Incêndio atinge a Vale Fertilizantes em Cubatão
Uma forte explosão foi registrada na tarde de quinta-feira
(05/01/2017) na Vale Fertilizantes, em
Cubatão, às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni. O incidente foi
ocasionado por um incêndio na Unidade 2 da empresa, iniciado em uma correia transportadora.
Um dos armazéns, com nitrato de amônio, pegou fogo. A estrutura de outro
armazém também foi atingida.
CAUSA DO INCÊNDIO
O gerente de produção das unidades de Cubatão da Vale
Fertilizantes, Christian Barge, disse que o fogo iniciou em uma esteira e se
alastrou para dois armazéns com fertilizantes. "Um armazém com 10 mil
toneladas de nitrato de amônio foi atingido. No caso do outro, a extensão foi
mais na parte do telhado. Esse tinha 8 mil toneladas de MAP, também um
fertilizante, mas não foi atingido pelo fogo", explica.
CONTROVÉRSIA DA CAUSA DO INCÊNDIO
O presidente do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias Químicas da Baixada Santista, disse ter recebido
informações de trabalhadores da unidade de que, três dias antes do incidente,
já havia comunicado que a correia transportadora exigia manutenção. Esse aviso
não foi atendido, diz ele. “Eles suspeitam de que o incêndio teria sido
inicialmente provocado pelo aquecimento do equipamento, o que levou à explosão
e ao foco de incêndio
EVACUAÇÃO
Os trabalhadores precisaram ser evacuados emergencialmente
do local. Uma fumaça tóxica de cor amarela pôde ser vista das cidades da
região.
O fogo obrigou a evacuação da população no entorno da área
industrial, afetando as empresas Yara Fertilizantes e Cesari, além da Unidade 3
da Vale Fertilizantes.
As famílias que moram próximas ao local do incêndio foram
evacuadas e retornaram ao seus lares por volta das 21h de quinta-feira. Elas
precisaram ser removidas de suas residências por conta da fumaça tóxica jogada
na atmosfera, que poderia causar danos aos moradores.
A Defesa Civil do
Município de Cubatão promover a evacuação da comunidade Mantiqueira, que fica
nas proximidades da empresa Usiminas, que também foi evacuada.
''Os moradores dessa comunidade (218 famílias) foram
retirados com a utilização de três ônibus disponibilizados pela empresa e
levados para uma escola do Município''.
No final da noite, a Prefeitura de Cubatão informou que os
moradores da Mantiqueira não precisaram dormir na escola João Ramalho e, por
volta de 21h30, começaram o retorno para casa em ônibus destacados pela
Administração e por indústrias da cidade.
FUMAÇA TÓXICA
A fumaça foi produzida durante, pelo menos 5 horas. Ela é
resultado da queima do nitrato de amônio que, a partir daí, produziu amônia e
gases nitrosos, que são tóxicos. Para as pessoas, ele pode ocasionar efetivos
adversos à saúde, como problemas respiratórios, irritação nos olhos e também na
pele.
INTERRUPÇÃO DE RODOVIAS
Segundo a Ecovias, concessionária que administra o Sistema
Anchieta-Imigrantes (SAI), por conta do vazamento de produto perigoso em área
fora do trecho de concessão, o acesso à Avenida Plínio de Queiroz, que leva à
Margem Esquerda do Porto, no Km 248, foi bloqueado nos dois sentidos durante a tarde
e liberado no início da noite.
CANAL DO PORTO FECHADO
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos,
também tomou medidas de precaução contra a fumaça tóxica e decidiu
"fechar" temporariamente o Canal do Porto de Santos. A ação
preventiva começou às 16h30 e terminou
por volta das 19h10.
A decisão de permitir o trânsito de embarcações aconteceu
após uma equipe da Capitania dos Portos de São Paulo, que estava no Estuário,
próximo a Cubatão, notar que a fumaça já não estava mais peto do Canal.
PARALISAÇÃO DA PRODUÇÃO
Seguindo as diretrizes de segurança da empresa, houve
evacuação imediata e paralisação da produção da unidade e empresas vizinhas.
CORPO DE BOMBEIROS
Ao todo, 15 equipes do Corpo de Bombeiros da Baixada
Santista e 20 da Grande São Paulo foram deslocadas ao local para atenderem a
ocorrência, além da Brigada de Incêndio da empresa.
PAM DO PORTO
A Codesp informou que, em cerca de quatro minutos após a notificação do
acidente na Vale, enviou seu veículo autobomba e a Brigada de Incêndio, com
equipamentos de respiração e primeiros socorros, para reforçar o atendimento,
além de acionar o PAM do Porto (Plano de Auxílio Mútuo) para auxiliar no
combate ao incêndio.
VÍTIMAS
Dois bombeiros, durante o combate, passaram mal e foram
imediatamente atendidos.
CONTROLE DO FOGO E RESCALDO
O fogo, que começou por volta das 15 horas foi controlado no
final da tarde do mesmo dia e extinto à noite, perto das 22h30.
O trabalho de rescaldo terminou no início da manhã de
sexta-feira (06/01/2017).
PLANO DE EMERGÊNCIA DE EVACUAÇÃO
O incêndio na Unidade 2 da Vale Fertilizantes deve
desencadear uma série de iniciativas para oferecer mais segurança à população.
Por exigência do prefeito será instituído um plano para evacuação de todos os
moradores e trabalhadores, para ser desencadeado em situações semelhantes.
O plano começou a ser debatido na sexta-feira (6). Reunidos
a partir das 16 horas com o prefeito, representantes de Vale Fertilizantes,
Defesa Civil, Cetesb, Corpo de Bombeiros e do Plano de Auxílio Mútuo (PAM) das
indústrias começaram a discutir a melhor forma de treinar moradores e
trabalhadores para situações de risco.
A medida não é alarmista, diz Jefferson Cansou, secretário
municipal de Segurança e Cidadania, “Cubatão é uma cidade que tem uma
localização geográfica muito complicada, cercada por barreiras naturais e
indústrias químicas”, explica.
Deu certo também, avalia ele, “porque o vento não empurrou
as nuvens tóxicas para o centro de Cubatão, mas em sentido contrário, para as
montanhas. Por isso, precisamos de um plano de evacuação e de integrar os
órgãos que agiram com presteza para participar desse plano”.
PLANO DA ONU
O secretário municipal de Segurança e Cidadania de Cubatão apoia a proposta da Prefeitura para implantar o plano de
evacuação. Mas considera melhor adotar logo em Cubatão e nas demais cidades da
Baixada Santista o Plano Apell. Desenvolvido pela Organização das Nações Unidas
(ONU), e um processo de ação cooperativa local para intensificar a
conscientização e a preparação da comunidade a situações de emergência.
O eixo central deste processo é um
grupo coordenador constituído por autoridades locais, líderes da comunidade,
dirigentes industriais e outras entidades interessadas. No ano passado, em
decorrência dos incêndios em instalações industriais de Santos e Guarujá, a
Defesa Civil do Estado chegou a iniciar a adoção do plano, sem sucesso.
ÁGUA UTILIZADA CONTRA INCÊNDIO
PODE TER CONTAMINADO CÓRREGOS E RIO MOGI
A água utilizada no combate ao
incêndio pode ter contaminado córregos da cidade, o Estuário e o Rio Mogi. A
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)
iniciou, na sexta-feira (6), os trabalhos de avaliação e investigação dos danos
ambientais causados pelo incidente.
Segundo Geraldo do Amaral, diretor
de controle ambiental da Cetesb, não há risco de novos incêndios na área.
Agora, iniciou-se o período de investigações, para verificar os danos
ambientais.
"Estamos trabalhando em duas
frentes de ação. Numa primeira frente, investigamos o motivo do acidente, para
que o funcionamento da empresa seja possível, dentro da segurança necessária.
Também estamos trabalhando com a avaliação dos ambientes aquáticos e aéreos.
Estamos monitorando o Rio Mogi, verificando eventuais impactos que o lançamento
dos efluentes possa ter causado nesse corpo d'agua, e avaliando também a
qualidade do ar", explica.
Ainda segundo Amaral, por enquanto
não foi detectada qualquer alteração da qualidade do ar, nem mortandade de
peixes, mas a qualidade da água ainda está sendo analisada. A preocupação é que
a água utilizada no combate às chamas tenha atingido rios e córregos.
"O volume utilizado para o
combate ao incêndio foi muito grande, não pode ser contido nas bacias de
contenção que a empresa tem para isso. Houve um extravasamento, que atingiu a
condição hídrica local, e nós estamos investigando isso, no córrego adjacente,
no Rio Mogi e na entrada do Estuário, para ver se há algum impacto",
relata.
INQUÉRITO
O Ministério Público Federal em Santos determinou a
instauração urgente de um inquérito para investigar o incêndio e o vazamento
dos produtos químicos na Vale Fertilizantes. O procurador da República, Tiago
Lacerda Nobre, destaca entre os motivos a possibilidade real de risco à saúde
da população e dos trabalhadores da região, e os prováveis danos ao meio
ambiente.
O Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (GAEMA), do
Ministério Público Estadual (MPE), também vai abrir uma investigação para
apurar a responsabilidade pelos danos ambientais causados pelo incêndio.
"Formalizaremos a instauração do inquérito a partir de segunda-feira. Como
providências preliminares, requisitaremos à Cetesb, Defesa Civil e Corpo de
Bombeiros um relatório completo do atendimento a essa diligência", revela
Flávia Maria Gonçalves, promotora do MPE.
CETESB SUSPENDE LICENÇA DE
OPERAÇÃO DA VALE FERTILIZANTES
A Companhia Ambiental do Estado De
São Paulo (Cetesb) decidiu, na tarde de sexta-feira (6), suspender a licença de
operação de parte da unidade da Vale Fertilizantes, em Cubatão. A retomada das
atividades somente será autorizada e um novo documento emitido quando a área
for totalmente reconstruída e oferecer segurança para funcionar.
A Cetesb informou que a suspensão
é válida para as estruturas que movimentem nitrato de amônio (NH4NO3),
substância atingida pelo incêndio. As unidades não afetadas estão autorizadas a
retomar operação após revisão de segurança interna da própria empresa, ainda de
acordo com o órgão ambiental paulista.
Segundo a Cetesb, o galpão de
nitrato de amônio que incendiou tem capacidade para armazenar até 35 mil
toneladas do produto. No momento do incêndio havia, aproximadamente, 10 mil
toneladas da substância que foram consumidas pelo fogo.
ANÁLISE DA QUALIDADE DA ÁGUA DO
RIO
A Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental (Cetesb) finalizou parte das análises da qualidade da água
do rio Mogi e concluiu que houve alteração na concentração de nitrogênio
amoniacal. Trecho do manancial foi atingido por água contaminada do incêndio.
Apesar da alteração, não foi
registrada mortandade de peixes ou "impacto ambiental significativo no
rio" e "não foram registradas reclamações da vizinhança reportando
alterações em vegetação ou corpos d’água", segundo a Cetesb.
NOTA DA VALE
Em nota, a Vale Fertilizantes informou que o incêndio
ocorreu em uma correia transportadora que alimenta o armazém da unidade de
nitrato de amônio do Complexo Industrial de Cubatão.
''Seguindo as diretrizes de segurança da empresa, houve
evacuação imediata e paralisação da produção da unidade e empresas vizinhas. O
Plano de Auxílio Mútuo (PAM) de Cubatão também foi acionado. A Defesa Civil
auxiliou as equipes a orientar a comunidade da Mantiqueira, nas proximidades da
unidade, a evacuar o local de forma preventiva.
Um bombeiro durante o combate passou mal e foi imediatamente atendido. O
incêndio não atingiu outras unidades da empresa''.
Ainda no comunicado, a Vale afirma que a emissão dos gases
gerados durante a queima do nitrato já foi contida. ''A fumaça gerada, de cor laranja avermelhada
e tóxica, já foi dissipada na atmosfera.
Se respirada em grandes concentrações, pode causar irritação do nariz e
do trato respiratório superior, além de tosse e dor de garganta''.
A nota termina dizendo que ''a Vale Fertilizantes está
trabalhando com o Corpo de Bombeiros e autoridades locais e não medirá esforços
para minimizar os efeitos deste incidente para a população. As causas do
incêndio estão sendo apuradas, bem como eventuais danos ambientais''.
MULTA
A Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental (Cetesb) multou a Vale Fertilizantes em R$ 8 milhões, por
ter causado poluição pela emissão de efluentes na atmosfera durante um incêndio
na unidade de Cubatão (SP).A empresa recebeu a notificação e está avaliando o
conteúdo do documento.
A companhia justificou que a multa
foi aplicada à empresa justamente por causa da emissão de efluentes na
atmosfera, como gases nitrosos, material particulado e outros gases que
provocaram uma fumaça laranja. Além disso, a Cetesb também mencionou o
lançamento de substâncias líquidas contaminados com Nitrato de Amônio em curso
d'água.
QUESTIONAMENTO DA MULTA
Em nota, a Vale Fertilizantes
informou que recebeu o auto de infração da Cetesb com imposição de multa. No
momento, a empresa está avaliando o conteúdo do documento, para tomada de
decisão quanto ao eventual questionamento do valor da multa e das exigências
estabelecidas pelo órgão ambiental. Fonte: G1 Santos- 05 a 18/01/2017 ,
A Tribuna on-line 05 a 10/01/2017
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Comentário:
CAUSAS DE INCÊNDIO
Dados de várias fontes mostram que as causas mais comuns de
incêndio são:
• Atrito devido a esteira está perdendo tração e
deslizamento no acionamento dos roletes , ou devido a desalinhamento da correia
deslizando fora dos roletes e bloqueando. Isso pode gerar calor suficiente para
ignizar a correia ou produto. Dano no mancal do
tambor motriz impede a movimentação, a
velocidade do cilindro cai ou não gira, causado pelo escorregamento do rolamento
da esteira transportadora A temperatura
da superfície aumentará rapidamente.
De acordo com estatísticas, cerca
de 40min de escorregamento, a temperatura da superfície do rolamento atingirá 320
℃, e a esteira transportadora
começará queimar-se A temperatura de 320
° C é a temperatura crítica de queima. Portanto, o risco de escorregamento do tambor
por períodos longos pode levar a perda e
propagar fogo
■ As
atividades de corte e soldagem geram partículas de metal fundido quente que
podem ignizar a correia ou acumular resíduos abaixo.
■ Material
superaquecido de fornos, fornos ou secadores que não tenham sido
suficientemente resfriado colocado na correia também pode causar ignição da
correia.
PRECAUÇÕES GERAIS CONTRA INCÊNDIO
As medidas simples de prevenção de incêndio incluem:
■ um
alto padrão de limpeza entorno das esteiras
transportadoras para evitar acúmulo
de resíduo, material, pó, etc.
■ manutenção planejada para garantir correta
tensão da correia e lubrificação de componentes
■ inspeções
regulares de prevenção de incêndios seguindo listas de verificação adequadas.
MANUTENÇÃO
Esteiras transportadoras requerem monitoramento e manutenção
constantes.
■
Sempre realize inspeções periódicas e detalhadas nas esteiras;
■
Sempre substitua, o mais rápido possível, os roletes desgastados ou
danificados;
■
Sempre investigue o odor de borracha queimada proveniente das esteiras;
■
Sempre elimine fontes potenciais de incêndio tais como rolamentos
superaquecidos e desalinhamento das esteiras;
■
Sempre remova pós e outros materiais acumulados nos componentes das esteiras;
■
Sempre sinalize claramente os locais da rede de hidrantes ao longo das
esteiras;
■
Sempre esteja certo que os hidrantes ao longo das esteiras estejam abrigados, limpos
e que as mangueiras de incêndio estejam adequadamente enroladas.
Fonte: Manual de Proteção contra Incêndio-, NFPA, FM Global

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