Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

sexta-feira, outubro 31, 2014

Dicas para economizar água

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 mil litros de água por mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
Devido à pressão da água, o consumo é maior em edifícios e apartamentos.

NO BANHEIRO
Banho de 15 minutos? O banho deve ser rápido. Cinco minutos são suficientes para higienizar o corpo. A economia é ainda maior se ao se ensaboar fecha-se o registro. A água que cai do chuveiro também pode ser reaproveitada para lavar a roupa ou qualquer outra atividade da casa. Para isso, deve-se colocar um balde ou bacia embaixo para armazenar aquela água.

HORA DO BANHO
Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Se fechamos o registro, ao se ensaboar, e reduzimos o tempo para 5 minutos, o consumo cai para 45 litros.
No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência. Com os mesmos cuidados que com a ducha, o consumo cai para 15 litros.

AO ESCOVAR OS DENTES
Se uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.

LAVAR O ROSTO
Ao lavar o rosto em um minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. A dica é não demorar.
O mesmo vale para barbear. Em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia o consumo cai para 2 a 3 litros.

DESCARGA E VASO SANITÁRIO
Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa, pois ela gasta muita água. Uma bacia sanitária com a válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de acionamento 50% menor para efetuas a limpeza, neste caso pode-se chegar a volumes de 6 litros por descarga.  Quando a válvula está defeituosa, pode chegar a gastar até 30 litros. Mantenha a válvula da descarga sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
Lugar de lixo é no lixo. Jogando no vaso sanitário você pode entupir o encanamento. E o pior é que o lixo pode voltar pra sua casa.

NA COZINHA
Ao lavar a louça, primeiro limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira novamente para novo enxágüe. Só ligue a máquina de lavar louça quando ela estiver cheia.

Numa casa, lavando louça com a torneira meio aberta em 15 minutos, são utilizados 117 litros de água. Com economia o consumo pode chegar a 20 litros. Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros. O ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia.

Na higienização de frutas e verduras utilize cloro ou água sanitária de uso geral (uma colher de sopa para um litro de água, por 15 minutos). Depois, coloque duas colheres de sopa de vinagre em um litro de água e deixe por mais 10 minutos, economizando o máximo de água possível.

Você sabia que ao se utilizar um copo de água, são necessários pelo menos outros 2 copos de água potável  para lavá-lo. Por isso, combata o desperdício em qualquer circunstância.
  
ÁREA DE SERVIÇO
Junte bastante roupa suja antes de ligar a máquina ou usar o tanque. Não lave uma peça por vez.
Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana.

Se na sua casa as roupas são lavadas no tanque, deixe as roupas de molho e use a mesma água para esfregar e ensaboar. Use água nova apenas no enxágüe. E aproveite esta última água para lavar o quintal ou a área de serviço.
Ao lavar a roupa, aproveite a água do tanque ou máquina de lavar e lave o quintal ou a calçada, pois a água já tem sabão.

LAVAR ROUPA
No tanque, com a torneira aberta por 15 minutos, o gasto de água pode chegar a 279 litros. O melhor é deixar acumular roupa, colocar a água no tanque para ensaboar e manter a torneira fechada. E que tal aproveitar a água do enxágüe para lavar o quintal?
A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com a capacidade total.

JARDIM E PISCINA
Use um regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira.
Ao molhar as plantas durante 10 minutos o consumo de água pode chegar a 186 litros. Para economizar, a rega durante o verão deve ser feita de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã. Mangueira com esguicho-revólver também ajuda. Assim, pode-se chegar a uma economia de 96 litros por dia!

Se você tem uma piscina de tamanho médio exposto ao sol e à ação do vento, você perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação, o suficiente para suprir as necessidades de água potável (para beber) de uma família de 4 pessoas por cerca de um ano e meio aproximadamente, considerando o consumo médio de 2 litros / habitante / dia. Com uma cobertura (encerado, material plástico), a perda é reduzida em 90%.

CALÇADA E CARRO
Adote o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio da sua casa.
Lavar calçada com a mangueira é um hábito comum e que traz grandes prejuízos. Em 15 minutos são perdidos 279 litros de água.

Se houver uma sujeira localizada, use a técnica do pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça.

Use um balde e um pano para lavar o carro ao invés de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem (época do ano em que chove menos).

Muita gente gasta até 30 minutos ao lavar o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzir, basta lavar o carro somente uma vez por mês com balde. Nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.

CUIDADO COM VAZAMENTOS
• Uma torneira gotejando chega a desperdiçar 46 litros de água por dia, o que representa 1.380 litros por mês;
• Um filete de mais ou menos dois milímetros desperdiça 4.140 litros de água por mês;
• Um filete de quatro milímetros, 13.260 litros de água por mês;
• Um furo de dois milímetros no encanamento, para uma pressão de 15 m de coluna de água, desperdiça, aproximadamente, 3.200 litros por dia.
Se corrigir todos esses maus hábitos no seu dia a dia, além de contribuir para a  manutenção do nível das represas você  economizará em sua conta, no final do mês.
Coloque em prática essas dicas simples.  Você e o meio ambiente sairão lucrando.

Fonte: Sabesp  

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quarta-feira, outubro 29, 2014

Califórnia enfrenta terceiro ano de seca

A exemplo de São Paulo, o mais populoso estado americano, a Califórnia, também enfrenta um longo período de estiagem que ameaça o abastecimento de água da população.
Há 3 anos, o estado tenta evitar os efeitos do pior período de seca de sua história, obrigando o governo local a tomar medidas drásticas para conservar recursos hídricos e reduzir o desperdício, em uma campanha que inclui a aplicação de multas diárias a quem cometer ilegalidades relacionadas ao uso de água.

A primeira foto é de 20 de julho de 2011. A segunda, de 19 de agosto de 2014. Terceiro ano consecutivo de seca obrigou o estado a tomar medidas drásticas para economizar água  (Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AFP)

ESTIAGEM
Com 37,6 milhões de habitantes, a Califórnia tem registrado queda nos níveis de chuva e, consequentemente, a redução dos níveis de seus rios e reservatórios. De acordo com o Centro Nacional de Mitigação à Seca dos Estados Unidos;
■81% do território enfrenta estiagem extrema e
■58,4% do estado vivem dias de seca excepcional – classificação mais grave, segundo o órgão americano.

MULTAS
O governador declarou em janeiro situação de emergência e pediu à população que reduzisse em 20% o consumo de água, no intuito de evitar racionamento.
Em julho, ficou determinado que, por nove meses, quem utilizasse água potável para lavar calçadas e regar gramados ou lavasse carros com mangueira sem controle de vazão, e fosse flagrado, poderia ser multado em US$ 500 por dia e que as agências responsáveis pelo abastecimento em condados e cidades tinham que apresentar planos de segurança hídrica. Quem não cumprisse a ordem estaria sujeito a multa de US$ 10 mil diários.

DESCONTOS E APELO DE CELEBRIDADES
Outra campanha desenvolvida concede desconto na conta de água de quem retirar voluntariamente o gramado de suas casas durante a seca, a fim de evitar o uso de água para regar a grama e outras plantas. Segundo o governo, até agosto já foram pagos US$ 42,9 milhões em descontos a quem aderiu à medida.
Foram criados ainda dois portais na internet, um que atualiza a população sobre o estágio da seca e outro que conscientiza os usuários sobre a necessidade de economizar água, além de dar dicas de redução do desperdício.
O “saveourwater.com” (salve nossa água, na tradução do inglês) apela para vídeos com artistas, como o apresentador Conan O’Brien e os cantores Lady Gaga e Sammy Hagar, ex-integrante da banda Van Halen.

ECONOMIA DE ÁGUA
Segundo o governo da Califórnia, desde que as medidas foram implementadas, 11,5% das moradias e fábricas instaladas no estado aderiram à economia de água. Em julho passado, o índice era de 7,5%. Em algumas áreas, como na região do Rio Sacramento, a população conseguiu economizar 22,6% em relação ao volume gasto em períodos de não escassez.
Mesmo assim, 10 dos 12 principais reservatórios do estado estão com níveis inferiores a 50% – alguns têm apenas 11% da capacidade de abastecimento – e houve 59 decretos de emergência requisitados por cidades, como a turística Santa Barbara, e condados.

SECA
Max Gomberg, Conselheiro para Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos da Califórnia, disse que a seca já desempregou 17 mil pessoas no setor agrícola, impactou na biodiversidade e deu prejuízo econômico de US$ 2,2 bilhões.
Segundo ele, a população entende a gravidade da crise e as ações para conservação da água desde que o poder público dê o alerta sobre o que está acontecendo. "A imposição de restrições é eficaz se o público entende que é necessária", explica.
Em comunicado divulgado pelo departamento de recursos hídricos do estado norte-americano, Felicia Marcus, presidente do Conselho estadual de água, afirma que muitas comunidades da Califórnia têm respondido seriamente à seca e tornando a conservação da água como prioridade. O aumento é uma coisa boa. “No entanto, enquanto não tivermos chuva, teremos que continuar a economia”, explica Felícia. Fonte: G1-23/10/2014

Vídeo:

Comentário: A diferença entre um Estado que tem consciência da gravidade da situação que coloca em prática medidas de emergência e o nosso que fica torcendo para São Pedro.
No Brasil, especificamente São Paulo as autoridades esperaram que São Pedro abrisse  a torneira do céu, mas falhou. Os meteorologistas disseram que a chuva deveria  chegar, mas estão dizendo desde setembro mas estamos quase em novembro. A estação chuvosa de outubro a março de 2015, não está ocorrendo. Houve até a convocação dos Deuses da Chuva, também falharam.  Parafraseando o “o rei está nu” agora as autoridades perceberam que a água está secando; no início a vaidade, a política, a presunção predominaram na questão da água,  não vai faltar, tem água para todo mundo, etc. Agora diante da fragilidade do sistema, defrontam com a realidade, procurando efetuar planejamento de emergência durante a crise.

Confiamos na sorte, afinal Deus é brasileiro? O desastre será arquivado na memória dos brasileiros. Como dizem alguns especialistas; a seca só acontece a cada 3 mil anos? Entramos no ciclo do esquecimento.

"Planejamento de resposta de emergência é uma parte essencial da gestão de um sistema de água potável.
A maioria dos sistemas públicos de água tem emergências operacionais de rotina, como rupturas de tubulações, mau funcionamento da bomba, contaminação por coliformes e quedas de energia. Estes são gerenciáveis, se o sistema de água tem um plano de emergência que pode ser colocado em ação rapidamente. Mais graves são as emergências não-rotineiras que podem resultar de atos intencionais de sabotagem, vazamentos de produtos químicos, inundações, terremotos, vendavais, ou secas, que podem afetar drasticamente o sistema e a comunidade".Fonte: Emergency Response Planning Guide for Public Drinking Water Systems- Washington State Department of Health

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segunda-feira, outubro 27, 2014

Acidente de trabalho provoca a morte do trabalhador

Um acidente de trabalho registrado na terça-feira, 14 de outubro, provocou a morte de um rapaz, por volta das 6 horas, em Apucarana, Paraná.

QUEDA DO TANQUE
De acordo com informação preliminar do Corpo de Bombeiros, um funcionário de estabelecimento industrial situado à margem do Contorno Sul, na BR-376 (km 2) teria caído em compartimento dentro da empresa e morrido no local.
Segundo os Bombeiros, o trabalhador estava realizando manutenção em um dos tanques localizado na empresa, e teria caído dentro do compartimento - com profundidade aproximada de 4 m - que estava cheio de água com produtos químicos, utilizados no tratamento de peças de couro.

VÍTIMA
O corpo do trabalhador foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Apucarana para exame de necropsia.  O  IML informou que a vítima foi identificada como sendo DFA, de 24 anos, residente no Jardim Colonial, na zona leste de Apucarana.

NOTA DA EMPRESA DE ESCLARECIMENTO
A empresa divulgou uma nota, sobre o acidente: Segundo relatos de testemunhas e colegas de trabalho, o funcionário DFA, 24 anos, estava em procedimento operacional na estação de tratamento de efluentes, em local aberto e arejado, quando da manutenção de limpeza da peneira, de maneira involuntária, a peneira caiu em tanque de adensamento de lodo próximo a uma área restrita e protegida. A vítima colocou uma escada e adentrou indevidamente no tanque que estava praticamente vazio, apesar de apelos do colega de trabalho para que não fizesse tal procedimento inseguro e não permitido.   No fundo do tanque, a vítima veio a desfalecer, possivelmente ocasionado por asfixia de gases da fermentação do lodo orgânico.   Imediatamente os colegas de trabalho tentaram retirá-lo, mas devido aos riscos conhecidos de tal operação não foi possível efetivar com sucesso, portanto acionaram os bombeiros rapidamente para  sua retirada e tentativa de reanimação.
Fonte: TN Online - 14 de Outubro de 2014

Comentário:
Sem levar em consideração o mérito de conscientização de segurança, o que podemos analisar o ser humano em relação a percepção do perigo. O que faz uma pessoa entrar num tanque, sabendo dos seus perigos? Por que o perigo, às vezes,  é invisível? Ou o perigo está oculto?
Ou algumas pessoas têm a  incapacidade de detectar e evitar situações ameaçadoras, o que provavelmente contribuem  para a frequência com acidentes ou incidentes?
Temos duas válvulas de escape no nosso comportamento; o medo e ansiedade.
Ansiedade e medo são formas mais intensas de se demonstrar uma preocupação. O medo está na interface do mundo exterior com o mundo interior. Exteriormente, começa pela consciência de fatores de risco que variam fora do controle da pessoa.

O risco é uma probabilidade de dano relacionado ao acaso: significa uma ameaça às pessoas e aos seus valores. Cabe ao indivíduo reagir a esses fatores para preservar a sua própria segurança e das pessoas pelas quais é responsável. Portanto, à consciência do risco está associada a percepção interna da pessoa sobre a sua vulnerabilidade a esses fatores e sua capacidade de reação com êxito.

Assim, pode-se dizer que o medo compõe-se de três elementos básicos:
■Percepção de risco: a consciência de que algo negativo ou danoso pode acontecer;
■Vulnerabilidade: o sentimento de que a própria pessoa pode ser atingida por esses fatores;
■Capacidade de resposta: se os recursos disponíveis e as habilidades  serão suficientes para tratar com êxito a incidência desses fatores sobre o problema apresentado.

O medo varia na medida da alteração desses três fatores. Por exemplo, quanto maior a habilidade e a competência para a resposta, menor a percepção de vulnerabilidade e, portanto, menor a preocupação com o medo. Se cresce o sentimento de vulnerabilidade e de incapacidade de resposta, aguça-se proporcionalmente a intensidade do medo. O medo é a preocupação com o risco e a incerteza sobre a possibilidade de êxito em determinadas situações. 
Medo e ansiedade são usados como sinônimos na vida prática. Mas há uma distinção importante. Por ser a avaliação mental de estímulos ameaçadores, o medo é um processo cognitivo e não uma reação emocional. A ansiedade é a reação emocional a situações de risco.

Medo e ansiedade são conceitos correlatos e, na vida prática, freqüentemente usados como sinônimos. No entanto, há uma distinção importante. O medo é um julgamento de que há um perigo real ou potencial em determinada circunstância: surge com a percepção de risco, ou seja, a possível ocorrência de algo danoso. Por ser normalmente percebido como um perigo, involuntário e, em parte, incontrolável, o risco naturalmente provoca o medo. Uma pessoa sente medo quando se aproxima do perigo ou se imagina lá; portanto, o medo pode aumentar diante de fatores que não estão presentes, mas que poderão ocorrer no futuro. Assim, o medo pode ser realista, explicável por premissas lógicas e razoáveis e por observação objetiva ou irrealista, baseado em premissas falsas e imaginações contrárias à observação. Por definição, imaginações são irrealistas: derivam de crenças falsas sobre a realidade e, normalmente, são frutos de informações incorretas, incompletas ou inadequadas.

Por ser a avaliação mental de estímulos ameaçadores, o medo é um processo cognitivo e não uma reação emocional.
A ansiedade é a reação emocional a situações de risco. Caracteriza-se por ser normalmente um sentimento desagradável de tensão, nervosismo e perturbações físicas. A ansiedade é a resposta natural e instantânea ao medo e, portanto, não pode ser classificada de irrealista ou realista porque é emocional. Ativa-se a ansiedade quando se percebe ou se imagina a situação ameaçadora.
Na maioria das pessoas, a ansiedade resulta em alterações comportamentais visíveis, como ações inusitadas de agressividade ou de inibição; em outras, mantém-se nos limites da vivência interna. Em alguns momentos, a ansiedade adquire uma intensidade maior, resultando em pânico.
Normalmente, a ansiedade se antecipa aos eventos, mas surge também a respeito de algo já passado quando se reativa a imaginação. A ansiedade também pode originar-se de percepções de risco no próprio comportamento, como uma intervenção pública ou uma interação pessoal nova.

O medo e a ansiedade são acompanhados por tentativas de evitar ou escapar da situação que os produz. A tendência ao escape aumenta o sentimento de ansiedade sem necessariamente alterar a situação promotora do medo.

Fatores de decisão
A percepção de risco, o medo e a sua manifestação emocional – a ansiedade – são fontes de perturbações comportamentais que afetam a forma de a pessoa decidir. O processamento de informações é afetado por diversos fatores internos e externos à mente humana, que alteram não só a percepção de dados externos como a forma de valorizá-los e utilizá-los no processo de escolher. A mente humana é repleta de dados e de julgamentos onde se formam associações e as reações de medo e ansiedade podem promover enganos e formulações incorretas de conceitos. Esse processamento confuso de informações ocorre em todas as fases do processo decisório, deixando as pessoas suscetíveis às más decisões.
Quanto mais complexas são as decisões, mais se buscam e se analisam dados e, portanto, maiores as chances de distorções. Fonte: Adaptação do artigo Ansiedade e medo na empresa,
Paulo Roberto de Mendonça Motta, PhD pela Universidade of North Carolina (USA).

Hoje no Mundo de Segurança do Trabalho no Brasil, o governo está criando normas ou melhorando-as  numa velocidade incrível, que durante as  implantações nas empresas, algumas se tornam desatualizadas, não há tempo analisar sua eficácia. Está criando o controle do controle do controle. É a fiscalização de papel.
São prontuários, siglas mais siglas, questionários, tudo preenchido   conforme às normas, tudo nos leva crer sabemos tudo, mas nos leva a não fazer nada, pois os acidentes acontecem, estão acontecendo e acontecerão em um ciclo vicioso.  
Não dá para organizar a vida de segurança do trabalhador num Manual de Instruções de Segurança.

Voltando a realidade da empresa onde ocorreu o acidente: O trabalhador estava fazendo a manutenção e deixou cair a peneira no tanque. O trabalhou pegou uma escada e entrou no tanque quase vazio para pegar a peneira, mas sendo alertado por outros trabalhadores do perigo. O trabalhador veio a desfalecer devido aos gases e morrer.
Podemos indagar; O trabalhador realmente recebeu treinamento?  Ele conseguiu absorver os ensinamentos básicos de segurança? Ele conhecia os perigos existentes no tanque?

TREINAMENTO DE EMPREGADO
Quanto ao treinamento de empregado sobre os riscos de tanques são úteis, pois podem  encontrar-se a execução de serviços em mãos de empregados não treinados ou de terceiros. Isto reforça a necessidade para etiquetagem adequada e chamativa. Em geral, a pessoa leiga não treinada acredita intuitivamente que menos liquido/resíduo,  significa menos risco, quando o oposto é verdadeiro.

Este caso envolve as seguintes normas e recomendações;
·Comunicação de Riscos
·Norma de segurança (espaço confinado)
·Fatores humanos – treinamento
·Manual de Produtos Químicos
·Etiqueta de aviso de perigo

Finalidade da Comunicação de Riscos
·Identificação dos riscos
·Procedimentos de segurança para trabalhar com produtos químicos
·Procedimentos de comunicação de riscos
·A Importância das Etiquetas de Identificação /Etiqueta de alerta
·Equipamentos de Proteção Individual
·Reação a uma Emergência
·Riscos Químicos e Como Controlá-los
·FISPQ – Manual de Produtos Químicos

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quarta-feira, outubro 22, 2014

Homem morre vítima de explosão de um tambor na Grande BH

O acidente aconteceu na tarde de sábado, 18 de outubro,  em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no quintal da residência de número 64, na Rua Ana Batista da Cruz, Bairro Belo Vale.
APN, 39 anos, cortava um tambor metálico com uma ferramenta de corte maquita, quando houve a explosão. Com o impacto, ele foi arremessado ao muro da casa, batendo a cabeça.

RESGATE E VÍTIMA FATAL
Os bombeiros enviaram uma viatura para resgate da vítima, mas Aníbal morreu antes da chegada dos socorristas. De acordo com testemunhas, o barulho assustou os moradores do bairro. Todos acharam que era o estouro de um botijão de gás. A dona da casa, onde ocorreu o acidente, gritou por socorro e os vizinhos tentaram ajudar.

TAMBOR QUASE VAZIO, MAS IMPREGNADO DE LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS
Conforme vizinhos, tudo indica que a reação entra a faísca da máquina e os gases armazenados no tambor causaram a explosão. Havia também produto químico no recipiente que segundo vizinhos, era tinta óleo.  Fonte: EM: 18/10/2014

Comentário: Um tambor que continha líquido inflamável nunca está totalmente vazio. Ele pode conter liquido inflamável residual ou as paredes do tambor estão impregnados de líquidos ou com vapor. É uma bomba faltando apenas o gatilho para o seu acionamento; alguém que cometa o erro.  No caso em questão a fonte de ignição foi a ferramenta de corte.
Na realidade não existe programa de segurança direcionado ao trabalhador que constrói uma casa ou faz a algum tipo de serviço por empreitada. O trabalhador autônomo ou uma pequena empresa não tem noção nenhuma dos riscos existentes numa obra ou serviço. O governo tem a política de segurança direcionada para um terço das empresas constituídas formalmente no mercado e grande parte não implementa no dia a dia as medidas necessárias para proteger o trabalhador. O restante dois terço estão marginalizados quanto à política de segurança. Não existem programas simples, objetivos, com linguagem simples para o entendimento do trabalhador.  

Artigos publicados
1-Explosão de tambor vazio
2-Explosão de tambor com líquido inflamável
3-Tambor de solvente explode em construção em Maringá

CASO REAL
Este filme, inglês, tirado de câmeras de segurança de uma oficina mecânica mostra o que pode acontecer quando é feita uma tentativa para cortar um tambor de óleo em desuso ainda contendo resíduos inflamáveis. Segundo a oficina,  tudo isso aconteceu quando um supervisor pediu um  assistente para cortar um tambor para usá-lo como um incinerador. Aparentemente, os proprietários estavam ausentes naquele dia. O assistente se recuperou de seus ferimentos. A empresa foi multada em 80 mil dólares acrescidos dos custos por violações de segurança.
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segunda-feira, outubro 20, 2014

Planejamento de emergência por falta de água

Obs: A crise que está ocorrendo em alguns Estados devido a falta de chuva,  observa-se a total falta de planejamento em emergência.
Não estamos acostumados a planejar cenários críticos. Acreditamos que nunca irão acontecer. A estação de chuva está chegando, começou em outubro, até agora, apenas chuvisco, irá até março de 2015. Estamos torcendo, a chuva irá garantir o abastecimento até março de 2015?
Não simulamos cenários extremos, escassez de água. O que devemos fazer? Daqui a pouco esqueceremos tudo, o ciclo de chuva volta a sua normalidade.  A seca só acontece a cada 100 anos? As indústrias estão preparadas para eventual racionamento de água?
Há outros fatores que não são discutidos e agravam a escassez de água; desmatamento, consumo excessivo de água; agricultura (68%), indústria (14%), crescimento populacional (14%).
Nos EUA os órgãos federais e estaduais simulam a vulnerabilidade do sistema em eventos extremos, contaminação, etc. Elaboram guias de planejamento de emergência.
Abaixo um guia sucinto de um plano de emergência

Água potável segura e confiável é vital para todas as comunidades. Planejamento de resposta de emergência é uma parte essencial da gestão de um sistema de água potável.
A maioria dos sistemas públicos de água tem emergências operacionais de rotina, como rupturas de tubulações, mau funcionamento da bomba, contaminação por coliformes e quedas de energia. Estes são gerenciáveis, se o sistema de água tem um plano de emergência que pode ser colocado em ação rapidamente.
Mais graves são as emergências não-rotineiras que podem resultar de atos intencionais de sabotagem, vazamentos de produtos químicos, inundações, terremotos, vendavais, ou secas, que podem afetar drasticamente o sistema e a comunidade.

Cada emergência tem efeitos únicos em diferentes partes de um sistema de água. As inundações podem provocar a contaminação bacteriana generalizada, os terremotos podem danificar fontes e sistemas de distribuição, e as tempestades podem interromper o fornecimento de energia.
O elemento comum é que cada situação de emergência pode ameaçar a capacidade do sistema para fornecer água potável segura e confiável.

Planejamento de resposta de emergência é um processo pelo qual a empresa explora a vulnerabilidade do sistema. Tem de fazer melhorias e estabelecer procedimentos a ser adotado em caso de emergência. Ele também é um processo que estimula as empresas a formar parcerias e conhecer um ao outro. Preparar um plano de resposta e praticá-lo pode salvar vidas, prevenir doenças, melhorar a segurança do sistema, minimizar danos e diminuir a responsabilidade.

AÇÕES DE RESPOSTA PARA EVENTOS ESPECÍFICOS
Desenvolver um plano de resposta detalhada para cada tipo de evento de emergência que o sistema pode apresentar. Em qualquer caso, há uma série de etapas gerais que um sistema de água deve tomar:
1. Confirmar e analisar o tipo e a gravidade da situação de emergência.
2 Tomar medidas imediatas para salvar vidas.
3 Tomar medidas para reduzir danos ao sistema.
4 Fazer reparos com base na demanda prioridade.
5 O sistema volta ao seu funcionamento normal..

Conhecendo os diversos  elementos do planejamento de resposta a emergências e lembrando destas etapas gerais; auxiliarão  a empresa a desenvolver ações de resposta para eventos específicos.
Estabelecer ações de resposta para eventos específicos. Existem numerosos eventos que podem provocar uma situação de emergência que são ditadas pelo  tamanho do sistema, complexidade, tipo de fonte, e localização geográfica.

Como discutido antes, causas prováveis de emergência em que o sistema deve considerar são;
■queda de energia, interrupção de transmissão ou distribuição,
■falha no tratamento de cloro,  mau funcionamento no tratamento superficial de água,
■falha de bomba, contaminação microbiana, contaminação química,
■ato de terrorismo, vandalismo,
■seca, inundações e derrames perigosos na proximidade de fontes ou linhas de distribuição.

Em  qualquer uma destas situações a prioridade é a população que utiliza a água. Estes são apenas pontos de partida, uma vez que cada sistema é único e pode encontrar  situações adicionais que são importantes para estar  preparado.

FONTES ALTERNATIVAS DE ÁGUA
A contaminação da água ou interrupção do fornecimento pode exigir que o sistema de água obtenha água a partir de uma fonte alternativa para atender às necessidades básicas da comunidade. Todos os sistemas públicos de água deve planejar com antecedência para fornecer água potável alternativa durante uma emergência, se possível. É importante  avaliar as potenciais fontes de água alternativas antecipadamente para garantir que a água é segura e o fornecimento é disponível.
Fontes que o sistema de água pode usar quando as fontes primárias e sazonais não podem  atender às demandas são definidas como fontes de emergência. Elas são usadas apenas quando necessárias por circunstâncias extremas, e principalmente imprevisíveis.
Fontes alternativas podem incluir emergência ou poços de back-up, as fontes de água de superfície, ou mananciais. Um sistema de água que antecipa uso de uma fonte de emergência deve planejar e agir bem antes de qualquer necessidade. Como parte do planejamento de resposta de emergência, o sistema de água deve testar essas fontes e trabalhar com os órgãos competentes para obter a aprovação como uma fonte de emergência.
Outra consideração importante é saber se o sistema de água pode estabelecer uma interligação com um abastecimento de água aprovado que podem beneficiar ambos os sistemas em caso de emergência. Discutir esta possibilidade com sistemas de água adjacentes (concessionárias diferentes). Alternativas incluem fornecimento de garrafa de água ou caminhão-tanque que poderia trazer água para usos diversos.

COMUNICAÇÃO EFICAZ
Uma comunicação eficaz é um elemento-chave de resposta de emergência. Certifique-se que a empresa  tenha uma estratégia adequada de comunicação como parte de seu plano de resposta de emergência.
Caso a empresa não tenha planejado com antecedência e quando a crise surge é tarde demais. Como a empresa se comunica  com seus funcionários, clientes e os meios de comunicação podem afetar o resultado da situação.
Desenvolver parcerias com outras pessoas na sua rede de resposta de emergência local, estabelecendo relacionamentos com a população, com os meios de comunicação e criando ferramentas de comunicação, tais como; boletim informativo e comunicados para imprensa com antecedência irá ajudá-lo a se comunicar de forma eficiente e  com sucesso durante uma crise.

Por exemplo, estabelecer relações positivas na mídia antes de uma emergência. Faça um esforço para se encontrar com jornalistas em sua área para compartilhar informações  sobre o seu sistema de água e como eles poderiam receber informações quando ocorrer emergência. Também contatar a organização de resposta de emergência local (defesa civil), se existir e determinar que tipo de assistência eles possam fornecer durante uma emergência.
Durante uma emergência, os meios de comunicação, a população, e os outros  terão muitas perguntas. Esteja preparado organizando informações básicas sobre a crise e seu sistema de água. Montar uma equipe rapidamente, incluindo um porta-voz principal e uma ou mais pessoas para atender as reclamações.

Prepara para as reclamações da população durante a emergência de água potável. Como a empresa se comunica com as pessoas é tão importante quanto o conteúdo das informações que serão entregues. A linguagem corporal,  tom de voz e expressões de simpatia, todos desempenham um importante  papel na forma como a informação é recebida.

Quando ocorre uma emergência, a mídia pode estar no local rapidamente, solicitando informações  que irão inevitavelmente   ao conhecimento público.
Indicar um porta-voz para se comunicar com a mídia. Certifique-se que o porta-voz transmite confiança, acessível, em posição de autoridade, e treinado em técnicas de entrevista à imprensa.
Desenvolver mensagens-chave para usar com os meios de comunicação que deve ser clara, concisa e precisa.
Certificar-se  que as mensagens são cuidadosamente planejadas e foram coordenados com as autoridades locais e estaduais. Se as mensagens são diferentes, a empresa deve saber disso e estar preparada para explicar o porquê.
Certifique-se  que o pessoal de escritório de campo sabe como lidar com a mídia e em questões públicas. Pode ser necessário  estabelecer protocolos para esse pessoal, transferindo as questões ao porta-voz.

DICAS DE COMUNICAÇÃO
fazer:
■ Estar preparado.
■ Designar um porta-voz.
■ Fornecer informações completas, precisas e em tempo hábil.
■ Diga sempre a verdade.
■ Expresse empatia.
■ Reconheça a incerteza e retornar com mais informações mais tarde.
■ Documentar as comunicações.

Não fazer:
■ Especular sobre a causa ou o resultado de um incidente.
■ Achar o culpado ou debater.
■ Minimizar ou desprezar as  preocupações dos clientes.
■ Menosprezar as indagações das partes interessadas  quanto às questões de  resposta de emergência.

ALERTA DE SAÚDE
Durante os eventos, quando a qualidade da água e a saúde pública estão em questão, pode ser necessário emitir um alerta de saúde. O termo "Alerta de Saúde",  significa aviso ou recomendação à  população do sistema de água sobre a forma de proteger a saúde, quando a água potável é considerada insegura.
Estes avisos são emitidos quando os riscos de saúde para os consumidores são suficientes, na estimativa do sistema de água ou as autoridades de saúde estaduais ou municipais, para justificar tal aviso. Alertas de saúde geralmente tem  a forma de uma advertência água potável ou aviso de ferver água.

A comunicação durante esse período é crítica. Os alertas de saúde deve sempre ser bem analisados e fornecer mensagens muito claras. Alertas de saúde pode ser desafiador e demorado para o sistema de água e para saúde pública. Eles também são inconvenientes para o fornecimento de água para a população. No entanto, estes avisos são necessários a fim de proteger a saúde pública. A fim de determinar o aviso de saúde, há muitas coisas a considerar e perguntas a responder, geralmente em um curto período de tempo. Esta é outra razão importante que os sistemas de água devem formar parcerias com outros setores (secretarias de saúde) com antecedência desses eventos.
Fonte: Emergency Response Planning Guide for Public Drinking Water Systems- Washington State Department of Health

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quinta-feira, outubro 16, 2014

A maior tragédia de mineração do Brasil

Era uma segunda-feira,  10 de setembro de 1984, a  equipe de mineiros escalada para o primeiro turno de trabalho na Mina Santana, da extinta Companhia Carbonífera de Urussanga, havia acabado de descer para o subsolo. Por volta das 5h houve a explosão. Todos os 31 trabalhadores do painel seis, que estavam a 80 metros de profundidade, morreram.

PIOR ACIDENTE DA MINERAÇÃO BRASILEIRA
Até hoje, 30 anos depois, este ainda é considerado o pior acidente da mineração brasileira – e um marco para a normatização da atividade. Na época havia muito mais trabalho (eram quase 13 mil mineiros e a indústria produzia o dobro do que atualmente) e quase não existiam regras. A extração do carvão era manual, usava-se explosivos e não havia sequer a proibição de fumar na mina.

CAUSAS DA EXPLOSÃO
As causas da explosão nunca foram, de fato, esclarecidas. Perícias feitas na época indicaram acúmulo de gás metano (um gás inflamável, presente na camada de carvão, que em determinada quantidade causa explosões).
A situação pode ter agravado por falta de ventilação na mina devido a queda de energia ocorrida na véspera do acidente  que pode ter comprometido o funcionamento dos exaustores que carregam o ar da superfície para o subsolo.

MORTES
Os mineiros morreram por asfixia e queimaduras. Nos dois primeiros dias de resgate, segundo consta em publicações da época, todos os que se aproximaram da mina deixaram o local intoxicados. A operação para a retirada dos corpos só foi encerrada cinco dias depois do acidente e reuniu bombeiros de Criciúma, Itajaí, Florianópolis e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA,
A evolução da indústria, desde a tragédia em Urussanga, avançou: tanto em tecnologia quanto em segurança. A produção é quase totalmente mecanizada, o que melhorou – e muito – as condições de trabalho. Os casos de pneumoconiose, doença pulmonar causada pela inalação de poeira que assombrou as últimas gerações de mineiros, praticamente inexistem. Isso porque o maquinário usado para extrair carvão borrifa água enquanto opera, o que aumenta a umidade no subsolo e diminui o pó. Além disso, máscaras faciais são itens obrigatórios para o serviço.

REGRAS DE SEGURANÇA MAIS CRITERIOSA
A evolução da indústria, desde a tragédia em Urussanga, avançou: tanto em tecnologia quanto em segurança. A produção é quase totalmente mecanizada, o que melhorou – e muito – as condições de trabalho.

Hoje ninguém desce para o subsolo sem equipamento de segurança e treinamento adequado. A atividade é regida por uma norma específica à mineração e a cada seis meses as mineradoras são fiscalizadas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – autarquia ligada ao Ministério das Minas e Energia.

Um técnico de segurança mede a quantidade de gases tóxicos durante os turnos de trabalho. Essa tecnologia que não existia há 30 anos. As regras de segurança da mina também ficaram mais criteriosas. "A utilização dos equipamentos de segurança é obrigatória. Quem trabalha diretamente com a mineração ou perto da extração não pode ficar sem máscara", afirma Jonathann Hoffmann, engenheiro de segurança de trabalho de uma mina em Içara.
O Ministério Público do Trabalho recebe os relatórios e, se necessário, firma Termos de Ajuste de Conduta (TAC) com as empresas. A região carbonífera de SC responde por metade da produção de carvão mineral do país. É interligada por Criciúma, Forquilhinha, Içara, Lauro Müller, Siderópolis e Treviso.

PROFISSÃO DE ALTO RISCO
Quem atua em contato direto com a extração do minério tem no máximo 15 anos de profissão. O que, segundo o Sindicato dos Mineiros, é um atrativo do serviço. A aposentadoria precoce permite a quem inicia na atividade aos 21 anos ser amparado pela Previdência Social aos 36.
Não é qualquer pessoa que tem estrutura física e emocional para desenvolver a atividade. É escuro, isolado e não se tem diálogo com muitas pessoas.
Dados da Previdência Social mantém a profissão de mineiro como uma das mais perigosas do país, ao lado dos que atuam nas plataformas de petróleo. E por um motivo: as chances de acidentes fatais são maiores em locais isolados, onde é difícil escapar.

PRINCIPAIS CAUSAS DOS ACIDENTES RECENTES
■ desmoronamento de rochas do teto e das laterais da mina
■ e choque elétrico.
Para diminuir os acidentes, a Associação Brasileira do Carvão discute a criação de um centro de tecnologia na área da segurança em mineração.
Fonte: Diário Catarinense - 06/09/2014

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segunda-feira, outubro 13, 2014

História do Sistema Cantareira

A história do aproveitamento dos mananciais da Cantareira, ao norte da Capital, remonta ao final do século passado, quando foram construídos os primeiros tanques de reservação. A água proveniente da serra abastecia precariamente o centro da cidade através do antigo reservatório da  Consolação. A capacidade do primitivo sistema implantado no local foi posteriormente ampliada. Entretanto, com a entrada em funcionamento de outros sistemas, o seu papel no abastecimento da cidade tornou-se pouco significativo.
Em 1966, teve início a construção do atual Sistema Cantareira destinado a desempenhar um papel fundamental na solução do problema do abastecimento da Grande São Paulo. O conjunto dessas obras permitirá a utilização dos  recursos hídricos de uma grande área ao Norte da Capital,

As obras de aproveitamento dos rios  Juqueri, Cachoeira e Atibainha   já estão concluídas.   Nesta primeira etapa, o sistema tem capacidade para produzir 11 mil litros de água por segundo. As represas dos rios Jaguari e Jacareí, a 70 quilômetros de São Paulo, serão construídas posteriormente completando o conjunto. O Sistema Cantareira deverá fornecer então 33 mil litros de água por segundo.
Desde o início de 1974, com a  entrada do sistema em operação, está sendo possível normalizar progressivamente o abastecimento dos bairros das Zonas Norte e Leste da Capital, antes submetidos a racionamentos, e ainda abastecer novas áreas. Com os 33 mil litros a serem produzidos após o represamento dos rios Jaguari e Jacarei, o Sistema Cantareira estará capacitado a suprir as necessidades de 10 milhões de pessoas.







Quatro grandes represas; 48 km de túneis e canais; uma elevatória de 80.000 HP, quatro conjunto de moto-bomba, com motor de 20.000 HP/cada. A maior estação de tratamento de água da América Latina

A ÁGUA DO CANTAREIRA JÁ ESTÁ CHEGANDO
O Cantareira, quando completo, será um dos maiores sistemas produtores de água do mundo. Os seus reservatórios estarão situados em diferentes níveis e serão interligados. De tal maneira que, desde o Jaguari e o Jacarei, as águas passarão por gravidade pelos reservatórios do Cachoeira, Atibainha e Juqueri, e chegarão à Estação Elevatória de Santa Inês, onde todo o volume produzido será bombeado para o Reservatório de Águas Claras, construído no alto da Serra da Cantareira.
Desse reservatório as águas passarão, por gravidade, à Estação de Tratamento do Guaraú.

RESERVATÓRIOS
As barragens do Jaguari e Jaca rei darão origem ao maior reservatório do Sistema Cantareira, que será também o mais distante e localizado em maior altitude, a 848 metros acima do nível
do mar. Este reservatório contribuirá para a vazão do sistema com 22 mil litros de água por segundo.
O Reservatório do Cachoeira tem seu nível a 821,5 metros acima do nível do mar e foi projetado tendo em vista uma produção de 5 mil litros de água por segundo, enquanto que o Atibainha, a 787 metros, tem capacidade para 4 mil litros por segundo.
Finalmente, o Reservatório do Juqueri, formado pela Barragem Engo Paulo de Paiva Castro e com nível a 745 metros, é capaz de fornecer 2 mil litros de água por segundo.

TÚNEIS E CANAIS
As interligações entre os reservatórios serão feitas por túneis e canais. Entre o Reservatório do Jaguari e o do Jacareí haverá um canal de 1 quilômetro de extensão. O Jacareí e o Cachoeira serão ligados por um túnel de 5,6 quilômetros. Outro túnel, este de 5 quilômetros, já faz,a
ligação entre os reservatórios do Cachoeira e Atibainha. Mais dois túneis, de 10 e de 1 quilômetro, ligam, respectivamente,o Reservatório do Atibainha ao do Juqueri, e este à Estação Elevatória de Santa Inês.

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE SANTA INÊS
A Serra da Cantareira era o grande obstáculo natural entre as fontes produtoras de água e a Estação de Tratamento do Guaraú. Para vencer esse obstáculo foi construída a Estação Elevatória de Santa Inês, com quatro grupos de recalque de 20.000 HP. Três desses grupos já estão prontos e capacitados a bombear os 33 mil litros de água por segundo a serem produzidos ao final da construção do Sistema Cantareira. O quarto grupo, a ser instalado, ficará como unidade de reserva. Impulsionada pelas bombas a água proveniente dos reservatórios é elevada a 120 metros, até o alto da serra. Por gravidade, através de um canal de 950 metros e um túnel de 800 metros, atinge o Reservatório de Aguas Claras.

RESERVATÓRIO DE ÁGUAS CLARAS
Trata-se de reservatório de segurança, cujo nível está a 860 metros: Em caso de paralisação da Estação Elevatória de Santa Inês, o Reservatório de Águas Claras pode manter um fluxo contínuo de 33 mil litros por segundo durante três horas. Esse reservatório está ligado à Estação de Tratamento de Água do Guaraú (ETA-Guaraú) por um túnel de 4,8 quilômetros.

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DO GUARAÚ
Dotada da mais moderna tecnologia de purificação de água, a ETA-Guaraú tratará eficientemente toda a água produzida pelo Cantareira. Com os equipamentos já instalados está capacitada a purificar 16 mil litros por segundo.

CONTROLANDO OS RIOS
Além de possibilitar um radical aumento na adução de água para a Grande São Paulo, o Sistema Cantareira trará outros benefícios. A regularização da vazão dos rios à jusante é um exemplo. O represamento do Juqueri, Atibainha, Cachoeira, Jaguari e Jacareí permitirá o controle do fluxo das águas desses rios, mantendo-o num volume constante na estiagem, evitando enchentes na época das chuvas, beneficiando assim a população e favorecendo a agropecuária de uma grande região que abrange setores dos municípios de Campinas, Piracicaba, Americana, Bragança Paulista, Atibaia, Paulínia, Franco da Rocha, Caieiras, Perus, Santa Bárbara d'Oeste. Piracaia, Bom Jesus dos Perdões, Jari nu, Morungaba, Pedreira, Cosmopolis e Jaguariuna.

MANANCIAIS PROTEGIDOS
Para assegurar a pureza natural dos mananciais do Sistema Cantareira e de seus reservatórios, a área que envolve as nascentes dos rios será protegida. Nessa área não será permitido o estabelecimento de indústrias ou residências. Com isso, ficará livre de detritos ou quaisquer agentes poluidores.

REFLORESTAM ENTO
A vegetação existente será preservada, o que transformará o Cantareira numa grande reserva florestal. Os terrenos das antigas propriedades rurais serão reflorestados. Há um projeto preparado por especialistas em paisagismo e ecologia que prevê a reposição, nesses setores, de espécies vegetais da região.

LAZER
Os locais próximos às represas receberão tratamento paisagístico, terão parques, "play-qrounds" e áreas para pique-niques. Desta forma, o Sistema Cantareira não será apenas um elemento importante da infra-estrutura da metrópole, mas também um centro de lazer e de atração turística.
Fonte: Prospecto técnico da Sabesp da época da construção
Comentário:
DESMATAMENTO HÁ 30 ANOS AINDA PREJUDICA SISTEMA
O desmatamento na bacia hidrográfica do sistema Cantareira, que passa atualmente por sua maior crise, alcançou 78% de sua cobertura florestal nativa há 30 anos, prejudicando a capacidade de produção de água de seus reservatórios, segundo levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica.
Nas últimas três décadas, diz a ONG, pouco se fez para recuperar as áreas degradadas de mata atlântica dessa região. Hoje restam 48,8 mil hectares, ou 21,5% do que havia em oito municípios paulistas e oito mineiros.
Essa área original de floresta cobria 64,3% dos municípios de Camanducaia, Extrema, Sapucaí Mirim e Itapeva, em Minas Gerais; e Franco da Rocha, Joanópolis, Mairiporã, Nazaré Paulista, Piracaia, Bragança Paulista, Caieiras, e Vargem, em São Paulo.
As bacias que compõem o Sistema Cantareira ocupam uma área total de 2.270 quilômetros quadrados. Desta forma, as áreas com cobertura vegetal somam apenas 488 quilômetros quadrados. Da área total do sistema, 75 quilômetros quadrados correspondem a áreas inundadas dos reservatórios e 18 quilômetros quadrados à ocupação urbana consolidada.

PAPEL DE PREVENÇÃO
"A floresta tem papel essencial na prevenção de secas, pois reabastece os lençóis freáticos e impede a erosão do solo e o assoreamento de rios", afirmou Marcia Hirota, diretora-executiva da ONG e responsável pelo mapeamento que a entidade elabora desde 1986 em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Em todo o Brasil, restaram 16,4 mil hectares de mata atlântica, ou seja, 12,5% de todos os 130,9 mil hectares do domínio original, segundo a fundação.
Nas últimas décadas, São Paulo foi um dos Estados que mais preservaram o bioma.

MUNICÍPIOS PAULISTAS
A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo contestou a estimativa da SOS Mata Atlântica, afirmando que a cobertura vegetal nativa aumentou de 41,8 mil hectares para 64,6 mil hectares de 2005 a 2010 nos oito municípios paulistas, segundo o Instituto Florestal.
Desse modo, a área desmatada seria 74,5%.
A ANA (Agência Nacional de Águas) informou que promove em várias regiões, inclusive na do sistema Cantareira, o programa Produtor de Água, que apoia, orienta e certifica iniciativas de recuperação e preservação florestal de produtores rurais, com previsão de remuneração por resultados. Fonte: Folha de São Paulo- 9 de outubro de 2014

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sexta-feira, outubro 10, 2014

Histórico:Crise no abastecimento em São Paulo

REGISTROS HISTÓRICOS
Represa Jaguari, que integra o Sistema da Cantareira da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) fica com solo seco e rachado devido à falta de chuvas no Estado. O reservatório fica em Bragança Paulista (SP) e é o principal fornecedor de água para a capital e regulador da vazão dos mais importantes rios da região de Campinas

1900-1910-Em 1903, São Paulo enfrenta grande crise no abastecimento, em função de estiagem prolongada. Em 1907, é inaugurado o reservatório do Araçá, que aproveita a canalização do reservatório Cantareira, ligada à linha de sobras e que se prolonga até o espigão da avenida Paulista. Um ano depois, a companhia de energia elétrica Light and Power represa o rio Guarapiranga, na cabeceira do rio Pinheiros. A represa Santo Amaro, também chamada Guarapiranga, tinha na época capacidade para 196 milhões de metros cúbicos de água.

1910-1920-Em 1914, a cidade enfrenta uma epidemia de febre tifóide, circunscrita aos bairros baixos situados às margens do rio Tietê, provocada pelo uso das já então poluídas águas daquele rio. No mesmo ano se iniciam as obras para a adução das águas do rio Cotia. A primeira etapa previa a adução na Cachoeira da Graça, com reforço dos bairros altos da cidade. A segunda etapa – a adutora Água Branca-Cotia, é construída em 1920 e, assim a cidade passa a receber 156 mil metros cúbicos por dia. Este volume sofria reduções por conta de estiagens.

1920-1930-A água distribuída na cidade passa a ter cloramento obrigatório em 1925. Nesse mesmo ano, uma grande estiagem provoca crise no abastecimento e o governo, então, inicia as obras do sistema rio Claro, afluente do Tietê. Manancial situado na Serra do Mar, o sistema poderia fornecer água na razão de 6 metros cúbicos por segundo. Dois anos depois, começa o projeto de canalização e reversão do rio Pinheiros para gerar energia elétrica na Usina Henry Borden, por meio da construção das represas Billings e Rio das Pedras. Em 1928, agrava-se a falta d´água e a represa Guarapiranga passa a ser utilizada para abastecimento. No ano seguinte, a cidade sofre uma das maiores inundações de sua história com o transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros.

Foto - Salto de Pirapora- Rio Tietê cheio e seco
1930-1940-Em 1934, o governo brasileiro decreta o Código das Águas, que prevê a utilização prioritária dos rios e bacias hidrográficas do País para a geração de energia elétrica. Em 1937, o reservatório da Moóca é concluído e, no ano seguinte, o sistema Rio Claro é reformado e passa a fornecer vazão de 3,3 metros cúbicos por segundo. No ano seguinte, inicia-se a canalização do rio Tietê.

1940-1950-Começa, em 1940, a operação de reversão do rio Pinheiros, para levar água do Tietê para a Billings para aumentar a capacidade de geração de energia da Usina Henry Borden. Em 1942, termina a construção da represa Billings e a reversão do rio Pinheiros.

1950-1960-O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) é criado em 1951. Dois anos depois, é a vez do Conselho Estadual de Controle de Poluição das Águas do estado de São Paulo e tem início na cidade a construção de duas estações de tratamento de esgoto. Em 1954 a cidade de São Paulo completa 400 anos e é criado o Departamento de Águas e Esgotos (DAE). Em 1958, nova crise de abastecimento na cidade inicia a captação das águas do Rio Grande, na represa Billings. O governo estadual firma novo convênio com a Light para a retirada de 9,5 m3/s de águas da represa Guarapiranga. Essa meta, entretanto, só seria alcançada na década de 1970. Até lá apenas 4m3/s eram retirados e tratados.

Respresa  Atibainha
1960-1970-Durante a década começa o aterramento das várzeas do rio Tietê e a construção das pistas marginais. Em 1967, começam as obras no sistema Cantareira e, no ano seguinte, é criada a Companhia Metropolitana de Água de São Paulo (Comasp), empresa de economia mista, cujo principal acionista é o governo do estado, com o objetivo de captar, tratar e vender água potável no atacado aos 37 municípios que constituíam a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e também ao DAE. Ainda em 1968 é criado o Centro Tecnológico de Saneamento Básico (Cetesb), com a finalidade de dar suporte tecnológico ao setor.
Em 1966 teve início a construção do Sistema Cantareira, com entrada em operação em 1974.

1970-1980-A Companhia Metropolitana de Saneamento de São Paulo (Sanesp) é fundada em 1970 para interceptar e tratar os esgotos da Grande São Paulo. O DAE passa, então, a operar o sistema distribuidor de água e a coletar os esgotos do município, comprando água da Comasp, distribuindo-a aos seus consumidores, coletando esgotos e entregando-os à Sanesp para tratamento e disposição final. Nesse mesmo ano, a poluição das águas dos rios Tietê e Pinheiros provocam as primeiras florações de algas na Billings.

Em 1973, é criado o Plano Nacional de Saneamento (Planasa) com a missão de elaborar um planejamento de metas até 1980. Por conta desse planejamento, é criada a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com o objetivo de planejar, construir e operar os sistemas de abastecimento de água e de coleta de esgotos em todo o estado. Em 1974, entra em operação a primeira etapa do sistema Cantareira, responsável por 4,5mil litros por segundo. Nos dois anos seguintes, cria-se a legislação que disciplina o uso do solo para a proteção de mananciais e outros recursos hídricos da RMSP.

Em 1975 tem início o Programa de Abastecimento de Água para a RMSP e cria-se o Parque Ecológico do Tietê. No ano seguinte, a Sabesp elabora o Plano Diretor de Suprimento de Água Potável para a RMSP e, em 1978, faz convênio com a prefeitura para atender favelas e núcleos de periferia.

Com a criação da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo, em 1980, a Light deixa de atuar na cidade. Com o aumento da poluição na Billings, em 1982 é construída a barragem Anchieta, separando o Braço do Rio Grande do resto da represa, para garantir a qualidade da água e o abastecimento público. Em 1983, é criado o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

No ano seguinte, por conta da pressão de organizações ambientalistas, o governo estadual diminui a quantidade de água bombeada do rio Tietê para a Billings. Em 1986, a Sabesp faz o abastecimento metropolitano de água por meio dos sistemas Cantareira, Guarapiranga, Rio Claro, Billings, Alto e Baixo Cotia.

Em 1989, a Constituição de São Paulo assegura o princípio de preservação e recuperação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, com prioridade ao abastecimento público. Restabelece ainda o prazo de três anos para a paralisação total do bombeamento das águas do Tietê para a Billings.

Com a criação da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo, em 1980, a Light deixa de atuar na cidade. Com o aumento da poluição na Billings, em 1982 é construída a barragem Anchieta, separando o Braço do Rio Grande do resto da represa, para garantir a qualidade da água e o abastecimento público. Em 1983, é criado o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

No ano seguinte, por conta da pressão de organizações ambientalistas, o governo estadual diminui a quantidade de água bombeada do rio Tietê para a Billings. Em 1986, a Sabesp faz o abastecimento metropolitano de água por meio dos sistemas Cantareira, Guarapiranga, Rio Claro, Billings, Alto e Baixo Cotia.

Em 1989, a Constituição de São Paulo assegura o princípio de preservação e recuperação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, com prioridade ao abastecimento público. Restabelece ainda o prazo de três anos para a paralisação total do bombeamento das águas do Tietê para a Billings.

Em 1991, é aprovada a Política Estadual de Recursos Hídricos. No ano seguinte, entra em operação o sistema Alto Tietê, formado por três reservatórios erguidos no alto da Serra do Mar, para captar água limpa para abastecimento da RMSP. Começa também a primeira etapa do projeto de despoluição do rio Tietê. Tem início o Programa Guarapiranga. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente restringe o bombeamento Tietê-Billings à situações emergenciais, como enchentes e colapso de energia elétrica. Um ano depois, por pressão das indústrias de Cubatão, é retomado o bombeamento Tietê-Billings, mas restrito à ameaça de enchente.

Em 1997, é aprovada a lei de proteção e recuperação de mananciais. Em 1999, o projeto Tietê conta com interceptadores, coletores-tronco e algumas estações de tratamento de esgoto. Tem início a elaboração do Programa de Recuperação Ambiental da Bacia Hidrográfica da Billings. Em 2000, a Billings passa a ser utilizada para o abastecimento de São Paulo. O governo estadual apresenta proposta de retomar o bombeamento da represa para aumentar a geração de energia na Usina Henry Borden, por meio da despoluição do rio Pinheiros com a tecnologia de flotação.

Em 2003, a estiagem torna crítico o nível armazenamento nos reservatórios do sistema Cantareira trazendo risco de colapso ao abastecimento de 50% da RMSP. Em 2004, Projeto de Lei que define a Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Bacia Hidrográfica do Guarapiranga (Lei Específica do Guarapiranga) é encaminhada à Assembléia Legislativa do Estado de SP.

Seca atual em São Paulo é a maior em 45 anos

A seca em São Paulo no último período chuvoso, que vai de outubro a março, foi uma das mais graves já registradas. Segundo dados do IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica) da USP (Universidade de São Paulo), esta foi a temporada com menos chuvas desde 1969. É o 13º ano mais seco desde que as medições começaram, em 1934, e também a pior desde a criação do Sistema Cantareira, em 1973.

As análises de falta de chuva dependem dos pontos meteorológicos escolhidos para o cálculo. De acordo com o local onde foi contabilizada a quantidade de chuva, tem-se um resultado maior ou menor para indicar quão severa é esta seca atual. No caso, o ponto considerado para a coleta de dados fica no próprio IAG, cuja sede está localizada na capital paulista.

OS ANOS MAIS SECOS
"Os três anos mais secos em 81 anos de dados do IAG USP foram 1941, 1934 e 1964. O professor Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG/USP, diz que até novembro de 2013, as chuvas foram bem próximas ou acima do normal. A seca atingiu uma área muito significativa do Sudeste. Na região onde está o posto do IAG/USP e a bacia de interesse [que abastece o Sistema Cantareira], os índices ficaram em torno de 50% abaixo do normal".
A Região Metropolitana de São Paulo, onde está o posto do IAG, tende a receber mais chuva em razão da ilha de calor urbano, lembra o professor.

CHOVE MENOS NOS ENTORNO DA REGIÃO DOS MANANCIAIS
"Chove menos nos entorno da região, onde estão os mananciais que suprem a demanda por água da capital", afirma Pereira Filho. "Todo essa chuva sobre São Paulo poderia ser aproveitada se não fosse a poluição das superfícies (lixo urbano), córregos e rios (esgoto)".
Fonte: Sabesp-Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Sócio Ambiental  e UOL-16/05/2014

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terça-feira, outubro 07, 2014

Mega-desastre: Ruptura de tanque de melaço em Boston

O Desastre de Melaço em Boston, também conhecido como o Grande Dilúvio de Melaço e a Grande Tragédia de Melaço de Boston, ocorreu  em 15 de janeiro de 1919, no bairro de North End em Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos. A ruptura do tanque de armazenamento de melaço  despejou todo o  melado, que correu como se fosse uma onda pelas ruas da cidade, destruindo tudo,  numa velocidade de 56 km/h, matando 21 pessoas e ferindo 150 O evento entrou para a história local, e durante muitas décadas, os moradores alegaram que em dias quentes de verão, a área ainda cheirava melaço.

DESASTRE


O desastre ocorreu na instalação Purity Distilling Company em 15 de janeiro de 1919.  A temperatura subiu acima de 4,4 ° C, rapidamente, em relação às temperaturas frias dos dias anteriores.  Na época, o melaço era o  adoçante padrão nos Estados Unidos.
O melaço também pode ser fermentado para produzir cachaça e etanol, o ingrediente ativo em outras bebidas alcoólicas e um componente-chave na fabricação de munições. O melaço armazenado estava aguardando transferência para a fábrica situada entre Willow Street e que hoje é chamada  de Evereteze Way, em Cambridge.

Por volta das 12h 30min, o tanque de melaço  de 15 m de altura e  27 m de diâmetro e contendo 8,7 milhões de melaço entrou em colapso. Testemunhas afirmaram que durante o colapso, houve um estrondo alto, como se fosse uma sequencia de tiros de metralhadora e o chão tremeu como se tivesse passando um trem.
O colapso do tanque desencadeou uma onda de melaço  de 7,6 m de altura em seu pico, deslocando a uma velocidade de 56 km / h.  A onda de melaço tinha força suficiente para danificar as vigas da estrutura do elevado da ferrovia situada  à   avenida Atlantic, deslocando um vagão de trem. Os edifícios próximos foram deslocados de seus alicerces e destruídos. Vários edifícios foram inundados com uma camada de 60 a 90 cm de melaço.
Jornalista do Boston Post disse: Que o melaço, na altura da cintura, cobriu a rua e girava como turbilhão e borbulhava sobre os destroços ... Aqui e ali  era impossível de dizer se era  animal ou ser humano que lutava. Era uma massa pegajosa, quanto mais lutava, mais profunda era a massa envolta na pessoa ou no animal.
 O jornal Boston Globe disse que as pessoas "foram apanhados por uma corrente de ar e lançadas.." Outros tinham detritos arremessados contra eles a partir do movimento do ar com cheiro doce. Um caminhão foi jogado no porto de Boston. Cerca de 150 pessoas ficaram feridas; 21 pessoas e vários cavalos morreram, alguns foram esmagados e afogados pelo melaço.
Os feridos incluíram pessoas, cavalos e cães.

CONSEQUÊNCIA
Detalhe da área de inundação de melaço.
1. Tanque de melaço
2 Corpo de Bombeiros (danos pesados)
3.Departamento de Obras Públicas e Delegacia
4. Escritórios da fábrica (arrasada)
5. Edifício-  Terraço Copps Hill
6 Concessionária de gás e luz Boston (danificado)
7 Armazém da fábrica (danos leves)
8 Área residencial (danos leves)

SOCORRO
Os primeiros que vieram em auxílio  foram os 116 cadetes, sob o comando do capitão-tenente HJ Copeland  do navio de treinamento do USS Nantucket, da Escola Náutica de Massachusetts (que é agora a Academia Marítima de Massachusetts), que estava atracado nas proximidades do cais. Eles correram vários quarteirões em direção ao acidente. Eles isolaram a área até a chegada da Polícia, Cruz Vermelha, do exército e  da marinha para o resgate. Os feridos eram tantos que os médicos improvisaram um ambulatório em um prédio vizinho.
A equipe de resgate encontrou dificuldade para caminhar no melaço para ajudar as vítimas. Muitos dos mortos ficaram envoltos no melaço endurecido, difícil para o reconhecimento. A busca por vítimas continuou por quatro dias.

AÇÃO JUDICIAL
Os moradores entraram com um processo de ação coletiva, um dos primeiros realizado em Massachusetts, contra United States Industrial Alcohol Company(USIA), que comprou Purity Distilling em  1917.
Apesar das tentativas da empresa alegar que o tanque tinha sido explodido por anarquistas ( porque uma parte do álcool produzido era para ser utilizado na fabricação de munições). Após três anos  de audiência,  a Corte considerou USIA responsável pelo acidente, condenando-a a pagar US$ 600,000.00 em indenizações  (pelo menos US $ 10,7 milhões em 2012 dólares). Sobreviventes das vítimas fatais receberam US $ 7, 000.00  por vítima (cerca de US$ 125.000 dólares em 2012).

LIMPEZA
Equipes de limpeza usaram água salgada de um barco de combate de incêndio para lavar o melaço à distância, e areia para tentar absorvê-lo. O porto era marrom com melaço até o verão.
A limpeza nas áreas próximas levou semanas, com mais de 300 pessoas. A limpeza na Grande Boston e subúrbios demoraria um tempo indefinidamente longo.
Equipes de resgate, equipes de limpeza, curiosos, turistas, acompanharam o melaço pelas ruas e ajudaram a espalhá-lo  nas plataformas de metrô, os assentos dentro trens e bondes, em casas.
"Tudo o que um cidadão tocava era pegajoso”.
O proprietário não reconstruiu o tanque. A propriedade tornou-se pátio de manobra da  Boston Elevated Railway (antecessora da Autoridade de Transporte de  Massachusetts), e atualmente o local é um campo de beisebol  cidade.

CAUSAS
Vários fatores que ocorreram naquele dia e nos dias anteriores podem  ter contribuído para o desastre.
O tanque foi montado inadequadamente  e testado insuficientemente. Devido à ocorrência de fermentação no interior do  tanque, a produção de dióxido de carbono aumentou a pressão interna. O aumento da temperatura  externa que ocorreu ao longo do dia anterior também teria ajudado na elevação dessa pressão. Os registros mostraram que a temperatura do ar aumentou de -17 a 5,0 ° C durante esse período. A falha ocorreu a partir da janela de inspeção perto da base do tanque. É possível que a fissura da fadiga cresceu até o ponto de criticalidade. A tensão de arco é maior perto da base de um tanque cilíndrico cheio.
O tanque foi utilizado apenas oito vezes com capacidade máxima, desde sua construção, colocando as paredes sob uma carga intermitente, cíclica.

Um inquérito após o desastre revelou que Arthur Jell, que supervisionou a construção, negligenciou na montagem do tanque;
■ O tanque não foi inspecionado adequadamente durante sua construção.
■ O tanque não foi testado após sua construção e antes de ser enchido  com melaço.
■ O tanque tinha apresentado vazamento nas soldas entre as placas de aço antes da sua ruptura.
Finalmente as deficiências estruturais que o tanque apresentou, combinado com temperatura excepcionalmente quente contribuíram para o desastre.
Fonte: Wikipedia - 16 July 2014 

Comentário:
 Desastres de tanques de armazenagem ainda acontecem hoje em dia. Os tanques são muito frágeis. Uma grande quantidade de qualquer líquido,  inflamável ou não,  pode ser perigoso, se liberado em grandes quantidades, devido a seu grande volume e massa.
Acidentes com tanque envolvem; corrosão, colapso, transbordamento, sobrepressão, falha de revestimento, teste, etc.

O que você pode fazer
■ Se você observar vazamento, corrosão, ou qualquer outro sinal de falha potencial em um tanque de armazenagem, relate-os imediatamente para o responsável pela operação.
■ Certifique-se de que todo tanque novo, ou que tenha retornado ao serviço após manutenção, ou após um período de inatividade, seja adequadamente inspecionado e testado antes de receber produto.
■ Certifique-se das capacidades de operação dos tanques e verifique duas vezes o nível antes de enchê-los. Fonte: Process Safety Beacon

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