Acidente de trabalho mata 1 por dia em São Paulo
Levantamento
da Secretaria de Saúde de São Paulo mostra que, na média, pelo menos uma pessoa
morre por dia vítima de acidente de trabalho nos municípios paulistas. Com base
nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do
Ministério da Saúde, o órgão paulista registrou 457 acidentes de trabalho
fatais em 2012, contra 507 no ano anterior e 472, em 2010. Apesar da ligeira
queda em relação aos dois anos anteriores, o número de óbitos mostra que o
mercado de trabalho paulista, considerado o motor da economia brasileira,
convive há pelo menos três anos com pelo menos uma morte por dia, ou, em média,
40 acidentes fatais por mês.
BRASIL
OCUPA A 4ª COLOCAÇÃO DE MORTES
Em 2011,
de acordo com o último Anuário Estatístico do Ministério da Previdência Social,
morreram 2.884 trabalhadores durante o exercício de suas atividades em todo o
país, deixando o Brasil na quarta colocação no ranking mundial de mortes por
acidentes de trabalho, atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia. No
total, foram registrados 711,1 mil acidentes ao longo de 2011.
EVOLUÇÃO
DO NÚMERO DE NOTIFICAÇÕES
Os dados
de São Paulo mostram uma evolução do número de notificações ao Sinan, o que
pode sinalizar que o anuário de 2012, que deve ser divulgado entre setembro e
outubro, pode vir pior que 2011. Os registros, que dizem respeito a acidentes
de trabalho fatais, graves ou que ocorreram com menores de 18 anos, cresceram
de 25,6 mil, em 2010, para 35 mil em 2012. Em 2011, já haviam aumentado para
30,7 mil.
— As
notificações vêm crescendo desde 2004, quando o sistema foi informatizado — diz
Simone Alves dos Santos, diretora da Divisão de Saúde do Trabalhador da Vigilância
Sanitária de São Paulo, lembrando que o maior número de ocorrências fatais
acontece no trajeto entre a casa e o trabalho ou durante atividade na rua.
EM 5 ANOS, INDENIZAÇÕES JÁ CHEGAM AR$ 10 BILHÕES
Para o
consultor em segurança e saúde do trabalho, Luís Augusto Bruin, os acidentes de
trabalho já podem ser considerados “uma chaga social” no Brasil e um dos
responsáveis pelo crescente rombo nas contas da Previdência. Segundo ele, os
registros de acidentes em todo o país entre 2006 (512,2 mil) e 2011 (711,1
mil), último levantamento do Ministério da Previdência Social, cresceram 40%, e
têm consumido pelo menos R$ 10 bilhões em pagamentos de benefícios e
indenizações.
Se
dividirmos o total de acidentes pelos gastos da Previdência Social, o custo
chega a R$ 19 mil por acidente, ainda que, se for levado em conta que, para
cada R$ 1 pago pela Previdência, a sociedade desembolsa outros R$ 3, o custo
real seria de R$ 76 mil por acidente. Boa parte dos custos decorrentes dos
acidentes fica oculta e, em alguns casos, é repassada para o preço dos produtos,
diz Bruin. Fonte: O Globo - 7/09/13
Comentário:
A grande
parte da responsabilidade de acidente de trabalho também cabe ao governo, pois
coloca no mercado de trabalho, jovens,
adultos, com baixa escolaridade.
Qualquer
tipo de capacitação exige uma boa formação escolar. Por exemplo, um pedreiro
além de manusear ferramentas deve saber calcular orçamento, estimar material,
fazer divisões e croquis. A falta de escolaridade cria uma barreira para o
desempenho profissional e além disso,
dificulta por parte do trabalhador a compreensão da importância da
segurança do trabalho no ambiente de trabalho.
Com a
baixa escolaridade o trabalhador perde
ganhos de formação em leitura, escrita e matemática, provocando deficiência na
compreensão de texto, capacidade comunicativa e argumentação. Por exemplo, um
trabalhador que utiliza uma furadeira elétrica. O manual da máquina
explica com detalhes sua operação,
segurança, manutenção, etc. O trabalhador deveria ter esse conhecimento através
da leitura, não apenas por ordem de serviço ou procedimento de trabalho.
A baixa escolaridade do trabalhador provoca;
■Deficiência de
leitura em instruções de segurança de máquinas e equipamentos
■Deficiência de
leitura de manuais de máquinas e
equipamentos
■Deficiência de
leitura de comunicação; aviso ou alerta de segurança de embalagens, máquinas,
equipamentos, etc
Na
realidade com a deficiência na educação pública, as empresas estão assumindo esse papel, buscando educar os trabalhadores e também qualificá-los
para as novas tecnologias. Esse papel não é função das empresas.
A comparação que se faz com os Estados Unidos, que estamos atrás, cria distorção, pois nos EUA o número de trabalhadores é de 130 milhões, enquanto no Brasil temos 56 milhões de trabalhadores formais e 46 milhões de trabalhadores informais, sem benefícios. Os dados registrados mostram uma parte da realidade, porém é muito mais grave, pois a subnotificação ainda é grande no país
A comparação que se faz com os Estados Unidos, que estamos atrás, cria distorção, pois nos EUA o número de trabalhadores é de 130 milhões, enquanto no Brasil temos 56 milhões de trabalhadores formais e 46 milhões de trabalhadores informais, sem benefícios. Os dados registrados mostram uma parte da realidade, porém é muito mais grave, pois a subnotificação ainda é grande no país

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