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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quarta-feira, maio 30, 2018

Pintor é flagrado 'pendurado' em prédio sentado em banco de madeira

Um pintor foi flagrado trabalhando em um prédio no bairro Vila Anchieta, em São José do Rio Preto (SP), sem equipamentos de proteção e sentado em uma cadeira de madeira. O flagrante foi feito por um morador nesta semana e enviado para a TV TEM.
Na imagem é possível ver o pintor no alto do prédio, sentado no pedaço de madeira, preso apenas a uma corda.
O empregador tem que verificar se o pintor usa os equipamentos de segurança adequados. No lugar da cadeira de tábua, o correto seria o uso de uma cadeira suspensa, com trava e um cinto de segurança.
Se o pintor for autônomo, a punição deixa de ser administrativa e passa a ser criminal. Se o pintor for empregado do condomínio, a punição para o contratante é feita pela Justiça do Trabalho.
Em caso de acidente tem ação na Justiça e multa. O empregador ainda pode ser obrigado a pagar as despesas do INSS, como a licença médica ou aposentadoria por invalidez. Fonte: G1-19/05/2018

Comentário: O trabalhador é um equilibrista?  Todos nós carregamos intimamente o medo, que é um alarme ou aviso que estamos diante de um perigo real ou imaginário. Por que algumas pessoas possuem um grau maior do medo e outras não?  O que leva a pessoa   ultrapassar a barreira do medo e confrontar o perigo?
O medo é um julgamento de que há um perigo real ou potencial em determinada circunstância: surge com a percepção de risco, ou seja, a possível ocorrência de algo danoso.
Existe o lado da norma de segurança em que a empresa deve treinar e conscientizar o trabalhador, mas  o lado individual do trabalhador, ele não percebe que está correndo perigo? O que faz o trabalhador assumir risco desnecessário? Fatalidade ou conformismo da vida?



1-O sistema de fixação deve ser independente do cabo‑guia do trava‑quedas
2-A cadeira deve dispor de :
a) sistema dotado com dispositivo de subida e descida com dupla trava de segurança, quando a sustentação for através de cabo de aço;
b) sistema dotado com dispositivo de descida com dupla trava de segurança, quando a sustentação for por meio de cabo de fibra sintética;
3-O trabalhador deve usar cinto do tipo paraquedista ligado a trava‑quedas em cabo‑guia indenpedente
5- A cadeira suspensa ou balancim individual,  deve apresentar na sua estrutura, em caracteres indeléveis e bem visíveis, a razão social do fabricante e o número de registro respectivo no Cadastro

O que diz a norma NR-18
CADEIRA SUSPENSA
18.15.49 Em quaisquer atividades em que não seja possível a instalação de andaimes, é permitida a utilização de cadeira suspensa (balancim individual).

18.15.50 A sustentação da cadeira suspensa deve ser feita por meio de cabo de aço ou cabo de fibra sintética.

18.15.51 A cadeira suspensa deve dispor de:
a) sistema dotado com dispositivo de subida e descida com dupla trava de segurança, quando a sustentação for através de cabo de aço;
b) sistema dotado com dispositivo de descida com dupla trava de segurança, quando a sustentação for por meio de cabo de fibra sintética;
c) requisitos mínimos de conforto previstos na NR 17 - Ergonomia;
d) sistema de fixação do trabalhador por meio de cinto.

18.15.52 O trabalhador deve utilizar cinto de segurança tipo pára -quedista, ligado ao trava-quedas em cabo‑guia independente.
  
18.15.53 A cadeira suspensa deve apresentar na sua estrutura, em caracteres indeléveis e bem visíveis, a razão social do fabricante e o número de registro respectivo no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ. (118.394-0/I2)
18.15.54. É proibida a improvisação de cadeira suspensa.

18.15.55. O sistema de fixação da cadeira suspensa deve ser independente do cabo-guia do trava-quedas.

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segunda-feira, maio 28, 2018

Gerência de Riscos-Conceitos básicos

A busca de instrumentos cada vez mais eficazes para a prevenção e controle de acidentes vem elevando o interesse pela Gerência de Riscos. Neste campo, profissionais de áreas como Engenharia de Segurança, Seguro, Meio Ambiente e outras,  buscam uma forma de tornar mais abrangentes e aprimoradas suas atuações,  e a Gerência de Riscos oferece meios de se otimizar os resultados do próprio desenvolvimento tecnológico, a partir da redução dos riscos apresentados pelas atividades surgidas na moderna sociedade em que vivemos. Apresentamos neste artigo as informações fundamentais sobre o assunto.

“Acidentes ocorrem desde tempos imemoriais, e as pessoas têm   se preocupado igualmente com  sua prevenção há tanto tempo. Lamentavelmente, apesar do assunto ser discutido com freqüência, a terminologia relacionada ainda carece de clareza e precisão. Do ponto de vista técnico, isto é particularmente frustrante, pois gera desvios e vícios de comunicação e compreensão que podem aumentar as dificuldades para a resolução de problemas. Qualquer discussão sobre riscos deve ser precedida de uma explicação da terminologia, seu sentido preciso e interrelacionamento”.  Willie Hammer

A colocação de Hammer nos obriga a refletir e a buscar uma proposição que preencha nossas necessidades de uma terminologia consistente e que reflita a filosofia e o enfoque sobre Gerência de Riscos que iremos abordar sobre o assunto.

1. EXPLICAÇÃO DOS TERMOS FUNDAMENTAIS
Risco (Hazard)
Uma ou mais condições de uma variável como o potencial necessário para causar danos. Esses danos podem ser entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos e instalações, danos ao meio ambiente, perda de material em processo, ou redução da capacidade de produção. Havendo um risco, persistem as possibilidades de efeitos adversos.
Há quem traduza hazard como perigo, termo este que achamos mais adequado para a tradução de danger. Isto vem demonstrar a necessidade daqueles que trabalham na área, de se esforçarem para que se chegue à  melhor definição desses termos. Nossa posição também condiz com a tradução adotada na Espanha, onde se traduz hazard como riesgo, assim também ocorrendo com a palavra risk.

Risco (Risk)
Expressa uma probabilidade de possíveis danos dentro de um período  especifico de tempo ou número de ciclos operacionais. Pode ser indicado pela probabilidade de um acidente multiplicada pelo dano expresso em valores monetários, vidas ou unidades operacionais.
Pode significar ainda:
■ Incerteza quanto à ocorrência de um determinado evento (acidente);
■ Chance de perda que uma empresa pode sofrer por causa de um acidente ou série de acidentes.

Segurança
É freqüentemente definida como "isenção de riscos". Entretanto,  é praticamente impossível a eliminação completa de todos os riscos. Segurança é portanto, um compromisso acerca de uma relativa proteção da exposição a riscos. É o antônimo de perigo.

Perigo (Danger)
Expressa uma exposição relativa a um risco que favorece a sua materialização em danos.

Um risco pode estar presente, mas pode haver baixo nível de perigo, devido às precauções tomadas. Assim, por exemplo, um banco de transformadores de alta voltagem possui um risco inerente de eletrocussão, uma vez que esteja energizado. Há um alto nível de perigo se o banco estiver desprotegido, no meio de uma área com pessoas. O mesmo risco estará presente quando os transformadores estiverem trancados num cubículo, entretanto, o perigo agora será mínimo para o pessoal. Vários outros exemplos poderiam ser citados, para mostrar como os  níveis de perigo diferem, ainda que o risco se mantenha o mesmo.

Dano
É a gravidade da perda humana, material, ambiental ou financeira  que pode resultar, caso o controle sobre um risco seja perdido.

Um operário desprotegido pode cair de uma viga a 3 m  de altura, e sofrer um dano físico, como por exemplo, uma fratura na perna. Se a viga estivesse colocada a 90 m de altura, ele, com certeza, estaria morto. O risco (possibilidade) e o perigo (exposição) de queda são os mesmos. Entretanto, a diferença reside apenas na gravidade do dano que poderia ocorrer com a queda.

Causa
É a origem de caráter humano ou material relacionada com o evento catastrófico (acidente ou falha), resultante da materialização de um risco, provocando danos.

Perda
É o prejuízo sofrido por uma organização, sem garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios.

Sinistro
É o prejuízo sofrido par uma organização, com garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios.

Incidente
Qualquer evento ou fato negativo, com potencial para provocar danos. É também chamado "quase­ acidente": situação em que não há danos macroscópicos.

Para facilitar o entendimento dos principais termos básicos, vamos adotar o seguinte esquema de referência:


2. NATUREZA DOS RISCOS EMPRESARIAIS

Os vários autores e estudiosos, principalmente norte-americanos, da Gerência de Riscos, digamos, "tradicionais", tem classificado os riscos que podem atingir uma empresa, basicamente  em:
■ Riscos especulativos (ou dinâmicos) e
■ Riscos puros (ou estáticos).

A diferença principal entre essas duas categorias reside no fato de que os riscos especulativos envolvem uma possibilidade de ganho ou uma chance de perda ; ao passo que os riscos puros envolvem somente uma chance de perda, não existindo nenhuma possibilidade de ganho ou de lucro.

Um exemplo clássico que mostra essa diferença  é do proprietário de um veiculo veículo, cujo risco (puro) que está associado a  ele é o da perda potencial por colisão. Se ocorrer eventualmente uma colisão, o proprietário sofrerá, no mínimo, uma perda financeira. Se não ocorrer nenhuma colisão, o proprietário não terá, obviamente, nenhum ganho.

Os riscos especulativos podem ser divididos em três tipos: riscos administrativos, políticos e de inovação.
Os riscos administrativos estão intimamente relacionados ao processo de tomada de decisões gerenciais: uma decisão errada pode gerar perdas consideráveis, enquanto que uma decisão correta pode trazer lucros para a empresa. O problema maior está na dificuldade de se prever com exatidão,  o resultado que advirá da decisão adotada. Essa incerteza nada mais  é do que a própria definição de risco, conforme foi visto no item anterior

Os riscos administrativos podem ainda ser subdivididos em:

Riscos de mercado
São fatores que tornam incerta a venda de um determinado produto ou serviço, a um preço suficiente que traga resultados satisfatórios em relação ao capital investido;

Riscos financeiros:
Dizem respeito às incertezas em relação às decisões tomadas sobre a política econômico-financeira da organização;

Riscos de produção:
Envolve questões e incertezas quanto a materiais, equipamentos, mão de obra e tecnologia utilizadas na fabricação de um produto ou na prestação de um determinado serviço.

Riscos políticos:
Derivam-se de leis, decretos, portarias, resoluções etc., emanados do Governo Federal, Estadual e Municipal, os quais podem ameaçar os interesses e objetivos da organização.

Riscos de inovação:
Referem-se às incertezas decorrentes, normalmente, da introdução (oferta) de novos produtos ou serviços no mercado e da sua aceitação (demanda) pelos consumidores.

Os riscos puros, como já mencionamos, existem quando há somente uma chance de perda e nenhuma possibilidade de ganho ou lucro.

As principais perdas acidentais (diretas e indiretas) resultantes da materialização dos riscos puros que podem ocorrer numa empresa podem ser agrupadas em:
1.      Perdas decorrentes de morte ou invalidez de funcionários;
2.      Perdas por danos à propriedade e a bens em geral;
3.      Perdas decorrentes de fraudes ou atos criminosos;
4.      Perdas por danos causados a. terceiros (responsabilidade da empresa por poluir o meio ambiente, responsabilidade pela qualidade e segurança do produto fabricado ou do serviço prestado, entre outras).

Para dar uma idéia do significado, por exemplo, das perdas para o fabricante de um determinado produto resultante. de um acidente com danos ao consumidor; vamos enumerar os itens mais importantes que incidiriam sobre a empresa:

■ Pagamento de indenizações por lesões ou morte, incluindo o pagamento de pensões aos  dependentes do reclamante e honorários advocatícios;
■ Pagamento de indenizações por danos materiais não cobertos por seguro.

Tais indenizações poderiam também incluir:
■ Custos de reposição do produto e de outros itens danificados;
■ Perda de rendimentos operacionais;
■ Custos de recuperação do equipamento danificado;
■ Custos com assistência emergencial;
■ Custos administrativos;
■ Honorários dos advogados do reclamante;
■ Tempo e salários perdidos;
1-Honorários dos advogados de defesa; custos da investigação do acidente;
2-Ações corretivas para evitar repetição do acidente;
3-Queda de produção durante a determinação das causas do acidente e durante a adoção de ações  corretivas;
4-Penalidades por falhas na adoção de ações corretivas de riscos, defeitos ou condições que 5-violam preceitos legais;
6-Tempo perdido do pessoal da empresa fabricante;
7-Obsolescência do equipamento associado ao produto que deverá ser modificado;
8-Aumento das tarifas de seguro;
9-Perda de confiança perante a opinião pública;
10-Perda de prestígio;
11-Degradação moral.

Normalmente, considera-se que a Gerência de Riscos trata apenas das questões relativas à prevenção e ao financiamento dos riscos puros. Entretanto, vale mencionar que muitas de suas técnicas podem ser igualmente aplicadas aos riscos especulativos.

É importante lembrar também o papel fundamental que desempenha nos programas de gerenciamento de riscos, o estudo dos incidentes (quase-acidentes).

Para melhor caracterizar o que estamos afirmando, vamos considerar o estudo bastante representativo realizado nos Estados Unidos, em 1969, pela "Insurance Company of North America", o qual abrangeu 1.753.498 acidentes registrados por 297 organizações que representavam 21 diferentes setores de atividade e empregavam 1.750.000 trabalhadores.

O tempo de exposição aos riscos somou, no período analisado, mais de 3 bilhões de horas-homem. Esse estudo revelou que, para cada acidente com lesão grave (com afastamento), havia 9,8 acidentes com lesão leve (sem afastamento) e 30,2 acidentes com danos à propriedade.
Parte do estudo compreendeu 4.000 horas de entrevistas a trabalhadores sobre a ocorrência de incidentes que, em circunstancias ligeiramente diferentes, poderiam ter causado lesões ou danos à propriedade. Como resultado dessas entrevistas, conclui-se que, para cada lesão grave, ocorreram 600 incidentes (quase-acidentes) que não apresentaram lesões ou danos visíveis.
Esta relação indica claramente que os esforços de prevenção e controle de riscos devem ser concentrados não só nos acidentes com lesões, mas também nos acidentes com danos à propriedade e incidentes, pois qualquer um destes últimos pode resultar ainda em uma lesão grave ou morte.

Os acidentes são na verdade caracterizados por um "Iceberg". No topo, temos as fatalidades, em um número reduzido, e na base, temos os acidentes em potencial, que são considerados como quase‑perdas em número elevado de ocorrências. Entre estes dois extremos, temos da base para o topo: primeiros socorros, acidentes com tratamento médico e acidentes com perda de tempo.

Este grupo de eventos representa apenas 10 % de todo o Iceberg, ou seja, apenas a par­te visível acima do nível d’água. Abaixo d’água, estão os 90% do Iceberg, onde devemos concentrar nossas atenções; os comportamentos de risco.

3. IMPORTÂNCIA DA GERÊNCIA DE RISCOS
As empresas e a sociedade em geral tomaram uma nova consciência dos riscos potenciais decorrentes do contínuo progresso tecnológico.
A percepção de que conseqüências irreversíveis podem afetar o meio ambiente, que os recursos não são ilimitados e que, do ponto de vista da economia em geral, o lucro financeiro nunca pode compensar vidas e valores destruídos, também merecem ser citados neste contexto. Além disso, uma atitude mais crítica do consumidor de bens e de serviços, com relação ao fabricante ou fornecedor, tem um efeito semelhante. Atualmente a sociedade está exigindo maior responsabilidade dos empresários.

Esses progressos, que também são refletidos na legislação, juntamente com um clima difícil na economia, estão forçando as empresas a se responsabilizarem por todas as perdas que, de um modo ou de outro, ameaçam seus objetivos: seja conseguir bom nível de lucros, seja manter os negócios em bom andamento ou, até  mesmo, garantir a própria existência da organização.
A rigor; a Gerência de Riscos, em termos de consciência do risco ou de vivência  com ele, é tão antiga quanto o próprio homem. Na verdade, o homem sempre esteve envolvido com riscos e com muitas das decisões de Gerência de Riscos. Muito antes da existência do que hoje denominamos gerentes de riscos, indivíduos dedicavam-se (e têm se dedicado) a tarefas e funções específicas de segurança do trabalho, proteção contra incêndio, segurança patrimonial, controle de qualidade, inspeções e análises de riscos para fins de seguro e inúmeras outras atividades semelhantes.

O que ocorreu com relação Gerência de Riscos é que os americanos e europeus aglutinaram o  que inúmeras pessoas vinham fazendo de forma independente em um conjunto de teorias lógicas objetivas, e deram-lhe o nome de Risk Management.
Entretanto, um cuidadoso exame de diversos estudos, trabalhos e publicações sobre o assunto revelam que não existe concordância quanto à natureza, conceito e conteúdo da Gerência de Riscos.

Várias têm sido as tentativas para se definir o conceito de Gerência de Riscos. Não é nosso objetivo levantar polêmicas a respeito dessa questão. No entanto, a visão que temos da Gerência de Riscos está intimamente ligada ao conceito e conteúdo que atribuímos à mesma, os quais serão explanados a seguir

Podemos dizer que a Gerência de Riscos é a ciência, a arte e a função que visa a proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros de uma empresa, quer através da eliminação ou redução de seus riscos, quer através do financiamento dos riscos remanescentes, conforme seja economicamente mais viável.

Uma definição mais simples de Gerência de Riscos é “um conjunto de conhecimento multidisciplinar  para conviver com a possibilidade de que eventos futuros poderão causar efeitos adversos”. O aspecto mais importante é o termo “conviver com” uma vez que um determinado risco não pode simplesmente desaparecer, nem obviamente ser revogado por decreto, nem mesmo ser dissipado  através da tecnologia, já que inevitavelmente  surgirão novos riscos no lugar daquele que se pensou ter sido eliminado.
De fato, a Gerência de Riscos teve seu inicio efetivo nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, logo após a Segunda Guerra Mundial, tendo os responsáveis pela segurança das grandes empresas, bem como os responsáveis pelos seus seguros, começado a examinar a possibilidade de reduzir os gastos com prêmios de seguros e aumentar a proteção da empresa frente a riscos de acidentes.

Perceberam, então, que só seria possível atingir tais objetivos por meio de uma análise detalhada das situações de risco. Além da avaliação das probabilidades de perda, tornou-se necessário determinar quais os riscos inevitáveis e quais os que poderiam ser reduzidos. Calculou-se o custo-benefício das medidas de proteção a serem adotadas, como também levou-se em  consideração a situação financeira da empresa, para a escolha adequada do seu grau de proteção.
É este, basicamente, também o nosso enfoque, acrescido de técnicas modernas oriundas de várias áreas,  em especial, da Engenharia de Segurança de Sistemas.

O conteúdo específico e os processos básicos da Gerência de Riscos são os que estão mostrados no quadro ao lado.

Deve ficar aqui registrado também o fato de algumas pessoas confundirem “Gerência ou Administração de Riscos" com Administração de Seguros". Tais termos, absolutamente, não são sinônimos. A Gerência de Riscos cobre um campo consideravelmente mais amplo que a Administração de Seguros. O seguro é apenas uma das formas que a empresa pode adotar para tratar os seus riscos, ou seja, é um dos elementos a serem considerados no processo de decisão da empresa em relação a seus riscos. Somente a partir da decisão da organização de transferir seus riscos através do seguro,  é que se inicia efetivamente a “Administração de Seguros".

ENGENHARIA DE SEGURANÇA X GERÊNCIA DE RISCOS

Engenharia de Segurança tradicional
Em geral a engenharia de segurança tradicional concentra-se sua atenção no “por que” os acidentes ocorrem e tenta evitar a sua repetição ou acidentes similares. Reage conforme a ocorrência (abordagem reativa , diagrama ao lado).

Gerência de Riscos - abordagem próativa
O gerenciamento de riscos pró-ativo apresenta diversas vantagens em relação à abordagem reativa. Em vez de esperar que eventos prejudiciais aconteçam para então agir, reduza a possibilidade de ocorrência de tais eventos. Isso envolve fazer planos para proteger os ativos importantes da sua organização, implementando controles capazes de reduzir o risco de exploração de vulnerabilidades por acidentes em geral.

IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS
O maior aliado que os acidentes encontram para sua execução reside na falta ou na perda da percepção do risco pelo indivíduo. A falta da percepção é característica marcante em operações ou em ambientes com baixo índice de acidentes. 

Temos a falsa “sensação de segurança”, quando achamos que não existe perigo, subestima o risco, não há incidência de acidentes.  Devido à perda da percepção  do risco, cria uma relação de proximidade entre o risco e o individuo.

Quando ambientes com essas características oferecem  baixos índices de acidentes e estão presentes outros fatores tais como; fator humano (habilidade, treinamento, etc), condições ambientais (lay out, material empregado, etc),   existe a possibilidade de desequilíbrio  desses fatores,  previsíveis ou não, e na intensidade com que isso ocorre,  estaremos aproximando da condição de perigo.

As condições de perigo ou de incidentes, nada mais são  do que defeitos na saída do processo. A maioria dos de­feitos são gerados pela grande variação nos sistemas em andamento (fator humano, equipamentos, maquinismo, matérias‑primas, procedimentos, política, métodos, etc).
A identificação de riscos é a mais importante das responsabilidades da gerência de riscos. É o processo contínuo e sistemático de identificação de perdas potenciais, tais como; humana (acidente fatal ou não), perda à propriedade (dano material) e por responsabilidade da empresa.

Na verdade não existe um método ótimo para identificar riscos. Na prática, a melhor estratégia será combinar os vários métodos existentes, obtendo-se o maior número possível de informações sobre riscos, e evitando-se assim que a empresa seja,  inconscientemente, ameaçada  por eventuais perdas decorrentes de acidentes.

Para melhor cumprir essa tarefa, o gerente de riscos deve,  antes e mais nada, obter informações que lhe permita conhecer em profundidades a empresa.
Um dos meios mais freqüentes para identificar riscos é a utilização de “checklists” (questionários, roteiros, etc). Tais questionários podem ser obtidos de várias maneiras; em publicações especializadas em engenharia de segurança, em gerência de riscos, etc.

É importante adaptar esse checklist de acordo com a situação de riscos  da empresa, pois cada organização possui características  específicas.

Outros meios para identificação de riscos são;

1- Através de publicações ou revistas especializadas,  que enumeram uma extensa relação de riscos já conhecidos, analisados e estatisticamente registrados no ambiente industrial ;
■ Falta de proteção de máquinas e equipamentos
■ Falta de ordem e limpeza
■ Mau estado de  equipamentos e ferramentas
■ Deficiências nas instalações elétricas
■ Deficiências no sistema de proteção contra incêndio
■ Falha de operação      

2-INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES  DA PRÓPRIA EMPRESA
A partir da descrição do acidente, de informações coletadas junto aos responsáveis da área, de um estudo do local do acidente, poderão ser determinadas as causas de acidentes e propostas as medidas necessárias para evitar a sua repetição

3-CRIAR FORMULÁRIOS PADRÕES DE IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS
Esses formulários devem incluir os pontos a serem observados e o preenchimento deverá ser feito com uma simples marcação pelo setor responsável.  Caso seja observada  alguma irregularidade, deverá ser elaborado um relatório de inspeção, onde serão registrados os pontos negativos encontrados e propostas medidas para sua correção. Essas informações realimentarão posteriormente o checklist.         

4-MANUTENÇÃO EM GERAL
Obter dados de máquinas, equipamentos, falhas, interrupções, riscos , etc

5- FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Procedimento que pode ser adotado para identificar perdas potenciais, os quais são inicialmente preparados mostrando todas as operações da empresa, desde o fornecimento da matéria prima até a entrega do produto ao consumidor final.  Em seguida , são elaborados fluxogramas detalhados  de cada uma das operações definidas, identificando as respectivas perdas potenciais.
Quanto mais detalhados forem os fluxogramas,  melhores serão as condições de identificação de riscos e perdas potenciais. Para obter o grau necessário de detalhes é fundamental  a participação de cada setor na elaboração desses fluxogramas.

Outros meios podem auxiliar na identificação de riscos, tais como; relatórios financeiros, relatório de avaliação das instalações industriais,  contratação de pessoal especializado para assessorar o gerente de riscos.

ANÁLISE DE RISCOS
Analisar um risco é identificar e discutir todas as possibilidades de ocorrência do acidente, na tentativa de se evitar que ele ocorra.
Algumas das principais ferramentas utilizadas em análise de risco não estão ainda suficientemente disseminadas. Por isso, recomenda-se obter informações em publicações especializadas ou em cursos.

As técnicas de análise mais utilizadas são as seguintes:
■ Análise Preliminar de Risco (APR)
■ Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE)
■ Técnica de Incidentes Críticos (TIC)
■ Análise de Arvores de Falhas (AAF)
■ What-If/Checklist


Técnicas
Objetivos:
Metodologia
Benefícios



Análise Preliminar de Risco (APR)
Determinação de riscos e medidas preventivas antes da fase operacional
Revisão  geral de aspectos de segurança através de um formato padrão, levantando-se as causas e efeitos de cada risco, medidas de prevenção ou correção e classificando  os riscos para prioridades de ações

Relaciona medidas de controle de riscos, desde o inicio operacional do sistema. Permite revisões de projeto em tempo hábil no sentido de dar maior segurança. Definição de responsabilidade no controle de riscos





Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE)
Determinação de falhas de efeito critico e de componentes críticos, análise de confiabilidade de conjuntos, equipamentos e sistemas.
Determinar os modos de falha de componentes e seus efeitos em outros componentes e no sistema, determinar meios de detecção e compensação das falhas e reparos necessários. Classificar as falhas para prioridades de ações corretivas

Permite analisar as falhas dos componentes de um equipamento ou sistema.. Aumento da confiabilidade de equipamentos e sistemas através do tratamento de componentes críticos.





Técnica de Incidentes Críticos (TIC)
 Identificação de incidentes críticos (erros), erros, condições inseguras,

Obtenção de dados sobre os incidentes críticos, através de entrevistas de pessoas que tenham executado serviços específicos em áreas determinadas . O entrevistador pede para as pessoas descreverem ou recordarem de situações perigosas que chamaram sua atenção na empresa.

detecção de incidentes críticos  presentes no sistema. Prevenção e correção dos riscos antes que os mesmos se manifestem através de eventos catastróficos  
Análise de Arvores de Falhas (AAF)
Análise e prevenção de qualquer  evento indesejável, determinação de confiabilidade de sistemas

 Indicar um evento indesejado no sistema, denominado “evento topo”,  assim chamado porque é colocado na parte mais alta da “árvore”. A partir do evento topo, o sistema é dissecado de cima para baixo, até se chegar à causa ou combinações de causa do evento indesejado (maioria das vezes é uma falha de graves conseqüências)

Permite a determinação da seqüência mais critica ou provável de eventos

What-If/Checklist

Identificação no tratamento de riscos

É um procedimento de revisão de riscos de processos que se desenvolve através de reuniões de questionamento de procedimentos, instalações, etc. de um processo, gerando também soluções para os problemas levantados. Utiliza-se de uma sistemática técnico-administrativa que inclui princípios de dinâmica de grupos. É reaplicado periodicamente.

Possui uma estruturação e sistemática  que o torna um instrumento eficiente na detecção de riscos


AVALIAÇÃO DE RISCOS
É um exercício orientado para a quantificação da perda máxima provável do sistema (instalação,  equipamento, etc), utilizando a estatística. Neste tópico é extremamente importante que a empresa tenha um banco de dados de acidentes/incidentes, para que a análise do período histórico de acidentes  tenha consistência. 

Quanto ao trabalho de quantificação da gravidade das perdas potenciais (perdas monetárias), depende de um bom trabalho de identificação e análise de risco,  além de conhecimento da formação de custos dos produtos, processos e meios de produção  

Tratamento de Riscos
Com os riscos identificados, analisados, avaliados,  estaremos conhecendo a vulnerabilidade da empresa e preparando as estratégias para assumir alguns riscos e transferir outros riscos (contratação de seguros)

Após  a identificação da vulnerabilidade da empresa em relação aos riscos existentes, colocamos em prática as soluções encontradas para atenuação desses riscos  e efetuamos o controle, buscando a melhoria das soluções implementadas.
Fonte: Os Riscos Empresariais e a Gerência de Riscos, Engenheiros Francesco M.G.A.F. De Cicco e Mario Luiz Fantazzini

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