Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Igreja pega fogo após ser atingida por raio em Biguaçu


Uma das mais antigas e belas Igrejas da Grande Florianópolis foi destruída na noite de segunda-feira, por volta das 18h30, após ser atingida por um raio e pegar fogo,  na cidade de Biguaçu.

QUEDA DE RAIO
O incêndio começou com um estrondo causado pelo raio, que provocou uma descarga elétrica na capela. Dezenas de moradores correram para fora de casa e, abalados, viram o maior patrimônio da localidade ruir na frente de seus olhos.

IGREJA
Quase toda a estrutura da centenária capela São Sebastião da Limeira, na localidade de Três Riachos, ficou danificada pelas chamas. Apenas a torre e o sino foram salvos.
 O calor do fogo, misturado ao ar frio da noite, ajudaram o fogo a se alastrar muito rápido.  Fizemos todo o trabalho do lado de fora devido ao risco da estrutura desabar,  explica o tenente Felipe Gelain, que comandou a equipe dos bombeiros no local.
O teto não resistiu e desmoronou logo em seguida, sob a sacristia. Lá dentro, peças históricas e cercadas de valor sentimental iam sendo perdidas em meio às chamas, como a imagem de São Sebastião, com mais de cem anos e trazida de Portugal.

CORPO DE BOMBEIROS
Em meia hora, o fogo já tinha tomado conta de toda a capela, de 105 anos. O Corpo de Bombeiros teve dificuldade de chegar ao local, que fica no topo de um morro íngreme, ao fim de uma estrada de chão _ cujo barro estava molhado pela chuva que continuava a cair.
Um dos caminhões quase capotou ao subir. Outros dois não conseguiram chegar ao local e foi preciso chamar um trator para ajudá-los. Mais de 15 mil litros d'água foram usados para dar fim às chamas, em um trabalho que levou mais de duas horas.

PREJUÍZO
O prejuízo é avaliado em mais de R$ 100 mil.

Fonte: A Noticia - 26/02/2013

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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Raio destrói mansão no Alto do Capivari, em Campos do Jordão


Um raio destruiu parcialmente  uma casa de três andares  em Campos do Jordão  na noite de terça-feira, 19 de fevereiro.

FOGO
O Corpo de Bombeiros de Campos do Jordão informou que o fogo só foi controlado após duas horas e meia e contou com o apoio de duas equipes. O relatório da ocorrência foi registrado como um curto-circuito no quadro de energia elétrica da casa que foi gerado após descarga elétrica.

DANOS NA RESIDÊNCIA
A casa com três pavimentos tinha oito suítes, no total, quinze cômodos. O primeiro andar foi completamente destruído, incluindo o encanamento, rede de energia e móveis. Quinze  cômodos foram destruídos e quatro suítes  com danos parciais.

ESTIMATIVA DE PREJUÍZOS
Estimativa de prejuízo em R$ 1 milhão para reconstruir o imóvel, que fica no Alto do Capivari, área nobre da cidade. O imóvel não tinha seguro.

VIZINHANÇA
Cinco casas vizinhas foram atingidas pela descarga elétrica. Desde o inicio do ano caíram 606 raios na cidade.
Fontes: G1 e Aparecida – 21 de fevereiro de 2013

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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Morador de área petroquímica tem mais doença na tireóide

O aparecimento de casos atípicos de tireoidite crônica autoimune no consultório da endocrinologista Maria Angela Zaccarelli-Marino, em Santo André, fez a especialista desconfiar que a incidência da doença era mais alta na região próxima ao Polo Petroquímico de Capuava. Depois de 15 anos investigando o tema, a professora da Faculdade de Medicina do ABC concluiu que moradores da área tinham incidência cinco vezes maior da doença.

O complexo, que fica na divisa entre Santo André, Mauá e São Paulo, reúne 14 indústrias que fabricam subprodutos de petróleo. De 1989 a 2004, a pesquisadora selecionou 6.306 pacientes que buscaram avaliação endocrinológica em seu consultório. Ela os dividiu em dois grupos conforme a região de residência.

O primeiro, com 3.356 pacientes, era proveniente dos arredores do Polo Petroquímico. Já o segundo, de 2.950 pacientes, vinha de outra área industrial distante 8,5 km da primeira região, porém sem a presença de petroquímicas. Ao fim do estudo, 905 pacientes do primeiro grupo (ou 26,9%) foram diagnosticados com a doença. Já no segundo grupo, 173 (ou 5,1%) tiveram o diagnóstico. A tireoidite crônica autoimune é a principal causa de hipotireoidismo.

Os resultados foram publicados em maio na revista científica Journal of Clinical Immunology. Ao longo do estudo, a pesquisadora fez notificações sobre a situação às secretarias municipais de saúde e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual da Saúde.

A pedido do promotor de Meio Ambiente de Santo André José Luiz Saikali, o CVE fez um estudo próprio para verificar o problema. O órgão analisou 1.533 voluntários das duas regiões. Enquanto 9,3% do primeiro grupo tinha tireoidite, apenas 3,9% do segundo grupo apresentava o problema. Os dados foram publicados na revista Environmental Research.

Além dos exames que já estavam presentes no estudo de Maria Angela, o CVE fez testes para dosar o iodo nesses voluntários. Havia a possibilidade de o aumento de casos da doença estar ligado a um consumo maior de iodo. "O CVE constatou que não era o iodo. Isso me deu uma certa tranquilidade, pois o estudo foi muito contestado", diz Maria Angela.

"Ninguém havia falado antes em tireoidite crônica autoimune provocada pelo ambiente. Sugiro uma nova denominação: tireoidite química autoimune", afirma a pesquisadora, que agora está iniciando um trabalho para identificar quais seriam os agentes químicos que desencadeariam a doença.

Para o imunologista Eduardo Finger, que tem pós-doutorado na área pela Escola de Medicina de Harvard e é chefe do departamento de pesquisa do SalomãoZoppi Diagnósticos, ainda é preciso determinar o que provoca a doença. "É preciso encontrar o poluente químico que tenha relação comprovada com a doença."

CONSEQUÊNCIAS
A tireoidite crônica autoimune só começa a dar sintomas quando se instala o hipotireoidismo, diminuição da produção dos hormônios da tireoide. Os sinais são sonolência, queda de cabelo, pele seca, batimentos cardíacos mais lentos. Crianças podem parar de crescer e até desenvolver retardo mental. O tratamento, porém, é simples e envolve a reposição diária do hormônio tireoidiano.

A profissional de informática Noemi Lucena Silva, de 21 anos, descobriu a doença aos 9 anos. Ela mora ao lado de uma das indústrias petroquímicas. "Minha casa é literalmente ao lado da fábrica." Recentemente, a mãe de Noemi também foi diagnosticada com problemas na tireoide. Fonte: Estadão - 17 de setembro de 2012 

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sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Acidente com serra elétrica fatal

O carpinteiro JLS, de 35 anos, morreu no final da manhã de segunda-feira, 3 de outubro de 2011, após um acidente com uma serra elétrica numa construção da Avenida Comendador Aladino Selmi, na Vila San Martim, em Campinas, a 94 km de São Paulo.

CAUSA
O trabalhador estava cortando vigas de madeira e atingiu uma das pernas na altura da virilha, provocando hemorragia. O helicóptero Águia da Polícia Militar chegou a ser acionado, porém o homem não resistiu aos ferimentos.  .

CONDIÇÕES DE TRABALHO PRECÁRIAS
Segundo a Polícia Civil, a vítima trabalhava para empresa Engeform Construção e Comércio na  obra da Cohab (Companhia de Habitação Popular de Campinas). A polícia informou que as condições de trabalho no canteiro de obras são precárias.
A Engeform, por sua vez, revelou que todos os funcionários da empresa receberam treinamento e o equipamento de proteção individual (EPI) necessários para a realização dos trabalhos. Ela ainda disse que o trabalhador não estaria usando adequadamente o dispositivo de segurança da serra elétrica. Fonte: Globo Online - 03/10/2011

Vídeo:

Comentário:
Procedimentos corretos na operação da serra elétrica
■Mantenha uma posição segura. Mantenha o apoio e o equilíbrio adequado todas as vezes que utilizar a ferramenta. Isso permite melhor controle da ferramenta em situações inesperadas.
■Fixe a peça a ser trabalhada. A peça fixada através de dispositivos de fixação ou uma morsa garante mais segurança do que quando segurada com a mão.
■Tome medidas de segurança, se durante o trabalho puderem ser produzidos pós inflamáveis, explosivos, ou nocivos para a saúde. Por exemplo: alguns pós são considerados como cancerígenos. Utilizar uma aspiração de pó/ cavacos e usar uma máscara de proteção contra pó.
■Mantenha a área de trabalho sempre limpa. Misturas de material são extremamente perigosos. Pó de madeira leve pode se inflamar ou explodir.
■Antes de colocar a ferramenta elétrica sobre qualquer superfície, sempre desligar e aguardar que o disco pare totalmente. O disco de serra pode enroscar e levar à perda de controle sobre a ferramenta elétrica.
■Caso o cabo de rede seja danificado ou cortado durante  o trabalho, não tocá-lo. Tirar  imediatamente o plugue da tomada. Jamais utilizar a ferramenta elétrica com um cabo danificado. Cabos danificados elevam o risco de um choque elétrico.
■Se o cabo de rede for danificado ou cortado durante o trabalho, não toque nele. Tire  imediatamente o plugue da tomada. Jamais utilizar a máquina com um cabo danificado.
■Use equipamentos de proteção individual (EPI)
Utilizar óculos de proteção e proteção auricular.
Usar máscara contra pó.
Utilizar luvas de proteção ao introduzir ou substituir o disco de serra
Utilize protetores auriculares (nível de pressão sonora 95 dB (A).

A utilização de acessórios, que não sejam apropriados para este tipo de máquina,  aumenta o perigo de acidente e pode danificar a máquina.
■As ferramentas elétricas que forem utilizadas ao ar livre devem ser conectadas através de um disjuntor de corrente de segurança.
■Perigo: As suas mãos não devem entrar na área de corte nem em contato com o disco de serra. Segurar o punho adicional ou a carcaça do motor com a outra mão.
Se as mãos estiverem segurando a ferramenta, não poderão ser feridas pelo disco de serra.
■Não toque na peça a ser trabalhada pelo lado de baixo. A capa de proteção não poderá protegê-lo contra o disco de serra por baixo da peça trabalhada.
■Ajuste a profundidade de corte à espessura da peça a ser trabalhada. Deve ultrapassar menos do que a altura de um dente do disco de serra.
■Jamais segurar a peça a ser serrada com a mão ou com a perna. Fixe a peça a ser trabalhada numa base firme. É importante fixar bem a peça a ser trabalhada, para minimizar o perigo de contato com o corpo, do travamento do disco de serra ou perda de controle.
■Ao executar trabalhos durante os quais podem ser atingidos cabos elétricos ou o próprio cabo de rede deverá sempre segurar a ferramenta elétrica pelas superfícies
do punho isoladas. O contato com um cabo sob tensão também coloca peças de metal da ferramenta elétrica sob tensão e leva o risco de um choque elétrico.
■Sempre utilizar um limitador ou um guia paralelo ao serrar longitudinalmente. Isto aumenta a exatidão de corte e reduz a possibilidade de um travamento do disco de serra.
■Sempre utilizar discos de serra do tamanho correto e com furo de admissão do disco de corte apropriado (p.ex. em forma circular). Discos de serra não apropriado para as peças de montagem do disco, funcionam desequilibradamente e levam à perda de controle.
■Jamais utilizar arruelas planas ou parafusos do disco de serra incorretos ou danificados. As arruelas planas e os parafusos do disco de serra foram especialmente construídos para a sua serra e para uma potência e aperto originais da maquina. segurança de trabalho otimizadas. Utilize somente flanges de encosto e

 CAUSAS E PREVENÇÃO DE CONTRA-GOLPES:
– Um contra-golpe é uma reação repentina provocada por um disco de serra travado ou incorretamente alinhado, que leva uma serra elevar-se descontroladamente para fora da
peça que está sendo trabalhada movimentando-se no sentido da pessoa que utiliza a máquina.
– Se a canal de corte se fechar com o disco de corte, este será travado e a força do motor jogará a serra circular no sentido da pessoa que utiliza máquina.
– Se o disco de serra for forçado lateralmente ou incorretamente alinhado no corte, é possível que os dentes do canto posterior do disco de serra trave na superfície da peça que está sendo trabalhada, de modo que o disco de serra se movimente para fora do corte e a serra pule no sentido da pessoa que utiliza a máquina.

Um contra-golpe é consequência de uma utilização incorreta e indevida da serra. Ele pode ser evitado com medidas de segurança apropriadas como descrito a seguir.
■Segure a serra firmemente com ambas as mãos e mantenha os braços numa posição firma e segura em que possa suportar as forças de contra-golpe. Sempre mantenha o corpo alinhada a lateral do disco de serra, jamais coloque o disco de serra numa alinhado com o corpo longitudinalmente. No caso de um contra-golpe é possível que a
serra seja jogada para trás, no entanto a pessoa que a utiliza poderá controlar as forças de contra-golpe através de medidas de segurança apropriadas.
■Se o disco de serra travar ou se o trabalho for interrompido, deverá desligar a serra e mantê-la parada na peça trabalhada até o disco de serra parar totalmente. Não tente jamais remover a serra da peça trabalhada, nem retirá-la para trás enquanto o disco de serra estiver em movimento, caso contrário poderá ocorrer um contra-golpe. Verifique
e elimine a causa do travamento do disco de serra.
■Se desejar recolocar em funcionamento uma serra travada, deverá centrar o disco de serra no canal de corte e verificar se os dentes da serra não estão travados na peça a ser trabalhada. Se o disco de serra estiver travado, poderá movimentar-se para fora da peça trabalhada ou causar um contra-golpe se a serra for religada.
■Apoiar placas grandes, para reduzir um risco de contragolpe devido a um disco de serra travado. Placas grandes podem curvar-se devido ao próprio peso. As placas devem
ser apoiadas de ambos os lados, tanto nas proximidades do corte, como nos cantos.
■Não utilizar discos de serra danificados. Discos de serra com dentes danificados ou incorretamente alinhados causam um atrito maior, um contra-golpe e travam devido ao
canal de corte justo.
■Antes de serrar, deverá apertar os ajustes de profundidade de corte e de ângulo de corte. Se os ajustes forem alterados durante o processo de serrar, é possível que ocorram
travamentos e contra-golpes.
■ Tenha extremamente cuidado ao efetuar “Cortes de imersão” em paredes (chapas de madeira) existentes ou em outras superfícies, onde não é possível reconhecer o que há
por detrás da parede. Ao imergir, o disco de serra podem ser travados por objetos escondidos e causar um contra-golpe. Fonte: Manual do Fabricante

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terça-feira, fevereiro 05, 2013

Segurança em casas noturnas

Ao entrar em um edifício de reunião de público, as pessoas precisam estar preparadas em caso de emergência. A Divisão de Educação Pública da NFPA oferece as seguintes recomendações:

DÊ UMA BOA OLHADA NO LOCAL
Você se sente confortável com as condições aparentes do edifício? A entrada principal é larga e se abre para fora, permitindo a fácil saída dos ocupantes? A área externa tem materiais empilhados contra as paredes do prédio ou bloqueando as saídas?

TENHA UM PLANO DE COMUNICAÇÃO
Escolha previamente um parente ou amigo para ser contatado em caso de emergência, caso você se separe de membros da família ou amigos.

COMBINE UM PONTO DE ENCONTRO
Escolha um ponto de encontro do lado de fora do edifício para reunir a família ou os amigos que estão presentes no evento. Se houver uma emergência, certifique-se de reunir-se com eles nesse local.

IDENTIFIQUE AS SAÍDAS IMEDIATAMENTE
Ao entrar no edifício, identifique todas as saídas disponíveis. As saídas estão claramente marcadas e bem iluminadas? Algumas saídas podem estar à sua frente e outras atrás de você. Sempre esteja preparado para usar a saída mais próxima. (É possível que você não possa usar a saída principal)

VERIFIQUE QUE AS ROTAS DE FUGA NÃO ESTÃO OBSTRUÍDAS
Certifique-se que os corredores são suficientemente largos e não estão obstruídos por cadeiras ou mobília. Verifique se as portas de saída não estão trancadas ou fechadas com correntes. Se não houver pelo menos duas saídas claramente marcadas, ou se as rotas de saída estiverem bloqueadas, informe o problema para a gerência e abandone o edifício se a situação não for resolvida imediatamente. Ligue para o Corpo de Bombeiros e faça uma reclamação formal.

VOCÊ SE SENTE SEGURO?
O edifício aparenta estar superlotado? Há fontes de ignição como velas, cigarros ou charutos, fogos de artifício ou outras fontes de ignição que fazem com que você se sinta inseguro? Há sistemas de segurança, como por exemplo, saídas alternativas, sprinklers e detectores de fumaça? Pergunte à gerência se estiver em dúvida. Se você não se sente seguro no edifício, saia imediatamente.

REAJA IMEDIATAMENTE
Se soar um alarme, se você vir fumaça ou fogo, ou outros distúrbios incomuns, abandone imediatamente o edifício de forma organizada. Use a saída mais próxima - lembre-se que esta talvez não seja a saída principal.

SAIA E NÃO VOLTE PARA O EDIFÍCIO!
Após abandonar o edifício, não volte para dentro. Você nunca deve entrar novamente em um edifício em chamas. Deixe os bombeiros, que são treinados para isso, conduzir as operações de salvamento.

Fonte: NFPA Journal Latinoamericano, 04 de novembro de 2004

Comentário: A sociedade está procurando a segurança absoluta, mas não existe. Quando você compra tecnologia, o risco vem junto. “Viver é perigoso, o que temos  de fazer é construir certo patamar de segurança para poder viver com certa tranquilidade, e não acrescentar mais perigo do que a vida por si só já apresenta”. Gilberto de Mello Kujawski.

Vídeo:


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domingo, fevereiro 03, 2013

Guerra biológica no mar


Desligar o motor da embarcação na Lagoa Azul, em Ilha Grande — onde as águas são límpidas, calmas e estão protegidas por pequenos montes de Mata Atlântica — e não ouvir nada além do vento. Pareceria um pacífico oásis, se não soubéssemos que sob o espelho d’água trava-se uma guerra cujos gritos não podem ser ouvidos. Com tentáculos de cores em tons de fogo num espetáculo de balé majestoso aos olhos, o chamado coral-sol, que engana por sua beleza, vem vencendo uma batalha contra a biodiversidade marinha da localidade.

INTRODUZIDA POR PLATAFORMAS DE PETRÓLEO
A espécie exótica chegou à Baía da Ilha Grande, no Estado do Rio, na década de 1980, trazida por plataformas de petróleo, segundo pesquisadores. Originário do Oceano Pacífico, acredita-se que o coral tenha viajado incrustado nas estruturas das plataformas e encontrado um ambiente adequado para sua proliferação nos costões rochosos da baía. Hoje, ele se aloja não apenas na Lagoa Azul, mas sim em 900 quilômetros de costões, e cresce numa velocidade de três quilômetros ao ano, se fosse posto numa forma linear.

ALASTRAMENTO DO CORAL-SOL
O alastramento de dois tipos de coral-sol (o Tubastraea coccinea e o Tubastraea tagusensis) é prejudicial para o equilíbrio do ecossistema, já que eles vêm ganhando espaço de outras espécies nativas. Entre elas, o chamado coral-cérebro, que é encontrado apenas no litoral brasileiro, e pode ser expulso de algumas áreas onde o coral-sol é predominante. Os mexilhões também estão sofrendo com a força dos cnidários. A invasão dos corais, somada a outras questões ambientais, tem sido responsável pela diminuição da população desses moluscos na baía, como afirmam pescadores locais. Além de afetar as espécies nativas, a predominância deste coral pode levar a outros prejuízos para o meio ambiente:

— A tendência é a diminuição do número de peixes — alertou coordenador do Projeto Coral-Sol, Joel Creed, professor do Laboratório de Ecologia Marinha da Uerj. — A abundância do coral-sol provoca uma mudança alimentar dos peixes e uma competição maior pelos mesmos recursos.

Os recifes de coral são como usinas de reciclagem e produção de alimento para os seres vivos locais, o que não ocorre no caso do coral do Pacífico, como alerta o pesquisador:
— Os corais promovem a reciclagem de material, como do carbonato de cálcio, que é disponibilizado novamente no ambiente e serve de alimento para uma série de organismos. Mas no caso do coral-sol, este componente é retido — explicou Creed.

UMA AMEAÇA NACIONAL
Apesar de ser uma ameaça maior à Ilha Grande, onde ele dominou inclusive ilhotas próximas a ela, o vilão do mar já foi documentado por cientistas em outros pontos do litoral brasileiro. De acordo com o Instituto de Biodiversidade Marinha, há registros do coral-sol na Ilha do Arvoredo, em Santa Catarina; em Guarapari, no Espírito Santo; em Arraial do Cabo e nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro; em diversas ilhas do litoral paulista, como Vitória, Alcatrazes e de Búzios. E mais recentemente, ele foi encontrado também na Baía de Todos os Santos, no litoral baiano.

Além de afetar a biodiversidade marinha, o temor de especialistas com relação à espécie é que ela chegue ao Arquipélago de Abrolhos, localizado a 70 quilômetros do município de Caravelas, na Bahia. Lá estão registrados, segundo o Ministério de Meio Ambiente (MMA), os maiores e mais ricos complexos de recifes de coral de todo o Atlântico Sul Ocidental. Além disso, no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, encontram-se todas as espécies de corais existentes no Brasil, entre eles o coral-cérebro.

O coral-sol é considerado uma espécie exótica invasora, ou seja, foi introduzida num determinado bioma pela ação humana, conseguiu se reproduzir naquele ambiente, além de se tornar uma praga local. Uma série de outras espécies marinhas são introduzidas em ecossistemas de maneira acidental, por exemplo, por aves migratórias e correntes marinhas. Quando ocorre pela ação humana, configura-se crime ambiental. A forma predominante é a água de lastro — 26% do total, segundo o MMA. Essa água é usada para estabilizar navios de cargas quando vazios. Ela é alvo de forte normatização com o objetivo de diminuir os danos ambientais. Outra é a bioincrustação (20%), que ocorre quando espécies ficam incrustadas em cascos de navios e plataformas. Sobre essa prática, praticamente não há controle.

FOCO DE INFESTAÇÃO NA ENSEADA DO BANANAL
Acredita-se que o foco de colonização do coral-sol tenha sido na Enseada do Bananal, na Ilha Grande, a poucos quilômetros de onde se encontram plataformas petrolíferas. Hoje, há registros da espécie próximo até de Paraty, separada por cerca de cem quilômetros da ilha.

RETIRADA MANUAL DO CORAL
— Ao que tudo indica, houve uma introdução pontual no Bananal. Há fotos, publicações científicas e denúncias de mergulhadores — afirmou Joel Creed, coordenador do Projeto Coral-Sol e professor do Laboratório de Ecologia Marinha da Uerj.
Como o coral vinha vencendo a batalha por território contra as espécies marinhas nativas, a ajuda teve que vir de cima. Na tentativa de controlar a dispersão do animal marinho, foi criado o Projeto Coral-Sol, sob supervisão do Instituto de Biodiversidade Marinha e da Uerj. De marretas em punho, os mergulhadores combatem a espécie invasora com as próprias mãos. O trabalho é lento e cuidadoso, mas já conseguiu retirar cem mil corais dos costões desde 2007, quando eles adquiriram licença do Ibama para a remoção.

— A retirada de corais do seu ambiente marinho configura crime ambiental. O interessante é que revertemos este raciocínio ao comprovar que a espécie estava sendo prejudicial à vida aquática. Apenas com a licença do Ibama é possível fazer este processo de remoção — explicou Creed.

EXPANSÃO ACELERADA
Mas nem o reforço dos pesquisadores e da comunidade de Ilha Grande tem conseguido controlar a dispersão da espécie invasora.
— Nossos esforços não são suficientes pra contê-los, eles continuam a se expandir. Só para se ter ideia, a última estimativa, de cinco anos, apontou para cerca de três milhões de colônias apenas na baía — alerta a gerente do Projeto Coral-Sol, Amanda Andrade.
Atualmente sob o patrocínio da Petrobras Ambiental, o projeto ficará órfão no final do ano, quando termina o contrato com a companhia de petróleo. O governo estadual diz apoiar o projeto e ainda informa ter cedido uma espaço, localizado no Abraão, área mais urbanizada de Ilha Grande, onde funciona a sede e um pequeno museu aberto a visitantes. De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente, está sendo concluído um Plano de Monitoramento de Espécies Exóticas do estado, do qual fará parte um programa para controle do coral-sol.

Não é apenas este coral que afeta a biodiversidade marinha da reserva ambiental. O Projeto Coral-Sol registrou outras espécies potencialmente agressivas, como uma alga verde (Chlorophyta), uma ostra (Isognomon bicolor), um mexilhão (Myoforceps aristatus) e até um siri (Charybdis hellerii).

EDUCAÇÃO PARA CONTER CORAL
Na Ilha Grande os corais não estão localizados em grandes profundidades. A maioria está a cerca de dez metros da superfície, o que facilita a remoção, que não depende de equipamento de mergulho profissional e pode ser feita pela própria comunidade. O projeto conta com 20 catadores de coral-sol, moradores da ilha, que são na sua maioria pescadores, barqueiros e estudantes. Eles recebem treinamento de biólogos para reconhecer o invasor e retirá-lo sem afetar outras espécies nativas.

O estudante Rafael Santos, de 19 anos, recebe R$ 150 por dia de coleta, que não é diária. Pois para dar viabilidade ao trabalho, são organizados mutirões periódicos. Ele mergulha há um ano e diz estar envolvido na atividade:
— Mudei muito a minha visão. Eu não via o coral como uma ameaça, hoje eu sei que ele faz mal, sei que ele está tomando o espaço do coral-cérebro — conta Rafael, que já faz planos. — Eu estou no supletivo, muito provavelmente vou cursar biologia para continuar isto que já estou fazendo.

A remoção é feita por catadores ou biólogos, enquanto que o monitoramento de dispersão é essencialmente feito por mergulhadores.
— Nós do projeto realizamos o trabalho, mas também precisamos muito do engajamento dos mergulhadores, sobretudo para denúncias de novos focos — afirmou Creed.

Outra licença recém-adquirida pelo projeto é a de comercialização do coral, também uma medida inédita do Ibama. Desta forma, além de agregar a comunidade na retirada dos animais marinhos, eles também poderão virar artesanato. Hoje, o esqueleto do coral, que fica branco depois de morto, é vendido na sede. Mas a ideia é agregar valor a ele, revertendo a lógica do comércio ilegal de corais.

Esta iniciativa está ainda embrionária, e a educadora ambiental do projeto, a bióloga Camila Meireles, é quem percorre, casa por casa, toda a Ilha Grande, tentando reunir artesãos à nova proposta. No Bananal, ela visitava a dona-de-casa Ledinéia da Conceição, de 39 anos.
— Eu vou fazer um abajur com este coral — imaginava a moradora que tem três filhos.
O principal desafio de Camila é, na verdade, explicar sobre o invasor, que está se tornando popular entre os moradores.
— Eu faço associações. Por exemplo, há um tempo, houve uma infestação do caramujo africano, que invadia hortas e jardins. Eles entendiam que a espécie era nociva para o nosso ambiente, da mesma forma que o coral-sol é prejudicial para o fundo do mar. É um trabalho lento de convencimento, mas essencial para a manutenção do programa — disse a bióloga.

TRAJETO PERIGOSO NA BAHIA
O litoral brasileiro já perdeu 80% de seus recifes de coral nos últimos 50 anos devido à extração, à poluição ambiental e às mudanças climáticas, segundo o relatório Monitoramento de recifes de corais do Brasil divulgado este ano pelo Ministério do Meio Ambiente. Além destes fatores, a competição com espécies exóticas invasoras também representa um risco de diminuição dos corais nativos. Só do coral-sol, foram identificados mais 200 pontos de ocorrência no Brasil.

Em 2007, houve a primeira notificação oficial de que ele tinha atingido a Baía de Todos os Santos, na Bahia. O registro ocorreu num popular naufrágio, o Cavo Artemidi — a 21 metros de profundidade e a 6,5 quilômetros do Farol da Barra, em Salvador —, local muito procurado por mergulhadores mais experientes. Diferentemente de Ilha Grande, ali a profundidade dificulta o controle da espécie.

— Visitamos o naufrágio recentemente, e ele está bastante infestado, talvez em torno de 40% da embarcação — informou a professora do Instituto de Biologia da UFBA, Carla Menegola, colaboradora do Projeto Coral-Sol. — Como ele está na ponta da baía, quase em mar aberto, nosso receio é que venha a dispersar suas larvas, tanto para o interior de Salvador, como, por exemplo, para o Arquipélago de Abrolhos, o que seria um desastre.

— Ali há espécies endêmicas, que só ocorrem aqui no Brasil. Abrolhos sustentam uma vida marinha muito intensa, é um ambiente ainda virgem, sem poluição, usado para se estudar as relações ecológicas como ocorrem de fato no oceano — exemplifica.
Na região, o coral também foi notado no Recife dos Cascos e na Marina de Itaparica. Por enquanto, a retirada só pode ser feita visando à pesquisa e em pequena escala, já que o Ibama ainda não emitiu licença para a remoção. Eles estão em fase de capacitação de mergulhadores e de formação de parcerias.

QUEDA DE BRAÇO DEBAIXO D’ÁGUA
O controle e prevenção de espécies marinhas invasoras habitualmente esbarram em controvérsias, já que há pouca regulação e a maioria das formas de introdução está associada a atividades com importância econômica, como a pesca, a distribuição de mercadorias ou a produção de petróleo. Entre elas, duas formas relacionadas ao transporte marítimo são potencialmente preocupantes: a água de lastro e a bioinscrustação.

REGULAÇÃO FRACA CONTRA INVASÕES
Diferentemente da água de lastro, que já sofre grande pressão de normas internacionais, não há qualquer regulamentação sobre a bioincrustação, tema relativamente novo das rodas ambientais.

Neste processo, organismos vivos, sobretudo os corais, ficam agarrados a cascos de navios e a estruturas de plataformas, embarcações que percorrem grandes distâncias nos oceanos, transportando essas espécies para biomas totalmente diferentes dos seus. Sem um predador natural, elas acabam proliferando e até competindo com espécies nativas. Segundo um levantamento citado pela professora Andrea Junqueira, do Departamento de Biologia Marinha da UFRJ, estima-se que de 55% a 69% das 1.780 espécies exóticas detectadas em portos no mundo foram introduzidas por bioincrustação.

— Havia uma tinta que os leigos chamavam de “envenenada”, porque impedia a incrustação, que não interessa em nada ao navio, pois aumenta o atrito e o consumo de combustível. Mesmo assim, havia incrustação em áreas não pintadas. Porém, nos anos 2000, ela foi banida, pois causava anomalias em algumas espécies. Para piorar, hoje se explora petróleo em águas profundas, o que dificulta a limpeza. E a tecnologia para limpar o casco das embarcações não evoluiu como a de exploração do óleo — explica Andrea.

ELA COBRA NORMAS INTERNACIONAIS CONSISTENTES PARA O SETOR:
— Todo vetor de introdução tem que ser gerenciado mundialmente, não adianta um país só adotar uma medida muito rígida. E não existe ainda hoje nada global sobre a bioincrustação. O que existe são medidas de alguns países, como Austrália e Nova Zelândia, com ações preventivas e voluntárias.

Como parte de um licenciamento ambiental para perfuração marítima, a Petrobras realizou este ano o primeiro seminário para discutir a bioincrustação, do qual participaram representantes de unidades de conservação e pesquisadores, entre eles, os envolvidos no combate ao coral-sol. Visando ao controle da bioinvasão, a Petrobras diz participar de fóruns internacionais e informa investir em ações de prevenção, como no desenvolvimento de novas tecnologias, junto de órgãos, como o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, da Marinha. Ela não informa, entretanto, quanto gasta na prática.

Enquanto a questão da bioincrustação permanece no âmbito das discussões, a água de lastro já é uma preocupação mais antiga, e a principal regra é que a troca da água seja realizada em alto-mar e não próximo à costa, onde pode afetar sua biodiversidade. O transporte marítimo movimenta mais de 80% das mercadorias e transfere internacionalmente entre 3 e 5 bilhões de toneladas de água de lastro por ano. Estima-se que já tenha provocado a movimentação de pelo menos sete mil espécies entre diferentes regiões, causando alterações em ecossistemas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mexilhão-zebra europeu Dreissena polymorpha infestou 40% das vias navegáveis e já exigiu entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão em gastos com medidas de controle, entre 1989 e 2000.

A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da ONU, promoveu entre 2000 e 2004 uma convenção sobre o controle da água de lastro, da qual fazem parte 36 países, entre eles o Brasil, o que agrega 29% do mercado marítimo mundial. Sobre a bioincrustação, a agência informou ter um “esboço” de diretrizes do seu controle por meio do Comitê de Proteção de Biodiversidade Marinha. Fonte: Globo-16/10/12

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posted by ACCA@10:00 AM

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