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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

sexta-feira, setembro 19, 2014

Brasil constrói torre de observação gigante que vai monitorar Amazônia

Maior do que Torre Eiffel,  a torre Atto começa a ser erguida no meio da floresta com equipamentos  que permitem  analisar mudanças climáticas

COMEÇOU A MONTAGEM
Começou a ser erguida, no coração da selva amazônica, uma torre de 330 metros de altura que vai monitorar de forma contínua, por pelo menos 20 anos, as complexas interações entre a atmosfera e a floresta. Repleto de instrumentos científicos de alta tecnologia, o observatório - que será o maior e mais completo do gênero no mundo - medirá com precisão sem precedentes os fluxos amazônicos de calor, água e gás carbônico, além de analisar minuciosamente os padrões de ventos, umidade, absorção de carbono, formação de nuvens e parâmetros meteorológicos.
Com o estudo das trocas de massa e energia que ocorrem entre o solo, a copa das árvores e o ar acima delas, a Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) deverá gerar conhecimento inédito sobre o papel do ecossistema amazônico no contexto das mudanças climáticas globais.

ESCOLHA DO LOCAL E DESAFIOS
A logística para a construção da estrutura e os esforços empreendidos para viabilizar o projeto foram dignos de uma epopeia. Em 2007, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Max Planck de Química, da Alemanha, formalizaram a parceria para construir o observatório - um sonho de décadas.

Foi preciso realizar extensos estudos para escolher o local, pois, destinada a monitorar o sensível ambiente amazônico, a torre precisaria ser construída longe de qualquer aglomeração humana. Ela deveria também se situar em uma área de terra firme da floresta, o que permitiria extrapolar para todo o bioma os dados obtidos.

Ao longo de sete anos, cientistas, técnicos e operários percorreram incansavelmente o trajeto que vai de Manaus até o local escolhido para a torre: depois de 170 quilômetros de estrada até o Rio Uatumã, na região da Barragem de Balbina, é preciso rodar mais 40 km em estradas de terra, em carros com tração nas quatro rodas. A partir daí, segue-se um trecho de 65 km em lanchas até uma trilha de 13 km mata adentro. “Tínhamos de percorrer essa trilha em quadriciclos, usando um trator para os equipamentos mais pesados. Era um caminho acidentado e difícil”, contou um dos coordenadores do projeto Atto, Antonio Manzi, do Inpa.

Em péssimas condições, a antiga trilha precisava ser restaurada para viabilizar o início da construção da torre. Mas, depois de longos processos para a liberação dos recursos do projeto - custeado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo governo alemão - a concorrência pública para restauração da trilha atrasou tanto que se tornou inviável. “Enquanto isso, seguimos fazendo medições e construindo torres menores, auxiliares, para não deixar o projeto morrer. Finalmente, a trilha estava tão degradada que o orçamento para restauração, de R$ 1,1 milhão, seria triplicado. Tornou-se mais barato construir um novo terminal, de R$ 2 milhões. Mas aí foi preciso iniciar um longo processo de licenciamento ambiental”, disse Manzi.

CUSTO TOTAL DO PROJETO
O custo total do projeto foi de cerca de R$ 20 milhões, incluindo os R$ 7,5 milhões da construção da torre, além de equipamentos e obras.

COMPLEXIDADE NA LOGÍSTICA DOS EQUIPAMENTOS
Além de duas torres de monitoramento de 80 metros, construídas a cerca de um quilômetro do local da Atto, foram construídos alojamentos para 25 pessoas e uma pequena instalação laboratorial no local. Só em 2014 as fundações da torre Atto foram iniciadas: a estrutura será ancorada por cabos de aço em blocos que somam 170 metros cúbicos de concreto, com 400 toneladas. Na primeira semana deste mês, a torre começou a ser erguida. Mas, antes disso, foi preciso transportar por mais de 4 mil km a estrutura do gigante metálico.
“O projeto da torre foi feito pela empresa paranaense San Engenharia. Todas as partes de aço da torre, incluindo os cabos de sustentação e parafusos, foram levados para o local da construção por seis carretas, a partir de Curitiba”, disse Manzi.
Passando por cinco Estados, as carretas percorreram cerca de 3,1 mil km até Porto Velho. Dali seguiram por mais 200 km até o cruzamento com a Rodovia Transamazônica, em Humaitá, no Amazonas, onde foram embarcadas em uma balsa no Rio Madeira. Foram quase 1 mil km de balsa, passando pelos Rios Amazonas e Uatumã, até que as carretas pudessem desembarcar e pegar a estrada exclusiva do projeto.

IMPORTÂNCIA CIENTÍFICA DA TORRE
Os pesquisadores não têm a menor dúvida de que a saga amazônica da torre Atto valerá a pena. Para eles, a importância científica da torre é tão alta quanto ela. A floresta amazônica é um dos ecossistemas mais sensíveis do mundo e sua influência na estabilização climática afeta todo o planeta. Para entender o que acontecerá com o clima mundial no futuro, é preciso conhecer a fundo os processos físicos, químicos, biológicos e geológicos do bioma.
“Eu não gosto quando as pessoas falam da torre Atto atendo-se apenas à comparação do seu tamanho com a Torre Eiffel. O foco não é esse. A torre nos ajudará a responder inúmeras incertezas em relação às mudanças climáticas globais”, disse o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), outro dos coordenadores da torre Atto, que integra o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). “Vamos diminuir as incertezas e contribuir para aprimorar a representação da Amazônia e outras áreas tropicais úmidas nos modelos climáticos”, afirmou.

ALTURA DA TORRE
A grande altura da torre, no entanto, traz vantagens científicas decisivas. O alcance na camada limite da atmosfera permite a obtenção de um sinal muito estável diante das turbulências e variações nas massas de ar sobre a floresta. “O programa LBA opera cerca de dez tores de fluxos de carbono na Amazônia. Elas têm entre 54 e 85 metros. A torre Atto é muito mais sensível e integrará uma área muito mais extensa de floresta”, disse Artaxo.

Segundo ele, serão monitorados com precisão inédita os gases de efeito estufa liberados pela floresta e analisados a radiação solar, o ciclo hidrológico, as partículas de aerossóis e seus efeitos sobre a vegetação e sobre os ciclos de nutrientes na floresta. Ela permitirá entender os processos de convecção, ligados à formação de nuvens na região. “Tudo isso é fundamental para entendermos se nas próximas décadas a Amazônia continuará a absorver carbono da atmosfera como faz agora - o que afeta todo o mundo.” Fonte: Estadão-13 Setembro 2014

OPERAÇÃO DO OBSERVATÓRIO SOBRE A FLORESTA
A torre Atto, de 330 m, vai ajudar a compreender mudanças  ambientais no ecossistema amazônico e seus impactos nas mudanças climáticas globais.
Os técnicos serão treinados para operar a instrumentação cientifica e usarão equipamentos de alpinismo para segurança.

Elevadores: Seis elevadores, um em cada plataforma serão mecânicos, para evitar panes elétricas.

Base: Parte dos dados é enviada em tempo real aos laboratórios do Inpa.
Os dados mais robustos são armazenados em computadores locais e coletados semanalmente.

Plataforma: A cada 54 m haverá uma plataforma de trabalho, com instrumentos para estudar química da atmosfera.

Na altura de 137 m
Equipamentos – mais de 30 instrumentos científicos diferentes vão monitorar continuamente as trocas de massas e energia entre floresta e atmosfera.

Anemômetro
Mede a velocidade e a direção do vento em três dimensões: velocidade, direção e temperatura.

Fotômetro
A partir da irradiação solar, calcula a propriedades dos aerossóis e mede a concentração de vapor d´água na atmosfera.

Higrômetros
Mede a umidade presente nos gases atmosféricos

Neflômetro
Mede concentração de particulados suspensos em um líquido, para medir a turbidez da água.

Na altura de 200m
Equipamentos – mais de 30 instrumentos científicos diferentes vão monitorar continuamente as trocas de massas e energia entre floresta e atmosfera
Piranômetros – mede a densidade de fluxos de radiação solar com um campo de 180%
Radiômetros – Medem níveis de radiação
Monitor Cônico de oscilação – calcula massa de aerossóis com alta resolução temporal
Gerador de ponto de orvalho LI-160 – Mede traços de umidade em gases e líquidos não aquosos

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quinta-feira, setembro 18, 2014

Uso de Vestimentas de Alta Visibilidade

Em que condições se faz necessário o uso de Vestimentas de Alta Visibilidade?
• Tráfego intenso de veículos;
• Tráfego de veículos em alta velocidade;
• Condições climáticas adversas (ex: chuva, neblina, fumaça, etc.);
• Ambientes com baixa luminosidade ou alta concentração de poeira ou fumaça, como minas de extração de recursos naturais, túneis, construções, etc.;
• Outras atividades que exponham o trabalhador a condições de risco devido a falta de visibilidade.

A 3M elaborou um guia de dúvidas mais frequentes sobre a NBR 15292. Muito bom e elucidativo.
Guia de esclarecimentos. Faça download

Artigo publicado
Vestimentas de alta visibilidade garantem a segurança do trabalhador
http://zonaderisco.blogspot.com.br/2013/09/vestimentas-de-alta-visibilidade.html


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terça-feira, setembro 16, 2014

Falha em medicação não é raridade

Stephanie, 12, de São Paulo, morreu após receber vaselina em vez de soro na veia. O mesmo fim teve Helena, 3, de Andira (SP), após tomar uma injeção de ampicilina sódica diluída em cloreto de potássio em vez de água destilada. Verônica, 31, do Rio, foi operada no lado esquerdo do cérebro, quando a cirurgia deveria ser no lado direito. Também morreu.

ERROS SÃO MAIS COMUNS DO QUE IMAGINAM
Chocantes, casos de erros dentro do ambiente hospitalar, seja ele público ou privado, são mais comuns do que se pensa. Só nos EUA, 98 mil mortes ocorrem todos os anos por erros evitáveis cometidos por médicos ou pela área da enfermagem. No mundo, estimativas da OMS dão conta de que as mortes anuais cheguem a 5 milhões.
Embora não haja estatísticas semelhantes no Brasil, supõe-se uma realidade parecida. Pesquisa feita em 2007 em um hospital público na zona sul de São Paulo notificou 440 erros no período de um ano.
Falhas de medicação responderam por quase um quinto dos casos. Entre eles, troca de remédio do paciente, medicação certa em paciente errado e erros de dose.

ERRO: EFEITO DOMINÓ
Para os pesquisadores, muitas são as condições que favorecem os erros no âmbito hospitalar. Há uma interdependência entre os profissionais e cada um acredita que o outro fez sua parte.
O farmacêutico acredita que o médico prescreveu o remédio certo; quem o prepara acredita que o farmacêutico já fez a triagem; a área de enfermagem, que administra a droga, não faz a dupla checagem, pois crê que quem preparou confirmou todos os itens (medicamento correto, dose, hora e paciente). Até que o erro é detectado. A partir daí, surge uma grande pressão para se descobrir o culpado.
Quem é o culpado? Certamente não é um único indivíduo. A falha é de todo um processo. A boa notícia é que já existem várias ferramentas que, se não coíbem por completo, minimizam muito a chance de erro.
Atualmente, alguns hospitais brasileiros, seguindo tendência mundial, têm procurado empresas certificadoras para a avaliação de suas rotinas e seguido modelos em busca de mais segurança.
Para evitar erros de medicação, por exemplo, são usadas várias estratégias. Desde trancar as drogas mais envolvidas em erros em um cofre -só pessoas autorizadas têm a senha- até personalizar o remédio desde a farmácia do hospital, com o nome do paciente, posologia e horários.
No leito, a enfermagem checa todos os dados. Os pacientes usam pulseiras com um código de barras onde as informações são rechecadas.
Evitar a operação de membros errados é outra preocupação. As recomendações internacionais são para que os pacientes já cheguem ao centro cirúrgico com o local da cirurgia demarcado.
O médico checa, o enfermeiro pergunta e o paciente-antes de ser anestesiado-confirma o membro a ser operado. Parece exagero, mas não é. Nos EUA, do total de eventos que acabam em morte ou lesões sérias nos hospitais, 13,1% são cirurgias em local errado.

PROCEDIMENTOS
No Brasil, não existem normas claras que obriguem os hospitais a notificar as falhas ou a investirem na segurança do paciente. Impera a cultura de ocultar problemas para evitar punições.
Outro erro, na avaliação do médico Allen Kachalia, professor-assistente de medicina da Harvard Medical School; “Começar a falar dos nossos erros faz com que outras pessoas aprendam com eles e deixem de cometê-los".
Para impedir que mais Stephanies, Helenas e Verônicas morram por erros evitáveis, seria salutar que mais pessoas o escutassem. Fonte: Folha de São Paulo - 12 de dezembro de 2010 

Artigo publicado
Menina morreu em hospital após receber medicação errada na veia
http://zonaderisco.blogspot.com.br/2010/12/menina-morreu-em-hospital-apos-receber.html

Comentário:
É muito comum em hospital, principalmente no pronto-socorro,  o erro por falha de checagem  do paciente e da medicação prescrito pelo médico. Presenciei num pronto-socorro de um renomado hospital em São Paulo, o enfermeiro entrou no box de um paciente, eu estava ao lado em outro box,  para aplicar uma injeção.  O acompanhante do paciente perguntou; Por que iria aplicar a injeção se o médico não mencionou? O enfermeiro percebeu o erro. Ele tinha entrado no box errado.

No mesmo pronto-socorro, meu pai estava com ferida na pele (lesão da pele, úlcera de pressão) a enfermeira pegou na farmácia uma pomada para aplicar, era americana, enquanto ela começou a passar na lesão, li na bula que estava sem tradução, que alertava que não poderia passar em ferida. Avisei a enfermeira. A pomada era para evitar a lesão. Como o hospital liberou o uso de um medicamento estrangeiro sem que a bula fosse traduzida?
Como disse o médico Allen Kachalia; “Começar a falar dos nossos erros faz com que outras pessoas aprendam com eles e deixem de cometê-los".
Também o especialista de segurança em processo industrial,  Trevor A. Kletz, escreveu no livro What Went Wrong?, da importância da discussão dos detalhes dos acidentes ocorridos  e os ensinamentos que deles poderiam ser tomados com intuito de transmitir as equipes de projeto e de operação. Mostrar o que houve de errado no passado e sugerir como acidentes similares podem ser prevenidos no futuro.

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sábado, setembro 13, 2014

Ferramentas manuais: segurança e a eficiência comandam o design

Em algum momento pré-histórico, o antepassado do homem civilizado feriu-se com uma pedra em que a natureza esculpiu uma aresta mais viva.
Estimulado pelo dolorido acaso, seu cérebro primitivo comparou as dificuldades que tinha para cortar alimentos e abrigos e a facilidade com que a pedra feria. O resultado da comparação foi à primeira ferramenta que pôs o homem na trilha da moderna civilização. Manejada com a maior cautela possível, para evitar autoferimentos.
Nesta hipótese sobre a origem da primeira ferramenta, estão presentes algumas leis que governam a existência humana: a lei do menor esforço, que implica eficiência crescente, e a lei da autopreservação, que procura essa eficiência com a maior segurança possível.
Eficiência e segurança, da pré-história até hoje, são as balizas do desenvolvimento das ferramentas.

NOVAS ABORDAGENS
Os conceitos que inspiram a fabricação das modernas ferramentas manuais definem uma dupla abordagem: a ferramenta deve estar adequada ao trabalho, tanto quanto ao trabalhador. Ficam contra-indicadas, portanto, aquelas que demandam muito esforço muscular, por muito tempo, ou requerem posições incômodas.
Nesta linha de idéias, os estudos ergonométricos provam que qualquer empunhadura desviada mais de 30 graus em relação ao trabalho da ferramenta acarreta perda de eficiência, porque parte da força não é transferida para a ferramenta.
Os cabos das ferramentas também evoluíram, e se reconhece hoje que a madeira envernizada oferece uma “pegada mais firme”.
O trabalho que será executado também precisa ser considerado na escolha do cabo da ferramenta. Alguns cabos de borracha, por exemplo, podem tornar-se viscosos, e outros, com bom material condutor, além dos riscos decorrentes de contato com material energizado, podem conduzir o frio para a mão do trabalhador, o que aumenta o risco de lesões acumulativas.

A MESMA EVOLUÇÃO RECOMENDA:
A carga estática, ou seja, o trabalho de apenas sustentar a ferramenta ou manter uma postura, não pode superar 10% da força máxima do trabalhador. Como as ferramentas são produzidas em série, portanto a seleção e o treinamento do trabalhador são importantes condições para a operação adequada da ferramenta.
A especialização das ferramentas, seu design e seu material são definidos modernamente pelo tipo do trabalho a ser executado pelo operador e pelo produto/serviço que deve ser feito. Indústrias, processos e produtos que precisam evitar, por exemplo, contaminação de ambientes estéreis, devem recorrer a ferramentas de aço inoxidável.

SEGURANÇA: CAUSAS E PREVENÇÃO
As ferramentas estão entre os fatores mais freqüentes dos acidentes no trabalho. Análises, estudos e levantamentos estatísticos realizados por instituições altamente respeitadas no setor mostram que as principais causas dos acidentes com ferramentas estão relacionadas às falhas humanas, e as mais graves e freqüentes são:
■Usar as ferramentas sem autorização.
■Trabalhar a ferramenta em velocidade insegura, proibida pela natureza do trabalho, pelas condições do trabalho ou em desacordo com as especificações do fabricante.
■Consertar ou fazer a manutenção de ferramentas energizadas.
■Usar ferramentas inadequadas ao trabalho.
■Ignorar os dispositivos de segurança.
■Assumir posturas impróprias.
■Ignorar os equipamentos de proteção individual disponíveis.
■Desconsiderar as condições do ambiente em que se realiza o trabalho.

TREINAMENTO, PREVENÇÃO E REDUÇÃO DE ACIDENTES
Além de treinamento constante, campanhas permanentes de prevenção e redução de acidentes exigem informação clara e objetiva. O trabalhador precisa saber, por exemplo, que é importante:
■Organizar as ferramentas, porque isto permite identificar a falta de ferramentas abandonadas em locais onde podem provocar acidentes.
■Revisar o estado das ferramentas antes de iniciar o trabalho, escolhendo as que estiverem em condições de uso, enviando as defeituosas para a manutenção. Neste momento, é importante verificar a justeza dos cabos e encaixes.
■Transportar as ferramentas em caixas apropriadas.
■Evitar transportar no bolso ferramentas afiadas ou com pontas.
■Usar todos os equipamentos de proteção individual.
■Proteger-se contra eventualidades que podem ser consideradas raras, mas que têm conseqüências sérias. Proteger-se, neste caso, significa não usar ferramentas para testar circuitos elétricos, evitar o uso de anéis e pulseiras que podem provocar amputações e evitar cabelos muito compridos, por exemplo.
■Não brincar em serviço.
■Afiar regularmente as ferramentas de corte e movimentá-las sempre na direção oposta à do corpo.
■Tomar cuidado com as chaves de fenda, que são uma das ferramentas que mais causam acidentes. Na maioria das vezes, porque sua afiação foi inadequada e feita com rebolos de esmeril, em vez de limas.

FERRAMENTAS ELÉTRICAS
As ferramentas elétricas ainda exigem cuidados adicionais. Com elas é preciso proteger-se contra choques ou eletrocussão, através de isolação dupla, interruptores e tomadas de três pinos. É importante, também, não operá-las em pisos alagados e úmidos. As ferramentas elétricas danificadas devem ser claramente identificadas com o aviso “Não Usar”.

DESIGN BÁSICO
O uso das ferramentas no ritmo da produção industrial mostrou a importância da dupla perspectiva do trabalho e do trabalhador no design das ferramentas.
Quando essa dupla perspectiva é ignorada, são prejudicadas a saúde do trabalhador,  do produto, ou seja, sua qualidade. Para garantir uma e outra, o design tem procurado:
■Limitar o peso da ferramenta a 1 kg.
■Alinhar o centro de gravidade da ferramenta ao centro da mão.
■Substituir ferramentas manuais por manuais-elétricas.
■Desenhar a empunhadura como se a ferramenta sempre fosse elétrica.
■Desenhar a empunhadura de forma que o ângulo com a ferramenta favoreça a transferência da força.
■A empunhadura deve ter seção cilíndrica ou oval de 30 a 45 mm de diâmetro.
■Para trabalhos de maior precisão, o diâmetro recomendado é de 5 a 12 mm.
■Os gatilhos devem ter no mínimo 50 mm para permitir o uso de mais dedos e evitar o superuso do indicador.
■Usar materiais antideslizantes na empunhadura.
■Considerar, sobretudo, que a fase do design é o único momento em que se pode reduzir a vibração da ferramenta.

ERGONOMIA E DESIGN
Uma indústria que pretenda oferecer ferramentas eficientes, adequadas tanto aos ambientes em que o trabalho será realizado, quanto às exigências de segurança e saúde do trabalhador, precisa apoiar-se nos critérios oferecidos pela ergonomia e pelo design combinados. Fonte: NEI-Soluções Industriais - Dez/2005

Comentário: Causas típicas de acidentes com  ferramentas manual e elétrica 
• usando a ferramenta errada para o trabalho
• queda de ferramenta acima da cabeça
• ferramenta afiada colocado no bolso
• uso de prolongador em cabo de ferramenta
• vibração excessiva
• uso de ferramenta com cabeça deformada (formão, cinzel, etc)
• falta de apoio ou bancada 
• transporte de ferramenta em mão em escada 
• uso de cabo elétrico ou conector danificados 
• falta de  uso do interruptor de circuito por falha de aterramento, especialmente ao ar livre.
Fonte: Infrastructure Health & Safety Association (IHSA)- Canada

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quarta-feira, setembro 10, 2014

Lembrança:Incêndio no Mercado Novo em Belo Horizonte

Em 03 de maio de 2004, por volta das 10 h,  um incêndio   começou  no Mercado Novo, na região Central de Belo Horizonte,  entre a rua Rio Grande do Sul e a avenida Olegário Maciel, em um depósito de uma loja de embalagens e se alastrou por áreas que armazenavam material altamente inflamável, tais como; copos de plástico e isopor.

LOJISTAS TENTARAM COMBATER O INCÊNDIO
Os comerciantes viram a fumaça saindo do depósito e tentaram arrombar o cadeado da loja, para conter o fogo. Não conseguiram, porque o calor e a fumaça já eram intensos. “Já saímos com extintores nas mãos, mas não conseguimos nos aproximar.
As chamas já estavam altas e tudo estava preto”, conta Leonel do Carmo, de 23 anos, vendedor de objetos plásticos descartáveis, vizinho do depósito onde o incêndio começou. 

PROPAGAÇÃO DO FOGO
A chamas se espalharam rapidamente devido a grande quantidade de material combustível presente no local, artigos para festas, isopor, guardanapos, etc. “Tivemos que mobilizar quatro carros de combate e outros dez de suporte. As mercadorias queimavam com facilidade e formavam uma grande quantidade de fumaça preta, o que dificultou o trabalho”, disse o tenente-coronel Aurélio Sávio.

CORPO DE BOMBEIROS
Cerca de 100 bombeiros e um total de 12 viaturas, dentre elas autobombas, autotanque e viaturas de Resgate estiveram no local. Além das viaturas, houve auxílio de um caminhão da Cemig equipado com uma grua, normalmente usado para alcançar pontos elevados da rede elétrica. Segundo os bombeiros, não foi preciso usar veículo equipado com escada magirus. Às 13 h, o fogo já havia sido controlado pelos bombeiros. O rescaldo durou até o final da tarde.

MERCADO NOVO
Pelo prédio, circulam  mais de 10 mil pessoas por dia. Possui 1.200 lojas, sendo que cerca de 400 estão em atividade . No térreo, estão instalados, principalmente, bares e lojas de laticínios e hortifrutigranjeiros. Nos outros três andares, além do estacionamento que funciona no segundo piso, grande parte das lojas comercializa embalagens descartáveis, artigos para festas, isopor, guardanapos, vasilhame de alumínio para marmitex.

PROBLEMAS ENCONTRADOS NO MERCADO NOVO
Irregularidades;
■Os próprios lojistas admitem que o sistema de prevenção de incêndio é precário e o prédio apresenta muitas irregularidades. Há 40 anos trabalhando no Mercado Novo, um funcionário que pede o anonimato confirma que existem ligações elétricas clandestinas no local, “gambiarras”. “Gambiarra na parte elétrica é o que mais tem dentro do mercado. Tem madeira espalhada para todo lado e as mangueiras estão todas furadas”, revela.
■Armazenamento precário de mercadorias com alto poder de combustão

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO – IRREGULARIDADES
O prédio, não conta com projeto de combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros, de acordo com o tenente-coronel Aurélio Sávio. “Desde 2002, o condomínio está em processo de aprovação. Eles mostram o projeto, a gente corrige as falhas e eles precisam se adequar às normas”, explica o oficial.

O CORPO DE BOMBEIROS VISTORIOU POR DUAS VEZES EM 2003, O MERCADO NOVO, E CONSTATOU IRREGULARIDADES NO SISTEMA DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS TAIS COMO;
■Na primeira fiscalização, em fevereiro de 2003, foram encontrados problemas como ausência de mangueiras em hidrantes internos e falta de pressão nos extintores de incêndio do estabelecimento. "Em razão dessas irregularidades foi emitida uma notificação para o condomínio e, em contrapartida, os condôminos se comprometeram a realizar um outro projeto anti incêndio", disse o chefe-adjunto de Comunicação Organizacional dos Bombeiros, capitão Anderson de Almeida.
■ A segunda visita dos bombeiros no Mercado Novo, ocorreu em novembro para conferir a adequação do novo projeto com as necessidades do local. "Foram encontradas novas irregularidades, principalmente quanto à execução do projeto de prevenção, e uma outra notificação foi gerada", explicou Almeida. Segundo ele, em razão da reincidência dos problemas, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre os lojistas, o Ministério Público, a Prefeitura de Belo Horizonte e o Corpo de Bombeiros, determinando prazos para a apresentação e execução de um novo sistema contra incêndio no estabelecimento. O TAC, de acordo com o capitão, previa a entrega do projeto para fevereiro de 2004 e a conclusão das obras em novembro de 2004. 

DANOS MATERIAIS
Cerca de 30 lojas foram destruídas

VÍTIMAS
Não houve

CAUSA PROVÁVEL
Curto circuito

TESTEMUNHAS: LOJISTAS ASSISTEM À QUEIMA DO PATRIMÔNIO
Os proprietários de lojas no Mercado Novo assistiram ao incêndio temendo os prejuízos, pois não tinham seguros.
Com a liberação dos peritos do Instituto de Criminalística, Alessandro José Teófilo pôde contabilizar os prejuízos em sua gráfica de convites. Sujo de fuligem, ele saiu do Mercado Novo com uma caixa com pequenas peças e a tristeza de ver 70% do seu trabalho de vários anos virar pó em quatro horas. Ainda com encomendas de serviços para entregar, Teófilo calculou em cerca de R$ 40 mil o prejuízo do incêndio na manhã passada. "Tinha bastante serviço, mas não tenho seguro da gráfica", lamentou. Do fogo que atingiu a sua loja, apenas o maquinário se salvou.
Sérgio Todoroski, 40, que há duas semanas montou um bar no mercado, disse que ainda não tinha feito seguro das mercadorias. O bar dele fica no térreo, debaixo de onde se formou a labareda. "Ainda nem paguei as coisas que comprei para montar o bar. Estou abalado e sem saber o que fazer", disse.

SEGURO
O prédio tem seguro

VISTORIA TÉCNICA PARA LIBERAÇÃO DO PRÉDIO  - CORPO DE BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros concluiu, na quinta-feira, 6 de maio de 2004, os trabalhos de vistoria no Mercado Novo. De acordo com  o capitão Alexandre Gomes Rodrigues, o primeiro condomínio, onde estão localizadas as lojas do térreo, atende às condições de segurança exigidas no caso de incêndio.
Mas a situação no segundo condomínio, que abriga o primeiro, segundo e terceiro andares, "é totalmente irregular". "Encaminhamos um parecer à prefeitura de BH para fazer a interdição das áreas", disse.

PERÍCIA TÉCNICA
O laudo final dos peritos da Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, deverá ficar pronto em 30 dias, mas os peritos já identificaram que o fogo começou na segunda loja do corredor do primeiro andar voltado para a rua Rio Grande do Sul. Um curto-circuito é a provável causa do incêndio.

LAUDO PRELIMINAR  INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
Um laudo preliminar do Instituto de Criminalística, divulgado pela seção técnica de engenharia legal, pelos engenheiros Gerson Angelo José Campera, em 06 de maio de 2004, apontaram diversas irregularidades;
■irregularidades na parte elétrica, tubulação hidráulica, mangueiras cortadas, além de áreas de circulação clandestinas e medidores de energia coletivo.
■“o projeto elétrico da Cemig é muito antigo, provavelmente, de 40 anos atrás. Esse rateio de energia, de um medidor para cada 20 lojas, poderia gerar sobrecarga", alertaram os peritos .

CONTROVÉRSIAS: JOGO DE EMPURRA-EMPURRA, APÓS O INCÊNDIO   
A Rege Empreendimentos Imobiliários, responsável pelo andar incendiado, garantiu que não havia nenhuma irregularidade no projeto de combate a incêndio e questionou a operação do Corpo de Bombeiros para debelar chamas. Os bombeiros confirmaram a existência de defeitos em hidrantes e mangueiras, que teriam sido notificados à prefeitura. Já o setor de fiscalização da prefeitura informou que chegou a multar o condomínio, mas negou ter recebido a notificação sobre a necessidade de interdição.
O assessor de comunicação do Estado Maior do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Aurélio Sávio Mendonça, disse que os trabalhos de vistoria no Mercado Novo começaram em fevereiro de 2002. Em dezembro de 2003, os bombeiros fizeram uma fiscalização mais intensa. A última vistoria, segundo ele, ocorreu em fevereiro deste ano. "Encontramos problemas e nos reunimos com o condomínio. Um relatório também foi encaminhado à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente", disse.
Conforme o oficial, uma nova vistoria seria feita no último dia 4 de maio, justamente quando ocorreu o incêndio. O gerente de fiscalização da Secretaria Regional Centro-Sul, William Nogueira, declarou que, por causa de problemas encontrados pelos bombeiros, o condomínio do recebeu duas multas, no valor de R$ 1.915 cada, em 2002. "As multas foram emitidas e o condomínio se comprometeu a sanar os problemas", argumentou.

RESPONSABILIDADES
Desde 2002, bombeiros fizeram seguidas vistorias no prédio e identificaram falhas que favoreciam ocorrência de incêndios, mas nem multa da PBH (prefeitura de Belo Horizonte) levou à adoção de medidas por partes dos responsáveis pelo Mercado Novo. Nem mesmo a seqüência de vistorias e de notificações do Corpo de Bombeiros nos últimos dois anos e a multa aplicada pela Prefeitura de Belo Horizonte serviram de alerta para as falhas de segurança e o risco iminente de incêndio no Mercado Novo.
A demora para fiscalizar e interditar os estabelecimentos fora da lei, atrelada à má vontade dos comerciantes, pode ter sido a principal causa do incêndio. O Mercado Novo, pelas próprias características dos produtos que comercializa, é local potencialmente arriscado quando o assunto é fogo. O que deveria ser razão suficiente para que lojistas e administradores tomassem providências, por conta própria, para preservar seu patrimônio. Não foi o que ocorreu. As advertências dos bombeiros e a ação da prefeitura não foram o bastante para que as ameaças fossem desativadas, isso em mais de dois anos de fiscalização. O mais grave de todo esse quadro é observar o risco a que estavam expostas cerca de 10 mil pessoas, considerando funcionários e consumidores, que passam pelo local diariamente.

REGIÃO CENTRAL DE BELO HORIZONTE, FALTA DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO
Em um ano, a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) emitiu 695 autos de infração, no valor de R$ 2.533 cada, para punir condomínios e lojistas da Regional Centro-Sul que insistiam em contrariar as regras de segurança estipuladas pela legislação municipal e federal. Mas, de acordo com os bombeiros, o Centro da capital continua sendo um verdadeiro barril de pólvora.
Na grande maioria dos imóveis falta;
■projeto de prevenção de combate a incêndio, que prevê instalação de hidrantes,
■saídas de emergência, escadas adequadas,
■entre outros equipamentos.
“A situação é preocupante porque são imóveis antigos e os custos para elaborar um projeto são muito altos”, alerta o capitão Alexandre Gomes, comandante da 22ª Companhia de Prevenção e Vistoria do Corpo de Bombeiros.
Na mira da fiscalização da prefeitura, dos bombeiros e do Ministério Público estão pequenos estabelecimentos, como bares e igrejas evangélicas, mas também grandes e tradicionais condomínios de Belo Horizonte. Os edifícios JK, Dantés, Sulacap e Maletta há anos travam uma briga com os órgãos de fiscalização por não atenderem a todas exigências de segurança. 
Fontes:  O Tempo – Belo Horizonte/MG e O Estado de Minas, no período  de 05 de maio a  11 de maio de 2004 

Comentário:
No Brasil, após um grande incêndio, a história se repete, indagamos: O que houve de errado? E nunca preocupamos com a prevenção. O que pode dar errado? As autoridades buscam os culpados, esquecendo-se das causas reais do incêndio. Estão procurando agulha no palheiro
Passado algum tempo, voltamos à rotina das deficiências dos órgãos competentes, isto é, o ciclo dos quatro F’s;
■Falta de recursos dos órgãos responsáveis,
■Falta de fiscalização,
■Falta de aplicação das normas de segurança e
■Falta de prevenção.   

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domingo, setembro 07, 2014

Emaranhado de fios se multiplica nos postes

Um emaranhado de fios se multiplica nos postes de todo o país. Normalmente são cabos de empresas diferentes que ficam presos de qualquer maneira.
Não é somente no Brasil aparece esse caos de fios,  mas país como Japão também é visto esse caos de emaranhado de fios  com frequência nas ruas das cidades.
São rolos e mais rolos de cabos em postes, onde parece que não dá para pendurar mais nada. São os fios de eletricidade, telefonia, televisão, luz. Sobram pontas soltas, no chão e perto da cabeça das pessoas. E muita gente não sabe qual desses cabos traz o risco de um curto circuito, um choque ou um incêndio. É um autentico cipoal elétrico.

Comentário: Em São Paulo discute muito o enterramento dos cabos 
elétricos,  preocupando‑se  muito mais com a estética ou urbanismo  do que com o vultoso investimento.  A qualidade da rede elétrica não melhorará na proporção do investimento.
Segundo a Aneel, cada quilômetro de fiação aérea custa perto de 112 mil reais, enquanto o enterramento do mesmo tamanho de rede pode sair até dez vezes mais caro. Em algumas partes de São Paulo, essa diferença poderia chegar a 20 vezes. Quem pagará a conta?
Por que as cidades americanas não enterram a fiação elétrica? Essa análise  americana dá como exemplo a cidade de Washington, Estados Unidos. O projeto de 2010 custaria US$ 5,6 bilhões e durante 10 anos os consumidores pagariam  mensalmente um acréscimo na conta de luz de US$ 226,00. A manutenção da linha subterrânea seria mais cara, vulnerável a inundação, etc.

O custo do investimento levaria em consideração; interrupção de energia elétrica, tormentas (os EUA são vulneráveis a tempestades, furacões, etc), condições do solo, manutenção,  substituição de equipamentos e fiação elétrica. Etc. O estudo recomenda ponderar os esses custos. 

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sexta-feira, setembro 05, 2014

Colapso de tanque de armazenamento

Este caso mostra o colapso de um tanque resultante de seu esvaziamento, quando a válvula de alivio foi coberta por um plástico para "protegê-la" durante a pintura. Este é o terceiro caso de ocorrência que tomamos conhecimento. Quem sabe quantas vezes mais, isto já aconteceu?

A foto mostra a extensão dos danos. A estrutura metálica (andaime)  em volta do tanque é para pintura

LIÇÕES APRENDIDAS:

■Cobrir a válvula de alivio durante a pintura de tanques é uma prática regularmente padrão; infelizmente deixá-la coberta durante o esvaziamento do tanque é uma prática muito fora dos padrões.

■Este é um erro caro e embaraçoso que se pode prevenir totalmente pela adesão as boas práticas de segurança entre operação e manutenção.

Foto 1 - A seta mostra o plástico utilizado para cobrir a válvula de alívio de pressão 
Foto 2 - A seta mostra o fundo do tanque que foi levantado devido ao colapso (implosão)

■Este tipo de coisa quase sempre resulta em total destruição do tanque. Geralmente não compensa reparar tanques com esta extensão de danos.

■Às vezes, é difícil acreditar que o plástico sobre a válvula de ventilação é mais forte que o aço do tanque sob as condições de vácuo que são criadas quando da extração do produto do tanque. É vendo para acreditar.  Fonte: API - American Petroleum Institute

Comentário: Os acidentes de  colapso de tanques ocorrem porque os operadores desconhecem como são tão frágeis os tanques. Enquanto muitos tanques são projetados para uma pressão interna de 20 cm de coluna d’água (0,02 kg/cm2), para o vácuo suportam apenas uma depressão de 6 cm de coluna d’água  (0,006 kg/cm2). Esta é uma pressão hidrostática no fundo de uma xícara de café.
Podemos impedir tais acidentes aumentando o conhecimento do pessoal, sua compreensão  quanto à fragilidade dos tanques e de como eles operam, e especialmente quanto ao modo  de funcionamento do vácuo. Fonte:  O que houve de errado ?– Trevor A. Kletz
Obs:  1 atm  = 14,70 psi  = 10,33 mca = 10.330 kgf/m2 = 1,033 kgf/cm2


O poder da pressão do ar
Materiais necessários: água, vasilhame metálico e uma chama.
Como todo experimento que envolve fogo, tome cuidado com este!

EXPERIMENTO
Tome um vasilhame limpo (que possa ser fechado com uma tampa) e adicione um pouco de água.
Deixe-o aberto e esquente o vasilhame com água. Quando a água começar a evaporar, retire-o com cuidado da chama e tampe-o. Enquanto o vasilhame resfria, a pressão do ar à sua volta vai forçando suas paredes, amassando-o!

COMO ISTO ACONTECE?

Bom, quando a água estava aquecendo, o vapor foi tomando o espaço que o ar tinha dentro do vasilhame. Podemos dizer que quando a água entrou em ebulição, a maior parte do ar foi expelido para fora do vasilhame, restando bastante vapor d'água. Aí o vasilhame foi fechado, impedindo que ele retornasse à medida que o vapor d'água se condensava no interior do vasilhame. Como a pressão interna vai diminuindo, a pressão externa começa a agir, amassando o vasilhame, ao esfriar, tem o vapor d'água transformado em líquido, e só um pouco de ar no interior do vasilhame. É este desequilíbrio de pressões interna e externa que você acaba observando neste experimento! Fonte: Fonte: Educação do Brasil.

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terça-feira, setembro 02, 2014

Vazamento de oxigênio no Pronto-Socorro provoca incêndio

As chamas começaram quando um caminhão da White Martins abastecia um depósito de oxigênio líquido, por volta das 22h, segunda-feira, 25 de agosto, no Pronto-Socorro Municipal 21 de Junho, na Freguesia do Ó, Zona Norte de São Paulo. O funcionário ao ver que havia um problema retirou a mangueira e o caminhão do local.

INCÊNDIO
O oxigênio espalhou pelo asfalto  e um motorista tentou dar partida no carro que estava atrás do centro médico e explodiu. Logo em seguida outros quatro veículos foram atingidos pela s chamas. O fogo também atingiu uma barraca de salgados nas proximidades do hospital.

EVACUAÇÃO
Com o vazamento e fumaça houve a retirada de vinte e quatro pacientes do prédio. Os pacientes foram transferidos em ambulâncias para quatro hospitais da região. Não houve feridos, segundo a Santa Casa, que administra o complexo hospitalar. O hospital foi fechado para o trabalho de peritos.

CORPO DE BOMBEIROS
 Duas equipes do Corpo de Bombeiros controlaram o fogo por volta de 23h45.

ABASTECIMENTO DE OXIGENIO
A manutenção do serviço é de responsabilidade da empresa White Martins. A última vistoria do equipamento para o abastecimento de gases ao centro médico havia sido realizado há pouco mais de 10 dias.
A White Martins disse que o local passou por inspeção e que "a empresa continua trabalhando junto às autoridades competentes para apurar mais informações sobre o ocorrido".

REABERTURA
A estrutura física do pronto-socorro não sofreu nenhum dano, pois a explosão foi do lado externo. O local ficou fechado por cerca de 16 horas por causa da perícia e reaberto às 14h

INQUÉRITO POLICIAL
O caso será investigado pelo 13º DP (Casa Verde).
Fonte: Folha de São Paulo e G1 São Paulo-26/08/2014

Comentário: O oxigênio é incompatível com; materiais combustíveis, asfalto, materiais inflamáveis, especialmente óleos e graxas.

MEDIDAS DE COMBATE A INCÊNDIO
■ Meios de extinção apropriados:
Agente oxidante. Acelera vigorosamente a combustão. O contato com materiais inflamáveis pode causar  fogo ou explosão. Utilize extintores de CO2, pó químico seco ou jatos de água em forma de neblina para o  controle do fogo circundante. A utilização de água (ex. chuveiro de emergência) é o melhor método para  extinção de incêndios em vestuário (ex. chuveiro de emergência). Evacue todo o pessoal da área de risco.
Imediatamente inunde os recipientes com jatos de água em forma de neblina, guardando uma distância máxima até resfriá-los. Então remova os recipientes para longe da área de fogo, se não houver riscos.
Equipamento autônomo de respiração pode ser necessário para resgate de trabalhadores no local.

■ Meio de extinção não recomendados:
Se o cilindro estiver envolvido em fogo, não tente removê-lo. Eles podem se romper devido ao calor do fogo por aumento da pressão interna. Resfrie o recipiente até que o fogo diminua ao ponto de poder extingui-lo.
■ Perigos específicos da substância:
■ Gás oxidante. Alimenta a combustão.
■ Todos os cilindros são equipados com dispositivo de alívio de pressão.
■ Os cilindros podem se romper devido ao calor do fogo.
■ Nenhuma parte do cilindro deve estar sujeita a temperaturas maiores que 52 ºC.
■ Em caso grande vazamento do produto, haverá o enriquecimento do ar ambiente, com o aumento da concentração de Oxigênio.

■ Medidas de proteção da equipe de combate a incêndio:
A Brigada de incêndio deve utilizar equipamento autônomo de respiração e roupa de proteção completa para combate a incêndio. Remova as fontes de ignição se não apresentar riscos. Interrompa o fluxo de gás se isto não apresentar riscos, enquanto continue a resfriar com jatos de água os recipientes. Retire todos os recipientes da área de incêndio, se não houver riscos. Brigadas de incêndio locais devem estar cientes das características do produto. Antes de entrar nas áreas, especialmente as confinadas, verifique a atmosfera com um equipamento adequado (ex. oxímetro).

MEDIDAS DE CONTROLE PARA DERRAMAMENTO OU VAZAMENTO
Precauções pessoais, equipamento de proteção e procedimento de emergência:
■ Para o pessoal que não faz parte dos serviços de emergência:
■ Imediatamente retire-se da área de risco.
■ Gás oxidante. Acelera vigorosamente a combustão.

Para o pessoal do serviço de emergência:
■ Equipamento autônomo de respiração de pressão positiva e macacão retardante de chama pode ser necessário para entrar em áreas confinadas.
■ Antes de entrar nas áreas, especialmente as confinadas, verifique a atmosfera com instrumento adequado (ex. oxímetro).
■ Remova todas as fontes de ignição, se não houver risco.
■ Interrompa o vazamento se não apresentar riscos.
■ Impedir a entrada do produto em esgotos, fossas ou qualquer outro lugar onde o acumulo possa ser perigoso.
■ Ventile a área do vazamento ou remova os recipientes com vazamento para área bem ventilada se não houver risco.

PRECAUÇÕES AO MEIO AMBIENTE:
■ Previna para que o resíduo não contamine o ambiente.
■ Mantenha o pessoal não autorizado distante da área de risco.
■ Não permita que o produto entre em contato com óleos, gordura e material orgânico.
■ Descarte qualquer produto, resíduo, recipiente ou invólucro de acordo com os regulamentos locais, estaduais e federais existentes.

MÉTODOS E MATERIAIS PARA A CONTENÇÃO E LIMPEZA:
■ Ventile a área antes de iniciar o processo de limpeza.
■ Mantenha o pessoal não autorizado distante da área de risco.
■ Vagarosamente alivie o produto para atmosfera em local aberto.

MEDIDAS DE PRIMEIROS-SOCORROS
■ Medidas de primeiros-socorros
Inalação:  A inalação de Oxigênio em concentrações superiores a 75%, na pressão atmosférica, por mais de  algumas horas, pode causar entupimento nasal, tosse, irritação da garganta, dor no peito e respiração difícil. Respirar Oxigênio puro sob pressão pode causar danos aos pulmões e também ao sistema nervoso  central (SNC) resultando em: vertigem, coordenação fraca, sensação de dormência, distúrbios visuais e  auditivos, tremores musculares, inconsciência e convulsões.
Remova a vítima da área levando-a para um local ventilado. Aplique respiração artificial se a vítima não estiver respirando. Manter a vítima aquecida e em repouso. Chame um médico. Avisar o médico,  quando a vítima for exposta a uma concentração elevada de Oxigênio.

PROTEÇÃO PARA O PRESTADOR DE SOCORROS:
Nenhuma ação deve ser tomada que envolva qualquer risco pessoal ou sem treinamento apropriado. Se houver suspeitas de que os vapores do produto podem estar presentes, o socorrista deve usar um equipamento autônomo de respiração. Nenhuma ação deve ser tomada que envolva qualquer risco pessoal ou sem treinamento apropriado.
■ Sintomas e efeitos mais importantes, agudos ou tardios
■ Respirar oxigênio sob pressão, pode causar um aumento na adaptação a escuridade e reduzir a visão periférica.
■ A vítima pode não ter percepção da asfixia.

Fonte: White Martins

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sábado, agosto 30, 2014

Perigo do cabelo comprido

Um incidente inusitado ocorreu durante a partida de tênis. Na quarta-feira, 27 de agosto, a tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki enroscou a cabelo na raquete e não consegui rebater a bola, perdendo o ponto. Como é perigoso o cabelo comprido em qualquer atividade, quando ele está solto. Fonte: UOL - 28/08/2014

Ocorrências
1-A estudante ACL, 12 anos, morreu após sofrer um acidente em uma corrida de kart, no domingo 22 de abril de 2012, no Clube de Kart Alagoas, em Maceió. O cabelo da menina saiu do capacete e ficou preso ao motor e em uma das rodas do veículo, o que provocou fraturas e escalpelamento.
2- Em fevereiro de 2013, a jovem FD, 22 anos, teve o couro cabeludo arrancado num acidente do kart do Beto Carrero World, em Penha. Conforme  boletim médico do hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, ela teve o couro da cabeça reimplantado e passa bem.
3- Uma a mulher sofreu traumatismo craniano após seu cabelo enroscar no motor de um kart, em Kilmarnock, Ayrshire, na Escócia, na pista do complexo de lazer The Garage. A mulher, de 48 anos  deu entrada no hospital Crosshouse, 30 de abril, dia em que ocorreu o acidente, e foi transferida para o hospital Geral Austral. De acordo com o segundo hospital, ela sofreu graves ferimentos na cabeça, lesões no pescoço e corre o risco de ficar com parte do corpo paralisado. O cabelo da mulher teria ficado preso no motor do kart, puxando a sua cabeça para trás bruscamente.
4-Na década de 20 teve um acidente fatal com uma bailarina famosa Isadora Duncan. Ela morreu em um acidente de carro conversível, quando a sua echarpe ficou presa a uma das rodas, estrangulando-a.

Artigos publicados
Bandeira enrosca em corrente de moto e quebra o pescoço do motociclista
Jovem é escalpelada por motor de kart em SC
Mulher tem couro cabeludo arrancado

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sexta-feira, agosto 29, 2014

NBR e o Ato Inseguro

Interessante está circulando em alguns fóruns de segurança na internet, abaixo assinado,  para eliminação do Ato Inseguro, agora na NBR da ABNT, parece que o famigerado  termo politicamente correto já se infiltrou na segurança do trabalho.
Temos de perguntar ao finado trabalhador que termo ele prefere, ato inseguro ou comportamento inseguro ou  falhas ativas ou erros, etc.?
Através da Portaria n° 84/09, o Ministério do Trabalho corrigiu um antigo erro. A expressão “ato inseguro”, contida na alínea “b” do item 1.7 da NR 1, foi retirada da regulamentação, assim como os demais subitens que atribuíam ao trabalhador a culpa pelo acidente de trabalho. Por acaso houve redução dos acidentes pertinentes as falhas humanas?
 Como explica o abaixo assinado; Em 2009, após muitas críticas, debates, protestos e lutas de trabalhadores, o Ministério do Trabalho e Emprego finalmente retirou da legislação de Saúde e Segurança do Trabalho esta que era uma das mais típicas figuras do entulho autoritário: o “Ato Inseguro”. Desde quando o ato inseguro é um entulho autoritário? Deve ser o modismo de engenharia social? Parece que a engenharia no Brasil deixou de ser safe, safety, human engineer, para ser social e preocupar apenas com glossário técnico ou social.
Devemos eliminar também os termos;
1) negligência: desleixo, descuido, desatenção, menosprezo, indolência, omissão ou inobservância do dever, em realizar determinado procedimento, com as precauções necessárias;
2) imperícia: falta de técnica necessária para realização de certa atividade;
3) imprudência: falta de cautela, de cuidado, é mais que falta de atenção, é a imprevidência a cerca do mal, que se deveria prever, porém, não previu.
Enquanto isso no Brasil real, os acidentes acontecem e estão acontecendo enquanto redijo. Daqui a pouco não existe mais pobre no país, tudo mundo é da classe média? Ou a classe média se tornará a pobreza latente? Talvez com a eliminação do Ato Inseguro, acontecerá a mesma coisa, a causa mortis do trabalhador não terá no atestado o entulho autoritário do Ato Inseguro.
“No creo en brujas, pero que las hay, las hay”
Por que esses grupos que estão tão preocupados com a prevenção dos trabalhadores não retiram da NR e CLT os dinosssauros dos adicionais ; periculosidade, insalubridade, etc.  Não existem esses adicionais em país civilizados que praticam a prevenção de riscos. Esses adicionais se tornaram monetização do risco a saúde do trabalhador. É muito pior do que o entulho do Ato Inseguro.
Por acaso sabemos os custos de acidentes por atividades ou ocupações das empresas no país?
Quais são os acidentes mais comuns por ramo de atividade?
Se o profissional quiser aprofundar na área de segurança temos consultar bibliografias estrangeiras, sites, etc. Para obter dados e tentar adaptar a realidade brasileira.
Que tal se preocupar com o nível de escolaridade do trabalhador brasileiro? A maioria tem  menos de 8 anos de estudo.

Alguns comentários que já fiz em alguns fóruns sobre o assunto:

ATO INSEGURO: DEMONIZAR OU EXORCIZAR
Esse problema de ato inseguro em que alguns querem  demonizar ou exorcizar , lembra na década de 80, o método Taylor. O método de Taylor é apenas lembrado como  aumentar carga de trabalho do operário, pois o método através de medições de tempos aferia o tempo gasto por determinado tipo de tarefa. Mas essa aferição fazia parte de um trabalho mais amplo, a organização de tarefa e planejamento de produção. Como fazer um trabalho de modo quase perfeito sem perda de tempo. Mas ele é apenas  lembrado como carrasco do operário. Hoje na área de segurança a ordem de serviço ou um manual técnico, nada mais do que o método do Taylor, como fazer de modo à tarefa  com eficiência sem interrupção no sistema (acidente/falha). Em todas as atividades usamos a essência  do método de Taylor sem saber. Hoje o esporte utiliza esse método de forma mais avançado, através de filmagem fotograma por fotograma, é analisada a performance do esportista, passo a passo, como ele pisa, como respira, etc., para aumentar o seu desempenho   
Com o ato inseguro acontece à mesma coisa, o pessoal analisa o ato em si, mas sem levar em conta os fatores relacionados ao elemento humano que convergem para produzir o ato inseguro. Para estudar o acidente, temos duas vertentes o ato inseguro e condições inseguras. Voltamos a essência do método de Taylor, se fracionarmos todas as etapas que dão origem à falhas humana, podemos estudá-la  com mais detalhe e atuar onde  a probabilidade de ocorrer uma falha no sistema ou anomalia é mais freqüente. Os fatores/erros relacionados ao elemento  humano são semelhantes a quaisquer tipos de atividade.
Hoje, com os avanços no conhecimento e na tecnologia aumentaram consideravelmente  a complexidade de sistema. Devido sua combinação singular de processos, interações tecnológica e humana,  surgem também riscos inevitáveis, que às vezes, alguma coisa sairá errado. E uma das coisas mais difíceis é mudar o comportamento do elemento humano, pois não é padronizado, ao contrário das máquinas em que podemos alterar o ritmo de produção e  de segurança.
Uma visão interessante da causa de acidente utilizado por especialistas  no campo  aeronáutica e  nuclear é o modelo do queijo suíço (cheio de buraco).   A condição ideal  é separar o perigo da perda potencial, mas na prática parece mais como fatias de queijo suíço. As lacunas estão abrindo e fechando continuamente (sistema de defesa), ao mesmo tempo mudando de posição. O perigo sério aumenta quando um conjunto de linhas de buracos permite uma abertura  momentânea de oportunidade para o acidente. Aí estão as falhas ativas e latentes. Para isso devemos criar barreiras de segurança e de proteção.
O sistema de segurança ideal seria como o processador de texto Word, se erramos a palavra ele corrige,  se esquecemos de salvar, ele avisa, antes acontecer o desastre, perder o que está sendo digitado. Por causa disso algumas atividades o robô está substituindo o elemento humano.
 O que é comum na maioria das organizações quando ocorre uma falha no sistema, por exemplo, acidente ou falha de projeto ou falha no atendimento, é procurar um culpado e não analisar qual foi motivo dessa falha no subsistema. No Brasil é comum procurar/apontar um culpado do que ir a fundo qual a origem dessa falha. O erro não está no ato inseguro,  mas quem está interpretando a falha.
“Os fatos não falam, eles precisam ser interpretados por alguém. Tudo que é observado é modificado pela presença  do observador. Os fatos mudam a depender de quem está interpretando”.(Principio de Incerteza de Heisenberg).

AGÊNCIA  DE SAÚDE DA INGLATERRA ELABOROU UM ESTUDO SOBRE A FALHA HUMANA
A Agência  de Saúde da Inglaterra elaborou um estudo sobre a falha humana, reuniu diversos especialistas e elaboraram um manual sobre falha humana no ambiente hospitalar, mas no primeiro capitulo trata a análise  de falha humana de maneira genérica empregando termos de engenharia de segurança e comportamental. A conclusão que eles chegaram que o erro humano é inerente ao ser humano. Só através  de criação de barreiras de segurança (projeto, treinamento) poderá reduzir. Não existe  controle absoluto sobre o risco. Podemos ter percepção que estamos controlando o risco, mas outro riscos latentes estão aguardando  condições para transformar em acidentes.
Quando analisamos acidentes/incidentes em relação a fatores humanos procuramos relacionar os procedimentos padrões para determinadas tarefas e o seu grau de treinamento.
Porém esquecemos de analisar o comportamento mental do indivíduo. O nosso cérebro cria armadilhas para o ser humano que dificilmente o eliminamos, apesar  de efetuar um  treinamento exaustivo. Existe um frase em espanhol, que diz; Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas. O cérebro está sempre nessa atividade de retroalimentação  de informações. O exemplo mais marcante é o treinamento de piloto de aeronave, constantemente eles recebem treinamento em simuladores de vôo,  mas nos acidentes aéreos ainda predominam a falha humana.
Alguns neuro-cientistas  consideram que o cérebro seja um sistema dinâmico não linear sujeito ao caos imprevisível.   
Por exemplo, troquei a minha senha na semana retrasada, eu me condiciono a não errar a nova senha, mas  por experiência, durante uma semana,  ora uso a  senha antiga, ora a nova senha, meu consciente cria uma armadilha para eu errar (depende também do ser humano).
Agora mesmo na Alemanha houve um acidente ferroviário, um trem de suspensão magnética de alta velocidade conhecido como Transrapid colidiu a 200 km/h contra um veículo de manutenção em Emsland, norte da Alemanha, matando 23 pessoas. O  trem e o veiculo de manutenção estavam na mesma linha. O veiculo de manutenção estava parado. Os especialistas indagam, como pode ter acontecido isso? O trem não tem operador é controlado  pela central de operação. Tira um elemento humano da cabine do trem para evitar erros, mas a central de operação cometeu a falha. Você pensa  eliminar o risco mas cria outro risco latente ou não que irá provocar a falha.
Temos ter consciência que a falha humana estará sempre presente na atividade e ela surgirá quando alguns eventos não previstos e fatores adversos se convergem num determinado momento para provocar o acidente. Não devemos esquecer que as normas de segurança são genéricas e estáticas e são modificadas de acordo com resultados obtidos na prática, enquanto o risco é como um vírus sempre está em mutação, isto é, se adapta ao ambiente e  estará sempre em processo de transformação.     

NÃO EXISTE FALHA HUMANA?.
O ato inseguro se procurarmos o significado do ato no dicionário, temos;  procedimento, conduta, modo de proceder, etc.
Veja o caso da memória, segundo especialistas (neurocientistas; quem nunca passou por um lapso de memória, não ficou um certo tempo tentando encontrar no seu acervo lingüístico pessoal, a palavra adequada para o contexto desejado, ou simplesmente não esqueceu o que iria dizer ao seu interlocutor? E quem nunca se esqueceu, em determinado momento, do que iria fazer logo em seguida?  Imagina se não treinarmos a memória para termos procedimentos para execução de determinada tarefa , o que seria ? Em atividade de baixo risco tecnológico a falha humana não é muito perceptível, mas a atividade de alto risco tecnológico a falha humana é extremamente perceptível (medicina, aviação, usina nuclear, hidroelétricas, etc). Onde o elemento humano toma decisão/interpretação diante de informações processadas por máquinas/computadores.   
O elemento humano é cheio de vícios, particularidades de essência de cada pessoa. Têm  pessoas metódicas,  outras indisciplinadas, outras têm dificuldade de assimilação de programas,  outras contrárias  a modificação de procedimentos, etc. Junta tudo isso, temos uma empresa com um ativo intelectual disperso, que através de treinamento, disciplina procuramos homogeneizar  esse pensamento voltada para os objetivos da empresa. Que é extremamente difícil, pois a cada empresa tem sua cultura/vícios.   
Veja o caso de um  bebê está aprendendo a engatinhar, tudo para ele é novidade, é o Indiana Jones a procura de aventura e perigo. São os pais que vão emitir verbalmente um Procedimento Seguro (PS)  para o bebê, o que é proibido ou não,   utilizar um DPI (dispositivo de proteção individual) ou um EPC (equipamento de proteção coletiva para residência) ou delimitar uma área para brincar (zona de risco). Apesar de todo esse treinamento dado pelos pais, sempre tem algum bebê que avança o sinal ou quebra o procedimento dado pelos pais, e aí acontece o acidente.   
Na essência o erro humano acompanha o ser humano em todas atividades. Alguns erros conseguimos corrigir, criamos outros erros latentes, mas a falha está sempre a favor da natureza. 

ATO INSEGURO FAZ PARTE DE UM SISTEMA OU SUBSISTEMA
O ato inseguro faz parte de um sistema ou subsistema de procedimentos ou componentes inter relacionados  que atuam e interagem com outros sistemas/subsistemas para cumprir uma tarefa ou função. O ato inseguro é o resultado processado de diversos fatores que envolvem o elemento humano.
Na análise de acidentes, na entrada, temos diversas dúvidas, fatores, que são processados (analisados/identificados) e o resultado é o ato inseguro (que pode ser uma causa humana ou diversos fatores que envolvem o elemento humano ou um conjunto de falha humana/falha operacional/projeto)
Na Gerência de Risco, temos uma visão mais ampla do que é o ato inseguro (denominação das falhas relativas ao ser humano) em relação a todos os riscos que envolvem  uma empresa
Existe uma série de acidentes industriais que a causa principal foi a falha humana. O erro humano faz parte do processo e que devemos criar barreiras de segurança para dificultar a sua execução. Mas o errar é inerente  ao ser humano.
Houve uma colisão aérea em que morreu 79 passageiros a maioria crianças, entre um avião passageiro russo e um cargueiro. O avião de passageiro tinha um detector automático de risco de colisão na  cabine, e avisou o piloto que  ele estava na rota de colisão com o cargueiro, ma o piloto do avião que transportava as crianças obedeceu ao controlador de vôo sobrecarregado que estava em terra. E houve a colisão.
Trecho de análise feita por um jornalista do New York Times:
O piloto, até o ponto em que teve tempo para pensar, deparou-se com a necessidade de avaliar a confiabilidade do controlador de vôo em comparação com a dos engenheiros anônimos que construíram o detector destinado a evitar colisões.

No fim, ele seguiu a recomendação da voz com que ele se identificava mais. A máquina não tinha chances. Para o bem ou para o mal, isso é parte do nosso programa. É da natureza dos seres da nossa espécie optar por cometer seus próprios erros. 

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