Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quarta-feira, novembro 17, 2010

Prevenção de Incêndio com Cigarro

O hábito de fumar é uma das causas mais comuns de incêndios. No entanto, a ameaça de incêndios relacionados com fumo pode ser minimizada pela aplicação de várias técnicas de prevenção.

PREJUÍZOS E MORTES
■ O cigarro é uma das principais causas de incêndios residenciais nos USA. Morrem 1.000 pessoas idosas por ano.
■ O cigarro provoca prejuízos de milhões de dólares em propriedades por ano. Em 1996, os prejuízos decorrentes de incêndios provocados por cigarros em propriedades foram de US$ 10,6 milhões. Entre 1993 a 1996, a NFPA (National Fire Protection Association) informou cerca de US$ 396 milhões em prejuízos decorrentes de incêndios por cigarros.

COM UM PROGRAMA EFETIVO DE PROTEÇÃO RELACIONADO AO FUMO, A SUA EMPRESA PODE:
■ Reduzir perdas de patrimônio
■ Evitar interrupções onerosas nos negócios
■ Ajudar a manter a participação no mercado e conservar funcionários experientes
■ Evitar o risco de ter de se submeter a novas normas de construção que, em alguns casos, podem tornar os custos de reconstrução proibitivos ou exagerados.
■ Motivar o funcionário, delegando maior responsabilidade e autoridade.
Algumas medidas de prevenção simples e baratas, adotadas tanto por você como pelos funcionários em sua empresa, podem ajudar a evitar perdas e as conseqüências devastadoras que as acompanham.

O DESAFIO
O fumo foi identificado pelas análises de per­das da FM Global como uma das sete causas mais freqüente de incêndios. Ele representa um perigo em qualquer lugar, mas particularmente em;
■ Locais de alto risco onde haja líquidos ou gases inflamáveis,
■ Ou em áreas onde haja muito pó combustível ou muita sujeira,
■ Ou ainda, onde quantidades consideráveis de materiais combustíveis sejam armazenados ou processados.
Incêndios relacionados com fumo, iniciados por falta de cuidado, tendem a ocorrer em áreas de armazenagem, mais do que em quais­quer outros locais, devido à presença de materiais de embalagem facilmente inflamáveis. Cigarros e fósforos jogados sem cuidado podem continuar a queimar sem serem percebi­dos e, com freqüência, só são descobertos quando o incêndio já se iniciou.

COMO INICIAR UM PROGRAMA
A fim de obter o melhor aproveitamento em termos de custo-benefício da proteção de sua empresa, você deve avaliar o papel do fumo na estratégia global de gerencia­mento de riscos de sua empresa.

Primeiro, você terá de garantir boas proteções básicas contra incêndios relacionados com cigarros, as quais incluem a designação de áreas para fumar.

Dependendo da natureza de suas operações e do nível das outras medidas de prevenção e controle que sua empresa possa ter, como proteção por sprinklers automáticos, e do tipo de material que sua empresa abriga/processa, você pode escolher trabalhar em um nível de prevenção mais alto e monitorado.

A sua empresa encontrará seu nicho em algum lugar entre o nível básico, de proteção localizada, e o nível monitorado, que demanda mais envolvimento e colaboração. Embora possa não ser necessário em todos os tipos de empresas, o nível monitorado certamente diminuirá o número de perdas.

ELEMENTOS­ CHAVES PARA PREVENÇÃO DE PERDAS RELACIONADAS COM FUMO;

FUMO - ELEMENTOS BÁSICOS
De uma forma geral, confine e controle os materiais para fumantes e divulgue sua política de fumo.

ÁREAS DESIGNADAS PARA FUMAR (FUMÓDROMO)
Muitas empresas designam áreas especiais para funcionários, clientes e visitantes fumarem. Confinando o fumo a uma área protegida específica, você ajuda a controlar o risco de incêndio e a minimizar o risco de perda. Isole as áreas designadas de locais perigosos e torne-as seguras para o fim a que se destinam. Isso inclui a remoção de materiais combustíveis e mobiliários feitos de materiais incombustíveis ou com o menor numero possível de componentes combustíveis.

RECIPIENTES DE LIXO ADEQUADOS (INCLUINDO CINZEIROS GRANDES E CESTOS METÁLICOS)
A disponibilidade de recipientes seguros minimiza as chances de destinação perigosa a materiais de fumantes, como ocorre com uso de cestos de lixo. O pessoal de limpeza deve, também, ter o cuidado de esvaziar cinzeiros e outros recipientes com freqüência e de forma a eliminar possibilidades de ignição.

SINALIZAÇÃO DA POLÍTICA REFERENTE AO FUMO
Identifique claramente tanto as áreas proibidas como as áreas onde fumar é permitido. Além disso, os avisos devem comunicar o perigo de incêndio associado ao fumo em locais com conteúdo facilmente inflamável, como, por exemplo, "Processo Perigoso - Não Fume" ou "Materiais Combustíveis - Não Fume"

POLÍTICA RELACIONADA COM O FUMO COMUNICADA A TODOS OS FUNCIONÁRIOS, EMPREITEIRAS E VISITANTES.
Todos os funcionários e visitantes em sua em­presa devem ser informados das razões em que as restrições ao fumo. Ajude-os a compreender porque fumar é proibido em certas áreas e faça com que saibam onde podem fumar.

Os funcionários serão mais responsáveis em relação ao seu próprio hábito de fumar e os demais entenderem as conseqüências potenciais de perdas. Um cigarro ou fósforo displicentemente jogado pode iniciar um incêndio passível de destruir a instalação e fazer que percam seus empregos.

ELEMENTOS MONITORADOS
Além dos elementos básicos, a gerência deve ter certeza de que suas políticas funcionem. Se não funcionam, descubra o porquê e corrija a situação. Envolva os funcionários.

Todos os elementos básicos mais:
Revisão de relatórios periódicos de inspeção para verificar a conformidade. Gerentes de áreas onde forem encontradas infrações são responsáveis pelo desenvolvimento do um plano de ação corretiva para eliminar novas ocorrências.

Relatórios periódicos de inspeção ­podem indicar sinais de fumo encontrados n­uma área específica da instalação. O objetivo dessa informação por escrito não deve ficar e punir o culpado, e sim, a criação de uma base de dados que lhe indicará onde e quando ocorrem problemas.

Uma vez identificado o problema, você pode tomar providencias para resolvê-lo.
■ Por que pontas de cigarro sempre são encontradas neste canto?
■ Ele esta muito distante da área de fumantes?
■ A solução pode ser a simples colocação de um aviso indicando não se tratar de uma área onde fumar seja permitido.

Reconhecimento, por parte da gerência, de que a política deve ser flexível, conforme as necessidades da força de trabalho (regras realistas com pausas para fumar).
Os gerentes devem ser razoavelmente flexíveis considerando as necessidades dos fumantes. Infrações freqüentes da norma podem indicar que a norma não é razoável. Os intervalos dão tempo suficiente aos funcionários para irem até a área de fumantes, fumarem um cigarro e voltarem ao trabalho? Há um intervalo à tarde e outro de manhã? A política relacionada ao fumo deve ser revisada e atualizada periodicamente para assegurar que ela satisfaça as necessidades e condições normais da mão de obra de sua empresa.

Apoio constatado dos funcionários e participação na política relacionada ao fumo
Funcionários que ajudam a elaborar a política relacionada ao fumo da empresa estarão mais aptos a apoiá-la e aderir a ela. Suas valiosas sugestões quanto à freqüência dos intervalos e a localização das áreas para fumar assegurarão uma política realista. Você pode também designar uma responsabilidade rotativa para a fiscalização da política relacionada ao fumo entre os funcionários.

Ou, como alternativa, os seguintes elementos:
Fumar não é permitido (desde que haja apoio dos funcionários)
Muitas empresas eliminaram totalmente o fumo de suas instalações. Essa abordagem só é viável se apoiada por todos os funcionários ou requerida pelas autoridades locais. O risco de incêndio e, em alguns casos, leis governamentais podem influenciar os funcionários nesse sentido, mas a proibição de fumar pode ocasionar uma fadiga indevida em algumas pessoas, levando-as a burlar a norma procurando lugares escondidos, possivelmente impróprios, para fumar.

Se a eliminação total do fumo não é viável em sua empresa, trabalhe ou procure um consultor de prevenção de perdas, para desenvolver um programa alternativo baseado nos elementos precedentes.

ANÁLISE INICIAL
Na análise de suas instalações utilize o questionário a seguir, para avaliar a situação e para ajudá‑lo a decidir quais são as mudanças necessárias.

Elementos Básicos
■ Áreas designadas para fumar
■ Recipientes de lixo adequados (incluindo cinzeiros grandes e cestos metálicos)
■ Sinalização da política referente ao fumo
■ Política relacionada com o fumo comunica­da a todos os funcionários, empreiteiras e visitantes

ELEMENTOS MONITORADOS
Todos os elementos básicos mais:
■ Revisão de relatórios periódicos de inspeção para garantir conformidade. Gerentes de áreas onde forem encontradas infrações são responsáveis pelo desenvolvimento de um plano de ação corretiva para eliminar novas ocorrências
■ Reconhecimento, por parte da gerência, de que a política deva ser flexível, conforme as necessidades da força de trabalho (regras realistas com pausas para fumar).
■ Apoio constatado dos funcionários e participação na política relacionada ao fumo
Ou:
■ Fumar não é permitido (desde que haja apoio dos funcionários)

ELEMENTOS ADICIONAIS
Detalhe que elementos adicionais, dirigidos as suas necessidades específicas de seu programa deve conter.

Fonte: Factory Mutual Insurance Company e National Fire Protection Association - NFPA

Comentário:
Em 2008, de acordo com as estatística dos Corpos de Bombeiros dos EUA cerca de 114.800 incêndios foram provocados por cigarros. Estes incêndios resultaram em um número estimado de 680 mortes, 1.520 feridos e 737 milhões dólares em danos materiais diretos.
Móveis, estofados e colchões e roupas de cama foram os principais materiais que iniciaram os incêndios provocados por cigarros.
Um em cada quatro vítimas fatais dos incêndios de cigarros não é o fumante, cujo cigarro começou o fogo. A maioria das vítimas fatais de cigarros provocados por incêndios começou em salas de jantar e estar, sala de leitura ou quartos.

Registro de acidentes com cigarro:

■ Na tarde de sexta-feira, 06 de agosto de 2010, o Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul teve apagar incêndio em área de floresta, na área urbana da cidade.
Uma mulher jogou uma ponta de cigarro ao meio da vegetação, a atitude aparentemente banal se transformou em um incêndio, numa área com mais de 100 metros quadrados. “Eu estava fumando um cigarro e joguei a ponta do cigarro no capim, em seguida ouvi um barulho, quando olhei o mato estava pegando fogo, tentei apagar mais o fogo espalhou muito rápido, tive que pedir para o meu filho ligar para o Corpo de Bombeiros”, explicou.
■ Por volta das 9h da manhã de quinta-feira, 11 de novembro de 2010, o Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop) foi informado sobre incêndio em um edifício, no bairro do Bessa, localizado próximo ao Colégio Visão, em João Pessoa, Paraíba.
As primeiras informações deram conta de que um morador do 8° andar, do Edíficio Condomínio Canumã, estava em seu quarto quando cochilou. Ele estava com um cigarro aceso. Foi o que deu início às chamas que destruíram boa parte dos móveis do quarto.
■ Um homem, de 55 anos, morreu carbonizado dentro de casa, na noite de quinta feira, 22 de outubro de 2010, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o incêndio foi provocado por um cigarro. O incêndio foi controlado. Quando a equipe conseguiu entrar na residência, o homem já estava morto, com 95% do corpo queimado.
■ Um princípio de incêndio no Edifício Avenida Central, no Centro do Rio, mobilizou três equipes do Corpo de Bombeiros, na madrugada de sexta-feira, 21 de agosto de 2009. As chamas destruíram a estrutura das escadas rolantes do andar térreo, na portaria em frente ao Largo da Carioca.
Fagulhas de pontas de cigarros acumuladas na base das escadas elétricas ou no depósito de manutenção de óleo podem ter provocado o incêndio, segundo o Corpo de Bombeiros. Os bombeiros, com o auxílio da brigada de incêndio do prédio, trabalharam rápido e conseguiram debelar as chamas. Nenhuma loja foi atingida, disse o coordenador de segurança do prédio.
O incêndio teve início por volta das 2h, quando apenas a equipe de segurança circulava no interior do imóvel. O edifício de 34 andares concentra 144 lojas e 1060 salas comerciais. Ninguém ficou ferido. Durante o trabalho dos bombeiros, o entorno do prédio e os corredores centrais foram interditados por motivo de segurança. O serviço de carga e descarga das lojas também foi paralisado. A fumaça atingiu todos os andares do edifício. Apesar do acidente, a coordenação de segurança do Edifício Central garantiu a abertura das lojas e salas. O edifício abrirá normalmente.

Marcadores: , ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@9:03 AM