Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, agosto 30, 2007

Superbarco (Catamarã) gera polêmica no Havaí

Em 26 de agosto de 2007 entrou em operação comercial o serviço do Superbarco que ligará as
principais ilhas do Havaí. O serviço contará com moderno e veloz catamarã capaz de levar 866 passageiros e mais de 280 veículos, deslizando sobre as águas do Pacífico a uma velocidade de 35 nós.

As duas primeiras rotas do Superbarco ligarão Honolulu, em Oahu, à Kahului, em Maui e à Nãwiliwili, na ilha de Kauai. O serviço de transporte do barco entre as ilhas é a primeira alternativa, onde 1,2 milhões de pessoas vivem e dezenas de milhares de turistas chegam ao local.

A viagem levará cerca de três horas em ambas as rotas. Pesando mais de 800 toneladas, o Superbarco foi projetado e construído com tecnologia naval de ponta, especialmente para viajar de maneira rápida e confortável nas águas do arquipélago.

A bordo
O Superbarco possui quatro decks (conveses), dois decks para carro e caminhão, um deck para passageiros e uma ponte deck reservada ao piloto e equipe.
Os passageiros poderão desfrutar de salas de estar com janelas panorâmicas; lounges criados especialmente para grupos e famílias viajando juntas e confortáveis poltronas eclináveis localizadas em decks abertos e fechados. Telões de alta definição e sinal de internet Wi-fi também estarão à disposição dos passageiros, além de três bares e restaurantes.

Preço da passagem
As viagens de ida e volta de Honolulu a Maui ou a Kauai, com impostos e uma sobre taxa de combustível, custarão mais de 240 dólares para um passageiro e um carro.
Mas quem pagar um adicional de US$20 tem acesso ao Club Lounge, uma espécie de área VIP na frente do barco, com poltronas ainda mais confortáveis e vista deslumbrante para a proa do Super Barco.

Características do Superbarco
Comprimento: 106,5 m
Largura (linha de flutuação): 92,4 m
Peso bruto: 800 toneladas
Passageiros: 866
Veículos: 282 carros de passeio ou 28 caminhões pesados
Combustível: 215.000 litros

Propulsão
Operada por quatro propulsores de jatos d'água, dois em cada casco, com linhas individuais, e quatro motores principais de 8.200 kW (1.150 rpm), a uma velocidade de 35 nós com uma carga de 400 toneladas.

Construtor
O estaleiro da Austal nos EUA, construído especificamente para essa finalidade, já construiu vários catamarães e embarcações de um só casco, mas esse catamarã é o maior até o momento.
O superbarco é totalmente em alumínio. Foi projetado para interferir o mínimo possível no ecossistema da região.
A Austal é uma empresa líder em tecnologia naval de ponta, abrangendo projetos comerciais e militares.

Custo do Superbarco : 95 milhões de dólares

Protestos de ambientalistas
Ativistas ecológicos dizem que embarcação pode causar danos à região. Os ativistas protestam contra a falta da empresa conduzir um estudo do impacto ambiental, dizendo que seu plano para percorrer 500 km de águas havaianas, cada dia, põe em perigo baleias, ameaça espalhar espécie invasiva e piorará o tráfego e a poluição.
A empresa diz que o sistema de propulsão de jato de água do barco significa que não há nenhuma hélice exposta para atingir animais aquáticos.
Os defensores do superbarco dizem que ele está sendo tratado incorretamente porque outros usuários do porto tais como navios de cruzeiro não tiveram que elaborar estudos de impactos ambientais.
Fotos ampliadas:
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070830163526.html
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070830163301.html
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070830162941.html

Fonte: Austal e Fox News - August 27, 2007

Comentário
Atualmente não existe limite para a tecnologia. Vivemos na era das mega-construções. Mas toda tecnologia transporta de maneira invisível seu próprio risco. Quando os fatores externos e internos se convergem o desastre é iminente. A empresa em geral vende ou faz transparecer que sua tecnologia é absolutamente segura, mas esquece que a natureza segue sua própria lei, para o desastre. ACCA

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terça-feira, agosto 28, 2007

Governo lança selo para empresas livres de cigarro

O pontapé inicial da cruzada contra o fumo deve ocorrer com o lançamento pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo de um selo que certificará ambientes livres de tabaco. A iniciativa acontece por causa do Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado no dia 29 de agosto.

Cerco aos fumantes
Trabalhadores fumantes estão com seus dias contados. Se depender da mobilização que começa a tomar conta das corporações, os fumantes terão cada vez menos oportunidades de se entregar ao vício.

Tabagista passivo
Se antes, contudo, o movimento era para que eles abandonassem o cigarro, agora uma nova perspectiva entra em cena: em vez de cercear a fumaça, as empresas vão passar a proteger quem não fuma, mas está exposto às toxinas do cigarro. Antes, o combate ao tabagismo era o foco das empresas.
Mas é preciso levar em conta que passamos um terço de nossas vidas no ambiente de trabalho. Por isso o tabagista passivo, que inala a fumaça do cigarro e convive com fumantes em ambientes fechados, tornou-se foco", afirma o médico Antonio Sérgio Almeida Fonseca, assessor da vice-presidência de serviços de referência e ambiente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e coordenador da comissão que está implantando o projeto na ENSP/ Fiocruz (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca).

Morte
O médico estima que o tabagismo passivo seja a terceira maior causa de morte evitável no mundo, logo depois do tabagismo ativo e do consumo excessivo de álcool.

Veto aos fumantes
Segundo Fonseca, o exemplo deverá ser adotado, gradualmente, por todas as empresas, em um movimento semelhante ao veto ao fumo em ambientes como cinema e avião, que há até pouco tempo permitiam fumar em suas dependências.

Johnson & Johnson – selo livre de tabaco
Na Johnson & Johnson, a medida entrou em vigor neste ano, em todas as dependências de todos os escritórios e na fábrica. Dentro dos limites da instituição, sejam abertos ou fechados, é proibido fumar.
"Não temos a intenção de proibir os fumantes, mas evitar que fumem dentro da empresa. O programa é uma proteção aos não-fumantes", explica Luiz Infante, gerente-médico regional da Johnson & Johnson para a América Latina.
Pesquisa interna feita pela instituição apontou que 97% dos fumantes concordam com a medida. Luiz Infante ressalta também que não há discriminação na hora da seleção de novos profissionais, mas o candidato é avisado de antemão sobre a política da empresa. A Johnson & Johnson será a primeira a receber o selo governamental.

Fonte: Folha de São Paulo - 26 de agosto de 2007

Comentário:
Anualmente, 200 mil pessoas morrem no Brasil vítimas de doenças ocasionadas pelo consumo de cigarro, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o que equivale a 548 mortes por dia ou 23 mortes por hora.
Fumantes no Brasil por regiões:
Região Norte – 6,5% Região Nordeste – 22,4%
Região Centro Oeste – 5% Região Sudeste – 46,1% Região Sul – 19%
Por sexo: Homens – 62,1% Mulheres – 37,9%

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domingo, agosto 26, 2007

Governo faz campanha de prevenção dos riscos do consumo de bebidas alcoólicas

O Ministério da Saúde lançou, no dia 10 de agosto, uma campanha publicitária alertando sobre os riscos e danos associados ao consumo de bebidas alcoólicas.

No Brasil, o uso prejudicial de álcool é um grave problema de saúde pública. De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil de 2005, realizado pelo CEBRID/UNIFESP, a dependência do álcool têm aumentado.
■ Em 2001, 11,2% das pessoas com idade entre 12 e 65 anos eram dependentes.
■ Já em 2005, esse índice aumentou para 12,3%.
Os dados também indicam o consumo de álcool em faixas etárias cada vez mais precoces.

Além disso, grande parte dos acidentes de trânsito com vítimas está associada ao uso de bebidas alcoólicas pelo condutor do veículo ou pelo pedestre vítima de atropelamento. Uma pesquisa da ABDETRAN (1997) revelou que 61% dos acidentados tinham ingerido bebidas alcoólicas.

Uso moderado e responsável
De acordo com o coordenador da Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, o objetivo da campanha é influenciar positivamente nos padrões de consumo da população brasileira, enfatizando o uso moderado e responsável. “O problema é o uso freqüente e o consumo excessivo (grandes quantidades num mesmo dia ou evento) e a associação aos riscos (acidentes, violência e sexo desprotegido)”, afirmou o coordenador.

O que é a Política Nacional sobre Bebidas Alcoólicas?
A política foi sancionada por decreto presidencial em maio desse ano e traz um conjunto de medidas interministeriais para reduzir e prevenir os danos à saúde e à vida, bem como às situações de violência, associadas ao uso prejudicial de bebidas alcoólicas na população brasileira. As ações incluem:
• fortalecer a fiscalização das medidas previstas em lei que visam coibir a associação entre o consumo de álcool e o ato de dirigir;
• fiscalizar a venda para menores de 18 anos e incentivar outras iniciativas visando reduzir o consumo nas faixas mais jovens;
• ampliar e fortalecer as redes locais de atenção integral às pessoas que apresentam problemas decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas, como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPsAD) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS);
• estimular e fomentar ações que restrinjam os pontos de venda e consumo de bebidas alcoólicas, observando os contextos de maior vulnerabilidade às situações de violência e danos sociais;
• privilegiar as iniciativas de prevenção ao uso de bebidas alcoólicas nos ambientes de trabalho;
• incentivar a regulamentação, o monitoramento e a fiscalização da propaganda e publicidade de bebidas alcoólicas, de modo a proteger segmentos populacionais vulneráveis ao consumo de álcool, como os jovens.
• fomentar o desenvolvimento de tecnologia e pesquisa científicas relacionadas aos danos sociais e à saúde decorrentes do consumo de álcool e a interação das instituições de ensino e pesquisa com serviços sociais, de saúde, e de segurança pública.
Bebida Alcoólica
Para os efeitos da Política, é considerada bebida alcoólica aquela que contiver 0,5 grau Gay-Lussac ou mais de concentração, incluindo assim bebidas destiladas, fermentadas e outras preparações, como a mistura de refrigerantes e destilados que contenham teor alcoólico igual ou acima de 0,5 grau Gay-Lussac.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde

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sábado, agosto 25, 2007

Erros mais freqüentes encontrados nas vistorias do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo

Nas vistorias, as instalações são confrontadas com o Projeto Técnico aprovado pelo Corpo de Bombeiros. As alterações encontradas são analisadas com vistas à manutenção das condições de segurança previstas no Decreto Estadual 46.076/01 (mais 38 Instruções Técnicas) e pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Havendo deficiências elas são anotadas e um relatório é fornecido ao interessado para que analise e proponha uma solução técnica. Caso não existam alterações, será emitido o Auto de Vistoria.

As alterações mais comuns são as seguintes:

Sinalização:
■ falta de indicação da chave de proteção da bomba de incêndio no Quadro Geral de Energia;
■ quando houver prateleiras, armários que impeçam a visualização dos extintores, hidrantes e demais equipamentos, a sinalização deve ser elevada acima de tais obstáculos de forma a poder indicar a localização à distância;
■ falta de sinalização de solo em depósitos ou locais de fácil obstrução dos equipamentos;
quando os equipamentos ficarem atrás de pilares, cantos de parede, escadas e demais situações que fiquem escondidos, a sinalização deve apontar nestes locais a direção onde estão aqueles equipamentos;
■ falta de indicação da porta de saída e da rota a ser tomada, principalmente em locais de reunião de pessoas, tratando-se de sinalização comum ou integrante do sistema de luz de emergência;
■ falta de indicação "SAÍDA DE EMERGÊNCIA" ou "ESCADA DE SEGURANÇA" nas portas corta-fogo, na face voltada para os halls;
■ falta de indicação do número do andar nas escadas.

Hidrantes:
■ as mangueiras acondicionadas em espiral, quando deveriam estar "aduchadas" isto é com as duas extremidades voltadas para fora, a fim de facilitar o desdobramento e uso rápido;
■ falta de esguicho ou chave de mangueira nos armários para hidrantes;
■ registro fechado na tubulação principal de alimentação;
■ instalações em PVC internas às edificações ou executadas sem correto ancoramento e solda apropriada nas junções, diminuindo a resistência do sistema;
■ obstrução ao acesso e/ou visualização;.
■ registro de recalque sem drenagem, obstruído ou incompleto;

Luz de emergência:
■ alguns pontos de luz ou todo o sistema desativado;
■ falta, parcial ou total, de solução nas baterias;
■ pontos de luz com luminosidade insuficiente para o local, decorrente de potência da central, fiação ou lâmpadas sub dimensionadas;
■ não cumprimento do projeto no tocante à instalação de todos os pontos que foram previstos no projeto aprovado;
■ instalação ou alteração de divisórias sem revisão do projeto;
■ substituição do fusível por pedaços de metal, papel laminado de cigarro e similares.

Alarme:
■ instalação do painel central em local sem permanência constante de pessoas;
■ vidros quebrados nos pontos de acionamento manual;
■ falta de indicação das providências a serem tomadas para acionamento do mesmo;
■ fiação aparente e passando por locais sujeitos a avarias decorrentes de incêndios.
■ substituição do fusível por pedaços de metal, papel laminado de cigarro e similares.

Escada de segurança:
■ portas corta-fogo instaladas acima de 1 cm da soleira da porta permitindo que volume maior de fumaça a atravesse;
■ portas corta-fogo mantidas abertas por calços, vasos ou tijolos;
■ portas corta-fogo que não fecham automaticamente com a passagem das pessoas;
■ portas corta-fogo instaladas sem espaço correspondente a uma largura antes e depois no seu acesso ou saída, fazendo com que as pessoas tenham que pegar na maçaneta estando em degrau acima ou abaixo da mesma;
■ portas corta-fogo sem placas de marca de conformidade;
■ venezianas de ventilação com elementos que não garantem a área mínima de ventilação de 0,84 m2;
■ instalação de fiação de antenas, prumadas elétricas e até tubulação de gás combustível já foi encontrada;
■ obstrução por vasos, sacos de lixo, materiais de construção, móveis etc;
■ fixação de corrimãos por buchas nas paredes que não garante um mínimo de resistência ao arrancamento;
■ escada de segurança que não termina no térreo (descarga) mas continua até o subsolo - obrigatoriamente ela deve terminar no pavimento do acesso à edificação de forma que a população não desça, em casos de pânico, até o subsolo.

Extintores portáteis e sobre-rodas:
■ falta de inspeção ou manutenção;
■ selo de aparelho novo em equipamento usado;
■ agente extintor "empedrado" nos aparelhos de pó químico seco;
■ medidor de pressão acusando aparelho fora de uso;
■ aparelho obstruído por móveis, lixo, vasos; atrás de portas;
■ tipo de agente extintor não adequado ao material das proximidades (tipo pó químico seco para papéis, quando deveria ser de água; água ou espuma próximo a materiais energizados, quando deveria ser de gás carbônico e outras mais);

Brigada de incêndio:
■ quando declarado no projeto que haverá pessoal treinado e solicitados os nomes antes da vistoria, no local as pessoas cujos nomes foram dados nem sabiam que foram indicadas para tal função;
■ dificilmente a carga-horária é seguida;
■ os funcionários treinados saem da empresa e não há transferência dos cargos;
■ componentes com conhecimento insuficiente ou sem treinamento prático;

chuveiros automáticos:
■ quando declarado no projeto que haverá pessoal treinado e solicitados os nomes antes da vistoria, no local as pessoas cujos nomes foram dados nem sabiam que foram indicadas para tal função;
■ falta dos bicos reserva;
■ gongo hidráulico não funciona;
■ bicos distantes do teto, sem coletor de calor;
■ falta de drenos, falta de conexões remotas de teste;
■ falta de sinalização do registro de recalque;
■ falta de tubulação de retorno do recalque da bomba ao reservatório (6 mm para evitar superaquecimento);
■ falta de conexão de ensaio da bomba;

Fonte: Cap PM e Engenheiro Civil Leandro Antonio Graton

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Acidente de esteira no Porto de Santos

O acidente aconteceu por volta das 9h30 de segunda-feira, 20 de agosto de 2007, no interior do Armazém XII (12 Externo), uma das esteiras do terminal da empresa Pérola no Porto de Santos.

Motivo do acidente
De acordo com a empresa, Ednaldo Clemente Ferreira fazia a regulagem de tensão da correia de uma das esteiras, quando a chave de boca, equipamento que mede a pressão das peças, escapou de suas mãos. Na tentativa de recuperar a ferramenta, ele acabou com o braço direito prensado no equipamento. Naquele momento, a esteira estava em funcionamento, afirmou a assessoria do Terminal Pérola.

Danos

Ednaldo Clemente Ferreira teve o braço direito quase decepado e foi levado para à Santa Casa de Santos, onde seria submetido a uma cirurgia para amputar o braço. Mas os familiares da vítima solicitaram o reimplante. Diante do pedido, um helicóptero foi contratado pela operadora portuária para levar o paciente até o hospital São Luís, na Capital.
A cirurgia teve início às 14h30 e durou até as 17h30. Devido às condições do paciente, os médicos optaram por amputar o braço e posteriormente foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde deve permanecer por dois dias.

Experiência da vítima
Ednaldo Ferreira era técnico da operadora portuária Pérola e havia sido contratada em abril último. Segundo informações da empresa, ele foi responsável pela instalação dos equipamentos do terminal, inclusive a esteira.

O que diz a NR12
Os reparos, a limpeza, os ajustes e a inspeção somente podem ser executados com as máquinas paradas, salvo se o movimento for indispensável à sua realização. A manutenção e a inspeção somente podem ser executadas por pessoas devidamente credenciadas pela empresa.

Investigação
O coordenador de fiscalização do trabalho no porto, da Subdelegacia Regional do Trabalho (SRT), João Rocha, afirmou que uma investigação será iniciada para apurar as causas do acidente. Segundo ele, o prazo para a conclusão é de seis meses. Rocha disse que duas frentes vão coordenar a investigação. A primeira irá analisar o caso e propor medidas de segurança. A segunda deverá detectar se houve alguma irregularidade na operação, podendo eventualmente multar o terminal.

Operadora portuária Pérola
A instalação integra o complexo para importação de fertilizantes e sal do grupo Pérola, companhia formada com a parceria das empresas Eurobras (operadora do Grupo Rodrimar), Salinor (ex-Salmac/Cirne) , a canadense Potash Corporation Inc (PCS, a maior produtora de cloreto de potássio do mundo) e a dinamarquesa Eitzen Group (a maior armadora mundial em transporte de granéis).

Fonte: Jornal A Tribuna – Santos, 21 de Agosto de 2007

Comentário
O que podemos imaginar o que houve de errado;
■ O risco de efetuar manutenção próximo de partes móveis foi levado em consideração?
■ O trabalhador foi treinado adequadamente para efetuar esse tipo de serviço?
■ Teria necessidade de efetuar a manutenção com equipamento em funcionamento? Que medidas adicionais de segurança foram tomadas para acompanhar o serviço de manutenção?
■ Falta de supervisão no acompanhamento do serviço?
■ O serviço foi considerado de alto risco, devido ao funcionamento de partes móveis?

O que diz a normas de segurança NR-12;
■ Todos os pontos de transmissão de força de correias transportadores devem ser protegidos com grades de segurança ou outro mecanismo que impeça o contato acidental.
■ Os trabalhos de limpeza e manutenção das correias transportadores contínuos só podem ser realizados com o equipamento parado e bloqueado ou outro sistema, devendo neste caso possuir mecanismo, que impeça contato acidental do trabalhador com as partes móveis.

Boas práticas de Segurança
Recomendações da Associação de Fabricantes de Correias Transportadoras dos Estados Unidos:
1 - Não executar manutenção nas correias até que os sistemas; elétrico, ar, hidráulico, estejam travados ou bloqueados.É bom senso de segurança seguir esta regra.
■ Não executar nenhum tipo de manutenção (ou até abrir painel elétrico ou sistema de proteção ) até que as fontes; elétrica, ar, ou hidráulicas estejam desconectadas ou bloqueadas.
■ Bloquear a correia transportadora antes de iniciar o trabalho. Há técnicos que às vezes tornam-se excessivamente confiantes na sua capacidade de trabalhar no maquinário, mesmo quando está ligado, porque eles fizeram isso ao longo do tempo e sabem fazer. Este tipo de mentalidade que pode levar a acidentes.
2 - Permitir somente pessoal autorizado para efetuar manutenção de equipamentos de manipulação de material
Somente trabalhadores que foram treinados devem ser permitidos para operar e executar manutenção em correias transportadoras.
Isto é por duas razões:
■ Segurança técnica. As correias podem ser perigosas para aqueles que não conhecem completamente o equipamento e como trabalhar com segurança.
■ Somente pessoal treinado pode realmente manter uma correia transportadora na eficiência máxima. Isto não é necessariamente uma preocupação de segurança, embora possa ser, se o nível de desempenho da correia provoque nos trabalhadores falta ou desvio de percepção de segurança (deficiência de análise de segurança). ACCA

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terça-feira, agosto 21, 2007

Overdose de café leva garota inglesa ao hospital

Uma adolescente de 17 anos, de Durham, no norte da Inglaterra, foi levada ao hospital depois de tomar café em excesso.

Overdose de café
Jasmine Willis passou mal depois de beber sete cafés expressos duplos durante o seu turno de trabalho na lanchonete da família.

Efeitos colaterais
Inicialmente, ela teve acessos de riso e choro enquanto servia os clientes na lanchonete. Os sintomas pioraram quando o pai a mandou para casa. A adolescente começou a ter febre e a hiperventilar e foi levada a um hospital local, onde os médicos confirmaram que ela havia tido uma overdose de cafeína.

Recuperação
Jasmine se recuperou, mas a experiência traumática a levou a sair a público para fazer um alerta às pessoas sobre os perigos de beber café em excesso.
"Eu não tinha me dado conta de que isso podia acontecer. Só espero que as pessoas aprendam com o meu erro", disse a adolescente. "Tive palpitações, o meu coração batia muito rápido e eu achei que ia entrar em estado de choque".
A adolescente, que recebeu alta depois de ficar algumas horas em observação, sofreu efeitos colaterais por dias. "Eu me senti exausta durante dias", disse Jasmine, acrescentando que agora não consegue sequer ver café na sua frente.

O pai de Jasmine, Gary, disse que a filha não havia percebido que estava tomando doses duplas de café.

Fonte: BBC Brasil – 13 de agosto de 2007

Comentário
Como disse Paracelsus, "Nada é veneno, tudo é veneno, depende da dose".

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segunda-feira, agosto 20, 2007

Avião pega fogo após aterrissagem no Japão

Um avião da companhia aérea taiwanesa China Airlines pegou fogo na manhã de segunda-feira, 20 de agosto, minutos depois de aterrissar na ilha de Okinawa, no Japão.
O acidente aconteceu por volta das 10h30, horário local, quando a aeronave, que fazia a rota entre a capital de Taiwan, Taipé, e a cidade japonesa de Naha, na província de Okinawa.

O Boeing 737-800, com 157 passageiros e 8 tripulantes aterrissou no aeroporto de Naha e começou a pegar fogo na pista oito minutos depois do pouso.

"Tudo estava normal, da decolagem à aterrissagem, até quando os pilotos descobriram que o avião estava pegando fogo", disse Johnson Sun, porta-voz da China Airlines.

As chamas se iniciaram no motor esquerdo do avião e se estenderam à cabine de passageiros, provocando uma grande coluna de fumaça preta.

Chamas e explosão
"Vi vários passageiros deixarem o avião usando uma rampa. Cerca de um minuto depois, ouvi o som de uma explosão foi uma grande explosão", disse uma testemunha à TV NHK.

Saída de emergência
Um vídeo feito por uma testemunha mostrou passageiros escorregando por duas rampas no lado direito do avião, enquanto as chamas e a fumaça tomavam conta do lado esquerdo.

Vítimas
Quatro pessoas ficaram feridas, sendo dois passageiros (uma menina de 7 anos e um homem de 57 anos) e dois tripulantes.

Controle do incêndio
As equipes de emergência do aeroporto de Naha conseguiram controlar o fogo uma hora depois do início do incêndio.

Perda total do avião
Depois que o fogo foi controlado, os restos calcinados do aparelho permaneceram na pista perto do terminal. O nariz ficou caído de um lado, enquanto a cauda ficou intacta no outro. Entre as duas partes, era possível ver o resto do interior, onde estava tudo preto de fuligem, e grande parte do teto da cabine havia desaparecido.

Causa provável
A ruptura de uma mangueira de combustível é a causa mais provável para o incêndio do avião.
Segundo a reconstrução preliminar, a tubulação se rompeu durante a aterrissagem. Houve um vazamento de combustível, que se incendiou devido às elevadas temperaturas dos motores, segundo informou o Ministério de Transportes japonês.
A Comissão de Investigação de Acidentes de Aviação do Ministério de Transporte japonês investiga se algum componente do avião ou algum objeto exterior sugado pelas turbinas pode ter ocasionado a ruptura. Nos próximos dias, a caixa-preta será analisada.

Investigação
O Departamento de Aviação Civil de Taiwan anunciou o envio de três representantes e de funcionários da China Airlines a Okinawa para investigar a causa do acidente.
Segundo uma fonte do Ministério dos Transportes do Japão, disse que é prematuro atribuir o acidente a uma falha do motor.

Fotos:
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070820230935.html
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070820231317.html
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070820231721.html

Vídeo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM716647-7823-IMAGENS+DE+RESGATE+DOS+PASSAGEIROS+FORAM+GRAVADAS+POR+CELULAR+NO+JAPAO,00.html

Fonte: UOL Últimas Notícias – 20 de agosto de 2007 e BBC News - Monday, 20 August 2007.

Comentário
A foto e o vídeo mostram a importância da saída de emergência em um cenário real de acidente. Os passageiros saíram rapidamente do avião através das rampas de emergências, enquanto o fogo se propagava no avião e alguns minutos depois houve a explosão.

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sábado, agosto 18, 2007

Lixo Tecnológico

Sete em cada dez dos cinqüenta milhões de toneladas de sucata eletrônica produzidas por ano vão parar na China, onde são recicladas.

Desastre ambiental:
De acordo com a ONU, o planeta descarta 50 milhões de toneladas desse tipo de material. Do ponto de vista ambiental é um desastre.
Os materiais plásticos das carcaças dos computadores levam séculos para se decompor na natureza.
Os componentes, como as placas-mãe estão recheadas de metais pesados, como mercúrio, chumbo, cádmio e berílio, altamente tóxicos.

Europa e EUA descartam lixo:
A Europa e EUA, os maiores produtores mundiais de sucata eletrônica enviam gratuitamente quase 70% de todo o lixo ou vendem por preço simbólico à China.

Cidade chinesa contaminada
A principal riqueza de Guiyu, cidade do litoral chinês com 150.00 habitantes é a garimpagem do lixo eletrônico.
Oito em cada dez habitantes, incluindo crianças e idosos passam o dia destrocando carcaças de computadores e de aparelhos eletrônicos. Procuram metais que possam ser recuperados e revendidos; cobre, aço, ouro, etc.

Desmontagem artesanal
As placas-mãe são desmontadas em fogareiro de carvão. As carcaças de PVC também são derretidas para aproveitamento por processo que libera gases tóxicos.

Meio ambiente contaminado
Estudos constataram que o solo da região está contaminado por metais pesados. Não existe fonte de água potável num raio de 50 km da cidade.

Negócio rendoso
O negócio é tão promissor que outros países, tais como; Índia e Nigéria, passaram a disputar com os chineses os carregamentos de sucata eletrônica.

Riqueza de metais
Há mais ouro em 1 tonelada de PC’s do que em 17 toneladas de minério bruto do metal
As placas de circuitos eletrônicos são 40 vezes mais ricas em cobre do que o minério bruto do metal.

Nos EUA 304 milhões de aparelhos eletrônicos são jogados no lixo a cada ano. Seis em cada dez aparelhos ainda funcionam.

Fonte: Veja Tecnologia – agosto de 2007

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quinta-feira, agosto 16, 2007

Fogo no prédio mais alto em construção em Shanghai

Aproximadamente 1.000 trabalhadores foram evacuados rapidamente depois que irrompeu um incêndio na terça-feira à tarde, 14 de Agosto de 2007, no arranha-céu, Shanghai World Financial Center, no setor financeiro em Pudong, Shanghai, que tornará o edifício mais alto chinês.
Evacuação
“Havia aproximadamente 1.000 trabalhadores no local e somente existia seis elevadores. Foi muito caótico naquele momento, porque esperamos na escuridão pelo elevador. Muitos decidiram descer pelas escadas”, disse um eletricista, que escapou do 40o andar.

Vítimas e danos
Ninguém ficou ferido, e não havia nenhuma estimativa imediata dos danos.

Corpo de Bombeiros
Aproximadamente 200 bombeiros entraram no edifício, para certificar se todos os trabalhadores saíram com segurança.
O Centro de Emergência da cidade recebeu o alarme às 16 h 34 min, e os bombeiros conseguiram controlar o incêndio às 17 h 54 min. Utilizaram viaturas de incêndio e mangueiras especiais para apagar o incêndio rapidamente. As instalações de incêndio do edifício entraram em ação, principalmente o sistema de sprinklers.

Causa provável
“Uma investigação preliminar determinou que o fogo foi causado por fagulhas de solda. As fagulhas caíram do 53o andar, pegou fogo em material em desuso no andar abaixo. O fogo irrompeu no 26o andar e uma fumaça elevou-se ao 80o andar pela caixa do elevador”, de acordo com Yang Cheng, que trabalha para a empreiteira responsável pela obra.

Danos materiais
Doze painéis de vidros externos foram destruídos, mas os prejuízos não foram grandes.
O imprevisto não deve atrasar a construção do edifício de 101 andares, de 492 m, programado para inaugurar no próximo ano, disse Yang.

The Shanghai World Financial Center
O prédio terá um hotel de cinco estrelas com 175 apartamentos, salas de conferências, escritórios, lojas no piso térreo e uma plataforma de observação mais alta do mundo.

Características do prédio
Inicio de construção: 1997
Término de construção: 2008
Inauguração: 2009
Altura : 492 m
Andares: 101
Área bruta de andar: 377.300 m²
Instalações: 31 elevadores e 33 escadas rolantes

Fonte: Shanghai Daily- 2007-08-15

Comentário:
Qualquer operação que envolva chamas abertas ou que produza calor ou fagulhas introduz uma fonte potencial de ignição em sua empresa. Essas operações em trabalhos a quente devem ser monitoradas cuidadosamente para minimizar a ameaça de incêndio.

Recomendações essenciais:
Monitoração confiável e contínua nas 4 horas seguintes a todo trabalho a quente ou um sistema seguro de detecção de fumaça

■ Um vigia (um elemento da brigada de emergência em prontidão) , presente no local , monitora às áreas de trabalho, alerta a qualquer início ou ameaça de incêndio. O vigia de incêndio pode se encarregar também da resposta inicial para incêndios usando um extintor ou uma pequena mangueira e disparando o alarme de incêndio.
■ Colocar pessoal adicional (vigia) conforme o tipo de serviço. Se um trabalho a quente pode ser executado em locais muito elevados, vigias adicionais devem ser colocados em diversos níveis para controlar a fagulha ou a escória que pode cair.
■ Providencie um vigia de incêndio para a primeira hora e monitoração confiável e contínua para as três horas subseqüentes. A maioria dos incêndios começou duas ou três horas após a conclusão dos trabalhos a quente.
■ Uma outra alternativa consiste em um sistema seguro de detecção de fumaça com detecção central e/ou sistema de alarme de sprinklers automáticos cobrindo toda a instalação e um elemento da brigada de emergência disponível no local e pronto para agir

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terça-feira, agosto 14, 2007

Café quente – indenizações milionárias nos EUA

Julgamento opostos de casos semelhantes nos Estados Unidos e na Inglaterra mostram que só no primeiro país opera uma indústria de indenizações milionárias por motivos fúteis

Muita gente se lembra daquela mulher de Albuquerque que foi queimada por um café do McDonald's em 1992, a quem um júri decidiu conceder uma indenização de quase US$ 3 milhões. Um número um pouco menor de pessoas se lembra de que um acordo extrajudicial reduziu essa indenização a uma soma muito menor, que nunca foi revelada. E quase ninguém se lembra de que aquele mesmo júri também concluiu que a mulher tinha 20% da culpa pelo que aconteceu.

Agora foi a vez da Grã-Bretanha de legislar sobre café quente. O juiz de um tribunal superior chegou a uma conclusão diferente, num caso semelhante, e rejeitou vários processos contra o McDonald's envolvendo queimaduras provocadas por bebidas quentes, principalmente café.
"Estou plenamente convencido", escreveu o juiz Richard Field, "de que o McDonald's tinha o direito de pressupor que o consumidor sabia que essas bebidas são servidas quentes e existem inúmeras maneiras de apressar o seu resfriamento, tais como agitar ou soprar o líquido".
Houve algumas diferenças importantes entre os dois casos. No episódio em Albuquerque, uma mulher de 79 anos foi seriamente queimada quando abriu uma xícara de café que colocara entre as pernas, enquanto estava sentada num carro estacionado.

Ela teve de ficar no hospital por oito dias, com queimaduras nas coxas, nas nádegas e...lá. Na Grã-Bretanha, as vítimas eram em sua maioria crianças, feridas por bebidas que espirraram de bandejas que adultos próximos a elas vinham carregando. Embora algumas delas tenham sido bastante queimadas, nenhuma ficou hospitalizada por muito tempo.
O júri americano foi influenciado pela revelação de que tinha havido pelo menos 700 casos anteriores de clientes do McDonald's relatando queimaduras - registros que, em sua maioria, não chegaram aos tribunais por causa de acordos extrajudiciais. Na época dos processos na Grã-Bretanha, o caso do café do McDonald's já se tornara famoso.
Mesmo assim, a sentença de 24 páginas do juiz Field mostra que ele tem uma opinião muito diferente da dos americanos sobre como equilibrar as responsabilidades empresarial e pessoal.

“Qualquer um deve saber que uma bebida quente pode produzir queimaduras”
“Quem deve se cuidar para evitar acidentes é quem pede a bebida, não o restaurante”

Vejam estes trechos das sentenças:
Pelo menos 16 dos 31 queixosos tinham quatro anos de idade ou menos, na época dos acidentes. Em sua maioria, os episódios ocorreram entre 1996 e 1998:

"Uma seqüência bem típica de fatos ocorreu no de Lamar Bartley que, com quase dez meses de idade, foi levado por sua mãe, Gail McDonald, a um restaurante em Nottingham. (...) A senhora comprou três bebidas quentes e cinco bebidas geladas e as levou para a mesa. Alega-se que outro freguês pôs sua bandeja na mesma mesa e, ao fazê-lo, empurrou a bandeja da senhora McDonald para fora da mesa, espirrando café quente em Lamar, que recebeu graves queimaduras, que precisaram ser tratadas com um transplante de pele sob anestesia geral".
O juiz Field resumiu, então, as questões legais genéricas com que o McDonald's se defrontava:

"1) Se o réu foi negligente ao (...) servir bebidas quentes à temperatura na qual o fez nesses casos.
2) Se seria necessário ou não, para o réu, a fim de se isentar de qualquer obrigação de recomendar cuidados aos clientes (...) servir as bebidas a uma temperatura mais baixa (...) e, neste caso, qual a temperatura máxima em que elas poderiam ser servidas.
3) Se as xícaras usadas pelo réu eram de modelo adequado e feitas de material suficientemente seguro, de tal forma a descartar qualquer acusação de negligência por parte de quem quisesse servir-se de bebidas quentes nelas."

Voltando à questão da temperatura, o juiz Field resumiu uma monografia de 1947, publicada no American Journal of Pathology, que relatava experiências com queimaduras produzidas sobre a pele de porcos, que é semelhante à pele humana. As temperaturas estão em centígrados:

"Esta pesquisa mostra que a temperatura mínima na qual a pele queima é de 61.7 graus. A 67.7 graus, a duração da exposição necessária a uma queimadura em profundidade é de 257 segundos. (...) A 82.7 graus, a duração necessária é de apenas 2 segundos."

O juiz Field comentava, a seguir, o depoimento de Mark Hathaway, gerente de Saúde e Segurança do McDonald's, que disse que a companhia usava dois tipos de máquinas para café. Uma preparava um café que saía da torneira entre 188 e 194 graus, e a outra, entre 75 e 78.8 graus:

Chá ou café – água fervendo
"Daí se deduz, argumenta o sr. (Tim) Horlock, advogado dos queixosos, que o McDonald's foi negligente ao servir bebidas tão quentes. (...) Mas acontece que chá precisa ser feito em água fervendo para dar o melhor sabor. E café tem de ser preparado a temperaturas entre 85 e 94.4 graus. E, além disso, todo mundo gosta de deixar esse tipo de bebida esfriar até chegar à temperatura que cada um prefere (...) Seria correto que, para não ser eventualmente acusado de negligência, ... um restaurante negasse ao seu público aquilo que ele quer, mesmo sabendo dos riscos envolvidos? Na minha opinião, a resposta é claramente não."

Os queixosos apresentaram apenas uma testemunha especializada, Donald Ives, engenheiro mecânico e membro do Instituto de Ciência e Tecnologia Alimentar.
Mas o juiz Field não se deixou impressionar:

"O senhor Ives (...) referiu-se à regulagem de temperatura de uma máquina de fazer café, a Bunn-O-Matic, que ele deveria saber que não está envolvida em nenhum dos casos em exame. (...) E sua informação de que a xícara de poliestireno mantém o café quente durante um período considerável de tempo também não foi propriamente uma revelação. (...)"

A certa altura, o senhor Ives mencionou um levantamento feito por universitários americanos e por um livro didático britânico, sobre a prática de servir alimentos, que recomendava temperaturas inferiores a 82 graus. O juiz Field respondeu:
"Na minha opinião, essas fontes são uma base extremamente frágil para a opinião do senhor Ives de que o McDonald's deveria ter servido suas bebidas quentes numa temperatura menor que a em que serviu. (...) É surpreendente que ele não tenha testado as tampas das xícaras usadas pelo McDonald's naquela ocasião, para ver se vazavam. (...) Portanto, a maior parte do relato do sr. Ives não pode ser considerado mais que uma coleção de fatos esparsos, incompleta e irrelevante em alguns de seus aspectos mais importantes para o caso. (....) Por tudo isso, sou forçado a dizer que não considero o senhor Ives uma testemunha convincente."

Hathaway testemunhou para dizer que as temperaturas nas quais o McDonald's servia suas bebidas eram as mesmas usadas por todos os restaurantes do ramo.
O juiz concordou:
"Deduzo que o que todos eles estão tentando fazer é atender às exigências de seus clientes. Por isso, não me surpreende que não haja provas de que a temperatura das bebidas do McDonald's fosse diferente da dos demais restaurantes. (...) Assim, sugiro que a resposta às questões genéricas (1) e (2) seja: 'Não'."
Num outro trecho da sentença, o juiz discutiu o formato e a fabricação das xícaras e tampas usadas pelo McDonald's:

Sensibilidade – quente ou muito quente
"O senhor Ives criticou a xícara feita de espuma de poliestireno por causa de sua alta eficiência térmica. Ele disse que isso impedia que o consumidor sentisse o quanto o conteúdo podia estar quente, alem de não deixar a bebida esfriar. Mas estou plenamente convencido de que o McDonald's tinha o direito de pressupor que o consumidor sabia que a bebida servida nesses recipientes estava quente e de que existem diversas maneiras, conhecidas de todos, de esfriar bebidas, agitando-as ou soprando-as. E assim, proponho responder à questão genérica (3) também com um, Não".

Os reclamantes ainda tentaram argumentar que, embora pessoas adultas e mesmo crianças acima do nível da primeira infância tenham de saber que uma bebida quente é quente, não são obrigadas a saber quão rapidamente ela pode queimá-los. O juiz pediu licença para discordar:

"Acho que é justo deduzir que criancinhas pequenas muito raramente compram ou tomam café ou chá em restaurantes McDonald's. (...) No meu entender, o McDonald's podia, portanto, prever que a maioria dos que comprariam bebidas quentes em seus restaurantes estava na adolescência ou era mais velha. E esse tipo de freguês deveria saber que o café ou o chá que comprava estaria quente e podia provocar queimaduras se derramado em alguém".
Ao contrário do júri americano, que constatou que o McDonald's tinha a obrigação de alertar fregueses sobre seu café quente, o juiz Field concluiu:

Cuidado com bebida quente
"As pessoas em geral esperam que chá ou café comprado em restaurantes seja consumido com base no pressuposto de que são bebidas servidas quentes. (...) As pessoas em geral sabem que, se uma bebida quente for derramada em alguém, pode ocorrer uma queimadura grave. Portanto, sabem que é preciso tomar cuidado para evitar que isso aconteça, principalmente se elas estão com crianças pequenas. Elas esperam que precauções sejam tomadas para evitar esse risco, mas não que, para prevenir acidentes, se proíba a venda de bebidas quentes. (...) Estou convencido de que o grau de segurança com que o McDonald's serviu suas bebidas quentes foi o mesmo que as pessoas geralmente têm o direito de esperar. (...) Assim a alegação de que o McDonald's pode ser legalmente responsabilizado por esses ferimentos lamentáveis não se sustenta".

Fonte : O Estado de São Paulo - Domingo, 14 de abril de 2002
The New York Times

Históricos de acidentes
Café derramado gera processo nos EUA
Em maio de 1995, um agente de segurança processou a cadeia de lanchonetes Burger King por ter tido as pernas queimadas por café derramado.
Em processo similar no Novo México, uma pessoa obteve indenização de US$ 640.000,00 da cadeia de fast food MacDonald's.

Justiça condena rede Mc Donald's
Uma mulher que sofreu queimaduras de terceiro grau produzidas pelo café da rede de lanchonetes Mc Donald's obteve uma indenização de 2,9 milhões de dólares, em 1994. Um tribunal de Albuquerque, no Novo México, Estados Unidos considerou que o café à temperatura de 81 graus Celsius, provocou as queimaduras em Stella Liebeck, de 81 anos, estava quente demais.A mulher afirmou no tribunal que em fevereiro de 1992 parou numa lanchonete da rede para tomar uma xícara de café. Mas ao colocar o copo de plástico entre as pernas para retirar a tampa, o líquido quente caiu em cima do seu corpo, provocando queimaduras de terceiro grau nas pernas, virilha e nádegas. Stella teve de gastar dez mil dólares com hospital. A empresa sabia do perigo que representava a temperatura do café para os consumidores há quinze anos, mas se recusava a tomar conhecimento das queixas.

Comentário:
O bom senso de um juiz inglês para analisar um incidente. Era muito fácil para o juiz recorrer as leis para julgar, mas ele preferiu analisar a dinâmica do problema para chegar a um resultado.
Hoje muitos profissionais preferem analisar um problema protegido pela lei ou norma para utilizar o estado estereótipo “certo ou errado” do que analisar a dinâmica do incidente.
O juiz foi feliz em analisar o problema como se fosse a análise de ciclo de vida de um produto. Neste caso a arte de tomar um café. Qual o impacto do café quente no ambiente externo (clientes).
Por que o café tem de tomar quente e não frio ? A xícara tem de conservar o calor? Se o tato pressente que a xícara está quente, temos de tomar cuidado? Ou a Empresa é obrigada colocar em letras garrafais na xícara ou no copo, cuidado o líquido está quente?

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domingo, agosto 12, 2007

Imigração indesejada

Trazidas por navios, espécies alienígenas de corais invadem litoral do Rio.Ela está acontecendo no litoral do Rio de Janeiro, ameaçando o ecossistema marinho e causando a perda da biodiversidade. O alerta é da bióloga Alline Figueira de Paula, que estuda o tema desde 2002.
Foto:Mussismilia hispida, o coral cérebro
Invasões biológicas
“As invasões biológicas, que compreendem a chegada, o estabelecimento e a expansão de uma espécie fora da área de sua distribuição geográfica natural, estão hoje entre as principais causas da perda de biodiversidade no planeta. E isso está acontecendo no estado do Rio de Janeiro com os corais Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis, que estão roubando o lugar de espécies marinhas nativas, como algas, esponjas, moluscos e outros corais” explica ela.

Propagação das espécies
Essas espécies chegaram em águas brasileiras incrustadas em plataformas de petróleo e colonizaram os costões rochosos da Baía da Ilha Grande na década de 90.
Desde então, esses corais já se espalharam para a Região dos Lagos e Paraty, ocupando grande parte do espaço disponível para as espécies nativas. Foto: Tubastraea

Vetor - navios
O vetor para que essa invasão ocorra é a chamada água de lastro, a água usada por embarcações (como petroleiros ou navios comerciais) para manter sua estabilidade. Recolhida em um porto e despejada em outro, para equilibrar o peso, a água de lastro acaba transportando espécies de uma parte a outra. Muitas vezes, isso faz com que um organismo vá parar num habitat onde não tem predadores, o que, ironicamente, causa um desequilíbrio ambiental, que pode trazer graves problemas de saúde.

Nos EUA, prejuízos de US$ 1 bilhão
Em colaboração com a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), que produz o Programa Global de Gerenciamento de Água de Lastro, o Ministério do Meio Ambiente considera a introdução de espécies marinhas exóticas em diferentes ecossistemas, através da água de lastro, uma das maiores ameaças aos oceanos do mundo.

“A água de lastro tem sido o vetor de famosas invasões biológicas marinhas em outros locais do mundo, como por exemplo, o caso do mexilhão dourado nos Estados Unidos sobre o molusco que infestou 40% das vias navegáveis daquele país, implicando em gastos de quase US$1 bilhão, entre 1989 e 2000, com medidas de controle”, lembra Alline

Origem dos corais
No caso dos corais, segundo Alline, sua área de distribuição original é o Oceano Pacífico, onde ficam estaleiros que constroem navios e plataformas utilizados na indústria petrolífera brasileira.
“Depois de uma parte da construção se dar em áreas secas, essas embarcações terminam de ser construídas na água, onde começam a ser infestadas por organismos.Quando as embarcações se aproximam de outra superfície dura, como plataformas ou costões rochosos, as larvas dos organismos podem novamente se fixar, pois os corais liberam suas larvas na água quando se reproduzem”, conta a bióloga.

Quando o organismo passa a ocorrer fora de sua distribuição natural, ele se torna um invasor.

Para os organismos que crescem em costões rochosos, o espaço é um dos principais fatores que vão determinar a distribuição das espécies.

De acordo com a pesquisadora, as duas espécies já estão ocupando grandes extensões de nossos costões rochosos, tomando o espaço de espécies nativas.
■ A Tubastraea causa danos comprovados a várias espécies da fauna e flora marinhas brasileiras, como o coral endêmico (que só ocorre em águas brasileiras);
■ Mussismilia hispida, o coral cérebro.
Portanto, esses invasores são uma ameaça à biodiversidade marinha brasileira.

Controle e erradicação
Para solucionar o problema, Alline elaborou, ao lado do professor Joel Creed, do laboratório de Ecologia marinha bêntica da UERJ, um projeto de monitoramento, controle e erradicação desses corais.
“Porém, o monitoramento deve ser feito também na chegada das embarcações ao Brasil. E o controle deve contar com o envolvimento de outros setores da sociedade.É preciso instruir as pessoas que vivem nos ambientes sujeitos às invasões”, lembra ela.

Fonte: O Globo – Rio, quarta-feira, 13 de junho de 2007

Comentário
Os impactos gerados por espécies invasoras também são econômicos, uma vez que os prejuízos causados para a indústria da pesca e populações tradicionais, hidrelétricas e diversas atividades comerciais podem exigir medidas mitigadoras de alto custo.
Veja o caso real do mexilhão dourado - Foto: Mexilhão dourado incrustado na grade de uma hidreelétrica
O mexilhão-dourado é um pequeno molusco bivalve (que possui duas conchas) originário da China, que chegou à América do Sul nas águas de lastro dos navios mercantes, invadiu a bacia Paraná-Paraguai e que põe em risco os usos múltiplos dos recursos hídricos. Este pequeno molusco se fixa em qualquer substrato duro, tem hábito gregário e se reproduz rapidamente. A ausência de predadores e parasitas que controlem sua população faz com que se alastre pelas bacias hidrográficas brasileiras. Em 1991 foi encontrado na foz do rio da Prata, e hoje está presente no Pantanal e avança pelas usinas hidrelétricas brasileiras na bacia do rio Paraná.

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sábado, agosto 11, 2007

Motorista escapa com vida de carro esmagado

O engavetamento e o surpreendente resgate de Daniela Camargo aconteceram na terça-feira, 7 de agosto de 2008, por volta das 18h30, entre as avenidas Francisco Paula Souza e Jorge Tibiriçá, no Jardim das Oliveiras. em Campinas, a 95 km de São Paulo.

Como ocorreu:
O Fiat Uno da vítima estava parado em um semáforo, atrás de um ônibus de turismo. O caminhão-betoneira, de 12 toneladas, parcialmente carregado, vinha atrás e não conseguiu frear. O impacto foi tão forte que ficou apenas um pequeno espaço entre os pára-choques do ônibus e do caminhão. No carro prensado, no meio de tantos ferros retorcidos, a sobrevivente.

Ela pressentiu a colisão:
"Eu olhei pelo retrovisor e vi que não ia conseguir escapar. Aí, me joguei pro lado e só minha perna ficou presa nas ferragens. Meu tronco todo e a cabeça ficaram livres", disse a jovem.

Daniela teve muito pouco espaço dentro do carro, prensado entre os outros dois veículos. O espaço entre os pára-choques do caminhão e do ônibus era de cerca de 30 centímetros. "Eu entrei em desespero porque e percebi que o carro estava diminuindo cada vez mais e o espaço que eu tinha ficou cada vez menor."

O resgate não percebeu que tinha uma carro tão amassado entre os dois veículos
Daniela manteve a calma o tempo todo. Para a equipe do Corpo de Bombeiros, também não podia haver nervosismo. O tenente dos bombeiros que comandou a operação, Osmar Oayama, conta que quando chegou ao local nem viu o carro da vítima, de tão amassado que estava.

"Em princípio eu não vi o terceiro carro. Mas chegando mais perto, notamos que era um carro debaixo de dois veículos grandes. Com sinceridade, eu não achava que haveria pessoas com vida", revela Oayama.

O tenente disse que o reflexo rápido de Daniela ao deitar no banco foi importante, mas não deve ser regra. "O caso dela foi um caso à parte." "A sensação que a gente tem de retirar uma pessoa, ajudar em uma situação dessa, é uma sensação que nos eleva às alturas e é indescritível", diz o bombeiro.
foto - região em amarelo onde a motorista ficou deitada com tronco e cabeça livres e as pernas presas. O carro ficou como uma lata de sardinha
Resgate
"Calma, Daniela! Nós vamos tirar você daí !", disse um dos bombeiros. Mesmo entre as ferragens, a vítima encontrou espaço para alcançar o celular e falar com a mãe. “Ela me falou que tinha sofrido um acidente. Estava presa no carro”, contou Ângela Regina Camargo a mãe da vítima. A família acompanhou o resgate com apreensão.

Os bombeiros tentaram mover os veículos, mas havia o risco de ferir a assistente administrativa Daniela Camargo, de 26 anos. Foi preciso escorar o ônibus e o caminhão, para depois cortar, cuidadosamente, a lataria do carro.

O ônibus não podia se mover. Por isso, o tempo todo, enquanto a equipe trabalhava no resgate, o motorista mantinha o pé no freio. Havia ainda o risco de incêndio.
O trabalho foi duro e, ao mesmo tempo, delicado.

A jovem se manteve calma o tempo todo, recebendo oxigênio e o carinho dos bombeiros até o momento mais esperado.

Término do resgate
Depois de mais de três horas de trabalho delicado, os bombeiros conseguiram serrar a lataria do carro e tiraram a motorista com vida das ferragens.

a jovem foi resgatada com vida, acabando com a angústia e emocionando todos os envolvidos no resgate. “Só Deus mesmo. Agora é ajoelhar e agradecer”, disse a mãe da vítima.

Hospitalização
A Daniela Pereira Camargo, passou por uma cirurgia no quadril na manhã de sexta-feira, 10 de agosto, em Campinas. ”É uma cirurgia sem maiores complicações, com tempo de duração que deve variar de duas horas e meia a três horas, para a fixação de uma fratura no quadril”, explica Sérgio Pinotti, diretor clínico do Hospital e Maternidade Madre Theodora, hospital onde Daniela está internada.

A equipe médica informou ainda que Daniela passa bem, está lúcida e conversa normalmente. Mesmo assim, ficará na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no final de semana em observação, já que o acidente foi grave. A jovem já passou por uma cirurgia no punho esquerdo. A cirurgia durou 40 minutos e recolocou o pulso no lugar, segundo os médicos, corrigindo a fratura.

Daniela deve deixar a UTI entre a noite do domingo, 12 de agosto e a manhã da segunda-feira, 13 de agosto, mas ainda não há previsão de alta médica.

Motorista do caminhão
O motorista do caminhão disse em depoimento à polícia que tentou frear o veículo, mas não conseguiu. Perícia do Instituto de Criminalística apontou que não foram encontrados problemas no sistema de freios do caminhão. A empresa proprietária do veículo informou que mesmo assim ele passará por reavaliação.
Fonte: G1 – 9 a 10 de agosto de 2007

Comentário:
Foi um autêntico milagre. Muitos motoristas morrem em situações de colisões não tão graves como esta que ocorreu. Pode ser a presença de espírito da jovem, quando pressentiu a colisão, deitou no banco, contrariando a regra de segurança.

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sexta-feira, agosto 10, 2007

Explosão de tambor com líquido inflamável


Um operário trabalhando para uma companhia de impermeabilizante para concreto foi morto, quando um tambor de 200 litros vazio de impermeabilizante selador explodiu e envolveu-o em chamas. Acredita-se que o operário estava tentando cortar o tambor vazio aberto com uma serra de corte momento antes da explosão.
O operário queimou-se totalmente. O impermeabilizante selador contém em peso 80% de etanol e metanol. É usado como tratamento para superfícies de concreto, com repelente de água. No dia da explosão, a empresa reparava uma garagem do estacionamento.

Em um outro incidente, há mais de 10 anos, utilizando o mesmo produto, um operário de uma companhia de pavimentação de estrada cortava as tampas de um tambor de 200 litros, pois o tambor podia ser usado. Ele usava um maçarico ou um soldador elétrico para cortar as tampas. Presumia que o procedimento era seguro, pois viraram o tambor e deixaram por vários dias escoar o resíduo do líquido inflamável, e então viraram na posição normal e encheram com água e deixaram permanecer por mais cinco dias antes de qualquer corte.
Neste segundo incidente, o tambor não estava totalmente aberto para o corte. Entretanto, estava colocado ao lado de um outro tambor que estava sendo cortado quando uma faísca voou de um tambor para o outro. O tambor explodiu e o operário morreu em 24 horas. Sofreu queimadura de terceiro grau em 80% de seu corpo.

Em ambos os casos, os combustíveis para a explosão foram os vapores de etanol e metanol no interior dos tambores, que acreditavam que os tambores estavam vazios ou quase vazios.

Esvazia o tambor, mas o vapor residual de uma pequena quantidade de líquido é apenas suficiente preencher o tambor com uma mistura explosiva de ar e de vapores inflamáveis. Conseqüentemente, os tambores quase-vazios podem ser significativamente muito mais perigosos do que os tambores que estão cheios. Em geral o trabalhador supõe que o risco de um tambor quase-vazio é inferior do que um tambor cheio.

Porque o risco real “está oculto”, é essencial que os tambores de líquidos inflamáveis advertem com “destaque” o alto risco de explosão de um tambor parcialmente vazio.

Os avisos adicionais em relação ao corte ou soldagem são necessários, assim como instruções para evitar todas as fontes de ignição e manter o tambor fechado completamente. Quanto ao treinamento de empregado sobre os riscos de tambores quase-vazios podem ser úteis, todos tambores usados, freqüentemente, podem encontrar-se em mãos de empregados não treinados ou de terceiros.

Isto reforça a necessidade para etiquetagem adequada e chamativa, isso vai além dos avisos usuais para líquido inflamável. Em geral, a pessoa leiga não treinada acredita intuitivamente que menos liquido inflamável significa menos risco, quando o oposto é verdadeiro.
Este caso envolveu as seguintes normas e recomendações;
■ Comunicação de Riscos
■ Norma de líquidos inflamáveis
■ Fatores humanos – treinamento
■ Manual de Produtos Químicos
■ Etiqueta de aviso de perigo

Finalidade da Comunicação de Riscos
■ Identificação dos riscos
■ Procedimentos de segurança para trabalhar com produtos químicos
■ Procedimentos de comunicação de riscos
■ A Importância das Etiquetas de Identificação /Etiqueta de alerta
■ Equipamentos de Proteção Individual
■ Reação a uma Emergência
■ Riscos Químicos e Como Controlá-los
■ MSDS – Manual de Produtos Químicos

Fonte: Chemmax Inc.

Histórico de explosões de tambores/tanques com líquidos inflamáveis

Explosão de tambor
O acidente aconteceu por volta das 21 h 45 de sexta-feira, 24 de março de 2000, na empresa Tuiuti Metais Nobre , que fica na rua Tuiuti, 4.409, no bairro Cubatão, Joinville.
Conforme boletim de ocorrência registrado no 3º Distrito Policial, pela auxiliar de escritório da empresa, Cátia Andrea da Silva, o funcionário Osmar Muller estava manuseando um maçarico para abrir um tambor de óleo queimado, quando a tampa desprendeu bruscamente e acertou a cabeça dele. Em estado grave, a vítima foi conduzida ao pronto-socorro do Hospital São José, onde morreu.

Tambor explode em Palotina
Em 06 de setembro de 2004, na cidade de Palotina, Paraná, de acordo com as informações apuradas pela polícia, o metalúrgico Ademir Junior efetuava o corte de um tambor de solvente, de metal, utilizando-se de uma lixadeira. Acredita-se que as fagulhas unidas ao vapor formado no interior do tambor de solvente, provocaram uma explosão. A tampa do tambor desprendeu-se e atingiu a cabeça do metalúrgico, matando-o na hora. O corpo foi recolhido ao IML de Toledo.

Comentário
A OSHA (Occupational Safety & Health Administration) publica todos os anos a relação das principais infrações cometidas pelas empresas e a falta de comunicação de riscos predomina.

Comunicação de riscos : Motivo
1- Falta de um programa por escrito (política geral)
2 – Falta de rotulagem de recipiente/container
3 - Falta de treinamento/informação aos empregados (política de treinamento e informação)

Total de infrações aplicadas: 7.007 - Total de multas - US$ 1,33milhões

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quinta-feira, agosto 09, 2007

Prédio da TAM Express é demolido

O prédio da TAM Express, na avenida Washington Luís (zona sul de São Paulo), foi demolido no domingo, 05 de agosto, exatamente às 15h30. A operação demorou 3 segundos.
Uma sirene foi disparada às 15h29 para avisar da operação. Uma nuvem de fumaça e cinzas cobriu o local. Uma pequena parte do prédio, onde foram colocados menos explosivos por causa da proximidade de outros imóveis, terá que ser demolida com máquinas.

Implosão
A empresa Arcoenge colocou as dinamites em 300 furos feitos nos pilares do prédio. Mas nem todas explodiram ao mesmo tempo. De acordo com engenheiro Manoel Jorge Dias, há “centenas de detonações”, que ocorreram de baixo para cima e da esquerda para a direita.
A implosão consumiu 75 quilos de dinamite e a fachada do edifício recebeu telas para evitar que os estilhaços se espalhassem.

Interdição de tráfego
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) interditou ruas e avenidas para a demolição do prédio por alguns minutos para garantir condições de segurança no local.
Apenas a Washington Luís, sentido centro/bairro, permaneceu fechada por mais tempo, mas foi liberada também --a via estava interditada desde o dia do acidente. http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070809081237.html

Retirada de moradores
A Defesa Civil pediu que moradores de quatro quarteirões nos arredores do prédio deixassem suas casas momentaneamente no domingo. As casas que foram interditadas passarão por uma vistoria da Prefeitura de São Paulo, que deve ocorrer nesta segunda-feira, 6 de agosto. Para essa inspeção, os moradores têm de estar presentes.

Imprevisto durante a implosão
De acordo com o engenheiro que coordenou a implosão, Manoel Jorge Dias, uma parte do prédio ficou em pé. Ela teve de ser destruída com o auxílio de máquinas. Dias explicou que uma carga menor de explosivos foi colocada nos pilares desta parte do prédio por questões de segurança, já que ela fica próxima a alguns imóveis.

Outro imprevisto durante os trabalhos nos escombros da TAM Express foi a destruição de três edículas de imóveis da Rua Baronesa de Bela Vista. Segundo o engenheiro, as casas são coladas ao prédio implodido e, por isso, a queda foi inevitável. Os donos dos imóveis, segundo ele, já tinham sido avisados que isso podia acontecer.

Resgate de objetos pessoais
Depois que a Defesa Civil liberar o galpão, a Global BMS, com sede nos Estados Unidos, foi contratada pela TAM para ajudar na recuperação, higienização e catalogação dos pertences pessoais dos passageiros, tripulantes e funcionários. Objetos pessoais recuperados serão entregues aos familiares das vítimas da tragédia. Não há expectativa de encontrar fragmentos de corpos.
A Global BMS trabalhou nas buscas nas torres gêmeas em Nova York, que desabaram no atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.

Retirada de entulho
A empresa que cuidou da implosão do prédio vai retirar 900 caminhões de entulho do local com 18 mil toneladas de material, ou 9 mil metros cúbicos
O engenheiro responsável pela obra, Manoel Jorge Dias, afirmou que não há previsão para o fim da retirada do entulho, pois não foi definido para onde tudo será levado. De acordo com Dias, a prioridade agora é "refinar o material" para que ele seja retirado com mais facilidade.

Terreno – doação
A TAM doará a área do prédio à Prefeitura de São Paulo para a construção de uma praça em memória das vítimas do acidente. A praça englobará ainda o terreno de três casas e do posto de gasolina próximos ao local do acidente. Os imóveis serão desapropriados, A praça vai ocupar uma área estimada em 7,8 mil metros quadrados.

Vitimas identificadas
Até 7 de agosto de 2008, segundo a Secretaria de Segurança Pública foram identificadas 174 vítimas.

Fontes: G1 SP e Folha Online, 6 de agosto de 2008

Vídeo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM710594-7823-PREDIO+DA+TAM+EXPRESS+E+IMPLODIDO,00.html

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quarta-feira, agosto 08, 2007

Metade dos brasileiros nunca mediu colesterol

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) revelou que mais da metade dos brasileiros (53%) nunca avaliou o colesterol. O levantamento completo será divulgado hoje, 8 de agosto, Dia Nacional de Controle do Colesterol. A avaliação baseou-se em 2.012 entrevistas realizadas nos dias 18 e 20 de setembro de 2006, com brasileiros entre os 18 e 70 anos, pelo Instituto Datafolha:

A pesquisa
- 57% dos entrevistados sequer ouviram falar em colesterol ruim (LDL) ou bom (HDL)
- 42% dos entrevistados ouviram falar em colesterol bom ou ruim
- Dos que ouviram falar no ruim (LDL), 64% têm o índice alterado
- Entre os que disseram conhecer o bom, 57% têm o HDL alterado

Fonte: Zero Hora - Porto Alegre, 08 de agosto de 2007.

Comentário:
O colesterol elevado apresenta sérios riscos para a saúde porque pode levar à doença coronária (saúde do trabalhador).
Uma artéria saudável apresenta uma superfície regular e homogênea. No entanto, quando se dá uma acumulação excessiva de colesterol nas paredes das artérias, formam-se depósitos espessos aos quais se dá o nome de placa. A formação dessas placas leva ao estreitamento das artérias, fazendo com que haja um maior esforço do coração para que a circulação do sangue se processe normalmente através delas. As placas podem limitar ou bloquear o fluxo sanguíneo nas artérias, podendo mesmo causar a sua ruptura e a formação de coágulos de sangue. Quando uma destas situações ocorre numa artéria principal responsável pela irrigação do coração ou do cérebro, o fluxo sanguíneo pode ficar completamente bloqueado. É em resultado disto que se dão os ataques cardíacos ou as tromboses (AVC).
Sinais e sintomas:
Os sinais e sintomas só aparecem quando há complicações do entupimento das artérias. Monitorar os níveis de colesterol é um hábito saudável e que deve ser repetido anualmente, especialmente após os 40 anos. Os mais jovens podem dosar o colesterol com intervalos de tempo maior. Pessoas que possuem outros fatores de risco para doenças do coração, como antecedentes familiares, fumo, hipertensão, obesidade, diabetes e sedentarismo, devem medir com maior freqüência.

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Metade dos trabalhadores da indústria está acima do peso, diz Sesi

A pesquisa incluiu 4.818 trabalhadores de cinco Estados (Alagoas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins).

Conforme o estudo;
■ 69,1% dos entrevistados comem menos que uma porção de fruta por dia,
■ 54,2% ingerem menos que uma porção de verduras,
■ 48,6% consomem menos que uma porção de legumes e
■ 34,9% bebem menos que um copo de leite por dia.
Além disso, 15,8% são fumantes.

Resultado da pesquisa:
O Sesi (Serviço Social da Indústria) afirma;
■ Quase a metade dos trabalhadores da indústria (49,7%) está acima do peso ideal.
■ Os trabalhadores considerados obesos são 13,5%.
■ Além disso, 26,3% sofrem de hipertensão arterial,
■ 7,7% têm colesterol alto e
■ 2,9% são portadores de diabetes.

Os números foram considerados "preocupantes" pela epidemiologista e coordenadora do Perfil Epidemiológico de Fatores de Risco em Trabalhadores da Indústria, Sandra Fuchs. "Mas o industriário brasileiro está se alimentando mal e engordando", alertou.

A pesquisa servirá de subsídios para os projetos de promoção da saúde dos empregados da indústria, que devem incentivar a modificação de hábitos ruins.

Fonte: Folha Online-21 de novembro de 2006

Comentário:
Quando o trabalhador se ausenta por alguns dias do local de trabalho por motivo de doença, o impacto financeiro disso sobre a empresa nem sempre recai apenas sobre as atividades desempenhadas pelo trabalhador ausente. Ele repercute muitas vezes por toda a organização, sobretudo se o empregado pertencer a um grupo cuja produção tem implicações praticamente imediatas sobre a produção programaada (Just in time).
Na maioria das empresas a avaliação do absentismo-doença (saúde do trabalhador) não é feita com rigor. Na prática, isto se traduz na impossibilidade de calcular os custos e a dimensão do problema e, por conseguinte, em tomar as medidas corretivas mais adequadas. ACCA

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segunda-feira, agosto 06, 2007

Hiroshima - 62º aniversário


Foi no Japão, mais precisamente em Hiroshima e Nagasaki, que a humanidade conheceu a mais terrível criação da tecnologia.
Em 06 de agosto de 1945, explodiu a primeira bomba nuclear da história.



Hoje, 6 de agosto de 2007 , no Japão comemora-se o 62º aniversário do bombardeio atômico de Hiroshima, que matou 140.000 pessoas.

Quase 45.000 pessoas observaram um minuto de silêncio às 8 h 15 min local, horário exato da explosão da bomba.

Para relembrar essa data, transcrevo o artigo do norte-americano John Hersey, que foi um dos primeiros jornalistas estrangeiros a chegar ao local onde explodiu a primeira bomba nuclear da história. É um artigo longo, mas descreve a dinâmica dos acontecimentos de forma real.

John Hersey
Uma nuvem de poeira começou a subir sobre a cidade, enegrecendo o céu como uma espécie de crepúsculo
Aquela manhã, antes das seis horas, já estava tão clara e quente que anunciava um dia canicular. Alguns instantes depois, uma sirene tocava: a campainha de um minuto anunciava a presença de aviões inimigos, mas indicava também, por sua brevidade, aos habitantes de Hiroshima, que se tratava de um perigo fraco. Porque a cada dia, na mesma hora, quando o avião meteorológico norte-americano se aproximava da vila, a sirene tocava.

Hiroshima tinha a forma de um ventilador: a cidade era construída sobre seis ilhas separadas por sete rios de estuário que se ramificavam a partir do rio Ota. Seus bairros residenciais e comerciais cobriam mais de seis quilômetros quadrados no centro do perímetro urbano. Era ali que residiam três quartos dos habitantes. Vários programas de evacuação haviam reduzido consideravelmente sua população. Ela passou de 380 mil almas antes da Guerra para cerca de 245 mil pessoas. As usinas e os bairros residenciais, assim como os subúrbios populares, situavam-se além dos limites da cidade. Ao sul se encontravam o aeroporto, as orlas e o porto sobre o mar Interior, salpicado de ilhas1. Uma cortina de montanhas fecha o horizonte sobre os três lados restantes do delta.

Visão de pesadelo
Alguém começou a gritar: “Os americanos estão bombardeando com gasolina. Eles querem nos queimar!”
A manhã voltava a ficar calma, tranqüila. Não se ouvia nenhum ruído de avião. Então, repentinamente, o céu foi rasgado por um flash luminoso, amarelo e brilhante como 10 mil sóis. Ninguém se lembra de ter ouvido o menor ruído em Hiroshima quando a bomba explodiu. Mas um pescador que se encontrava sobre seu barco, perto de Tsuzu, no mar Interior, viu o clarão e ouviu uma explosão aterradora. Ele estava a 32 quilômetros de Hiroshima e, segundo ele, o barulho foi muito mais ensurdecedor que quando os B-29 bombardearam a cidade de Iwakuni, situada a apenas oito quilômetros.

Uma nuvem de poeira começou a subir sobre a cidade, enegrecendo o céu como uma espécie de crepúsculo. Soldados saíram de uma trincheira, o sangue correndo de suas cabeças, peitos e costas. Eles estavam silenciosos e aturdidos. Era uma visão de pesadelo. Seus rostos estavam completamente queimados, suas órbitas vazias e o fluido de seus olhos fundidos corria sobre suas faces. Eles deviam, sem dúvida, estar olhando o céu no momento da explosão. Suas bocas não eram mais que feridas inchadas e cobertas de pus.

Casas estavam em fogo. E gotas d’água do tamanho de bolas de gude começaram a chover. Eram gotas de umidade condensada que caíam do gigantesco cogumelo de fumaça, de poeira e de fragmentos de fissão que subiam já vários quilômetros sobre Hiroshima. As gotas eram grossas demais para serem normais. Alguém começou a gritar: “Os americanos estão bombardeando com gasolina. Eles querem nos queimar!”. Mas eram gotas d’água, evidentemente, e enquanto elas caíam o vento começou a soprar cada vez mais forte, talvez por causa do formidável deslocamento de ar provocado pela cidade em brasas. Árvores imensas foram derrubadas; outras, menores, foram arrancadas e projetadas pelos ares, onde giravam, num tipo de funil de furacão enlouquecido, restos esparsos da cidade: telhas, portas, janelas, roupas, tapetes...

Rostos desfigurados
Dos 245 mil habitantes, cerca de 100 mil foram mortos ou receberam ferimentos mortais no instante da explosão. Cem mil outros foram feridos. No mínimo 10 mil destes feridos, que podiam ainda se deslocar, encaminharam-se ao hospital principal da cidade. Mas ele não estava em estado de receber uma tal invasão. Dos 150 médicos de Hiroshima, 65 haviam morrido imediatamente e os outros estavam feridos. E dos 1780 enfermeiros, 1654 haviam encontrado a morte ou estavam feridos demais para poder trabalhar. Os pacientes chegavam rastejando e se instalavam por quase todo canto. Eles ficavam agachados ou deitados no chão nas salas de espera, nos corredores, nos laboratórios, nos quartos, nas escadas e nas portas da frente e dos fundos, assim como no pátio e do lado de fora, até se perderem de vista, nas ruas em ruínas... Os menos atingidos socorriam os mutilados.

Foto - O epicentro da explosão nuclear foi quase diretamente acima da edificação, 150 m. A estrutura foi preservada no mesmo estado em que ficou após a explosão e agora serve como uma lembrança da devastação nuclear e como símbolo da paz. Memorial da Paz de Hiroshima
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070806173417.html

Famílias inteiras com rostos desfigurados ajudavam uns aos outros. Alguns feridos choravam. A maior parte vomitava. Alguns tinham as sobrancelhas chamuscadas e a pele caía de seus rostos e mãos. Outros, por causa da dor, tinham os braços levantados como se suspendessem um peso com suas mãos. Se pegássemos um ferido pela mão, sua pele se desprendia em grandes pedaços, como uma luva...

Muitos estavam nus ou vestidos com farrapos. Amarelas no início, as queimaduras ficavam vermelhas, inchadas e a pele se soltava. Depois eles começavam a supurar e exalar um odor nauseabundo. Sobre alguns corpos nus, as queimaduras haviam desenhado a silhueta de suas roupas desaparecidas. Sobre a pele de certas mulheres – porque o branco refletia o calor da bomba e o preto o absorvia e o conduzia para a pele – via-se o desenho de flores de seus quimonos. Quase todos os feridos avançavam como sonâmbulos, a cabeça levantada, em silêncio, o olhar vazio.

Calvário nuclear
E dos 1780 enfermeiros, 1654 haviam encontrado a morte ou estavam feridos demais para poder trabalhar
Todas as vítimas que sofreram queimaduras e os efeitos do impacto haviam absorvido radiações mortais. As emanações radioativas destruíam as células, provocavam a degeneração de seu núcleo e rompia suas membranas. Os que não foram mortos na hora, nem mesmo feridos, ficavam doentes logo em seguida. Eles tinham náuseas, violentas dores de cabeça, diarréias e febre. Sintomas que duravam vários dias. A segunda fase começou 10 ou 15 dias depois da bomba. Os cabelos começaram a cair. Depois vinham a diarréia e uma febre que podia chegar a 41 graus.

De 25 a 30 dias depois da explosão, apareciam as primeiras desordens sangüíneas: as gengivas sangravam, o número de glóbulos brancos despencava dramaticamente, enquanto arrebentavam-se os vasos da pele e das mucosas. A diminuição dos glóbulos brancos reduzia a resistência às infecções; o menor ferimento levava semanas para ser curado; os pacientes desenvolviam infecções duráveis da garganta e da boca. No fim da segunda etapa – se o paciente sobrevivesse – aparecia a anemia, isto é, a queda de glóbulos vermelhos. No decorrer desta fase, vários doentes morriam com infecções na cavidade pulmonar.

Desintegração literal
Famílias inteiras com rostos desfigurados ajudavam uns aos outros. Alguns feridos choravam. A maior parte vomitava
Aqueles que tiveram um certo descanso depois da explosão tinham menos chances de ficar doentes que os que se mostraram muito ativos. Os cabelos grisalhos raramente caíam. Mas os sistemas de reprodução foram afetados duravelmente: os homens ficaram estéreis, todas as mulheres grávidas abortaram e todas as mulheres em idade de procriação constataram que seu ciclo menstrual fora detido...

Os primeiros cientistas japoneses que chegaram algumas semanas depois da explosão notaram que o flash da bomba havia causado uma descoloração do cimento. Em alguns locais, a bomba havia deixado marcas correspondentes às sombras dos objetos que seu clarão havia iluminado. Por exemplo, os especialistas haviam encontrado uma sombra permanente projetada sobre o teto do edifício da Câmara de Comércio pela torre do mesmo edifício. Encontravam-se também silhuetas humanas sobre muros, como negativos de fotos. No centro da explosão, sobre a ponte que fica perto do Museu de Ciências, um homem e sua charrete haviam sido projetados com a forma de uma sombra precisa, mostrando que o homem estava a ponto de chicotear seu cavalo no momento em que a explosão os havia literalmente desintegrado...
Fotos

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domingo, agosto 05, 2007

Casa "palito" vira ponto turístico na Bahia


Uma família de seis pessoas vive em uma casa "palito" na cidade de Madre de Deus, a 50 km de Salvador, na Bahia, desde 2005.

Imóvel
O imóvel tem 1,1 m de largura, 11 m de altura e 3 de profundidade.
Foto ampliada:
http://zonaderisco.nafoto.net/photo20070805161543.html

Conforto
Residência abriga seis pessoas em três suítes. “Apesar da aparente falta de espaço dentro da casa, a obra foi feita para acomodar as duas filhas, a sogra e a filha dela e o próprio casal. Aqui ninguém dorme em pé. Tem espaço para todo mundo. Se precisar de mais, a gente dá um jeitinho", disse o dono do imóvel, o contador Marco Antonio de Mesquita Minho.
No primeiro pavimento, “construí uma varanda, uma sala e a área de serviço. No segundo pavimento, foram construídas duas suítes. No último andar eu fiz a suíte presidencial, que tem até uma varanda", afirma, o contador.
"Demoramos três anos para construir a casa, mas não foi por falta de planta da obra, foi por falta de dinheiro mesmo. Um ano por andar, praticamente", disse o contador.

Atração turística
A construção virou atração turística no município, que tem 2.925 residências e 12 mil habitantes.
“A rua onde construiu a casa, no Centro de Madre Deus, fica lotada quando chega o período de férias escolares. É claro que todo mundo quer uma foto na frente dela. Alguns querem entrar para ver como é por dentro, mas eu não deixo", disse o contador.
Mesmo com a movimentação na rua, o contador não gosta de receber visitas na residência. "Só convidei uma pessoa para entrar na casa até hoje."

Terreno muito estreito, o que fazer?
"Na área do terreno não dava para fazer mais do que foi feito. A idéia saiu da minha cabeça e da cabeça da esposa. Quem levantou as paredes foi um empreiteiro conhecido nosso", diz o contador.

Multa
Ele afirma que está com receio de que a casa "palito" seja derrubada por não estar com a documentação em dia. "O meu medo é que queiram derrubá-la. Recentemente chegou uma multa de R$506,00 emitida pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). Eles dizem que a obra não tinha um arquiteto responsável, mas estou providenciando essa documentação."
A assessoria do Crea informou que a casa não tem nenhum problema estrutural e que a multa foi emitida pelo fato de a construção não ter sido acompanhada por um arquiteto.

Fonte: G1, em São Paulo –16 de maio de 2007

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sábado, agosto 04, 2007

Limpeza é à base da produtividade e da prevenção de perdas

Uma fábrica sempre limpa e arrumada tem custo menor, reduz perdas de patrimônio e evita interrupções nos negócios

A palavra housekeeping, limpeza e arrumação foi aplicada nas indústrias japonesas com sentido diferente da imagem tradicional de fábrica limpa e arrumada.

Lá, este conceito foi encarado corno o passo inicial para um programa amplo de aumento da produtividade. Os japoneses são por natureza pessoas extremamente comedidas no que diz respeito a excessos, conseqüência das carências do próprio país.

Essa idéia de magreza e consumo moderado foi transplantada para os setores fabris por meio de um programa de limpeza e arrumação.

No nosso país, poucos administradores conseguem enxergar que a manutenção de uma fábrica sempre limpa e arruma­da pode significar excelente oportunidade de redução de custo.

Preferem agir como "bombeiros", apagando incêndios, em vez de procurar realizar um trabalho planejado de longo alcance. Sim, porque uma atitude permanente de limpeza e arrumação não será conseguida pelo simples fato de preparar a fábrica para dia de festa ou dia de auditoria do pessoal de prevenção de riscos.

E olhe que, neste particular, eles até que conseguem atingir a perfeição. Chegam a organizar o almoxarifado, substituir os equipamentos ou peças danificadas. Entretanto, uma vez cessada a causa geradora, a situação volta ao status anterior.

Um pro­grama de limpeza e arrumação para ser eficaz tem que ser desenvolvido de forma permanente, estabelecendo novas metas à medida que as anteriores forem atingidas. Alem disso, ele deverá contar com integral apoio da média e alta gerência.

Limpeza e arrumação são produtividade: quando não existam acumulados pela fabrica má­quinas, ferramentas, mate­riais ou produtos obsoletos e fora de uso, mas com um lugar para cada coisa.

O aproveitamento eficiente do espaço torna fácil a identificação visual da ocorrência de qualquer irracionalidade durante o processo, evitando, principalmente, a produção de excessos entre operações.

Limpeza e arrumação são produtividade quando os pisos da fabrica são mantidos rigorosamente limpos mesmo em áreas de difícil conservação de limpeza e tradicionalmente aceitas como sujas.

Dessa forma, passa a existir uso mais racional dos materiais, sendo recolhidos no chão ainda em condição de uso, pois ali não é seu lugar.

Limpeza e arrumação são produtividade:
■ quando existe um programa regular de revisão e pintura de máquinas ou instalações fabris. Isto possibilita a identificação de vazamento de água, ar comprimido, óleo e vapor, gerando uma atitude participativa do pessoal de produção, em relação a cuidados com manutenção do seu equipamento.
■ quando geram a conscientização em cada funcionário, de que é possível conservar seu posto de trabalho limpo e arrumado, sem prejuízo das duas atividades produtivas.
■ Finalmente, limpeza e arrumação são disciplina, na medida em que os funcionários estão conscientiza­dos para manter limpos e arrumados seu local de trabalho e seu equipamento.

Desde modo, com maior razão, deverão se preocupar com aspectos mais importantes como produtividade e qualidade.

É por esses motivos que um programa de limpeza e arrumação tem que ser a base de qualquer atividade, porque antes de pensar em qualidade e produtividade é preciso fazer a qualidade das pessoas.

Este programa contribuirá para gerar educação nos funcionários, eliminando, definitivamente, o conceito do operário com roupas sujas, de chinelos e sem camisa, que joga lixo e papel no chão, mesmo por­que não existem lixeiras em quantidades e em locais estratégicos.

Desse modo, estaremos desenvolvendo dentro das fábricas uma nova cultura, acabando com a atitude de desleixo, reflexo de maus exemplos vindos dos escalões superiores e que contribuem para produção de desperdícios que oneram os custos das empresas.

Fonte: Paulo Décio Ribeiro, engenheiro industrial mecânico formado pela PUC-RJ, com especialização em Engenharia de Valor dos Estoques no Westinghouse Productivity and Quality Center nos Estados Unidos.

Comentário
A manutenção de uma fábrica sempre limpa e arrumada pode significar excelente oportunidade de redução de custo, tais como;
■ reduzir perdas de patrimônio (incêndio)
■ evitar interrupções onerosas na empresa (acidentes de trabalho, princípio de incêndio)
■ auxilia a manter a participação no mercado (caso haja incêndio, a empresa poderá perder a participação no mercado devido à interrupção da produção).
■ o aproveitamento eficiente do espaço torna fácil a identificação visual da ocorrência de qualquer anormalidade durante o processo
■ limpeza e arrumação são produtividade quando os pisos da fábrica, os equipamentos são mantidos rigorosamente limpos, mesmo em áreas de difícil conservação de limpeza e tradicionalmente aceita como sujas.

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quinta-feira, agosto 02, 2007

Impressora de escritório pode causar danos a saúde

A impressora de escritório pode ser tão perigosa para nossos pulmões quanto a fumaça de um cigarro, de acordo com testes da qualidade do ar feitos por cientistas australianos.

Uma pesquisa de dezenas de impressoras a laser revelou que quase 30 por cento emitem níveis potencialmente perigosos de partículas no ar.

O laboratório da Universidade de Queensland de Qualidade de Ar e Saúde testou 62 máquinas e encontrou 17 máquinas que eram grandes emissoras de partículas.

Danos à saúde:
Estas partículas ultrafinas eram capazes de infiltrar nos pulmões e causar danos a longo prazo, como acontece no caso dos fumantes passivos, disse a pesquisadora Lídia Morawska da Universidade de Queensland de Tecnologia.
“As partículas ultrafinas são a maior preocupação porque podem penetrar profundamente nos pulmões onde podem colocar significativamente em risco a saúde. Estas partículas (da impressora) são minúsculas como partículas de fumaça de cigarro e, quando penetra profundamente no pulmão, provocam a mesma quantidade de danos. Os efeitos à saúde de inalar partículas ultrafinas dependem da composição da partícula, mas os resultados podem variar da irritação respiratória a uma doença mais severa tal como problemas cardiovasculares ou câncer”, disse a prof Morawska.

Testes:
Os testes em equipamento de escritório mostraram que as impressoras eram a fonte mais significativa de concentrações de partícula em um edifício de escritório padrão.

Os teste foram feitos em um espaço amplo e aberto, indicaram que os níveis de partículas no escritório aumentaram cinco vezes durante as horas do trabalho devido ao uso de impressoras.

Cartuchos novos – gráficos e imagens:
As impressoras emitiam mais partículas quando o cartucho do toner era novo, e quando imprimia gráficos e imagens porque necessitavam maior quantidade de toner, disse a prof. Morawska.
Os níveis da emissão variaram muito entre os fabricantes de máquinas, modelos, idade de impressora, modelo do cartucho e idade do cartucho, ela disse.
Os resultados foram publicados no jornal de Tecnologia e Ciência Ambiental da Sociedade Americana de Química.

Regulamentação:
Os pesquisadores disseram que esses resultados apontaram a necessidade de governos regular emissões de partículas das máquinas.
"Os governos regulam níveis da emissão de partículas ao ar livre de veículos, fábricas, etc. Por que não para impressoras?", disse a professora.

Recomendação: Ventilação
Os pesquisadores recomendaram que as empresas garantam que os escritórios sejam bem ventilados para permitir a dispersão das partículas em suspensão mais facilmente.

Fonte: News – Australia, July 31, 2007

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