Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quarta-feira, novembro 28, 2007

Sucuri de 6 m é capturada


Pescadores capturaram na noite de segunda-feira, 26 de novembro de 2007, uma cobra sucuri medindo aproximadamente seis metros e pesando mais de 150 quilos. O animal estava no Lago de Itaipu e teria sido retirado da água depois de laçado. A sucuri foi encontrada na localidade de Arroio Guaçú, interior de Mercedes, pelos pescadores Valdecir Ern, João Maria Alves da Silva e Floriano Ciesielski.
Eles laçaram a cobra, que foi retirada da água e transportada até a residência de Valdecir Ern. Lá, o réptil foi colocado no interior de um dos quartos, onde permaneceu durante toda a noite e a manhã de ontem. A casa do pescador foi procurada por dezenas de curiosos. Ontem à tarde ela foi recolhida pela Polícia Ambiental de Foz do Iguaçu e levada ao Parque das Aves, que já possui exemplares da espécie e fará exames veterinários para saber qual o estado de saúde da cobra. Segundo o soldado Diomedes, da Polícia Ambiental de Foz, a cobra pesa entre 150 e 200 quilos e foi preciso oito homens para retirá-la do quarto do pescador, em Mercedes, para transportá-la a Foz. Depois dos exames, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deverá decidir pelo destino do bicho.

Hábitat
O chefe do escritório regional do Ibama em Cascavel, Walter Gonçalves dos Santos Filho, defende a idéia de que o animal, que provavelmente desceu pelas corredeiras dos rios da região pantaneira ou amazônica, não deveria ter sido retirado do habitat. “Ela deve ser devolvida ao lago”. A sucuri não é venenosa, mas temida porque mata suas presas enrolando-se nelas, esmagando seus ossos e engolindo-as inteiras.

Fotos : Polícia Ambiental do Paraná

Fonte: O Paraná - quarta-feira, 28 de novembro de 2007

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terça-feira, novembro 27, 2007

45% dos motoristas que morreram em acidentes beberam

A pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) analisou 908 laudos do Instituto Médico-Legal (IML), referentes a acidentes de trânsito de 2005. Foram verificadas as concentrações alcoólicas em 312 laudos: de 116 motoristas de carros e de 196 motociclistas.
Foto: Policiais encontraram copo de uísque com energético no painel do carro, cujo motorista atropelou e matou um pedestre que atravessava a rodovia BR-101
Os outros laudos tratam de vítimas como pedestres, pessoas na garupa da moto e outros ocupantes do carro. O estudo chegou as seguintes conclusões:
■ dos motoristas e motociclistas que morreram em acidentes de trânsito na capital, 45% tinham consumido bebidas alcoólicas.
■ entre os condutores de carros, o índice de alcoolizados é ainda maior e chega a 56,6% das ocorrências.
■ nas colisões com motos, o índice de alcoolizados foi constatado 39,8% dos que dirigiam, haviam ingerido alguma quantidade de álcool antes de morrer.

“Essas são as primeiras conclusões identificadas, com base no cruzamento de informações do IML e também da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET)”, afirma Júlio de Carvalho Ponce, autor da pesquisa feita pelo Departamento de Medicina Legal da USP.

Teor alcoólico acima da lei
■ entre os condutores de automóveis que tinham consumido bebida, 100% ingeriram quantidade acima do que prevê a legislação (0,6g/l).
■ nos acidentes com motos em que aparece o álcool, 91% infringiram a lei.

Em média, os condutores apresentaram concentração alcoólica de 1,7g/l - quase duas vezes maior do que o permitido pela lei.

Impunidade e falta de fiscalização
Os especialistas afirmam que a insistência em misturar álcool e direção tem origem na impunidade dos crimes de trânsito. 'Para promover a prevenção dos acidentes, o primeiro passo é criar uma política que, de fato, responsabilize o condutor embriagado pelas vidas perdidas', diz o presidente do Centro de Informações sobre o Álcool, Arthur Guerra de Andrade.

A polícia promete apertar o cerco contra os motoristas alcoolizados. Os médicos do Hospital das Clínicas vão capacitar policiais militares e rodoviários para que possam identificar condutores bêbados, ainda que se recusem a passar pelo bafômetro. 'Vamos intensificar as operações. Mas, sem medidas educativas, não vai adiantar', afirma o tenente do Batalhão de Trânsito da capital, Sérgio Marques.

'A nova pesquisa mostra que os números de acidentes envolvendo bêbados não melhoraram', lamenta Júlia Greve, diretora da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). 'Faz dez anos que a marca de condutores alcoolizados gira em torno dos 50%. A relação entre fatalidade e impunidade fica clara.'.

Fonte: O Estado de São Paulo - 4 setembro de 2007

Comentário:
Este ano, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), completou 10 anos, desde sua criação e publicação. Nesse período a impunidade em relação ao crime de trânsito foi total. São raros os motoristas que cometem crimes de trânsito e são julgados e condenados no Brasil. As autoridades de trânsito e especialistas esperam novas leis para complementar as leis que estão em vigor e assim sucessivamente novas leis são criadas para dirimir dúvidas das leis anteriores ou atualizá-las. Ficamos nesse circulo vicioso, esperando sempre a próxima lei. Somos especialistas em leis, tudo nos leva crer, sabemos tudo, mas nos leva a não fazer nada, pois os acidentes acontecem, estão acontecendo e acontecerão em um ciclo vicioso e aguardamos as próximas leis ou normas.
Como exemplo, “em Santa Catarina, os julgamentos são escassos, e os acusados continuam soltos, e dirigindo. Em Florianópolis, nenhum crime contra a vida envolvendo acidentes nas ruas e estradas foi julgado nos últimos nove anos. No Tribunal de Justiça há um congestionamento de mais de 7 mil processos. Dos mais de 20 mil casos que deram entrada no Judiciário neste período, metade prescreveu”, notícia sobre trânsito publicada no Diário Catarinense de 23 de setembro de 2007.

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domingo, novembro 25, 2007

Explosão em posto de gasolina

Ocorreu uma explosão seguida de incêndio, por volta das 2h30 da madrugada, de segunda-feira, 19 de novembro de 2007, em um posto Shell localizado no Jardim Paulistano, região sudoeste da cidade de São Paulo.
Um caminhão-tanque descarregava gasolina nos reservatórios do posto quando ocorreu a explosão.

Causa provável
O acidente, segundo testemunhas, ocorreu quando o funcionário do posto atendeu o celular enquanto ajudava a descarregar 15 mil litros de combustível.

Câmera interna do posto mostra o momento da explosão
Segundo o dono do posto, Osvaldo Lopes, o frentista estava no caminhão, abriu o celular no momento em que ajudava a descarregar o combustível.
Lopes diz que imagens das câmeras de TV do posto mostram o momento em que o frentista teria pegado o telefone do bolso.

Vitima
O frentista Carlos Roberto dos Santos ficou com 76% do corpo queimado e está internado em estado grave.
Em 22 de novembro de 2007, o frentista morreu na UTI do Hospital das Clínicas, tinha queimaduras de 2º e 3º graus em 76% do corpo.

Pânico na vizinhança
Os moradores das ruas próximas foram acordados por volta das 2h30 da madrugada, com a explosão. O bibliotecário Virgílio de Castro, conta que só conseguiu dormir às 6h, quando a situação na rua se tranqüilizou.
Ele diz que a vizinha da frente chegou a sair com os quatro filhos de casa, assustada com o incêndio. "O barulho parecia um trovão forte", afirma.

Danos materiais
Parte do forro de plástico do teto do posto queimou, afetando as instalações elétricas. Uma das bombas de gasolina foi interditada pela prefeitura.

Corpo de bombeiros
Os bombeiros foram acionados e seis equipes seguiram para o local, mas, quando chegaram, o fogo praticamente já havia sido controlado pelo motorista do caminhão.

Vistoria
O posto funciona no mesmo local há 30 anos, no cruzamento das ruas Lisboa e Artur Azevedo, e havia sido vistoriado em 19 de setembro. Entre outros problemas, a prefeitura verificou que faltavam sinalizações de "não fumar" no local.

Controvérsia na causa
Ainda não é possível explicar a causa do acidente. A polícia investiga a possibilidade de que gases emitidos pelo combustível tenham entrado em contato com uma faísca liberada pelo celular e causado a explosão.
Segundo os bombeiros, a explosão foi provocada pelo acúmulo de vapor do combustível acumulado no teto do posto.
Moradores relataram que o motor do caminhão estava ligado no momento do acidente, o que é negado pela Shell.

Perícia
Peritos devem investigar de onde partiu a faísca que originou o acidente.

Controvérsias entre especialistas
Os fabricantes dos aparelhos recomendam, em seus manuais, que o dono desligue o celular nesses locais.
Segundo os especialistas, dizem ser mínima a possibilidade de um celular provocar um acidente como o que ocorreu. Isso porque, segundo eles, a faísca produzida é muito fraca e a concentração de gases inflamáveis no ar de um posto é muito diluída.
Mas, segundo o engenheiro Anthony Brown, a possibilidade, apesar de remota, existe. "O aparelho pode gerar faísca quando é ligado", afirma. Brown é membro de um grupo da USP que estuda incêndios e explosões.
Para Paulo Portela, professor de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), os modelos atuais são mais seguros. "A corrente elétrica liberada pela bateria é mínima", afirma.

Teste da BR Distribuidora com celular
Há quatro anos, a BR Distribuidora fez um teste com um celular em um recipiente com gasolina, apoiado apenas por um tijolo. Após cerca de 30 ligações, explodiu.

Proibição de celular em posto de gasolina.
Uma lei municipal, de outubro de 2002, proíbe o uso de celulares em postos de gasolina em São Paulo. Quem desobedecer a lei está sujeito a multa. A cidade do Rio de Janeiro e o estado do Mato Grosso do Sul também proíbem o uso do aparelho no abastecimento.

Fonte: G1, em São Paulo, Folha de São Paulo - São Paulo, no período de 20 a 23 de novembro de 2007

Comentário
Atualmente existe uma série de recalls de baterias de celulares (pode causar aquecimento) e de laptop´s (que pode causar princípio de incêndio) que contrariam todo o princípio de confiabilidade de segurança desses produtos.
Imaginem se essa explosão ocorresse durante o dia, em que o abastecimento de caminhão-tanque no posto de gasolina é normal diante de abastecimento de veículos , carros estacionados, etc. Em alguns países, durante o descarregamento de combustível no posto de gasolina por caminhão-tanque, o local é isolado e proibido o abastecimento de carros.

Coincidência ou não há vários casos nos Estados Unidos de explosões em postos de gasolina no momento de abastecimento de carros e na utilização de celulares pelos motoristas.

Em 6 de marco de 2002, o boletim da National Safety Alert, menciona um incêndio resultante do uso de telefone celular. O incêndio foi um “flash fire” (incêndio que se inflama rapidamente em presença de mistura de combustão de mistura gasosa, incêndio em nuvem) numa plataforma petrolífera no Golfo do México da OCS.
Recomendação da MMS ( Minerals Management Service - Agência Americana de Serviço de Exploração de Recursos Minerais);
As prestadoras devem estar cientes que os telefones celulares, pagers, computadores, ferramentas, câmeras, equipamentos de vídeo, dispositivos eletrônicos, e os instrumentos eletrônicos podem criar uma fonte de ignição em uma área classificada. As prestadoras devem treinar seu pessoal no uso destes dispositivos em um ambiente de hidrocarboneto e incluí-los na permissão de trabalhos a quente como necessário para operações seguras.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

Onda de incêndios traz à tona problemas crônicos na Rússia


Mais de 17 mil pessoas morreram em incêndios em 2006 na Rússia.
O respeito às leis e à saúde pública continuam muito aquém do ideal do Kremlin.
Foto: Incêndio destruiu dormitório da Universidade em Moscou, 36 estudantes morreram e outros 197 ficaram feridos


Mais de 17 mil pessoas morreram em incêndios em 2006 na Rússia, aproximadamente 13 para cada 100 mil pessoas. Isso representa mais do que 10 vezes os índices registrados na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, segundo estatísticas do governo da Rússia, dos Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças e da Geneva Association, organização suíça que analisa estatísticas internacionais relacionadas a incêndios.

Nos primeiros oito meses deste ano, os índices de morte por incêndio na Rússia caíram em cerca de 10%, segundo o governo, mas continuam terrivelmente elevados. Os recentes processos judiciais e entrevistas com sobreviventes de incêndios e com funcionários da área de segurança pública, ilustram diversos motivos.

O número de mortos, neste ano oscilando em cerca de 40 pessoas por dia, origina-se de uma infinidade de fatores, entre eles;
■ sistemas elétricos e de aquecimento obsoletos em habitações públicas e residências nas zonas rurais,
■ equipamentos de combate a incêndio em péssimas condições e
■ violações ilimitadas aos padrões de segurança.

Elevadas taxas de alcoolismo e fumo também entram na lista de principais causas, segundo representantes do corpo de bombeiros, uma vez que pessoas sob a ação de álcool muitas vezes não têm condições de escapar de incêndios ou, sem querer, acabam iniciando-os.

Reformas de habitações
As camadas internas de materiais formadas após inúmeras reformas nos edifícios acabam quase sempre servindo como combustível assim que o incêndio começa, segundo um chefe do corpo de bombeiros. Até mesmo edifícios novos, com modernos equipamentos de segurança, demonstraram, em alguns casos, serem verdadeiras armadilhas da morte.

Violações de normas de segurança e roubo
"Podemos usar e instalar sistemas de monitoramento e combate a incêndios de última geração, mas ao mesmo tempo há pessoas violando as normas e bloqueando as rotas de saída de emergência", declarou o tenente general Alexander P. Chupriyan, ministro interino de serviços de emergência da Rússia Chupriyan. "Há muitas histórias assim."
Mesmo quando prédios novos possuem equipamentos de segurança, no intervalo de um ano muitas vezes o equipamento é roubado ou se torna inutilizado.

Corpo de bombeiros
Tempo de chegada ao local do incêndio
Nas principais cidades da Rússia, as rodovias que agora ficam congestionadas devido ao aumento no número de veículos em circulação e de um planejamento urbano ineficaz, retardam o tempo de chegada dos caminhões do corpo de bombeiros.
Nas zonas rurais, as enormes distâncias até os corpos de bombeiros produzem o mesmo efeito, muitas vezes impedindo os bombeiros de chegar ao local a tempo, como afirmam os bombeiros.

Reestruturação do Corpo de Bombeiros
Desde 1996, houve melhorias na estrutura de combate a incêndios, e a pequena queda no número de mortes por incêndio, ao que parece, resultou em parte de mudanças planejadas pelo Ministério de Situações Emergenciais da Rússia, que ficou responsável pelo combate a incêndios durante o segundo mandato de Putin e é considerado como um dos ministérios mais eficientes do governo.

O ministério contratou organizações de combate a incêndios ocidentais e tentou adotar padrões bem-sucedidos em outros países. No período soviético, por exemplo, as unidades médicas faziam parte do Ministério de Emergências e não trabalhavam em parceria com as unidades de combate a incêndios, que faziam parte do Ministério do Interior.
Depois de estudar os departamentos de incêndio dos Estados Unidos, a Rússia uniu ambos os serviços sob o comando do ministério de emergências há cerca de cinco anos e a quantidade de mortes por incêndios começou a cair.

Suborno prevalece nas inspeções
No entanto, a eficácia das tentativas de revitalização do serviço é limitada por problemas nacionais crônicos que incluem a pandemia de corrupção do alto escalão, um sistema judiciário fraco e a incompetência administrativa.
Os inspetores de incêndio, por exemplo, possuem autoridade sobre como lidar com as violações às normas de incêndios, e muitas vezes há abuso dessa autoridade, contou Elena Panfilova, diretora da filial russa da Transparência Internacional, organização privada de combate à corrupção. "Praticamente ninguém segue os padrões de segurança em incêndios na Rússia, mas os proprietários e inquilinos dos prédios negociam subornos com os fiscais", disse ela. "Isso é comum aqui. Todo mundo sabe."

Os casos ocorridos nos últimos anos demonstram como tantos fatores se combinam na deficiência do Corpo de Bombeiros.

Falta de água
■ Durante o cerco terrorista na escola pública em Beslan, em 2004, que terminou em um incêndio que se alastrou pelo teto de um ginásio lotado de reféns, os primeiros caminhões de bombeiros a chegar ao local quase não tinham água. Os moradores da região chamaram um caminhão particular de uma fábrica de vodka e eles mesmos acabaram tendo que controlar o incêndio. O teto desabou e mais de 120 vítimas carbonizadas foram encontradas sob os escombros.

Saídas bloqueadas
■ Um incêndio no ano passado em um banco em Vladivostok matou nove mulheres e deixou outras 20 pessoas gravemente feridas. Peritos, posteriormente, afirmaram que o banco havia bloqueado as saídas de emergência e que não possuía extintores nem alarmes. As equipes de resgate tiveram dificuldades para chegar às vítimas presas pois o acesso estava bloqueado por carros estacionados ilegalmente. (Em setembro, um tribunal condenou cinco pessoas por negligência e violações às normas de segurança.)

Falta de alarme de incêndio
■ Um incêndio que aconteceu na primeira semana de novembro de 2007, em uma casa de repouso em Tula matou 32 pessoas. Bombeiros afirmaram que o lar havia sido reprovado em duas fiscalizações neste ano, mas que havia conseguido reabrir as portas e continuar funcionando, mesmo sem alarme de incêndio. Quando os bombeiros foram comunicados sobre o fogo, segundo eles, o incêndio já se alastrava de forma incontrolável há 30 minutos, e muitos moradores ficaram encurralados.

Saídas bloqueadas e janelas com grades
■ Um incêndio de porte relativamente pequeno em dezembro do ano passado em um centro de reabilitação de viciados em drogas em Moscou matou 46 pessoas, muitas das quais morreram por inalação de fumaça porque a saída havia sido bloqueada e as janelas eram equipadas com grades para evitar que os viciados fugissem.

"Aqueles que deveriam estar acordados, estavam dormindo, e alguns pacientes estavam drogados e não conseguiam sair", declarou o coronel Ranat Yunisov, comandante da Unidade de Incêndio e Resgate No. 55 em uma entrevista. "Parte da culpa disso está na mentalidade russa. Os funcionários não queriam revelar que havia problemas, então eles mesmos tentaram combater o incêndio e, quando perceberam que era tarde demais, realmente era tarde demais."

Falta de alarme de incêndio, acessos e saídas bloqueadas
■ O prédio era uma bola de fogo, conta os bombeiros. O quarto andar, onde ficavam as salas de aula, não contava com sistema de alarmes. Havia duas escadas, mas o fogo começou perto de uma delas. A outra estava isolada por uma porta de aço trancada.

Houve uma inspeção em agosto, mas o fiscal havia concluído que essas irregularidades não representavam uma ameaça e o reitor da escola não tomou providência alguma. Após a erupção do incêndio, o instituto não ordenou a evacuação do prédio nem chamou os bombeiros, que contam que souberam do incêndio apenas após o telefonema de alguém que passava pelo local.

As pessoas já estavam pulando as janelas quando os caminhões chegaram. Muitas confiaram o destino a funcionários da construção civil que estavam por perto e que tentavam capturá-las em redes improvisadas. O caminho de acesso dos bombeiros ao prédio estava obstruído por carros estacionados ilegalmente.

"Ficamos indignados e nervosos, porque os bombeiros não içaram as escadas magirus", declarou Vladislav V. Yermikhin, que saltou com os joelhos dobrados em uma rede improvisada. Ele fraturou a bacia e sofreu uma forte pancada. "Se não fosse pelos pedreiros, teria sido muito pior."

Pelo menos 30 pessoas continuam internadas com queimaduras e fraturas devido a esse incêndio. Três vítimas se queixaram em entrevistas que o sofrimento foi agravado porque houve demora no tratamento médico já que havia poucas ambulâncias que ainda por cima demoraram a chegar. Quando chegaram, como contam as vítimas, dezenas de pessoas que haviam pulado estavam se contorcendo ou estavam inconscientes no chão.

Fonte: G1 - New York Times – 07 de novembro de 2007

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terça-feira, novembro 20, 2007

Os sete pecados capitais da gestão de segurança

Um dos corolários da Lei de Murphy descreve: “as coisas más acontecem por si só; as boas, só quando planejadas”. Errar é muito fácil.

Ativismo ingênuo - Apenas faça.
Esse pecado se origina da crença de que basta fazer algo diferente para que a tão desejada mudança ocorra. E quando as evidências contrariam aquela crença, ela renasce como fênix das cinzas e reafirma: “falhamos desta vez, mas na próxima acertaremos!”. A raiz desse pecado encontram-se em dois equívocos fundamentais:
■ a falta de um conjunto coerente de princípios que norteiem as ações;
■ e o descaso para com a questão da cultura organizacional, isto é, a crença ingênua de que os melhores resultados da excelência de segurança podem ser colhidos em qualquer tipo de cultura, bastando copiar exemplos de sucesso (benchmarking).

Cultura de segurança organizacional –
Seus praticantes reconhecem que a cultura está na cabeça das pessoas e compartilham da firme convicção de que os resultados não acontecerão se a cultura organizacional não for mudada. A partir dessa análise simplista desencadeia-se toda uma série de esforços para tentar mudar o comportamento do pessoal: campanhas motivacionais, DDS´s, programas variados de incentivos, técnicas de energização, auto-estima, auto-ajuda, etc., normalmente com resultados pífios.
O erro básico desta abordagem é não entender que cultura de segurança é uma conseqüência de resultado. Ou seja, não se injeta cultura na cabeça de ninguém, ela é uma soma de comportamentos adquiridos (como um conta-gotas) nas relações diárias no ambiente de trabalho.
Conclui-se que os responsáveis que aprovam e instituem iniciativas de cunho essencialmente comportamental de segurança cometem um duplo equívoco:
■ estão sacando a arma errada
■ e apontando para o alvo errado.
Arma errada, por quê? Em primeiro lugar, ao invés de concentrar esforços na questão comportamental, deveriam antes de tudo dedicar-se à questão estrutural, tais como; o ambiente físico de trabalho, os valores, as práticas e as políticas da organização, as quais se manifestam em cada diálogo e decisão do dia-a-dia, e falam muito mais alto do que qualquer cartaz afixado em parede. E em segundo lugar, os responsáveis apontam para o alvo errado porque as únicas pessoas da empresa que precisam mudar a cabeça a priori são os diretores!
A redenção desse pecado está em abraçar os valores e a visão correta, como pré‑requisito para identificar e promover as mudanças estruturais capazes de promoverem a médio e longo prazo, uma cultura de segurança voltada para a excelência. Ninguém mais na empresa pode realizar tal tarefa, a não ser a alta direção.

Radicalismo
Os praticantes desse pecado organizacional arremetem-se com fúria cega e destruidora contra todas as estruturas identificadas como manifestações do império do mal. A ordem é destruir por completo o velho paradigma e recomeçar do zero.
A maneira como as organizações aprendem e evoluem não tem nada a ver com o radicalismo.
A inovação que agrega valor para a empresa não tenta destruir a realidade atual, pelo contrário, apóia-se nela para identificar e dissipar os conflitos ou restrições existentes no atual sistema. O aprendizado organizacional é essencialmente cumulativo. Não se faz história apagando o passado.

Segurança pela segurança
Consiste em penetrar num emaranhado de atividades de auditorias, inspeções, relatórios, simplesmente porque as normas exigem. São tantas normas, que contribuem em mantêm estruturas paralelas, como também para ampliá-las, especificando novos sistemas para meio ambiente, segurança no trabalho e o que mais aparecer pela frente. Pois se a empresa não desenvolver uma maneira de integrar harmoniosamente tais sistemas paralelos e subordiná-los aos objetivos do negócio como um todo, o resultado típico será vários esforços localizados de melhoria, cuja soma pode muito bem ser nula ou até negativa.
Segurança só faz sentido se de fato resultar em vantagem competitiva para a empresa (evitar acidentes, passivos ambientais, explosões, incêndios, interrupções de negócios, etc).

Números a priori, cobrança a posteriori
A seguinte declaração de objetivos deve soar familiar: “Nossas metas de acidentes para este ano é X%”, discute se o corte do dedo do trabalhador deve entrar nas estatísticas ou o acidente sem afastamento ou o acidente com trabalhador terceirizado. E ao longo do ano seguem-se diversas reuniões de revisão, onde são discutidos quaisquer desvios em relação às metas. Essa prática é tão comum que muitos a entendem como a própria essência da administração e nem sequer imaginam o que poderiam fazer como alternativa.
É pensar que se pode isolar a contribuição e a responsabilidade de cada indivíduo em relação a um resultado final que decorre das interações complexas entre pessoas, meio ambiente, máquinas, tecnologia, procedimentos. A cura para esse mal está em compreender que os processos de negócio são complexos e surdos, isto é, eles simplesmente não reagem a ordens, discursos ou imposição de metas. Entretanto, os processos são extremamente sensíveis, respondendo bem às ações que tomamos sobre eles. O quanto vamos melhorar? Não sabemos, e não podemos saber de antemão. Mas sabemos de uma coisa: melhorar é sempre possível. A taxa de melhoria de segurança (índice de segurança) não depende da agressividade da meta, mas sim da qualidade da análise e das ações que efetivamente programamos.

Elixir - busca da poção mágica
O homem sempre buscou cura instantânea para seus males. No mundo atual a coisa se agrava com o impacto da tecnologia sobre as pessoas. Vivemos no mundo do plug & play, do fast food, do acesso rápido. Nas empresas, isto se reflete na busca de soluções instantâneas para resolver o problema de segurança. Como quem abre o guarda-roupa cada manhã e escolhe sua roupa para vestir, assim as empresas vítimas desse mal vestem o programa do ano. Mas como têm uma expectativa de resultados imediatos que não acontecem por uma série de fatores, logo se frustram e saem em busca do próximo programa. E assim sucessivamente.
Um dos resultados mais preocupantes acaba sendo uma massa de pessoas ao mesmo tempo céticas, desnorteadas e cada vez mais resistentes a se dedicarem ao próximo programa, o que acaba criando um círculo vicioso de frustrações.

Colcha de retalhos
Esse pecado organizacional acaba enredando a empresa num emaranhado de abordagens e métodos desconexos. Os praticantes desse erro procuram treinar as pessoas numa verdadeira avalanche de técnicas, exortando-as em seguida a aplicá-las em suas atividades diárias.

Adaptação do artigo “Os sete pecados capitais” Eduardo C. Moura – engenheiro eletrônico pela USP/São Carlos – Consultor de Qualidade

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domingo, novembro 18, 2007

Explosão de tanque de óleo de caldeira na Tabacow

Uma explosão em um tanque de óleo para abastecimento da caldeira na empresa Tabacow, em Americana, São Paulo ocorreu por volta das 8h40 de quarta-feira, 26 de setembro de 2007.

Motivo
Segundo as informações da empresa, no momento do acidente um dos empregados de uma empresa terceirizada soldava uma peça do tanque de óleo de abastecimento de caldeira, que explodiu.
Segundo o diretor da Defesa Civil de Americana, Luiz Carlos Cezaretto, no local do acidente estavam construindo uma escada de acesso ao tanque de óleo, localizado próximo a caldeira da empresa. Cezaretto afirmou que a utilização da solda pode ter causado a explosão. Ele disse que o tanque, que tem capacidade para 100 mil litros e continha 16 mil litros de óleo, transbordou para o dique de contenção e foi arremessado a uma altura de dez metros.

Corpo de Bombeiros
De acordo com o capitão Cícero Lázaro Ferreira Barboza Júnior, do Corpo de Bombeiros, um tanque de óleo BPF (baixo ponto de fugor) explodiu às 8h40 e o corpo do soldador William Erico Basso de Souza foi encontrado no dique de contenção do tanque, entre o óleo que, no dique, alcançou cerca de 30 centímetros de profundidade. "Não havia sinais de queimadura no corpo. Segundo ele, o óleo não é um produto inflamável e para ser utilizado precisa ser aquecido.
O capitão acrescentou que ainda não é possível determinar as causas da explosão. "Há indícios de que os funcionários estariam usando uma solda, mas ainda não há como precisar isso. Só mesmo depois, com os resultados da perícia" . Barboza explicou que apesar da força da explosão, o incêndio provocado teve pequenas proporções e os próprios integrantes da Brigada de Incêndio da Tabacow tomaram as primeiras providências.
Com a explosão o tanque foi arremessado em direção a estrutura metálica, a cerca de três a quatro metros de altura.

Explosão
Segundo funcionários da empresa, ouviram um estrondo e toda a estrutura da empresa tremeu. Janelas de alguns setores quebraram e o alarme de emergência disparou. A brigada de incêndio da Tabacow logo entrou em ação e todos os funcionários da empresa foram dispensados.

Vítimas
O soldador terceirizado William Erico Basso de Souza morreu no local e as outras quatro vítimas com ferimentos leves foram levadas ao Hospital Municipal de Americana.Às 16h todas haviam sido liberadas.

Vizinhança – moradores assustados
A explosão atingiu casas situadas próximas à empresa. Alguns imóveis do bairro Vila Bertine tiveram portas e janelas de vidro quebradas com o estrondo da explosão. Segundo a dona de casa Maria Ferreira Pratti, após o barulho e os vidros quebrados, moradores assustados saíram na Avenida Carmela Faé Ardito, onde mora.
“Foi um estrondo horrível e depois aquela fumaça escura. Logo o vento levou a fumaça, mas estavam todos muito assustados”, afirmou Maria.

Sobrevivente da explosão
“Escapei por pouco”. O desabafo é do eletricista Felício José Gomes, que trabalhava com o soldador William Erico Basso de Souza, quando o tanque de óleo de abastecimento da caldeira explodiu. Gomes, que também trabalha na NSA Eletrônica e Hidráulica Ltda., estava há cerca de sete metros do tanque no momento do acidente. Ele sofreu queimaduras na cabeça.

Faltou procedimento de segurança para efetuar o serviço
O eletricista culpa a Têxtil Tabacow S/A pelo acidente. Segundo ele, a empresa tinha que ter feito a medição de gás no tanque antes dos serviços de reparo. “Tinham que ter visto se precisava de isolamento”, disse. Ele também criticou a falta de segurança e o fato de nenhum funcionário da empresa ter acompanhado o serviço. “Acho que a falha foi da Tabacow. “O William estava no andaime e eu há uns sete metros acima. Numa fração de segundos explodiu e veio muito fogo em minha direção. “Foram duas explosões muito fortes”, disse.

Tabacow culpa empresa contratada
Em nota oficial divulgada à imprensa, a assessoria de comunicação da Têxtil Tabacow explicou que para o reparo preventivo no tanque de óleo chamado BPF, de abastecimento de caldeiras, contratou uma empresa especializada. Ainda de acordo com a nota, para o serviço era obrigação contratual desta empresa a verificação prévia de todas as condições e de avaliações do local e dos equipamentos para a execução do serviço, bem como a locação de mão-de-obra para o trabalho.

Empresa vai esperar laudo
A NSA Eletrônica e Hidráulica Ltda., empresa acusada pela Tabacow de ser responsável pela explosão, deixará para discutir a culpa ou irregularidades sobre o acidente que matou o soldador, quando o IC (Instituto de Criminalística) emitir o laudo. Apesar disso, a empresa se adiantou em dizer ter recebido autorização especial da empresa para trabalhar no local. A NSA foi contratada de forma terceirizada pela Tabacow para o reparo preventivo no tanque de óleo de abastecimento das caldeiras.
O advogado que representa a empresa, André Ricardo Duarte, explicou que a autorização emitida pela Tabacow atestava que os EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais) e procedimentos estavam corretos. “Significa que poderiam executar o serviço”, resumiu. Quanto a outros procedimentos envolvendo o acidente, ele frisou a necessidade de aguardar o laudo. “Se a culpa é da Tabacow ou da empresa não é para discutir agora”, disse.

Tabacow é autuada pelo Ministério do Trabalho
O Ministério do Trabalho de Campinas autuou a Têxtil Tabacow S.A., de Americana, pelo acidente ocorrido.
O subdelegado do trabalho do MPT, Sebastião Jesus da Silva, disse que apesar do serviço estar sendo realizado por uma empresa terceirizada, a responsabilidade pela liberação do local e condições de segurança eram da Tabacow. “Houve imprudência”, afirmou.
Em seu entendimento, a empresa deveria ter feito uma análise detalhada do local para identificar existência de gases. “A partir daí deveriam ter feito ordem de serviço em que constasse um alerta”, explicou.
A autuação foi emitida na quinta-feira, 27 de setembro e encaminhada para a empresa. Segundo Silva, o valor será definido posteriormente pelo MPT de São Paulo. A empresa tem dez dias para apresentar defesa.

Inquérito
O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de Americana como homicídio doloso (sem intenção). O delegado Éder Muniz de Farias afirmou que será aberto inquérito para investigar as causas e possíveis responsabilidades pelo caso.

Fontes: TodoDia e O Liberal – Americana, no período de 26 a 28 de setembro de 2007

Comentário
Interessante a visão da Tabacow sobre a segurança, publicada no jornal, transferindo a responsabilidade da segurança para empresa terceirizada e o correto seria integrar a terceirizada dentro dos padrões de segurança adotada pela empresa. Simplesmente a Tabacow está transferindo riscos e responsabilidades, sobre a segurança e saúde dos trabalhadores para a empresa terceirizada. Não existe política de integração de segurança para empresa prestadora de serviço.
O que diz as normas
■ Quando vários empregadores realizem, simultaneamente, atividade no mesmo local de trabalho, terão o dever de executar ações integradas para aplicar as medidas previstas no programa de prevenção, visando à proteção de todos os trabalhadores expostos aos riscos ambientais gerados. A norma dá enfoque que todos os empregados no mesmo local de trabalho devem conhecer os riscos e as medidas de ações integradas nas execuções das proteções de segurança.
■ No outro tópico da norma, estabelece que a empresa contratante e as contratadas, que atuem num mesmo estabelecimento, deverão implementar, de forma integrada, medidas de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, de forma a garantir o mesmo nível de proteção em matéria de segurança e saúde a todos os trabalhadores do estabelecimento. A empresa contratante deverá adotar medidas necessárias para que as empresas contratadas recebam as informações sobre os riscos presentes nos ambientes de trabalho, bem como sobre as medidas de proteção adequadas. Além disso, a contratante deverá, ainda, adotar medidas necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de segurança e saúde no trabalho pelas empresas contratadas que atuam no seu estabelecimento.

De acordo com notícia publicada no jornal, o subdelegado do trabalho, disse que apesar do serviço estar sendo realizado por uma empresa terceirizada, a responsabilidade pela liberação do local e condições de segurança eram da Tabacow. “Houve imprudência”, afirmou.
Na minha opinião, houve sim negligência, pois a empresa deveria ter a ordem de serviço ( autorização de procedimento de trabalho com segurança) para execução de serviço a quente e a execução do serviço fiscalizada pelo setor segurança do trabalho da empresa.
O que é serviço a quente
Qualquer operação temporária que envolva chama exposta ou que produza calor ou faísca, incluindo corte, polimento, solda, solda por arco e aplicação de revestimento de teto com chama aberta.

Resumo dos principais procedimentos a serem adotados em serviços a quente
■ Preparação da área do serviço
■ O local a ser executado o serviço à quente, deverá ser avaliado pelo supervisor, operador ou
funcionários que estão autorizados a assinar autorização.
■ As operações de soldagem e corte à quente somente podem ser realizadas por trabalhadores
habilitados.
■ Remova todos os produtos inflamáveis principalmente dentro de um raio de ação de 11 metros.
■ Verifique os riscos onde deverão ser efetuados os serviços.
■ Liberação e acompanhamento do serviço à quente
1 - Deverá ser solicitada a presença do Técnico de Segurança para que seja feita a liberação do
serviço após preenchimento do check-list para liberação de serviço à quente.
2 - Nas operações de soldagem ou cortes à quente de vasilhames, recipientes, tanques ou similares
que envolvam geração de gases confinados, será solicitada a presença do Técnico de Segurança
para avaliação.
3 - A liberação de serviço à quente após conformidade com os requisitos, deverá ser assinada por
a) Executante ou encarregado responsável pelo serviço;
b) Supervisor/Operação autorizado por assinar o cartão vermelho e que executou a avaliação;
c) Técnico de Segurança.
d) Brigadista
■ Será deixada cópia para o executante, que deverá apresentar a liberação toda vez que solicitada pelo Técnico de Segurança nas inspeções.
■ O Técnico de Segurança deverá ter o seguinte procedimento para a liberação em tanques de armazenagem de líquidos inflamáveis/combustíveis :
a) Tanque deverá estar totalmente vazio;
b) Estar lavado e desgasificado;
c) Atmosfera interna purgada com vapor durante 60 minutos;
d) Ventilar o interior do tanque;
e) Efetuar a medição de explosividade e atender as especificações.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

Quebrar pedras a estudar: uma opção


Alisson dos Santos Souza prefere quebrar pedras a estudar. Ao despertar, já se imagina no garimpo, ganhando dinheiro, e não na escola, que freqüenta quase por obrigação. Às vezes, assiste a uma aula com “ódio”. A palavra é dura. “Quando peço uma resposta para o professor e ele diz ‘cace no livro’, fico com ódio. Sinto raiva dele. O cabra pede um assunto de matéria e ele não quer dar?” Os planos do jovem de 14 anos são chegar até a 3ª série do ensino médio. Faculdade é perda de tempo, porque, para ele, quem fizer vai seguir sua mesma sina, a de quebrar pedras.

Em Pedra Lavrada, na Paraíba, a palavra “mineração” significa emprego. As crianças crescem querendo ser como os pais, agricultores teimosos no semi-árido. Quando jovens, preferem migrar. Se for ficar, o jeito é garantir-se com uma vaga no serviço público ou no garimpo. No primeiro caso, estudo vale ouro, mas dá trabalho para nem todos chegarem lá. No segundo, Alisson já tem as ferramentas de que precisa: um martelo e uma luva de borracha.
Alisson ganha R$ 200 por mês para martelar blocos de quartzo bem mais pesados que os livros e cadernos. Sua tarefa consiste em deixar o mineral branco de doer os olhos.

Fonte: O Estado de São Paulo – 4 de novembro de 2007

Comentário
Quando a educação brasileira chegar ao Primeiro Mundo, o Nordeste pobre vai estar mergulhado num triste Terceiro Mundo. Em 2022, ano do bicentenário da Independência e quando o País pretende atingir a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estabelecida pelo governo;
■ só 44 cidades nordestinas da educação infantil à 4.ª série e 58 da segunda fase, da 5.ª à 8.ª séries, vão alcançar esse nível.
■ outros quase 1.400 municípios do semi-árido brasileiro, sertão que vai do norte de Minas ao interior do Nordeste, ficarão para trás.

Para que serve a educação conforme definição da Unesco?
É a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e de usar essas habilidades para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Em todo o mundo, a modernização das sociedades, o desenvolvimento tecnológico, a ampliação da participação social e política colocam demandas cada vez maiores com relação às habilidades de leitura e escrita. A questão não é mais apenas saber se as pessoas conseguem ou não ler e escrever mas também o que elas são capazes de fazer com essas habilidades. Isso quer dizer que, além da preocupação com o analfabetismo no Brasil, emerge a preocupação com o alfabetismo, ou seja, com as capacidades e usos efetivos da leitura e escrita nas diferentes camadas da vida social.

No meio industrial temos um problema silencioso e perverso que afeta as empresas que é o alfabetismo funcional. São pessoas que foram à escola, sabem ler, escrever e contar; mas não conseguem compreender a palavra escrita. Não estão acostumados a leitura de livros, artigos e jornais. As pessoas preferem ouvir explicações de outros colegas. Fingem entender tudo, para depois sair perguntando aos outros o que e como deve ser realizado tal serviço. E quase sempre agem por tentativa e erro.

A produtividade industrial está ligada diretamente a habilidade básica da pessoa (processo contínuo de aquisição de conhecimento) e o grau de tecnologia.
Quando as pessoas não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre processo produtivo, procedimentos de normas técnicas da qualidade de serviços e negligência dos valores da organização empresarial, todos saem perdendo, gerando acidente de trabalho, perda de produtividade, etc.

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Crianças trabalhando em carvoaria


Assentados da reforma agrária derrubam árvores e produzem carvão em uma área de 5,7 mil hectares de mata nativa no município de Nova Andradina, no sudeste de Mato Grosso do Sul, a 347 quilômetros de Campo Grande. E o pior: há crianças trabalhando nas carvoarias.

A floresta, com formações de cerrado denso e remanescentes de mata atlântica, constitui a reserva legal da Fazenda Teijin, de 28,5 mil hectares, desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No local, foram assentadas 1.067 famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri).

É uma das poucas áreas de mata que restam numa região devastada pela atividade agrícola e pecuária. Isso não impediu que 187 famílias de sem-terra invadissem a reserva. Elas demarcaram os lotes, abriram clareiras para instalar seus barracos e, agora, queimam a madeira para produzir carvão. Muitas deixaram lotes no assentamento para se instalar na mata e explorar a nova atividade.

O lote do assentado José Pedro de Jesus, de 54 anos, tem dois fornos em plena atividade. Os meninos Cristiano Lagos, de 11 anos, e Adanilson Alves Souza Jesus, de 14, retiram o carvão da fornalha e amontoam para esfriar. O produto será ensacado e vendido nas margens da BR-267, que corta a fazenda, por R$ 40 o metro cúbico. “Estamos esperando o preço melhorar”, disse Adanilson.

Os dois garotos tinham faltado à aula para mexer com o carvão. Eles estudam na escola do Distrito de Casa Verde, o núcleo urbano mais próximo. Cristiano cursa a 3ª série e Adanilson está na 5ª.

Fonte: O Estado de São Paulo - segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Comentário
Como o Brasil poderá competir tecnologicamente com outros países enquanto as nossas crianças pobres não tem acesso a educação básica adequada (escola, alimentação e tempo para estudar) e quando tem só sabe escrever o próprio nome. São crianças espalhadas no território brasileiro pedindo esmolas, trabalhando em carvoaria, quebrando pedra ou cortando madeira. São crianças que entram precocemente em contato com atividades insalubres ou perigosas.
Cerca de 8,8 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, trabalham no país.
Dado da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar) de 1995 indicam que o número de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham chega a 3,8 milhões.
Essa realidade contraria artigos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e Convenção 138 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que vetam o trabalho para menores de 14 anos. O campo abriga a maioria dos trabalhadores. Mais da metade das crianças entre 10 e 14 anos que trabalham estão na agricultura.

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terça-feira, novembro 13, 2007

Todo dia, 18 óbitos em acidentes de motos

Virou epidemia. A quantidade de mortes causadas por acidentes com motos tem aumentado mais que muitas doenças epidêmicas revelam três pesquisas recentes;
■ todos os dias, pelo menos 18 pessoas morrem em acidentes de motos Brasil afora,
■ em 2006, foram pelo menos 6.655 mortes em motos, o equivalente a 20% da matança diária do trânsito brasileiro, que já superou a cifra de 90 óbitos,
■ em 2001, a média era de 8,5 mortos em acidentes com motos por dia,
■ as taxas explodiram na última década: mais de 800% de aumento entre 1996 e 2006, de 0,4 para 3,6 por grupos de 100 mil habitantes.

Crescimento do número de acidentes com motos: Nordeste e Centro Oeste
Além dos números crescentes, o que tem preocupado pesquisadores e governo é a geografia desse aumento. O mapa dessa tragédia diária não respeita o senso comum, que aponta São Paulo como a capital dos motobóis, onde todos os dias se registra uma morte de motoqueiro. Os acidentes de motos estão matando mais no Nordeste e Centro Oeste, nas menores cidades, dizem duas das pesquisas. Os grotões brasileiros têm trocado carroças e cavalos por motos, até para tocar o gado e cuidar da agricultura.

“As mortes em motos aumentam mais exatamente onde a estrutura de fiscalização é menor e a obtenção das habilitações é sempre mais fácil. Além disso, a população de baixa renda tem adquirido motos de baixa potência (envolvidas em mais de 70% dos acidentes) em prestações mais baixas”, afirma o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do Ministério da Saúde, Otaliba Libânio. Ele fala com base em duas pesquisas de seu setor, ambas com os mesmos indicativos de crescimento do número de acidentes com motos.

Multiplicidade de transporte
Para a pesquisadora da Universidade de São Paulo Maria Sumie Koizumi, os fatores predominantes são:
■ aumento do uso de motos como táxis no interior do País.
■ há um novo fenômeno no uso das motos. Em São Paulo, há o motofrete (motobóis), e em outras regiões o que mais cresce é o mototáxi (proibido em São Paulo)
■ a frota nacional de motos tem uma distribuição diferente da de carros. As taxas maiores, considerando por número de habitantes, são Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Mato grosso do Sul.

Acidente de trabalho
Para Maria Sumie, co-autora do atlas dos acidentes de trânsito no Brasil da Associação Brasileira de medicina de Tráfego (Abramet), as mortes por motos no Brasil precisam ser consideradas também como acidentes de trabalho.
Isso se reflete na quantidade de acidentes nessas regiões. “No Tocantins, são 8,1 mortos por ano para cada 100 mil habitantes. Os nossos dados são de 2005, mas temos acompanhado e o quadro só piorou”, diz a pesquisadora.

Faixa etária da população
Além da geografia, outro aspecto alarmante demonstrado nas pesquisas é a faixa etária das vítimas: por todo o País;
■ a população entre 15 e 39 anos tem morrido mais de acidentes de motos que de outros veículos.
■ dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2005, houve 2.284 mortes de jovens entre 15 e 24 anos por acidentes com motos,
■ no Nordeste e Centro-Oeste, os índices são ainda mais assustadores. Desde 2006, pela primeira vez, os números superaram os óbitos em acidentes por automóveis.
■ em alguns Estados, como Roraima e Tocantins, as taxas por 100 mil habitantes foram de 9,16 e 8,66, respectivamente.

Estatística alarmante
De modo global, os números justificam a preocupação epidêmica:
■ em 2006, em uma contagem ainda parcial, foram 6.655 mortes em motos (18 por dia).
■ em 2005, foram 5.974 mortes (16 por dia), contra 5.042
■ em 2004 (14 por dia), 4.271
■ em 2003 (11 por dia), 3.744
■ em 2002 (dez por dia) e
■ 3.100 em 2001 (oito por dia).
Em 2005, por exemplo, as mortes por doenças relacionadas a protozoários mataram 5.428 e as infecções intestinais, 5.564 (15 por dia). Só a desnutrição matou em número semelhante: 6.876 em 2005.

Produção de motos no Brasil
■ em 2006, o mercado de motos no Brasil registrou um crescimento de 24,5% nas vendas, com um total de 1,27 milhão de unidades vendidas.
■ em 2007 estima-se outra alta de 22%, com previsão de 1,55 milhão de unidades vendidas, um crescimento que representa o dobro do mercado japonês

Fonte: Jornal do Commercio - 21 de outubro de 2007

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domingo, novembro 11, 2007

Raio queimou casa em Santa Maria

Em 31 de outubro de 2007, por volta das 16h, quando os primeiros pingos de chuva caíram na Vila Maringá, um raio atingiu uma casa de madeira, na Rua Hilda Conceição Berleze, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.

Perda total da casa
A residência incendiou e não sobrou nada no local. Por pouco, uma casa vizinha não foi atingida.

A casa estava vazia
O acidente só não virou uma tragédia porque a dona da casa, Neli da Silva Maciel e a filha haviam saído e o local estava vazio. Quando retornaram, elas descobriram que tudo o que tinham estava destruído.

Testemunha – Foi como uma explosão
Um dos vizinhos da vítima, Edson Luiz Sandoval Rodrigues, tinha acabado de sair no portão para chamar as filhas quando o raio caiu no telhado da casa de Neli. O homem disse que o estrondo foi tão grande, como se fosse uma explosão, ele correu para dentro de casa.

Corpo de Bombeiros
Os bombeiros deslocaram três equipes ao local para conter o incêndio.

Fonte: Diário de Santa Maria - 01 de novembro de 2007

Comentário
Em 2007, 17 pessoas já morreram atingidas por raios no Brasil, sendo 7 delas em São Paulo, o estado com maior número de fatalidades.

Numa fração de segundo, um raio pode produzir uma carga de energia cujos parâmetros chegam a atingir valores tão altos quanto: 125 milhões de volts, 200 mil ampères, 25 mil graus centígrados.

Embora nem sempre sejam alcançados tais valores, mesmo um raio menos potente ainda tem energia suficiente para matar, ferir, incendiar, quebrar estruturas, derrubar árvores e abrir buracos ou valas no chão.

Ao redor da Terra caem cerca de 100 raios por segundo. No Brasil, nas regiões Sudeste e Sul, a incidência é de 25 milhões de raios anualmente, sendo a maior quantidade, no período de dezembro a março, que corresponde à época das chuvas de verão.

Vítimas
Embora não haja estatísticas disponíveis para o Brasil, centenas de pessoas a cada ano são atingidas por raios. Muitas morrem, outras sofrem traumatismos e queimaduras. A maioria das vítimas é atingida ao ar livre, embaixo de árvores ou na água. No Brasil, há inúmeros relatos de vítimas de raios, atingidas enquanto jogavam futebol ou estavam na praia durante uma tempestade de verão.

Ao atingir uma pessoa, o raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através do aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A chance de sobreviver é de apenas 2%. As pessoas também podem ser atingidas por correntes elétricas que se propagam no solo, a partir do ponto que o raio atingiu. São as chamadas descargas laterais.

Danos materiais
Além de vítimas, os raios destroem bens materiais correspondentes a prejuízos de muitos milhões de reais todos os anos com incêndios florestais ou em lavouras; incêndios ou destruição de prédios ou pontes; danos graves em veículos; interrupções da energia elétrica pela destruição de torres e linhas de abastecimento, explosões de tanques de combustíveis/inflamáveis e interrupção do funcionamento de equipamento em aeroporto, etc.

Prejuízos econômicos
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (que estuda os raios através Grupo de Eletricidade Atmosférica – ELAT) o fenômeno causa prejuízos de US$ 200 milhões ao Brasil. Os raios afetam as linhas de transmissão de energia, de telefonia, as indústrias; causa incêndios florestais e mata pessoas e animais.

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