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quarta-feira, abril 08, 2026

TRINTA ANOS APÓS O PIOR ACIDENTE RADIOLÓGICO DA HISTÓRIA

cápsula com material radioativo que causou o desastre

 Acidente com material radioativo Césio-137 foi o mais grave já registrado pela Agência Internacional de Energia Atômica. Vítimas em Goiânia sofrem até hoje os efeitos da contaminação – e da discriminação.

Na rua 57, região central de Goiânia, o terreno vazio com solo concretado destoa das muitas casas em reforma. Os moradores mais novos não sabem explicar por que não há construção naquele espaço, que abriga apenas uma estrutura metálica enferrujada e grafites no muro do fundo.

A única identificação do local aparece no mundo digital: ao localizar a rua 57, o Google Maps exibe a inscrição "Césio 137", marcando o ponto zero onde o elemento radioativo foi liberado no ambiente e iniciou uma cadeia de contaminação.

O mapa mostra o endereço de um antigo ferro-velho onde, em 13 de setembro de 1987, começou o maior acidente radioativo do Brasil. Naquele domingo, sob a sombra de uma mangueira, funcionários do ferro velho partiram, a marretadas, o cabeçote de um equipamento usado em radioterapia.

A peça havia sido encontrada por dois catadores num prédio em ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), estava abandonada ali desde meados de 1985.

Durante a desmontagem, os catadores chegaram até a cápsula que armazenava 19 gramas de césio-137, que, administrado dentro da máquina, emitia radiação controlada para matar células cancerosas. Fora do recipiente de chumbo, o pó altamente solúvel e de fácil dispersão é letal.


À medida em que os pedaços da máquina eram vendidos para outros ferros-velhos, aumentava o número de pessoas que reclamam de náuseas, vômito e diarreia. Esses sintomas iniciais, causados pela exposição à radiação, foram tratados pelos médicos como intoxicação alimentar.

Cinco dias depois, a cápsula com césio-137 chegou ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira. Fascinado pelo brilho intenso emitido pelo pó no escuro, ele e a esposa logo adoeceram. Quando recebia visita dos familiares, Devair distribuía pequenas amostras do material que acreditava ser muito valioso. E, assim, os focos de contaminação se espalharam.

Foi Maria Gabriela, esposa de Devair, que desconfiou do poder maligno daquele brilho. Em 28 de setembro, ela colocou a cápsula dentro de um saco de estopa, pegou o ônibus na companhia de um funcionário do ferro-velho e entregou a peça na Vigilância Sanitária. A essa altura, já corria em toda a cidade o boato de que muitos membros de uma mesma família tinham adoecido.

No dia seguinte, um físico que visitava a cidade desconfiou dos relatos e visitou os pacientes com um medidor de radiação. Foi só então que Goiânia descobriu que a cidade estava há 16 dias exposta ao césio-137.

A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) classifica o caso de Goiânia como o maior acidente radiológico do mundo pela extensão da contaminação. Casos semelhantes haviam sido registrados na Cidade do México (1962), Argélia (1978), Marrocos (1983) e Ciudad Juarez, também no México (1983).

Os responsáveis por abandonar a cápsula no prédio desativado do IGR foram denunciados pelo Ministério Público Federal em Goiás por homicídio e lesão corporal culposos em  novembro de 1987. Os médicos Carlos de Figueiredo Bezerril, Criseide Castro Dourado, Orlando Alves Teixeira, Amaurillo Monteiro de Oliveira e o físico responsável, Flamarion Barbosa Goulart, foram condenados nos anos 1990. Eles cumpriram pena em regime semi-aberto, à exceção de Amaurillo. Após recorrer da sentença, obtiveram habeas corpus e prestaram um ano de serviços comunitários. Em 1998, a pena foi extinta por decreto presidencial.

VIDA RECLUSA

Trinta anos após o episódio que contabilizou 6.500 pessoas com algum grau de irradiação, 249 casos com significativa contaminação e quatro mortes quase imediatas, a memória do acidente traz incômodo e desconforto em todas as esferas que tiveram algum envolvimento com o caso.

Muitos dos que sobreviveram àqueles dias de terror continuam em Goiânia. Poucos, no entanto, falam abertamente sobre o acidente. Há quem tenha se mudado para longe para não ser associado ao caso. Outros ainda brigam na Justiça em busca de reparação – é o caso dos trabalhadores que atuaram na descontaminação dos pontos por onde o pó se espalhou e na construção do depósito dos resíduos.

Sem saber inicialmente de que se tratava de fonte radioativa, policiais, bombeiros e funcionários do Consórcio Rodoviário Intermunicipal (Crisa), escalados por seus chefes, isolaram as áreas, destruíram imóveis, árvores, animais de estimação, calçadas, asfalto. Eram os dias finais da ditadura militar, e a lei da mordaça ainda vigorava. 

A poucas quadras do foco inicial de contaminação, dona Lourdes agora vive reclusa e não quer mais falar com a imprensa. Ela perdeu uma filha de seis anos e o marido depois do acidente. A menina Leide das Neves foi a primeira a morrer entre os contaminados mais graves. Ela brincou e ingeriu o pó misterioso, presente que ganhou do pai, Ivo Alves Ferreira, falecido em 2003. Ele teve contato com o césio-137 na casa do irmão, Devair, que morreu em 1994.

O irmão deles, Odesson Alves Ferreira, 63 anos, carrega as marcas da radiolesão nas mãos. Quando fora visitar os parentes que já estavam doentes, sem saber, por causa do césio, o então motorista de ônibus tocou naquele pó. Após a infecção ele passou por uma série de tratamentos experimentais e fundou, em dezembro de 1987, a Associação das Vítimas do Césio 137.

"Todos nós temos dificuldade em conviver com essa história", fala sobre as vítimas. "Trinta anos depois, sentimos que o governo não cumpriu com sua obrigação. É impossível conseguir os remédios que precisamos e a nossa pensão, que deveria ser de um salário mínimo (R$ 937) segundo a lei, está desatualizada (R$ 778)", diz Odesson, que teve cerca de 40 familiares contaminados.

O TRATAMENTO PÓS-ACIDENTE

Em 1988, foi criado um serviço de saúde especialmente para o atendimento às vítimas, a Fundação Leide das Neves. Em 2011, uma mudança na lei levou o órgão no Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA) a funcionar segundo as normas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os radioacidentados passam por uma bateria anual de exames. Sobre as queixas das vítimas, Aurelio de Melo Barbosa, da secretaria estadual de saúde, afirma que "eles recebem medicação que está na lista básica de medicamentos do SUS".

Essa lista não inclui diversos dos remédios receitados. Muitos pacientes dizem ter feito empréstimos em banco para comprar a medicação. É o caso de Luisa Odet Mota dos Santos e do marido. "Tudo o que vem com a idade, apareceu bem mais cedo na gente", fala sobre o custo das doenças.

A recomendação para que pacientes obtenham medicamentos de alto custo é recorrer à Defensoria Pública, diz André Luiz de Souza, diretor do CARA. Atualmente, 28 profissionais atuam no CARA, que diz atender cerca de 1.200 pessoas dentre vítimas diretas, filhos e netos de radioacidentados e trabalhadores que atuaram na descontaminação.

"Se um serviço criado especialmente para o atendimento às vítimas não cumpre sua função, então ele não tem mais razão para existir", critica Odesson.

TRAUMAS NÃO SUPERADOS

Trinta anos após o acidente, o trauma das vítimas ainda é evidente. A psicóloga do CARA Suzana Helou conduziu uma pesquisa para entender o nível de superação do acidente com o césio-137. O resultado, ao qual a DW Brasil teve acesso, será publicado num livro.

Dos 92 pacientes vivos acompanhados pelo CARA desde 1988, 48 aceitaram participar. A maior parte (85%) ainda se considera vítima do acidente em Goiânia, devido à discriminação que sofreram ou acreditam ainda sofrer por parte da população. "As pessoas ainda têm medo da gente", respondeu um entrevistado. "Isso não passa nunca".

Mais da metade (54%) disse não ter nenhum projeto para o futuro. "Eles perderam casa, documentos, móveis, isso traz sentimentos de comprometimento de identidade", comenta Helou.

O impacto mais marcante, no entanto, foi nas pessoas que eram crianças e adolescentes à época. "Eles sofreram interrupções bruscas, sentiram abandono, amigos se afastaram, planos foram interrompidos", afirma a psicóloga. Muitos se envolveram com drogas ou se tornaram alcoólatras, nunca mais voltaram a estudar.

VIDA PÓS CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA

Luisa Odet Mota dos Santos e Kardec Sebastião dos Santos hoje ajudam a cuidar dos netos. Os quatro filhos do casal tiveram muita dificuldade para continuar os estudos. "Nenhuma escola queria aceitar nossos filhos", diz Luisa. Eles não gostam de falar sobre o assunto, e ainda têm medo da discriminação. 

Os filhos de Odesson também não se envolvem no assunto. "Eu só fico pensando quando a gente não estiver mais aqui. Quem vai cuidar para que essa história não seja esquecida? As vidas que se perderam nunca podem ser esquecidas. Um acidente desse não pode ser esquecido para que ele nunca mais repita". Fonte: DW - Publicado 13/09/2017 Publicado 13 de setembro de 2017 Última atualização 01/04/2026

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domingo, março 29, 2026

Explosão de caminhão no Chile deixou 4 mortos e 17 feridos

Câmera de segurança de rodovia onde ocorreu o incidente, na Região Metropolitana da capital chilena, mostra nuvem de fumaça se espalhando até enorme explosão acontecer.

A explosão de um caminhão-tanque em uma rodovia na Região Metropolitana de Santiago, capital do Chile, deixou quatro mortos e 17 feridos na quinta‑feira (19).

A câmera de monitoramento da via registrou o momento exato em que o incidente ocorreu. Uma enorme nuvem de fumaça branca começa se espalhar rapidamente, do fundo da imagem até cobrir completamente a visão de tudo e, de repente, uma explosão acontece.

De acordo com os bombeiros, a explosão foi sentida num raio de cerca de 150 a 200 metros e danificou pelo menos 50 veículos.

Diversas vítimas sofreram ferimentos graves, incluindo queimaduras, e cinco pessoas estão em estado crítico. O motorista do caminhão está entre as vítimas.  

Segundo o governador metropolitano, uma delas teve queimaduras em 100% do corpo e sua sobrevivência é incerta. Os outros quatro sofreram queimaduras em cerca de 60% do corpo e também se encontram em estado extremamente crítico.

As autoridades estão investigando a causa do incidente, incluindo possíveis infrações por excesso de velocidade, de acordo com o general da polícia,   Fonte: g1 -20/02/2026  



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quarta-feira, março 25, 2026

BITUCAS DE CIGARRO SÃO O LIXO MAIS COMUM DO PLANETA, MOSTRA ESTUDO


RESUMO

·  Estudo com dados de 130 pesquisas em 55 países estima 4,5 trilhões de bitucas descartadas incorretamente por ano, o lixo mais comum do planeta, segundo a OMS.

·  A revisão aponta média de 0,24 bituca/m² em áreas urbanas e aquáticas e picos acima de 38/m² em praias; a massa anual no ambiente chega a 766,6 milhões de kg.

·  Victor Vasques Ribeiro (Unifesp) alerta para toxinas e microplásticos do filtro; André Salem Szklo (Inca) critica o marketing do filtro e defende responsabilizar a indústria.

Nada menos do que 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas incorretamente todos os anos, formando uma das faces mais onipresentes - e menos percebidas - da poluição ambiental global. Isso significa em torno de 550 bitucas lançadas anualmente no ambiente para cada habitante do planeta.

Um amplo levantamento compilou dados de 130 estudos científicos realizados em 55 países entre 2013 e 2024 e revela que esses pequenos resíduos atingem densidades médias de 0,24 bituca por metro quadrado em ambientes urbanos e aquáticos. É como encontrar uma bituca a cada quatro metros quadrados. Picos extremos no mundo ultrapassaram 38 bitucas por metro quadrado em praias e áreas costeiras altamente frequentadas e populosas. A massa total das bitucas descartadas anualmente no ambiente é da ordem de 766,6 milhões de quilos.

O estudo mostra ainda que áreas ambientalmente protegidas - principalmente aquelas com regras mais restritivas - conseguem reduzir a contaminação em até dez vezes quando comparadas a locais sem qualquer tipo de proteção legal. Mesmo assim, nem parques nacionais ou reservas marinhas escapam totalmente do problema, uma vez que as correntes marítimas podem levar para essas localidades lixo descartado muito longe delas, seja em praias seja em áreas urbanas.

A revisão, fruto da parceria entre pesquisadores vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao Instituto Nacional de Câncer (Inca), à Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, e à Universidad San Ignacio de Loyola, no Peru, constitui a mais abrangente síntese já produzida sobre a distribuição global das bitucas e suas implicações ambientais. Artigo a respeito, tendo como primeiro autor o engenheiro ambiental Victor Vasques Ribeiro, doutorando do Instituto do Mar da Unifesp, foi publicado no periódico Environmental Chemistry Letters. Ele descreve em detalhe os padrões espaciais, os chamados hotspots de contaminação, e o efeito do grau de proteção ambiental na redução do problema.

"Os contaminantes químicos presentes na bituca espalham-se rapidamente, ainda mais quando em contato com a água do mar. Em poucas semanas, esse material tóxico é liberado no meio ambiente, podendo ser letal para várias espécies aquáticas", diz Ribeiro. Os cigarros contêm mais de 7 mil compostos químicos, dos quais ao menos 150 são tóxicos. Mas o problema não termina aí: o miolo do filtro é composto por um polímero, o acetato de celulose, que, como outros plásticos, permanece por um tempo enorme no ambiente, fragmentando-se em microplásticos que contaminam organismos marinhos e podem retornar aos humanos quando esses organismos são consumidos.

Além do impacto ambiental, o estudo também dialoga com o debate sobre saúde pública e o papel do filtro na história do cigarro. Para André Salem Szklo, da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, que orientou o estudo de revisão, a existência do filtro foi usada historicamente como argumento de marketing. "Passa a ideia de que, com filtro, o cigarro seria um produto mais saudável, favorecendo, portanto, a iniciação e a manutenção do comportamento de fumar. Mas isso não se sustenta. Com a introdução dos filtros, aumentou, inclusive, um tipo específico de câncer de pulmão, ligado a partículas finas", conta.

Szklo chama a atenção para a narrativa veiculada pela indústria do tabaco sobre a responsabilidade individual nesse descarte no ambiente. "É importante não culpabilizar o fumante. A indústria do tabaco durante décadas difundiu a ideia de que o filtro seria biodegradável. Isso influenciou e influencia o comportamento. A verdade é que somente existe a contaminação por bitucas porque existe uma indústria que lucra com a venda de cigarros."

"Se as pessoas entendessem que estão jogando uma bomba química quando descartam uma bituca, talvez não agissem com tanta normalidade", acrescenta Ribeiro.

O número de 4,5 trilhões de bitucas que chegam anualmente aos ambientes urbanos e aquáticos não foi produzido diretamente pela nova revisão, mas por uma compilação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ribeiro lembra que, globalmente, são fumados cerca de 12 trilhões de cigarros por ano. "Uma fração enorme acaba nos oceanos, para onde quase todas as águas convergem", afirma. Praias concentram grande circulação de pessoas, turismo intenso e consumo recreativo - fatores que favorecem o descarte inadequado. Mas não é apenas por isso que aparecem como as áreas mais contaminadas: elas também funcionam como verdadeiros "sumidouros" de resíduos sólidos. Bitucas descartadas no interior das cidades ou até em regiões distantes podem ser carregadas pela chuva e pelos rios até o mar. Além do impacto ambiental direto do descarte dos cigarros fumados (bitucas), a produção e o consumo de cigarros emitem 84 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera a cada ano.

A análise global mostrou forte concentração de hotspots - áreas críticas que integram os cerca de 5% mais contaminados entre todos os locais monitorados no mundo - em 17 países, localizados principalmente na América do Sul, no Oriente Médio e no Sudeste Asiático. Em praias do Golfo Pérsico, por exemplo, já foram medidas mais de 38 bitucas por metro quadrado. Na América do Sul, praias do Chile, Brasil, Uruguai e Equador aparecem repetidamente entre os locais críticos, em alguns casos com mais da metade de todo o lixo coletado composto por bitucas de cigarro.

Os autores do estudo criaram o Índice de Contaminação por Bitucas de Cigarro (ICBC), indo da classificação "ausente" para a de "extremamente alta". Faltam dados publicados para a maior parte da América do Norte, da África, da Ásia Central e Oriental e para toda a Oceania, o que dificulta comparações globais.

Ao cruzarem os registros com mapas internacionais de unidades de conservação, os autores identificaram 165 áreas protegidas monitoradas em 37 países. Mesmo áreas oficialmente criadas para conservar a natureza não estão imunes à contaminação por bitucas. A densidade média em áreas protegidas foi quase cinco vezes menor do que em áreas desprotegidas e, nas categorias mais restritivas de proteção, a redução foi maior. "Mesmo assim, hotspots foram encontrados dentro de áreas protegidas, que incluem parques e reservas, principalmente onde há turismo intenso ou fiscalização limitada. A simples designação legal não basta. Principalmente diminuição geral do número de fumantes, mas também infraestrutura, fiscalização e educação ambiental fazem diferença", comenta Ribeiro.

Para Szklo, não é possível discutir contaminação por plásticos sem considerar o enorme impacto negativo das bitucas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). "Estamos falando do item mais descartado do mundo. Em alguns lugares, mais da metade do lixo de uma praia é composta só por bitucas. Já houve casos em que praticamente 100% dos resíduos eram filtros. Como pensar um tratado global contra o plástico ignorando o fortalecimento da implementação de medidas de redução do tabagismo previstas na Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde?", enfatiza.

Os pesquisadores defendem que as informações levantadas pelo estudo subsidiem negociações internacionais, como o tratado da ONU contra a poluição plástica, além de medidas locais, como a proibição de fumar em praias e parques, campanhas educativas, melhoria da gestão de resíduos e, principalmente, maior responsabilização da indústria do cigarro.

O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio de Bolsa de Doutorado para Ribeiro, sob orientação de Ítalo Braga de Castro, e de Auxílio à Pesquisa - Jovens Pesquisadores concedido ao segundo autor, Lucas Buruaem Moreira. Fonte:Agência Fapesp - UOL -ECOA- 17/03/2026  

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domingo, março 22, 2026

INCÊNDIO EM SHOPPING TIJUCA NO RIO DE JANEIRO

 

O fogo começou por volta das 18h sábado , atingiu o subsolo do Shopping Tijuca, localizado na zona norte do Rio de Janeiro.

Início do incêndio

O incêndio começou no ar-condicionado de uma loja no subsolo do shopping. Funcionários relataram que sentiram um cheiro forte por volta das 18h30 e perceberam a fumaça. Na sequência, foram alertados por seguranças do shopping para deixarem o prédio.

CORPO DE BOMBEIROS

O Corpo de Bombeiros informou que o quartel da Tijuca foi acionado às 18h28. Até o momento, 13 viaturas e cerca de 40 militares atuam no chamado. As equipes atuam no combate, na ventilação do ambiente e na varredura das áreas internas do shopping.

Ainda segundo a corporação, o incêndio, que se concentrou no subsolo, aconteceu em uma "área de difícil acesso", o que exigiu atuação técnica especializada e o emprego de equipamentos de ventilação mecânica para dispersão da fumaça.

CONTROLE DO FOGO

O Corpo de Bombeiros segue no local trabalhando no rescaldo e as causas do incêndio serão investigadas

Bombeiros tiveram que quebrar as paredes que levam ao subsolo para instalar exaustores que ajudem a tirar a fumaça do local onde o incêndio começou.

Todos os focos de incêndio foram controlados, segundo o secretário de Defesa Civil, mas ainda há muita fumaça no local. Os agentes tiveram que abrir um buraco na parede para a saída da fumaça.

TESTEMUNHAS

Imagens do momento do acidente mostram uma aglomeração de clientes do lado de fora do centro comercial. Nas redes sociais, clientes denunciam o procedimento de evacuação do prédio, que "não teve nenhum aviso sonoro". "Fomos avisados por terceiros", reclama uma consumidora. "Demoraram mais de 40 minutos para falar para a gente evacuar", detalha outra.

Uma cliente contou que estava no cinema e, no meio de um filme, começou a ouvir um alarme sonoro. Em seguida, um funcionário entrou na sala e avisou sobre o incêndio e que era necessário sair imediatamente do shopping.

Outro frequentador mostrou preocupação porque seus remédios de uso controlado ficaram no carro no estacionamento, e ele mora em Niterói.

VÍTIMAS

As vítimas receberam os primeiros atendimentos no local e foram encaminhadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar e UPA da Tijuca.

Duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas.

Entre os mortos está um supervisor de segurança do shopping, que chegou a ser socorrido em estado grave e encaminhado para o hospital. Além dele, uma brigadista que também atuava no centro comercial morreu. Ela trabalhou no resgate e chegou a ser dada como desaparecida.

INTERDIÇÃO

Subsolo e 17 lojas do térreo interditadas

Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal interditou totalmente o subsolo e parte do térreo do Shopping após vistoria técnica. A liberação para a inspeção ocorreu depois da conclusão de uma etapa do trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros. Segundo o órgão, não há risco de desabamento do prédio.

De acordo com a Defesa Civil, foi identificado risco estrutural no mezanino da loja atingida pelo incêndio, além de perigo de queda de revestimentos internos e deslocamento de partes do teto e do piso.

“O subsolo do shopping foi totalmente interditado devido à falta de condições para a permanência no local. Já no térreo, 17 lojas da lateral esquerda, localizadas entre a entrada principal na Avenida Maracanã e a Tok Stok, foram interditadas após o calor do fogo deformar o piso”, informou o órgão.


INQUÉRITO E PERÍCIA

A Polícia Civil informou que, quatro dias após o incêndio no Shopping, a temperatura no interior da loja atingida ainda estava em cerca de 70 graus, o que impediu a conclusão da perícia técnica realizada na  terça-feira (6).

Os peritos chegaram a entrar no local, mas avaliaram que não havia condições de segurança para avançar até o ponto considerado o foco inicial do fogo.

Segundo a polícia, a equipe conseguiu acessar a loja, mas, na área próxima ao que seria o depósito, local apontado como possível ponto focal do incêndio, o calor extremo ainda inviabilizava a aproximação.

Diante do cenário, os peritos solicitaram apoio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para o isolamento de pontos específicos e a adoção de medidas que permitam novas etapas do trabalho. A perícia foi feita por uma equipe de cinco peritos da 19ª DP (Tijuca) e teve início por volta das 15h30, com duração aproximada de uma hora.

SHOPPING

O Shopping Tijuca,  não vai abrir no sábado (3), após o incêndio que deixou 2 pessoas mortas e outras 3 feridas na tarde de sexta-feira (2).

VISTORIA DE SEGURANÇA REALIZADA

Seis dias antes do incêndio que atingiu o Shopping já havia alertas sobre possíveis riscos de incêndio na loja Bell'art, localizada no subsolo, onde o fogo começou.

Documentos e e-mails que já estão em posse da polícia indicam que o supervisor de segurança do shopping, e a brigadista tinham identificado diversas irregularidades.

Em vistoria realizada nas casas de máquinas e estoques da Loja Bell’Art foi verificado que algumas irregularidades (fiação exposta, empilhamento inadequado, sistema de detecção do mezanino) permanecem. O descuido em atender as normas de segurança pode resultar em acidentes graves de incêndio.”

RISCO DE INCÊNDIO POTENCIALIZADO, APONTOU DOCUMENTO

Um relatório detalhado, feito pelo setor de segurança reportava uma série de riscos para um incêndio;

“As casas de máquinas inspecionadas estão servindo como estoques e os locais de armazenamento de produtos estão abarrotados de mercadorias. Essas ações potencializam os riscos de incêndio, uma vez que todos os detectores do piso superior estão inoperantes e os materiais estocados, além de desorganizados, estão acima dos chuveiros automáticos. O documento cita que a loja não têm chuveiros automáticos e as sinalizações estavam obstruídas.

Outro trecho aponta problemas graves no estoque:

“Espaço sendo utilizado como estoque de travesseiros e com fiações presas com fita isolante no MDF (material que, geralmente, leva resina e outros componentes químicos em sua estrutura), detector de fumaça desmontado e extensão de tomadas.”

Os documentos também registram que as luminárias de emergência, cruciais para casos de evacuação, estavam soltas, e que “a área em que ficam os diques e as bombas de sucção tinha material combustível, como madeiras e plástico”

PROBLEMAS IDENTIFICADOS EM DEZEMBRO

Uma vistoria feita em dezembro de 2024 no Shopping Tijuca apontou irregularidades na prevenção a incêndios da Bell'art. Os técnicos do shopping apontaram problemas como:

PENDÊNCIA ELÉTRICA

.Ausência de detectores no mezanino, que era utilizada como depósito

.Caixas empilhadas muito próximas aos sprinklers (equipamentos contra incêndio)

.O prazo dado para a resolução dos problemas da loja foi de três dias.

INDICIAMENTO: POLÍCIA CIVIL INDICIA CINCO POR MORTES E APONTA FALHAS GRAVES DE SEGURANÇA

A Polícia Civil indiciou cinco pessoas pelo incêndio no shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, em janeiro deste ano.

Adriana Santilhana Nietupski e Pedro Paulo Alvares, superintendente e gerente de operações do shopping, respectivamente, foram indiciados por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de outros e fraude processual. Já Renata Barcelos Pereira Noronha, gerente de negócios do centro comercial está indiciada pelos três primeiros crimes, mas não pela fraude processual.

Os outros dois indiciados são os gerentes da loja Bell Art, Fabio Arruda soares e Felipe Gonçalves Franciscone, respondem por incêndio doloso e lesão corporal.

Ainda de acordo com os delegados, a loja não tinha o alvará do Corpo de Bombeiros e o shopping não tinha exaustor para pode combater as chamas. A corporação foi comunicada pela Polícia Civil sobre a conclusão da perícia.

Segundo as investigações, o acionamento do Corpo de Bombeiros deveria ser simultâneo ao início do combate à fumaça no subsolo do shopping.

Para a polícia, a demora na chegada dos bombeiros e o combate adequado às chamas causou a morte dos funcionários.

O botão de pânico da loja onde começaram as chamas foi acionado às 18h04. Segundo a polícia o acionamento do Corpo de Bombeiros foi às 18h27 e os militares chegaram ao local 18h40. “A linha de tempo mostra que houve uma falha de gestão que foi preponderante para gerar uma exposição de perigo a todos que estavam no dia do evento”.

ORIGEM DO INCÊNDIO

O laudo da perícia apontou um “acidente termoelétrico” como possível causa incêndio no shopping. De acordo com o documento, “o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente tecnicamente inadequado, e foi potencializado por sucessivas falhas estruturais e de segurança”.

Ainda de acordo com o laudo, o shopping e a loja não tinham “sistema eficaz de controle de fumaça em operação”.

O documento indica ainda que o local era “tecnicamente inseguro, caracterizado por instalações elétricas em desacordo com norma técnica, carga de incêndio elevada — inclusive em áreas técnicas —, falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e ausência de controle adequado de fumaça, todos elementos que, segundo a própria conclusão pericial, contribuíram para a magnitude e propagação do incêndio”.

O QUE DIZ O SHOPPING

Após o indiciamento, o shopping se pronunciou com a seguinte nota:

"O Shopping reforça que agiu dentro dos seus protocolos de atuação previstos na legislação vigente, notificando imediatamente a loja Bell'Art para que tomasse as devidas providências. Destaca ainda que executou a evacuação seguindo o plano elaborado por empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, o que garantiu que 7 mil pessoas deixassem o local sem qualquer ferimento.

O Shopping reitera seu compromisso com a sociedade e sua inteira disposição em colaborar com a Justiça. Lembra ainda, com consternação, a perda dos seus dois corajosos colaboradores, Emellyn e Anderson, algo irreparável". Fontes: UOL - 03/01/2026;GloboNews e RJ2-02/01/2026;G1 RJ - 03/01/2026; g1 Rio e TV Globo - 03/01/2026;RJ1 - 05/01/2026; g1 Rio e TV Globo-06/01/2026 ;RJ2 - 07/01/2026;g1 Rio - 11/01/2026;g1 Rio - 14/01/2026


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quarta-feira, março 04, 2026

INCÊNDIO EM SHOPPING NO PAQUISTÃO MATA AO MENOS 80 PESSOAS

 O QUE ACONTECEU

Em 17 de janeiro de 2026, às 22h15 (horário local), um grande incêndio começou no centro comercial Gul Plaza, em Karachi , Paquistão. O incêndio alastrou-se rapidamente pelo edifício comercial de vários andares, resultando em 80 mortes, inúmeros feridos e danos extensos.

SHOPPING GUL PLAZA

O Gul Plaza era um complexo comercial de vários andares que que abrigava aproximadamente 1.200 lojas que vendiam roupas, eletrônicos, cosméticos e artigos domésticos, distribuídas em três andares, um mezanino e o subsolo. O complexo tinha uma área de mais de 6.500 m2

INÍCIO DO INCÊNDIO

O incêndio começou por volta das 22h15 (horário local) no térreo do prédio e se alastrou rapidamente para os andares superiores devido à presença de materiais inflamáveis ​​e à ventilação limitada. O incêndio começou em uma loja que vendia flores e vasos artificiais.  O proprietário da loja disse aos investigadores que seus dois filhos, ambos menores de idade, estavam brincando na loja enquanto ele estava ausente e jogaram um fósforo aceso dentro da loja sem apagá-lo antes de sair. A loja continha material combustível que pegou fogo. Isso foi confirmado pela comissão de investigação. O fogo se alastrou rapidamente pelo duto de ar‑condicionado para o restante do prédio.

O primeiro chamado aos serviços de emergência foi feito às 22h26, e duas viaturas dos bombeiros foram enviados ao local. Eles classificaram o incêndio como de Grau 3 – “a categoria mais alta para uma área urbana.

As autoridades responderam lentamente e com apenas “recursos limitados” para extinguir o incêndio. Como resultado, diz-se que o incêndio queimou “sem controle por horas”. Os socorristas quebraram janelas e destruíram paredes usando martelos para entrar. A energia do prédio foi cortada após o início do incêndio

Bombeiros da Corporação Metropolitana de Karachi (KMC) e do Resgate combateram o incêndio por várias horas. Várias seções do prédio desabaram durante as operações de combate ao incêndio. A Marinha do Paquistão enviou uma brigada de incêndio. Após quase 36 horas de esforços contínuos, o incêndio foi finalmente controlado em 19 de janeiro.


FALTA DE SEGURANÇA

Treze das 16 saídas do Gul Plaza estavam trancadas, pois estava perto da hora de fechar. As janelas estavam bloqueadas com mercadorias ou lacradas. Não havia saídas de emergência, alarmes de fumaça, mangueiras de incêndio, extintores de incêndio ou sistemas de sprinklers no prédio.  Uma grade instalada sobre a saída do telhado obstruía uma rota de fuga

VÍTIMAS

Pelo menos 80 pessoas tiveram suas mortes confirmadas, incluindo um bombeiro. Mais de 20 pessoas ficaram feridas, enquanto 49 foram dadas como desaparecidas durante as operações de resgate.  

Em vários casos, apenas partes de corpos foram recuperadas, enquanto testes de DNA tiveram que ser realizados para identificar algumas vítimas. Em 21 de janeiro, 30 corpos foram retirados de uma loja de louças no mezanino. As vítimas foram sufocadas após se trancarem na loja aguardando resgate.

ATENDIMENTO HOSPITALAR

Os hospitais de toda a cidade foram colocados em alerta de emergência.

RESGATE

A busca por pessoas foi dificultada pelo risco de novos desabamentos do prédio. Os bombeiros realizaram na segunda-feira (19) o resgate dos corpos das vítimas entre os escombros ainda fumegantes devido ao calor das chamas.

A operação de busca foi concluída em 27 de janeiro e o prédio foi interditado.

RESPOSTA DO GOVERNO

O governo classificou o incêndio como uma "tragédia nacional". Anunciou uma compensação de US$ 35.000 para as famílias dos falecidos,

O governo ordenou investigação sobre o incidente e criou uma linha de apoio para famílias de pessoas desaparecidas.

INVESTIGAÇÃO 

A polícia registou um primeiro boletim de ocorrência em 24 de janeiro, no qual classificou o incêndio como "resultado de negligência e imprudência".

CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS

O incêndio causou grandes prejuízos econômicos aos lojistas e reacendeu o debate sobre o cumprimento das normas de segurança contra incêndio em edifícios comerciais de Karachi.

De acordo com a associação de lojistas estimou as perdas econômicas de pelo menos 11 milhões de dólares.  As  perdas foram agravadas pela proximidade do Ramadã e da temporada de casamentos – que normalmente representa o auge das vendas para os comerciantes, o que fez com que eles tivessem muito mais mercadorias em estoque do que o habitual. Fonte: Pakistan Today- 21 January 2026; BBC News. 21 January 2026.

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domingo, fevereiro 15, 2026

DESASTRES CLIMÁTICOS CAUSARAM PREJUÍZOS DE R$ 28 BILHÕES AO BRASIL EM 2025

Os desastres climáticos que atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$ 28,4 bilhões, aponta relatório da Aon, corretora e consultora de riscos sediada no Reino Unido.

O número representa uma queda em relação a 2024, quando os eventos extremos no país provocaram danos de US$ 12 bilhões (R$ 62,8 bilhões na cotação atual), de acordo com a empresa. Naquele ano, o montante foi impulsionado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujos estragos somaram US$ 5 bilhões.

Beatriz Protasio, CEO de resseguros para o Brasil na Aon, afirmou que o Brasil saiu de um patamar histórico de baixo risco catastrófico para uma recorrência de perdas multibilionárias.

"O nível de prejuízo permanece acima das médias históricas do início do século, refletindo a maior frequência de eventos extremos e a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e do setor agrícola", diz.

SECA

A empresa calcula que as secas causaram danos de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões) no último ano, 88% do total. Protasio aponta que a estiagem afetou principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, com impactos ao agronegócio, à geração de energia e ao abastecimento de água.

TEMPESTADE

Tempestades geraram prejuízos de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões), ou 11% do registrado, aponta o relatório, e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do Sul.

INUNDAÇÃO

O documento também identifica prejuízos milionários com inundações concentradas no Sul, mas não oferece um valor exato dos danos. Protasio diz que ainda há desafios em obter dados precisos sobre esse tipo de fenômeno, devido às limitações das redes de medição e à subnotificação de eventos em áreas menos urbanizadas.

PREJUÍZOS

As estimativas consideram impactos à infraestrutura pública, às propriedades privadas e ao setor produtivo, além de interrupções da atividade econômica. A metodologia combina dados de fontes governamentais, seguradoras, resseguradoras, órgãos de defesa civil e modelagens de risco catastrófico, explica a CEO.

Para Protasio, o cenário reforça a urgência de uma agenda estruturada na gestão de riscos climáticos, com foco em prevenção, alertas antecipados, modelagens e mudanças culturais.

PREJUÍZO GLOBAL É DE US$ 260 BILHÕES

A Aon contabiliza 49 eventos extremos que geraram perdas econômicas na casa de bilhões de dólares em todo o planeta em 2025, superando a média de longo prazo, de 46. Quanto aos desastres com danos cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o dobro das 17 esperadas para o ano, indicando a "acumulação de catástrofes de médio porte cada vez mais frequentes".

Ao todo, os prejuízos globais somaram US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, uma queda em relação aos US$ 397 bilhões (R$ 2 trilhões na cotação atual) registrados em 2024 e o menor valor desde 2015, segundo o relatório.

Apesar disso, o ano teve desastres extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$ 58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, de acordo com o documento.

O furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, gerou prejuízo de US$ 11 bilhões, sendo US$ 9 bilhões apenas na Jamaica. Uma análise científica do grupo World Weather Attribution apontou que as mudanças climáticas ampliaram o poder destrutivo do fenômeno, com ventos 7% mais fortes do que o esperado em um mundo sem aquecimento global. Fonte: Folha de São Paulo - 5.fev.2026

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domingo, fevereiro 08, 2026

INCÊNDIO DE GRANDES PROPORÇÕES EM FÁBRICA DE MÓVEIS NO PARANÁ


Um incêndio de grandes proporções se formou em uma fábrica de móveis, Rede Martimaq,  na tarde de sábado (31) em Maringá, no norte do Paraná. 

INICIO DO INCÊNDIO E CORPO DE BOMBEIROS

O Corpo de Bombeiros recebeu o acionamento por volta das 18h30. Segundo o tenente Allan Arai, testemunhas disseram que um problema em um aparelho eletrônico na entrada do galpão pode ter causado o incêndio.

No local, havia madeira, espuma, ferragens e produtos químicos, que ao serem queimados, contribuíram para a formação de chamas altas e fumaça preta. Arai explicou que a equipe atuou em três frentes para realizar o resfriamento do local.

De acordo com o tenente, a principal preocupação da equipe era de que a parede aos fundos do galpão caísse. Por isso, moradores de casas e comércios vizinhos tiveram que deixar os imóveis.

"O risco era iminente, uma vez que a parede estava bem inclinada. Estava com alta caloria na parede, ela dilatou bastante e foi indo pro lado. A gente fez o resfriamento, mas ainda tem o risco de colapsar", explicou o tenente.

As chamas consumiram o local e o galpão ficou completamente destruído.  

VÍTIMAS: Não houve feridos.

VIZINHANÇA

Três imóveis vizinhos ao galpão estavam interditados pelo risco de queda da parede. Moradores só poderão retornar após vistoria e liberação de um engenheiro da Defesa Civil de Maringá.

CONTROLE DO INCÊNDIO E RESCALDO

A ocorrência só foi finalizada por volta das 4h da madrugada de domingo (1º), restando pequenos focos entre as ferragens. Pela manhã, bombeiros ainda atuavam no rescaldo e resfriamento da parede.

PREJUÍZOS

A Rede Martimaq informou que não tinha seguro e ainda não foi possível estimar o valor do prejuízo.  

CAUSAS DO INCÊNDIO: Serão investigadas.

POSICIONAMENTO DA EMPRESA

"A Rede Martimaq informa que foi atingido por um incêndio na noite de sábado, 31 de janeiro, em sua unidade industrial. Até o momento, não há confirmação sobre o ponto de origem do incêndio, tampouco é possível estimar a extensão total dos prejuízos.

O incêndio atingiu e destruiu integralmente o parque fabril principal da operação.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, o incêndio encontra-se controlado, permanecendo apenas pequenos focos residuais, que ainda podem liberar fumaça nas próximas horas.

A princípio, não houve registro de vítimas, nem de residências ou imóveis vizinhos atingidos. A empresa reforça que a segurança das pessoas sempre foi e continuará sendo prioridade.

Neste momento, a Rede Martimaq aguarda a avaliação dos engenheiros responsáveis para a emissão de um parecer técnico sobre as condições estruturais do prédio. Fonte: g1 PR e RPC Maringá - 01/02/2026  

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terça-feira, fevereiro 03, 2026

Noruega: túnel rodoviário mais longo do mundo

O túnel de Lærdal (Lærdal Tunnel), localizado na Noruega, é atualmente o túnel rodoviário mais longo do mundo. Com 24,5 km, ele liga as cidades de Lærdal e Aurland, no condado de Vestland, e integra a rodovia E16, uma das principais vias do país, responsável por conectar a capital Oslo à metrópole de Bergen.

A construção da estrutura teve como objetivo facilitar o deslocamento entre as regiões. Por isso, substituiu antigas rotas por estradas de montanha, que ficavam expostas a neve, gelo e frequentes interdições durante os invernos rigorosos.

Com a inauguração do túnel, a travessia passou a ser feita de forma contínua e segura, em aproximadamente 20 minutos, a uma velocidade média de 80 km/h, independentemente das condições climáticas externas. Um avanço significativo em um país onde as temperaturas no inverno podem atingir níveis extremos.

A construção começou em 1995 e o túnel foi inaugurado em 2000. Custou 1,082 bilhão de coroas norueguesas ($113,1 milhões de dólares americanos).

PROJETO

O túnel começa logo a leste de Aurlandsvangen em Aurland, atravessa uma cadeia de montanhas e termina ao sul de Lærdalsøyri, em Lærdal.

O projeto do túnel levou em consideração a saúde mental dos motoristas, e foi dividido em quatro seções, separadas por três grandes áreas de descanso ou locais de refúgio a intervalos de 6 quilômetros.

Um sistema de iluminação que simula a luz natural do amanhecer foi instalado em todas as partes do túnel.

A parte principal é iluminada com luz branca, enquanto as extensões são permeadas por luzes azul-amareladas para dar a impressão do nascer do sol.

Para reduzir a fadiga causada pelo ambiente fechado, o túnel possui áreas de descanso ou locais de refúgio a cada 6 quilômetros. Esses espaços contam com iluminação azul e amarela, criando uma sensação visual de abertura e permitir que os motoristas façam uma breve pausa.

SEGURANÇA

O túnel não possui saídas de emergência. Existem muitas precauções de segurança em caso de acidentes ou incêndio.

Telefones de emergência marcados como "SOS" estão a cada 500 metros para entrar em contato com a polícia, bombeiros e hospitais.

Sempre que um telefone de emergência no túnel é usado ou um extintor de incêndio, luzes de parada e sinais eletrônicos com a mensagem "vire e saia’’ são exibidos em todo o túnel e dois sinais eletrônicos em ambos os lados da entrada exibindo a mensagem "túnel fechado”.

As faixas de rolamento também possuem sistemas de alerta sonoro, que vibram quando o veículo se aproxima das bordas da pista. O recurso reduz riscos de distração e sonolência ao volante. O fluxo máximo permitido é de cerca de 400 veículos por hora.

Existem 15 áreas de conversão que foram construídas para ônibus e semirreboques. Além das três grandes áreas, áreas  de emergência foram construídos a cada 500 metros.

Existem inspeções fotográficas e contagem de todos os veículos que entram e saem do túnel nos centros de segurança em Lærdal e Bergen.

 Há também cabeamento especial no túnel para uso de rádio e telefones celulares e câmeras de vigilância para excesso de velocidade e monitoramento de veículos.

QUALIDADE DO AR

A qualidade do ar fornecida ao  túnel é feita  de duas maneiras: ventilação e purificação. Grandes ventiladores puxam o ar de ambas as entradas e o ar poluído é expelido através do túnel de ventilação para Tynjadalen. O túnel de Lærdal é o primeiro do mundo a ser equipado com uma central de tratamento de ar, localizada a 9,5 quilômetros a noroeste de Aurlandsvangen. A central remove tanto poeira quanto dióxido de nitrogênio do ar do túnel. Dois grandes ventiladores puxam o ar através da central de tratamento, onde a poeira e fuligem são removidas por um filtro eletrostático. Em seguida, o ar é puxado através de um grande filtro de carbono, que remove o dióxido de nitrogênio.

Outro diferencial é a ausência de pedágio. A travessia pelo túnel é totalmente gratuita, ao contrário do que ocorre em outros túneis rodoviários da Europa. Fontes: Geotech; Exame -1 de fevereiro de 2026; UOL - 30/01/2026  

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quinta-feira, janeiro 29, 2026

QUATRO TRABALHADORES MORRERAM SOTERRADOS EM UMA OBRA EM PROMISSÃO (SP


Quatro trabalhadores morreram soterrados durante uma obra em um frigorífico de Promissão (SP) na tarde de quarta-feira (21).  

Segundo a Defesa Civil, o acidente aconteceu enquanto os trabalhadores atuavam no interior de uma escavação, quando um barranco de aproximadamente 6 m desmoronou e atingiu as vítimas.

ATENDIMENTO EMERGÊNCIA

Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender à ocorrência, registrada por volta das 16h40.

As vítimas chegaram a ser socorridas e levadas ao Hospital Geral de Promissão, mas não resistiram aos ferimentos e morreram ao dar entrada na unidade de saúde.

NOTA DA EMPRESA

Em nota, a empresa afirmou que, após o acidente, todos os protocolos de segurança foram imediatamente acionados e que equipes de resgate foram direcionadas ao atendimento dos profissionais.

Ainda no comunicado, a empresa lamentou o ocorrido e disse que colabora com os órgãos competentes. Fonte: g1 Bauru e Marília, TV TEM - 21/01/2026

Comentário

Pela foto nota-se que não havia proteção para os trabalhadores

Para elaboração do projeto e execução das escavações a céu aberto, serão observadas as condições exigidas na NBR 9061/85 - Segurança de Escavação a Céu Aberto da ABNT.

A NBR 9061 estabelece os procedimentos técnicos de segurança para escavações a céu aberto, complementando a NR-18, que foca nas condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Juntas, elas determinam que escavações, valas e fundações devem ter estabilidade garantida, sinalização de segurança, isolamento e escoramento para evitar desmoronamentos e proteger trabalhadores.

A NBR 9061 da ABNT estabelece os requisitos de segurança para escavações a céu aberto em obras civis, focando na proteção de trabalhadores contra riscos como desmoronamentos e quedas, sendo obrigatória para escavações acima de 1,25m de profundidade e detalhando medidas como taludes estáveis, escoramentos, sinalização, uso de EPIs, inspeções e planos de emergência, sendo fundamental para concursos e segurança no trabalho.

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sexta-feira, janeiro 23, 2026

10 ANOS: O DIA EM QUE O JAPÃO FOI ATINGIDO POR TERREMOTO

Em 2004, o mundo enfrentou uma tragédia dupla de proporções monumentais. Um poderoso terremoto no Oceano Índico foi seguido de um tsunami destruidor, que deixou mais de 260 mil mortos em 14 países.

Sete anos depois, um acontecimento semelhante teria não apenas dois, mas três atos. Um desastre triplo castigou o Japão, quando um terremoto tão intenso quanto o do Oceano Índico, mas desta vez no Pacífico, provocou um tsunami também devastador, contra o qual as sólidas defesas japonesas não tiveram chance.

A fúria do mar, por sua vez, provocou um acidente nuclear na usina de Fukushima, 260 quilômetros ao norte de Tóquio. Mais de 18 mil pessoas foram mortas pelo tsunami, e o acidente em Fukushima forçou a retirada de 160 mil pessoas que moravam nas imediações.

Foi a maior catástrofe enfrentada pelo Japão desde as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945.

O GRANDE TERREMOTO

O dia 11 de março de 2011, uma sexta-feira, dificilmente será esquecido pelos japoneses. Às 14h46, horário local, num ponto do Oceano Pacífico a 130 quilômetros ao leste da cidade de Sendai, um terremoto não apenas sacudiu como também deslocou o Japão. Com 9 graus de magnitude, o "Grande Terremoto do Leste do Japão" — também conhecido como "Grande Terremoto de Sendai" ou apenas "Terremoto de Tohoku" —, o maior já registrado no país, empurrou em 2,4 metros para leste a ilha de Honshu, a maior do Japão.

No ponto exato do abalo sísmico, 24,4 quilômetros abaixo do fundo do mar, o atrito entre as placas tectônicas da Eurásia e do Pacífico causou a maior movimentação de terra já registrada num terremoto, de 50 metros — no abalo de 2004, no Índico, ela foi de 25 metros. Essa movimentação forçou o mar para cima, causando o tsunami — uma série de ondas gigantes. Acostumado a grandes tremores seguidos de destruição em larga escala, — como em Tóquio, em 1923, e em Kobe, em 1995 —, o Japão começava a enfrentar uma sucessão de eventos inédita em sua história.

O terremoto em si já era excepcional mesmo para padrões japoneses. A área do país mais atingida foi a região de Tohoku. Em sua capital, Sendai, as pessoas que estavam nas ruas rapidamente perceberam que não havia para onde fugir. Imagens registradas em vídeo mostraram muitos tentando escapar de pedaços de edifícios que caíam sobre a calçada e trabalhadores apavorados em escritórios, onde objetos e móveis eram lançados ao chão. A longa duração do tremor — cerca de seis minutos — tornou o momento ainda mais assustador. "Oh, meu Deus, o prédio vai cair!", diz um homem, em inglês, em um dos momentos de maior vibração do local onde estava.

O Japão é considerado o país mais bem preparado do mundo contra terremotos. Depois da tragédia de 1923, que matou 140 mil pessoas, os edifícios japoneses passaram a ser construídos para absorver a energia de um abalo sísmico e, assim, são capazes de manter-se de pé. O processo, chamado de "isolamento sísmico", envolve a presença de proteções na base das construções, como blocos de borracha, e amortecedores na estrutura dos edifícios.

Os avanços em tecnologia, porém, não protegem as cidades japonesas de qualquer dano — e, no caso do terremoto de Tohoku, eles foram muitos e de grande alcance. Houve destruição na capital, Tóquio, a 373 quilômetros do epicentro, onde o abalo sacudiu o Parlamento nacional. A leste de Tóquio, na cidade de Ichihara, o abalo fez com que uma refinaria pegasse fogo e explodisse. Nada disso, porém, seria comparado ao que estava prestes a atingir a costa leste do país.

O TSUNAMI

O Japão já conhecia muito bem os tsunamis — a palavra é japonesa, formada pela união de "tsu", que significa "porto", e "nami", que significa "onda". O Serviço Nacional Oceânico dos Estados Unidos define o fenômeno tsunami como "uma série de ondas gigantes causadas por terremotos ou erupções vulcânicas sob o mar".

E o órgão acrescenta: "No meio do oceano, ondas de tsunami não aumentam enormemente em altura. Mas, conforme as ondas atingem a costa, elas vão adquirindo mais e mais altura com a diminuição da profundidade do mar".

O Japão já contava com um desenvolvido sistema de alerta e uma ampla estrutura de proteção. Às 14h49, três minutos depois do terremoto, um primeiro aviso de tsunami foi disparado. Essa notificação, entretanto, subestimou o tamanho do problema. A magnitude do terremoto foi inicialmente estimada em apenas 7,9, e acreditava-se que as ondas que pudessem chegar à costa teriam alturas entre 3 e 6 metros.

Na verdade, como se veria pouco depois, as ondas chegaram a 10 metros de altura, em alguns pontos até 15, e o abalo havia sido muito mais intenso, de 9 graus de magnitude. Essas falhas no aviso ficariam claras durante uma investigação sobre a tragédia. Um relatório da Agência Meteorológica do Japão, produzido em outubro de 2013, disse que os erros do alerta inicial podem ter contribuído para o alto número de vítimas.

"Isso pode ter levado algumas pessoas a pensar que as ondas do tsunami não ultrapassariam as muralhas de proteção e possivelmente contribuiu para demoras na evacuação." Um segundo alerta chegou a ser divulgado, às 15h10, aumentando a previsão do tamanho das ondas para até 10 metros. Nesse momento, porém, o tsunami já estava perto demais.

Meia-hora depois do terremoto, as ondas chegaram à costa de Tohoku e outras regiões do leste do Japão. Do alto de prédios muitos japoneses viam, impotentes, o momento em que as primeiras ondas venciam os muros de proteção como se estes não existissem. Paredes de água invadiram as cidades do litoral, carregando e destruindo barcos, carros e casas, que de longe pareciam de brinquedo.

O porto e o aeroporto de Sendai foram totalmente tomados pelas águas — embarcações, aeronaves, helicópteros, caminhões, vans e outros automóveis eram facilmente arrastados pelas ondas. Muitos momentos foram registrados por câmeras japonesas, em imagens que impressionaram o mundo. Cerca de 250 quilômetros ao norte de Sendai, o tsunami chegava à cidade de Miyako, onde a destruição foi igualmente espantosa. A montanha de água negra do mar logo venceu as barreiras de 5 metros de altura, arrastando com ela carros, barcos, casas e os postes de eletricidade.

No dia seguinte, 12 de março, as equipes de resgate esforçavam-se para encontrar sobreviventes e retirar pessoas de regiões alagadas. Segundo balanço da BBC News, cerca de um terço da cidade de Kesennuma, em Miyagi, de 74 mil habitantes, estava submersa, e havia vários focos de incêndio. Na província de Iwate, a cidade de Rikuzentakata, de 23 mil habitantes, havia sido totalmente tomada pelas águas — e mais de 300 corpos já haviam sido encontrados.

Os serviços de monitoramento de abalos sísmicos haviam registrado 125 tremores secundários, decorrentes do grande terremoto — um deles de 6,8 de magnitude. O total de construções destruídas, completa ou parcialmente, chegava a 3,4 mil. Cinco milhões e meio de moradias estavam sem eletricidade, e mais 200 mil pessoas estavam em abrigos provisórios, entre muitos outros aspectos da tragédia.

O terremoto seguido de tsunami deixou um total de 15.853 mortos e 3.282 desaparecidos, a maioria devido ao avanço do mar. A região com mais vítimas fatais foi a de Miyagi.

Um ano depois do desastre, 330 mil pessoas ainda viviam em algum tipo de acomodação temporária. Mais de 300 mil prédios foram destruídos, e outros 1 milhão, danificados - pelo tsunami, por incêndios ou pelo terremoto -, além de 4 mil estradas, 78 pontes e 29 linhas férreas.

A devastação gerou impressionantes 25 milhões de toneladas de detritos. Parte deles foi levada pelo oceano e acabou nos litorais do Canadá e dos Estados Unidos. Entre elas, uma motocicleta Harley-Davidson, uma bola de futebol e pequenos barcos. O custo financeiro do desastre chegou a cerca de US$ 200 bilhões.

O ACIDENTE NUCLEAR

As terríveis imagens que chegavam do Japão geraram solidariedade internacional, com líderes do mundo todo expressando apoio e anunciando ajuda aos japoneses. Depois do terremoto e do tsunami, a tragédia ainda teria, porém, um terceiro capítulo.

Já no dia 11, pouco depois do tsunami, surgiram as primeiras preocupações com duas usinas nucleares no leste do país, próximas ao epicentro do terremoto: Onagawa, na província de Miyagi, e Fukushima Daiishi, na província de Fukushima. Em Onagawa, a usina mais próxima do epicentro do terremoto, um incêndio começou no salão de turbinas, uma área separada do reator, mas foi rapidamente apagado. Em Fukushima, a situação seria bem mais grave.

A localização da usina de Onagawa, protegida por um muro de 14 metros de altura e construída numa parte mais alta do terreno, garantiu que o prédio não sofresse grandes danos com o tsunami.

A estrutura que protegia Fukushima, por outro lado, mostrou-se precária. A usina de Fukushima tinha quatro reatores, dos quais três — as unidades 1 a 3 — estavam operando naquele dia. Com o terremoto, as três unidades se desligaram automaticamente, como previam seus sistemas de segurança. O abalo danificou as seis linhas de transmissão de energia que alimentavam a usina, o que ativou o funcionamento de seus geradores a diesel para movimentar as bombas responsáveis pelo resfriamento dos reatores.

Às 15h42 do dia 11, no entanto, a usina foi castigada por uma primeira grande onda do tsunami — uma segunda viria oito minutos depois. As ondas chegaram a 15 metros de altura, mas Fukushima não estava preparada para tanto. Erguida a 10 metros acima do nível do mar, a usina era cercada por uma muralha de proteção de apenas pouco mais de 5 metros. As águas alagaram imediatamente o subsolo do prédio, exatamente onde estavam os geradores. Toda a base da usina ficou alagada, situação que deu início ao maior desastre nuclear desde a explosão em Chernobyl, na Ucrânica, em 1985 — no mesmo país que sofreu dois bombardeios atômicos na Segunda Guerra Mundial.

Com o alagamento do subsolo, os geradores deixaram de funcionar — outros equipamentos importantes para a operação, como bombas e baterias, também ficaram inoperantes. Sem energia e com equipamentos danificados, o processo de resfriamento dos três reatores parou. O acesso à usina também estava prejudicado, devido aos danos causados pelo tsunami e pelo terremoto nas estradas.

Na noite do dia 11, foram anunciados um estado de emergência nuclear e a evacuação de moradores num raio de 2 quilômetros da usina. A área foi logo estendida para 3, depois 10 quilômetros, e no dia seguinte a evacuação atingiu a 20 quilômetros.

VAZAMENTO

O quadro se agravou no dia 12, como noticiou a BBC News: "Uma poderosa explosão atingiu uma usina nuclear no nordeste do Japão que havia sido seriamente danificada no terremoto e tsunami de sexta-feira". A explosão ocorreu durante tentativas das equipes de emergência de retomar o resfriamento dos reatores e ventilar o compartimento de contenção.

Como explicou em relatório a Associação Nuclear Mundial, que representa o setor de energia nuclear: "Às 15h36 do sábado, dia 12, houve uma explosão de hidrogênio no andar de serviço do prédio sobre a contenção do reator unidade 1, destruindo o teto e a cobertura no topo do prédio". Ao longo dos dias seguintes ao tsunami, vapor radioativo acabou liberado na atmosfera, tanto por vazamento como em tentativas de reduzir a pressão interna nos reatores. Também houve vazamento de água radioativa no Pacífico.

Nos primeiros três dias do acidente, os núcleos dos reatores de Fukushima derreteram, e o vazamento de radiação continuou por seis dias. O trabalho das equipes técnicas visava basicamente tentar esfriar os reatores 1, 2 e 3, utilizando água, e interromper o vazamento de material radioativo. Demorou duas semanas até que os reatores fossem considerados estáveis novamente. Não houve mortes decorrentes do acidente - em 2018, porém, o governo japonês confirmaria uma primeira morte de um trabalhador de Fukushima, de câncer decorrente da exposição à radiação.

A usina de Fukushima ficou inutilizada. Com o passar dos anos, cerca de 1 milhão de toneladas de água contaminada foram acumuladas em seu interior — água da chuva e vinda do solo que era contaminada ao entrar em contato com a água usada no resfriamento dos reatores. Em outubro de 2020, nove anos depois do acidente, o governo japonês preparava-se para decidir o que fazer com esse material. A opção mais provável era lançá-lo no Oceano Pacífico, a partir de 2022, medida criticada por ambientalistas e entidades do setor de pesca.

O acidente nuclear levou à evacuação de 160 mil pessoas da região, com a área afetada estendida de 20 para 30 quilômetros no final de março de 2011. Grande parte foi autorizada a voltar, com a redução do risco, mas as áreas mais próximas à usina de Fukushima continuaram interditadas. Duas pequenas cidades, Okuma e Futaba, de 11 mil e 7 mil habitantes, respectivamente, continuaram fechadas durante anos.

Em 2019, as autoridades permitiram o retorno dos moradores a 40% de Okuma, considerada segura depois de anos de descontaminação. Muitas pessoas, no entanto, ainda questionavam a segurança e não se sentiam confortáveis para voltar. Em março de 2020, Futaba foi reaberta, mas ainda apenas para a entrada de trabalhadores envolvidos em sua reconstrução. O retorno permanente de moradores só estava previsto para 2022.

Depois do acidente, o Japão iniciou detalhadas inspeções de segurança em todos os seus cerca de 50 reatores nucleares. Devido às inspeções, em maio de 2012 todas as usinas do país foram fechadas, sendo reabertas aos poucos a partir de 2015. Entre elas, a usina de Onagawa, fechada desde 2011 e cujo funcionamento estava previsto para ser retomado no final de 2020. A pressão para que o país reduzisse sua produção de energia nuclear aumentou, e o Japão pretendia diminuir a participação dessa fonte, de 30%, na época do acidente em Fukushima, para previstos 20% em 2030.

JAPÃO MAIS PREPARADO

Os efeitos do Grande Terremoto do Leste do Japão duraram muito mais do que se imaginava.

Em novembro de 2016, um tremor de 7,4 graus de magnitude atingiu as regiões de Fukushima e Miyagi. Segundo técnicos, não se tratava de um novo terremoto, mas sim de um abalo secundário ainda decorrente do grande tremor de 2011. O evento, que não causou danos significativos, foi mais uma lembrança da dimensão do desastre de cinco anos antes — e da necessidade de o país se preparar melhor para futuras tragédias.

A partir de 2011, as defesas japonesas contra tsunamis, ao longo do litoral leste do país, foram ampliadas. Em vez de 5 metros de altura, os muros para conter futuras ondas gigantes passaram a ter cerca de 13 metros. A geografia da cidade de Rikuzentakata, uma das mais atingidas pelo tsunami, foi reformulada, como parte de sua reconstrução. O centro da cidade, completamente destruído pelo mar, foi refeito sobre um imenso aterro que cobriu a antiga estrutura. A área, com isso, foi elevada em 10 metros, tornando-a muito mais segura, mais protegida do alcance de possíveis ondas gigantes.

Além de tsunamis, o Japão segue se preparando para uma outra grande tragédia: um novo terremoto, possivelmente em sua capital, Tóquio -—uma região metropolitana com 37 milhões de habitantes.

O último grande tremor a castigar a cidade, em 1923, está prestes a completar cem anos, e especialistas avaliam que um desastre semelhante deva ocorrer cerca de um século depois. As chances de um novo terremoto atingir a cidade antes de 2050 são avaliadas em cerca de 70%. Enquanto seus prédios estão preparados para resistir a um forte tremor, um terremoto em Tóquio seria um desafio enorme para os serviços de socorro e resgate, seu sistema de transporte e para a população. Por isso a cidade testa regularmente sua estrutura de comunicação, que envolve centenas de alto-falantes espalhados em espaços públicos.

A certeza de que o Japão continuará a ser alvo de tremores de terra, alguns graves, faz com que a população no país esteja sempre a postos para uma emergência.

Os inúmeros desastres naturais da história japonesa ficam sempre na memória de todos no país - especialmente o tsunami de 2011. Cada terremoto representa um novo teste de sobrevivência. Com sua tecnologia, sua arquitetura e a resistência de sua população, o Japão está em constante aprendizado, até porque não tem escolha. Seu permanente e eterno embate com a natureza é uma realidade da qual o país não pode fugir. Fonte: BBC Brasil -  10 março 2021, autor: Rogério Simões

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