INCÊNDIO EM SHOPPING TIJUCA NO RIO DE JANEIRO
O fogo começou
por volta das 18h sábado , atingiu o subsolo do Shopping Tijuca, localizado na
zona norte do Rio de Janeiro.
Início do incêndio
O incêndio começou no
ar-condicionado de uma loja no subsolo do shopping. Funcionários relataram que
sentiram um cheiro forte por volta das 18h30 e perceberam a fumaça. Na
sequência, foram alertados por seguranças do shopping para deixarem o prédio.
CORPO DE
BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros informou
que o quartel da Tijuca foi acionado às 18h28. Até o momento, 13 viaturas e
cerca de 40 militares atuam no chamado. As equipes atuam no combate, na
ventilação do ambiente e na varredura das áreas internas do shopping.
Ainda segundo a corporação, o
incêndio, que se concentrou no subsolo, aconteceu em uma "área de difícil
acesso", o que exigiu atuação técnica especializada e o emprego de
equipamentos de ventilação mecânica para dispersão da fumaça.
CONTROLE DO FOGO
O Corpo de Bombeiros segue no
local trabalhando no rescaldo e as causas do incêndio serão investigadas
Bombeiros tiveram que quebrar
as paredes que levam ao subsolo para instalar exaustores que ajudem a tirar a
fumaça do local onde o incêndio começou.
Todos os focos de incêndio
foram controlados, segundo o secretário de Defesa Civil, mas ainda há muita
fumaça no local. Os agentes tiveram que abrir um buraco na parede para a saída
da fumaça.
TESTEMUNHAS
Imagens do momento do
acidente mostram uma aglomeração de clientes do lado de fora do centro
comercial. Nas redes sociais, clientes denunciam o procedimento de evacuação do
prédio, que "não teve nenhum aviso sonoro". "Fomos avisados por
terceiros", reclama uma consumidora. "Demoraram mais de 40 minutos
para falar para a gente evacuar", detalha outra.
Uma cliente contou que estava
no cinema e, no meio de um filme, começou a ouvir um alarme sonoro. Em seguida,
um funcionário entrou na sala e avisou sobre o incêndio e que era necessário
sair imediatamente do shopping.
Outro frequentador mostrou
preocupação porque seus remédios de uso controlado ficaram no carro no
estacionamento, e ele mora em Niterói.
VÍTIMAS
As vítimas receberam os
primeiros atendimentos no local e foram encaminhadas para o Hospital Municipal
Souza Aguiar e UPA da Tijuca.
Duas pessoas morreram e
outras três ficaram feridas.
Entre os mortos está um
supervisor de segurança do shopping, que chegou a ser socorrido em estado grave
e encaminhado para o hospital. Além dele, uma brigadista que também atuava no
centro comercial morreu. Ela trabalhou no resgate e chegou a ser dada como
desaparecida.
INTERDIÇÃO
Subsolo e 17 lojas do térreo
interditadas
Na segunda-feira (5), a
Defesa Civil Municipal interditou totalmente o subsolo e parte do térreo do
Shopping após vistoria técnica. A liberação para a inspeção ocorreu depois da
conclusão de uma etapa do trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros. Segundo o
órgão, não há risco de desabamento do prédio.
De acordo com a Defesa Civil,
foi identificado risco estrutural no mezanino da loja atingida pelo incêndio,
além de perigo de queda de revestimentos internos e deslocamento de partes do
teto e do piso.
“O subsolo do shopping foi
totalmente interditado devido à falta de condições para a permanência no local.
Já no térreo, 17 lojas da lateral esquerda, localizadas entre a entrada principal
na Avenida Maracanã e a Tok Stok, foram interditadas após o calor do fogo
deformar o piso”, informou o órgão.
INQUÉRITO E PERÍCIA
A Polícia Civil informou que,
quatro dias após o incêndio no Shopping, a temperatura no interior da loja
atingida ainda estava em cerca de 70 graus, o que impediu a conclusão da
perícia técnica realizada na terça-feira
(6).
Os peritos chegaram a entrar
no local, mas avaliaram que não havia condições de segurança para avançar até o
ponto considerado o foco inicial do fogo.
Segundo a polícia, a equipe
conseguiu acessar a loja, mas, na área próxima ao que seria o depósito, local
apontado como possível ponto focal do incêndio, o calor extremo ainda
inviabilizava a aproximação.
Diante do cenário, os peritos
solicitaram apoio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para o isolamento de
pontos específicos e a adoção de medidas que permitam novas etapas do trabalho.
A perícia foi feita por uma equipe de cinco peritos da 19ª DP (Tijuca) e teve
início por volta das 15h30, com duração aproximada de uma hora.
SHOPPING
O Shopping Tijuca, não vai abrir no sábado (3), após o incêndio
que deixou 2 pessoas mortas e outras 3 feridas na tarde de sexta-feira (2).
VISTORIA DE SEGURANÇA
REALIZADA
Seis dias antes do incêndio
que atingiu o Shopping já havia alertas sobre possíveis riscos de incêndio na
loja Bell'art, localizada no subsolo, onde o fogo começou.
Documentos e e-mails que já
estão em posse da polícia indicam que o supervisor de segurança do shopping, e
a brigadista tinham identificado diversas irregularidades.
Em vistoria realizada nas
casas de máquinas e estoques da Loja Bell’Art foi verificado que algumas
irregularidades (fiação exposta, empilhamento inadequado, sistema de detecção
do mezanino) permanecem. O descuido em atender as normas de segurança pode
resultar em acidentes graves de incêndio.”
RISCO DE INCÊNDIO
POTENCIALIZADO, APONTOU DOCUMENTO
Um relatório detalhado, feito
pelo setor de segurança reportava uma série de riscos para um incêndio;
“As casas de máquinas
inspecionadas estão servindo como estoques e os locais de armazenamento de
produtos estão abarrotados de mercadorias. Essas ações potencializam os riscos
de incêndio, uma vez que todos os detectores do piso superior estão inoperantes
e os materiais estocados, além de desorganizados, estão acima dos chuveiros
automáticos. O documento cita que a loja não têm chuveiros automáticos e as
sinalizações estavam obstruídas.
Outro trecho aponta problemas
graves no estoque:
“Espaço sendo utilizado como
estoque de travesseiros e com fiações presas com fita isolante no MDF (material
que, geralmente, leva resina e outros componentes químicos em sua estrutura),
detector de fumaça desmontado e extensão de tomadas.”
Os documentos também registram
que as luminárias de emergência, cruciais para casos de evacuação, estavam
soltas, e que “a área em que ficam os diques e as bombas de sucção tinha
material combustível, como madeiras e plástico”
PROBLEMAS IDENTIFICADOS EM
DEZEMBRO
Uma vistoria feita em
dezembro de 2024 no Shopping Tijuca apontou irregularidades na prevenção a
incêndios da Bell'art. Os técnicos do shopping apontaram problemas como:
PENDÊNCIA ELÉTRICA
.Ausência de detectores no
mezanino, que era utilizada como depósito
.Caixas empilhadas muito
próximas aos sprinklers (equipamentos contra incêndio)
.O prazo dado para a
resolução dos problemas da loja foi de três dias.
INDICIAMENTO: POLÍCIA CIVIL
INDICIA CINCO POR MORTES E APONTA FALHAS GRAVES DE SEGURANÇA
A Polícia Civil indiciou
cinco pessoas pelo incêndio no shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, em
janeiro deste ano.
Adriana Santilhana Nietupski
e Pedro Paulo Alvares, superintendente e gerente de operações do shopping,
respectivamente, foram indiciados por incêndio doloso qualificado pela morte,
lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de outros e fraude
processual. Já Renata Barcelos Pereira Noronha, gerente de negócios do centro
comercial está indiciada pelos três primeiros crimes, mas não pela fraude
processual.
Os outros dois indiciados são
os gerentes da loja Bell Art, Fabio Arruda soares e Felipe Gonçalves
Franciscone, respondem por incêndio doloso e lesão corporal.
Ainda de acordo com os
delegados, a loja não tinha o alvará do Corpo de Bombeiros e o shopping não
tinha exaustor para pode combater as chamas. A corporação foi comunicada pela
Polícia Civil sobre a conclusão da perícia.
Segundo as investigações, o
acionamento do Corpo de Bombeiros deveria ser simultâneo ao início do combate à
fumaça no subsolo do shopping.
Para a polícia, a demora na
chegada dos bombeiros e o combate adequado às chamas causou a morte dos
funcionários.
O botão de pânico da loja
onde começaram as chamas foi acionado às 18h04. Segundo a polícia o acionamento
do Corpo de Bombeiros foi às 18h27 e os militares chegaram ao local 18h40. “A
linha de tempo mostra que houve uma falha de gestão que foi preponderante para
gerar uma exposição de perigo a todos que estavam no dia do evento”.
ORIGEM DO INCÊNDIO
O laudo da perícia apontou um
“acidente termoelétrico” como possível causa incêndio no shopping. De acordo
com o documento, “o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente
tecnicamente inadequado, e foi potencializado por sucessivas falhas estruturais
e de segurança”.
Ainda de acordo com o laudo,
o shopping e a loja não tinham “sistema eficaz de controle de fumaça em
operação”.
O documento indica ainda que
o local era “tecnicamente inseguro, caracterizado por instalações elétricas em desacordo
com norma técnica, carga de incêndio elevada — inclusive em áreas técnicas —,
falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e
ausência de controle adequado de fumaça, todos elementos que, segundo a própria
conclusão pericial, contribuíram para a magnitude e propagação do incêndio”.
O QUE DIZ O SHOPPING
Após o indiciamento, o
shopping se pronunciou com a seguinte nota:
"O Shopping reforça que
agiu dentro dos seus protocolos de atuação previstos na legislação vigente, notificando
imediatamente a loja Bell'Art para que tomasse as devidas providências. Destaca
ainda que executou a evacuação seguindo o plano elaborado por empresa
especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, o que garantiu que 7 mil
pessoas deixassem o local sem qualquer ferimento.
O Shopping reitera seu
compromisso com a sociedade e sua inteira disposição em colaborar com a
Justiça. Lembra ainda, com consternação, a perda dos seus dois corajosos
colaboradores, Emellyn e Anderson, algo irreparável".


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