Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

segunda-feira, maio 25, 2015

Boas Práticas em programa de gestão de segurança e saúde no trabalho

Diretrizes básicas para elaboração de um programa de gestão de segurança e saúde no trabalho, utilizando como ferramenta às  “Boas Práticas”

Nota: “Boas Práticas” (Best Practice)
Técnica ou prática comprovadamente eficiente que uma empresa pode adotar. Antes de adotar as “Boas Práticas”, a empresa deve avaliar sua aplicabilidade e responder às seguintes questões: Quem tem adotado a referida prática? Por que a prática funciona? O que é afetado por ela? Que resultados ela trará para a empresa?

Saúde e segurança são os principais assuntos em liderança. Num esforço para fornecer  as  diretrizes básicas de “Boas  Práticas”  para líderes em indústria, governo, instituição de ensino superior,  a ICSCA (Industry Cooperation on Standards and Conformity Assessment, Indústria de Cooperação em Padrões e Avaliações de Conformidade, Instituição da Austrália) desenvolveu os principais tópicos das “Boas Práticas” industriais especificamente para alta gerência.
O documento descreve os elementos necessários essenciais para uma gestão eficaz de segurança e saúde no trabalho. A conformidade com as “Boas Práticas” neste documento não exclui  das obrigações legais (obedecer às normas vigentes do país) .

INTRODUÇÃO
Este documento se destina a alta gerência de qualquer organização e proporciona as diretrizes para formulação de sua política afirmativa para condução das medidas para gestão de saúde e segurança no trabalho. Fornece uma abordagem eficiente  e concisa,  que desenvolve em relação a métodos e procedimentos e é praticado na industria  em nível global.
Não incentiva  ou defende a certificação de terceiros, pois isto não garante a saúde e segurança no local de trabalho,  e nem a certificação de terceiros desobriga das responsabilidades legais.
Protegendo a saúde e a segurança no local de trabalho é um dever fundamental de todas as organizações e de seus funcionários. Este objetivo compartilhado é mais facilmente alcançado se as organizações estabelecerem uma abordagem estruturada para a identificação de riscos, avaliação e o controle de riscos relativos ao trabalho.

A abordagem mais eficaz  é onde a organização vincula a mesma importância para obtenção de padrões elevados de gestão de saúde e segurança no trabalho,  como fazem para outros aspectos chaves de suas atividades de negócios.

Muito das características de uma gestão eficiente de saúde e segurança no trabalho são imperceptíveis daquelas práticas utilizadas para obter qualidade e excelência empresarial. Sua incorporação em todos o sistema de gestão é fundamental a fim de:
■Minimizar o risco para funcionários e outros;
■Melhorar o desempenho empresarial;
■Auxilia a organização  para estabelecer a imagem de uma organização responsável no mercado.

Esta abordagem para gestão de saúde e segurança no trabalho não é nova, pois diversas organizações  tiveram sucesso protegendo a segurança e saúde do trabalhador utilizando técnicas de gestão por décadas. A abordagem permite às organizações, sistematicamente:
■identificar os riscos potenciais ou reais no trabalho;
■estabelecer objetivos mensuráveis para eliminar ou reduzir aqueles riscos e controlar qualquer risco residual;
■implementar programas e procedimentos para alcançar os objetivos;
medir e checar  para verificar o desempenho e a eficácia das medidas adotadas e para ■identificar as possibilidades de melhoramento contínuo.

Este documento fornece orientação na abordagem para a gestão de saúde e segurança no trabalho. As “Boas Práticas” são flexíveis, assim as organizações podem integrar a abordagem com seus outros negócios e sistemas de gestão. Cada organização deve desenvolver o detalhe de sua própria  abordagem, estruturada para adaptar suas necessidades.
Estas “Boas Práticas” são direcionadas para utilização de qualquer organização (inclusive subcontratadas), pública ou privada, independentemente do tamanho e da natureza de suas atividades, em qualquer setor e em qualquer parte do mundo. Isto seria imaginado como um documento “blindagem de segurança” que permite normas, leis, regulamentos, códigos e outras diretrizes aplicáveis  para serem facilmente incorporados aos elementos   de  “Boas Práticas” industriais. 

Estas “Boas Práticas” não pressupõem que as organizações possuam sistemas de gestão certificadas (por exemplo. ISO 9001 ou 14001).

ELEMENTOS DE ABORDAGEM

Liderança e Comprometimento demonstrado pela  Alta Gerência

Liderança.
Ativa, visível, direta e consistente da alta gerência  são fundamentais para o sucesso da gestão de saúde e segurança no trabalho.
A função da alta gerência inclui; definição da política, a aprovação de objetivos, o fornecimento de recursos e revisando regularmente o desempenho.
É particularmente importante a revisão gerencial; para avaliar regularmente o desempenho da saúde e segurança, a adequação e eficácia das medidas para a gestão de saúde e segurança no trabalho e para identificar possibilidades de melhoria ;e particularmente importante. A alta gerência é diretamente responsável por fornecer u, local de trabalho seguro e por promover a cultura de segurança.

Política.
A alta gerência deve estabelecer uma política que inclui compromissos para prevenir e reduzir os acidentes (lesões e danos à saúde)  no local de trabalho,  atuar de acordo com as exigências legais, reconhecer a gestão de saúde e segurança no trabalho como  parte integrante do desempenho de suas atividades e continuamente melhorar o desempenho.

Esta política deve ser comunicada a todos os empregados e executadas através de medidas adequadas.

Responsabilidade, autoridade e atribuições.
Responsabilidades, autoridades e atribuições para execução das medidas de gestão de saúde e segurança devem ser claramente identificadas , documentadas e comunicadas a todos os membros da organização. Através das funções de saúde e segurança podem (e devem) ser delegadas, a alta gerência é a principal responsável pela gestão de saúde e segurança. É necessário definir as responsabilidades dos funcionários em relação à sua própria segurança e a dos demais com quem trabalham, em um contexto de medidas que forneçam-lhes recursos, ferramentas, treinamento, capacidade e oportunidade para trabalhar com segurança.

Comunicação e consulta.
A organização deve tomar medidas eficientes para permitir a comunicação entre todos os níveis e funções, em função da saúde e segurança nos resultados do trabalho e assim como, quando necessário o envolvimento e consulta aos empregados. Os funcionários devem ter papéis adequados na concepção e implementação dos programas de saúde e segurança.

PLANEJAMENTO

Análise e controle de riscos .
A organização deve implementar um procedimento para identificação  de riscos no local de trabalho e no processo que representem riscos potencias ou reais de acidentes ou danos à saúde .  
Os riscos devem ser priorizados, para que possam ser gerenciados e controlados de forma planejada. Na análise devem ser incluídos os riscos aos visitantes e ao público, as emergências e o impacto de trabalho pelas subcontratadas, embora permaneçam responsáveis pela segurança de seus próprios funcionários. As medidas também devem ser feitas para  providenciar recomendações e serviços de especialistas, relevantes a natureza das atividades das organizações.

Controle de riscos na fase de planejamento.
O primeiro objetivo no controle dos riscos identificados nas análises deve ser a sua eliminação já na fase de planejamento. A utilização controles de hierarquia durante a fase de planejamento resultará na redução do risco no local de trabalho. O objetivo é impedir a introdução de riscos no local de trabalho, definindo exigências e trabalhando com fornecedores. Treinamento, avisos e equipamento de proteção individual são a últimas opções e são normalmente utilizados ara controlar risco residual.

Identificação de exigências legais e outros.
A organização deve tomar medidas eficazes para garantir a identificação e utilização de exigências  legais atualizadas, contratuais e outras, aplicáveis à saúde e segurança no trabalho. Estas exigências  devem ser transformadas em instruções práticas, de modo que o pessoal possa analisar o seu comprometimento na conformidade (cumprimento das normas aplicáveis).

Estabelecimento de objetivos quantificáveis.
A organização deve estabelecer objetivos quantificáveis na saúde e segurança no trabalho para controlar, reduzir e, se possível,  eliminar o potencial de riscos no local de trabalho. Os indicadores chaves do desempenho devem ser  identificados e monitorados para cada objetivo.Os objetivos devem implementar a política de comprometimentos da organização (isto é, prevenir, cumprir e melhorar),  ser praticável e considerar outros objetivos empresariais.

IMPLEMENTAÇÃO

Programas de saúde e segurança.
A organização deve desenvolver e implementar programas que descrevam como, quando e por quem os  objetivos serão executados. Estes devem incluir programas adequados para controlar e, se  possível, eliminar os riscos no local de trabalho. Uma liderança pró-ativa promoverá uma vigorosa   cultura de saúde e segurança e um comportamento seguro no local de trabalho.

Gerenciar mudanças.
A organização deve levar em consideração a gestão de saúde e segurança, quando projetando ou  modificando processos ou organizações, utilizando novos materiais, ferramentas ou equipamentos, ou outras alterações. As mudanças devem ser projetadas e implementadas para reduzir ou eliminar os riscos existentes e prevenir novos riscos penetrando no local de trabalho.

Programas para as subcontratadas.
A organização deve avaliar as subcontratadas em relação a sua competência em saúde e segurança,    ao treinamento e desempenho. Sempre que possível, as medidas tomadas em relação à coordenação dos locais de trabalho devem ser compartilhadas com as subcontratadas.
A implementação destas medidas não deve alterar a relação legal entre a organização e as subcontratadas.  As próprias subcontratadas devem considerar as medidas de planejamento e de implementação consistentes com estas “Boas Práticas”,  dirigidas à saúde e segurança de seus empregados e dos demais no mesmo local de trabalho.

Fornecedores de bens e serviços
As exigências de saúde e segurança devem ser incorporadas aos procedimentos de fornecedores bens e serviços, visando controlar a fim de controlar a introdução de novos riscos no local de trabalho. Estas exigências devem ser incluídas nos contratos de fornecedores de máquinas, equipamentos, instalações e subcontratadas.

Resposta à emergência.
A organização deve implementar procedimentos para identificar e responder à emergência. Estes procedimentos devem ser testados periodicamente e/ou avaliado para verificar a sua eficácia.

Instruções de trabalho.
A organização deve identificar os riscos associados às operações, atividades e serviços do local de trabalho. Deve implementar medidas para controlar essas atividades identificadas na avaliação de riscos, para alcançar os objetivos da organização e prevenir acidentes e danos à saúde. É preferível que estas medidas sejam incorporadas em outros procedimentos/instruções de trabalho (p. ex. produção, qualidade, meio ambiente).

Competência 
Todos os empregados devem ser competentes, treinados e equipados para cumprir suas responsabilidades e para executar as políticas e procedimentos que são relevantes para seu trabalho relacionados à saúde e segurança no trabalho. Uma exigência de treinamento mínimo é aquele requerido por lei. Todos os empregados devem ter iniciativa própria no seu ambiente de trabalho e regularmente seja informado dos riscos associados as suas atividades. Também devem receber instruções, principalmente antes de iniciar o trabalho, como realizar com segurança e de acordo com as normas seus trabalhos, como prevenir e evitar acidentes e como responder às emergências. Empregados, neste contexto incluem todos os níveis, supervisores e gerentes.

VERIFICAÇÃO E MELHORAMENTO CONTÍNUO

Monitoramento e medição.
A organização deve executar medidas eficazes para medir regularmente o desempenho da saúde e segurança em relação aos objetivos. A organização deve também verificar em intervalos regulares,  que as medidas estabelecidas para a gestão de saúde e segurança foram implementadas e são eficazes.

Avaliação da conformidade.
A organização deve efetuar medidas eficazes para avaliar regularmente a conformidade com as  exigências legais de saúde e segurança no trabalho.

Verificação das medidas 
A organização deve checar periodicamente o sistema de gestão global para verificar que as medidas necessárias à gestão de saúde e segurança estão no seu lugar e estão de fato sendo executadas  conforme planejado.

Ação preventiva e corretiva
Quando forem observadas “não-conformidades” (utilizando-se qualquer meio, inclusive monitoramento, medição ou checagem), as medidas corretivas apropriadas devem ser tomadas para atenuar as suas conseqüências e diminuir a probabilidade de sua repetição. Sempre que possível, as análises devem ser feitas para determinar as causas da não-conformidade.

Melhoramento contínuo
Providencias serão feitas para o melhoramento contínuo das medidas de gestão de saúde e segurança com base em lições aprendidas, benchmarking e novas tecnologias. A investigação de acidentes, doenças e situações de incidente, por profissionais competentes, devem conduzir a futura redução de riscos e servir como base para o melhoramento contínuo em saúde e segurança.

REVISÃO GERENCIAL

Revisão gerencial.
A alta gerência deve fazer revisões periódicas de desempenho da gestão de saúde e segurança para verificar que o sistema global é adequado, desempenhando de acordo com as expectativas e  identificando as possibilidades de melhoria. Esta revisão deve incluir os resultados de monitoramentos e medições, as checagens, o status das ações corretivas e as futuras alterações operacionais, legais ou outras, que possam ser importantes para o desempenho da gestão de saúde e segurança. A revisão gerencial permite também que a alta gerência comunique a gerência intermediária e aos supervisores o seu comprometimento pessoal à saúde e segurança no trabalho.

Documentação e registros.
As medidas necessárias para a execução eficaz da gestão de saúde e segurança devem ser documentadas (por algum meio adequado, incluindo; por escrito, por computador, por cartazes, etc.). Estes documentos devem ser controlados para garantir que as publicações mais recentes, aprovadas e corrigidas estão disponíveis em locais adequados para sua utilização. Os procedimentos documentados não são sempre necessários para execução eficaz. Entretanto, alguns procedimentos documentados podem ser exigidos por lei.

Conservação de registros.
A organização deve criar e manter registros necessários para demonstrar que as medidas para gestão da saúde e segurança no trabalho (incluindo documentação de desempenho) foram executadas. Em alguns casos, podem ser necessários criar e  manter registros para fins legais.

CONCLUSÃO:

As ”Boas Práticas” são um processo pelos quais as organizações;
■Reflete continuamente em suas práticas gerenciais e como elas provocam impacto nas condições e resultados na segurança e saúde ocupacional;
■Procura em detalhes, aprende com, o que outra faz, o que as companhias com melhores desempenhos estão fazendo independente do tipo de indústria  em que esses  melhores executores estão situados, e;
■Adapta as práticas de outras e melhorar continuamente suas práticas e resultados com objetivos de ser a “melhor”.

Obter as ”Boas Práticas” exigem das organizações, melhorar continuamente seus processos e assim;
■Identifica e analisa as práticas em sua própria organização mais importante para o desempenho total;
■Compara estas práticas e desempenho com indústrias líderes nacionais ou internacionais (benchmarking) e ajustar os objetivos realísticos  para seu desempenho futuro; e
■Implementar novas ou  práticas melhoradas, adaptadas destas indústrias líderes, para encontrar novos objetivos de desempenho

Um número comum de características surge, nem todas são novas,  dessas organizações  submetidas às ”Boas Práticas” do mundo. Estas características são; 
■Maior comprometimento da liderança da alta organização;
■Uma estratégia preventiva em vez de reativa em segurança e saúde ocupacional, integrando a excelência em segurança e saúde com competitividade. Resultados, tais como; dia perdidos por acidentes são medidas de longo prazo de sucesso ou falha de estratégia, o foco está em desenvolver e manter o processo e sistemas necessários  para suportar resultados excelentes;
■Empregados autorizados com função  em identificar  melhoramento contínuo em segurança e saúde ocupacional, apoiado pela disposição da  gerência para executar essas  medidas;
■Conhecimentos adquiridos em segurança e saúde ocupacional  são integradas em  “acúmulo de conhecimento geral da empresa” para serem disseminados (treinamento de empregados para adquirirem novas habilidades ou tecnologias).
■Treinamento especifico em segurança e saúde ocupacional, conhecimentos em problemas solucionados são desenvolvidos em empregados e;
■No sistema de gestão da empresa está incluído a segurança e saúde ocupacional.   Segurança e saúde ocupacional não é mais um “obstáculo”, mas está integrado  em todo o sistema gerencial da empresa desde o planejamento  a vendas.

Fonte:@ZR, ICSCA: ICSCA (Industry Cooperation on Standards and Conformity Assessment) - Industry Best Practice on Health & Safety at Work -  June 2002

Nota explicativa
O que é avaliação da conformidade?
 A avaliação da conformidade consiste em atestar, que um produto, processo, serviço, ou pessoal, atende aos requisitos de uma norma, especificação ou regulamento técnico nacional ou internacional.
 O que é Benchmarking?
Benchmarking é um processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes. É um processo de pesquisa que permite realizar comparações de processos e práticas "companhia-a-companhia" para identificar o melhor do melhor e alcançar um nível de superioridade ou vantagem competitiva.
Benchmarking surgiu como uma necessidade de informações e desejo de aprender depressa, como corrigir um problema empresarial.

A competitividade mundial aumentou, acentuadamente nas últimas décadas, obrigando as empresas a um contínuo aprimoramento de seus processos, produtos e serviços, visando oferecer alta qualidade com baixo custo e assumir uma posição de liderança no mercado onde atua. Na maioria das vezes o aprimoramento exigido, sobretudo pelos clientes dos processos, produtos e serviços, ultrapassa a capacidade das pessoas envolvidas, por estarem elas presas aos seus próprios paradigmas.

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quinta-feira, maio 21, 2015

O Perigo dos Metais Combustíveis

Metais queimam mais rapidamente e atingem temperaturas mais altas que outros materiais combustíveis.

IMAGINE ESTA SITUAÇÃO:
Você é chamado para atender a um alarme de incêndio em uma oficina de usinagem. É um prédio pequeno, com aproximadamente 190 m² e algumas máquinas para usinagem de peças de

Como já conhece prédios semelhantes, você supõe que este também utiliza alguns solventes de limpeza inflamáveis que são provavelmente os materiais mais perigosos estocados no local.O que você não sabe é que no prédio funciona uma usinagem de peças de magnésio e titânio. Por suas características de leveza e resistência, estes metais combustíveis (e outros) vêm sendo usados cada vez mais na fabricação de produtos, como eletroportáteis, artigos esportivos e aviões. Infelizmente, estes metais também representam um risco considerável de incêndio.

COMPORTAMENTO DE ALGUNS METAIS
O magnésio e o titânio, junto com o alumínio, o lítio e o zircônio, geralmente se comportam de forma diferente da maioria dos materiais combustíveis em um incêndio, pois atingem temperaturas mais altas que a de outros materiais combustíveis, e assim destroem prédios mais rapidamente que os incêndios em temperatura mais baixa.

QUEIMAM RAPIDAMENTE
Além disso, eles queimam mais rápido, e se tentarmos extinguir um incêndio destes metais com água podemos agravar a situação. Estes metais podem reagir com a água e produzir hidrogênio, que pode entrar em ignição e explodir. Além disto, metais em chamas que porventura entrem em contato com materiais contendo água podem fazer com que estes liberem vapor sob alta pressão.

NORMA PARA METAIS COMBUSTÍVEIS
Felizmente, o Comitê Técnico da NFPA para Metais Combustíveis e Metais Pulverizados desenvolveu uma norma específica para titânio, alumínio, lítio, magnésio e zircônio, que permitem que se determine o risco de incêndio apresentado em operações com metais. Estas normas incluem;
■NFPA 480 - Standard for the Storage, Handling, and Processing of Magnesium Solids and Powders (Norma para Armazenagem, Manuseio e Processamento de Magnésio Sólido ou em Pó);
■NFPA 481 - Standard for the Production, Processing, Handling, and Storage of Titanium (Norma para Produção, Processamento, Manuseio e Estocagem de Titânio);
■NFPA 485 - Standard for the Storage, Handling, Processing, and Use of Lithium Metal (Norma para Estocagem, Manuseio, Processamento e Uso de Lítio Metálico) 
■NFPA 651 - Standard for the Machining and Finishing of Aluminum and the Production and Handling of Aluminum Powders (Norma para Usinagem e Acabamento de Alumínio e para Produção e Manuseio de Pós de Alumínio.

COMO AVALIAR OS RISCOS?
Para podermos avaliar o risco de incêndio em metais combustíveis, necessitamos de informações específicas sobre processos e instalações nas quais eles estão sendo usados e armazenados.
Ao inspecionarmos tais instalações, entretanto, é importante identificarmos;
■o material e o processo que está sendo usado,
■a quantidade de material estocado no local,
■as fontes de ignição potenciais,
■o sistema de contenção e coleta dos pós de metal e
■se os funcionários estão familiarizados com os perigos do metal.
Estas informações são  críticas no caso de um acidente.

FORMA E TAMANHO DO METAL
A forma como o metal é usado também é importante para determinarmos seu potencial de queima e explosão. De modo geral, dizemos que quanto menor o tamanho das partículas de um metal, tão mais reativo ele será. Assim, os metais pulverizados podem ser altamente reativos e até mesmo explosivos, enquanto que lingotes do mesmo metal geralmente não reagem com fontes de ignição.
Quanto maior a relação entre a área superficial de um metal e sua massa, tanto maior será o seu potencial de manter-se em queima após a ignição. Este aumento na capacidade de manter a queima ocorre porque o metal não consegue dissipar o calor para além de sua área superficial, e este fenômeno aumenta quanto maior for a massa do metal em queima.

A Tabela 1 resume algumas características de reatividade do Alumínio, Lítio, Magnésio, Titânio e o Zircônio e fornece informações que podem ajudar a determinar o risco de incêndio presente e m operações com metais.
A Tabela 1 é baseada em informações encontradas nas normas NFPA 480, NFPA 481, NFPA 485 e NFPA 651, que agora foram consolidadas na norma NFPA 484 - Combustible Metals, Metal Powders, and Metal Dusts (Metais Combustíveis, Metais Pulverizados e Poeiras de Metal).

Com isto, os usuários terão acesso a uma fonte de informação unificada sobre prevenção de incêndios com metais, e também de combate a incêndios e prevenção para todos os metais combustíveis e metais pulverizados. Ela será publicada no final de 2002.

COMBUSTIBILIDADE DE OUTROS METAIS
Uma avaliação preliminar da combustibilidade de outros metais pode ser feita ao se determinar se os mesmos são semelhantes aos metais listados na tabela e também através da análise das suas características físicas, tais como; temperatura de queima, reatividade, ponto de fusão e energia de ignição.

AVALIAÇÃO DE RISCO
Se a avaliação de uma operação com metal mostrar a existência de um risco de incêndio significativo, deve-se realizar uma análise de proteção contra incêndio detalhada do local.

Tabela 1 – Características de reatividade dos Metais
Metal
Agentes extintores
Reatividade com a água
Reatividade em atmosfera inerte
Reatividade com agentes extintores
Reatividade com o ar

Alumínio

Pó químico, areia, material granular inerte seco
Reage, produzindo calor e hidrogênio
Não reativo
Pode reagir com a água
Reage com o oxigênio atmosférico e produz calor
Lítio
Somente os agentes de extinção classe D aprovados
Potencialmente violenta. Pode formar hidrogênio, hidróxido de lítio ou óxido de lítio
Gás argônio pode ser usado em material residual de incêndio 
Pode reagir com espumas gasosas, halon ou dióxido de carbono
Reage com a água atmosférica e forma hidróxido de lítio ou óxido de lítio.
Magnésio
Somente agentes de extinção classe D aprovados ou outros materiais testados e de comprovada eficácia no combate a incêndios com magnésio 
Potencialmente violenta com magnésio fundido, podendo formar vapor e hidrogênio
Não reage em atmosfera inerte, mas para quase todos os processos com magnésio, uma atmosfera inerte não pode ser mantida.
Pode reagir com água, espuma gasosa, halon, dióxido de carbono, areia e outros materiais que contenham SiO2
Reage com o oxigênio atmosférico e produz calor

Titânio

Agentes extintores classe D, cloreto de sódio ou outros materiais adequados
Tetracloreto de Titânio pode formar ácido clorídrico gasoso
Reação exotérmica  sem oxigênio gerando temperaturas elevadas
Pode reagir violentamente com água, em temperaturas elevadas
Reage com oxigênio atmosférico e, se contaminados com óleo, pode entrar em combustão espontânea
Zircônio
Somente os agentes extintores classe D aprovados ou outros materiais testados e de comprovada eficácia no combate a incêndios com zircônio
Tetracloreto de zircônio pode formar ácido clorídrico gasoso; o zircônio fundido reage violentamente com a água.
Pode ser processado em um ambiente de hélio ou argônio
Água, espuma gasosa, halon, dióxido de carbono, areia e outros materiais contendo SiO2
Reage prontamente com nitrogênio, dióxido de carbono e oxigênio em temperaturas bem abaixo da temperatura de ignição
 Fonte: @ZR, NFPA Journal - Março/Maio 2001 - Carl Rivkin

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segunda-feira, maio 18, 2015

Prego atinge olho do paisagista

Um paisagista de 27 anos quase ficou cego após um prego de 7,5 cm  atingir a região dos olhos, nos Estados Unidos. O caso foi relatado no periódico científico “New England Journal of Medicine” na quinta-feira, 14 de maio 2015. Isso aconteceu há dois anos, e o homem não foi identificado.

A imagem ao lado não datada fornecida pelo New England Journal of Medicine em 12 de maio de 2015 mostra uma tomografia computadorizada com um prego no olho de um paciente. Os médicos do hospital de Massachusetts, Boston,  removeram um prego de quase 7,5 cm,  que foi arremessado no olho de um paisagista de 27 anos de idade, acidentalmente por um  cortador de grama.  
  
CAUSA 
Ele estava aparando a grama com cortador de grama quando um prego foi lançado pelo cortador atingindo-o na região do olho direito. Ele teve dor intensa e persistente no olho, que se tornou insuportável com tentativas de abrir o olho ou movê-lo. Ocorreu uma hemorragia, mas parou espontaneamente. Ele não perdeu a consciência.  Ele chamou o serviço de emergência médica.

EXAME PRELIMINAR
No exame, o prego apareceu alojado no centro do globo direito, e houve um leve sangramento. Os sinais vitais e o restante do exame, incluindo a avaliação da acuidade visual no olho esquerdo e um exame neurológico periférico foram normais. Os olhos estavam enfaixados com gaze, e o  paciente foi transportado de ambulância  ao setor de emergência do Hospital Geral de Massachusetts de Boston, chegando  aproximadamente 20 minutos após ocorrido a lesão.

REMOÇÃO DO PREGO
Quando você olha para ele, tudo o que você vê é a cabeça do prego em seu olho direito, disse o neurocirurgião Dr. Wael Asaad. Os médicos não poderia avaliar a penetração do  prego ou o seu caminho, por isso usaram um novo tipo de scanner CT (tomografia computadorizada) para obter imagens detalhadas.
Quase alcançou à ponta do outro olho e o cérebro. Foi um prego muito comprido, disse o radiologista Dr. Rajiv Grupta.
A boa notícia: Não houve penetração no globo ocular, mas foi para um lado.
A má notícia: Alojou em uma das principais artérias que fornecem sangue para a cabeça, e outra artéria que serve o outro olho.
A ponta do prego era como o dedo na represa. Estávamos preocupados, se puxássemos  haveria sangramento - um jato de sangue poderia afetar o outro olho ou o cérebro, ou mesmo ser fatal,  disse Asaad.
Os médicos elaboraram um plano em caso de uma artéria rompida e tinha de ser reparado: Um cirurgião estava pronto para operar através da cabeça. Um segundo cirurgião estava pronto para operar através do pescoço. Como estes dois estavam perto, um terceiro cirurgião puxou com cuidado  o prego.
Eles esperaram vários minutos. Nenhum grande sangramento ocorreu. Eles pararam de sedar e o paciente acordou. Depois de  aplicar vacina antitetânica e prescrever antibióticos preventivos, para cinco dias, ele recebeu alta do hospital.

Foto: Modelo de cortador de grama

VISÃO NORMAL
Um check‑up oito semanas mais tarde mostrou que sua visão voltou ao normal. Se o prego penetrasse  mais um milímetro, ele provavelmente teria tido grandes danos, disseram os médicos.

USO DE EPI
Tão dramático como foi, pregos que penetram no crânio não são tão incomuns como pensamos,  geralmente acontece com acidentes com pistola de prego, explica Asaad.
A lição é clara: Usar sempre  óculos de proteção para operar máquinas ou ferramentas, mesmo em atividades consideradas mais simples, como a  jardinagem.
Fontes: @ZR - Yahoo News, New England Journal of Medicine, May 14, 2015
Comentário:

1. Óculos de proteção
2. Protetor auricular
3. Roupa justa
4. Sapato de segurança antiderrapante
5. Calça jeans comprida

1-CUIDADOS PARA OPERAÇÃO SEGURA
- Leia atentamente o manual do equipamento e siga as instruções antes de utilizá-lo
CUIDADO PERIGO
A utilização imprópria do equipamento, assim como a não observância das normas de segurança descritas neste manual, podem por em risco o operador causando sérios ferimentos.
- Não permita que pessoas não habilitadas ou não qualificadas operem  ou reparem o equipamento.
- Familiarize-se com todos os comandos e controles do equipamento  e com o uso apropriado do mesmo.
- Utilize óculos e luvas de proteção, protetores auriculares e sapatos  antiderrapantes quando operar o equipamento.
1.1- EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA
Antes de colocar o equipamento em funcionamento vista-se de forma adequada para o trabalho. Não permita a presença de outras pessoas ou animais em um raio de 15 (quinze) metros ao redor do equipamento. Caso seja necessária a presença de alguma pessoa, esta também deverá estar vestida de modo adequado incluindo os equipamentos de segurança.
Condições Físicas :
O operador não deverá trabalhar quando se encontrar:
- cansado ou doente.
- sob efeito de medicamentos.
- sob o efeito de álcool ou drogas.
1.2- ÓCULOS DE PROTEÇÃO
O operador deve usar os óculos de proteção não somente para proteger a vista contra qualquer objeto arremessado pela lâmina de corte, como também para evitar inflamação dos olhos causada pela poeira, pólen e sementes que possam entrar em contato com eles.
Óculos de grau podem ser utilizados por baixo dos óculos de proteção. As pessoas que se localizem dentro da área de perigo, também devem usar os óculos de proteção
1.3- LUVAS DE PROTEÇÃO
Devem ser do tipo antiderrapante, que além de permitir que o operador segure firmemente o equipamento, também reduzem a transmissão da vibração do motor p/ o operador
1.4- PROTETORES AURICULARES
A exposição prolongada a ruídos pode causar danos permanentes ao sistema auditivo.
Protetores Auriculares
Utilize protetores auriculares sempre que operar o equipamento.
1.5- ROUPAS DE PROTEÇÃO
- Não vista “short” ou bermuda.
- Não use gravata, laço ou jóia.
- Os sapatos deverão ser do tipo antiderrapante.
- Não use sapato aberto (sandália) ou chinelo.
- Não trabalhe com os pés descalços.
Obs: Cuidado com cabelo comprido,  nunca deve trabalhar solto, mas preso a uma altura superior à do ombro.

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quinta-feira, maio 14, 2015

Acidentes com crianças

Menino chinês sobrevive após cair de 3º andar

Um menino de 3 anos sobreviveu após cair do terceiro andar de um prédio e atingir um carro antes de chegar ao chão em Kunming City, na China.
O acidente aconteceu na última quinta-feira (12). Imagens divulgadas pela China Central Television (CCTV), feitas por câmeras de segurança, mostram o menino batendo no carro estacionado antes de cair no chão. Em seguida, ele se levanta, parece um pouco desequilibrado, mas sai andando. Assista.
O dono do carro, que mora no segundo andar do prédio, disse ter ouvido um barulho e olhado pela janela de seu apartamento. Ele foi verificar a câmera de segurança para saber se algo tinha ocorrido, e viu que o menino que morava no terceiro andar havia caído em seu carro.
Os avós do menino estavam em casa ocupados com tarefas domésticas e não viram o menino cair. Os pais da criança chegaram em casa mais tarde e levaram o menino ao hospital. Ele teve apenas arranhões. @ZR-Fonte: G1, em São Paulo-16/02/2015

Vídeo:

Garoto morre após ser atingido por mesa em loja na Zona Oeste de SP
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Um menino de cinco anos morreu na  quarta-feira, 6 de maio, após ser atingido por uma mesa dentro de uma loja da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo. O móvel caiu sobre o tórax do garoto após ele se apoiar para pegar pães de queijo.
Segundo as informações que estão no boletim de ocorrência, Leonardo estava com a mãe e a avó na loja da Herbalife esperando pelos produtos que ela tinha comprado. Durante esse período, a criança tentou pegar os pães que estavam sobre o móvel. O aparador, que não estava fixado à parede, caiu sobre ele.
Quando os peritos chegaram, o móvel já tinha sido colocado de volta na posição original. Os investigadores concluíram que houve negligência da gerência da loja e vai investigar o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Em nota, a Herbalife disse que prestou imediatamente todo suporte necessário à criança. Também disse que está apoiando a família e colaborando com as investigações. Fonte: @ZR-G1 São Paulo-06/05/2015 

Comentário: Comentário: A criança é "Indiana Jones" em busca de aventura e perigo, portanto os pais deverão estar atentos, pois o menor descuido será fatal.

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segunda-feira, maio 11, 2015

Eletrocutado no andaime

A vítima trabalhava em uma empresa de manutenção em uma grande cidade na Colômbia. Quando ele empurrava o andaime de estrutura metálica móvel (tipo torre), para outro local,  ele não notou a fiação elétrica aérea e o andaime tocou na fiação e resultou na sua eletrocussão. Ele morreu instantaneamente em frente de muitas pessoas. Fonte: Ogrish - November 06, 2005

Alerta sobre risco de acidentes com rede elétrica

A escalada de acidentes decorrentes do contato inadequado com a rede alcança níveis preocupantes. Nos últimos a CPFL registrou pelo menos um acidente elétrico grave por mês tendo terceiros como vítimas. Do total, 60% dos acidentes resultaram em lesões corporais graves e 40% em fatais. A maioria dos casos foi motivada pela imprudência e negligência das pessoas no trato com a rede elétrica.

São exemplos de irregularidades:
• Redes e linhas de distribuição, tanto da Concessionária como particulares, que tenham as distâncias mínimas (estabelecidas em normas técnicas da empresa) invadidas por edificações em construção ou em reforma, pintura e limpeza, localizadas próximas, sobre ou sob estas redes;
• Instalações que, por estarem próximas ou desrespeitando as distâncias mínimas de segurança, oferecem riscos de acidentes de origem elétrica: marquises, sacadas, platibandas, placas e painéis, luminosos, andaimes fixos e móveis, plataformas de proteção e contenção, escadas, cordas de segurança.

Operações próximas à rede elétrica
Indivíduos que exercem atividades profissionais mais propensas ao contato com a rede elétrica, como pintores, instaladores de antena e outdoor, pedreiros, podadores de árvores e calheiros, devem ficar atentos às normas básicas de segurança:
Na área rural
• Nas áreas rurais deverá ser sempre respeitada a faixa de segurança sob as linhas aéreas de energia elétrica . Esta faixa é, de um modo em geral, de dez metros de largura ou cinco de cada lado do eixo da linha.
• Edificações, placas e painéis também não devem invadir a faixa de segurança.

Na construção civil
• Antes de construir ou executar reformas em prédios e outras instalações, próximas da rede elétrica, deve ser verificado se não há situações perigosas por perto. Encostar ou aproximar andaimes, escadas, barras de ferro ou outros materiais nos fios elétricos pode ser mortal . Em situações que podem oferecer riscos, deve ser sempre consultada a Concessionária para verificar se é possível desligar temporariamente a rede ou isolá-la com materiais especiais.
• Vale lembrar: é expressamente proibido a construção de currais, depósitos, açudes e piscinas dentro da faixa de segurança definida para linhas aéreas instaladas em localidades rurais.
Na instalação de letreiros e placas
• Respeitar sempre distâncias seguras da rede elétrica, não permitindo que letreiros, placas e lambris fiquem encostados na mesma.
Na instalação de antenas de TV
• Quando houver rede elétrica nas proximidades, a instalação de antena deve ser efetuada por profissional qualificado e experiente.
• Nunca instale a antena próxima a pára-raios, nem interligue o cabo da antena aos condutores elétricos do mesmo.
• Jamais arremesse o cabo utilizado para ligações de antenas sobre a rede elétrica, mesmo que este seja encapado, pois a capacidade de isolamento do cabo não é suficiente para evitar a passagem da eletricidade existente nas redes elétricas.
• Marquises de edifícios comerciais ou residências, jamais devem servir para instalação de antenas devido à proximidade das redes elétricas. Fonte: @ZR- CPFL - Comunicação Empresarial

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quarta-feira, maio 06, 2015

Tornado provoca destruição e mortes em Xanxerê/SC

Cenário:  
■Xanxerê, município do Estado de Santa Catarina, distante 500 km da capital. Localiza-se a oeste do Estado,  estando a uma altitude de 800 metros. Sua população estimada em 2014 é de 47.679 habitantes.
Possui uma área de 377,55 km². Com um PIB estimado de 991 milhões de reais (2012).
O orçamento da Prefeitura para o exercício de 2015 é estimado em R$ 87 milhões.

■Ponte Serrada, município do Estado de Santa Catarina, distante 493 km da capital. Localiza-se a oeste, do Estado, estando a uma altitude de 1067 metros. Sua população estimada em 2014 é de 11.405 habitantes. Possui uma área de 569,81 km². Com um PIB estimado de 158 milhões de reais (2012). O orçamento da Prefeitura para o exercício de 2015 é estimado em R$ 33 milhões.

Tornado
Os municípios de Xanxerê e Ponte Serrada localizados no Oeste de Santa Catarina foram atingidos por dois tornados  no final da tarde de segunda-feira, 20 de abril de 2015.

RASTRO DE DESTRUIÇÃO

XANXERÊ
Horário e duração - 15h durou entre 5 a 10 minutos
Bairros ou pessoas atingidas- 2,5 mil casas atingidas, 10 mil pessoas afetadas.
O que ficou destruído- As ruas de Xanxerê  foram tomadas por fios das redes elétrica e telefônica. Árvores caíram no pátio das casas. O chão está repleto de telhas quebradas e zinco retorcido. 65 mil casas ficaram sem luz na região. O telhado do Ginásio Municipal Ivo Sguissardi ficou todo retorcido. Havia crianças no local, mas ninguém ficou ferido. Entre os bairros mais atingidos estão Pinheiros, Primo Tacca, Bortolon, Esportes, São Jorge e Collato.
Vítimas- Duas mortes e 120 pessoas ficaram feridas
Infraestrutura – A cidade de Xanxerê está sem energia, água, combustível e internet. Corpo de Bombeiros acredita que situação não será normalizada antes de 48 horas.

PONTE SERRADA
Horário e duração - 16h e durou menos 5 minutos
Bairros ou pessoas foram atingidos- O tornado começou no Centro da cidade de Ponte Serrada e se deslocou por dois bairros, Cohab e Industrial, onde tiveram maior número de ocorrências. A diferença que não atingiram áreas tão populosas, como ocorreu em Xanxerê.
O que ficou destruído- Sete bairros foram atingidos e cerca de 200 casas foram afetadas com algum tipo de dano, a maioria destelhamento.
Vítimas-  Oito feridos leves, a maioria com cortes pelo corpo.
Outras informações básicas- O hospital Santa Luzia na cidade também foi atingido pelo destelhamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a situação, aparentemente, não é caótica como em Xanxerê, pelo fato de Ponte Serrada ser uma região menos populosa e a área atingida não ser urbana.

DEFESA CIVIL
Em Xanxerê e Ponte Serrada, foram seis coordenadores regionais que organizaram as ações emergenciais que tiveram início já nas primeiras horas, após o evento. Além desses, forças de segurança, como polícias militar, civil, exército, bombeiros, saúde pública estadual e municipal, secretarias municipais de Xanxerê, instituições que compõe o Grupo de Ações Coordenadas – Grac.





DOAÇÕES, TRIAGEM E ENTREGA DE MATERIAIS DOADOS.
O Parque de Exposições foi transformado em central de doações, triagem e entrega de materiais doados. No Centro de Referência em Assistência Social é feito o cadastramento e atualização de dados para os atingidos pelo tornado. No ginásio do Colégio Costa e Silva, outra equipe faz a separação de kit de mantimentos que são entregues pelo Corpo de Bombeiros e assistência social.
Clubes de serviço, entidades e voluntários de outros municípios fazem o trabalho de apoio, preparando refeições ou entregando lanches para os trabalhadores que estão na reconstrução dos bairros atingidos. Pessoas ligadas a igrejas também participam dos trabalhos.

POPULAÇÃO MOBILIZADA
A cidade de Xanxerê se mobilizou para atender às vitimas do tornado. Muitos moradores estão distribuindo alimentos e auxiliando parentes e amigos a retirar objetos de escombros. Padarias da cidade também estão distribuindo comida.

AJUDA FEDERAL
O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occh garantiu apoio do governo federal para reconstrução do município e anunciou o envio de 200 militares que  devem auxiliar nas ações de reconstrução. Os primeiros 100 desembarcaram no final da tarde de terça-feira, para ajudar na força-tarefa de recuperação da cidade, busca por vítimas e deslocamento das famílias, com ônibus  e caminhões do Exército à disposição.
Os militares farão atendimento aos atingidos, deslocamento de pessoas e distribuição de kits de  auxílio humanitário, contendo materiais de higiene e alimentos. 

ABASTECIMENTO
Aos poucos, a rotina das duas cidades começa a se normalizar. Carregamentos de doações chegam diariamente de várias regiões, para ajudar os atingidos. Equipes do Exército auxiliam na reconstrução.

TESTEMUNHA DO TORNADO
“Na hora, tu não acredita que saiu vivo. Na verdade, só pensa que vai morrer”, diz Pedro Antunes da Silva, que estava dirigindo quando teve o carro sugado pelo tornado. 
 “Dei de cara com o tornado. Parei o carro e foi onde ele jogou para cima e foi rodopiando. Eu girava de ponta cabeça, para baixo, girava de volta e voltava de novo. Eu não lembro quantas giradas ele deu. Quando perdia força, batia no chão”, relembra o moleiro Pedro Antunes.
O morador de Xanxerê conta que sentiu várias pancadas e conseguiu sair ileso. “Fiquei grudado no volante, por isso não aconteceu nada. O cinto me segurou e eu também não me assustei de me soltar”, detalha.
O carro teve todos os vidros quebrados e não anda. Para voltar a circular, será necessário, além de manutenções no motor, trocar o teto, as quatro portas, para-lamas e os vidros. A parte interna do carro também ficou com muita lama.
O moleiro seguia por uma estrada de Xanxerê quando se deparou com o tornado. No local onde o carro teria sido sugado e onde o carro “saiu” do tornado há marcas, além de pedaços de vidro e do farol.
Próximo ao local, algumas árvores tiveram os galhos arrancados. Pedro conta que, quando conseguiu sair do carro, só pensou na família e nos filhos.
Susto
Uma semana após o tornado, Pedro ainda está assustado. “Ele não consegue dormir bem à noite e não consegue chorar”, detalha a esposa, Marli Lurdes Vaz.
Apesar de ainda assustado, o moleiro está aliviado. “Estou vivo, não me machuquei. A gente vai tocar a vida. Carro a gente compra de novo, fazer o quê”, finaliza.

CLASSIFICAÇÃO DO TORNADO
Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos que formaram o tornado podem ter variado de 100 km/h até 330 km/h por volta das 15h, horário do fenômeno.
A escala de classificação de tornados começa em 65 km/h e chega a mais de 500 km/h. O F0 é o mais fraco e o F5 é considerado o mais forte. “Pelas características dos estragos e pela intensidade dos ventos, este deve ficar entre F2 e F3”, disse Mamedes Luiz Melo, meteorologista do Inmet Brasília.

VÍTIMAS
FATAIS: 02
Atualização:
■O menino Gabriel da Luz Sutil, de 8 anos, morreu na segunda-feira, 04 de maio, duas semanas após um tornado atingir a casa onde ele morava com a família, em Xanxerê, no oeste catarinense. Ele estava internado na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, em estado gravíssimo.
■Morreu na tarde de quarta-feira, 6 de maio, a quarta vítima do tornado que atingiu Xanxerê, no Oeste catarinense, no mês passado. A dona de casa Lurdes Lima de Oliveira, de 63 anos, estava internada na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, depois que a casa dela desabou..
Total de vítimas fatais: 04

FERIDOS
De acordo com a PM em Xanxerê, pelo menos 74 pessoas deram entrada somente no Hospital São Paulo, em Xanxerê. Outras dezenas de feridos foram levados a hospitais da região.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, duas crianças foram transferidas em estado grave para o Hospital Regional de Chapecó ainda na noite desta segunda (20).
O Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, informou na tarde desta terça-feira que cinco vítimas do tornado estão internadas no Hospital - entre elas um menino de nome Gabriel, que está na UTI. Ele é o filho de um dos homens que morreram em Xanxerê.
Em Xanxerê, 11 pessoas seguiam hospitalizadas até a tarde desta terça-feira - 11 na internação e 7 na emergência. Nenhuma delas está em estado grave, segundo o Hospital São Paulo. Os demais pacientes que deram entrada no hospital foram liberados após receberem atendimento.

FERIDOS GRAVES
Nove dias depois do tornado que atingiu Xanxerê  e Ponte Serrada, cinco feridos seguem internados.
Os casos mais graves são de Gabriel da Luz Sutil, 8 anos, e de Lourdes Lima de Oliveira, 63 anos, que estão na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.
Gabriel teve traumatismo craniano com a queda da residência onde morava no bairro Tacca. Seu pai, o motorista Alcimar Sutil, 31 anos, morreu tentando proteger o filho com o corpo. A irmã Ana, de cinco meses, e a avó Ivanir Ferreira da Luz, também foram hospitalizadas, mas passam bem. Lourdes está em coma induzido.
As outras três vítimas estão no Hospital São Paulo, em Xanxerê, mas não correm risco de morte. Valêncio de Camargo, 27 anos, trabalhava na obra de um supermercado, no Bairro Bortolon, quando parte da estrutura caiu sobre uma de suas pernas. Ela não chegou a ser amputada, mas ele teve que segurá-la para ir ao hospital.
Outra vítima é Claudemir Machado, que trabalhava na mesma obra e teve um pé amputado. Também está internada uma mulher que estava na rua, próximo ao Ginásio Ivo Sguissardi, e teve vários ferimentos com os destroços levados pelo vento. Ela não teve o nome divulgado a pedido da família.
  
BALANÇO GERAL
Xanxerê
Ponte Serrada
Velocidade dos ventos – 250 km/h
Velocidade dos ventos-250 km/h
Horário – 15 h
Horário – 16 h
Duração – 5 a 10 min
Duração – menos de 5 min
Pessoas afetadas – 10 mil
Pessoas afetadas – 800
Casas atingidas – 2.500
Casas atingidas – 200
Feridos - 120
Feridos – 8
Mortes – 2
Mortes - 0

DESABRIGADOS
Em Xanxerê, 4.275 pessoas ficaram desalojadas e 539, desabrigadas após os fortes ventos. Houve duas mortes e 97 feridos, segundo a Defesa Civil estadual.
Foram 2.178 casas atingidas, sendo 1.583 com danos apenas nos telhados, 360 parcialmente danificadas e 235 totalmente destruídas. Em relação às empresas, 38 tiveram prejuízos.
Ponte Serrada não registrou mortes. Houve 27 feridos, 1.050 desalojados e 77 desabrigados. Foram 180 casas com danos nos telhados, 148 parcialmente danificadas e 24 totalmente destruídas. Outras 31 empresas e uma edificação pública foram afetadas. Ao todo, mais de sete mil pessoas foram afetadas.

INFRAESTRUTURA

ELETRICIDADE
O tornado derrubou mais de 300 postes na cidade de Xanxerê, de acordo com a concessionária Iguaçu Energia. Torres de transmissão de energia também caíram. Às 15h de terça-feira, 100% das 34 mil unidades consumidoras da cidade permaneciam sem energia. No total, mais de 53 mil unidades consumidoras seguiam sem abastecimento em 14 cidades do Oeste.
A previsão, de acordo com a Iguaçu Energia e com a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), é de que a luz comece a ser restabelecida até o fim da tarde de terça-feira  (21). Equipes trabalham na reconstrução de um trecho do sistema.
Os  municípios também ficaram sem abastecimento de água devido a falta de energia elétrica.

TORRES DE TRANSMISSÃO
No cálculo dos prejuízos, 15 estruturas foram derrubadas pela força dos ventos em cinco linhas de transmissão diferentes. O impacto provocou a interrupção do fornecimento de energia elétrica para 29 municípios atendidos pela Celesc na região Oeste que foi, gradativamente, sendo restabelecido desde a noite da segunda-feira. No final da tarde do dia seguinte, cerca de 26h após o incidente, 97,5 % do sistema estava energizado por meio de circuitos principais ou alternativos.
A partir da SE Xanxerê partem oito linhas de transmissão, que abastecem diversas subestações. Destas, foram registradas a queda ou inclinação de estruturas (torres metálicas ou de concreto) em cinco:
■ Duas na linha de transmissão 138 kV Xanxerê com Chapecó Dois,
■ Três na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Chapecó,
■ Duas na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Seara
■ Quatro na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Faxinal dos Guedes
■ Três torres na linha de transmissão 138 kV Xanxerê Ponte Serrada

RESTABELECIMENTO DE ENERGIA
Na tarde de  quarta-feira, 22 de abril, praticamente 48horas após a passagem do tornado a Celesc finalizou os serviços de recomposição do sistema atingido pelo fenômeno.
Às 15h54min, segundo dados do Centro de Operação e Controle, foi religada a linha de transmissão que conecta a Subestação Seara à Subestação Xanxerê, reestabelecendo o sistema elétrico de 69.kV do oeste de Santa Catarina, que volta a operar em sua condição original.
A reconstrução da linha era a última etapa dos trabalhos de reconstrução do sistema da Empresa afetado pelo tornado. 
Mais de 100 profissionais das equipes de emergência, manutenção, construção e operação estiveram envolvidos no processo. Equipes de Chapecó, Concórdia,  Joaçaba, Blumenau, Lages e Florianópolis, com o apoio de empresas terceirizadas e empregados da Eletrosul, revezaram-se na operação de reconstrução do sistema.

DEFESA CIVIL, SITUAÇÃO EM 26 DE ABRIL – BALANÇO GERAL
Xanxerê
Desabrigados- 539 pessoas
Desalojados - 4. 275 pessoas
Vítimas - duas mortes e 97 feridos.
Edificações públicas danificadas-09
Prédios residenciais danificados - 2.188.
Empresas danificadas- 38.
Imóveis totalmente destruídos- 235 casas.
Imóveis parcialmente danificados- 360 imóveis.
Imóveis com danos apenas em telhados- 1.583.

Ponte Serrada
Desabrigados - 77 pessoas
Desalojadas - 1.050  pessoas
Vítimas - 27 feridos
Edificações públicas danificadas – 01
Prédios residenciais danificados - 252 residências
Empresas danificadas -31 empresas
Imóveis totalmente destruídos- 24 casas
Imóveis parcialmente danificados-148
Imóveis com danos apenas em telhados- 180

OBJETOS SÃO ARREMESSADOS PARA CIDADE VIZINHA
Foram encontrados por moradores da cidade de Lindóia do Sul, distante 100 km,  notas fiscais e pedaços de madeira, isopor, amianto, PVC, entre outros materiais. Uma receita médica encontrada no canavial do agricultor Valter Canton ganhou destaque. A estimativa é de que o papel com assinatura do médico e timbre da Secretaria de Saúde de Xanxerê, com data de nove de abril. Estava um pouco molhada, mas a gente deixou secar e conseguiu ler o que estava escrito, conta a mulher do agricultor, Salete Bertol Canton.
Além da receita, na mesma propriedade foi encontrado material em PVC com dois cerca de metros de comprimento por 10 centímetros de largura e uma folha de zinco com mais de dois metros. O lugar onde a lâmina estava retorcida também chamou a atenção dos agricultores: em cima de um pé de eucalipto.
O rastro do tornado foi deixado em pelo menos mais oito comunidades de Lindóia do Sul. Pedaços de isopor, material de forração em PVC e papeis, como notas fiscais e receitas médica e pedaços de fibras de caixas d'água atingiram terras em Linha Joana, Sertãozinho, Santo Isidoro, Linha Alegre, Acídio e Cotovelo. Na localidade de Mimosa foi encontrada uma placa de "vende-se" com um telefone de Xanxerê. Em Linha Acordi, notas fiscais de uma empresa também de Xanxerê.

PREJUIZOS
Conforme os relatórios, em Xanxerê, os prejuízos econômicos referentes às casas alcançam R$ 49. 597.184,00. Nas empresas, os danos superam R$ 45,3 milhões. As edificações públicas tiveram perdas de R$ 9,7 milhões.
Para Ponte Serrada, o prejuízo foi de pouco mais de R$ 8,1 milhões em casas e empresas e R$ 885 mil para edificações públicas.

SANTA CATARINA NÃO TEM EQUIPAMENTOS E CAPACIDADE PARA MONITORAR FENÔMENOS NO ESTADO

Santa Catarina ainda não tem condições de se defender adequadamente dos desastres naturais que atingem o Estado. Se na região do Vale do Itajaí, que já sofreu com grandes enchentes, há um plano de contingência melhor estruturado e uma população melhor informada sobre como agir nessas situações, no restante do território estadual ainda faltam equipamentos e informação para garantir o menor dano possível diante de eventos da natureza (inundação, tornados, et).
O secretário da Defesa Civil de Santa Catarina, Milton Hobus, reconhece que ainda faltam recursos ao Estado, mas ressalta que esse processo não ocorre de forma rápida. É preciso tempo para investir em equipamentos e treinar equipes para operar esses sistemas de monitoramentos e defesas.
— Não, não temos equipamentos para cobrir todo o Estado. Estamos no início do trabalho. Primeiro que não temos todas as informações centralizadas e tratadas. Não temos uma cobertura suficiente de radares e nem conhecimento para saber tratar todas essas informações. É algo que vai acontecer passo a passo. O importante é que existe planejamento e cada mês colhemos melhores resultados — avalia o secretário.
É necessário dar atenção ao treinamento de equipes e educar, instruir a população. Antes de pensar em equipamentos, é preciso informação em todos os segmentos. Informar e educar os envolvidos para agir nesses trabalhos. Precisamos ter um centro de estudos para esses fenômenos, pessoas treinadas para operar os instrumentos de pesquisa e principalmente, educar a população. Para então pensar em equipamentos — explica a professora e pesquisadora de meteorologia Márcia Fuentes, do Instituto Federal de Santa Catarina.

O que aconteceu em Xanxerê
1-As imagens de satélite mostram sobre a região, uma nuvem cúmulo‑nimbo, que pode alcançar 25 km de altura.

1A-Caracteriza-se por ter o topo mais gelado do que a base. A diferença de temperatura provoca ventos muito fortes no interior

2-A cúmulo-nimbo se caracteriza  por ter o topo mais gelado do que a base. A diferença de temperatura provoca ventos muito fortes no interior. Aviões, por exemplo, ao se depararem com elas, são obrigados a sobrevoá-las

3-Ela deu origem a um tornado. Uma rajada de vento escapou da nuvem e atingiu o solo com grande velocidade

3A-O ar quente no interior do tornado tem uma tendência natural de levantar e criar uma forte corrente para cima, enquanto o frio desce.

LEVANTAMENTO DA UFSC APONTA PELO MENOS 77 TORNADOS ENTRE 1976 E 2009
Santa Catarina é uma região favorável à formação de nuvens cúmulo-nimbo, as que permitem a ocorrência de grandes tempestades e podem resultar em tornados. O Estado está em uma área englobada pelo Sistema de Baixa Pressão do Chaco, localizado no Sul do Brasil junto às fronteiras da Argentina e Paraguai, que funciona como um berçário de grandes nuvens e após nascerem, elas rumam em direção a Santa Catarina.
Por isso, não é incomum a ocorrência de tornados no Estado, embora eles muitas vezes sejam classificados como tempestades ou outros fenômenos. Em levantamento realizado pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas Sobre Desastres (CEPED/UFSC), somente entre 1976 a 2009 foram registrados ao menos 77 tornados em Santa Catarina.

1948 - Canoinhas
A região Norte foi atingida por um tornado em 16 de maio, na localidade de Valinhos, interior do município de Canoinhas. Nos cálculos daquela época, estima-se que a velocidade do vento chegou a 300 km/h, causando a morte de 23 pessoas e de vários animais.

2003 - Painel
Menos de cinco minutos foram o suficiente para que quase todas as casas de Painel, na Serra Catarinense, fossem destelhadas. Os ventos de 130 km/h que atingiram a cidade também danificaram fios de telefone e rede elétrica. Mesmo com nenhuma pessoa ferida pelo tornado, o prefeito à época, Aldo Tadeu Vieira Waltrick, decretou situação de emergência.

2005 - Criciúma
Criciúma atingida por dois tornados em menos de um dia. Os ventos de 115 km/h atingiram em cheio duas ruas da Grande Santa Luzia e destelharam totalmente as casas, quebrou árvores e rompeu fios da rede elétrica. Pequenos incêndios, originados de curtos-circuitos também afetaram a cidade. O segundo tornado atingiu o Distrito de Rio Maina que afetou uma subestação de Celesc deixando milhares sem energia. Uma morte foi registrada.

2008 - Correia Pinto
O município de 15 mil habitantes da Serra foi quase todo destruído devido a ventos de 80 km/h que duraram 10 minutos. Casas e escolas foram destelhadas e árvores arrancadas desde a raiz ficaram no meio da rua. Cinco famílias ficaram desabrigadas, mas felizmente nenhuma vítima foi registrada durante o tornado.

2009 - Guaraciaba
No feriado de 7 de setembro, Guaraciaba, no Extremo-Oeste, teve casas arremessadas a até 50 metros de distância e grande parte da infraestrutura urbana da cidade, de 10 mil habitantes, arrasada. Os ventos foram estimados próximos dos 200 km/h.

2012 - Ponte Alta
O tornado destruiu a cidade de Ponte Alta, na Serra, no dia 2 de dezembro. O fenômeno ficou na categoria F3 (forte, com ventos de 254 a 331 km/h) na Escala Fujita, utilizada para medir a intensidade de tornados avaliando-os pelos danos causados.
Toda a área urbana de Ponte Alta foi castigada, e praticamente todos os cinco mil moradores foram afetados. Os prejuízos passaram dos R$ 30 milhões e a prefeitura decretou estado de calamidade pública. A cidade já havia sido atingida por tornado em 2009, mas não com tamanha intensidade.

2013 - São Joaquim
Em 11 de dezembro, a Serra foi atingida por uma série de fenômenos meteorológicos, como microexplosão e tornado. Moradores da região registraram o momento:
Para especialistas, os tornados devem ter ficado entre as categorias F0 (considerado leve, com ventos de 64 a 116 km/h conforme a Escala Fujita) e F1 (moderado, de 117 a 180 km/h).

2014 - Urubici
Acredita-se que um tornado da categoria F0 tenha atingido Urubici em 30 de outubro. Os danos pela cidade foram leves, como destelhamentos e quedas de árvores.  
Fontes: G1 Santa Catarina -21 a 26 de abril de 2015, Diário Catarinense, 21 de abril de 2015, Defesa Civil de Santa Catarina, 28 de abril de 2015, Gazeta do Povo, 2 de maio de 2015-05-05

Comentário
Os danos do tornado em Xanxerê equivalem  a 10,60% do valor do PIB ou ultrapassa o valor do orçamento da cidade (120, 69%). Podemos considerar a perda econômica muito grave e a recuperação econômica da cidade demorará no mínimo 1 ano.
Os danos do tornado em Ponte Serrado  equivalem  a 5,7% do valor do PIB ou 27% do valor do orçamento da cidade. Podemos considerar a perda econômica moderada e a recuperação econômica da cidade demorará no mínimo 6 meses.
A passagem de tornados  pelas cidades de Xanxerê e Ponte Serrada demonstraram as dificuldades do Estado e da população para lidar com desastres naturais. A ausência de treinamento e plano de contingência são os principais problemas.

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