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sexta-feira, dezembro 19, 2025

SP TEM O MAIOR VENDAVAL SEM CHUVA DA HISTÓRIA


 A cidade de São Paulo enfrentou uma ventania considerada inédita pelos meteorologistas: é a primeira vez que rajadas tão fortes atingem a capital sem a presença de chuva ou temporais. O vento começou ainda pela manhã da quarta‑feira (10/12/) e seguiu intenso até a noite, algo que também chamou a atenção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com meteorologistas, a longa duração do vendaval surpreende especialistas e não tem precedentes na capital paulista.

Desde as 9h, na quarta, as rajadas ultrapassaram 75 km/h em diversos bairros. No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Inmet registrou ventos de 80 km/h. A maior rajada do dia foi registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) na Lapa, Zona Oeste, e chegou a 98,1 km/h. É a maior velocidade desde 1963, quando o Inmet começou essa medição.

Os ventos fortes deixaram um rastro de destruição na capital e região metropolitana de São Paulo: mais de 2 milhões de imóveis sem luz, queda de 151 árvores, fechamento de parques, voos cancelados e até consultas em hospital precisaram ser canceladas.

O responsável pelo vendaval é um ciclone extratropical que atua no litoral do Rio Grande do Sul. Embora longe de São Paulo, o sistema tem grande área de influência — e por isso ventou tanto na cidade, segundo meteorologistas.

MUDANÇA DE PADRÃO

Segundo Cesar Soares, meteorologista do Climatempo, os dados confirmam uma mudança de padrão climático na região metropolitana de São Paulo.

“Essas rajadas de vento que antes eram valores inusitados, extremos, vão passar a ser frequentes. Com mais energia na atmosfera, mais aquecimento e mais calor retido, a gente terá condições cada vez mais severas e intensas”, disse Soares.

O especialista explica que, nos anos 2000, linhas de instabilidade capazes de provocar ventos tão fortes eram raras, mas passaram a se repetir anualmente.

“Agora a gente está vendo com frequência. Está acontecendo pelo menos uma ou duas vezes ao longo de cada ano. Os últimos anos têm registrado rajadas cada vez mais intensas”, afirmou.

O QUE ACONTECEU

O polo industrial da Mooca, SP,  é formado por 228 empresas e gera 16 mil empregos diretos. São empresas de diversos segmentos, incluindo da metalurgia, elétrica, plástico, de beneficiamento de vidro e peças agrícolas.

Indústrias são afetadas desde o início da tarde de ontem. Das 228 empresas que formam o polo industrial, apenas cerca de 30% têm geradores, que estão ficando sem combustível. "Agora, praticamente todas estão sem energia. Um caos absurdo, nosso polo está parado", lamentou o presidente do grupo, Anderson Festa.

Associação do polo industrial estima prejuízo diário de R$ 50 milhões. "O prejuízo deve chegar a esse valor a cada 24 horas sem energia. Mas não estão nessa conta os custos com multas por atrasos de fornecimento e horas extras para equalizar a carga de trabalho", disse Festa.

Grande SP tem 1,3 milhão de imóveis sem luz

Até 10/12, a  noite, eram 2,2 milhões de clientes sem energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a madrugada para resolver a situação.

Só na capital paulista, são mais de 900 mil unidades consumidoras sem o serviço. Isso significa que cerca de 16% da cidade segue afetada, uma vez que a concessionária atende 5,8 milhões de imóveis no território.

ANEEL NOTIFICA ENEL

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) notificou a Enel na tarde de ontem e pediu esclarecimentos sobre o apagão. Segundo a agência, a concessionária já sabia da formação do ciclone extratropical que impulsionou a ventania, mas mesmo assim milhões ficaram sem luz. Em nota, o órgão afirmou que a reincidência e a gravidade das falhas podem configurar descumprimento contratual e levar até à recomendação de caducidade da concessão.

A Enel informou que a área de concessão foi afetada por fortes rajadas de vento. Por causa disso, em alguns pontos a rede elétrica é atingida por objetos e galhos, o que prejudica o fornecimento, além da queda de árvores. Em caso de falta de luz, a companhia orienta que os clientes priorizem os canais digitais para agilizar o atendimento.

Queda de arvores e logística de reparos das redes

Os fortes ventos e chuvas que atingiram São Paulo causaram quedas de árvores e destruição da infraestrutura elétrica, afirmou Marcelo Puertas, diretor regional da Enel São Paulo. A queda de árvores derrubou postes, redes e transformadores, exigindo reconstrução completa em vários pontos. "Quando cai uma árvore, ela derruba o poste, ela derruba a rede, ela derruba o transformador, e a gente tem que reconstruir a rede, não se trata de uma emenda de cabo ou uma atividade simples. É uma atividade extremamente complexa", explicou Puertas.

A logística para o reparo envolve transporte de equipamentos pesados e mobilização de equipes. "Nós temos toda uma logística de atendimento na cidade, mas imagina que eu tenho que voltar para a base operacional, pegar todos esses equipamentos, um poste, para vocês terem uma ideia, ele pesa 1.500 quilos e precisa de guindaste", detalhou o diretor.

A Enel mobilizou 1.600 equipes para atuar desde o início dos problemas. "Nós estamos trabalhando desde ontem, nós estávamos preparados para esse efeito, a gente sabia que esse evento ia acontecer e a gente trabalhou com 1.600 equipes ontem e a gente repete esse número para hoje para fazer todo o restabelecimento", afirmou Puertas.

POR QUE A RECONSTRUÇÃO LEVA TEMPO

A reconstrução da rede elétrica é um processo demorado por envolver desafios técnicos e de segurança. Além da necessidade de substituir postes e transformadores, a Enel explica que o trabalho só pode ser feito após a remoção segura de árvores e avaliação de riscos de novas quedas ou deslizamentos.

O atendimento simultâneo a múltiplos pontos afetados dificulta a priorização dos reparos. Segundo relatos da Enel, a extensão dos danos e as condições climáticas adversas tornam o serviço mais lento, mesmo com reforço de equipes.

 

CONSEQUENCIAS

·        Até 10/12, a  noite, eram 2,2 milhões de clientes sem energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a madrugada para resolver a situação.

·        Mais de 48 horas após terem ficado sem energia, milhares de moradores de São Paulo continuam sem previsão de retorno do serviço. A Enel passou a classificar esses casos como "alta complexidade" e não informa mais prazo para solucionar o problema.

·        Cerca de 700 mil imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo após a passagem de um ciclone extratropical.  

·        Dois dias após o início do apagão causado pela passagem de um ciclone extratropical, mais de 619 mil imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo na madrugada de sexta-feira (12).

·        A falta de energia também afetou o abastecimento de água.  

·        CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que 218 semáforos estão apagados pela falta de energia.  

·        Voos cancelados: Ao menos 80 voos foram cancelados na manhã desta quinta-feira (11) nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas. Já são 15 no primeiro e 67 no segundo. Os cancelamentos seguem pelo 2º dia, com 380 voos ao total entre ontem e hoje, reflexo de ventos intensos.    

·        Mais de 50 horas depois do vendaval, a Região Metropolitana ainda tem 689 mil imóveis às escuras, segundo o boletim publicado pela concessionária Enel às 12h de sexta-feira (12). No pico, na quarta (10), o apagão atingiu 2,2 milhões de imóveis.

·        A falta de energia afeta serviços essenciais, como semáforos, abastecimento de água e mobilidade urbana. Já os aeroportos de Congonhas, na capital, e de Guarulhos, que tiveram dias de caos e cancelamentos, estão com operação normalizada.

·        O fim de semana começou com meio milhão de imóveis sem luz. Até a última atualização, de 15h52, eram 363.829 imóveis afetados. Na quarta-feira (10), eram 2,2 milhões afetados.

·        Só na capital paulista, são 263.367 pontos sem o serviço. Isso significa que 4,53% do território segue sem luz.

·        Na região metropolitana, Embu-Guaçu é o município que enfrenta a situação mais crítica. No local, há 13.962 imóveis sem energia, o equivalente a 61% dos clientes sem luz.

·        Quatro dias após a passagem de um ciclone extratropical por São Paulo, a Enel disse que restabeleceu, na manhã de 13/12, a energia para 99% dos clientes que tiveram o fornecimento. Mais de 95 mil imóveis na região metropolitana seguem sem luz.

·        Na cidade de São Paulo, mais de 56 mil clientes estão sem energia elétrica, de acordo com a Enel. O balanço é das 15h30 deste domingo (14).

·        Mais de 160 mil imóveis seguem sem luz na grande SP

·        Em razão da falta de energia elétrica, foram registrados prejuízos milionários ao comércio e danos incontáveis ao consumidor. Remédios e alimentos foram descartados prematuramente ao longo dos últimos dias.

·        Em 15/12, a  cidade de São Paulo, que tem o maior contingente de clientes, é a região que mais sofre: são quase 39 mil consumidores às escuras. Mais cidades da Grande São Paulo também continuam sendo atingidas. Em Itapevi, dos 98 mil consumidores, há 893 sem energia. É quase 1% do total. Ao todo, nesta manhã, 0,64% dos clientes está sem energia.

·        A Enel divulgou um comunicado de manhã, 15/12,  informando que havia conseguido restabelecer o padrão de normalidade de sua operação. Diz ainda que suas equipes de reparo continuam nas ruas trabalhando para restabelecer o serviço.

·        A concessionária explicou também que há uma variação normal ao longo do dia no número de clientes sem energia.  “Enquanto equipes restabelecem o fornecimento em alguns pontos, novas ocorrências podem ser registradas em outros trechos da rede, seja por fatores climáticos, objetos arremessados sobre a rede ou manobras técnicas necessárias para a execução dos reparos”.

PREJUÍZO NO COMÉRCIO

Comércio e serviços já perderam ao menos R$ 1,54 bilhão em faturamento entre a quarta-feira (11) e a quinta (12) na cidade de São Paulo por causa da falta de eletricidade, segundo levantamento feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O prejuízo é maior para os serviços, que deixaram de faturar pouco mais de R$ 1 bilhão nesse período, enquanto o comércio perdeu R$ 511 milhões.

O prejuízo para o setor de bares, restaurantes e hotéis, por conta do apagão em São Paulo, pode chegar a R$ 100 milhões, segundo estimativa da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp).

A entidade calcula que 5 mil estabelecimentos foram atingidos pela falta de energia na capital, municípios da região metropolitana e parte do interior devido às chuvas e fortes ventos. Os danos incluem perda de equipamentos, de alimentos e de clientes. A Fhoresp representa cerca de 500 mil estabelecimentos no estado e mais de 20 sindicatos patronais.

Fontes: g1 SP - 11/12/2025; UOL, em São Paulo - 11/12/2025; Folha de São Paulo - 12.dez.2025; g1 SP - 14/12/2025; Agência Brasil - 15/12/2025

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quinta-feira, outubro 16, 2025

TEMPESTADE ARRASA FÁBRICA DE MOTORES DA TOYOTA EM PORTO FELIZ (SP)

Um forte temporal atingiu Porto Feliz (SP), a 130 km da capital paulista, na tarde segunda feira (22/9), causando grandes estragos e atingindo em cheio a fábrica de motores da Toyota. A ventania arrancou quase todo o telhado do galpão, entortou estruturas metálicas e chegou a capotar um carro no pátio da unidade.

A tempestade fez parte de uma frente fria que avançou pelo interior paulista e causou estragos em várias cidades, como Itu, Salto, Tietê e Sorocaba. Em Porto Feliz, as rajadas chegaram a 90 km/h, segundo a Defesa Civil, mas, pela dimensão dos danos, é provável que os ventos tenham superado os 100 km/h, de acordo com o site MetSul Meteorologia.

DANOS MATERIAIS

Imagens gravadas por funcionários da Toyota mostram a força da ventania, arrancando telhados inteiros, entortando colunas de ferro e espalhando destroços por toda a área externa da fábrica.

A estrutura do telhado foi parar do lado de fora da empresa e em áreas que ficam a até seis quilômetros de distância. Ao  menos sete veículos que estavam estacionados na fábrica ficaram destruídos. Um deles foi encontrado capotado. A guarita também foi levada com a força do vento.

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Diante da situação, a Prefeitura de Porto Feliz decretou estado de emergência. A cidade também registrou quedas de árvores, falta de energia elétrica e destelhamento de residências.

VÍTIMAS

De acordo com o Corpo de Bombeiros, dez pessoas ficaram levemente feridas. Todas estavam conscientes e foram levadas para atendimento em veículos da própria empresa. Não houve registro de vítimas graves, mas o local continua interditado para vistoria da Defesa Civil.


INTERRUPÇÃO

A Toyota do Brasil informou que interrompeu a produção na fábrica, que ficará fechada por tempo indeterminado.

Como a Toyota não trabalha com estoque de produtos, um comunicado foi emitido para os funcionários da planta de Sorocaba informando que alguns setores terão as atividades paralisadas nos três turnos devido à interrupção da produção em Porto Feliz.

Segundo a Toyota, a tempestade causou estragos consideráveis na fábrica de motores. Imagens divulgadas por funcionários mostram o local alagado, com o teto da estrutura arrancado pelos fortes ventos.

A fábrica afirmou que o incidente afetou a produção em Sorocaba e Indaiatuba, onde será fabricado o Yaris Cross e também são produzidos outros modelos da marca, como Corolla e Corolla Cross, além do Yaris comercializado para exportação. Ao todo são cerca de 6.700 funcionários nas três fábricas.

As três fábricas estão paradas, sem previsão de retorno. Neste ano será quase impossível retomar as atividades. Mais de 90% da fábrica de Porto Feliz ficaram destruídos.

TOYOTTA

Inaugurado em maio de 2016, o complexo da Toyota em Porto Feliz foi o primeiro da marca a produzir motores na América Latina. Instalado às margens da Rodovia Marechal Rondon, o local recebeu um investimento inicial de R$ 580 milhões e emprega cerca de 700 pessoas.

A fábrica é responsável por processos de fundição, usinagem e montagem de powertrain, tendo produzido motores para Etios e Yaris. Atualmente, fornece os conjuntos que equipam os modelos Corolla e Corolla Cross fabricados em Sorocaba. A capacidade instalada é de 108 mil unidades por ano, com tecnologia considerada entre as mais avançadas do grupo no mundo.

A unidade emprega cerca de 700 pessoas e produz mais de 100 mil motores por ano, incluindo variantes híbridas flex.

MICROEXPLOSÃO: O QUE É O FENÔMENO CLIMÁTICO QUE DESTRUIU FÁBRICA DA TOYOTA

Depois de dias e de diversas análises, satélites e imagens da área atingida, a Defesa Civil de São Paulo constatou que a destruição da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP) foi causada pela chamada 'microexplosão atmosférica'. Mas no que consiste esse evento climático?

O meteorologista Franco Vilela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) faz um breve resumo. "É quando uma camada de ar, no interior de uma nuvem de tempestade, sofre um intenso e rápido resfriamento e praticamente despenca de altitudes elevadas, acelerando em direção ao solo, onde chega à superfície como ventos muito intensos".

O nome vem do inglês microbursts ou downburts, que na tradução por aqui também pode ser chamada de 'rajadas descendentes'. O meteorologista da Defesa Civil de São Paulo, Ernesto Alvin Grammelsbacher, detalha que a microexplosão é o colapso de uma corrente de ar dentro de uma tempestade.

A formação ocorre dentro de uma nuvem de tempestade (cumulonimbus) já madura. Fortes correntes de ar ascendentes dentro da nuvem sustentam gotas de chuva e granizo. Às vezes, ar seco do ambiente entra na nuvem e provoca a evaporação das gotas de chuva. A evaporação é um processo que "rouba" calor, resfriando o ar ao redor muito rapidamente.

O ar frio, por sua vez, é mais denso e pesado que o ar quente. Então essa "bolha" de ar frio e pesado despenca em direção ao solo em alta velocidade, formando uma corrente descendente (conhecida como downdraft). Ao atingir o solo, essa coluna de ar não tem para onde ir a não ser para os lados. Ela se espalha violentamente em todas as direções, como a água de um balão que estoura no chão, gerando ventos horizontais devastadores.

Grammelsbacher completa ainda dizendo que a destruição pode ser "linha reta ou em formato de estrela". Objetos são empurrados e derrubados em uma direção, a partir de um ponto central.

A explicação vai ao encontro do relato e dos estudos feito pelo órgão, onde a cidade foi atingida por fortes ventos, com rajadas de até 99 km/h, segundo a Defesa Civil. A força do vendaval destruiu o telhado da unidade fabril, que fica às margens da Rodovia Marechal Rondon. Pedaços da estrutura foram encontrados a mais de 6 km de distância.

O meteorologista detalha que esse fenômeno é "muitas vezes invisível e associado a uma cortina de chuva intensa ou poeira que se espalha rapidamente no solo". Já a duração é curta, de 5 a 15 minutos, mas pode impactar uma área de até 4 km de diâmetro.

Grammelsbacher faz outro adendo. "São ventos horizontais extremamente fortes e súbitos, especialmente perigosos para a aviação durante pousos e decolagens", alerta.

 Não era tornado?

A informação inicial era que a região da fábrica de Porto Feliz (SP) tivesse sido atingida por um tornado. "Embora ambos sejam fenômenos meteorológicos são classificados com tempestade severa e capazes de causar grande destruição, a microexplosão atmosférica e o tornado são fundamentalmente diferentes em sua formação, estrutura e no tipo de dano que provocam", explica o meteorologista da Defesa Civil.

A principal diferença, de forma resumida, está na direção do vento. A microcroexplosão é "uma corrente de ar descendente extremamente forte que se choca contra o solo e se espalha em todas as direções. Os ventos são em linha reta e para fora (divergentes)". Já o tornado "é uma coluna de ar em rotação violenta que se estende de uma nuvem de tempestade até o solo. Os ventos são rotacionais e para dentro/cima (convergentes).

Grammelsbacher ensina ainda que o movimento do vento de um tornado é ascendente e rotacional - ou seja, para cima e em círculo. A aparência visual é de funil visível saindo da base das nuvens e estendendo-se até o chão. O tornados geralmente deixam um "rastro de destruição caótico e convergente, com objetos torcidos, arrancados e arremessados em múltiplas direções".

O que aconteceu

Segundo a Toyota, a chuva de segunda-feira  (25/09) causou estragos consideráveis na fábrica de motores em Porto Feliz. Imagens divulgadas por funcionários mostram o local alagado, com o teto da estrutura arrancado pelos fortes ventos.

A marca afirmou que o incidente em Porto Feliz afetou a produção da Toyota em Sorocaba e Indaiatuba, onde será fabricado o Yaris Cross e também são produzidos outros modelos da marca, como Corolla e Corolla Cross, além do Yaris comercializado para exportação. Ao todo são cerca de 6.700 funcionários nas três fábricas.

A Toyota informa, ainda, que, "em uma primeira análise, a retomada da planta de motores deverá levar meses" e "está buscando alternativas de fornecimento de motores junto a unidades [da empresa] em outros países, com o objetivo de retomar a produção de veículos nas plantas de Sorocaba e Indaiatuba".

O lançamento do Yaris Cross estava programado para o fim de outubro. A Toyota afirma que uma nova data será comunicada em breve.

Devido aos estragos, a fábrica de Porto Feliz foi isolada para vistoria da Defesa Civil. A montadora informou que não há prazo para retomada das atividades.

A unidade emprega cerca de 700 pessoas e produz mais de 100 mil motores por ano, incluindo variantes híbridas flex.

TOYOTA VÊ DESAFIOS PARA RECONSTRUIR FÁBRICA

A fábrica de motores da marca japonesa no interior de São Paulo foi inaugurada em 2016 ao custo de R$ 580 milhões e com capacidade para produzir 170 mil motores por ano. À época, produzia os propulsores 1.3 e 1.5 aspirados para o compacto Etios, vendido no Brasil e Argentina, além de Peru e Uruguai - depois usada na gama do Yaris, descontinuado no Brasil e que seguia sendo produzido em Sorocaba para exportação.

Anos depois, Porto Feliz recebeu outro aporte, dessa vez de R$ 600 milhões, para a produção do 2.0 Dynamic Force aspirado e bicombustível que atualmente equipa a linha Corolla - esse motor será importado de outras fábricas da Toyota para a produção das versões convencionais a partir de janeiro do ano que vem.

RETORNO AS ATIVIDADES

A Toyota retomará gradualmente a produção no Brasil após a tempestade destruir sua fábrica de motores, afetando significativamente a estrutura.

A reconstrução da fábrica está prevista para 2026, e o seguro cobrirá os custos das obras, incluindo recuperação de danos materiais e maquinário afetado.

Desafios incluem reposição de maquinário importado, que pode atrasar devido à necessidade de encomenda e transporte internacional

QUANTO VAI CUSTAR RECONSTRUÇÃO?

Por fim, Orlandini diz que é difícil estimar o prejuízo e os valores para reconstruir a planta destruída. O montante de mais de R$ 1 bilhão gasto na construção e expansão há dez anos, hoje custaria ao menos o dobro para construir novamente, de acordo com as correções monetárias vigentes. Fontes: UOL 26/09/2025; UOL 07/10/2025  

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domingo, junho 02, 2024

COMO 'A CHUVA DO MILÊNIO' OBRIGOU COPENHAQUE A SE TRANSFORMAR

 Embora seja uma das rotatórias mais movimentadas do leste de Copenhague, o ar em Sankt Kjelds Plads não é pesado, não tem o cheiro e a textura dos gases de escape. E, em vez do rugido dos motores, a paisagem sonora é caracterizada pelo som melodioso produzido por pássaros.

A rotatória, que é cercada por arbustos e árvores, faz parte de um experimento em grande escala para transformar os espaços públicos da capital dinamarquesa. A ideia é tornar Copenhague mais "habitável", criando locais para os cidadãos se encontrarem e um habitat para a biodiversidade, ao mesmo tempo em que cria engrenagens em uma máquina de controle de enchentes.

CHUVA DO MILÊNIO

Essa transformação foi desencadeada pelos eventos de 2 de julho de 2011, quando Copenhague foi atingida pelo que foi apelidado de "a chuva do milênio".

O aguaceiro maciço causou inundação de ruas e casas. E, sem ter para onde escoar, a água permaneceu por dias. Ratos mortos foram vistos flutuando pela cidade, e uma pesquisa posterior revelou que durante os trabalhos de limpeza um quarto dos trabalhadores do saneamento foi infectado com doenças como a leptospirose. Um deles até morreu.

Nos sete anos seguintes, esse tipo de tempestade começou a se tornar cada vez mais comum, com quatro eventos de "chuvas do século" registrados nesse período. Isso custou à cidade pelo menos 800 milhões de euros (R$ 4,3 bilhões) em prejuízos, deixando claro para os formuladores de políticas públicas que era hora de repensar a capital dinamarquesa.

DESIGN URBANO INSPIRADO NA ESPONJA

Nos últimos séculos, o foco do desenvolvimento urbano em lugares como Copenhague foi a criação de "cidades-máquina" que pudessem ser construídas rapidamente e fossem eficientes para habitação, indústria e economia. Mas muitos desses centros urbanos acabaram interferindo no ciclo da água, especialmente aqueles que modificaram leitos de rios ou foram construídos sobre planícies aluviais.

Com o concreto e o asfalto cobrindo áreas antes destinadas à grama e ao solo, a água das chuvas mais fortes ficou sem ter para onde ir. Com muita frequência, isso resulta em enchentes, e cidades do mundo todo estão explorando maneiras de reverter esse tipo de desenvolvimento urbano. E elas fazem isso se transformando em "esponjas" urbanas.

Em outras palavras, essas cidades estão criando espaços e infraestrutura para absorver, reter e liberar a água de forma a permitir que ela flua de volta para seu ciclo.

A China está na liderança, com mais de 60 de suas cidades sendo reformadas e agora incorporando estruturas como biovaletas e jardins de chuva para reter a água. Jan Rasmussen, chefe do "Cloudburst Master Plan" (plano diretor para tempestades) de Copenhague, também viu potencial para a Dinamarca.

"Nossos políticos decidiram que há realmente uma necessidade de escoar a água da cidade muito rapidamente", disse Rasmussen. "Eles perguntaram se poderíamos fazer isso de forma inteligente, se poderíamos expandir o sistema de esgoto. Poderíamos lidar com as chuvas na superfície?"

ABSORVENDO A ÁGUA DA CHUVA

Tendo estudado projetos de cidades-esponja em todo o mundo, a equipe de Rasmussen pensou na remodelação de cerca de 250 espaços públicos de forma a ajudar na retenção ou redirecionamento de águas pluviais, incluindo parques, parques infantis e a rotatória Sankt Kjelds Plads.

A ideia é usar a capacidade natural de retenção das árvores, dos arbustos e do solo e deixar a água pluvial fluir para locais onde não seja destrutiva.

Uma dúzia de lagos que margeiam a rotatória foi então projetada de forma a reter o excesso de água da chuva no caso de uma tempestade. Assim como outros lagos semelhantes espalhados pela cidade e aberturas largas nas laterais de ruas baixas, eles servem para canalizar a água da enchente para uma rede de túneis que está sendo instalada 20 metros abaixo da superfície.

Durante uma chuva "normal", as águas pluviais são direcionadas para o porto por meio desse sistema de drenagem. No entanto, quando há um excesso, como em um cenário de tempestade, uma estação de bombeamento no porto entrará em ação, forçando para o mar a água acumulada nos túneis, criando assim espaço para mais água da chuva e evitando que as ruas sejam inundadas. Essa estação está sendo construída atualmente e estará pronta em 2026.

Ainda haverá água nas ruas. Quero dizer, elas não ficarão completamente secas. Mas passaremos de um metro [de água de enchente] para no máximo 20 centímetros. Jes Clauson-Kaas, engenheiro da Hofor, o departamento de gerenciamento de água responsável pela construção do túnel

BENEFÍCIOS DE LONGO PRAZO

Parte do desafio é conseguir a adesão dos moradores locais. E isso nem sempre é fácil quando se trata de fechar parquinhos infantis ou os parques da cidade por longos períodos para transformá-los em zonas de inundação, ou financiar os planos de adaptação através de uma taxa extra nas contas de água.

Mas Clouson-Kaas diz que equipar para o futuro uma cidade propensa a inundações faz sentido do ponto de vista financeiro. "Perdemos cerca de 1 bilhão com esse único evento [em 2011], mas esperamos que haja vários eventos nos próximos 100 anos. Dizem que a perda potencial pode ser de pelo menos 4 ou 5 bilhões de euros. Portanto, se investirmos 2 bilhões de euros, ainda assim valerá a pena", disse ele.

Copenhague está em posição —financeira e política— de investir nessa infraestrutura agora, em vez de lidar com possíveis danos no futuro. A cidade se tornou um lugar na qual as outras cidades buscam um exemplo para aprender sobre os benefícios de se criar uma esponja urbana. Fonte: DW-05/03/2024 

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quinta-feira, outubro 01, 2015

Tempestade destrói galpão de usina em Canitar e deixa mortos

Uma tempestade atingiu a cidade de Canitar (SP) e causou vários estragos na sexta-feira, 25 de setembro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, um galpão de usina de biocombustíveis desabou  sobre trabalhadores.  
A chuva e o vento forte  ( 80 km/h) causaram outros estragos como queda de árvores na cidade, que fica na região de Ourinhos. O Corpo de Bombeiros acredita que um tornado tenha provocado os estragos.

VÍTIMAS
Dois mortos e oito feridos

PROVÁVEL  TORNADO
O meteorologista José Carlos Figueiredo diz que há previsão de tempestade na região onde aconteceu os estragos. Figueiredo informou que formação de tornados é comum no começo da primavera pela mudança da estação quente e seca, como é o inverno na região, para a estação chuvosa.

OURINHOS
Na rodovia Raposo Tavares foi interditado o trecho que passa dentro de Ourinhos. Árvores caíram em cima de dois carros e outra foi parar no meio da pista. A passagem dos carros foi interrompida no sentido interior-capital e o fluxo teve que ser desviado.
A Defesa Civil registrou estragos em outros pontos da cidade. Outras árvores foram arrancadas com a força do vento e foi necessário o trabalho de vários homens para remover os galhos. A marquise do cemitério da Saudade também não resistiu. As telhas ficaram pelo chão.

MARÍLIA
Uma chuva forte e rápida também atingiu a cidade de Marília (SP) na tarde de sexta-feira. Na região central, o temporal chegou a derrubar motocicletas e galhos de árvores. Em outras regiões da cidade, como na zona leste e próximo ao Hospital das Clínicas, choveu granizo. Segundo os bombeiros, nenhuma ocorrência grave foi registrada na cidade.

PEREIRA BARRETO
Uma forte tempestade  atingiu a cidade de Pereira Barreto (SP) no fim da tarde de sexta-feira, 25 de setembro, e acabou assustando os moradores da cidade.
De acordo com as informações dos bombeiros, dois funcionários de uma cooperativa foram atingidos pela torre de um silo que teria desabado por causa da chuva forte e vento  e um deles morreu no local. O outro foi socorrido com ferimentos na perna




MARACAÍ
O restaurante de um posto de combustíveis que fica na beira da rodovia Raposo Tavares, em Maracaí, ficou completamente destelhado depois de ser atingido por um vendaval. Segundo o gerente do posto, o vendaval começou antes da chuva, e as telhas caíram na lateral do restaurante, em cima do disjuntor de energia, deixando o local sem luz. Duas placas de propaganda também caíram, mas ninguém se feriu. Fonte: G1-25/09/2015

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