Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

segunda-feira, julho 21, 2014

Sistema de corte a frio para combate a incêndio

O sistema Cold Cut AB é líder mundial na área de sistema de extinção de incêndio por corte a frio. Atualmente, existem cerca de 650 sistemas instalados de extintores de corte, desde pequenos veículos especialmente construídos para serviços de resgate em mais de 30 países.

Mais de 50 serviços de resgate na Suécia adquiriram o sistema de extinção por corte, e alguns já têm 6 ou 7 sistemas. Nestes serviços de resgate, o extintor de corte é usado em 80% dos casos.

A técnica de extinção por corte é constituído por uma mistura de água e agente de corte a ser ejetada através de um bocal especial em alta pressão (> 250 bar) para cortar  quaisquer  materiais de construção usados em edificações.
O método permite combate ao fogo  e os gases de modo seguro a partir do exterior do local do incêndio. Pois o buraco de penetração é tão pequeno e que não  acrescenta oxigênio ao fogo, o que aumenta significativamente o efeito de combate a incêndios na área.

A ação conjunta utilizando a técnica de extinção por corte, câmeras térmicas e ventiladores de pressão positiva tem-se revelado muito eficaz no combate de muitos incêndios. A extinção por corte é usado basicamente em todo o mundo, e alguns exemplos dessa ação são descritas nos relatórios de ação.

O sistema de corte de extinção é agora uma disciplina obrigatória nos dois anos, na formação de profissional de resgate. O treinamento é para pessoas que desejam ser bombeiros e trabalhar em resgate e segurança.

PRINCIPAIS VANTAGENS DA EXTINÇÃO POR CORTE:
■Aumenta a segurança do  bombeiro e do ambiente de trabalho, porque o fogo é combatido a partir de uma posição segura fora de um prédio em chamas / construção.
■A ação rápida, usando o sistema de extinção por corte, suprime o curso de um incêndio e proporciona ao Líder do Resgate mais tempo para planejar operações para aumentar sua eficácia.
■O flashover pode ser combatido mediante a aplicação antecipada do sistema e a propagação do fogo pode ser limitada.
■Incêndio provoca perdas econômicas graves  a cada ano. Danos pela água no combate ao fogo representam mais de 50% dos prejuízos em grandes incêndios. O sistema tem se mostrado uma ferramenta valiosa para reduzir a extensão dos danos de uma forma que nenhum outro equipamento pode oferecer.

COMBATE AO FOGO DE MODO MAIS SEGURO
O combate ao fogo  em área interna submete  aos bombeiros a riscos graves: tanto físico e mental.
 O método de extinção por corte, os gases de incêndio sofrem refrigeração, executado a partir uma posição mais segura do lado de fora. É atualmente, a opção mais segura disponível para serviços de resgate.

No que diz respeito ao ambiente de trabalho para o pessoal de resgate em geral, e principalmente em resgate sob fumaça, não há operações em salvamento que estão sujeitas a um risco maior do que  o resgate sob fumaça.

 A fumaça envolve riscos graves e submete o pessoal de combate a incêndios a um estresse extremo. O pessoal é submetido  a riscos físicos (como calor intenso, explosão, queda de partes de edifícios, objetos cortantes, e o risco de queda, quando o campo de visão é reduzido ou é inexistente) e os riscos mentais devido a situações extremamente estressantes.

Penetrar na fumaça será sempre uma das principais tarefas do Serviço de Resgate. Existem processos de que não pode ser realizada de qualquer outra forma, por exemplo, interior de salvamento durante o qual as pessoas devem ser realizadas a partir da área de incêndio, ou pós-extinção de trabalho, durante o qual o material, etc., devem ser removidos.

Nesse método, realizado a partir de uma posição mais segura, de acesso e interrompendo o desenvolvimento do incêndio rapidamente em quase todos os tipos de materiais de construção e arrefecimento dos gases de incêndio é hoje a opção mais segura disponível para serviços de resgate.

O líder de resgate ordenando o resgate sob fumaça, como modo de operação, sem considerar meios alternativos de ação, significa que está assumindo grande responsabilidade em relação  ao ambiente de trabalho. O Líder de resgate deve  antecipadamente sempre planejar métodos opcionais na fase preliminar da ação de resgate.

Métodos combinados, utilizando o sistema de extinção por corte, câmera térmica e ventiladores de pressão positiva, fornecem opções confiáveis para o Líder de Resgate em vez de penetrar na fumaça.

A capacidade de otimizar o ambiente de trabalho seguro para o pessoal de resgate, deve ser primordial para todos os interessados; o proprietário / ocupantes dos edifícios responsáveis pelos riscos, o Corpo de Bombeiros com responsabilidade de responder ao risco e as equipes de bombeiros que combatem ao incêndio.

VANTAGENS DE SEGURANÇA DO SISTEMA:
■ aumenta a segurança do bombeiro, como o fogo é combatido a partir de uma posição segura fora de um edifício / construção, evitando o risco de lesões devido a radiação intensa do calor e / ou explosão de gases de incêndio.
■Melhoria no ambiente de trabalho para os bombeiros, como um incêndio que pode ser combatido a partir do exterior, reduzindo a necessidade de entrar em áreas quentes e cheias de fumaça envolvendo o risco de substâncias tóxicas e cancerígenas que afetam a pele e os pulmões. Fonte: Cold Cut Systems Svenska AB

Vídeos:
Três vídeos, mostram a múltipla utilização do sistema, desde espaço confinado, indústrias, tubulações, navios, etc.

Vídeo 1:

Vídeo: 2

Vídeo: 3

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quinta-feira, julho 17, 2014

Trabalhador flagrado sendo levado no cesto do guindaste

Um trabalhador foi flagrado quando estava sendo transportado no cesto de um caminhão munck, no Setor Central de Rio Verde, no sudoeste de Goiás
As imagens foram feitas no cruzamento da Rua Goiânia com a Avenida João Belo. O homem estava a cerca de quatro metros do chão e não usava nenhum equipamento de segurança durante o trajeto.

Fonte: G1 GO, com informações da TV Anhanguera, Sílvio Sales -20/11/2013

Comentário: A função do caminhão Munck é transporte e remoção de máquinas, movimentação máquinas ou equipamentos pesados, içamento com cesto aéreo, carga e descarga, remoções técnicas, içamento de equipamentos, mudanças industriais entre outros.
Pela norma é proibido o transporte de pessoas por equipamento de guindar não projetado para este fim.
Quando uma situação de risco não é percebida, ou quando um trabalhador não consegue visualizar o perigo, aumentam as chances de acontecer um acidente.
Talvez o trabalhador pense: É logo ali o serviço e é rápido e não vai durar muito, nunca houve nada. É uma situação inusitada.
Os seres humanos possuem uma peculiar capacidade de alterar a seu favor o ambiente, bem como para responder a ele, gerando e reduzindo riscos. Paul Slovic. 

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segunda-feira, julho 14, 2014

Os lugares mais poluídos do mundo

As alterações climáticas podem obter o máximo da atenção, mas o maior risco ambiental para a saúde humana, hoje, não é o aquecimento global. É a poluição industrial, muitas vezes em cidades onde as fábricas, usinas e instalações químicas enfrentam pouca ou nenhuma regulação. Um novo relatório do Blacksmith Institute e NGO que trata do problema estima que a poluição industrial coloca em risco a saúde de mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, muitas vezes através de níveis elevados de câncer, doenças respiratórias e outras doenças. O relatório aponta os locais  mais poluídos do planeta.  A vida nestes locais pode ser curta e brutal, mas a boa notícia é que a limpeza desse tipo de poluição industrial  é muitas vezes  mais barata e mais fácil do que lidar com o problema generalizado de mudança climática. A comunidade internacional só tem que fazer acontecer.

DEPÓSITO DE LIXO INDUSTRIAL  DE AGBOGBLOSHIE, EM GANA
Pensamos em nossos telefones celulares e laptops como tecnologia limpa, mas contêm traços de metais valiosos, como cobre e ouro. E quando o lixo eletrônico é processado em países pobres, em campos abertos, eles podem levar a níveis perigosos de poluição. Isso é o que acontece no local de despejo em Agbogbloshie, próximo a Acra, capital de Gana. Cabos revestidos de plásticos são queimados a céu aberto, para retirar o cobre, muitas vezes usando a embalagem de isopor como combustível. Esses cabos contêm metais pesados ​​como chumbo, que podem migrar da fumaça ao solo. Amostras retiradas do solo contaminado em Agbogbloshie indicam níveis de chumbo tão elevados, acima de 18.125 partes por milhão, 45 vezes maior do que os padrões americanos.  Cerca de 250 mil pessoas podem estar em risco.


RIO CITARUM, NA INDONÉSIA
O rio Citarum tem sido chamado de rio mais poluído do mundo. Cerca de 5 milhões de pessoas vivem na bacia do rio, e a maioria deles depende de seu fluxo para o seu abastecimento de água. Cerca de 2 mil fábricas usam o rio como fonte de água e despejam seus resíduos industriais.
A principal artéria da capital indonésia de Jacarta, uma cidade de cerca de 10 milhões, o rio Citarum está contaminado com uma série de poluentes, tanto de fontes industriais e domésticos. Foram encontrados níveis de chumbo no rio, acima de 1.000 vezes os padrões de EPA, ( Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, Environmental Protection Agency),
 e outras pesquisas encontraram altas concentrações de metais tóxicos como alumínio, manganês e ferro. O governo indonésio iniciou o trabalho de limpeza do rio devido a um empréstimo de 500 milhões dólares do Banco Asiático de Desenvolvimento.






CENTRO INDUSTRIAL DE DZERZHINSK, NA RÚSSIA
Dzerzhinsk é um dos centros industriais químicos mais importantes do mundo. Na cidade concentram-se as principais industriais químicas da Rússia, para a fabricação de produtos químicos, incluindo armas químicas. Estima-se que 300 mil toneladas de resíduos químicos foram indevidamente despejados entorno da cidade entre 1930 a 1998. Amostras da  água da cidade, em 2007, apresentaram níveis elevados de dioxinas e de fenóis, milhares de vezes acima dos níveis recomendados.
Em 2003 Guinness Book,  livro dos recordes registrados no mundo,  indicou Dzerzhinsk como a cidade mais poluída do mundo.
As concentrações de fenóis tóxicos levaram a níveis elevados de doença e de câncer dos olhos, pulmões e rins. Uma pesquisa de 2006 revelou que a expectativa de vida na cidade, que tem uma população de 245.000 pessoas, era de 47 para as mulheres e 42 para os homens.




USINA NUCLEAR DE CHERNOBYL, NA UCRÂNIA
Até hoje Chernobyl é lembrada como o local do maior acidente nuclear da história. No dia 25 de abril de 1986, um incêndio e o derretimento do núcleo do reator   produziram uma nuvem de radioatividade. Ninguém mais mora a menos de 30 quilômetros de distância da região do acidente. O solo na área da antiga usina ainda é contaminado e coloca em risco a produção de alimentos. Muitos moradores ficaram com leucemia.
Internacionalmente reconhecido como o pior desastre nuclear da história, Chernobyl liberou mais de 100 vezes a radioatividade das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. A área de exclusão de 19 quilômetros ao redor da usina permanece praticamente desabitada quase 20 anos depois da catástrofe, e as autoridades acreditam que o acidente pode ter ocasionado  4.000 casos de câncer de tireoide. Hoje, mais de uma dezena de radionuclídeos artificiais pode ser detectada na superfície do solo em torno da usina. Embora o dano de Chernobyl não revelou ser tão grave como muitos pesquisadores temiam quando o colapso ocorreu, o acidente ainda é um lembrete dos perigos a longo prazo de instalações nucleares mal-executadas.

CURTUMES DE HAZARIBAGH, EM BANGLADESH
A região  Hazaribagh tem mais curtumes do que qualquer outro lugar de Bangladesh.
Há 270 curtumes registrados em Bangladesh, e cerca de  95% por cento estão localizados em Hazaribagh, numa área de 25 hectares. A maioria utiliza métodos de processamento obsoleto,  ultrapassado e ineficiente. Os curtumes empregam 8.000 a 12.000 pessoas.  Todos os dias, os curtumes despejam diariamente 22.000 litros de resíduos tóxicos, incluindo o cromo hexavalente causador de câncer, no principal rio de abastecimento de Dhaka, rio Buriganga. As casas de trabalhadores de curtume em Hazaribagh são construídas ao longo dos córregos contaminados, lagoas e canais. Os recicladores informais de couro queimam restos de couro para produzir uma série de produtos de consumo, poluindo ainda mais o ar.
Como resultado, os moradores enfrentam taxas elevadas de doenças de pele e respiratórias, bem como queimaduras ácidas, erupções cutâneas, tonturas e náuseas.

MINAS DE CHUMBO EM KABWE, NA ZÂMBIA
Em Kabwe, a segunda maior cidade da Zâmbia, muitas crianças sofrem com elevados índices de chumbo no sangue. Durante um século, minas de chumbo liberaram metais pesados por meio de partículas de poeira que caíam no chão tanto na cidade quanto nos arredores.
Concentrações sanguíneas de chumbo em Kabwe foram encontradas em níveis 60% mais elevados do que a quantidade considerada fatal, resultado da contaminação por décadas de mineração de chumbo na região. Mineração, processamento e fundição de chumbo foi em grande parte não regulamentada ao longo do século 20, levando grande quantidade de sedimentos de metal tóxico nos solos ao redor Kabwe. Embora a principal mina foi fechada, a mineração artesanal ainda ocorre em pilhas de rejeitos na cidade, agravando o problema. As concentrações de chumbo em sangue em Kabwe foram encontradas superiores a 200 ug / dl, mais elevado do que os níveis de 120 ug / dl, que pode ser fatal. Algum progresso está sendo feito, devido ao programa de remediação no valor de 26 milhões de dólares realizado no período de 2003 a 2011.

MINAS DE OURO EM KALIMANTAN, NA INDONÉSIA
Kalimantan pertence à parte indonésia da ilha do Bornéu e é particularmente conhecida por suas minas de ouro.  
A província oriental de  Kalimantan ter sido envenenado por anos de mineração de ouro em pequena escala. Os mineiros utilizam mercúrio em seus processos de fundição rudimentar, liberando mais de 1.000 toneladas de produtos químicos tóxicos no ar a cada ano. Muitos mineiros aspiram em suas casas, o vapor de mercúrio. O metal também pode ser lançado nos cursos de água na área, que pode acumular nos peixes e na água. Um estudo de 2008 descobriu concentrações de mercúrio no rio Kahayan no centro de Kalimantan mais que o dobro do padrão recomendado na Indonésia. Nos últimos anos, no entanto, o governo indonésio tem tomado medidas para limitar as emissões de mercúrio causadas pelo homem, trabalhando com os mineiros para fazer o seu processo de fundição mais seguro.

RIO MATANZA-RIACHUELO, NA ARGENTINA
A Bacia do rio  Riachuelo é um canal cujo nome é sinônimo de poluição. Estima-se que 15 mil indústrias operam ao longo das margens do rio, que atravessa a capital argentina de Buenos Aires. Uma paisagem que inclui 13 bairros, inúmeras tubulações de esgoto ilegais que funcionam diretamente no rio, e 42 lixões abertos.
Um estudo de 2008 descobriu que o solo nas margens do rio continha níveis de zinco, chumbo, cobre, níquel e cromo, todos acima dos valores recomendados. Cerca de 60% das 20.000 pessoas que residem perto da bacia do rio vivem em território que foi considerado impróprio para a habitação humana, levando a níveis elevados de doenças diarreicas, respiratórias e câncer.  Os moradores têm poucas fontes de água potável, deixando-os dependentes do rio poluído.  






DELTA DO RIO NÍGER, NA NIGÉRIA
O Delta do rio Níger é uma área de alta densidade populacional, concentrando 8% de toda a população da Nigéria. O local sofre com poluição por petróleo e hidrocarbonetos, que contaminam o solo e o lençol freático. Em média, o equivalente a 240 mil barris de petróleo atingem o delta por ano por conta de acidentes ambientais ou roubo da matéria-prima.

No Delta concentra-se a indústria petrolífera da Nigéria, cerca de 2 milhões de barris de petróleo são extraídos por dia e tornou-se o local de maior poluição de hidrocarbonetos. Entre 1976 a 2001, houve 7.000 acidentes envolvendo vazamento/derramamento de petróleo, em que a maior parte do óleo nunca foi recuperado.  Em média de 240 mil barris por ano são derramados no Delta do Níger. Muitas vezes por causa de falha mecânica ou roubo de óleo. Os derramamentos contaminam a água, o ar e a terra com agentes cancerígenos, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Um estudo de 2013 estima que a poluição generalizada dos derramamentos/vazamentos pode ter um impacto na agricultura e provocar um aumento de 24% na desnutrição infantil. Contaminação do óleo bruto também pode causar infertilidade e câncer.

CIDADE INDUSTRIAL DE NORILSK, NA RÚSSIA
 A cidade industrial de Norilsk, localizada no norte da Rússia e fundada em 1935, desde o ano de 2000, possui o maior complexo de fundição de metais pesados ​​do mundo. Cerca de 500 toneladas cada um, dos óxidos de carbono e de níquel, juntamente com 2 milhões de toneladas de dióxido de enxofre são liberados anualmente no ar. Essa é uma razão por que a expectativa de vida para os trabalhadores de fábrica em Norilsk é dez vezes menor  do que a média russa. Estima que mais de 130 mil moradores da região estão expostos a partículas e poluição de metais diariamente,  resultando no aumento dos níveis de doenças respiratórias e de câncer.






LINFEN




A cidade de Linfen  está na província de Shanxi, China. . É uma região rica em carvão. É a cidade com maior poluição do ar  do mundo.  Smog e fuligem de poluentes industriais  e de automóveis. A população da cidade é obrigada a usar máscaras de proteção devido a poluição e os índices de doenças respiratórias na cidade são extramente elevados.










RIO YAMUNA







O Rio Yamuna, que corre próximo ao Taj Mahal, absorve enormes quantidades de lixo industrial, resíduos agrícolas e esgoto não tratado de Agra e de diversas outras cidades, incluindo Nova Delhi, a capital da Índia. Quase 65%  do esgoto de Nova Delhi é despejado no rio sem tratamento. Milhões de hindus dependem dessa água para tomar banho.








LA OROYA, NO PERU
La Oroya é uma cidade mineira coberta de fuligem nos Andes peruanos. Cerca de 99% das crianças que vivem no local  têm níveis elevados de chumbo no  sangue, superiores aos limites aceitáveis, que podem ser atribuídos a fundição de propriedade americana .
No meio do vale, uma enorme chaminé de cerca de 200 metros solta fumaça com alta concentração de arsênico, chumbo e cádmio da fundição local.
A fundição foi inaugurada em 1922, quando era dirigida pelo império da mineração Cerro de Pasco. A Doe Run, empresa americana, adquiriu em 1997 da companhia estatal peruana Centromin.
Fonte: ScienceTime-Nov. 04, 20130, Deutche Welle – June, 2014

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sexta-feira, julho 11, 2014

Criança fica presa em máquina de lavar roupas

Um menino de 3 anos ficou preso no cilindro de uma máquina de lavar roupas enquanto brincava lá dentro, em Yongjia, na província chinesa de Zhejiang. Os bombeiros tiveram de cortar o cilindro para  retirada da criança. A criança saiu sem ferimentos. Fonte: G1-11/07/2014

Comentário:  O manual da máquina adverte do perigo do manuseio da Lavadora por crianças sendo necessária a atenção do responsável sempre que existirem crianças por perto,durante o seu funcionamento.

A CSPC (Consumer Product Safety Commission, Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor) estima que ocorreu no período  de 1993 a 2.000,  cerca de 19.109 acidentes com ferimentos em crianças e adolescentes com idades inferiores a 15 anos. As lesões variam desde contusões, fraturas e até afogamento. Acidentes registrados com máquinas de lavar roupas representam 2.388 atendimentos de emergência e 128 internações hospitalares. As máquinas do tipo tanquinho de lavar roupas são responsáveis por 20% das lesões ou  5.361 atendimentos de emergência.

Incêndios em máquinas de lavar e secadoras
As máquinas de lavar e secadora envolveram‑se em um a cada 22 incêndios em  estrutura residencial, de acordo com registros do Corpo de Bombeiros dos EUA no período 2006-2010.

Fatos e números
Em 2010, cerca de 16.800 registros de incêndios em estrutura de casa envolvendo secadoras ou máquinas de lavar resultou em;
■51 mortes,
■380 feridos e
■236 milhões de dólares em danos à propriedade.
Números
■Secadoras de roupa são responsáveis por 92% dos incêndios;
■Máquinas de lavar 4%, e
■Máquinas de lavar e secadora em conjunto foram responsáveis ​​por 4%.
As principais causas dos incêndios nos equipamentos foram;
■Falta de limpeza (32%),
■Seguido por falha mecânica ou defeito (22%)
■8% foram causados ​​por algum tipo de falha elétrica ou mau funcionamento.
Fonte: NFPA – National Fire Protection Association

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domingo, julho 06, 2014

Trabalhador fica preso em torre de 72 metros de altura

Um trabalhador de 37 anos ficou pendurado por cerca de 40 minutos em uma torre de transmissão com 72 metros de altura, na tarde de sábado, 5 de julho, em Guarapuava, na região central do Paraná.

SENTIU-SE MAL
Segundo o Corpo de Bombeiros, ele subiu na torre para fazer uma manutenção e acabou passando mal enquanto estava no topo da torre.  
Assim que se sentiu mal, ele entrou em contato utilizando um rádio comunicador com outro trabalhador que estava monitorando o serviço no pé da torre.

TRABALHADOR CHEGOU A DESMAIAR
Segundo os bombeiros, o trabalhador chegou a desmaiar e ficou preso apenas pelos equipamentos de segurança. Além disso, os bombeiros afirmaram que esse tipo de torre de transmissão balança com o vento, o que pode ter provocado o mal-estar no homem.

RESGATE
Pelo menos seis bombeiros fizeram parte do resgate do trabalhador. Ele foi encaminhado para a Urgência Municipal do Pérola do Oeste e passa bem. Fonte: G1-05/07/2014

Artigos publicados
Síndrome da suspensão inerte
Com trabalho em altura, erros podem ser fatais
Planejamento de resgate em altura
Acidente na montagem de cabo de fibra óptica OPGW
Técnico cai de torre telefônica e morre
Trabalho em altura – Exames clínicos
http://zonaderisco.blogspot.com.br/2007/07/trabalho-em-altura-exames-clnicos.html

Comentário:
A NR-35 recomenda a análise do riso e considerar;
■ o uso de sistema de comunicação entre aqueles que sobem na torre e os que permanecem junto à base.
■ as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a reduzir o  tempo da suspensão inerte do trabalhador;

Nos EUA as recomendações são mais especificas e incisivas, pois existe norma especifica para torres de telecomunicação.
■Regra geral:  O empregador deve estabelecer e documentar procedimentos para resgate dos trabalhadores em caso de emergência, o que deve incluir se o empregador indicará seus próprios trabalhadores para realizar os procedimentos de resgate ou se o empregador indicará terceiro para executar os procedimentos de resgate.
■Em caso de uso de empregados próprios, eles devem ter no mínimo 1 ano de experiência com comprovação de treinamento e proficiência. Devem ser documentados.
No local de trabalho deve ter no mínimo dois trabalhadores para emergência
■Em caso de terceiros. No nosso caso seria o Corpo de Bombeiros ou empresa de resgate
Para empresa de resgate
(a) checar a experiência da equipe de resgate se é capaz de responder a uma chamada de emergência em tempo hábil.
(b) checar se a empresa é proficiente com tarefas e equipamentos relacionados com o resgate quando se referem a resgatar trabalhadores em alturas elevadas nas estruturas de telecomunicação.
(c) Proporcionar a equipe de resgate selecionada antecipadamente a relação dos trabalhadores que executarão os serviços, que irão subir / descer as estruturas, as alturas em que os trabalhadores estarão trabalhando, os nomes e números de telefone para contatos com o empregador, a duração do projeto esperado, e qualquer outra informação que seja solicitada pela equipe de resgate.

Acidentes
Riscos que predominam na execução de serviços em torres de telecomunicação:
■queda de grande altura
■riscos elétricos
■riscos associados com elevação de pessoal e equipamentos com guincho de cabo
■condições atmosféricas
■queda de objetos
■falha de equipamento
■colapso estrutural de torres

Nos primeiros meses de 2014, a OSHA registrou 7 fatalidades

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quinta-feira, julho 03, 2014

Mulher grávida cai na linha do trem do metrô, em Pequim

As  imagens mostram o momento em que uma mulher grávida  quase foi atropelada por um trem do metrô em Pequim,China.

Yue Yan Mai, 31,  grávida de cinco meses, residente em Pequim, disse que estava ansiosa para chegar em casa, porque estava se sentindo cansada e o trem parecia estar demorando. Eu tenho dificuldade de andar por causa da gravidez, que às vezes me deixa um pouco deselegante. Pensei ter ouvido algo e inclinei muito para ver o trem no túnel e desequilibrei e caí. Foi uma combinação, estava cansada e mais o peso da gravidez. De repente, eu me vi embaixo do trem. Foi terrível, disse Yue.

Mas, enquanto outros passageiros na estação do  metrô olhava perplexo, o operador do trem Lei He, acionou o freio de emergência e o trem foi parando em cima da Yue.

O porta-voz do serviço do metrô, disse: "Tenho medo de pensar o que teria acontecido se o operador do trem não tivesse agido tão rapidamente. Ela se agachou e como o trem é alto, não se feriu, mas a deixou presa até que ela conseguiu sair e foi ajudado por outros passageiros que estava na plataforma”.

Yue foi hospitalizado como medida de precaução e foi liberada pelos médicos que disseram que estava tudo bem com ela e com bebê. Fonte: News-3 de julho de 2014

Comentário: Se viver é perigoso, o que temos de fazer é constituir certo patamar de segurança para poder viver com certa tranquilidade, e não acrescentar mais perigo do que a vida por si só já apresenta. Viver é perigoso, mas navegar é preciso. Gilberto Kujawski

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domingo, junho 29, 2014

Enchentes e Inundações

As atividades antrópica vêm provocando alterações e impactos no ambiente há muito tempo, existindo uma crescente necessidade de se apresentar soluções e estratégias que minimizem e revertam os efeitos da degradação ambiental e do esgotamento dos recursos naturais que se observam cada vez com mais freqüência.

O problema das inundações em áreas urbanas existe em muitas cidades brasileiras e suas causas são tão variadas como assoreamento do leito dos rios, impermeabilização das áreas de infiltração na bacia de drenagem ou fatores climáticos. O homem por sua vez procura combater os efeitos de uma cheia nos rios, construindo represas, diques, desviando o curso natural dos rios, etc. Mesmo com todo esse esforço, as inundações continuam acontecendo, causando prejuízos de vários tipos.

USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
O melhor meio para se evitar grandes transtornos por ocasião de uma inundação é regulamentar o uso do solo, limitando a ocupação de áreas inundáveis a usos que não impeçam o armazenamento natural da água pelo solo e que sofram pequenos danos em caso de inundação. Esse zoneamento pode ser utilizado para promover usos produtivos e menos sujeitos a danos, permitindo a manutenção de áreas de uso social, como áreas livres no centro das cidades, reflorestamento, e certos tipos de uso recreacional.

INUNDAÇÕES
Inundações de áreas ribeirinhas: os rios geralmente possuem dois leitos, o leito menor onde a água escoa na maioria do tempo e o leito maior, que é inundado em média a cada 2 anos. O impacto devido a inundação ocorre quando a população ocupa o leito maior do rio, ficando sujeita a inundação;

Inundações devido à urbanização: as enchentes aumentam a sua freqüência e magnitude devido a ocupação do solo com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. O desenvolvimento urbano pode também produzir obstruções ao escoamento como aterros e pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e assoreamentos;

Estas enchentes ocorrem, principalmente, pelo processo natural no qual o rio ocupa o seu leito maior, de acordo com os eventos chuvosos extremos, em média com tempo de retorno superior a dois anos.

Este tipo de enchente, normalmente, ocorre em bacias grandes ( > 500 km2), sendo decorrência de processo natural do ciclo hidrológico. Os impactos sobre a população são causados, principalmente, pela ocupação inadequada do espaço urbano. Essas condições ocorrem, em geral, devido às seguintes ações:
■como, no Plano Diretor Urbano da quase totalidade das cidades brasileiras, não existe nenhuma restrição quanto ao loteamento de áreas de risco de inundação, a seqüência de anos sem enchentes é razão suficiente para que empresários loteiem áreas inadequadas;
■invasão de áreas ribeirinhas, que pertencem ao poder público, pela população de baixa renda;
■ocupação de áreas de médio risco, que são atingidas com freqüência menor, mas que quando o são, sofrem prejuízos significativos.

Os principais impactos sobre a população são:
■prejuízos de perdas materiais e humanas
■interrupção da atividade econômica das áreas inundadas
■contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outros
■contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos entre outros

PREVENÇÃO
O gerenciamento atual não incentiva a prevenção destes problemas, já que a medida que ocorre a inundação o município declara calamidade pública e recebe recursos a fundo perdido e não necessita realizar concorrência pública para gastar. Como a maioria das soluções sustentáveis passam por medidas não-estruturais que envolvem restrições a população, dificilmente um prefeito buscará este tipo de solução porque geralmente a população espera por uma obra.

Enquanto que, para implementar as medidas não-estruturais, ele teria que interferir em interesses de proprietários de áreas de risco, que politicamente é complexo a nível local. Além disso, quando ocorre a inundação ele dispõe de recursos para gastar sem restrições.
Para buscar modificar este cenário é necessário um programa a nível estadual voltado a educação da população, além de atuação junto aos bancos que financiam obras em áreas de risco.

IMPACTOS DEVIDO A URBANIZAÇÃO:
O planejamento urbano, embora envolva fundamentos interdisciplinares, na prática é realizado dentro de um âmbito mais restrito do conhecimento. O planejamento da ocupação do espaço urbano no Brasil não tem considerado aspectos fundamentais que trazem grandes transtornos e custos para a sociedade e para o ambiente.
O desenvolvimento urbano brasileiro tem produzido um aumento caótico na freqüência das inundações, na produção de sedimentos e na deterioração da qualidade da água superficial e subterrânea. A medida que a cidade se urbaniza, ocorre o aumento das vazões máximas (em até 7 vezes) devido a impermeabilização e canalização. A produção de sedimentos também aumenta de forma significativa, associada aos resíduos sólidos e a qualidade da água chega a ter 80% da carga de um esgoto doméstico.

DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estes impactos têm produzido um ambiente degradado, que na condições atuais da realidade brasileira somente tende a piorar. Este processo infelizmente não está sendo contido, mas está sendo ampliado à medida que os limites urbanos aumentam ou a densificação se torna intensa. A gravidade desse processo ocorre principalmente nas médias e grandes cidades brasileiras. A importância deste impacto está latente através da imprensa e da TV, onde se observam, em diferentes pontos do país, cenas de enchentes associadas a danos materiais e humanos.
Considerando ainda, que cerca de 80% da população encontra-se nas cidades, a parcela atingida é significativa.

NÃO EXISTE PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA.
O potencial impacto de medidas de planejamento das cidades é fundamental para a minimização desses problemas. No entanto, observa-se hoje que nenhuma cidade brasileira possui um Plano Diretor de Drenagem Urbana.
As ações públicas atuais estão indevidamente voltadas para medidas estruturais como a canalização, no entanto esse tipo de obra somente transfere a enchente para jusante. O prejuízo público é dobrado, já que além de não resolver o problema os recursos são gastos de forma equivocada. Esta situação é ainda mais grave quando se soma o aumento de produção de sedimentos (reduz a capacidade dos condutos e canais) e a qualidade da água pluvial (associada aos resíduos sólidos).
Esta situação é decorrente, na maioria dos casos, da falta de consideração dos aspectos hidrológicos quando se formulam os Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano. Deste modo são estabelecidos, por exemplo, índices de ocupação do solo incompatíveis com a capacidade da macrodrenagem urbana. Fonte: Ambiente Brasil 

Comentário:
Obs: Atividade antrópica é a ocupação de zonas terrestres pelo Homem e a decorrente de exploração, segundo as necessidades e as atividades humanas, dos recursos naturais.

PANORAMA NO BRASIL: OCUPAÇÃO URBANA, RURAL  E CRESCIMENTO POPULACIONAL

INÍCIO DO CENÁRIO: DESMATAMENTO
FLORESTA
Desde a época do Brasil Colônia até hoje,  a área desmatada dos três maiores biomas - Amazônia, Floresta Atlântica e Cerrado - soma, no total, 2,7 milhões de km2, ou 3l,7% do território nacional e 62 vezes a superfície do Estado do Rio.
A Mata Atlântica, desde o período colonial até hoje, perdeu 93% de suas florestas que originalmente cobriam 1,3 milhões de km2 ao longo do litoral. Em áreas como as florestas de araucária no Sul , há apenas 2% da cobertura original. O Cerrado perdeu 50% ou l milhão de km2, de sua cobertura original, desde o inicio de sua ocupação na década de 50. Já a Amazônia, nos últimos 25 anos, teve destruídos cerca de 15% da floresta ou 551 km2 .

AGRICULTURA
 Área cultivada em 1940  era de 13 milhões de hectares. O gado ocupava uma  área de pastagem de 100 milhões de hectares.
Área cultivada para agricultura em 2013; 67,7 milhões de hectares. O gado ocupa uma área de pastagem de 426 milhões de hectares. O aumento da ocupação rural significou maior desmatamento, erosão do solo, assoreamento de rios, etc.

URBANIZAÇÃO
 Em 1920, a população brasileira era de 27,5 milhões de habitantes e contabilizava, em seu imenso território, apenas 74 cidades maiores do que vinte mil habitantes. Nelas  residiam 4,6 milhões de pessoas, apenas 17% da população, e mais da metade concentrada na região
Sudeste
Em 1940, (população brasileira, 41 milhões, população urbana 13 milhões)  32% dos brasileiros habitavam zonas urbanas e em 2010, (população, 190 milhões), população urbana 160 milhões,  84,36%.

A urbanização  significou maior impermeabilização do solo urbano,  desmatamento, ocupações das várzeas, ocupações de encostas, canalização e retificações  de rios e riachos.

AS PRINCIPAIS CAUSAS DE INUNDAÇÃO:
■ A morfologia da cidade a região tem relevo altamente acidentado, formado por serras, morros, fundo de vale, e encostas íngremes.
■ O clima: chove torrencialmente na época do inverno
■ Uso e ocupação do solo de maneira desordenada
■ Não há mapeamento das áreas inundáveis quanto a:
1-Conhecimento da relação cota x risco de inundação
2- Definições dos riscos de inundação de cada superfície
3- Incorporação a Legislação Municipal de uso e ocupação do solo em zona de risco
4- Falta de uso de Sistema de Informações Geográficas na análise de projetos de edificações e equipamentos urbanos. Os riscos devem ser avaliados por meio de perspectivas técnicas capazes de antecipar possíveis danos à saúde humana e ao meio ambiente. O uso de um Sistema de Informações Geográficas contribuiria nas atividades de prevenção e preparação para riscos, possibilitando a diminuição dos desastres, e, em caso de ocorrências, tendo um caráter logístico, determinando como uma população atingida por tais eventos poderia ser evacuada e protegida. Seria a ferramenta ideal para que as autoridades públicas possam efetuar o gerenciamento do desastre a fim de alocar os recursos necessários para minimizar os efeitos do desastre.
5- Controle público da ocupação regular e irregular
■ a prática legalizada da construção ilegal e construção de obras públicas que não respeita o ecossistema.
■ O aumento da vulnerabilidade é atribuível ao uso do solo e da água que é muitas vezes ainda não considera as limitações impostas pela hidrogeologia. Em conseqüência disso há uma ocupação desordenada do solo, principalmente construções, desmatamento, etc
Infelizmente a historia de desastre natural demonstra que tais acidentes se repetem após um ciclo de poucos anos. Não aprendemos ou as pessoas mudam e as lições são esquecidas, com os erros dos que nos antecederam. Infelizmente, muita gente não consegue enxergar e nem tirar proveito dos fatos que já aconteceram , imagine a cegueira diante dos fatos portadores de futuro ou os mesmo futuros repetirão os mesmos erros. A natureza tem suas próprias leis para provocar o desastre.

Vídeo
Vídeo longo, porém explicativo.

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terça-feira, junho 24, 2014

Estrada que brilha no escuro é aberta na Holanda

ESTRADAS ILUMINADAS
Um trecho de uma estrada na Holanda recebeu uma pintura especial que brilha no escuro, com o objetivo de aumentar a segurança sem gastar eletricidade da rede.
A pintura contém um pó fotoluminescente que é carregado pela luz do Sol durante o dia e, lentamente, libera um brilho verde à noite, eliminando a necessidade de iluminação pública - na Europa, muitas estradas são iluminadas, como as ruas no Brasil.
O artista interativo Daan Roosegaarde se associou à empresa de engenharia civil holandesa Heijmans para implantar a ideia.
A tecnologia está sendo testada em um trecho de 500 m, e o lançamento oficial está previsto para o final deste mês.
É a primeira vez que as faixas que brilham são implantadas em uma estrada - estrada é a N329 em Oss, cerca de 100 quilômetros a sudeste de Amsterdã.

UMA VEZ CARREGADA, A FAIXA PODE BRILHAR POR ATÉ OITO HORAS.
"O governo está apagando a iluminação pública à noite para economizar dinheiro, a energia está se tornando muito mais importante do que poderíamos ter imaginado há 50 anos", disse Roosegaarde. "Este (projeto na) estrada é sobre segurança e com o foco em um mundo mais autossustentável e mais interativo."

INOVAÇÕES NAS ESTRADAS
A inovação nas estradas deve ser incentivada, disse o professor Pete Thomas, do Centro de Investigação de Segurança de Transportes da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha), mas novas tecnologias precisam ser testadas e sua eficácia em segurança precisa ser comparada com tecnologias já existentes.
"Colocar essa tecnologia em todas as estradas sem iluminação seria um grande investimento. Por isso, precisamos de provas concretas sobre como isso se compara com (a tecnologia) que já temos", disse ele.
Inicialmente, a equipe também tinha planos de desenvolver símbolos que apareceriam na estrada quando a temperatura externa chegasse a um determinado nível. A mistura de tinta sensível à temperatura seria usada para criar símbolos gigantes em formas de flocos de neve na pista para alertar os usuários de que a pista da estrada poderia estar congelada.
O trecho atual da estrada não inclui esta tecnologia sensível à temperatura.
O projeto ainda está em testes e espera-se que possa ser expandido internacionalmente ainda neste ano. A imprensa holandesa informou que a Heijmans está interessada em usar a tinta em outras estradas, mas que nenhum contrato havia sido negociado. Fonte: Inovação Tecnológica-com informações da BBC-15/04/2014

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terça-feira, junho 17, 2014

Bloqueador não oferece proteção total contra câncer de pele

Um estudo britânico recém-publicado faz um alerta para quem acha que, usando protetor solar, está totalmente protegido do câncer de pele.

Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, não se deve confiar apenas no bloqueador como forma de prevenção de melanomas - um tipo maligno de câncer de pele.

 USO DO PROTETOR SOLAR COM OUTRAS MEDIDAS PARA PROTEGER A PELE
"Os resultados ressaltam a importância de combinar o uso do protetor solar com outras medidas para proteger a cútis, como o ato de usar chapéus e roupas folgadas, além de ficar na sombra nos horários de sol forte", afirma o professor Richard Marais, principal responsável pelo estudo.

Publicada na revista Nature, a pesquisa feita em animais revelou detalhes sobre como os raios UV deixam as células epiteliais mais suscetíveis ao câncer.

É sabido que a exposição ao sol é um dos principais fatores de risco desse tipo de câncer de pele.

Mas ainda havia poucos detalhes sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.

PERIGO- EFEITOS DOS RAIOS UV
No estudo, os cientistas investigaram os efeitos dos raios UV na pele de camundongos para verificar a ação do protetor contra o câncer.
"Os raios UV atacam os mesmos genes que nos protegem contra seus efeitos nocivos, mostrando o quanto esse agente causador do câncer é perigoso ", disse Marais.

"Acima de tudo, esse estudo traz provas de que os bloqueadores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV."

Os pesquisadores descobriram que os raios UV causaram problemas no gene p53, que normalmente ajuda a proteger o corpo contra os efeitos de um DNA com falhas.

O estudo também mostra que o protetor pode reduzir a quantidade de falhas no DNA causadas pelos raios UV, atrasando o desenvolvimento do melanoma nos camundongos.

Julie Sharp, chefe de informação do instituto britânico de pesquisa sobre o câncer, disse que as pessoas tendem a achar que são "invencíveis" a partir do momento que passam a usar bloqueador solar e por isso ficam mais tempo sob o sol, ampliando a exposição aos raios UV.

HÁBITOS SEGUROS
"É essencial adquirir hábitos seguros para se proteger do sol e não se deixar queimar - queimaduras de sol são, aliás, um claro sinal de que o DNA das suas células epiteliais foi danificado e, a longo prazo, isso pode levar ao câncer de pele", disse.
O melanoma é o quinto câncer mais comum no Reino Unido, com mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com a doença por ano.
No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que houve 6.230 novos casos deste tipo de tumor em 2012, sendo 3.170 homens e 3.060 mulheres (2012). Fonte: UOL Notícias –11/06/2014

Comentário:
O QUE É O CÂNCER DE PELE?
É uma doença que ocorre por conta do desenvolvimento anormal das células da pele. Elas se multiplicam repetidamente até formar um tumor maligno. O câncer de pele é uma doença que tem cura, se descoberto logo no início.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA DESENVOLVER O CÂNCER DE PELE?
• História familiar de câncer de pele;
• Pessoas de pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros;
• Pessoas que trabalham frequentemente expostas ao sol sem proteção adequada;
• Exposição prolongada e repetida ao sol na infância e adolescência.
 O sol é importante para a saúde, mas é preciso ter cuidado com o excesso. Quando seus raios ultravioletas  (tipos A e B) atingem a pele, podem alterar suas células e provocar envelhecimento precoce, lesões nos olhos e câncer de pele. Alguns cuidados especiais são necessários, principalmente para aqueles que trabalham ao ar livre.

O QUE DEVE SER FEITO NO LAZER PARA PREVENIR O CÂNCER DE PELE?
• Evite exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
• Use sempre proteção adequada, como bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros, barraca e filtro solar com fator mínimo de proteção 15.
Usar o filtro solar apenas uma vez durante todo o dia não protege por longos períodos. É necessário reaplicá-lo a cada duas horas, durante a exposição solar. Mesmo filtros solares “à prova d’água” devem ser reaplicados.

E NO TRABALHO AO AR LIVRE?
• Evite trabalhar exposto ao sol nas horas mais quentes do dia;
• Não deixe de usar chapéus de abas largas, camisas de manga longa e calça comprida;
• Se possível, use óculos escuros e protetor solar;
• Procure lugares com sombra sempre que possível.

QUE SINAIS DE ALERTA DEVEM SER PROCURADOS?
• Manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram;
• Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor;
• Feridas que não cicatrizam em 4 semanas;
• Mudança na textura da pele ou dor.

COMO DEVE SER FEITO O AUTOEXAME DA PELE?
• Em frente a um espelho, com os braços levantados, examine seu corpo de frente, de costas e dos lados direito e esquerdo;
• Dobre os cotovelos e observe cuidadosamente as mãos, antebraços, braços e axilas;
• Examine as partes da frente, de trás e dos lados das pernas, além da região genital;
• Sentado, examine atentamente a planta e o peito dos pés, assim como os espaços entre os dedos;
• Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova ou secador, examine o couro cabeludo, pescoço e orelhas;
• Também com o auxílio do espelho de mão, examine as costas e as nádegas.

Atenção: Ao perceber qualquer alteração na pele, consulte um médico.
Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer  

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quarta-feira, junho 11, 2014

Incêndio em depósito de fertilizante em Santa Catarina

Um incêndio na terça-feira á noite, 23 horas, 24 de setembro,  em um depósito de fertilizante no terminal marítimo de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) provocou uma nuvem tóxica que obrigou os bombeiros a evacuarem dezenas de casas próximas ao local,  na madrugada de quarta-feira, 25 de setembro de 2013.  

EVACUAÇÃO
Cerca 50 pessoas foram levadas para os hospitais da região, sofrendo algum grau de intoxicação. A fumaça do nitrato pode causar insuficiência respiratória grave.
Segundo a Defesa Civil, 80 pessoas foram levadas para abrigos, no Colégio Estadual Santa Catarina. Entre elas, um grupo de 40 idosos de uma casa de repouso.
Os bombeiros fizeram evacuações nos bairros de Paulas, Capri, Ubatuba e Iperoba.
As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Pessoas intoxicadas foram encaminhadas para hospitais de São Francisco do Sul e Joinville. Conforme os Bombeiros Voluntários, a fumaça estava passando baixa sobre as casas.
 De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Antônio Edival Pereira, a orientação é que as pessoas procurem um local arejado, já que o produto contém substâncias tóxicas, como nitrato de amônia e cloreto de potássio. "Estamos trabalhando para amenizar a situação", declarou.

CORPO DE BOMBEIROS
O órgão acionou unidades de bombeiros de seis cidades próximas para combater as chamas.
Os bombeiros não puderam conter as chamas por falta de um produto químico usado nestas situações, disponível apenas na cidade de Itajaí (a 100km de Florianópolis).  
A Polícia Militar, a Defesa Civil e os bombeiros estão com dezenas de homens na área, todos usando máscaras de proteção.
A circulação na BR-280, que leva ao terminal, foi interrompida por 8 km, raio coberto pela nuvem de fumaça tóxica.
Segundo o Corpo de Bombeiros, foram deslocados para o local 70 bombeiros militares e voluntários, seis tanques com 10 mil litros de água.  
Quem mora nas proximidades, segundo o coronel Oliveira, deve evitar o contato com a fumaça. "Não é necessário esvaziar a cidade, mas aconselhamos a população que vive próximo do incêndio deixar suas casas", orientou o Coronel.

NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA ESPALHA
A nuvem de fumaça tóxica que cobre São Francisco do Sul deve alcançar o litoral do Paraná e o sul de São Paulo entre a tarde e a noite de quarta-feira, 25 de setembro, informou a empresa que monitora o clima em Santa Catarina.
A meteorologista Gilsânia Araújo, da Epagri/Ciram, informou que o vento levou a fumaça na direção do mar nesta manhã, mas à tarde vai mudar de direção e deve empurrar a nuvem até Paraná e São Paulo.
O tamanho da nuvem é incerto. Até as 12h de quarta-feira o incêndio ainda não havia sido controlado, o que alimentava a fumaça --- ela podia ser vista a 25 quilômetros do ponto do fogo, segundo os bombeiros.

PRODUTO QUÍMICO
A nuvem tóxica contém nitrato de amônia, difosfato de amônia e cloreto de potássio, segundo a Defesa Civil.
A professora Marlene Zannin, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), informou que as substâncias podem provocar irritação nos olhos, dores de garganta e, em casos extremos e raros, câncer.
"As pessoas devem evitar respirar a fumaça. Devem evitar se expor a ela", disse a professora.
O contato indireto com a fumaça (pela chuva, por exemplo) também pode provocar irritações, segundo a especialista, mas em escala menor.
Segundo nota da Prefeitura de São Francisco do Sul, não há feridos graves na cidade. Mas um número não estimado de pessoas procurou atendimento nos postos da cidade queixando-se de dor de garganta e tontura.

DEPÓSITO DE FERTILIZANTES
De acordo com as equipes de segurança, 10 toneladas de fertilizantes estavam no depósito da Global Logística, no terminal marítimo de São Francisco do Sul --a cidade tem o maior porto de Santa Catarina e o quinto maior do país, com uma movimentação anual de 5,4 milhões de toneladas, segundo a prefeitura.
Segundo o major Losso, do Corpo de Bombeiros, a informação inicial era de que a substância era nitrato de potássio, porém, ao checar os documentos da empresa, os bombeiros descobriram que a substância na verdade era nitrato de amônia. "Conferimos os documentos do importador e percebemos que era nitrato de amônia. A fumaça não é tóxica, mas causa intoxicação se for inalada em grandes quantidades", esclarece.

FUMAÇA NA CIRCUNVIZINHANÇA
A Prefeitura de São Francisco do Sul (189 km de Florianópolis) está distribuindo desde o meio‑dia 5.000 máscaras à população para amenizar os problemas causados pela nuvem de fumaça tóxica que emana  da queima do fertilizante desde a madrugada.
O número de pessoas que procuraram ou foram levados aos hospitais da área subiu para 100, segundo as autoridades.
Um trecho de 20 km da BR-280 (estrada que liga a cidade a Joinville) está congestionado por gente que deixa a região em busca de segurança.
A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar bloquearam a rodovia, permitindo apenas a saída de moradores.
A coluna  da nuvem de fumaça tóxica podem  ser vistas a 30 quilômetros de distância, segundo relatos de moradores. A Defesa Civil emitiu um alerta também para Joinville, a maior de Santa Catarina, caso os ventos soprem na sua direção. O local e bairros circunvizinhos (Iperoba, Reta, Rocio Pequeno e Sandra Regina) precisaram ser evacuados por causa da fumaça.
Segundo informações passadas pelo Governo, cerca de 150 famílias foram retiradas das casas e levadas para a Escola Estadual Professora Claurinice Vieira Caldeira Forte. As famílias das localidades atingidas pela fumaça foram levadas para dois abrigos: no Colégio Estadual Santa Catarina e na sede do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).
Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, pela localização do fogo, a fumaça deve ir no sentido do mar e acabará passando pelas praias da cidade. O vento na região de São Francisco do Sul é na direção Oeste/Sudeste.
No final da tarde de quinta-feira,  26 de setembro,  a fumaça tomou o centro da cidade, como uma neblina. O cheiro é semelhante ao de água sanitária. A orientação é que os moradores a evitem e rumem a lugares arejados.

INTOXICAÇÃO
Pelo menos 105 pessoas foram atendidas com sintomas de intoxicação no Hospital Nossa Senhora das Graças, em São Francisco do Sul, nenhuma em estado grave. Elas foram atendidas e apenas uma continuava em observação até as 13h50.
A fumaça causa irritação na mucosa. Se for inalada em quantidade, a fumaça causa queimaduras e irritação. A intoxicação pode causar insuficiência respiratória. Não podendo evitar o contato com a fumaça, a orientação é a utilização de máscaras.

CONTROVÉRSIA NA TOXICIDADE DO PRODUTO QUÍMICO
O governo do estado de Santa Catarina divulgou no início da tarde de quarta-feira, 25 de setembro,  nota onde afirma que o incêndio na carga de fertilizante à base de nitrato de amônia  não é tóxico. A nota informou que, de acordo com o Código Internacional de Produtos Perigosos da ONU, a substância é oxidante e não tóxica. Durante toda a manhã, porém, bombeiros informaram que a fumaça causada por este incêndio, por causa da substância queimada, seria tóxica.
O professor Nito Angelo Debacher, doutor em Química e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), disse que o nitrato de amônia ao entrar em contato com o calor gera gás amônia, que é tóxico. "Se tem amônia no gás, com certeza é tóxico. A fumaça estava muito densa. Eu não recomendaria ninguém a respirar aquilo", disse ele, contrariando a afirmação do governo de que a fumaça não é tóxica.
A supervisora do Centro de Informações Toxicológicas, Marlene Zannin, explica que a população deve permanecer calma e atenta aos sintomas. Segundo ela, a dispersão das substâncias geradas pela queima do nitrato de amônia, como nitrato de amônia, diafosfato de amônia e cloreto de potássio, provoca tosse, pele avermelhada, olhos lacrimejantes e doloridos, além de congestionamento das vias orais.

FUMAÇA  TOXICA ALCANÇA LITORAL DO PARANÁ
De acordo com o meteorologista do Climatempo, Marcelo Pinheiro, às 21 horas, a imagem do satélite mostrava que a fumaça já havia passado por Guaratuba e estava entrando na baía de Paranaguá.
Há risco, também, de a fumaça atingir os litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso porque fortes rajadas de vento provocadas por um ciclone extratropical que se formou em áreas do Sul e do Sudeste pode transportar essa fumaça para os dois Estados. Pela manhã, o ciclone chegou a impulsionar a fumaça na direção do mar.
Segundo o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, o comportamento da fumaça depende muito da altura em que ela está na atmosfera, mas, até então, tudo indica que ela não deva subir demais - o que reforça o fato dela continuar seguido para o Norte, na mesma direção do vento. A tendência é que o vento sul permaneça pelo menos até esta quinta-feira.

A DEFESA CIVIL NÃO SABIA DA TOXICIDADE DO PRODUTO
"Nós não sabíamos das consequências desse produto", disse secretário da Defesa Civil
Secretário Milton Hobus. Segundo ele, um engenheiro químico e o laudo da empresa exportadora do produto classificaram o nitrato de amônia como "moderadamente perigoso e tóxico".
Inicialmente, o governo afirmou que a fumaça gerada pelo incêndio químico que ocorreu em São Francisco do Sul não era tóxica. Foi confirmado que a fumaça é, sim, tóxica.  

COMBATE INICIAL

Foto 1 -  Inicialmente, os bombeiros precisaram retirar os contêineres que trancavam a frente e a lateral do   galpão. Pelas janelas, jatos de água eram lançados para umedecer o composto e reduzir a temperatura.

1-Uma canaleta e uma piscina foram improvisados do lado de fora para depositar a água que saía do galpão. O líquido era absorvido por um caminhão-pipa e levado para tratamento antes do descarte para evitar contaminação.

2-Bombeiros combatem o fogo jogando água para dentro do pavilhão.

3-No final da tarde, um guindaste foi usado para fazer furos no teto e permitir a saída  vertical da fumaça. As portas do galpão foram fechadas com os contêineres para impedir a entrada do vento e facilitar a visibilidade do operador que removia o fertilizante.

4-A proteção lateral do teto de zinco foi rompida para facilitar a saída  da fumaça e o acesso da água lançada prelos bombeiros.

5- Retroescavadeira retiravam do galpão e levavam para fora a parte do fertilizante que ainda não havia entrado em reação.

COMBATE AO INCÊNDIO
Enormes ventiladores levados pelo Corpo de Bombeiros vão ajudar no combate ao incêndio.
A combustão gerou uma nuvem amarelada que tomou conta de bairros da cidade, chegou ao Paraná e pode atingir até o litoral de São Paulo.
Segundo o tenente-coronel Sérgio Murilo de Melo, comandante do 7º Batalhão de Bombeiros de Santa Catarina, os ventiladores vão ajudar a desviar a fumaça de quem está combatendo o acidente.
"O vento hoje estava jogando todos os gases para cima de nós. Então, volta e meia tínhamos que parar a operação", contou ele.  Dois bombeiros ficaram feridos devido ao contato com a fumaça, que mudou de direção e os pegou de surpresa. Um deles permanece internado, mas sem risco de morte.
Agora, com o equipamento, a intenção é que os gases sejam desviados, para que se faça a retirada do resto dos fertilizantes que estão no galpão, etapa fundamental para acabar com a combustão.
"Esse material está queimando de dentro para fora", diz Melo. "Temos que resfriar e chegar no foco dessa reação química."
Havia 10 mil toneladas de fertilizantes à base de nitrato de amônia no local. Apenas 10% do material foi retirado até a noite de hoje, segundo estimativa dos bombeiros. O trabalho é feito com retroescavadeiras, cedidas pela prefeitura, governo estadual e pela empresa proprietária do galpão, a Global Logística.
Além dos ventiladores, um equipamento com tubos, trazido de Paranaguá (PR), vai ser usado para jogar água dentro do material em combustão.
A expectativa do Corpo de Bombeiros é que o incêndio seja controlado apenas a partir de sexta-feira à tarde. Até lá, as equipes vão ficar atentas à mudança do vento, que pode levar a nuvem de fumaça para outros bairros que não os que estão evacuados hoje.
O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Coronel Marcos Oliveira, estima que os trabalhos para normalizar a situação no depósito de fertilizantes em São Francisco do Sul podem durar mais de um dia.
— Temos que conter a fumaça e chegar até o centro da reação química para neutralizá-la. Vamos manter um grupo de 200 homens trabalhando 24 horas por dia em esquema de plantão até resolver o problema. Não temos um prazo específico, mas estimo que sejam várias horas, mais de um dia — disse ele.

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA NO COMBATE AO FOGO
Por 40 horas, os bombeiros usaram escavadeiras e destruíram paredes para retirar o material do galpão e acabar com a combustão. Sob orientação dos técnicos da Vale Fertilizantes, descobriram que, na verdade, estavam "alimentando" essa combustão.
A entrada do maquinário trazia novos componentes ao material, que estimulavam a combustão. A abertura de paredes ofertava ar para o processo e aumentava a temperatura do galpão, assim como o incêndio. "Agora, o combate está mais técnico", diz Coronel Marcos Oliveira .
O  uso de uma câmera térmica tornou o trabalho dos bombeiros mais eficiente. O equipamento permitia identificar com precisão os focos de calor no interior do galpão.

ESTADO DE EMERGÊNCIA
A cidade de 42 mil habitantes está sob estado de emergência desde quarta-feira. Mais de 800 pessoas foram levadas para abrigos da prefeitura. O prefeito da cidade fez apelos por doações de colchões e mantimentos para os abrigados.
A Defesa Civil isolou um raio de 2 km do depósito. A população está sendo constantemente alertada para afastar-se da rota da fumaça. Sua toxidade moderada produz irritação nos olhos, nariz e garganta. A Secretaria da Saúde recomendou que as pessoas permanecessem em locais arejados.  

VITIMAS
O bombeiro voluntário David Marcelino sofreu grave intoxicação quando trabalhava no combate à fumaça tóxica. Ele foi internado às 4h desta quinta-feira (26) na UTI do Hospital Hans Schmidt, em Joinville (194 km de Florianópolis). Ele é bombeiro voluntário há 35 anos  na cidade vizinha de Guaramirim. Segundo informações da assessoria do hospital, o laudo médico foi de intoxicação por substâncias químicas. O estado de saúde de Marcelino é considerado grave, porém, estável.
Outras 138 pessoas foram atendidas nos hospitais, nenhuma apresentou sintomas graves.
Segundo o Corpo de Bombeiros, não há mortos, mas já há registro de pessoas intoxicadas no hospital da cidade, e os casos mais graves estão sendo levados para Joinville.
Além dos moradores abrigados pela prefeitura, cerca de 400 famílias deixaram suas casas nos bairros mais afetados pela fumaça e foram para Joinville, para casas de parentes ou hotéis. A Polícia Militar e tropas do Exército patrulharam a região durante a noite, para evitar saques.
O posto de comando da crise ambiental está montado na prefeitura local. O expediente das repartições foi suspenso. O comércio fechou e as aulas também foram suspensas até sexta.

A NUVEM DE FUMAÇA TÓXICA CHEGOU NO LITORAL SUL DO PARANÁ
A nuvem de fumaça tóxica chegou a Guaratuba, no litoral sul do Paraná. As aulas na cidade foram suspensas. Sete pessoas procuraram os hospitais com sintomas de intoxicação leve. Elas foram medicadas e passam bem.

NUVEM DE FUMAÇA ATINGE HOSPITAL
A nuvem de fumaça tóxica  mudou de direção e foi para o centro da cidade, o que forçou o Hospital Nossa Senhora das Graças a evacuar os pacientes na noite de  quinta-feira, 26 de setembro.
Eles estão sendo removidos para hospitais em Joinville, 30 km a noroeste, área ainda não atingida pela fumaça.
O médico Álvaro Ricardo Junior disse que os pacientes com menor risco são levados para uma unidade de Pronto Atendimento e os mais graves para o Hospital Regional de Joinville.
A mudança dos pacientes está sendo feita por dezenas de ambulâncias, com o pessoal de apoio e pacientes usando máscaras. Os hotéis do centro da cidade também evacuaram seus hóspedes.

INCÊNDIO É CONTROLADO
O incêndio foi controlado  após 60 horas. Por volta das 11h40, de sexta-feira, 27 de setembro, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Alexandre Corrêa Dutra, que coordenou os trabalhos dos bombeiros na manhã de sexta-feira, informou que não havia mais fumaça na cidade.
O rescaldo dos bombeiros no armazém continua até o início da tarde. Eles estão jogando água e mexendo nas 10 mil toneladas de fertilizantes e jogando água no material, para evitar reações químicas, segundo o tenente-coronel Alexandre Corrêa Dutra.
Não há mais fumaça na cidade. O material será retirado e toda vez que mexemos nele, vapor é liberado, mas não chega a formar fumaça. Estamos jogando água porque esse tipo de substância tem que ser movimentada para não haver reação e evitar calor. À tarde, vamos liberar o local para a perícia, disse Dutra.
As 10 mil toneladas de fertilizantes queimaram durante 57 horas. Dos 42 mil habitantes da cidade, cerca de 9.000 deixaram a localidade neste período fugindo da fumaça.
Na manhã de hoje, a fumaça mudou da cor amarela, passando de alaranjada para cinza, antes de finalmente ser extinta.
Durante a noite e a madrugada, a fumaça mudou de direção e atingiu 13 bairros e o centro histórico da cidade. Tropas do Exército e da Polícia Militar ordenaram a saída dos moradores dessas regiões.

PARALISAÇÃO DO PORTO
A fumaça paralisou as atividades do porto de São Francisco. Em consequência, os trens que transportavam cargas aos navios também pararam.
Mais de 3.000 caminhões de carga estão estacionados nas proximidades do porto. A Polícia Rodoviária Federal fechou o trecho da BR-280 que leva ao porto para evitar o acúmulo de mais caminhões.

DANOS AMBIENTAIS
Segundo os bombeiros, a retirada do material será acompanhada por funcionários da secretaria de Meio Ambiente e da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), órgão do governo do estado.
O material será retirado com máquinas e será levado para um terreno vazio que o município cedeu, perto do terminal — disse o subcomandante geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, tenente-coronel Gladimir Murer.
Um levantamento preliminar dos bombeiros afirma que o volume de água utilizado nos trabalhos já ultrapassou 2 milhões de litros.
Segundo Carlos Mergen, analista ambiental do Ibama, a piscina montada para manter isolada a água usada no combate ao fogo foi essencial para evitar danos ambientais. Elas ajudaram a conter a água para que ela não fosse para os mananciais e contaminasse o solo. De acordo com o analista, o dano ambiental no solo foi mínimo.
A piscina tinha capacidade para 300 mil litros. Caminhões-pipa tiravam frequentemente a água para dar mais espaço. Os caminhões-pipa vão levar a água para uma empresa de Joinville para ela receber tratamento. Órgãos ambientais ainda irão efetuar uma análise aprofundada da situação.
O comportamento da flora e fauna da região será monitorado pela Fatma. "Calculo que vai demorar meses para termos respostas mais concretas sobre a contaminação", disse. Nesta sexta (27), como o incêndio foi controlado, a Fatma enviará a São Francisco do Sul um diretor de fiscalização e um representante da regional de Joinville para avaliar a possível contaminação do ar, córrego e lençol freático.
Além da Fatma, outras instituições também farão coletas para analisar o impacto ambiental em São Francisco do Sul. A Universidade da Região de Joinville (Univille)  deve ter um resultado da análise da coleta do ar até próxima quinta-feira, 3 de outubro. Também serão retiradas amostras da água da chuva em Joinville, para verificar se houve impacto naquela cidade.

Para professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros, "o ideal é que, neste primeiro momento, fosse feita análise do solo e ar da região e ver que tipos de substâncias são encontradas. É preciso saber exatamente o que tem e em qual quantidade para prever as melhores ações". Segundo ela, como o material envolvido no incêndio era um fertilizante, caso ele chegue até a água, pode haver um excesso de nutriente nesse local. Isso promoveria o desenvolvimento de algas, que consomem oxigênio. Com isso, os peixes poderiam ficar sem o elemento e morrerem.
No solo, ainda segundo a professora, o impacto não seria tão direto. "Vai depender se vai chover, se a água vai transportar e levar o material para lençol freático". Com o fenômeno meteorológico, havia uma lavagem da atmosfera e causar uma alteração no nível de acidez da água.

BOMBEIROS AUTORIZAM MORADORES A VOLTAREM PARA CIDADE
Na tarde de sexta-feira, 27 de setembro, os bombeiros autorizaram os moradores retornarem as suas casas próximas ao local. As autoridades divulgaram uma lista de recomendações às pessoas, que incluem cuidados com a água, ventilação, poeira e os alimentos.
As recomendações aos moradores são para abrir toda a casa para que haja ventilação, não ingerir água de caixas que estavam destampadas, tirar o pó dos móveis e colocá-los em local arejado e descartar alimentos expostos.
Mais especificamente sobre a água, o Samae de São Francisco do Sul informou que, de 30 em 30 minutos, três empresas estão verificando a qualidade do líquido. A água do Samae é 100% potável. No caso de caixas que ficaram destampadas, a orientação dos bombeiros é fechar o registro e utilizar a água que permanece na caixa apenas para limpeza. Se possível caixas que estavam sem tampa, devem ser limpas com água sanitária.
Sobre os riscos aos moradores da região, a professora dos cursos de engenharia química e engenharia ambiental e sanitária da Universidade da Região de Joinville (Univille) Sandra Medeiros recomenda que as pessoas, ao voltarem às casas, ventilem o máximo possível o ambiente e façam limpeza de toda a superfície com pano úmido, sem varrer. Para evitar alergia ou irritação, os moradores devem usar luvar e máscaras cirúrgicas, impedindo contato com pó.

REMOÇÃO DE RESÍDUOS TÓXICOS
Ainda não há certeza sobre quanto tempo levará o processo de remoção da água armazenada em um piscinão montado a cerca de 800 metros do galpão.
A piscina serviu de armazenamento para a água que foi usada pelos bombeiros e teve contato com o nitrato de amônio estocado no galpão. Caminhões fazem a sucção da água e a levam para um aterro industrial. Conforme o secretário do Meio Ambiente de São Francisco do Sul, Eni Voltolini, uma pequena quantidade de água também é drenada para o restante do córrego através de um cano.
—Implantamos um sistema de drenagem com controle de vazão. A água é liberada na medida em que a análise das amostras coletadas comprova que não há risco para a fauna aquática — explica.
A estimativa, conforme Voltolini, é de que o trabalho continue por pelo menos mais uma semana. Segundo o secretário, a situação está sob controle e não houve registro de contaminação no mar ou no solo. Mas parte da vegetação atingida diretamente pela fumaça mais densa, observa Voltolini, pode secar em reação ao elemento químico.

A CIDADE VOLTA AO NORMAL
O comércio turístico no Centro Histórico abriu normalmente. Nos bairros, apesar de ser fim de semana, também se viu bares, peixarias e supermercados de portas abertas. Ao contrário das expectativas, o trânsito na BR-280 fluiu com tranquilidade entre sábado e domingo.
Alunos das redes estadual e municipal em São Francisco do Sul terão aula normal  e expediente nos órgãos municipais, que esteve suspenso durante o período de crise, também será cumprido normalmente na segunda-feira, 30 de setembro.

INQUÉRITO
Inquérito policial foi aberto oficialmente na segunda-feira, 30 de setembro,  pela Delegacia da Polícia Federal em Joinville, para apurar o acidente químico em São Francisco do Sul.
Conforme o delegado, caberá à PF investigar os danos ambientais e a poluição causada pelo incidente, considerando que a nuvem de fumaça atravessou a divisa de Santa Catarina. A apuração das circunstâncias do evento que ocasionou a reação química, conforme o delegado-chefe ficará a cargo da Polícia Civil de São Francisco do Sul.
O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, mas o término da investigação pode se estender além do tempo previsto porque depende de análises laboratoriais, incluindo os laudos do Instituto Geral de Perícias.

AÇÃO CÍVEL
120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho vão entrar na Justiça com ação civil pública e cobram R$ 10 mil para cada pessoa por danos morais
As 120 famílias da Associação dos Amigos do Portinho, uma das comunidades mais próximas do terminal da Global Logística, em São Francisco do Sul, não esperaram pela perícia ou por levantamentos técnicos dos danos causados pela fumaça que cobriu a cidade por três dias..
 Elas entraram na Justiça com uma ação civil pública exigindo indenizações por danos morais e materiais pelo ocorrido. São cerca de 300 pessoas que moram às margens da BR-280.
 Segundo o advogado da associação, Pedro Donel, além do abalo por ter de deixar suas casas, os moradores tiveram prejuízos financeiros porque não puderam trabalhar.
A ação pede R$ 10 mil para cada um dos associados por danos morais e valores que variam de R$ 100 a R$ 200 por dia para as pessoas que não puderam trabalhar de quarta a sábado.
Segundo o advogado, o que está em questão, agora, é o prejuízo real de quem trabalha por dia – situação da maioria dos moradores. São pessoas que trabalham em sistema avulso, por dia, algumas no porto, outras fazendo carregamentos, e que precisam desse dinheiro, mesmo que valores não sejam altos, para tocar suas vidas.
A ação de indenização não foi julgada e é provável que outras sejam abertas nos próximos dias por associações ou moradores e comerciantes da região.

LAUDO TÉCNICO APONTA IRREGULARIDADES
O laudo foi divulgado em 15 de  janeiro de 2014. Os peritos criminais do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontaram que o incêndio químico em São Francisco do Sul, na região Norte de Santa Catarina, foi causado, possivelmente, pela junção de substâncias não identificadas e a umidade relativa do ar "em estado crítico", além do ambiente que abrigava o material estar propício para que a reação química ocorresse.
O documento aponta diversas irregularidades no galpão;  a situação do imóvel em relação às normas do Corpo de Bombeiros do estado contra incêndio estava "completamente irregular”, pois o local não possuía projeto preventivo contra incêndios, licença de construção ‘Habite-se’ e atestado de vistoria para funcionamento.

O perito criminal Rogério de Medeiros Tocantins explica que, de acordo com a bibliografia consultada para o laudo, o fenômeno decomposição auto-sustentável nunca tinha ocorrido no país, sendo o caso de São Francisco do Sul o primeiro brasileiro. A média mundial é de um caso semelhante a cada três anos. Rogério acrescenta que nem todos os fertilizantes são capazes de sofrer esse tipo de decomposição.

A decomposição térmica desse tipo de fertilizante, em geral, é iniciada por uma fonte externa de calor. Mas no local não foram encontrados elementos técnicos que sugerissem que a reação em São Francisco tenha se iniciado por fonte externa. A absorção de umidade, ou seja, a absorção de água presente na atmosfera, também promove a degradação física do fertilizante, podendo gerar uma solução ácida. O fertilizante ficou entre 20 e 25 dias no galpão, que precisaria de melhores condições para controle da umidade, e essa reação pode ter ocorrido lentamente nesse período.

“Conseguimos identificar elementos técnicos que apontam como causa mais provável a formação de uma condição ácida e/ou a presença de elementos catalíticos, como por exemplo o cloreto. Foi constatado que esse fertilizante, na sua composição, possui o elemento cloro, ligado na forma de um sal, que em presença de umidade se dissocia e forma um cloreto. Esse cloreto em condições ácidas se torna mais suscetível a desencadear uma decomposição térmica que pode desenvolver para um decomposição auto-sustentável”, explica o perito Rogério. Ele ressalta, no entanto, que não se pode descartar a presença de outros contaminantes – a Polícia Civil ainda vai investigar o que estava armazenado no galpão antes do espaço receber o fertilizante.

QUESTÕES AMBIENTAIS
O laudo aponta, ainda, que foram evitados grandes danos ambientais em São Francisco do Sul. Foram avaliados impactos na flora, na fauna e na água da região. “Na vegetação, verificamos um dano na borda na floresta, um dano mínimo em que a vegetação se recupera naturalmente. E em relação aos corpos hídricos, a água contaminada escoou por dois canais artificiais. Essa água seria levada pelos canais artificiais para cursos naturais, um deles no meio do manguezal. Mas foi feita uma barreira de contenção e o material foi coletado por caminhões-pipa e direcionado para tratamento em empresas especializadas“, explica o perito criminal Rafael Salum de Oliveira.

POLÍCIA INDICIA PROPRIETÁRIOS DO ARMAZÉM
A polícia catarinense indiciou os proprietários do armazém. Eles são acusados de crime ambiental.
A Polícia Civil afirmou que os indiciados "assumiram o risco dessa reação ter ocorrido, uma vez que não possuíam atestado de vistoria dos Bombeiros atualizado". Além disso, o fato de diversos produtos químicos estarem armazenados juntos com fertilizantes "sem a supervisão de um químico que conseguiria fazer uma análise adequada a respeito do acondicionamento desses materiais", fez com que os investigadores optassem pelo indiciamento.

Fontes: G1SC, Defesa Civil e Bombeiros de SC, Diário Catarinense, A Notícia, Folha de São Paulo, O Globo, Zero Hora, UOL Noticias,  no período de 25 de setembro de 2013 a 15 de janeiro de 2014

Vídeo:


Comentário:
Todas as reações químicas e bioquímicas liberam ou absorvem energia do ambiente de alguma forma. Os processos que liberam calor são denominados exotérmicos e transmitem sensação de aquecimento. É o caso, por exemplo, da combustão.
A decomposição auto-sustentável (SSD- Self-sustaining decomposition) é o fenômeno na qual uma reação de decomposição localmente iniciada se propaga através da massa de um material. Este fenômeno tem sido registrado em fertilizantes inorgânicos e outros materiais com uma alta porcentagem de nitrato de amônia.  

Outros materiais, tais como peróxidos, são também conhecidos por sofrerem decomposição exotérmica. Acidentes de decomposição auto-sustentável pode ser iniciado por aquecimento interno  ou por fonte de calor externo.  O auto-aquecimento é o fenômeno em que a temperatura de um corpo de materiais aumenta devido ao calor que está sendo gerado por algum processo que ocorre internamente no material. Se esse calor não pode ser perdido para o ambiente a uma taxa maior do que aquela  que é gerado, então pode ocorrer uma fuga térmica.

Auto-aquecimento de fertilizantes é promovida quando grandes quantidades de material permanecem em repouso durante um longo período de tempo, por exemplo, em armazenamento ou transporte a granel, ou, se tratar de contaminação com material orgânico com  o qual o nitrato de amônia começa a reagir diretamente por volta de 100º C. Uma fonte de calor externa (por exemplo, trabalho a quente, superfícies quentes e em brasas) também pode iniciar um SSD.

O nitrato de amônia é comumente encontrado em fertilizantes, porque incorpora nitrogênio na forma prontamente absorvida pelas culturas (ou seja, amônia e nitrato íons). No entanto, nitrato de amônia é capaz de sofrer reações de decomposição exotérmica quando exposta a uma fonte de calor.  A decomposição exotérmica do nitrato de amônia puro começa por volta de  200-230º C.

MECANISMOS DE DECOMPOSIÇÃO DE FERTILIZANTES À BASE DE NITRATO DE AMÔNIA
A decomposição química do nitrato de amônia  contendo diferentes fertilizantes  de nitrato de amônia puro, devido à presença de outros compostos (especialmente os cloretos), no total, que atuam para alterar o caminho de reação e as propriedades térmicas do  material.  As publicações técnicas existentes sobre o mecanismo de reações são escassas e com poucos detalhes técnicos.
Porém o pesquisador H. Kiiski detalhou o mecanismo de reação com as seguintes observações;
1. os íons NH 4 e NO-3 e um catalisador (geralmente Cl-) devem estar presentes  em um pequeno volume
2. Uma matriz sólida deve estar presente ou formada durante a decomposição de tal modo que o calor pode ser preso e transferido para a zona de reação
3. O calor suficiente deve ser liberado para ultrapassar as perdas de calor e permitir a propagação da reação.

DECOMPOSIÇÃO NÃO-CATALISADA
O mecanismo de reação não-catalisada global é uma reação em cadeia que termina e prossegue somente se houver calor suficiente para manter a decomposição.
O passo inicial envolve a fusão e dissociação de nitrato de amônia  (NH4NO3) para formar  amônia e ácido nítrico  (NH3 e HNO3), que ainda se decompõem em N2 (nitrogênio), N2O (oxido nitroso), NOx (óxidos de nitrogênio)  e NOxCl
.
DECOMPOSIÇÃO CATALISADA
O SSD de fertilizantes é geralmente pelo mecanismo de cloreto catalisado. Neste caso, a decomposição é, principalmente, o de ácido nítrico (HNO3), que é formado durante o dissociação endotérmico de nitrato de amônia  NH4NO3. A reação é iniciada pela formação de ácidos nítrico e clorídrico que se submetem a uma reação em cadeia com íon de cloreto que atuam como um catalisador de produção de N2, N2O, NO2 e H2O. A temperatura deve ser superior a 300º C para permitir que se complete.

DESASTRES
Grandes eventos SSD são raros e ocorrem no mundo em média, a cada três anos. As consequências podem ser graves com vítimas diretas, formação de nuvens tóxicas e explosões. Incidentes envolvendo SSD de fertilizantes incluem;
em 2002, depósito, em Cartagena, Espanha,
Em 1993 na costa do Humber, e
Em 1987, em Nantes, França.
Estes incidentes foram iniciadas por fontes de calor relativamente pequenas (por exemplo, lâmpadas ou falhas em equipamentos elétricos), mas resultou na formação de grandes nuvens tóxicas.
Embora a composição da nuvem é desconhecida, é provável que ela continha compostos de nitrogênio, óxidos nitrosos, vapor de água, e amônia e cloro, que são produtos típicos de fertilizantes NPK em decomposição.
A porção restante do fertilizante consiste em micronutrientes (magnésio, enxofre, cálcio, etc) e agentes anti-aglomerantes.

MECANISMO DE EXPLOSÃO DE NITRATO DE AMÔNIA
Nitrato de amônio se decompõe em gases, incluindo oxigênio quando aquecido (reação não-explosiva); No entanto, o nitrato de amônia pode ser induzido para decompor-se explosivamente pela detonação. Grandes estoques do material pode ser um grande risco de incêndio devido à sua oxidação, e também pode detonar,  como aconteceu no desastre Texas City, de 1947, o que levou a importantes mudanças nos regulamentos para o armazenamento e manuseio.

Existem dois principais tipos de acidentes que resultam em explosões:
1. A explosão acontece por um mecanismo conhecido como "choque de transição de detonação." Ele pode ser iniciado por uma carga explosiva saindo na massa, ou a detonação de um artefato jogado na massa, ou a detonação de uma mistura explosiva em contacto com a massa. (Veja os exemplos de incidentes no Oppau e Tessenderlo, mencionados abaixo.)
2. Os resultados da explosão de um incêndio que se propaga no próprio nitrato de amônia, ou de uma mistura de nitrato de amônia com um material combustível, durante o incêndio. (Veja os exemplos de incidentes em Texas City e Brest, listados abaixo.) O incêndio deve limitar-se, pelo menos até certo ponto, para a transição de um incêndio a uma explosão (um fenômeno conhecido como "transição de uma decomposição ou deflagração", ou DDT).

O Nitrato de amônia puro, compacto é estável, mas decompõe-se a temperaturas acima de 210°C. Ele impede a decomposição,  uma vez que a fonte de calor é removida, mas quando os catalisadores estão presentes (incluindo materiais combustíveis, ácidos, íons metálicos, ou cloretos), a reação pode tornar-se auto-sustentável (conhecido como "decomposição auto-sustentável", SSD). Este é um risco bem conhecido de alguns tipos de fertilizantes NPK e é responsável pela perda de vários navios de carga.

Alguns exemplos de desastres envolvendo nitrato de amônia  são apresentados abaixo.
1-Oppau, Alemanha, 1921: Uma tentativa de desagregar uma mistura de fertilizantes utilizando explosivos industriais causou a morte de 450 pessoas e a destruição de 700 casas em 21 de setembro de 1921 O fertilizante era uma mistura de nitrato de amônia e sulfato de amônia 50:50. Alegou-se que a fábrica tinha utilizado este método de desagregação mais de 20.000 vezes sem incidentes. Pensou-se  que, nesta ocasião, a má mistura levou a certas partes da massa  conter mais nitrato de amônia do que outros. Das 4.500 toneladas de fertilizantes armazenados no depósito, apenas um décimo explodiu.

 2-Tessenderlo, na Bélgica de 1942:  Outra tentativa de desagregar uma pilha de 150 toneladas de nitrato de amônia com explosivos industriais terminou tragicamente em abril 29, 1942 Várias centenas de pessoas foram mortas.

3- Texas City, Estados Unidos de 1947: O navio de carga Grandcamp estava sendo carregado em 16 de abril de 1947, quando um incêndio foi detectado no porão, neste momento, 2.600 toneladas de nitrato de amônia em sacos já estava a bordo. O capitão respondeu fechando o porão e bombeando vapor pressurizado. Uma hora depois, o navio explodiu, matando centenas de pessoas e ateando fogo para outro navio, o High Flyer, que estava ancorado a 250 metros de distância e que continha 1.050 toneladas de enxofre e 960 toneladas de nitrato de amônia. A explosão Grandcamp também criou uma poderosa onda de choque  que atingiu dois pequenos aviões voando a 500 m  de altura. O High Flyer explodiu no dia seguinte, depois de ter queimado por 16 horas. Quinhentas toneladas de nitrato de amônia no cais também foi queimado, mas sem explodir, provavelmente devido ao fato de que ele foi menos compactado.

4- Brest, França, 1947: O navio de carga Ocean Liberty foi carregado com 3300 toneladas de nitrato de amônia e vários produtos inflamáveis quando ele pegou fogo às 12:30, 28 de julho de 1947, o capitão ordenou o fechamento do porão e foi bombeado vapor pressurizado. Como isso não impediu que o fogo, o navio foi rebocado para fora do porto às 14:00, e explodiu às 17:00. A explosão causou 29 mortes e sérios danos ao porto de Brest.

5- Roseburg, Oregon, 1959: Um caminhão que transportava dinamite e nitrato de amônia  pegou fogo no início da manhã de 7 de Agosto de 1959.  Quando  explodiu, matou 14 pessoas e feriu mais de 125. Vários edifícios do centro de Roseburg foram destruídos. O acidente é conhecido localmente como "The Blast".

6-Kansas City, Missouri, 1988: Em 29 de novembro de 1988, em 4:07 dois trailers contendo aproximadamente 50.000 quilos de nitrato de amônia explodiu em um canteiro de obras localizado perto da saída da rua 87 de Highway 71, em Kansas City, Missouri. Os explosivos estavam sendo utilizados na detonação de rocha durante a construção da Auto-estrada 71. As explosões resultaram na morte de seis bombeiros da cidade. As explosões criaram duas crateras (cada uma cerca de 100 metros de largura e oito metros de profundidade), quebrou janelas  num raio de 16 km e pode ser ouvida a 40 km de distância. Posteriormente, foi determinado que as explosões foram de ação criminosa, por causa de indivíduos envolvidos em uma disputa trabalhista com a empresa construtora contratada para construir a rodovia.

7-Toulouse, França, 2001: Em 21 de setembro de 2001, às 10:15 AM, na AZF (Azote de France) fábrica de adubos em Toulouse, na França, ocorreu uma explosão em um depósito onde o material AN fora de especificação foi armazenado em camadas, separadas por divisórias.  A estimativa de  200 a 300 toneladas de material estava envolvida na explosão, resultando em 31 pessoas mortas e 2.442 feridas, 34 delas gravemente. A onda de explosão quebrou janelas até três quilômetros de distância e a cratera resultante tinha dez metros de profundidade e 50 metros de largura. A causa exata ainda é desconhecida. O dano material foi estimado em 2,3 bilhões de euros.

8-Ryongchon, Coréia do Norte, 2004: Um trem de carga transportando nitrato de amônia explodiu nesta cidade ferroviária importante, perto da fronteira com a China em 22 de abril de 2004, matando 162 pessoas e ferindo mais de 3.000 outros. A estação foi destruída, assim como a maioria dos edifícios num raio de 500 metros, e cerca de 8.000 casas foram destruídas ou danificadas. Duas crateras de cerca de dez metros de profundidade foram vistas no local da explosão.
Fonte: The University Edinburgh - Edinburgh Research Explorer - Small-scale experiments of self-sustaining decomposition of NPK fertilizer - Published In: Journal of Hazardous Materials, New World Encyclopedia, The chemical compound ammonium nitrate.

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