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quarta-feira, junho 11, 2014

Incêndio em depósito de fertilizante em Santa Catarina

Um incêndio na terça-feira á noite, 23 horas, 24 de setembro,  em um depósito de fertilizante no terminal marítimo de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) provocou uma nuvem tóxica que obrigou os bombeiros a evacuarem dezenas de casas próximas ao local,  na madrugada de quarta-feira, 25 de setembro de 2013.  

EVACUAÇÃO
Cerca 50 pessoas foram levadas para os hospitais da região, sofrendo algum grau de intoxicação. A fumaça do nitrato pode causar insuficiência respiratória grave.
Segundo a Defesa Civil, 80 pessoas foram levadas para abrigos, no Colégio Estadual Santa Catarina. Entre elas, um grupo de 40 idosos de uma casa de repouso.
Os bombeiros fizeram evacuações nos bairros de Paulas, Capri, Ubatuba e Iperoba.
As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Pessoas intoxicadas foram encaminhadas para hospitais de São Francisco do Sul e Joinville. Conforme os Bombeiros Voluntários, a fumaça estava passando baixa sobre as casas.
 De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Antônio Edival Pereira, a orientação é que as pessoas procurem um local arejado, já que o produto contém substâncias tóxicas, como nitrato de amônia e cloreto de potássio. "Estamos trabalhando para amenizar a situação", declarou.

CORPO DE BOMBEIROS
O órgão acionou unidades de bombeiros de seis cidades próximas para combater as chamas.
Os bombeiros não puderam conter as chamas por falta de um produto químico usado nestas situações, disponível apenas na cidade de Itajaí (a 100km de Florianópolis).  
A Polícia Militar, a Defesa Civil e os bombeiros estão com dezenas de homens na área, todos usando máscaras de proteção.
A circulação na BR-280, que leva ao terminal, foi interrompida por 8 km, raio coberto pela nuvem de fumaça tóxica.
Segundo o Corpo de Bombeiros, foram deslocados para o local 70 bombeiros militares e voluntários, seis tanques com 10 mil litros de água.  
Quem mora nas proximidades, segundo o coronel Oliveira, deve evitar o contato com a fumaça. "Não é necessário esvaziar a cidade, mas aconselhamos a população que vive próximo do incêndio deixar suas casas", orientou o Coronel.

NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA ESPALHA
A nuvem de fumaça tóxica que cobre São Francisco do Sul deve alcançar o litoral do Paraná e o sul de São Paulo entre a tarde e a noite de quarta-feira, 25 de setembro, informou a empresa que monitora o clima em Santa Catarina.
A meteorologista Gilsânia Araújo, da Epagri/Ciram, informou que o vento levou a fumaça na direção do mar nesta manhã, mas à tarde vai mudar de direção e deve empurrar a nuvem até Paraná e São Paulo.
O tamanho da nuvem é incerto. Até as 12h de quarta-feira o incêndio ainda não havia sido controlado, o que alimentava a fumaça --- ela podia ser vista a 25 quilômetros do ponto do fogo, segundo os bombeiros.

PRODUTO QUÍMICO
A nuvem tóxica contém nitrato de amônia, difosfato de amônia e cloreto de potássio, segundo a Defesa Civil.
A professora Marlene Zannin, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), informou que as substâncias podem provocar irritação nos olhos, dores de garganta e, em casos extremos e raros, câncer.
"As pessoas devem evitar respirar a fumaça. Devem evitar se expor a ela", disse a professora.
O contato indireto com a fumaça (pela chuva, por exemplo) também pode provocar irritações, segundo a especialista, mas em escala menor.
Segundo nota da Prefeitura de São Francisco do Sul, não há feridos graves na cidade. Mas um número não estimado de pessoas procurou atendimento nos postos da cidade queixando-se de dor de garganta e tontura.

DEPÓSITO DE FERTILIZANTES
De acordo com as equipes de segurança, 10 toneladas de fertilizantes estavam no depósito da Global Logística, no terminal marítimo de São Francisco do Sul --a cidade tem o maior porto de Santa Catarina e o quinto maior do país, com uma movimentação anual de 5,4 milhões de toneladas, segundo a prefeitura.
Segundo o major Losso, do Corpo de Bombeiros, a informação inicial era de que a substância era nitrato de potássio, porém, ao checar os documentos da empresa, os bombeiros descobriram que a substância na verdade era nitrato de amônia. "Conferimos os documentos do importador e percebemos que era nitrato de amônia. A fumaça não é tóxica, mas causa intoxicação se for inalada em grandes quantidades", esclarece.

FUMAÇA NA CIRCUNVIZINHANÇA
A Prefeitura de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) está distribuindo desde o meio‑dia 5.000 máscaras à população para amenizar os problemas causados pela nuvem de fumaça tóxica que emana  da queima do fertilizante desde a madrugada.
O número de pessoas que procuraram ou foram levados aos hospitais da área subiu para 100, segundo as autoridades.
Um trecho de 20 km da BR-280 (estrada que liga a cidade a Joinville) está congestionado por gente que deixa a região em busca de segurança.
A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar bloquearam a rodovia, permitindo apenas a saída de moradores.
A coluna  da nuvem de fumaça tóxica podem  ser vistas a 30 quilômetros de distância, segundo relatos de moradores. A Defesa Civil emitiu um alerta também para Joinville, a maior de Santa Catarina, caso os ventos soprem na sua direção. O local e bairros circunvizinhos (Iperoba, Reta, Rocio Pequeno e Sandra Regina) precisaram ser evacuados por causa da fumaça.
Segundo informações passadas pelo Governo, cerca de 150 famílias foram retiradas das casas e levadas para a Escola Estadual Professora Claurinice Vieira Caldeira Forte. As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).
Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, pela localização do fogo, a fumaça deve ir no sentido do mar e acabará passando pelas praias da cidade. O vento na região de São Francisco do Sul é na direção Oeste/Sudeste.
No final da tarde de quinta-feira,  26 de setembro,  a fumaça tomou o centro da cidade, como uma neblina. O cheiro é semelhante ao de água sanitária. A orientação é que os moradores a evitem e rumem a lugares arejados.

INTOXICAÇÃO
Pelo menos 105 pessoas foram atendidas com sintomas de intoxicação no Hospital Nossa Senhora das Graças, em São Francisco do Sul, nenhuma em estado grave. Elas foram atendidas e apenas uma continuava em observação até as 13h50.
A fumaça causa irritação na mucosa. Se for inalada em quantidade, a fumaça causa queimaduras e irritação. A intoxicação pode causar insuficiência respiratória. Não podendo evitar o contato com a fumaça, a orientação é a utilização de máscaras.

CONTROVÉRSIA NA TOXICIDADE DO PRODUTO QUÍMICO
O governo do estado de Santa Catarina divulgou no início da tarde de quarta-feira, 25 de setembro,  nota onde afirma que o incêndio na carga de fertilizante à base de nitrato de amônia  não é tóxico. A nota informou que, de acordo com o Código Internacional de Produtos Perigosos da ONU, a substância é oxidante e não tóxica. Durante toda a manhã, porém, bombeiros informaram que a fumaça causada por este incêndio, por causa da substância queimada, seria tóxica.
O professor Nito Angelo Debacher, doutor em Química e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), disse que o nitrato de amônia ao entrar em contato com o calor gera gás amônia, que é tóxico. "Se tem amônia no gás, com certeza é tóxico. A fumaça estava muito densa. Eu não recomendaria ninguém a respirar aquilo", disse ele, contrariando a afirmação do governo de que a fumaça não é tóxica.
A supervisora do Centro de Informações Toxicológicas, Marlene Zannin, explica que a população deve permanecer calma e atenta aos sintomas. Segundo ela, a dispersão das substâncias geradas pela queima do nitrato de amônia, como nitrato de amônia, diafosfato de amônia e cloreto de potássio, provoca tosse, pele avermelhada, olhos lacrimejantes e doloridos, além de congestionamento das vias orais.

FUMAÇA  TOXICA ALCANÇA LITORAL DO PARANÁ
De acordo com o meteorologista do Climatempo, Marcelo Pinheiro, às 21 horas, a imagem do satélite mostrava que a fumaça já havia passado por Guaratuba e estava entrando na baía de Paranaguá.
Há risco, também, de a fumaça atingir os litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso porque fortes rajadas de vento provocadas por um ciclone extratropical que se formou em áreas do Sul e do Sudeste pode transportar essa fumaça para os dois Estados. Pela manhã, o ciclone chegou a impulsionar a fumaça na direção do mar.
Segundo o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, o comportamento da fumaça depende muito da altura em que ela está na atmosfera, mas, até então, tudo indica que ela não deva subir demais - o que reforça o fato dela continuar seguido para o Norte, na mesma direção do vento. A tendência é que o vento sul permaneça pelo menos até esta quinta-feira.

A DEFESA CIVIL NÃO SABIA DA TOXICIDADE DO PRODUTO
"Nós não sabíamos das consequências desse produto", disse secretário da Defesa Civil
Secretário Milton Hobus. Segundo ele, um engenheiro químico e o laudo da empresa exportadora do produto classificaram o nitrato de amônia como "moderadamente perigoso e tóxico".
Inicialmente, o governo afirmou que a fumaça gerada pelo incêndio químico que ocorreu em São Francisco do Sul não era tóxica. Foi confirmado que a fumaça é, sim, tóxica.  

COMBATE INICIAL

Foto 1 -  Inicialmente, os bombeiros precisaram retirar os contêineres que trancavam a frente e a lateral do   galpão. Pelas janelas, jatos de água eram lançados para umedecer o composto e reduzir a temperatura.

1-Uma canaleta e uma piscina foram improvisados do lado de fora para depositar a água que saía do galpão. O líquido era absorvido por um caminhão-pipa e levado para tratamento antes do descarte para evitar contaminação.

2-Bombeiros combatem o fogo jogando água para dentro do pavilhão.

3-No final da tarde, um guindaste foi usado para fazer furos no teto e permitir a saída  vertical da fumaça. As portas do galpão foram fechadas com os contêineres para impedir a entrada do vento e facilitar a visibilidade do operador que removia o fertilizante.

4-A proteção lateral do teto de zinco foi rompida para facilitar a saída  da fumaça e o acesso da água lançada prelos bombeiros.

5- Retroescavadeira retiravam do galpão e levavam para fora a parte do fertilizante que ainda não havia entrado em reação.

COMBATE AO INCÊNDIO
Enormes ventiladores levados pelo Corpo de Bombeiros vão ajudar no combate ao incêndio.
A combustão gerou uma nuvem amarelada que tomou conta de bairros da cidade, chegou ao Paraná e pode atingir até o litoral de São Paulo.
Segundo o tenente-coronel Sérgio Murilo de Melo, comandante do 7º Batalhão de Bombeiros de Santa Catarina, os ventiladores vão ajudar a desviar a fumaça de quem está combatendo o acidente.
"O vento hoje estava jogando todos os gases para cima de nós. Então, volta e meia tínhamos que parar a operação", contou ele.  Dois bombeiros ficaram feridos devido ao contato com a fumaça, que mudou de direção e os pegou de surpresa. Um deles permanece internado, mas sem risco de morte.
Agora, com o equipamento, a intenção é que os gases sejam desviados, para que se faça a retirada do resto dos fertilizantes que estão no galpão, etapa fundamental para acabar com a combustão.
"Esse material está queimando de dentro para fora", diz Melo. "Temos que resfriar e chegar no foco dessa reação química."
Havia 10 mil toneladas de fertilizantes à base de nitrato de amônia no local. Apenas 10% do material foi retirado até a noite de hoje, segundo estimativa dos bombeiros. O trabalho é feito com retroescavadeiras, cedidas pela prefeitura, governo estadual e pela empresa proprietária do galpão, a Global Logística.
Além dos ventiladores, um equipamento com tubos, trazido de Paranaguá (PR), vai ser usado para jogar água dentro do material em combustão.
A expectativa do Corpo de Bombeiros é que o incêndio seja controlado apenas a partir de sexta-feira à tarde. Até lá, as equipes vão ficar atentas à mudança do vento, que pode levar a nuvem de fumaça para outros bairros que não os que estão evacuados hoje.
O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Coronel Marcos Oliveira, estima que os trabalhos para normalizar a situação no depósito de fertilizantes em São Francisco do Sul podem durar mais de um dia.
— Temos que conter a fumaça e chegar até o centro da reação química para neutralizá-la. Vamos manter um grupo de 200 homens trabalhando 24 horas por dia em esquema de plantão até resolver o problema. Não temos um prazo específico, mas estimo que sejam várias horas, mais de um dia — disse ele.

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA NO COMBATE AO FOGO
Por 40 horas, os bombeiros usaram escavadeiras e destruíram paredes para retirar o material do galpão e acabar com a combustão. Sob orientação dos técnicos da Vale Fertilizantes, descobriram que, na verdade, estavam "alimentando" essa combustão.
A entrada do maquinário trazia novos componentes ao material, que estimulavam a combustão. A abertura de paredes ofertava ar para o processo e aumentava a temperatura do galpão, assim como o incêndio. "Agora, o combate está mais técnico", diz Coronel Marcos Oliveira .
O  uso de uma câmera térmica tornou o trabalho dos bombeiros mais eficiente. O equipamento permitia identificar com precisão os focos de calor no interior do galpão.

ESTADO DE EMERGÊNCIA
A cidade de 42 mil habitantes está sob estado de emergência desde quarta-feira. Mais de 800 pessoas foram levadas para abrigos da prefeitura. O prefeito da cidade fez apelos por doações de colchões e mantimentos para os abrigados.
A Defesa Civil isolou um raio de 2 km do depósito. A população está sendo constantemente alertada para afastar-se da rota da fumaça. Sua toxidade moderada produz irritação nos olhos, nariz e garganta. A Secretaria da Saúde recomendou que as pessoas permanecessem em locais arejados.  

VITIMAS
O bombeiro voluntário David Marcelino sofreu grave intoxicação quando trabalhava no combate à fumaça tóxica. Ele foi internado às 4h desta quinta-feira (26) na UTI do Hospital Hans Schmidt, em Joinville (194 km de Florianópolis). Ele é bombeiro voluntário há 35 anos  na cidade vizinha de Guaramirim. Segundo informações da assessoria do hospital, o laudo médico foi de intoxicação por substâncias químicas. O estado de saúde de Marcelino é considerado grave, porém, estável.
Outras 138 pessoas foram atendidas nos hospitais, nenhuma apresentou sintomas graves.
Segundo o Corpo de Bombeiros, não há mortos, mas já há registro de pessoas intoxicadas no hospital da cidade, e os casos mais graves estão sendo levados para Joinville.
Além dos moradores abrigados pela prefeitura, cerca de 400 famílias deixaram suas casas nos bairros mais afetados pela fumaça e foram para Joinville, para casas de parentes ou hotéis. A Polícia Militar e tropas do Exército patrulharam a região durante a noite, para evitar saques.
O posto de comando da crise ambiental está montado na prefeitura local. O expediente das repartições foi suspenso. O comércio fechou e as aulas também foram suspensas até sexta.

A NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA CHEGOU NO LITORAL SUL DO PARANÁ
A nuvem de fumaça tóxica chegou a Guaratuba, no litoral sul do Paraná. As aulas na cidade foram suspensas. Sete pessoas procuraram os hospitais com sintomas de intoxicação leve. Elas foram medicadas e passam bem.

NUVEM DE FUMAÇA ATINGE HOSPITAL
A nuvem de fumaça tóxica  mudou de direção e foi para o centro da cidade, o que forçou o Hospital Nossa Senhora das Graças a evacuar os pacientes na noite de  quinta-feira, 26 de setembro.
Eles estão sendo removidos para hospitais em Joinville, 30 km a noroeste, área ainda não atingida pela fumaça.
O médico Álvaro Ricardo Junior disse que os pacientes com menor risco são levados para uma unidade de Pronto Atendimento e os mais graves para o Hospital Regional de Joinville.
A mudança dos pacientes está sendo feita por dezenas de ambulâncias, com o pessoal de apoio e pacientes usando máscaras. Os hotéis do centro da cidade também evacuaram seus hóspedes.

INCÊNDIO É CONTROLADO
O incêndio foi controlado  após 60 horas. Por volta das 11h40, de sexta-feira, 27 de setembro, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Alexandre Corrêa Dutra, que coordenou os trabalhos dos bombeiros na manhã de sexta-feira, informou que não havia mais fumaça na cidade.
O rescaldo dos bombeiros no armazém continua até o início da tarde. Eles estão jogando água e mexendo nas 10 mil toneladas de fertilizantes e jogando água no material, para evitar reações químicas, segundo o tenente-coronel Alexandre Corrêa Dutra.
Não há mais fumaça na cidade. O material será retirado e toda vez que mexemos nele, vapor é liberado, mas não chega a formar fumaça. Estamos jogando água porque esse tipo de substância tem que ser movimentada para não haver reação e evitar calor. À tarde, vamos liberar o local para a perícia, disse Dutra.
As 10 mil toneladas de fertilizantes queimaram durante 57 horas. Dos 42 mil habitantes da cidade, cerca de 9.000 deixaram a localidade neste período fugindo da fumaça.
Na manhã de hoje, a fumaça mudou da cor amarela, passando de alaranjada para cinza, antes de finalmente ser extinta.
Durante a noite e a madrugada, a fumaça mudou de direção e atingiu 13 bairros e o centro histórico da cidade. Tropas do Exército e da Polícia Militar ordenaram a saída dos moradores dessas regiões.

PARALISAÇÃO DO PORTO
A fumaça paralisou as atividades do porto de São Francisco. Em consequência, os trens que transportavam cargas aos navios também pararam.
Mais de 3.000 caminhões de carga estão estacionados nas proximidades do porto. A Polícia Rodoviária Federal fechou o trecho da BR-280 que leva ao porto para evitar o acúmulo de mais caminhões.

DANOS AMBIENTAIS
Segundo os bombeiros, a retirada do material será acompanhada por funcionários da secretaria de Meio Ambiente e da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), órgão do governo do estado.
O material será retirado com máquinas e será levado para um terreno vazio que o município cedeu, perto do terminal — disse o subcomandante geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, tenente-coronel Gladimir Murer.
Um levantamento preliminar dos bombeiros afirma que o volume de água utilizado nos trabalhos já ultrapassou 2 milhões de litros.
Segundo Carlos Mergen, analista ambiental do Ibama, a piscina montada para manter isolada a água usada no combate ao fogo foi essencial para evitar danos ambientais. Elas ajudaram a conter a água para que ela não fosse para os mananciais e contaminasse o solo. De acordo com o analista, o dano ambiental no solo foi mínimo.
A piscina tinha capacidade para 300 mil litros. Caminhões-pipa tiravam frequentemente a água para dar mais espaço. Os caminhões-pipa vão levar a água para uma empresa de Joinville para ela receber tratamento. Órgãos ambientais ainda irão efetuar uma análise aprofundada da situação.
O comportamento da flora e fauna da região será monitorado pela Fatma. "Calculo que vai demorar meses para termos respostas mais concretas sobre a contaminação", disse. Nesta sexta (27), como o incêndio foi controlado, a Fatma enviará a São Francisco do Sul um diretor de fiscalização e um representante da regional de Joinville para avaliar a possível contaminação do ar, córrego e lençol freático.
Além da Fatma, outras instituições também farão coletas para analisar o impacto ambiental em São Francisco do Sul. A Universidade da Região de Joinville (Univille)  deve ter um resultado da análise da coleta do ar até próxima quinta-feira, 3 de outubro. Também serão retiradas amostras da água da chuva em Joinville, para verificar se houve impacto naquela cidade.

Para professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros, "o ideal é que, neste primeiro momento, fosse feita análise do solo e ar da região e ver que tipos de substâncias são encontradas. É preciso saber exatamente o que tem e em qual quantidade para prever as melhores ações". Segundo ela, como o material envolvido no incêndio era um fertilizante, caso ele chegue até a água, pode haver um excesso de nutriente nesse local. Isso promoveria o desenvolvimento de algas, que consomem oxigênio. Com isso, os peixes poderiam ficar sem o elemento e morrerem.
No solo, ainda segundo a professora, o impacto não seria tão direto. "Vai depender se vai chover, se a água vai transportar e levar o material para lençol freático". Com o fenômeno meteorológico, havia uma lavagem da atmosfera e causar uma alteração no nível de acidez da água.

BOMBEIROS AUTORIZAM MORADORES A VOLTAREM PARA CIDADE
Na tarde de sexta-feira, 27 de setembro, os bombeiros autorizaram os moradores retornarem as suas casas próximas ao local. As autoridades divulgaram uma lista de recomendações às pessoas, que incluem cuidados com a água, ventilação, poeira e os alimentos.
As recomendações aos moradores são para abrir toda a casa para que haja ventilação, não ingerir água de caixas que estavam destampadas, tirar o pó dos móveis e colocá-los em local arejado e descartar alimentos expostos.
Mais especificamente sobre a água, o Samae de São Francisco do Sul informou que, de 30 em 30 minutos, três empresas estão verificando a qualidade do líquido. A água do Samae é 100% potável. No caso de caixas que ficaram destampadas, a orientação dos bombeiros é fechar o registro e utilizar a água que permanece na caixa apenas para limpeza. Se possível caixas que estavam sem tampa, devem ser limpas com água sanitária.
Sobre os riscos aos moradores da região, a professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros recomenda que as pessoas, ao voltarem às casas, ventilem o máximo possível o ambiente e façam limpeza de toda a superfície com pano úmido, sem varrer. Para evitar alergia ou irritação, os moradores devem usar luvar e máscaras cirúrgicas, impedindo contato com pó.

REMOÇÃO DE RESÍDUOS TÓXICOS
Ainda não há certeza sobre quanto tempo levará o processo de remoção da água armazenada em um piscinão montado a cerca de 800 metros do galpão.
A piscina serviu de armazenamento para a água que foi usada pelos bombeiros e teve contato com o nitrato de amônio estocado no galpão. Caminhões fazem a sucção da água e a levam para um aterro industrial. Conforme o secretário do Meio Ambiente de São Francisco do Sul, Eni Voltolini, uma pequena quantidade de água também é drenada para o restante do córrego através de um cano.
—Implantamos um sistema de drenagem com controle de vazão. A água é liberada na medida em que a análise das amostras coletadas comprova que não há risco para a fauna aquática — explica.
A estimativa, conforme Voltolini, é de que o trabalho continue por pelo menos mais uma semana. Segundo o secretário, a situação está sob controle e não houve registro de contaminação no mar ou no solo. Mas parte da vegetação atingida diretamente pela fumaça mais densa, observa Voltolini, pode secar em reação ao elemento químico.

A CIDADE VOLTA AO NORMAL
O comércio turístico no Centro Histórico abriu normalmente. Nos bairros, apesar de ser fim de semana, também se viu bares, peixarias e supermercados de portas abertas. Ao contrário das expectativas, o trânsito na BR-280 fluiu com tranquilidade entre sábado e domingo.
Alunos das redes estadual e municipal em São Francisco do Sul terão aula normal  e expediente nos órgãos municipais, que esteve suspenso durante o período de crise, também será cumprido normalmente na segunda-feira, 30 de setembro.

INQUÉRITO
Inquérito policial foi aberto oficialmente na segunda-feira, 30 de setembro,  pela Delegacia da Polícia Federal em Joinville, para apurar o acidente químico em São Francisco do Sul.
Conforme o delegado, caberá à PF investigar os danos ambientais e a poluição causada pelo incidente, considerando que a nuvem de fumaça atravessou a divisa de Santa Catarina. A apuração das circunstâncias do evento que ocasionou a reação química, conforme o delegado-chefe ficará a cargo da Polícia Civil de São Francisco do Sul.
O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, mas o término da investigação pode se estender além do tempo previsto porque depende de análises laboratoriais, incluindo os laudos do Instituto Geral de Perícias.

AÇÃO CÍVEL
120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho vão entrar na Justiça com ação civil pública e cobram R$ 10 mil para cada pessoa por danos morais
As 120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho, uma das comunidades mais próximas do terminal da Global Logística, em São Francisco do Sul, não esperaram pela perícia ou por levantamentos técnicos dos danos causados pela fumaça que cobriu a cidade por três dias..
 Elas entraram na Justiça com uma ação civil pública exigindo indenizações por danos morais e materiais pelo ocorrido. São cerca de 300 pessoas que moram às margens da BR-280.
 Segundo o advogado da associação, Pedro Donel, além do abalo por ter de deixar suas casas, os moradores tiveram prejuízos financeiros porque não puderam trabalhar.
A ação pede R$ 10 mil para cada um dos associados por danos morais e valores que variam de R$ 100 a R$ 200 por dia para as pessoas que não puderam trabalhar de quarta a sábado.
Segundo o advogado, o que está em questão, agora, é o prejuízo real de quem trabalha por dia – situação da maioria dos moradores. São pessoas que trabalham em sistema avulso, por dia, algumas no porto, outras fazendo carregamentos, e que precisam desse dinheiro, mesmo que valores não sejam altos, para tocar suas vidas.
A ação de indenização não foi julgada e é provável que outras sejam abertas nos próximos dias por associações ou moradores e comerciantes da região.

LAUDO TÉCNICO APONTA IRREGULARIDADES
O laudo foi divulgado em 15 de  janeiro de 2014. Os peritos criminais do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontaram que o incêndio químico em São Francisco do Sul, na região Norte de Santa Catarina, foi causado, possivelmente, pela junção de substâncias não identificadas e a umidade relativa do ar "em estado crítico", além do ambiente que abrigava o material estar propício para que a reação química ocorresse.
O documento aponta diversas irregularidades no galpão;  a situação do imóvel em relação às normas do Corpo de Bombeiros do estado contra incêndio estava "completamente irregular”, pois o local não possuía projeto preventivo contra incêndios, licença de construção ‘Habite-se’ e atestado de vistoria para funcionamento.

O perito criminal Rogério de Medeiros Tocantins explica que, de acordo com a bibliografia consultada para o laudo, o fenômeno decomposição auto-sustentável nunca tinha ocorrido no país, sendo o caso de São Francisco do Sul o primeiro brasileiro. A média mundial é de um caso semelhante a cada três anos. Rogério acrescenta que nem todos os fertilizantes são capazes de sofrer esse tipo de decomposição.

A decomposição térmica desse tipo de fertilizante, em geral, é iniciada por uma fonte externa de calor. Mas no local não foram encontrados elementos técnicos que sugerissem que a reação em São Francisco tenha se iniciado por fonte externa. A absorção de umidade, ou seja, a absorção de água presente na atmosfera, também promove a degradação física do fertilizante, podendo gerar uma solução ácida. O fertilizante ficou entre 20 e 25 dias no galpão, que precisaria de melhores condições para controle da umidade, e essa reação pode ter ocorrido lentamente nesse período.

“Conseguimos identificar elementos técnicos que apontam como causa mais provável a formação de uma condição ácida e/ou a presença de elementos catalíticos, como por exemplo o cloreto. Foi constatado que esse fertilizante, na sua composição, possui o elemento cloro, ligado na forma de um sal, que em presença de umidade se dissocia e forma um cloreto. Esse cloreto em condições ácidas se torna mais suscetível a desencadear uma decomposição térmica que pode desenvolver para um decomposição auto-sustentável”, explica o perito Rogério. Ele ressalta, no entanto, que não se pode descartar a presença de outros contaminantes – a Polícia Civil ainda vai investigar o que estava armazenado no galpão antes do espaço receber o fertilizante.

QUESTÕES AMBIENTAIS
O laudo aponta, ainda, que foram evitados grandes danos ambientais em São Francisco do Sul. Foram avaliados impactos na flora, na fauna e na água da região. “Na vegetação, verificamos um dano na borda na floresta, um dano mínimo em que a vegetação se recupera naturalmente. E em relação aos corpos hídricos, a água contaminada escoou por dois canais artificiais. Essa água seria levada pelos canais artificiais para cursos naturais, um deles no meio do manguezal. Mas foi feita uma barreira de contenção e o material foi coletado por caminhões-pipa e direcionado para tratamento em empresas especializadas“, explica o perito criminal Rafael Salum de Oliveira.

POLÍCIA INDICIA PROPRIETÁRIOS DO ARMAZÉM
A polícia catarinense indiciou os proprietários do armazém. Eles são acusados de crime ambiental.
A Polícia Civil afirmou que os indiciados "assumiram o risco dessa reação ter ocorrido, uma vez que não possuíam atestado de vistoria dos Bombeiros atualizado". Além disso, o fato de diversos produtos químicos estarem armazenados juntos com fertilizantes "sem a supervisão de um químico que conseguiria fazer uma análise adequada a respeito do acondicionamento desses materiais", fez com que os investigadores optassem pelo indiciamento.

Fontes: G1SC, Defesa Civil e Bombeiros de SC, Diário Catarinense, A Notícia, Folha de São Paulo, O Globo, Zero Hora, UOL Noticias,  no período de 25 de setembro de 2013 a 15 de janeiro de 2014

Vídeo:


Comentário:
Todas as reações químicas e bioquímicas liberam ou absorvem energia do ambiente de alguma forma. Os processos que liberam calor são denominados exotérmicos e transmitem sensação de aquecimento. É o caso, por exemplo, da combustão.
A decomposição auto-sustentável (SSD- Self-sustaining decomposition) é o fenômeno na qual uma reação de decomposição localmente iniciada se propaga através da massa de um material. Este fenômeno tem sido registrado em fertilizantes inorgânicos e outros materiais com uma alta porcentagem de nitrato de amônia.  

Outros materiais, tais como peróxidos, são também conhecidos por sofrerem decomposição exotérmica. Acidentes de decomposição auto-sustentável pode ser iniciado por aquecimento interno  ou por fonte de calor externo.  O auto-aquecimento é o fenômeno em que a temperatura de um corpo de materiais aumenta devido ao calor que está sendo gerado por algum processo que ocorre internamente no material. Se esse calor não pode ser perdido para o ambiente a uma taxa maior do que aquela  que é gerado, então pode ocorrer uma fuga térmica.

Auto-aquecimento de fertilizantes é promovida quando grandes quantidades de material permanecem em repouso durante um longo período de tempo, por exemplo, em armazenamento ou transporte a granel, ou, se tratar de contaminação com material orgânico com  o qual o nitrato de amônia começa a reagir diretamente por volta de 100º C. Uma fonte de calor externa (por exemplo, trabalho a quente, superfícies quentes e em brasas) também pode iniciar um SSD.

O nitrato de amônia é comumente encontrado em fertilizantes, porque incorpora nitrogênio na forma prontamente absorvida pelas culturas (ou seja, amônia e nitrato íons). No entanto, nitrato de amônia é capaz de sofrer reações de decomposição exotérmica quando exposta a uma fonte de calor.  A decomposição exotérmica do nitrato de amônia puro começa por volta de  200-230º C.

MECANISMOS DE DECOMPOSIÇÃO DE FERTILIZANTES À BASE DE NITRATO DE AMÔNIA
A decomposição química do nitrato de amônia  contendo diferentes fertilizantes  de nitrato de amônia puro, devido à presença de outros compostos (especialmente os cloretos), no total, que atuam para alterar o caminho de reação e as propriedades térmicas do  material.  As publicações técnicas existentes sobre o mecanismo de reações são escassas e com poucos detalhes técnicos.
Porém o pesquisador H. Kiiski detalhou o mecanismo de reação com as seguintes observações;
1. os íons NH 4 e NO-3 e um catalisador (geralmente Cl-) devem estar presentes  em um pequeno volume
2. Uma matriz sólida deve estar presente ou formada durante a decomposição de tal modo que o calor pode ser preso e transferido para a zona de reação
3. O calor suficiente deve ser liberado para ultrapassar as perdas de calor e permitir a propagação da reação.

DECOMPOSIÇÃO NÃO-CATALISADA
O mecanismo de reação não-catalisada global é uma reação em cadeia que termina e prossegue somente se houver calor suficiente para manter a decomposição.
O passo inicial envolve a fusão e dissociação de nitrato de amônia  (NH4NO3) para formar  amônia e ácido nítrico  (NH3 e HNO3), que ainda se decompõem em N2 (nitrogênio), N2O (oxido nitroso), NOx (óxidos de nitrogênio)  e NOxCl
.
DECOMPOSIÇÃO CATALISADA
O SSD de fertilizantes é geralmente pelo mecanismo de cloreto catalisado. Neste caso, a decomposição é, principalmente, o de ácido nítrico (HNO3), que é formado durante o dissociação endotérmico de nitrato de amônia  NH4NO3. A reação é iniciada pela formação de ácidos nítrico e clorídrico que se submetem a uma reação em cadeia com íon de cloreto que atuam como um catalisador de produção de N2, N2O, NO2 e H2O. A temperatura deve ser superior a 300º C para permitir que se complete.

DESASTRES
Grandes eventos SSD são raros e ocorrem no mundo em média, a cada três anos. As consequências podem ser graves com vítimas diretas, formação de nuvens tóxicas e explosões. Incidentes envolvendo SSD de fertilizantes incluem;
em 2002, depósito, em Cartagena, Espanha,
Em 1993 na costa do Humber, e
Em 1987, em Nantes, França.
Estes incidentes foram iniciadas por fontes de calor relativamente pequenas (por exemplo, lâmpadas ou falhas em equipamentos elétricos), mas resultou na formação de grandes nuvens tóxicas.
Embora a composição da nuvem é desconhecida, é provável que ela continha compostos de nitrogênio, óxidos nitrosos, vapor de água, e amônia e cloro, que são produtos típicos de fertilizantes NPK em decomposição.
A porção restante do fertilizante consiste em micronutrientes (magnésio, enxofre, cálcio, etc) e agentes anti-aglomerantes.

MECANISMO DE EXPLOSÃO DE NITRATO DE AMÔNIA
Nitrato de amônio se decompõe em gases, incluindo oxigênio quando aquecido (reação não-explosiva); No entanto, o nitrato de amônia pode ser induzido para decompor-se explosivamente pela detonação. Grandes estoques do material pode ser um grande risco de incêndio devido à sua oxidação, e também pode detonar,  como aconteceu no desastre Texas City, de 1947, o que levou a importantes mudanças nos regulamentos para o armazenamento e manuseio.

Existem dois principais tipos de acidentes que resultam em explosões:
1. A explosão acontece por um mecanismo conhecido como "choque de transição de detonação." Ele pode ser iniciado por uma carga explosiva saindo na massa, ou a detonação de um artefato jogado na massa, ou a detonação de uma mistura explosiva em contacto com a massa. (Veja os exemplos de incidentes no Oppau e Tessenderlo, mencionados abaixo.)
2. Os resultados da explosão de um incêndio que se propaga no próprio nitrato de amônia, ou de uma mistura de nitrato de amônia com um material combustível, durante o incêndio. (Veja os exemplos de incidentes em Texas City e Brest, listados abaixo.) O incêndio deve limitar-se, pelo menos até certo ponto, para a transição de um incêndio a uma explosão (um fenômeno conhecido como "transição de uma decomposição ou deflagração", ou DDT).

O Nitrato de amônia puro, compacto é estável, mas decompõe-se a temperaturas acima de 210°C. Ele impede a decomposição,  uma vez que a fonte de calor é removida, mas quando os catalisadores estão presentes (incluindo materiais combustíveis, ácidos, íons metálicos, ou cloretos), a reação pode tornar-se auto-sustentável (conhecido como "decomposição auto-sustentável", SSD). Este é um risco bem conhecido de alguns tipos de fertilizantes NPK e é responsável pela perda de vários navios de carga.

Alguns exemplos de desastres envolvendo nitrato de amônia  são apresentados abaixo.
1-Oppau, Alemanha, 1921: Uma tentativa de desagregar uma mistura de fertilizantes utilizando explosivos industriais causou a morte de 450 pessoas e a destruição de 700 casas em 21 de setembro de 1921 O fertilizante era uma mistura de nitrato de amônia e sulfato de amônia 50:50. Alegou-se que a fábrica tinha utilizado este método de desagregação mais de 20.000 vezes sem incidentes. Pensou-se  que, nesta ocasião, a má mistura levou a certas partes da massa  conter mais nitrato de amônia do que outros. Das 4.500 toneladas de fertilizantes armazenados no depósito, apenas um décimo explodiu.

 2-Tessenderlo, na Bélgica de 1942:  Outra tentativa de desagregar uma pilha de 150 toneladas de nitrato de amônia com explosivos industriais terminou tragicamente em abril 29, 1942 Várias centenas de pessoas foram mortas.

3- Texas City, Estados Unidos de 1947: O navio de carga Grandcamp estava sendo carregado em 16 de abril de 1947, quando um incêndio foi detectado no porão, neste momento, 2.600 toneladas de nitrato de amônia em sacos já estava a bordo. O capitão respondeu fechando o porão e bombeando vapor pressurizado. Uma hora depois, o navio explodiu, matando centenas de pessoas e ateando fogo para outro navio, o High Flyer, que estava ancorado a 250 metros de distância e que continha 1.050 toneladas de enxofre e 960 toneladas de nitrato de amônia. A explosão Grandcamp também criou uma poderosa onda de choque  que atingiu dois pequenos aviões voando a 500 m  de altura. O High Flyer explodiu no dia seguinte, depois de ter queimado por 16 horas. Quinhentas toneladas de nitrato de amônia no cais também foi queimado, mas sem explodir, provavelmente devido ao fato de que ele foi menos compactado.

4- Brest, França, 1947: O navio de carga Ocean Liberty foi carregado com 3300 toneladas de nitrato de amônia e vários produtos inflamáveis quando ele pegou fogo às 12:30, 28 de julho de 1947, o capitão ordenou o fechamento do porão e foi bombeado vapor pressurizado. Como isso não impediu que o fogo, o navio foi rebocado para fora do porto às 14:00, e explodiu às 17:00. A explosão causou 29 mortes e sérios danos ao porto de Brest.

5- Roseburg, Oregon, 1959: Um caminhão que transportava dinamite e nitrato de amônia  pegou fogo no início da manhã de 7 de Agosto de 1959.  Quando  explodiu, matou 14 pessoas e feriu mais de 125. Vários edifícios do centro de Roseburg foram destruídos. O acidente é conhecido localmente como "The Blast".

6-Kansas City, Missouri, 1988: Em 29 de novembro de 1988, em 4:07 dois trailers contendo aproximadamente 50.000 quilos de nitrato de amônia explodiu em um canteiro de obras localizado perto da saída da rua 87 de Highway 71, em Kansas City, Missouri. Os explosivos estavam sendo utilizados na detonação de rocha durante a construção da Auto-estrada 71. As explosões resultaram na morte de seis bombeiros da cidade. As explosões criaram duas crateras (cada uma cerca de 100 metros de largura e oito metros de profundidade), quebrou janelas  num raio de 16 km e pode ser ouvida a 40 km de distância. Posteriormente, foi determinado que as explosões foram de ação criminosa, por causa de indivíduos envolvidos em uma disputa trabalhista com a empresa construtora contratada para construir a rodovia.

7-Toulouse, França, 2001: Em 21 de setembro de 2001, às 10:15 AM, na AZF (Azote de France) fábrica de adubos em Toulouse, na França, ocorreu uma explosão em um depósito onde o material AN fora de especificação foi armazenado em camadas, separadas por divisórias.  A estimativa de  200 a 300 toneladas de material estava envolvida na explosão, resultando em 31 pessoas mortas e 2.442 feridas, 34 delas gravemente. A onda de explosão quebrou janelas até três quilômetros de distância e a cratera resultante tinha dez metros de profundidade e 50 metros de largura. A causa exata ainda é desconhecida. O dano material foi estimado em 2,3 bilhões de euros.

8-Ryongchon, Coréia do Norte, 2004: Um trem de carga transportando nitrato de amônia explodiu nesta cidade ferroviária importante, perto da fronteira com a China em 22 de abril de 2004, matando 162 pessoas e ferindo mais de 3.000 outros. A estação foi destruída, assim como a maioria dos edifícios num raio de 500 metros, e cerca de 8.000 casas foram destruídas ou danificadas. Duas crateras de cerca de dez metros de profundidade foram vistas no local da explosão.
Fonte: The University Edinburgh - Edinburgh Research Explorer - Small-scale experiments of self-sustaining decomposition of NPK fertilizer - Published In: Journal of Hazardous Materials, New World Encyclopedia, The chemical compound ammonium nitrate.

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posted by ACCA@10:44 AM

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