Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, abril 29, 2010

Renault transmite péssima imagem de segurança

É interessante como as vezes as indústrias automobilísticas passam péssimas imagens para os consumidores e principalmente para os mais jovens em questão de segurança. No caso em questão é a publicidade da Renault, para promover o carro Sandero Stepway, versão mais esportiva da família Sandero. A campanha se dirige ao público-alvo da ação: jovens na faixa dos 30-35 anos que apreciam esportes e aventura, e que usam o carro como meio de realizar essas preferências. A propaganda induz a praticar esporte radical no teto do veiculo em movimento, que contraria a essência de dirigir um veiculo com segurança e não colocar em risco outras pessoas. No Brasil já temos adolescentes surfando em teto de trem e de ônibus e só falta agora disseminar o surf em veículo. Nos Estados Unidos e na Europa é conhecido com “Car Surfing” que já provocou várias vítimas fatais. A propaganda diz que é um sonho, mas para alguns adolescentes o sonho poderá transformar em realidade. A propaganda está passando na TV

O mais interessante nessa promoção é a noção de responsabilidade social da empresa. Em seu site a empresa preocupa com a segurança, mas não a transmite ou educa os futuros consumidores de seus produtos, com esse péssimo exemplo de promoção. Hoje é comum e praticamente padronizada em todos os sites, os objetivos, metas, responsabilidades, meio ambiente, etc. das empresas. Virou uma folhinha, um marketing do botox, pois está mais preocupado com aparência e resultado financeiros.

O que diz a Renault sobre a responsabilidade social?
É a conduta ética e responsável adotada pelas empresas, na plenitude de suas redes de relações, o que inclui o universo dos seus consumidores, fornecedores, acionistas, comunidade em que se insere ou sobre a qual exerce algum tipo de influência, além do governo e do meio ambiente.
A ação da empresa ocorre de forma planejada e sistemática, no sentido de consolidar o sucesso econômico com a minimização dos impactos sociais e ambientais, neste sentido a organização adota um efetivo compromisso com a ética e a sustentabilidade social e ambiental e passa a interagir mais efetivamente com o contexto geral.

A promoção
O filme “Perseguição”, em versões de 1 minuto e 30”, começa com um Sandero Stepway passando por uma estrada litorânea com uma prancha de surf presa no rack. O ator vê o carro passando do deck de uma casa construída na encosta com vista panorâmica para o mar, no qual ele estava até então passando parafina cuidadosamente em sua prancha de surf.
O ator imediatamente pula do deck e começa a descer a encosta perseguindo o carro. Ele desce pelas pedras, atravessa a mata, corta caminho passando dentro de outra casa, pula sobre um toldo e finalmente alcança o carro na estrada recortada, vários metros abaixo. Ele pula e cai em pé sobre a prancha de surf. Vemos então o surfista fazendo manobras radicais na prancha presa sobre o Stepway. As curvas sinuosas da estrada funcionam como ondas. A câmera explora o carro de vários ângulos, mostrando a suspensão elevada e o design, enquanto vemos a dupla performance, do Stepway e do ator. O motorista então finalmente para o seu Stepway na beira do mar. Com a freada brusca, vemos o ator dar um grande mergulho, voando da prancha direto para o mar. Nesse momento é revelado de que toda a ação não passou de um sonho do jovem que, depois de ver o Stepway passar na estrada, continuou lixando dedicadamente sua prancha de surf.

Vídeo:

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sábado, abril 24, 2010

Riscos emergentes e novas formas de prevenção

Riscos emergentes e novas formas de prevenção num mundo de trabalho em mudança

“Riscos emergentes e novas formas de prevenção num mundo de trabalho em mudança” é o título do relatório produzido pelo Bureau Internacional do Trabalho (BIT) da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2010, que se comemora em 28 de Abril.

Riscos emergentes no trabalho
A questão dos riscos novos e emergentes, no mundo do trabalho, tem sido alvo de uma atenção especial nos últimos anos. Diversos especialistas efetuaram estudos e previsões sobre as novas tendências dos acidentes relacionados com o trabalho e mais especialmente aqueles relacionados com problemas de saúde, com o intuito de melhorar a prevenção. Assim, o Observatório europeu de riscos publicou recentemente um estudo sobre riscos novos e emergentes no trabalho na União Européia (UE).

Os riscos profissionais novos e emergentes podem ser causados por inovações técnicas ou por mudanças sociais ou organizacionais, tais como:
■ Novas tecnologias e novos processos de produção, por exemplo, nanotecnologias e
biotecnologias
■ Novas condições de trabalho, por exemplo, cargas de trabalho mais elevadas, intensificação das tarefas devido à restrição de contratação de trabalhadores, más condições associadas à migração laboral, empregos numa economia informal
■ Formas emergentes de emprego, por exemplo, emprego independente, outsourcing, contratos temporários.
Estes riscos podem ser mais amplamente reconhecidos graças a uma melhor compreensão científica, por exemplo, dos efeitos dos riscos ergonômicos sobre as lesões músculoesqueléticas.
Estes podem ser influenciados por mudanças de percepção da importância de certos fatores de risco, tais como os efeitos dos fatores psicossociais sobre o stress ligado ao trabalho.

Novas tecnologias
Os riscos – antigamente desconhecidos – ocasionados pelas novas tecnologias, os novos processos de trabalho e as alterações organizacionais suscitam preocupações em escala mundial. Habitualmente, as novas descobertas e a sua aplicação na indústria intervêm mesmo antes de os seus efeitos sobre a segurança e a saúde serem bem conhecidas. Devido à expansão mundial das redes de cadeias de fornecimento e ao crescimento do setor de transformação nos países em desenvolvimento, as mudanças tecnológicas têm simultaneamente um impacto sobre estes países e sobre os países desenvolvidos. Assim, utilizam-se no mundo inteiro, e com uma freqüência cada vez maior, processos de fabricação modernos que recorrem às nanotecnologias e às biotecnologias.

Nanotecnologias e nanomateriais manufaturados
As nanotecnologias têm aplicações em muitas áreas, como os cuidados de saúde, entre outras, as biotecnologias, a produção de energia não poluente, a informação e a comunicação, as indústrias química, eletrônica e militar, a agricultura e a construção.
Prevê-se que daqui até 2020, aproximadamente 20% de todos os produtos fabricados no mundo usarão as nanotecnologias. Trata-se, no entanto, de uma tecnologia emergente e os riscos associados à fabricação e à utilização de nanomateriais são ainda muito pouco conhecidos. Existem lacunas importantes ao nível das evoluções conseguidas na aplicação das nanotecnologias e o seu impacto sobre a saúde. Dada a utilização em grande escala e a diversificação dos nanomateriais na indústria, é difícil de calcular o número de trabalhadores expostos. Embora se saiba pouco sobre o impacto destes novos materiais, sobre a saúde e o ambiente, é provável, em qualquer caso, que os trabalhadores estejam entre as primeiras pessoas a sofrer elevados níveis de exposição.

Riscos biológicos e biotecnológicos
Os riscos biológicos decorrentes da aplicação das novas tecnologias podem afetar os trabalhadores de diversos setores, desde os trabalhadores da saúde e dos serviços de emergência e socorro aos que trabalham na agricultura, na gestão de resíduos e nas biotecnologias.
Alguns riscos biológicos tornaram-se mais importantes ao longo das últimas décadas, nomeadamente;
■ doenças infecciosas emergentes (SRAS, gripe H1N1),
■ tipos de doenças infecciosas resistentes aos fármacos (tuberculose, malária) e
■ a epidemia do vírus da imunodeficiência humana (VIH, em inglês, HIV), (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, AIDS, em espanhol SIDA) que se mantém presente.
Estes fatores de risco são particularmente graves para os trabalhadores do setor da saúde, que emprega mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo. Estes trabalhadores estão particularmente ameaçados, uma vez que os modos de transmissão de uma doença não são perceptíveis e que os equipamentos de segurança individual não estão adaptados, nem disponíveis.

Resíduos infecciosos
A gestão de resíduos infecciosos pode igualmente constituir um sério problema para os trabalhadores do setor da saúde, que manipulam objetos contaminados perfurantes ou cortantes, como seringas ou bisturis.

Riscos biológicos
Os riscos biológicos podem igualmente afetar os agricultores e criadores de gado. A exposição a agentes biológicos tais como;
■ micobactérias, leptospiros,
■ o bacilo do carvão e os alérgenos biológicos (os alérgenos são substâncias que, em algumas pessoas, o sistema imune reconhece como "estranhas" ou "perigosas", mas que não causam reação na maioria das pessoas.), em locais de trabalho agrícolas, é freqüente nos países em desenvolvimento.
■ a exposição a organismos resistentes aos antibióticos, a resíduos animais e às endotoxinas associadas a diversos modos de confinamento dos animais é também corrente no meio agrícola.

Doenças endêmicas
Aliás, as doenças endêmicas como a malária e a tuberculose são comuns nos locais de trabalhos agrícolas nos países em desenvolvimento.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), metade da população mundial corre o risco de ser infectada pela malária e esta doença encontra-se entre as dez principais causas de morte nos países de baixo rendimento econômico. Segundo as estimativas, 243 milhões de casos terão provocado 863 000 mortes em 2008. A região africana foi a mais afetada por este flagelo, com 89% dos casos.

Biotecnologia
Na indústria da biotecnologia, as pessoas que trabalham na elaboração de novos produtos e de organismos geneticamente modificados podem correr riscos específicos.
Diversas autoridades nacionais encarregadas da regulamentação impõem sistemas rigorosos de aprovação prévia no início dos trabalhos, mas estes são negligenciados em países cujas regulamentações são menos rigorosas – uma tendência que pode vir a desenvolver-se no futuro – os riscos podem não ser controlados com rigor suficiente.
De um modo geral, é conveniente implementar avaliações e medidas de controle adequadas aos riscos, assim como melhores ferramentas para a detecção dos riscos biológicos, a fim de melhorar a sua prevenção.

Riscos químicos
Os produtos químicos são muito utilizados, com conseqüências positivas e negativas para a saúde e para o ambiente. Apesar dos importantes progressos alcançados na regulamentação e na gestão dos produtos químicos, a nível internacional e nacional, estes produtos constituem sempre um motivo de preocupação para a saúde dos trabalhadores.
A utilização de substâncias alergênicas, sensibilizantes, carcinogênicas e mutagênicas bem como de substâncias tóxicas para o sistema reprodutivo tornou-se uma fonte de preocupação crescente. Um grande número de pesticidas pode causar cancro, ameaçar a reprodução e ter efeitos nocivos sobre o sistema nervoso, imunitário ou endócrino.

O chumbo, o mercúrio e outros metais pesados, assim como os pesticidas, continuam a ser pouco controlados em muitos países em desenvolvimento.

Crescimento de produtos químicos
Nos últimos 20 anos, o número de produtos químicos utilizados no ambiente industrial cresceu muito e muitos deles não foram corretamente testados. Dada a impossibilidade de testar sistematicamente todos os novos materiais, bastantes riscos poderão continuar desconhecidos até se conseguir demonstrar que eles representam uma ameaça para a saúde, ou para o ambiente. Existem diversos exemplos de efeitos das múltiplas exposições já conhecidas, como, por exemplo, a exposição a vários pesticidas, a gases emitidos por motores diesel e de outros combustíveis, assim como a misturas de solventes. Ainda não se entendeu bem – e ainda falta bastante para tal – o impacto que podem ter as exposições a misturas de produtos químicos e a forma como elas podem interagir com exposições de origem não profissional, como o fumo do tabaco.

FISPQ, MSDS – Informações de produtos químicos
A fim de garantir uma segurança química, é importante estabelecer um sistema nacional de avaliação e de classificação dos produtos químicos e fazer com que as informações dos fabricantes e dos importadores sejam adequadamente comunicadas aos utilizadores no seu local de trabalho, através de uma rotulagem adequada e de fichas de informações de segurança (FISPQ, MSDS). Para melhorar a prevenção no local de trabalho, tais informações deverão incidir sobre os perigos e as precauções de segurança (nomeadamente as medidas de controle de emergência) e também sobre as prescrições legais estabelecidas em termos nacionais. Os trabalhadores deverão ser corretamente informados e formados sobre os perigos potenciais, deverão ainda ser executados meios de prevenção técnica para limitar a exposição. Sempre que se revelar necessário, deve ser fornecido e utilizado equipamento de proteção individual, embora essa seja geralmente considerada uma solução de último recurso, após terem sido tomadas as restantes precauções. É conveniente instaurar uma gestão eficaz dos produtos químicos para evitar os seus efeitos nocivos. Cada produto químico terá de ser corretamente identificado antes de ser comercializado. Deve ser efetuada uma avaliação profunda das eventuais propriedades perigosas e devem ser aperfeiçoados métodos de manipulação não perigosos que evitem a exposição, ou que, pelo menos, reduzam os riscos ao mínimo.

Trabalhadores idosos e novas tendências
A maior parte dos países desenvolvidos conhece um envelhecimento da população sem precedentes, que é acompanhado por um aumento do número de trabalhadores idosos. Prevê-se uma evolução análoga para muitos países em desenvolvimento. Os trabalhadores idosos estão mais expostos a certos riscos, tais como doenças infecciosas
e lesões músculo-esqueléticas. Entre os acidentes e lesões encontrados com mais freqüência nas pessoas, podemos citar;
■ quedas causadas por falta de equilíbrio,
■ tempos de reação mais lento e
■ por problemas visuais, e
■ entorses e luxações devidas à diminuição da sua força, resistência e flexibilidade. Estes trabalhadores apresentam ainda, em geral, mais elevada taxa de incidência de doenças com um longo período de latência, como nexo causal entre doença profissional e acidente do trabalho. Quando um trabalhador idoso tem um acidente, as suas lesões são freqüentemente mais graves e a sua recuperação é mais demorada. Conseqüentemente, é necessário adotar políticas e práticas rigorosas em questões de segurança e saúde no trabalho que prevejam investimento na segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores ao longo da sua vida ativa de modo a mantê-los mais tempo no emprego e a garantir o seu bem-estar.

Condições de trabalho de trabalhadores jovens
Os trabalhadores jovens exercem freqüentemente empregos perigosos e precários, que a longo prazo terá conseqüências para a saúde e qualidade de vida. Quando são novos num local de trabalho, os jovens nem sempre têm a maturidade física e psicológica desejada e a sua falta de competências, de formação e de experiência, pode levá-los a negligenciar os riscos que ocorrem. Por sua vez, os empregadores podem não ter consciência da vulnerabilidade específica dos jovens. É possível remediar esta situação oferecendo aos jovens trabalhadores um emprego que corresponda às suas capacidades, assegurando-lhes formação em matéria de SST, um enquadramento adequado e prevendo medidas de segurança específicas.

Considerações relativas a perfis de lesões e doenças
A concentração de trabalhadoras em certas profissões leva ao estabelecimento de perfis específicos de lesões e de doenças. As medidas gerais de SST, concebidas para a totalidade dos trabalhadores, nem sempre oferecem as vantagens desejadas para o tratamento das condições de trabalho específicas das trabalhadoras. Exposições de substâncias perigosas podem ter diferentes efeitos em função do sexo, particularmente os efeitos dos agentes biológicos sobre a saúde reprodutiva, tanto das mulheres como dos homens. Existem diferenças bem conhecidas ligadas ao sexo, quanto à exigência física dos trabalhos que requerem força, à concepção ergonômica dos locais de trabalho e à duração dos dias de trabalho.
Relativamente à SST, a análise da especificidade entre homens e mulheres tem implicações na elaboração das políticas e estratégias de prevenção. É essencial reconhecer as diferenças entre os sexos para promover os locais de trabalho mais seguros e saudáveis para todos os trabalhadores. As incidências dos papéis dos homens e das mulheres sobre a saúde devem ser mais cuidadosamente estudadas, no sentido de alcançar um melhor conhecimento da relação entre a saúde no trabalho e os papéis socioeconômicos das mulheres e dos homens.

Fatores psicossociais e de stress relacionados com o trabalho
Os fatores psicossociais são já reconhecidos como sendo problemas à dimensão mundial, que afetam todos os países, todas as profissões e todos os trabalhadores.

O aumento da flexibilidade e da precariedade do emprego, a intensificação do trabalho
e os problemas de relações no meio de trabalho, tais como;
■ humilhação (bullying) e
■ assédio psicológico (mobbing), são alguns dos fatores que estão na origem de um aumento do stress relacionado com o trabalho. Se é necessário continuar as investigações para compreender perfeitamente as implicações destes fatores, admite-se, no entanto, que estes podem desempenhar um papel importante no que diz respeito à saúde, ao absentismo e ao desempenho dos trabalhadores.

A longo prazo, o stress relacionado com o trabalho pode também originar;
■ lesões músculo-esqueléticas e
■ outras formas de doenças como a hipertensão, úlceras digestivas e doenças cardiovasculares. Pode ainda contribuir para uma incapacidade de fazer face
às exigências do trabalho.

Fatores pessoais
Alguns fatores ligados ao modo de vida individual podem ter igualmente uma importante repercussão sobre os desempenhos profissionais e as relações de trabalho. O stress relacionado com o trabalho pode ter influência sobre os problemas existentes fora do local de trabalho, como a violência, o abuso de drogas, de tabaco e de álcool e uma tensão ao nível das relações familiares e pessoais. Pode também ser exacerbado pelos mesmos fatores. O stress pode ser um fator importante de depressão, ou mesmo de suicídio. Tudo isso representa um custo que pode ser considerável do ponto de vista do sofrimento humano e do peso econômico que este representa para o indivíduo e para a sociedade.
Devemos fazer com que os fatores psicossociais sejam corretamente avaliados e geridos, como acontece com outros riscos. É necessário executar medidas de prevenção específicas com vista à redução das potenciais conseqüências do stress relacionado com o trabalho.

Novas formas de prevenção
Novas abordagens da partilha de conhecimentos
A necessidade de partilhar conhecimentos sobre os riscos emergentes é vital, tanto no plano nacional, como internacional. De fato, o ritmo do desenvolvimento socioeconômico mundial, ao longo dos últimos vinte anos, traduziu-se por muitos progressos científicos e técnicos na investigação e conhecimentos no plano da gestão de riscos. A grande acessibilidade da Internet e de outros sistemas de comunicação facilitou a partilha de conhecimentos no mundo inteiro. O estudo dos nanomateriais, por exemplo, ilustra a importância desta partilha para o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias: com efeito, é necessário identificar e avaliar os perigos e riscos associados e comunicar os dados inerentes antes de aplicar estas tecnologias na indústria e em grande escala.
É importante procurar sinergias e estimular a criação e o reforço de parcerias entre as instituições e as redes nacionais e internacionais competentes nesta matéria. Os especialistas, universitários e pesquisadores, assim como os governos e as organizações de trabalhadores e de empregadores devem adotar uma abordagem global para enfrentar os desafios dos riscos emergentes e novas formas de prevenção.

Avaliação e gestão de riscos
A avaliação e a execução de medidas de prevenção destinadas a fazer face aos riscos emergentes no futuro deveriam inscrever-se num processo complexo, devido aos múltiplos fatores anteriormente referidos. As ferramentas de prevenção e de controle tradicionais continuam a ser eficazes se forem corretamente aplicadas no caso de perigos e de riscos bem conhecidos, tais como os que são originados, entre outros, por substâncias químicas, máquinas e utensílios, manutenções e agentes biológicos perigosos.
No entanto, tais ferramentas terão de ser complementadas por estratégias e ferramentas
concebidas para antecipar, avaliar e controlar os riscos emergentes provocados quer pelas mudanças ocorridas no mundo do trabalho, quer pelas tecnologias inovadoras.

Só será possível adotar uma abordagem global da gestão de riscos através da execução de sistemas de gestão da SST no plano nacional e da empresa. As políticas nacionais em matéria de SST deveriam promover estratégias de gestão de riscos que incluam, nomeadamente, investigações que avaliem e entendam o impacto das ações da mudança. O sistema estabelecido de gestão da SST engloba a identificação dos perigos, a avaliação dos riscos, a implementação de medidas de prevenção, o acompanhamento e a revisão.
É necessário, por outro lado, incentivar a cooperação e a troca de informações entre as partes participantes no que diz respeito aos riscos emergentes. As empresas multinacionais estão bem posicionadas para transferir as boas práticas de um país para outro e assim estabelecer normas de segurança comuns a todas as suas operações. Podem também promover as boas práticas entre os seus fornecedores e subcontratados. Quando os fornecedores se encontram em países em vias de desenvolvimento, a revisão da legislação e da sua aplicação efetiva, assim como a realização de auditorias regulares, podem permitir a promoção de uma forma mais ampla das boas práticas no mundo do trabalho, graças a uma colaboração estreita entre as multinacionais, os fornecedores, os serviços de inspeção da SST e outros organismos públicos.

Promoção de uma cultura nacional de prevenção em matéria de segurança
e saúde é:
■ Uma cultura onde o direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável é respeitado
a todos os níveis, onde os governos e os trabalhadores se empenham ativamente em assegurar um ambiente de trabalho seguro e saudável através da implementação de um sistema de direitos, de responsabilidades e de obrigações bem definido, e onde o princípio da prevenção tem a mais elevada prioridade.

Para desenvolver e sustentar uma cultura de prevenção em matéria de segurança e saúde, é preciso recorrer a todos os meios disponíveis para melhorar;
■ a consciencialização,
■ o conhecimento e
■ a compreensão de todos os perigos e riscos, assim como o modo de os prevenir e controlar, e
■ é necessário permitir uma troca de informações sobre a experiência e as boas práticas no domínio da SST.
O desenvolvimento progressivo de uma cultura da prevenção teria uma incidência notável sobre o reforço das capacidades nacionais em matéria de segurança e saúde no trabalho e sobre a mobilização dos recursos nacionais e internacionais. Uma total colaboração no plano nacional e internacional é determinante, se pretendemos que os esforços futuros conduzam à elaboração de estratégias de prevenção eficazes e integradas em matéria de SST.

O envolvimento da empresa e a participação dos trabalhadores são essenciais para promover uma cultura da segurança e saúde no local de trabalho. As empresas que aderem aos valores sociais e que respeitam conscienciosamente a sua política de SST criam – ao que parece – um ambiente positivo e suscitam uma importante participação de todos os intervenientes nelas integrados. Uma política coerente aplicada através de ações e de programas concretos pode contribuir para a execução dos compromissos assumidos pela direção e pelos trabalhadores, o que influencia positivamente a cultura da segurança e saúde na sua totalidade. A prevenção e redução de riscos particulares não devem constituir o único critério para se poder afirmar que uma sociedade faz uma gestão dos riscos. Seria necessário também ter em conta o modo como ela age para enfrentar os riscos e assegurar a segurança a todos.

Comentário
Em minha opinião, o grande problema para a futura geração de trabalhadores é a doença pré-existente, devido ao estilo de vida e o consumismo. Hoje as crianças e adolescentes já sofrem doenças de adultos tais como; obesidade, diabetes, pressão alta, problema de audição, (escutar música com fones), games e troca de mensagens (SMS) (problema de LER), problema de coluna, etc. O futuro da empresa é aumentar a despesa de exames que eram desnecessários, porém tornam-se importantes devido a esse fatores indicados, para prevenir o aumento da potencialidade dessas doenças provocados por trabalhos ou tarefas que induzem o aparecimento desses problemas.
No Brasil, imaginamos crianças e jovens como futuros trabalhadores já apresentando hipertensão. São 3,5 milhões de crianças com doenças pré-existentes que poderão ser agravadas por outros fatores de trabalho. Além disso são 30 milhões de pessoas com pressão alta no Brasil, das quais apenas 50% buscam tratamento. Quantas dessas pessoas trabalham e apresentam pressão alta que poderão ser agravadas por fatores de trabalho ou podem desencadear acidentes de trabalho.
Alguns sintomas que podem ser dissimulados por outros fatores de trabalho; dor de cabeça, fadiga, tontura, rubor da face, zunido no ouvido e freqüentes sangramentos no nariz.
No futuro será muito difícil separar a doença pré-existente do individuo que entra no mercado do trabalho e algumas doenças de trabalho desencadeadas por problemas ambientais que influem na própria doença pré-existente.
Finalmente essa data é mais um dia de reflexão do que buscar ações na redução dos acidentes e doenças profissionais no Brasil. Lembra muito desastre em estradas, os motoristas passam devagar, olham o desastre, fazem reflexões por alguns segundos, alguns metros depois pisam no acelerador, continuam a desrespeitar as leis de trânsito.

Vídeo:
Na década de 50 os cientistas abriram a Caixa de Pandora da energia nuclear indicando inúmeros benefícios, mas ao longo dos anos defrontamos com desastres nucleares e vazamentos radioativos com falhas humanas e confiabilidades de materiais e agora novamente os cientistas estão abrindo a Caixa de Pandora da nanotecnologia como um material de múltiplas utilização tais como; materiais e dispositivos semicondutores, materiais plásticos (polímeros), cerâmicas, materiais isolantes e materiais metálicos de alta resistência e confiabilidade, materiais biológicos, alimentos, cosméticos, entre outros, etc. A Caixa de Pandora está aberta e não sabemos as conseqüências para o ser humano, ao meio ambiente, a interação dos materiais e/ou substâncias de nanotecnologia com outras substância e materiais com potencialidades de contaminação. Por exemplo, a contaminação cruzada, contaminação de determinada matéria-prima, produto intermediário, produto a granel ou produto acabado com outra matéria-prima, durante o processo de produção ou no meio ambiente

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quinta-feira, abril 22, 2010

Proibição de salto alto em empresa alemã

Uma empresa da Alemanha colocou uma placa de advertência que pode “ferir” o visual de suas funcionárias, mas não sua integridade física. O laboratório Boehringer Ingelheim, na cidade de Ingelheim, proibiu suas colaboradoras de usar salto alto em sua área interna.
Os sinais com a proibição já estão espalhados pelos caminhos ao redor do escritório. A justificativa da empresa é que o calçamento é feito de pedras e caminhar com esse tipo de calçado sobre o local pode causar acidentes.

Fonte: G1- 20 de abril de 2010


Comentário:
Interessante essa preocupação da empresa com esse tipo de risco existente em áreas da empresa. Essa preocupação deduz que a empresa tem “cultura de segurança”. A cultura de segurança está acima das normas de segurança, pois procura novas ferramentas de segurança para que se possam reduzir os acidentes, tais como; gerenciamento de riscos, prevenção de perdas, etc. Na cultura de segurança a empresa desempenha um papel importante e fundamental para reconhecer a importância da redução de acidentes, para que o trabalhador sinta que está trabalhando num ambiente seguro e saudável. Para executar essa cultura a diretoria da empresa necessita empenhar-se nesse projeto, com visão que segurança é investimento, é melhoria de qualidade, agregando qualidade no seu produto.
A figura mais representativa é uma pirâmide de segurança, onde um terço dessa pirâmide a responsabilidade seria da diretoria e o restante dos trabalhadores.
Essa pirâmide seria constituída:
■ Diretoria como elemento de sinergia na criação da cultura de segurança
■ Integridade dos trabalhadores
■ Segurança e saúde, trabalhando em ambiente favorável à saúde e bem estar
■ Qualidade e excelência de segurança, procurando a melhoria continua e inovação, para criar vantagem competitiva no mercado (redução de acidentes, interrupção de produção, etc). Os acidentes de trabalho e doenças profissionais custam tempo e dinheiro. Os acidentes são raramente avaliados pelas empresas, o que dificulta a aferição dos respectivos impactos no custo da produção.
■ Trabalhador é a chave sucesso, estimulando a comunicação, o reconhecimento por realização na redução de acidentes (ele é responsável por ações e resultados dessa redução de acidentes).

Histórico:
Cair de salto alto é acidente de trabalho
Para a 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), a empresa deve exercer o poder disciplinar para assegurar que o empregado não utilize vestuário que coloque em risco sua integridade física. Com base neste entendimento, os juízes da turma determinaram que a Planarc Ltda. reintegre uma ex-empregada que, calçando sapato de salto alto, sofreu uma torção no tornozelo.

A trabalhadora entrou com processo na Vara do Trabalho de Taboão da Serra (SP) reclamando que, mesmo tendo direito a estabilidade no emprego em decorrência de acidente de trabalho, foi demitida. Ela informou que a lesão foi constatada pelo INSS, que lhe concedeu auxílio-doença.
Em sua defesa, a Planarc sustentou que foi a imprudência da ex-empregada que provocou o acidente. A reclamante, mesmo se recuperando de uma torção anterior no tornozelo direito, teria tentando descer uma escada usando sapatos de salto alto. A Planarc alega que não teve culpa no acidente pois a escada possui corrimão e piso anti-derrapante.

De acordo com a empresa, após a alta médica, "não restou outra alternativa senão dispensá-la imediatamente, pois corria-se o risco de novo acidente estar ocorrendo, visto que a reclamante tem grande facilidade de levar tombos".
A vara julgou procedente o pedido da trabalhadora e determinou sua reintegração no emprego. Inconformada, a Planarc recorreu ao TRT-SP insistindo que ela provocou seu acidente.

Para o juiz Plínio Bolívar de Almeida, relator do Recurso Ordinário no tribunal, essa alegação "soa mórbida" e "mais insensata ainda é a justificativa para a demissão de uma empregada estável", de que ela teria provocado seu acidente para evitar a dispensa e de que teria "grande facilidade de levar tombos".
De acordo com o relator, "para a caracterização do acidente do trabalho não se exige a culpa do empregador, de forma que se torna irrelevante o fato de a escada possuir corrimão e piso anti-derrapante".

Para ele, a imprudência alegada pela empresa deve ser vista com restrições, "vez que compete à empregadora dirigir a prestação de serviços, devendo valer-se de seu poder disciplinar quando verificado que o vestuário utilizado pela empregada coloca em risco sua integridade física".
"Em última análise, o acidente decorreu de omissão da própria empregadora", decidiu o juiz Bolívar de Almeida.

Por unanimidade, a 1ª Turma acompanhou o voto do relator, mantendo a reintegração da reclamante na Planarc. Fonte: Direito do Trabalho-2 de Novembro de 2005

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domingo, abril 18, 2010

Trabalho a quente com vapores orgânicos

O trabalho a quente em área com presença de vapores orgânicos podem conduzir a explosão de uma nuvem de vapor e causar ferimentos ou mortes em trabalhadores

Foto:Vista geral da torre de destilação, após a explosão


Em janeiro de 2000, um incêndio rompeu devido a uma explosão química em uma fábrica química em Changhua County, Taipé, Taiwan.



INICIO DA EXPLOSÃO
A explosão começou na torre de destilação.

CAUSA PROVÁVEL
O acidente muito provável começou quando um trabalhador ligou a furadeira elétrica e causou a explosão de uma nuvem do vapor confinada na torre, era vapor de tolueno.

Foto:Fragmentos da torre, após o Bleve .O fundo da torre foi encontrado no setor de manutenção
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CONSEQÜÊNCIA – EFEITO DOMINÓ
A onda explosiva rachou a torre e espalhou o solvente orgânico e provocou incêndio. Alem disso, o tolueno e o solvente usado para a resina epóxi no interior da torre de destilação formaram o Bleve (explosão de vapor em expansão de liquido em ebulição).
Em virtude disso, o tolueno e a resina epóxi que escaparam da torre, produziram uma bola de fogo e causou a ruptura da estrutura da edificação e tubulações. Seqüencialmente, mais explosão e fogo ocorreram, devido à formação de Bleve contínuo de centenas de tambores de armazenamento de diversos tipos de solventes orgânicos.

CORPO DE BOMBEIROS
Os bombeiros locais não conseguiram entrar na fábrica e somente circunscreveram o fogo, lançando água a distancia.

VITIMAS
Dois trabalhadores ficaram seriamente queimados e morreram no hospital.


Foto:A resina epóxi gelatinosa espalhou-se próxima a área e uma furadeira elétrica foi encontrada na resina. Muito provável era a furadeira do trabalhador que estava trabalhando na torre

RECOMENDAÇÕES
Trabalhador, tenha cuidado:
Qualquer trabalho a quente em área ocupada com vapores orgânicos sem as medidas de precauções podem conduzir a explosão de uma nuvem de vapor.
O trabalhador tem que verificar se etapas necessárias para assegurar que a segurança de trabalho a quente em uma área ocupada com os vapores orgânicos foram obedecidas, tais como;

Pontos chaves durante a operação:
■ Classifique a área a níveis apropriados para a proteção contra explosão;
■ Use o instrumento elétrico antiestático/antideflagrante;
■ Meça a concentração de vapores inflamáveis antes de iniciar o trabalho.

Resposta de emergência após a explosão:
■ Inicie imediatamente as medidas de resposta à emergência, notifique os órgãos responsáveis (Corpo de Bombeiros, Agência Ambiental, Defesa Civil, etc.) evacue todo o pessoal, e comece todos os procedimentos possíveis para reduzir a temperatura no local do acidente;
■ Se a pessoa ferida parar de respirar, remova a vítima da área da explosão imediatamente para um local seguro. Execute os procedimentos de reanimação cárdio-respiratória (RCP) na vítima e chame imediatamente auxílio médico, enquanto mantém a temperatura de corpo aquecida.

A EMPRESA TENHA CUIDADO;
Verificar as seguintes medidas, para assegurar proteção de segurança no local de trabalho

Providenciar controle de engenharia
■ Estabelecer sistema de permissão para trabalho a quente;
■ Instale detectores de vapores inflamáveis;
■ Preparar equipe de resposta à emergência e registrar freqüentemente as operações executadas;
■ Instale sistema de proteção contra incêndio adequado (sprinklers, sistema dilúvio, sistema de espuma) em torno do equipamento e dos produtos importantes

Providenciar equipamentos de resposta de emergência
■ Equipamentos de proteção individual e de combate a incêndio, tais como; extintores de incêndio, máscaras protetoras, etc.;
■ Chuveiro da emergência e/ou lava olho.

Fornecer treinamento
■ Conscientizar os trabalhadores nos procedimentos operacionais de segurança apropriada;
■ Conscientizar os trabalhadores das operações de resposta à emergência, tais como; treinamento de incêndio e de evacuação.

Fornecer treinamento de emergência médica
■ Assegurar que os trabalhadores estão familiarizados com os procedimentos de salvamento de emergência;
■ Relacionar os hospitais ou unidades de resgate que podem atender em caso de emergência.

Fonte: Institute of Occupational Safety and Health (IOSH), Taiwan

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terça-feira, abril 13, 2010

Memória: Oppau, explosão na fábrica da Basf

Eram 7 horas e 32 minutos da manhã de 21 de setembro de 1921, uma quarta-feira. Em Munique, ouviram-se dois sons abafados, mas fortes o suficiente para que as pessoas se perguntassem de onde teriam partido, o que estaria por trás deles. A resposta só se tornou conhecida mais tarde.

Gráfico:Num raio de 30 km as residências foram afetadas

Cerca de 300 quilômetros de distância, na cidade de Ludwigshafen, às margens do Rio Reno, havia ocorrido uma explosão estrondosa: o lugar da catástrofe foi à sede da empresa Basf (sigla de Badische Anilin- und Soda-Fabrik) em Oppau, um subúrbio do norte de Ludwigshafen.

EXPLOSÃO CONTROLADA QUE SE TORNOU INCONTROLADA
Num depósito de sulfato de amônio com salitre, tentou-se afofar a mistura com pequenas explosões, para que o adubo composto não se solidificasse e petrificasse. Caso isso acontecesse, seria impossível transportar o adubo.
A explosão ocorreu quando estava sendo utilizado explosivo para fragmentar pilhas estocadas de mistura de nitrato de amônia (mistura de 50/50, sulfato de amônia e nitrato de amônia). Este procedimento foi utilizado em mais de 16.000 vezes, sem acidentes. Cerca de 4.500 t da mistura foi envolvida na explosão que criou uma enorme cratera.
Foram registradas duas explosões; uma inicial de menor intensidade e, em seguida, a maior, com efeitos catastróficos em todos os sentidos.

CRATERA GIGANTESCA
No lugar da explosão, abriu-se uma cratera de 90 metros de largura, 120 metros de comprimento e 20 metros de profundidade.

Foto-Círculo em amarelo – cratera

FALTA DE CONHECIMENTO NA ÉPOCA
"Em princípio, naquela época, não existia nenhuma experiência que demonstrasse que tal processo de explosão, aplicado erradamente, pudesse levar a grandes danos. O nível de conhecimentos ainda não era tão alto. Tratava-se de um produto que começara a ser fabricado pouco tempo antes, ou seja, cinco ou seis anos. Mas o problema da sua petrificação nos grandes depósitos já era conhecido há muito tempo e, durante anos, fora solucionado com as explosões. Por isso, não se tinha consciência dos efeitos que elas podiam provocar. Hoje, existem processos de explosão aplicada, examinados e aprovados pelas autoridades de segurança da Alemanha, que são utilizados com êxito", disse Rolf Haselhorst, atual chefe do corpo de bombeiros da Basf:

DANOS MATERIAIS
Se as explosões foram ouvidas em Munique, podem-se imaginar os danos provocados na área do acidente.
A fábrica da Basf ficou em ruínas, da mesma maneira como o bairro suburbano de Oppau. De cerca de mil casas existentes, 80% foram inteiramente destruídas, nenhum prédio deixou de ser afetado. Num raio de 25 quilômetros, os telhados das casas foram arrancados.
Houve também danos na cidade vizinha de Mannheim, na margem oposta do Reno, da mesma forma como em Heidelberg, a 30 quilômetros de distância. Lá, foram destruídas tantas vidraças que o trânsito teve de ser interrompido. Até mesmo em Frankfurt, a 90 quilômetros do local das explosões, registraram-se danos.

VÍTIMAS
Morreram 561 pessoas e 1.952 ficaram feridas.

DESABRIGADOS
Cerca de 7.500 pessoas desabrigadas foram alojadas em barracas, recebendo o que necessitavam com maior urgência, sobretudo cobertores e roupas. Elas tinham perdido praticamente tudo o que possuíam.

REPARAÇÃO DOS DANOS
Demoraram três anos para que os danos da catástrofe pudessem ser inteiramente reparados. Para isto, trabalharam 31 arquitetos e 40 empresas construtoras.
O acidente de 1921 não foi a única explosão ocorrida nas dependências da Basf. Nos anos posteriores, foram registradas outras que, contudo, não provocaram vítimas. E continuam a ocorrer detonações de pequena intensidade e sem maiores conseqüências. Nesses casos, não há explosões, mas meros estampidos, garante Rolf Haselhorst.

Fonte: DW-World – Deutsche Welle – 21 de novembro de 2004 e Quest Consultants Inc.

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domingo, abril 11, 2010

Incêndio destrói depósito de gás

Um incêndio iniciou às 14h, 26 de agosto de 1991, de causas desconhecidas e uma seqüência de explosões destruiu o depósito e a plataforma de engarrafamento da Ultragaz localizado no bairro da Mooca, São Paulo.
O fogo ficou concentrado no setor onde estavam depositados 3.500 botijões de 13 Kg, além de centenas de cilindros de 45 e 90 Kg de uso industrial e que armazenavam mais de duas toneladas de gás.
Depois da primeira explosão, houve uma série de outras explosões provocadas pelo calor de 950 ºC que atingiu os outros vasilhames. Alguns, principalmente os de 45 e 90 quilos, foram arremessados a vários metros de distância.

OS CILINDROS VOARAM COMO MÍSSEIS
Ao explodirem, dez dos cilindros voaram como mísseis caindo sobre casas e fábricas localizadas até a 300 m de distância.

PLANO DE EMERGÊNCIA DA EMPRESA EM AÇÃO
Imediatamente após o incêndio iniciaram os procedimentos de emergência:
■ Ação da brigada de incêndio formada por onze funcionários, cada um em uma posição chave;
■ Evacuação de todo o restante do pessoal;
■ Retirada de todos os veículos internos;
■ Acionamento do plano de auxílio mútuo que foi montado em 1990 envolvendo 15 empresas da região, dentre elas, Antarctica, Tubos Tigre, Cia. União, Esso, Arno, Linhas Correntes, para combater eventuais acidentes.
■ Acionar o Corpo de Bombeiros com quem a Ultragaz mantém estreito vínculo e treinamento em conjunto.

BRIGADA DE INCÊNDIO E CORPO DE BOMBEIROS
A primeira providência dos funcionários da empresa foi fechar as válvulas que ligam a plataforma atingida aos seis reservatórios de 60 toneladas de GLP cada.
Quando as 20 viaturas do Corpo de Bombeiros chegaram, 15 minutos depois, os 35 homens da brigada de incêndio da empresa já combatiam as intensas labaredas. "A atuação deles evitou uma catástrofe", afirmou o Coronel Silas Sendin.
Segundo o major Alberto Rodrigues do Amaral, que comandou os 120 homens do Corpo de Bombeiros empregados no combate ao incêndio, a maior preocupação foi isolar os seis tanques com 360 toneladas de gás que compõem o reservatório da Ultragaz. Instalados a menos de 50 metros do foco principal do incêndio, os tanques foram resfriados com água durante mais de três horas. "Fizemos uma cortina de água sobre esses tanques que estavam próximos do incêndio", explicou o Coronel Sendin. "Usamos a mesma técnica para resfriar a plataforma, pois é impossível apagar o fogo com vazamentos de GLP".
O Coronel Sendin garantiu que o Terminal da Mooca é um local seguro, usado inclusive para treinamento de soldados do Corpo de Bombeiros. Coincidência ou não, 32 alunos do Centro de Ensino e Instrução da corporação participaram de um desses treinamentos na parte da manhã do dia do acidente, que terminou duas horas antes do incêndio.

SISTEMA DE SEGURANÇA DOS TANQUES
Nilcio José de Araújo, foi chefe do setor de segurança da Ultragaz (ocupa o cargo de gerente de promoções e eventos), afastou a possibilidade de esses tanques explodirem. "Entre os tanques e o setor de engarrafamento existem várias válvulas de segurança que se fecham automaticamente", explicou. Mesmo que um deles tivesse se incendiado, não teria explodido, disse Araújo "Existem nebulizadores para resfriar esses tanques e um sistema de vazão de gás que diminui a pressão e evita explosões", garantiu.

INTERDIÇÃO DE RUAS NUM RAIO DE 2 KM
Toda a área industrial da região – onde existem tanques de combustível da Esso e da Shell – foi isolada e várias ruas num raio de 2 quilômetros quadrados ficaram interditadas. Os moradores da região foram removidos pela Polícia Militar.

VIZINHANÇA, TESTEMUNHA DA EXPLOSÃO
Moradores da região e operários das fábricas vizinhas foram afastados cerca de 500 metros antes de as explosões começarem. "Foi essa retirada que salvou vidas", disse Ivone Capuano, proprietária da Fábrica de Panelas Clock, localizada na mesma rua. A indústria teve uma parede atingida por um cilindro e parte do telhado.
A rápida retirada faz parte de um programa comum de combate a incêndios desenvolvidos por 15 empresas da região.
Nove carros estacionados na rua Cadiriri foram atingidos pelas explosões e quatro ficaram totalmente carbonizados.
"Ouvimos as primeiras explosões 20 minutos depois de o fogo estar alto", disse Luiz Carlos D'Angelo, gerente de vendas da Fopame Materiais Siderúrgicos, localizada em frente ao depósito da Ultragaz.
"Um botijão de 90 quilos fez um rombo de 2m2 no teto e caiu dentro do departamento de informática, onde trabalhavam 10 pessoas", contou Luís Carlos D'Angelo, do setor de vendas da Fopame Materiais Siderúrgicos, outra empresa atingida.
Os moradores das ruas vizinhas a Cadiriri, entretanto, não aceitaram as justificativas da empresa. "É um absurdo a engarrafadora permanecer instalada nesta região", disse
Alexandre Petroni, que mora a 300 metros do depósito da Ultragaz. A casa dos pais de Alexandre foi atingida por um dos botijões e ficou com o telhado completamente destruído. Vitório Petroni, de 91 anos, precisou ser carregado para longe pelos vizinhos.
Rosana Nala, proprietária da Escola Maternal Gotinha de Gente, na mesma rua, também protestou contra o depósito naquele local. No momento do incêndio, 84 crianças entre 4 meses e 6 anos estavam na escola. "Parei um ônibus que passava vazio pela rua para levar as crianças para longe daqui", contou ela. "Foi pavoroso", disse.

CAUSA PROVÁVEL
As causas do início de incêndio serão apuradas por técnicos da Ultragaz e peritos criminais da Polícia Científica. Segundo a Diretoria da Empresa, sabe-se que o problema foi gerado no Sistema de Engarrafamento, não estando relacionado aos botijões.
O sistema "carrossel" de engarrafamento (utilizado no Brasil) é o mesmo usado em todo o mundo, sendo considerado o mais moderno sistema de que se tem conhecimento.

VÍTIMAS:
03 funcionários da Ultragaz sendo um funcionário com queimaduras de segundo grau e os demais com queimaduras leves

DANOS MATERIAIS:
05 caminhões da Ultragaz pegaram fogo, 08 automóveis estacionados na rua foram destruídos pelo fogo e explosão. Dezenas de casas tiveram seus telhados destruídos.

ESTIMATIVA DE PREJUÍZOS:
US $ 1.000.000,00

PARALISAÇÃO DAS OPERAÇÕES:
As operações realizadas pelo terminal, foram direcionadas para outras instalações da empresa, até a total normalização.
O terminal é responsável por 17% do engarrafamento na Grande São Paulo. Foi montado um sistema de emergência para abastecimento usando os terminais do Ipiranga e Capuava (ABC).
A unidade da Mooca, segundo informou o gerente de relações institucionais da empresa, Carlos Machado, tem capacidade engarrafar 12,5 mil botijões de 13 quilos, 724 de 45 quilos e 156 de 90 quilos, num terreno de 16,7 mil metros quadrados.
A empresa garante que não haverá problemas de abastecimento.

SEGURO:
A Ultragaz, segundo informou seu diretor de marketing, tem seguro total, que cobre danos internos, bens de terceiros e responsabilidade civil com operações.
A Ultragaz ainda não tem os números exatos, mas estima-se que o acidente tenha provocado estragos de, pelos menos, US$ 1 milhão. "Esse é o valor de uma plataforma de engarrafamento", alega Welman Curi, diretor industrial da empresa.

Fonte: O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil e Jornal da Tarde, no período de 27 a 29 de agosto de 1991.

Comentário:
Quando a empresa tem um plano de emergência definido, a sua resposta diante da ocorrência de um desastre é imediata, minimizando as conseqüências.
Objetivo do plano de Emergência: Fornecer um conjunto de diretrizes e informações visando à adoção de procedimentos lógicos, técnicos e administrativos, estruturados de forma a propiciar resposta rápida e eficiente em situações emergenciais.
Finalidade do Plano de Emergência:
■ A limitação dos danos é proporcional ao planejamento;
■ Não garante que não ocorra um desastre; entretanto, pode evitar que um acidente de pequeno porte se transforme em tragédia.
Plano de Emergência: Minimização dos danos
■ Restringir ao máximo os impactos numa determinada área;
■ Evitar que os impactos extrapolem os limites de segurança estabelecidos;
■ Prevenir que situações externas ao evento contribuam para o seu agravamento.
Essência do Plano de Emergência
■ Deve ser um instrumento prático, que propicie respostas rápidas e eficazes em situações emergenciais;
■ Deve ser o mais sucinto possível, contemplando, de forma clara e objetiva, as atribuições e responsabilidades dos envolvidos. Fonte: Cepis/OPS

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quinta-feira, abril 08, 2010

Caixa d'água tomba e atinge dois prédios

Uma caixa d'água de 30 metros de altura tombou na madrugada de quinta-feira, 1 de abril, e atingiu dois prédios de um condomínio novo da Cohab (Companhia de Habitação) de Santos (litoral de SP), no jardim Rádio Clube.

Causa
O engenheiro da Defesa Civil de Santos, Ernesto Tabuchi, que atendeu a ocorrência, disse que ainda não é possível avaliar a causa do tombamento.

Isolamento da área
Por questão de segurança, isolamos uma área de cerca de 50 metros ao redor da caixa d'água e dos dois prédios atingidos. Não havia indício de rachaduras estrutura externa da caixa.

Causa provável
Pressupomos que houve um problema de afundamento. Mas só a construtora poderá identificar o problema", explicou Tabuchi.

Vítimas:
Ninguém ficou ferido

Testemunha
A aposentada Deusiana da Silva, que mora em um apartamento térreo do bloco G1, disse; “Na hora que a caixa d’água caiu, balançou tudo. Foi um estrondo pavoroso. O guarda da obra passou falando para todo mundo sair dos apartamentos”.
Para os vizinhos do conjunto habitacional, o acidente até demorou para ocorrer. Eles dizem que os prédios foram construídos sobre a maré e que as ferragens das quatro caixas d’água ficaram submersas por, pelo menos, 2 anos.

Não havia moradores
De acordo com o engenheiro, uma parte do condomínio da Cohab, onde está a caixa d' água que tombou, seria entregue ainda neste semestre. "Alguns prédios, que ficam longe de onde ocorreu o incidente, já estão habitados e, por isso, acreditamos que a o reservatório já estava em uso", disse o profissional.

Caixa d´água
A caixa d´água tem 30 metros de altura, 120 toneladas de peso e capacidade para 90 mil litros, e não provocou uma tragédia porque ninguém está morando no prédio, que ainda está em fase de acabamento. A previsão inicial era de que as mudanças das famílias para o conjunto ocorressem em um prazo de 45 a 60 dias. A caixa d'água estava em funcionamento desde o ano passado e era utilizada no abastecimento dos 80 imóveis que já são habitados.

Demolição da Caixa d´água e parte do prédior
Além da caixa d'água, parte do edifício no conjunto Vila Pelé, no Rádio Clube, em Santos, danificado com a queda da estrutura, também será demolida. Uma empresa especializada em demolição fará a demolição. A Cohab contratará uma empresa para realizar vistorias nas caixas dos outros blocos. “A princípio, devem ser demolidas a torre da caixa d’água e a parte afetada do prédio. Mas, precisamos dessa análise para saber exatamente o que será feito e as causas do acidente”, explica o presidente da Cohab Santista, Hélio Hamilton Vieira Júnior.

Fonte: A Tribuna - 2 e 3 de abril de 2010

Comentário:
O jardim Rádio Clube é uma região de mangue que foi aterrada ao longo do tempo. Muito provável com o peso da caixa d´água, 120 toneladas, houve recalque do solo.
O mangue é um tipo de terreno natural constituído por solos compressíveis, isto é, altamente deformáveis, que apresentam recalques excessivos ou ruptura da base quando carregados. Os solos compressíveis possuem baixa resistência ao cisalhamento e penetração. Geralmente, são constituídos por argilas orgânicas ou não, e solos turfosos, comumente saturados
Dependendo como foi feito o aterro e o sistema de drenagem, o recalque será acentuado nos primeiros anos. Portanto, o controle de recalques deve ser feito topograficamente, utilizando marcos superficiais ou placas de recalque. As leituras de recalques devem ser feitas periodicamente, após o período construtivo, até que ocorra o adensamento previsto.

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domingo, abril 04, 2010

Corte no investimento de segurança em fábricas antigas no Japão

Enquanto necessário à reestruturação, talvez tenha a culpa de corroer a base do setor de manufatura japonesa. As indústrias japonesas sacrificaram a competitividade no altar da reestruturação (reengenharia).

Apontando aos acidentes recentes da Nippon Steel e da Bridgestone Corp., alguns estão começando a surpreender. As instalações e equipamentos estão envelhecendo, porque as empresas cortam gastos em investimentos e os especialistas dizem que a segurança pode ter sido comprometida devido aos cortes do pessoal e a deterioração de procedimento de segurança (queima nas etapas de fiscalização).

Enquanto não está claro se downsizing (enxugamento de pessoal e delegando maior responsabilidade a gerentes e funcionários de níveis mais baixos) desempenhou um papel na explosão de gás na Nippon Steel em 3 de setembro em Tokai, região de Aichi, ou o incêndio em 8 de setembro numa fábrica da Bridgestone em Kuroiso, região de Tochigi, os empresários e órgãos do governo estão discutindo os caminhos para prevenir mais acidentes.

Ansioso para reposicionar a indústria de manufatura, num mercado competitivo, um número crescente de empresas estão reexaminando suas operações de fábrica.

Atraso em relação aos Estados Unidos - Obsoletismo
“Japão está atrasado em relação aos Estados Unidos na revitalização de suas indústrias, devido à estagnação das atividades econômicas e talvez permitiu que desviasse sua atenção”, relatou o presidente da Federação das Indústrias, Nippon Keidanren, numa reunião de imprensa em referencia aos acidentes recentes.

Desde a década de 90, Japão viu suas instalações industriais envelhecerem muito mais rápido do que nos Estados Unidos. Muitas indústrias japonesas minimizaram os investimentos importantes e freqüentemente abandonando a renovação das instalações, pois a economia do país está enfraquecida.
As instalações de manufatura japonesa eram em média 11,6 anos mais velhas em 2001, comparado com os 7,9 anos das indústrias americanas, de acordo com os dados do Ministério de Economia, Indústria e Comercio do Japão

Entre os fornecedores, incluindo siderurgias e fabricantes de pneus eram 13,1 anos mais antigos. ``O ritmo dos investimentos nestas indústrias tendem ser mais lentos do que nas indústrias de tecnologia e de outras atividades, onde as mudanças constantes no ambiente envolvem investimentos mais rápidos,'' disse uma autoridade do Ministério de Economia.

Um analista do Instituto de Pesquisa de Economia, Indústria e Financeira (NLI Reseach Institute), entretanto, indica que mesmo entre fabricantes de chips, as instalações de produção são mais antigas do que aquelas nos Estados Unidos e na Coréia do Sul.

Falhas na segurança
Alguns resultados indicam também que as medidas de segurança, de uma parte integral da competitividade dos fabricantes, podem estar em risco. Na fábrica de Tochigi da Bridgestone, algumas portas de aço de enrolar (fire shutters, portas de aço que ficam na posição aberta, em caso de incêndio, possui dispositivos; motor elétrico, elo fusível, que fecham automaticamente, isolando a área, ver nota explicativa) não se fecharam completamente, permitindo a propagação das chamas.
Depois da ocorrência do incêndio, a empresa inspecionou as demais fábricas (oito) e encontrou os mesmos defeitos similares em sete fábricas. Um executivo da Bridgestone disse, que estava chocado pela displicência da fábrica em relação a procedimentos de segurança.

Negligencia – manipulação de relatórios
Nas indústrias petroquímicas e refinarias, na última inspeção efetuada pelas agencias reguladoras encontraram em três das principais empresas relatórios arquivados falsos em relação à execução de inspeções de segurança.
As empresas Tosoh Corp, Shin Nippon Oil Refining e Mitsui Chemicals, aparentemente obtiveram vantagens da desregulamentação, que transferiu a responsabilidade das inspeções das instalações a cargo das autoridades públicas (governo) para própria empresa.
A Mitsui Chemicals disse que essa mudança foi decidida arbitrariamente, que permitiu omitir algumas inspeções, pois fazendo a própria empresa, não aumenta a preocupação com a segurança.

Escassez de mão de obra afeta a segurança
Em conseqüência do corte de pessoal, muitos fabricantes perceberam agora a reduzida mão de obra disponível para manipular corretamente a emergência, e atualmente a disponibilidade de tempo está difícil (devido à escassez de mão de obra) para treinamento e transferência de conhecimento industrial (know how) de geração a geração (trabalhadores mais antigos transmitindo experiência para os mais novos).

O representante dos trabalhadores da Nippon Steel da cidade de Nagoya, disse com a automação permitiu que a fábrica funcionasse com poucos trabalhadores, mas com a escassez da mão de obra na fábrica pode conduzir a problemas mais sérios, uma vez que os acidentes acontecem e a mão de obra é exigida.
Na indústria naval, um transatlântico luxuoso, quase foi destruído pelo incêndio no ano passado quando estava sendo construído pela Mitsubishi no estaleiro em Nagasaki.

Numa conferência recente, Mototsugu Ito, presidente da associação da indústria naval, disse que a demografia de pessoal está distorcendo a transferências de tecnologia. De acordo com Ito, ele comparou a faixa etária e constatou, que há um pequeno número desproporcional de trabalhadores na faixa de 40 anos, devido ao declínio da indústria passada e que esses trabalhadores mais velhos, hábeis, estão se aproximando da idade de aposentadoria, deixando para trás colegas mais novos e faltando experiência.

``A saída desses trabalhadores pode afetar muito a base da indústria naval'', disse Ito que é presidente de Ishikawajima-Harima Heavy Industries Co.

Masanori Moritani, um especialista em publicações de tecnologia, diz que os acidentes na Nippon Steel e na Bridgestone oferece uma boa oportunidade para que todos os fabricantes revisem suas operações.
"Os acidentes são reflexões das tensões causadas pela queda da economia pelo qual as empresas japonesas que passaram do estagio ofensivo para defensivo, '' ele disse. "Mas não é sinal do fim da indústria de manufatura japonesa”.

Fontes: The Japan Times, The Asahi Shimbun, Yomiuri Shimburi, Bridgestone Corporation-News Release, no período de 8 de setembro de 2003 a 25 de setembro de 2003.

Comentário:
Principais falhas da organização em geral:
■ A empresa não oferece uma visão efetiva da cultura de segurança e como conseqüência apresenta deficiência nos seus programas de prevenção
■ A redução de gastos, a falta de investimento e as pressões para produção prejudicam o desempenho da segurança em geral
■ Mentalidade de automatizar os procedimentos, onde o pessoal dá por verificado os requisitos de segurança (inspeção de papel ou inspeção virtual), mas na prática não são cumpridos.
■ Os trabalhadores não são encorajados para informar problemas de segurança.
■ Falta de disciplina na execução de serviços, tolerância de desvios em relação as boas práticas de segurança.
O Programa de Gerenciamento de Riscos dá muita ênfase ao lado humano da proteção à propriedade e reconhece que a falha do elemento humano é o principal fator na maior parte das perdas. A proteção física sozinha não irá prevenir ou reduzir todas as perdas.
Para ter sucesso, “A Cultura de Gerenciamento de Risco” deve estar enraizada em cada nível da empresa, começando pelos cargos mais altos. Se neles houver falha na liderança de promover a “Prevenção”, todos os níveis de empregados falharão e os bens da empresa estarão em jogo. Mesmo com a melhor cobertura de seguro patrimonial, a maior perda acidental pode significar a perda de mercado ou afetar o lucro da empresa se não for bem gerenciada.

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