Gerência de Riscos-Conceitos básicos
A busca de
instrumentos cada vez mais eficazes para a prevenção e controle de acidentes
vem elevando o interesse pela Gerência de Riscos. Neste campo, profissionais de
áreas como Engenharia de Segurança, Seguro, Meio Ambiente e outras, buscam uma forma de tornar mais abrangentes e
aprimoradas suas atuações, e a Gerência
de Riscos oferece meios de se otimizar os resultados do próprio desenvolvimento
tecnológico, a partir da redução dos riscos apresentados pelas atividades
surgidas na moderna sociedade em que vivemos. Apresentamos neste artigo as
informações fundamentais sobre o assunto.
“Acidentes
ocorrem desde tempos imemoriais, e as pessoas têm se preocupado igualmente com sua prevenção há tanto tempo.
Lamentavelmente, apesar do assunto ser discutido com freqüência, a terminologia
relacionada ainda carece de clareza e precisão. Do ponto de vista técnico, isto
é particularmente frustrante, pois gera desvios e vícios de comunicação e
compreensão que podem aumentar as dificuldades para a resolução de problemas.
Qualquer discussão sobre riscos deve ser precedida de uma explicação da
terminologia, seu sentido preciso e interrelacionamento”. Willie Hammer
A colocação de
Hammer nos obriga a refletir e a buscar uma proposição que preencha nossas necessidades
de uma terminologia consistente e que reflita a filosofia e o enfoque sobre
Gerência de Riscos que iremos abordar sobre o assunto.
1. EXPLICAÇÃO
DOS TERMOS FUNDAMENTAIS
Risco (Hazard)
Uma ou mais condições de uma
variável como o potencial necessário para causar danos. Esses danos podem ser
entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos e instalações, danos ao
meio ambiente, perda de material em processo, ou redução da capacidade de
produção. Havendo um risco, persistem as possibilidades de efeitos adversos.
Há quem traduza
hazard como perigo, termo este que achamos mais adequado para a tradução de
danger. Isto vem demonstrar a necessidade daqueles que trabalham na área, de se
esforçarem para que se chegue à melhor
definição desses termos. Nossa posição também condiz com a tradução adotada na
Espanha, onde se traduz hazard como riesgo, assim também ocorrendo com a
palavra risk.
Risco (Risk)
Expressa uma probabilidade de possíveis
danos dentro de um período especifico de
tempo ou número de ciclos operacionais. Pode ser indicado pela probabilidade de
um acidente multiplicada pelo dano expresso em valores monetários, vidas ou
unidades operacionais.
Pode significar
ainda:
■ Incerteza
quanto à ocorrência de um determinado evento (acidente);
■ Chance de perda que uma empresa pode sofrer por
causa de um acidente ou série de acidentes.
Segurança
É freqüentemente definida como "isenção de
riscos". Entretanto, é praticamente
impossível a eliminação completa de todos os riscos. Segurança é portanto, um
compromisso acerca de uma relativa proteção da exposição a riscos. É o antônimo
de perigo.
Perigo
(Danger)
Expressa uma exposição relativa a um risco que favorece
a sua materialização em danos.
Um risco pode estar presente, mas pode haver baixo nível de perigo,
devido às precauções tomadas. Assim, por exemplo, um banco de transformadores
de alta voltagem possui um risco inerente de eletrocussão, uma vez que esteja
energizado. Há um alto nível de perigo se o banco estiver desprotegido, no meio
de uma área com pessoas. O mesmo risco estará presente quando os
transformadores estiverem trancados num cubículo, entretanto, o perigo agora
será mínimo para o pessoal. Vários outros exemplos poderiam ser citados, para
mostrar como os níveis de perigo
diferem, ainda que o risco se mantenha o mesmo.
Dano
É a gravidade da perda humana,
material, ambiental ou financeira que
pode resultar, caso o controle sobre um risco seja perdido.
Um operário desprotegido pode cair de uma viga a 3 m de altura, e sofrer um dano físico, como por
exemplo, uma fratura na perna. Se a viga estivesse colocada a 90 m de altura,
ele, com certeza, estaria morto. O risco (possibilidade) e o perigo (exposição)
de queda são os mesmos. Entretanto, a diferença reside apenas na gravidade do
dano que poderia ocorrer com a queda.
Causa
É a origem de caráter humano ou
material relacionada com o evento catastrófico (acidente ou falha), resultante
da materialização de um risco, provocando danos.
Perda
É o prejuízo sofrido por uma
organização, sem garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios.
Sinistro
É o prejuízo sofrido par uma
organização, com garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios.
Incidente
Qualquer evento ou fato negativo,
com potencial para provocar danos. É também chamado "quase
acidente": situação em que não há danos macroscópicos.
Para facilitar o
entendimento dos principais termos básicos, vamos adotar o seguinte esquema de
referência:
2. NATUREZA DOS RISCOS EMPRESARIAIS
Os vários autores
e estudiosos, principalmente norte-americanos, da Gerência de
Riscos, digamos, "tradicionais", tem classificado os riscos que podem
atingir uma empresa, basicamente em:
■ Riscos
especulativos (ou dinâmicos) e
■ Riscos puros (ou
estáticos).
A diferença
principal entre essas duas categorias reside no fato de que os riscos especulativos envolvem uma
possibilidade de ganho ou uma chance de perda ; ao passo que os riscos puros envolvem somente uma
chance de perda, não existindo nenhuma possibilidade de ganho ou de lucro.
Um exemplo
clássico que mostra essa diferença é do
proprietário de um veiculo veículo, cujo risco (puro) que está associado a ele é o da perda potencial por colisão. Se
ocorrer eventualmente uma colisão, o proprietário sofrerá, no mínimo, uma perda
financeira. Se não ocorrer nenhuma colisão, o proprietário não terá,
obviamente, nenhum ganho.
Os riscos
especulativos podem ser divididos em três tipos: riscos administrativos,
políticos e de inovação.
Os riscos administrativos estão
intimamente relacionados ao processo de tomada de decisões gerenciais: uma
decisão errada pode gerar perdas consideráveis, enquanto que uma decisão
correta pode trazer lucros para a empresa. O problema maior está na dificuldade
de se prever com exatidão, o resultado
que advirá da decisão adotada. Essa incerteza nada mais é do que a própria definição de risco,
conforme foi visto no item anterior
Os riscos
administrativos podem ainda ser subdivididos em:
Riscos de mercado
São fatores que tornam incerta a
venda de um determinado produto ou serviço, a um preço suficiente que traga
resultados satisfatórios em relação ao capital investido;
Riscos financeiros:
Dizem respeito às incertezas em
relação às decisões tomadas sobre a política econômico-financeira da
organização;
Riscos de
produção:
Envolve questões e incertezas quanto a materiais,
equipamentos, mão de obra e tecnologia utilizadas na fabricação de um produto
ou na prestação de um determinado serviço.
Riscos políticos:
Derivam-se de
leis, decretos, portarias, resoluções etc., emanados do Governo Federal,
Estadual e Municipal, os quais podem ameaçar os interesses e objetivos da
organização.
Riscos de inovação:
Referem-se às
incertezas decorrentes, normalmente, da introdução (oferta) de novos produtos
ou serviços no mercado e da sua aceitação (demanda) pelos consumidores.
Os riscos puros, como já mencionamos,
existem quando há somente uma chance de perda e nenhuma possibilidade de ganho
ou lucro.
As principais perdas
acidentais (diretas e indiretas) resultantes da materialização dos riscos puros
que podem ocorrer numa empresa podem ser agrupadas em:
1. Perdas decorrentes de morte ou invalidez de
funcionários;
2. Perdas por danos à propriedade e a bens em geral;
3. Perdas decorrentes de fraudes ou atos criminosos;
4. Perdas por danos causados a. terceiros
(responsabilidade da empresa por poluir o meio ambiente, responsabilidade pela
qualidade e segurança do produto fabricado ou do serviço prestado, entre
outras).
Para dar uma idéia
do significado, por exemplo, das perdas para o fabricante de um determinado
produto resultante. de um acidente com danos ao consumidor; vamos enumerar os
itens mais importantes que incidiriam sobre a empresa:
■ Pagamento de
indenizações por lesões ou morte, incluindo o pagamento de pensões aos dependentes do reclamante e honorários
advocatícios;
■ Pagamento de
indenizações por danos materiais não cobertos por seguro.
Tais indenizações
poderiam também incluir:
■ Custos de
reposição do produto e de outros itens danificados;
■ Perda de
rendimentos operacionais;
■ Custos
de recuperação do equipamento danificado;
■ Custos
com assistência emergencial;
■ Custos
administrativos;
■ Honorários dos
advogados do reclamante;
■ Tempo e salários
perdidos;
1-Honorários
dos advogados de defesa; custos da investigação do acidente;
2-Ações
corretivas para evitar repetição do acidente;
3-Queda
de produção durante a determinação das causas do acidente e durante a adoção de
ações corretivas;
4-Penalidades
por falhas na adoção de ações corretivas de riscos, defeitos ou condições que 5-violam
preceitos legais;
6-Tempo
perdido do pessoal da empresa fabricante;
7-Obsolescência
do equipamento associado ao produto que deverá ser modificado;
8-Aumento
das tarifas de seguro;
9-Perda
de confiança perante a opinião pública;
10-Perda
de prestígio;
11-Degradação
moral.
Normalmente,
considera-se que a Gerência de Riscos trata apenas das questões relativas à
prevenção e ao financiamento dos riscos puros. Entretanto, vale mencionar que
muitas de suas técnicas podem ser igualmente aplicadas aos riscos
especulativos.
É importante
lembrar também o papel fundamental que desempenha nos programas de
gerenciamento de riscos, o estudo dos incidentes (quase-acidentes).
Para melhor caracterizar o que estamos
afirmando, vamos considerar o estudo bastante representativo realizado nos
Estados Unidos, em 1969, pela "Insurance Company of North America", o
qual abrangeu 1.753.498 acidentes registrados por 297 organizações que
representavam 21 diferentes setores de atividade e empregavam 1.750.000
trabalhadores.
O tempo de exposição aos riscos somou,
no período analisado, mais de 3 bilhões de horas-homem. Esse estudo revelou
que, para cada acidente com lesão grave (com afastamento), havia 9,8 acidentes
com lesão leve (sem afastamento) e 30,2 acidentes com danos à propriedade.
Parte do estudo compreendeu 4.000 horas
de entrevistas a trabalhadores sobre a ocorrência de incidentes que, em
circunstancias ligeiramente diferentes, poderiam ter causado lesões ou danos à
propriedade. Como resultado dessas entrevistas, conclui-se que, para cada lesão
grave, ocorreram 600 incidentes (quase-acidentes) que não apresentaram lesões
ou danos visíveis.
Esta relação
indica claramente que os esforços de prevenção e controle de riscos devem ser
concentrados não só nos acidentes com lesões, mas também nos acidentes com
danos à propriedade e incidentes, pois qualquer um destes últimos pode resultar
ainda em uma lesão grave ou morte.
Os acidentes são na verdade caracterizados por um "Iceberg". No topo, temos
as fatalidades, em um
número reduzido, e na base, temos os
acidentes em potencial, que são considerados como quase‑perdas em número elevado de
ocorrências. Entre estes dois extremos, temos da base para o topo: primeiros
socorros, acidentes com tratamento médico e acidentes com perda de tempo.
Este grupo de
eventos representa apenas 10 % de todo o Iceberg, ou seja, apenas a parte
visível acima do nível d’água. Abaixo d’água, estão os 90% do Iceberg, onde
devemos concentrar nossas atenções; os comportamentos de risco.
3. IMPORTÂNCIA DA GERÊNCIA DE RISCOS
As empresas e a
sociedade em geral tomaram uma nova consciência dos riscos potenciais
decorrentes do contínuo progresso tecnológico.
A percepção de que
conseqüências irreversíveis podem afetar o meio ambiente, que os recursos não
são ilimitados e que, do ponto de vista da economia em geral, o lucro
financeiro nunca pode compensar vidas e valores destruídos, também merecem ser
citados neste contexto. Além disso, uma atitude mais crítica do consumidor de
bens e de serviços, com relação ao fabricante ou fornecedor, tem um efeito
semelhante. Atualmente a sociedade está exigindo maior responsabilidade dos
empresários.
Esses progressos,
que também são refletidos na legislação, juntamente com um clima difícil na
economia, estão forçando as empresas a se responsabilizarem por todas as perdas
que, de um modo ou de outro, ameaçam seus objetivos: seja conseguir bom nível
de lucros, seja manter os negócios em bom andamento ou, até mesmo, garantir a própria existência da
organização.
A rigor; a
Gerência de Riscos, em termos de consciência do risco ou de vivência com ele, é tão antiga quanto o próprio homem.
Na verdade, o homem sempre esteve envolvido com riscos e com muitas das
decisões de Gerência de Riscos. Muito antes da existência do que hoje
denominamos gerentes de riscos, indivíduos dedicavam-se (e têm se dedicado) a
tarefas e funções específicas de segurança do trabalho, proteção contra
incêndio, segurança patrimonial, controle de qualidade, inspeções e análises de
riscos para fins de seguro e inúmeras outras atividades semelhantes.
O que ocorreu com
relação Gerência de Riscos é que os americanos e europeus aglutinaram o que inúmeras pessoas vinham fazendo de forma
independente em um conjunto de teorias lógicas objetivas, e deram-lhe o nome de
Risk Management.
Entretanto, um
cuidadoso exame de diversos estudos, trabalhos e publicações sobre o assunto
revelam que não existe concordância quanto à natureza, conceito e conteúdo da
Gerência de Riscos.
Várias têm sido as
tentativas para se definir o conceito
de Gerência de Riscos. Não é nosso objetivo levantar polêmicas a
respeito dessa questão. No entanto, a visão que temos da Gerência de Riscos
está intimamente ligada ao conceito e conteúdo que atribuímos à mesma, os quais
serão explanados a seguir
Podemos dizer que a Gerência de Riscos é a ciência, a arte e a função que
visa a proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros de uma empresa,
quer através da eliminação ou redução de seus riscos, quer através do
financiamento dos riscos remanescentes, conforme seja economicamente mais
viável.
Uma definição mais simples de Gerência de Riscos é “um conjunto de
conhecimento multidisciplinar para
conviver com a possibilidade de que eventos futuros poderão causar efeitos
adversos”. O aspecto mais importante é o termo “conviver com” uma vez que um
determinado risco não pode simplesmente desaparecer, nem obviamente ser
revogado por decreto, nem mesmo ser dissipado
através da tecnologia, já que inevitavelmente surgirão novos riscos no lugar daquele que se
pensou ter sido eliminado.
De fato, a
Gerência de Riscos teve seu inicio efetivo nos Estados Unidos e em alguns
países da Europa, logo após a Segunda Guerra Mundial, tendo os responsáveis
pela segurança das grandes empresas, bem como os responsáveis pelos seus
seguros, começado a examinar a possibilidade de reduzir os gastos com prêmios
de seguros e aumentar a proteção da empresa frente a riscos de acidentes.
Perceberam, então, que
só seria possível atingir tais objetivos por meio de uma análise detalhada das
situações de risco. Além da avaliação das probabilidades de perda, tornou-se
necessário determinar quais os riscos inevitáveis e quais os que poderiam ser
reduzidos. Calculou-se o custo-benefício das medidas de proteção a serem
adotadas, como também levou-se em
consideração a situação financeira da empresa, para a escolha adequada
do seu grau de proteção.
É
este, basicamente, também o nosso enfoque, acrescido de técnicas modernas
oriundas de várias áreas, em especial,
da Engenharia de Segurança de Sistemas.
O conteúdo específico e
os processos básicos da Gerência de Riscos são os que estão mostrados no quadro
ao lado.
Deve
ficar aqui registrado também o fato de algumas pessoas confundirem “Gerência ou
Administração de Riscos" com Administração de Seguros". Tais termos,
absolutamente, não são sinônimos. A Gerência de Riscos cobre um campo
consideravelmente mais amplo que a Administração de Seguros. O seguro é apenas
uma das formas que a empresa pode adotar para tratar os seus riscos, ou seja, é
um dos elementos a serem considerados no processo de decisão da empresa em
relação a seus riscos. Somente a partir da decisão da organização de transferir
seus riscos através do seguro, é que se
inicia efetivamente a “Administração de Seguros".
ENGENHARIA DE
SEGURANÇA X GERÊNCIA DE RISCOS
Engenharia de Segurança tradicional
Em geral a
engenharia de segurança tradicional concentra-se sua atenção no “por que” os
acidentes ocorrem e tenta evitar a sua repetição ou acidentes similares. Reage
conforme a ocorrência (abordagem reativa , diagrama ao lado).
Gerência de Riscos - abordagem próativa
O gerenciamento de
riscos pró-ativo apresenta diversas vantagens em relação à abordagem reativa.
Em vez de esperar que eventos prejudiciais aconteçam para então agir, reduza a
possibilidade de ocorrência de tais eventos. Isso envolve fazer planos para
proteger os ativos importantes da sua organização, implementando controles
capazes de reduzir o risco de exploração de vulnerabilidades por acidentes em
geral.
IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS
O maior aliado que
os acidentes encontram para sua execução reside na falta ou na perda da
percepção do risco pelo indivíduo. A falta da percepção é característica
marcante em operações ou em ambientes com baixo índice de acidentes.
Temos a falsa
“sensação de segurança”, quando achamos que não existe perigo, subestima o
risco, não há incidência de acidentes.
Devido à perda da percepção do
risco, cria uma relação de proximidade entre o risco e o individuo.
Quando ambientes
com essas características oferecem
baixos índices de acidentes e estão presentes outros fatores tais como;
fator humano (habilidade, treinamento, etc), condições ambientais (lay out,
material empregado, etc), existe a possibilidade
de desequilíbrio desses fatores, previsíveis ou não, e na intensidade com que
isso ocorre, estaremos aproximando da
condição de perigo.
As condições de
perigo ou de incidentes, nada mais são
do que defeitos na saída do processo. A maioria dos defeitos são
gerados pela grande variação nos sistemas em andamento (fator humano, equipamentos,
maquinismo, matérias‑primas, procedimentos, política, métodos, etc).
A identificação de
riscos é a mais importante das responsabilidades da gerência de riscos. É o
processo contínuo e sistemático de identificação de perdas potenciais, tais
como; humana (acidente fatal ou não), perda à propriedade (dano material) e por
responsabilidade da empresa.
Na verdade não
existe um método ótimo para identificar riscos. Na prática, a melhor estratégia
será combinar os vários métodos existentes, obtendo-se o maior número possível
de informações sobre riscos, e evitando-se assim que a empresa seja, inconscientemente, ameaçada por eventuais perdas decorrentes de acidentes.
Para melhor
cumprir essa tarefa, o gerente de riscos deve,
antes e mais nada, obter informações que lhe permita conhecer em
profundidades a empresa.
Um dos meios mais
freqüentes para identificar riscos é a utilização de “checklists”
(questionários, roteiros, etc). Tais questionários podem ser obtidos de várias
maneiras; em publicações especializadas em engenharia de segurança, em gerência
de riscos, etc.
É importante
adaptar esse checklist de acordo com a situação de riscos da empresa, pois cada organização possui
características específicas.
Outros meios para
identificação de riscos são;
1- Através de
publicações ou revistas especializadas,
que enumeram uma extensa relação de riscos já conhecidos, analisados e
estatisticamente registrados no ambiente industrial ;
■ Falta de
proteção de máquinas e equipamentos
■ Falta de ordem e
limpeza
■ Mau estado
de equipamentos e ferramentas
■ Deficiências nas
instalações elétricas
■ Deficiências no
sistema de proteção contra incêndio
■ Falha de
operação
2-INVESTIGAÇÃO DE
ACIDENTES DA PRÓPRIA EMPRESA
A partir da
descrição do acidente, de informações coletadas junto aos responsáveis da área,
de um estudo do local do acidente, poderão ser determinadas as causas de
acidentes e propostas as medidas necessárias para evitar a sua repetição
3-CRIAR
FORMULÁRIOS PADRÕES DE IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS
Esses formulários
devem incluir os pontos a serem observados e o preenchimento deverá ser feito
com uma simples marcação pelo setor responsável. Caso seja observada alguma irregularidade, deverá ser elaborado
um relatório de inspeção, onde serão registrados os pontos negativos
encontrados e propostas medidas para sua correção. Essas informações
realimentarão posteriormente o checklist.
4-MANUTENÇÃO EM
GERAL
Obter dados de
máquinas, equipamentos, falhas, interrupções, riscos , etc
5- FLUXOGRAMAS DE
PROCESSO
Procedimento que
pode ser adotado para identificar perdas potenciais, os quais são inicialmente
preparados mostrando todas as operações da empresa, desde o fornecimento da
matéria prima até a entrega do produto ao consumidor final. Em seguida , são elaborados fluxogramas
detalhados de cada uma das operações
definidas, identificando as respectivas perdas potenciais.
Quanto mais
detalhados forem os fluxogramas,
melhores serão as condições de identificação de riscos e perdas
potenciais. Para obter o grau necessário de detalhes é fundamental a participação de cada setor na elaboração
desses fluxogramas.
Outros meios podem
auxiliar na identificação de riscos, tais como; relatórios financeiros,
relatório de avaliação das instalações industriais, contratação de pessoal especializado para
assessorar o gerente de riscos.
ANÁLISE DE
RISCOS
Analisar um risco
é identificar e discutir todas as possibilidades de ocorrência do acidente, na
tentativa de se evitar que ele ocorra.
Algumas das
principais ferramentas utilizadas em análise de risco não estão ainda
suficientemente disseminadas. Por isso, recomenda-se obter informações em
publicações especializadas ou em cursos.
As técnicas de
análise mais utilizadas são as seguintes:
■ Análise
Preliminar de Risco (APR)
■ Análise de Modos
de Falha e Efeitos (AMFE)
■ Técnica de
Incidentes Críticos (TIC)
■ Análise de
Arvores de Falhas (AAF)
■ What-If/Checklist
Técnicas
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Objetivos:
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Metodologia
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Benefícios
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Análise
Preliminar de Risco (APR)
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Determinação de riscos e medidas preventivas antes
da fase operacional
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Revisão geral
de aspectos de segurança através de um formato padrão, levantando-se as
causas e efeitos de cada risco, medidas de prevenção ou correção e
classificando os riscos para
prioridades de ações
|
Relaciona medidas de controle de riscos, desde o
inicio operacional do sistema. Permite revisões de projeto em tempo hábil no
sentido de dar maior segurança. Definição de responsabilidade no controle de
riscos
|
Análise de
Modos de Falha e Efeitos (AMFE)
|
Determinação de falhas de efeito critico e de
componentes críticos, análise de confiabilidade de conjuntos, equipamentos e
sistemas.
|
Determinar os modos de falha de componentes e seus
efeitos em outros componentes e no sistema, determinar meios de detecção e
compensação das falhas e reparos necessários. Classificar as falhas para
prioridades de ações corretivas
|
Permite analisar as falhas dos componentes de um
equipamento ou sistema.. Aumento da confiabilidade de equipamentos e sistemas
através do tratamento de componentes críticos.
|
Técnica de
Incidentes Críticos (TIC)
|
Identificação
de incidentes críticos (erros), erros, condições inseguras,
|
Obtenção de dados sobre os incidentes críticos,
através de entrevistas de pessoas que tenham executado serviços específicos
em áreas determinadas . O entrevistador pede para as pessoas descreverem ou
recordarem de situações perigosas que chamaram sua atenção na empresa.
|
detecção de incidentes críticos presentes no sistema. Prevenção e correção
dos riscos antes que os mesmos se manifestem através de eventos
catastróficos
|
Análise de
Arvores de Falhas (AAF)
|
Análise e prevenção de qualquer evento indesejável, determinação de
confiabilidade de sistemas
|
Indicar um
evento indesejado no sistema, denominado “evento topo”, assim chamado porque é colocado na parte
mais alta da “árvore”. A partir do evento topo, o sistema é dissecado de cima
para baixo, até se chegar à causa ou combinações de causa do evento
indesejado (maioria das vezes é uma falha de graves conseqüências)
|
Permite a determinação da seqüência mais critica ou
provável de eventos
|
What-If/Checklist
|
Identificação no tratamento de riscos
|
É um procedimento de revisão de riscos de processos
que se desenvolve através de reuniões de questionamento de procedimentos,
instalações, etc. de um processo, gerando também soluções para os problemas
levantados. Utiliza-se de uma sistemática técnico-administrativa que inclui
princípios de dinâmica de grupos. É reaplicado periodicamente.
|
Possui uma estruturação e sistemática que o torna um instrumento eficiente na
detecção de riscos
|
AVALIAÇÃO DE
RISCOS
É um exercício
orientado para a quantificação da perda máxima provável do sistema (instalação,
equipamento, etc), utilizando a
estatística. Neste tópico é extremamente importante que a empresa tenha um
banco de dados de acidentes/incidentes, para que a análise do período histórico
de acidentes tenha consistência.
Quanto ao trabalho
de quantificação da gravidade das perdas potenciais (perdas monetárias),
depende de um bom trabalho de identificação e análise de risco, além de conhecimento da formação de custos
dos produtos, processos e meios de produção
Tratamento de
Riscos
Com os riscos
identificados, analisados, avaliados,
estaremos conhecendo a vulnerabilidade da empresa e preparando as
estratégias para assumir alguns riscos e transferir outros riscos (contratação
de seguros)
Após a identificação da vulnerabilidade da empresa
em relação aos riscos existentes, colocamos em prática as soluções encontradas
para atenuação desses riscos e efetuamos
o controle, buscando a melhoria das soluções implementadas.
Fonte: Os Riscos
Empresariais e a Gerência de Riscos, Engenheiros Francesco M.G.A.F. De Cicco e
Mario Luiz Fantazzini
Marcadores: gerenciamento de riscos

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