DESASTRES CLIMÁTICOS CAUSARAM PREJUÍZOS DE R$ 28 BILHÕES AO BRASIL EM 2025
Os desastres climáticos que
atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$
28,4 bilhões, aponta relatório da Aon, corretora e consultora de riscos sediada
no Reino Unido.
O número representa uma queda
em relação a 2024, quando os eventos extremos no país provocaram danos de US$
12 bilhões (R$ 62,8 bilhões na cotação atual), de acordo com a empresa. Naquele
ano, o montante foi impulsionado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujos
estragos somaram US$ 5 bilhões.
Beatriz Protasio, CEO de
resseguros para o Brasil na Aon, afirmou que o Brasil saiu de um patamar
histórico de baixo risco catastrófico para uma recorrência de perdas
multibilionárias.
"O nível de prejuízo
permanece acima das médias históricas do início do século, refletindo a maior
frequência de eventos extremos e a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e
do setor agrícola", diz.
SECA
A empresa calcula que as
secas causaram danos de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões) no último ano, 88% do
total. Protasio aponta que a estiagem afetou principalmente as regiões
Centro-Oeste e Sudeste, com impactos ao agronegócio, à geração de energia e ao
abastecimento de água.
TEMPESTADE
Tempestades geraram prejuízos
de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões), ou 11% do registrado, aponta o relatório,
e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do
Sul.
INUNDAÇÃO
O documento também identifica
prejuízos milionários com inundações concentradas no Sul, mas não oferece um
valor exato dos danos. Protasio diz que ainda há desafios em obter dados
precisos sobre esse tipo de fenômeno, devido às limitações das redes de medição
e à subnotificação de eventos em áreas menos urbanizadas.
PREJUÍZOS
As estimativas consideram
impactos à infraestrutura pública, às propriedades privadas e ao setor
produtivo, além de interrupções da atividade econômica. A metodologia combina
dados de fontes governamentais, seguradoras, resseguradoras, órgãos de defesa
civil e modelagens de risco catastrófico, explica a CEO.
Para Protasio, o cenário
reforça a urgência de uma agenda estruturada na gestão de riscos climáticos,
com foco em prevenção, alertas antecipados, modelagens e mudanças culturais.
PREJUÍZO GLOBAL É DE US$ 260
BILHÕES
A Aon contabiliza 49 eventos
extremos que geraram perdas econômicas na casa de bilhões de dólares em todo o
planeta em 2025, superando a média de longo prazo, de 46. Quanto aos desastres
com danos cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o
dobro das 17 esperadas para o ano, indicando a "acumulação de catástrofes
de médio porte cada vez mais frequentes".
Ao todo, os prejuízos globais
somaram US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, uma queda em relação aos US$
397 bilhões (R$ 2 trilhões na cotação atual) registrados em 2024 e o menor
valor desde 2015, segundo o relatório.
Apesar disso, o ano teve desastres
extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$
58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e
se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, de acordo com o
documento.
O furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, gerou prejuízo de US$ 11 bilhões, sendo US$ 9 bilhões apenas na Jamaica. Uma análise científica do grupo World Weather Attribution apontou que as mudanças climáticas ampliaram o poder destrutivo do fenômeno, com ventos 7% mais fortes do que o esperado em um mundo sem aquecimento global. Fonte: Folha de São Paulo - 5.fev.2026
Marcadores: Meio Ambiente
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