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segunda-feira, setembro 09, 2013

Acidente de trabalho mata 1 por dia em São Paulo

Levantamento da Secretaria de Saúde de São Paulo mostra que, na média, pelo menos uma pessoa morre por dia vítima de acidente de trabalho nos municípios paulistas. Com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, o órgão paulista registrou 457 acidentes de trabalho fatais em 2012, contra 507 no ano anterior e 472, em 2010. Apesar da ligeira queda em relação aos dois anos anteriores, o número de óbitos mostra que o mercado de trabalho paulista, considerado o motor da economia brasileira, convive há pelo menos três anos com pelo menos uma morte por dia, ou, em média, 40 acidentes fatais por mês.

BRASIL OCUPA A 4ª COLOCAÇÃO DE MORTES
Em 2011, de acordo com o último Anuário Estatístico do Ministério da Previdência Social, morreram 2.884 trabalhadores durante o exercício de suas atividades em todo o país, deixando o Brasil na quarta colocação no ranking mundial de mortes por acidentes de trabalho, atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia. No total, foram registrados 711,1 mil acidentes ao longo de 2011.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE NOTIFICAÇÕES
Os dados de São Paulo mostram uma evolução do número de notificações ao Sinan, o que pode sinalizar que o anuário de 2012, que deve ser divulgado entre setembro e outubro, pode vir pior que 2011. Os registros, que dizem respeito a acidentes de trabalho fatais, graves ou que ocorreram com menores de 18 anos, cresceram de 25,6 mil, em 2010, para 35 mil em 2012. Em 2011, já haviam aumentado para 30,7 mil.
— As notificações vêm crescendo desde 2004, quando o sistema foi informatizado — diz Simone Alves dos Santos, diretora da Divisão de Saúde do Trabalhador da Vigilância Sanitária de São Paulo, lembrando que o maior número de ocorrências fatais acontece no trajeto entre a casa e o trabalho ou durante atividade na rua.

EM 5 ANOS, INDENIZAÇÕES JÁ CHEGAM AR$ 10 BILHÕES
Para o consultor em segurança e saúde do trabalho, Luís Augusto Bruin, os acidentes de trabalho já podem ser considerados “uma chaga social” no Brasil e um dos responsáveis pelo crescente rombo nas contas da Previdência. Segundo ele, os registros de acidentes em todo o país entre 2006 (512,2 mil) e 2011 (711,1 mil), último levantamento do Ministério da Previdência Social, cresceram 40%, e têm consumido pelo menos R$ 10 bilhões em pagamentos de benefícios e indenizações.
Se dividirmos o total de acidentes pelos gastos da Previdência Social, o custo chega a R$ 19 mil por acidente, ainda que, se for levado em conta que, para cada R$ 1 pago pela Previdência, a sociedade desembolsa outros R$ 3, o custo real seria de R$ 76 mil por acidente. Boa parte dos custos decorrentes dos acidentes fica oculta e, em alguns casos, é repassada para o preço dos produtos, diz Bruin. Fonte: O Globo - 7/09/13

Comentário:
A grande parte da responsabilidade de acidente de trabalho também cabe ao governo, pois coloca no mercado de trabalho,  jovens, adultos, com baixa escolaridade.
Qualquer tipo de capacitação exige uma boa formação escolar. Por exemplo, um pedreiro além de manusear ferramentas deve saber calcular orçamento, estimar material, fazer divisões e croquis. A falta de escolaridade cria uma barreira para o desempenho profissional e além disso,  dificulta por parte do trabalhador a compreensão da importância da segurança do trabalho no ambiente de trabalho.
Com a baixa escolaridade o trabalhador  perde ganhos de formação em leitura, escrita e matemática, provocando deficiência na compreensão de texto, capacidade comunicativa e argumentação. Por exemplo, um trabalhador que utiliza uma furadeira elétrica. O manual da máquina explica  com detalhes sua operação, segurança, manutenção, etc. O trabalhador deveria ter esse conhecimento através da leitura, não apenas por ordem de serviço ou procedimento de trabalho.

A baixa escolaridade do trabalhador provoca;
■Deficiência de leitura em instruções de segurança de máquinas e equipamentos
■Deficiência de leitura  de manuais de máquinas e equipamentos
■Deficiência de leitura de comunicação; aviso ou alerta de segurança de embalagens, máquinas, equipamentos, etc
Na realidade com a deficiência na educação pública,  as empresas estão assumindo esse papel,  buscando educar os trabalhadores e também qualificá-los para as novas tecnologias. Esse papel não é função das empresas.
A comparação que se faz com os Estados Unidos, que estamos atrás, cria distorção, pois nos EUA o número de trabalhadores é de 130 milhões, enquanto no Brasil  temos 56 milhões de trabalhadores formais e 46  milhões de trabalhadores informais, sem benefícios.  Os dados registrados mostram uma parte da realidade, porém é muito mais grave, pois a subnotificação ainda é grande no país

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posted by ACCA@11:42 AM