Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, julho 02, 2015

Espuma de poluição do rio Tietê invade ruas de Pirapora do Bom Jesus

A espuma da poluição do rio Tietê avança, desde a segunda-feira, 22 de junho, sobre áreas urbanas de Pirapora do Bom Jesus (54 km de São Paulo). O tráfego de veículos chegou a ser prejudicado. Outras cidades da região de Itu também registraram casos semelhantes. 

A espuma, além de detergente, tem produtos químicos e pode ser prejudicial à saúde.


FORMAÇÃO DA ESPUMA
A espuma se forma quando a água passa pelos vertedouros de uma usina hidrelétrica, localizada a poucos quilômetros de Bom Jesus de Pirapora. De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a formação da espuma está relacionada principalmente a baixa vazão da água, a presença de esgotos domésticos não tratados que dificultam a decomposição de detergentes domésticos.
Como o rio Tietê corta o centro da cidade, com pouco espaço entre as margens e as construções, a situação fica ainda mais grave, com a espuma atingindo construções e, em alguns casos, invadindo ruas.
Na terça-feira, 23 de junho, a espuma chegou a encobrir uma ponte nas proximidades do centro da cidade. O tráfego teve que ser controlado por agentes municipais, mas, segundo a prefeitura, não houve nenhum incidente de gravidade no local.

MORADORES RECLAMAM
Moradores em Pirapora do Bom Jesus relatam ainda que a espuma deixa manchas em roupas e chega até a causar danos à pintura de carros. Também é recorrente a reclamação de mau cheiro.
Se cair na roupa, mancha tudo. É terrível. O inverno mal começou e já está desse jeito. Esse ano vai ser complicado, avalia a professora Bernadete Souza, 42, que mora na cidade há 15 anos.

PROBLEMA ANTIGO E RECORRENTE
O problema na região não é novo e já foi reconhecido pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), ligada à Secretaria do Meio Ambiente. Segundo relatório da instituição, as descargas indiscriminadas de detergentes nas águas levam à formação de espumas, como ocorre no rio Tietê ao longo das cidades de Santana do Parnaíba, Salto e Pirapora do Bom Jesus.
"Um dos casos mais críticos de formação de espumas, talvez no mundo inteiro, ocorre no município de Pirapora do Bom Jesus, que recebe seus esgotos em grande parte sem tratamento. A existência de corredeiras leva ao desprendimento de espumas que formam continuamente camadas de pelo menos 50 centímetros sobre o leito do rio. Sob a ação dos ventos, a espuma, contaminada biologicamente, se espalha sobre a cidade, impregnando-se na superfície do solo e dos materiais, tornando-os oleosos", diz a entidade, em relatório.
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que o problema é recorrente na região e que só poderá ser resolvido com a implantação dos sistemas adequados de coleta e tratamento de esgoto e a responsabilidade pertence a municípios e empresas concessionárias do setor de saneamento básico. Fonte: @ZR, UOL-23/06/2015

Comentário: Como o rio Tietê ficou poluído?
O rio Tietê nasce a uma altitude de 1.030 metros da Serra do Mar, no município paulista de Salesópolis, a 22 km do oceano Atlântico e a 96 km da Capital. Ao contrário de outros rios, ele subverte a natureza: como não consegue vencer os picos rochosos rumo ao litoral, em vez de buscar o mar - como a maior parte dos rios que corre para o mar – o Tietê atravessa a Região Metropolitana de São Paulo e segue para o interior do Estado, desaguando posteriormente no rio Paraná, num percurso de quase 1.100 km.

O rio Tietê percorre 1.100 quilômetros, até o município de Itapura, em sua foz no rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Banha 62 municípios ribeirinhos e sua bacia compreende seis sub-bacias hidrográficas: Alto Tietê, onde está inserida a Região Metropolitana de São Paulo; Piracicaba; Sorocaba/Médio Tietê; Tietê/Jacaré; Tietê/Batalha e Baixo Tietê.
O lançamento de esgotos industriais inicia-se a 45 km da nascente na cidade de Mogi das Cruzes. Na zona metropolitana o rio encontra o mais complexo urbano-industrial do país, e conhece um de seus trechos mais poluídos, a foz do Tamanduateí.

Como o rio que nasce limpo fica imundo, morre e renasce
O Tietê sofre a ação de três tipos de poluição: a industrial, a difusa (formada pelo lixo de casas e das ruas levado pela chuva) e a do esgoto doméstico.
Quase 10 milhões de litros de esgoto industrial são despejado por hora, irregularmente, em rios e córregos da Região Metropolitana de São Paulo. A estimativa feita por pesquisadores do Grupo de Economia da Infraestrutura e Soluções Ambientais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O volume, de acordo com o cálculo, equivale a 28% do total de efluentes produzidos pelas 58.373 indústrias espalhadas em 39 municípios da RMSP.

Na comparação com os efluentes domésticos, que tem tratamento de 69% da quantidade gerada, de acordo com a Sabesp, o volume industrial é menor, mas considerando seu potencial poluidor, o impacto ao ambiente e à saúde é maior, de acordo com os pesquisadores.

NASCENTE EM SALESÓPOLIS
Nesta cidade no interior paulista, a água brota limpa e transparente por entre pedras, dentro da reserva ambiental Parque Nascentes do Rio Tietê. Em plena serra do Mar, a nascente fica a 1.120 m  de altitude. Há peixes, plantas e vários animais vivendo no rio ou ao redor dele.

BIRITIBA MIRIM
Neste trecho já há vestígios de poluição, mas a maior parte dela ainda é orgânica. O maior estrago aqui é feito por agrotóxicos e fertilizantes jogados na água por hortifrutigranjeiros da região. Eles literalmente fertilizam a água (principalmente quando contém fosfato) e fazem as plantas aquáticas proliferar e competir com os peixes e outros seres vivos por oxigênio

MOGI DAS CRUZES
O rio começa a receber esgotos domésticos das cidades da região. Os dejetos chegam à água sem tratamento nenhum, fator que mais contribui para a poluição.

GUARULHOS
Na Grande São Paulo são 680 toneladas de esgoto (medidas em oxigênio necessário para consumir a poluição) diárias. A partir daqui, são 100 km de rio morto: com a sujeira, nenhum peixe ou planta sobrevive - sobram apenas bactérias anaeróbias.  

PIRAPORA DO BOM JESUS
Neste trecho, há espumas brancas que se formam quando restos de detergente são agitados pelas cachoeiras. Essas quedas auxiliam o rio a recuperar vida: ajudam a barrar naturalmente a poluição e a movimentar e oxigenar a água, em um processo natural chamado autodepuração. Além disso, novos afluentes jogam água, mas limpa, no Tietê.

CONCHAS
Com mais oxigênio, voltam a surgir peixes, plantas, algas e micro-organismos. Antes de chegar aqui, o rio ainda recebe água de boa qualidade de afluentes como o rio Sorocaba e o rio Capivari, ganhando cara de rio "normal" novamente.

BARRA BONITA
Quando chega por aqui, o Tietê já se recuperou da poluição e virou um belo rio. A qualidade das águas ainda não é ideal, mas, com um bom tratamento, já serve até para abastecer algumas cidades. Mas nada é perfeito. Daqui até chegar à sua foz, no rio Paraná, na bacia do Baixo Tietê, em mais 600 quilômetros de curso, não há medição sistemática da poluição, apenas controles esporádicos.

Saiba como o Índice de Qualidade de Águas (IQA) mede a poluição do rio

OXIGÊNIO DISSOLVIDO (OD): Quanto menos oxigênio, mais poluído.
DEMANDA BIOQUÍMICA DE OXIGÊNIO (consumo de oxigênio pela água): Quanto maior quantidade, mais poluído.
COLIFORMES TERMOTOLERANTES: (grupo de bactérias encontradas nas fezes)-Quanto maior quantidade, mais poluído.
NITROGÊNIO AMONIACAL (NH4): Encontrado na urina, no esgoto doméstico e nos agrotóxicos. Quanto maior quantidade, mais poluição.
FÓSFORO: Também encontrado no esgoto, nos saponáceos (detergente, sabão) e nos agrotóxicos. Quanto maior, mais poluído.
TURBIDEZ: Tudo quanto é sujeira sólida, terra e sedimentos vindos de assoreamento. Quanto maior, mais poluído.
RESÍDUO: Assim como a turbidez, são de sujeiras dissolvidas na água. Quanto maior, mais poluído.
TEMPERATURA E PH: Isoladas, não têm influência direta na poluição.
Fontes: DAEE - Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, Mundo Estranho, edição 91.

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segunda-feira, junho 29, 2015

OSHA-As infrações de segurança mais citadas em 2014

1. PROTEÇÃO CONTRA QUEDA NA CONSTRUÇÃO- 8.241 INFRAÇÕES.
Esta seção da norma define as exigências para que os empregadores forneçam sistemas de proteção contra quedas. Toda proteção contra quedas exigida por esta seção devem estar em conformidade com os critérios estabelecidos pela norma. No nosso caso ver a norma NR-18  Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção; NR-18:12 e NR-18:13

2. COMUNICAÇÃO DE RISCO – 6.156 INFRAÇÕES
O objetivo desta seção é assegurar que os riscos de todas as substâncias químicas produzidas ou importadas são classificadas, e que as informações relativas aos riscos classificados é transmitida para empregadores e empregados. Os requisitos desta seção destinam-se a ser coerente com as disposições do Sistema Harmonizado Globalmente para a Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS).
A transmissão de informações deve ser realizada por meio de programas de comunicação de risco abrangentes, que devem incluir a rotulagem de contentores e outras formas de aviso, fichas de dados de segurança (Fispq) e treinamento de funcionários. No nosso caso ver a norma NR‑26 - Sinalização de Segurança

3. ANDAIMES NA CONSTRUÇÃO CIVIL – 5.423 INFRAÇÕES
Cada componente do andaime deve ser capaz de suportar , sem falha, o seu próprio peso e, pelo menos, quatro vezes a carga máxima prevista aplicado ou que lhe é transmitida.
No nosso caso, os andaimes devem ser dimensionados e construídos de modo a suportar, com segurança, as cargas de trabalho a que estarão sujeitos. No nosso caso ver a norma NR-18, NR‑18:15

4. PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA- 3.879 INFRAÇÕES
No controle das doenças ocupacionais causadas pelo ar contaminado com poeiras nocivas, neblinas, fumos, névoas, gases, fumos, sprays, ou respirar vapores, o objetivo principal será o de evitar a contaminação atmosférica. Esta operação é realizada, na medida do possível, por medidas de controle de engenharia aceitas (por exemplo, gabinete ou confinamento da operação, ventilação geral e local, e substituição de materiais menos tóxicos). Quando os controles eficazes de engenharia não são viáveis, ou enquanto eles estão sendo instituídos, respiradores apropriados devem ser utilizados nos termos da presente secção da norma. No nosso caso, ver as normas NR-6 Equipamento de Proteção Individual - EPI, NR-9 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, Fundacentro, Programa de Proteção Respiratória: Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores

5. EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS MOTORIZADAS- 3.340 INFRAÇÕES
Esta seção contém os requisitos de segurança relativos à proteção contra incêndios, projeto, manutenção e uso de empilhadeiras, tratores, plataforma empilhadeiras, veículos motorizadas e manuais  e outros veículos industriais especializadas movidos por motores elétricos ou motores de combustão interna. Esta seção não se aplica;  a  ar comprimido ou gases comprimidos não inflamáveis para veículos industriais , para veículos agrícolas e veículos destinados principalmente para movimentação de terra ou terraplanagem. No nosso caso, ver a norma NR-12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos

6.LOCKOUT / TAGOUT –BLOQUEIO E ETIQUETAGEM – 3.254 INFRAÇÕES
Esta norma abrange a reparação e manutenção de máquinas e equipamentos em que a energização repentina ou partida das máquinas ou equipamentos, ou liberação de energia armazenada, podem prejudicar os funcionários. Esta norma estabelece requisitos mínimos de desempenho para o controle desse tipo de energia perigosa. No nosso caso, ver NR10,  NR-12:113

7. ESCADAS NA CONSTRUÇÃO-3.311 INFRAÇÕES
Uma escada deve ser capaz de suportar  cargas sem falhas. Esta seção contém os requisitos de segurança; A escada manual deve ultrapassar em 1,00m (um metro) o piso superior; usar  escadas para os fins para os quais foram projetadas; a parte superior ou último degrau da escada não deve ser utilizado como um passo; retirar escadas com defeitos de serviço, e usar etiquetas alertando de “não usar”; escadas devem ser utilizadas somente em superfícies planas e estáveis protegidas para evitar deslocamento acidental. No nosso caso, ver a norma NR-18:12

8. FIAÇÃO ELÉTRICA- 3.452 INFRAÇÕES
Calhas metálicas, bandejas de cabos, fio terra, cabo elétrico, gabinetes, quadros, acessórios e outras partes metálicas que não transportam correntes que servem como condutores de aterramento, com ou sem a utilização de condutores de aterramento de equipamentos complementares, devem ser eficazmente ligados onde necessários para garantir a continuidade elétrica e capacidade para conduzir com segurança qualquer falha de corrente susceptível. Qualquer pintura, esmalte, ou revestimento  similar não condutor deverão ser removidos em fios, em pontos de contacto e em superfícies de contacto ou ser ligadas por meio de encaixes concebidos de modo a tornar desnecessária tais remoção. No nosso caso, ver a norma NR-10

9. PROTEÇÃO DE MÁQUINA – 2701 INFRAÇÕES
Tipos de proteção. Devem ser fornecidos um ou mais métodos de proteção de máquinas para proteger o operador e outros funcionários na área de máquina de riscos, tais como aqueles criados por ponto de operação, entrada de cilindros, peças girando, lançamento de chips e faíscas. Exemplos de métodos de proteção; barreiras de proteção,  dispositivos bimanuais de proteção, dispositivos de segurança eletrônicos, etc.
Requisitos gerais para proteção de máquinas. A proteção deve ser fixada em máquinas sempre que possível e garantido em outros lugares, se por qualquer razão na máquina não é possível. A proteção deve ser tal que não oferece risco de acidente. No nosso caso, ver a norma NR-12 Máquinas e Equipamentos

10. SISTEMAS ELÉTRICOS- INSTALAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO – 2.745 INFRAÇÕES
Equipamentos elétricos devem estar livres de riscos reconhecidos que são susceptíveis de causar morte ou danos físicos graves aos empregados. No nosso caso, ver a norma NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Fonte: @ZR, OSHA-U.S Department Labor

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quinta-feira, junho 25, 2015

Tecnologia que projeta informações no para-brisa do veículo preocupa especialistas


Um popular vídeo no YouTube mostra um homem dirigindo por Los Angeles quando o seu celular toca. A imagem da mãe do rapaz aparece numa telinha montada sobre o painel do carro.

Mas há um truque óptico: a imagem aparece para o motorista como se estivesse flutuando logo à frente do carro, acima da faixa de rolamento. O homem atende à ligação com um gesto. "Oi", diz a mãe pelos alto-falantes. "Só queria dizer que te amo."

"Também te amo", responde o protagonista, que antes de desligar comenta: "Estou fazendo um vídeo neste momento".

Trata-se de um vídeo promocional da Navdy, uma das várias start-ups que propõem soluções tecnológicas para a distração ao volante -ou como evitá-la. Esses aparelhos projetam no campo de visão do motorista informações sobre o trânsito e dados enviados pelo smartphone.

Há várias versões dessa nascente tecnologia, mas todas geralmente funcionam com um projetor sem fio que colhe informações do telefone e usa sofisticados processos ópticos para permitir que as informações -mapas, velocidade, mensagens recebidas, identificação de chamadas e até notificações de redes sociais- flutuem sobre o painel. Gestos com as mãos ou comandos de voz permitem que o motorista atenda ou desligue uma ligação, por exemplo.

O aparelho da Navdy começará a ser distribuído no final deste ano. Não se sabe se ele funcionará tão bem quanto no vídeo quando for utilizado nas condições imperfeitas da vida real. Ainda assim, o aparelho cai numa categoria de engenhocas automotivas que poderia ser descrita como "dá para ter tudo, sim". Dirigir, receber mensagens, falar ao telefone e até mesmo interagir nas redes sociais -mas sem abrir mão da segurança, segundo os fabricantes desses aparelhos, conhecidos em inglês como "head-up", por permitirem que o motorista permaneça com a cabeça erguida.

Algumas montadoras de veículos já usam um recurso especial no para-brisa para projetar informações básicas sobre a condução, como a velocidade do veículo e o trajeto, de modo que o motorista não precise abaixar o olhar para o painel. O Google, com o Android Auto, e a Apple, com o CarPlay, também embarcaram nessa promissora indústria. Ambos permitem que celulares sejam conectados à entrada USB do carro, transmitindo a informação do celular para um monitor sobre o painel.

O argumento em prol desses aparelhos é simples: os motoristas vão usar o celular de qualquer maneira, então por que não minimizar os tipos mais arriscados do comportamento multitarefa -como a prática de manusear o celular ou abaixar o olhar para o aparelho?

"A melhor forma de lidar com isso é tornando-o o mais seguro possível", disse Nagraj Kashyap, da empresa Qualcomm Ventures, que investiu US$ 3 milhões no Navdy.

Mas especialistas na ciência da atenção dizem que alguns dos novos projetores podem estar elevando riscos evidentes.

"É uma péssima ideia", disse Paul Atchley, psicólogo da Universidade do Kansas que estuda a distração ao volante. "A tecnologia foi impulsionada pela falsa suposição de que para enxergar basta ter os olhos fixos no ponto certo", disse ele.

O aparelho da Navdy, que custa US$ 299, já recebeu mais de 6 milhões de pré-encomendas, segundo Doug Simpson, criador da empresa. Simpson disse que teve a ideia do aparelho durante uma viagem a Bancoc (Tailândia). Ele quase bateu seu carro quando tentava entender um mapa no celular enquanto dirigia por ruas desconhecidas.

Mapas, instruções de trajeto e outras informações sobre a condução do veículo são recursos importantes de vários desses produtos, com base na ideia de que qualquer tarefa relacionada ao ato de dirigir deve ser feita da forma mais segura possível.

Produtos como o da Navdy encontraram espaço em parte porque muitos consumidores consideram ruins as telas de toque originais dos veículos, e pesquisas mostram que os sistemas de comando por voz podem ser tão imprecisos que acabam criando distrações.

O aparelho da Navdy exibe velocidade, mapa e notificações de chamadas e mensagens de texto com a identificação do remetente, mas não a mensagem propriamente dita. O motorista enxerga algo semelhante a um holograma flutuando diante do para-brisa, segundo Simpson.

No vídeo do YouTube, o motorista diz que a tecnologia é "parecida com aquela que os pilotos de companhias aéreas usam ao pousar". Ele acrescenta: "Ouviu? Pilotos usam. É seguro".

"Não é verdade", rebateu Christopher Wickens, professor da Universidade Estadual do Colorado e um dos maiores especialistas americanos em utilização segura dos projetores "head-up" no transporte.

As telas usadas nos aviões projetam apenas informações essenciais para o voo, como um esboço da pista ou do horizonte, e -o que é mais importante- essa informação costuma ser mostrada como uma camada visual adicional que coincide com a pista ou o horizonte reais.

Já o monitor "head-up" em um carro dá informações alheias à condução do veículo. "É uma bagunça, contribuindo para um erro em potencial ou para uma distração que contribua para um erro em potencial." Neurocientistas e ativistas das questões de segurança dizem que qualquer bagunça visual perturba a concentração, pois faz o motorista prestar menos atenção na pista. Essa distração faz com que seja extremamente difícil ao motorista reagir a uma ameaça repentina.

Há outra preocupação: a tecnologia "head-up" voltada para a comunicação e as redes sociais cria o risco de tornar normal o comportamento multitarefa, "como se estivéssemos dizendo às pessoas que é OK fazer isso", disse Deborah Hersman, executiva-chefe da Comissão Nacional de Segurança dos EUA.

Outra abordagem dessa nova tecnologia vem de uma start-up de Vancouver, no Canadá, chamada DD Technologies. A empresa foi criada por dois empresários que disseram ter tido a ideia após ver um filme da série "Homem de Ferro". O monitor que eles fabricam, o Iris, permite que o motorista chegue a ler o conteúdo de uma mensagem. Mas os fabricantes dizem não estimular esse comportamento -bem, não exatamente. "Não estamos dizendo que você deva digitar enquanto dirige", disse Dino Mariutti, um dos sócios. "Estamos dizendo que você deve tornar isso mais seguro." Fonte: @ZR, Folha de São Paulo - 20 de junho de 2015 - New York Times

Vídeo

Comentário: O cérebro humano é incapaz de realizar duas tarefas simultaneamente.  
Uma “tarefa” não é apenas um serviço a ser realizado, mas algo que requer nossa atenção. Atenção envolve o estreitamento ou foco seletivo de consciência e receptividade. O que acontece quando tentamos focar nossa atenção dessa forma em mais de uma tarefa por vez? Os resultados de pesquisas nos dão algumas respostas:
■ Para estudantes, o aumento de tarefas simultâneas levou a resultados acadêmicos piores;
■ Pessoas “multitarefa” levam mais tempo para realizar suas tarefas e cometem mais erros;
■As pessoas têm mais dificuldade em reter novas informações quando realizam várias tarefas ao mesmo tempo;

A neurociência cognitiva contemporânea diz que o ser humano foi feito para realizar apenas uma tarefa por vez. Ela sugere que uma pessoa multitarefa não está realizando várias tarefas ao mesmo tempo, mas sim trocando rapidamente de uma tarefa para outra. É preciso tempo e esforço cerebral para voltar a se concentrar em uma tarefa após esse processo de comutação.

No processo de troca, perde-se tempo e recursos cerebrais, tornando a atividade multitarefa 40% menos produtiva que realizar as tarefas sequencialmente. Não só se leva mais tempo para completar as tarefas, mas também se prejudica a realização das mesmas.

Cada tarefa compete por uma parte da quantidade limitada de recursos cognitivos disponíveis, assim, a realização de uma tarefa interfere nas outras. Isso é conhecido como “teoria do gargalo” (Cognitive Botteneck Theory – CBT). Em última análise, processar duas ou mais tarefas exigindo nossa atenção simultânea significa que a mente vê as duas tarefas como uma distração, em vez de um foco.

O resultado é que informações importantes podem passar despercebidas, o tempo de reação pode ser retardado e pode haver lapso de atenção. Erros, falsas percepções e tomadas erradas de decisão podem ocorrer, criando situações inseguras. Fonte: Review Seaways - “Multitasking and Safety”, edition december 2014, Nautical Institute

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terça-feira, junho 23, 2015

Samsung cria caminhões com telas traseiras para facilitar ultrapassagem

Na Argentina, uma pessoa morre em acidente de carro por hora, de acordo com dados apresentados pela Samsung. E a maioria dessas mortes acontece em estradas, quando motoristas tentam realizar ultrapassagem, afirma a empresa. Motivada a salvar vidas, a companhia coreana instalou uma tecnologia para instalar em caminhões próprios, criando o chamado “Samsung Safety Truck” (caminhão de segurança Samsung, em tradução livre).

Trata-se de um veículo de carga equipado com uma câmera na parte frontal, que se conecta a quatro telas instaladas nas portas de trás do caminhão por meio de um sistema sem-fio. Assim, os painéis transmitem em tempo real a motoristas que estejam atrás o que acontece na estrada à frente do caminhão, o que facilita a ultrapassagem.

A câmera dos veículos também possui tecnologia de visão noturna, para que motoristas atrás do caminhão também possam enxergar o que vem na estrada à noite. Fonte: @ZR, Correio Braziliense - 18/06/2015

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terça-feira, junho 16, 2015

Primeiro caminhão com piloto automático é apresentado nos EUA

A Daimler Trucks North America (DTNA) apresentou  em Las Vegas, o primeiro caminhão autônomo do mundo - algo que promete ser uma revolução nos transportes.
Segundo Wolfgang Bernhard, membro do conselho da divisão de caminhões e ônibus da Daimler AG, o Inspiration Truck ainda terá um motorista.
Aos "caminhoneiros do futuro" caberá apertar um botão no volante que ativará o dispositivo de direção automática. Depois, bastará monitorar os sistemas eletrônicos de veículo e intervir em caso de mau funcionamento. Além disso, o piloto eletrônico só funciona em rodovias - nos centros urbanos, quem dirige é o humano.

INSPIRATION TRUCK
O Inspiration possui câmeras, radares e sensores que fornecem constantemente informação sobre o estado da rodovia e do tráfego a um sistema de piloto automático. Um computador de bordo se encarrega de fazer com que o veículo ande na velocidade legal permitida, circule dentro das marcações da pista e mantenha a distância de segurança adequada dos outros veículos para poder frear a tempo.
Como em um avião, esse caminhão do futuro não é completamente automático, já que o condutor precisa estar sempre sentado à frente do volante mesmo que tenha um iPad em suas mãos. O controle é transferido ao caminhoneiro ao sair da rodovia. Os responsáveis da Freightliner explicam que isso reduzirá o cansaço do condutor e aumentará a produtividade.

O veículo foi submetido a intensos testes – precisou percorrer mais de 15.000 quilômetros em um circuito – antes do Estado de Nevada conceder-lhe a licença. É um dos poucos nos EUA que conta com uma legislação especifica para conceder licenças a veículos automáticos. A Mercedez-Benz, como a Audi, também está realizando testes semelhantes com utilitários de trabalho pesado.
A visão para esses caminhões automáticos é que no futuro poderão até mesmo comunicarem‑se eletronicamente, o que permitirá a viagem em comboio e desta forma reduzir o consumo de combustível graças ao benefício da aerodinâmica, como explicou Wolfgang Bernhard, responsável pelas operações comerciais dos caminhões da Daimler.
O motorista pode assumir o controle da máquina a qualquer momento. E é ele quem será responsabilizado em caso de acidente.  Os caminhões autônomos ajudarão a reduzir acidentes, consumo e congestionamentos – explica Bernhard durante a apresentação.

Dois protótipos foram construídos para testes e demonstrações. São autônomos "Nivel 3", ou seja: os sistemas eletrônicos podem assumir o controle em determinadas condições de tráfego, mantendo o veículo na faixa, a velocidade legal e guardando distância segura para o carro da frente.
O caminhão inteligente não requer estradas especiais e pode rodar pelas rodovias atuais. Consegue "ler" placas e sinais. Os sensores e computadores empregados para o modo autônomo já são usados em um dos modelos da Freightliner. A diferença é que, no Inspiration Truck, os sistemas foram combinados e "sabem fazer mais contas". Além disso, há um conjunto de câmeras e radares.

Visualmente, os protótipos se destacam por trazer kits aerodinâmicos (com direito a rodas tapadas) e luzes por leds. A cabine é minimalista, reduzindo ao mínimo os comandos para o motorista.

LIBERADO EM NEVADA
Nevada é um dos únicos quatro estados dos EUA que já têm leis especiais que permitem a circulação de veículos autônomos. A legislação local especifica o quanto o carro ou caminhão deve ser testado antes de receber placas que liberem seu uso.

FASE EXPERIMENTAL
Não é possível definir quanto um caminhão desses poderá custar se eventualmente forem postos à venda. Ted Scott, da American Trucking Association, diz que o sucesso dessa tecnologia dependerá das vantagens que ela trouxer ao profissional que estará ao volante dessas máquinas.
Mas sobretudo a confiança que o sistema pode dar, já que a intuição do humano é impossível de copiar em um programa informático. Os caminhões, como diz Scott Grenerth da Operator Independent Drivers Association, têm uma margem de manobra muito limitada por seu tamanho e isso obriga os motoristas a sempre antecipar o que vai acontecer.
Assim, o caminhão inteligente dependerá de uma futura legislação federal para ser autorizado a fazer viagens interestaduais. Fontes: @ZR, O Globo - 06/05/2015; El País - Nova York 8 May 2015 

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sexta-feira, junho 12, 2015

Inmetro proíbe venda do berço Nanna da Burigotto por risco de asfixia

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) determinou a retirada imediata do mercado do berço da marca Burigotto, modelo Nanna, por risco de asfixia.

A suspensão do registro do berço foi anunciada no dia 3 de junho após o relato da morte de um bebê em Minas Gerais no início do ano.

O Inmetro informou que novos estudos sobre a segurança do produto, simulando diversas posições e travamentos do berço, "evidenciou risco de asfixia em espaçamento indevido entre as laterais e extremidades dos berços e os colchões".

O caso relatado ocorreu no dia 01/02/2015 no estado de Minas Gerais. Cabe ressaltar que não cabe ao Inmetro a investigação do acidente em si, mas apenas a realização de um diagnóstico de risco do produto seguido de ações de mercado para que seja conferido um maior grau de segurança ao usuário. O Inmetro fiscaliza o padrão e as medidas dos produtos brasileiros.
O consumidor que possuir este modelo de berço dobrável deve suspender imediatamente o uso e entrar em contato com a empresa.
A Burigotto informou em comunicado que já iniciou a retirada do berço Nanna dos pontos de venda e que aguarda a conclusão dos novos testes exigidos pelo Inmetro.

COMUNICADO DA EMPRESA:
Com mais de 60 anos de experiência no mercado, a Burigotto garante que toda a sua linha de produtos, incluindo o berço Nanna, segue todos os padrões de segurança exigidos pelo Inmetro, e possui autorização para comercializar seus produtos no mercado.

Entretanto, por determinação do órgão, através de ofício recebido no dia 01/06, a Burigotto iniciou imediata e preventivamente a retirada do berço Nanna dos pontos de venda. A empresa ressalta, ainda, que não foi notificada quanto à possibilidade de recall e que aguarda a conclusão dos novos testes recém exigidos pela Portaria.

O berço Nanna é comercializado pela Burigotto há mais de seis anos, com certificação do Inmetro, e, inclusive, sempre esteve dentro dos prazos de manutenção do certificado. O berço é referência no mercado e nunca houve antes registro de acidentes envolvendo o produto.

A Burigotto está à disposição para todos os esclarecimentos e testes técnicos necessários.
O Ministério da Justiça informou que foi aberta uma investigação no Departamento Nacional de Defesa do Consumidor, e que a empresa foi notificada no dia 3 para comunicar o recall. A empresa tem 10 dias para responder a notificação.

A Proteste Associação de Consumidores orienta os pais que tenham o produto a entrar em contato com a empresa para pedir o dinheiro de volta ou a troca por outro produto. Fonte: @ZR, G1-08/06/2015

Comentário:  Comunicado da Burigotto de 29 de junho.
A fabricante de produtos infantis Burigotto comunicou na segunda-feira, 29 de junho, que fará o recall dos berços dobráveis modelo "Nanna" por risco de asfixia e de prender os membros do bebê entre a base acolchoada ou o colchão e as laterais e extremidades do berço. Segundo a empresa, o atendimento aos consumidores começará no dia 13 de julho.

Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, o recall envolve 252 mil berços. Fazem parte do recall os berços com a referência IXBE5029, fabricados entre 1º de junho de 2008 e 30 de abril de 2015.
A Burigotto recomenda que o berço deixe de ser utilizado. Os proprietários dos berços devem procurar a companhia pelo telefone 0800 7702298 e pelo o site www.burigotto.com.br. A empresa vai fornecer um cesto complementar para ser utilizado dentro do berço e, também, um novo manual de instruções contendo as informações para sua utilização.

"Esta ação tem a finalidade de continuar preservando o bebê de riscos, como asfixia e/ou aprisionamento de membros entre a base acolchoada ou o colchão e as laterais e extremidades do berço", diz o comunicado do recall publicado no site da empresa. Fonte: G1-29/06/2015

Simulação de um acidente que ocorreu com um bebê de 7 meses (sufocamento), não fatal, com um berço semelhante.
A mãe encontrou o bebê na posição da simulação. O bebê entrou no vão entre o colchão e a lateral do berço.
Em abril de 2009 nos EUA, A agência  de Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor dos EUA emitiu um aviso de recall por um berço semelhante.
Os lados do berço são feitas de tecido que se expande quando pressionado, criando um vão entre o lado e o colchão do berço e a criança pode escorregar para esse vão e ficar presa ou ser sufocada.
Os pesos de bebês na faixa etária de 6 meses a 12 meses variam de 7,7 kg a 10 kg. É um peso considerável para pressionar o tecido que tem a função de uma grade.

Enquanto as empresas certificadoras seguem  suas normas de testes,  o consumidor segue o seu instinto para provocar acidente. Para isso é importante o registro de acidentes ocorridos  e os ensinamentos que possam ser tomados para prevenir futuros acidentes. Todo projeto traz seus riscos ocultos.
A casa é um labirinto de riscos camuflados que se espreitam, faltando apenas o toque mágico para que eles comecem a trabalhar negativamente provocando acidentes, principalmente em crianças. A criança está descobrindo o seu mundo ou o seu redor, mexe em tudo  que está em seu  alcance para brincar,  subir, pendurar, puxar ou enrolar nas partes móveis, lâminas, cordões, etc. e provocar acidentes. A criança é Indiana Jones em busca de aventura e perigo, portanto os pais deverão estar atentos das brincadeiras das crianças, o menor descuido é fatal.

Fases da criança
■ 0 aos 6 meses - a criança precisa de proteção o tempo todo e os acidentes tendem a ocorrer mais freqüentemente quando ela adquire o hábito de se virar, engatinhar e pegar objetos.
7 aos 12 meses - As crianças nesta faixa etária, já começam a engatinhar, ficam de pé e podem começar a caminhar. Eles põem tudo na boca. Deve-se ter cuidado
■ 1 a 3 anos - as crianças de 1 a 2 anos são muito ativas e têm necessidade de investigar, escalando, abrindo portas e gavetas, retirando coisas de armários e brincando. Elas estão muito interessadas no que estão fazendo e tem pouca consciência dos perigos que podem estar correndo.
■ 3 a 5 anos - a criança explora a vizinhança, corre, escala, anda com velocípede, aprende a andar de bicicleta, brinca com outras crianças, atravessa a rua e esses movimentos precisam ser feitos sob atenta vigilância.

Acidentes
■ 91% das mortes por sufocamento ou estrangulamento acidental na cama ocorrem com crianças com menos de 1 ano. Dados do Ministério da Saúde – Datasus – 2006
Dados dos EUA
■Quase 10 mil bebês e crianças pequenas são feridos em acidentes de berço e cercadinho cada ano, de acordo com dados de análise nacional obtidos em hospitais de emergência.
 A maioria das lesões foi de quedas com crianças com idades entre 1 a 2 - geralmente com idade suficiente para tentar escalar um berço ou cercadinho.
■Em média 26 crianças por dia, sofrem acidentes em berço.
■ Os autores do estudo também analisaram dados nacionais no período 1990-  2008 sobre as lesões tratadas em hospitais de emergências, principalmente em lesões não fatais relacionadas com berços, carrinhos e berços. No geral, 181.654 crianças ficaram feridas. A maioria das crianças não foi hospitalizada. Os dados mostram que houve 2.140 mortes, mas que não inclui as mortes relacionadas com berço em crianças que não receberam tratamento de emergência (hospitalização). O estudo foi feito pela Academia Americana de Pediatria e publicado pela revista médica Pediatrics. @ZR 

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terça-feira, junho 09, 2015

Acidente e incêndio no túnel Gotthard, na Suíça

O túnel rodoviário Gotthard foi o cenário de um acidente em túnel nos Alpes. O túnel de 16,3 km é a rota principal norte-sul através dos Alpes, entre Itália e Suíça e também o segundo mais longo do mundo, após o túnel norueguês Laerdal. Trafega pelo túnel diariamente mais de 18.000 veículos.
Os dois caminhões chocaram-se de frente, na quarta-feira, 24 de outubro de 2001, no interior do túnel. Um deles estava carregando pneus que pegou fogo após a colisão, produzindo um forte calor e uma densa fumaça.

VEÍCULOS ABANDONADOS
Alguns motoristas que estavam no túnel no momento do acidente abandonaram seus veículos e fugiram a pé, enquanto outros teriam ficado presos no túnel.
"Havia muita fumaça, não conseguia enxergar nada", disse Marco Friscknecht, que dirigia seu carro na hora do acidente. "Tentei retornar com meu carro, mas era tanta gente que desisti. Saí e corri para uma das saídas de emergências, onde me salvei."
A maior parte dos sobreviventes conseguiu sair do túnel utilizando as saídas de emergência, que se situam a cada 250 metros.

OUTROS VEÍCULOS FORAM ENVOLVIDOS PELO ACIDENTE
"Não foram só os dois caminhões - vários outros veículos foram envolvidos no acidente", disse outro porta-voz da polícia, Herbert Planzer, horas depois da colisão.

PNEUS PRODUZEM MUITO CALOR
“Os pneus produzem incêndios de longa duração e de combustão elevada e as chamas são muito difíceis de controlar", disse Glockling, diretor da Associação de Proteção contra Incêndio do Reino Unido. "A estrutura do pneu  tem um formato difícil (coroa circular), para receber um jato d’água de uma mangueira, porque contem cavidade e também a água atinge apenas a superfície e salta (a área de resfriamento do pneu é muito pequena, pois a água molha superficialmente a carcaça do pneu e grande parte da água é perdida)".
Mayur Patel, da Universidade de Greenwich do Reino Unido, especializada em incêndios desta natureza, acrescenta que incêndio em borracha é extremamente difícil de apagar e pode queimar por mais de uma semana. A "borracha é um condutor muito pobre do calor, assim mesmo se você submergir um pneu em chamas na água, ele subirá na superfície e reacenderá", ele diz.
Glockling sugere que o transporte de combustíveis perigosos deve ser transportado em contêiner selado, retardante ao fogo, ou através de trem, assim poucas pessoas seriam colocadas em risco e questiona a “sensatez de permitir” o transporte de grandes cargas combustíveis em veículos comuns através de túneis, particularmente pneus.
Obs:
■O poder calorífico de pneu equivale ao do óleo combustível, ficando em torno de 40 Mj/kg (Megajoule por quilograma) (10 Mcal/kg). O poder calorífico da madeira é por volta de 14 Mj/kg (4 Mcal/kg) (Megacaloria por quilograma).
■Cada pneu contém a energia de 9,4 litros de petróleo.

COLAPSO DA COBERTURA DO TÚNEL 
O calor intenso do fogo, mais do que 1000°C, fez com que o revestimento de concreto do túnel lascasse e caísse fragmento e encurralando pessoas. O lascamento (spalling) ocorre quando minúsculos bolsões de ar no concreto expandem por causa do calor, fazendo com que os fragmentos grandes rachem e caiam explosivamente.  "O concreto com um aditivo plástico foi projetado para utilizar no revestimento da cobertura do túnel, que reduziria o efeito do lascamento (spalling)", disse Glocking. "Quando aquecido à temperatura muito elevada, o plástico derrete deixando canais minúsculos através dos quais o ar pode se escapar sem se tornar uma armadilha (queda de fragmentos)".

A COLISÃO FOI PRÓXIMA A SAÍDA DO TÚNEL
A colisão felizmente ocorreu  apenas a 1,6 km da saída do túnel, permitindo que um grande número pessoas, estimada em 1.500, escapassem do túnel.

DIFICULDADE DAS EQUIPES DE BOMBEIROS PARA ALCANÇAR O LOCAL DO ACIDENTE
Os bombeiros ainda não conseguiram chegar ao local do acidente por causa do incêndio que ainda está queimando tudo no local, mesmo depois de 24 horas.
As equipes de bombeiros retornaram à cena na quinta-feira (22/10), e estavam avançando lentamente em direção ao local do acidente com mangueiras e rajadas de ar altamente pressurizado (para eliminar a fumaça).
A temperatura próxima ao local caiu de 1.000 para 200o C, mas permanece demasiada elevada para os bombeiros aproximarem. As autoridades esperam que as equipes possam alcançar o local do acidente ainda na quinta feira.
Finalmente, na sexta-feira, 26 de outubro, os bombeiros conseguiram apagar o incêndio no túnel.
Aproximadamente 15 veículos foram soterrados pelo teto que desabou, em meio a temperaturas próximas a mil graus centígrados. 

CROQUIS DO DESASTRE



TÚNEL GOTTHARD – SEGURANÇA
Autoridades suíças afirmam que a inclusão de um serviço de emergência no Gotthard, que o Mont Blanc não tinha, salvou muitas vidas.
Barreiras automáticas impediram que mais veículos entrassem no túnel. Equipes de resgate foram alertadas em minutos.
O Gotthard tem um túnel paralelo de serviço que funciona como uma rota de fuga, para permitir que as equipes 
de resgate possam alcançar rapidamente o local de um acidente, embora, o corredor seja demasiado 

estreito para veículos do Corpo de Bombeiros.
Há área de refugio de segurança a cada 250 m em toda direção do túnel, que pode acomodar até 70 pessoas. O sistema de ventilação é capaz de renovar o ar no túnel em 15 minutos.

CORPO DE BOMBEIROS
Cerca de 150 bombeiros e outras equipes de resgate estavam no local.

PESSOAS DESAPARECIDAS
Pelo menos 120 pessoas ainda estão 

desaparecidas após o acidente. As autoridades suíças afirmam que o número de 128 desaparecidos é baseado no número de ligações para os telefones de ajuda da polícia e pode não ser uma indicação precisa do número de pessoas que morreram no túnel. "Não são 128 desaparecidos, são 128 anúncios de pessoas que estão procurando por outras pessoas", disse Michel Egger, autoridade suíça de Transportes, acrescentando que nem sempre as autoridades são informadas quando a família reencontra um desaparecido.
Egger afirma que há uma "grande possibilidade" de que muitos tenham escapado do túnel.

VITIMAS
Foram confirmadas 10 mortes no local.“A maioria das pessoas morreram por causa da fumaça”, disse o porta-voz, Luca Bieri, da policia do Cantão de Ticino.

BALANÇO DE VITIMAS: 11 mortes

ACIDENTE AFETA ITÁLIA
O acidente deixou a Itália sem suas duas principais vias de acesso ao norte da Europa, por onde são escoadas parte de suas exportações, além de servir como porta de entrada de turistas no país. Desde 1999, o incêndio no túnel Mont Blanc, que liga a França e a Itália e é próximo ao Gotthard, a passagem suíça se tornou o caminho mais utilizado pelos italianos.
As obras para a recuperação do Mont Blanc devem terminar somente em 2002. E ninguém ainda tem condições de afirmar por quanto tempo o Gotthard ficará fechado. O turismo e os negócios italianos serão afetados pela tragédia, segundo o presidente da Federação dos Transportes da Itália (Confetra), Pierro Luzzati. "A Itália está como uma pessoa presa em uma sala sem oxigênio", disse. "É um cenário sombrio".

REABERTURA DO TÚNEL
O túnel rodoviário suíço, St Gotthard, a principal ligação norte-sul através dos Alpes, reabriu quase dois meses após um incêndio, na sexta-feira, 21 de dezembro de 2001.

NOVAS MEDIDAS DE SEGURANÇA DO TÚNEL APÓS O INCÊNDIO
Os caminhões terão de manter uma distancia de 140 m entre eles e o túnel abrirá somente para eles em um sentido de cada vez. Os números de caminhões que podem trafegar diariamente pelo túnel foram reduzidos também de 5.500 para 3.500.

HISTÓRICO DE ACIDENTES EM TÚNEIS COM MATÉRIAIS  COMBUSTÍVEIS 
■Não é a primeira vez que materiais altamente combustíveis foram envolvidos em colisões no túnel alpino. Em 12 maio 2000, 12 pessoas morreram em incêndio provocado por colisão envolvendo um caminhão carregado com tintas, na Áustria, no túnel alpino Tauern de 6,5 quilômetros. O acidente prendeu também 50 motoristas.
■Em março 1999, 39 pessoas morreram quando um caminhão transportando poliestireno pegou fogo no túnel Mont Blanc.

DESCASO TORNA OS TÚNEIS PERIGOSOS - MOTORISTAS TÊM JORNADAS ESTAFANTES E NORMAS PARA CONSTRUÇÃO NÃO SÃO RÍGIDAS

A Europa, por causa das montanhas que ocupam seu centro (os Alpes, principalmente), é cheia de túneis ferroviários e rodoviários. E, infelizmente, há incêndios com freqüência nesses túneis. Neles, o menor acidente de algum veículo transforma-se em uma catástrofe.
Um desastre como o do túnel suíço não tem nada de excepcional. Nos últimos cinco anos, cinco ou seis dramas aconteceram nos túneis dos Alpes. Em 1999, o túnel franco-italiano do Mont Blanc ficou em chamas logo após um acidente de caminhões: 39 mortos queimados vivos e a obra, ultramoderna, foi fechada desde então. Na Áustria, país completamente encravado nos Alpes, houve três grandes acidentes em túneis.
E uma nova geração de túneis é desenvolvida, os túneis submarinos, sobretudo o túnel do Canal da Mancha, ao mesmo tempo ferroviário e rodoviário. Alertas foram feitos: um incêndio ali alcançaria dimensões extraordinárias. O custo humano é gigantesco. Mas também o custo industrial ou comercial: a construção dessas obras de arte tem um custo de arruinar.
E quando permanecem inutilizadas por muitos meses, como o túnel do Mont Blanc, todo o tráfego rodoviário europeu fica obstruído. Os caminhões têm de passar por desvios. O preço dos transportes aumenta, etc. A cada uma dessas catástrofes, um certo número de vozes reivindica o abandono dos transportes por túnel. Isso é praticamente impossível: o maciço dos Alpes, que ocupa uma grande parte da Europa, dos Bálcãs até Nice, na França, é tão espesso, tão abrupto, que somente os túneis permitem atravessá-lo.
Certamente, a solução não passa então pelo abandono dos túneis, mas por uma fiscalização rigorosa, por novas normas de construção e de utilização.

JORNADA ESTAFANTE DO MOTORISTA
Há uma outra causa para esses acidentes constantes: a fadiga dos motoristas rodoviários. As empresas transportadoras são implacáveis, os obrigam a jornadas desumanas e a dirigir além de qualquer fadiga tolerável. O acidente do túnel suíço parece ter sua origem nessa fadiga: um motorista de caminhão teria dormido ao volante e batido violentamente em outro caminhão.

CONCRETO SUBMETIDO A ALTAS TEMPERATURAS
A ação de altas temperaturas sobre o concreto pode ser sentida sob o aspecto do material e sob o aspecto estrutural.
Até cerca de 300º C  o concreto não se ressente demais da ação do incêndio. Fundamentalmente ocorre a perda da água capilar que, entretanto, não ocasiona mudança significativa na estrutura do cimento hidratado.
Por volta de 300º C  começam a surgir fissuras superficiais e inicia-se a perda de água de gel.
Entre 400 e 500º  C ocorre à desidratação da água combinada  quimicamente. Inicia-se então uma perda rápida da resistência mecânica. Pode-se dizer que por volta de 500º  C, a resistência mecânica do concreto reduz pela metade. O módulo de elasticidade tem um andamento semelhante.

LASCAMENTO (SPALLING)
O lascamento (spalling) é um processo mais ou menos explosivo que sofrem os materiais, em que pedaços de material como concreto ou argamassa são lançados a distância, durante um incêndio. Como conseqüência, fissuras podem se formar por onde penetra  o calor, aquecendo as partes mais internas do elemento estrutural dando como resultado uma redução na resistência ao fogo. Outras vezes, o lascamento pode colocar em exposição direta a armadura e isso conduzir rapidamente o elemento estrutural  ao colapso.
São dois os mecanismos básicos pelo qual esses materiais lascam:
■Formação de um gradiente de temperaturas de fora para dentro do material e a conseqüente dilatação diferenciada que geram tensões internas.
■Vaporização da água contida no material e que não conseguindo ser eliminada para o exterior cria também tensões internas.

UMIDADE
Os materiais não metálicos contêm umidade, na forma capilar. A água em forma capilar existe nos poros do material, ao qual se fixam por adsorção, e estão em permanente equilíbrio com a umidade do meio ambiente. Quanto maior a porosidade do material (quanto maior a sua superfície especifica) maior é a quantidade de água que ele pode conter.
O concreto é um material capaz de conter umidade em elevadas proporções. Estima-se que um aumento de 1% (em volume) da umidade é capaz de aumentar a resistência ao fogo do concreto em 5%. É por essa razão que os materiais que apresentam elevado teor de água associado (inclusive a água de crista1ização) como o gesso, tem melhor comportamento ao fogo do que os "secos". 
Por volta de 100o C, o concreto dá início a perda de água que está retida na forma capilar e por volta de 500o C a água que está retida na forma molecular. Fonte: Evolução e propagação do fogo – Prof. Dr. Francisco Romeu Landi – 1987 - USP

Fonte: @ZR, BBC Brasil, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Folha Online, BBC News, NewScientist, Swissinfo, no período de 24 de outubro de 2001 a 21 de dezembro de 2001

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quinta-feira, junho 04, 2015

Unhas perfeitas, trabalhadores doentes

O artigo expõe os riscos para a saúde e as condições de trabalho injustas vividas por trabalhadores em salões de beleza.

Algumas substâncias químicas usadas em produtos para unhas têm sido associadas alguns tipos de câncer, abortos, doenças pulmonares e outras doenças, mas indústria tem dificultado a sua regulamentação.

Cada vez que uma cliente abria a porta de vidro do salão em Ridgewood, Queens, onde Nancy Otavalo trabalhava, um alegre coro de todas as manicures ecoava: "Escolha uma cor!"
Nancy Otavalo, uma imigrante equatoriana de 39 anos, quase sempre sentava na primeira mesa. Durante o corte e lixamento de unhas, ela falava de seu bebê, que estava começando a andar, ou seu filho robusto de nove anos. Mas ela nunca mencionou outro bebê que sonhou em ter, mas que perdeu no ano passado por causa de um aborto espontâneo..
Na segunda mesa  estava Monica A. Rocano, 30, que, algumas vezes trazia sua filha, mas as clientes nunca conheceram seu filho de três anos, Matthew Ramon. As pessoas pensam que Mateus é tímido, mas na verdade tem dificuldade em aprender a falar e andar.

Histórias semelhantes de doença e tragédia são abundantes nos salões de beleza em todo o país, de crianças que nasceram com algumas deficiências especiais, abortos espontâneos e cânceres, tosses  que não param e lesões cutâneas dolorosas. Estes casos têm se tornado tão comuns, que as manicures veteranas alertam as mais jovens que estão grávidas ou pretendem ficar grávidas para ficar longe desse tipo de trabalho, devido as fortes doses de esmalte, solventes, endurecedores e colas que usam diariamente.

Um número crescente de pesquisadores médicos  mostra a ligação entre as substâncias químicas que se utilizam nos produtos de beleza para unhas (os ingredientes que as tornam resistentes, flexíveis, de secagem rápida e têm cores brilhantes, por exemplo) também podem causa sérios problemas de saúde.
No entanto, o risco de uma cliente que busca embelezar semanalmente as unhas com uma manicure não é da mesma intensidade, pois as manicures manipulam os produtos químicos e respiram os vapores inúmeras  vezes ao dia, horas, dia após dia.

DOENÇAS
A prevalência de doenças respiratórias e de pele entre as pessoas que trabalham nos salões de beleza  são bem conhecidas. No entanto, há menos certeza quanto ao seu risco de desenvolver problemas médicos mais graves. Algumas substâncias químicas utilizadas nesses produtos podem causar câncer; outros têm sido associados ao desenvolvimento fetal anormal, abortos e outros danos de saúde reprodutiva.

Vários estudos encontraram no grupo de tratamento de beleza (manicures, cabeleireiros e maquiadores de artistas) elevadas taxas de morte por doença de Hodgkin  ( linfoma de Hodgkin, uma forma de câncer que se origina nos linfonodos, gânglios,  do sistema linfático),  nascimento de bebês com baixo peso e mieloma múltipla, uma forma de câncer.

As conclusões são bastante imprecisas, em parte porque a pesquisa é muito limitada. Muito pouca pesquisa concentrou-se especificamente nas manicures; sabemos muito pouco sobre a verdadeira dimensão da exposição a produtos químicos perigosos ou qual é o seu efeito cumulativo a longo do tempo e se uma conexão realmente pode ser estabelecida para  sua saúde.
A lei federal que regulamenta  a segurança dos produtos cosméticos tem mais de 75 anos e não obriga as empresas a compartilhar informações com a Food and Drug Administration (FDA). A lei proíbe ingredientes prejudiciais aos usuários, mas não contém disposições para a agência possa avaliar os efeitos dos produtos químicos, antes de chegar às lojas. Os lobistas das indústrias combatem duramente as exigências de fiscalização.

Porta-vozes da indústria dizem que seus produtos contêm pequenas quantidades de substâncias químicas consideradas potencialmente perigosas  e não representam uma ameaça.
"O que eu ouço são insinuações baseadas em suposição ", disse Doug Schoon, co-presidente da Associação Profissional de Beleza do Conselho de Segurança dos fabricantes de adesivo para unhas, acrescentando: "No que diz respeito ao esmalte, não há nenhuma evidência de dano. "

Defensores da saúde e trabalhadores discordam, observando a evidência acumulada. "Sabemos que muitos dos produtos químicos são muito perigosos", disse David Michaels, secretário-assistente da Administração Federal de Segurança Ocupacional e Administração de Saúde (OSHA),  agência que fiscaliza a segurança no local de trabalho. "Não precisamos ver o efeito sobre as manicures para saber que é prejudicial para os trabalhadores", acrescentou.

Tal era a quantidade de problemas de saúde entre a maioria das manicures vietnamitas em Oakland, Califórnia, que os trabalhadores de serviços de saúde asiáticos, uma organização comunitária local, decidiu investigar o caso uma década atrás.
"Dissemos, o que está acontecendo nessa comunidade?  Disse Julia Liou, diretora do programa de planejamento e desenvolvimento do centro de saúde e co-fundadora  do  Salão de Beleza Saudável da Califórnia. "Estamos enfrentando uma epidemia de pessoas doentes", disse ela.
A organização ajudou a formar um grupo na Califórnia, que fez pressão para que as restrições de produtos químicos utilizados em salões de unha fossem aprovadas, mas a indústria de cosméticos conseguiu bloquear a proibição.

 Nos últimos anos, tendo em vista as crescentes preocupações com a saúde, alguns fabricantes de esmalte disseram que  tinham removidos dos seus produtos algumas substâncias sujeitas a controvérsia. No entanto, quando a agências governamentais submeteram  tais produtos a testes aleatórios mostraram que os produtos químicos ainda estavam presentes.

Alguns Estados e Municípios recomendam as manicures usarem luvas e outras proteções, mas os proprietários dificultam sua utilização. Embora as autoridades oficiais que supervisionam as condições de segurança no local de trabalho reconhecem que a norma federal que estabelece os níveis de segurança das substâncias químicas devem ser revistas, mas nada foi feita.
Portanto, as manicures continuam aplicando esmalte, removendo e lixando unhas artificiais, enquanto absorvem substâncias químicas que são potencialmente prejudiciais para sua saúde.

Há milhares de mulheres trabalhando, mas ninguém pergunta: O que está acontecendo com você? Como você se sente? "Nós fazemos outra coisa senão trabalhar e trabalhar". Não podemos respirar, disse Nancy Otavalo.

SINTOMAS SEMELHANTES-TOSSE
Ao longo das décadas como um especialista em medicina chinesa, na comunidade asiática, Dr. Charles Hwu's,  encontrou repetidamente um determinado conjunto específico de doenças que afetam algumas mulheres saudáveis.  "Em geral elas vem com problemas respiratórios, alguns sintomas semelhantes a uma alergia, e também sintomas de asma, elas não podem respirar", ele disse durante uma pausa entre os pacientes.
"A julgar pelos sintomas dessas mulheres parecem ser fumantes, fumantes passivas ou pacientes com asma, mas elas não são nada disso. Elas trabalham em salões de beleza", ele disse.
Em entrevistas com mais de 125 manicures, doenças das vias respiratórias como aquelas do consultório do Dr. Hwu estavam presentes.
Muitos aprenderam a conviver com esses problemas: um nariz que sangra constantemente, ou a garganta que dói todos os dias, desde que começaram a trabalhar como manicure.

Em seu salão de Beleza, em Mill Basin, Brooklyn, Eugenia Colon passou anos modelando e preparando dezenas de unhas acrílicas por dia em uma nuvem de pó de acrílico, ignorando uma tosse persistente que ficou mais forte ao longo do tempo. Mais tarde, soube que padecia de sarcoidose, um tipo de inflamação nos pulmões. Na tomografia seus pulmões pareciam estar cobertos com grãos de areia, riscados por pequenas cicatrizes.

O médico que diagnosticou sua doença, perguntou a Colon  o que ela fazia para viver.
Quando ela contou-lhe, o médico explicou que, enquanto embelezava outras mulheres inalava nuvens de acrílico e outros pós, partículas minúsculas   que feria o tecido mole de seus pulmões.

Das 20 substancias químicas comuns para unhas que causam problemas de saúde  estão listadas em um livro publicado pela Environmental Protection Agency (EPA)  e , 17 são perigosas para o trato respiratório. A superexposição de cada um delas provoca sintomas como queimação na garganta ou nos  pulmões com dificuldade em respirar ou falta de ar.

Um estudo de 2006 publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine, que incluiu mais de 500 manicures do Estado de Colorado, encontraram 20% delas tinham  tosse na maioria dos dias e noites. A mesma pesquisa mostrou que os funcionários que trabalhavam com unhas artificiais eram três vezes mais propensos a se tornarem asmático, como resultado de seu trabalho, em comparação com alguém que não trabalhava nessa atividade.

PELE –LESÕES DOLOROSAS
 Problemas de pele também estão presentes entre as manicures. Muitos dos produtos químicos utilizados nesses estabelecimentos são classificados por agencias governamentais  como sensibilizadores da pele capazes de provocar reações dolorosas..
Algumas manicures experientes dizem que podem reconhecer um colega quando vêem na rua têm as mesmas manchas marrons nas bochechas.
Pesquisadores descobriram que certos corantes  cosméticos, especialmente um tipo de vermelho brilhante, causam  descoloração da pele.

Foto-Impressões digitais quase inexistentes

Quando Ki Chung Ok, uma manicure que trabalhou em salões de beleza por quase duas décadas, tirou as impressões digitais no início de 2000 para obter a cidadania americana, ela descobriu algo perturbador: as impressões digitais eram quase inexistentes.
Eles tiveram de tirar as impressões várias vezes.  Ela acredita que o trabalho em curso com arquivos, solventes e emolientes  foram responsáveis. "Eu percebi que as minhas impressões digitais foram desaparecendo", ela disse. Hoje, ela não pode tocar pratos quentes ou frios, sem sentir uma dor aguda.

Mesmo quando o clima esquentou com a chegada da primavera do ano passado, Zoila Street,então, com 22 anos, manicure que trabalhou no Harlem, ainda usava luvas, tanto ao ar livre, como em casa. Por baixo das luvas escondia bolhas negras tão doloridas  (pústulas), que não conseguia  segurar um frasco de esmalte, ou usar celular.
Foi segunda vez, suas mãos desenvolveram verrugas, uma doença comum entre os trabalhadores em salões de beleza. Enquanto os clientes muitas vezes se preocupam com a higiene das instalações, as manicures estão assumindo o risco real, e sofrendo com inúmeras infecções por fungos e outras doenças de pele  pelo número de mãos e pés que tocam todos os dias.

ABORTOS E AVISOS
De certa forma, Rocano, uma das manicures do salão de Ridgewood, considerava-se com sorte. Suas colegas sentadas ao seu lado perderam seus bebês na gravidez no ano passado, que descreveram exatamente na mesma maneira: “Foi como perder um sonho”.
No entanto, ela teve o seu bebê. Quando nasceu Matthew tinha cabelos castanhos e pele cor âmbar,  um menino  que sua mãe carregava esperanças. No entanto, à medida que o bebê crescia, parecia que algo não estava tudo bem. Suas pernas eram débeis; dobravam-se quando  ficava em pé. Aos  três anos ainda não podia dizer seu nome. Em visitas ao pediatra, Mônica A. Rocano descobriu que o desenvolvimento de Matthew estava atrasado em quase todas as medições, tanto física como cognitiva.
Em um dia, seu médico perguntou-lhe o que ela fazia para viver. Quando Rocano disse-lhe, ele perguntou durante quanto tempo tinha trabalhado no salão de beleza durante sua gravidez. “Seis meses”, ela disse. O médico disse-lhe: “quando os bebês  estão em formação no ventre,  absorvem tudo, e se eles estão expostos a qualquer coisa, pode causar-lhes mal”, ela lembrou.

Um dia, faz cinco anos, o médico  avisou novamente uma manicure que trabalha na mesa à direita de Rocano, em sua consulta na unidade de obstetrícia em Wyckoff Heights Medical Center em Brooklyn. Ela  soube que tinha perdido o bebê pela terceira vez.
Nos meios científicos as três substâncias químicas usados nos produtos para unhas associados com os problemas de saúde mais graves são; o  dibutil ftalato, o tolueno e o formaldeído; eles são conhecidos como o “trio tóxico” entre os advogados das manicures.

DIBUTIL FTALATO- PROIBIDA NA UNIÃO EUROPÉIA
O dibutil ftalato, (DBP,  dibutyl phthalate) é usado no esmalte para dar o brilho, e outros produtos sejam maleáveis.
Na Austrália esta substância faz parte da lista de substâncias tóxicas para a reprodução, e os produtos que as contêm devem incluir em sua etiqueta as seguintes frases: “pode ocasionar danos ao feto” e “possível risco de comprometer a fertilidade”.A partir de junho de 2015  o uso dessa substância química em cosméticos será proibida no país.
O DBP é um dos mais de 1300 substâncias químicas proibidas para o uso em cosméticos na União Européia.
Mas nos Estados Unidos, onde se proibiram menos de uma dúzia de substâncias químicas em tais  produtos, não há nenhuma limitação para seu uso.

TOLUENO
O tolueno, um tipo de solvente, que ajuda aplicar o esmalte de maneira uniforme. Mas a Agência de Proteção Ambiental diz numa ficha técnica que pode prejudicar as funções cognitivas e do rim. Assim mesmo, a exposição constante durante a gravidez pode “ter efeitos adversos no feto em desenvolvimento”,  segundo a agência.

FORMALDEÍDO
O formaldeído, melhor conhecido por seu uso para embalsamento, é um agente endurecedor nos produtos para unhas.
 Em 2011 o Programa Nacional de Toxicologia, do  Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, classificou-o como carcinógeno humano.  Em 2016   será proibido  o uso em cosméticos na União Européia.

O PERIGO DOS PRODUTOS PARA UNHAS
As substâncias que fazem que os produtos para unhas sejam tão eficientes - duradouros, de secagem rápida e cores brilhantes - também ocasionam problemas de saúde. Os rituais nos salões, como aplicar e remover esmalte e esculpir unhas artificiais, criam uma micro atmosfera de pós e químicas cujo efeito a longo prazo se desconhece.

OS PERIGOS DOS PRODUTOS DE MANICURE
 As substâncias que se utilizam nos produtos  para unhas têm sido associadas a vários problemas de saúde.

REMOVEDOR DE ESMALTE
Acetona, acetonitrila, acetato de butila, acetato de etila ou acetato de isoproprilo.

Estes podem causar;
Dores de cabeça, tontura, irritação de pele, irritação; da garganta, da boca, do nariz, dos olhos, desmaio, sonolência, fraqueza, exaustão, dificuldade de respiração.

ESMALTE PODE CONTER;
Formaldeído, tolueno, dibutil de ftalato,

Estes podem causar;
Formaldeído, tolueno ou dibutil ftalato

Estes podem causar;
Dores de cabeça, dificuldade de respiração, tosse, ataques de asma, reações alérgicas, insensibilidade, pele seca e rachada, irritação; da pele, irritação; do nariz, o da boca, dos pulmões, náuseas, danos ao fígado e rins, aborto espontâneo, câncer, danos a fetos.

UNHAS DE ACRÍLICO
Podem conter; metacrilatos

Este pode causar;
Queimaduras  na pele, dificuldade de respiração, asma, irritação; dos olhos, da pele, do nariz, da boca, da garganta, dificuldade de concentração e danos a fetos.

Membros da indústria de cosméticos dizem que vincular os produtos químicos com os problemas de saúde das manicures equivalem  a fazer conclusões científicas erradas. “O uso (dibutil ftalato, tolueno e formaldeído) é seguro conforme às condições atuais de uso nos Estados Unidos”, disse Lisa Powers, porta-voz do Conselho de Produtos de Higiene Pessoal, a principal associação da indústria de cosméticos.
“O FDA não põe em dúvida o uso seguro e histórico desses produtos químicos”, continuou. Em realidade, a responsabilidade de avaliar a segurança dos  produtos químicos para fins cosméticos fica em mãos das próprias companhias. Ainda que insistindo que são seguros, algumas empresas de esmalte de unhas começaram a eliminar certos produtos químicos de suas fórmulas voluntariamente.

PRODUTOS ROTULADOS COMO “3-LIVRE” OU “5-LIVRE”
Em 2006, varias marcas importantes anunciaram que seus produtos já não teriam nenhum desses três ingredientes. Os novos produtos foram rotulados como “3-livre” ou “5-livre” em referência ao número de produtos químicos que já não continham.
Mas estudos feitos em 2010 pela FDA e outro em 2012  pelo Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Agência de Proteção Ambiental de Califórnia encontraram em testes aleatórios que alguns produtos rotulados  como “3-livre” ou “5-livre”,  ainda continham esses produtos químicos.

LEVANTAMENTO DA SAÚDE DOS TRABALHADORES DOS SALÕES DE BELEZA
A partir de visitas rotineiras aos salões em Oakland, Liou e seus colegas de Serviço de Saúde,  bem como Thu Quach, pesquisadora científica, ficaram alarmadas: quase todas as manicures entrevistadas diziam ter problemas de saúde; algumas estavam gravemente enfermas.
A Dra. Quach, do Instituto de Prevenção do Câncer de Califórnia, se propôs realizar um levantamento da saúde dos trabalhadores dos salões de beleza no Condado de Alameda, ao que pertence Oakland.
Ela descobriu que as manicures apresentavam um maior risco de diabete gestacional (hiperglicemia, aumento dos níveis de glicose no sangue) e dar a luz a bebês com malformações ou acima do peso ou com complicações no parto. Em relação ao câncer, não encontrou nenhuma correlação.

Em ambos os estudos foram prejudicados por limitações dos dados. Principalmente, eles apontam para a necessidade de um estudo mais aprofundado.
A regulamentação de substância químicas nos  produtos para as unhas está a cargo da Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos de 1938. A parte da lei que trata dos cosméticos tem um total de 591 palavras.
O FDA (Food and Drug Administration  ) explica em sua página na web a forma que a lei limita suas funções: “Os produtos cosméticos e seus ingredientes não precisam da aprovação do FDA, antes de seu lançamento no mercado, a exceção dos corantes”.“Nem a lei nem as disposições do FDA exigem  testes específicos para demonstrar segurança dos produtos ou  substâncias particulares”. Além disso: “A lei também não exige que às empresas  cosméticas compartilhem suas informações sobre riscos ao FDA.

OSHA-A ADMINISTRAÇÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL
A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) é a agência federal que estabelece os limites de exposição de substâncias químicas no local de trabalho. Os estudos que examinaram os níveis de exposição as substâncias  químicas, no caso das manicures, estavam abaixo destas normas. Os defensores da saúde dizem que as regras da Administração de Segurança são terrivelmente obsoletas e insuficientes.
Inclusive o Dr. Michaels, secretário-assistente da agência, disse que as normas necessitavam de revisão. Disse que atualmente os trabalhadores “podem estar expostos a níveis que são legais de acordo com a OSHA., mas que não por isso deixam de ser perigosos”.

A agência emite informativos que alertam as manicures dos riscos químicos que enfrentam, recomendando usar luvas e ventilar os salões.
Essas e outras medidas são obrigatórias quando os limites de exposição forem  excedidos. Mas, em termos práticos,  com os padrões estabelecidos são tão altos, os salões de beleza estão livres para não fazer nada.
Dr. Michaels disse que a agência está paralisada por causa de seu processo interno complicado para criar regras. "Todos os trabalhadores têm o direito de voltar para casa em segurança no final de cada dia de trabalho. Eles não devem ficar em casa doente ", ele disse.
O debate sobre os produtos químicos também foi realizada em todo o estado. Em 2005, os legisladores da Califórnia propuseram  proibir o uso de DBP em cosméticos que são vendidos ou fabricados no estado. Grupos da indústria pressionaram a Câmara Legislativa e  o projeto de lei fracassou. Uma medida muito mais limitada foi aprovado - apesar dos protestos da indústria – que exigia que as empresas de cosméticos revelassem os produtos químicos prejudiciais para o Departamento de Saúde da Califórnia. Fonte: @ZR, The New York Times - May 8, 2015

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posted by ACCA @ 3:00 AM

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