Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

sábado, julho 28, 2012

Espaço confinado: Acidente fatal

O vídeo é muito bom, mostra que a falta de clareza na identificação e comunicação de risco  para os trabalhadores provocaram duas mortes.  O local estava identificado como espaço confinado, mas não houve informação que o nitrogênio inerte é um gás com perigo imediato à vida.
■ Em 60% dos casos fatais, ocorreram mais de uma morte vitimando pessoas que tentavam resgatar colegas.

Marcadores: ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@2:46 PM

0 comments

terça-feira, julho 24, 2012

Vazamento de gás letal na instalação do frigorífico da Marfrig

O vazamento tóxico que ocorreu na manhã de terça-feira, 31 de janeiro de 2012, no setor de curtume da instalação frigorífica da Marfrig situada no município de Bataguassu, a 335 quilômetros de Campo Grande, na região leste do Mato Grosso do Sul, divisa com São Paulo.

CENÁRIO DO ACIDENTE
Às 10 h e 20 min., o Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atender um incidente envolvendo reação química de uma substância desconhecida.

O local foi isolado pelos Bombeiros Militares de Bataguassu, de Ivinhema e Três Lagoas que foram deslocados para auxiliar os trabalhos no curtume.

INÍCIO DO ACIDENTE
Segundo informações dos Bombeiros no local, o caminhão-tanque ao descarregar o ácido em um tanque submerso o motorista percebeu que houve uma reação química provocando grande volume de gás, imediatamente ele fechou a válvula de descarregamento do caminhão e afastou-se. Mas três funcionários que estavam em uma estrutura acima do local caíram desmaiados e um quarto tentou descer pelas escadas mas não conseguiu. Funcionários próximos do local começaram a apresentar mal-estar quando o Corpo de Bombeiros de Bataguassu foi acionado.

ÁREA DE ARMAZENAGEM - INÍCIO DA REAÇÃO QUÍMICA
Possui um tanque subterrâneo de 15 mil litros, divididos em três, sendo cada um de 5 mil litros.
O caminhão chegou na área de descarregamento do frigorífico pela manhã. Às 10h15, o motorista iniciou a transferência do ácido para um dos dois tanques, cada um com capacidade de 5.000 litros. Durante o descarregamento dos primeiros 5000 l, o motorista percebeu a reação química e fechou a válvula do caminhão afastando-se rapidamente. Segundo o motorista foram descarregados aproximadamente 600 l de ácido. Percebendo o perigo, o motorista e vários funcionários correram em busca de abrigo.

RESGATE DAS VÍTIMAS
Ao chegarem no curtume 4 militares equipados retiraram imediatamente as 4 vítimas inconscientes e isolaram o local, evitando inclusive que um funcionário jogasse água devido o risco de reação com o ácido. O trabalho dos Bombeiros limitou-se a isolar completamente o local e transportar as vítimas graves e atender as demais no local para posterior transporte ao hospital.

ATENDIMENTO-HOSPITALIZAÇÃO
Entre os feridos, três funcionários foram encaminhadas do hospital de Bataguassu, onde receberam os primeiros atendimentos, para a Santa Casa de Presidente Prudente (São Paulo).. Segundo informações do hospital, os pacientes chegaram na unidade em coma e em estado grave.

A maioria dos funcionários que recebeu atendimento após intoxicação apresentava irritação das vias respiratórias e confusão mental e cerca de 21 funcionários tiveram que ser hospitalizados.
O secretário de Saúde de Bataguassu, disse ser possível que alguns dos intoxicados ainda tenham que conviver com doenças respiratórias para o resto da vida. “Pode haver doenças como asma e bronquite, faremos o acompanhamento de todos pacientes, mesmo aqueles que tiveram sintomas mais leves”.

No acidente, 4 funcionários morreram e outros 28 foram intoxicados. Deste total, 21 foram hospitalizados e, destes, 3 permanecem internados no hospital em Presidente Prudente (SP), em estados que ainda inspiram cuidados.
Os médicos e enfermeiros que atendem no posto de saúde da cidade foram deslocados para auxiliar no atendimento feito na Santa Casa. Os funcionários chegavam de ambulância e carros particulares, todos que passavam por perto eram acionados para que pudessem fazer o transporte, a uma distância de aproximadamente 5 km entre o complexo frigorífico e o hospital. No total, 7 médicos e 22 profissionais de enfermagem faziam o atendimento, iniciado com a triagem.

EMERGÊNCIA
O Comandante Geral dos Bombeiros determinou o deslocamento da aeronave do Corpo de Bombeiros para Bataguassu levando 3 militares, especialistas em Acidentes com Produtos Químicos, material e equipamento, entre eles, um detector de gases para verificar a situação no local.

ISOLAMENTO DA ÁREA E CONTROLE DO GÁS
Cerca de 11 horas depois do vazamento do gás letal os bombeiros trabalham para “neutralizar” o efeito do gás. Com roupas especiais e máscaras de oxigênio, os bombeiros trabalham exclusivamente para neutralizar o efeito do gás e também verificam se há novos vazamentos para que o local volte à normalidade. Além disso, a equipe também estuda uma forma segura para eliminar a substância do local.
A área onde ocorreu o vazamento está isolada em um raio de 100 metros. O gás não se espalhou para o resto do frigorífico.

COLETA DO PRODUTO
Os especialistas em Produtos Perigosos do Corpo de Bombeiros Militar colheram amostra do produto para análise e determinar quais produtos que reagiram ocasionando o acidente.

AUXÍLIO DA CETESB (COMPANHA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO)
Uma equipe da Cetesb (Companha Ambiental do Estado de São Paulo) chegou em Bataguassu, para dar apoio técnico ao Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.
A equipe técnica é composta por quatro profissionais, três da Capital Paulista e um de Presidente Prudente para avaliar a proporção do vazamento de gás.
Os técnicos se reuniram com bombeiros e a Defesa Civil para entender o que ocorreu e preparar a logística para atuação no dia seguinte, que envolve o preparo dos profissionais e também do equipamento para ser utilizado.
De acordo com o engenheiro do setor de emergência da Companhia, Anderson Pioli, a equipe veio dar apoio e colaborar com as investigações do Corpo de Bombeiros sobre o acidente. Segundo ele, os técnicos trouxeram equipamentos especiais para monitorar gases tóxicos e inflamáveis no local. “A equipe vai entrar com a roupa nível A, que é o máximo de segurança.

Conforme o engenheiro, a última medição de gás sulfídrico feita no local apontou que a substância estava 40 partes por milhão. Acima de 100 partes, esse gás se torna letal. “É possível que tenha atingido 100 partes por milhão no momento do vazamento, por isso que teve vítimas que entraram em óbito. O nosso trabalho é confirmar isso. Mesmo sendo um galpão e um local aberto a reação foi muito violenta”, explicou.
O engenheiro explicou ainda que a primeira ação da equipe é tentar identificar o que provocou o acidente. Depois o que ocorreu e, por último, separar os produtos e liberar o local com segurança.

PRODUTO
Segundo informações do técnico responsável da empresa o produto descarregado tem como nome comercial Coramin MKGS (utilizado para retirada de pêlos do couro). Inicialmente foi informado que seria o ácido dicloro propiônico, que foi obtida através da informação contida na placa de identificação do caminhão. Todo veículo que transporta produtos perigosos possui identificações através de números específicos que identificam sua classificação de risco e tipo de produto.

EFETIVOS DO CORPO DE BOMBEIROS
5 viaturas terrestres, 1 aeronave de resgate e 18 bombeiros. Roupas de proteção individual (Roupa de aproximação Nível "A"), explosímetro e detector de gases.

NOTA DA EMPRESA
A Marfrig informa que o acidente envolvendo a unidade de curtume no município de Bataguassu (MS) já foi controlado. Três funcionários atingidos foram removidos para Presidente Prudente (SP) e os demais estão sendo atendidos pela Santa Casa local. Alguns já foram liberados e outros permanecem em observação. Quatro funcionários da unidade vieram a óbito.
O curtume foi evacuado e, em conjunto com a polícia civil e técnica, causa do acidente está sendo apurada. Informações preliminares indicam que houve uma reação química decorrente de manipulação de insumos inerentes da atividade de curtume. Executivos da empresa estão no local empenhados na prestação de atendimento aos funcionários atingidos e suas famílias. A unidade frigorífica de Bataguassu, próxima ao curtume, não foi atingida pelo acidente e continua funcionando normalmente. Assim que as informações estiverem esclarecidas a empresa voltará a informar.

INQUÉRITO
Foi realizado o registro de ocorrência que será encaminhado à delegacia de polícia civil, junto com os autos para os procedimentos e apurações criminais cabíveis. Toda a documentação também deve ser encaminhada ao Ministério Público para verificação. A empresa possuía todas as licenças ambientais exigidas pelos órgãos.

MULTA AMBIENTAL
A multa de R$ 1 milhão foi dada pela Polícia Militar ambiental do MS, calculada com base no artigo 61 do decreto federal de 2008, que trata da penalidade imposta quando os níveis da poluição causam danos aos seres humanos.

DEPOIMENTO DE FUNCIONÁRIOS NA DELEGACIA
■ O motorista do veículo prestou depoimento à Polícia e declarou que esta era a primeira vez que fazia o serviço na Marfrig de Bataguassu e apresentou documentos que mostram que é habilitado para trabalhar com produtos químicos.
O homem disse que foi recepcionado por dois funcionários, os quais indicaram o tanque que seria abastecido. Ele fez o procedimento padrão nestes casos e passados cinco minutos sentiu um cheiro forte, avisou dois trabalhadores que estavam embaixo, desligou a válvula de abastecimento e também correu.
Estes dois funcionários que foram avisados e o motorista saíram ilesos. Já os quatro que estavam no escritório que fica próximo ao tanque morreram..

■ Depoimentos colhidos na quinta-feira, 2 de fevereiro, na delegacia da Polícia Civil de Bataguaçu (MS) reforçaram a hipótese de ter havido falha humana.
A informação é do delegado Pedro Arlei Caravina, que, contudo, declarou que eventuais falhas técnicas também não estão descartadas.
O delegado afirmou que foram ouvidos dois funcionários do frigorífico que também foram intoxicados ao tentar prestar socorro aos colegas, além de técnicos de segurança do trabalho e o motorista, da MK Química. Mas ainda dependemos da perícia feita no local e nas substâncias para apontar se o procedimento padrão foi de fato adotado e falhas técnicas não estão descartadas, disse o delegado.

RETORNO A ATIVIDADE
Na quinta-feira, 2 de fevereiro, os funcionários ligados aos abates voltaram a trabalhar normalmente. Segundo a assessoria do frigorífico, a unidade de Bataguassu é dividida em dois prédios, sendo que em um funciona o curtume, onde ocorreu o acidente, e no outro, a cerca de 500 metros de distância, concentram-se os abates, onde não chegou o vazamento de gás. A Marfrig mantém o isolamento da área até que todos os procedimentos técnicos para o retorno da atividade sejam concluídos.

SEQÜELAS
Os funcionários que tiveram exposição ao gás sulfídrico com o vazamento possivelmente apresentarão sequelas com o tempo. O risco vale para todos, desde aqueles com exposição leve a mais grave. E também não há prazo para serem diagnosticadas, as sequelas podem aparecer até daqui um ano.

A informação é do médico do trabalho Ronaldo de Souza Costa, que já atuou na assessoria da Saúde do Trabalhador do Rio de Janeiro. Segundo ele, o gás sulfídrico, que foi inalado pelos funcionários, contém uma substância corrosiva e afeta diretamente o cérebro da pessoa.

Ronaldo explica que, dependendo da quantidade de gás sulfídrico que a pessoa inalar, pode ocorrer de irritação nos olhos a morte imediata. No último caso, o cérebro recebe o gás, ocorre uma intoxicação cerebral e órgão simplesmente para de funcionar no mesmo instante. A pessoa fica tonta, escurece a vista e ela morre. Dependendo da sensibilidade da pessoa, as sequelas podem ocorrer em vários órgãos ou em apenas um, como rim, fígado, pulmão. Em alguns casos, pode até resultar em câncer. É necessário que se abra um inquérito epidemiológico para que essas pessoas tenham um acompanhamento médico adequado, e o Estado é responsável por isso. Em muitos casos, a pessoa fica doente por conta da exposição e não sabe o motivo, pois a seqüela pode aparecer até um ano após o acidente. Nem sempre aparece imediatamente, pois pode apresentar sinal somente após a consolidação da lesão, explica Ronaldo.

INTERNAMENTO
Continuam internadas as três vítimas. Estão no hospital de Presidente Prudente, município do interior de São Paulo que fica próximo a Mato Grosso do Sul. .
Em 4 de fevereiro, a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente, divulgou boletim médico informando que LOS, de 36 anos, recebeu alta hospitalar.
Dois continuam internados em observação: o engenheiro químico VAG, de 24 anos, e SSV, de 39 anos. O primeiro está conforme boletim do hospital com programação de retirada da sedação e redução da ventilação mecânica.
O segundo está clinicamente estável, aguardando a retirada da sedação e posteriormente também da ventilação mecânica.

ATENDIMENTO À EMERGÊNCIA
Parecer técnico do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) aponta falhas na prevenção de acidentes e sistema de trabalho.
Entre os problemas;
■ a falta de Plano de Ação de Emergência (PAE), necessário para evacuação de funcionários da área,
■ a falta de equipe capacitada para atendimento a emergência envolvendo produtos químicos perigosos,
■ identificação incorreta de tanques de armazenamento de produtos, já que todos são da mesma cor e com rótulos pequenos, dispostos um ao lado do outro. As normas da ABNT [ Associação Brasileira de Normas Técnicas] determinam que, em locais onde há manipulação de produtos químicos, o armazenamento de substâncias que reagem entre sim devem ser feitas em reservatórios de cores diferenciadas para evitar acidentes.
■ o local não havia máscaras de proteção contra gases eficazes contra a intoxicação por ácido sulfídrico. As máscaras à disposição na empresa tinham filtro apenas contra amônia.

CERTIFICAÇÕES
A unidade industrial de Bataguassu do Grupo Marfrig tem certificações pela SA 8000 (Responsabilidade Social), ISO 14001 (Gestão Ambiental), OHSAS 18001 (Segurança no Trabalho) e ISO 22000 (Segurança Alimentar), as quatro principais normas que compõem o Sistema de Gestão Integrado Marfrig.

INDENIZAÇÃO COLETIVA
O MPT (Ministério Público do Trabalho) protocolou ação que cobra indenização de R$ 20 milhões contra o Marfrig pelo acidente.
A ação pede indenização pelos danos morais coletivos e pelos riscos à segurança a que os 108 trabalhadores foram expostos. O acidente foi provocado pela liberação de gás sulfídrico produzido em uma reação química causada pela manipulação dos produtos existentes no curtume.

Para o Ministério, a empresa foi responsável pelo ocorrido já que não cumpria as normas de saúde e segurança do trabalhador, que seriam implantados com adoção de medidas simples.

De acordo com o MPT, as investigações apontam a existência de inúmeras irregularidades ao descumprimento de normas de saúde e de segurança.
■ o laudo do Corpo de Bombeiros apontou que o frigorífico não ofereceu um PAE (Plano de Ação e Emergência) nem repassou informações confiáveis sobre o acidente com a liberação do gás.
■ foram emitidos 32 autos de infração pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e o curtume permaneceu interditado por três meses.
■ falhas na sinalização de segurança, nas orientações quanto aos procedimentos de utilização de produtos químicos, proteção aos trabalhadores, além de prevenção de acidentes e plano de redução e controle de riscos desses produtos.
■ a empresa não tinha plano de controle de incêndios e CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes).

Fontes: UOL Noticias, G1, Campo Grande News, Corpo de Bombeiros de MS, Mídia Max, MS Notícias, 31 de janeiro a 29 de junho de 2012

Comentário

■ No processo de transferência de produtos perigosos deve-se executar medidas de controle operacional e/ou de engenharia,  contra  vazamentos ou reações químicas, provocadas durante a carga e descarga de tanques fixos e de veículos  transportadores, para a eliminação ou minimização desses riscos. 
■ Na operação de transferência a empresa deve dimensionar o efetivo de trabalhadores suficiente para a realização das tarefas operacionais com segurança, com equipamentos de segurança adequados conforme o risco de operação do produto ou substância perigosa. 
■ Isolar a área  de operação
■ Ficar em sobreaviso a equipe de emergência ou brigada para qualquer eventualidade 

O que a empresa deveria ter feito
■ Comunicação de riscos relacionados a produtos químicos
■ Rotulagem preventiva
■ Fichas de dados de segurança (FISPQ, MSDS)
■ Fichas para atuação em emergências
■ Fichas de comunicação de riscos relativas aos contextos específicos de uso
■ Capacitação e treinamento

Obs: Os funcionários que morreram nunca poderia estar na plataforma ao lado do tanque.

O que se pode fazer?
■ Conheça todas as reações perigosas que podem ocorrer caso produtos da empresa sejam acidentalmente misturados.
■ No descarregamento de produtos de contêineres, caminhão-tanque, verifique, faça a dupla verificação, para certificar-se que eles realmente contém o produto correto e que estejam conectados aos tanques recomendados.
■ Certifique-se que todas as conexões de descarga estejam claramente identificadas, incluindo o uso de uma codificação ou sistema de numeração para evitar confundir-se com produtos com nomes semelhantes.
■ Caso os materiais que possam reagir perigosamente sejam descarregados na mesma área, ou os locais de descarga sejam confusos, informe a sua gerência e sugira como melhorar isso. Por exemplo, separando-se os locais de descarga, utilizando-se diferentes tipos de conexões, ou sistemas de intertravamento de válvulas para tornar mais difícil a conexão imprópria.
■ Assegure que operações de descarregamento sejam realizadas por pessoas qualificadas e treinadas e faça a gestão de qualquer mudança em procedimentos.

Ficha de informação de segurança de produtos químicos (FISPQ) ou MSDS (Material Safety Data Sheet) do produto

SULFIDRATO DE SÓDIO
Importante:
■ A solução de sulfidrato de sódio não é compatível com o cobre, zinco, alumínio ou suas ligas (isto é bronze, latão, metais galvanizados, etc.) Corrosivo ao aço acima de temperatura de 65,5º C. Estes materiais de construção não deve ser utilizado em sistemas de manuseio ou recipientes de armazenamento para este produto. Material preferido de construção para tanques de armazenamento é de aço inoxidável, no entanto, o aço de carbono é aceitável.
■ Se estiver trabalhando perto de um recipiente aberto, tanque de armazenamento ou caminhão-tanque, usar equipamento de respiração autônomo de demanda de pressão, se os controles de engenharia são inadequados .
■ EPI
Olhos: Óculos e uma viseira para evitar respingos nos olhos
Mãos: Luvas de Neoprene de borracha.
Roupa: Proteção química e botas devem ser usadas para evitar o contato com o líquido.
Nota:
Lavar as roupas contaminadas antes de reutilizá-las. Sapatos de couro contaminados não podem ser limpos e deve ser descartado.
■ Incompatibilidade
Incompatível com oxidantes fortes, ácidos, substâncias alcalinas fortes, sais de diazônio, cobre, alumínio, zinco ou suas ligas (isto é, latão, bronze, metais galvanizados, etc), água, e o material é corrosivo para o aço acima da temperatura de 65,5º C.
■ Reações perigosas
Polimerização perigosa não ocorrerá. Com ácidos irá causar a liberação de sulfeto de hidrogênio altamente tóxico. Reage violentamente com sais de diazônio.
Solução de sulfidrato de sódio não é compatível com o zinco, cobre, alumínio ou suas ligas (isto é, de bronze, latão, metais galvanizados, etc.)
Diluição de NaHS com água irá aumentar a evolução de sulfeto de hidrogênio. A diluição deve ser feito em recipiente fechado. A mistura com alcalinos fortes podem formar sólido, sulfeto de sódio hidratado.
■ Inalação
Nocivo por inalação. A inalação aguda provoca desconforto respiratório grave por causa da corrosão. O gás sulfeto de hidrogênio é produzido se este produto entrar em contato com ácidos; provoca irritação nos olhos, cefaléia, tontura, confusão mental, fraqueza nas extremidades, inconsciência, edema pulmonar, asfixia, e paralisia respiratória central, levando à morte. Inalação crônica vai causar irritação extrema para vias respiratórias.

Marcadores: ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@8:14 PM

0 comments

sexta-feira, julho 20, 2012

Embriaguez no trabalho

A Consolidação das Leis do Trabalho - CLT prevê, no artigo 482, alínea "f", a embriaguez (habitual ou em serviço) como falta grave por parte do empregado, sendo este um dos motivos que constitui a extinção do contrato de trabalho por justa causa.

Quando o legislador estabeleceu este como sendo um motivo para justa causa, fundamentou-se na proteção do trabalhador que, trabalhando em estado de embriaguez, poderia sofrer um prejuízo maior que a despedida motivada, ou seja, um acidente grave ou até mesmo sua própria morte.

Não obstante, este empregado poderia ainda provocar acidentes ou a morte de outros colegas de trabalho, os quais estariam a mercê de uma atitude do empregador para se evitar uma fatalidade.

A embriaguez pode ser dividida em habitual (crônica) ou embriaguez "no trabalho" (ocasional). Esta se dá necessariamente no ambiente de trabalho e aquela, constitui um vício ou até mesmo uma enfermidade em razão da reiteração do ato faltoso por parte do empregado, podendo ocorrer tanto dentro quanto fora do ambiente da empresa.

A embriaguez habitual tem sido vista jurisprudencialmente mais como enfermidade do que como vício social, o que, perante a Justiça do Trabalho, merece um tratamento e acompanhamento médico antes de se extinguir o contrato por justa causa.

Quanto à embriaguez "no trabalho" ou ocasional, o empregador, exercendo seu poder fiscalizador e de punição, poderá adotar penas mais severas contra o empregado, em se verificando a falta de interesse por parte deste na manutenção do contrato de trabalho.
Se a embriaguez habitual é tida pela jurisprudência como doença e não mais como motivo para justa causa, a CLT deveria ser reformada em seu artigo 482, alínea f, já que este tipo de demissão irá depender da comprovação desta habitualidade.

No meio desta encruzilhada (lei x jurisprudência) está o empregador, que poderá demitir o empregado de imediato e assumir o risco de ter revertida a justa causa, podendo ainda ser condenado a arcar com uma indenização por dano moral ou, não demitir o empregado e contar com a sorte para que este não sofra e nem provoque nenhum acidente de trabalho.

Além da possibilidade de causar um acidente, há também o risco do empregado embriagado causar sérios prejuízos materiais ao empregador, seja por perda de matéria-prima numa falha operacional ou por danos na utilização de máquinas, ferramentas ou equipamentos de trabalho.

Será então que o empregador poderia, havendo estes prejuízos materiais, demitir o empregado por justa causa pelos danos causados e não pelo fato da embriaguez?

Nesta hipótese, será que a justa causa ainda poderia ser revertida no tribunal pela falta de assistência ao empregado?

Sensato seria que a empresa incluísse o empregado no programa de recuperação de dependentes alcoólicos (caso a empresa tenha um programa voltado a dependentes químicos) ou, afastar o empregado e encaminhá-lo para o INSS a fim de que este tenha a oportunidade de se reabilitar antes de retornar ao trabalho.

O entendimento dos tribunais, em qualquer das situações de dependências químicas no ambiente de trabalho, é de que cabe ao empregador esgotar os recursos disponíveis para promover e preservar a saúde do trabalhador.

É comum encontrarmos decisões em que a dispensa por justa causa com fundamento na embriaguez é descaracterizada, condenando a empresa reclamada no pagamento de verbas decorrentes de uma dispensa imotivada ou até mesmo reintegrar o empregado desligado a fim de que este possa fazer o devido tratamento.

Mas e se mesmo após um período de tratamento o empregado não se recuperar ou se depois do retorno da Previdência Social voltar a se apresentar embriagado para o trabalho, poderia o empregador demitir por justa causa?

Embora a empresa não seja obrigada a manter o vínculo empregatício com um empregado considerado incapacitado para o trabalho, sob a ótica dos princípios constitucionais como a valorização do trabalho humano, função social do contrato, a dignidade da pessoa humana entre outros que norteiam esta relação, da mesma forma que a empresa se beneficiou da mão de obra deste empregado enquanto esteve capacitado, prima-se pela tentativa de recuperar sua condição de saúde antes de qualquer despedida arbitrária ou mesmo motivada.

Estas são questões que parecem só resolver nos Tribunais e que dependerão de provas concretas de ambas as partes. A responsabilidade será ainda maior do empregador em provar que se utilizou de todas as medidas para a recuperação do empregado e a manutenção do contrato de trabalho, daí a necessidade de todos os acompanhamentos médicos ocupacionais, que poderão isentar o empregador de maiores responsabilidades.

Fonte: Boletim Guia Trabalhista, por Sérgio Ferreira Pantaleão

Comentário:
É um problema grave.
Algumas indagações:
■Até que ponto uma empresa poderá ser responsável pela recuperação 
■O foco da empresa é produzir
■Nem todas as empresas estão organizadas para fazer esse tipo acompanhamento
■A função da empresa não é cuidar de saúde pública,  individualizando o comportamento de cada trabalhador na empresa em relação a saúde e mudança de comportamento. A empresa deve se preocupar com fatores  ambientais existentes na empresa que interagem para provocar doença ocupacional
■Ninguém deveria ser demitido apenas por ser alcoólico. Se quiser parar de beber, deve merecer uma chance. Se não puder ou não quiser parar, deve ser demitido.
■ O alcoolismo pode estar causando muito prejuízo à sua empresa, em termos de perda de tempo, pessoal e reputação, ou poderá causar um grave acidente de trabalho.

No Brasil, aproximadamente 12,3% da população pode ser considerada dependente de álcool de acordo com os critérios da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), sendo a prevalência de 17,1% entre a população masculina e 5,7% na população feminina.. A dependência alcoólica assume uma alta prevalência quando comparada com muitas outras doenças e atualmente representa, em termos nacionais, um dos maiores problemas de saúde pública (Brasil, 2004a).


CUSTOS DIRETOS
São custos que incidem diretamente sobre o bem, serviço ou atividade. Incorridos com a organização e operacionalização de determinado programa de saúde, como despesas com pessoal, medicação, atendimento psicológico, internação, tratamento de doenças diretamente provocadas pelo consumo do álcool, entre outros. Para além desses custos, incluem-se ainda os custos diretos para usuários e seus familiares, como, por exemplo, gastos com transporte para ir ao tratamento ou compra de medicação (Piola e Vianna, 2002).

CUSTOS INDIRETOS
Não estão diretamente relacionados à intervenção. Estão usualmente associados às conseqüências do problema de saúde e, em particular, associados à perda de produção econômica – por isso, às vezes, chamados de custos econômicos – devido à redução/perda de produtividade do paciente em função da doença, incapacidade física, que pode ser temporária ou permanente, e custos relativos à mortalidade precoce (Piola e Vianna, 2002).
Os custos indiretos são, geralmente, medidos a partir do referencial teórico do DALY (disability adjusted life years ou anos de vida perdidos ajustados por incapacidade) e de uma forma aproximada, considerada como a carga da doença.

CARGA DA DOENÇA E O INDICADOR DALY
Há atualmente uma tendência crescente de se avaliar a contribuição do consumo de álcool, tabaco e substâncias ilícitas à carga global das doenças. A primeira tentativa importante teve lugar no âmbito do projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre carga global das doenças e traumatismos. Com base num padrão de medida conhecido como DALY, avaliou-se a carga imposta à sociedade por mortes prematuras e anos vividos com incapacidades, geralmente físicas, que podem ser temporárias ou permanentes. O projeto sobre a carga global das doenças mostrou que o álcool era uma causa importante de mortalidade e incapacidade em países desenvolvidos

CUSTOS INTANGÍVEIS
São os mais difíceis de serem medidos ou valorados, pois se referem ao custo do sofrimento físico e/ou psíquico do paciente portador de determinada doença. Dependem da percepção que o paciente tem sobre seus problemas de saúde e de suas conseqüências sociais, como o isolamento.
Embora haja metodologias qualitativas para medi-los, geralmente, esses custos não são inclusos nas análises, haja vista que ainda existe grande controvérsia sobre a metodologia para obtenção deles. De qualquer modo, o indicador QALY (quality adjusted life years) é a medida mais freqüentemente utilizada na análise dos custos intangíveis.

O INDICADOR QALY
O DALY e o QUALY são medidas distintas, embora relacionadas. Enquanto o DALY mede os anos de vida ajustados por incapacidade (basicamente incapacidade física) temporária ou permanente, o QALY vai um passo adiante, incorporando a qualidade de vida além da incapacidade física. É utilizado sempre que o problema de saúde acarreta não só conseqüências físicas, mas também conseqüências na qualidade de vida.  

Conclusão: A análise econômica aos estudos científicos sobre o abuso do álcool mostra-se pertinente e necessário, na medida em que se discutem as conseqüências do uso indevido dessa substância para além de somente aquelas relacionadas ao prejuízo à saúde dos indivíduos abusadores; também se refere às conseqüências de impacto público, como, por exemplo, o uso dos impostos pagos pela sociedade para financiar as ações de tratamento e prevenção ao abuso do álcool, e também a perda de produtividade que essa mesma sociedade sofre por conseqüência dos agravos na saúde dos indivíduos acometidos por essa problemática, já que uma de suas conseqüências é o abandono ao trabalho. Fonte: Custos dos problemas causados pelo abuso do álcool – Revista de Psiquiatria Clínica - Departamento e Instituto de Psiquiatria Faculdade de Medicina - Universidade de São Paulo

Marcadores: , ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@1:03 PM

0 comments

terça-feira, julho 17, 2012

Riscos na produção de carvão vegetal

Todos os sentidos do observador são tocados ao se aproximar de uma carvoaria. Em um local plano, escolhido por exigência do processo em meio à mata, depara-se com a fileira de fornos semelhantes a iglus envolvidos pela fumaça, cujo cheiro forte faz arder os olhos e impregna tudo e todos ao redor. Pilhas de madeira esperam a vez de ir para o forno e montes de carvão, às vezes, ainda fumegantes, pelo ensacamento. Os trabalhadores, geralmente seminus, têm o corpo coberto pela fuligem e deles, muitas vezes, somente se vêem os olhos e os dentes.

A maneira pela qual os carvoeiros organizam o trabalho é variável: individual e solitário, ou em duplas. As principais funções no processo são as de forneiro-carvoeiro e de carbonizador-barrelador. No sistema de produção familiar, as crianças desde muito cedo, aos quatro, cinco anos, quando começam a andar com mais desenvoltura, acompanham os pais, especialmente as mães, às carvoarias e “brincam” de ajudar a encher o forno. Em torno de seis a sete anos, algumas delas já conhecem todo o processo, e aos 12, 13 anos assumem todas as tarefas, sem distinção de sexo. As mulheres são, geralmente, poupadas de algumas tarefas como o esvaziamento do forno; porém, observaram-se adolescentes do sexo feminino e mulheres jovens desempenhando todas as funções, além de acumularem as responsabilidades pelas tarefas domésticas, caracterizando uma dupla jornada de trabalho.

Nas carvoarias volantes, os trabalhadores moram ou ficam alojados próximos aos fornos, em instalações improvisadas, cobertas por lonas, dormem em catres e não dispõem de condições mínimas de higiene e saneamento básico. É comum uma família e alguns agregados dividirem o trabalho e a moradia.
O fluxograma da produção do carvão vegetal está representado na Figura.

O processo compreende seis fases principais, que podem ser desdobradas em etapas ou subfases. A rigor, o plantio e o cultivo do eucalipto também devem ser considerados como fases do processo; todavia, não foram detalhados neste estudo, pois, naquele momento, não estavam sendo processados na região. Entretanto, muitos dos trabalhadores entrevistados participaram dessa fase e a descreveram como desconfortável e perigosa para a saúde, notadamente pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, destacando o emprego de crianças.

Corte e transporte da madeira
De modo esquemático, o processo de produção de carvão se inicia com o corte da madeira
da mata nativa ou de florestas homogêneas de eucalipto, utilizando ferramentas manuais como foice e machado, ou mecânicas como a moto-serra, dependendo dos recursos do empregador ou contratador do trabalho. Cortada a lenha, ela é “lerada”, ou seja, os galhos são retirados deixando os troncos roliços e dispostos para secar e, assim, diminuir o seu peso. Após um
intervalo de 15 a 30 dias, a lenha é “embraçada”, formando feixes e transportada até próximo ao forno, com o auxílio de animais de tração pelos “muleteiros” ou do trator, dependendo do porte da carvoaria, e aí armazenada em pilhas.

Abastecimento ou enchimento do forno
Para o abastecimento do forno, o trabalhador executa as seguintes atividades:
(a) preparo do forno;
(b) transporte manual da madeira estocada na área externa até a porta do forno;
(c) transporte manual da madeira da porta do forno até o interior do mesmo;
(d) enchimento do forno, organizando cuidadosamente as madeiras e;
(e) fechamento do forno. No preparo do forno, o trabalhador limpa o interior do mesmo, retirando completamente o carvão produzido no processo anterior, utilizando garfo, pá, enxada, “raspelo” e rodo.

A seguir, ele dispõe folhas secas pelo chão, preparando uma espécie de “tapete”, para diminuir as perdas de calor para o solo. Continuando, as peças de madeira que estão estocadas na parte externa do forno são transportadas manualmente e deixadas perto da abertura ou “boca” do forno. Uma vez preenchida a abertura do forno, recomeça o transporte manual da madeira para o interior do mesmo. Dessa forma, o trabalhador transporta a mesma peça de madeira duas vezes.
A produtividade do forno depende do processo de enchimento. Se a carga é mal feita, a produção será menor do que a capacidade do forno, acarretando prejuízo. A presença de galhos ou folhas perturba a combustão “ótima”, alterando a qualidade do carvão.

Durante a operação de enchimento do forno, o trabalhador assume posturas penosas. Ele sobe e permanece sobre a pilha de toras de madeira e as lança ao solo, o mais próximo possível da entrada do forno. À medida que o processo avança, e a “pilha” de madeira diminui, a retirada de
uma “tora” faz com que as outras rolem pelo solo, aumentando o risco de acidentes. O empilhamento das “toras” na entrada do forno não é aleatório. Existe uma seleção cuidadosa
das mesmas, e sua disposição é feita de modo a aproximá-las do espaço do forno que será preenchido naquele momento. O empilhamento prossegue até uma altura tal que permite apenas a passagem do trabalhador da área externa para o interior do forno. Ele se deita sobre as “toras” empilhadas e desliza sobre elas, chegando ao interior do forno e iniciando o processo de enchimento propriamente dito.

Pela segunda vez, as “toras” são transportadas manualmente pelo trabalhador, respeitando uma
organização minuciosa das madeiras, dispostas de forma centrípeta, ou seja, o espaço próximo às paredes é preenchido primeiro, avançando para o centro do forno. Uma vez no centro, a disposição obedecerá a outro padrão: da parte interna para a externa, no sentido da porta. Como o forno possui o formato de uma “oca”, o trabalhador dispõe as “toras” em posição vertical para, em seguida, fazer o chamado “chapéu” do forno, colocando as “toras” de menor dimensão em sentido horizontal, sobre aquelas postas em sentido vertical. Este modo operatório tem o objetivo de garantir a qualidade do carvão exigida pelas siderúrgicas, que depende da combustão. Durante a observação sistemática realizada, o trabalhador transportou a madeira para a entrada do forno e em seguida para o interior do mesmo, seis vezes, até que o forno estivesse completamente abastecido.

PROCESSO PENOSO
A operação de abastecimento do forno apresenta exigências físicas e cognitivas para o trabalhador. As exigências físicas decorrem das condições de trabalho e do esforço muscular
despendido. Os deslocamentos são numerosos e exigem movimentos coordenados dos membros superiores e inferiores; posturas penosas, com torção e flexão do tronco; movimentos repetitivos e uso de força para o transporte manual da carga. É importante destacar que o esforço físico se dá em condições de desconforto térmico, como será discutido mais adiante.

O trabalhador leva 41 minutos e 24 segundos para completar a tarefa, transportando cerca 7.357kg. O enchimento do forno é realizado em dois ciclos caracterizados pelo transporte da madeira até a porta e, a seguir, desta para o interior, transportando a mesma madeira duas vezes.
Nas situações analisadas, no conjunto das carvoeiras visitadas, não existe água potável disponível. Ao longo das observações sistemáticas, das primeiras horas do dia até o almoço, isto é, entre sete e onze horas da manhã, os trabalhadores que estavam abastecendo um forno não ingeriram água, apesar do esforço físico realizado e da intensa sudorese.

Questionados a respeito, os trabalhadores responderam que preferem tomar água apenas no período da tarde. Posteriormente, revelaram a crença de que a ingestão de água, nas condições de exposição ao calor, poderia “cozinhar as tripas” ou provocar “constipação”. A dieta básica dos trabalhadores era composta basicamente de carboidratos, arroz, feijão e macarrão. Não havia banheiros para higiene pessoal e as condições de moradia eram, sempre, muito precárias.

Quanto às exigências cognitivas da operação de abastecimento do forno, observou-se que, na maioria dos casos analisados, os trabalhadores eram analfabetos e a aquisição dos conhecimentos necessários à realização das tarefas obtida empiricamente. Assim, o conhecimento é incorporado por intermédio de sinais perceptivos em que os índices e os parâmetros utilizados pertencem à propriedade da matéria, como aspecto, forma, odor etc.

ABASTECIMENTO DO FORNO
Os trabalhadores sabem como fazer, ainda que não conheçam as propriedades físico-químicas da combustão. Este “saber-fazer”, expressão traduzida do francês savoir-faire, é constituído por um conjunto de percepções, astúcias e truques adquiridos na prática, no aprender-fazendo. O trabalhador não possui conhecimentos formalizados e sistematizados, mas “incorpora” competências, não facilmente verbalizáveis, que ele mobiliza diante da variação das situações.

Entre as exigências cognitivas para a realização do abastecimento do forno está, por exemplo, o conhecimento específico sobre a disposição das “toras” no interior do mesmo. Durante o transporte das “toras” da parte externa para a porta do forno, o trabalhador seleciona-as de acordo com o espaço do forno que está sendo preenchido. Ele se orienta no espaço e no tempo, fazendo um planejamento que se expressa nas características das “toras” que são escolhidas. 

Por exemplo, é preciso separar aquelas mais curtas e mais largas para o “chapéu” do forno, deixando as mais compridas e estreitas para a base. Esta seleção é feita para preencher corretamente o forno, impedindo espaços livres entre uma “tora” e outra, que levam a uma supercombustão da madeira e interfere na qualidade do carvão. Existe um planejamento da ação para a seleção e disposição da “tora” mais adequada a um determinado lugar no forno, evitando a perda de calor e garantindo a qualidade do carvão. Finalizando, o forneiro ateia o fogo através de uma pequena abertura na porta, deixada especialmente para este fim, fechando o forno com tijolos e barrela, uma mistura aquosa de terra vermelha e água.

CARBONIZAÇÃO

A queima ou combustão da madeira dura geralmente três dias. Durante o cozimento da madeira, o carbonizador supervisiona o processo, no mínimo de hora em hora. Através da liberação e oclusão dos orifícios do forno, denominados “tatus” e “baianas”, controla a entrada de oxigênio e dessa forma, a intensidade da combustão. Segundo os trabalhadores, esta operação é importante para garantir a qualidade do carvão. Para isso, consideram índices e parâmetros construídos na prática, como a cor e o volume de fumaça que sai pelos orifícios do forno. A fumaça de cor azul indica a conclusão do processo de cozimento da madeira. O principal cuidado do carbonizador é impedir que o forno “embale”, produzindo um superaquecimento capaz de provocar a ruptura da cinta que sustenta a abóbada do forno, fazendo desmoronar toda a estrutura, com perda do produto ou carga.

Os carbonizadores consideram o seu cargo como “de confiança”, a função mais especializada, profissionalizada e de maior prestígio na atividade carvoeira. É uma tarefa penosa, vista por alguns trabalhadores como a “pior função” no carvão, por implicar trabalho noturno, já que o forno funciona ininterruptamente.
O barrelador tem a função de “sufocar” o forno, com o auxílio da barrela lançada sobre o forno para impedir a entrada de ar através de pequenas frestas e aberturas, que alimentam a combustão. Desta forma o forno é desligado e resfriado. O barrelador deve repetir este procedimento até que o fogo se extinga.

ESVAZIAMENTO DO FORNO OU RETIRADA DO CARVÃO
Após o reconhecimento do “bom momento” e interrompida a combustão, o forno é deixado para esfriar, sendo então aberto e esvaziado. Os procedimentos adotados pelo trabalhador para a retirada do carvão são os seguintes:
(a) quebra da parede do forno, no mesmo local onde foi fechado, para abri-lo;
(b) transferência do carvão da parte interna para a “grade” colocada na porta do forno;
(c) transporte da “grade” contendo o carvão, da porta do forno para a área externa, e derramamento deste no solo.

Dependendo do ponto de “cozimento” do carvão, os trabalhadores lançam água sobre ele, para acelerar o processo de esfriamento e impedir a perda do produto. A tarefa é feita manualmente. Com a ajuda de um “garfo”, que pesa cerca de quatro quilos, o trabalhador retira o carvão do forno, despejando-o na grade. Esta é um artefato metálico, medindo cerca de dois metros, fabricada com um trançar de arames, semelhante a uma gaiola, com duas alças em cada uma das extremidades, improvisadas com toretes. Quando a “grade” está cheia, o trabalhador pede a ajuda de um colega, e ambos, cada um segurando uma das alças da grade, transportam-na até uma área situada cerca de dois a três metros da porta do forno, despejando o carvão na terra para permitir o resfriamento, facilitar o transporte e ensacamento. A grade cheia pesa cerca de 50kg.

EXPOSIÇÃO A ALTAS TEMPERATURAS
A análise da atividade mostra que a retirada do carvão é a fase mais crítica no que se refere à exposição a altas temperaturas e aos gases originados na combustão da madeira, sob exigência de esforços físicos importantes. Além disso, estão presentes riscos de acidentes como queimaduras. Em algumas situações, dependendo da urgência do pedido, do estado do “cozimento da madeira”, ou das exigências de qualidade do produto, o carvão é retirado ainda aquecido, aumentando a sobrecarga térmica e o risco de queimaduras corporais.

A atividade de esvaziamento do forno apresenta exigências físicas e cognitivas importantes. São necessários movimentos repetidos, com a pá ou o garfo, e adoção de posturas de flexão do tronco e suporte de cargas. A repetitividade da tarefa e as condições climáticas e de conforto desfavoráveis contribuem para a penosidade. A exposição combinada, ambiental e ocupacional, ao calor ou às altas temperaturas é significativa. O calor emitido para o meio ambiente de trabalho pelos fornos, no processo de carbonização da madeira, interage com o calor natural, importante na região e o calor corporal interno, ou seja, os deslocamentos numerosos e fatigantes levam ao aumento do metabolismo corporal e, como decorrência, ao aumento da produção interna de calor, explicando a intensa sudorese observada nos trabalhadores, durante a realização do trabalho.

Na literatura especializada não foram encontrados estudos abordando a sobrecarga térmica na produção do carvão, em que o problema sobressai tanto na observação direta quanto na fala dos trabalhadores. Gripes e resfriados freqüentes são atribuídos pelos trabalhadores à exposição às diferenças de temperatura: elevada, próximo aos
fornos, e baixa, no ambiente, nas madrugadas.

ENSACAMENTO E TRANSPORTE
A etapa de resfriamento do carvão exige um controle atento porque este pode entrar em combustão espontânea, causando a perda do produto. O carvão resfriado é ensacado e/ou colocado no caminhão para ser transportado e comercializado.

Em estudo realizado com trabalhadores de empresas de reflorestamento e produção de carvão no Vale do Aço, em Minas Gerais, Timóteo (1999:40) descreve a atividade de esvaziamento dos fornos como a pior tarefa do processo, recusada por muitos dos trabalhadores:
■ Os trabalhadores consideram o “pior no trabalho com o carvão”, o esforço físico em 53,1%
dos casos,
■ Seguido pela temperatura dentro do forno por 46,9%, e
■ Pela poeira de carvão por 44,9% dos entrevistados.

Na opinião do engenheiro responsável por uma carvoaria industrial visitada, o carvão ideal apresenta as seguintes características: 72% de carbono fixo, 5% de umidade e resistência mecânica de modo que origine o mínimo possível de “finos”. Para que se alcance esta especifica
ção, o carvão deverá ser “carbonizado” por inteiro, garantindo suas propriedades de resistência. Isto exige que o trabalhador saiba analisar e interpretar os sinais da combustão da madeira; reconhecer o carvão de boa qualidade, consoante critérios informais como aspecto e cor, eliminando a madeira que não cozinhou ou “tiço”; retirar o carvão com a ajuda da pá para evitar quebra desnecessária e avaliar a necessidade de umedecer o carvão, e o momento para fazê-lo.

No conjunto, pode-se afirmar que, apesar da aparente simplicidade, cada uma das etapas do processo tem embutido um “saber fazer” essencial para garantir a qualidade do carvão.

CONDIÇÕES DE SAÚDE E SEGURANÇA
A carga de trabalho decorre das possibilidades que o sujeito/agente trabalhador terá, de acordo com as suas características individuais e aquelas da organização produtiva, para evitar a intensidade e a duração da exposição à nocividade das situações laborais, com repercussões importantes sobre suas condições de saúde e segurança.

RISCOS POTENCIAIS
Também estão presentes os problemas de saúde relacionados com o trabalho, identificados na da elaboração do Mapa de Risco na Produção do Carvão.
Os riscos potenciais de traumatismos e picadas por animais peçonhentos, sobretudo cobras, escorpiões e aranhas estão presentes em todas as fases do processo.

O uso da moto-serra, além de ferimentos e traumatismos de gravidade variável, pode causar a perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), contribuir para os efeitos extra-auditivos do ruído, entre eles, a hipertensão arterial, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono, além de doenças músculo-esqueléticas e vasculares decorrentes da exposição à vibração. O manuseio de machados e facões pode ocasionar lesões graves, em decorrência do despreparo do trabalhador, às vezes muito jovem, e do estado de conservação e adequação das ferramentas.

Nas fases de preparo e enchimento do forno, foram relatados acidentes envolvendo a queda das toras, atingindo os trabalhadores e provocando lesões de gravidade variável, de simples escoriações a traumatismos graves e fraturas.
O esforço físico excessivo e o trabalho em posições forçadas, bem caracterizados pela análise ergonômica, estão presentes em todas as etapas do processo de trabalho. Como assinalado anteriormente, em 41 minutos e 24 segundos, o trabalhador transportou cerca de 7.357kg para encher o forno, realizando movimentos repetitivos de torção e flexão do tronco.

PESO E MOVIMENTOS REPETITIVOS
A retirada do carvão do forno configura uma situação crítica, observando-se um sinergismo entre o esforço físico despendido, a repetitividade dos movimentos, as condições climáticas adversas, a exposição a altas temperaturas e a falta de condições mínimas de higiene e conforto. As queixas de lombalgias e problemas relacionados à coluna vertebral são muito freqüentes.

Os problemas lombares aparecem como a segunda causa de demanda de consulta médica na rede de serviços de saúde, sendo expressivo o número de trabalhadores precocemente incapacitados para o trabalho. O esforço físico intenso e continuado, particularmente em jovens, é responsável pelo desenvolvi mento de hérnias inguinais e escrotais, observação confirmada na literatura.

INALAÇÃO DE FUMAÇA
A fumaça que sai dos fornos irrita os olhos e as vias aéreas superiores, impregnando a pele e tudo que está ao redor. No processo de carbonização da madeira são produzidos subprodutos da pirólise e da combustão incompleta, como o ácido pirolenhoso, gases de combustão, Alcatrão, Metanol, Ácido Acético, Metanol, Acetona, Acetato de Metila, Piche, Dióxido de Carbono, Monóxido de Carbono, Metano, que escapam dos fornos através dos orifícios e podem provocar lesões das vias aéreas e intoxicação.

Possíveis efeitos neurológicos e hematológicos, teratogênicos e carcinogênicos dessas substâncias, descritos na literatura necessitam ser mais bem investigados.
As condições de trabalho são inadequadas, sem o mínimo conforto, os equipamentos e instrumentos de trabalho são arcaicos e/ou sem proteção, o trabalho é monótono e sob tensão, sobremaneira, na fase de “vigiar” o forno. As exigências de grande esforço físico, a exposição ao ruído e vibração pelo uso da moto-serra, à radiação solar excessiva, ao calor emitido pelos fornos, às substâncias químicas produzidas na combustão da madeira e à picada por animais peçonhentos são algumas das condições de risco para saúde identificadas no estudo. Considerando a fase de crescimento e desenvolvimento biológico e emocional das crianças e adolescentes trabalhadores, a exposição a essas condições de risco, sem a adoção de medidas de controle ou de segurança poderá comprometer sua saúde de modo irreversível.

CONCLUSÃO
É difícil falar de conclusões em um estudo dessa natureza. Pode-se simplesmente propor que a atividade carvoeira nessa modalidade seja extinta, pois é intolerável que adolescentes ou crianças, homens e mulheres vivam e trabalhem sob as condições observadas. A consciência de que o Brasil exporta com o ferro gusa, a biodiversidade do Cerrado, madeira, o trabalho e a saúde dos trabalhadores, incluindo crianças e adolescentes deve nortear uma melhor distribuição dos lucros na cadeia produtiva do aço e reordenar os processos produtivos de modo a minimizar ou abolir algumas de suas conseqüências negativas, na direção de um desenvolvimento humano sustentável
A realidade é complexa e convoca ao esforço de aprofundamento da questão e à busca de soluções. Entre os desafios está o de se conseguir melhorar as condições de trabalho, pela mecanização das fases mais agressivas, protegendo, contudo, o emprego e os trabalhadores. Quanto às crianças e adolescentes, para além da atuação de fiscalização e punição das transgressões da lei, são necessários programas específicos como o da “bolsa-escola” e outros similares, que permitam às famílias que vivem em situação de carência extrema “liberar” seus filhos para o estudo, dando-lhes outra perspectiva de vida.

Além dessas e de outras iniciativas no campo da saúde e educação, são necessárias políticas públicas de mais longo alcance capazes de corrigir os efeitos deletérios do “desenvolvimento” da produção de carvão vegetal no país, que destroem o cerrado e as florestas.

Fotos: mostram uma carvoaria que utiliza madeira ilegal para produção de carvão vegetal. O trabalhador carrega madeira extraída ilegalmente da floresta amazônica em um forno para produção de carvão vegetal , 8 de junho de 2012, em Rondon do Pará, Estado do Pará, Brasil. O carvão vegetal de madeira ilegal é usada principalmente no Brasil, nas fundições de ferro-gusa, que é usado para fazer aço para as indústrias, incluindo os EUA na fabricação de automóveis. Fonte: The Big Picture Boston

Artigo publicado no blog
Criança trabalhando em carvoaria

Fonte: Resumo do estudo: Processo de trabalho e saúde dos trabalhadores na produção artesanal de carvão vegetal em Minas Gerais, Brasil. Autores: Elizabeth Costa Dias, Ada Ávila Assunção, Cláudio Bueno Guerra, Hugo Alejandro Cano Prais, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais e Agência Terra.

Vídeo:

Marcadores: ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@2:00 AM

0 comments

domingo, julho 15, 2012

Desastres de veículo da década de 30

Comentário: As causa dos acidentes do século passado são as mesmas desse século. O que muda é a tecnologia e a potência dos carros e a energia armazenada.
A Lei de Murphy explica que fatores insignificantes se transformem em tragédia a medida que aumentam a potência dos veículos e das máquinas. “Quanto mais energia você concentra em um espaço pequeno, maiores as conseqüências de qualquer ato”, diz Moacyr Duarte, especialista em catástrofes.
Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si e maiores as chances de acidente.

Marcadores:

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@9:07 AM

0 comments

terça-feira, julho 10, 2012

Maioria dos jovens dirige teclando celular

Se digitar, não dirija. O alerta não vem em embalagens de celular, propagandas de operadoras nem foi abraçado por autoridades.

Uma pesquisa do Ibope feita pelo Ibope em novembro de 2011 em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife revela:
■ Nas 5 capitais mostram que 8 em cada 10 motoristas reconhecem que hábito é arriscado, mas boa parte não faz nada para mudar
■ Pesquisa feita com 350 jovens de 18 a 24 anos em cinco capitais brasileiras mostra que 59% deles escrevem na direção. São torpedos, posts no Facebook, conversas em chats.
■ Perguntados se acham o hábito arriscado, 80% disseram que sim e um em cada três reconheceu que não faz nada para mudar

ESPECIALISTAS PREOCUPADOS
"É como se o indivíduo dirigisse de olhos fechados e, quando precisa reagir (frear ou desviar), não dá tempo", diz o perito em acidentes Sérgio Ejzemberg. Para ele, apesar de o País não ter dados sobre colisões causadas pelo manuseio do celular, "certamente elas estão ocorrendo e as pessoas, morrendo". "É pior do que dirigir alcoolizado, porque os olhos não estão na pista."

AUMENTA A CHANCE DE COLISÃO
Segundo o órgão americano de segurança no trânsito, o NHTSA, ao teclar um simples "ok", o motorista aumenta em 23,6% a chance de sofrer um acidente.

AÇÕES  PREVENTIVAS
E, apesar de não ser uma exclusividade nacional, a pouca preocupação do brasileiro com atitudes preventivas é apontada pelo consultor em Engenharia Urbana Luiz Célio Bottura como parte do problema. "Ele não dá bola, acha que não vai acontecer nada", diz. "Só que o seguro não paga o conserto se constata alguma irregularidade, como o uso do celular."

AÇÕES EDUCATIVAS
E são justamente as seguradoras que mais têm alertado para a questão. Iniciamos uma ação educativa na TV paga. Neste mês, faremos na aberta, em rádios e redes sociais. A peça mostra um condutor com os olhos tapados por cinco segundos (tempo médio de pegar o celular e teclar), diz a gerente de Marketing da Porto Seguro, Tanyze Maconato.

Em abril, a BB Mapfre já tinha lançado campanha em TV aberta e paga, mídia impressa, redes sociais e cinemas. No filme, um smartphone se aproxima do rosto de uma mulher - até se chocar e se estilhaçar contra ele.

Advertência. "Acredito que vá chegar o momento em que as empresas (de telefonia móvel) vão veicular advertências, como as de cigarro e bebida fazem", diz Paulo Rossi, superintendente de marketing da BB Mapfre.

AS OPERADORAS
A única operadora que já desenvolve ações é a Claro - em fevereiro, lançou a campanha Basta uma Letra em lojas próprias. Assinada pela Ogilvy Brasil, mostra uma vaca no fim de uma estrada muito longa.
A Vivo informou que "incentiva os usuários a respeitar a legislação", a Oi disse não fazer ações e a Tim não quis se manifestar.

O QUE DIZEM OS JOVENS
■"Olha, eu sou bom nisso!" É assim que o analista de sistemas FCMP, de 24 anos, responde se troca mensagens com os amigos e dirige ao mesmo tempo. Você pode, então, imaginar que isso ocorre só quando ele está no semáforo? "Não, em movimento também. Na troca de marcha, controlando quem vem atrás, olhando se tem pedestre ou ciclista na via, avaliando se é preciso frear", diz, sem cerimônia.
■ O estudante de Publicidade e Propaganda DA, de 19 anos, acaba de fazer um ano de carta. No início, mal digitava no farol vermelho. Mas foi só pegar confiança para deixar de resistir a ver o que chega - via torpedo, Facebook, Twitter, WhatsApp e BBM (chats do iPhone e BlackBerry), Gtalk (chat do Google) e até mesmo... e-mail, o avô das mensagens - e responder. "Em movimento, aperto uma letra e olho para a frente, outra e olho para a frente."

NÃO EXISTE CÉREBRO MULTI-TAREFA
Uma década de pesquisas mostra que o dom das multi-tarefas, a capacidade de fazer várias coisas simultaneamente, com eficiência e bem-feitas é um mito. O cérebro não foi projetado para atentar para duas ou três coisas simultâneas. Ele é configurado para reagir a uma coisa de cada vez, dizem os pesquisadores Stephen Macknik e Sandra Blakeslee. Você pode argumentar que seu caso é diferente porque você faz isso há anos e dá certo. Não é que seu cérebro seja incapaz de executar várias coisas ao mesmo tempo, mas ele não consegue fazer com eficiência.
Isso porque, quando presta atenção à conversa telefônica, o cérebro meio que “diminui o volume” das áreas visuais. O mesmo ocorre quando estamos checando o e-mail ou jogando videogame, alguém começa a falar e você, sem ouvir uma palavra, só fica lá concordando com tudo.
Outro colega de Macknik e Blakeslee, chamado Russ Poldrack, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, mostrou que quando estamos distraídos usamos o “corpo estriado”, uma região do cérebro envolvida na aprendizagem de novas habilidades. Quando estamos concentrados, outra região é que entra em jogo: o hipocampo, relacionado à armazenagem e recuperação das informações. Por isso é que muitas vezes, depois de ler mil coisas ao mesmo tempo na internet, acabamos fazendo a triste constatação de que, embora tudo parecesse novo e interessante, não guardamos quase nada na memória.
Quando nos esforçamos a exercer uma multiplicidade de tarefas, talvez estejamos contribuindo para que percamos eficiência a longo prazo, ainda que às vezes pareçamos estar sendo mais eficientes, disse Poldrack.
Fonte: Estadão - 08 de julho de 2012 e Superinteressante, 25 de maio de 2012


Comentário:
A indústria automobilística também incentiva colocando no painel   do carro dispositivos ou equipamentos eletrônicos que interagem com o motorista. O carro daqui a pouco vai se tornar um carro de entretenimento, distraindo o motorista na condução. No conceito de carro do futuro tem painel interativo com LCD interativo, apresentando as principais informações ao motorista quando ele precisa de dados relacionados a mapas, GPS e estações de rádio.

Uma reportagem publicada em maio de 2012, no jornal The New York Times aponta para um desafio que muitas montadoras de veículos começam a enfrentar nos Estados Unidos. Uma vez que os carros ficam mais e mais conectados, quais são os limites para a instalação de aplicativos no painel do automóvel? Até que ponto esses sistemas inteligentes podem ser útil ou conveniente sem prejudicar a segurança do motorista e passageiros?

O que se  ver em carros, GPSs sintonizados não em mapas mas na programação da TV, DVD a iPad, que agora tem até suporte específico para afixá-lo no pára-brisa.
Uma equipe do Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme), da

Universidade Mackenzie, passou os últimos dois anos entrevistando cerca de 2 mil adolescentes. A diferença do tempo dedicado por eles a cada mídia é surpreendente. Os nativos digitais, como são chamados aqueles que cresceram diante das novas tecnologias, passaram menos de 5 mil horas de suas vidas diante de livros. Televisão e videogame, juntos, ganharam 30 mil horas. E-mails e mensagens de celular, 250 mil.

Os jovens atuais estão dependentes das drogas eletrônicas, isto é, dependente da internet ou web ou das redes sociais. Essa dependência é transportada para toda atividade ou ação  que os jovens estão envolvidos. O carro é um deles, faz parte do sistema de multitarefa..
Teclar realizando outras tarefas digitais na direção é responsável por mais acidentes e mortes do que imaginamos. Sacrificar sua vida para ler uma mensagem? Acontecem todos os dias. O mundo precisa despertar para essa questão (jornalista americano, William Powers). 

Vídeo:

Marcadores:

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@2:57 PM

0 comments

sexta-feira, julho 06, 2012

Enviar SMS aumenta riscos de acidentes em 4 vezes

É proibido dirigir falando ao celular. O que muita gente não sabe, ou finge não saber, é que mandar SMS, usar um aplicativo ou acessar a internet ao volante também são infrações de trânsito.

ABRAMET - CAMPANHA
Para alertar sobre os riscos dessas atitudes, que elevam em quatro vezes as chances de acidentes, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) lançou ontem uma campanha para tentar desestimular a utilização dos aparelhos eletrônicos entre os motoristas.
O foco do vídeo, divulgado na internet, é o envio de mensagens de texto. De acordo com Dirceu Rodrigues Alves Junior, chefe do departamento de medicina de tráfego ocupacional da entidade, quem escreve ou lê um torpedo gasta muito mais tempo sem prestar atenção ao tráfego.


ALGUNS SEGUNDOS E A COLISÃO
“A pessoa leva de 4 a 5 segundos só para fazer o contato com um aparelho tocando. Se o carro estiver a 100 km/h, terá percorrido 120 metros sem a visão frontal do motorista.” Ele explica que quando o aparelho começa a tocar, por exemplo, a reação produzida no condutor é de surpresa, o que o leva à busca imediata do equipamento.
O fenômeno é acompanho de “intensa ansiedade”, e uma das mãos acaba sendo retirada do volante, uma violação do artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Pela legislação, isso só pode ocorrer para mudar a marcha ou acessar algum acessório que está no painel.

USANDO CELULAR TEM RESPOSTAS MOTORAS TÃO ATRASADAS
Alves Junior diz ainda que o condutor usando celular tem respostas motoras tão atrasadas a estímulos de fora quanto a de alguém guiando o carro embriagado. Apesar de saber dos riscos e de já ter sido multada algumas vezes em São Paulo – a última, por sinal, na semana passada –, a pedagoga Christiane de Almeida, de 48 anos, continua usando seu iPhone ao volante.
“Nunca bati por causa disso, mas tenho uma amiga que destruiu o carro porque ficou procurando o celular na bolsa enquanto ele tocava. Ela não viu o carro à frente e bateu”, conta.

FISCALIZAÇÃO
Nos cinco primeiros meses do ano, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou ter aplicado 187.686 multas para motoristas ao celular. A quantidade é um pouco maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 183.485 condutores foram autuados.
O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em engenharia de tráfego pela Universidade de São Paulo (USP), defende que essa fiscalização seja ampliada. “Em média, a CET faz 78 autuações por hora, ou 1,3 por minuto. Parece um número grande, mas se ficarmos em qualquer avenida quase não monitorada em São Paulo, como a Ataliba Leonel ou a Sapopemba, vamos ver passando bem mais do que um motorista por minuto falando ao celular.”
Segundo ele, a Prefeitura também deveria colocar mais fiscais na rua à noite e de madrugada. “A CET tem que abrir os olhos ao problema todos os dias e horários, até as duas da manhã, quando também há pessoas mandando SMS e dirigindo ao mesmo tempo.” Figueira diz ainda que digitar uma mensagem no celular é tão perigoso quanto “dirigir fritando pastel, fazendo tricô ou lixando unhas”.

COMANDO DE VOZ
Mesmo celulares ou comandos de ação que funcionam por meio da voz também representam risco. “A sua atividade cerebral é desviada do foco central, que é dirigir. Mesmo assim, as pessoas continuam não acreditando que é perigoso.” A recomendação dele e de Alves Junior, da Abramet, é desligar o aparelho ou colocá-lo no silencioso. Isso é justo para evitar a vontade de ver uma ligação no momento em que o telefone toca.

INFRAÇÃO
A infração, que é média, custa R$ 85,13 e rende quatro pontos na carteira de habilitação. De acordo com a CET, em todo o ano passado foram registradas 461.159 multas por uso do celular ao volante, ante 473.153 multas em 2010. O órgão de trânsito informou que essa foi a quarta infração mais cometida pelos motoristas paulistanos nos dois últimos anos.

Fonte: Estadão - 18 de junho de 2012




Simulação interessante em que o leitor faz parte da interação.
Vale a pena interagir

Comentário:
Parece-me que existe uma mágica entre o celular e o ser humano? É uma atração fatal  que não sei explicar? É um vício, é uma droga eletrônica? O celular banaliza a vida.  O celular implantou a indústria de morte, aquela morte banal e alegre. O celular programa a morte daquele que o utiliza de modo inseguro. O triste dessa programação sempre leva alguém  que não tem nada a ver com o acontecimento.  Vivemos a era do entretenimento eletrônico dirigindo.
Desde a primeira morte causada por automóvel em 1896, o número de acidentes de trânsito não pára de crescer. No mundo atualmente morrem por ano 1,2 milhão de pessoas, e 50 milhões ficam com sequelas graves. Uma morte a cada 30 segundos.
Hoje os acidentes de trânsito representam a nona causa de mortalidade, mas em 2020 deverão ser a terceira.
O Brasil é destaque negativo em números absolutos e relativos. É um dos trânsitos mais matadores das Américas, só perdendo para Venezuela e El Salvador. A nossa taxa de mortalidade por veículos, é seis vezes maior do que a japonesa.
E nas nossas rodovias, morre 10 a 20 vezes mais do que nos países  desenvolvidos. O que poderemos fazer para modificar estas tão tristes estatísticas? 

Marcadores:

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@11:44 AM

0 comments