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domingo, novembro 27, 2011

Cena real - Vibração do martelete pneumático no corpo humano

A Supercâmera (Time Warp) é um programa que passa no canal Discovery. Em um desses programas, passou o que acontece com o trabalhador operando um martelete pneumático. A Supercâmera praticamente fracionou o movimento lentamente (mais de 1.000 quadros por segundo), vemos a movimentação da musculatura do trabalhador provocado pela vibração do martelete.



QUAIS SÃO OS EFEITOS SOBRE A SAÚDE DA VIBRAÇÃO MÃO-BRAÇO?
A vibração induzida avança lentamente nas condições de saúde No início ele começa como uma dor. Com a exposição contínua da vibração, a dor pode tornar-se um ferimento ou doença. A dor é o estado de saúde em primeiro lugar que é observado e deve ser abordada de forma a impedir o dano.
A vibração induzida denominada dedo branco (VDB) é a condição mais comum entre os operadores de ferramentas manuais vibratórias. A vibração pode causar alterações nos tendões, músculos, ossos e articulações, podendo afetar o sistema nervoso. Coletivamente, esses efeitos são conhecidos como síndrome de vibração mão-Braço (SVMB). Os sintomas da SVMB são agravados quando as mãos estão expostas ao frio.

Os trabalhadores afetados por SVMB comumente relatam:
■ ataques de brancura (branqueamento), de um ou mais dedos quando expostos ao frio
■ formigamento e perda de sensibilidade nos dedos
■ perda do tato
■ dor e sensação de frio entre os períodos ataques do dedo branco
■ perda da força de agarrar, segurar e apertar.
■ cistos ósseos nos dedos e pulsos
O desenvolvimento de SVMB é gradual e aumenta em gravidade ao longo do tempo. Pode demorar alguns meses até vários anos para que os sintomas de SVMB tornar-se clinicamente perceptível.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA SÍNDROME DE VIBRAÇÃO MÃO-BRAÇO (SVMB)?
A exposição à vibração da mão-braço afeta o fluxo do sangue (efeito vascular) e provoca a perda da sensação de toque (efeito neurológico) nos dedos.

QUAL É O FENÔMENO DE RAYNAUD DE ORIGEM OCUPACIONAL?
A síndrome de vibração mão-braço também é conhecida como fenômeno de Raynaud de origem ocupacional. Vibração é apenas uma das causas do fenômeno de Raynaud. Outras causas são as doenças do tecido conjuntivo, lesão tecidual, doenças dos vasos sanguíneos nos dedos das mãos, exposição ao cloreto de vinila, e o uso de determinadas drogas. O fluxo sanguíneo reduzido resultante pode produzir dedos brancos em ambientes frios.

QUAIS SÃO OS EFEITOS NA SAÚDE DAS VIBRAÇÕES NO CORPO INTEIRO?
As vibrações no corpo inteiro podem causar fadiga, insônia, problemas de estômago, dor de cabeça e "tremores" logo após ou durante a exposição. Os sintomas são semelhantes aos que muitas pessoas experimentam depois de viagens longas de carro ou uma viagem de barco. Após a exposição diária ao longo de vários anos, a vibração de corpo inteiro pode afetar todo o corpo e resultar em uma série de problemas de saúde.

Veículos aéreos, marítimos ou terrestres podem causar enjôos quando a exposição a vibração ocorre na faixa de freqüência 0,1-0,6 Hz. Estudos de motoristas de ônibus e de tratores descobriram que a exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro poderia ter contribuído para um número de problemas do aparelho circulatório, intestino, aparelho respiratório, dores musculares e das costas. Os efeitos combinados da postura do corpo, fadiga postural, hábitos alimentares e vibração de corpo inteiro são as possíveis causas para esses transtornos.

Estudos mostram que a vibração de corpo inteiro pode aumentar a freqüência cardíaca, consumo de oxigênio e freqüência respiratória, e pode produzir mudanças no sangue e na urina. Pesquisadores do leste da Europa têm observado que a exposição à vibração do corpo inteiro pode produzir uma sensação geral de doente, que eles chamam de "doença de vibração."

Muitos estudos relataram uma diminuição do desempenho em trabalhadores expostos a vibração do corpo inteiro.

QUANTO DE EXPOSIÇÃO DE VIBRAÇÃO TEM SE ACUMULAR ANTES QUE AFETEM AS PESSOAS?
Como em todas as exposições ocupacionais, a sensibilidade individual à vibração varia de pessoa para pessoa.
Três fatores importantes que afetam à saúde podem resultar da exposição a vibrações:
■ o valor do limiar ou a quantidade de exposição à vibração que resulta em efeitos adversos à saúde
■ a relação dose-resposta (como a gravidade dos efeitos adversos à saúde está relacionada à quantidade de exposição)
■ período de latência (tempo da primeira exposição ao aparecimento de sintomas

O valor limite de vibração é o nível abaixo do qual não há risco de síndrome da vibração. Em outras palavras, é a intensidade máxima de vibração a que os trabalhadores mais saudáveis podem ser expostos a cada dia de trabalho para sua atividade em tempo integral, sem desenvolver palidez, dormência ou frio dos dedos. Os trabalhadores não vão desenvolver lesões relacionadas com a vibração ou doença, se a exposição à vibração é mantida em níveis suficientemente baixos.

O que se tem observado é que o número de pessoas afetadas aumenta, como a intensidade e a duração da exposição aumenta a vibração. Esse tipo de relação exposição-resposta indica uma possível relação entre efeitos à saúde e a quantidade total de energia de vibração que entram nas mãos ou corpo. Dependendo da intensidade da exposição, os sintomas podem aparecer em meses ou anos após o início da exposição.

O período latente de SVBM é o tempo desde a primeira exposição ocupacional a vibração mão-braço até o início dos sintomas. O período de latência depende da intensidade da exposição. Quanto maior a intensidade, mais curto o período de latência.

POR QUE NÃO É FÁCIL DE DIAGNOSTICAR AS DOENÇAS RELACIONADAS COM A VIBRAÇÃO?
A aceitação da síndrome da vibração como uma doença industrial é dificultada principalmente:
■ Nem todo médico é treinado para diagnosticar vibração induzida dedo branco (VDB) ou outras doenças relacionadas com a vibração.
■ As causas do VDB nem sempre podem ser identificados.
■ Não há testes objetivos que mensuram o prejuízo.
■ A doença progride durante anos antes de os sintomas se tornarem graves o suficiente para afetar a capacidade de desempenho do trabalhador.

EXISTEM ESTUDOS SOBRE OS EFEITOS COMBINADOS DE RUÍDO E VIBRAÇÃO?
Como a maioria das máquinas vibratórias e ferramentas produz ruído, um trabalhador exposto a vibração, provavelmente deve estar exposto ao ruído, ao mesmo tempo. Estudos da perda auditiva entre os lenhadores (utilizam motoserras) revelaram que, para a exposição a ruídos iguais, aqueles com o dedo vibração induzida branco (VDB) tiveram maior perda de audição do que aqueles sem VDB. A razão para este efeito não está clara.
Estudos sobre o efeito da exposição separada e simultânea ao ruído e vibração de corpo inteiro concluíram que a vibração de corpo inteiro sozinho não causa perda de audição. No entanto, a exposição simultânea a ruído e vibração produz maior perda auditiva temporária que o ruído sozinho.

EXISTEM NORMAS DE EXPOSIÇÃO PARA VIBRAÇÃO?
Os limites de exposição recomendado pela (ACGIH, Conferência Americana de Higienistas Industriais do Governo (USA). .
Existem outras regulamentações e normas. Os locais de trabalho devem tentar manter as exposições muito abaixo dos limites possíveis.
Em alguns países, o limite de exposição também é dado como limite limiar e limite de exposição. O limite limiar é inferior ao limite de exposição e garante o início das medidas de controle.
Fonte: Canadian Centre for Occupational Health and Safety

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quinta-feira, novembro 24, 2011

Os perigos do gás natural

Você foi atender a uma chamada de vazamento de gás na rua. Você pensa, mais uma rotina de vazamento de gás. Você chamará a concessionária de gás, espera por um representante para atender, e então retorna a sua unidade de Corpo de Bombeiros. Desta vez, entretanto, porque você entra no prédio, você escuta um som ensurdecedor de ruptura da canalização principal de gás de alta pressão. O odor característico do gás penetra na área.

O proprietário faz sinais, dizendo que a retroescavadeira da empreiteira provocou a ruptura da canalização. Enquanto você conversa com o proprietário, o gás inflama-se. Esta não é uma chamada rotineira.

O gás natural, quando transportado através da canalização da concessionária de serviço público e usado corretamente, é seguro. Entretanto, quando as prestadoras de serviço danificam, equipamentos falham, temperaturas extremas, erro humano, incêndio, ruptura de adutoras, colapso de edifício, e assim por diante, são adicionados ao incidente, o gás natural pode tornar-se perigoso, especialmente para os bombeiros.

Você sabe os perigos que o gás natural pode oferecer ao público e aos bombeiros? Você sabe o que fazer, para quem chamar, e manter todos seguros quando o gás está escapando?

Este artigo pretende aumentar a consciência dos bombeiros aos perigos que podem encontrar quando atendendo e operando em incidentes, onde o gás natural pode ser a razão para a resposta ou está indiretamente envolvido com o incidente.

As táticas apropriadas, o auxílio e a cooperação da concessionária, e uma “dose de bom senso” caminhará em direção a segurança, minimizando estes incidentes.

ASPECTO GERAL
O gás natural é entregue para você através de uma canalização, que vem desde os campos de gás e é distribuído pela concessionária.

As estações compressoras impulsionam o gás (aumentam a pressão do gás, na saída, em aproximadamente 750 psi) ao longo da canalização. Estas canalizações de gás são conhecidas como canalizações de gás de transmissão (gasoduto) que entregam o gás a uma série de concessionárias da região.

A pressão do gás é ajustada para alta, média ou baixa e alimenta o sistema da distribuição do gás. Este sistema abrange a rede geral (canalização existente nos logradouros públicos, ruas e avenidas, estradas, etc) e os ramais (canalização partindo da rede geral conduz o gás até o local do medidor, edificação comercial, residencial ou industrial). As tubulações de distribuição ou as principais podem ser de ferro fundido, plástico semi-inflexível e aço carbono ou a combinação destes materiais.

Peça a sua concessionária de gás para fornecê-lo as informações relativas às pressões do gás e o material utilizado no local e bem como informação crítica sobre seu sistema de gás.


OS PERIGOS E TÁTICAS OPERACIONAIS
As seguintes táticas são recomendadas para os bombeiros quando a vida e a propriedade não estão expostas a riscos. Quando a vida está em risco, o comandante de operação terá que decidir que ações ele pode executar com segurança, baseado em uma análise de risco/beneficio da situação.

Por exemplo, se uma empreiteira estiver executando uma escavação e rompeu a canalização de gás, houve vazamento e o gás inflamou-se, o comandante de operação deve determinar se é um resgate ou uma operação de remoção do corpo e formular um plano baseado nessa informação.

O plano deve levar em consideração a segurança da vítima, dos bombeiros, e do público em geral. O material apresentado neste artigo pretende ajudar com informações práticas o comandante de operação a decidir o curso de ação apropriado.

Relacionamos os perigos associados com gás natural, que os bombeiros podem encontrar em vazamento de gás e sugestões de táticas para sua minimização.
■O gás escapando criará uma nuvem do vapor que pode inflamar se. Garanta a área, e mantenha o público e os bombeiros afastados da nuvem de vapor, a uma distância segura.
■Posicione todos os equipamentos e bombeiros em posição contrária do vento, fora do trajeto do vazamento do gás.
■A temperatura de ignição do gás natural é de 903o C, e pode facilmente ser inflamada na borda da nuvem do vapor, onde está dentro dos limites de ignição.
■Onde possível, eliminar todas as fontes de ignição (retroescavadeira, aparelhos de combate a incêndios, iluminação, ferramentas mecânicas elétricas e a motor, por exemplo) na vizinhança da nuvem do vapor e no local da ruptura.
■Preparar um hidrante numa posição segura e estende uma linha com cuidado, transportada para uma área segura; a linha deve ser suficiente para cobrir exposições em potenciais. Dependendo da situação, linhas múltiplas de mangueiras devem ser montadas, em reserva, podem ser necessárias.
■Linhas de mangueiras com esguichos reguláveis de alta vazão podem ser usados em direção ao vazamento de gás, distante das estruturas e das fontes de ignição expostas.
■Se o vazamento de gás igniza, o calor radiante resultante pode ameaçar na proximidade, estruturas, veículos e pessoas. Preparar linhas de mangueiras com esguichos reguláveis de alta vazão para proteger estruturas expostas. Não tente extinguir o gás em chamas ao ar livre, deixe-o queimar-se.
Um incêndio de gás natural extinto, pode re ignizar por causa do combustível e do calor que permanece depois que o fogo é extinto. A maneira mais segura para extinguir gás em chamas é interromper o fluxo de gás que alimenta o fogo. Foto vazamento
■Se possível, não deixe a água escoar na escavação. Isto impedirá os esforços de trabalhadores/concessionária de estancar o fluxo de gás e reparar a tubulação danificada.
■O gás natural não tem nenhum odor. O odor que associamos com o gás escapando é fornecido pelo mercaptano, que é adicionado ao gás natural assim que incorpora no sistema de distribuição da concessionária. Se o vazamento de gás passa através do solo, o odor pode não sentido, fazendo a detecção do gás somente por um equipamento de detector vazamento de gás. Usando um detector do gás, verifique se as edificações circunvizinhas indicam a presença do gás natural.
■Se uma retroescadeira danifica uma linha de gás e pode movê-la, desde que a linha de gás não pode ser puxada, mas ela pode ser removida da canalização que está conectada (ramal de distribuição).

Assim, uma linha de gás danificada não pode somente escapar gás no local danificado, mas também pode de fato ter sido retirada da canalização do edifício ou ainda retirada da canalização principal de gás na rua. Em conseqüência, o gás poderia escapar perto da parede do edifício e na rua, distante da ruptura. O gás escapando pode transformar-se numa armadilha subterrânea, através do concreto, pelo asfalto, galeria de infraestrutura ou uma camada de gelo e, em conseqüência, pode se locomover no subsolo em longa distância. Desta maneira, pode escapar-se à atmosfera ou entrar em edifícios distante do local original do vazamento.

Pode mesmo penetrar no sistema de esgoto ou em dutos subterrâneos de energia elétrica ou de comunicações e se locomove em longa distância, eventualmente penetrando em edificações distantes. Isto resulta em uma área de perigo maior do que imaginada.

Evite estacionar o excedente de equipamentos das viaturas sobre galerias de infraestrutura localizadas na rua ou avenida.

O gás pode ter acumulado nestas posições e as viaturas poderiam fornecer uma fonte de ignição, colocando em perigo bombeiros e danificando equipamentos.

Eu estou ciente de diversos exemplos em que um equipamento de incêndio forneceu a fonte de ignição para o vazamento de gás.

■Um detector de gás deve ser usado para indica a presença de gás e determinar sua concentração e bem como o grau de perigo que se apresenta. Se as unidades de bombeiros no local do incidente não possuem um detector de gás, é necessário chamar uma unidade que possui este aparelho. Se houver diversas edificações para verificar, comece com detectores de gás na cena. O pessoal da concessionária de gás é equipado com detectores de gás. Use sua perícia para ajudar-lhe com a detecção do gás e avaliação do perigo. Usando o detector de gás, verifique as estruturas superficiais (galerias, eletricidade, esgoto e telefone) e edifícios circunvizinhos para verificar se há indicações de migração de gás. Se o gás estiver penetrando em edifícios, evacue quando necessário.

■Não tente interromper o fluxo do gás das canalizações plásticas de gás. O gás que escoa através da tubulação plástica cria eletricidade estática, que acumula no exterior da tubulação quebrada do gás.
Tocar ou chegar perto da tubulação pode resultar em uma descarga estática suficiente causar a ignição do gás escapando.
O pessoal da concessionária é treinado para segurar a tubulação plástica e deve aterrá-la, assim como todas as ferramentas usadas. Deixe a canalização plástica interrompida para os técnicos da concessionária de gás.


VAZAMENTO DE GÁS - VÁLVULAS
Esforçar-se para isolar o vazamento de gás tão próximo quanto possível do vazamento.

Para vazamento de aparelho, feche a sua válvula. A fonte seguinte do controle distante do aparelho é a válvula do medidor, situada antes do medidor (o medidor pode estar no interior ou fora da edificação, dependendo da norma.).


Figura: O primeiro ponto de fechamento é a  válvulas do aparelho.  Se não é acessível, feche a válvula de gás do medidor, então a válvula de serviço, e finalmente a válvula de segurança.(registro de passeio) 

Se necessário, a válvula do serviço, situada no interior do ponto da entrada ao edifício para o serviço do gás, interromperá o fornecimento de gás à edificação.

Isto é verdade para os edifícios onde os medidores do gás estão no interior. Para edifícios com os medidores no lado externo, a válvula do serviço é encontrada antes dos medidores. Se o edifício tem somente um medidor e está no lado externo, pode haver uma válvula antes do medidor que pode ser usada para fechar o fornecimento de gás para o edifício

Do lado do logradouro público, a válvula de segurança pode ser alcançada, fechando a fonte de gás ao edifício. Não feche a válvula principal da rua.

Consulte os procedimentos de operação da concessionária de gás relativo às válvulas de operação.

Se o vazamento não foi localizado, é possível que o vazamento penetrou na edificação do lado da válvula de serviço ou de uma parte da canalização principal ou infiltrando de um outro apartamento ou edificação anexa. Tenha cuidado mesmo quando a fonte de um vazamento de gás foi identificada e fechada.

A quantidade de gás na edificação ainda pode estar no limite de explosividade (5 a 15 por cento), ou pode haver uma segunda fonte de vazamento de gás ainda não detectada na edificação. Utilize sempre um detector de gás para determinar quando o nível de gás é seguro. Evacue se necessário.

FONTES DE IGNIÇÃO
Você pode reduzir a possibilidade da ignição evitando algumas fontes de ignição em potencial geralmente encontrada no local:
■Ao alertar os moradores, bata em portas. Não utilize a campainha! A campainha pode fornecer uma faísca para inflamar o gás.
■Use rádios portáteis intrìnsecamente seguros (aparelho projetado para não gerar ou produzir centelha e nenhum efeito térmico que pode causar a ignição) e seja cauteloso ao ligar lanterna elétrica e câmera térmica de imagem ou no ambiente externo pode gerar uma faísca.
■Não use telefones celulares na edificação
■Notifique a concessionária elétrica para desligar o fornecimento de energia elétrica dos edifícios envolvidos. Se o fornecimento de energia elétrica é desligado pela concessionária, o edifício pode possuir gerador próprio, o que não pode ser uma boa idéia, porque o gerador transformará numa fonte de ignição em potencial. Se a eletricidade é desligada para eliminar possíveis fontes de ignição, não desliga o painel elétrico ou chaves e não aciona interruptores de luz ou dispositivos. Estas ações podem gerar uma faísca que possa inflamar o gás. Além disso, não mexe nos medidores elétricos, porque o gás pode migrar acima na bandeja do medidor. Mexer nos medidores elétricos podem gerar uma faísca.

NUNCA REABRA NENHUMA VÁLVULA DE GÁS QUE ESTEJA FECHADA
Se uma válvula de gás for fechada durante a investigação e mais tarde foi decidida que ela não teve nenhum impacto no vazamento, não reabra a válvula. Ao contrário da água ou da eletricidade, os testes da integridade devem ser executados na canalização antes que possa ser reaberta.

Também, todas as lâmpadas pilotos desligadas por causa do fechamento da válvula de gás terão que religadas; senão, estarão bloqueando o gás nestes locais. Deixe que a concessionária de gás faça a religação das válvulas, pois ela sabe quais foram desligadas e tomarão cuidado na sua execução.

AS CONDIÇÕES DO MONÓXIDO DE CARBONO CAUSADAS POR APARELHOS/EQUIPAMENTOS DE GÁS NATURAL
Quando a combustão inadequada e defeituosa ou condições defeituosas do conduto/chaminé existem, todos os dispositivos de queima têm a potencialidade para produzir o monóxido de carbono adicional (CO). Quando você encontra níveis elevados de CO na edificação, desligue todo dispositivo suspeito de contribuir para estas condições.

O CO é incolor, inodoro, e indetectável sem um aparelho medidor de CO. Use sempre o medidor do CO para determinar quando a área é segura.

O Corpo de Bombeiros de Nova Iorque solicita que as empresas de serviços públicos atendem os incidentes com CO, quando;
■mais de nove ppm acima dos níveis ambientais do CO estão presentes nos locais,
■o Corpo de Bombeiros desliga o gás de um aparelho defeituoso suspeito, ou
■o comandante da operação determina a presença da concessionária no local.

Consulte a sua unidade de bombeiros para determinar que ações específicas devem executar na presença de CO.

INCÊNDIO E QUEIMA DE TRANSFORMADORES E CABOS ELÉTRICOS EM GALERIAS
Durante incêndio e queima de transformadores e cabos elétricos subterrâneos têm o potencial de queimar-se através das tubulações adjacentes de gás. Se você sentir o cheiro ou detecta o gás natural com o detector de gás durante estes incidentes, solicite a presença no local da concessionária de gás e de eletricidade.

QUEDA DE CABOS DE ALTA TENSÃO
A queda de cabos de alta tensão pode queimar se e propagar-se na superfície do solo e através da rua de asfalto atingir a canalização principal de gás enterrada e então queimar-se, inflamando possivelmente o gás (vazamento). Solicite a presença no local da concessionária de gás e de eletricidade.

DESMORONAMENTO DE EDIFÍCIOS
Desmoronamento de edifícios, totalmente ou parcialmente podem provocar ruptura ou danificar linhas de gás.
Quando um edifício desmorona, as linhas de gás no edifício podem romper-se e o impacto dos escombros na queda pode danificar a canalização principal de gás do logradouro público.

Quando na operação destes incidentes, comunicar a concessionária de gás para determinar se existe serviço de gás em atividade na edificação ou a canalização principal do logradouro público foi danificada. Solicite a concessionária de gás desligar o gás antes que se transforme um perigo ao pessoal de resgate.

RUPTURA DE TUBULAÇÃO DE ÁGUA
A ruptura de tubulação de água, adutora, galeria de água pluvial, provocará solapamento de estradas de rodagem, avenidas, e poderá afetar a infraestrutura existente no local, principalmente a canalização de gás, colocando em risco. O solapamento grave pode causar ruptura da canalização principal de gás.
A água pode também danificar as linhas elétricas subterrâneas e causar vazamento de gás, que pode inflamar-se em conseqüências de faíscas e criar uma condição muito mais séria do que a ruptura principal da água. Solicite as concessionárias (gás e elétrica) para verificar as linhas elétricas, transformadores e gás estão em riscos. 

AS VÁLVULAS PRINCIPAIS
Nunca tente operar a válvula principal. Raramente fará a interrupção somente no local do incidente que está sob controle, pois as linhas de gás são alimentadas de diversas direções.

Os empregados da concessionária de gás possuem o sistema de mapeamento de gás para determinar qual a combinação das válvulas devem ser fechadas para interromper o fluxo do gás.

Adicionalmente, fechando indiscriminadamente as válvulas principais, você pode causar mais danos do que benefícios. A localização crítica, de um hospital, uma clínica de repouso, ou um projeto de habitação, por exemplo, pode ser fechada.

Como mencionado previamente, testar extensivamente a integridade de todos os edifícios afetados e canalizações que serão exigidas; em conseqüência, uma vez fechada, pode levar semanas para restabelecer o serviço de gás.

LOCALIZAÇÃO CRÍTICA
Entre contato com a concessionária de serviço público de gás para identificar todas as posições críticas (medidores reguladores, estações de transferência e válvulas, estações de fornecimento de gás, por exemplo) em sua área de incidente.

Para aumentar a segurança, conduza exercícios para familiarização destas posições, e desenvolve pré-planos.

COMANDO DE OPERAÇÃO
O comandante de operação do incidente deve sempre “olhar o cenário global" e considerar os perigos que os bombeiros podem encontrar, quando na operação dos incidentes com gás natural.

O comandante de operação deve notificar a concessionária sobre a confirmação de vazamento de gás, efetuar a avaliação destes incidentes, analisar a necessidade da evacuação de um edifício ou uma área, levando em consideração as seguintes questões;
■Onde está escapando o gás?
■Onde está acumulando o gás?
■Está aproximando do limite de explosividade?
■Que problemas e perigos estarão presentes se o gás inflamar-se?
■Estão os bombeiros, o público, e os aparelhos em local seguro?
■O que pode sair errado?
■Que recursos adicionais, informações e equipamentos são necessários para controlar e minimizar a situação com segurança?

Freqüentemente, as respostas a estas perguntas podem ser obtidas do representante da concessionária de serviço público no local. Utilize o pessoal da concessionária como um recurso.
Contate as concessionárias de serviço público da de sua região e solicite treinamento e familiarização com os vários produtos que fornecem (gás, energia elétrica. etc).

Efetuar treinamento com eles, adquirindo conhecimentos, aumentará a segurança dos bombeiros, dos trabalhadores das concessionárias e da população que servimos.

O Corpo de Bombeiros de Nova Iorque firmou uma "parceria em segurança" com a concessionária de energia elétrica da cidade, Edison. Na cidade de Nova Iorque, o Corpo de Bombeiros e a Concessionária de energia elétrica, Edison Co. utilizam o sistema de comando de incidente (ICS) para melhor comunicar-se e coordenar durante as emergências.

Uma das maneiras mais eficientes para ajudar a minimizar com segurança uma emergência de gás natural é trabalhar em conjunto com sua companhia de serviço público de gás.

Em conseqüência da utilização do sistema de comando de incidente, o Corpo de Bombeiros é instruído da situação; um plano de combate para executar em condição segura; planejamento de tempo; interrupção de energia elétrica; e, o mais importante, todos os perigos e problemas de segurança associados com a emergência. A concessionária treinou os bombeiros, os oficiais e chefes da companhia, para lidar com segurança as emergências de serviço público.

Adicionalmente, a concessionária, Edison Co fornece treinamento de serviço público para membros do Corpo de Bombeiros da cidade de Nova Iorque, no seu centro da aprendizagem (escola de treinamento), em reuniões de pessoal técnico, nas unidades de Corpo de Bombeiros, em exercícios comuns de familiarização, e durante incidentes críticos e significativos.

Através de treinamento e planejamento em conjunto, o Corpo de Bombeiros de Nova Iorque e a Concessionária de Energia Elétrica, Edison Co, aumentaram a segurança à resposta de emergência, e bem como, aos cidadãos da cidade.

Você deve contatar sua concessionária de serviço publico e buscar um relacionamento recíproco em relação a procedimentos de segurança em emergência

Fonte: Natural Gas Hazards - Fire Engineering November, 2004 - Frank C. Montagna é chefe de operação e tem 34 anos de experiência no Corpo de Bombeiros da cidade de Nova Iorque. Atualmente é responsável pelo setor de treinamento do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque, elaborando programas de treinamento para chefias, unidades do Corpo de Bombeiros e bombeiros. É formado em tecnologia de fogo pela faculdade John Jai, onde ministrou cursos de tecnologia e gerenciamento de fogo, como professor adjunto.

Comentário:
Edison Natural Gas Explosion - Durham Woods
A explosão da tubulação da empresa Texas Eastern Transmission ocorreu em Edison , New Jersey em 23 de março 1994. Uma tubulação de 90 cm de diâmetro, de um gasoduto rompeu e explodiu em chamas ao lado do complexo de apartamentos Durham ao longo da estrada de New Durham.

CAUSA
A causa da ruptura foi causada por danos mecânicos. O incêndio resultante destruiu ou danificou severamente 14 apartamentos. Mais de 1.500 moradores dos apartamentos foram evacuados, 100 moradores ficaram desabrigados e ocorreu uma morte por ataque cardíaco.

DANOS E FALHAS
A Agência Nacional de Segurança no Transporte (National Transportation Safety Board) encontrou danos externos na tubulação, provavelmente causado anteriormente por equipamentos de escavação; em combinação com material da tubulação frágil e pressões de operação excessiva provavelmente levou à ruptura.
A agência também encontrou falhas com a falta de válvulas de fechamento automático ou por controle remoto: as válvulas manuais foram difíceis de alcançar e fechar, impedindo os operadores de imediato o corte de gás que alimentava o fogo. Além disso, a agência descobriu que a empresa não monitorava adequadamente a atividade de escavação na faixa de servidão (direito de passagem).

AÇÕES JUDICIAIS
A empresa Texas Eastern pagou quase US $ 65 milhões em indenizações.

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segunda-feira, novembro 21, 2011

Perigo de liberação de vapores inflamáveis em áreas congestionadas

Em 7 de fevereiro de 2010, seis trabalhadores morreram e pelo menos outros 50 ficaram feridos em uma explosão de gás natural em uma usina de energia elétrica em construção em Middletown, Connecticut, EUA. As explosões resultaram de execuções de trabalho que liberaram grande quantidade de gás natural inflamável na presença de trabalhadores e de fontes de ignição. Middletown é uma cidade universitária a 37 quilômetros ao sul de Hartford, a capital do Estado.

A explosão foi sentida até em East Haven, a 48 quilômetros de distância, e fumaça negra era visível por quilômetros em volta do local.

No momento do acidente, os trabalhadores estavam realizando a limpeza da tubulação, denominada "gás blow", no qual o gás natural é forçado pela tubulação à alta pressão e volume para remover resíduos , como parte da fase de comissionamento e startup do projeto.

O gás natural foi forçado a partir de uma tubulação aberta entre duas grandes estruturas em uma área perto do prédio de geração de energia (1).

Neste local, uma área ao ar livre, em seu entorno estava repleto de equipamentos de geração de energia (2). Medidas foram tomadas para eliminar ou controlar as potenciais fontes de ignição na área.

No entanto, fontes de ignição permaneceram dentro e fora do edifício. O gás natural liberado encontrou uma fonte de ignição e explodiu (3).

Este acidente ocorreu durante a construção e colocação em funcionamento de uma usina, e envolveu uma grande quantidade de gás inflamável.

Entretanto, não é raro em muitos outros tipos de instalações de processo a exigência de passagem de líquido inflamável ou vapor através de tubulação ou equipamento para manutenção ou paralisação.

. Você sabia?
■ Uma área congestionada, significa uma área que contém grande quantidade de tubulações, equipamentos, estruturas, edifícios e até mesmo recursos naturais, tais como terrenos irregulares ou árvores.
■ A liberação de uma pequena quantidade de vapor inflamável numa área congestionada pode resultar em uma nuvem de vapor perigosa.
■ A explosão de uma nuvem de vapor inflamável numa área congestionada é provavelmente mais violenta e destrutiva do que uma explosão de uma nuvem de vapor equivalente em uma área mais aberta.
■ A Comissão de Segurança Química Americana ( Chemical Safety Board -CSB) recomendou às indústrias e órgãos reguladores que a prática de liberar gás inflamável na atmosfera com a finalidade de limpeza da tubulação de gás combustível deve ser proibida, e alternativas de gás não inflamáveis devem usados.

O que você pode fazer?
■ Não presuma que o gás ou vapor perigoso lançado para o exterior dispersará de forma segura. Inspecionar a área e analisar os efeitos do confinamento.
■ Se a liberação de líquido inflamável ou gás é inevitável, procure uma saída para local seguro, distante de pessoal e de fontes de ignição, de preferência com sistema de ventilação projetado para tratar com segurança vapores perigosos. Evitar áreas congestionadas ou outros lugares onde vapores poderiam acumular, em vez de se dispersar.
■ Faça análise de risco minucioso, sempre que a ventilação de material perigoso é necessária, para minimizar a liberação e controle potencial de fontes de ignição, e proteger pessoas e bens de propriedade.
■ Nunca confiar no seu olfato para detectar a presença de gases perigosos.

Obs:
Comissionamento (inspeção/aceitação): Procedimentos de execução, aceitação de materiais e equipamentos; Preservação adequada; Verificações nas redes de precedência e emissão de documentos que garantam e comprovem parâmetros e performances estabelecidos no projeto original.

Fonte: Process Safety Beacon - August 2011 - The Hartford Courant-February 7, 2010

Comentário: Existe uma grande diferença entre hidrocarbonetos líquidos e gases inflamáveis liquefeitos. Vapores liberados de hidrocarbonetos líquidos se espalham por curta distância, mas vapores liberados por gases inflamáveis espalham-se por centenas de metros.
O que disse a OSHA sobre esse acidente e recomendações as empresas:

Em 7 de fevereiro de 2010, uma explosão devastadora na usina de energia Kleen em Middletown, Connecticut provocou perda elevada de vidas humanas, matando seis trabalhadores e ferindo outras cinqüenta. Esta explosão foi provocada pela ignição de gás natural sob pressão que estava sendo usado para limpeza de tubulação de combustível recém-construída.

MULTAS
Após inspeção completa no local do acidente, a OSHA aplicou penalizações com sanções propostas, totalizando mais de US $ 16,5 milhões. Essa tragédia poderia ter sido facilmente evitada mediante o uso do bom senso, a adesão às normas OSHA e procedimentos adotados pela indústria de segurança, e seguindo as normas de segurança interna.

RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR
O empregador é responsável por eliminar ou controlar os riscos que podem matar ou ferir seus empregados nessas unidades. É responsabilidade de todos os empregadores, especialmente as que operam em indústrias de alto risco, garantir a segurança e a saúde de seus empregados no local de trabalho. Nenhum dos principais empregadores da Energia Kleen em 07 de fevereiro de 2010, tomou as medidas adequadas para eliminar ou reduzir os riscos associados a uso de gás inflamável para limpeza (gas blow), apesar de saber do potencial de incêndio e riscos de explosão associados a essas operações. Os empregadores tinham revisto e aprovado os procedimentos de segurança para a realização dessas operações. A investigação da OSHA, no entanto, determinou que muitas dessas precauções não foram seguidas.
A prática de usar gás natural para limpar sistemas de tubulação é inerentemente perigosa

RECOMENDAÇÃO DA CSB
A Comissão de Segurança Química dos EUA (CSB), também investigou a explosão, recomendou que os empregadores sejam proibidos de lançar gás inflamável para a atmosfera com a finalidade de limpeza de tubulação de gás combustível Existem alternativas viáveis para a limpeza de tubulação de gás combustível com gás natural; essas alternativas incluem o uso de não-inflamável, não explosivo para limpar as tubulações. A OSHA recomenda o uso alternativo de gás não-inflamável, não explosivo, quando é necessário o uso de gás para limpar tubulações.

Se as empresas envolvidas na construção ou reforma de usinas de geração elétrica alimentadas a gás, no entanto, optar pelo uso de um procedimento de “gás blow”, que utilizam gás natural, você deve avaliar e relacionar todos os riscos potenciais antes e durante a limpeza e tomar as medidas eficazes para eliminar a exposição dos trabalhadores a esses riscos.

RECOMENDAÇÃO: EXPURGO NA VERTICAL
Deve fazer o expurgo do gás natural na vertical e, acima de todas as estruturas, eliminar todas as fontes de ignição, retirar todos os trabalhadores não essenciais do local, e monitorar a atmosfera potencialmente perigosa durante e após a conclusão da limpeza. No mínimo, os seguintes requisitos aplicáveis a estas operações:

29 CFR 1.926,20 (b) (2) - O empregador deve ter um profissional competente, capaz de reconhecer os riscos de construção no local de trabalho, incluindo aqueles associados à limpeza com gás inflamável.

29 CFR 1.926,21 (b) (2) - O empregador deve treinar os trabalhadores para reconhecer os riscos no local de trabalho de construção, incluindo aqueles associados com gás inflamável.

29 CFR 1926,352 (c) - O empregador deve assegurar que a operação de corte e solda não é executada na presença de compostos inflamáveis, incluindo o gás natural.

29 CFR 1926,403 (b) (2) - O empregador deve assegurar que os equipamentos de fabricantes registrados, rotulados e identificados ou certificados em locais de construção são utilizados de acordo com as instruções incluídas nos respectivos equipamentos (proibir o uso de equipamentos que possam inflamar gás natural).

CLÁUSULA DE PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA
Seção 5 (a) (1) Cláusula de Princípios Gerais da Administração de Saúde e Segurança - O empregador deve manter o seu local de trabalho livre de riscos reconhecidos que causem ou possam causar a morte ou lesões físicas graves. Os riscos de limpeza de gás natural (gás blow) são bem reconhecidos na indústria da construção de usina. Esta cláusula fornece aos empregadores a obrigação de conhecimento direto dos perigos.

É imperativo que a empresa avalia cuidadosamente todos os aspectos da operação de limpeza com gás natural (gás blow) no sistema de combustível e seguir com a implementação de todos os procedimentos de segurança necessários.

Se a empresa é terceirizada ou sub-contratante e não está diretamente envolvida na operação de limpeza com gás, a empresa, no entanto, deve garantir que seus trabalhadores estejam totalmente protegidos.

É de sua responsabilidade de cumprir a lei e para proteger totalmente os trabalhadores nesses locais. Qualquer falha no cumprimento da lei e nos padrões de segurança aceitos pela indústria durante a operação de limpeza com gás no sistema de combustível será rigidamente aplicada pelo governo ou pela agência OSHA em toda a extensão da lei.

A intenção desta cláusula é garantir o conhecimento dos perigos inerentes à operação de limpeza no sistema de gás combustível, bem como atender os requisitos de segurança da OSHA.

Se a OSHA encontrar violações desses requisitos, ela aplicará infrações citando por violações intencionais que levam a uma penalidade máxima de US$ 70 mil. Se qualquer empregado morrer como resultado de uma explosão associado com a limpeza com gás (gás blow), além das penalidades civis propostas, a OSHA comunicará o acidente ao Departamento de Justiça para o processo criminal em conformidade com as disposições criminais da Cláusula de Princípios Gerais da Administração de Saúde e Segurança de 1970.
Fonte: U. S. Department of Labor Assistant Secretary for Occupational Safety and Health
Washington, D.C.

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quarta-feira, novembro 16, 2011

Parte 3 - Acidentes de trabalho dizimam famílias

Justiça do trabalho toma decisões, na maioria das vezes, superficiais

Durante quase 20 anos, de segunda a sábado, José Arnaldo Vargas, 49 anos, trabalhou como instalador de acessórios numa concessionária de veículos em Brasília. Nunca sofrera qualquer acidente. Chegou a integrar a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) da empresa por dois anos. Em 9 de fevereiro de 2007, ele foi enterrado com o veredicto de culpado. José Arnaldo morreu ao ser atingido pelo veículo que consertava junto com um colega, ao despencar do elevador eletromecânico que o sustentava no alto.
Os peritos da Polícia Civil concluíram que o equipamento funcionava regularmente e que a culpa foi de Vargas, que não verificou, “no início do içamento”, se o veículo estava bem posicionado no elevador. Não foi considerada, na perícia, a técnica do trabalho, que implica forçar o veículo para baixo ao colocar as peças, o que Vargas e o outro funcionário fizeram naquele dia. A Justiça do Trabalho acolheu a defesa da concessionária Disbrave com base no laudo da Polícia Civil, atribuindo “culpa exclusiva” à vítima, e negou a indenização por danos morais pedida pela família.

A busca da culpa do funcionário pelas tragédias ainda é a prática na análise dos acidentes, e é aceita pela Justiça, mas está ultrapassada do ponto de vista do conhecimento científico, diz o médico do trabalho e doutor em saúde pública Ildeberto Muniz de Almeida, professor da Universidade do Estado de São Paulo (Inesp). “Essa visão tradicional, que centra a explicação do acidente na pessoa da vítima, é individualizadora, reducionista”, denuncia.

Oficinas e comércios são os que mais provocam acidentes de trabalho O auditor-fiscal do trabalho na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Fortaleza Mauro Khouri critica esse modelo de análise centrado na noção do ato inseguro. “Um grande número de acidentes está resumido nisso: de que o funcionário não prestou atenção. Mas não se pode estabelecer um sistema de segurança baseado na atenção da pessoa. Tem que haver outras medidas de proteção coletiva”, alerta.

CONTROLE
Para o médico e professor da Unesp, essa visão tradicional inibe a prevenção, porque a origem do problema permanece. Pressupõe que o trabalhador faz o que quer, que poderia fazer de outro jeito e que tem o controle absoluto da situação, dos meios disponíveis, dos materiais necessários, o que não é verdade. “Isso significa pensar também que as condições do ambiente em que se dá o trabalho nunca mudam. Mas elas são variáveis, conforme a época, a quantidade de pedidos e a demanda, a disponibilidade de material, entre outros fatores”, destaca Almeida. Ele afirma que não é mais possível encontrar casos de acidentes explicados pela culpa exclusiva da vítima.

Na maioria das vezes, alerta Almeida, é graças ao conhecimento que o trabalhador tem para lidar com essas mudanças — a matéria-prima que não está agarrando no equipamento, a máquina que não funciona direito — que ele consegue identificar o problema, corrigi-lo e evitar o acidente. “Ninguém vê, ninguém valoriza o não-acidente”, diz. “O certo é que a gestão de segurança deveria explicar as razões pelas quais o trabalhador fez a tarefa sempre com sucesso e não deu certo daquela vez, no lugar de julgá-lo e culpá-lo”, afirma o médico.

Em sua avaliação, na maior parte das falhas, estão constrangimentos na organização do trabalho, a necessidade de execução da tarefa em prazo curto ou o surgimento de um problema novo em dado momento, no qual o trabalhador perde a compreensão do que está acontecendo. Para o especialista, no caso da morte de Vargas, a pergunta que deveriam fazer é: “Por que não aconteceu antes?”

Khouri explica que os servidores do Ministério do Trabalho estão orientados a investigar o acidente em todos os seus aspectos e não apenas se a máquina está funcionando ou não. “É preciso descobrir o que contribuiu para o acidente acontecer. Compreender que há fatores diversos, imediatos, intermediários, subjacentes e até latentes, que explicam o ocorrido, que envolvem a organização da empresa, o gerenciamento e a gestão de pessoal, de materiais, de segurança, entre outros pontos.

ELE FEZ A FEIJOADA
Quase cinco anos depois da morte do mecânico José Arnaldo Vargas, seu irmão Francisco de Assis ainda não se conforma com a perda daquele que tanto ajudava a família. “Eu estive na concessionária três dias antes do acidente que o matou e comentei com ele que o elevador no qual trabalhava era muito inseguro, pois não havia travas para as rodas nas laterais das sapatas que amparam o veículo. Ele disse que não era para eu me preocupar, que estava acostumado”, relembra.

Três dias depois, a família do mecânico estava destroçada. Mineiro de Carmópolis, José Arnaldo, o terceiro de nove irmãos, mudou-se primeiro para a Brasília, no início da década de 80, com a mulher e o filho recém-nascido Augusto, hoje com 30 anos. Depois foi a vez dos outros irmãos, que moraram com o casal até se ajeitarem na capital. A mãe, hoje com 78 anos, veio em seguida.

A família unida, acostumada a almoçar sempre junta nos fins de semana, com filhos, sobrinhos, netos e namoradas, até hoje tenta juntar os cacos. José Arnaldo morreu numa quinta-feira. Quatro dias antes, no domingo mais uma vez a família toda se reuniu e foi ele quem fez a feijoada. “Serviu todo mundo. Ele mesmo lavou a louça. Foi uma despedida”, relembra a filha Kelliane, 28.

A mulher Vera Lúcia ainda não conseguiu se conformar e levar a vida adiante. Ela e José Arnaldo já tinham perdido o terceiro filho de 2 anos com leucemia. “É doloroso receber telefonema perguntando por ele e ter que dizer que ele faleceu. Não há mais Natal, não há mais ano-novo”, chora ela, que tomou antidepressivos durante quase cinco anos. Vera Lúcia só largou o remédio há algumas semanas.

Há 21 anos, o eletricista Milton Ribeiro Marcelino sobreviveu a um grave acidente de trabalho, mas, desde então, sua vida é sobre uma cadeira de rodas. Ele perdeu o braço esquerdo e as duas pernas depois de ser atingido por um cabo de alta tensão de um poste da Cemig, a companhia de energia de Minas. Hoje, com 44 anos, sobrevive com a aposentadoria por invalidez de um salário mínimo. É ele quem sustenta a mulher e o filho de 8 anos. 

Fonte: Correio Braziliense-06 de novembro 2011 

Comentário: Nos manuais de elevadores automotivos os fabricantes chamam atenção no posicionamento dos veículos nos elevadores. A parte do veiculo que possui o motor, maior peso, deve os braços telescópicos do elevador ficar mais próximo das colunas, isso para evitar o efeito gangorra. Os manuais alertam para que os responsáveis pela elevação do veículo verifiquem se ele foi bem posicionado.
Recomendações
Os proprietários de oficina que utilizam o elevador devem tomar alguns cuidados importantes para evitar acidentes e para assegurar a durabilidade do equipamento. Ler o manual de instruções que acompanha o elevador é um deles, pois nele encontram-se dicas e regras importantes sobre a utilização do produto
■O elevador automotivo deve passar por revisões completas a cada 12 meses;
■Na revisão completa, o elevador deve ser desmontado por completo e passar por avaliação de componentes, principalmente porcas de trabalho e de segurança, além dos rolamentos, engrenagens, correntes, correias;
■Na revisão, também deve se fazer limpeza geral e verificar o desgaste natural de peças, fazendo substituição quando necessário;
■ Substituir peças dentro da validade ou da vida útil estipulada pelo fabricante;
■ A manutenção preventiva deve ser feita por profissionais capacitados.

O ato inseguro no Brasil está sendo estigmatizado como foi o método de Estudos de Tempo de Taylor. O ato inseguro faz parte de uma abordagem mais ampla, que é a falha humana. Há três componentes que podem provocar acidentes atuando independentemente ou simultaneamente. O equipamento, o meio ambiente interno e o fator humano (organizacional e pessoal).

O ato inseguro pode ser analisado das seguintes formas:
■ Inadaptação entre homem e função: Muitas vezes trabalhadores são colocados a desenvolver atividades específicas de determinada função para as quais não se encontram preparados, isto é, não há coerência entre a atividade e as condições do indivíduo para executá-la.
■ Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evitá-los: muitos dos atos inseguros são resultantes do desconhecimento, por parte dos trabalhadores, dos riscos a que ficam expostos durante a realização de determinadas atividades.
■ Desajustamento: muitos trabalhadores não se enquadram, não se acostumam ou, mesmo, não aceitam determinadas situações de trabalho, impossibilitando seu ajuste às condições existentes, mesmo que estas sejam adequadas.

O que acontece na prática a maioria das empresas tem um relatório padrão de acidentes e o responsável por esse relatório tem a função de colocar um X, em um dos motivos relacionados e um desses motivos é o ato inseguro provocado pelo trabalhador. O relatório é útil como relatório preliminar que deveria servir para uma análise mais detalhado do acidente. O grande problema acontece na elaboração desse relatório, poucas empresas fazem esse tipo de análise.
Para chegar a conclusão que é o ato inseguro, que faz parte da falha humana, grosso modo, devemos aplicar a essência da engenharia reversa, que é o processo de análise de um equipamento (um aparelho, um componente elétrico, máquina, etc.) e dos detalhes de seu funcionamento e de seu uso de operação. Após essa análise podemos considerar o que houve de errado para que a falha humana pudesse acontecer. O ato inseguro existe e sempre existirá, o que tem de mudar é o enfoque de análise para chegar ao resultado do ato inseguro. A prevenção atua antes que o ato inseguro ou a falha se materialize.

Vídeo:
Acidente com elevador

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segunda-feira, novembro 14, 2011

Parte 2: Acidentes de trabalho dizimam famílias

Oficinas e comércios são os que mais provocam acidentes de trabalho

No último dia do mês de maio deste ano, numa casa muito humilde em Santo Antônio do Descoberto (GO), o despertador tocou mais uma vez às 4h30. João Alves da Cruz Júnior, 38 anos, acordou, arrumou-se silenciosamente e foi correndo para o ponto de ônibus. Às 7h30, estava na obra de um prédio em Águas Claras. Tomou o café da manhã oferecido pela construtora com os companheiros de trabalho e foi para o batente. Estava animado naquele dia. Não via a hora de receber o salário de R$ 600 para fazer as compras do supermercado para a mulher, Maria Sileide, 35, e os quatro filhos — Patrick e Pablo, gêmeos de 8 anos, Pablício, 5, e Priscila, 2 — que deixou em casa ainda dormindo.

Antes que o sol caísse naquele dia e ele enchesse a despensa, João Cruz, pernambucano de Salgueiro, estaria morto. Ele despencou às 11h16 do quarto andar de uma obra em Águas Claras da construtora A&A enquanto montava um andaime. Morreu na hora. Depois de 10 anos juntos, Maria Sileide se viu sozinha com as quatro crianças na casa onde moram de favor. Não trabalhava, por vontade do marido, para cuidar do lar e dos filhos. O salário de João era a única renda da família.

Agora, ela está à espera da pensão do INSS para encher as caixas e se mudar para Anápolis, onde moram duas irmãs. Por enquanto, tem recebido R$ 600 da construtora e uma cesta básica. “Já avisaram que vão suspender quando sair a pensão”, conta. Na carteira, o salário do operário era de R$ 605 brutos. “Mas ele recebia R$ 300 por fora”, diz ela.

Em Anápolis, Maria Sileide tentará educar os meninos com a ajuda das irmãs. Enquanto espera ansiosa o benefício do INSS, pois teme ficar sem dinheiro a qualquer momento, ela anda preocupada com Pablício, que se tornou agressivo. “Está teimoso e respondão. Não quer ir para aula”, relata, chateada. Os gêmeos ficaram mais calados desde então. O momento mais difícil, conta, tem sido quando o relógio bate 19h. Meia hora depois era certo que o pai entraria em casa. “O difícil é acreditar. Sempre fica a esperança de que ele vai abrir a porta e que tudo o que passou foi apenas um pesadelo”, deseja. Mas a realidade reservou a Maria o destino de criar os quatro filhos pequenos sem o pai por perto.

LEVANTANDO PAREDES
Locomotiva do atual crescimento econômico, a construção civil é a atividade que mais mata trabalhadores.
■ Em 2009, últimos dados disponíveis, 395 operários morreram levantando paredes. Na contramão dos indicadores de acidentes no país, que apontam redução, na construção, as ocorrências crescem a cada ano.
■ Em 2007, foram 36,5 mil casos registrados pela Previdência em todo o país.
■ Em 2008, saltaram para 52,8 mil e, em 2010, já tinham alcançado 54,6 mil. A explicação da indústria para o aumento dos acidentes é a maior quantidade de obras no país.

CAMPEÃ DE ACIDENTES NO PAÍS.- SETOR DE SERVIÇOS
Apesar dos números negativos da construção civil, desde 2009, a indústria em geral deixou o posto de campeã de acidentes no país. Impulsionado pelo crescimento econômico, e responsável pela maior parte das vagas geradas nos últimos anos, o setor de serviços assumiu a liderança entre os trabalhadores que mais se acidentam, com 340.681 ocorrências em 2009 e 331.895 em 2010. A indústria registrou 321.171 e 307.620 casos, respectivamente.

■ Os estabelecimentos de revendas de carros e oficinas mecânicas são os responsáveis pelo maior número de acidentes na área de serviços — um total de 95,5 mil no ano passado.
■ Em seguida, vêm as atividades de armazenagem e transporte de mercadorias, com 51.934 ocorrências, que também é a segunda colocada em número de mortes.

IRREGULARIDADES
Zilda Valentino dos Santos, 37 anos, não acreditou na notícia que passava na tevê de sua casa, em Planaltina de Goiás. Seu companheiro de quase 20 anos, Lourival Leite de Moraes, 46, estava entre as três vítimas do soterramento ocorrido na obra do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (UnB) em 20 de julho deste ano. Quatro meses antes, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil havia denunciado à Delegacia Regional do Trabalho irregularidades nos andaimes e falta de material de segurança.

Da noite para o dia, a vida de Zilda e dos filhos, Vinícius, 13, e Iara, 8, desestruturou-se. Ela trabalha como auxiliar de serviços gerais num hospital na Asa Sul, noite sim, noite não. Iara fica com uns parentes. Mas não tem lugar para o menino. O jeito foi pagar um vizinho para dormir na casa com Vinícius. Essa situação não agrada a mãe. Por ora, é o que pode fazer. Antes, ela saía tranquila para o trabalho, pois o marido ficava com as crianças. Agora, convive com a ausência dele e a preocupação com os filhos.

Lourival não está mais presente, mas tudo na casa tem o seu dedo. Acostumado com obras, era ele quem fazia os reparos. Zilda não faz mais coisas simples sem ele, como as compras de alimentos do mês, uma festa para a família. Ela passou a adquirir tudo picado, quando precisa. A vida para os Moraes perdeu a graça.

O QUE MAIS MATA
Atividades com maior número de óbitos no país em 2009
■Construção – 395
■Transporte e armazenagem - 379
■ Serviços prestados a empresas – 199
■Comercio varejista – 246
■Agropecuária – 187
■Produtos alimentares e bebidas – 165
■Comércio por atacado – 122
■ Comércio de veículos e combustíveis - 61

O QUE MAIS FERE
Atividades com maior numero de acidentes em geral, incluídos óbitos em 2010
■Comercio e reparação de veículos automotores – 50.589
■Saúde e serviços sociais – 42.580
■Produtos alimentícios e bebidas – 42.068
■Construção civil – 36.379
■Transporte, armazenagem e correios – 29.671
■Serviços prestados a empresas – 18.888
■Fabricação de veículos e equipamentos de transporte – 17.372

PROFISSIONAIS MAIS ATINGIDOS EM 2010
■Trabalhadores do setor de serviço – 58.075
■Trabalhadores de funções transversais - 57.218
■Trabalhadores da indústria extrativa e construção civil – 41.111
■Trabalhadores da transformação de metais – 38.959
■Trabalhadores na exploração agropecuária – 32.228
■Escriturários – 26.565
■Técnicos de nível médio de ciências biológicas, bioquímicas, da saúde – 25.643
Obs:
Os dados não incluem os acidentes motivados por doença ocupacional, trajeto de ida e volta ao trabalho.
Operadores de robôs, de veículos controlados remotamente, condutores de equipamento de elevação e movimentação de cargas Fonte: Ministério da Previdência Social

Fonte: Correio Braziliense- 6 de novembro de 2011

Comentário:
As qualificações das pessoas para a prevenção de acidentes devem ser levadas em consideração no preparo e na execução de qualquer tarefa.

Os trabalhadores são em sua maioria procedentes da área rural, principalmente da região nordeste do país.
O que esses trabalhadores têm em comum:
a) pouca oferta de emprego na região de origem;
b) más condições de vida no local de origem;
c) procura de melhores salários.
d) baixa escolaridade

Pesquisa realizada pela Sinduscon do Paraná
■Escolaridade – Nenhuma – 13,50%
■Fundamental, até 4ª série – 65,70%
■Fundamental, 5ª a 8ª série – 18,83%
■Ensino médio, 1ª a 3ª série – 1,97%

O número de acidentes é grande em conseqüência do pouco treinamento que recebem, principalmente em relação à segurança do trabalho, agravado pelo fato de terem baixo nível de aprendizado escolar formal.
A baixa escolaridade na construção civil causa muita preocupação, uma vez que a falta de conhecimento básico é um dos fatores preponderantes da ineficácia na execução de tarefas, muitas vezes simples, mas que exigem o mínimo de conhecimento.

A finalidade da escolarização é exercitar a parte cognitiva - com conhecimentos, habilidades e informações para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações.
A escolarização desenvolve habilidades motoras, funções cognitivas, habilidades sensoriais, memória-atenção, aspectos sócio – afetivos, aspectos histórico – pessoais, que são extremamente importantes para execução de tarefas.
Além disso, devemos levar em consideração outros fatores que interagem com o fator humano para provocar acidentes
1) Falta de uso de equipamentos e procedimentos de segurança e resistência dos funcionários às normas e conivência de mestres e encarregados.
2) Necessidade de treinamento que requer altos investimentos. Os custos de segurança são relativamente altos para serem absorvidos pelo consumidor, pois vão-se refletir no valor final da obra.
3) Baixa conscientização de segurança dos empresários e empregados. A cultura do empregado brasileiro que não dá valor à vida e corre risco simplesmente, por
considerar ser uma fatalidade. Falta de perspectiva de futuro.
4) Há muitas exigências burocráticas e não práticas. Não são contínuas, são prolixas – demoram muito para dar resultados –, algumas exigências beirando o absurdo – falta coerência com a realidade.
5) Falta de uma fiscalização mais atuante e rígida.
6) Questões de nível sócio-econômico-cultural, ou seja, salário do trabalhador da construção civil, como em muitos outros setores, é baixo. No entanto, o setor é muito visado com relação a esta questão, por ser considerado tecnologicamente atrasado
Fonte: Estratégia de Prevenção dos Acidentes de Trabalho na Construção Civil: Uma abordagem integrada construída a partir das perspectivas de diferentes atores sociais Ane Lise Pereira Da Costa Dalcul

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sexta-feira, novembro 11, 2011

Acidentes de trabalho dizimam famílias

Obs: Artigo publicado no Correio Braziliense, muito bom, foi dividido em três partes, pois é muito extenso. O artigo relata os dramas das famílias que perderam os responsáveis pelo sustento de suas respectivas famílias.

Desde o falecimento do marido, há 10 meses, Marta e os filhos Oziel e Micael vivem um tormento. Com uma pensão de apenas R$ 800 por mês, ela está ficando cega. Os meninos ainda choram e vão mal na escola

“Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar. Foi um tempo de aflição, eram quatro condução, duas pra ir...”. Em 20 de janeiro deste ano, a música não terminou para o servente de obra José Moraes Freitas, de 54 anos. Ele não pegou as duas conduções de volta para casa. Quatro horas depois que o ônibus o deixou próximo à obra do novo prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tocada pela construtora Via Engenharia, a plataforma onde ele trabalhava a sete metros de altura cedeu. O colega que estava junto ainda tentou agarrá-lo pela mão, mas não aguentou. E José caiu. Levado com vida ao hospital morreu horas depois, sem atendimento, à espera de uma vaga na UTI.

Dez meses depois, sentada no sofá da casa humilde e silenciosa em Águas Lindas de Goiás, cabeça baixa, Marta Ana, 43, viúva de José, tem o olhar fixo num canto da sala da casa, que ele comprou ainda solteiro. Ela está ficando cega. Só enxerga vultos de objetos e das pessoas. À rua, não pode sair sozinha. “A vida virou do avesso”, diz, inconformada e incrédula em muitos momentos. Os dois filhos do casal, Oziel, 11, e Micael, 10, são muito pequenos para entender a falta que o pai fará em suas vidas. Choram escondidos à noite, na cama, de saudade. Não sabem que o pai virou estatística de acidentes de trabalho fatais no Brasil.

ACIDENTES
A cada dia, quase 2 mil trabalhadores como Freitas se acidentam defendendo o pão da família. Desses, 43 não retornam mais ao batente, ou porque ficaram incapacitados para sempre, ou porque morreram. Dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, o órgão que dispõe de informações mais confiáveis sobre essa faceta dramática do trabalho brasileiro, trazem uma boa e uma má notícia.
■ A quantidade de acidentes em geral vem em queda desde 2008, quando houve 755.980 ocorrências. Em 2010, foram 701.496 — 7% menos.
■ Mas os casos fatais, que tinham caído entre 2008 e 2009, voltaram a aumentar no ano passado: 2.712 pessoas — em média, sete por dia — perderam a vida trabalhando, 152 a mais que nos 12 meses anteriores, quando o total de mortes foi de 2.560.

ACIDENTES DE TRAJETO
Também têm crescido os acidentes durante o trajeto de ida para o serviço e de volta para a casa, conforme os indicadores fornecidos pelas empresas por meio da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que é obrigatória. Em 2008, foram 88.742 e, em 2010, 94.789, 7% a mais.

ACIDENTE NÃO CLASSIFICADO
A Previdência, no entanto, contabiliza em torno de 200 mil por ano os casos que não são comunicados, mas são identificados e classificados como acidente pelos médicos peritos e funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando o segurado pede o benefício. A falha é que o órgão não os classifica por motivos.

INDENIZAÇÕES
O número das vítimas que se machucam e morrem enquanto trabalham, porém, é bem maior. Os dados da Previdência só anotam os casos de empregados registrados ou que venham a comprovar o vínculo empregatício, que geraram o pagamento de algum benefício decorrente de acidente, como auxílio-doença, auxílio-acidente, auxílio-suplementar, aposentadoria por invalidez e pensão por morte.

OCORRÊNCIAS NÃO COMUNICADAS
Há muitas ocorrências que não são comunicadas, pois os empregados ficam afastados temporariamente com salário pago pelas firmas, sem recebimento de benefício previdenciário.

Ficam de fora também das estatísticas os acidentes envolvendo os demais trabalhadores brasileiros — autônomos, profissionais liberais, servidores públicos, empregados domésticos e todos aqueles que atuam na informalidade nas cidades e nas lavouras. Eles representam 60% da força de trabalho. O drama fica maior ao se constatar que boa parte desses profissionais exerce suas obrigações com muito menos segurança que os empregados formais, para os quais o governo exige cumprimento às normas mínimas.

Mesmo entre os trabalhadores com carteira assinada, é comum o desrespeito às poucas regras existentes. Quando caiu da plataforma que cedeu em janeiro deste ano, o operário José Freitas não estava com o cinto de segurança obrigatório do tipo paraquedista, conforme apontou o laudo pericial da Polícia Civil. Em casos assim, a morte é praticamente certa.

PRESSÃO ALTA
José foi substituído logo por outro operário na obra. A 54 quilômetros dali, no entanto, o destino de uma mãe e seus filhos era revisto, para pior. Os menores Oziel e Micael tiveram de mudar de escola, pois chegavam chorando por causa dos comentários dos coleguinhas sobre o fato de o pai deles “ter despencado do alto”. Desde a morte de José, as notas do mais velho pioraram. As de Micael já eram baixas, pois ele tem dificuldade de fala e, por isso, aprende pouco nas aulas.

A mãe começou a tomar remédios para pressão alta, e as noites de insônia passaram a ser comuns. Com a visão sumindo, e sem o companheiro que fazia os reparos na casa e cuidava da organização das contas, das compras e dos filhos, Marta teme o futuro incerto. “Não consigo mais dormir direito. A preocupação passou a ser minha companheira.”

Solteirão, tímido e reservado, José conheceu Marta, servente de escola, e se apaixonou por ela 11 anos atrás. Criou como seu o garoto Thiago, então com 6 anos, o filho que Marta já tinha — hoje com 18 anos. Não sem muita razão, os dois meninos nascidos quando quarentão eram a grande alegria de José. Pai amoroso, para onde ia, nos dias de folga, levava as crianças consigo. Jamais imaginou deixá-las tão cedo e tão necessitadas da sua presença. “Ele sonhava em vê-los formados”, relembra ela, que recebe pensão de R$ 800 do INSS deixada pelo marido. Agora, parte do futuro de Oziel e Micael repousa em um gabinete da Justiça do Trabalho em Brasília, onde corre a ação pedindo a indenização pela morte do pai.

Fonte: Correio Braziliense-06/11/2011

Comentário:
Na realidade a estatística da Previdência é apenas uma parte do iceberg visível. O próprio governo produz essa distorção, pois os acidentes ocorridos nos primeiros quinze dias não são computados, ficam sob a responsabilidade das empresas e a subnotificação acontece nesse período, com artifícios para não comunicar esses acidentes. A Previdência está apenas preocupado com os acidentes que interferem nos resultados financeiros resultantes das receitas previdenciárias e benefícios previdenciários.
Devido a isso, não existe por parte do governo uma política de prevenção de acidentes que abrange todo universo dos trabalhadores.
Para se ter o raio-x dos acidentes de trabalho devemos ter uma estatística confiável, representativa do panorama de acidentes do trabalho, visando realmente o estudo de suas causas , para propor uma política de prevenção, baseado em dados reais.
Nos EUA em 2010, houve 3,1 milhões de acidentes, com 4.547 acidentes fatais, com uma população trabalhadora de 155 milhões. Nos EUA o governo tem todo um programa de prevenção definido em conjunto com as empresas. Aqui não temos nada.
Fazendo analogia com esses dados americanos, o número de acidentes no Brasil seria quase 1.645.000, com todos trabalhadores formais e informais? Qual seria a dimensão real dos acidentes fatais no Brasil?. Talvez 6.000 acidentes fatais?

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quarta-feira, novembro 09, 2011

Ar condicionado: Surge a doença dos legionários em 1976

Em 26 de agosto de 1976, as autoridades sanitárias dos EUA informaram sobre uma nova epidemia após um congresso de veteranos da Legião Americana num hotel da Filadélfia.

Eram dias muito quentes na Filadélfia, em julho de 1976. Mas as dependências do Hotel Bellevue tinham uma temperatura fresca, agradável, possibilitada pelo sistema de ar condicionado. Mais de 4 mil veteranos reuniram-se ali naqueles dias para o Congresso da Legião Americana.

Já no segundo dia do congresso, alguns deles ficaram com febre, começaram a tossir e apresentaram os sintomas de uma pneumonia. No prazo de dez dias, mais de 200 daqueles veteranos estavam contaminados, a maioria deles teve de ser internada em unidades de tratamento intensivo. E 34 morreram.

SEIS MESES DE BUSCAS
As autoridades sanitárias norte-americanas começaram a investigar o que ocorrera. Segundo Martin Exner, da Universidade de Bonn, "acreditava-se inicialmente em peste suína e outras causas misteriosas, até que um funcionário do Departamento de Saúde dos EUA encontrou a causa, em 1977".

Demorou seis meses, até que se pôde constatar como as pessoas se contaminaram. Durante esse período, os norte-americanos estavam extremamente preocupados e as autoridades sanitárias eram acusadas de negligência.

A causa foi encontrada, finalmente, no sistema de ar condicionado do hotel. Lá, os pesquisadores se depararam com um novo tipo de bactéria. A contaminação fora provocada através das minúsculas gotas de água que o sistema soltara no ar. Quem inalasse tais gotinhas, ficava doente. E como os primeiros a se contaminar foram os veteranos da American Legion, os cientistas batizaram a nova bactéria de legionela (nome científico: legionella pneumophila).

A enfermidade passou a ser denominada "doença dos legionários", ou – para os médicos – "legionelose". A bactéria legionela necessita de água e de determinada temperatura para sobreviver: ela encontra condições ideais entre 40 e 50 graus centígrados.

DIVERSAS EPIDEMIAS
Desde a descoberta na Filadélfia, já foram registradas diversas epidemias.
■Durante uma exposição de flores na Holanda, a causa foi uma piscina jacuzzi: 100 pessoas adoeceram, 20 delas morreram.
■Num hospital parisiense, 12 pessoas infectaram-se: a causa foi um sistema de esquentar água potável.
■A maior epidemia registrada até agora foi na cidade espanhola de Múrcia. Lá, mais de 800 pessoas contraíram a doença dos legionários em 2001.

CONTAMINAÇÃO FÁCIL : VIAS RESPIRATÓRIAS
As legionelas propagam-se, de preferência, em grandes sistemas de circulação de água. Podem ser sistemas de ar condicionado, piscinas de água quente ou umidificadores do ar. Quando os encanamentos estão sujos, forma-se uma microflora. Essa película biológica cria uma crosta, na qual as bactérias proliferam rapidamente.

Na maioria dos casos, elas chegam ao organismo humano através das vias respiratórias, transportadas pelas gotículas d’água que são liberadas no ar. Mesmo quem está a três quilômetros do foco de infecção pode contaminar-se. Em Londres, várias pessoas contraíram a doença dos legionários quando passeavam pela Trafalgar Square. As bactérias saíram do sistema de ar condicionado do prédio da BBC.

PRIMEIROS SINTOMAS
Quem se contamina pode apresentar os primeiros sintomas dentro do prazo de dez dias: febre, dores pulmonares, mas também – eventualmente – diarreia. São conhecidos casos em que a infecção provocou, adicionalmente, transformações de personalidade. Mas a febre e as dores pulmonares são os sintomas principais e sempre presentes.
Pessoas mais velhas, do sexo masculino, que fumam e bebem álcool, estão mais sujeitas à contaminação. Uma vez contraída a doença, ela tem de ser tratada com antibióticos especiais.

DIAGNÓSTICO DIFÍCIL
É extremamente difícil diagnosticar a doença dos legionários. Numa pesquisa sobre o assunto, apenas 3% dos médicos foram capazes de fazer um diagnóstico correto. Na Alemanha, não existe ainda um levantamento estatístico sobre o número de casos da doença, mas somente uma estimativa de que até 10 mil pessoas por ano contraem a legionelose.
Os médicos e pesquisadores continuam levando o problema muito a sério. Passados 30 anos, a enfermidade continua sendo extremamente perigosa e de risco incalculável. As pneumonias sempre foram doenças graves.

MORTALIDADE
Calcula-se que a taxa de mortalidade no caso das pneumonias com tratamento ambulatorial seja de até 20%.

LIMPEZA PERIÓDICA
Os médicos afirmam ser possível evitar a doença dos legionários. Para isso, seria necessário apenas fazer uma limpeza periódica e regular em todos os sistemas em que circula água morna.

Fonte: Deutsche Welle - 28 de outubro de 2011

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segunda-feira, novembro 07, 2011

1 em cada 3 lesões de coluna ocorre em acidentes de obras e quedas de laje

Levantamento realizado no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP revela que um em cada três pacientes internados com fratura da coluna sofreu queda de altura (em obra autônoma ou de pequena empreiteira ou em atividades recreativas que ocorrem em lajes).

Segundo o ortopedista Alexandre Fogaça, muitos dos acidentes ocorrem por falta de proteção ou uso inadequado dos equipamentos de segurança.

LESÕES INCAPACITANTES
Comuns e altamente incapacitantes, as lesões acontecem, na maioria dos casos, em conseqüência de acidentes de trabalho ou de atividades recreativas onde ocorrem às quedas.

■ Mais de 80% das vítimas são homens entre 18 e 45 anos. "São pessoas que, no auge da produtividade, levarão seqüelas para o resto da vida", diz o ortopedista.
■ Na ortopedia do HC, 60% dos pacientes com fratura da coluna chegam com lesão neurológica que deixam o indivíduo permanentemente incapacitado e necessitando de auxílio permanente.
■ "Todos que dão entrada com lesão medular e são operados perdem, no mínimo, a mobilidade da coluna na área da cirurgia e a grande maioria evolui com alguma seqüela neurológica, limitando a força dos braços e pernas e o controle de micção e evacuação", explica Fogaça.

CONVALESCENÇA
A média de permanência de um lesado medular no hospital é de três meses, passam por uma ou duas cirurgias, e levam no mínimo um ano para se reabilitar.

SEQÜELAS
Apenas 30% deles retornam ao mercado de trabalho, mesmo assim, com algum tipo de comprometimento leve.

Fonte: Estadão - 04 de novembro de 2011
Comentário: É difícil fazer uma análise pontual dos acidentes ocorridos na construção e em outras atividades. O anuário estatístico da Previdência está mais preocupado com o tipo de bolo, pois utiliza a Classificação Nacional de Atividades Econômicas / CNAE, cuja origem é econômica e fiscal. A estrutura de códigos CNAE está preocupada com todas as atividades econômicas do país. Ela é útil até certo ponto, pois separa as atividades econômicas, mas não está preocupada com detalhamento de cada atividade correlacionando com acidentes, tornando-se muito difícil fazer essa análise com detalhamento. Nos EUA existe detalhamento criterioso relacionando o acidente com o tipo de atividade. É muito mais fácil obter dados estatísticos de acidentes de queda de altura dos EUA..

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