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Plataforma FPSO da Petrobras, em São Mateus,
ES |
Três pessoas morreram ao menos dez estão feridas em estado
grave e seis estão desaparecidas após a explosão do navio-plataforma FPSO
Cidade de São Mateus, ocorrida na tarde de quarta‑feira, 11 de Fevereiro de 2015, confirmou a
Petrobras.
A Petrobras confirmou a explosão do navio-plataforma FPSO
Cidade de São Mateus, na tarde de quarta‑feira,
11 de Fevereiro de 2015. O
acidente ocorreu na região de Aracruz, no norte do Espírito Santo, e foi provocado
por um vazamento de gás na casa de bombas. O navio atuava nos campos de
Camarupim e Camarupim Norte, a cerca de 120 quilômetros da costa.
PESSOAL NA PLATAFORMA
Ao todo, 74 pessoas estavam na plataforma no momento do
acidente.
VÍTIMAS
O acidente deixou três mortos e dez feridos, sendo duas
vítimas de queimaduras graves e oito de trauma.
Na quinta-feira, 12, mais dois corpos foram localizados encontrados na sala de máquinas do
navio-plataforma. Com isso, sobe para
cinco o número de mortos no acidente, e quatro pessoas ainda estão
desaparecidas.
Na quarta-feira, 18, foi encontrada a sexta vítima, supervisor
de manutenção. De acordo com informações preliminares, o reconhecimento da
vítima precisou ser feito por meio de análise das impressões digitais. O corpo
foi encontrado boiando em uma área inundada do navio. Como a vítima estava em água
contaminada com gás, óleo e resquícios da explosão, optou-se por trazer o corpo
a Vitória de barco, e não de helicóptero. Outros três trabalhadores ainda são considerados
desaparecidos.
Na quinta-feira, 26, foi encontrado o corpo da sétima
vítima, que estava desaparecido. O corpo teria sido encontrado na sala de
bombas da plataforma.
No sábado, 28, oitava vítima, mecânico, foi identificada por exames de necropapiloscopia.
Na manhã de segunda-feira, 2 de março, foi localizado corpo da nona e última vítima
desaparecida na embarcação. O único funcionário que ainda estava sumido era o
técnico de segurança do trabalho.
BALANÇO FINAL DE VÍTIMAS
9 mortes e 26 feridos
ATENDIMENTO AS VÍTIMAS
Segundo a Secretaria de Saúde do Espírito Santo, o governo
acionou esquema de emergência para receber feridos no aeroporto de Vitória.
"A plataforma está sem comunicação. Estamos fazendo contato por meio da
plataforma Vitória (próxima ao local do acidente)", disse o diretor da FUP
(Departamento de Segurança da Federação Única dos Petroleiros), José Maria
Rangel.
Entre os feridos há duas vítimas de queimaduras graves e
oito vítimas de trauma, informou a Secretaria de Estado da Saúde do Estado.
Eles foram transferidos para os hospitais particulares Vitória Apart Hospital e
Hospital Metropolitano.
Alguns dos feridos foram expostos ao fogo, explosões,
queimaduras e traumas múltiplos, e que muitos caíram e foram arremessadas no
navio por conta do impacto. Oito pessoas deram entrada no pronto-atendimento do
hospital, elas foram sedadas pela equipe médica que realizou o resgate. Os
pacientes que apresentaram estado mais grave
que foram expostos ao gás, apresentando algum tipo de fratura e trauma
de grande magnitude estão na UTI. Não podemos descartar uma piora no quadro de
saúde deles porque não sabemos como pode se comportar o organismo de uma
pessoa, disse o cirurgião geral Claudio
Pinheiros, diretor clínico do Vitória Apart Hospital.
TRAUMAS GRAVES
Como foi explosão seguida de incêndio, há pacientes com
grandes queimaduras, pancadas, fraturas, contusões. São lesões que podem
ocorrer complicações em tempo médio ou tardiamente. São queimaduras por vias
aéreas que queimam até o pulmão, vão progredir e se não serem tratadas agora.
Uma pessoa chegou a ficar presa no elevador inalando fumaça. Todos eles são
pacientes que podem apresentar uma piora no quadro a médio e a longo prazo.
O estrangeiro que chegou em estado grave sofreu queimaduras
nas vias aéreas e precisou ser sedado para poder ser entubado, já que esse tipo
de ferimento pode progredir. Ele está em sedação profunda para entubação e
assistência ventilatória mecânica. Não chega a ser um coma induzido porque, se
tirar a sedação, ele acorda. Num momento ele está falando com você e daqui a
pouco ele pode não respirar mais. Tivemos de fazer isso para que o aparelho
possa ventilar os pulmões, relatou
Claudio Pinheiros, diretor clínico do hospital.
RELATO DE TESTEMUNHAS
Lúcido, porém com vários ferimentos pelo corpo, Mateus, Diego Chaves Leite, 30 anos, contou
aos familiares os momentos de terror que passou na plataforma. Ele está
internado na UTI do Vitória Apart Hospital, na Serra, após ter sido transferido
da plataforma para Vitória de helicóptero.
Diego estava embarcado e faz parte da brigada de resgate do
navio. Ele estava relativamente próximo ao local em que aconteceu o acidente.
No momento da explosão, ele e um colega caíram de uma altura de cerca de 30
metros. Diego quebrou as duas pernas.
Alexandre Tavares, cunhado de Diego, contou que ele estava
em um elevador com um amigo, indo almoçar, após já ter ajudado a controlar uma
primeira explosão na sala de bombas.
“Teve uma explosão,
que foi controlada, e quando ele foi almoçar, teve a segunda. Aí ele já estava
dentro do elevador indo para o refeitório almoçar. Ele disse que só pensava em
Deus, estava dentro do elevador, preso, a água subindo. Começou a orar e pedir
para Deus tirar ele dali”, contou Alexandre.
Ainda de acordo com o cunhado, Diego salvou um colega de
trabalho, que também estava no elevador no momento da explosão. “Ele falou que
eles caíram de uma altura de 20 a 30
metros, e o amigo dele ficou desmaiado no elevador. Ele salvou o amigo dele,
porque a água já estava numa altura que dava pra pessoa se afogar”, disse.
Diego contou aos familiares que essa não foi a primeira fez
que houve um vazamento de gás no navio-plataforma. Ele afirma que a última vez
que aconteceu foi no dia 22 de janeiro.
Diego passou por uma cirurgia no final da tarde de quinta
(22) no Vitória Apart Hospital.
LIBERAÇÃO DE ALTA
A BW Offshore, operadora da plataforma informou em 15/02, que mais 15 feridos, de um total de 26,
receberam alta. Agora restam cinco ainda hospitalizados. A empresa informa
ainda que quatro pessoas continuam desaparecidas.
NÃO HOUVE DERRAMAMENTO DE ÓLEO
De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo), não
houve derramamento de óleo, o fogo foi debelado e a plataforma está
"estabilizada".
Em nota, a Petrobras lamentou o acidente e citou o
"Plano de Emergência". "O acidente foi controlado a partir do
imediato acionamento do Plano de Emergência com a mobilização de todos os
recursos necessários. As operações da plataforma foram interrompidas", diz
a nota da empresa. A BW Offshore, que
opera para a estatal o navio-plataforma, informou que está prestando toda
assistência aos funcionários e familiares.
Segundo a Secretaria de Saúde do Espírito Santo, o governo
acionou esquema de emergência para receber feridos no aeroporto de Vitória.
"A plataforma está sem comunicação. Estamos fazendo contato por meio da
plataforma Vitória (próxima ao local do acidente)", disse o diretor da FUP
(Departamento de Segurança da Federação Única dos Petroleiros), José Maria Rangel.
INQUÉRITO ADMINISTRATIVO
A Capitania dos Portos vai abrir um Inquérito Administrativo
sobre Acidentes e Fatos da Navegação para apurar as causas e responsabilidades
na explosão. O prazo para a conclusão das investigações é de 90 dias.
PLATAFORMA DE ALTO-RISCO
Segundo o inspetor de equipamento Gerson Pistori,
especialista em segurança de plataformas, que presta serviços para Petrobras há
13 anos, o navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus era classificado como um
local de alto-risco por operar com gás. Ele acredita que o mais provável é que
o acidente tenha ocorrido em uma área restrita da plataforma.
"As plataformas são todas setorizadas, poucas pessoas
têm acesso à área da casa de bombas. O grosso do pessoal deveria estar em uma
área longe do acidente, já que estão conseguindo fazer resgate aéreo e por
baleeiro (navio específico para resgates em alto mar)", afirma.
CARACTERÍSTICAS DO NAVIO-PLATAFORMA CIDADE DE SÃO MATEUS
O QUE É FPSO - Floating Production Storage and Offloading - É
um navio adaptado para funcionar como plataforma de produção, armazenamento e
transferência de gás ou petróleo para outras embarcações.
O navio-plataforma Cidade de São Mateus é uma unidade do
tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de
petróleo). A embarcação é de propriedade da empresa norueguesa BW Offshore e
presta serviços para a Petrobras na costa do Espírito Santo desde 2009.
A unidade foi alugada pela Petrobras e opera no pós-sal dos
campos de Camarupim e Camarupim Norte, no litoral do Espírito Santo, a cerca de
120 km da costa. Segundo a Petrobras, a produção de gás é escoada por duto para
terra.
O navio-plataforma foi o primeiro para gás instalado no
Brasil e tem capacidade para processar 10 milhões de metros cúbicos de gás e 35
mil barris de óleo por dia.
A plataforma tem foco maior na produção de gás. Segundo a
Agência Nacional de Petróleo (ANP), a FPSO São Mateus produzia 2,250 milhões de
metros cúbicos de gás/por dia e 350 metros cúbicos de óleo/por dia.
O volume produzido pela FPSO Cidade de São Mateus representa
menos de 3% da produção total de gás da Petrobras em dezembro, que atingiu ao
todo naquele mês 84,5 milhões de metros cúbicos/dia.
No caso da produção de petróleo, o volume produzido pela
FPSO é ínfimo perto do total produzido pela Petrobras em dezembro, de mais de
2,212 milhões de barris/dia.
A BW Offshore informa em seu site que a FPSO Cidade de São
Mateus tem capacidade de produção de 25 mil barris por dia. O contrato da
empresa com a Petrobras tem duração até 2018.
A ANP informou que o navio recebeu declaração de
conformidade da Marinha em 2015 e que a agência fez uma atualização de
documentação marítima em setembro de 2014.
A concessão de Camarupim é operada pela Petrobras (100%) e a
de Camarupim Norte é uma parceria entre a Petrobras (65%) e a empresa Ouro
Preto Energia (35%).
AGÊNCIA NACIONAL DE PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS
(ANP).
A ANP informou que está mandando duas equipes para
acompanhar a investigação do acidente. Uma deve ir para a sala de crise da
Petrobras, no Rio de Janeiro, e a outra embarcará no navio-plataforma. Ainda
segundo a agência, não houve derramamento de óleo, o fogo já foi apagado e a
plataforma está estabilizada.
A ANP confirmou que 33 funcionários foram deslocados para
uma baleeira, uma espécie de embarcação de fuga, e foram transportados para
Vitória, sem ferimento algum. A plataforma está incomunicável.
A ANP ainda informou que a Petrobras é a responsável por
responder pelo acidente no navio‑plataforma. Por meio da assessoria de
imprensa, a ANP disse que seu relacionamento é com a concessionária, sendo que
a responsável pela área é a Petrobras, independente de terceirização. O
procedimento é abrir um processo administrativo para investigar a causa do
acidente e, se ao final dele houver determinação de multa, ela será aplicada à
Petrobras.
BUSCAS
Uma equipe de nove bombeiros foi enviada, na noite de
quarta-feira, para o navio-plataforma para buscar as pessoas que estão
desaparecidas. O grupo de resgate em ambiente fechado foi ao local em dois helicópteros
da Marinha para procurar dentro da embarcação.
A suspeita dos bombeiros é que os funcionários estejam
isolados em alguma sala não atingida pela explosão e que não tenham uma forma
de se comunicar. O navio-plataforma está sem iluminação, o que tornaria ainda
mais difícil a tarefa dos desaparecidos de sair de onde estão.
Equipes do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo tiveram que
utilizar lanternas, máscaras especiais e cilindros de oxigênio para realizar
buscas no navio-plataforma.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Adeílton Costa
Pavani informou que, além de lanternas, os militares contaram com a iluminação
de embarcações próximas ao navio‑plataforma.
A falta de iluminação não é a única adversidade enfrentada
pelos bombeiros. Segundo o coronel Pavani, as escadas de acesso à casa de
máquinas, onde houve a explosão, foram seriamente danificadas. Por esse motivo,
os militares utilizam cordas e roldanas para viabilizar o acesso ao local. Eles
também fazem uso de equipamentos que permitem a respiração no ambiente. Há
suspeita de que gases tóxicos tenham sido liberados no acidente.
"Aquele é um local fechado. Quando houve a explosão,
automaticamente houve uma queima do gás-combustível retido no ambiente. Com
isso, é liberado uma onda de choque que provoca a expansão desses gases
queimados", explicou o tenente-coronel. "É a primeira vez que
trabalhamos com um acidente dessa magnitude."
Pavani declarou ainda que as equipes estão à espera de uma
autorização da Petrobras para dar continuidade às buscas na manhã de quinta-feira
(12). Os militares estão posicionados em uma embarcação próxima, e o oficial
disse acreditar que, com o auxílio da iluminação natural, as chances de
localizar mais corpos são maiores.
PARALISAÇÃO DAS BUSCAS
Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas foram suspensas na sexta-feira (13) a pedido da BW Offshore,
responsável pela embarcação, para que seja feito o trabalho de retirada de água
de alguns compartimentos. As buscas pelos bombeiros devem retomar na
terça-feira (17), quando o trabalho dos mergulhadores forem finalizados.
MARINHA DO BRASIL
Em nota, a Marinha do Brasil informou que está empregando
três navios (uma Corveta e dois Navios-Patrulha), três aeronaves (duas no
aeroporto de Vitória e uma a bordo da Corveta) e cerca de 400 homens para
controlar a área marítima, evitar eventuais riscos à navegação e contribuir
para eventuais resgates na região.
As tripulações das duas aeronaves da Marinha que
transportaram bombeiros militares para a plataforma na noite desta quarta-feira
(11) permanecerão em alerta, prontas para decolar e prestar apoio quando
necessário, segundo informou a nota.
BW OFFSHORE
Segundo a BW Offshore, por motivos de segurança, todos os
funcionários foram retirados da embarcação. Os parentes das vítimas foram
informados e os funcionários estão sendo atendidos por uma equipe de apoio
montada pela BW Offshore Brasil.
A produção foi paralisada e a unidade fechada. "É um dia trágico para nós, nosso foco é
nos funcionários e suas famílias. Não vamos descansar enquanto não encontrarmos
os quatro desaparecidos. Somos gratos à Petrobras e às autoridades brasileiras
pelo esforço incansável e gostaríamos de agradecer o apoio deles nesse
momento", diz Carl Arnet, CEO da BW Offshore.
VALOR DA PLATAFORMA
A plataforma FPSO Cidade de São Mateus tem valor estimado
entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão, segundo analistas de mercado.
AVARIAS E RECUPERAÇÃO DA PLATAFORMA
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Antes (acima) da
explosão e depois (abaixo) do navio-plataforma
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O local onde ocorreu a explosão permanecia inundado e
inacessível, segundo a última informação da ANP, na noite de quinta-feira, 12. A agência
explicou que a parte submersa do casco foi totalmente inspecionada e que o
mesmo estaria íntegro, mas o navio está parcialmente inclinado.
Um grupo de mergulhadores
na manhã de sábado (14), começou a instalar tampas nas caixas de mar do
navio-plataforma na tentativa de
recuperar o casco da embarcação. As estruturas, que serão instaladas pesam mais de 200 quilos e vão bloquear a
entrada de água do mar na plataforma.
Depois dessa operação, prevista para terminar na
segunda-feira (16), começam os trabalhos de retirada da água interna, que vão
facilitar a localização dos quatro operários que ainda estão desaparecidos.
Questionada sobre o tamanho e o número de buracos existentes no casco, a
Petrobras negou que esteja entrando água no navio-plataforma, que, de acordo
com a companhia, está estável. A Petrobras esclarece que as avaliações indicam que houve
comunicação através das caixas de mar, localizadas na praça de máquinas, que existem
para captação de água para uso na plataforma. Os trabalhos estão sendo
realizados por uma equipe de mergulhadores especializados e deverão ser
concluídos nos próximos dias.
A casa de bombas, onde ocorreu à explosão tem muita água
misturada a óleo, o que deixa a água escura e também dificulta as buscas. As
equipes não devem fazer buscas no mar, pois descartam a hipótese de que esses
desaparecidos não estejam no interior navio, já que a explosão ocorreu dentro
dele.
Os mergulhadores, que atuam na instalação de tampas nas
caixas de mar do navio-plataforma Cidade São Mateus, no litoral do Espírito
Santo, continuam os trabalhos neste domingo (15). A responsável pela
embarcação, BW Offshore, explicou que o objetivo é estabilizar o navio, que
teve alguns compartimentos inundados após a explosão da quarta-feira (11).
Quatro dias após o acidente, quatro pessoas continuam desaparecidas.
Para que um
navio-plataforma do porte do FPSO Cidade São Mateus fique estabilizado, quando
vai perdendo combustível, é preciso que sejam instaladas caixas de água entre
os compartimentos. Com a explosão as paredes foram rompidas, ocasionando inundações
em algumas áreas.Para conter a água e assegurar a estabilidade no
navio-plataforma, os mergulhadores estão instalando as tampas e bombeando a
água, que ficou concentrada na parte de trás da embarcação, para frente e para
o meio, explicou a assessoria da BW Offshore.
Nas imagens feitas do navio-plataforma, após o acidente, é
possível observar que ele aparece um pouco inclinado. A empresa assegurou ainda
que o casco do navio permanece íntegro e sem nenhum risco de vazamento. O
processo de instalação das tampas, no entanto, é lento e pode demorar alguns
dias. Não há previsão de término.
POLÍCIA FEDERAL
Um inquérito foi instaurado pela Polícia Federal para apurar
os fatos que envolvem a explosão. De acordo com a PF o prazo inicial para a conclusão do inquérito é de 30 dias. Serão
investigados os crimes de homicídio ou incêndio qualificado. Dois dias após o
acidente, quatro pessoas continuam desaparecidas.
A assessoria da Polícia Federal também informou que uma
equipe fará uma inspeção no navio-plataforma assim que as buscas terminarem e a
embarcação for liberada.
MINISTÉRIO DO TRABALHO FARÁ INSPEÇÃO
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vai fazer uma
vistoria no navio-plataforma.
A fiscalização será na próxima quinta-feira (19). O órgão
vai analisar se a embarcação seguia as normas de segurança do trabalho. Caso
sejam constatadas irregularidades, a empresa BW Offshore será autuada e o caso
encaminhado para o Ministério Público do Trabalho (MPT).
CAIXA PRETA
Com base no relatório da Comissão de Crise da Petrobras, as
informações cruciais que vão ajudar a entender as causas da explosão deverão
começar a ser esclarecidas a partir de segunda-feira (23) com abertura de uma
'caixa preta' da plataforma.
Segundo a BW Offshore, os dados da caixa preta do navio
foram passados para a Marinha, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Polícia
Federal. A assessoria de imprensa da PF disse que os peritos estão analisando
os dados. O laudo com base nessas informações vai ajudar o inquérito da polícia
e pode apontar as possíveis causas do acidente, mas ainda não tem previsão de
quando fica pronto.
Nas próximas semanas, o navio-plataforma deve ser levado
para um estaleiro na costa, onde os reparos serão feitos. A empresa dona do
navio não soube informar onde isso vai acontecer, nem se ele volta a funcionar
no mesmo local onde aconteceu o acidente.
CONFORMIDADE DE OPERAÇÃO DA PLATAFORMA
A Marinha do Brasil informou nesta quinta-feira que o
navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus foi periciado em 3 de abril de 2014
pelos inspetores navais da Capitania dos Portos do Espírito Santo. A vistoria,
segundo a nota divulgada, encontrou 12 deficiências, que foram sanadas em 28 de
maio. No dia seguinte, 29, a Marinha emitiu a Declaração de Conformidade para
Operação da Plataforma, documento que autoriza a operação em águas brasileiras.
O documento tem validade até 3 de abril deste ano.
INQUÉRITO FINAL DA POLÍCIA FEDERAL
Mais de 10 meses depois da pior tragédia no setor de
petróleo e gás do Espírito Santo e uma das mais graves do país, a Polícia
Federal informou que concluiu o inquérito que investigava o acidente e anunciou
o indiciamento do gerente da embarcação e de outros três funcionários da
norueguesa BW Offshore, terceirizada da Petrobras e operadora do navio.
Gestor da embarcação foi indiciado por homicídio doloso. Ele
pode pegar até 25 anos de cadeia. Outros três funcionários da BW foram acusados
por homicídio culposo
O risco de explosão iminente não foi capaz de impedir que o
gerente do navio-plataforma Cidade de São Mateus, segundo a Polícia Federal,
tomasse decisões equivocadas e em desacordo com as normas de segurança. Medidas
essas que resultaram na morte de nove pessoas e deixaram 26 feridas em 11 de
fevereiro deste ano, no campo de Camarupim, no litoral de Aracruz.
O chefe da Delegacia de Defesa Institucional da PF, Leonardo
Rabello, explicou que os trabalhadores, todos estrangeiros, foram indiciados
por homicídio doloso, culposo e lesão corporal grave, e que podem pegar até 25
anos de prisão se somadas as penas. Segundo ele, as provas coletadas vão ser
encaminhadas hoje ao Ministério Público Federal (MPF) para que o órgão decida
se apresentará à Justiça a denúncia criminal.
A autoridade policial desconfia que os gestores do navio
pressionavam os trabalhadores com o objetivo de manter produtividade.
Possivelmente, de acordo com as investigações, os funcionários da plataforma,
que morreram, eram ameaçados a fazer tarefas mesmo em momento de risco sob a
ameaça de perderem seus empregos.
Para Rabello, ficou claro que houve uma sucessão de erros em
relação à transferência de fluidos de um tanque para o outro, além do fato dos
responsáveis pela gestão do navio terem subestimado o vazamento de gás na casa
de bombas, enviando equipes para o local mesmo com a detecção de um alto risco
de explosão.
A confirmação do elevado nível de explosividade foi feita
depois que a Polícia Civil encontrou em um dos corpos das vítimas um detector
portátil de gás. Esse aparelho registrou os índices de gás no dia do acidente e
possibilitou a análise de dados e gráficos que indicaram a iminência para
acontecer um acidente.
“Foi constatado que o índice de explosividade estava em
100%, o que podemos dizer é que estávamos diante de um ambiente absolutamente
explosivo. Quem tomou as decisões sabia dos riscos”, observou o delegado ao
complementar que prova de que o problema não estava recebendo a devida atenção foi
quando um minuto antes de acontecer o desastre, as pessoas que não estavam
envolvidas nos reparos haviam sido liberadas para almoçar. “Isso dava a
impressão de que estava tudo bem.”
Segundo as apurações, também havia ausência de superiores
hierárquicos com habilitação para gerenciar o navio e os funcionários.
Quando ocorreu a explosão, era apenas o terceiro embarque do
filipino que respondia pela gerência do navio, aponta as análises trabalhistas.
O superintendente russo tinha sido contratado há 11 dias. E, um dos cargos
essenciais, de supervisor, estava vazio há meses.
A respeito da punição dos estrangeiros, ainda não há uma
clareza sobre como ela vai acontecer, já que segundo o delegado Rabello é muito
provável que esses profissionais não estejam no Brasil. Se eles não retornarem
ao Brasil, isso não impede que eles sejam condenados. O que pode ser realizado
é a Justiça traçar uma decisão para que cumpram a pena em seus países.
OUTRO LADO
A BW Offshore informou por meio de nota que tomou
conhecimento do resultado final das investigações da Polícia Federal e
esclareceu que “a empresa continua a prestar o devido suporte a todos os
envolvidos no acidente”. A companhia norueguesa confirmou que a plataforma
permanece no local do acidente e que o processo de descarga do condensado foi
realizado e concluído com êxito. Agora, irá continuar o processo de preparação
do reboque da embarcação para um estaleiro.
OS CULPADOS, SEGUNDO A POLÍCIA FEDERAL
Gerente da plataforma: O filipino assumiu risco de enviar os
trabalhadores para conter vazamento. Ele foi indiciado por dolo eventual -
homicídio doloso e lesão corporal dolosa.
Superintendente de marinha: Russo, ele agiu com negligência
e imperícia. Foi acusado de homicídio culposo.
Superintendente de manutenção: O polonês foi acusado de
negligência e de cometer homicídio culposo.
Operador de marinha: Filipino é acusado de negligência,
imperícia e homicídio culposo.
Obs.: Os nomes não foram divulgados pela Polícia Federal
DINAMICA DO ACIDENTE SEGUNDO A POLÍCIA FEDERAL
1) Ausência da conclusão da permissão de trabalho, medida
adotada para analisar os riscos da execução de alguma atividade no
navio-plataforma, antes da descida da terceira equipe responsável pela limpeza
e reparo do vazamento.
2) Ausência no plano de emergência para a hipótese de
vazamento de gás e explosão na casa de bombas.
3) Ausência do sistema de gestão de mudança (MOC), que tem
estudos e análises necessárias para qualquer mudança operacional no
navio-plataforma a fim de que pudesse ser implementada alterações sem riscos.
Não havia planejamento para o novo alinhamento de transferência de fluído, que
ocorria no dia do acidente, antes do vazamento, entre os tanques 6C para o 2C,
através da linha de gás inerte que foi usado para transferência de condensado.
4) Não interrupção da bomba de stripping, durante a mudança
de alinhamento, visto que foi fechada uma válvula na linha de descarga, havendo
consequentemente um aumento de pressão na rede.
5) A raquete instalada no flange, próximo à válvula OP-68
não foi instalada através de gestão de mudança, bem como era inadequada em face
da baixa espessura e por estar fora da especificação, em desacordo com a
pressão do projeto original da linha.
6) Pôde-se constatar que um detector portátil encontrado
pela Polícia Civil em um dos corpos, no local da explosão, havia atingido 100%
de explosividade, ou seja, a situação no local de vazamento estava em iminência
de explosão em virtude dos níveis elevados de inflamáveis.
7) Ausência de diagnóstico de vazamento correto, haja vista
que não foi considerado a possibilidade do condensado (fluido) ter escorrido,
através das aberturas no piso para o nível inferior da casa de bombas.
8) Liberação dos pontos de encontro com a emergência em
andamento gerou em muitos a impressão de que a situação estava sob controle e
que não haveria mais riscos.
9) Violação das normas de segurança foi um dos erros. O
gerente da plataforma, responsável maior pela embarcação, não respeitou os
procedimentos que preveem em caso de espaços confinados avaliação dos riscos
para permitir a entrada dos trabalhadores.
CENÁRIO DO ACIDENTE
■ A-05/ a 09/02- Iniciada operação de transferência de
fluido do tanque 06C para o tanque SOLP, utilizando-se da bomba de Stripping.
■ B-10/02/15- Redução da eficiência da transferência do
fluido.
■ 11/02/15- 11:14- Em função da dificuldade de bombeio foi
decidido adotar uma nova estratégia, transferindo o fluido do tanque 6C para o
tanque 2C, via linha de gás inerte, com auxílio da bomba de Stripping. Esta
operação, entretanto, foi feita sem a devida Gestão de Mudança (MOC).
■11/02/15 – 11:22 - Fechamento da válvula de descarga
(OP-084) da bomba de Stripping, mantendo esta, contudo, em funcionamento a 8% o
que ocasionou elevação da pressão;
■11/02/15- 11:24- Para um novo alinhamento foram abertas as
válvulas de sucção OP-048 e OP-051, mantendo-se a linha descarga bloqueada,
iniciando um vazamento de fluido (água e condensado) no flange próximo da
válvula OP-68 (neste ponto do vazamento é que foi instalada uma raquete de
bloqueio, de baixa espessura em desacordo com a pressão do projeto original).
■11/02/15- 11:25- Neste momento denotou-se na sala de
controle um aumento de pressão de descarga da bomba de Stripping, sendo
comandada a sua parada e abertura da válvula OP-084, evidenciando clara falta
de planejamento.
■11/02/15- 11:26- Ocorreu o disparo do primeiro alarme de
gás, confirmado na casa de bombas;
■ 11/02/15- 11:27- Acionamento do segundo detector de gás na
casa de bombas;
■11/02/15- 11:30- É informado pelo bombeador da casa de
bombas o local do vazamento em um flange próximo a válvula OP-068;
■11/02/15- 11:31- Terceiro detector de gás acionado,
desencadeou no desligamento de emergência nível 2, que parou todas as bombas,
fechou todas as válvulas, e interrompeu a ventilação.
■11/02/15- 11:46 até 11:51- Entrada da primeira equipe no
local do vazamento para investigá-lo. Há a confirmação de uma poça de líquido
no piso, e é reportado elevados teores de gás na Casa de Bombas, medidos pelos
detectores portáteis de gás.
■11/02/15- 12:02- É enviada uma segunda equipe à casa de
bombas para planejar o reparo do vazamento.
■11/02/15-12:14- Após retorno desta equipe foi estabelecida
estratégia de limpar a área de vazamento com mantas absorventes e reapertar o
flange identificado como fonte do vazamento.
■11/02/15- 12:26- descida de uma terceira equipe com 5
pessoas, levando chaves de boca para reaperto do flange e um martelo de
borracha e mantas absorventes, tendo sido adicionalmente montada uma linha de
combate a incêndio para possibilitar a lavagem com água do local;
■ 11/02/15-12:32- É anunciado pelo sistema de som do navio
plataforma para a toda unidade que as pessoas não essenciais à contingência
estavam liberadas para almoçar.
■ 11/02/15-12:33- Ocorre uma forte explosão na Casa de
bombas atingindo praça de máquinas e casario.
RELATÓRIO FINAL DA ANP
Relatório da agência afirma que empresas operavam navio sem
implementar sistema de segurança e sem cumprir as normas de controle de risco
Falhas na implementação do sistema de gerenciamento de
segurança operacional e o não cumprimento de normas ligadas ao controle de
riscos, pela Petrobras e pela BW Offshore, foram identificadas e apontadas pela
Agência Nacional do Petróleo (ANP) como responsáveis por desencadear a explosão
no navio-plataforma.
O documento, concluído em agosto de 2015 e divulgado pela agência, revela que foram
descobertas 28 falhas, que estão relacionadas;
■ à estocagem inadequada de condensado,
■ degradação do sistema de cargas,
■ equipes de trabalhadores despreparadas,
■ operações equivocadas,
■ equipamentos impróprios,
■ exposição dos trabalhadores ao risco,
■ além da adoção de materiais inadequados em uma atmosfera
explosiva.
Segundo o relatório, os erros já estavam sendo cometidos
anteriormente à data da tragédia. Um exemplo disso foi a instalação um ano
antes de uma peça (denominada raquete) em uma das válvulas da embarcação. O uso
inadequado desse item fora do padrão fez com que houvesse o vazamento do
condensado, que resultaria posteriormente na explosão.
“Evidenciou-se que
decisões gerenciais tomadas pela Petrobras, Prosafe e BW Offshore (operadora da
instalação), ao longo do ciclo de vida do FPSO Cidade de São Mateus,
introduziram riscos de forma não gerenciada à operação da plataforma. Os riscos
introduzidos criaram as condições necessárias para a ocorrência deste acidente maior”,
concluiu a ANP em seu relatório.
DESPREPARO NA EMERGÊNCIA
Problemas como o despreparo das equipes e a falta de
procedimentos formalizados em casos de emergência potencializaram a tragédia.
Após a explosão, pessoas chegaram a ser designadas para funções
distintas daquelas previstas em situações de risco.
A resposta à emergência também foi comprometida com a demora
no resgate. Não havia nenhum helicóptero de prontidão para realizar missões de
salvatagem aeromédica. E a lista para a contagem das pessoas para o abandono do
navio estava desatualizada e prejudicou o embarque nas baleeiras.
Após constatar as irregularidades, a ANP instaurou processos
administrativos que podem resultar em multas milionárias para a concessionária
e a operadora do campo. Procuradas, a Petrobras e a BW Offshore não se
manifestaram.
Entenda alguns erros antes e depois da explosão
Desvio de função
Durante a investigação da ANP foi evidenciado que algumas
pessoas foram designadas para funções distintas daquelas preconizadas no Plano
de Respostas a Emergência (PRE) da unidade, ou seja, indivíduos desempenharam
funções não previstas nos procedimentos. As apurações também encontraram
funcionários com sobrecarga de trabalho, exercendo duas funções.
Caos a bordo
Após a explosão, as pessoas a bordo do navio ficaram
desorientadas e a desordem se instalou, segundo o documento. A morte das
lideranças das equipes de brigada, o ferimento de membros da equipe de socorro
e os danos à enfermaria ocasionaram a falência das estruturas de busca de
desaparecidos e atendimento aos feridos.
Sem pessoal
Na hora do resgate pela baleeira, não havia no navio pessoas
capacitadas para atuar no resgate e comandar a embarcação.
Isenção de culpa
Embora a Petrobras tenha alegado que, em caso de afretamento,
compete à operadora da instalação (no caso a BW Offshore) a aprovação dos
projetos e das análises de risco, segundo a ANP, a concessionária tem
obrigações de garantir a segurança da unidade.
Atraso no resgate
Embora estivesse previsto no contrato de afretamento de
aeronaves que a Petrobras poderia acionar a qualquer momento o helicóptero para
missões de salvatagem aeromédica, nenhuma aeronave foi mantida na base de
Vitória em substituição à que estava em manutenção. Por isso, houve um atraso
de 1h12 minutos para o primeiro resgate.
Elevador
Duas das quatro pessoas de hotelaria, que integravam à
enfermagem, estavam no elevador na hora da explosão e ficaram feridas e presas
nas ferragens. Elas foram localizadas, por meio de gritos. E apesar das
dificuldades, foram resgatadas pelo pessoal de bordo.
Danos na enfermaria
A pressão da explosão causou danos graves para a enfermaria.
Os impactos deixaram este ambiente sem condições de oferecer cuidados aos
feridos. O material de primeiros socorros foi contaminado pelos resíduos da
explosão e pela lã de vidro que se desprendeu do revestimento das divisórias
das acomodações.
Pontos de encontro
Os pontos de encontro do refeitório, da enfermaria e da sala
de controle da praça de máquinas, que posteriormente ficariam destruídos, foram
desmobilizados. As pessoas foram induzidas a agir como se as situações fossem
normais, como utilizar elevador, se preparar para o almoço e se dirigir aos
camarotes para trocar roupas
Os 28 erros, chamados de causas raiz pela ANP, que provocaram
a explosão e as mortes
1: Gerenciamento de mudanças não realizado
2: Falta de revisão de riscos
3: Restrição de alinhamentos com a instalação de raquetes /
Gerenciamento de mudanças não realizado
4: Passagem de serviço inadequada / Comunicação inadequada
entre turnos
5: Documentos desatualizados / Falha nos registros e
documentação da mudança
6: Alterações sem o gerenciamento de mudanças /
Gerenciamento de mudanças não realizado
7: Ausência dos superintendentes de marinha / Ausência do
gerenciamento de mudança de pessoas
8: Ausência de responsável / acompanhamento /
Dimensionamento inadequado do programa de treinamento
9: Ausência da função de supervisão / Recursos não
disponíveis
10: Pessoas com mesmo cargo desempenhando funções distintas
/ Falha na identificação de requisitos de treinamento/capacitação
11: Falta de treinamento em procedimentos operacionais /
Falha na identificação de treinamento/capacitação em procedimentos operacionais
12: Procedimento desatualizado/indisponível / Falha na
disponibilização de recursos
13: Falha na implementação de recomendações e salvaguardas
de análises de risco e estudos de segurança / Falha na implementação de ações
corretivas
14: Procedimento operacional incompleto e ausência de
instruções claras / Procedimento incompleto
15: Informação de strokes da bomba não disponível no sistema
supervisão / Não atendimento a critérios de projeto
16: Falta de plano para inspeções, calibração e testes para
garantir confiabilidade mínima para a válvula de segurança da bomba de stripping
/ Falta de plano de inspeção, calibração e testes
17: Falta de intertravamentos na bomba de stripping / Falha
ao considerar aspectos que podem introduzir risco no projeto
18: Falta de alarme de pressão alta na descarga da bomba de
stripping / Falha ao considerar aspectos que podem introduzir risco no projeto
19: Falha no controle de peças sobressalentes / Falha no
controle de informações
20: Sistema sem folga para a instalação de raquetes / Falha
ao considerar requisitos em projeto
21: Improvisação de raquetes / Falta de gerenciamento de
mudanças nas alterações de requisitos de projeto
22: Falta de instruções claras no procedimento de resposta à
emergência / Procedimento incompleto/inadequado
23: Cenários acidentais no PRE da operadora da instalação
não contemplam os resultados dos Estudos de Risco da unidade / Falha na
identificação de cenários acidentais
24: Desmobilização dos pontos de encontro /Ausência de
conscientização
25: Falha na minimização da exposição de pessoas a riscos
durante a resposta à emergência / Não considerou a redução da exposição humana
às consequências de eventuais falhas de sistemas e estruturas
26: Exposição da brigada / Recursos de resposta não
identificados
27: Exposição de demais pessoas fora da brigada à atmosfera
explosiva / Inadequação dos mecanismos para a revisão dos planos de resposta à
emergência
28: Fonte de ignição introduzida pela ação de pessoas dentro
de atmosfera explosiva / Falta de instruções claras/específicas para a
realização das tarefas
Fonte: Relatório de Investigação do Incidente de Explosão no
FPSO Cidade de São Mateus da Agência Nacional do Petróleo (ANP)
REPAROS NA PLATAFORMA
O navio-plataforma Cidade de São Mateus, que há quase um ano
sofreu uma explosão na casa de bombas será enviado para um estaleiro em
Singapura para passar por reparos.
A BW informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o
FPSO (siga em inglês para Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e
Transferência de óleo) está em processo de preparação para o reboque, e atualmente
passa pela etapa de desconexão das linhas de ancoragem.
Depois que a embarcação seguir para o exterior, não há um
prazo para que ela retorne, nem uma definição se ela vai operar novamente.
“Uma vez que a
plataforma chegue ao estaleiro, será possível determinar o tempo necessário
para os reparos e para que o FPSO volte a operar. A BW, no momento, está
estudando cenários sobre a volta do FPSO”, justificou a multinacional
norueguesa.
PREJUÍZOS
Dados como prejuízos, redução da produção e se as atividades
vão ser retomadas no local continuam sem respostas mesmo após quase um ano do
maior acidente do setor de petróleo e gás, no Espírito Santo
Fontes: @ZR; G1 ES- 11/02/2015 a 23/02/2015; Gazeta Online-12/02/2015,
18/02/2015,18/01/2016; UOL- 11 A 12/02/2015; Folha Vitória-12/02/2015, 26/02/2015;
TN Petroleo-13/02/2015; Veja - 11/02/2015
Comentário
Navios Plataforma tipo FPSO
Os FPSOs (Floating, Production, Storage and Offloading) são
navios com capacidade produzir, processar e armazenar o petróleo, e fazer a
transferência do petróleo e/ou gás natural para terra, através de navios -
tanque ou, por dutos.Grande parte deste tipo de plataforma é resultado de
conversão de navios – tanque (petroleiros) desativados, convertidos para
plataforma, com retirada dos motores e outros componentes e instalação de
equipamentos de produção, como separadores de óleo, gás e água, geradores, turbinas, além de instalações de apoio como
alojamentos, refeitórios, heliporto e outros.No convés do navio é instalada uma
planta de processo para separar e tratar os fluidos (petróleo, gás e água)
produzidos pelos poços. Depois de separado da água e do gás, o petróleo é
armazenado nos tanques do próprio navio, sendo transferido para um navio
aliviador de tempos em tempos. O navio aliviador é um petroleiro que atraca na
popa da FPSO para receber petróleo que foi armazenado em seus tanques e
transportá-lo para terra. O gás comprimido é enviado para terra através de
gasodutos e/ou re-injetado no reservatório. Os maiores FPSOs têm sua capacidade
de processo em torno de 200 mil barris de petróleo por dia, com produção
associada de gás de aproximadamente 6 milhões m3 por dia.
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