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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

sexta-feira, julho 30, 2010

Tornado atinge Canela no Rio Grande do Sul

Ventos de até 124 quilômetros por hora atingiram Canela, na serra gaúcha, Rio Grande do Sul, na noite de quarta-feira, 21 de julho, por volta de 20h40min..

CENÁRIO
Canela é um município brasileiro de origem alemã na serra do estado do Rio Grande do Sul. Faz divisa com a cidade de Gramado. A cidade é muito conhecida pelas atrações turísticas, tais como a Cascata do Caracol, o Parque da Ferradura e a Catedral de Pedra.
Está localizada na Serra Gaúcha, na Região das Hortênsias. Possui um relevo bastante acidentado tendo sua área urbana localizada a 837 metros de altitude. A combinação deste relevo com a hidrografia abundante proporciona à cidade diversas cascatas e vales.

RASTRO DE DESTRUIÇÃO
Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a velocidade do vento registrada foi de 123,8 km/h. Os bairros mais atingidos foram Vila dos Cedros, Vila Maggi, São José, Santa Marta, Quinta da Serra e Santa Terezinha.
A Prefeitura de Canela informou que os três bairros afetados pelo vendaval ficam a cerca de três quilômetros do centro. Os maiores prejuízos foram registrados no bairro de classe média Santa Terezinha, onde duas fábricas de móveis e uma metalúrgica foram destelhadas e cerca de 300 casas foram total ou parcialmente destruídas.
Nos mais de sete quilômetros de destruição deixados pelo tornado que sacudiu o coração da principal região turística do Estado, quase todos os pontos de visitação mais frequentados de Canela e Gramado saíram a salvo.
O tornado devastador cruzou a Avenida das Hortênsias, principal ligação entre as duas cidades, passou pelo Vale do Quilombo e destroçou áreas de sete bairros residenciais de Canela. A ventania passou muito perto de locais famosos, a menos de um quilômetro da Praça da Matriz, onde fica a Catedral de Pedra. Foram destruídas mais de 200 árvores.

PARECE QUE UMA MOTOSSERRA PASSOU PELA CIDADE
O prefeito da cidade, Constantino Orsolini, disse que nunca tinha visto algo assim em sua vida. Tem bairros que parece que passou uma motosserra, derrubando todas as árvores. O cenário é de destruição, ruas foram detonadas, esgotos estão entupidos, postes de luz foram arrancados.

VÍTIMAS
Onze pessoas deram entrada no Hospital de Caridade até à meia-noite – nenhuma com ferimentos graves. Todas já foram liberadas.

DEFESA CIVIL CONTABILIZA OS DANOS
■ 489 casas afetadas, sendo 408 estão danificadas e 81 destruídas
■ Cerca de 2.000 pessoas foram afetadas de alguma forma pelo temporal e 180 pessoas estão desalojadas, ou seja, na casa de parentes ou amigos. Ao todo, 11 pessoas ficaram feridas com o fenômeno climático e foram atendidas no hospital de Caridade de Canela – todas já foram liberadas.
■ De acordo com o balanço, outras três cidades do Estado tiveram grandes prejuízos. Em Ibiaçá, 22 residências ficaram danificadas com a forte chuva. Em Imigrante, um vendaval e uma chuva de granizo atingiram 3.000 pessoas e danificaram cem casas, destruindo outras 20. Na cidade de Nonoai houve enxurrada e 25 moradias ficaram danificadas.
■ Já em Gramado e em São Francisco de Paula, o estrago ocorreu em pontos localizados, com a queda de árvores. Até o momento, a Defesa Civil não contabiliza feridos nessas cidades.

OS ESTRAGOS POR BAIRRO
■ São José e Santa Marta: 32 casas danificadas e 14 destruídas (baixa renda). 14 danificadas e nenhuma destruída (maior poder econômico). Serão necessários 3.740 metros quadrados de telhas.
■ Quinta da Serra: Sem danos entre a população baixa renda. 10 danificadas e uma destruída (maior poder econômico). Serão necessários 1.650 metros quadrados de telhas
■ Santa Terezinha: 7 casas danificadas e 24 destruídas (baixa renda). 109 danificadas e seis destruídas (maior poder econômico). Serão necessários 12,4 mil metros quadrados de telhas

■ Vila Maggi: 10 danificadas e 11 destruídas (baixa renda). 4 danificadas e nenhuma destruída (maior poder econômico). Serão necessários 2.080 metros quadrados de telhas
■ Vila do Cedro e Leodoro de Azevedo: 108 danificadas e 25 destruídas (baixa renda). 113 danificadas e nenhuma destruída (maior poder econômico). Serão necessários 23,8 mil metros quadrados de telhas.

TESTEMUNHAS
■ Maicon Ghesla, espiou pela janela e viu a cobertura de zinco da fábrica de móveis Castanheira flutuando no ar, metros acima do pavilhão de alvenaria. A estrutura metálica girou, girou e então explodiu. Folhas de zinco foram arremessadas em todas as direções, voando centenas de metros. Uma das lâminas trombou com uma árvore em frente à casa da família Ghesla e deu três voltas ao redor do tronco, como para embrulho. Tudo tremia, estrondava e rodopiava. Quando o bombardeio amainou, depois de menos de um minuto, a casa da família e ruas inteiras do bairro Santa Terezinha, em Canela, estavam transformadas em escombros.
■ Situado a apenas 800 metros da Igreja de Pedra, um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio Grande do Sul, o bairro de classe média foi, epicentro de um fenômeno com características de tornado.. Na sequência do vendaval, os moradores atravessaram debaixo de chuva e frio, na escuridão sem energia elétrica, uma noite de contornos irreais. Vagando pelas ruas, vislumbravam pinheiros que dois homens não conseguiriam abraçar despedaçados ao meio ou arrancados pela raiz com a violência do vento. Descobriam que, em locais onde até minutos antes ficava a casa de tijolos de um amigo, restava agora apenas um par de degraus conduzindo a lugar algum. Encontravam construções destroçadas com a facilidade com que se amassa uma folha de papel. Viam coisas onde elas não deviam estar: um bosque de pinus transferido para cima de uma casa, uma porta metálica de garagem no alto de uma árvore, um poste de concreto partido em três junto ao meio-fio. Era tanta devastação que quem tinha apenas um destelhamento para lamentar se considerava afortunado.
■ O pintor Mário Luís Ghesla, pai de Maicon, conta que o primeiro sinal da tragédia foi uma rajada tão potente que o vento não parecia de ar, mas de pedra. Depois a casa tremeu, e, enquanto tremia, os vidros das janelas estouraram, espalhando estilhaços. Um tijolo vindo ninguém sabe de onde atravessou a parede da sala de uma extremidade a outra. O forro parecia ser puxado para cima. A energia elétrica falhou. No dia seguinte, restava a Ghesla cobrir o telhado desaparecido com lonas, lamentar o automóvel destroçado na garagem e encontrar no quintal fragmentos das vidas dos vizinhos: pedaços de moradias, utensílios domésticos e até mesmo um computador vindo não se sabe de onde. Destelhou e molhou tudo em casa. Nem sei mais o que presta e o que não presta – lamentou.
■ O mecânico Jean Carlos Boch, perguntava-se onde afinal foi parar o segundo piso de sua casa, constituído por dois quartos e um banheiro de alvenaria. Aqui neste monte de entulho era minha garagem. Uma parede da minha casa o vizinho disse que está dentro da casa dele. Mas o segundo piso eu realmente não sei onde foi – surpreendia-se Boch, que viu serem destruídos a moradia, dois carros, móveis e eletrodomésticos. Na hora do tornado, o mecânico estava na sala. Ele lembra primeiro do corte na energia elétrica. Depois, descreve um silêncio total e estranho:
– Então veio vento de supetão, derrubando, como o fim do mundo. Foi um barulho que não tenho como definir o que era. Vidraça estourando nas casas, parede voando contra parede, ferro batendo, gente gritando. Quando nosso telhado começou a levantar, ficamos todos em um canto, abraçados, sob chuva de telhas. Uma me acertou no ombro. Na hora em que a coisa aquietou e olhei o estrago na rua, pensei: terminou o mundo. Na minha cabeça, tudo não durou nem um minuto.
■ Nenhuma destruição foi tão impressionante como a dos pavilhões onde funcionavam duas fábricas de móveis sob medida. Até o fim do expediente da quarta-feira, as indústrias Castanheira e Aristeu Pires fervilhavam de atividade nos seus mais de 4 mil metros quadrados de área construída. Ocupavam prédios de tijolo e aço nos quais cerca de 50 funcionários trabalhavam, produzindo a mobília dos sonhos de gaúchos de todos os quadrantes. Ontem, as fábricas estavam espalhadas pelo bairro, na forma de milhares de estilhaços de telhas, tijolos, móveis inacabados e madeira. O expediente dos funcionários consistia em saltar sob os entulhos, tentando resgatar algo de aproveitável. Mas não sobrou quase nada. Uma parede dos pavilhões ficou parcialmente em pé, mas as outras foram ao chão. Móveis e maquinário entortaram, quebraram, perderam-se. No chão, em meio a tijolos solteiros que na véspera eram uma parede, um cartaz roto avisava: “Mantenha organizado”. O cenário lembrava o de um prédio implodido com as melhores técnicas da engenharia
■ Mais impressionante do que a destruição, só o fato de ninguém ter morrido ou se ferido gravemente. Sozinha na hora do tornado, Lodenira Lodea, foi a sobrevivente mais improvável. Ela foi arremessada com casa e tudo para o pátio do vizinho. Até o assoalho voou. Sua residência, de madeira e alvenaria, colidiu com a do vizinho, que também cedeu. Ele ouviu os gritos da vizinha e a resgatou de entre as tábuas, praticamente sem sair de casa.

COBERTURAS PROVISÓRIAS
Foram distribuídas lonas para cobrir casas e estabelecimentos e ao longo da quinta-feira (23) pela Defesa Civil

AVALIAÇÃO DOS DANOS
Técnicos da Defesa Civil, engenheiros e arquitetos finalizam na sexta-feira, 23 de julho, o relatório da situação de emergência em Canela no desastre que deve figurar entre os cinco maiores da história do Estado. O critério foi usado pelo major Aurivan Chiocheta, subchefe da Defesa Civil estadual . Segundo o major, técnicos da UFRGS devem chegar a Canela ainda hoje para fazer uma análise mais detalhada da situação. Eles se juntam aos profissionais que já trabalham no município desde a madrugada de quinta-feira. Materiais como telhas, agasalhos, alimentos e colchões já estão sendo distribuídos às famílias atingidas.

ESTIMATIVA DE PRAZO PARA RECUPERAÇÃO DA CIDADE
De quatro a oito meses tudo deve ser recuperado. Será necessária muita ajuda dos governos federal e estadual.

ESTIMATIVA DOS PREJUÍZOS
A estimativa é de que serão necessários R$ 10 milhões (5,6 milhões de dólares) para a reconstrução.

MOBILIZAÇÃO DE PESSOAL
Cerca de 200 pessoas da Defesa Civil, equipes da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros e da Brigada Militar ainda trabalham na reforma de 157 casas populares destruídas pelos temporais em Canela.

CIDADE DE TURISMO
O prefeito destacou a importância dos turistas para a cidade. Com 60% da economia baseada no turismo, o prefeito pediu aos turistas que continuem visitando a cidade. Se você quer ajudar Canela, venha até Canela, disse o prefeito.

BALANÇO DEFINITIVO DOS DANOS
O Município decretou situação de emergência em decorrência de ventos intensos seguidos de chuva forte. O evento climático atingiu parte da área urbana da localidade.
Registra-se que
■ 1300 pessoas foram afetadas de alguma forma, 200 pessoas estão desalojadas, 11 pessoas estão desabrigadas, 11 ficaram levemente feridas,
■ 444 residências foram danificadas e 81 ficaram destruídas.
■ também ocorreram danos nos sistemas de energia elétrica, de comunicação e transporte.

Fontes: UOL Notícias -22 de julho de 2010, Zero Hora – 23 a 25 de julho de 2010

Comentário:
Por falta de equipamentos meteorológicos (radares) existe controvérsia no tipo de ocorrência, foi tornado ou não?
Meteorologistas ainda não têm certeza de qual fenômeno atingiu Canela. Mas já sabem que os estragos são resultado do encontro de um frente fria que subia a Serra com uma massa de ar quente proveniente da Amazônia, o conhecido vento norte.
– Foi a combinação para a formação de uma tempestade com vento forte. Tínhamos temperaturas elevadas em Canela. Chegou a 23°C à tarde. Ao se chocar com a instabilidade que vinha do Sul, o vento norte ganhou intensidade – explicou a meteorologista Estael Sias, da Central de Meteorologia.

Por ter causado estragos em uma área de cerca de duas quadras de Canela e ter tido uma duração de poucos minutos, a meteorologista acredita que a cidade possa ter sido atingida por um tornado ou ainda por uma microexplosão. A confirmação do fenômeno só poderá ser feita a partir da análise dos estragos e relatos de moradores que presenciaram o fenômeno.
– Em apenas 1% dos temporais aqui no Estado ocorrem tornados. E geralmente duram poucos segundos, até um minuto. A microexplosão é mais comum e pode durar alguns minutos – explicou Estael.
Conforme ela, no caso do tornado, o movimento dos vento ascendente e descendente provoca uma rotação dentro da nuvem. Esta rotação gera o funil, o tornado, que pode tocar o solo várias vezes.
– Ao tocar o solo, o tornado tem uma grande força de destruição. É comum ver árvores e postes retorcidos. Os destroços são arremessados em foram espiral sobre o terreno após serem sugados pelo tornado – disse Estael.

Mais comum, a microexplosão também está sendo investigada. Ela ocorre quando o vento descendente se desprende da base da nuvem e atinge o solo com grande força. É como se uma bomba tivesse caído no solo. – Também é um fenômeno hiperlocal que pode atingir apenas uma quadra ou um bairro – explica ela.
A terceira hipótese é uma frente de rajada. Por ter geralmente uma extensão de estragos maior, é a menos provável das causas.

O meteorologista Marcio Custódio explica que é difícil definir o fenômeno, mas as características do rastro de destruição deixado por ele são parecidas as de um tornado.

— Analisando fotos do evento e conversando com colegas da região, optamos por definir o sistema como um tornado. Vimos fotos aéreas que mostram que apenas um lado da rua foi destruído e o outro estava intacto. Isso é bem caraterístico de um tornado, que é um funil e faz uma trilha de estragos e árvores arrancadas pela raiz. Ele é um sugador, que puxa tudo para cima e joga longe. Já na microexplosão, outro fenômeno, a rajada vem de cima para baixo e acaba por quebrar no meio a árvore, sem arrancar pela raiz — explica.

Custódio afirma que pesquisas apontam que a região sul do Brasil é a segunda no mundo em incidência de tornados, perdendo apenas para os Estados Unidos.
— O problema é que não temos as ferramentas necessárias, como radares meteorológicos, para identificar esses fenômenos. Aqui fica muito no visual, de alguém tirar fotos ou eles passarem perto de uma estação meteorológica. A interpretação varia de cada meteorologista. Como ninguém viu a configuração clássica do tornado, o funil, há divergências entre os Institutos, o que é normal neste caso — completa o meteorologista, que acredita que a velocidade do vento pode ter sido ainda mais forte em pontos mais próximos de onde o tornado passou, podendo ter atingido até cerca de 200 km/h.

Escala Fujita
A classificação chamada escala Fujita, é feita de acordo com a intensidade do fenômeno. Ela foi desenvolvida por Tetsuya Theodore Fujita,da Universidade de Chicago














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posted by ACCA@12:04 PM

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segunda-feira, julho 26, 2010

Explosão em tanque mata trabalhador

O acidente aconteceu por volta das 15h, de quarta-feira, 21 de julho de 2010, em um galpão da empresa Femibra Estruturas Metálicas, na Estrada Pinguim, na zona sul de Maringá, Paraná.

Acidente
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu instantes depois do pintor, Julio, aplicar tinta anticorrosiva epóxi e altamente inflamável na parte interna do tanque, projetado para estocar água.
Em seguida, Júlio, subiu no tanque para dar retoques na pintura. Sem atentar para o perigo, outro trabalhador iniciou a solda de um gancho de espera na parte externa quando ocorreu a explosão.
Como estava próximo à boca do tanque, o pintor foi lançado com violência contra o telhado de zinco, a 15 metros de altura, e caiu novamente dentro do galpão, após quebrar parte do telhado.
Suas roupas foram fragmentadas e partes da calça e da blusa ficaram presas no telhado.

Morte
Com fraturas múltiplas por todo corpo, o pintor teve morte instantânea. Segundo os bombeiros, o soldador e outros funcionários escaparam ilesos.
O corpo do pintor foi encaminhado ao Instituto Medico Legal (IML), que também elaborará um laudo detalhando a causa da morte.

Pintor
Ainda de acordo com os operários, Júlio trabalhava havia apenas três dias na empresa, era casado e pai de um casal de gêmeas.

Investigação
Peritos da Polícia Científica estiveram na empresa fazendo os levantamentos sobre a causa do acidente. O laudo, que deve ser concluído em duas semanas, será entregue à Polícia Civil para ser anexado ao inquérito.

Empresa
Há mais de 26 anos no mercado, Femibra Estruturas Metálicas Ltda., dedica-se a fabricação de estruturas metálicas tipo shed, arcos, tesouras e espacial, caixas d'água metálicas e tanques metálicos para água e óleo com capacidade de 3.000 litros a 3.000.000 litros, bebedouros, silos metálicos, corte e dobra de chapas.
Seus funcionários são treinados nas busca da qualidade para satisfazer os clientes. A empresa investe em tecnologia, aperfeiçoando seus produtos no que se refere a solda, pintura, design, para atender a qualquer exigência do cliente.

Fonte: O Diário – Maringá – 22 de julho de 2010

Comentário:
Em uma empresa de estrutura metálica de grau de risco 3 ou 4, dependendo do número de trabalhadores para sua classificação. Muito provável deveria ter um técnico de segurança. Em geral esse gancho de espera para movimentar o tanque é soldado antes da pintura.
É uma falha de procedimento que deveria ter uma ordem de serviço e análise preliminar de risco. Na pintura do tanque pode ser adotado os critérios de espaço confinado para pintura e limpeza.

A permissão para trabalho é uma autorização de controle, onde consta, em que condição se encontra o local, no caso em questão, o tanque, recomendações a serem seguidas e verificações periódicas a serem executadas, além da adoção de algumas práticas preventivas. Tem como objetivo a manutenção das condições iniciais seguras do trabalho. Uma análise cuidadosa deve ser feita antes e durante trabalhos desenvolvidos no local.
Isto reforça a necessidade de emitir ordem de serviço e análise preliminar de risco para execução de serviços que envolvem produtos inflamáveis, corte e solda. Em geral, a pessoa leiga não treinada acredita intuitivamente que não há risco.

Os avisos adicionais em relação ao corte ou soldagem são necessários, assim como instruções para evitar todas as fontes de ignição.

A supervisão deve estar atenta a no desenvolvimento do trabalho, pois pode ocorrer desvios das medidas de segurança estabelecidas, como exemplo o que ocorreu: o pintor ainda não terminou o serviço e outro trabalhador iniciou o serviço de soldagem que provocou a explosão.

Quanto ao treinamento de trabalhador sobre os riscos de aplicação de produtos inflamáveis e principalmente em áreas confinadas ou tanques podem ser úteis, pois pode encontrar-se em mãos de trabalhadores não treinados ou de terceiros.
O treinamento é uma obrigação legal do empregador, informar ao empregado sobre os riscos inerentes ao local de trabalho e sobre as medidas de prevenção necessárias para minimizar ou neutralizar a exposição. O treinamento é indispensável, independente da existência de outros métodos de controle, ou seja, é uma medida complementar. Tem como principal objetivo dar condições para que o trabalhador identifique os riscos, as medidas de prevenção, informar e desenvolver habilidades referentes aos procedimentos operacionais apropriados que garantam a eficiência das medidas de controle adotadas.

Este caso envolve as seguintes normas e recomendações;
■ Comunicação de Riscos
■ Norma de pintura inflamável
■ Fatores humanos – treinamento
■ Manual de Produtos Químicos
■ Etiqueta de aviso de perigo

Finalidade da Comunicação de Riscos
■ Identificação dos riscos
■ Procedimentos de segurança para trabalhar com produtos inflamáveis
■ Procedimentos de comunicação de riscos
■ A Importância das Etiquetas de Identificação /Etiqueta de alerta
■ Equipamentos de Proteção Individual
■ FISPQ – Manual de Produtos Químicos

Enquanto não tiver a integração da política de segurança do governo envolvendo as entidades de classe, trabalhador e sociedade para divulgar a segurança dificilmente o índice de acidente reduzirá e consequentemente o investimento que poderia ser direcionado para outras áreas do governo será canalizado para previdência social para atendimento dessa parcela de acidentes cada vez maior, tais como; hospitais públicos, aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, auxílio-acidente, pensão por morte, reabilitação profissional. O acidente de trabalho no Brasil é uma bola de neve.

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posted by ACCA@7:23 AM

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quinta-feira, julho 22, 2010

Prevenção de incêndios por trabalhos a quente

Qualquer operação que envolva chamas abertas ou que produza calor ou fagulhas introduz uma fonte potencial de ignição em sua empresa. Essas operações em trabalhos a quente devem ser monitoradas cuidadosa­mente para minimizar a ameaça de incêndio.
Um estudo da FM Global identificou que prevenção de sinistros decorrentes de trabalhos a quente, pode diminuir significativamente a freqüência e a gravidade de perdas

COM UM PROGRAMA EFETIVO DE PROTEÇÃO PARA OS TRABALHOS A QUENTE, A SUA EMPRESA PODE:
■ reduzir perdas de patrimônio
■ evitar interrupções onerosas nos negócios
■ ajudar a manter a participação no mercado e conservar funcionários experientes
■ evitar o risco de ter de se submeter a novas normas de construção que, em alguns casos, podem tornar os custos de reconstrução proibitivos ou exagerados
■ motivar o funcionário, delegando maior responsabilidade e autoridade
Mesmo na ocorrência de perdas por incêndio, procedimentos seguros de trabalhos a quente minimizam os danos, mediante monitoração constante e resposta imediata.

O DESAFIO
Trabalhos a quente incluem;
■ caldeamento, corte, e soldagem
■ uso de maçaricos para aplicação de materiais de revestimento, ou seja, qualquer operação que envolva chamas abertas ou produza calor ou fagulhas.

Os incêndios com origem em trabalhos a quente podem ficar latentes por horas até produzir chamas. Se as fagulhas não parecerem razão suficiente para cuidados especiais, lembre-se de que a chama de um maçarico de corte de oxi-acetileno pode chegar a 3.316o C.

TRABALHOS A QUENTE – PERDAS

De acordo com relatórios da FM Global;
■ Nos últimos cinco anos houve 267 incêndios e explosões causadas por trabalhos a quente, em locais segurados, com uma perda bruta superior a 300 milhões de dólares.
■ Nos últimos cincos anos, as prestadoras de serviços foram responsáveis por 66,5% de todas as perdas de trabalhos a quente, para os locais segurados da FM Global. Isto representa um acréscimo de 9% em relação ao mesmo período de cinco anos.
As principais razões foram;
■ o aumento na contratação de prestadores de serviços e
■ esses serviços não estavam sendo responsáveis pelas ações de danos na empresa.

Em relação às principais causas de incêndios em depósitos, trabalho a quente corresponde a 17%. É uma das principais causas de incêndios.


Fonte: National Fire Prevention Association – USA
Principais causas de incêndios em Depósitos 91993-1997)






COMO INICIAR UM PROGRAMA
A fim de obter o melhor aproveitamento em termos de custo-benefício da proteção de sua empresa, você deve avaliar o papel da prevenção (ou com auxílio de um consultor de prevenção de perdas) dos trabalhos a quente na estratégia global de gerenciamento de riscos de sua empresa.
Primeiro, você terá que assegurar boas condições básicas para trabalhos a quente, as quais incluem;
■ o uso de um sistema de autorização para monitorar trabalhos a quente e a
■ formação de um Grupo de Emergência ou uma Brigada de Incêndio pronta para ação.

Dependendo da natureza de suas operações e do nível das outras medidas de prevenção e controle que sua empresa possa ter, tais como;
■ proteção por sprinklers automáticos, e do
■ tipo de material que sua empresa armazena,
você pode escolher trabalhar em um nível de prevenção mais alto e dirigido.

A sua empresa analisará o nível de segurança que mais se adapta, entre o nível básico, de proteção localizada, e o nível dirigido, que demanda mais envolvimento e colaboração. Embora possa não ser necessário em todos os tipos de empresas, o nível dirigido certamente diminuirá o número de perdas.

Elaboramos um procedimento, que explica resumidamente os principais elementos­ para prevenção de perdas por trabalhos a quente.

ELEMENTOS FÍSICOS
De uma forma geral, use um sistema de autorização e certifique-se de que os funcionários e empreiteiras se utilizam de procedimentos adequados e observam os cuidados pertinentes. Assegure-se de que seus funcionários se encarregam de fazer com que o pessoal externo trabalhe em conformidade com suas políticas e usa todos os procedimentos e autorizações exigidas internamente em trabalhos a quente.

■ uso regular e documentado de sistema de autorização
Um sistema de autorização é uma ferramenta indispensável para o gerenciamento de atividades com fogo. Com um sistema de autorização, o supervisor de segurança contra incêndio permite trabalhos a quente somente mediante certas condições de segurança. Essas condições incluem a disponibilidade de extintores e mangueiras, pisos limpos e sem resíduos de combustíveis, etc.
A empresa deve elaborar um manual de permissões de trabalho em geral, com todos os procedimentos que devem adotar para execução de serviços por funcionários ou contratados. A finalidade é garantir que os equipamentos ou áreas estejam em condições de segurança suficientes para permitirem que o pessoal possa trabalhar sem risco.

■ empregados esclarecidos quanto às precauções em trabalhos a quente
Treine os empregados que executam trabalhos a quente no uso do sistema de autorização de sua empresa e, em especial, nas precauções a serem tomadas. Certifique-se de que empreiteiras também sigam essas precauções.

Algumas precauções básicas são:
■ pisos limpos e sem resíduos combustíveis
■ aberturas nas paredes e pisos cobertos
■ contêineres depurados de líquidos e vapores inflamáveis
■ lonas a prova de fogo suspensas sob o local de trabalho

■ brigada de emergência (BE) pronto para ação
A brigada de emergência de sua empresa deve ser conscientizada e instruída sobre os procedimentos da empresa em trabalhos a quente e informada de quando e onde eles são executados. Verificações pontuais devem ser um aspecto de sua rotina diária.

■ empreiteiras obrigadas a seguir as práticas de segurança
As empreiteiras devem se submeter às políticas de trabalhos a quente de sua empresa. Há uma tendência de flexibilizar as políticas de autorização para empreiteiras porque “eles sa­bem o que estão fazendo”, quando, na realidade, a necessidade de uma autorização torna‑se maior. Normalmente, empreiteiras não estão familiarizadas com a sua instalação e com seus riscos de incêndio.

■ monitoração confiável e contínua nas 4 horas seguintes a todo trabalho a quente ou um sistema seguro de detecção de fumaça
Um vigia (um elemento da brigada de emergência em prontidão), presente no local, monitora às áreas de trabalho, alerta a qualquer início ou ameaça de incêndio. O vigia de incêndio pode se encarregar também da resposta inicial para incêndios usando um extintor ou uma pequena mangueira e disparando o alarme de incêndio.
Colocar pessoal adicional (vigia) conforme o tipo de serviço. Se um trabalho a quente pode ser executado em locais muito elevados, vigias adicionais devem ser colocados em diversos níveis para controlar a fagulha ou a escória que pode cair.
Providencie um vigia de incêndio para a primeira hora e monitoração confiável e contínua para as três horas subseqüentes.

Em uma análise recente de perdas por trabalhos a quente da FM Global, verificou-se que a maioria dos incêndios começou duas ou três horas após a conclusão dos trabalhos a quente.

Uma outra alternativa consiste em um sistema seguro de detecção de fumaça com detecção central e/ou sistema de alarme de sprinklers automáticos cobrindo toda a instalação e um elemento da brigada de emergência disponível no local e pronto para agir.

Diagrama - Fatores que contribuem para incêndios provocados por solda e corte

■ empreiteiras e funcionários reconhecem suas responsabilidades por todas as precauções
Estabeleça um elo de comando entre os gerentes e o pessoal de manutenção e empreiteiras. Escolha um supervisor de segurança contra incêndio e habilite-o a autorizar ou restringir atividades de corte, soldas e outros trabalhos a quente. É da responsabilidade do supervisor de segurança contra incêndios assegurar a observância das precauções antes de autorizar trabalhos a quente.

ELEMENTOS DIRIGIDOS
Em complementação aos seus elementos básicos, adote equipamentos e técnicas de construção que dispensem a necessidade de trabalhos a quente ou provenha-se de:
■ políticas formais de precauções e de treina­mento de funcionários e empreiteiras
■ praticas seguras incorporadas em contratos de serviços externos, com procedimentos rígidos de verificação
■ participação ativa dos empregados em fiscalizações
■ comunicações regulares de procedimentos de segurança em trabalhos a quente entre a administração e os empregados

■ o trabalho a quente simplesmente não é permitido (é, por exemplo, substituído por equipamentos e técnicas de construção)
O trabalho a quente é essencial? Se positivo, e envolver cortes, não poderia ser executado mecanicamente (por exemplo, com serras manuais ou e1étricas)? Parafusos e porcas pode­riam substituir soldas? Se você precisa utilizar trabalhos a quente, é possível remover todos os combustíveis da área de trabalho ou deslocar o próprio trabalho?
Proíba trabalhos a quente se a área não tiver segurança adequada (impossibilidade de interromper processos com líquidos in­flamáveis ou condições graves de sujeira, sem solução imediata, são dois dos muitos exemplos). De forma similar, proíba trabalhos a quente em presença de grandes quantidades de combustíveis que não possam ser deslocados ou cobertos, como estoques de rolos de papel, algodão ou juta.

Ou, como alternativa:
Todos os elementos básicos mais:
■ política formal obrigando o uso de sistema de autorização:
■ revisão das autorizações em uso
■ emissão regular de autorizações

A responsabilidade pela segurança de incêndios por trabalhos a quente começa com a administração: os gerentes devem criar uma política que especifique claramente quando, onde e sob quais condições de trabalhos a quente não‑relacionados à produção poderão ser executados.
Os gerentes devem providenciar os meios para o funcionamento do sistema de autorização para trabalhos a quente, incluindo emissões imediatas de autorizações.
Parte integrante da política formal, as autorizações devem ser revisadas para preenchimento adequado, fiscalização das precauções e follow-up. Por exemplo, verifique que todas as autorizações tenham sido devolvidas e que a ação corretiva, quando necessária, tenha sido realizada.

■ política de treinamento periódico e feedback contínuo do empregador, incluindo:
■ todos os que executam trabalhos
■ todos os que emitem autorizações
■ todos os que supervisionam trabalhos a quente

Treinamentos regulares de funcionários alia­dos à comunicação, nos dois sentidos, entre a administração e os envolvidos na execução de trabalhos a quente ajudarão a garantir que o sistema de prevenção de perdas funcione e, também, que seja continuamente aperfeiçoado.

■ práticas de segurança incorporadas em contratos de serviços externos e verificações rigorosas de seu cumprimento
Os contratos com empreiteiras devem detalhar suas responsabilidades. Os contratos devem obrigar anuência ao sistema de permissão da empresa, ou as normas vigentes (federal, estadual, etc) de incêndio relacionadas com trabalhos a quente. Os contratados devem se responsabilizar por todo dano resultante de não-cumprimento dessas cláusulas.
O supervisor de segurança deve realizar inspeções na instalação e fiscalizar as práticas de segurança.

■ exigência de auditorias periódicas pela administração da corporação
A administração deve requerer auditorias do sistema. A auditoria é melhor realizada por pessoa não envolvida no trabalho a quente sob verificação. O auditor fornece feedback ao ge­rente responsável pela área, o qual providencia quaisquer melhorias necessárias. As deficiências identificadas pelo auditor fornecem o feedback necessário para realizar melhorias contínuas no programa de trabalhos a quente.

■ mecanismo formal de feedback para o gerente responsável para a providência de ação corretiva para quaisquer deficiências encontradas
O gerente (a quem se reporta o supervisor de segurança) deve ter autonomia para empreender as ações corretivas necessárias e relatar essas deficiências à administração superior quando necessário.

■ apoio constatado dos funcionários e participação em procedimentos seguros de atividades com fogo
É necessário que se obtenha um nível de comprometimento de funcionários que executam trabalhos a quente ou dos que os supervisionam. Fomente esse comprometimento com treinamentos regulares, reconhecimento de empregados, feedback e delegação de poder. Com a vigilância de todos, você tem mais chances de poder afirmar que incêndios por trabalhos a quente nunca ocorrerão.

ANÁLISE INICIAL
Para avaliar os procedimentos adotados em relação aos trabalhos a quente de sua empresa e para ajudá-lo a decidir quais as mudanças necessárias, utilize o seguinte roteiro:

Elementos básicos
1. Uso regular e documentado de sistema de autorização
2. Empregados esclarecidos quanto aos cuida­dos em trabalhos a quente
3. Grupo de Emergência pronto para ação
4. Empreiteiras obrigadas a seguir as práticas de segurança
5. Monitoração confiável e contínua de trabalhos a quente ou um sistema seguro de detecção de fumaça
6. Empreiteiras e funcionários reconhecem suas responsabilidades pelas precauções necessárias

Elementos dirigidos
1. Trabalho a quente não permitido
ou:
2. Todos os elementos básicos mais:
3. A política formal obriga o uso de sistema de autorização
4. Política de treinamento periódico/feedback contínuo do empregador
5. Práticas de segurança formalizadas em contratos e verificações rigorosas de seu cumprimento
6. Auditorias periódicas
7. Mecanismo de feedback para o gerente responsável
8. Apoio e participação constatados dos funcionários

Elementos Adicionais
Detalhe que elementos adicionais - dirigidos as suas necessidades específicas - seu programa deve conter:

Fonte: FM Global
Vídeo:
O vídeo é sobre trabalho a quente em locais onde predominam líquidos ou vapores inflamáveis. É da agência americana Chemical Safety and Hazard Investigation Board (CSB).

No vídeo a CSB recomenda no final:
■ Evitar o trabalho a quente ou considerar métodos alternativos, como o corte a frio ou hidráulico
■ Antes de executar qualquer trabalho a quente avaliar o risco de modo geral
■ Efetuar o teste na área onde o trabalho a quente é planejado e eliminar fontes potenciais de materiais inflamáveis
■ Usar a permissão por escrita especificamente para identificar o trabalho a ser realizado e as necessárias precauções
■ Fornecer supervisão de segurança para as empresas contratadas na condução de trabalhos a quente
■ Treinar pessoal sobre os perigos do trabalho a quente

Obs: Muitos acidentes ocorrem porque os testes foram feitos muitas horas antes dos trabalhos e nesse intervalo as condições no local mudaram. E necessário repetir continuadamente, mesmo durante a execução do serviço. Fonte: What went wrong? Trevor Kletz

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segunda-feira, julho 19, 2010

Explosão em empresa deixa 4 trabalhadores gravemente feridos

Quatro pessoas ficaram gravemente feridas depois de um acidente ocorrido na JRB Armazéns Gerais, instalada no Km 411 da Rodovia Anhangüera, Ituverava, Estado de São Paulo, na quinta-feira, 8 de Julho de 2010.

Causa provável
Os funcionários faziam a manutenção e limpeza em um túnel de cerca de 50 metros quando houve a explosão. O túnel possuía uma esteira, que carregava açúcar para vagões. A polícia investiga as causas do acidente.
Uma fagulha de um aparelho de solda pode ter provocado a explosão. “Constatei há uns 15 metros da boca do túnel onde ocorreu a explosão que havia um aparelho elétrico de solda e capacetes. Pode ser que a solda tenha causado a explosão”, disse o delegado de Ituverava, Wilson dos Santos Pio.

Vítimas:
Dois trabalhadores tiveram 80% do corpo queimado. Outras duas vítimas tiveram entre 25% e 30% do corpo afetado. Todos respiram com a ajuda de aparelhos.
As vítimas foram encaminhadas para a Santa Casa de Ituverava. Edson, de 44 anos, e José, de 29, foram transferidos para o Hospital de Queimados de Limeira. Pouco após às 22h, Francisco, de 23 anos, e Alceu, de 48, foram transferidos para Catanduva, onde também há um hospital especializado.

A empresa
A empresa JRB Armazéns Gerais – que atua no setor de embarque e desembarque de açúcar a granel, recebendo cargas do produto e embarcando-as por via férrea. O responsável pela empresa JRB Armanzéns Gerais disse apenas que foi um acidente de trabalho, sujeito a qualquer empresa.

Inquérito
Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o fato

Fonte: Tribuna de Ituvera - 15 de Julho de 2010


Comentário:

Existe o risco de explosão com açúcar?

SIM, se for um pó fino ou poeira! Qualquer material que pode queimar é capaz de causar uma explosão catastrófica se estiver em suspensão, como um pó fino ou poeira, no ar ou em outra atmosfera oxidante. Em 7 de Fevereiro de 2008 deu-se uma grande explosão numa refinaria de açúcar perto de Savannah, Georgia, EUA. A explosão feriu 38 pessoas sendo 14 gravemente com queimaduras e 14 mortes.

A explosão foi provocada por acúmulo de pó na correia transportadora, devido ao aquecimento dos rolamentos da correia. Essa foi ignição inicial e depois houve uma série de explosões secundárias com maior potencial de danos (efeito cascata)

Muitas pessoas não estão cientes do risco de explosão de muitas poeiras e pós finos em suspensão. Exemplos de materiais que apresentam risco de explosão, se presentes na forma de pó fino ou poeiras,
■ incluem quase todos os materiais orgânicos – farinha, açúcar, plástico, amido,
■ produtos farmacêuticos.

Metais em pó como o alumínio ou o magnésio também representam risco de explosão.

Você sabe em que condições são necessárias para uma explosão de pó?

As condições necessárias para uma explosão de pó podem ser representadas como um pentágono (veja a figura):
• COMBUSTÍVEL – A presença de um pó combustível. O tamanho das partículas é importante – partículas menores têm
maior probabilidade de ignição e de dispersão.

• COMBURENTE– Normalmente é o oxigênio do ar, que na maioria dos casos é suficiente para que ocorra a explosão.

• SUSPENSÃO – O pó precisa estar em suspensão no ar. O pó pode ser normalmente disperso no ar por um equipamento de processo. Num edifício isso pode ocorrer por uma grande fuga ou vazamento, uma pequena explosão de pó inicial, ou qualquer outra perturbação que levante camadas de pó de equipamentos ou do piso.

• FONTE DE IGNIÇÃO – É necessária energia para a ignição da mistura. Esta pode ser uma coisa com tão pouca energia como a eletricidade estática ou uma fonte mais potente como uma chama exposta ou um curto circuito.

• CONFINAMENTO – Por exemplo, as paredes, teto, piso e telhado de um edifício criam um confinamento. Equipamentos da fábrica incluindo equipamento de processo, silos de armazenagem, coletores de pó e tubulações também criam confinamento.

Algumas vezes ocorre uma explosão inicial e levanta quantidades maiores de pó acumulado na instalação. Isto cria condições para uma segunda explosão, muito maior, que pode ser catastrófica. (efeito dominó)

Uma pequena quantidade de pó – uma camada com menos de 1 mm de espessura em superfícies expostas – quando suspensa no ar pode criar uma nuvem de pó explosiva. Pode-se considerar que uma camada de pó cria uma situação perigosa se ela cobre, toda superfície, uma área superior a 5% da área do piso do compartimento.

Como saber se há pó suficiente? Duas orientações que as pessoas acostumam usar quando há muito pó acumulado:
(1) quando não se consegue distinguir a cor do equipamento ou do piso sob a camada de pó, ou
(2) quando se escreve o seu nome no pó e se formam sulcos leves nas extremidades das letras.

Uma boa limpeza (housekeeping) é uma prática necessária de segurança quanto à preocupação de risco de explosão.
Outras práticas de segurança incluem reduzir o potencial de descargas eletrostáticas através de aterramento e das ligações equipotenciais dos equipamentos, classificação adequada de área de instalações elétricas em atmosfera explosiva e seleção de equipamento.

Se sua fábrica manipula pós potencialmente explosivos garanta que você compreenda: os perigos, todas as práticas e equipamentos de segurança necessários para uma operação segura.
Fonte: Process Safety Beacon – May 2008

Obs:
Um oxidante é um material que libera oxigênio rapidamente para sustentar a combustão dos materiais orgânicos. Outra definição semelhante afirma que o oxidante é um material que gera oxigênio à temperatura ambiente, ou quando levemente aquecido. Assim, pode-se verificar que ambas as definições afirmam que o oxigênio é sempre liberado por um agente oxidante.
Devido à facilidade de liberação do oxigênio, estas substâncias são relativamente instáveis e reagem quimicamente com uma grande variedade de produtos.
Apesar da grande maioria das substâncias oxidantes não ser inflamável, o simples contato delas com produtos combustíveis pode gerar um incêndio, mesmo sem a presença de fontes de ignição.
Outro aspecto a considerar é a grande reatividade dos oxidantes com compostos orgânicos. Geralmente essas reações são vigorosas, ocorrendo grandes liberações de calor, podendo acarretar fogo ou explosão. Mesmo pequenos traços de um oxidante podem causar a ignição de alguns materiais..

Video:
O vídeo é demorado, mas muito bom. É da agência independente Chemical Safety and Hazard Investigation Board (CSB)

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quinta-feira, julho 15, 2010

Inundação na Usina de Álcool Laginha

Na usina Laginha, no município de União dos Palmares (AL), os prejuízos também foram muito grandes. O rio subiu mais de dez metros e arrasou a estrutura da usina.
Cortada pelo rio Mundaú, a parte industrial, administrativa e até a vila de moradores que fica no entorno da unidade foi devastada. A água atingiu seis metros dentro da Usina.

DANOS
Grande estrago na indústria e nos imóveis da empresa. “A área administrativa, industrial, balança, destilaria, moenda, casa de máquina, escritórios, laboratórios e documentos foram totalmente destruídos pela força da água, já que estamos ao lado do rio Mandaú que subiu mais de 5 metros com velocidade de tsunami”, explica Francisco Celestino, superintendente agrícola do Grupo João Lyra. A lama invadiu os laboratórios e todas as dependências.
Na unidade, a água arrastou cinco tanques de 5 mil m³/cada, dos seis existentes na unidade e mais de 180 toneladas de ferro estão encalhados no leito do rio, onde foram arrastados até 20 km de distância. Algumas plantações das áreas de várzea também sofreram prejuízos.

PERÍODO DE SAFRA
Faltando dois meses para entrar o período de safra, Gilberto Peres, superintendente da Laginha, falou em superação, para que a unidade industrial volte a funcionar. “Não temos hoje uma previsão de quando isso irá ocorrer, mas estamos trabalhando para que tal fato se realize, pois a Laginha é a responsável pela movimentação da economia nessa região”.
Na entressafra, a Laginha emprega mais de 1.700 trabalhadores. Esse número triplica no período de moagem. A produção diária de etanol é de cerca de 750 mil litros.

PREJUÍZOS - ESTIMATIVAS
As estimativas parciais projetam prejuízos de R$ 50 milhões ( trinta milhões de dólares). Salvamos muitas coisas, mas perdemos 40% a 50%, disse Gilberto Peres.

Fonte: Jornal Cana - 24 de Junho de 2010

Vídeo:


Vídeo(1):


Comentário:
A empresa escolheu uma área extremamente favorável a inundação para instalação da usina, as margens do rio. Ela poderia ter minimizado instalando a usina mais distante da margem do rio, aproveitando um pouco a declividade do terreno (foto 3). Outras grandes enchentes na região do rio Mundaú ocorreram em 1969, 1987, 1988 e 2000. Dificilmente a usina estará pronta para o período de processamento da safra de cana (daqui dois meses).

No caso de inundação, a água contaminada provoca danos corrosivos em máquinas e em equipamentos elétricos que ficaram imersos. A fim minimizar os danos da corrosão, é necessário que se faça imediatamente à ação preventiva (manutenção e limpeza) dos equipamentos e máquinas afetadas.
Os elementos mais comuns causadores de oxidação e corrosão para os equipamentos expostos são a água e o oxigênio.
Os principais danos provocados pela inundação:
■ motores, os geradores, os controladores, os acionadores de partida, os painéis de distribuição de ligações, etc
■ motores a diesel, as engrenagens de redução, máquinas girantes, sistema hidráulico, etc
■ matéria prima e mercadoria (dependendo do tipo, perda total)
O processo de ação preventiva (limpeza e manutenção) deve ser imediato para reduzir as perdas devido à exposição a sais ácidos ou da água contaminada dos metais e/ou dos equipamentos elétricos.

Medidas de Segurança
O desastre natural, diferente do incêndio é impossível de evitá-lo previamente. Portanto, quanto à medida é essencial minimizar os danos e mesmo havendo danos, restaurar o mais rápido possível.
O comitê de segurança (responsável pela elaboração de normas relacionadas a segurança e sua execução), deve preparar as normas de medidas de segurança, com relação a desastres naturais (vendaval e inundação) e manual de procedimentos dos funcionários.
Nos manuais devem ter regras como se preparar caso haja a possibilidade de ocorrência de vendaval, tromba d'água, inundação, etc.
Por outro lado é essencial diminuir o tempo de paralisação de operação e minimizar o prejuízo, deixando em alerta os funcionários, encarregados da execução do plano de restauração de operação após o desastre e mantendo o material necessário para emergência (bomba de sucção, lonas plásticas, materiais utilizados na secagem de equipamentos).

COMO É IMPORTANTE ANALISAR Os RISCOS DA NATUREZA ANTES DA INSTALAÇÃO DE INDÚSTRIA EM ÁREA FAVORÁVEL.
Medidas essenciais para análise: (se possível, usar observações e registros dos últimos 20 anos.) tais como; medições e levantamentos de dados no local da obra

1. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS NA REGIÃO
1. 1. Como é classificado o clima na região?
Quais as temperaturas máxima e mínima atual e quais as médias das máximas e mínimas? Temperatura média compensada?; Qual o mês mais quente e o mais frio?; Quais as condições extremas de umidade relativa do ar, para quais temperaturas e ocorrendo em que meses? Qual a média de horas diárias de insolação no inverno? (influi nos projetos de arquitetura e de iluminação artificial natural); A que horas nasce e se põe o sol nos dias mais curto e mais longo do ano? Qual a média de horas diárias de insolação no verão?
1. 2. Como se define o regime anual de chuvas no local?
Quais as precipitações máximas já registradas em 24 horas e no intervalo de 1 hora? ; Qual a precipitação e a repartição anual das chuvas? Qual a média de dias chuvosos no ano? É freqüente a queda de granizo
1. 3. A região está sujeita a inundações?
1.4 A região está sujeita a ventos fortes?
Qual o regime dos ventos no local? Qual a direção dominante e a velocidade máxima dos ventos no local? Há regime diário de ventos?; Quais seus horários e direções habituais?; Há ventos periódicos durante o ano? ; Há ocorrência vendavais?

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terça-feira, julho 13, 2010

Fogos de artifício

Fogos de artifício existem há centenas de anos. Consistem de pólvora negra (também conhecida como pólvora) ou pólvora cintilante em um tubo de papel com um pavio para acender a pólvora. Pólvora negra, discutida rapidamente no artigo Como funcionam os motores dos foguetes, contém carvão, enxofre e nitrato de potássio. Uma composição usada em um traque pode

O nitrato de potássio é bastante usado como oxidante. O combustível é carvão e enxofre, como na pólvora negra. O aglutinante pode ser açúcar ou amido. Misturadas com água, estas substâncias químicas formam uma pasta que pode revestir um fio (por imersão) ou ser colocada em um tubo. Assim que seca, a estrelinha está pronta. Ao acendê-la, ela queima de uma extremidade a outra (como um cigarro). Existe uma certa proporção entre o combustível, o oxidante e também as outras substâncias químicas, para que a estrelinha queime lentamente e não exploda como um traque.

Em fogos de artifício é comum a existência de pó de alumínio, ferro, aço, zinco ou magnésio, para dar origem a faíscas bem brilhantes. Os fragmentos de metal chegam a uma temperatura alta o suficiente para ficarem incandescentes e brilhantes ou até queimarem. Vários outros elementos químicos podem ser adicionados para criar as cores.

Os fogos de artifícios são um dos itens mais utilizados em festas juninas, em comemorações, mas podem tornar a festa em tragédia.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Cirurgia de Mão (ABCM), 40% dos queimados pelo uso de fogos são menores com idade entre 4 e 14 anos e que uma em cada dez pessoas que manuseiam esse tipo de artefato sofre amputações.

FOGOS DE ARTIFÍCIO
■ Não permita que seus filhos adquiram fogos de artifício;
■ Acidentes graves podem acontecer com crianças ou adultos que transportam e utilizam fogos de artifícios de forma irregular;
■ Nunca transporte estes artefatos nos bolsos, pois, se eles se inflamarem, você certamente será atingido;
■ O perigo dos fogos de artifício é indiscutível. Se uma bombinha explodir nas mãos de uma criança ou próximo de seus olhos, poderá causar mutilação ou cegueira;
■ Deixar caixas de fósforos e/ou isqueiros ao alcance da crianças é uma imprudência. A atração que o fogo exerce sobre as crianças pode ter conseqüências extremamente danosas.

UM PERIGO PARA AS MÃOS.
■ queimaduras (70% dos casos);
■ lesões com lacerações/cortes (20% dos casos);
■ amputações dos membros superiores (10% dos casos);
■ lesões de córnea ou perda da visão e
■ lesões do pavilhão auditivo ou perda da audição.
As pessoas mais atingidas são homens com idade entre 15 e 50 anos e crianças de 4 a 14 anos.

O presidente da ABCM, Dr. Luiz Carlos Angelini, adverte que a imprudência e a falta de informação são os principais motivos para esta alarmante incidência.

O médico orienta que apenas profissionais habilitados devem manipular material explosivo. “Existe uma lei que regulamenta a comercialização de fogos e proíbe que sejam vendidos para crianças”, afirma Dr. Angelini.
“Muitas pessoas compram os fogos, mas elas dão pouca importância para o alto risco desses artefatos, que podem causar mutilações irreversíveis”, alerta Angelini.

Para o especialista em cirurgia da mão Jefferson Braga Silva, é preciso “atenção extrema” ao lidar com fogos de artifício, principalmente no caso de crianças, que “não têm noção do perigo a que estão expostas”, comenta o vice-presidente da ABCM. O médico destaca a importância de prestar um atendimento adequado nos casos de acidentes com traumas na mão. “O atendimento especializado e imediato reduz significativamente o incidência de seqüelas graves”, orienta.

ALGUNS CUIDADOS
■ Não segure os fogos de artifício com as mãos.
■ Prenda o rojão em uma armação, em uma cerca ou em um muro, e não fique próximo na hora de acender.
■ Não tente acender fogos que falharem.
■ Dispare os fogos somente ao ar livre, um de cada vez, e veja se não há substâncias inflamáveis ou redes elétricas nas proximidades.
■ Tenha sempre um recipiente de água por perto para colocar os foguetes já usados, ou aqueles que falharam, para não haver riscos de novas explosões.
■ Confira sempre o certificado de garantia do foguete.
■ Nunca associe bebida alcoólica ao uso de fogos.

Fontes: Sociedade Médica Paulista de Administração em Saúde, HowStuffWorks

Comentário:
2009 - Acidentes com fogos de artifício deixaram 17 pessoas feridas na festa de réveillon em Porto Alegre. Muitas vítimas são crianças. Um dos casos mais graves é de um homem de 38 anos, que teve a mão amputada depois de estourar um rojão. Ele está internado no Hospital Cristo Redentor.
209- Mês de dezembro, o Hospital do Trabalhador, em Curitiba, recebeu seis pacientes vítimas de acidentes com fogos de artifício, sendo dois submetidos a amputações parciais das mãos. “Os acidentes provocam traumas não só físicos como psicológicos, portanto, não vale a pena se arriscar.

Vídeo:
Mostra simulação o que aconteceria com a mão se os fogos de artifício (rojão com vara) explodissem. O especialista, engenheiro de Minas, José Luis Garcia Navarro, utiliza um pedaço de carne semelhante à mão humana para efetuar os testes.

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quinta-feira, julho 08, 2010

Inundação: Mega-Desastre em Alagoas

Para conhecer a origem do desastre, devemos analisar os cenários causadores dessa inundação.
As nascentes dos principias rios causadores da inundação estão no Estado de Pernambuco, no Planalto Borborema numa altitude variando de 650 a 1.000 m, que percorrem o Estado de Alagoas, constituindo-se outros rios e desembocando praticamente no oceano Atlântico. As cidades atingidas do Estado de Alagoas ficam em cotas inferiores ou próximos aos rios.

1-A BACIA DO RIO MUNDAÚ
A bacia do rio Mundaú abrange uma área total de 4.126 km2, sendo 52,2% no estado de
Pernambuco e 47,8 % em Alagoas,
O rio Mundaú nasce a oeste da cidade pernambucana de Garanhuns, na parte sul do planalto da Borborema (altitude 1.000 m) e entra em Alagoas na cachoeira da Escada, ao sul da cidade pernambucana de Correntes e noroeste da cidade alagoana de Santana do Mundaú. Atravessa a área central da Mata Alagoana e chega ao litoral, com a sua foz afogada formando a Lagoa Mundaú, caracterizando-o como um rio federal.
Abrange área de trinta municípios, sendo quinze em Pernambuco e quinze em Alagoas. Dentre os municípios pernambucanos, quatro estão integralmente inseridos na bacia do rio Mundaú e, além destes, mais quatro têm a sede do município na bacia. Em Alagoas não há municípios com área integral na bacia e dez possuem sede na bacia.
O rio Mundaú tem como principais tributários formadores os rios Canhoto, Seco e Mundaú-Mirim que nascem nas localidades de Capoeira e Caetés, cujas cotas chegam a atingir 950m.
O médio curso do rio Mundaú abrange cotas variando de 500 a 200 m, cujo relevo apresenta-se ainda bastante acidentado, abrangendo as localidades alagoanas de Quebrangulo, Paulo Jacinto, Mar vermelho, Chã Preta, Viçosa, Cajueiro, Pindoba, Santana do Mundaú, União dos Palmares, São José da Lage, Murici, Atalaia e Boca da
Mata, as três últimas já se situem em cotas inferiores a 200 m.

PRECIPITAÇÃO
As precipitações na bacia apresentam variações significativas nos totais anuais, desde 870 mm em Garanhuns até 2.166 mm em Maceió. O trimestre mais chuvoso na bacia é maio-junho-julho e o mais seco outubro-novembro-dezembro.

2- RIO PARAÍBA DO MEIO
O Rio Paraíba do Meio nasce no município de Saloá, Pernambuco (altitude média 740 m), e sua bacia hidrográfica abrange uma área de 3.330 km2 em oito municípios pernambucanos (Bom Conselho, Brejão, Terezinha, Paranatama, Caetés, Garanhuns, Saloá e Lagoa do Ouro) e doze alagoanos (Quebrangulo, Palmeira dos Indios, Paulo Jacinto, Viçosa, Mar Vermelho, Chã Preta, Cajueiro, Capela, Atalaia, Pindoba, Maribondo e Pilar).
Deságua na Lagoa Manguaba, no município de Pilar, Alagoas.


Foto: Açude das Nações e Barragem da Perdigão

3-BOM CONSELHO

O município é drenado pelos rios e riachos que formam as nascentes dos rios Paraíba, Traipú, Coruripe e Riachão, este último afluente do Ipanema.
O Riachão tem curso no sentido Nordeste Sudoeste e serve de limite com o município de Saloá, O rio Traipú nasce na porção Oeste do município, a partir dos riachos Traipú, dos Mares e Salgadinho. O rio Coruripe tem nascimento na porção central - sul do município, com o rio Bálsamo e os riachos Salgado e Gama. O rio Paraíba corta a porção Nordeste do município e tem seu curso no sentido Nordeste - Sudeste, partindo do município de Terezinha, ao Norte para os limites com o município de Lagoa do Ouro, a leste, formando juntamente com o seu afluente o Riacho Seco, a fronteira entre esses referidos municípios.
Outros afluentes do rio Paraíba que drenam a porção Nordeste do município são o riacho da Laje e o riacho do Barro, este último, servindo de limite com o município de Terezinha, e o rio Papacacinha, que banha a cidade de Bom Conselho.

4- RIO CANHOTO
O rio Canhoto tem sua origem na serra do Papagaio ( altitude 1.260 m), no município de São João (altitude 716 m), antigo distrito de Garanhuns, em Pernambuco. Naquele estado atravessa os municípios de Angelim e Canhotinho. Em Alagoas cortas as terras de São José da Laje, recebe o nome de Rio Canhoto por passar pelo lado esquerdo da cidade, indo juntar-se ao rio Mundaú.
Em Pernambuco, o rio Canhoto está situado na Zona do Agreste, com vegetação característica, e é temporário. Já em Alagoas dá-se o contrário: em suas margens, a vegetação é abundante, apesar de bastante desmatadas, é permanente.
Sua extensão, da nascente até o encontro com o Mundaú, é de aproximadamente 80 Km.
Os afluentes, no lado alagoano são: Cabodé, Pombal, Santo Antonio, Pulas e Jibóia.

PLANALTO BORBOREMA

Toda essa região mencionada faz parte do Planalto Borborema, também conhecido como Serra da Borborema. É uma região montanhosa brasileira no interior do Nordeste. medindo aproximadamente 250 km de norte a sul, indo de Alagoas, passando por Pernambuco, Paraíba e chegando ao Rio Grande do Norte.É formada por maciços e outeiros altos que culminam entre 650 a 1000 metros de altitude, apresentando relevo movimentado, com vales profundos e estreitos.

RESERVATÓRIOS EXISTENTES EM BOM CONSELHO
1-O reservatório da Barragem da Perdigão deverá acumular um volume de 2,3 milhões de m3 de água (cota 651 m), com uma altura máxima normal de água de 15 m e uma área inundada máxima de 34,7 hectares.
2- O Açude das Nações, um reservatório a fio d´água com uma área de drenagem própria estimada em 2.470 hectares, com altura de 12m, formado por um extenso e baixo barramento de vertedouro de concreto, com uma ponte de trafego urbano, na cidade de Bom Conselho. Volume de água que pode ser acumulada 800 milhões de m3.
O DNOCS (Departamento Nacional DE Obras contra Seca) construiu em 1950 a Barragem de Bom Conselho (Açude da Nação), que fica no Rio Papacacinha, que corta a cidade de Bom Conselho (altitude 654 m), no Estado de Pernambuco.

BACIA HIDROGRÁFICA

É uma área constituída por cursos de água e canais de drenagem (que escoam a água da chuva), que tem um rio principal que recebe por força de ação de gravidade as águas de escoamento de chuvas ou outros rios. A formação da bacia hidrográfica dá-se através de desníveis dos terrenos que orientam os curso da água, sempre das áreas mais altas para as mais baixas. Em qualquer mapa geográfico as terras podem ser subdivididas nas bacias hidrográficas dos vários rios.

Alguns rios são chamados de intermitentes ou temporários porque possuem mais água ou surgem na época da estação chuvosa. Outros rios são conhecidos como perenes porque sempre tem água, mesmo no período de secas.
O município de Bom Conselho está situado numa região do estado de Pernambuco cujas características climáticas possuem meses de estiagem.
É importante destacar que a bacia do rio Papacaça possui cursos de água (rios e córregos) de caráter temporário. Por isso ao se construir uma barragem deve-se saber que o reservatório formado deve levar em conta a água no período das chuvas.
A bacia hidrográfica do rio Papacaça possui relevo suavemente ondulado nas partes baixas e mais acidentado próximo ao divisor de águas nas regiões nordeste, leste e sudoeste.

HOUVE CONCORRÊNCIA DE DIVERSOS FATORES PARA FORMAÇÃO DO DESASTRE

Foto: Ruptura do Açude das Nações

1- Desastre causado pelo rompimento da barragem de Com Conselho (Açude da Nação)
A Barragem de Bom Conselho tem capacidade para acumular até 800 milhões de metros cúbicos de água. Chovia forte há cinco dias. Início da tarde de 18 de junho, dezenas de moradores observam a Barragem das Nações. O imenso açude construído há mais de 50 anos no leito do Rio Papacacinha, que corta a cidade, está saturado. Desde cedo o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil alertam os moradores do centro da cidade. Às 13h30, as águas começam a transpor o paredão de terra de quase duzentos metros de comprimento por 12 metros de altura. Não demora muito e o que todos temiam acontece. A Barragem das Nações não suporta a pressão e rompe. Quarenta metros do paredão são arrastados aos poucos. Um volume imenso de água desce furioso o leito do Papacacinha, inunda parte do centro de Bom Conselho, invade casas e desabriga famílias. Pequenos açudes agravaram ainda o problema.
Aproximadamente 600 milhões de m3 d’água escoaram de uma só vez pelo Rio Papacacinha que tem apenas 5 metros de largura em Bom Conselho. O resultado não foi uma enchente e sim uma rápida vazão de água, seguida de alagamento e uma correnteza devastadora, ou o efeito tsunami. . A água escorreu pelo Rio Paraiba, ganhou força em mais dez afluentes ao longo do curso e chegou aos municípios alagoanos. É o único rompimento de barragem registrado em vídeo. Este volume de água equivale a uma precipitação de 180 mm/dia durante 134 dias.
O rompimento da barragem foi a causa principal da devastação em Quebrangulo, e Santana do Mundaú. Um autêntico tsunami de rio. .
2- Rio Canhoto, que tem uma série histórica de inundações passadas na região
3- Conjunção das águas da chuva, rios temporários, do rompimento da barragem ( Açude da Nação) e dos rios com aumento do volume de água por causa das chuvas
4 – A região possui um número elevado de barragem de propriedades particulares, açudes. Muito provável algumas barragens abriram suas comportas para evitar rompimento, aumentando o volume de água dos rios.
5- Topografia da região constituída de serras e vales. Os rios têm forte correnteza quando estão cheios.
"Essa catástrofe se deve ao evento extremo de chuva nas cabeceiras dos rios Mundaú e Paraíba. Foram chuvas da ordem de 400 milímetros em quatro dias. O dia mais crítico foi a sexta-feira (18), quando choveu cerca de 180 milímetros. Não há vazão suficiente no solo já encharcado, principalmente porque o solo na região é rochoso. Temos de avaliar que isso é um evento que poderá acontecer de 100 em 100 anos", disse Alexa Gama, secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas.

FATORES URBANOS QUE PROPICIARAM PARA O DESASTRE
■ Todas as cidades estão as margens dos rios, parte das cidades ocupando a várzea ou área de remanso dos rios.
Ob: Inundações são causadas pelo afluxo de grandes quantidades de água que, ao transbordarem dos leitos dos rios, lagos, canais e áreas represadas, invadem os terrenos adjacentes, provocando danos. As inundações podem ser classificadas em função da magnitude e da evolução.
Essa inundação tem característica de uma inundação do tipo Flash Flood.
Flash flood é uma inundação rápida em áreas levemente planas ou planícies, provocados por rios, lagos, bacias e barragens. Pode ser causado por pesadas chuvas associadas com colapso de barragens, diques, açudes, algum obstáculo no rio que obstrui o percurso da água livremente
■ Desmatamento e assoreamento dos rios ao longo do século

PRINCIPAIS CIDADES DE ALAGOAS QUE FORAM AFETADAS GRAVEMENTE

VALE DO RIO PARAIBA
Quebrangulo, Paulo Jacinto, Viçosa, Capela e Atalaia, a força avassaladora do Rio Paraíba deixou um rastro de destruição nas cidades às margens de seu leito. A água invadiu tudo, subiu 12 metros acima do nível do rio e destruiu centenas de imóveis. Em Quebrangulo, a fúria da natureza não fez vítimas, mas conseguiu revirar parte da cidade. Um telefonema para o cartório da cidade avisou sobre o rompimento de um açude, na cidade de Bom Conselho-PE. Depois da ligação, o dono avisou a quem pôde, mas as pessoas não conseguiram salvar nada.
Lama e muito lixo tomaram as ruas das cidades atingidas pela enchente. Em meio aos destroços, famílias inteiras tentavam recuperar algum objeto e achar documentos.
Na cidade de Paulo Jacinto, logo abaixo de Quebrangulo, a água atingiu 12 metros em alguns pontos. A força foi capaz de derrubar a cabeceira da ponte e isolou parte da cidade. De forma improvisada, moradores e técnicos da prefeitura construíram um acesso de madeira.
Era por lá que estava chegando parte da ajuda para os desabrigados e desalojados da cidade. Nas ruas perto da margem do rio, móveis, entulhos e uma lama fétida tomavam conta

QUEBRANGULO

Foto: A seta mostra a altura que atingiu o nível do rio

Distante 100 km da capital alagoana Maceió, apenas a parte mais alta da cidade não foi atingida. A maioria dos prédios da prefeitura ficou inundados.
Balanço provisório da prefeitura
■ quatro mil pessoas estão desalojadas após a enchente no Rio Paraíba.
■ 80% da cidade está inundada e milhares de pessoas estão desajoladas.
■ pelo menos 4 mil pessoas estariam fora de casa.
■ mais de 800 imóveis desabaram devido a forte correnteza do rio.

Os três municípios mais atingidos (União dos Palmares, Rio Largo e Branquinha), o cenário mais lembra de uma guerra: centenas de casas destruídas e uma população desabrigada tentando entender o que aconteceu..

ÁGUAS CHEGAM A 5 METROS DE ALTURA
Santana do Mundaú, Branquinha, Murici e Rio Largo – Em Santana do Mundaú a água atingiu uma altura de cinco metros em alguns pontos da cidade. O mercado público, a sede do sindicato dos servidores públicos, a Câmara de Vereadores, a biblioteca pública foram destruídos com centenas de prédios. A ponte que divide a cidade, foi destruída.

UNIÃO DOS PALMARES
A cidade mais atingida, as ruas próximas às margens do rio Mundaú, foram totalmente destruídas.
A marca da água, no teto do posto de gasolina e os entulhos enganchados na fiação, no alto dos postes, explicam como aconteceu tanta destruição, em União dos Palmares. Muitas pessoas morreram e inúmeras estão desaparecidas. Todas as casas residenciais e estabelecimentos comerciais das ruas Demócrito Gracindo, Jatobá e Rua da Ponte foram destruídas

VALE DO MUNDAÚ
“Parece um tsunami”
No Vale do Mundaú, o cenário é desolador. Cidades destruídas, lama e destroços por todos os lados. “Parece que passou um tsunami”, diz um visitante, abismado diante do quadro, em União dos Palmares. “Parece que soltaram uma bomba de guerra na cidade”, comenta outro, em Branquinha.

RIO LARGO
Em Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, toda a parte baixa da cidade, onde está o centro comercial e principais prédios públicos (23 prédios destruídos), foi inundada e destruída pela enchente. Uma barragem que abastece a usina da cidade se rompeu, e os trilhos do trem que ligam a cidade a Maceió foram destruídos. O principal acesso aos municípios também está interditado.

BRANQUINHA 80% INUNDADA
Branquinha (61 km de Maceió), com 12 mil habitantes, o município viu todos os seus prédios públicos e comércio serem inundados pelo rio Mundaú na sexta-feira, 19 de junho. O município praticamente "sumiu do mapa". O cenário é de destruição. Todo o centro da cidade e principais bairros foram alagados e todas as casas e prédios foram abandonados. "A cidade não tem mais nenhum prédio público inteiro. Todos foram destruídos", disse o secretário de Estado da Saúde, Herbert Motta, que visitou a cidade.
Logo na entrada do município, a lama toma conta da rua principal e impede o acesso por meio de carros de passeio. Lojas, repartições públicas, banco e agência dos Correios foram destruídos. Nas ruas, carros completamente destruídos foram abandonados.
A prefeita Renata Moraes reconhece que a destruição foi total e quer descartar a hipótese de uma reconstrução no mesmo local da tragédia. “Eu não tenho mais cidade. Ela foi devastada, se acabou. Branquinha como conhecemos é passado”, declarou.

SÃO JOSÉ DA LAJE
Ninguém, das novas e das mais antigas gerações, nunca presenciou cenas tão devastadas. Nem mesmo em São José da Laje, cuja tragédia, registrada em 1969, quando uma tromba d’água destruiu parcialmente a cidade, deixou cerca de 1.500 pessoas mortas e mais de 1000 desaparecidas. Desta vez, não se há notícia de nenhuma morte na cidade, mas as imagens da destruição são muito mais fortes, afirma seu José Antônio da Silva, que na cheia de 69, tinha 41 anos de idade. Hoje tem 82.
A água entrou pela cidade e arrastou vários bairros. Carros, móveis, geladeiras, tudo foi levado pela correnteza. Toda a medicação que estava na Secretaria Municipal de Saúde foi perdida.

MURICI
Em Murici, o cenário de destruição não é menos impressionante. A água chegou até o primeiro andar de alguns prédios, e arrastou móveis e objetos até pelo teto das casas. Tudo no Centro, e em parte de outros bairros da cidade foi destruído. Pelas ruas, as pessoas parecem atônitas, tentando reconhecer o que sobrou no lugar onde moravam.
“Já vi quatro cheias nesse rio. Mas nunca vi uma coisa igual a essa. Nunca precisei sair de casa, mas agora acabou-se tudo. Não tenho mais nada. Nem o chão ficou”, diz o aposentando Amaro Aparício dos Santos, 91 anos.

DEMAIS CIDADES
A enchente do rio Paraíba atingiu todas as cidades ribeirinhas, Cepela, Cajueiro, Branquinha, Atalaia e Paulo Jacinto.
As cidades da Zona da Mata estão ilhadas. Nas proximidades de Messias o rio subiu cerca de seis metros e não há como passar para Branquinha, Murici, União dos Palmares, São José da Laje e Ibateguara.
No Rio Mundaú, em Messias, tanques de combustível, geladeiras, fogões e outros objetos passavam em alta velocidade na correnteza.

ESTIMATIVA INICIAL DOS PREJUÍZOS
O primeiro relatório de danos encaminhado pelo Estado de Alagoas após as chuvas que devastaram várias cidades indica um prejuízo inicial de R$ 732 milhões com a destruição de casas, rodovias, pontes, pavimentos urbanos e sistemas de abastecimento d'água. O documento foi requerido pelo gabinete civil da Presidência da República. Ainda estão fora da lista os gastos com as reformas dos prédios públicos.
De acordo com o relatório, a reconstrução de 19 mil casas consumirá a maior fatia do dinheiro, com gasto estimado em R$ 575 milhões. Já a reforma nas rodovias e pontes deve custar R$ 137 milhões. Os sistemas de abastecimento de água comprometidos dos municípios deram um prejuízo calculado em R$ 12 milhões, enquanto o da pavimentação urbana gira em torno de R$ 8 milhões.
Os prejuízos causados pelas chuvas em Alagoas podem atingir 6% do PIB do Estado, somados os danos materiais, ambientais, econômicos e sociais

SAQUES E ROUBOS
Alagoas recebeu na quinta-feira (24 de junho) um grupo com 77 militares da Força Nacional, que vai reforçar a segurança nas cidades atingidas pelas enchentes e nas rodovias que ligam esses municípios. O pedido de reforço foi feito pela Secretaria de Estado da Defesa Social, já que há denúncias de saques e furtos nos municípios destruídos. Vários Estados contribuíram também com envio de equipes de bombeiros, médicos e equipamentos.
Os casos de furtos e a ameaça de saques estão presentes em quase todas as cidades mais atingidas pelas enchentes. Muitos moradores de Rio Largo e Branquinha relataram à polícia que, ao retornarem após o nível do rio Mundaú baixar, perceberam que objetos foram furtados. Há relatos também em outros municípios.
A Polícia Militar de Alagoas informou que aumentou o efetivo nas cidades atingidas, deslocando também homens do Batalhão de Polícia Ambiental para oferecer segurança aos moradores.

PÓS-DESASTRE, EMERGÊNCIA
Cerca de 950 homens trabalham nas áreas afetadas pela tromba d'água. De acordo com a Defesa Civil, já há alimentos em quantidade suficiente e as cidades precisam agora de material de limpeza, higiene pessoal, velas, fósforo e fraldas descartáveis. O armazém da Infraero no Aeroporto Zumbi dos Palmares serve como depósito para 46 toneladas de alimentos, água mineral, cobertores roupas e barracas de campanha doadas. A distribuição está sendo feita por via terrestre e aérea. Cerca de 19 mil cestas básicas já foram distribuídas.
Equipes de buscas, com seis cães farejadores, seguem em varredura nas cidades de São José da Lage, Branquinha, União dos Palmares, Murici, Rio Largo e Santana do Mundaú.
Barracas do Exército são usadas para atendimento médico no município de Branquinha, onde 95% dos imóveis desabaram.
Em Santana do Mundaú, começou a funcionar um hospital de Campanha vindo do Rio de Janeiro, com capacidade para 400 atendimentos por dia. O hospital tem até uma sala que funciona em forma de Unidade de Terapia Intensiva.

ENCHENTE DO RIO MUNDAÚ É RECORRENTE. DAQUI A 10 ANOS TERÁ OUTRA
Moradores das nove cidades cortadas pelo rio Mundaú, na zona da mata de Alagoas, estão acostumados a erguer os móveis nas épocas mais chuvosas. O transbordamento do Mundaú, tido por especialistas como um dos principais responsáveis pela tragédia no Nordeste brasileiro, é freqüente. “As enchentes são recorrentes. A população já está acostumada a ver água dentro de casa, só não que ela leve a casa”, afirma Valmir Alburquerque Pedrosa, professor de mestrado em Recursos Hidrídicos da Universidade Federal de Alagoas (UFA).
Segundo Pedroso, apesar do número menor de mortos, o nível e a força da água foram maiores, inclusive, que os da cheia registrada em 1969, quando cerca de mil pessoas morreram.
A enchente, de acordo com Pedrosa, só não fez mais vítimas porque o ápice ocorreu durante o dia, por volta das 7h. Além disso, algumas cidades contaram com carros de som avisando os moradores para deixarem o local às pressas.
Outras grandes enchentes no rio Mundaú ocorreram em 1987, 1988 e 2000. Esta última deixou 36 mortos e mais de 70 mil desabrigados. Engana-se quem pensa que a deste ano deva ser a última. “De 10 em 10 anos, estudos mostram que o Mundaú apresenta tendência para catástrofes como essa. Quem administra os municípios não pode se conformar. Se brincar, acontece”, diz.

FALTA DE OBRAS DE INFRA-ESTRUTURAS
De acordo com o especialista, mesmo sabendo do risco iminente de novas cheias na região, nada foi feito para conter a fúria do Mundaú. “Não é novidade nem para os governantes, nem para a população, mas ele nunca sofreu uma obra de infra-estrutura para diminuir os impactos da chuva”, afirma. E a quantidade de chuva na região, como mostram os índices do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi intensa.
Em Recife (PE), choveu o equivalente a 455,8 mm entre quarta (16) e sexta-feira (18), sendo que o previsto para todo o mês de junho era de 369,2 mm. Na zona da zona da Mata de Alagoas em três dias houve registro de 180mm de chuva, quando a média histórica para o mês é de 150mm.
Para Pedrosa, além de obras para contenção de enchentes, é preciso mudança no uso e ocupação do solo e que o governo não permita mais a construção de casas em áreas ribeiras.

BALANÇO DO DESASTRE ATUALIZADOS ATÉ 30 DE JUNHO

ESTADO DE ALAGOAS:
Foram 28 municípios afetados sendo quatro municípios decretaram situação de emergência, e 15, estado de calamidade pública.
População afetada: 181.018
26.618 mil desabrigados
47.897 mil desalojados
37 óbitos
69 desaparecidos
19.164 casas, destruídas ou danificadas
236 edifícios públicos afetados

Infraestrutura
200 quilômetros de estradas danificadas
79 pontes afetadas

Os 19 municípios que decretaram situação de emergência ou calamidade pública em Alagoas são: São Luiz do Quitunde, Matriz do Camaragibe, Jundiá, Ibateguara, Quebrangulo, Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Laje, União dos Palmares, Branquinha, Paulo Jacinto, Murici, Rio Largo, Viçosa, Atalaia, Cajueiro, Capela, Jacuípe e Satuba.

ESTADO DE PERNAMBUCO
Foram 59 municípios afetados, sendo 27 decretaram situação de emergência e 12 estão em estado de calamidade pública.
Em Pernambuco foram 39 municípios: Agrestina, Água Preta, Altinho, Amaraji, Barra de Guabiraba, Barreiros, Belém de Maria, Bezerros, Bom Conselho, Bonito, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Catende, Chã Grande, Correntes, Cortês, Escada, Gameleira, Gravatá, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Maraial, Moreno, Nazaré da Mata, Palmares, Palmeirinha, Pombos, Primavera, Quipadá, Ribeirão, São Benedito do Sul, São Joaquim do Monte, Sirinhaém, Tamandaré, Vicência, Vitória de Santo Antão e Xexéu.

59 municípios afetados
População afetada: 156.720
26.966 mil desabrigados
55.643 mil desalojados,
20 óbitos.
14.136 casas destruídas ou danificadas.

Infraestrtura
4.478 quilômetros de estradas danificados,
142 pontes destruídas.

Fontes: UOL Noticias, G1, Gazeta do Povo, Globo Online, 20 de junho a 07 de julho de 2010, RIMA Barragem da Perdigão.

COMENTARIO:
Observa-se no Brasil que a Defesa Civil é mais um órgão de distribuição de doações do que de prevenção de desastre. A finalidade da Defesa Civil é preventiva e deveria ter a função principal de alocar os recursos necessários quanto ao desastre. No pós-desastre várias ações são executadas por outros órgãos sem nenhuma coordenação. Não há banco de dados de desastre a fim de; executar e planejar obras com finalidade de atenuar os efeitos adversos, conscientização da população quanto os riscos existentes na região, construção de uma rede de comunicação entre as cidades com potencialidades de desastres.

Esse tipo de desastre obedece a um padrão semelhante em todos os países. Recentemente foi na região da Calábria (Itália), Ilha da Madeira, em Angra dos Reis e São Paulo (Brasil).
As principais causas de inundação seriam:
■ A morfologia da cidade a região tem relevo altamente acidentado, formado por serras, morros, fundo de vale, e encostas íngremes.
■ O clima: chove torrencialmente na época do inverno
■ Uso e ocupação do solo de maneira desordenada
■ Não há mapeamento das áreas inundáveis quanto a:
1-Conhecimento da relação cota x risco de inundação
2- Definições dos riscos de inundação de cada superfície
3- Incorporação a Legislação Municipal de uso e ocupação do solo em zona de risco
4- Falta de uso de Sistema de Informações Geográficas na análise de projetos de edificações e equipamentos urbanos. Os riscos devem ser avaliados por meio de perspectivas técnicas capazes de antecipar possíveis danos à saúde humana e ao meio ambiente. O uso de um Sistema de Informações Geográficas contribuiria nas atividades de prevenção e preparação para riscos, possibilitando a diminuição dos desastres, e, em caso de ocorrências, tendo um
caráter logístico, determinando como uma população atingida por tais eventos poderia ser evacuada e protegida. Seria a ferramenta ideal para a Defesa Civil efetuar o gerenciamento do desastre a fim de alocar os recursos necessários para minimizar os efeitos do desastre.
5- Controle público da ocupação regular e irregular
■ a prática legalizada da construção ilegal e construção de obras públicas que não respeita o ecossistema.
■ O aumento da vulnerabilidade é atribuível ao uso do solo e da água que é muitas vezes ainda não considera as limitações impostas pela hidrogeologia. Em conseqüência disso há uma ocupação desordenada do solo, principalmente construções, desmatamento, etc
Infelizmente a historia de desastre natural demonstra que tais acidentes se repetem após um ciclo de poucos anos.
Não aprendemos ou as pessoas mudam e as lições são esquecidas, com os erros dos que nos antecederam. Infelizmente, muita gente não consegue enxergar nem tirar proveito dos fatos que já aconteceram , imagine a cegueira diante dos fatos portadores de futuro ou os mesmo futuros repetirão os mesmos erros. A natureza tem suas próprias leias para provocar o desastre
Um dos sobreviventes retrata muito bem o que aconteceu: “Minha vida está dentro do rio. Tudo! Tudo!

Vídeo:
Cidade de Quebrangulo



Vídeo:
Santana do Mundaú- Mostra o nível da água que atingiu na cidade e a impressionante correnteza



Vídeo:
Resumo geral da inundação em Alagoas



Vídeo:
Rio Largo



Vídeo:
Parte 1 - Profissão Repórter, mostra o sofrimento da população após o desastre



Vídeo:
Parte 2 - Profissão Repórter, mostra o sofrimento da população após o desastre



Vídeo:
Parte 3 - Profissão Repórter, mostra o sofrimento da população após o desastre

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segunda-feira, julho 05, 2010

Garoto é soterrado em silo

Tudo começou às 10h30 de sábado, 13 de setembro de 2003, quando o garoto José Neto e alguns amigos resolveram brincar no armazém graneleiro da empresa Terra Forte Armazéns Gerais, em Petrolina de Goiás, a 74 km de Goiânia, localizado no quilômetro 1 da GO-330, saída para Santa Rosa. A turma deslizava pela montanha de grãos quando o amigo desapareceu, tragado por um dos dutos que dão acesso ao túnel onde os caminhões estacionam para carregar. Uma funcionária do armazém foi acionada e chamou a polícia.

CRONOLOGIA DO INCIDENTE:
■ O soldado Éliton foi a primeira pessoa a entrar em contato com o adolescente. “Ele estava apavorado, sentindo muitas dores e pedia para ser retirado de lá”, contou o militar, que conseguiu acalmá-lo e pediu socorro ao Corpo de Bombeiros de Anápolis.
■ Às 13h30, dez bombeiros em três veículos assumiram a tarefa de tentar salvar o garoto. Com muita dificuldade, chegaram perto do menino e passaram a ministrar-lhe oxigênio. A operação mobilizou toda a cidade e dezenas de voluntários se prontificaram a ajudar.
■ Remoção do milho - A missão era remover as dezenas de toneladas de milho que estavam sobre a vítima. Para isso foram utilizadas três pás-carregadeiras e dezenas de latas.
■ Às 20h40, José Neto foi retirado do duto. Abatido, o garoto reclamava de dores por todo o corpo. Assim que foi colocado na maca e foi transportado para o Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo), onde permanece internado.
Sobrevivência
José Neto só sobreviveu porque, ao ser sugado por um dos dutos, estava de cabeça para baixo e ficou entalado. Com dezenas de toneladas de grãos a pressioná-lo para baixo, ele não tinha como se mover. Pelo duto os bombeiros conseguiram manter seus sinais vitais fornecendo-lhe oxigênio. Foram gastos oito cilindros durante o resgate.

CORPO DE BOMBEIROS E VOLUNTÁRIOS
Dez homens do Corpo de Bombeiros de Anápolis, com apoio de cem voluntários e de oito policiais militares participaram da operação de resgate, que começou por volta das 11 horas e terminou quase dez horas depois.

ESTADO CLÍNICO DO GAROTO
O adolescente sofreu fratura no braço direito, contusão lombar na coluna, contusão no pescoço e ferimento na perna esquerda. Internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), o garoto estava na UTI em estado grave.
O boletim médico, divulgado às 20 horas, 14/09, relatava que o quadro era grave, mas estável, e que o paciente encontrava-se em estado de confusão mental.

O GAROTO NÃO RESISTIU AOS FERIMENTOS:
O garoto não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) no início da madrugada de segunda-feira, 15/09. Uma junta médica fez de tudo para salvar o garoto, até amputando seu braço direito gangrenado, mas ele acabou morrendo diante da falência de vários órgãos.


COMO O GAROTO FOI SOTERRADO
1-O garoto estava brincando sobre o milho. Foi sugado no momento em que os caminhões eram carregados com grãos.
2- A pressão de toneladas de milho e do duto aberto, fez com que o garoto deslizasse em direção a abertura de escoamento do milho.
3- O garoto ficou preso pelos ombros no interior do duto, por onde passam os grãos. Apenas sua cabeça ficou do lado de fora.
4-Os operários e voluntários retiraram os grãos com pás-carregadeiras e latas, até conseguirem libertar o garoto. Devido a posição da cabeça do garoto, foi possível levar oxigênio. Ele recebeu 8 cilindros de oxigênio.

Fonte: O Popular – Goiânia, 15 e 16 de setembro de 2003

COMENTÁRIO:


TIPOS DE ACIDENTES EM SILOS
As ocorrências mais comuns são afogamento e sufocamento. As vítimas são submetidas à asfixia mecânica por ação da massa de grãos. Sendo que no primeiro caso as vitimas são arrastadas enquanto no segundo as vitimas são encobertas.


AFOGAMENTOS
Em casos da ocorrência de superfícies horizontais, conforme a Figura 1, estas poderão entrar em colapso caso um indivíduo às utilizem como ponto de apoio. Ocorrendo o colapso a vitima é tomada pela massa de grãos. Caso esta não seja removida rapidamente poderá entrar em óbito. Desde modo, é recomendado que a camada superior da massa de grãos nunca seja utilizada como ponto de apoio, pois não há como prever os riscos destas afundarem.



DESCARREGAMENTO DE SILOS
Afogamentos também podem ocorrer no descarregamento de silos. Nestes casos, o fluxo de grãos apresenta por perfil o demonstrado na Figura 2. Sendo que na parte central é que se tem maior velocidade de deslocamento massa de grãos.
Caso um indivíduo inadvertidamente apoie-se sobre a massa de grãos em movimento, este poderá ser arrastado e afogar-se em poucos minutos. Portanto, são recomendando o desligamento e bloqueio dos equipamentos de transporte de grãos quando operários estiverem dentro de silos.


SUFOCAMENTO
Operários ao tentarem romper as superfícies horizontais e, ou, remover as placas verticais de produtos compactados, estando posicionados sob estas, Figura 2, podem ser sufocados mediante ao desmoronamento da massa de grãos. Desde modo, caso não sejam removidos rapidamente óbitos podem ocorrer.





CARREGAMENTO DOS SILOS
Outra forma de sufocamento dá-se quando do carregamento dos silos. Neste caso, se os equipamentos de transporte de grãos forem inadvertidamente acionados, estando um indivíduo dentro de um silo este poderá ser sufocado em um período de tempo menor que 10 minutos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO
As medidas a serem citadas aplicam-se para evitar afogamento e sufocamento em silos armazenadores, podendo ser estendidas a outros tipos de estruturas de acondicionamento de grãos como: moegas, silos-pulmão, silos de expedição e armazéns graneleiros. São também aplicáveis ao manuseio de materiais granulares, particulados e pulverulentos como: carvão, areia, cimento, sal, farinhas e rações.
PORTANTO, AO ADENTRAR EM SILOS SÃO RECOMENDADOS:
■ paralisar a carga e, ou, descarga de produtos;
■ desligar a alimentação de energia elétrica dos equipamentos de transporte de grãos;
■ fechar os registros de carga e descarga dos silos;
■ utilizar meios físicos para bloquear o acionamento dos equipamentos de transporte de grãos de forma inadvertida;
■ equipar os operários com cintos e, ou, coletes de segurança. E estes devem ser atados a cabos, que preferencialmente sejam tracionados por carretilhas mecânicas que permitam a rápida elevação dos indivíduos em casos de acidentes;
■ ventilar o ambiente do silo para remover gases tóxicos e renovar o ar;
■ evitar o acesso de pessoas estranhas, principalmente crianças, desacompanhadas de pessoas que conheçam as normas de segurança; e
■ fixar a avisos alertando os perigos de ocorrência de afogamento e sufocamento.
Fonte: Prof. Luís César Silva - Universidade Estadual do Oeste do Paraná

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