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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, novembro 20, 2014

História:Incêndio no Edifício Andraus

O Edifício Andraus  localiza-se no centro da cidade de São Paulo, na esquina da avenida São João com a rua Pedro Américo. Possui 115 metros de altura e 32 andares, tendo sua construção terminada em 1962. 
Em 24 de fevereiro de 1972, o Andraus foi palco de um  dos maiores incêndios na história de São Paulo. O edifício reunia escritórios empresariais, dentre eles o da Henkel, Siemens, Petrobrás e a Companhia Adriática de Seguros.

INÍCIO
O incêndio ocorreu por volta das 16h 20min, nas Casas Pirani, loja de departamentos que ocupava o subsolo, o térreo e as sobrelojas do edifício (cinco andares), nos fundos do 3º andar, onde funcionava a seção de crediário da Pirani. João Batista Zicari Filho, um dos gerentes da loja tentou apagar as chamas com um dos três extintores que havia em cada andar, mas o seu esforço foi inútil. Rapidamente as chamas passaram para a seção de alfaiataria, no 2º andar, e para o salão  de móveis, atingindo o estoque de botijões de gás e o armário de munição.
Enquanto os 500 funcionários da Pirani, que ocupavam os cinco andares do edifício, começavam as sair pela porta de acesso a Av.  São João, outras duas mil pessoas começavam a viver a tragédia com as labaredas tomando os 24 andares restantes do edifício. Em 20 minutos, o edifício estava tomado pelo fogo e vento forte elevava as chamas a mais de 300 metros de altura.

O PAPEL DO VENTO
Em menos de 10 minutos o fogo se propagou para os andares inferiores e logo em seguida, mais lentamente para os andares superiores. O vento soprava 30 km/h, o normal é de 7 a 12 km/h, que contribuiu decisivamente  para propagação rápida do fogo.

CAUSA PROVÁVEL
Tendo como causa  principal provável sobrecarga no sistema elétrico.

VÍTIMAS
O incêndio resultou em dezesseis mortos e 330 feridos. Muitas das vítimas pularam do alto do prédio. Cerca de 330 pessoas ficaram feridas. Dentre as vítimas fatais, dois executivos da multinacional Henkel.
Só não fez mais vítimas, pois  o prédio tinha um pequeno heliporto. Foram resgatadas por helicópteros 360 pessoas.

FERIDOS
Os hospitais atenderam 477 pessoas

CONSEQÜÊNCIAS
Isoladas pelas chamas nos andares inferiores muitas pessoas subiram pela escadaria até o último andar, para alcançar o heliporto.
Outras, entretanto, ficaram presas nos andares incendiados, e em desespero, saltaram para a morte.

NO 11º ANDAR A TRAGÉDIA MAIOR
Nos escritórios da Petrobras, duas pessoas pularam. Sete funcionários foram encontrados carbonizados na sala de arquivo, pois a porta tinha revestimento metálico, com o calor dilatou, prendendo-os na sala.

O DRAMA DAS PESSOAS QUE FICARAM PRESAS NA ESCADARIA
Com o fogo se alastrando com rapidez por todo o edifício, restou um único lugar no prédio onde as pessoas que não conseguiram alcançar o heliporto, e puderam se abrigar das chamas com relativa segurança, a caixa da escada. A escada era única para todos os andares ligados aos andares apenas por uma passagem e com uma janela de iluminação, que mais de 200 pessoas viveram horas de pânico, respirando fumaça e procurando aos poucos chegar até o heliporto.
Segundo o gerente adjunto da Petrobras, Idaci Pongi; Ficamos parados  até por volta das 20 h. A agonia era grande, mas felizmente dentro da caixa, nós não tínhamos uma noção certa das proporções do incêndio e acho que essa foi a nossa grande sorte, pois conseguimos manter uma calma relativa. Houve alguns casos de desesperos, mas logo eram contornados. As 20 h um bombeiro mostrou ao caminho a todos e começaram a subir em fila indiana até o heliporto.

EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO
O comandante do Corpo de Bombeiros, Jonas Flores Ribeiro Junior, informou que o edifício possuía todos os equipamentos contra incêndio exigidos por lei; extintores, hidrantes e mangueiras. Mas não tinha o principal; homens treinados para usá-los.

CARGA INCÊNDIO
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros contribuiu para a propagação do fogo, a inexistência de divisão de alvenaria, os vãos livres, a falta de laje inteiriças, grande quantidade de tapetes, papel, celuloide e botijões de gás.

SALVAMENTO POR HELICÓPTEROS
Contribuiu para o salvamento, o edifício tinha um pequeno heliporto, o primeiro desse tipo instalado em São Paulo, que tornou possível o resgate por helicópteros, de centenas de pessoas que conseguiram atingir o último andar para escapar das chamas. Foi uma verdadeira ponte aérea de salvamento.
O heliporto foi dimensionado para receber helicópteros até 2.400 kg. Para salvar as vítimas do incêndio, pousaram helicópteros bem mais pesados.

VISTORIA
A estrutura foi parcialmente comprometida, principalmente alguns pilares do 3º, 4º e 5º andares.

INTERDIÇÃO
A interdição deverá durar quatro ou cinco dias para limpeza do prédio; perigo de queda de materiais.

PREDIO – CALCINADO
Cerda das 21 h 30 min o comandante do Corpo de Bombeiros anunciou que começava os trabalhas de recaldo. Grupos de bombeiros em helicópteros desembarcaram no heliporto e começaram a trabalhar de cima para baixo, enquanto outros faziam o recaldo de baixo para cima. Ainda se via focos de chamas em alguns andares, como, 9º, 10º,13º e 17º .
Durante o recaldo os bombeiros encontraram sete corpos na sala de arquivos da Petrobras, que ficaram presos na sala e não conseguiram sair.
Do prédio incêndio restaram apenas alguns materiais calcinados e a estrutura de concreto. O piso dos pavimentos cedeu. As chamas provocaram calor suficiente para derreter todo o asfalto  daquela parte da avenida São João, numa extensão de 200 m. O asfalto está coberto de pastilhas que revestiam o prédio, cinzas, detritos  e cacos de vidros.

DANOS MATERIAIS
A reconstrução edifício custará 9 milhões de cruzeiros (01 de março de 1972).  
Obs: Atualização de Cr$9.000.000,00 de 25-Fevereiro-1972 e 18-Novembro-2014 pelo índice IGP-DI - Índice geral de preços (01-02-1944 a 30-10-2014) – R$ 32milhões

SEGURO
O prédio tinha cobertura de seguro no valor de 11 milhões de cruzeiros
Obs: Atualização de Cr$11.000.000,00 de 25-Fevereiro-1972 e 18-Novembro-2014 pelo índice IGP-DI - Índice geral de preços (01-02-1944 a 30-10-2014) – R$ 39milhões
  
AS CONDIÇÕES ADVERSAS PARA O VOO
Segundo artigo publicado na Revista Pirelli, Ano XXIII, N 118, de dezembro de 1978, pg 24, 10 anos no Ar, escrita pelo Engo Carlo de Bellegarde de Saint Lary e corroborada pelo Comandante Zanini, relatou, o seguinte:
Para dar a dimensão do risco ao qual estiveram expostos os helicópteros  é suficiente considerar os seguintes fatores técnicos, todos conflitantes com as regras normais de segurança de vôo e  operação:
1) As aterrissagens com visibilidade “zero” quando os helicópteros atravessavam a densa fumaça para colocar-se sobre o terraço;
2) Antenas de televisão invisíveis da fumaça e que se encontravam na trajetória da descida;
3) Turbulência provocada pelas chamas inferiores, com conseqüente dificuldade do controle das aeronaves;
4) Temperatura elevadíssima quando da decolagem, provocando superaquecimento da turbina, que alcançou temperaturas ao redor de 900o C, quando o máximo permitido é de 843o C, durante seis segundo no máximo (helicóptero da Pirelli, PT-HBN, um Bell Jet Ranger 206A);
5) Perda de potência no motor e insuficiente rotação do rotor, devido à temperatura e ao ar rarefeito e, em conseqüência, o helicóptero, logo após a decolagem, não voava, mas caía fora do edifício, em direção à Praça da República, onde, por felicidade nossa, era possível recuperar-se contra o vento e com ar fresco;
6) Quase todos os helicópteros, devido às proibitivas condições de voo, sofreram anomalias de funcionamento de um ou mais componentes. Por exemplo, o helicóptero da Pirelli (PP-HBN, um Bell Jet Ranger 206A) voou durante muito tempo com panes intermitentes de uma das bombas de combustível;
7) Durante as aterrissagens noturnas sobre o Andraus, a fumaça e a garoa que se formavam ao redor do edifício refletiam a luz dos holofotes de aterrissagem, tornando nula a visibilidade externa.

DEPOIMENTO DO COMANDANTE - WALMYR FONSECA SAYÃO
O que viu no local – terror
Partimos em direção ao Andraus por volta das 16h,  lá chegando percebemos que não poderíamos pousar, pois havia muitas antenas de rádios e torres de ferro e fios, impossibilitando o pouso, assim, Brizzi abriu a porta do helicóptero e começou a gritar para que as cinquenta pessoas que se encontravam ali no heliporto, derrubassem tudo que pudesse interferir no pouso do helicóptero.
Na terceira passagem, como num passe de mágica, o heliporto estava livre para o pouso. Ao me aproximar já percebia o empurra-empurra das vítimas que se aproximavam da aeronave logo que pousei. Assim que o Brizzi abriu a porta e pisou na laje, retornou para o helicóptero gritando – decola, decola! Imediatamente, tirei o helicóptero do chão e perguntei ao Brizzi o que tinha acontecido, ele disse: – eles estavam se aproximando perigosamente do rotor de calda onde poderiam se acidentar, morrendo ou ficando gravemente feridos ao se chocar com o mesmo que é pouco visível, quando em funcionamento.
Ao fazer esta decolagem, um pouco brusca, notei que a temperatura da turbina tinha se elevado e que a rotação havia caído, com perda de potência, assim joguei o helicóptero de nariz para baixo na direção da Praça da República, onde se encontrava uma multidão considerada e consegui recuperar as condições de voo, talvez porque estava livre do ar contaminado com fuligem, fato que deve ter interferido com a temperatura e rotação do helicóptero.

UMA DECISÃO – ERA A SEGURANÇA DE VÔO ATUANDO
No decorrer dos voos de salvamento os coronéis que coordenavam a operação acharam por bem convidar os pilotos das aeronaves Hughes 300 e Enstrom F 28A, que parassem as suas operações, pois os seus helicópteros eram movidos a gasolina de aviação, altamente inflamável, e que usavam motores a pistão, ou seja, motores Lycoming de 180 HP – HIO – equipados com tubulações e mangueiras inadequadas para o tipo de voos que estavam sendo feitos, devido às altas temperaturas do Edifício.
Com essa determinação, somente continuaram na tarefa dos resgates os helicópteros movidos a querosene e equipados com turbinas e que tinham tubulações e mangueiras de combustível preparadas para resistirem a altas temperaturas, bem como vibrações produzidas por estes helicópteros, além de serem de maior porte e retirarem mais pessoas, haja vista que o mínimo de passageiros que eram retirados por viagem era em número de quatro. Por outro lado, os helicópteros movidos a gasolina, sensíveis às altas temperaturas, tiravam dois ou um passageiro por viagem, retardando o socorro dos helicópteros maiores, pois estes eram obrigados a ficarem esperando estes pequenos helicópteros a fazerem aproximações e decolagens difíceis por falta de potência.

AS DISCUSSÕES PROMOVIDAS APÓS A TRAGÉDIA
Na época, do incêndio, muitos questionamentos surgiram sobre o, então, Código de Obras de São Paulo, principalmente sobre a segurança desses edifícios e, assim, o Jornal Folha de São Paulo, Caderno 1, de 05 de março de 1972, levantou vários problemas, fazendo um paralelo com o Código de Obras de Nova York. A seguir, alguns pontos discutidos na época:
1) Melhor dimensionamento dos sistemas de escoamento dos edifícios, “halls”, áreas comuns, escadarias, etc;
2) Estanqueidade, continuidade e incombustibilidade das caixas de escada, proposta seguramente mais significativa que qualquer exigência de escadaria externa;
3) Inclusão de portas corta-fogo, em determinados casos e posições estratégicas, proposição que assume grande importância, sobretudo para escolas, teatros, cinemas e locais de reunião pública em geral;
4) Sistemas de indicações precisas sobre a possibilidade de aberturas em paredes divisórias, para atingir áreas de saída e edificações vizinhas; sinalização adequada, nos grandes edifícios, sobre os meios de escoamento de emergências disponíveis;
5) Criação de dispositivo permanente de fiscalização e vistoria, capaz de assegurar o razoável cumprimento das disposições básicas de segurança.
6) Construção de heliportos elevados em Edifícios, a fim de possibilitar o pouso de helicópteros;

O QUE MUDOU
Transmitido pela televisão, as cenas de pessoas jogando-se do alto do prédio chocaram o país. O incêndio suscitou pela primeira vez no Brasil a discussão sobre a segurança na construção de edifícios - algo até então negligenciado. A legislação de segurança começou a ser revista após a ocorrência, mas só ganhou força após o incêndio do Joelma. O prédio recebeu uma segunda escada de emergência e sistemas de detecção e alarme contra incêndio
Fonte: Folha de São Paulo, 25,26,27, 29  de fevereiro de 1972,  O incêndio do Edifício Andraus pelo Comandante Sayão e Os heróis existem – O incêndio do Edifício Andraus, site piloto.policial.com.br

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terça-feira, novembro 18, 2014

Explosão de líquidos inflamáveis

Pesquisa realizada pela Universidade de Queen’s, Kingston – Ontário – Canadá, sobre explosão de líquidos inflamáveis .  A.M. Birk – pesquisador
Pesquisa financiada por Transport Canadá, direction du transport dês marchandises dangereuses - 1996

1.Bola de fogo
Se o conteúdo do tanque é inflamável, há nesse caso uma ignição da substância e o resultado será uma bola de fogo. Dos ensaios experimentais efetuados com reservatório contendo propano foram produzidas bolas de fogo com as seguintes características:
Dimensões do reservatório
Raio da bola de fogo
400 litros
18 metros
4000 litros
38 metros
40.000 litros
81 metros

2.Radiação térmica
Se a bola de fogo for gerada, uma importante radiação térmica será produzida. Os intervenientes devem respeitar as distancias mínimas em relação ao reservatório a fim de evitar a radiação. Esta distância é estabelecida quatro vezes o raio da bola.   
Dimensões do reservatório
Raio da bola de fogo
400 litros
Mais ou menos 90 metros
4000 litros
150 metros
40.000 litros
320  metros

3.Onda de choque
A explosão é acompanhada de uma detonação e deslocamento de ar. A única maneira de não ser afetado pela onda de choque é manter se afastado mais longe possível do local da explosão. Respeitando as normas mínimas de aproximação,  os intervenientes permanecem fora de alcance dos efeitos da detonação.

4.Projeção  de fragmentos
Uma das conseqüências mais perigosas da explosão é a projeção ou lançamento de fragmentos ou estilhaços. A única constatação que os testes podem estabelecer em face de projeção de fragmentos é que estes são impulsionados principalmente para o lado das extremidades do reservatório. Esta projeção é tão imprevisível  e poucas vezes atingem grandes proporções. Mas nesses ensaios, os fragmentos podem atingir a cerca de 230 metros  do local . Um acidente que ocorreu no Texas – USA, os fragmentos foram encontrados a mais de 1 quilômetro.  É necessário lembrar, mesmo que os intervenientes respeitem as distâncias mínimas de aproximação, os fragmentos podem atingi‑los. A melhor solução é  portanto proceder à evacuação para uma zona estabelecida como segura, 22 vezes o raio da bola de fogo.
Dimensões do reservatório
Raio de evacuação
400 litros
400  metros
4000 litros
800 metros
40.000 litros
1800 metros


Análise de vulnerabilidade
Fonte: Prof. César  Leal – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

1.Danos físicos : avaliação de morte e ferimentos
Causas predominantes: radiação térmica,  onda de choque e efeitos tóxicos
2.Danos materiais : danos a equipamentos, instalações, etc
Causas predominantes: ondas de choque e radiação térmica

Cálculo teórico da explosão baseado no propano

Distancia, medida desde o centro da explosão de uma nuvem de gás contendo 25.000 kg de propano,  com as seguintes sobrepressões: 0,03, 0,05 e 0,1 bar.  
Para o nível de sobrepressão  
Distância  calculada
0,1   bar
140 m
0,05 bar
280 m
0,03 bar
466 m

Avaliação dos danos causados por efeitos físicos de sobrepressão
Uma sobrepressão de 0,03 bar, equivale a 3000 N/m2, ultrapassando o valor suportável para o ser humano (200 N/m2).
O que acontece para o ser humano, uma sobrepressão superior a 200 N/m2 (0,002 bar).
Efeitos para o ser humano:
■ morte por hemorragia
■ morte por impacto
■ ruptura dos tímpanos
■ ferimentos por impacto

Por exemplo, uma sobrepressão de 0,5 bar é suficiente para causar ruptura dos tímpanos (61% das pessoas estariam expostas a ruptura de tímpanos. Uma sobrepressão de 1 bar, todas as pessoas expostas,  teriam ruptura dos tímpanos.

Faixa de pressão sonora para o ser humano
O limiar da dor do ouvido humano, encontra-se na faixa de 200 N/m2 .
A faixa audível está entre  2 x 10-5  N/m2   a 200 N/m2

Danos às instalações devido a sobrepressão
Os efeitos para as edificações
■ danos estruturais
■ quebra de vidros

Por exemplo, uma sobrepressão de 0,5 bar, todos  os prédios entrariam em colapso. 

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domingo, novembro 16, 2014

Feito histórico o módulo Philae faz aterrissagem inédita em cometa

Após dez anos de viagem, o módulo Philae, da sonda Rosetta, tornou-se na quarta-feira (12) a primeira espaçonave a fazer um pouso suave num cometa.

DEZ ANOS E SETE HORAS
O pouso se deu às 13h35, sete horas depois que o veículo se desprendeu de sua nave-mãe, a Rosetta, e cerca de dez anos após a decolagem da Terra, realizada em 2004.
A confirmação do toque no solo do cometa Churyumov-Gerasimenko veio 28 minutos depois, tempo necessário para a mensagem se propagar no espaço até a Terra, para o alívio dos angustiados engenheiros e cientistas.
"É um grande passo para a civilização humana", disse Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da ESA (Agência Espacial Europeia), enfatizando o pioneirismo da iniciativa.

ATERRISSAGEM NO COMETA
Vindo de uma altura de 22 km, quando se desprendeu da sonda rosetta, o módulo subiu 1 km depois de bater pela primeira vez no cometa. Esse primeiro pulo durou quase 2 horas. A segunda rebatida demorou poucos minutos, e foi muito menor.
O chefe do Departamento de Engenharia de Sistemas de terra da ESA, Juan Miró, disse à Agência Efe que se mantém a comunicação com a Philae e que está estável, e isso é o mais importante.
Agora também é preciso ver se o módulo recebe energia solar suficiente para continuar sua atividade.
Miró qualificou a aterrissagem de "muito boa", "perfeita do ponto de vista da trajetória". O pequeno laboratório, do tamanho de uma geladeira e com 100 quilos de peso, aterrissou sete horas depois sobre o cometa para estudar sua composição, porque os cometas são os corpos celestes mais antigos do Universo e se considera que puderam ter trazido a água e a vida para a Terra.
"O Philae passou a noite sobre o cometa e temos três boas notícias. A primeira é que está pousado sobre o núcleo do cometa. A segunda é que recebe energia: seus painéis solares estão ligados e permitem encarar o futuro. E a terceira é que estamos em contato permanente com o Philae, já que o robô emite e envia informações à Rosetta e depois à sonda, que está em órbita ao redor do cometa, as transmite à Terra", declarou Jean-Yves Le Gall, presidente do CNES, localizado no sul da França.
"O sinal de rádio funciona bem e estamos em contato direto com o Philae", completou.
Ao ser questionado sobre a ancoragem do robô na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e o funcionamento do sistema de ancoragem que possui na parte inferior, Le Gall destacou que "o mais importante é que estamos bem posicionados. Depois veremos o que faremos com os 'arpões'. Estamos fazendo uma checagem do Philae. Estamos em contato, isto é o mais importante".
Os engenheiros ainda precisam descobrir o que levou o robô a falhar no lançamento do par de ganchos na superfície do cometa, desenvolvidos para evitar que se afaste do corpo celeste, que tem baixíssima gravidade.

MISSÃO DE PHILAE
A missão de Philae inclui perfurar a superfície do cometa e analisar amostras de marcadores de isótopos de água e moléculas complexas de carbono.
Segundo a teoria corrente, os cometas bombardearam a nascente Terra há 4,6 bilhões de anos, trazendo moléculas de carbono e a preciosa água, partes importantes da "caixa de ferramentas" fundamental para a vida no nosso planeta.
O módulo Philae tem bateria suficiente para realizar cerca de 60 horas de trabalho, mas pode continuar operando até março, com uma recarga solar.
O que quer que aconteça com sua carga, a Rosetta continuará a acompanhar o cometa, analisando-o com 11 instrumentos quando orbitar o Sol no ano que vem. A missão está prevista para terminar em dezembro de 2015.

DURAÇÃO DA BATERIA DO PHILAE?
O módulo Philae está bem afixado e ativou seu instrumento de perfuração, informou na sexta-feira (14) a ESA (Agência Espacial Europeia).
Os engenheiros não têm certeza se a altura da sonda com relação ao chão permitirá que o solo seja efetivamente escavado pela perfuratriz, chamada de SD2, e amostras sejam encaminhadas para o laboratório interno. Os resultados só virão com o próximo contato entre o Philae e a Rosetta — que pode ou não acontecer.
Depende basicamente de as baterias durarem até lá. Nas últimas simulações de carga, a conta está no limite para que o módulo de pouso permaneça operacional até a Rosetta voltar a sobrevoá-lo para restabelecer contato.
As tentativas de mover o módulo e melhorar a quantidade de radiação solar que chega a seus painéis solares não tiveram resultado. O Philae realmente parece bem preso ao chão e cercado por rochas. Imagens subsequentes das câmeras ÇIVA mostraram que o veículo não se moveu desde que pousou ali, confirmando que ele está bem preso ao solo.
Depois da noite de hoje, provavelmente o Philae irá dormir, sem baterias para permanecer em operação. Existe a possibilidade que ele volte a despertar conforme o cometa se aproxime mais do Sol e o nível de energia que chega ao painel solar aumente.  

SEM CONTATO VISUAL
Em paralelo, a Rosetta segue procurando fazer contato visual com o Philae na superfície. Sua órbita foi alterada para obter as melhores imagens possíveis da região onde ele deve estar.
Esta missão já bateu baixas chances de sucesso antes, então ainda é cedo para dizer que é o fim. Mas, ao que parece, antes que o dia termine o Philae deve estar sem energia, encerrando suas transmissões.

A avaliação dos cientistas, contudo, é bastante positiva. Entre 80% e 90% dos dados que tinham de ser colhidos na missão primária do Philae foram efetivamente obtidos, segundo Stephan Ulamec, gerente do módulo de pouso na DLR (agência espacial alemã).

ROBÔ PHILAE TRANSMITE DADOS DE PERFURAÇÃO DE COMETA E FICA INATIVO
O robô Philae transmitiu durante a noite os dados da perfuração do cometa antes de entrar em modo inativo por falta de bateria, anunciou no sábado (15) o cientista Jean-Pierre Bibring.
"Recebemos tudo. Tudo aconteceu exatamente como estava previsto. Conseguimos, inclusive, fazer a rotação para otimizar a recepção da luz nos painéis solares", declarou Bibring em uma entrevista por telefone no centro de controle de Philae em Colonia, Alemanha.
"O Philae está em modo inativo. Todos os dados da primeira sequência científica foram baixados com êxito", anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA) .
no Twitter. Philae, que chegou na quarta-feira ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, está a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra.
Agora devem ser utilizadas as baterias solares, mas como o Philae pousou em uma zona escura deve ser mantido em modo repouso. "É muito importante que consiga sobreviver até que cheguem momentos melhores", completou Bibring.
Fontes: Folha de São Paulo e  G1-15/11/2014 09h35 - Atualizado em 15/11/2014 09h40

DADOS TÉCNICOS

SONDA ROSETTA
Em  12 de novembro de 2014, quarta-feira, pela primeira vez, uma sonda espacial pousou no núcleo de um cometa, a 500 milhões de km da Terra

MISSÃO AMBICIOSA
A sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia, quer estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que contém materiais restantes da formação do Sistema Solar, há 4,56 bilhões de anos. A pesquisa ajudará a entender a formação dos planetas e o surgimento da vida na Terra
Nome: Menção à Pedra de Rosetta, fragmento do Egito Antigo com inscritos que ajudaram a compreender os hieróglifos
Peso: 3 mil kg (o módulo Philae pesa 100 kg)
Custo da missão:  O custo total do projeto foi de € 1,2 bilhão (cerca de R$ 4,45 bilhões).

CALENDÁRIO DA MISSÃO
2/03/2004 – lançamento
4/03/2005- 1° sobrevoo da Terra
25/02/2007- Sobrevoo de Marte
13/11/2009- 3° sobrevoo da Terra
08/06/2011- Entra no estágio de hibernação
20/01/2014- Desperta do estágio de hibernação
Maio a Agosto de 2014- Manobras de aproximação do cometa
6/08/2014 - Liberação e pouso do módulo Philae
12/11/2014 a até dez de 2015 - Captação de dados enquanto cometa se aproxima do Sol

DESCENDO NO COMETA
A sonda Rosetta liberou o módulo Philae a 22,5 km de distância do núcleo do cometa

MÓDULO PHILAE
Tamanho: 1 m x 1 m x 1 m
Peso: 100 kg

O Cometa: 67P/Churyumov-Gerasimenko
Descoberta: 1969
Características: Pertence à família de cometas do planeta Júpiter. Tem núcleo congelado desde a formação do Sistema Solar

DESCIDA
1-Rosetta faz manobra de afastamento para receber dados do módulo
2-Procedimento de pouso durou cerca de 7h
3-Segundo a ESA, a sonda tocou o cometa às 14h03, hora de Brasília
4-Módulo terá 64 h de bateria para colher amostras do solo, fotografar e enviar os dados aos cientistas. Philae está equipada para recarregar com a luz solar, mas isso vai depender do local do pouso

EXPERIMENTOS:
Depois do pouso, a Philae vai perfurar o cometa para colher amostras, que serão analisadas remotamente. O robô vai fotografar o cometa e medir o núcleo. Os dados vão para a sonda e serão rebatidos para a Terra.
Fontes: Folha de São Paulo - 13 de novembro de 2014 ,  G1-15 e 16/11/2014 

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sexta-feira, novembro 14, 2014

Memória: Explosão de um caminhão tanque em camping na Espanha

O autor analisa os destroços no camping e explica os problemas inerentes ao transporte de propileno, produto causador da explosão, mencionando as teorias a respeito da possível causa do desastre e examinando a probabilidade de que ocorra um acidente similar na Grã Bretanha, com base em outros de menor expressão já ocorridos. No final  o autor trata das dificuldades encontradas para a identificação  dos cadáveres em acontecimentos desta espécie e estima ser aconselhável o uso de etiquetas para evitar confusões posteriores.

HISTÓRICO
Uma centena de pessoas foi morta e cerca de 180 sofreram severas queimaduras - das quais muitas foram fatais - quando um caminhão-tanque carregado de gás liquefeito de petróleo (GLP) explodiu nas proximidades de um terreno de camping em San Carlos de la Rapita, Espanha.

Foto: Duas rodas do caminhão-tanque encontradas a 200 m

Cheguei ao local 44 horas após a catástrofe, para ver que ensinamentos poderiam ser aprendidos desta explosão e que seriam relevantes para nos servir no Reino Unido.
Esta foi uma das mais terríveis tragédias que alguém  teve possibilidade de testemunhar. Famílias inteiras morreram da forma mais terrível em poucos segundos; filas e filas de barracas e reboques de acampamento foram completamente destruídos (queimados).

Podia-se praticamente ver o que cada família estava fazendo segundos antes da explosão. Em um caso, uma cozinha de acampamento estava ainda intacta, com comida na panela sobre o fogão.
Havia cerca de 500 pessoas no terreno do acampamento, que compreendia a praia e a área de barracas, no momento da explosão. Algumas barracas estavam somente à cerca de 20 metros da água e, no outro lado do campo, a somente 10 metros da rodovia principal.

Não é incomum, no Reino Unido, encontrar-se áreas de acampamento ao longo de rodovias de grande circulação, com veículos pesados passando a poucos metros de barracas e reboques.
O campo de Los Alfaques estava muito congestionado tanto por barracas como por reboques e parecia estar com excesso de pessoas em comparação com os padrões do Reino Unido.

O deslocamento de ar da explosão parece que foi para o alto e na direção do vento. Um estudo aprofundado dos danos causados pela explosão revelou uma característica muito interessante. A cerca de 75 m do centro da explosão e em uma certa direção, um imóvel, sem as características de uma construção sólida, que era usado como discoteca, foi completamente destruído matando quatro pessoas.

Na direção oposta uma motocicleta, ainda que completamente   queimada,  encontrava‑se apoiada no escabelo (banco baixo para apoio dos pés), somente a cerca de 20 m do centro da explosão.
O propileno, produto envolvido no desastre de Los Alfaques, faz parte de urna categoria de gases industriais que são convenientemente transportados na forma líquida; desta forma um grande volume pode ser armazenado, por compressão ou refrigeração ou combinando-se os dois, em um espaço relativamente pequeno. O propano, o butano ou uma das misturas dos dois, é um exemplo familiar.

Quando um vaso sob pressão contendo um destes gases liquefeitos se rompe, o liquido jorra para o exterior, se vaporiza e sendo mais pesado que o ar,  forma um colchão sobre o solo.
Vaporizando-se, o GLP aumenta o seu volume em cerca de 250 vezes, e quando misturado com cerca de 3 a 4 por cento de ar, cria o efeito de uma bola de fogo na presença de uma fonte de ignição.

A vaporização de um líquido depende muito da temperatura do ambiente quando exposto no ar. Por exemplo, se butano líquido extravasa de um recipiente a 0o C, a vaporização será muito pequena; mas se a temperatura do ambiente é elevada, a vaporização ocorre muito rapidamente (como ocorreu na Espanha onde a temperatura no momento do acidente era de 28o C).
O ponto de ebulição de outros gases liquefeitos de petróleo varia ligeiramente, resultando geralmente em uma vaporização mais rápida.

AS TESTEMUNHAS
Deve ser bem compreendido em primeiro lugar que a maioria das pessoas na vizinhança imediata a explosão foram mortas. A testemunha mais confiável pareceu ser um jovem que trabalhava em uma loja do campo.

Foto-1 – Mar Mediterrâneo – existe um desnível entre a praia e a área de camping
2 – Área de camping

Às 14h29 min da terça-feira, 11 de julho de 1978, ele estava servindo um cliente na loja quando ouviu uma pequena explosão e pensou que esta ocorrera no terreno do "camping". Dando-se conta de que algo de anormal estava se passando ele saiu para investigar, tendo caminhado até seu automóvel que estava em um estacionamento nas proximidades e se preparava para atravessar a área de camping quando uma segunda explosão, mais violenta que a primeira, ocorreu.
Observando a enorme bola de fogo e experimentando os efeitos do calor, lançou-se no mar. O tempo decorrido entre as duas explosões é estimado em cerca de 2 minutos. Muitas testemunhas falaram de duas explosões, mas disseram que ocorreram a intervalo de tempo menor.

Um estudo da extensão da propagação da nuvem de gás mostrou que certamente não seria possível a duas explosões ocorrerem simultaneamente.

VAZAMENTO DE PROPILENO
Duas teorias surgiram para explicar como um tanque transportando 22.000 litros de propileno líquido provocou o desenvolvimento de um sério vazamento causando tal explosão.

Uma teoria é que o motorista perdeu o controle de seu veiculo, que atravessou a pista e tombou sobre um talude, demolindo um pequeno parapeito e rompendo a parede de aço de 10 mm do tanque, permitindo que uma grande quantidade de propileno líquido vazasse. Devido ao dia quente (a temperatura estava em torno de 28o C) o líquido vaporizou-se rapidamente e formou uma nuvem de gás. O gás foi inflamado por uma chama aberta (um fogareiro de um campista) e uma violenta explosão ocorreu.

Uma segunda teoria é que a explosão ocorreu na rodovia mesmo. Sugeriu-se que o tanque, por qualquer razão, permitiu que um grande vazamento de propileno líquido ocorresse. A nuvem de gás formou-se e inflamou-se provocando uma explosão que arremessou o cavalo mecânico a uma distância de 100 m em uma direção e a carcaça do tanque, encontrada em inúmeros pedaços separados, distante de 75 m na direção oposta. As rodas do tanque foram encontradas em um raio de 200 m do local da explosão.

Na ausência de qualquer outra evidencia, por ora, eu sustento esta ultima teoria, uma vez que não se comprova que o caminhão tanque tenha deixado a rodovia antes que a segunda explosão tenha ocorrido. De fato, devido a natureza da formação da nuvem de gás, parece prováve1 que o veiculo tenha parado, talvez para investigar o vazamento.
O vento naquele momento soprava do mar, em consequência  a nuvem de gás espalhou‑se por 300 m na direção do vento. O tempo decorrido de aproximadamente dois minutos parece ser razoável para que a nuvem de gás cobrisse 0,65 km2 antes de inflamar-se.

Uma explosão similar poderia ocorrer no Reino Unido? Sem hesitação, a resposta deve ser sim. Os tanques de transporte no Reino Unido são fabricados de forma similar - uma parede de aço de 10 mm com soldas nas uniões e transportando até 20 toneladas de produto.
Os tanques deixam regularmente por dia muitos depósitos, e deslocam-se ao longo de todos os tipos de rodovias e através de centros urbanos sem qualquer imposição ou restrição especial.

Os regulamentos que regem o transporte de substâncias extremamente inflamáveis na Espanha são um acordo assinado em 1957 - "Acordo Europeu Relativo ao Transporte Internacional de Substâncias Perigosas por Rodovia" (Accord Européen Relatif au Transport International des Marchandises Dangereuses par Route) - comumente conhecido na Europa como regras ADR - em vigor até 1980.
Os regulamentos cobrem a etiquetagem, a embalagem e o transporte de substâncias perigosas transportadas livremente através da Europa.
Se bem que os tanques britânicos sejam construídos de acordo com as normas britânicas BS1500 ou BS1515, os regulamentos que regem a carga, o transporte e a descarga de GLP, no momento, tem a forma de um acordo voluntário entre as companhias envolvidas. O acordo que faz parte do "Manual do Transporte e do Motorista" -Transport and Driver's Manual - não impõe qualquer restrição no que diz respeito à classe de rodovia que deve ser utilizada.

Mesmo antes do desastre espanhol, no Reino Unido, as Regras Profissionais que regem o transporte de substâncias perigosas por rodovia, já estavam sendo revistas e espera-se que sejam transformadas em lei, num futuro próximo, compondo o quadro da legislação que trata da saúde e da segurança.
Entretanto, como resultado do desastre da Espanha espera-se que as cláusulas das regras profissionais sejam cuidadosamente revisadas.

Na Espanha, o tanque se dirigia para Valência através da rodovia N340 evitando assim a autoestrada e o pedágio. É recomendado aos caminhões-tanque o uso da autoestrada, porém   não é obrigatório.
Entretanto, como resultado do desastre espanhol, foi anunciado na Espanha que todos os veículos transportando substâncias  perigosas devem utilizar rodovias que evitam áreas densamente povoadas no verão e nos períodos de férias.

É importante considerar se tal restrição será racional no Reino Unido, apesar de ser inevitável que caminhões‑tanque transportando substâncias perigosas tenham que utilizar, de tempos em tempos, rodovias passando por áreas densamente povoadas para carregar e descarregar seus produtos em endereços específicos.

Após exame do tanque destruído e de outros tanques de construção similar, parece evidente, que estes veículos com tanques de parede em aço de 10 mm com soldas nas junções deveriam ser melhor protegidos contra choques.

Eu não posso abster‑me de pensar, se um tanque de construção similar envolver-se em uma colisão múltipla de veículos em uma autoestrada, uma ruptura não possa ocorrer com conseqüências similares.
Em adição a isto, as tubulações sob o tanque do caminhão espanhol pareciam-me também muito vulneráveis a danos mecânicos. Se durante um acidente esta tubulação for danificada, o líquido poderá fluir através de um tubo de 100 mm de diâmetro provocando um rápido e muito grande vazamento do conteúdo.

O transporte de substancias perigosas em nossas estradas é uma questão muito complexa e eu estou ciente que o problema tem sido estudado seriamente por muitos anos, mas a proteção contra choques externos dos caminhões-tanque transportando GLP permanece, um assunto para ser estudado rapidamente.
É estimado que cerca de 300 caminhões-tanque transportando gás sob pressão trafegam regularmente nas estradas da Grã-Bretanha, mas informações de uma das grandes companhias sugerem que este número pode ser subestimado.

TRANSPORTE DE GLP
Os caminhões-tanque transportam, sobretudo, gases derivados de petróleo extremamente inflamáveis,  p. ex. propano, butano (ou uma mistura dos dois), cloro e propileno, apesar de que a maior parte do GLP é transportado, no sul da Inglaterra, por navio, por gasodutos subterrâneos ou por ferrovia.
Os vasos de pressão dos tanques rodoviários são ditos como sendo sólidos e representantes da indústria britânica tem expressado surpresa quando é sugerido que qualquer dos seus tanques especialmente construídos, podem romper-se completamente sem que sejam submetidos a violento impacto.

Para reforçar seus otimismos, há o incidente na estrada de ferro para Ferry Hill, Condado de Durham, há cerca de 18 meses, quando um tanque ferroviário de construção similar, transportando 30.000 litros de GLP, foi arrastado por uma distância de 800 m lateralmente, chocando-se contra uma pilha de trilhos e sofrendo somente danos superficiais.

Em contrapartida, outro incidente ocorrido em 1974, em Aberdeen, quando um tanque rodoviário transportando 16.000 litros de butano envolveu-se em um acidente rodoviário provocado por gelo na pista, e o tanque principal rompeu-se com o impacto e o butano liquido  extravasou‑se.
Felizmente nessa ocasião a temperatura estava a 0o C (exatamente no ponto de ebulição do butano) e, por conseguinte,  uma vaporização muito pequena teve lugar, embora essa limitada quantidade de vapor presente fosse incendiada por um veiculo que estava envolvido no acidente.

VAPORIZAÇÃO 
Se formos comparar esse incidente com o da Espanha, é evidente que, se a temperatura estivesse um pouco mais elevada, a vaporização iria produzir-se mais rapidamente, a nuvem de gás teria sido bem maior, e quando a ignição ocorresse às conseqüências poderiam ter sido mais sérias.
O fato do tanque não  possuir proteção externa contra impacto é significante: contribuiu para causar a ruptura.
Se bem que, durante o último ano, os tanques britânicos transportando GLP percorreram 50 milhões de quilômetros pelas rodovias britânicas sem provocar sequer uma morte, nosso desempenho não foi completamente perfeito.
Alguns incidentes ocorreram onde GLP vazou de tanques rodoviários e formou nuvens de gás de tamanho limitado, mas felizmente, em razão de circunstâncias várias (incluindo a rapidez de atendimento dos serviços de emergência) as consequências  não foram tão desastrosas como as da Espanha.

IDENTIFICAÇÃO DE CADÁVER
No decorrer da minha investigação, um ponto importante se destacou no que concerne à organização. Durante à tarde de terça-feira, 13 de junho, eu visitei o necrotério em Tortosa, distante 25 km de San Carlos de la Rapita e observei as dificuldades de identificação de 100 corpos seriamente queimados.

Muitas das vítimas eram alemães. A fim de proceder à identificação das famílias vitimadas pela catástrofe, a polícia alemã se utilizou dos registros dos números dos motores e chassi dos veículos envolvidos no incêndio. Como todas as vítimas mortas por queimaduras foram removidas sem qualquer forma de identificação (rotulações) para uma área distante do campo e colocadas em um caminho, prontas para serem removidas para o necrotério, era impossível saber-se de que parte do terreno do camping elas provinham.

Se os corpos tivessem sido identificados de alguma forma antes de serem removidos, eles poderiam ser posteriormente identificados pelo número de registro dos seus veículos e os familiares poderiam ter sido prevenidos quase que imediatamente.
Lamentavelmente alguns familiares tiveram que aguardar até duas semanas para verificar se as pessoas que se supunha, estivessem em San Carlos de la Rapita retornassem para casa.
Nestas situações onde os corpos estavam queimados impossibilitando a identificação e espalhados por uma vasta área era imperativo que um sistema de etiquetagem fosse utilizado de forma a identificar no mínimo os locais onde os corpos tinham sido descobertos. Um simples número sobre cada cadáver com uma correspondência do local em planta seria suficiente.
Fonte: (Artigo publicado na revista Fire, edição de no  62 - 1978). O autor, Harold Stinton, é oficial do Corpo de Bombeiros de Hampshire, Inglaterra, visitou a área do camping de San Carlos de la Rapita após a explosão, em julho de 1978.

Comentário:  Vítimas
Dados concretos sobre o número de vítimas
■ mortes: 216
■ feridos: 200

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quarta-feira, novembro 12, 2014

Homem é flagrado trabalhando sem proteção no 5º andar de prédio

Um homem foi flagrado trabalhando sem nenhum tipo de proteção no 5º andar de um prédio no Setor Bueno, bairro nobre de Goiânia. O operário está a 15 metros do chão, aparece na sacada do apartamento com uma furadeira na mão, provavelmente para instalar uma tela de proteção.
O flagrante foi registrado na sexta-feira, 31 de outubro. Para fazer o serviço, o homem fica com as pernas agarradas à grade da sacada e apoia uma das mãos na parede.

O subtenente do Corpo de Bombeiros Mauro Rodrigues de Oliveira explicou que o procedimento é comum e fácil de fazer, mas oferece grande risco. "Nesse caso, ele se expõe bastante. Ele deveria estar ancorado com uma ponta da corda amarrada a sua cintura e outra em um ponto fixo no apartamento, para que, no caso dele desequilibrar,  fique pendurado", afirmou. Fonte: G1 GO- 01/11/2014 

Comentário:  Na construção civil o trabalhador entrega a sorte a Deus. Ou serviço é rápido e não vai durar muito e nunca houve nada. E a vida continua.
Os seres humanos possuem uma peculiar capacidade de alterar a seu favor o ambiente, bem como para respondê-lo, gerando e reduzindo riscos.
As vítimas de quedas podem sofrer lesões na sequência de múltiplos impactos. Quanto maior for à altura da queda,  maior a probabilidade de lesão, já que aumenta a velocidade e consequentemente a energia cinética. Queda de altura superior a três vezes a altura da vítima  é  frequentemente queda que resulta lesões graves.
O perigo mora dentro da vida. Por mais que tenhamos cuidado, o risco é intrínseco a vida. Viver é perigoso, mas é preciso continuar a viver. O que não podemos é gerar falhas humanas como; deficiência de julgamento (avaliação), deficiência de planejamento (falha de programação e de proteção), aspectos psicológicos (envolve a personalidade dos responsáveis pela execução) e indisciplina nos procedimentos de segurança. Os riscos são ocultos e as normas são transparentes.

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segunda-feira, novembro 10, 2014

Raio mata três pessoas durante temporal em SP

Um raio matou três pessoas na tarde de sexta-feira (7), na região do estádio da Portuguesa, na zona Norte de São Paulo, durante a forte chuva que caiu sobre a capital.

REGIÃO  ARBORIZADA
As vítimas estavam em uma região arborizada quando foram atingidas pela descarga elétrica. Os bombeiros ficaram vários minutos tentando reanimar as pessoas  atingidas pela descarga do raio.  Encaminhadas a hospitais da região após o atendimento, elas não resistiram ao choque.

QUEDA DE RAIO NO BRASIL
Por ano, cerca de 600 pessoas por ano são atingidas por raios no Brasil, país com maior incidência do fenômeno. No total, cerca de 100 delas não resistem às descargas e morrem.

RECOMENDAÇÃO
O capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros, recomenda que, em caso de tempestade, as pessoas evitem ficar perto de árvores, locais descampados, coberturas de prédio e outros pontos elevados. O mais seguro é se abrigar em uma construção ou dentro de um carro até a chuva terminar. Fonte: Band.UOL - 7 de novembro de 2014

Artigos publicados
Operário morre e dois ficam feridos após queda de raio
Raio mata gado
Raio mata 21 vacas no Rio Grande do Sul
Lesões do raio no corpo humano

Comentário: Para evitar acidentes com relâmpagos as seguintes regras de proteção pessoal, listadas abaixo, devem ser seguidas:
1. Se possível, não saia para a rua ou não permaneça na rua durante as tempestades, a não ser que seja absolutamente necessário. Nestes casos, procure abrigo nos seguintes lugares:
Carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis;
Em moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios;
Em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis, em grandes construções com estruturas metálicas, ou em barcos ou navios metálicos fechados.

2. Se estiver dentro de casa, evite:
Usar telefone com fio ou celular ligado a rede elétrica (utilize telefones sem fio);
Ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas;
Tocar em qualquer equipamento elétrico ligado a rede elétrica.

3. Se estiver na rua, evite:
Segurar objetos metálicos longos, tais como varas de pesca e tripés;
Empinar pipas e aeromodelos com fio;
Andar a cavalo;

4. Se possível, evite os seguintes lugares que possam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra raios:
Pequenas construções não protegidas, tais como celeiros, tendas ou barracos;
Veículos sem capota, tais como tratores, motocicletas ou bicicletas;
Estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica.

5. Se possível, evite também certos locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, tais como:
Topos de morros ou cordilheiras;
Topos de prédios;
Áreas abertas, campos de futebol ou golfe;
Estacionamentos abertos e quadras de tênis;
Proximidade de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos;
Proximidade de árvores isoladas;
Estruturas altas, tais como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.

6. Se você estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir que seus pêlos estão arrepiados, ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isto pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.  Fonte: INPE/ELAT - Grupo de Eletricidade Atmosférica

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domingo, novembro 09, 2014

Técnico em Segurança e dois empresários são presos por falsificação de documentos de segurança

Uma operação realizada pela Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil de Ituiutaba, na terça-feira, 04 de novembro, culminou com a prisão do Técnico em Segurança do Trabalho Fabrício José de Araújo e dos empresários Gilson Ferreira dos Santos e Ângelo Douglas de Oliveira Santos, pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e falsificação documental.

FALSIFICAÇÃO DE ATESTADOS MÉDICOS
Após investigações a apuraram que Fabrício havia sido contratado para prestar serviços na empresa J. Ângelo, cujos proprietários são Gilson e Ângelo. Segundo informações da polícia a empresa atuava no ramo de fornecimento de mão de obra para manutenção de maquinários em usinas sucroalcooleiras, sendo requisito para a contratação do pessoal a realização de exames de saúde ocupacional. Fabrício então, com conhecimento e anuência dos proprietários da firma, falsificava atestados médicos em nome do clínico de Ituiutaba, Dr. Evandro Martins Tomé e os encaminhava as usinas contratantes.

CERTIFICADOS DE TREINAMENTO FALSOS
Durante as investigações, apurou-se também que Fabrício fornecia certificados de treinamento para os trabalhos em altura e em ambientes confinados sem que os funcionários recebessem as aulas necessárias ao exercício do trabalho, considerado de risco elevado. Os empresários tinham conhecimento de tal fato e em alguns momentos chegaram a assinar conjuntamente com Fabrício os aludidos certificados, configurando, em virtude da conduta de constar em documento informação falsa ou diversa da que nele devia constar, crime de falsidade ideológica.
A Delegada responsável pelo caso foi a Dra. Daniela Diniz Medeiros, que contou com o empenho dos Investigadores Renato Carlos, Daniel Ábado e Vanderlei Alves. 
Fonte: Pontal em Foco - 06 de novembro de 2014 

Comentário: Como é importante a empresa verificar a autenticidade de documentos, principalmente; registros de habilitação profissional, certificados de conclusão de curso, diplomas, etc. Por exemplo, nos últimos dois anos o CREA-SP detectou 72 diplomas falsos de engenheiros.

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quinta-feira, novembro 06, 2014

Princípios de combustão

O aprendizado de métodos de prevenção, proteção e combate a incêndios deve se iniciar justamente onde o incêndio se inicia: na combustão. Qualquer incêndio, independentemente do tamanho que atinge, principia da mesma forma. Conhecendo-se essa forma de principio tem-se condições de melhor prevenir o surgimento, através de uma conduta correta; tem‑se, também, oportunidade de melhor dimensionar edifícios, suas ocupações e seus conteúdos; finalmente, tem-se noções seguras para se exercer um eficiente combate quando o fogo se instala, a despeito das medidas de proteção tomadas. Ao publicarmos este trabalho, de origem alemã, reconhecemos que é uma leitura cansativa e pesada, porém, os princípios básicos para quem quer saber algo mais que o triângulo do fogo está todo contido neste artigo.
Este trabalho é tradução literal do livreto no 1 "Verbrennen und Loschen", (Combustão e Extinção) de autoria do Dr. Friedrich Kaufhold.
Nesta publicação nada alteramos do original, de modo que encontramos outra classificação de incêndio e algumas outras divergências. Deixamos a validade das diferenças ao julgamento de cada leitor. Revista Incêndio – Marco Zero Editorial

INTRODUÇÃO
O conhecimento dos fenômenos físico-químicos que determinam o surgimento e o decorrer de uma combustão ou explosão dão as bases teóricas da prevenção e do combate a incêndio.
Prevenção nada mais é do que evitar que ocorram simultaneamente as condições prévias para o surgimento de um incêndio ou explosão.
No combate a incêndio, a extinção trata de interromper o processo da combustão, eliminando, pelo menos, uma destas condições. Estas condições são em parte físicas e em parte químicas. Deste modo, os principais conceitos para o conhecimento da combustão são aqui apresentados distintamente.

PRINCÍPIOS DE COMBUSTÃO
Princípios físico-químicos do processo de combustão

OXIDAÇÃO
A combinação química do oxigênio com o combustível é conhecida como oxidação. O produto resultante é o óxido. Na oxidação uma parte da energia química é transformada em energia térmica. Nas grandes velocidades de oxidação o calor desprendido é tal que há o surgimento de luz na forma de fogo.

COMBUSTÃO
A uma oxidação que ocorre com o surgimento de fogo chamamos de combustão. A combustão é um processo químico no qual um material combustível se combina com o oxigênio, com surgimento de fogo (desprendimento de luz e calor).
Toda combustão é portanto, uma oxidação, porém nem toda oxidação é uma combustão.

Conforme a velocidade de oxidação diferenciamos entre:
■Oxidação sem o surgimento de fogo ou Oxidação lenta (oxidação do ferro, fermentação, apodrecimento) 
■Oxidação com surgimento de fogo ou Oxidação rápida (combustão, explosão).

FOGO - CHAMAS - BRASAS
O fogo é a parte externa, visível, de uma combustão; Fogo = processo físico e Combustão = processo químico. O fogo se apresenta em duas formas diferentes a saber:
■ na forma de chamas e
■ na forma de brasas.
Ambas as formas podem se apresentar isolada ou conjuntamente. Isto vai depender da natureza do material combustível.
Queimam-se:
a) Combustível gasoso (vapores e gases): somente com chamas.
b) Combustível líquido: primeiro transforma-se em vapor e depois queima somente com chamas.
c) Combustível sólido: ou com chamas e brasas (é o caso do combustível que fortemente aquecido se decompõe em carvão sólido e uma parte gasosa. A parte gasosa produz chamas e a parte sólida brasas. Ex.: madeira, carvão, papel, tecidos, etc.) ou somente com chamas (é o caso de materiais que com aquecimento se tornam líquidos ou se decompõem e formam vapores ou gases inflamáveis. Ex.: cera, parafina, gordura) ou somente com brasa (é o caso de metais ou combustíveis obtidos artificialmente. Ex.: coque, carvão vegetal).

Só podem queimar com chamas os materiais líquidos ou gasosos e com brasas os materiais sólidos. O surgimento de chamas em materiais sólidos ou líquidos é sinal de que está havendo uma gaseificação ou vaporização.
A chama é um fluxo de gás (ou vapor) que queima emitindo luz.
O fenômeno da chama pode observar-se bem numa chama de vela. Distinguem-se três zonas distintas:
a) Zona de gás  aqui inicia a vaporização do combustível líquido existente no material.
b) Zona de incandescência - aqui, devido à influência da temperatura de combustão (zona C), os vapores combustíveis se decompõem em carbono e hidrogênio. A incandescência se deve às partículas de carbono finamente divididas.
c) Zona de combustão - somente aqui, onde o O2 pode ter acesso, inicia-se a combustão e o desprendimento de calor. Esta zona é, portanto, a mais quente. Ela é facilmente reconhecida como uma fina camada azul clara.
Compreendemos como brasa (incandescência) à radiação luminosa que se inicia num combustível sólido a altas temperaturas. A cor da brasa está relacionada à sua temperatura:
400º C - primeiros sinais, vermelho escuro
700º C - vermelho escuro
900º C - vermelho claro
1100º C - amarelo
1300º C - início de azul claro 1500º - azul claro

CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA COMBUSTÃO
O fenômeno da combustão está ligado a quatro condições que devem ocorrer simultaneamente:
1. Deve existir um material combustível
2. O oxigênio deve ter acesso ao material combustível
3. Deve haver a proporção correta (concentração de material combustível e oxigênio)
4. Deve ser alcançada a temperatura de ignição do material

Cada uma destas condições, portanto deve ser estudada mais detalhadamente.

MATERIAIS COMBUSTÍVEIS E SUAS PROPRIEDADES

Para o julgamento dos materiais combustíveis é importante o conhecimento das seguintes propriedades:
1. Combustibilidade
2. Inflamabilidade
3. Calor de combustão (poder calorífico)
4. Temperatura de combustão

COMBUSTIBILIDADE
Os materiais combustíveis apresentam suas combustibilidades bem variadas. Ao lado de materiais de combustão muito lenta (Ex.: lã, penas, etc.) existem também materiais de combustão muito rápida e intensa (Ex. celulose, magnésio).
Para efeitos práticos podemos diferenciar somente entre materiais, dificilmente combustíveis, facilmente combustíveis e de combustão normal.

■Materiais dificilmente combustíveis (correspondem aos da norma alemã DIN 4102 classe B1), continuam a queimar após seu início somente com o fornecimento de uma fonte externa de calor e se apagam quando esta é retirada. Ex.: filmes cinematográficos de segurança, lã pura, materiais tratados com retardantes de incêndio.
■Materiais normalmente combustíveis (correspondem aos da norma DIN 4102 classe B2) continuam a queimar sozinhos com velocidade normal após seu início e retirada da fonte externa de calor. Ex.: madeiras com mais de 2 mm de espessura, carvão, papelão.
■Materiais facilmente combustíveis (correspondem aos da norma DIN 4102 classe B3), queimam com grande velocidade de alastramento de chamas e rápida liberação de seu calor de combustão. Ex.: celulose, algodão, papel solto, palha, bem como a maioria dos líquidos e gases inflamáveis.

INFLAMABILIDADE
O perigo de incêndio de um material depende em primeiro lugar de sua inflamabilidade. Distinguem-se:
■Materiais auto-inflamáveis: aqueles que se aquecem e se inflamam sem fornecimento de calor ou energia de fonte externa. Ex.: fósforo branco.
■Materiais facilmente inflamáveis: aqueles que se inflamam através de uma fraca fonte de energia. como uma faísca, a brasa de um cigarro ou qualquer fonte semelhante. Ex. acetileno, sulfureto de carbono, celulose.
■Materiais normalmente inflamáveis: aqueles que necessitam pelo menos da chama de fósforo. Ex.: a maioria dos materiais combustíveis.
■Materiais dificilmente inflamáveis: aqueles que não podem ser acendidos com a chama de um fósforo e que precisam de uma fonte de calor mais intensa. Ex.: coque.
A inflamabilidade de um material depende principalmente de sua temperatura de combustão.

CALOR DE COMBUSTÃO (PODER CALORÍFICO)
Na combustão completa de um material, independendo se ela é lenta ou rápida é liberada uma determinada quantidade de calor que é chamada calor de combustão (tecnicarnente – poder calorífico).
O calor de combustão de um material mostra quantas unidades de calor (calorias) são desprendidas na combustão completa (oxidação) de uma determinada quantidade de material em 1 kg ou 1 m3.
Com materiais que contêm hidrogênio se deve distinguir um valor superior e inferior do poder calorífico. O poder calorífico inferior (utilizado na prática como poder calorífico do material) é menor que o superior em virtude da vaporização da água (539 Kcal/kg a 100° C) formada durante a combustão. Os valores a seguir apresentados referem-se sempre ao poder calorífico inferior.

Exemplos de poder calorífico:
a) Combustíveis sólidos (Kcal/kg)
Gasolina
9.800 - 10.500 Kcal/kg
Diesel
10.100 - 10.300 Kcal/kg
Óleo combustível
9.600 - 9.900 Kcal/kg
Álcool
6.440 Kcal/kg

c) Combustíveis gasosos (Kcal Nm3)
Acetileno
13.600 Kcal/Nm3 (11.620 Kcal/kg)
Butano
29.510 Kcal/Nm3 (10.920 Kcal/kg)
Propano
22.350 Kcal/Nm3 (11.070 Kcal/kg)
Gás de rua
4.000 Kcal/Nm3 (7.500 Kcal/kg)
Hidrogênio
2.570 Kcal/Nm3 (28.570 Kcal/kg)

TEMPERATURA DE COMBUSTÃO
Cada material combustível produz calor na sua combustão. Conforme a velocidade com que o calor de combustão é liberado corresponde uma temperatura mais alta ou mais baixa. A temperatura de combustão depende portanto:
a) poder calorífico
b) velocidade de combustão material
Exemplos: fósforo e magnésio têm o mesmo poder calorífico  (6.000 Kcal/kg), porém queimam com velocidades diferentes. O magnésio queima bem mais depressa do que o fósforo. Daí a sua temperatura de combustão ser bem mais elevada que a do fósforo. Em virtude das perdas de calor para o meio ambiente o valor prático nunca pode alcançar o teórico.

Exemplos de temperatura de combustão (práticos):
Fósforo
800° C
Magnésio
2.000° C - 3.000° C
Elektron (liga ultra leve de magnésio)
2.000° C - 3.000° C
Madeira, carvão
1.100° C - 3.000° C
Coque
l.400º C - l.600º C (aproximado)
Hidrogênio/Oxigênio (maçarico)
2.500° C (aproximado)
Acetileno/Oxigênio (maçarico)
3.100° C (aproximado)

Nos grandes incêndios as temperaturas alcançadas situam-se em torno de 800° C a 1.100° C.
Com oxigênio puro todos os fenômenos de combustão são sensivelmente mais rápidos e as temperaturas de combustão são 700 a 800° C mais alta do que quando da utilização do oxigênio do ar, pois neste existem 79%  gases que não alimentam a combustão mas, sim, a inibem.

Máximas temperaturas de combustão observadas em graus centígrados

 Com ar
 Com O2
Acetileno
2.325º C
3.135º C
Monóxido de Carbono
2.100º C
2.925º C
Propano
1.925º C
2.850º C
Gás de rua
1.920º C
2.730º C
Hidrogênio
2.045º C
2.660º C

As maiores temperaturas de combustão mais recentemente obtidas são aquelas que empregam um sistema de combustível de grande energia. Assim, por exemplo. a combustão de Dicyan com Ozona atinge temperatura de 4.500° C.
Importante de se guardar, particularmente com vistas à extinção devido ao efeito de resfriamento, é o fato de que existe não somente uma temperatura máxima de combustão, mas também uma temperatura mínima de combustão de diversos materiais, que está sensivelmente acima da temperatura de ignição. Na combustão de combustíveis gasosos a temperatura na zona de combustão deve alcançar geralmente um mínimo de l.000o C, de modo que a combustão continue a se processar. Para que a combustão de uma chama continue a se processar independente é necessária uma temperatura superior em mais de cem graus à temperatura de ignição.

Para se conseguir um efeito de extinção através de resfriamento (por exemplo, através de neblina d'água) não é necessário resfriá-la até sua temperatura de ignição; é suficiente, tão somente, atingir uma temperatura inferior à temperatura mínima de combustão.

A temperatura mínima de combustão da maioria dos hidrocarbonetos (gasolina, benzol, diesel, propano etc.) está em torno de 1.200° C. Ela é relativamente alta. Valores inferiores de temperatura mínima de combustão somente tem alguns materiais gasosos com alta velocidade de combustão, como o acetileno com 950° C e o hidrogênio com 630° C. A menor temperatura mínima de combustão tem o sulfureto de carbono com somente 345° C.
Daí, pode proceder-se  a uma extinção através de um resfriamento relativo abaixo da temperatura mínima de combustão, o que pode ser observado praticamente nas lâmpadas de Savy, para minas, à prova de explosão.
Através de uma experiência simples pode-se demonstrar a extinção pelo resfriamento abaixo da temperatura mínima de combustão: com um arame de cobre de 4 mm de espessura aproximadamente é feita uma espiral com 7 ou 8 voltas de modo que a distância  entre duas espirais consecutivas seja de 4 mm. Abaixamos este espiral sobre a chama de uma vela e ela se apaga - não devido à falta de oxigênio, pois o mesmo pode passar através da espiral em quantidade suficiente, mas, sim, devido ao resfriamento abaixo da temperatura mínima de combustão, efetuado pelo cobre, que é um bom condutor de calor. Se aquecermos a espiral, o efeito da extinção foi devido ao resfriamento é não através de abafamento.

OXIGÊNIO 
O oxigênio é o elemento mais importante à vida. O ar contém aproximadamente 21% do volume, 23% em peso e água 89% em peso. A crosta tem aproximadamente 50% em peso de oxigênio em ligações químicas. O oxigênio é um dos elementos que mais facilmente se liga a outros elementos. Uma pequena alteração na concentração do oxigênio no ar teria profundas conseqüências na vida orgânica e técnica do ser humano.
O oxigênio em si mesmo não é combustível, porém sem ele nenhuma combustão é possível. É um gás inodoro, incolor e insípido, que pode ser obtido do ar (liquefação do ar) ou da água (decomposição elétrica da água). O oxigênio é utilizado em cilindros de pressão (150 atmosferas).

Como todos os fenômenos da combustão com oxigênio puro são grandemente acelerados, o emprego de oxigênio puro para as seguintes finalidades é perigoso:
a) Para melhoria do ar em recintos pequenos (tanque, poços, etc.)
b) Para a partida de motores de combustão
c) Em substituição ao ar comprimido. Ex.: para a pintura a revólver, para o esvaziamento por pressão de vasos contendo líquidos inflamáveis, para "soprar" pó, poeiras etc.
Devido à extraordinária capacidade de reação do oxigênio puro, o emprego de lubrificantes combustíveis (graxa, óleo) para a lubrificação de equipamentos de oxigênio apresenta grandes riscos e deve ser sempre evitado.

A PROPORÇÃO (CONCENTRAÇÃO) ENTRE MATERIAL COMBUSTÍVEL E OXIGÊNIO
Todos os fenômenos químicos seguem o "princípio das proporções constantes". Isto significa que a combinação de 2 ou mais produtos se faz somente segundo uma determinada proporção. Isto vale também para o fenômeno da combustão. Ex.: 2 litros na combustão total se combinam somente com 1 litro de oxigênio; portanto, na proporção de 2 por 1. Um excesso muito grande de um dos materiais impediria definitivamente a ignição e assim também a combustão.

FAIXA DE IGNIÇÃO E LIMITES DE IGNIÇÃO
Quanto mais próximo da proporção correta tanto mais rápida ocorre a combustão. De modo contrário, quanto mais nos afastamos da proporção correta tanto mais lenta se torna a combustão, até que se chega a um limite além do qual não se tem combustão. Esta faixa dentro da qual é possível a ignição e a combustão chamamos faixa de ignição e seus limites são chamados limites de ignição (limite inferior e superior, dados em relação à mínima concentração de combustível ainda inflamável).

Os limites de inflamabilidade são também chamados (incorretamente) de limites de explosividade.
Exemplos de faixa de inflamabilidade ( volume):
a) GASES
Acetileno
1,5 – 81%
Butano
1,5 - 8,5%
Propano
2,1 - 9,5%
Metano
5,0 - 15,0%
Hidrogênio
4,0 -75,6%
Gás de rua
5,0 - 35,0%

b) VAPORES DE LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS
Acetona
2,5-13,0 %
Álcool (etílico)
3,5-15,0 %
Éter (etílico)
1,7-36,0 %
Gasolina
0,6-8,0 %
Benzol
1,2-8,0 %
Metanol (álcool metílico)
5,5-26,5%
Sulfureto de carbono
1,0-60,0%
Toluol
1,2-7,0%

Nos exemplos foi tratada a quantidade (concentração) de material combustível em relação ao ar. A mudança da concentração de oxigênio sempre produz um sensível aumento da velocidade de combustão e acarreta uma ampliação da faixa de inflamabilidade.
Praticamente interessa mais o valor inferior de concentração do oxigênio, que ainda permite uma combustão. Ela ainda ocorre, por exemplo, com:

Hidrogênio
a 5,0%
Benzol
a 11,2%
Propano
a 11,8%
Butano
a 12,1% 
Metano
a 12,1 %
Muitos materiais se apagam quando a concentração de oxigênio atinge 17. Ex.: cera.

PONTO DE FULGOR - PONTO DE COMBUSTÃO DE LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS
A necessidade da proporção correta entre materiais combustíveis e oxigênio como condição necessária para a combustão é vista claramente no caso dos líquidos inflamáveis. Todo motorista,: sabe, por exemplo, que o motor não pega se a mistura ar-combustível não estiver correta.
 Não são propriamente os líquidos inflamáveis que queimam e sim seus vapores. A ignição e combustão não são possíveis antes de haver uma concentração suficiente de vapores sobre a superfície do líquido. Se tentarmos por exemplo, queimar petróleo à temperatura ambiente com um palito de fósforo não conseguiremos, pois a esta temperatura o petróleo não emana quantidade suficiente de vapores. Somente quando o mesmo é aquecido a 40°C é que os vapores são suficientes ou seja, quando atingido o ponto chamado "Ponto de Fulgor".
O ponto de fulgor de um líquido inflamável é a temperatura na qual há emanação suficiente de vapores que se inflamam submetidos a uma apropriada fonte de ignição
Com o ponto de fulgor é atingida uma concentração suficiente de vapores inflamáveis.
Esta concentração corresponde ao limite inferior de inflamabilidade.
Abaixo do ponto de fulgor não é possível a ignição e combustão. Portanto, somente existem riscos de incêndio e explosão quando o ponto de fulgor é alcançado. Segundo a norma para líquidos inflamáveis (norma alemã), os líquidos inflamáveis são divididos em 2 grupos a saber:

GRUPO A - líquidos que a 15° C não são solúveis ou muito pouco solúveis em água. Por exemplo: gasolina, benzol, sulfureto de carbono.
GRUPO B - líquidos que a 15° C são solúveis em água. Por exemplo, álcool, acetona. .

O grupo A é subdividido em três classes: 
Classe de risco
Líquidos com ponto de fulgor
A-I
Abaixo de 21°C
A-II
Acima de 21° C até 55°C
A-III
Acima de 55° C até 100°C
  
Líquidos inflamáveis com ponto de fulgor acima de 100" C não são enquadrados nas prescrições de segurança desta norma. Exemplos de pontos de fulgor:

Material
Ponto de Fulgor em oC
Acetaldeído
- 27
Acetona
- 19
Álcool (etílico)
12
Éter (dietílico)
-40
Asfalto
205
Gasolina
-40
Gasolina teste superior
21
Benzol puro
-11
Diesel superior
55
Glicerina
160
Glicol (etileno-)
111
Cânfora
66
Óleo de linhaça
224
Querosene
40 aprox.
Álcool metílico (metanol)
11
Naftalina
79
Óleo de oliva
225
Parafina
160
Piche
207
Óleo de rícino
229
Óleo lubrificante
165 aprox
Sulfureto de carbono
- 30
Solvente nafta
30 aprox.
Álcool desnaturado
16
Estearina
196
Alcatrão
90
Terebentina
35
Toluol
4
Xilol
25
Óleo hidráulico
260

A determinação do ponto de fulgor é feita através de aparelhos normalizados conforme prescrições das normas DIN 51 755, 51 758, 51584, 51 213 e 53 169.
No ponto de fulgor queima a pequena quantidade de vapor existente acima da superfície do líquido. A chama se apaga, pois a esta temperatura a emanação de vapores não é rápida suficientemente para permitir a combustão contínua. Para que tal aconteça é necessário que o líquido seja aquecido mais alguns graus até o ponto de combustão.
O ponto de combustão de um líquido inflamável é a temperatura no qual o líquido inicia a desprender tal quantidade de vapores inflamáveis que mesmo afastada a fonte de ignição eles continuam a queimar. (O ponto de combustão tem pouco interesse prático).

COMBUSTÕES RÁPIDAS: EXPLOSÃO BRANDA - EXPLOSÃO - DETONAÇÃO
Uma combustão é particularmente rápida quando existe a proporção correta entre material combustível e o oxigênio e não existem elementos inibidores (como nitrogênio) presentes.
A maior velocidade de combustão é obtida quando o material combustível finamente dividido está bem misturado com o oxigênio, como é, por exemplo, o caso de uma mistura de gás - oxigênio (emprego prático no maçarico de oxigênio - acetileno para alcançar altas temperaturas). Conforme a velocidade de combustão diferenciamos os seguintes processos:
1. Explosão branda - é uma explosão que ocorre com moderado desenvolvimento de pressão e pouco ruído. Ex.: mistura de gás ou vapor-ar nas proximidades do limite da ignição.
2. Explosão - no ponto de vista da prevenção de incêndios compreendemos como explosão uma oxidação extraordinariamente rápida de um único material ou uma mistura de vários materiais com o desenvolvimento rápido e intenso de calor e pressão (explosão-combustão). Ela é, na maioria das vezes, acompanhada de um clarão amarelo e de um forte estouro. Exemplos: gases, vapores, neblina ou pó em proporção correta com o ar.
3. Detonação - a detonação é uma explosão violentíssima. A ignição não é mais feita através da transferência de calor de uma pequena porção de materiais para a porção vizinha, mas sim já antecipada através do calor de compressão liberado na frente da onda de pressão da detonação. O processo ocorre com velocidade supersônica. Exemplos: gases ou vapores inflamáveis na proporção correta de mistura com o oxigênio puro, explosivos.

Estes três fenômenos podem também ser diferenciados pela ordem de grandeza da velocidade de ignição:  
Explosão branda: a velocidade é da ordem de cm/s
Explosão: a velocidade é  da ordem de m/s
Detonação: a velocidade é da ordem de km/s

Exemplos: explosão de mistura ar-vapor de gasolina um motor de combustão. 10 a 25 m/segundos.
Explosão de pólvora: aproximadamente 300 m/s.
Detonação de uma mistura acetileno-oxigênio, 24 km/s.
Detonação de explosivos (Trotil, T.N.T.), 6,7 km/s.

Na explosão de uma mistura de gás, vapor, neblina ou pó com ar, as pressões alcançam uma pressão máxima de 7 a 10 atmosferas. Estes valores são baixos se comparados com a pressão gerada pela detonação de explosivos onde os valores chegam 150.000 atm. São, porém, suficientes para destruir totalmente uma edificação. Uma pressão de 1,7 atm já é suficiente para tal e até mesmo uma pressão de 0,35 atm danifica a edificação de tal modo que dificilmente ela poderá ser reconstruída. A 0,1 atm já são arrancadas vidraças e portas.
A par da explosão química, existe o que chamamos de explosão física, como por exemplo: o rompimento de um vaso sob pressão.

TEMPERATURA DE IGNIÇÃO
A combustão é iniciada pelo fenômeno da ignição. O começo da ignição se faz notar com o surgimento de sinais de fogo.

Os primeiros sinais de fogo podem apresentar-se, dependendo do tipo e propriedades da combustão, como um queimar sem chamas (brasas) ou como uma inflamação (chamas). A ignição ocorre quando um material combustível, preenchidas as condições necessárias (mistura com oxigênio na proporção correta, ausência de material inibidor) é aquecido a uma determinada temperatura mínima.

A temperatura mínima em que o material se inflama nas condições normais é conhecida como temperatura de ignição. E CONSIDERADA COMO TEMPERATURA DE IGNIÇÃO de um material combustível a mínima temperatura na qual uma mistura de oxigênio e na proporção correta, após curto espaço de tempo, ocorrem sinais de fogo. Segundo a norma alemã DIN 51.794, no máximo 5 minutos. (Obs. Segundo a norma brasileira, Temperatura de Ignição é a temperatura mínima, a partir da qual a mistura inflamável prossegue em combustão independente de adição de calor externo).

A temperatura de ignição pode praticamente ser determinada somente indiretamente, através de uma superfície aquecida em contato com o material. Não é uma constante do material, mas somente um valor aproximado que conforme as circunstâncias do teste (pressão, tempo de duração, tipo de pressão etc.) pode variar sensivelmente. Por isso mesmo não há sentido em se ter temperatura de ignição com precisão maior de 5° C.
 O conceito de "ponto de ignição" ainda empregado em lugar de temperatura de ignição, devido às possibilidades de inexatidão de tais fatores e valores errados, deve ser evitado, além do que não é conveniente se utilizar dois conceitos para uma mesma coisa.
Apesar da natural imperfeição na exatidão dos valores das temperaturas de ignição, elas têm valor prático como base para julgamento do comportamento de diversos materiais combustíveis a altas temperaturas e para determinar as correspondentes medidas de proteção.

Exemplos de temperatura de ignição (no ar):

Gases
Temperatura de Ignição em ° C

Materiais sólidos
Temperatura de Ignição em ° C

Acetileno
305
Pinheiro
280
Amoníaco
630
Faia
295
Butano
400
Carvalho
340
Monóxido de carbono
605
Jornal
185
Metano
650
Seda
260
Propano
460
Sulfite
360
Gás de rua
560
Carvão de madeira
140-200
Hidrogênio
560
Linhita
230-240
Vapores
000
Hulha
350
Acetaldeído
140
Antracito
480
Acetona
540
Coque de gás
450-600
Éter
170
Coque metalúrgico
600-750
Álcool (etílico)
425
Grafite
700-850
Benzol puro
555
Algodão
320
Oleo diesel
230/350
Algodão em rama
450
Glicerina
400
Tabaco
175
Álcool metílico
455
Fósforo vermelho
260
Gasolina comum
220
Fósforo branco (amarelo) auto-inflamável
30
Gasolina teste
240
Enxofre
215
Benzol puro
555
Algodão pólvora
185
Oleo combustível
250
Dinamite
180
Cânfora
460
Nitroglicerina
160
Óleo de linhaça
440

Metanol
455

Naftalina
540

Óleo de oliva
440

Parafina
250

Óleo colza
445

Óleo de rícino
450

Sulfureto de carbureto
102

Solvente de nafta
500

Estearina
395

Alcatrão
600

Toluol
535

Xilol
420


O FENÔMENO DA IGNIÇÃO
Ao se aumentar a temperatura de um material combustível há um aumento correspondente na sua velocidade de oxidação (Regra de Van't Hoffs). A oxidação à temperatura normal, com um aumento de temperatura, tem sempre um correspondente aumento de velocidade até alcançar a temperatura de ignição, onde ela continua com sinais de fogo subitamente surgidos, na forma de combustão. Esta transição é chamada de ignição.
A ignição pode ser causada por:
a) Fornecimento externo de energia - ignição externa (a maioria dos casos de combustão).
b) Fornecimento de energia na forma de calor da própria oxidação de material combustível – auto-ignição.

ANDAMENTO NORMAL DE UMA AUTO-IGNIÇÃO
A auto-ignição só pode ocorrer se, além das exigências normais para a combustão, forem preenchidas ainda duas condições:
1. O material combustível já deve se oxidar sensivelmente à temperatura ambiente.
2. O calor resultante da oxidação do material não deve ser bem dissipado.

Com estes pressupostos, a auto‑ignição tem o seguinte decurso:
O material combustível já à temperatura ambiente se combina em grandes proporções com o oxigênio. Daí se libera calor. A geração de calor vai produzir um aumento de temperatura. O aumento de temperatura conduz a um forte aumento de velocidade de oxidação. Para cada 10° C, a velocidade de oxidação aumenta do dobro até o triplo (Regra de Van't Hoffs), de modo que para 100° C há um aumento de 1.000 vezes e para 200° C um aumento de 1 milhão. Com o aumento da oxidação há um correspondente aumento na geração de calor, que, por sua vez, conduz a um aumento de temperatura mais rápido. Daí a velocidade de oxidação é mais acelerada até que a produção de calor aumenta a temperatura até a temperatura de ignição. Aí ocorre a ignição, nesse caso a auto‑ignição.

Todos os fatores que aumentam a velocidade de oxidação favorecem a autoignição (por exemplo: alta temperatura e alta pressão, alta concentração de oxigênio, influências catalizadoras, umidades, etc.).
Para auto‑ignição se prestam, particularmente, os seguintes materiais: fósforo branco ou amarelo, depósitos de linhita (acúmulo de calor), tecidos embebidos com óleo vegetal ou animal, feno fresco em grandes montes.
Por último, a auto‑ignição pode ser iniciada pela atividade de bactérias e sua correspondente produção de calor. Bactérias conhecidas como "termófilas" (amigas de calor) podem produzir temperaturas de até 70° C, quando então elas mesmo morrem. A partir desta temperatura ocorre já uma sensível oxidação da matéria vegetal, de modo que um correspondente acúmulo forçado de calor conduz a uma autoignição.

O óleo embebido em tecidos tem uma grande superfície devido à sua divisão nos fios. Esta grande superfície de contato com o oxigênio permite grande oxidação em pequeno espaço. Ao mesmo tempo, os tecidos amontoados permitem grande acúmulo de calor.
A auto‑ignição pode ser evitada pela dissipação de calor acumulado. Os materiais sujeitos ao fenômeno não devem ser armazenados em pilhas altas e compactas onde o calor produzido dificilmente pode ser dissipado.

O CALOR
Conceitos de calor e temperatura têm significados diferentes e não podem ser confundidos.
O calor é uma forma de energia.
Com a temperatura assinalamos o estado de energia de um material.
A medida de calor é a caloria (cal.) e o  quilocaloria (Kcal.), sendo que 1 Kcal é igual a 1.000 Cal.
Uma quilocaloria é a quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de 1 kg de água de 1 ° C (precisamente de 14,5 a 15,5º C).
A medida de temperatura é o grau Celsius (centésima parte da escala termométrica da distância entre ponto de congelamento e de evaporação de água a 760 Tor).

OS EFEITOS FÍSICOS DO CALOR
Dilatação
Todos os materiais sólidos, líquidos ou gasosos se dilatam com o aquecimento e se contraem com o resfriamento. Uma exceção ocorre com a água e somente entre 0o C a 40º  C a água se contrai, de modo que a 40º  C ela tem uma densidade maior.

Exemplos de dilatação:
Materiais sólidos: uma barra de aço de 1 em de comprimento se alonga a 700ºC aproximadamente 10 cm (riscos de desabamentos).
Materiais líquidos: 1 litro de água se dilata 43 cm ' ao passar de 40º C a 100º C (4,3%).
Materiais gasosos: cada gás duplica de volume com o aumento de temperatura de 0 a 273ºC e triplica a 546ºC e assim por diante.
O aumento de volume dos gases é a causa nas explosões físicas. Se um gás for aquecido num recinto fechado, de modo que não possa se expandir, a pressão aumentará correspondentemente. Em um cilindro de oxigênio com 150 atm a pressão aumentará até 300 atm com um aquecimento até 300ºC e a 600º C a pressão aumentará até 450 atm (grande risco de explosão).

Num aquecimento por desigual os locais aquecidos se dilatam mais que os outros, O material ficará, em conseqüência, com tensões internas. Daí, rompem-se alguns materiais (por exemplo: vidro, granito) devido a um aquecimento desigual ou um rápido resfriamento desigual (risco de desabamento de escada de granito).

Mudança de estado
Com aquecimento, a maioria dos materiais sólidos se transforma no estado líquido (ponto de fusão) e posteriormente no estado gasoso (ponto de ebulição). Para cada mudança de estado é necessária uma determinada quantidade de calor.
Para 1 kg de gelo a 0o C se transformar em água a 0o C são necessários 80 Kcal. Para transformar 1 kg de água a 100º C são necessárias 539 Kcal.

Modificação da resistência
Com aquecimento altera-se a resistência dos corpos sólidos (resistência a tração, compressão, elasticidade). Esta alteração é de grande significado no julgamento do comportamento dos materiais expostos ao fogo.
A capacidade de carga de uma estrutura de aço é de difícil análise num caso de incêndio, pois, não pode se dizer que temperatura ela já atingiu. Deve-se pois contar com o risco de que ela possa desabar.

Transmissão de calor
Na pesquisa de uma causa de incêndio é importante saber de que forma o calor se transmite para o material combustível a fim de se reconstruir o fenômeno da ignição. Existem três formas diferentes de transmissão de calor.
a) Condução: ela ocorre num material ou de um material para outro através do contato direto (por exemplo: ferro elétrico, ferro de soldar).
b) Radiação: ela passa até através de um recinto sem ar (sol). O calor irradiante pode cobrir grandes distâncias. Nos grandes incêndios já foram observadas ignições devido ao calor irradiante - mesmo contra a direção do vento - à distância de 40 m. O calor irradiado aumenta muito com o aumento de temperatura do corpo (com a 4ª  potência da temperatura absoluta, segundo a regra de Stepan‑Boltz Man), a intensidade de irradiação diminui com o aumento da distância. Assim, se a distância aumenta para o dobro o calor irradiante cai para 1/4, se a distância aumenta o triplo, cai para 1/9 e assim por diante.
c) Convecção: ela está ligada com o fluxo de um material líquido ou gasoso. Líquido e gases aumentam de volume com o aquecimento e desse modo tornam-se mais leves que nos locais frios. Daí, por exemplo, num aquecedor o ar quente sobe e o ar frio flui para este local. Assim, surge no interior de um recinto uma corrente de ar que transmite calor. Não é a energia que se desloca, mas sim o próprio meio que a conduz consigo.

Acúmulo de calor
Para iniciar uma combustão, isto é, para aquecer um material à sua temperatura de ignição, deve ser fornecida determinada quantidade de calor (ignição externa) ou através de uma oxidação do material (auto-ignição). Com isto, o fornecimento ou a produção de calor devem ultrapassar em muito as perdas de calor para o meio ambiente; caso contrário não haverá um aumento de temperatura para uma ignição. O material combustível deve,  pois estar sujeito a um acúmulo de calor.

DIZEMOS QUE HÁ ACÚMULO DE CALOR QUANDO NUM LOCAL EXISTE FORNECIMENTO OU PRODUÇÃO DE CALOR MAIOR QUE A UTILIZAÇÃO OU DISSIPAÇÃO.

Um acúmulo de calor tem como consequência  um aumento de temperatura.
Com um aumento de temperatura, segundo a regra de Van't Hoffs, aumenta sensivelmente a velocidade de reação; deve a velocidade do fenômeno da combustão aumentar enquanto existir um acúmulo de calor.
 Se a combustão é acelerada, mais rapidamente é liberado o calor. Com o aumento de temperatura aumentam também grandemente as perdas, de modo que se estabelece uma espécie de equilíbrio onde, ao mesmo tempo, o calor é produzido e é utilizado e dissipado. Neste estado ocorre a combustão com velocidade e temperatura praticamente constante.
 Se, porém, o calor liberado pela combustão for consumido ou dissipado pelo meio ambiente, ao invés de se acumular, então o fenômeno da combustão não pode continuar por si só, devido ao próprio calor gerado. Este é o caso, por exemplo, dos materiais dificilmente inflamáveis. Nestes, o calor gerado não é suficiente para simultaneamente cobrir o consumo e as perdas. Em conseqüência, com a retirada da fonte de ignição, a temperatura de combustão cai abaixo de um valor mínimo onde a combustão termina por si mesmo.
A interrupção do fenômeno da combustão através da eliminação do acúmulo de calor é feita na técnica de extinção através do resfriamento. Se for possível retirar calor na zona de combustão mais rapidamente do que ocorre seu fornecimento então a combustão deve cessar.
Como o acúmulo de calor tem um papel importante no surgimento ou alastramento de incêndios, ele pode ser prevenido na execução de instalações ou equipamentos de calor, bem como também deve ser dada atenção especial às suas vizinhanças, de modo que nenhum material combustível aí existente possa vir a sofrer acúmulo de calor.

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