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domingo, dezembro 21, 2014

Estatística de acidentes com plataformas aéreas

O setor de plataformas aéreas está relatando mais acidentes mediante o programa voluntário da IPAF (Powered Access Rental Market). Dessa forma é revelado que mundialmente em 2013 houve 53 vítimas fatais em acidentes envolvendo plataformas elevatórias móveis de pessoas (PEMPs), também conhecidas como plataformas de trabalho aéreo (PTAs), de acordo com os resultados preliminares do banco de dados de acidentes da IPAF.

CATEGORIA DE EQUIPAMENTO
■plataforma estática de braço articulado
■plataforma de auto-propulsão
■plataforma tipo tesoura

AS PRINCIPAIS CAUSAS DOS ACIDENTES COM VÍTIMAS FATAIS SÃO:
■capotamento (16),
■queda em altura (13),
■aprisionamento (ficar preso)(10),
■eletrocussão (7),
■impacto (4)  
■queda de objetos (2).  
■desconhecido (1)

TIPO DE PLATAFORMA
■ quase metade dos registros de acidentes com vítimas fatais (26, ou 49%) envolveu plataformas móveis de braço/lança,
■ quatorze acidentes com vítimas fatais (26%) envolveram plataformas móveis verticais (3a),
■ 11 (21%) envolveram plataformas estáticas de braço/lança (1b),
■ em dois casos (4%), o tipo de máquina era desconhecida.

PAÍSES
■trinta (57%) dos acidentes com vítimas fatais ocorreram nos EUA, com base de 54% da frota mundial de locação/aluguer.
■três vítimas fatais foram relatadas na Alemanha, Espanha e no Reino Unido,
■duas vítimas fatais na Bélgica, no Canadá, em França e nos Países Baixos, e
■ uma na Armênia, Austrália, Irlanda, Malásia, Noruega e no Oriente Médio.

O projeto de relatório de acidentes da IPAF foi lançado em Janeiro de 2012 e veio preencher uma lacuna para a qual não existia anteriormente um único mecanismo para relatar e analisar acidentes graves implicando PEMPs/PTAs, e não havia dados concretos sobre a quantidade e causa de acidentes com vítimas fatais. No primeiro ano do projeto foram relatados 32 acidentes com vítimas fatais envolvendo PEMPs/PTAs. Fonte: IPAF- Powered Access Rental Market

Comentário: O que são plataformas aéreas?
As plataformas aéreas são utilizadas para todo e qualquer tipo de trabalho em altura e podem ser aplicadas na simples troca de uma lâmpada e até na montagem de complexas plantas industriais. São equipamentos versáteis, pois apresentam modelos e tamanhos diferentes, que variam de 4 m até 43 m de altura, podendo ser do tipo tesoura ou lança, telescópicas ou articuladas, com acionamento elétrico ou diesel, com características específicas para elevação de pessoas ou ferramentas.
As plataformas aéreas elétricas são ideais para trabalhos em ambientes fechados como shoppings, supermercados, controle de estoque e inventários em depósitos; em tarefas para a produção de eventos como projetos de iluminação, som, decoração, montagens cenográficas, fotografia e filmagem. Já as plataformas aéreas a diesel são recomendadas para trabalhos de pintura, eletricidade, instalações em geral e montagens de grandes dimensões.
No final de 2012, estima-se a frota de PTAs/PEMPs para locação no Brasil em 19.500 unidades. A IPAF estima a frota mundial para locação de plataformas de trabalho aéreo (PTAs), também conhecidas como plataformas elevatórias móveis de pessoas (PEMPs), em 950 000 unidades.  

Definição da NR-18- Plataforma de Trabalho Aéreo – PTA é o equipamento móvel, autopropelido ou não, dotado de uma estação de trabalho (cesto ou plataforma) e sustentado em sua base por haste metálica (lança) ou tesoura, capaz de erguer-se para atingir ponto ou local de trabalho elevado.

Vídeo: Erros e acidentes com plataformas aéreas

Vídeo (1): Erros e acidentes com plataformas aéreas

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quinta-feira, dezembro 18, 2014

Trabalhador foi atingido na cabeça por um pedaço de madeira.

Um operário morreu na manhã de quarta-feira, 19 de novembro, em uma obra de um prédio localizado na rua Antônio Baena, próximo à avenida Almirante Barroso, em Belém, Pará.
O trabalhador Robson foi atingido  na cabeça por um objeto, chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu. A construtora responsável pela obra solicitou a perícia no local.
O sindicato informou que o trabalhador Robson trabalhava como ferreiro e não deveria estar trabalhando naquele local. Ele estava no térreo no momento em que o pedaço de madeira caiu e usava os equipamentos de proteção individual (EPIs).
Funcionários que testemunharam o acidente foram levados para prestar depoimento na Seccional de São Brás. Fonte: G1 PA-19/11/2014 

Comentário: Segundo informações dos trabalhadores, ele estava usando capacete, mas com o impacto do pontalete, o capacete  rachou. Um pontalete pode pesar 9 kg.
Segundo a norma NR-18 – define-se canteiro de obras como: Área de trabalho fixa e temporária onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra.
Para tanto há a necessidade de se preocupar na elaboração do lay-out do canteiro para que este fique com disposição adequada para o desenvolvimento dos trabalhos, relativo à saúde e segurança do trabalhador e bem como na execução de serviço.
A organização do canteiro de obra é fundamental para melhorar o processo produtivo otimizando a ocupação dos espaços, evitando desperdícios de materiais, tempo, limpeza e  aumentando a segurança do trabalhador quanto aos locais e áreas com maiores incidências de riscos.
Quanto a esse acidente o trabalhador nunca deveria trabalhar ou ser autorizado a executar serviço temporário na área onde poderia ocorrer projeção de queda de material. A área de serviço de apoio deve ter disposição adequada quanto a proteção contra riscos.
O que diz a norma sobre área de ferragem
18.8.3. A área de trabalho onde está situada a bancada de armação deve ter cobertura resistente para proteção dos trabalhadores contra a queda de materiais e intempéries.
Fazendo simulação da queda de um pontalete  de 9 Kg em queda livre, teremos os seguintes valores;
Altura - m
Impacto- Kg
Velocidade – Km/h
3
27
28
6
55
39
9
83
48
12
110
56
15
137
62

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terça-feira, dezembro 16, 2014

Caso Shell:Contaminação dos moradores de Recanto dos Pássaros

Moradores de um bairro de chácaras de Paulínia, na região de Campinas, podem ter passado os últimos 25 anos expostos à contaminação por resíduos agrotóxicos de uma antiga fábrica vizinha da Shell Química.
Análises realizadas pela própria empresa e pelo Instituto Adolfo Lutz indicaram concentrações de organoclorados até 16 vezes acima do limite em lençóis subterrâneos próximo ao terreno, que fica a apenas 150 metros do Rio Atibaia.

HISTÓRICO DA ÀREA DE CONTAMINAÇÃO
Em 1975, a Shell iniciou a construção de uma fábrica de agrotóxicos, incluindo a produção de Endrin e Aldrin e o processamento de Dieldrin, três agrotóxicos organoclorados. A fábrica iniciou suas atividades no ano de 1977.
A área está situada no Município de Paulínia, a 126 km da capital do estado de São Paulo e tem aproximadamente 40 hectares (400.000 m2 ). Em todo o seu lado oeste em forma de meia lua é acompanhada pelo Rio Atibaia, um dos principais afluentes do rio Piracicaba, e que abastece de água, entre outras, as cidades de Americana e Sumaré. Entre a indústria e o rio existe uma faixa de aproximadamente 100 metros, onde está localizado o bairro residencial Recanto dos Pássaros, antigo loteamento Poço Fundo. A fábrica instalou-se no local depois dos chacareiros.

VENDA DA ÁREA
Em 1993, a Shell iniciou o processo de venda de suas unidades produtoras de agrotóxicos para a American Cyanamid Co. Fez parte do contrato de venda a promoção de auditoria ambiental. Estas medidas fizeram parte de tentativa de mensurar e valorizar o passivo ambiental à época da venda. Com a identificação é possível que tais problemas ambientais constem em contrato e tenham seus valores devidamente definidos.
Cinco anos mais tarde, a Cyanamid repassou a área para a Basf. A responsabilidade sobre a contaminação do local antes da venda do terreno cabe à Shell, como foi definido em contrato. 

AUTO DENÚNCIA E TERMO DE ACORDO
Em 14 de setembro de 1994 a Shell do Brasil S.A. – Divisão Química, comunicou à Promotoria de Justiça do Município de Paulínia através de auto denúncia a constatação de contaminação do solo e das águas subterrâneas, que segundo as informações da empresa, encontravam-se restritas à área fabril.
Em agosto de 1995 foi assinado o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) denominado neste caso como Termo de Acordo, firmado pelo Ministério Publico e pela empresa.
A companhia foi obrigada a instalar em área interna, um sistema de recuperação da qualidade do aqüífero (SRQA) constituído por uma barreira hidráulica, um sub-sistema de extração de contaminantes e uma unidade de tratamento de água, destinados a  contenção e remoção da contaminação por solventes diagnosticada nas áreas denominadas como “Opala” e “Parque dos Tanques”, situadas a noroeste na planta.
No referido acordo a Shell também deveria efetuar o monitoramento da área no extremo oeste da planta descrita como “Incinerador” e “Formulação” em virtude da identificação no solo de Drins (Aldrin, Dieldrin e Endrin). A companhia ficou obrigada a monitorar solo e águas subterrâneas por um período de três anos, com a finalidade de confirmar a hipótese levantada pela empresa, de que os produtos encontrados no solo não migrariam para o aqüífero.

CONTAMINANTES
Os contaminantes - resíduos da fabricação de agrotóxicos pela Shell entre 1975 e 1985 - são o aldrin, dieldrin e endrin, substâncias classificadas como poluentes orgânicos persistentes (POPs) e banidas em diversos países, incluindo o Brasil.
Não há, entretanto, confirmação de que a população tenha sido exposta aos poluentes, que podem ser cancerígenos e afetar o desenvolvimento de fetos.
Segundo o diretor de Controle de Poluição Ambiental da Cetesb, Orlando Zuliami Cassettari, não há motivo para pânico. "Apesar de a contaminação estar acima dos padrões, não é uma coisa alarmante", afirmou. Todas as amostras coletadas até agora foram tiradas de pontos ao redor da fábrica e muito mais profundos do que as cisternas das chácaras. "Não acredito que alguém tenha bebido essa água". 
A recomendação por enquanto é não beber água de poço da região. A Shell já iniciou a distribuição de água por caminhões-pipa para os moradores que não tem acesso à rede pública. A empresa assumiu a responsabilidade pela contaminação e está negociando compensações.
A Secretaria do Meio Ambiente de Paulínia vai realizar uma varredura em todo o município para identificar depósitos dos poluentes. O secretário Henrique Padovani solicitou exames de saúde dos moradores. Cerca de 300 pessoas moram no local, a 3 quilômetros do centro de Paulínia.  

EXAMES – ANÁLISE DA ÁGUA E DO SOLO
A Shell do Brasil iniciou o trabalho de coleta de amostras do solo e da água das 50 chácaras no Recanto dos Pássaros, em Paulínia (17 km de Campinas).
A água subterrânea do local foi contaminada pela extinta Shell Química -uma divisão da Shell do Brasil S/A, que produzia pesticidas agrícolas.
As amostras estão sendo colhidas por técnicos holandeses e brasileiros e serão remetidas a um laboratório europeu para verificação dos índices de contaminação.
A Prefeitura de Paulínia e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) acompanharam o trabalho.

DESCONTAMINAÇÃO DO SOLO
A Shell Química anunciou que deve gastar US$ 2 milhões para recuperar a área contaminada.
Parte da área contaminada está localizada dentro da fábrica da Basf, empresa alemã que também produz defensivos agrícolas.
A Shell apresentou, a proposta de descontaminação da área à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo).
A Cetesb ainda está analisando parte da proposta e, só então, vai autorizar o início dos trabalhos.
A Cetesb informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que um dos estudos entregues pela Shell é o do monitoramento de toda a área da fábrica, incluindo as chácaras no entorno.
O plano de monitoramento para investigar se há contaminação do solo ou das águas subterrâneas por drins, solventes e metais pesados nas chácaras foram aprovadas pela agência.
A aprovação autoriza a empresa a iniciar o trabalho de coleta de material, segundo a Cetesb.
O estudo será acompanhado por técnicos da Cetesb que auditará os resultados. De acordo com a agência, serão coletadas amostras de solo em cada uma das chácaras, além da coleta de água nos poços existentes.
A Cetesb informou que as análises dos planos para a construção da barreira hidráulica, remoção do solo e análise de alimentos produzidos nas chácaras devem ser concluídos nos próximos dias.

CONTROVÉRSIAS NOS TIPOS DE EXAMES
Há necessidade de biópsia, apenas o exame de sangue não basta, diz especialista
As análises em amostras de sangue coletadas entre os moradores do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, não são suficientes para detectar a intoxicação crônica por pesticidas organoclorados (drins).
A afirmação é da especialista em toxicologia pela USP (Universidade de São Paulo) e professora da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica) Sílvia de Oliveira Santos Cazenave.
De acordo com Sílvia, os exames de sangue só revelam os níveis de intoxicação aguda, ou seja, mais recente.
A contaminação crônica pode trazer danos à saúde a longo prazo, quando, por exemplo, o morador não estiver mais sob os cuidados médicos da prefeitura e da Shell.
"Como os drins se acumulam no tecido gorduroso com o passar dos anos, seria necessária a realização de uma biópsia para detectar a intoxicação crônica", afirmou a especialista.
A biópsia não está contemplada nos planos de avaliação de saúde da Prefeitura de Paulínia (17 km de Campinas) e da Shell Brasil.
De acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), para cada micrograma de drin que é encontrado no sangue, há 136 microgramas acumulados na gordura.
Para Sílvia, apenas os níveis de intoxicação presentes no sangue não são bastante para o diagnóstico. "A intoxicação depende da suscetibilidade de cada organismo", disse.
Uma pessoa pode, segundo a especialista, desenvolver um quadro clínico tendo baixos índices de drins no sangue.

TESTES USARAM METODOLOGIAS DIFERENTES: POR ISSO, EXAMES FEITOS PELA SHELL E PELA PREFEITURA DISCORDAM SOBRE CONTAMINAÇÃO
A contradição entre os exames da Shell e da prefeitura não é difícil de ser explicada. No teste encomendado pela empresa ao laboratório norte-americano ABC, foram avaliadas a presença dos drins (aldrin, endrin e dieldrin, substâncias produzidas apenas pela Shell), heptaclor e oito metais pesados.
Como parâmetro, foram usados índices adotados para trabalhadores expostos a esses materiais. No exame encomendado pela prefeitura de Paulínia para o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), ligado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), a lista de químicos avaliados era maior: 15 itens. E a presença de qualquer quantidade dessas substâncias era considerada contaminação.
"Os critérios usados pelos exames da Unesp parecem mais corretos, pois indicam o contato com a substância tóxica e, além disso, a relação entre a contaminação e o estado clínico dos pacientes", afirma o toxicologista Anthony Wong, do Ceatox da Universidade de São Paulo (USP).
O fato de a população ser examinada só agora, seis anos depois de a Shell haver admitido a existência da contaminação no solo da fábrica é explicada pela vice-presidente da Shell Química, Maria Lúcia Pinheiro. "Somos uma empresa séria e não podíamos sair por aí, deixando a população em pânico, se não havia certeza da contaminação fora da área da fábrica". Nem mesmo a proximidade da fábrica com as casas - elas são separadas apenas por uma rua - aguçou a curiosidade da empresa.
Os testes nos moradores, continua Maria Lúcia, foram cogitados apenas este ano, depois da constatação da contaminação em duas propriedades com material da empresa. "Não sabemos por que somente agora obtivemos esses resultados."
O presidente da Associação dos Moradores, Paulo Souza, acusa a empresa de ser omissa. "Em 96, fui procurado pela Shell, que recomendou o uso apenas de água fornecida pela empresa. Perguntei a razão e nunca houve resposta. Por isso dei início às investigações."

PRINCIPAIS SEQÜELAS PROVOCADAS PELA CONTAMINAÇÃO EM ALGUNS EX-FUNCIONÁRIOS DA SHELL  PELOS AGROTÓXICOS, QUE TRABALHARAM NA FORMULAÇÃO DO PRODUTO
■Hepatite tóxica. A doença não tem cura e pode evoluir para uma cirrose.
■Insuficiência renal crônica
■Câncer nos testículos
O diretor jurídico da Shell Brasil, Gustavo Fleishmann, afirmou que a empresa sabia da doença dos ex-funcionários e acompanhava a saúde dos funcionários porque eles trabalhavam com produtos perigosos. "Se eles ficaram doentes enquanto trabalhavam, certamente entraram no plano de saúde da empresa e tiveram tratamento médico", afirmou.

EXAMES EM PAULÍNIA APONTAM INTOXICAÇÃO
Os exames laboratoriais foram feitos pelo Ceatox (Centro de Análises Toxicológicas), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu, que analisou a presença de organoclorados e metais pesados no sangue dos moradores.
Das 181 pessoas que se submeteram às análises médicas, 75% residem no bairro e o restante freqüenta o local nos fins de semana. Eles ficaram expostos à contaminação por tempo médio de oito anos, aponta o relatório.
 O documento revela que;
■ dos 166 moradores submetidos a exames clínicos complementares, 88, ou 53%, apresentam quadro de contaminação crônica.
■entre as crianças, a porcentagem é de 56%, ou 27 das 49 examinadas.
Segundo a equipe, outros 15 moradores ainda farão os exames complementares.

Os exames revelaram:
■contaminação por níveis acima do recomendado de BHC, heptaclor, aldrin, endrin, endusulfan e de DDT.
■metais pesados em níveis superiores aos recomendados; chumbo, cobre, zinco, alumínio, cádmio, arsênico e manganês .
As análises médicas revelaram ainda que 144 pessoas têm pelo menos um metal no sangue além dos índices aceitos como normais, 76 apresentam pelo menos um organoclorado, 64 têm no mínimo um organoclorado e um metal e 25 possuem no organismo mais de quatro produtos tóxicos.

DOENÇAS
O relatório aponta:
■Incidência de tumores hepáticos e de tireóide, benignos e malignos,
■Alterações neurológicas típicas de exposição aos drins,
■Alto índice de dermatoses (50%),
■Rinites alérgicas (58%)
■Disfunções gastrointestinais, pulmonares e hepáticas (26%).
Ainda segundo o documento, 35% das crianças apresentam distúrbios neurocomportamentais que podem, inclusive, afetar sua capacidade de aprendizado.
Os moradores vivem no bairro por períodos que variam de nove meses a 37 anos. Todos deverão ser removidos, conforme conclusão dos médicos
Na conclusão, os dois médicos que assinam o laudo, a sanitarista Claudia Guerreiro e o toxicologista Igor Vassilieff, afirmam que a fonte contaminadora ainda é presente no local, expondo os moradores a perigo.

MINISTÉRIO PÚBLICO
Uma cópia do relatório foi entregue ao Ministério Público e outra à Shell Brasil. A empresa pediu prazo de 15 dias para analisar o relatório e decidir sobre a necessidade de remoção das famílias.

SHELL CONTESTA CONCLUSÕES DO RELATÓRIO FINAL
A Shell Brasil S.A. contestou, por meio de nota oficial, o relatório final divulgado pela Prefeitura de Paulínia sobre a saúde dos moradores do Recanto dos Pássaros. Para a multinacional, o relatório não tem consistência científica.
A empresa contratou uma equipe médica especializada para avaliar o documento. A Shell informou que a avaliação do documento foi prejudicada pela falta de suporte técnico para as conclusões apresentadas pela Prefeitura de Paulínia.

REMOÇÃO DE MORADORES DE BAIRRO
A Prefeitura de Paulínia, o Ministério Público e autoridades locais começam a discutir a remoção dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros.
O Ministério Público aguardava a conclusão das análises encomendadas pela prefeitura para dar um encaminhamento ao inquérito civil que cuida da saúde dos moradores do bairro.
Segundo o diretor da Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Paulínia (17 km de Campinas), Washington Carlos Ribeiro Rocha, o Executivo já está traçando um plano de remoção.
A retirada dos moradores é apontada pelo relatório elaborado pela equipe médica da prefeitura como condição número um para o início do tratamento contra a intoxicação por drins e metais pesados.

REMOÇÃO DE MORADORES CAUSA DIVERGÊNCIA ENTRE A PREFEITURA E A SHELL
A divulgação do relatório sobre a saúde dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, área que teria sido contaminada pela Shell Brasil, gerou um impasse entre a prefeitura e a empresa sobre a necessidade de remoção da população do local.
A vice-presidente da divisão química da Shell Brasil, Maria Lúcia Pinheiro, descartou a possibilidade de remover os moradores do bairro.
Já a equipe médica da prefeitura afirma que os moradores devem deixar a área, pois estão expostos à contaminação. A falta de consenso entre o poder público municipal e a multinacional holandesa deve acarretar em ações judiciais de ambas as partes.

CONTESTAÇÃO
A Shell voltou a contestar os dados apresentados pela equipe médica da prefeitura e qualificou o documento de insuficiente.
"Faltam informações básicas nesse relatório, que é desprovido de comprovação científica", disse o médico toxicologista contratado pela Shell, Flávio Zambrone.
O diretor da Procuradoria Jurídica Municipal, Washington Carlos Ribeiro Rocha, disse que a prefeitura vai retirar os moradores, caso a Shell não o faça.
"Qualquer custo que a municipalidade tiver com relação aos moradores será cobrado na Justiça", afirmou o advogado. Segundo ele, a decisão da Shell de contestar na Justiça ainda não foi comunicada à prefeitura.

PARA EMPRESA, CONTAMINAÇÃO NÃO CAUSA PROBLEMA À SAÚDE
A Shell informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentará a ação civil pública enquanto não for notificada pela Promotoria.
A multinacional afirmou que os índices de contaminação apresentados pela Prefeitura de Paulínia não causam problemas à saúde dos moradores.
Flávio Zambrone, médico toxicologista contratado pela Shell, disse que não teve acesso aos exames feitos a pedido da prefeitura.
Zambrone voltou a afirmar que o laudo da prefeitura não tem embasamento científico. Ele disse que é impossível encontrar Aldrin no sangue sem encontrar Dieldrin, que é seu metabólico.
"Ter algum tipo de substância no sangue não significa estar intoxicado", afirmou. Segundo ele, os valores apontados no relatório não justificam a remoção.
Ele disse que, das 159 pessoas avaliadas pela Shell, 16 estão fazendo acompanhamentos clínicos. "Precisamos descartar as doenças comuns", afirmou.
Zambrone disse que a empresa nunca negou que as pessoas examinadas possuem substâncias tóxicas no organismo.
De acordo com ele, "os índices são baixos e existem trabalhos, fora do Brasil, que indicam uma contaminação 20 vezes maior e que não foram removidas dos locais onde moram".

FAMÍLIA ESTÁ CONTAMINADA
A Secretaria da Saúde de Paulínia entregou à família do comerciante Primo Nalotto Neto, 39, o resultado dos exames clínicos e laboratoriais que foram feitos pelo Ceatox.
A família foi a primeira a ser convocada, porque mora na chácara mais próxima à antiga fábrica da Shell. A chácara fica a apenas 15 metros da área da empresa.
O teor dos laudos indica que três das quatro pessoas de sua família têm problemas de saúde, supostamente ligados à exposição por drins e metais pesados.
Os resultados dos exames clínicos constataram:
■doença irreversível no fígado e vai se submeter a uma biopsia  (marido)
■tumor na tireóide (mulher)
■concentrações de metais e organoclorados no organismo, mas não foram identificadas alterações de saúde (filho de 8 anos).
Além de terem sido detectados Aldrin, heptacloro e DDD (pesticidas organoclorados), o exame mostrou que a criança tem 1,77 microgramas por decilitro de arsênico no sangue.
O índice ocupacional (taxa apresentada por pessoas que trabalham com produtos químicos) para esse metal é de 0,77 microgramas por decilitro.
Segundo a médica da prefeitura Cláudia Regina Guerreiro, os sintomas apresentados pelas famílias estão ligados à exposição por drins e metais pesados.
"Descartamos a relação das doenças apresentadas a qualquer fator ligado ao alcoolismo, cigarro e outras causas", afirmou Cláudia.
A médica disse que vai pedir a realização de uma biopsia do tecido gorduroso do comerciante, da mulher e do filho dele.
O médico toxicologista contratado pela Shell, Flávio Zambrone, preferiu não falar sobre as doenças apresentadas pelos membros da família Nalotto, pois não teve acesso ao resultado.
Ele disse também que é impossível encontrar Aldrin no sangue sem encontrar Dieldrin (outro tipo de pesticida organoclorado), que é seu metabólico.
"Ter algum tipo de substância no sangue não significa estar intoxicado", afirmou Zambrone.

SHELL ADMITE COMPRAR LOTES CONTAMINADOS
A Shell Brasil anunciou que vai propor a compra das chácaras dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, e vai disponibilizar especialistas para explicar o resultado dos exames de saúde.
É a primeira vez que a multinacional se propõe a negociar a compra com os moradores.
O anúncio foi feito um dia após a Secretaria Municipal da Saúde entregar o primeiro resultado dos exames que apontam contaminação em três dos quatro membros da família do comerciante Primo Nalotto Neto, 39, e depois da decisão da Promotoria de Paulínia de entrar com uma ação civil pública pedindo a remoção dos moradores do local contaminado.
A empresa, que fabricou pesticidas entre 74 e 93 em Paulínia e se autodenunciou, em 94, por contaminar a água e solo do bairro, estuda processar a prefeitura e os médicos toxicologistas Claudia Guerreiro e Igor Vassilieff.

TOXICOLOGISTA DIZ NÃO TEMER UMA AÇÃO JUDICIAL
O médico toxicologista contratado pela Prefeitura de Paulínia, Igor Vassilieff, disse que está tranquilo e que não teme uma ação judicial.
"Não recebi nenhuma informação da empresa nem da Justiça sobre isso, mas não tenho dúvidas sobre os resultados que divulgamos", afirmou o toxicologista.
Presidente da Associação Brasileira de Toxicologia, Vassilieff disse que não vê motivos para a Shell Brasil contestar o relatório sobre a saúde dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros.
Vassilieff e a médica da prefeitura Claudia Regina Guerreiro assinam o documento que indica a intoxicação crônica daquela população.
De acordo com o toxicologista, os laudos laboratoriais apontando alterações hepáticas, por exemplo, confirmam todas as suas análises clínicas.
Os testes para detectar a presença de metais pesados e drins (pesticidas organoclorados) no organismo daqueles moradores foram realizados pelo Ceatox (Centro de Análises Toxicológicas), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu (SP).

MAIS 7 MORADORES RECEBEM EXAMES
A Secretaria Municipal da Saúde de Paulínia entregou os resultados dos exames de mais sete moradores do bairro Recanto dos Pássaros.
O pedreiro Washington Bueno, recebeu o laudo apontando intoxicação crônica em seus dois filhos, de um e três anos.
O garoto J.B., 1, tem seis contaminantes no sangue -heptacloro, DDD, DDT, arsênico, manganês e alumínio- em níveis acima do permitido, segundo o exame.
A menina, A.M.B., 3, apresentou cinco substâncias tóxicas no sangue, entre elas o Aldrin (0,08 microgramas/litro) e o heptacloro (0,03 microgramas/litro). Ela também apresenta chumbo, alumínio e manganês, também em doses consideradas "altas" para uma criança.
Devido à intoxicação crônica, as duas crianças serão submetidas a tratamentos para eliminar as substâncias do organismo.
A menina, que apresenta distúrbios neurocomportamentais, vai receber um tratamento específico, segundo o médico toxicologista Igor Vassilieff.
O presidente da associação de moradores do bairro, Vicente de Paulo Souza, e a família dele também receberam o resultado dos exames. O filho G.P.S., 10, apresentou apenas arsênico no sangue. A mulher, que vai à chácara no bairro apenas nos finais de semana, tem 0,03 microgramas/litro de Aldrin no sangue.
Souza disse que terá de fazer exames complementares, mas respirou aliviado ao saber que a alteração que apresenta no fígado tem cura.

SHELL EXCLUI EXAME DE PESTICIDA EM PAULÍNIA
A Shell Brasil excluiu da lista de exames que patrocinou a verificação da presença do pesticida Aldrin no sangue dos moradores. A substância tóxica foi formulada exclusivamente pela multinacional até 1990, para exportação.
A empresa justifica a não-realização do exame alegando que o produto se metaboliza rapidamente no organismo humano, mas segundo especialistas afirmam que a substância pode ficar até 167 dias no corpo.
Para quatro especialistas, entre eles os médicos contratados pela prefeitura, a presença do produto deveria ter sido analisada, uma vez que, metabolizado rapidamente no organismo, apontaria uma contaminação recente.
O primeiro relatório de saúde dos moradores feito pela Prefeitura de Paulínia indica a presença de Aldrin em 20 (11%) das 181 pessoas analisadas. Os exames de sangue foram feitos no Ceatox (Centro de Análises Toxicológicas) da Unesp de Botucatu (SP).
A empresa fez exames em 159 pessoas, por meio do laboratório norte-americano ABC, de só três pesticidas organoclorados: Dieldrin, Endrin e Heptacloro. A prefeitura pagou a avaliação de 17 organoclorados. Do total de pessoas examinadas, só 30 foram avaliadas pela Shell e pela prefeitura.
Segundo a especialista em toxicologia do CIT-RS (Centro de Informação Toxicológica) Izabela Lucchese Gavioli, o Aldrin pode levar de 50 a 167 dias para ser metabolizado. Ela diz que a substância aponta a freqüente exposição ao contaminante. "A primeira medida a ser adotada quando se detecta intoxicação crônica por Aldrin é remover a pessoa da fonte de contaminação."
Segundo o toxicologista contratado pela prefeitura Igor Vassilieff, a literatura médica mostra que o Aldrin leva, no mínimo, 30 dias para se metabolizar. Após esse tempo, é depositado na gordura na forma de Dieldrin.
Os efeitos na saúde dos dois produtos são os mesmos, segundo a médica sanitarista da prefeitura Cláudia Regina Guerreiro.
"A diferença é que o Aldrin, até se metabolizar, fica na corrente sanguínea e indica que a pessoa contaminada ainda está exposta a essa substância", disse Cláudia.
Segundo o Serviço de Toxicologia de Minas Gerais, o Aldrin é uma substância tóxica muito persistente, e "a melhor forma de evitar a contaminação é retirar as pessoas da exposição."
O laudo da Secretaria Municipal da Saúde de Paulínia é contestado pela Shell Brasil. Para o médico toxicologista contratado pela empresa Flávio Zambrone, o teste laboratorial para Aldrin não foi feito porque a substância se metaboliza rapidamente no organismo, transformando-se em Dieldrin.
Segundo ele, o processo de transformação começa em um intervalo de duas a quatro horas após contato com o produto. "É impossível achar Aldrin e não encontrar Dieldrin. Se o Aldrin demora esse tempo todo [167 dias] no organismo, duas horas depois existirão os dois compostos."
Mas ele confirma que o equipamento usado para fazer os testes "consegue ler o Aldrin".
No Brasil, o uso de pesticidas organoclorados foi limitado pela portaria 329, de 2 de setembro de 85, permitindo sua utilização apenas no controle a formigas (Aldrin) e em campanhas de saúde pública (DDT e BHC).
O promotor de Justiça Jorge Alberto Mamede afirmou que a presença de Aldrin demonstra que houve contaminação dos moradores há pelo menos 120 dias.

MORADOR DE PAULÍNIA FARÁ NOVOS EXAMES
A Secretaria Municipal da Saúde de Paulínia vai pedir a realização de biopsia para os 20 moradores do bairro Recanto dos Pássaros que apresentaram o pesticida Aldrin no sangue, para quantificar o nível de Dieldrin acumulado no organismo deles. Segundo a médica sanitarista da Prefeitura de Paulínia Claudia Regina Guerreiro, o exame do tecido gorduroso também será pedido para outros moradores que apresentaram doenças como tumores e lipomas -tipo de tumor benigno, formado pela proliferação de células gordurosas.
Claudia não soube precisar quantos dos 181 moradores avaliados pela prefeitura deverão se submeter à biopsia. "Nós queríamos evitar submetê-los a um procedimento agressivo, porém, acho necessário para respaldá-los no processo judicial que cada um pretende abrir individualmente contra a Shell."
Segundo o toxicologista contratado pela prefeitura Igor Vassilieff, a literatura médica mostra que o Aldrin leva, no mínimo, 30 dias para se metabolizar. Após esse tempo, é depositado na gordura na forma de Dieldrin. 

SHELL COMEÇA A NEGOCIAR COMPRA DE CHÁCARAS EM ÁREAS CONTAMINADAS
A Shell se reúne com os moradores para dar início às negociações sobre a compra das chácaras que estão na área contaminada pela empresa.
Segundo documento entregue pela associação de moradores do bairro, há três meses, na Prefeitura de Paulínia, 47 proprietários querem vender suas chácaras. O bairro tem 66 lotes.
De acordo com o advogado dos moradores, Waldir Tolentino de Freitas, pelo menos 12 chácaras foram avaliadas por um consultor de imóveis.
O valor estimado das propriedades varia, segundo Tolentino, de R$ 100 mil a R$ 300 mil.
Para adquirir todas as chácaras, a Shell teria de desembolsar, em média, R$ 13,2 milhões. Esse montante seria resultado da multiplicação do número de chácaras pela média entre o valor mínimo e o valor máximo de cada propriedade.

SHELL FAZ PROPOSTA PARA TERRENOS
A Shell Química do Brasil vai apresentar o cronograma para a compra das chácaras do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, contaminado pela empresa por organoclorados nas décadas de 70 e 80.Os moradores querem agilidade no processo. Caso a proposta da empresa não os agrade, eles prometem entrar com uma ação cautelar exigindo que a Shell remova os moradores do bairro e custeie o tratamento das famílias contaminadas.

ENTIDADE CONTESTA LAUDO SOBRE CONTAMINAÇÃO EM PAULÍNIA
A diretoria da Associação Grupo de Analistas de Resíduos de Pesticidas (Garp) divulgou parecer técnico contestando o laudo da prefeitura de Paulínia sobre os moradores do bairro Recanto dos Pássaros, que teria sido contaminado por pesticidas fabricados pela Shell. O parecer foi emitido a pedido da Shell.
O laudo da prefeitura, assinado pela sanitarista Cláudia Guerreiro e pelo toxicologista Igor Vassilieff, indica que 86% dos 181 moradores examinados apresentam contaminação. Indica, ainda, que há casos de doenças graves, como tumores.
As conclusões do Garp são parecidas com as do toxicologista Flávio Zambrone, consultor da Shell. Os técnicos consideram o relatório não conclusivo.
Apontam equívocos na quantificação dos resíduos e questionam a detecção da substância aldrin na ausência de dieldrin, algo "particularmente duvidoso".
Zambrone explicou que, após a "polêmica" com a prefeitura, a Shell encaminhou o laudo a várias instituições. O Garp é formado por cem associados de empresas e instituições como o Instituto Adolfo Lutz, as Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp).
Vassilieff alegou que a contaminação foi detectada em exames e análises clínicas. "Achamos dieldrin nos moradores contaminados com aldrin, mas em valores baixos, que não quantificamos."

SECRETARIA ESTADUAL DA SAÚDE CONFIRMA CONTAMINAÇÃO CRÔNICA
A Secretaria de Estado da Saúde confirmou o relatório sobre a saúde dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros, elaborado pela Prefeitura de Paulínia (17 km de Campinas), que apontou a contaminação crônica de 88 das 181 pessoas avaliadas.
Segundo o diretor-substituto da Vigilância Sanitária estadual, Elizeu Diniz, uma análise técnica da Vigilância Epidemiológica, da Vigilância Sanitária e do Instituto Adolfo Lutz confirmou a necessidade de remoção urgente dos moradores do local.
Os moradores foram submetidos a exames de sangue, cuja análise foi feita no Ceatox (Centro de Análises Toxicológicas), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu (SP).
"A Shell é réu confessa da contaminação ambiental e tem de tirar aquela população da área contaminada", disse Diniz.
O diretor-substituto afirmou que o CVS (Centro de Vigilância Sanitária) do Estado está acompanhando o estado de saúde dos moradores do Recanto dos Pássaros. "Temos de fazer esse trabalho de prevenção", declarou.
O relatório do governo estadual foi enviado à Prefeitura de Paulínia no último dia 3 de setembro de 2001, por meio de um ofício assinado pelo secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes.
O resultado do relatório da Prefeitura de Paulínia, assinado pelos médicos Claudia Guerreiro e Igor Vassilieff, foi divulgado no dia 22 de agosto. No dia de sua divulgação, os médicos afirmaram que os moradores teriam de deixar a área em 30 dias.
A Shell informou, em nota oficial, que desconhece "as bases utilizadas para as conclusões apresentadas no documento da Secretaria de Estado da Saúde". A empresa voltou a dizer que os resultados dos exames de sangue de 159 moradores e ex-moradores daquele bairro, feitos nos laboratórios Fleury e ABC Laboratories, mostram que não foram encontradas as substâncias químicas denominadas drins.
A multinacional também disse novamente que o relatório de saúde realizado pela prefeitura é inconsistente tecnicamente.
A empresa informou ainda que estabeleceu um convênio com o hospital Israelita Albert Einstein para avaliar a saúde dos moradores. O exame é gratuito.

FUNCIONÁRIOS DA BASF PASSAM POR EXAMES MÉDICOS
A empresa de produtos químicos Basf S.A. anunciou que submeterá seus 205 funcionários a exames médicos para constatar se há entre eles casos de contaminação por resíduos químicos. A empresa ocupa o terreno que abrigava a Shell Química do Brasil, no Recanto dos Pássaros. 
A Basf anunciou, em nota, que optou por realizar os exames porque há desencontro de informações sobre as análises médicas às quais foram submetidos os moradores do bairro. Os exames promovidos pela Shell não constataram contaminação e os da prefeitura indicaram alto índice de contaminados entre os moradores das 66 chácaras que formam o Recanto dos Pássaros.

SHELL BRASIL INICIA NEGOCIAÇÕES PARA COMPRAR CHÁCARAS CONTAMINADAS
A Shell Brasil realizou reunião com os moradores do bairro Recanto dos Pássaros, para dar início às negociações sobre a compra dos terrenos que margeiam a antiga fábrica de pesticidas da empresa na cidade.
A multinacional informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está disposta a comprar todas as propriedades pelo valor de mercado.
De acordo com avaliações feitas em 12 das 66 chácaras do bairro, por um consultor contratado pela associação de moradores, o valor das propriedades varia de R$ 100 mil a R$ 300 mil.

 SHELL ESPERA HABITE-SE PARA COMPRAR CHÁCARAS
A venda das 66 propriedades localizadas no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. A Shell concordou em comprar as chácaras, mas a maioria dos moradores, que querem vendê-las, não tem o habite-se. Sem o documento, a empresa alegou que não pode concluir as negociações.

SHELL E BASF SÃO CONDENADAS POR CONTAMINAR TRABALHADORES NA PRODUÇÃO DE AGROTÓXICO EM PAULÍNIA
As empresas Shell e Basf terão de pagar planos de saúde vitalícios a trabalhadores expostos a riscos de contaminação na produção de agrotóxicos, conforme decisão da Justiça do Trabalho de Paulínia, interior de São Paulo, na região de Campinas, 11 de janeiro de 2009. O benefício se estende ainda a familiares dos empregados e prestadores de serviços que tiveram contato com a unidade de fabricação das empresas no bairro de Recanto dos Pássaros, no município. Em nota, a Shell disse que vai recorrer da decisão. Segundo a decisão, os planos de saúde não podem ter qualquer carência e devem ter abrangência nacional.

TST DISCUTE INDENIZAÇÃO BILIONÁRIA A TRABALHADORES CONTAMINADOS
Em 14 de Fevereiro de 2014, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizou audiência de conciliação entre representantes das empresas Basf e Shell e empregados. Eles discutiram a condenação por danos morais que chega a R$ 1 bilhão.
O processo judicial envolve centenas de trabalhadores que atuavam na indústria de pesticidas desde a década de 1970. A fábrica pertencia à Shell, que vendeu seus ativos à multinacional Cyanamid na década de 1990. Em seguida, o negócio passou para as mãos da Basf, que manteve a fábrica em funcionamento até 2002, quanto foi fechada pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

TST CONCLUI ACORDO MILIONÁRIO COM SHELL E BASF
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) concluiu, na manhã de segunda-feira,  8 de abril de 2013, o maior acordo da história da Justiça Trabalhista.
O acordo prevê que as empresas terão de desembolsar R$ 50 milhões para construir uma maternidade na cidade de Paulínia. Outros R$ 150 milhões serão doados pelas multinacionais para investimento no estudo das doenças sofridas pelos trabalhadores. O valor será dividido entre o Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) de Campinas e a Fundacentro, do Ministério do Trabalho.
Além dessas indenizações coletivas, há uma indenização individual por danos morais e  materiais, fixada em R$ 170 milhões. Esse valor representará um pagamento aproximado de R$ 180 mil por pessoa , valor a ser pago vai variar de acordo com critérios como tempo de trabalho.
Mais de mil ex-funcionários também terão direito a tratamento médico vitalício. Somadas as indenizações e os gastos com tratamento médico, o valor deve atingir cerca de R$ 500 milhões.
O valor vai ser pago pela Shell, que foi dona da fábrica até 2000, e pela Basf, que adquiriu a planta naquele ano e depois, em 2002, encerrou as atividades no local.
Fonte: Resumo das noticias publicadas na Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo no período 17 de fevereiro de 2001 a  8 de abril de 2013

Comentário: O Acordo não beneficiou as famílias,  pois a empresa alega que a contaminação não atingiu moradores.
Dez anos depois de o local ter sido interditado pela Justiça e 61 das 66 propriedades terem sido adquiridas pela Basf/Shell, as famílias ainda esperam por tratamento e reparação pelos danos causados à saúde.
A maioria das pessoas já recebeu dinheiro para comprar outra casa, mas ninguém conseguiu ser indenizado na Justiça nem receber tratamento de saúde. Cerca de 290 pessoas moravam no bairro ao redor da fábrica. O local está fechado e cercado, com circulação restrita aos funcionários que trabalham na recuperação da área.
Exames indicam que os moradores foram contaminados por elementos organoclorados e metais pesados. Segundo a Shell entende que "a ocorrência de contaminação ambiental não impactou a saúde de pessoas". Ela explicou que não é possível afirmar que as alegadas queixas de doenças das pessoas resultaram do fato de elas terem morado próximo às antigas instalações da companhia em Paulínia.
De acordo com as pessoas que viviam no Recanto dos Pássaros, a única assistência dada pela Shell foi em relação à moradia, mas os custeios de saúde foram providenciados, inicialmente, pela Prefeitura de Paulínia que, por volta de três anos depois, parou de pagar o tratamento e os remédios.  

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quinta-feira, dezembro 11, 2014

Lembrança: Explosão na Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

A  explosão de um reservatório de GLP da  Petrobrás, devido a vazamento, atingiu dois outros,  provocando um incêndio  na Refinaria Duque de Caxias,  com chamas de até 300 metros de altura. Ocorreu, por volta de uma hora da madrugada, quinta-feira, 30 de março de 1972, deixando em pânico os moradores das proximidades, que abandonaram suas residências, sobressaltados com o clarão das labaredas e o forte calor.
No momento em que começaram as explosões, com intervalos de cerca de uma hora, somente estavam trabalhando na refinaria  as equipes de turno e o pessoal de segurança. O operador de plantão recebeu um comunicado do centro de segurança, informando que havia um vazamento num dos reservatórios de gás.
Uma equipe foi deslocada para reparar o vazamento, isolando-o dos demais, pois ele ocupava com mais outros três uma área de cerca de 1 km2. As manobras de reparo não chegaram a ser concluídas, antes que fosse dado o alarme de incêndio e o fogo começasse a dominar os reservatórios, ocorrendo logo em seguida a primeira explosão.

PÂNICO
Chapas metálicas de três toneladas foram atiradas,  a  distância e alguns funcionários foram jogados ao chão, com o deslocamento de ar da primeira explosão, enquanto outros eram inteiramente envolvidos pelas chamas, ficando com as roupas queimadas e perdendo os sentidos.
No mesmo momento, nas localidades próximas a refinaria,  no município Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, milhares de pessoas que acordaram com a explosão deixavam suas casas, com apenas com a roupa do corpo, dirigindo-se para o centro do município e procurando afastar-se o mais possível da rodovia Washington Luis (Rio Petrópolis),  que passa junto àquele parque de refinação da Petrobrás.
Minutos depois da primeira explosão, os guardas da Policia Rodoviária interditaram a rodovia Washington Luis,  impedindo o acesso a Petrópolis e Duque de Caxias. Muitas pessoas, que àquela hora  estavam deixando o Rio,  para aproveitar os feriados da semana santa, abandonaram seus carros a beira da estrada, procurando um local onde ficassem a salvo das explosões, do fogo e do intenso calor desprendido pelas chamas.
O clarão da primeira explosão, a mais forte, que chegou a ser vista por moradores do Leblon e outros bairros distantes muitos quilômetros, fez com que os moradores da Ilha de Governador, próxima do terminal da refinaria, saíssem correndo para a rua  em pânico.
Na avenida Brasil, que dá acesso à rodovia Washington Luis, e nos subúrbios vizinhos, grandes número de pessoas saiu às ruas, pois acordaram com as portas e janelas de suas casas sacudidas pela explosão. 

CORPO DE BOMBEIROS
A guarnição do Corpo de Bombeiros de Campinho foi  a primeira a chegar à refinaria, alguns minutos  depois da primeira explosão, pedindo imediatamente reforços ao Quartel Central, pois não puderam combater o fogo, devido à impossibilidade de se aproximarem do local sem o  risco de serem atingidos por novas explosões.
A dificuldade maior consistia na temperatura elevada que impedia os bombeiros se aproximar dos focos de explosão. Os reforços chegaram logo depois, com cinco guarnições do Méier, duas de Ramos, sete do Quartel Central e todo o contingente da própria refinaria que se juntaram as cinco guarnições de Campinho.
Os bombeiros lançavam jatos de espuma contra as chamas e gritavam para as pessoas mais próximas se afastarem do fogo, recomendando que elas se jogassem ao chão caso notassem qualquer elevação súbita das labaredas.
A maioria das pessoas se afastava do local cega com o clarão do fogo e surdas com os estrondos das explosões, além de quase sufocadas com o intenso calor.

SOCORRO
Logo depois da primeira explosão, foram enviadas  ao local, ambulâncias e socorros de todos os ambulatórios do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social.), nas redondezas e dos hospitais Carlos Chagas e Getulio Vargas. As equipes de médicos e enfermeiros começaram logo a dar os primeiros socorros aos feridos. Cerca de 40 ambulâncias estavam estacionadas do lado de fora da refinaria.

EXPLOSÕES SEGUIDAS
Foto-Um pedaço da esfera caiu a 1 km da refinaria. Toda parte superior de um dos tanques (esfera) de GLP,  com diâmetro de 25 m, foi encontrada a quase 1 km do local da explosão, no bairro de Campos Elíseos, em Caxias. O pedaço caiu no centro de um terreno vazio, a 15 m de prédio de apartamentos e a menos de 100 m de um conjunto de tanques com material inflamável da própria refinaria. Funcionários da Petrobrás estiveram no local e verificaram ser impossível remover a peça por inteiro. Terá de ser cortada a maçarico para ser transportado por caminhão.

O trabalho dos bombeiros e das equipes médicas foi  interrompido pelas duas explosões seguintes, que ocorreram por volta de 1h 30 e 2h 30. O local ficou totalmente dominado pelo clarão do fogo e as explosões ensurdecedoras. Médicos, enfermeiros, bombeiros e populares correram para todos os lados, desorientadamente, procurando algum lugar para se proteger, enquanto as ambulâncias e os carros de bombeiros deixavam em disparada o interior da refinaria.
 A última explosão foi seguida de um violento tremor de terra,  que causou ainda mais sobressalto as pessoas que tentavam uma forma de prestar algum socorro aos feridos que, nesse momento, saiam da refinaria aos gritos. Muitos deles caiam ao chão, contorcendo-se de dores das queimaduras e em desespero.

ISOLAMENTO
Alguns minutos após a última explosão começaram a chegar à refinaria 150 soldados da 1ª Cia da Policia do Exercito, que se juntaram aos do VII Batalhão da Policia Militar. A área da refinaria foi imediatamente interditada, sendo afastados do local,  médicos, enfermeiros e bombeiros.
O isolamento foi determinado pelo comandante do I Exército, que esteve no local, acompanhado de outras autoridades civis e militares, por ser a refinaria área de segurança nacional.
O transito na rodovia Washington Luiz já estava totalmente interditado, sendo desviado para as ruas dos subúrbios da Leopoldina.

PARQUE DE ARMAZENAMENTO
O local do incêndio, parque de armazenamento, tinha 26 tanques de petróleo com capacidade total de 5.616 mil barris, 37 tanques de produtos intermediários capazes de guardar 1.292 mil barris, 37 reservatórios para 2.730 mil barris de produtos finais e com instalações suficientes para armazenamento de 7.803 toneladas de gás liquefeito, o parque era o maior da América do Sul.

VÍTIMAS
As vítimas são da Reduc e da Fabor (Fábrica de Borracha Sintética, Petroquisa).
■Em 02 de abril, a  Petrobras informou, informou oficialmente que os mortos eram 25. Feridos são 46, distribuidos em vários hospitais, mas a maioria, os mais graves estão internados na Casa de Saude Santa Teresinha. Essa relação ainda não computa as pessoas desparecidas, estando-se procedendo a um levantamento de todos os operários que estavam trabalhando na hora das explosões, o que pode elevar ainda mais a lista.
■Em 03 de abril, a Petrobrás informou que mais três feridos  morreram aumentando a lista de mortos para 28 e diminuindo o total de feridos para 43, número que tende a baixar porque muitos têm pouca chance de sobrevivência.
Na Casa de Saúde Santa Teresinha estão internados 23 pessoas, das quais 7 em estado grave, ou seja, com mais de 60% do corpo queimado e condições mínimas de sobrevivência.
Nos hospitais da Lagoa, do Andaraí e na Casa de Saúde Santo Antonio, em Caxias, mais 15 feridos têm poucas chances de viver.
Na Casa de Saúde Santa Teresinha, especializada em tratamento de queimados e que recebeu o maior número de feridos, 8 já morreram e apenas um recebeu alta.
Nota de informação da Petrobras de 11/04/1972
■O número de vítimas fatais elevou-se para 38
■Há ainda 35 trabalhadores hospitalizados sendo 2 deles em estado grave.

Obs: As informações sobre as vítimas fatais e feridos finais  diferem de jornais
■ 37 mortes e 53 feridos
■ 42 mortes e deixaram 40 feridos.

PROBLEMA NA RECUPERAÇÃO DOS FERIDOS
Apesar de não terem chegado a ficar com 60%  do corpo atingido, os feridos segundo os médicos estão em estado regular, encontram-se bastante traumatizados com o choque sofrido. Depois que as partes queimadas cicatrizarem, estes homens serão submetidos a banhos esterilizantes, a balneoterapia em tanques de Hubbard, a exercícios de realização e cirurgias plásticas, nas quais serão utilizados enxertos de pele do próprio doente e de outras pessoas.Além de 60 dias hospitalizados, os sobreviventes passarão por um tratamento de recuperação de cerca 120 dias, dependendo do caso. O problema é que este tratamento físico de reabilitação não vai ser suficiente para que eles voltem a ter uma vida normal. Será preciso um longo tratamento psicológico que os faça esquecer o desespero e o choque no momento da explosão.

TESTEMUNHA DO VAZAMENTO
Num leito do hospital, traumatizado com o acidente, Manoel Egidio Filho, auxiliar de segurança da turma contra incêndios, da refinaria Duque de Caxias, diz que estava na área de vazamento do gás quando ocorreram as explosões. Ele disse;
■ Não contava com a explosão. Havia vazamento de gás sim, mas normalmente a válvula vaza, só que desta vez vazou mais forte. Era normal vazar.
■ Eu estava na área quando houve a explosão. Alguns funcionários correram. Não me lembro de mais nada. Acho que fui levado para o posto médico.
■ Os vazamentos de gás são frequentes na refinaria e de hoje, era mais forte que as anteriores, embora não esperassem as explosões.
Manoel Egidio Filho disse que sua equipe entrou no plantão normal, a meia noite e ficou por lá de sobreaviso.
As declarações de Manoel Filho comprovam o vazamento de gás, que provocou as explosões, restando agora se definir se o vazamento que começou na tarde de quarta-feira, quando a equipe da Petrobras tentou controlar o defeito, sem êxito ou se vinha sendo notado há vários meses, sem que os técnicos da empresa soubessem como detê-lo, conforme as versões dadas para o acidente.

OUTRA VERSÃO NÃO OFICIAL
A explosão teve inicio quando um grupo de técnicos tentava descongelar a válvula que era a principal responsável pelo vazamento dos tanques de gás. Até os primeiros minutos da madrugada de quinta-feira, as equipes de emergência tentavam aumentar a umidade do ar em torno do reservatório para diminuir as possibilidades de acidente. 

NOTA DA PETROBRAS SOBRE O ACIDENTE
1-A Petrobras distribuiu a seguinte nota oficial: O incêndio ocorrido na Refinaria Duque de Caxias, iniciado às 24 horas de quinta-feira, 30 de março, foi circunscrito a área de armazenamento de gás liquefeito de petróleo, não atingindo as instalações industriais, o sistema de utilidades, área administrativa, nem o parque de armazenamento de petróleo bruto e de outros produtos. A refinaria está operando normalmente e a Petrobras se empenha em manter a normalidade no abastecimento de gás liquefeito. Houve mortos e os feridos estão hospitalizados, recebendo tratamento adequado.
2-Em 03 de abril, a Petrobras emite outra nota;
No final da jornada de 29/03, durante a operação de drenagem de uma das esferas de armazenamento de GLP, ocorreu, por congelamento, o emperramento de uma das válvulas, provocando vazamento de gás.
O gás difundiu-se no ar, onde, por causa ainda não definida, inflamou-se, levando o fogo para a base da esfera e, logo em seguida, para o seu topo, já nos primeiros minutos do dia 30/03/72. Na ocasião processava-se a passagem de turno de pessoal na refinaria, e, assim, o combate ao incêndio passou a ser realizado por duas brigadas da Reduc, pertencentes a turnos diferentes, auxiliadas, ainda, por um contingente da unidade vizinha, a Fabor, da Petrobras Química S.A, Petroquisa.
Aos 30 minutos de 30/03/72 teve inicio uma serie de explosões, a partir da esfera que se havia incendiado, estendendo-se a vários cilindros de armazenamento de gás existentes na proximidade.
O acidente foi circunscrito a área de armazenamento de GLP, não tendo sido afetados os demais tanques de produtos líquidos, ou as unidades de processamento. Estas últimas foram paralisadas na ocasião, por medida de precaução. Os edifícios administrativos vizinhos á área, sofreram apenas danos de pequena monta. As perdas materiais foram circunscritos praticamente as instalações de armazenamento de GLP.
As perdas são de grande vulto. Até a expedição dessa nota, 3 de abril, o número de mortos se eleva a 28.
Foi constituída, no Departamento Industrial da Companhia (Depin), uma Comissão de Inquérito destinada a esclarecer as causas, circunstâncias e consequências do acidente.
O abastecimento de GLP e dos demais derivados de petróleo não será afetado, uma vez que a própria Reduc  e as outras refinarias da Petrobras possuem condições de atender integralmente a demanda de consumo do País.

PREJUÍZO INICIAL
As 7.800 toneladas de gás destruídas pela explosão deram a Petrobras, num calculo inicial, o prejuízo de CR$ 4.797.000,00.
Obs: Atualização de R$4.797.000,00 de 30-Março-1972 e 30-Novembro-2014 pelo índice IGP-DI - Índice geral de preços (01-02-1944 a 30-11-2014) – R$ 16,5 milhões.
Os tanques de GLP só poderão  ser reconstruídos no prazo de um ano, tempo em que a Refinaria Duque de Caxias terá dar solução de emergência ao problema de armazenamento.
Cada uma das esferas de aço, (reservatórios)  destinadas ao armazenamento  do GLP custa três milhões de dólares e todas são importadas. Valor atualizado – 17 milhões de dólares
A Petrobras, segundo informações,  deverá calcular os novos investimentos a serem feitos para recuperar os danos materiais causados pela explosão, mas já foram tomadas providencias para assegurar normalidade no abastecimento de gás liquefeito.

SEGURO
 A Petrobrás tem seguro contra incêndio que cobre as do parque de tanques e as demais unidades da refinaria afetadas pelas explosões.
Fontes: Folha de São Paulo, 31 de março, 01 a 05 de abril de 1972, Jornal do Brasil, 01 a 12 de abril  de 1972, O Estado de São Paulo, 01 a 05 de abril de 1972.

Comentário
O acidente que ocorreu na Reduc  foi similar o que ocorreu na Refinaria de Feyzin, França em 1996, 15 a 18 mortos, 80 feridos. A válvula congelou-se e emperrou.  Houve ocorrência de Bleve, (Boiling Liquid Expanding Vapour Explosions).
Segundo Trevor Kletz, engenheiro químico, autor do livro What went wrong?
■ Havia apenas uma válvula de dreno. Se os operadores queriam, de fato, reduzir  a pressão pela drenagem da água,  esqueceram de que a pressão da câmara de vapores acima de um liquido é sempre a mesma, não importando a quantidade de liquido presente.
■ Deve instalar na linha de dreno uma válvula de bloqueio de emergência remotamente operada. A válvula de bloqueio de emergência deve ser instalada em tubulações e equipamentos, os quais por experiência são suscetíveis  a vazamentos.

Como ocorre o BLEVE ?
Um BLEVE ocorre quando há ruptura de um tanque sob pressão.
Mas que fenômeno físico ocorre?
Para compreender o fenômeno, devemos levar em consideração os seguintes fatores:
1.A pressão interior do reservatório
Quando o reservatório está aquecido, há um aumento de pressão no seu interior.
2.Quantidade de líquido
Quando o reservatório está aquecido, a substância em seu interior se transforma do estado líquido em estado gasoso. Há uma diminuição da quantidade de líquido no reservatório, aumentando bruscamente a temperatura bem acima do ponto de ebulição.
3.Superfície exposta
O líquido no interior do tanque pode absorver uma parte do calor das paredes do reservatório e diminui a velocidade de seu enfraquecimento. Porém a quantidade de líquido diminui e a superfície do reservatório, exposta e sem defesa, aumenta a sua temperatura.
4.Resistência material do reservatório
A superfície  do reservatório superaquece gradativamente, a resistência do reservatório diminui cada vez mais. A 400o C  o aço perde 30% de sua resistência . A 700o C o aço perde 90% de sua resistência. Em geral a superfície do reservatório superaquece e perde suas propriedades mecânicas, levando à ruptura. Quando a pressão interior aumenta além do que pode suportar o tanque, ele se rompe e o BLEVE ocorre. É  preciso igualmente compreender quanto menor o tanque, mais rapidamente ocorrerá o BLEVE, devido à facilidade de aquecimento, a pressão aumentará no seu interior e as paredes do tanque enfraquecerão.

O BLEVE pode ocorrer em pequenos reservatórios:
           
Dimensões do reservatório
Tempo de resistência do reservatório antes que ocorra o BLEVE
400 litros
3 – 4 minutos
4000 litros
5 – 7 minutos
40.000 litros
8 – 12 minutos

1.Bola de fogo
Se o conteúdo do tanque é inflamável, há nesse caso uma ignição da substância e o resultado será uma bola de fogo. Dos ensaios experimentais efetuados com reservatório contendo propano foram produzidas bolas de fogo com as seguintes características:

Dimensões do reservatório
Raio da bola de fogo
400 litros
18 metros
4000 litros
38 metros
40.000 litros
81 metros
Fonte : Université Queen’s, Kingston – Ontário – Canadá –  A.M. Birk

É igualmente  possível que uma substância não se inflame, após o BLEVE e se disperse sob a forma de nuvem na direção do vento. Ela pode se inflamar, subitamente, a qualquer momento, com conseqüências catastróficas. Se o conteúdo do reservatório não é inflamável (por exemplo, um cilindro de oxigênio líquido) não haverá bola de fogo.

2.Radiação térmica
Se uma bola de fogo for gerada durante o BLEVE, uma importante radiação térmica será produzida. Os intervenientes devem respeitar as distancias mínimas em relação ao reservatório a fim de evitar a radiação. Esta distancia é estabelecida quatro vezes o raio da bola.

Dimensões do reservatório
Raio da bola de fogo
400 litros
Mais ou menos 90 metros
4000 litros
150 metros
40.000 litros
320  metros

3.         Onda de choque
O BLEVE sendo uma explosão é acompanhada de uma detonação e  deslocamento de ar. A única maneira de não ser afetado pela onda de choque é manter se afastado mais longe possível do local da explosão. Respeitando as normas mínimas de aproximação, os intervenientes permanecem fora de alcance dos efeitos da detonação.

4.         Projeção  de fragmentos
Uma das conseqüências mais perigosas do BLEVE é a projeção ou lançamento de fragmentos ou estilhaços. A única constatação que os testes podem estabelecer em face de projeção de fragmentos é que estes são impulsionados principalmente para o lado das extremidades do reservatório. Esta projeção é tão imprevisível  e poucas vezes atingem grandes proporções. Mas nesses ensaios, os fragmentos podem atingir a cerca de 230 metros  do local do BLEVE. Um acidente que ocorreu no Texas – USA, os fragmentos foram encontrados a mais de 1 quilômetro.  É necessário lembrar, mesmo que os intervenientes respeitem as distancias mínimas de aproximação, os fragmentos podem atingí los. A melhor solução é  portanto proceder à evacuação para uma zona estabelecida como segura a 22 vezes o raio da bola de fogo.

Dimensões do reservatório
Raio de evacuação
400 litros
400  metros
4000 litros
800 metros
40.000 litros
1800 metros

Em resumo, as conseqüências de um BLEVE são devastadores. A melhor solução de se proteger dos seus efeitos é afastar, quanto mais longe possível.

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Como ocorre o BLEVE

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