Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, agosto 22, 2017

Sinistros de Grandes Proporções em Armazéns de Produtos Químicos

A rapidez do desenvolvimento da tecnologia e da economia traduz-se em enormes quantidades de matérias primas, de produtos semi-acabados e acabados e também em combustíveis líquidos e gasosos que são necessários a sua armazenagem e manipulação.
Enquanto a população mundial duplicou desde 1950, atingindo hoje 5 bilhões de habitantes, a produção ( a armazenagem e a distribuição) de bens foi multiplicada de seis para oito. É por esta razão que a capacidade de produção das fábricas de amoníaco na Alemanha passou de 50 t por dia em 1950 para 1.500 t em 1970; e a capacidade das instalações de produção de etileno, foi multiplicada por quarenta durante o mesmo período, atingindo 600.000 t por ano.

Paralelamente o potencial de riscos cresceu devido às grandes densidades de energia, às elevadas concentrações de substâncias, mas também devido às mudanças no ambiente. Não se trata apenas aqui do risco de acidentes.
Na verdade, é preciso, hoje em dia, ter em consideração, no âmbito do "processo de fabricação ou de exploração", as repercussões de fabricação dos produtos, dos resíduos, das emissões de poluentes e de ruídos, etc., no ar, na água, no solo e nos organismos, incluindo o do homem, que neles se encontram.

O controle de riscos concentrou-se durante muito tempo sobre os processos dinâmicos da produção, pois é neste domínio que é preciso controlar as mais fortes densidades de energia e as principais energias de ativação. A armazenagem, a distribuição e o transporte, bem como os pontos de ligação entre estes setores, eram relegados para segundo plano.
Se bem que os fatores dinâmicos de produção sejam praticamente inexistentes, que a composição dos produtos seja geralmente conhecida e o grau de automatização elevado, os riscos de armazenagem não podem ser subestimados por mais tempo.
Os exemplos de sinistros de grandes proporções nos armazéns de depósito de produtos químicos que apresentaremos demonstram claramente.

NANTES - FRANÇA
No dia 29 de outubro de 1987, às 9h 36min os bombeiros de Nantes receberam uma chamada de alarme. Sete minutos depois as primeiras equipes de intervenção chegaram ao local do incêndio. Devido a um curto-circuito, os adubos depositados num dos oito compartimentos do armazém construído em 1973 (100 m de comprimento por 35 m de largura e 9 m de altura), construção metálica e cobertura em fibrocimento e betão (placa betuminosa) pegaram fogo.

As primeiras tentativas de extinção com o auxílio de extintores portáteis foram infrutíferas, devido ao tipo de combustão (reação endotérmica da substância).
As emanações de fumo aumentaram de tal maneira que, passados apenas alguns minutos, os bombeiros só puderam  aproximar-se do foco de incêndio com máscaras de oxigênio. Chegaram reforços em menos de uma hora e a defesa civil (meio ambiente, polícia) começou a trabalhar.

A natureza e quantidade das substâncias armazenadas obrigaram os responsáveis pela intervenção a limitar-se, numa primeira fase, a circunscrever o incêndio e a proteger os outros compartimentos. Os especialistas alertaram contra a nuvem de fumo tóxico, enquanto testemunhas presentes relataram que os pássaros caíam por terra ao tentarem atravessar a nuvem de gás formada pelo fumo.
A composição dos gases do fumo não estava claramente determinada; não foi possível proceder à coleta de amostras ou a medições por não se dispor de equipamentos adequados.

Além disso, não podendo afastar-se a hipótese de um risco de explosão, foi solicitado à população, num raio de 1 km, através de alto-falante e pelo rádio, que permanecesse em casa com as portas e janelas fechadas.

Cerca de duas horas depois do incêndio a nuvem de gás do fumo estendia-se numa área de 10 km de comprimento e 3 km de largura. A nuvem de gás permaneceu reduzida dado que as turbulências térmicas causadas pelo fogo e pelo vento não eram muito fortes.
O fumo cor de laranja era mais espesso em volta do armazém, a tal ponto que a visibilidade no solo ficou reduzida a zero e as equipes de intervenção (bombeiros e defesa civil) tiveram se retirar. A intensa coloração da nuvem foi atribuída a vapores de nitrato de potássio (óxidos nítricos).

Ao procederem-se a medições no decurso do dia registraram-se valores de 3 ppm de cloro e 50 ppm de ácido nítrico (valores máximos de concentração de NOX tolerados num local de trabalho é de 5 ppm).

Num raio de 10 km os habitantes queixavam-se de mau cheiro, ardência nos olhos e dores de garganta. Como se imaginava que era impossível extinguir o incêndio em tempo razoável foi decidido proceder à evacuação da população.
Foram colocados à disposição veículos públicos e particulares como meio de transporte e até às 18h foram evacuadas 35.000 pessoas. Foi impossível determinar o número de pessoas que fugiram do local pelos próprios meios. A evacuação durou cerca de quatro horas, incluindo às duas horas de preparativos. A população pode regressar a casa a partir das 22h .

Os gases de fumo tóxico devido à combustão incompleta, bem como a evacuação da população são os aspectos mais importantes desta ocorrência. Quando da combustão de matérias orgânicas, como a madeira, a lã ou os produtos químicos, formam-se gases de combustão, que atuam essencialmente como tóxicos nas vias respiratórias.
A combustão é tanto mais completa, isto é, menos emissões de gases tóxicos, quanto mais elevada é a temperatura de reação, maior o excesso de oxigênio e mais longo o tempo de reação. Os principais componentes dos gases de combustão são sempre o dióxido de carbono (CO2) e o vapor de água (H2O).

Se os gases de combustão contêm monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HXCX) é sinal de que a combustão não foi completa, como é o caso, por exemplo, quando um incêndio é extinto com água.
Quando, substâncias contendo enxofre, cloro ou nitrato ardem, forma-se independemente dos parâmetros acima citados, dióxido sulfúrico (SO2), gases clorídricos (HCL), óxidos nítricos (NOx) e embora os gases de combustão se elevem e se espalhem em geral rapidamente por cima do foco de incêndio, devido à elevação térmica, poderá vir a ser necessário evacuar a população se as condições são desfavoráveis, como é o caso, se as condições atmosféricas são estáveis e o fogo se mantém oculto durante muito tempo ou quando não se procedeu a análise física de emissões de gases.

Por razões logísticas estas medidas devem ser tomadas muito cedo nas regiões com grande densidade populacional. Em casos extremos podem levantar-se problemas pelo fato da permanência em locais fechados, representar eventualmente um risco menor do que uma evacuação.

SCHWEIZERHALLE - SUIÇA
No dia 1 de novembro de 1986, pouco depois da meia noite, um empregado notou que saía chamas do telhado de um armazém, fato que foi detectado quase ao mesmo por uma viatura policial.

Alguns minutos mais tarde as brigadas de incêndio das empresas Sandoz e Ciba Geigy, bem como os bombeiros de Muttenz estavam no local. No combate ao fogo acabaram por atuar 160 bombeiros. Todos os meios, até um barco-bomba foram postos ao serviço para extinguir o incêndio e proteger os edifícios vizinhos.

Pouco depois das 5 h da madrugada, o fogo estava extinto, os bombeiros deixaram o local de incêndio, já que agora era apenas o rescaldo. Segundo a perícia policial, a causa mais provável foi à utilização de equipamento de soldagem para reparar uma chapa de um container, que estava carregado de azul da Prússia (hexacianoferrato).
Quando procediam ao reparo, a chama do maçarico incendiou o azul da Prússia. Esta substância consome-se durante horas sem produzir chama, sem emitir fumo ou cheiro de queimado, de tal modo que o fogo latente passa despercebido. Os prejuízos materiais foram enormes. Pelo contrário, os danos corporais foram reduzidos.

Durante a última fase das operações de extinção formaram-se compostos de enxofre devido à combustão incompleta, o que alarmou a população pelo mau cheiro que emanava à grande distância, embora as concentrações fossem já muito fracas e, portanto não constituía perigo a saúde.
Análises de sangue efetuadas em mais de 400 pessoas deram, felizmente resultados negativos, quanto a uma contaminação de éster fosfórico, mercúrio ou outros agentes tóxicos. Depois deste incêndio, dois aspectos constituíram o alvo das discussões; primeiro, a contaminação da água de extinção e sua infiltração no solo, o escoamento da água de extinção contaminada na rede pública (galeria de água pluvial e na rede de esgoto); segundo o problema de saber se deveria deixar arder ou pelo contrário extinguir o incêndio.

Foram utilizados 1.500 m3 de água no combate contra o incêndio, foram despejadas grandes quantidades de inseticida no rio Reno pela rede de canais que atingiram o rio numa distância superior a 250 km. O sinal mais evidente desta catástrofe ecológica foi a água ter adquirida uma coloração vermelha e os peixes terem morridos.
Parte da água utilizada para a extinção continha várias toneladas de inseticidas e cerca de 100 kg de mercúrio infiltraram-se no solo e contaminaram mais de 25.000 m3 de terra, atingindo até 15 m de profundidade como demonstraram  as sondagens efetuadas numa área de 10.000 m2.

O local do incêndio foi coberto por asfalto para evitar que a água da chuva se infiltrasse na terra contaminada e assim atingisse o lençol freático, levando os produtos tóxicos mais longe ainda. A operação de descontaminação do solo foi realizada e que resultou numa despesa superior a 23 milhões de dólares.

SAINT-BAISLE - LE GRAND - CANADÁ
No dia 23 de agosto de 1988, data do sinistro, provocado por fogo intencional, 85.000 litros de PCB (policloreto de bifenila) encontravam se em barris de 170 l, armazenados na empresa SORTEC. A formação de dioxinas extremamente tóxicas que é uma característica da combustão de PCB  levou os responsáveis pela evacuação imediata de 3.800 habitantes num raio de 14 km2.

O incêndio estava extinto três horas  depois. Devido aos esforços para controlar o incêndio, menos de 10% dos barris explodiram e o seu conteúdo ardeu em chamas. De acordo com as análises realizadas, em pessoas, no ar, no solo e na água subterrânea durante e depois do acidente, concluiu-se que as amostras de ar recolhidas durante o incêndio, e as amostras de água à superfície tirada posteriormente, continham PCB e vestígios de dioxina.
A água subterrânea, protegida por camada de argila não acusava qualquer concentração perigosa, salvo na proximidade do local de incêndio. Três semanas após o acidente, depois de proceder à limpeza de mais de 2.500 edifícios, os habitantes voltaram a instalar-se em suas casas. Os trabalhos de remoção de escombros e de recuperação efetuados com precauções foram muito árduos.

Os resíduos tóxicos (1.500 t) introduzidos em barris foram transportados por barco para Inglaterra onde os estivadores se recusaram a descarregá-los. O governo canadense procura desde então outro local de armazenamento provisório.
Foi no final do século passado que o PBC foi sintetizado pela primeira vez. A estabilidade química, a resistência ao fogo, uma grande capacidade térmica e um considerável isolamento elétrico fizeram com que os PCB's tivessem grande sucesso no mercado entre 1929 a 1977.

As primeiras informações provenientes dos Estados Unidos e do Canadá, segundo as quais os PCB's eram nocivos ao homem e ao ambiente estiveram na origem de uma campanha levada a cabo contra os PCB's. Foram criados depósitos de armazenagem, embora não se conheça ainda qualquer método de evacuação. É assim que em 1979, a SORTEC inc em Saint-Bsile-le-Grand, foi autorizada a armazenar, numa primeira fase, 1000 galões, ou seja, cerca de 3.785 litros.
Esta capacidade revelou-se rapidamente insuficiente e os poderes públicos autorizaram, pela última vez em 1981, a SORTEC a armazenar 20.000 galões (75.700 litros).

HISTÓRICO DO PCB
O único caso grave constatado pelos efeitos tóxicos do PCB's sobre o homem ficou conhecido como efeito "Yusho". A contaminação ocorreu no Japão, em 1968, quando 1.000 pessoas ingeriram óleo de arroz contaminado pelo PCB's.
Os principais problemas constatados foram;

1.Lesões cutâneas numerosas (pigmentação marrom das unhas, lesões foliculares, aumento da sudorese das mãos, placas vermelhas nos membros, prurido, pigmentação da pele, etc.
2.Icterícia, fraqueza, espasmos musculares nos membros, vômitos e diarréias.
3.Alguns pacientes os sintomas persistiram por vários anos (três anos)
4.Crianças nascidas de mães intoxicadas apresentavam insuficiência de peso e coloração marrom da pele, evidenciando intoxicação transplacentária.

Efeitos verificados em intoxicações crônicas de animais de experimentação ou não;

1.Interferência no processo reprodutivo (ratos, galinhas, etc.).
2.Aparecimento de tumores malignos no fígado de ratos
3.Aumento de atividades biológicas de certas enzimas no fígado de ratos
4.Interferência no sistema imunológico de coelhos
5.Distúrbios neurológicos em ratos
6.Acumulação em tecidos gordurosos, soro e leite.
7.Efeitos teratogênicos (aberrações genéticas) em embriões de galinhas

SINISTROS:

LOCAL: SAVANNAH - ESTADOS UNIDOS
Data  : 10.04.95
Autoridades norte-americanas determinaram a retirada de mais de dois mil moradores da cidade de Savannah, afetada por emissões tóxicas provocadas por um incêndio num armazém de produtos químicos. O fogo começou, quando explodiu um tanque com 1.600.000 l de aguarrás. Emissões de anidridos sulfúricos se estenderam pela cidade e os bombeiros foram forçados a retirar os moradores.

LOCAL: SANTOS - PORTO
Data: 16.04.95
Os portuários de Santos levaram um susto ao detectar o vazamento de um produto altamente tóxico, que escapou do container no armazém 43, da Cia Docas do Estado de São Paulo. O produto é o peroxidicarbonato diciclohexilo, que veio do porto de Hamburgo, na Alemanha, importado por uma indústria de tintas. A substância vazou devido à temperatura elevada. A pressão foi tão grande que o cofre (onde estava armazenado o produto) inchou. O pessoal da Guarda Portuária chamou o Corpo de Bombeiros e os técnicos da Cetesb, que tomaram as providências pata controlar o vazamento. O produto químico pode provocar cegueira, irritação na pele e nas vias respiratórias.

OS PRINCIPAIS PERIGOS
Sabemos que o risco de deflagração destes incêndios não pode ser completamente afastado, tanto mais que são com freqüência provocados intencionalmente. Há erros, no entanto, que se cometem quando do combate ao incêndio; improvisações devidas à falta de tempo, diligências inadequadas, informações deficientes.
Mas os sinistros também estimulam a que se proceda a melhoramentos, o que pode tornar então possível um controle global dos riscos.

Os exemplos citados permitem determinar os principais perigos e o gerenciamento do problema e bem como assim defini-los com a ajuda de algumas palavras chaves;

grave e considerável ameaça para as pessoas, o que requer eventualmente uma evacuação permanente ou provisória;
gerenciamento problemático - palavras chaves;
Informação das autoridades, do público, organização da evacuação, reclamações  referentes à responsabilidade civil e custos.

atentados contra o ambiente (contaminação, incêndio, envenenamento, etc) por exemplo; abastecimento de água, criação de gado, vegetação;
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Análises físico-químicas dispendiosas, situação jurídica, indenização, condições de seguro.

contaminação solo (depósito de resíduos industriais nocivos, água de extinção, etc)
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Processos de saneamento em fase de experimentação ou de difícil aplicação, eliminação de resíduos, da água utilizada para a extinção e da terra contaminada, pouca instalação de recuperação e de eliminação, custos elevados ( 435 dólares a 4.350 dólares por tonelada).

controle de catástrofes
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Inúmeras incertezas para a empresa, para as autoridades, apreciação do risco, cenários de sinistro, plano de catástrofe, exercícios de intervenção.

atentado contra a imagem da empresa (poluição, envenenamento, extorsão, etc)
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Informação da mídia, vandalismo, indenização, extorsão

falta de regulamentação ou inadequada, dificuldade de execução pelas autoridades
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Adequação das medidas, fatores custo/rendimento, cenário de catástrofes, serviços públicos sobrecarregados

erro humano ou vandalismo
Gerenciamento problemático - palavras chaves;
Medidas de prevenção e/ou de combate, informação adequada

Os principais perigos apontados relacionam-se com acidentes súbitos que ameaçam o homem e o ambiente através de substâncias tóxicas.

É necessário, no futuro, dar mais atenção à prevenção das catástrofes, pois os efeitos a longo prazo, inerentes aos riscos químicos, provocados pelos incêndios, não são invencíveis. A segurança não é conceito imutável, devendo ser entendido como uma missão em permanente evolução.
Para além da proteção contra os acidentes, engloba ainda melhor gestão dos riscos no que diz respeito à ameaça latente que representam os fluxos contínuos de poluentes, quanto ao tipo de processo de fabricação. Fonte: "Sinistros de Grandes Proporções em Armazéns de Produtos Químicos", da revista "Segurança",Portugal.

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quinta-feira, agosto 17, 2017

Prevenção de Incêndios para Líquidos Inflamáveis

A maioria dos líquidos inflamáveis, principalmente seus vapores é facilmente inflamável através de fontes de ignição, tais como; estática, pontos quentes (soldagem, calor excessivo na área, fumo, etc). Os líquidos inflamáveis queimam rapidamente, liberando muito calor.

Portanto, a empresa tem de assegurar condições básicas de armazenagem e manuseio de líquidos inflamáveis, levando em consideração;

1.0 - Controles físicos passivos dos recipientes metálicos constituindo de;
recipientes de segurança
barras de aterramento
válvulas de segurança
bandejas com areia, para controlar respingos ou pequenos vazamentos durante a manipulação de recipientes

2.0 - Controles físicos passivos da área de armazenagem ou de manipulação.
Os líquidos inflamáveis podem se esparramar, devido a vazamentos ou queda por uma área proporcional ao volume derramado. Se não forem contidos através de barreiras, diques ou drenos (projetado para conter o maior vazamento possível), podem alcançar áreas vizinhas que podem propiciar a ignição e a propagação do incêndio.

Portanto o controle deve consistir;
2.1 - Tanques armazenados ao ar livre
construção de dique e sistema de drenagem
construção e assentamento em local isolado

2.2 - Tambores ou bombonas e outros tipos de recipientes
construção de edifícios em alvenaria, com sistema de ventilação natural ou mecânica, com instalação elétrica a prova de explosão
construção em local isolado
construção de drenos, com caixas de recepção suficiente para contencão do maior vazamento possível.

Portanto, o confinamento da área de armazenagem ou de manipulação de líquidos inflamáveis é importante para evitar contato com o ar e quaisquer fontes de ignição. O confinamento consiste;
impedir o transbordamento ou vazamento do líquido e de seus vapores
possibilitar fechamentos e drenagem rápidos na eventualidade de um escape acidental.
limitar a área pela qual o líquido pode se espalhar (circunscrever a área do acidente).

3.0 - Todos os empregados que manipulam ou estão envolvidos com líquidos inflamáveis, devem receber treinamento básico em riscos de líquidos inflamáveis. Em geral os incêndios por derramamento ou vazamento são resultantes de erro humano no manuseio de recipientes (tambores ou bombonas) de estocagem e/ou na transferência de líquidos inflamáveis para pequenos recipientes com controles passivos inadequados (utilização de mangueiras, inclinação dos tambores, adaptação de torneiras, falta de aterramento, etc).

4.0 - Plano de emergência para vazamentos
A empresa deve desenvolver um programa para vazamentos, com definição das etapas de ação. Essas etapas consistem;
eliminação de toda fonte de ignição, por exemplo; equipamentos elétricos, máquinas, empilhadeiras, etc.
  medidas de contenção temporária para limitar a área de vazamentos, por exemplo; sacos de  areia e principalmente evitar a penetração do líquido  na rede de esgoto ou galeria pluvial.
controle de acesso à área de vazamento

5.0 - Ventilação
Os vapores não devem acumular-se em áreas de trabalho a ponto de favorecer um incêndio ou uma explosão. A empresa deve providenciar ventilação mecânica ou natural em áreas confinadas que envolvam líquidos inflamáveis a fim de eliminar concentrações de vapores inflamáveis.

6.0 - Equipamentos elétricos e instalações elétricas adequadas
O uso de equipamentos elétricos adequados, como empilhadeiras e instalações elétricas à prova de explosão, reduz as fontes de ignição.

7.0 - Fiscalização rigorosa dos procedimentos de manuseio seguro
A empresa deve estabelecer e fiscalizar procedimento de manuseio seguro. A empresa deve incentivar os funcionários que manipulam líquidos inflamáveis  a efetuarem medidas corretivas quando necessárias, para que eles possam perceber a importância das medidas de segurança para manuseio e operação de líquidos inflamáveis.

8.0 - Política formal da empresa quanto ao uso e manuseio de líquidos inflamáveis
A empresa deve elaborar formalmente uma norma de prevenção e controle de líquidos inflamáveis, envolvendo a gerência e os funcionários que manipulam líquidos inflamáveis com finalidade;
uniformizar a operação e manipulação de líquidos inflamáveis
usar os controles passivos necessários
e finalmente possuir um plano de emergência para ser acionado em caso de vazamento ou incêndio.

Fonte: Referências Bibliográficas: Factory Mutual Engineering Corporation


Armário de segurança

Container de segurança

Paletes de segurança

Produtos de Segurança no Brasil




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terça-feira, agosto 15, 2017

Trabalhador morre eletrocutado

Um homem de 60 anos morreu eletrocutado enquanto cortava pés de eucalipto em uma propriedade rural em Serranópolis do Iguaçu, na tarde de  sábado (12).

Edilio de Macedo trabalhava na propriedade na localidade da Linha Seca, cortando eucaliptos para lenha, quando uma das arvores teria caído sobre a rede elétrica, que caiu em cima de uma caminhonete que estava estacionada próximo do local.

Segundo informações apuradas pela reportagem, o veículo teria se incendiado por conta da descarga elétrica, e Edilio teria tentado tirar a caminhonete, e acabou sofrendo um choque, vindo a óbito.

A Polícia Militar, Polícia Civil e Criminalistica e foram acionados e o corpo foi recolhido pelo IML de Foz do Iguaçu para os exames de necropsia e posterior liberação aos familiares para os atos fúnebres. Fonte: Portal Costa Oeste – Paraná - 12 de agosto de 2017

Comentário:
Planejar a derrubada da árvore observando: inclinação, direção do vento, cipó, galhos soltos, árvores enganchadas, secas, fiação elétrica e etc.
Verificar se a direção de queda desejada é possível e se existe riscos de acidentes,
por exemplo, obstáculos, etc
Deve-se manter a uma distância mínima segura  equivalente a duas vezes a altura média da árvore a abater dos outros trabalhadores e equipamentos.
No caso de espécies de eucaliptos e pinus, por exemplo, que podem atingir até 30 metros de altura, a recomendação técnica é de que no mínimo o afastamento lateral das redes seja de 40 metros, fornecendo uma margem mínima de segurança para pessoas e animais que circulam nestas áreas. 

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terça-feira, agosto 08, 2017

A cocaína chega à Antártida

As águas da Antártida contêm cafeína, ibuprofeno, paracetamol e cocaína, às vezes em níveis similares aos da Europa e outros continentes muito mais povoados. É o que indica o primeiro estudo que analisou a presença de medicamentos e drogas ilícitas na península antártica, um chifre de terra ao noroeste do continente onde está a maioria das bases científicas e que, além do mais, recebe todos os anos a visita de milhares de turistas. Os resultados confirmam algo que era de esperar: ali aonde nós, humanos, vamos, também vão nossas drogas.

“A presença humana está introduzindo poluentes não analisados até agora, que, em decorrência de sua toxicidade, persistência ou bioacumulação poderiam produzir danos no ecossistema antártico”, explica Yolanda Valcárcel, pesquisadora da Universidade Rei Juan Carlos, de Madri, e coautora do estudo.

Para esse trabalho, cientistas do Instituto Geológico e Mineiro (IGME), da Universidade Autônoma de Madri e do Instituto Nacional da Água da Argentina recolheram amostras de água de riachos, lagunas, drenagens glaciais e vertedouros de águas residuais sem tratamento em zonas especialmente sensíveis por causa do turismo e da presença de bases científicas.

Na análise das amostras foram visados 25 medicamentos e 21 substâncias recreativas e drogas ilícitas. Doze delas apareceram nas análises.
■ Os compostos de maior concentração são anti inflamatórios e analgésicos que apresentam “elevado risco” no que se refere ao meio ambiente, segundo o trabalho, publicado na Environmental Pollution.
■ Também foram detectadas concentrações preocupantes de antibióticos nas águas residuais de uma das bases analisadas.

A substância mais presente do grupo de “substâncias recreativas” é a cafeína, de acordo com o estudo, seguida da efedrina, que é usada também com finalidade médica. O trabalho detectou também o principio metabolito da cocaína em um dos 10 pontos analisados, situado perto da base científica e militar Marambio, da Argentina. As concentrações são “similares” às observadas em rios da Espanha, Itália, Bélgica e Reino Unido, revela o trabalho. Embora “a presença dessa substância possa estar relacionada ao consumo ocasional ou até mesmo fora da zona analisada, é aconselhável realizar um controle contínuo por causa dos potenciais riscos que pode representar para os ecossistemas aquáticos da Antártida”, diz o estudo.

Nessa área também foram detectados alprazolam, um fármaco de uso frequente para a ansiedade. Valcárcel pondera que, por ora, “as concentrações de drogas são ínfimas e em nenhum caso representam um perigo ambiental”.

Os responsáveis pelo trabalho querem continuar analisando a presença desses compostos e estudar se podem representar um perigo para a fauna do continente. “As especiais condições climáticas do continente antártico, com frios extremos na maior parte do ano, poderiam retardar ou dificultar os processos de degradação microbiana e fotodegradação desses tipos de poluentes”, o que pode concentrar, por sua vez, essas substâncias na água e na cadeia alimentar, explica Luis Moreno, pesquisador do Instituto Geológico e Mineiro (IGME) e coautor do estudo, em um comunicado à imprensa.

TURISMO NO AUGE
A Antártida é de longe o continente menos povoado, com uma população que oscila entre 1.000 e 4.000 pessoas –segundo os dados do estudo– em um território 27 vezes maior que o da Espanha. O turismo está no auge. Em 2010 houve 30.000 visitantes enquanto em 2013 já eram 37.400, segundo dados publicados em 2016. O número de visitantes que desembarca nas costas também está aumentando e em alguns pontos concretos da península antártica foram registrados até 16.000 visitantes no ano. Toda essa atividade ocorre no verão, o período mais “delicado” para a fauna e a flora do continente. Fonte: El País - 26 Jun 2017

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sábado, agosto 05, 2017

Riscos do trabalhador na gaiola com o equipamento em movimento

Observe-se no vídeo,  vários impactos na simulação com um modelo de boneco, apesar de usar cinto de segurança. Alguns impactos projetam-se o boneco para fora da gaiola. O trabalhador numa situação dessa poderá sofrer lesões  graves.
O correto seria  deslocar o equipamento sem o trabalhador na gaiola e permitindo seu acesso ao equipamento durante a execução do serviço.  



De acordo com dados da IPAF – International Powered Access Federation
O setor de plataformas aéreas está relatando mais acidentes mediante o programa voluntário da IPAF
Em 2015 houve 67 vítimas fatais em acidentes envolvendo plataformas elevatórias móveis de pessoas (PEMPs), também conhecidas como plataformas de trabalho aéreo (PTAs).
As principais causas dos acidentes com vítimas fatais são:
capotamento (20),
queda em altura (13),
aprisionamento (8),
eletrocussão (14),
colisão com PEMP/PTA (7) e
falha mecânica ou técnica (5). 

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segunda-feira, julho 31, 2017

Protetores Auditivos: vida útil e benefícios

Qual é a vida útil de um protetor auditivo? Essa pergunta vem sendo colocada com frequência  nos últimos dois anos, não só pelos responsáveis pelo Programa de Conservação da Audição e usuários, como também por advogados e juízes sem ter uma resposta convincente.

O Prof. Samir Gerges esteve em Berlim-Alemanha, representando o Brasil na reunião do grupo de trabalho WG17 da ISO sobre os protetores auditivos. Aproveitou a presença de 15 participantes de todo o mundo e fez essa pergunta para eles. Infelizmente não obteve resposta.

Será que existe um período da vida útil do protetor auditivo para todas as marcas e modelos e para todos os usuários? Podemos fazer uma pergunta similar: qual é a vida útil de seu sapato?

Pode-se fazer uma analogia com a seguinte história para tentar entender a questão. Por exemplo: João tem pé torto e anda depressa, batendo os sapatos com força nas pedras e, quando volta para casa, tira-os e joga-os, sujos e molhados, num canto. Mas nosso elegante amigo, Batista, anda corretamente com os pés retos e cuida de sua postura, mantendo os sapatos sempre limpos e bem guardados. O Batista é pão-duro, não quer gastar em sapatos novos, então engraxa os que já têm todas as noites, e até deixa de acelerar o carro, não brecar e gastar a pastilha de freio.

Os sapatos de Batista duram anos, enquanto os de João só duram seis meses. Agora apliquemos esse exemplo a nosso assunto. Um trabalhador que cuida de seu protetor auditivo, lavando-o (se for do tipo pluge), trocando a almofadas (se for do tipo concha) e guardando-o em lugar limpo, terá um protetor cuja vida útil será muito mais longa do que seria sem esses cuidados, como por exemplo: deixar o protetor auditivo cair no chão sujo sem lavá-lo depois e guardá-lo em lugar úmido e sujo. Será que temos a resposta à pergunta

Qual é a Vida Útil do Protetor Auditivo? 
NÃO TEMOS, porque não existe. Mas temos algumas pesquisas e trabalhos muito limitados em estatísticas e feitos por pessoas que utilizaram poucos tipos de protetores auditivos.
Então, temos apenas alguma idéia do período de tempo de uso do protetor. Assim, quando afirmamos que um par de sapatos pode durar um período que varia de 6 meses a 2 anos, podemos dizer que um protetor tipo concha pode durar de 6 meses a 3 anos, o tipo plugue de
espuma expandida com superfície selada (não permite a penetração de líquidos) pode durar até 15 dias. Um plugue de espuma expandida, descartável, com superfície porosa pode durar apenas um ou dois dias, e o plugue de silicone ou borracha pode ser utilizado de um mês a dois anos.

São períodos nos quais se deve considerar que as características que o protetor auditivo pode perder até 3 dB de sua atenuação original (quando era novo). É recomendado que o trabalhador leve seu protetor quando vai fazer testes audiométricos periódicos (a cada 6 meses ou um ano) e mostrar para o(a) fonoaudiólogo(a) como ele usa e coloca o protetor auditivo. Além disso, é interessante que sejam ministradas aulas particulares sobre a colocação, o uso e a manutenção do protetor nesse momento.

Além disso, o fonoaudiólogo(a) pode ajudar na decisão de trocar ou não o protetor auditivo ou até mesmo só trocar a almofada (caso seja do tipo concha). Agora podemos fazer mais levantamentos e pesquisas em uma determinada empresa em um ambiente específico, utilizando certas marcas e modelos de protetores auditivos, com uma população de trabalhadores específicos para determinar o período de troca dos protetores auditivos.

1. PROBLEMAS DE UTILIZAÇÃO DOS PROTETORES AUDITIVOS
Na maioria das situações industriais, conforto e durabilidade são fatores mais importantes do que um ganho de poucos decibéis de atenuação, considerando‑se que a atenuação alcançada já é razoável. Os projetos e instruções de uso de protetores auditivos devem considerar os seguintes fatores:

1.1. HIGIENE
A maioria dos problemas de higiene está associada ao uso dos tampões que podem provocar infecções ou doenças no ouvido. Tampões devem ser sempre guardados limpos e devem ser colocados com as mãos limpas, livres de produtos químicos, óleo, graxa, etc. Os tampões do tipo pré-moldado, incluindo seu estojo de transporte e guarda, devem ser limpos no mínimo uma vez por semana. Para realizar essa limpeza, fervem-se por quinze minutos em água o estojo e os tampões. Em determinados ambientes de trabalho, os protetores auditivos do tipo concha podem causar certa transpiração no usuário que pode ser reduzida com a utilização de materiais do tipo gaze cirúrgica ou similar entre as conchas e a cabeça. Os protetores auditivos do tipo concha raramente causam infecções no ouvido e representam uma boa alternativa quando isso ocorre com os tampões.

1.2 DESCONFORTO
O desconforto surge como decorrência da firmeza com que os protetores devem ser colocados. Afinal, o protetor auditivo é, na realidade, um elemento estranho ao corpo, mas com o tempo, as pessoas acostumam-se a usá-los. Os tampões de espuma expandida são menos desconfortáveis.
Os protetores auditivos do tipo concha e os tampões moldados são razoavelmente confortáveis, embora as alças de fixação causem um certo desconforto.

1.3 EFEITOS NA COMUNICAÇÃO VERBAL
Em ambientes com níveis de ruído em torno de 95 dB(A), em faixas de frequências distintas da faixa da fala humana, as atenuações dos protetores auditivos não devem interferir com a inteligibilidade da comunicação, quando a voz for mantida razoavelmente alta – na realidade, podem até melhorá-la. A implantação do uso regular de protetores auditivos deve ser precedida por um treinamento dos usuários quanto às dificuldades originadas do seu uso.
Na prática, o usuário se adapta à nova situação e usa os movimentos dos lábios, das mãos e/ou do rosto como complementos da comunicação.

1.4. EFEITO NA LOCALIZAÇÃO DIRECIONAL
É evidente que pessoas que estejam utilizando o protetor auditivo do tipo concha percam, um pouco, o senso de localização das fontes de ruído. No caso dos tampões de ouvido, por não cobrirem todo o ouvido externo, o efeito é menor, sendo que o senso de localização ocorre no cérebro por processo de correlação cruzada. Se o senso de localização for importante para a segurança, deverá ser referido o uso de tampões.

1.5 SINAIS DE ALARME
Nas áreas onde os trabalhadores utilizam protetores auditivos é necessário que os sinais de alarme sejam modificados de maneira a permitir que as pessoas sejam adequadamente alertadas nos casos de risco. Sinalização luminosa e colorida pode ser usada em conjunto com a sinalização auditiva, especialmente para trabalhadores com alta perda de audição.

1.6. SEGURANÇA
Todos os protetores auditivos devem ser projetados de modo a minimizar os possíveis riscos de lesões a seus usuários. Portanto, não devem possuir componentes pontiagudos ou serem fabricados com material granulado que pode se desprender e contaminar o ouvido. Quando protetores auditivos do tipo concha e capacetes forem utilizados conjuntamente, ambos devem ser construídos de modo que cada um atenda a seu objetivo sem que haja interferência de um sobre o outro.
Uma das vantagens dos protetores auditivo do tipo concha em relação aos tampões é a facilidade na fiscalização de seu uso, pois as conchas coloridas são facilmente visualizadas a longa distância.

1.7 EFEITO DA PERCENTAGEM DO TEMPO DE USO
O uso constante do protetor auditivo durante toda a jornada de trabalho é muito importante. A Figura 1 mostra a atenuação real fornecida por protetores auditivos em função da porcentagem do tempo de uso. Por exemplo, imagine que um trabalhador use um protetor auditivo que fornece 25 dB(A) de atenuação. Se esse protetor for usado em somente 95% do tempo, apresentará atenuação de 20 dB(A). Agora se for usado em somente 50% do tempo, apresentará um atenuação de apenas 3 dB(A), conforme ilustra a Figura 1.


2 SELEÇÃO, USO, CUIDADOS E MANUTENÇÃO
Uma vez que existem muitos tipos diferentes de protetores auditivos que podem ser usados em diversos ambientes de trabalho, é desejável que se escolha o protetor auditivo mais adequado a cada caso. Essa seleção deve levar em consideração fatores como:
Certificado de aprovação do protetor auditivo.
Atenuação necessária de ruído do ambiente.
Conforto do protetor auditivo para o usuário.
Ambiente e atividade de trabalho.
Distúrbios médicos.
Compatibilidade com outros EPIs, tais como: capacetes, óculos, etc.
Existem cerca de 2.000 tipos, modelos e marcas de protetores auditivos em nível internacional. Assim torna‑se difícil escolher o protetor auditivo adequado. Conforto e aceitação do usuário devem ser considerados como os parâmetros mais importantes para a seleção do protetor auditivo. Essa seleção deve ser feita envolvendo o usuário.
Uma forma prática é selecionar vários tipos de protetores e fornecê-los aos usuários para que experimentem e escolham o tipo a que melhor se adaptam.

3 CERTIFICADO DE APROVAÇÃO
Devem ser selecionados apenas protetores auditivos com Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego em conformidade com a NR-6.

ATENUAÇÃO NECESSÁRIA DE RUÍDO DO AMBIENTE
É desejável que o protetor auditivo reduza o nível de ruído acústico a valores abaixo do nível de ação; entretanto, deve-se também evitar o isolamento do usuário pela dificuldade em perceber sons. Cuidados devem ser tomados para que não se selecionem protetores auditivos que forneçam atenuação mais alta que a necessária. Tais protetores podem causar dificuldades na comunicação ou serem menos confortáveis do que protetores auditivos com atenuação adequada e, conseqüentemente, os usuários tenderão a usá-los por menos tempo.

AMBIENTE DE TRABALHO E ATIVIDADE

1 - Alta temperatura e umidade
Trabalho físico, especialmente em ambientes com altas temperaturas e/ou umidade, pode causar sudorese severa e desconforto quando do uso de protetores tipo concha. Nesses casos, os protetores tipo inserção são preferidos. Se forem usados protetores tipo concha, devem ser usadas finas coberturas de absorventes.
Como não é possível julgar subjetivamente a alteração na atenuação que pode ser causada pelo uso de coberturas sobre as almofadas, devem-se procurar produtos que possuam dados de atenuação para a combinação de concha e cobertura.

2 - Poeira
Quando se trabalha em ambientes com poeiras, uma camada de sujeira pode se acumular entre as almofadas e a pele o que pode, eventualmente, causar irritação da pele. Nesses casos, deve‑se dar preferência aos protetores de inserção descartáveis ou de conchas com coberturas.

3 - Exposição repetitiva por curtos períodos de tempo
Deve ser dada preferência a protetores tipo concha e protetores tipo capa de canal em casos de exposição repetitiva por curtos períodos de tempo, porque a colocação e a remoção são rápidas e fáceis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
No custo da implantação de protetores auditivos, como solução para conservação da audição, devem ser incluídos os seguintes parâmetros:
1 - Custo dos protetores.
2 - Custo de manutenção ou reposição dos protetores.
3 - Custos administrativos (pedidos de compra, exames audiométricos, etc).
4 - Custo de conscientização e educação (filmes, palestras, treinamentos, etc).  Quando se faz um levantamento desses custos para um determinado período (por exemplo, dois anos), o montante deverá ser comparado com o investimento para a implantação de outros tipos de soluções para a redução do ruído.

O controle individual da exposição ao ruído pelo uso de protetores auditivos implica uma série de vantagens e de desvantagens, conforme o caso. Quando se planeja um programa de implantação de proteção individual, o usuário deve aparecer em primeiro lugar. É claro que não adianta implantar um programa de utilização de protetores auditivos quando os trabalhadores dão preferência aos rendimentos extras por insalubridade.

Uma campanha de conscientização deve ser feita em todos os níveis hierárquicos da empresa, com palestras, filmes, estudo de casos, demonstrações práticas, apresentação de dados de exames audiométricos, etc, antes da execução de qualquer programa de uso de protetores auditivos. A escolha do melhor protetor auditivo no mercado deve ser baseada na aceitação dos usuários em usá-los 100% do tempo da jornada de trabalho, isto é, cada usuário escolhe seu protetor preferido entre os tipos recomendados. Fonte: Revista ABHO / Edição 34 2014 - Samir N. Y. Gerges  Rafael N. C. Gerges e Roberto Alexandre Dias

 

 

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quarta-feira, julho 26, 2017

Os fatores de explosão do silo DeBruce


Há dois modelos básicos para explicar uma catástrofe acidental como ilustrado na figura 1/1A.

O NEGATIVO
E a mais comum explicação é que um evento inexplicável, aleatório e imprevisível  (como o bote de uma serpente) controlado para iludir ou penetrar na vasta complexidade das medidas preventivas que foram planejadas e colocadas em práticas através da história   para prevenir sua ocorrência. Este ponto de vista é de longe o mais comum. É mantido pelos jornais, por políticos, e pelo público geral. Produz a freqüente e a incrédula pergunta? ”Como no mundo poderia acontecer ainda tal coisa?”.




O segundo modelo, em contraste direto ao primeiro, propõe que tal desastre é “um evento evidentemente bem sucedido, projetado e permitido por decisões gerenciais que põem no lugar todos os componentes necessários”.

Esta perspectiva positiva opõe-se a idéia que qualquer um deve ser surpreendido ou mistificado pelo evento. Apesar de tudo, foi projetado para acontecer!
Figura 1A-explosao
Quando o último fator necessário foi colocado no lugar, a catástrofe ocorreu de acordo com a programação, com o resultado que podia e deveria ter sido prontamente previsto e esperado. Nenhuma atribuição a “um ato de Deus” aqui.
O primeiro modelo comumente provoca uma resposta histérica, irracional, e reação intempestiva. Medidas supostamente corretivas, algumas que podem mesmo agravar a situação, mais adiante.

Sem reconhecimento de que tais perdas provavelmente possam continuar, até que seja empregada uma perspective geral de perda, um outro remendo é colado em um balão de escape (o autor explica, enquanto não analisar de forma global as perdas, as correções serão feitas por tentativas).

Por outro lado, o segundo modelo não atribui catástrofe para deliberar intenção ou planejamento diabólico pelos responsáveis pela decisão. Em vez disso, propõe que as decisões que coletivamente provocaram o desastre foram estabelecidas numa base individual, separada, não coordenada. Cada decisão foi uma gota d’água colocada num copo d’água e a última gota fez com o que o copo transbordasse. Ninguém viu as gotas como uma “carga”. Não houve nenhum ponto de vista abrangente que permitisse que as gotas fossem vistas simultaneamente e sistematicamente.

A explosão do silo da empresa DeBruce ocorreu justamente de acordo com qualquer outra explosão de silo. A respeito da causa, era idêntica a todas as outras. Cada uma necessita cinco coisas para acontecer simultaneamente. Em 8 junho 1998 em Wichita, os cinco fatores exigidos mostraram às 9 h 20 min, porque uma série de decisões da gerência da empresa permitiu sua ocorrência.

Importante perceber, todos os cinco fatores estão sempre presentes em qualquer silo de grão, mas não no mesmo momento, na mesma posição no interior do silo. A chave para  evitar uma explosão, então, é para prevenir o fator concorrente.

Um modelo conveniente e relevante para discutir os cinco fatores exigidos para explosão de um silo é conhecido como “pentágono da explosão”.
 Seus cinco lados são;
1- combustível (grão em pó),
2 – oxidante (ar),
3 – contenção do combustível e oxidante em confinamento (silo),
4 - dispersão do combustível no ar, e
5 - ignição.

 

 



O COMBUSTÍVEL (PÓ) – O PRIMEIRO LADO DO PENTÁGONO DA EXPLOSÃO 
A fonte de força compacta que destruiu o silo era nada mais do que finas partículas de grão. Estas partículas são comumente referidas como pó de grão. Entretanto, esta terminologia tem criado e difundido confusão e equívoco, mesmo entre aqueles que trabalham em silos. Muitos acreditam que o pó significa a sujeira mineral, tanto quanto aqueles que encontrariam ao redor dos seus lares.

Afinal, pano de chão, pano de pó são artigos comuns nos lares. Esta confusão é aumentada  na indústria de grão porque a manutenção apropriada de um silo é chamada de limpeza (housekeeping). Conseqüentemente, uma das distinções mais importantes a ser feitas para evitar explosões é reconhecer o caráter mortal do pó.
O açúcar em pó, leite em pó e o carvão em pó são termos comuns, mas de algum modo o grão pulverizado tornou-se conhecido como pó de grão (partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos ou atritos). Assim somente para finalidade de compreensão, combustível é discutido como pó de grão.

O pó de grão é criado por esforços mecânicos que são colocados na semente durante o processo de manipulação (incluindo a secagem). É simplesmente partículas minúsculas do pericarpo ou pele que envolve o grão. Sob um microscópio, esta pele assemelha-se a escama de peixe. Quando o grão é mexido ou agitado, aquelas escamas são desgastadas por atritos e tornam-se livre como pó de grão.

O processo de manipulação de grão inicia, certamente no campo, onde os grãos são removidos de seu formato de crescimento. E continua através de muitos estágios antes que o grão alcance seu estado final de utilização. A quantidade de pó produzido por cada etapa, provoca remoção de uma parcela do grão, resultando numa leve perda de peso no volume do grão.
Vários desses estágios ocorrem no silo. Tipicamente a massa básica, 90% de partículas de pó têm um diâmetro inferior a 200 u (duzentos micros ou 0,2 milímetros).

Num silo, este pó pode estar suspenso no ar, assentado em superfície horizontal ou esteja aderindo às superfícies verticais. Pode estar facilmente visível nas instalações ou escondidos em locais fora do campo de visão.
Há muito folclore na indústria de grão sobre “quanto de pó é importante?”, que é crítico para reconhecer a base científica para seu explosividade. Um dos critérios iniciais que devem ser estabelecidos é o estado mecânico do pó, se está depositando ou aderindo às superfícies (passivas) ou se está em suspensão, transportando por via aérea, (ativo).

A quantidade de combustível disponível é bem enganosa se esse depende somente de quanto parece estar suspenso no ar. Por exemplo, somente 400 u (quatrocentos micros) de pó depositado (passivo) apenas no piso em uma sala, com pé direito de 2,40 m distribuído uniformemente em todo o volume da sala é bastante para explodir a sala inteira.
E uma pequena quantidade deste pó pode ser distribuída em toda sala de um pequeno volume e ainda produz uma mistura explosiva. Assim é importante utilizar o conceito de densidade de carregamento (quantidade de composição de propelente ou pirotécnico por unidade de volume expresso em g/cm3).

Se o pó está sempre em suspensão no ar (estado ativo), pelo critério popular que tem sido largamente difundido, que talvez possa ser tão enganoso em alertar os trabalhadores para o risco de explosão.
Um exemplo: “Se você não pode ver sua mão na frente de seu rosto, ele pode ser perigoso?” Se uma pessoa estiver numa sala ou numa área confinada, onde isto é verdadeiro, mais do que provavelmente o piso, as paredes, o teto, e todas superfícies restantes são carregados com o pó depositado, esperando a mais leve perturbação que converterá seu estado passivo ao estado ativo.

Infelizmente, mesmo as vozes profissionais acreditam ser confiável a respeito das explosões de silos, continuam a expressar idéias e conceitos que perpetuam o equívoco sobre o risco do pó.
Para ilustrar este ponto, Robert Shoeff, professor aposentado da Universidade de Estado de Kansas,  conhecido como historiador de explosão de silo foi citado largamente como dizendo, "o pó de grão que se encontra no silo é inofensivo”.

Lamentavelmente essa declaração é falsa e enganadora. Entretanto, ela gera e reforça o descaso entre os proprietários, operadores, e os empregados sobre o risco inerente de explosão de pó.

Sem nenhuma dúvida, o mais importante dos cinco fatores em explosões de silo é o combustível, não apenas de sua prevalência, mas sua facilidade de adaptação para manejo.

Figura 2-1 – OSHA -
Seu risco inerente é ignorado virtualmente na indústria de grão, com muitos olhando, como impossível controlá-lo. A gerência da empresa tinha pleno conhecimento do estado total de  descontrole do pó e ao mesmo tempo recusando reparar ou substituir equipamento de controle de pó que estava com defeito.

Compreendendo o potencial incrível liberado numa explosão de pó, que desafia a imaginação do homem comum.

As figuras 2-1, 2-2 2-3, devem ajudar em aumentar a consciência pública das forças que se desencadeiam contra as estruturas de concretos, reforçado com o aço, não somente em uma área localizada, mas totalmente na extensão da estrutura compacta. 




O OXIDANTE (AR), O SEGUNDO LADO DO PENTÁGONO DA EXPLOSÃO
Está também universalmente presente nos silos. É irmão gêmeo do combustível, eles combinam para fornecer a mistura química mortal que levanta milhões de toneladas verticalmente e é ouvida a 16 km de distância, como aconteceu em Wichita.

Figura 2-2 – OSHA

Porque a maioria dos silos está raramente localizada em altura elevada e a disponibilidade do oxigênio é adotada.

CONTENÇÃO – COMBUSTÍVEL E OXIDANTE

Os silos são talvez as estruturas ideais para explodir.

Primeiramente, seu projeto consiste uma quantidade de túneis (como se fosse cano de uma arma, um tubo inteiriço de aço,  destinado a receber o cartucho, resistir às pressões geradas pela deflagração da carga, através do qual o projétil é guiado, desde o momento que é disparado até o momento de sair do interior da arma), galerias extremamente longas, corredores retos ou  salas que parecem como uma arma.

Em segundo, muitos destes corredores, especialmente os túneis subterrâneos e silos, têm somente únicas saídas, em suas extremidades. Em outras palavras, eles permitem uma onda da explosão, uma vez que entra, não há opção, com exceção para expandir e acelerar para cima ou para baixo pelo canal, até as saídas nas extremidades, onde descarrega a força destruidora, provocando os danos.

Figura 2-3 – OSHA – Danos no silo – extremidade Norte

Em terceiro lugar, estes vários túneis (canos de arma) geralmente são conectados numa rede em que explosão e o fogo estão livres para entrar, girar, expandir, acelerar e desintegrar alguma coisa que pretende contê-los.

Em quarto, todos estes túneis (canos de arma) estão carregados todo tempo com uma incrível munição poderosa (seis vezes mais explosivo do que a pólvora negra!).

Quinto, a construção do silo consiste geralmente concreto reforçado que fornece resistência estrutural suficiente para permitir pressão de impacto (condição resultante da ignição pré‑comprimida dos gases em compartimento ou subdivisões, menos aqueles em que a ignição foi iniciadora) que assim causa a propagação da explosão antes da desintegração em todas as direções.

Assim o terceiro lado do pentágono da explosão-contenção e confinamento da mistura poderosa, combustível e oxidante (ao menos para as origens da explosão)

É profundamente acessível e pronto o tempo todo para a explosão violenta. O silo da empresa DeBruce, devido ao seu tamanho e complexidade, pode ter fornecido o exemplo clássico como a contenção inicial, subitamente, transforma‑se em desintegração.


DISPERSÃO DO COMBUSTÍVEL NO AR - O QUARTO LADO DO PENTÁGONO DA EXPLOSÃO, TRATA-SE DA ASSOCIAÇÃO.
Os gêmeos, combustível/oxigênio, devem ter a relação correta para cada um deles ser perigoso. Ao contrário de outras misturas combustível-ar, onde a combinação do combustível e o oxigênio pode ser tão rica (muito combustível) ou tão pobre (pouco combustível) como a mistura, ar e combustível de um carburador de um carro, o pó não tem nenhum limite superior de explosividade. Uma vez que a proporção de pó para o oxigênio alcança o limite inferior de explosividade, os resultados são inevitáveis e geralmente devastadores.
Uma explosão de pó inicial, entretanto grande ou pequeno, exige combustível em suspensão (pó) para encontrar a proporção adequada de oxigênio. Entretanto, a partir desse momento, a quantidade de camada de pó (passivo) disponível no caminho da explosão tornará, subitamente, dispersiva, inflamar-se-á, e continuará numa cadeia de explosões sucessivas e cada vez mais severas, como ocorreu no silo da empresa DeBruce.
Este ponto crítico é ignorado, negado, ou suprimido pelos gerentes do silo que acomodam com a existência de quantidades excessiva de pó.


IGNIÇÃO - O QUINTO LADO FINAL DO PENTÁGONO DA EXPLOSÃO
É geralmente reconhecido como importante. Entretanto, seu papel na explosão, enquanto  necessária, não é necessariamente sua “causa” As fontes de ignição fornecem a energia inicial exigida para conseguir uma reação química auto-sustentável, tal como o processo de combustão de uma explosão de pó.

Mas deve ter em mente que a maioria, se não todo, as fontes de ignição potenciais em uma explosão de pó têm energia distante em excesso (vários ordens de magnitude) de energia mínima de ignição exigida  para inflamar uma mistura ar e pó.

Uma fonte de ignição identificada não necessita fornecer a ignição direta de uma explosão. Pode diretamente conduzir o fogo que pode permanecer não detectado por horas, somente mais tarde, para agir como uma fonte de ignição muito eficaz para uma explosão.
O aspecto mais original da ignição é que este final do “efeito dominó” da figura 1-1 colocado em prática no lugar. Todos os outros fatores do “efeito dominó” podem ter estado no lugar por anos, esperando esse final.

A gerência pode intervir, todo o tempo, para examinar ou modificar seu significado. Em contraste, a ignição é “a peça do dominó que chega de surpresa” sem aviso ou possibilidade de intervenção.
Esta característica da surpresa, porque exclui de imediato a neutralização, faz da ignição o “efeito dominó” com menos assunto para predição e controle sistemático.

Pó exemplo, onde o relâmpago é uma fonte de ignição, não há nenhuma possibilidade para a gerência controlá-lo. A única possibilidade de evitar a explosão encontra-se em remover ou em modificar os outros fatores do “efeito dominó”, de modo que o silo torna-se impermeável à ignição.
Esta característica original da ignição conduz ao erro o mais sério para gerentes do silo, focalizando exclusivamente em fontes de ignição para evitar explosões do silo. É compreensível que a ignição parece ser a chave lógica e adequada  para evitar a explosão.

Certamente não há explosão que pode ocorrer sem ignição. E os quatro outros fatores do “efeito dominó” são menos dramáticos. Entretanto, eles parecem fixos e estáticos, enquanto as fontes de ignição sozinhas são dinâmicas. Mas um daqueles quatro fatores restantes, o combustível é também dinâmico em vez de estático. Entretanto, é totalmente controlado, enquanto as fontes de ignição podem ser parcialmente identificadas, deixando-as sozinhas controladas.
O pó, naturalmente, é como os passos de uma criança. Apesar disso, o grupo está convencido inequivocamente que a prioridade mais importante para evitar a ignição, deve ser atribuído à remoção do combustível disponível (pó) se as explosões do silo devem ser prevenidas.

A causa da explosão do silo da empresa DeBruce não foi a fonte de ignição. Foi a imensa quantidade de combustível residual existente por toda a extensão do complexo do silo.

Fonte: @ZR, U.S. Department of Labor – OSHA - Occupational Safety and Health Administration

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