EXPLOSÃO EM SILO DA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL C.VALE, EM PALOTINA (PR)
Uma explosão em um silo da cooperativa agroindustrial C.Vale, em Palotina (PR), a 595 km de Curitiba, deixou pelo menos dois mortos, duas pessoas feridas em estado grave e nove desaparecidos no final da tarde de quarta-feira (26/07).
A informação
foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros.
O QUE ACONTECEU:
A explosão ocorreu em um túnel
de transporte de grãos, por volta das 16h50, mas a causa ainda não foi
identificada, segundo a C.Vale informou em comunicado. A cooperativa ressaltou
que a "prioridade" agora é a "integridade dos colaboradores
atingidos e seus familiares".
O silo estava sendo usado
para armazenar milho e fica a nove quilômetros do centro de Palotina, numa área
com vários silos. A explosão teria ocorrido em um túnel de transporte e,
segundo os bombeiros, também destruiu parcialmente outros dois silos.
Funcionários da cooperativa estavam fazendo a manutenção na estrutura quando ocorreu a explosão, cuja causa ainda não foi identificada.
Por volta das 20h, os
bombeiros ainda não haviam conseguido entrar no silo destruído. Como ele
ameaçava ruir, primeiro foi necessário fazer o escoramento da estrutura, para
ingressar com segurança e procurar os desaparecidos.
DANOS A CIRCUNVIZINHANÇAS
Há relatos de que o estrondo
foi ouvido a quilômetros de distância e chegou a provocar a quebra de vidros de
janelas de imóveis que ficam em bairros próximos ao local
EXPLOSÕES EM CADEIA
O Corpo de Bombeiros detalhou que houve ao menos cinco explosões em sequência em um silo de secagem de grãos da cooperativa. Segundo a corporação, as explosões começaram por volta das 16h50.
O capitão Guilherme Rodrigues,
do Corpo de Bombeiros, detalhou que o ambiente onde ocorreu a primeira explosão
é bem fechado e com bastante pó, com partículas inflamáveis que, em contato com
qualquer fagulha, podem provocar explosões em série.
"Essas partículas pegam
fogo com facilidade. Essa primeira explosão faz com que outras partículas em
estruturas metálicas também sofram o mesmo efeito."
Conforme o oficial, oito
pessoas estavam no local da primeira explosão. As outras acabaram destruindo
quatro barracões no entorno, onde trabalhavam mais vítimas.
CORPO DE BOMBEIROS
Os bombeiros disseram que
foram acionados por volta das 17h, quando foram até o local. Uma força-tarefa
com 11 viaturas, mais de 35 socorristas e cães de Palotina, Cascavel e Toledo
foi mobilizada para ajudar a conter as chamas e socorrer os feridos.
VÍTIMAS
Oito pessoas morreram, onze
ficaram feridas e uma está desaparecida. Por volta da 1h30 de quinta-feira
(27), os bombeiros informaram que um trabalhador foi resgatado com vida.
Na quinta‑feira (27/07/2023) ,
10 pessoas estavam em estado grave, mas com a oitava morte, passam a ser nove
os feridos gravemente. Uma pessoa está desaparecida, segundo Defesa Civil.
Todos os feridos foram
encaminhados para hospitais da região.
Oito pessoas morreram e 11
ficaram feridas no acidente. As vítimas são sete haitianos e um brasileiro,
segundo os bombeiros. Segundo a Secretaria de Saúde (Sesa), 9 pessoas estão em
estado grave.
RESGATE
O capitão Rodrigues, do Corpo
de Bombeiros, explicou que parte das vítimas estavam em um túnel que interliga
os armazéns do silo na hora das explosões.
"As vítimas estavam no
subsolo, nesse túnel, e a estrutura veio abaixo por conta da explosão. Estamos
trabalhando o mais rápido possível no resgate. É uma corrida contra o tempo."
O oficial detalhou, também, onde dois corpos estavam. "Provavelmente elas
foram atingidas pela onda de choque que se propaga no momento da explosão e
acabaram morrendo [...] Um dos corpos estava à frente do armazém, onde era
realizado o serviço, e outra vítima estava atrás", afirmou.
RESGATE DE DESAPARECIDOS
Um trabalhador que estava
entre os desaparecidos foi resgatado com vida após oito horas de buscas, na
madrugada de quinta-feira (27). O homem foi socorrido em estado grave e levado
para um hospital de Cascavel.
O trabalhador socorrido
durante a madrugada é haitiano e sofreu
queimaduras pelo corpo, segundo os bombeiros. Ele foi o primeiro a ser
resgatado entre os funcionários que estão desaparecidos.
CAUSA PROVÁVEL
De acordo com o major Tiago Zajac,
a explosão ocorreu no interior do túnel de um dos silos da cooperativa. Na
sequência, se estendeu a outros três tuneis interligados.
O major explica que o período
atual é de colheita da safra de milho, e que esses armazéns recebem o produto e
o estoca até a secagem, para então ser processado.
O major acrescenta que as
causas da explosão serão investigadas pelos peritos da polícia científica. Ele,
no entanto, antecipou algumas das hipóteses sobre quais substâncias presentes
no local poderiam ter servido de combustível para a explosão.
“A compactação da massa de
milho pode produzir gás por conta da fermentação. É também possível que a
explosão tenha sido causada pela poeira do milho, que também pode gerar uma
atmosfera explosiva”, disse o major. “Esses riscos tornam imprescindível a
limpeza rotineira desses tuneis”, acrescentou.
O QUE DIZ A EMPRESA
A C.Vale se pronunciou por
meio de nota e disse que está colaborando com as forças de segurança.
"A C.Vale comunica aos
seus associados e comunidade em geral que nesta quarta‑feira, 26 de julho, às
16h50, um sinistro de grandes proporções atingiu nossa unidade central de
recebimentos de grãos em Palotina, oeste do Paraná, devido a causas ainda não
identificadas.
No momento, a prioridade está
centrada na mobilização de todos os esforços e recursos necessários à
preservação da integridade dos colaboradores atingidos pelo incidente e apoio
aos familiares das possíveis vítimas atingidas.
No momento, todas as equipes
de segurança da cooperativa estão ativas colaborando com autoridades públicas
envolvidas, visando minimizar efeitos desse lamentável evento.
Assim que todas as variáveis
forem identificadas e apuradas as repercussões geradas pelo incidente, nova
nota de esclarecimento será emitida pela equipe de gerenciamento de crise
instalada nessa oportunidade".
MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO INVESTIGARÁ A COOPERATIVA
O Ministério Público do
Trabalho de Cascavel (MPT) abriu um inquérito civil para investigar eventuais
responsabilidades na série de explosões que resultou em mortes na cooperativa
C. Vale, em Palotina, no oeste do Paraná.
Conforme o órgão, a investigação vai tentar descobrir se houve irregularidade por parte da empresa na hora do incidente. "O MPT investigará aspectos relacionados à regularidade dos trabalhadores vitimados pela explosão no silo", diz a nota.
DANOS MATERIAIS NA VIZINHANÇA
Cerca de 200 imóveis foram
danificados informou o secretário de administração do município Lucas Pedron na
segunda-feira (31).
"Todas com pequenos danos, nenhum dano grave que necessite de mobilização. [...] A C.Vale está trabalhando primordialmente para o ressarcimento desses danos e atendimento as vítimas", afirmou o secretário. Entre os danos, estão portas, vidraças e telhados que foram atingidos por destroços ou mesmo pelo tremor causado pelas múltiplas explosões registradas.
VÍTIMAS – BALANÇO FINAL
A tragédia na cooperativa completou
um mês no sábado (26/08). A série de explosões registradas no dia 26 de julho
em um silo de grãos provocou a morte de dez pessoas e deixou outras dez gravemente
feridas.
LAUDO DIVULGADO PELO
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
concluiu que a explosão que atingiu o silo de secagem de grãos da cooperativa
agroindustrial C. Vale, em Palotina (PR), em 26 de julho de 2023, foi causada
pelo excesso de poeira de grãos em suspensão e depositada em diversos pontos da
unidade. O acidente causou a morte de dez trabalhadores e deixou outros dez
feridos.
De acordo com a nota divulgada pelo MTE;
· a poeira de grãos estava no ar,
· também,
concentrada no chão, nas paredes e máquinas, dentro dos túneis subterrâneos das
esteiras transportadoras de grãos.
O laudo explica que a poeira
pode se tornar um combustível, quando somada à presença de oxigênio e associada
a uma fonte de ignição (combustão), que teria lavado à explosão na empresa.
No documento, o Ministério do
Trabalho e Emprego expõe situações que poderiam ter iniciado o acidente na
cooperativa paranaense;
·
como um curto nas
instalações elétricas precárias,
·
aquecimento por
fricção dos roletes das esteiras transportadoras de grãos,
·
faíscas em
motores ou outro fator a ser identificado pela perícia técnica.
OUTRAS IRREGULARIDADES
Os cinco auditores-fiscais da
Inspeção do Trabalho detectaram outras irregularidades no local;
·
como
trabalhadores avulsos que não possuíam capacitação adequada para o trabalho em
espaços confinados;
·
falta de
supervisão suficiente;
·
excesso de
jornada;
·
falta de descanso
semanal;
·
vestimentas
inadequadas para a área de trabalho;
·
ingresso de
trabalhadores nos túneis em funcionamento sem a devida parada do sistema;
·
sistemas de
transporte por correias sem monitoramento de temperatura e desalinhados;
·
pressão por
prazos (safra com alta demanda);
·
instalações
elétricas inadequadas.
Durante a investigação, os
auditores-fiscais identificaram outras questões de descumprimento de itens de
gestão da cooperativa;
·
como a ineficácia
dos sistemas de controle para retirada da poeira em suspensão,
·
não havia
procedimento suficiente de limpeza da poeira depositada nos túneis;
·
e a empresa não
tinha uma gestão adequada dos seus espaços confinados.
Uma norma do ministério
define como espaços confinados aqueles que não são projetados para ocupação
humana contínua; que possuem meios limitados de entrada e saída; e onde existe
atmosfera perigosa, por exemplo, com a possibilidade de explosão.
A equipe de fiscalização
lavrou 26 autos de infração, ainda em fase de recurso por parte da empresa.
Fontes: g1 PR e RPC Cascavel - 26/08/2023; g1 PR-29/07/2023; RPC Cascavel e g1-27/07/2023; Agência Brasil – 27/07/2023; g1 PR e RPC - 27/07/2023; g1 PR e RPC Cascavel - 26/07/2023; UOL, em São Paulo-26/07/2023; Agência Brasil – Brasília - Publicado em 20/03/2024
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