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quarta-feira, julho 08, 2026
TORNADO EM HUBEI, CHINA
Devastação em Hubei Na noite de segunda-feira, 6
de julho de 2026, um evento meteorológico severo, extraordinariamente raro e
devastador, atingiu a província de Hubei, na região central da China. Um
tornado poderoso e violento, do tipo "wedge" (tornado largo, em forma
de cunha), atravessou áreas urbanas e industriais densamente povoadas, causando
destruição generalizada.
Impacto e Vítimas
O tornado atingiu
principalmente a área de Huanggang–Ezhou, bem como partes de Huangshi e
Xianning.
Vítimas: Pelo menos 11 mortes
foram confirmadas, mais de 330 pessoas ficaram feridas e pelo menos uma pessoa
continua desaparecida.
Um homem de 30 anos foi
arrastado para fora do apartamento onde morava, no 12º andar de um prédio,
durante a passagem de um tornado que atingiu a província de Hubei, no centro da
China.
O homem estava em um
apartamento na cidade de Huanggang quando ventos de até 260 km/h arrancaram
móveis, pertences e parte da estrutura do imóvel. De acordo com a imprensa
local, ele foi arremessado para fora do apartamento junto com os objetos e
sobreviveu, mas precisou ser internado em uma unidade de terapia intensiva
(UTI).
Danos Estruturais: Ventos de
alta intensidade (atingindo até 149 km/h, equivalentes a ventos de força 13 na
escala Beaufort) danificaram gravemente ou derrubaram mais de 4.800 casas.
Grandes parques logísticos, armazéns e fábricas da região foram atingidos
diretamente; há relatos de caminhões pesados que foram erguidos no ar e
arremessados a até 30 metros de distância.
População Afetada: Cerca de
14.600 pessoas foram diretamente impactadas pelas tempestades em toda a região.
Devastação em Huanggang
Por que aconteceu
Tornados são historicamente
muito raros na província de Hubei, que é um grande polo industrial, automotivo
e tecnológico. Meteorologistas locais observaram que o último grande tornado a
atingir a província ocorreu em maio de 2021.
A onda de tempestades de 6 de
julho foi desencadeada por um intenso fenômeno de "tempo convectivo
severo" — uma combinação repentina e altamente volátil de calor intenso, umidade
e padrões de vento variáveis. Essa instabilidade atmosférica extrema foi
significativamente alimentada por sistemas meteorológicos tropicais próximos,
incluindo os remanescentes da Tempestade Tropical Maysak e as bandas externas
do Supertufão Bavi, que se aproximava.
Resposta em andamento
Uma operação abrangente de
resgate e emergência está em curso. Milhares de equipes de resposta rápida,
bombeiros e trabalhadores de serviços públicos foram mobilizados para buscar
sobreviventes entre os escombros, desobstruir estradas e restabelecer o
fornecimento de eletricidade nas localidades afetadas. Enquanto isso, órgãos de
meteorologia alertaram os moradores para que permaneçam atentos, à medida que a
região se prepara para novas chuvas torrenciais. Fontes: Xinhua News; 07/07/2026; UOL, em São Paulo - 07/07/2026
A cidade de São Paulo
enfrentou uma ventania considerada inédita pelos meteorologistas: é a primeira
vez que rajadas tão fortes atingem a capital sem a presença de chuva ou
temporais. O vento começou ainda pela manhã da quarta‑feira (10/12/) e seguiu
intenso até a noite, algo que também chamou a atenção do Instituto Nacional de
Meteorologia (Inmet).
De acordo com meteorologistas,
a longa duração do vendaval surpreende especialistas e não tem precedentes na
capital paulista.
Desde as 9h, na quarta, as
rajadas ultrapassaram 75 km/h em diversos bairros. No Mirante de Santana, na
Zona Norte, o Inmet registrou ventos de 80 km/h. A maior rajada do dia foi
registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) na Lapa, Zona
Oeste, e chegou a 98,1 km/h. É a maior velocidade desde 1963, quando o Inmet
começou essa medição.
Os ventos fortes deixaram um
rastro de destruição na capital e região metropolitana de São Paulo: mais de 2
milhões de imóveis sem luz, queda de 151 árvores, fechamento de parques, voos
cancelados e até consultas em hospital precisaram ser canceladas.
O responsável pelo vendaval é
um ciclone extratropical que atua no litoral do Rio Grande do Sul. Embora longe
de São Paulo, o sistema tem grande área de influência — e por isso ventou tanto
na cidade, segundo meteorologistas.
MUDANÇA DE PADRÃO
Segundo Cesar Soares,
meteorologista do Climatempo, os dados confirmam uma mudança de padrão
climático na região metropolitana de São Paulo.
“Essas rajadas de vento que
antes eram valores inusitados, extremos, vão passar a ser frequentes. Com mais
energia na atmosfera, mais aquecimento e mais calor retido, a gente terá
condições cada vez mais severas e intensas”, disse Soares.
O especialista explica que,
nos anos 2000, linhas de instabilidade capazes de provocar ventos tão fortes
eram raras, mas passaram a se repetir anualmente.
“Agora a gente está vendo com
frequência. Está acontecendo pelo menos uma ou duas vezes ao longo de cada ano.
Os últimos anos têm registrado rajadas cada vez mais intensas”, afirmou.
O QUE ACONTECEU
O polo industrial da Mooca,
SP, é formado por 228 empresas e gera 16
mil empregos diretos. São empresas de diversos segmentos, incluindo da
metalurgia, elétrica, plástico, de beneficiamento de vidro e peças agrícolas.
Indústrias são afetadas desde
o início da tarde de ontem. Das 228 empresas que formam o polo industrial,
apenas cerca de 30% têm geradores, que estão ficando sem combustível.
"Agora, praticamente todas estão sem energia. Um caos absurdo, nosso polo
está parado", lamentou o presidente do grupo, Anderson Festa.
Associação do polo industrial
estima prejuízo diário de R$ 50 milhões. "O prejuízo deve chegar a esse
valor a cada 24 horas sem energia. Mas não estão nessa conta os custos com
multas por atrasos de fornecimento e horas extras para equalizar a carga de
trabalho", disse Festa.
Grande SP tem 1,3 milhão de
imóveis sem luz
Até 10/12, a noite, eram 2,2 milhões de clientes sem
energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse
número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a
madrugada para resolver a situação.
Só na capital paulista, são mais
de 900 mil unidades consumidoras sem o serviço. Isso significa que cerca de 16%
da cidade segue afetada, uma vez que a concessionária atende 5,8 milhões de
imóveis no território.
ANEEL NOTIFICA ENEL
A Aneel (Agência Nacional de
Energia Elétrica) notificou a Enel na tarde de ontem e pediu esclarecimentos
sobre o apagão. Segundo a agência, a concessionária já sabia da formação do
ciclone extratropical que impulsionou a ventania, mas mesmo assim milhões
ficaram sem luz. Em nota, o órgão afirmou que a reincidência e a gravidade das
falhas podem configurar descumprimento contratual e levar até à recomendação de
caducidade da concessão.
A Enel informou que a área de
concessão foi afetada por fortes rajadas de vento. Por causa disso, em alguns
pontos a rede elétrica é atingida por objetos e galhos, o que prejudica o
fornecimento, além da queda de árvores. Em caso de falta de luz, a companhia
orienta que os clientes priorizem os canais digitais para agilizar o
atendimento.
Queda de arvores e logística
de reparos das redes
Os fortes ventos e chuvas que
atingiram São Paulo causaram quedas de árvores e destruição da infraestrutura
elétrica, afirmou Marcelo Puertas, diretor regional da Enel São Paulo. A queda
de árvores derrubou postes, redes e transformadores, exigindo reconstrução
completa em vários pontos. "Quando cai uma árvore, ela derruba o poste,
ela derruba a rede, ela derruba o transformador, e a gente tem que reconstruir
a rede, não se trata de uma emenda de cabo ou uma atividade simples. É uma
atividade extremamente complexa", explicou Puertas.
A logística para o reparo
envolve transporte de equipamentos pesados e mobilização de equipes. "Nós
temos toda uma logística de atendimento na cidade, mas imagina que eu tenho que
voltar para a base operacional, pegar todos esses equipamentos, um poste, para
vocês terem uma ideia, ele pesa 1.500 quilos e precisa de guindaste",
detalhou o diretor.
A Enel mobilizou 1.600
equipes para atuar desde o início dos problemas. "Nós estamos trabalhando
desde ontem, nós estávamos preparados para esse efeito, a gente sabia que esse
evento ia acontecer e a gente trabalhou com 1.600 equipes ontem e a gente
repete esse número para hoje para fazer todo o restabelecimento", afirmou
Puertas.
POR QUE A RECONSTRUÇÃO LEVA
TEMPO
A reconstrução da rede
elétrica é um processo demorado por envolver desafios técnicos e de segurança.
Além da necessidade de substituir postes e transformadores, a Enel explica que
o trabalho só pode ser feito após a remoção segura de árvores e avaliação de
riscos de novas quedas ou deslizamentos.
O atendimento simultâneo a
múltiplos pontos afetados dificulta a priorização dos reparos. Segundo relatos
da Enel, a extensão dos danos e as condições climáticas adversas tornam o
serviço mais lento, mesmo com reforço de equipes.
CONSEQUENCIAS
·Até 10/12, a noite, eram 2,2 milhões de clientes sem
energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse
número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a
madrugada para resolver a situação.
·Mais de 48 horas
após terem ficado sem energia, milhares de moradores de São Paulo continuam sem
previsão de retorno do serviço. A Enel passou a classificar esses casos como
"alta complexidade" e não informa mais prazo para solucionar o
problema.
·Cerca de 700 mil
imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo após
a passagem de um ciclone extratropical.
·Dois dias após o
início do apagão causado pela passagem de um ciclone extratropical, mais de 619
mil imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo
na madrugada de sexta-feira (12).
·A falta de energia
também afetou o abastecimento de água.
·CET (Companhia de
Engenharia de Tráfego) informou que 218 semáforos estão apagados pela falta de
energia.
·Voos cancelados: Ao
menos 80 voos foram cancelados na manhã desta quinta-feira (11) nos aeroportos
de Guarulhos e Congonhas. Já são 15 no primeiro e 67 no segundo. Os
cancelamentos seguem pelo 2º dia, com 380 voos ao total entre ontem e hoje,
reflexo de ventos intensos.
·Mais de 50 horas
depois do vendaval, a Região Metropolitana ainda tem 689 mil imóveis às
escuras, segundo o boletim publicado pela concessionária Enel às 12h de sexta-feira
(12). No pico, na quarta (10), o apagão atingiu 2,2 milhões de imóveis.
·A falta de
energia afeta serviços essenciais, como semáforos, abastecimento de água e mobilidade
urbana. Já os aeroportos de Congonhas, na capital, e de Guarulhos, que tiveram
dias de caos e cancelamentos, estão com operação normalizada.
·O fim de semana
começou com meio milhão de imóveis sem luz. Até a última atualização, de 15h52,
eram 363.829 imóveis afetados. Na quarta-feira (10), eram 2,2 milhões afetados.
·Só na capital
paulista, são 263.367 pontos sem o serviço. Isso significa que 4,53% do
território segue sem luz.
·Na região
metropolitana, Embu-Guaçu é o município que enfrenta a situação mais crítica.
No local, há 13.962 imóveis sem energia, o equivalente a 61% dos clientes sem
luz.
·Quatro dias após
a passagem de um ciclone extratropical por São Paulo, a Enel disse que
restabeleceu, na manhã de 13/12, a energia para 99% dos clientes que tiveram o
fornecimento. Mais de 95 mil imóveis na região metropolitana seguem sem luz.
·Na cidade de São
Paulo, mais de 56 mil clientes estão sem energia elétrica, de acordo com a
Enel. O balanço é das 15h30 deste domingo (14).
·Mais de 160 mil
imóveis seguem sem luz na grande SP
·Em razão da falta
de energia elétrica, foram registrados prejuízos milionários ao comércio e
danos incontáveis ao consumidor. Remédios e alimentos foram descartados prematuramente
ao longo dos últimos dias.
·Em 15/12, a cidade de São Paulo, que tem o maior
contingente de clientes, é a região que mais sofre: são quase 39 mil
consumidores às escuras. Mais cidades da Grande São Paulo também continuam
sendo atingidas. Em Itapevi, dos 98 mil consumidores, há 893 sem energia. É
quase 1% do total. Ao todo, nesta manhã, 0,64% dos clientes está sem energia.
·A Enel divulgou
um comunicado de manhã, 15/12, informando que havia conseguido restabelecer o
padrão de normalidade de sua operação. Diz ainda que suas equipes de reparo
continuam nas ruas trabalhando para restabelecer o serviço.
·A concessionária
explicou também que há uma variação normal ao longo do dia no número de
clientes sem energia. “Enquanto equipes
restabelecem o fornecimento em alguns pontos, novas ocorrências podem ser
registradas em outros trechos da rede, seja por fatores climáticos, objetos
arremessados sobre a rede ou manobras técnicas necessárias para a execução dos
reparos”.
PREJUÍZO NO COMÉRCIO
Comércio e serviços já
perderam ao menos R$ 1,54 bilhão em faturamento entre a quarta-feira (11) e a
quinta (12) na cidade de São Paulo por causa da falta de eletricidade, segundo
levantamento feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do
Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O prejuízo é maior para os
serviços, que deixaram de faturar pouco mais de R$ 1 bilhão nesse período,
enquanto o comércio perdeu R$ 511 milhões.
O prejuízo para o setor de
bares, restaurantes e hotéis, por conta do apagão em São Paulo, pode chegar a
R$ 100 milhões, segundo estimativa da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares
do Estado de São Paulo (Fhoresp).
A entidade calcula que 5 mil
estabelecimentos foram atingidos pela falta de energia na capital, municípios
da região metropolitana e parte do interior devido às chuvas e fortes ventos.
Os danos incluem perda de equipamentos, de alimentos e de clientes. A Fhoresp
representa cerca de 500 mil estabelecimentos no estado e mais de 20 sindicatos
patronais.
Fontes: g1 SP - 11/12/2025; UOL,
em São Paulo - 11/12/2025; Folha de São Paulo - 12.dez.2025; g1 SP - 14/12/2025; Agência Brasil - 15/12/2025
TEMPESTADE ARRASA FÁBRICA DE MOTORES DA TOYOTA EM PORTO FELIZ (SP)
Um forte temporal atingiu
Porto Feliz (SP), a 130 km da capital paulista, na tarde segunda feira (22/9),
causando grandes estragos e atingindo em cheio a fábrica de motores da Toyota.
A ventania arrancou quase todo o telhado do galpão, entortou estruturas
metálicas e chegou a capotar um carro no pátio da unidade.
A tempestade fez parte de uma
frente fria que avançou pelo interior paulista e causou estragos em várias
cidades, como Itu, Salto, Tietê e Sorocaba. Em Porto Feliz, as rajadas chegaram
a 90 km/h, segundo a Defesa Civil, mas, pela dimensão dos danos, é provável que
os ventos tenham superado os 100 km/h, de acordo com o site MetSul
Meteorologia.
DANOS MATERIAIS
Imagens gravadas por
funcionários da Toyota mostram a força da ventania, arrancando telhados
inteiros, entortando colunas de ferro e espalhando destroços por toda a área
externa da fábrica.
A estrutura do telhado foi
parar do lado de fora da empresa e em áreas que ficam a até seis quilômetros de
distância. Aomenos sete veículos que
estavam estacionados na fábrica ficaram destruídos. Um deles foi encontrado
capotado. A guarita também foi levada com a força do vento.
ESTADO DE EMERGÊNCIA
Diante da situação, a
Prefeitura de Porto Feliz decretou estado de emergência. A cidade também
registrou quedas de árvores, falta de energia elétrica e destelhamento de
residências.
VÍTIMAS
De acordo com o Corpo de
Bombeiros, dez pessoas ficaram levemente feridas. Todas estavam conscientes e
foram levadas para atendimento em veículos da própria empresa. Não houve
registro de vítimas graves, mas o local continua interditado para vistoria da
Defesa Civil.
INTERRUPÇÃO
A Toyota do Brasil informou
que interrompeu a produção na fábrica, que ficará fechada por tempo
indeterminado.
Como a Toyota não trabalha
com estoque de produtos, um comunicado foi emitido para os funcionários da
planta de Sorocaba informando que alguns setores terão as atividades
paralisadas nos três turnos devido à interrupção da produção em Porto Feliz.
Segundo a Toyota, a
tempestade causou estragos consideráveis na fábrica de motores. Imagens
divulgadas por funcionários mostram o local alagado, com o teto da estrutura
arrancado pelos fortes ventos.
A fábrica afirmou que o
incidente afetou a produção em Sorocaba e Indaiatuba, onde será fabricado o
Yaris Cross e também são produzidos outros modelos da marca, como Corolla e
Corolla Cross, além do Yaris comercializado para exportação. Ao todo são cerca
de 6.700 funcionários nas três fábricas.
As três fábricas estão
paradas, sem previsão de retorno. Neste ano será quase impossível retomar as
atividades. Mais de 90% da fábrica de Porto Feliz ficaram destruídos.
TOYOTTA
Inaugurado em maio de 2016, o
complexo da Toyota em Porto Feliz foi o primeiro da marca a produzir motores na
América Latina. Instalado às margens da Rodovia Marechal Rondon, o local
recebeu um investimento inicial de R$ 580 milhões e emprega cerca de 700
pessoas.
A fábrica é responsável por
processos de fundição, usinagem e montagem de powertrain, tendo produzido
motores para Etios e Yaris. Atualmente, fornece os conjuntos que equipam os
modelos Corolla e Corolla Cross fabricados em Sorocaba. A capacidade instalada
é de 108 mil unidades por ano, com tecnologia considerada entre as mais
avançadas do grupo no mundo.
A unidade emprega cerca de
700 pessoas e produz mais de 100 mil motores por ano, incluindo variantes
híbridas flex.
MICROEXPLOSÃO: O QUE É O
FENÔMENO CLIMÁTICO QUE DESTRUIU FÁBRICA DA TOYOTA
Depois de dias e de diversas
análises, satélites e imagens da área atingida, a Defesa Civil de São Paulo
constatou que a destruição da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP)
foi causada pela chamada 'microexplosão atmosférica'. Mas no que consiste esse
evento climático?
O meteorologista Franco
Vilela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) faz um breve resumo.
"É quando uma camada de ar, no interior de uma nuvem de tempestade, sofre
um intenso e rápido resfriamento e praticamente despenca de altitudes elevadas,
acelerando em direção ao solo, onde chega à superfície como ventos muito
intensos".
O nome vem do inglês
microbursts ou downburts, que na tradução por aqui também pode ser chamada de
'rajadas descendentes'. O meteorologista da Defesa Civil de São Paulo, Ernesto
Alvin Grammelsbacher, detalha que a microexplosão é o colapso de uma corrente
de ar dentro de uma tempestade.
A formação ocorre dentro de
uma nuvem de tempestade (cumulonimbus) já madura. Fortes correntes de ar
ascendentes dentro da nuvem sustentam gotas de chuva e granizo. Às vezes, ar
seco do ambiente entra na nuvem e provoca a evaporação das gotas de chuva. A
evaporação é um processo que "rouba" calor, resfriando o ar ao redor
muito rapidamente.
O ar frio, por sua vez, é
mais denso e pesado que o ar quente. Então essa "bolha" de ar frio e
pesado despenca em direção ao solo em alta velocidade, formando uma corrente
descendente (conhecida como downdraft). Ao atingir o solo, essa coluna de ar
não tem para onde ir a não ser para os lados. Ela se espalha violentamente em
todas as direções, como a água de um balão que estoura no chão, gerando ventos
horizontais devastadores.
Grammelsbacher completa ainda
dizendo que a destruição pode ser "linha reta ou em formato de
estrela". Objetos são empurrados e derrubados em uma direção, a partir de
um ponto central.
A explicação vai ao encontro
do relato e dos estudos feito pelo órgão, onde a cidade foi atingida por fortes
ventos, com rajadas de até 99 km/h, segundo a Defesa Civil. A força do vendaval
destruiu o telhado da unidade fabril, que fica às margens da Rodovia Marechal
Rondon. Pedaços da estrutura foram encontrados a mais de 6 km de distância.
O meteorologista detalha que
esse fenômeno é "muitas vezes invisível e associado a uma cortina de chuva
intensa ou poeira que se espalha rapidamente no solo". Já a duração é
curta, de 5 a 15 minutos, mas pode impactar uma área de até 4 km de diâmetro.
Grammelsbacher faz outro
adendo. "São ventos horizontais extremamente fortes e súbitos,
especialmente perigosos para a aviação durante pousos e decolagens",
alerta.
Não era tornado?
A informação inicial era que
a região da fábrica de Porto Feliz (SP) tivesse sido atingida por um tornado.
"Embora ambos sejam fenômenos meteorológicos são classificados com tempestade
severa e capazes de causar grande destruição, a microexplosão atmosférica e o
tornado são fundamentalmente diferentes em sua formação, estrutura e no tipo de
dano que provocam", explica o meteorologista da Defesa Civil.
A principal diferença, de forma
resumida, está na direção do vento. A microcroexplosão é "uma corrente de
ar descendente extremamente forte que se choca contra o solo e se espalha em
todas as direções. Os ventos são em linha reta e para fora (divergentes)".
Já o tornado "é uma coluna de ar em rotação violenta que se estende de uma
nuvem de tempestade até o solo. Os ventos são rotacionais e para dentro/cima
(convergentes).
Grammelsbacher ensina ainda
que o movimento do vento de um tornado é ascendente e rotacional - ou seja,
para cima e em círculo. A aparência visual é de funil visível saindo da base
das nuvens e estendendo-se até o chão. O tornados geralmente deixam um "rastro
de destruição caótico e convergente, com objetos torcidos, arrancados e
arremessados em múltiplas direções".
O que aconteceu
Segundo a Toyota, a chuva de
segunda-feira(25/09) causou estragos
consideráveis na fábrica de motores em Porto Feliz. Imagens divulgadas por
funcionários mostram o local alagado, com o teto da estrutura arrancado pelos
fortes ventos.
A marca afirmou que o
incidente em Porto Feliz afetou a produção da Toyota em Sorocaba e Indaiatuba,
onde será fabricado o Yaris Cross e também são produzidos outros modelos da
marca, como Corolla e Corolla Cross, além do Yaris comercializado para
exportação. Ao todo são cerca de 6.700 funcionários nas três fábricas.
A Toyota informa, ainda, que,
"em uma primeira análise, a retomada da planta de motores deverá levar
meses" e "está buscando alternativas de fornecimento de motores junto
a unidades [da empresa] em outros países, com o objetivo de retomar a produção
de veículos nas plantas de Sorocaba e Indaiatuba".
O lançamento do Yaris Cross
estava programado para o fim de outubro. A Toyota afirma que uma nova data será
comunicada em breve.
Devido aos estragos, a
fábrica de Porto Feliz foi isolada para vistoria da Defesa Civil. A montadora
informou que não há prazo para retomada das atividades.
A unidade emprega cerca de
700 pessoas e produz mais de 100 mil motores por ano, incluindo variantes
híbridas flex.
TOYOTA VÊ DESAFIOS PARA
RECONSTRUIR FÁBRICA
A fábrica de motores da marca
japonesa no interior de São Paulo foi inaugurada em 2016 ao custo de R$ 580
milhões e com capacidade para produzir 170 mil motores por ano. À época,
produzia os propulsores 1.3 e 1.5 aspirados para o compacto Etios, vendido no
Brasil e Argentina, além de Peru e Uruguai - depois usada na gama do Yaris,
descontinuado no Brasil e que seguia sendo produzido em Sorocaba para
exportação.
Anos depois, Porto Feliz
recebeu outro aporte, dessa vez de R$ 600 milhões, para a produção do 2.0
Dynamic Force aspirado e bicombustível que atualmente equipa a linha Corolla -
esse motor será importado de outras fábricas da Toyota para a produção das
versões convencionais a partir de janeiro do ano que vem.
RETORNO AS ATIVIDADES
A Toyota retomará
gradualmente a produção no Brasil após a tempestade destruir sua fábrica de
motores, afetando significativamente a estrutura.
A reconstrução da fábrica
está prevista para 2026, e o seguro cobrirá os custos das obras, incluindo
recuperação de danos materiais e maquinário afetado.
Desafios incluem reposição de
maquinário importado, que pode atrasar devido à necessidade de encomenda e
transporte internacional
QUANTO VAI CUSTAR
RECONSTRUÇÃO?
Por fim, Orlandini diz que é
difícil estimar o prejuízo e os valores para reconstruir a planta destruída. O
montante de mais de R$ 1 bilhão gasto na construção e expansão há dez anos,
hoje custaria ao menos o dobro para construir novamente, de acordo com as
correções monetárias vigentes. Fontes:
UOL 26/09/2025; UOL 07/10/2025
COMO 'A CHUVA DO MILÊNIO' OBRIGOU COPENHAQUE A SE TRANSFORMAR
Embora seja uma das
rotatórias mais movimentadas do leste de Copenhague, o ar em Sankt Kjelds Plads
não é pesado, não tem o cheiro e a textura dos gases de escape. E, em vez do rugido
dos motores, a paisagem sonora é caracterizada pelo som melodioso produzido por
pássaros.
A rotatória, que é cercada
por arbustos e árvores, faz parte de um experimento em grande escala para
transformar os espaços públicos da capital dinamarquesa. A ideia é tornar
Copenhague mais "habitável", criando locais para os cidadãos se
encontrarem e um habitat para a biodiversidade, ao mesmo tempo em que cria
engrenagens em uma máquina de controle de enchentes.
CHUVA DO MILÊNIO
Essa transformação foi
desencadeada pelos eventos de 2 de julho de 2011, quando Copenhague foi
atingida pelo que foi apelidado de "a chuva do milênio".
O aguaceiro maciço causou
inundação de ruas e casas. E, sem ter para onde escoar, a água permaneceu por
dias. Ratos mortos foram vistos flutuando pela cidade, e uma pesquisa posterior
revelou que durante os trabalhos de limpeza um quarto dos trabalhadores do
saneamento foi infectado com doenças como a leptospirose. Um deles até morreu.
Nos sete anos seguintes, esse
tipo de tempestade começou a se tornar cada vez mais comum, com quatro eventos
de "chuvas do século" registrados nesse período. Isso custou à cidade
pelo menos 800 milhões de euros (R$ 4,3 bilhões) em prejuízos, deixando claro
para os formuladores de políticas públicas que era hora de repensar a capital
dinamarquesa.
DESIGN URBANO INSPIRADO NA
ESPONJA
Nos últimos séculos, o foco
do desenvolvimento urbano em lugares como Copenhague foi a criação de
"cidades-máquina" que pudessem ser construídas rapidamente e fossem
eficientes para habitação, indústria e economia. Mas muitos desses centros
urbanos acabaram interferindo no ciclo da água, especialmente aqueles que
modificaram leitos de rios ou foram construídos sobre planícies aluviais.
Com o concreto e o asfalto
cobrindo áreas antes destinadas à grama e ao solo, a água das chuvas mais
fortes ficou sem ter para onde ir. Com muita frequência, isso resulta em
enchentes, e cidades do mundo todo estão explorando maneiras de reverter esse
tipo de desenvolvimento urbano. E elas fazem isso se transformando em
"esponjas" urbanas.
Em outras palavras, essas
cidades estão criando espaços e infraestrutura para absorver, reter e liberar a
água de forma a permitir que ela flua de volta para seu ciclo.
A China está na liderança,
com mais de 60 de suas cidades sendo reformadas e agora incorporando estruturas
como biovaletas e jardins de chuva para reter a água. Jan Rasmussen, chefe do
"Cloudburst Master Plan" (plano diretor para tempestades) de Copenhague,
também viu potencial para a Dinamarca.
"Nossos políticos decidiram
que há realmente uma necessidade de escoar a água da cidade muito
rapidamente", disse Rasmussen. "Eles perguntaram se poderíamos fazer
isso de forma inteligente, se poderíamos expandir o sistema de esgoto.
Poderíamos lidar com as chuvas na superfície?"
ABSORVENDO A ÁGUA DA CHUVA
Tendo estudado projetos de
cidades-esponja em todo o mundo, a equipe de Rasmussen pensou na remodelação de
cerca de 250 espaços públicos de forma a ajudar na retenção ou redirecionamento
de águas pluviais, incluindo parques, parques infantis e a rotatória Sankt
Kjelds Plads.
A ideia é usar a capacidade
natural de retenção das árvores, dos arbustos e do solo e deixar a água pluvial
fluir para locais onde não seja destrutiva.
Uma dúzia de lagos que
margeiam a rotatória foi então projetada de forma a reter o excesso de água da
chuva no caso de uma tempestade. Assim como outros lagos semelhantes espalhados
pela cidade e aberturas largas nas laterais de ruas baixas, eles servem para
canalizar a água da enchente para uma rede de túneis que está sendo instalada
20 metros abaixo da superfície.
Durante uma chuva
"normal", as águas pluviais são direcionadas para o porto por meio
desse sistema de drenagem. No entanto, quando há um excesso, como em um cenário
de tempestade, uma estação de bombeamento no porto entrará em ação, forçando
para o mar a água acumulada nos túneis, criando assim espaço para mais água da
chuva e evitando que as ruas sejam inundadas. Essa estação está sendo construída
atualmente e estará pronta em 2026.
Ainda haverá água nas ruas.
Quero dizer, elas não ficarão completamente secas. Mas passaremos de um metro
[de água de enchente] para no máximo 20 centímetros. Jes Clauson-Kaas,
engenheiro da Hofor, o departamento de gerenciamento de água responsável pela
construção do túnel
BENEFÍCIOS DE LONGO PRAZO
Parte do desafio é conseguir
a adesão dos moradores locais. E isso nem sempre é fácil quando se trata de
fechar parquinhos infantis ou os parques da cidade por longos períodos para
transformá-los em zonas de inundação, ou financiar os planos de adaptação
através de uma taxa extra nas contas de água.
Mas Clouson-Kaas diz que
equipar para o futuro uma cidade propensa a inundações faz sentido do ponto de
vista financeiro. "Perdemos cerca de 1 bilhão com esse único evento [em
2011], mas esperamos que haja vários eventos nos próximos 100 anos. Dizem que a
perda potencial pode ser de pelo menos 4 ou 5 bilhões de euros. Portanto, se
investirmos 2 bilhões de euros, ainda assim valerá a pena", disse ele.
Copenhague está em posição
—financeira e política— de investir nessa infraestrutura agora, em vez de lidar
com possíveis danos no futuro. A cidade se tornou um lugar na qual as outras
cidades buscam um exemplo para aprender sobre os benefícios de se criar uma
esponja urbana. Fonte: DW-05/03/2024
Tempestade destrói galpão de usina em Canitar e deixa mortos
Uma tempestade atingiu a cidade de Canitar (SP) e causou vários
estragos na sexta-feira, 25 de setembro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, um
galpão de usina de biocombustíveis desabou sobre trabalhadores.
A chuva e o vento forte ( 80 km/h) causaram outros estragos como queda
de árvores na cidade, que fica na região de Ourinhos. O Corpo de Bombeiros
acredita que um tornado tenha provocado os estragos.
VÍTIMAS
Dois mortos e oito feridos
PROVÁVEL TORNADO
O meteorologista José Carlos Figueiredo diz que há previsão
de tempestade na região onde aconteceu os estragos. Figueiredo informou que
formação de tornados é comum no começo da primavera pela mudança da estação
quente e seca, como é o inverno na região, para a estação chuvosa.
OURINHOS
Na rodovia Raposo Tavares foi interditado o trecho que passa
dentro de Ourinhos. Árvores caíram em cima de dois carros e outra foi parar no
meio da pista. A passagem dos carros foi interrompida no sentido
interior-capital e o fluxo teve que ser desviado.
A Defesa Civil registrou estragos em outros pontos da
cidade. Outras árvores foram arrancadas com a força do vento e foi necessário o
trabalho de vários homens para remover os galhos. A marquise do cemitério da
Saudade também não resistiu. As telhas ficaram pelo chão.
MARÍLIA
Uma chuva forte e rápida também atingiu a cidade de Marília
(SP) na tarde de sexta-feira. Na região central, o temporal chegou a derrubar
motocicletas e galhos de árvores. Em outras regiões da cidade, como na zona
leste e próximo ao Hospital das Clínicas, choveu granizo. Segundo os bombeiros,
nenhuma ocorrência grave foi registrada na cidade.
PEREIRA BARRETO
Uma forte tempestade atingiu a cidade de Pereira Barreto (SP) no
fim da tarde de sexta-feira, 25 de setembro, e acabou assustando os moradores
da cidade.
De acordo com as informações dos bombeiros, dois funcionários de uma
cooperativa foram atingidos pela torre de um silo que teria desabado por causa
da chuva forte e vento e um deles morreu
no local. O outro foi socorrido com ferimentos na perna
MARACAÍ
O restaurante de um posto de combustíveis que fica na beira
da rodovia Raposo Tavares, em Maracaí, ficou completamente destelhado depois de
ser atingido por um vendaval. Segundo o gerente do posto, o vendaval começou
antes da chuva, e as telhas caíram na lateral do restaurante, em cima do
disjuntor de energia, deixando o local sem luz. Duas placas de propaganda
também caíram, mas ninguém se feriu. Fonte: G1-25/09/2015