Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, setembro 29, 2015

Danos da natureza – vendaval e inundação

RISCOS DE VENDAVAL
A maioria dos acidentes ocorre em construção de grandes vãos livres, tais como; hangares, galpões industriais, armazéns, supermercados, painéis de publicidade, ginásios de esportes, etc.
O acidente típico é o destelhamento parcial ou total da cobertura. Em outros casos, paredes inadequadas construídas por painéis de vedação (metálica ou plástico) com ancoragem inadequada na estrutura.

Durante o vendaval, se uma parte do edifício se rompe (cobertura, destelhamento, arremessando às vezes a grande distância, telhas, como se fosse um míssil, podendo atingir outras edificações), o vento penetra para o interior do edifício, arrancando as outras paredes externas e telhados sucessivamente, causando grandes danos (geralmente o vendaval é acompanhado por chuvas de granizo ou chuvas fortes).

Por outro lado, a água da chuva penetra pela parte destelhada, causando  prejuízos  nos  equipamentos,  mercadorias  (matéria  prima, produto acabado, etc), provocando interrupção na produção ou no retorno da atividade normal de trabalho (limpeza, revisão dos equipamentos, etc).

MEDIDAS CONTRA VENDAVAL
A empresa  deve  obter  junto  aos  órgãos  públicos (serviço  de meteorologia) a incidência de ventos na região ou através de empresa especializada em climatologia, efetuar uma análise da caracterização do regime de ventos fortes para a região.
 ■ A empresa deve ter disponível ou obter imediatamente lonas plásticas para que possa se utilizada na proteção do telhado (aberturas causados pelo vendaval) ou na proteção de equipamentos e mercadorias (matéria prima, produtos acabados, etc)
■ Manutenção da estrutura do telhado, inspecionando se as telhas estão com fixadores (ganchos ou parafuso) em perfeitas condições.

RISCOS DE INUNDAÇÃO

Podemos indagar por que as inundações acontecem e as técnicas que podem ser usadas para diminuírem os prejuízos das edificações e pessoas que vivem nos locais inundados.

■ O que provoca uma inundação? Por que elas ocorrem sempre nos mesmos lugares? As inundações estão associadas com o desenvolvimento econômico? Os moradores da região têm parte na culpa?
■ O que acontece com o  solo quando recebe água por um tempo prolongado?
■ Que atitudes artificiais poderiam prevenir ou poderiam protelar as inundações?
■ De que forma poderia resolver o problema das inundações num certo local?  O que podemos fazer? 
■ Que locais geográficas são mais propícios a inundações?
■ Deveria existir um método de vigilância nos locais onde costuma ocorrer inundações? Como ele funcionaria?
■ De que forma as pessoas podem se prevenir contra inundações?
■ Que aspectos da infra-estrutura de um da região podem ser afetados por uma grande inundação?
■ Em que época do ano acostuma ocorrer inundações na sua cidade?
Essas indagações são importantes para que a empresa possa delinear através de um plano de emergência, quais as medidas a serem tomadas diante de um alagamento ou inundação.

ORIGEM DA INUNDAÇÃO
A área propensa à inundação é uma área geralmente na proximidade de um rio, córrego, lago, baía ou mar, a qual pode ser inundada sob condição adversa. Uma condição adversa pode originar de várias causas, capaz de danificar estruturas ou edifícios.
A inundação ocorre quando o nível d´água eleva-se acima do nível normal, tal como; inundação de um rio, inundação de áreas não normalmente alagáveis (áreas secas sujeitas à inundação).
O rio é o principal cenário quando a vazão da água ultrapassa o nível normal. Quando a água do mar ultrapassa o nível mais baixo da costa litorânea, geralmente não coberta pela ação da maré, ocorre a inundação da costa. A maioria das causa de inundação é a incidência de chuva, quando os fatores propícios combinam-se e interagem para maximizar a superfície de escoamento.

Podemos dividir os danos causados por água em:
■ transbordamento de rio, próximos a empresa.
■ refluxo de água através do sistema de esgoto e água pluvial, devido ao transbordamento de córregos e rios.
■ transbordamento conjugado de maré alta e rio (índice pluviométrico elevado)

No caso de região urbana podemos considerar dois fatores: 
■ Drenagem Urbana e
■ Inundações Ribeirinhas.
O escoamento pluvial pode produzir inundações e impactos nas áreas urbanas devido a dois processos, que ocorrem isoladamente ou de forma integrada:

INUNDAÇÕES DE ÁREAS RIBEIRINHAS:
Os rios geralmente possuem dois leitos, o leito do rio onde a água escoa na maioria do tempo e a várzea o leito maior, que foi ocupado por população ou por obras viárias.  

INUNDAÇÕES DEVIDO À URBANIZAÇÃO:
As enchentes aumentam a sua freqüência e magnitude devido à ocupação do solo com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. O desenvolvimento urbano pode também produzir obstruções ao escoamento como aterros e pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e assoreamento; 
A quantidade de chuva por unidade de tempo (intensidade) e o total do tempo da chuva (duração) são importantes para determinar a intensidade da inundação.
Chuvas localizadas, intensos temporais podem criar condições de inundação em pequenas bacias de drenagem. Locais próximos aos rios, riachos ou litorais são geralmente susceptíveis para inundação, particularmente se a elevação do solo é quase próxima ou a mesma da fonte de inundação ameaçadora (exemplo, as várzeas dos rios que foram extintas nas grandes cidades pela construção de avenidas ou edificações).

Um local com superfície relativamente plana, independente se está acima da elevação de um volume de água, pode facilmente tornar-se alagado por chuvas intensas. Quando, riacho ou rio  transborda após uma chuva intensa ou prolongada, a extensão dos danos da inundação depende principalmente da topografia, da característica do curso d´água e a extensão da inundação. Deslizamento de terra, canal obstruído ou precipitação pesada pode causar somente inundação em local montanhoso e fundo de vale.

Essas condições anormais combinada com elevada precipitação de chuva que provoca aumento do  nível d'água  próxima à foz do rio e do córrego.
Os índices elevados de precipitação pluviométrica saturam o solo e  a água controla o percurso d`água anormal existente (a água flui para o leito anteriormente existente, rios temporários).  O transbordamento de rios e córrego resulta em alagamentos.

O histórico anterior de inundação de uma certa área indica fortemente a susceptibilidade de inundação.

MEDIDAS CONTRA INUNDAÇÃO
A empresa  deve  obter  junto  aos  órgãos  públicos (serviço  de meteorologia) os  meses  onde  ocorrem  as maiores  precipitações pluviométricas, para que possa tomar as medidas necessárias durante a época dessas ocorrências.

Se esta situação for previsível pelo serviço meteorológico ou pela constatação que o  sistema de escoamento de água pluvial está demorando em escoar a água da chuva, a empresa deve estar preparada para acionar o sistema de emergência contra inundação.

Algumas medidas que podem minimizar os  danos :
1. Caso haja córrego, próximo à empresa, solicitar ao órgão público, a limpeza e a dragagem do córrego ou a sua canalização.
2. Tomar cuidado com “ralos" ou caixa de gordura no interior do prédio, que em caso de transbordamento, poderá haver refluxo de água. É necessário colocar um dumper nas caixas.
3. Colocar barreiras contra inundação (porta elevatória com guia e contrapeso),  que em caso de transbordamento,  poderá ser acionada,  funcionando como barreira (comporta), principalmente nas aberturas (portas).

À PROVA DE INUNDAÇÃO
Á prova de inundação inclui projeto ou modificação do edifício ou característica do local para reduzir o potencial de danos de inundação. As proteções passivas podem incluir construção de diques secos, barreiras de contenção e comportas.
As barreiras de contenção e diques geralmente são utilizadas para grandes áreas, entretanto, eles também podem ser práticos e econômicos para um pequeno número de estruturas ou uma única estrutura.
As barreiras de contenção são geralmente construídas de alvenaria ou de concreto. Os diques geralmente são aterros de terra com inclinação baixa ou moderada.
A vantagem dos diques e paredes de contenção é que eles podem proteger algum tipo de estrutura, se forem construídas adequadamente (piscinão).
A vedação em porta ou em qualquer outro tipo de abertura com material resistente a água (existe no mercado internacional, dispositivos apropriados, denominados de flood barriers, para esse tipo de proteção).  
As medidas de controle de contingência para alagamento exigem algum tipo de instalação ou outra preparação antecipada. As proteções de alagamento, portas com vedação ou outro dispositivo de proteção deve ser colocado imediatamente ou antes do alagamento (adotar procedimento quando a empresa encerrar o expediente a obrigatoriedade de todos os sistemas existentes de proteção contra alagamento esteja ativado).

A principal desvantagem com esse tipo de proteção é confiar na intervenção humana durante a situação de emergência extremamente grave.

Se uma nova instalação está sendo construída ou projetada em uma área de provável alagamento, a empresa deveria levar em consideração esse problema, construindo ou projetando o piso inferior para ser o piso acima do nível da base do alagamento, isto é, elevação do piso acima do nível máximo de alagamento existente. Aterros, pilares e estaqueamento podem ser usados para elevar a estrutura.

As necessidades de proteção de emergência contra alagamento devem ser capaz de colocar imediatamente avisos nas áreas de riscos. As atividades devem ser cuidadosamente antecipadas e planejadas.

As medidas de emergência incluem a construção de diques com sacos com areia ou com terra e execução de aterro (ensecadeira de terra). Os diques de contenção são construídos de terra ou areia, utilizando sacos plásticos ou de aniagem que seriam enchidos durante o alagamento (os sacos seriam enchidos durante a iminência do alagamento ou transbordamento).

As proteções com aterro e barreiras de contenção (modular flood barrier) são paredes provisórias executadas com  placas de madeira, que pode ser deixada ao longo de canais tal como “slot” de concreto (estrutura de concreto, onde será fixada ou encaixadas as placas de madeira).

As condições de alagamento são impostas quase sempre  pela ação imediata. Por esta razão é essencial que todo material e plano para operação preventiva adequada deve ser colocado em prática antecipadamente.

Os principais problemas provocados pela inundação  são:
1.prejuízos de perdas materiais e humanas, 
2.interrupção da atividade econômica das áreas inundadas, 
3.contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outros, 
4.contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos entre outros. 

PERDAS MATERIAIS
No caso de inundação, a água contaminada provoca danos corrosivos em máquinas e em equipamentos elétricos que ficaram imersos.
A fim minimizar os danos da corrosão, é necessário que se faça imediatamente à ação preventiva (manutenção e limpeza) dos equipamentos e máquinas afetadas.
Os elementos mais comuns causadores da oxidação e corrosão  são o equipamento exposto à água e ao oxigênio.

Os principais danos provocados pela inundação: 
1.motores, os geradores, os controladores, os acionadores de partida, os switchboards, etc.
2.motores diesel, as engrenagens de redução,  máquinas girantes, sistema hidráulico, etc
3.matéria prima  e mercadoria (dependendo do tipo, perda total)
O processo de ação preventiva (limpeza e manutenção)  deve ser imediato para reduzir as perdas devido à exposição a sais ácidos ou da água contaminada  aos metais e/ou equipamentos elétricos.

MEDIDAS DE SEGURANÇA
O desastre natural, diferente do incêndio é impossível de evitá‑lo previamente. Portanto, quanto à medida é essencial minimizar os danos e mesmo havendo danos, restaurar o mais rápido possível.
O comitê  de segurança (responsável pela elaboração de normas relacionadas a segurança e sua execução), deve preparar as normas de medidas de segurança, com relação a desastres naturais  (vendaval e inundação)  e manual de procedimentos dos funcionários.
Nos manuais devem ter regras como se preparar caso haja a possibilidade de ocorrência de vendaval, tromba d'água, inundação, etc.
Por outro lado é essencial diminuir o tempo de paralisação de operação e  minimizar  seu  prejuízo,  deixando  em  alerta  os  funcionários, encarregados da execução  do plano de restauração de operação após desastre e mantendo o material necessário para esta emergência (bomba de sucção, lonas plásticas, materiais utilizados na secagem de equipamentos).

Curiosidades sobre chuva, meio ambiente e vazamento de água

■ Intensidade de chuva de 1mm/h – equivale a 1.000 litros por metro quadrado
■ Dependendo o tipo de árvore e vegetação existente no local -  de 40% a 50%  da precipitação de água é absorvida pela vegetação.
  
Torneira em gotejamento
46 litros
Torneira com abertura de 1mm
2.068 litros
Torneira com abertura de  2mm
4.512 litros
Torneira com abertura de 6mm
16.400 litros
Torneira com abertura de 9mm
25.400 litros
Torneira com abertura de 12mm
33.984 litros
Fonte : Sabesp - SP

Fonte : @ZR, Tokyo Marine Insurance, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Impactos devido as inundações ribeirinhas, IRI Sentinel – Third Quartier – 1997 - “Flood”

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quinta-feira, setembro 24, 2015

13 Erros mais comuns nos primeiros socorros

1. Tirar um acidentado do carro. Se você viu um acidente de trânsito, deve ter presenciado o desejo das testemunhas de socorrer as vítimas até que cheguem os serviços emergência. A primeira regra de ouro é não movimentar nunca os feridos. “Salvo um perigo iminente de explosão ou queda de objetos, nunca se deve tirá-los do carro nem mudá-los de lugar. Só é preciso controlar como estão” enfatiza José Javier Varo, diretor do Serviço de Urgências da Clínica Universidade de Navarra (CUN).
O motivo é o risco de que exista uma lesão cervical. “Uma fratura instável da coluna cervical pode transformar-se em uma lesão medular se movimentamos a vítima”, adverte Varo.
Se o acidentado é um motociclista, também não se deve tentar retirá-lo do veículo, “a não ser que sua posição esteja dificultando a respiração e comprometendo sua vida”. A explicação: proteger a coluna cervical. O mesmo se aplica no caso de a vítima estar com a boca para baixo: “é preciso deixá-la nessa posição e, no caso de ter de movimentá-la, fazê-lo com várias pessoas, como se ela fosse um bloco”. E, sobretudo, “nunca se deve levar o acidentado a um hospital em um carro particular”.
Água com açúcar não resolve uma lipotimia (desmaio). Melhor deitar a pessoa e elevar suas pernas
 “O melhor que você pode fazer nessas situações é não fazer nada e esperar a chegada da polícia e dos serviços de atendimento de emergência”, conclui.

2. Entusiasmar-se demais com o torniquete. Exercer uma pressão suprema com tiras de pano para conter uma hemorragia é um recurso muito cinematográfico que não se deve reproduzir na vida real. “Disso se encarrega, excepcionalmente, a equipe de saúde”, afirma Varo: “A partir da zona do torniquete se produz uma diminuição do fluxo sanguíneo e existe o risco altíssimo de necrose e de futura amputação do membro. Uma exceção: uma hemorragia muito intensa e abundante”.
Em vez disso, o que fazer? “Comprimir a ferida com uma gaze ou um tecido limpo e elevar (se for possível) a extremidade que sangra”. A compressão deve ser mantida entre cinco e dez minutos, “sem levantar a atadura na metade para comprovar se a ferida continua ou não sangrando”.

3. Tampar um nariz que sangra. É certo que esse é um dos remédios que você contempla desde a infância (outras pessoas advertiam, com acerto, que a única coisa que se consegue com isso é engolir sangue). É hora de se desfazer de crenças erradas. “Nas hemorragias nasais é preciso inclinar-se levemente para a frente, para que o sangue saia fora e não vá para a via respiratória”, indica o especialista. “Também não se deve tampar os orifícios nasais porque a única coisa que se consegue é reter o sangue, mas não a hemorragia.” Se depois de transcorridos alguns minutos o sangramento não parar, recorra a um serviço de emergências.

4. Pôr manteiga sobre uma queimadura. Esqueça a gordura e coloque a região queimada sob água corrente fria durante 10 minutos. “Isso é a primeira coisa que se deve fazer, porque a água fria interrompe o mecanismo de lesão da queimadura”, diz Vara. Depois, tire a roupa se não estiver colada na pele, “mas, se estiver grudada, jamais tente fazer isso”.
Quando a queimadura esfriar, comprove se produziu bolhas. “Se não há bolhas, trata-se de uma queimadura de primeiro grau, e a única coisa a fazer é aplicar creme hidratante, nada de manteiga nem vaselina nem gelo”, insiste. “Se houver bolhas não muito grandes, é preciso aplicar uma pomada antibiótica e proteger a queimadura com um emplastro durante alguns dias.” Nunca se deve furar as bolhas para retirar o líquido nem deixar nada dentro. “Se houver várias, o melhor é recorrer ao pronto-socorro.”

5. Comprimir o diafragma de uma pessoa que engasgou. Quando alguém se engasga e começa a tossir, a tendência imediata é lhe dar pancadas nas costas. “Mas é melhor incentivá-lo a tossir com mais força para expulsar o objeto”, alerta José Javier Varo, que conta que, na asfixia, a situação mais grave ocorre quando a via aérea está completamente obstruída. A pessoa não tosse nem é capaz de respirar. Leva as mãos ao pescoço, seu rosto passa do roxo ao azulado... “Neste caso é preciso lhe dar até cinco pancadas nas costas, entre as omoplatas. Se não se consegue fazer com que ela expulse o corpo, será preciso comprimir o estômago com a chamada de manobra de Heimlich.

6. Provocar o vômito em uma criança que engoliu um objeto estranho. Se o pequeno engoliu uma moeda, não é caso de alarme, já que “é um objeto redondo, sem arestas, e ele o expulsará nas fezes”. Se ingeriu um corpo cortante ou pontudo, “leve-o imediatamente ao pronto-socorro, mas jamais o faça vomitar”.

7. Dar leite para neutralizar o efeito da água sanitária. Outro erro muito comum é obrigar a tomar leite uma criança que ingeriu água sanitária. “Não se deve dar nada de beber para ela, nem leite nem água nem nenhum outro líquido. Nunca administramos um antídoto pela boca porque não são eficazes e podem agravar as lesões. Tampouco se deve provocar o vômito porque o líquido, ao passar pelo tubo digestivo, causa danos ao entrar e sair”, insiste o médico. O correto é recorrer ao atendimento de emergências.

8. Provocar o vômito em quem tomou muitos medicamentos. Nem em crianças nem em adultos se deve forçar o vômito para que saiam os remédios ingeridos. “Consulte o serviço de atendimento de emergências”, aconselha o especialista. No hospital se utiliza carbono ativado para evitar que o medicamento seja absorvido. A lavagem gástrica é um recurso cada vez menos empregado.

9. Desinfetar um ferimento com água oxigenada ou produtos à base de mercúrio. O borbulhar da água oxigenada sobre a superfície da ferida, seguido do roxo intenso do mercúrio-cromo, fizeram parte do ritual antisséptico das feridas por décadas. “Hoje, basta lavar a lesão, só com água, e depois aplicar um pouco de iodopovidona (e), uma combinação mais simples e com maior poder desinfetante, segundo garantem os manuais de primeiros socorros. Se a ferida for grande, coloque uma gaze por cima e vá para o pronto-socorro”.
O chefe de Urgências da CUN também recomenda não usar curativos adesivos para fechar a ferida (tipo Band-Aid). “Não é conveniente, a não ser que o médico indique.”

10. Comprimir o estômago de um afogado para que expulse a água. Vimos centenas de vezes na televisão, mas não devemos repetir, “porque pode passar parte do conteúdo do estômago aos pulmões, piorando a situação”, diz Varo. Diante de um afogamento, o correto é seguir as diretrizes da reanimação cardiopulmonar (RCP): manter a via aérea aberta e comprovar se a pessoa respira e tem pulso. Se isso não acontece, começar as manobras de RCP 8. "Se o afogado está inconsciente, mas respira, deve ser colocado de lado até a chegada da equipe de saúde”, esclarece o médico.

11. Soprar no olho para eliminar um corpo estranho. Quando entra algo no olho, a reação imediata do acompanhante é soprar e tentar retirar com um pano o objeto causador do incômodo. “Não é uma boa ideia porque podemos provocar erosões na córnea. O mais adequado é lavar o olho (com soro fisiológico ou água) para que o líquido arraste o objeto até que saia. Chorar profusamente tem um efeito parecido”, revela Vara.

12. Tirar um objeto que está cravado no corpo. Tentar extrair esse intruso pode piorar as lesões. Por exemplo, “um pau cravado em uma perna talvez afete uma artéria, mas está contendo a hemorragia. Por isso, se é um objeto relativamente grande, é preciso retirá-lo na sala de cirurgia para o médico ir vendo até onde chegou”.

13. Dar água com açúcar num caso de lipotimia. É um recurso tão inócuo quanto ineficaz. O indicado é deitar a pessoa afetada e mantê-la com as pernas elevadas até que a síncope passe. “Abanar ou dar água com açúcar não melhora nada”, conclui o especialista. Fonte: @ZR; El País – Espanha, 21 SEP 2015 

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sexta-feira, setembro 18, 2015

Trabalhadores do Porto de Santos: uso de crack ou cocaína

Pesquisa constatada a partir de um levantamento inédito feito por alunos e professores do Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no complexo marítimo, durante dois anos comprovou: .
■Uma parcela de 25% dos trabalhadores avulsos do Porto de Santos utiliza crack ou cocaína, muitas vezes no ambiente profissional.
■Pouco mais de um terço (34%) confessou fumar maconha.
■ E uma parcela de 88% consome bebidas alcoólicas

O estudo investigou as transformações socioeconômicas ocorridas no País – especialmente no setor portuário – a partir da década de 90. Neste período, foi promulgada a primeira Lei de Modernização dos Portos (8.630/93), que mudou drasticamente a realidade do cais santista e, com isso, a saúde dos trabalhadores portuários avulsos (TPA) – estivadores, conferentes, consertadores, vigias, guindasteiros e trabalhadores do bloco, entre outros profissionais.

Para a realização dessa pesquisa sobre o uso de drogas, os alunos entrevistaram cerca de 780 TPA (trabalhadores portuários avulsos); estivadores, conferentes, consertadores, vigias, guindasteiros e trabalhadores do bloco, entre outros profissionais.

Eles aplicaram os questionários na zona portuária, especificamente nas proximidades dos postos de escalação do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), onde o trabalho do cais é distribuído aos avulsos. As perguntas foram elaboradas por professores de nove cursos da instituição e algumas delas eram direcionadas apenas para verificar os percentuais de uso de álcool e drogas.

Nas idas a campo, os alunos percebiam que esse consumo de substâncias existia dentro do Porto liberadamente. Inclusive, eles detectaram que, durante algumas entrevistas, os trabalhadores estavam usando maconha. E o álcool também, quando eles aplicavam os questionários próximo a algum bar, explicou a psicóloga Adriana Tucci, professora do Departamento de Saúde, Educação e Sociedade da Unifesp-Baixada Santista.

O CONSUMO É QUASE LIBERADO
Segundo Adriana, os relatos dos alunos mostraram que o consumo de álcool e drogas era mais frequente em determinadas áreas do cais santista. “Em alguns pontos do Porto, onde eles pegam trabalho, era mais intenso do que em outros. Perto das unidades do Ogmo até existia. Mas nos pontos mais distantes, era completamente liberado, o que causou certo estranhamento esse tipo de situação, como se fosse uma liberação desse consumo mesmo”, explicou a professora.
Levantamento aponta que consumo de drogas ocorre inclusive no ambiente de trabalho dos portuários avulsos
O consumo de álcool e drogas entre os trabalhadores portuários é mais frequente do que entre outros grupos, segundo a pesquisa. Enquanto 10% da população confirma o fumo da maconha, entre os TPAs entrevistados, a quantidade de usuários da droga chega a 37%.
Os números são ainda mais impactantes quando é analisado o volume de trabalhadores que utilizam crack e cocaína, drogas consideradas altamente viciantes e prejudiciais. Na população geral, o índice de consumo é de 4,6%. Entre os portuários, é de 25%, um em cada quatro.

MOTIVOS
Entre os motivos apontados para o consumo de álcool e drogas durante as operações no Porto de Santos, estão a forma de organização do trabalho e o tipo de atividade exercida no cais santista.
Todos os dias, os TPAs são escalados para os turnos de trabalho às 7, 13 e 19 horas. Em alguns casos, não há vaga para todos e alguns precisam aguardar a próxima chamada. Esta situação causa incerteza ou até mesmo frustração no portuário que não consegue ter o nome designado. “Ele vai na expectativa e não consegue trabalho. Aí, como mora longe ou não tem como pagar a condução, acaba ficando por ali até a próxima escalação. Nesse tempo, pode consumir álcool ou drogas”, explica a professora.
Outra possibilidade levantada pelos próprios trabalhadores é a necessidade de algum tipo de estímulo para o trabalho, que é braçal e exige energia. Nesses casos, a cocaína e o crack são drogas que atuam no sistema nervoso central de forma estimulante.

 “Na nossa visão, o consumo de álcool e drogas está diretamente associado à realidade do trabalho. Esta é uma questão complexa que envolve muitos fatores. É gritante a diferença”, destaca a professora universitária. Fonte: @ZR, A Tribuna - 15/09/2015
Comentário: O Supremo Tribunal Federal é favorável  o porte para uso pessoal a posse de até 25 gramas de maconha, que equivale a 8 cigarros por dia. Em algumas atividades industriais  o prenúncio de acidente será zorra  total.

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segunda-feira, setembro 14, 2015

Conceitos Segurança Comportamental

DEFINIÇÕES

Gráfico- Estudo das proporções de acidentes/Incidentes – Insurance Company of North América – 1969

Os comportamentos são ações que podemos ver e medir. Se os comportamentos estão repetidos ou não depende de suas conseqüências. As ações com resultados positivos tendem a ser repetidas. As ações com resultados negativos tendem a ser evitadas.
O comportamento seguro deve conseqüentemente ser mostrado aos benefícios do rendimento. Estes benefícios reforçarão por sua vez as ações que as produziram. Nesta maneira, a segurança transforma-se um hábito .
Nos locais de trabalhos, os resultados positivos podem incluir; o reconhecimento da gerência, o respeito aos colegas de trabalho, as recompensas de segurança, e, em alguns casos,  programas de incentivo.
Estas são as respostas que incentivam, recompensam, e reforçam o comportamento seguro.

OBSERVADORES
As mudanças no comportamento começam com a observação. Observando trabalhadores executando um determinado trabalho ou utilizando uma determinada ferramenta, é possível identificar que etapas no processo que são seguras e quais envolvem o risco inseguro.
As observações podem então ser usadas para desenvolver check-list  para avaliação do desempenho de saúde e segurança. Os operadores de máquinas estão usando óculos de segurança e proteção auditiva ? Os trabalhadores utilizam cinto de proteção contra quedas?

REFORÇO  DO COMPORTAMENTO
Se através de seus grupos de observadores ou supervisores, é importante que os empregados sejam reconhecidos fazendo a coisa segura. Isto ajuda reforçar o comportamento desejado.
O reforço deve ser consistente e pessoal. Em alguma maneira, o comportamento seguro deve ser feito de valor para disseminar, não no general mas em termos imediatos. Na maioria dos casos isto equivale ao incentivo dos companheiros  dos trabalhadores e dos supervisores .

COMUNICADOS COM FALTA DE CLAREZA 
Para fazer a saúde e a segurança um hábito, a mensagem da gerência deve ser clara e consistente. O objetivo em reforçar o comportamento correto é para mudar ações. Isso não pode acontecer quando os trabalhadores recebem comunicados com falta de clareza
A gerência pode reivindicar ter um compromisso forte com a saúde e a segurança, por exemplo, mas fornece equipamento defeituoso ou de má qualidade  ou que obriga a um padrão de produção que não possa ser encontrada sem risco inseguro (risco não controlado) e cortar custos.
O compromisso total da gerência para saúde e segurança significa apoio assim como controle.

PARTICIPAÇÃO DO TRABALHADOR
A ação de identificar o comportamento correto, de determinar procedimentos apropriados, e de reforçar a saúde e a segurança no trabalho deve envolver os trabalhadores. O trabalhador acostumado com o trabalho pode ajudar para determinar como trabalhar com segurança e eficientemente.
Conduzindo observações ou revendo gravações (vídeo) feitas no trabalho, os trabalhadores podem ajudar para avaliar o que é certo e errado, para desenvolver, então, conseqüentemente procedimentos seguros e check-list.

O desenvolvimento deve
■ identificar as tarefas que envolvem lesões ou o potencial para ferimentos graves
■ determinar riscos potenciais
■ analisar como a tarefa é feita atualmente e que equipamento é usado
■ quebrar a tarefa para uma seqüência das etapas (engenharia de métodos)
■ criar uma lista de verificação que cobre as etapas
■ assegurar  que os procedimentos sejam realísticos e executáveis .

Envolver trabalhadores desde o início ajuda assegurar mais tarde o cumprimento de regras/ normas (compliance) . Também cria um sentido de "propriedade"   e fortalecimento na responsabilidade pessoal e no compromisso ao programa.

CONHECIMENTO X  COMO FAZER
Apenas porque sabemos como fazer trabalho com segurança não significa que o fazemos com segurança.
A diferença pode depender se o procedimento/norma (compliance) foi  imposto de cima ou gerado pelo pessoal de produção (fábrica). Quando os trabalhadores fornecem informações dos resultados do desempenho de saúde e segurança, reforçando ações positivas e corrigindo o negativo, as mudanças no comportamento podem ser mais duradouras e eficazes do que aquelas que resultam do treinamento ou o apenas o cumprimento de normas/procedimentos.

A instrução e a supervisão são citadas freqüentemente como métodos de melhoraria de segurança. Mas o comportamento seguro não pode durar mais do que o programa de treinamento e nem pode desaparecer quando o supervisor não está prestando atenção.
Alguns dos programas de comportamento seguro mais eficazes dependem dos grupos de observadores. A pessoas compartilham o mesmo local de trabalho e executa o mesmo trabalho pode ser uma influência poderosa em promover e em reforçar comportamentos seguros. Estas são pessoas que podem incentivar e treinar outras pessoas .


Programa de segurança comportamental

O gerenciamento de segurança é conseguido através de diversas abordagens ou de sistemas. Tradicionalmente, o foco na segurança estava na “engenharia de riscos” fora do ambiente do trabalho e através de inspeções das condições do local de trabalho.

A abordagem mais comumente utilizada, agora, é a aplicação de procedimentos de segurança.

O gerenciamento concentra muita atenção no “por que” os acidentes e lesões ocorrem e tenta evitar a sua repetição ou acidentes similares A atenção do gerenciamento aumenta à medida que o numero de acidentes aumenta. Porém, isto é uma resposta reativa (reage conforme a ocorrência).

Mais recentemente, a ênfase na segurança deslocou para os comportamentos e as atitudes dos empregados em todos os níveis da organização, assim chamada de segurança comportamental. Isto é uma resposta pró-ativa (é uma atitude positiva, que questiona o processo e sugere mudanças que levem a melhores resultados).

A segurança comportamental refere-se para uma abordagem para o gerenciamento de segurança que focaliza “os fatores pessoais” na segurança.
Trabalha na premissa que a maioria de acidentes são um resultado do comportamento inseguro dos empregados.
Esta abordagem deseja minimizar o comportamento inseguro e aumentar o comportamento seguro dos trabalhadores.

Atrás destas falsas premissas do complexo dinâmico do comportamento humano, atitude, crença  e sistema de valores, as ferramentas mais importantes que estão sendo usadas nesta abordagem são a observação, o feedback e o sistema de incentivo. Com isto o foco deve aumentar a motivação dos trabalhadores para  empenhar em trabalho seguro.

A segurança baseada  em “riscos” refere-se  as capacidade e habilidades do ser humano para identificar, avaliar e entender os riscos em seu ambiente de trabalho e ser competente para analisá los. 

Em qualquer situação de trabalho, haverá sempre um elemento de risco que tem de ser analisado. Como são analisados estes riscos, definimos a “competência de risco”.

O foco da abordagem da segurança comportamental à segurança é para aumentar o comportamento seguro, mas também a competência de trabalhadores para analisar aqueles riscos que são necessários.
As palavras chaves do programa são; segurança, mentalidade, conhecimento, competência de risco e equipe de segurança

 A abordagem do programa é revolucionaria para o comportamento. É aceito que a análise de risco é essencial e fundamental para fazer o trabalho e que nenhum local de trabalho, o trabalho jamais  será feito com “risco livre” (risco não controlado) .
Entretanto, o foco  deve ser os empregados para tornarem-se “competentes” para identificar e avaliar riscos e atuar adequadamente.

Vários pesquisadores  apontam que o “fator humano” é responsável por 72% a 91% dos acidentes industriais. Todos na empresa precisam mudar seu comportamento para que possam dar o exemplo conscientemente, de modo mais seguro.
Esta abordagem aponta  especificamente o ”fator de satisfação“  que é o resultado natural se as pessoas  perceberem que seus procedimentos e ambientes de trabalho sejam seguros.

O programa aponta a mentalidade dos empregados, atitudes e comportamentos. Acrescenta e contribui ao sistema de gerenciamento  de segurança na empresa. Tomando como exemplo, a segurança em estrada,  um sistema, tal como,  a Concessionária é direcionada ao projeto de estrada, sinalização de tráfego e regras de trânsito. O programa, por comparação, é sobre o comportamento e atitude dos motoristas,  o fator humano. Ambas as abordagens são necessárias se procurarmos ser eficazes na segurança       

EMPREGADOS COM "MENTALIDADE PRÓ-ATIVA":

■ desejará trabalhar com segurança (é motivado)
■ saberá como trabalhar com segurança (é habilidoso para fazer com segurança)
■ acreditará que é possível trabalhar com segurança (é convencido)
■ verá e julgará os riscos competentemente  (têm habilidades de analisar risco)

Modelo abaixo mostra as etapas para executar a competência do risco, do erro humano.

Fonte: @ZR,  Construction Safety Association of Ontario, 2002; SAFEmap, Austrália, 2004

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segunda-feira, setembro 07, 2015

O fogo e a evolução histórica dos meios de proteção contra incêndio

As descobertas chamadas empíricas ocorrem, geralmente, segundo uma seqüência que envolve, aproximadamente; observação, experimentação, aplicação. A descoberta do fogo não fugiu a essa regra.
Os hominídeos perceberam pela primeira vez o fogo há muitos milênios, numa época que não podemos identificar com exatidão, mas há provas substanciais de que era já usado na Europa e na Ásia na Era do Paleolítico Posterior e na do Neolítico. Assim, cerca de 500.000 A.C., já o chamado Homem de Pequim (Pithecantropus pekinensis) utilizava o fogo, havendo disto evidências encontradas em cavernas.

QUÍMICA DO FOGO
Quimicamente, fogo corresponde à combustão, que envolve a combinação do oxigênio da atmosfera com o carbono contido em materiais orgânicos, folhas, grama, madeira etc.
É uma reação que pode ser espontânea ou iniciada por um agente energético natural ou intencional. A reação espontânea pode ocorrer em ambientes orgânicos muito secos, como conseqüência de elevação de temperatura e ao ser atingido o ponto de ignição.
Outra forma da ocorrência do fogo é por meio da ação de relâmpagos sobre madeira de árvores. Em ambas as situações, nos primórdios da humanidade, uma vez formadas as fagulhas e o fogo iniciado, a ação do vento pôde fazer com que ele se espalhasse através de florestas e campos num processo contínuo, como o que ainda hoje ocorre em incêndios que podem se estender por milhares de quilômetros quadrados.
O homem primitivo inicialmente observou esse fogo que surgiu espontaneamente e começou a utilizá-lo de maneira esporádica e desorganizada, como fonte de iluminação e aquecimento.
Para isto foi necessário, num primeiro momento, descobrir como mantê-lo vivo, o que resultou provavelmente da observação de que brasas resultantes da queima natural de madeira podiam ser reativadas pela ação do vento, ou pelo sopro, fazendo a chama reaparecer.

PRODUÇÃO DO FOGO - DESCOBERTA
A etapa seguinte consistiria em produzir voluntariamente o fogo; talvez a observação de que ele se propagava pelo aquecimento de galhos ou folhas secas indicou que a chama poderia ser iniciada com temperaturas elevadas.
Desta forma, a descoberta de que o atrito entre dois pedaços de madeira seca elevava a temperatura até produzir uma chama, que podia ser ativada pelo sopro, deu inicio à jornada tecnológica do homem, no seu controle da natureza.
Ainda atualmente, o método do atrito na produção do fogo é encontrado entre povos primitivos, como os nossos índios. Na seqüência, outro método foi desenvolvido, consistindo na percussão de duas pedras para a produção de faíscas.
A observação de que fagulhas têm o poder de começar uma chama e que o choque de algumas rochas produz faíscas conduziu a mais uma forma de iniciar uma combustão.
Existem observações de achados originários da Era Paleolítica que indicam esse processo sendo usado pelo emprego de pirita (sulfeto de ferro) sob a forma de pequenos grãos, ou ainda de sílex (variedade de rocha formada principalmente por dióxido de silício), material extremamente duro.
Muito tempo depois foi descoberto que as fagulhas formadas eram mais fortes e persistentes, quando se batia sílex com ferro ou aço. Esse processo persistiu até o século XIX. Na Europa e no Brasil ainda era encontrado no começo do século XX.

INVENÇÃO DO FÓSFORO
O avanço seguinte, e bem mais recente, de um processo simples de produção de fogo, surgiria com a invenção, na Inglaterra em 1827, do palito de fósforo. O elemento fósforo combina-se com o oxigênio tão facilmente que se acende apenas exposto ao ar. Os primeiros fósforos fabricados acendiam por atrito e exalavam um cheiro muito desagradável.

Mais adiante, em 1845, começaram a ser fabricados os chamados fósforos de segurança, cuja cabeça combustível contém outros componentes não-inflamáveis, garantindo a sua utilização de forma segura.

FALTA DE CONTROLE DO FOGO – SURGEM OS GRANDES INCÊNDIOS
O fogo é uma necessidade vital e imprescindível. Contudo, o Homem não se soube estabelecer condições de segurança para manipular e controlar o fogo. Só assim se compreendem os grandes incêndios surgidos nas várias cidades, ao longo dos séculos e cujos ecos tivemos conhecimento.

GRANDES INCÊNDIOS URBANOS
■ Cidade de Lyon – 59 A.C. completamente  destruída
■ Roma – 64 A.C. – incendio durou 8 dias, devastou 10 dos seus 14 distritos
■ Biblioteca de Alexandria – 47 A.C., destruída por Julio César; em 390 D.C. por Teodósio  e em 642 D.C. pelo Califa Omar
■ Pompéia - arde em 79, após a erupção do Vesúvio.
■ Londres – 798, 982, 1.212 – A Catedral de Saint Paul foi destruída totalmente ou parcialmente em cinco ocasiões até 1.666
■ O Grande incêndio de Londres – 1666 – duração de 4 dias, consumiu 13.000 casas, 87 igrejas e capelas, além de hospitais, bibliotecas, comércios, etc. Aproximadamente 100.000 desabrigados (25% da população), devastação de quase 75% da cidade
■ Veneza - destruída pelo fogo em 1106.
■ Em 1755 arde o centro de Lisboa em conseqüência do terremoto.
■ Em 1812 são os Russos que incendeiam Moscou para travar o avanço do Napoleão.
■ Paris – incêndio em 1871 .
■ No Japão e na China verificam-se numerosos incêndios devastadores, face ao tipo de construção e concentração.

OS GRANDES INCÊNDIOS NOS ESTADOS UNIDOS
1835 - Nova Iorque – 530 edifícios
1845 – Pittsburgh – 1.1000 edifícios
1849 – Porto, Saint Louis – 15 quarteirões
1851 – São Francisco – 2.500 edifícios
1871 – Peshtigo – incêndio florestal – 1.152 mortes
1871 – Chicago – 18.000 edifícios, 120 mortes
1872 – Boston – 776 edifícios
1901 – Jacksonville – 1.7000 edifícios
1904 – Baltimore – 80 quarteirões e 2.300 edifícios
1906 – São Francisco – 28.000 edifícios, decorrente de terremoto

OS PRIMEIROS CÓDIGOS
Devido aos grandes incêndios, foi criado o primeiro código de edificações, introduzindo medidas de proteção contra incêndio.
Em 1189, Londres, foi criada uma lei local, para melhorar a qualidade das construções (incombustibilidade de paredes e telhados)

Em 1666, devido ao grande incêndio de Londres, foi criada uma serie de regulamentações;
■ Implementação do sistema de seguros na forma moderna
■ Regulamentação precursora de segurança contra incêndio no ocidente
■ Desenvolvimento de equipamentos  de combate mais eficientes
■ Formação de grupos de bombeiros pelas seguradoras

Em 1667, foi criada a lei de reconstrução para cidade de Londres: Regras construtivas  básicas para conter o alastramento do incêndio entre as edificações;
■ Alargamento de ruas
■ Incombustibilidade de paredes (tijolos)

LEIS ANTIGAS E CURIOSAS
Foto-No início de 1800, hidrante com estrutura de madeira. Hidrante está no museu de Nova Iorque

Algumas leis antigas, hoje nos parecem curiosas, como a de 1631 nos Estados Unidos, promulgada logo após o incêndio de Boston, pela qual ficava proibida a construção de chaminé de madeira e telhados de sapé. Em 1638, nesse mesmo país, foi promulgada a lei do General Assembly, em Maryland, que punia incendiários: ”O criminoso poderia receber a pena de morte por enforcamento”, permitindo-se uma punição menos severa, a de permitir que o criminoso poderia perder sua mão ou ter queimada a mão ou a testa com ferro quente e suas terras confiscadas. A uma segunda ofensa aplicaria a pena de morte.
Em 1652, em Massachussets, o tribunal “General Court”  estabelece que qualquer pessoa com 16 anos ou mais que fosse  incriminado pagaria o dobro dos prejuízos e seria chicoteado.




MEIOS HUMANOS DE COMBATE - TÉCNICAS DE COMBATE AO FOGO

Foto-Caldeirão de ferro usado no século passado, na China, para armazenar água para incêndio 

A organização urbana conduz a uma estrutura rudimentar de brigada de combate a incêndio. Pensa-se que a primeira idéia de brigada operacional foi criada em Roma, no início  da nossa era, pelo Imperador Augusto que organizou sete grupos regulares de "bombeiros" de 1.000 a 2.000 homens, espalhando a estrutura pelas outras cidades do Império ("cohortes vigilium").
Antes dos Romanos, os hebreus e os Gregos criaram os primeiros vigias noturnos. Na idade Média retomaram ¬se estas organizações, ao mesmo tempo em que as casas eram, cada vez mais, construídas em madeira e colmo (palha longa para cobrir o telhado).

Pensa-se, então, que a solução mais expedita para extinguir o fogo é provocar o colapso da casa. Assim, em 1212 foi  decretado em Londres que cada casa tem que ter um gancho e correntes para derrubar as traves mestras dos cantos da casa.
Atribui-se a “moderna” organização de combate a incêndio a um holandês que, em 1672, criou uma brigada equipada com mangueiras flexíveis e bombas manuais.

Após  grande incêndio de Londres de 1666 e no reinado de Guilherme III, as brigadas de incêndio começaram a ser estruturadas pelas novas companhias seguradoras. No século  XIX os bombeiros estruturam-se, surgem os primeiros os corpos voluntários, assim como se desenvolvem as bombas de combate a incêndios, quer em terra, quer em barcos.
Em Portugal, o rei D. João I, pela carta régia de 1395, estabelece os vigias noturnos e define, para a extinção de incêndios, as missões dos carpinteiros (com machado) e das mulheres para a condução da água.
Até o ano do 1700 os sistemas de combate consistiam fundamentalmente de equipamentos manuais. A técnica era simples: baldes passando de mão em mão  até o local do incêndio. O equipamento do combate evoluiu evidentemente em função da tecnologia existente.
O serviço de proteção ao fogo era feito por um conjunto de baldes, pequenas bombas e seringas. (operada por três homens) , para  lançamento de água à distância. Outra técnica que se  desenvolveu era  explodir as casas vizinhas para conseguir formar uma barreira natural a propagação (uma parede, uma rua .. .).

EQUIPAMENTOS DE COMBATE
Pensa-se que foi Heron da Alexandria que, no século I da nossa Era, inventou a bomba de pistão com reservatório de ar, equipada com uma lança monitor rotativa inclinável, denominada na época, máquina de jato d’água, por "sifão". Por isso o comandante dos bombeiros das forças de segurança romanas chamava-se "Siphonarius".

No século XVIII foram ensaiadas as primeiras misturas de sais (amoníaco, sódio, etc.) como efeito extintor por inibição ou como retardante de incêndio. Em 1721 os alemães começaram a produzir um pó que, lançado sobre o fogo, o extinguia. São utilizadas caixas, granadas e outros processos de arremesso. Só mais tarde se começaram a criar e produzir extintores manuais.
Em 1721 foi produzida na Inglaterra, a primeira bomba movida por uma máquina a vapor. O conjunto era montado sobre uma carroça atrelada a cavalos.

Na segunda metade do século XVII, começaram a utilizar-se de bombas manuais, que acionadas por dois ou quatro homens  permitiam criar pressão para lançar água à distância, com auxílio de mangueiras de couro. Não existiam carros tanques. A técnica utilizava então pequenos tanques. Por meio de baldes enchiam-se tanques, dos quais as bombas retiravam a água necessária para o combate.
Em 1829 foi criada na Suécia a primeira bomba de incêndio movida a vapor. No final do século passado, ultrapassado o receio dos bombeiros de se aproximarem de um incêndio com combustível altamente inflamável, foram utilizados os primeiros motores à combustão e elétricos.
Porém somente em 1830, as mangueiras de algodão e de borracha surgem no mercado.

SISTEMA DE SPRINKLERS
Em 1806, o inglês , John Carey, concebeu a idéia de um dispositivo operado por calor, pelo qual a água era distribuída através de um sistema de tubulações perfuradas para extinguir um incêndio, controladas por válvulas e acionadas por cordas e pesos.Pela ação do fogo, as cordas iriam queimar-se, soltando os pesos e deixando que as válvulas pudessem abrir-se normalmente.
Em 1864, major Stewart Harrison do 1o  voluntários de Engenharia (Londres), deu ao mundo o primeiro sprinkler.
Em 1872, o americano, Philip W. Pratt of Abington, Massachussets, patenteou o primeiro sistema automático de sprinklers.
Em 1874, Henry Parmelle, Conneccut, deve ser concedido o crédito para dar ao sistema de extinção de incêndio automático sua aplicação prática, produziu e comercializou o primeiro  sistema de extinção de incêndio automático. O sistema Parmelee foi adotado e também aperfeiçoado, principalmente nas industrias têxteis de algodão na região da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, assim como também na Inglaterra.

Trecho relatado pelo engenheiro John Wormald em 1923,   extraído do livro “História de  Mather & Platt”,  do primeiro teste do sprinkler Parmelee

■ A primeira demonstração de seu funcionamento nos Estados Unidos despertou muito interesse. Para esta finalidade, o Sr. Parmelee construiu no mercado atacadista de Bolton um galpão de madeira de  6 m x 9 m, em que ele  instalou seis sprinklers. No assoalho espalhou-se uma quantidade de gravetos,  aparas, sebo, pedaços de barris, barris,etc, tudo bem impregnado com óleo de parafina, e este material combustível foi aceso em três lugares pelo  Superintendente Philips do Corpo de Bombeiros de Bolton. Imediatamente um grande volume de chamas irrompeu para frente e dirigiu-se em volta dos espectadores,  alguma distância da cobertura. Em um minuto e vinte segundos o primeiro sprinkler abriu, seguido por dois outros, e em um curto espaço de tempo, nenhum vestígio do fogo permaneceu”.

■ Uma semana depois um segundo teste foi feito no mesmo edifício, mas nesta ocasião o combustível consistiu de um estoque grande de carruagens velhas, quebradas e misturadas com pedaços de madeira, espalhados em três lados e no centro. De acordo com um jornalista que publicou no jornal  Bolton Evening News de 30 junho 1881 - o "fogo foi aceso cinco lugares, e em 58 segundos um bico de sprinkler rompeu-se e o sistema funcionou. As chamas surgiram,   mais logo começaram a ser controlada e da entrada poderia ser vista as chamas irrompendo no teto, e então elas esconderam-se para avistar em uma nuvem do fumo, e em três minutos o fogo estava  praticamente dominado.”Posteriormente, constatou-se que todos os sprinklers  foram abertos.

Em 1883, o engenheiro americano, Fredrick  Grinnell, finalmente desenvolveu  um sistema de sprinklers revolucionário , que lançou os fundamentos básicos do moderno sistema de sprinklers.
Ele aperfeiçoou o sistema Parmelee, removendo o termo-sensível em contato com a água,  colocando uma válvula no centro de um diafragma  flexível , externamente. Este aperfeiçoamento do sprinkler  passa suportar pressões mais elevadas e distribui a água mais uniformemente.
Até 1 de janeiro de 1888, existiam na Inglaterra e na Escócia, 338 indústrias com instalações de sprinklers completadas ou em fase de  conclusão.

VÁLVULA DE GOVERNO E DE ALARME
Foto - Marcel Boschi - Válvula de governo e alarme inventada por John Taylor

Ao lado da invenção do engenheiro Grinnell,  a válvula engenhosa de Taylor permanece a etapa  mais importante no avanço do desenvolvimento e na prática da extinção automática do fogo.
Previamente não havia nada melhor do que a combinação de um mecanismo de relógio, grosseiro e desajeitado, consistindo de um fio de cobre flexível enrolado em um cilindro com um peso que, quando liberado, acionava um martelo para golpear um gongo, exatamente  como um despertador. Quando o peso alcançava o chão o alarme cessava. A nova válvula de Taylor foi adotada rapidamente pelo  próprio Grinnell e  por todos.

PRINCIPAIS AVANÇOS NA PROTEÇÃO CONTRA INCENDIO
1885 - John R. Freeman executa testes extensivos em sistemas de sprinklers
1895 -  Reunião das Seguradoras  em Nova Iorque, para estabelecer padrões de proteção contra incêndio
1896 - N.F.P.A, oficialmente  organiza e publica códigos para instalação de sistema de sprinklers

EQUIPAMENTOS DE DETECÇÃO
Em 1725 foi criado o primeiro termômetro que, dilatando, indicava a variação numa agulha e esta acionava um despertador. Com o aparecimento da eletricidade foi possível transmitir informação à distancia  (1882).
Impossibilitados de medir a luz ou os gases do fumo, dois americanos lembraram-se de patentear em 1896 um detector de fumaça de gases perigosos: uma gaiola com dois pássaros (só o peso dos dois pássaros ao caírem inanimados fecharia um contato para evitar falsos alarmes).

EQUIPAMENTO DE TRANSMISSÃO
Para que todos os equipamentos, ou sistemas acima descritos, possam ser eficazes e permitir uma intervenção determinada e oportuna (não podemos esquecer que a descoberta humana ou automática de um incêndio será feita ao longo do seu desenvolvimento, após o seu início) torna se necessário criar uma correta rede de comunicação e transmissão à distância.
Na Idade Média os vigilantes noturnos tocavam as trombetas ou os sinos das igrejas.
O aparecimento do telégrafo permite que Munique seja a primeira cidade européia, em 1848, a dispor de um telégrafo elétrico para alertar em caso de incêndio e isto associado ao vigilante para identificar o local.
Em 1852 o primeiro telégrafo automático foi instalado em Boston.

DÉCADA DE 1900,  ESTUDO E PESQUISA  
Entre 1920 e 1940, ao fazerem-se experiências sobre o possível desenvolvimento de equipamentos para detecção de poeiras e de armas químicas tóxicas, descobre-se, ocasionalmente, que a fumaça de cigarro influencia a corrente elétrica medida entre duas placas metálicas cujo ar foi ionizado por uma fraca fonte radioativa. Estava descoberto o detector eletrônico de fumaça e de gases de combustão da era moderna.
Posteriormente são descobertos os detectores por absorção de luz e por difusão da luz.

Inicia-se a pesquisa de avaliação da resistência ao fogo de estrutura e os primeiros estudos científicos visando às perdas patrimoniais, provisão de meios para impedir o rápido alastramento do incêndio no edifício e entre edifícios.

O desenvolvimento tecnológico posterior, a miniaturização dos circuitos e o processamento eletrônico permitem chegarmos ao atual estado dos sistemas endereçáveis: cada sensor, detector ou ponto de comando pode ser rigorosamente identificado e permitir ações  subseqüentes bem precisas e escalonáveis.
Modernamente se dispõe de recursos os mais variados possíveis; radio, televisão, comunicações, suprimento de água, sistemas de alarme e detecção, programas de educação da comunidade. Em instalações sofisticadas, o computador já se faz presente, controlando de maneira econômica, sistemas de alarme que cobre grandes áreas como são as modernas indústrias.

Contudo, o Homem continua a ser um elemento importante desta cadeia.

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS
Os primeiros organismos de combate ao fogo foram constituídos com bombeiros voluntários. Com a evolução natural das cidades, o aumento do risco e a necessidade do atendimento rápido, os Corpos Bombeiros especializados, dedicados exclusivamente a essa função foram se impondo na sociedade.
Ainda hoje o sistema de voluntários existe em vários países; Alemanha, nos Estados Unidos, no Japão, Chile, etc.

Interessante observar na história dos incêndios  o desenvolvimento de leis e regulamentações relativas ao assunto, foram criadas devido aos grandes incêndios. As leis mais importantes sempre surgiram após alguma crise.

O QUE ACONTECIA NA ÉPOCA NO BRASIL

São Paulo
No Brasil, em 2 de Julho de 1856, no Rio de Janeiro, foi criado o Corpo de Bombeiros da Corte.

Em São Paulo, no ano de 1874, foi feita a primeira tentativa de estabelecimento de um serviço de bombeiros agregados à Companhia de Urbanos (Guardas-civis), tendo como efetivo 10 homens, que foram adestrados para a função; foram comprados baldes de couro, machadinhas e um saco salva-vidas; o efetivo foi contratado junto à Corte.
A criação da instituição se deu em março de 1880, depois de um incêndio na Faculdade de Direito, que funcionava no Convento de São Francisco hoje Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O incêndio no Convento de São Francisco ocorreu no dia 15 de Fevereiro de 1880, destruindo a biblioteca e o arquivo geral.

Em 1886, publicação do Código de Posturas: Previa-se dentre outras coisas, que os encarregados dos sinos das igrejas dessem o alarme quando soubessem de um incêndio; avisos falsos seriam punidos com pesadas multas e prisão; os aguadeiros (transportadores de pipas) tinham, por força da lei, de comparecer ao local do sinistro, e os poços ficariam franqueados aos bombeiros. O Código também premiava em dinheiro aqueles que, em não sendo bombeiros, tivessem o melhor desempenho em caso de incêndio.
Em Abril de 1896 são inauguradas 50 caixas de aviso de incêndio, chamadas “Linhas Telegráficas de sinais de incêndio”, com aproximadamente 70 quilômetros de extensão, operadas por telegrafistas civis graduados militarmente; esse sistema representou uma grande evolução, mas não totalmente eficiente, pois precisava de aumento para zonas da cidade totalmente desprovidas.

Os hidrantes disponíveis, embora tenham aumentado quantitativamente, ainda eram insuficientes, e a distância entre eles dificultava a ação dos bombeiros. Começam a operar novos veículos e materiais, grande parte adquirida em 1895.
Em 1910, foram adquiridos da Inglaterra os primeiros veículos automotores, junto à empresa Merryweather&Sons, no total de seis (três para combate ao fogo), a serem entregues em 1911, ano em que foi completamente inaugurado o popular sistema de alarme “Gamewell” americano, com 146 caixas e que sob manutenção do Corpo funcionou por mais de quatro décadas, era o mais eficiente da época.

RIO DE JANEIRO
Diversas tragédias atingiram a cidade do Rio de Janeiro antes da criação do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro:
■1710 — Incêndio causado pelo invasor Duclerc destruindo a Alfândega do Rio de Janeiro.
■1732 — Grande incêndio acabou com parte do Mosteiro de São Bento, que acabara de ser reconstruído.
■1789 — Incêndio de grandes proporções consumiu todo o Recolhimento do Parto.
■1790 — Um incêndio de proporções catastróficas aconteceu no Largo do Paço (hoje Praça XV), destruindo o sobrado onde funcionavam o Tribunal da Relação e o Arquivo Municipal.
■1824 — O Teatro São João (atual João Caetano) foi reduzido a cinzas por causa de um incêndio.
■1851 — O fogo voltou a destruir o Teatro São João, que tornaria a sofrer um incêndio em 1856.

E foi no ano de 1856 que o Imperador Dom Pedro II organizou o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte. A criação do Corpo Provisório de Bombeiros da Corte consta do Decreto Imperial 1775, de 02 de julho de 1856.

O Material de combate compunha-se basicamente de quatro bombas manuais, algumas escadas, baldes de lona, mangueiras e cordas.
Com a chegada da República, em 1889, a Corporação passou a se chamar Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

CURIOSIDADES
■ Arqueólogos alemães descobriram bombas de apagar incêndio de 1.650 anos atrás em escavações no vale do Reno (Alemanha). A espécie de hidrante primitivo é uma prova de que os bombeiros do antigo Império Romano não apagavam incêndios usando apenas baldes, como se presumia até agora.
■ Em 1803, Frederick Graf, projetou uma tubulação que permanecia com água , para o sistema de abastecimento de água da cidade de Filadélfia. Foi na época o projeto mais avançado para abastecimento de água para hidrante.
■ Nos USA, no século passado, utilizavam cisternas para armazenar água para incêndio. Até hoje, algumas cidades americanas ainda utilizam as cisternas  para armazenagem de água para incêndio.




Em Tóquio atual, cisternas para incêndios são construídas para serem utilizadas pelos bombeiros. Eles utilizam devido aos abalos sísmicos (terremotos)










Tubulação de madeira para água, utilizada  nos USA, entre 1700 a 1800.
Quando ocorria incêndio, os bombeiros escavavam o local  para encontrar a tubulação. A tubulação tinha um “plug fire” (tipo de uma cavilha para vedar um orifício, abertura para recalcar a  água). A tubulação era marcada com sinal vermelho, para apontar o local do “plug fire”. Os bombeiros tinham conhecimento de sua localização.

10 de Fevereiro de 1863 – o extintor de incêndio foi patenteada por  Alanson Crane.
1 de Janeiro de 1853 – o primeiro veiculo para incêndio, prático,  foi testado  em  Cincinnati, Ohio.
21 de abril de  1878 – o primeiro posto de corpo de bombeiros foi instalado em Nova Iorque.
30 de maio de 1821 – a primeira mangueira de incêndio revestida com algodão foi patenteada  por  Joseph Boyd,  Boston.
7 de maio de  1878 – a primeira escada de incêndio foi patenteada  por Joseph Winters.
11 de novembro de 1890 - Daniel McCree,  Chicago,  inventou escada portátil para escape

Fontes: @ZR, Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo; Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro; Editora Moderna; Folha de São Paulo - 21 de julho de 2004; Fire Journal - July 1965, Revista “Segurança” – Portugal,  Evolução histórica da proteção contra incêndios em meio urbano” – Janeiro/Fevereiro/2003; History of Mather & Platt - Marcel Boschi's 

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