOGO
Por 40 horas, os bombeiros usaram escavadeiras e destruíram paredes para retirar o material do galpão e acabar com a combustão. Sob orientação dos técnicos da Vale Fertilizantes, descobriram que, na verdade, estavam "alimentando" essa combustão.
A entrada do maquinário trazia novos componentes ao material, que estimulavam a combustão. A abertura de paredes ofertava ar para o processo e aumentava a temperatura do galpão, assim como o incêndio. "Agora, o combate está mais técnico", diz Coronel Marcos Oliveira .
O  uso de uma câmera térmica tornou o trabalho dos bombeiros mais eficiente. O equipamento permitia identificar com precisão os focos de calor no interior do galpão.

ESTADO DE EMERGÊNCIA
A cidade de 42 mil habitantes está sob estado de emergência desde quarta-feira. Mais de 800 pessoas foram levadas para abrigos da prefeitura. O prefeito da cidade fez apelos por doações de colchões e mantimentos para os abrigados.
A Defesa Civil isolou um raio de 2 km do depósito. A população está sendo constantemente alertada para afastar-se da rota da fumaça. Sua toxidade moderada produz irritação nos olhos, nariz e garganta. A Secretaria da Saúde recomendou que as pessoas permanecessem em locais arejados.  

VITIMAS
O bombeiro voluntário David Marcelino sofreu grave intoxicação quando trabalhava no combate à fumaça tóxica. Ele foi internado às 4h desta quinta-feira (26) na UTI do Hospital Hans Schmidt, em Joinville (194 km de Florianópolis). Ele é bombeiro voluntário há 35 anos  na cidade vizinha de Guaramirim. Segundo informações da assessoria do hospital, o laudo médico foi de intoxicação por substâncias químicas. O estado de saúde de Marcelino é considerado grave, porém, estável.
Outras 138 pessoas foram atendidas nos hospitais, nenhuma apresentou sintomas graves.
Segundo o Corpo de Bombeiros, não há mortos, mas já há registro de pessoas intoxicadas no hospital da cidade, e os casos mais graves estão sendo levados para Joinville.
Além dos moradores abrigados pela prefeitura, cerca de 400 famílias deixaram suas casas nos bairros mais afetados pela fumaça e foram para Joinville, para casas de parentes ou hotéis. A Polícia Militar e tropas do Exército patrulharam a região durante a noite, para evitar saques.
O posto de comando da crise ambiental está montado na prefeitura local. O expediente das repartições foi suspenso. O comércio fechou e as aulas também foram suspensas até sexta.

A NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA CHEGOU NO LITORAL SUL DO PARANÁ
A nuvem de fumaça tóxica chegou a Guaratuba, no litoral sul do Paraná. As aulas na cidade foram suspensas. Sete pessoas procuraram os hospitais com sintomas de intoxicação leve. Elas foram medicadas e passam bem.

NUVEM DE FUMAÇA ATINGE HOSPITAL
A nuvem de fumaça tóxica  mudou de direção e foi para o centro da cidade, o que forçou o Hospital Nossa Senhora das Graças a evacuar os pacientes na noite de  quinta-feira, 26 de setembro.
Eles estão sendo removidos para hospitais em Joinville, 30 km a noroeste, área ainda não atingida pela fumaça.
O médico Álvaro Ricardo Junior disse que os pacientes com menor risco são levados para uma unidade de Pronto Atendimento e os mais graves para o Hospital Regional de Joinville.
A mudança dos pacientes está sendo feita por dezenas de ambulâncias, com o pessoal de apoio e pacientes usando máscaras. Os hotéis do centro da cidade também evacuaram seus hóspedes.

INCÊNDIO É CONTROLADO
O incêndio foi controlado  após 60 horas. Por volta das 11h40, de sexta-feira, 27 de setembro, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Alexandre Corrêa Dutra, que coordenou os trabalhos dos bombeiros na manhã de sexta-feira, informou que não havia mais fumaça na cidade.
O rescaldo dos bombeiros no armazém continua até o início da tarde. Eles estão jogando água e mexendo nas 10 mil toneladas de fertilizantes e jogando água no material, para evitar reações químicas, segundo o tenente-coronel Alexandre Corrêa Dutra.
Não há mais fumaça na cidade. O material será retirado e toda vez que mexemos nele, vapor é liberado, mas não chega a formar fumaça. Estamos jogando água porque esse tipo de substância tem que ser movimentada para não haver reação e evitar calor. À tarde, vamos liberar o local para a perícia, disse Dutra.
As 10 mil toneladas de fertilizantes queimaram durante 57 horas. Dos 42 mil habitantes da cidade, cerca de 9.000 deixaram a localidade neste período fugindo da fumaça.
Na manhã de hoje, a fumaça mudou da cor amarela, passando de alaranjada para cinza, antes de finalmente ser extinta.
Durante a noite e a madrugada, a fumaça mudou de direção e atingiu 13 bairros e o centro histórico da cidade. Tropas do Exército e da Polícia Militar ordenaram a saída dos moradores dessas regiões.

PARALISAÇÃO DO PORTO
A fumaça paralisou as atividades do porto de São Francisco. Em consequência, os trens que transportavam cargas aos navios também pararam.
Mais de 3.000 caminhões de carga estão estacionados nas proximidades do porto. A Polícia Rodoviária Federal fechou o trecho da BR-280 que leva ao porto para evitar o acúmulo de mais caminhões.

DANOS AMBIENTAIS
Segundo os bombeiros, a retirada do material será acompanhada por funcionários da secretaria de Meio Ambiente e da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), órgão do governo do estado.
O material será retirado com máquinas e será levado para um terreno vazio que o município cedeu, perto do terminal — disse o subcomandante geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, tenente-coronel Gladimir Murer.
Um levantamento preliminar dos bombeiros afirma que o volume de água utilizado nos trabalhos já ultrapassou 2 milhões de litros.
Segundo Carlos Mergen, analista ambiental do Ibama, a piscina montada para manter isolada a água usada no combate ao fogo foi essencial para evitar danos ambientais. Elas ajudaram a conter a água para que ela não fosse para os mananciais e contaminasse o solo. De acordo com o analista, o dano ambiental no solo foi mínimo.
A piscina tinha capacidade para 300 mil litros. Caminhões-pipa tiravam frequentemente a água para dar mais espaço. Os caminhões-pipa vão levar a água para uma empresa de Joinville para ela receber tratamento. Órgãos ambientais ainda irão efetuar uma análise aprofundada da situação.
O comportamento da flora e fauna da região será monitorado pela Fatma. "Calculo que vai demorar meses para termos respostas mais concretas sobre a contaminação", disse. Nesta sexta (27), como o incêndio foi controlado, a Fatma enviará a São Francisco do Sul um diretor de fiscalização e um representante da regional de Joinville para avaliar a possível contaminação do ar, córrego e lençol freático.
Além da Fatma, outras instituições também farão coletas para analisar o impacto ambiental em São Francisco do Sul. A Universidade da Região de Joinville (Univille)  deve ter um resultado da análise da coleta do ar até próxima quinta-feira, 3 de outubro. Também serão retiradas amostras da água da chuva em Joinville, para verificar se houve impacto naquela cidade.

Para professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros, "o ideal é que, neste primeiro momento, fosse feita análise do solo e ar da região e ver que tipos de substâncias são encontradas. É preciso saber exatamente o que tem e em qual quantidade para prever as melhores ações". Segundo ela, como o material envolvido no incêndio era um fertilizante, caso ele chegue até a água, pode haver um excesso de nutriente nesse local. Isso promoveria o desenvolvimento de algas, que consomem oxigênio. Com isso, os peixes poderiam ficar sem o elemento e morrerem.
No solo, ainda segundo a professora, o impacto não seria tão direto. "Vai depender se vai chover, se a água vai transportar e levar o material para lençol freático". Com o fenômeno meteorológico, havia uma lavagem da atmosfera e causar uma alteração no nível de acidez da água.

BOMBEIROS AUTORIZAM MORADORES A VOLTAREM PARA CIDADE
Na tarde de sexta-feira, 27 de setembro, os bombeiros autorizaram os moradores retornarem as suas casas próximas ao local. As autoridades divulgaram uma lista de recomendações às pessoas, que incluem cuidados com a água, ventilação, poeira e os alimentos.
As recomendações aos moradores são para abrir toda a casa para que haja ventilação, não ingerir água de caixas que estavam destampadas, tirar o pó dos móveis e colocá-los em local arejado e descartar alimentos expostos.
Mais especificamente sobre a água, o Samae de São Francisco do Sul informou que, de 30 em 30 minutos, três empresas estão verificando a qualidade do líquido. A água do Samae é 100% potável. No caso de caixas que ficaram destampadas, a orientação dos bombeiros é fechar o registro e utilizar a água que permanece na caixa apenas para limpeza. Se possível caixas que estavam sem tampa, devem ser limpas com água sanitária.
Sobre os riscos aos moradores da região, a professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros recomenda que as pessoas, ao voltarem às casas, ventilem o máximo possível o ambiente e façam limpeza de toda a superfície com pano úmido, sem varrer. Para evitar alergia ou irritação, os moradores devem usar luvar e máscaras cirúrgicas, impedindo contato com pó.

REMOÇÃO DE RESÍDUOS TÓXICOS
Ainda não há certeza sobre quanto tempo levará o processo de remoção da água armazenada em um piscinão montado a cerca de 800 metros do galpão.
A piscina serviu de armazenamento para a água que foi usada pelos bombeiros e teve contato com o nitrato de amônio estocado no galpão. Caminhões fazem a sucção da água e a levam para um aterro industrial. Conforme o secretário do Meio Ambiente de São Francisco do Sul, Eni Voltolini, uma pequena quantidade de água também é drenada para o restante do córrego através de um cano.
—Implantamos um sistema de drenagem com controle de vazão. A água é liberada na medida em que a análise das amostras coletadas comprova que não há risco para a fauna aquática — explica.
A estimativa, conforme Voltolini, é de que o trabalho continue por pelo menos mais uma semana. Segundo o secretário, a situação está sob controle e não houve registro de contaminação no mar ou no solo. Mas parte da vegetação atingida diretamente pela fumaça mais densa, observa Voltolini, pode secar em reação ao elemento químico.

A CIDADE VOLTA AO NORMAL
O comércio turístico no Centro Histórico abriu normalmente. Nos bairros, apesar de ser fim de semana, também se viu bares, peixarias e supermercados de portas abertas. Ao contrário das expectativas, o trânsito na BR-280 fluiu com tranquilidade entre sábado e domingo.
Alunos das redes estadual e municipal em São Francisco do Sul terão aula normal  e expediente nos órgãos municipais, que esteve suspenso durante o período de crise, também será cumprido normalmente na segunda-feira, 30 de setembro.

INQUÉRITO
Inquérito policial foi aberto oficialmente na segunda-feira, 30 de setembro,  pela Delegacia da Polícia Federal em Joinville, para apurar o acidente químico em São Francisco do Sul.
Conforme o delegado, caberá à PF investigar os danos ambientais e a poluição causada pelo incidente, considerando que a nuvem de fumaça atravessou a divisa de Santa Catarina. A apuração das circunstâncias do evento que ocasionou a reação química, conforme o delegado-chefe ficará a cargo da Polícia Civil de São Francisco do Sul.
O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, mas o término da investigação pode se estender além do tempo previsto porque depende de análises laboratoriais, incluindo os laudos do Instituto Geral de Perícias.

AÇÃO CÍVEL
120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho vão entrar na Justiça com ação civil pública e cobram R$ 10 mil para cada pessoa por danos morais
As 120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho, uma das comunidades mais próximas do terminal da Global Logística, em São Francisco do Sul, não esperaram pela perícia ou por levantamentos técnicos dos danos causados pela fumaça que cobriu a cidade por três dias..
 Elas entraram na Justiça com uma ação civil pública exigindo indenizações por danos morais e materiais pelo ocorrido. São cerca de 300 pessoas que moram às margens da BR-280.
 Segundo o advogado da associação, Pedro Donel, além do abalo por ter de deixar suas casas, os moradores tiveram prejuízos financeiros porque não puderam trabalhar.
A ação pede R$ 10 mil para cada um dos associados por danos morais e valores que variam de R$ 100 a R$ 200 por dia para as pessoas que não puderam trabalhar de quarta a sábado.
Segundo o advogado, o que está em questão, agora, é o prejuízo real de quem trabalha por dia – situação da maioria dos moradores. São pessoas que trabalham em sistema avulso, por dia, algumas no porto, outras fazendo carregamentos, e que precisam desse dinheiro, mesmo que valores não sejam altos, para tocar suas vidas.
A ação de indenização não foi julgada e é provável que outras sejam abertas nos próximos dias por associações ou moradores e comerciantes da região.

LAUDO TÉCNICO APONTA IRREGULARIDADES
O laudo foi divulgado em 15 de  janeiro de 2014. Os peritos criminais do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontaram que o incêndio químico em São Francisco do Sul, na região Norte de Santa Catarina, foi causado, possivelmente, pela junção de substâncias não identificadas e a umidade relativa do ar "em estado crítico", além do ambiente que abrigava o material estar propício para que a reação química ocorresse.
O documento aponta diversas irregularidades no galpão;  a situação do imóvel em relação às normas do Corpo de Bombeiros do estado contra incêndio estava "completamente irregular”, pois o local não possuía projeto preventivo contra incêndios, licença de construção ‘Habite-se’ e atestado de vistoria para funcionamento.

O perito criminal Rogério de Medeiros Tocantins explica que, de acordo com a bibliografia consultada para o laudo, o fenômeno decomposição auto-sustentável nunca tinha ocorrido no país, sendo o caso de São Francisco do Sul o primeiro brasileiro. A média mundial é de um caso semelhante a cada três anos. Rogério acrescenta que nem todos os fertilizantes são capazes de sofrer esse tipo de decomposição.

A decomposição térmica desse tipo de fertilizante, em geral, é iniciada por uma fonte externa de calor. Mas no local não foram encontrados elementos técnicos que sugerissem que a reação em São Francisco tenha se iniciado por fonte externa. A absorção de umidade, ou seja, a absorção de água presente na atmosfera, também promove a degradação física do fertilizante, podendo gerar uma solução ácida. O fertilizante ficou entre 20 e 25 dias no galpão, que precisaria de melhores condições para controle da umidade, e essa reação pode ter ocorrido lentamente nesse período.

“Conseguimos identificar elementos técnicos que apontam como causa mais provável a formação de uma condição ácida e/ou a presença de elementos catalíticos, como por exemplo o cloreto. Foi constatado que esse fertilizante, na sua composição, possui o elemento cloro, ligado na forma de um sal, que em presença de umidade se dissocia e forma um cloreto. Esse cloreto em condições ácidas se torna mais suscetível a desencadear uma decomposição térmica que pode desenvolver para um decomposição auto-sustentável”, explica o perito Rogério. Ele ressalta, no entanto, que não se pode descartar a presença de outros contaminantes – a Polícia Civil ainda vai investigar o que estava armazenado no galpão antes do espaço receber o fertilizante.

QUESTÕES AMBIENTAIS
O laudo aponta, ainda, que foram evitados grandes danos ambientais em São Francisco do Sul. Foram avaliados impactos na flora, na fauna e na água da região. “Na vegetação, verificamos um dano na borda na floresta, um dano mínimo em que a vegetação se recupera naturalmente. E em relação aos corpos hídricos, a água contaminada escoou por dois canais artificiais. Essa água seria levada pelos canais artificiais para cursos naturais, um deles no meio do manguezal. Mas foi feita uma barreira de contenção e o material foi coletado por caminhões-pipa e direcionado para tratamento em empresas especializadas“, explica o perito criminal Rafael Salum de Oliveira.

POLÍCIA INDICIA PROPRIETÁRIOS DO ARMAZÉM
A polícia catarinense indiciou os proprietários do armazém. Eles são acusados de crime ambiental.
A Polícia Civil afirmou que os indiciados "assumiram o risco dessa reação ter ocorrido, uma vez que não possuíam atestado de vistoria dos Bombeiros atualizado". Além disso, o fato de diversos produtos químicos estarem armazenados juntos com fertilizantes "sem a supervisão de um químico que conseguiria fazer uma análise adequada a respeito do acondicionamento desses materiais", fez com que os investigadores optassem pelo indiciamento.

Fontes: G1SC, Defesa Civil e Bombeiros de SC, Diário Catarinense, A Notícia, Folha de São Paulo, O Globo, Zero Hora, UOL Noticias,  no período de 25 de setembro de 2013 a 15 de janeiro de 2014

Vídeo:


Comentário:
Todas as reações químicas e bioquímicas liberam ou absorvem energia do ambiente de alguma forma. Os processos que liberam calor são denominados exotérmicos e transmitem sensação de aquecimento. É o caso, por exemplo, da combustão.
A decomposição auto-sustentável (SSD- Self-sustaining decomposition) é o fenômeno na qual uma reação de decomposição localmente iniciada se propaga através da massa de um material. Este fenômeno tem sido registrado em fertilizantes inorgânicos e outros materiais com uma alta porcentagem de nitrato de amônia.  

Outros materiais, tais como peróxidos, são também conhecidos por sofrerem decomposição exotérmica. Acidentes de decomposição auto-sustentável pode ser iniciado por aquecimento interno  ou por fonte de calor externo.  O auto-aquecimento é o fenômeno em que a temperatura de um corpo de materiais aumenta devido ao calor que está sendo gerado por algum processo que ocorre internamente no material. Se esse calor não pode ser perdido para o ambiente a uma taxa maior do que aquela  que é gerado, então pode ocorrer uma fuga térmica.

Auto-aquecimento de fertilizantes é promovida quando grandes quantidades de material permanecem em repouso durante um longo período de tempo, por exemplo, em armazenamento ou transporte a granel, ou, se tratar de contaminação com material orgânico com  o qual o nitrato de amônia começa a reagir diretamente por volta de 100º C. Uma fonte de calor externa (por exemplo, trabalho a quente, superfícies quentes e em brasas) também pode iniciar um SSD.

O nitrato de amônia é comumente encontrado em fertilizantes, porque incorpora nitrogênio na forma prontamente absorvida pelas culturas (ou seja, amônia e nitrato íons). No entanto, nitrato de amônia é capaz de sofrer reações de decomposição exotérmica quando exposta a uma fonte de calor.  A decomposição exotérmica do nitrato de amônia puro começa por volta de  200-230º C.

MECANISMOS DE DECOMPOSIÇÃO DE FERTILIZANTES À BASE DE NITRATO DE AMÔNIA
A decomposição química do nitrato de amônia  contendo diferentes fertilizantes  de nitrato de amônia puro, devido à presença de outros compostos (especialmente os cloretos), no total, que atuam para alterar o caminho de reação e as propriedades térmicas do  material.  As publicações técnicas existentes sobre o mecanismo de reações são escassas e com poucos detalhes técnicos.
Porém o pesquisador H. Kiiski detalhou o mecanismo de reação com as seguintes observações;
1. os íons NH 4 e NO-3 e um catalisador (geralmente Cl-) devem estar presentes  em um pequeno volume
2. Uma matriz sólida deve estar presente ou formada durante a decomposição de tal modo que o calor pode ser preso e transferido para a zona de reação
3. O calor suficiente deve ser liberado para ultrapassar as perdas de calor e permitir a propagação da reação.

DECOMPOSIÇÃO NÃO-CATALISADA
O mecanismo de reação não-catalisada global é uma reação em cadeia que termina e prossegue somente se houver calor suficiente para manter a decomposição.
O passo inicial envolve a fusão e dissociação de nitrato de amônia  (NH4NO3) para formar  amônia e ácido nítrico  (NH3 e HNO3), que ainda se decompõem em N2 (nitrogênio), N2O (oxido nitroso), NOx (óxidos de nitrogênio)  e NOxCl
.
DECOMPOSIÇÃO CATALISADA
O SSD de fertilizantes é geralmente pelo mecanismo de cloreto catalisado. Neste caso, a decomposição é, principalmente, o de ácido nítrico (HNO3), que é formado durante o dissociação endotérmico de nitrato de amônia  NH4NO3. A reação é iniciada pela formação de ácidos nítrico e clorídrico que se submetem a uma reação em cadeia com íon de cloreto que atuam como um catalisador de produção de N2, N2O, NO2 e H2O. A temperatura deve ser superior a 300º C para permitir que se complete.

DESASTRES
Grandes eventos SSD são raros e ocorrem no mundo em média, a cada três anos. As consequências podem ser graves com vítimas diretas, formação de nuvens tóxicas e explosões. Incidentes envolvendo SSD de fertilizantes incluem;
em 2002, depósito, em Cartagena, Espanha,
Em 1993 na costa do Humber, e
Em 1987, em Nantes, França.
Estes incidentes foram iniciadas por fontes de calor relativamente pequenas (por exemplo, lâmpadas ou falhas em equipamentos elétricos), mas resultou na formação de grandes nuvens tóxicas.
Embora a composição da nuvem é desconhecida, é provável que ela continha compostos de nitrogênio, óxidos nitrosos, vapor de água, e amônia e cloro, que são produtos típicos de fertilizantes NPK em decomposição.
A porção restante do fertilizante consiste em micronutrientes (magnésio, enxofre, cálcio, etc) e agentes anti-aglomerantes.

MECANISMO DE EXPLOSÃO DE NITRATO DE AMÔNIA
Nitrato de amônio se decompõe em gases, incluindo oxigênio quando aquecido (reação não-explosiva); No entanto, o nitrato de amônia pode ser induzido para decompor-se explosivamente pela detonação. Grandes estoques do material pode ser um grande risco de incêndio devido à sua oxidação, e também pode detonar,  como aconteceu no desastre Texas City, de 1947, o que levou a importantes mudanças nos regulamentos para o armazenamento e manuseio.

Existem dois principais tipos de acidentes que resultam em explosões:
1. A explosão acontece por um mecanismo conhecido como "choque de transição de detonação." Ele pode ser iniciado por uma carga explosiva saindo na massa, ou a detonação de um artefato jogado na massa, ou a detonação de uma mistura explosiva em contacto com a massa. (Veja os exemplos de incidentes no Oppau e Tessenderlo, mencionados abaixo.)
2. Os resultados da explosão de um incêndio que se propaga no próprio nitrato de amônia, ou de uma mistura de nitrato de amônia com um material combustível, durante o incêndio. (Veja os exemplos de incidentes em Texas City e Brest, listados abaixo.) O incêndio deve limitar-se, pelo menos até certo ponto, para a transição de um incêndio a uma explosão (um fenômeno conhecido como "transição de uma decomposição ou deflagração", ou DDT).

O Nitrato de amônia puro, compacto é estável, mas decompõe-se a temperaturas acima de 210°C. Ele impede a decomposição,  uma vez que a fonte de calor é removida, mas quando os catalisadores estão presentes (incluindo materiais combustíveis, ácidos, íons metálicos, ou cloretos), a reação pode tornar-se auto-sustentável (conhecido como "decomposição auto-sustentável", SSD). Este é um risco bem conhecido de alguns tipos de fertilizantes NPK e é responsável pela perda de vários navios de carga.

Alguns exemplos de desastres envolvendo nitrato de amônia  são apresentados abaixo.
1-Oppau, Alemanha, 1921: Uma tentativa de desagregar uma mistura de fertilizantes utilizando explosivos industriais causou a morte de 450 pessoas e a destruição de 700 casas em 21 de setembro de 1921 O fertilizante era uma mistura de nitrato de amônia e sulfato de amônia 50:50. Alegou-se que a fábrica tinha utilizado este método de desagregação mais de 20.000 vezes sem incidentes. Pensou-se  que, nesta ocasião, a má mistura levou a certas partes da massa  conter mais nitrato de amônia do que outros. Das 4.500 toneladas de fertilizantes armazenados no depósito, apenas um décimo explodiu.

 2-Tessenderlo, na Bélgica de 1942:  Outra tentativa de desagregar uma pilha de 150 toneladas de nitrato de amônia com explosivos industriais terminou tragicamente em abril 29, 1942 Várias centenas de pessoas foram mortas.

3- Texas City, Estados Unidos de 1947: O navio de carga Grandcamp estava sendo carregado em 16 de abril de 1947, quando um incêndio foi detectado no porão, neste momento, 2.600 toneladas de nitrato de amônia em sacos já estava a bordo. O capitão respondeu fechando o porão e bombeando vapor pressurizado. Uma hora depois, o navio explodiu, matando centenas de pessoas e ateando fogo para outro navio, o High Flyer, que estava ancorado a 250 metros de distância e que continha 1.050 toneladas de enxofre e 960 toneladas de nitrato de amônia. A explosão Grandcamp também criou uma poderosa onda de choque  que atingiu dois pequenos aviões voando a 500 m  de altura. O High Flyer explodiu no dia seguinte, depois de ter queimado por 16 horas. Quinhentas toneladas de nitrato de amônia no cais também foi queimado, mas sem explodir, provavelmente devido ao fato de que ele foi menos compactado.

4- Brest, França, 1947: O navio de carga Ocean Liberty foi carregado com 3300 toneladas de nitrato de amônia e vários produtos inflamáveis quando ele pegou fogo às 12:30, 28 de julho de 1947, o capitão ordenou o fechamento do porão e foi bombeado vapor pressurizado. Como isso não impediu que o fogo, o navio foi rebocado para fora do porto às 14:00, e explodiu às 17:00. A explosão causou 29 mortes e sérios danos ao porto de Brest.

5- Roseburg, Oregon, 1959: Um caminhão que transportava dinamite e nitrato de amônia  pegou fogo no início da manhã de 7 de Agosto de 1959.  Quando  explodiu, matou 14 pessoas e feriu mais de 125. Vários edifícios do centro de Roseburg foram destruídos. O acidente é conhecido localmente como "The Blast".

6-Kansas City, Missouri, 1988: Em 29 de novembro de 1988, em 4:07 dois trailers contendo aproximadamente 50.000 quilos de nitrato de amônia explodiu em um canteiro de obras localizado perto da saída da rua 87 de Highway 71, em Kansas City, Missouri. Os explosivos estavam sendo utilizados na detonação de rocha durante a construção da Auto-estrada 71. As explosões resultaram na morte de seis bombeiros da cidade. As explosões criaram duas crateras (cada uma cerca de 100 metros de largura e oito metros de profundidade), quebrou janelas  num raio de 16 km e pode ser ouvida a 40 km de distância. Posteriormente, foi determinado que as explosões foram de ação criminosa, por causa de indivíduos envolvidos em uma disputa trabalhista com a empresa construtora contratada para construir a rodovia.

7-Toulouse, França, 2001: Em 21 de setembro de 2001, às 10:15 AM, na AZF (Azote de France) fábrica de adubos em Toulouse, na França, ocorreu uma explosão em um depósito onde o material AN fora de especificação foi armazenado em camadas, separadas por divisórias.  A estimativa de  200 a 300 toneladas de material estava envolvida na explosão, resultando em 31 pessoas mortas e 2.442 feridas, 34 delas gravemente. A onda de explosão quebrou janelas até três quilômetros de distância e a cratera resultante tinha dez metros de profundidade e 50 metros de largura. A causa exata ainda é desconhecida. O dano material foi estimado em 2,3 bilhões de euros.

8-Ryongchon, Coréia do Norte, 2004: Um trem de carga transportando nitrato de amônia explodiu nesta cidade ferroviária importante, perto da fronteira com a China em 22 de abril de 2004, matando 162 pessoas e ferindo mais de 3.000 outros. A estação foi destruída, assim como a maioria dos edifícios num raio de 500 metros, e cerca de 8.000 casas foram destruídas ou danificadas. Duas crateras de cerca de dez metros de profundidade foram vistas no local da explosão.
Fonte: The University Edinburgh - Edinburgh Research Explorer - Small-scale experiments of self-sustaining decomposition of NPK fertilizer - Published In: Journal of Hazardous Materials, New World Encyclopedia, The chemical compound ammonium nitrate.

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sexta-feira, junho 06, 2014

Cheia do rio Acre

LOCALIZAÇÃO
Rio Acre
Acre é um rio que tem sua nascente no Peru e que deságua no Brasil, desembocando no Rio Purus (Amazonas). 
No Brasil, os principais municípios que o rio Acre banha são;
■Boca do Acre, Brasiléia,
■Xapuri e Rio Branco.
Na cidade de Rio Branco o rio Acre divide-a em dois distritos. Possui águas barrentas e piscosas.
No município de Assis Brasil, o rio Acre marca a fronteira entre Brasil, Iñapari,Peru e Bolpebra,Bolívia.

O rio Acre nasce em cotas da ordem de 300 m. Seu alto curso, até a localidade de Seringal Paraguaçu, atua como divisa entre Brasil e Peru e deste ponto até Brasiléia entre Brasil e Bolívia. A partir daí,  penetra no território brasileiro, percorrendo mais de 1.190 km, desde suas nascentes até a desembocadura, na margem direita do Purus, na cidade de Boca do Acre.

O vale do Rio Acre é bastante povoado. As principais cidades instaladas à beira do rio são: Iñapari (Peru), Assis Brasil, Brasiléia, Cobija (Bolivia), Epitaciolandia, Xapuri, Rio Branco, Porto Acre, Floriano Peixoto e Boca do Acre.
Durante as cheias, o rio Acre é navegável até as cidades de Brasiléia (lado brasileiro) e Cojiba (lado boliviano). O período de águas altas prolonga-se de janeiro a maio, aproximadamente, e o de águas baixas é mais acentuado em dezembro.
De Boca do Acre (foz) até Rio Branco, apresenta-se um estirão navegável, de 311 km, com 0,80 m. de profundidade mínima em 90% do tempo.

Entre Rio Branco e Brasiléia, as profundidades são mais reduzidas, possibilitando a navegação apenas durante a época das cheias. São 635 km de percurso, com acentuada sinuosidade e larguras inferiores a 100 m. O trecho a jusante de Rio Branco até a foz em Boca do Acre, é considerado a continuação da hidrovia do rio Purus, para acesso à capital do estado do Acre. A navegação é franca para embarcações de grande porte, nos períodos de chuvas e reduzindo para aquelas de médio e pequeno porte, nas estiagens.


Foto- Estrada BR-364, totalmente inundada
CENÁRIO DA CHEIA DO RIO ACRE
A Defesa Civil de Rio Branco monitora o nível do Rio Acre a cada três horas. A preocupação maior está com a cheia em Assis Brasil e também em Brasileia, além do Riozinho do Rôla, um dos principais afluentes e que tem contribuído para aumentar o nível do Rio Acre em Rio Branco. Estamos atentos a essa elevação do nível do Rio Acre, mas dispomos de toda a infraestrutura da prefeitura, do governo do Estado e também da ajuda do Exército para colocar à disposição das famílias que estão sofrendo com a enchente. Nossa maior preocupação é a preservação das vidas e a garantia de um lugar seguro para as famílias.

■20 de fevereiro de 2014 - A cheia do Rio Acre atingiu na tarde de quinta-feira, mais de 2,5 mil imóveis comerciais e residenciais na zona urbana de Rio Branco. Os bairros mais afetados são a Baixada da Habitasa, Seis de Agosto, Baixada da Cadeia Velha, Taquari, Triângulo Novo, Adalberto Aragão, Cadeia Velha e Ayrton Senna, onde a prefeitura e seus parceiros mantêm equipes para auxiliar a Defesa Civil no atendimento às famílias que tiveram as casas invadidas pela água. Na medição das 15 horas desta quinta-feira, o nível do rio chegou a 15,20 metros.

Foto- Estrada BR-364, totalmente inundada
ABASTECIMENTO
O Acre está temporariamente isolado do País por via terrestre desde quinta-feira, 20 de fevereiro, pela manhã, quando a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) decidiram interromper o tráfego de veículos, até mesmo inclusive carretas, pela BR-364, única ligação do Estado por terra com as demais regiões.
O excesso de chuva na região de Rondônia é a causa isolamento do Acre. O Rio Madeira invadiu a BR-364 em vários pontos. Na estrada, o nível da água alcança até 50 centímetros. Associado à correnteza, isso coloca em risco o trânsito de veículos.
O diretor institucional da Associação dos Distribuidores de Alimentos do Acre, Luiz Deliberatto, informou que, isolado, o Acre tem estoque de alimentos para os próximos 15 ou 20 dias. "O que é preocupante é que, diante do excesso de chuvas, não estamos vislumbrando alternativas no curto prazo", disse Deliberatto. "A orientação é evitar o desabastecimento e manter o consumo normal, sem estocar comida."

Foto-Cidade de Brasiléia
DESABRIGADOS
No Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, a prefeitura de Rio Branco garante toda a infraestrutura para as mais de 200 famílias atingidas pela enchente. Os boxes são individuais e há fornecimento de três refeições diárias, atendimento em saúde, assistência social, atividades de esporte e lazer, além da garantia de fraldas, leite e massa para mingau. O parque da Expoacre está recebendo famílias desde o início de fevereiro, quando o Rio Acre atingiu a cota de transbordamento.
Além de garantir assistência médica aos desabrigados e a segurança através do reforço do policiamento no Parque de Exposições, a prefeitura também está oferecendo toda a assistência social às famílias.

■26 de Fevereiro de 2014 – O governador do Acre decreta  situação de emergência na noite de quarta-feira. O trecho da estrada liga o Acre a Rondônia e é a única via de acesso terrestre, BR-364,  para o resto do Brasil. Com a inundação, o estado fica isolado.
O Rio Madeira atingiu a marca de 18,57m na quarta-feira. Trata-se de um dos maiores desastres que a Amazônia já viveu. A maior cheia registrada na capital de Rondônia ocorreu em 1997, quando o rio atingiu 17,52 metros.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal do Acre (PRF-AC), a BR-364 está fechada no período noturno. Durante o dia, só é permitida a passagem de veículos pesados. Ônibus e carros de passeio não estão fazendo a travessia.Cinco pontos estão alagados nas rodovias federais do território de Rondônia, sendo o quilômetro 158 da BR-364, sentido Porto Velho - Rio Branco, em Jacy-Paraná (RO), o mais crítico.

■27 de fevereiro, quinta-feira - O Rio Acre se mantém acima da cota de transbordamento e chegou a 14,81 centímetros na manhã de quinta-feira. Um aumento de 16 cm em relação às 18h de quarta-feira (26). Apesar da constante elevação do nível do rio, a Defesa Civil acredita que o manancial deve apresentar sinais de vazante.

■07 de março, sexta-feira - Na medição realizada às 9h da manhã de o nível do Rio Acre atingiu a marca de 14.60 metros permanecendo acima da cota de transbordamento, de 14m em Rio Branco, segundo informações da Defesa Civil municipal.
De acordo com o coronel Carlos Gundim, da Defesa Civil Estadual, a previsão é de que o rio continue a subir. "A situação é que ele vai continuar subindo, pelo menos nos próximos três dias não há a menor perspectiva de vazante e temos previsão de chuvas. Até porque, o rio está enchendo muito em Brasíleia e em Xapurí então para pensar em vazar em Rio Branco, é preciso parar de encher nesses dois municípios", comenta.
 Em Brasiléia, o nível do Rio está em 11.11, acima da cota de alerta. Em Xapuri, a marca é de 12.54.

DESABRIGADOS
De acordo com a Secretaria de Assistência Social 326 famílias, contabilizando 1.292 pessoas estão alojadas no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco.

■11 de março, terça-feira – Rio Branco, o bairro Taquari, localizado às margens do rio Acre, na periferia da capital, é um dos mais afetados pela cheia. Em muitos imóveis, a água quase alcança o teto. Mesmo assim, parte dos moradores construiu palafitas para elevar a altura do assoalho e não ter de recorrer aos abrigos da prefeitura.
Ao meio-dia de terça-feira,  o nível do rio Acre estava em 16,64 m, ou 2,64 m acima da cota de transbordamento.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a região Norte, sobretudo o Acre, continuará sofrendo com a chuva nos próximos dias. "Entre 11 e 19 de março está previsto chuva de 100 mm no Acre. Parece pouco, mas já está super-encharcado, não tem mais onde cair água. Qualquer chuva vai agravar o problema", diz o meteorologista Manoel Rangel.

DESABRIGADOS
No total, mais de 3.000 moradores de Rio Branco estão em abrigos montados pelo governo estadual e a prefeitura.

■16 de março, domingo - O Rio Acre tem apresentado vazante e na última medição realizada às 9h de domingo, pela Defesa Civil que registrou a marca de 14,25m. Em comparação com a sexta-feira (14), quando estava em 15,87 no mesmo horário, o nível das águas reduziu 1,62m em 48 horas.

■07 de abril, segunda-feira - A estrada BR-364 é parcialmente liberada. O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit) liberou ainda de forma parcial a circulação de veículos na BR-364, entre Porto Velho e Rio Branco. O tráfego está liberado apenas para veículos pesados.
O Acre ficou mais de 60 dias em completo isolamento terrestre. Agora, a expectativa é de que o abastecimento volte ao normal.
O período de vazante preocupa os engenheiros do Dnit. Em vários trechos a estrada pode ficar com a estrutura totalmente comprometida, o que exige cuidado redobrado no tipo de carga e peso dos veículos. Em média, chegam de 200 a 250 carretas truncadas semanalmente a Rio Branco. Essa quantidade é impossível de transitar agora.

DESABASTECIMENTO
Com a travessia do Madeira cada vez mais difícil a população acreana encontrou, durante o mês de março, dificuldade para adquirir alguns itens da cesta básica, além de gás e combustível, o que levou alguns motoristas a correrem para os postos de combustíveis para tentar suprir suas necessidades.
O governo está buscando alternativas para garantir que os problemas não tornem a ocorrer.
Começamos a buscar apoio de importação do Peru, de hortifrutigranjeiros ao trigo. Tudo que o Peru poderia nos fornecer de importação. Tivemos apoio do Ministério da Agricultura, que estabeleceu uma normatização específica para a importação do tomate, que possuía uma restrição. Conseguimos uma liberação da ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] para que caminhões brasileiros pudessem ingressar no território peruano e buscar essas mercadorias. Começamos a usar balsas que vieram tanto de Porto velho (RO), como de Manaus (AM) para assegurarmos tanto o abastecimento de gás como de combustíveis, disse a chefe da Casa Civil do Estado.
Outra medida para garantir que não falte novamente combustível deve ser a importação do produto do Peru.

PREJUIZOS
Três anos. O comércio estima que, com o isolamento, cerca de R$ 384 milhões deixaram de circular no Estado e as consequências econômicas ainda serão sentidas pelos próximos três anos.
De acordo com o comunicado da Fecomércio que estima um impacto muito forte na economia, pois, somente em março houve uma redução de 75% do ICMS por conta de não ter circulação de mercadoria e estima a recuperação dessa crise nos próximos três anos, sem falar no impacto que isso deve gerar.
A enchente que afetou mais de 140 mil pessoas no Acre causou prejuízo de R$ 22 milhões na agricultura, estima a chefe da Casa Civil do estado. Na área urbana, os estragos ainda estão sendo calculados.
Comentário: O PIB do Estado em 2011 –  8,8 bilhões de reais (IBGE). Os prejuízos  equivalem a 4,36% do PIB.  Deve afetar por vários anos o crescimento econômico  do Estado.

Dados históricos
Fevereiro de 2012- O nível do rio Acre atingiu a marca de apenas 17,63 m, 3 cm abaixo da marca  histórica, ocorrida em março de 1997, que foi de 17,66 m. Estes números confirmam que em  2012 ocorreu uma das maiores enchentes no Estado do Acre, envolvendo principalmente a bacia do  rio Acre, situada a sudeste do Estado. Além de Rio Branco, os outros municípios  localizados às margens do rio Acre também foram inundados. A área urbana do município de
Brasiléia, por exemplo, ficou cerca de 90% submerso segundo informações da Defesa Civil
Estadual.

Fontes: G1 AC, Estadão, Folha de São Paulo, período de 21 de fevereiro a 11 de março de 2014.

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posted by ACCA@5:29 AM

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