Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, maio 30, 2017

Ilha desabitada do Pacífico Sul é o lugar com mais lixo no mundo

Uma ilha desabitada do Pacífico Sul é o lugar com a maior densidade de lixo no mundo. O território de Henderson acumula 18 toneladas de resíduos em seus 37 quilômetros quadrados, ou seja, 671 pedaços de lixo por metro quadrado, de acordo com um estudo publicado pela revista científica norte-americana PNAS. A cada dia chegam 3.570 resíduos flutuando, embora o território fique a 5.000 quilômetros de distância da massa continental mais próxima, acrescenta o artigo.

ILHA HENDERSON
A Ilha Henderson faz parte do arquipélago britânico de Pitcairn e lá são realizados estudos científicos a cada cinco ou dez anos. Está localizada perto do chamado Giro do Pacífico Sul, um redemoinho gigante onde se acumulam detritos transportados pelas correntes marinhas provenientes de navios ou da América do Sul.

PEDAÇOS DE PLÁSTICO
Os cientistas estimam que existam cerca de 38 milhões de pedaços de plástico na Ilha Henderson, cujo tamanho é semelhante ao da cidade espanhola de Corunha. No entanto, a quantidade de lixo pode ser ainda maior, como explicou a principal autora do estudo, Jennifer Lavers, do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos da Universidade da Tasmânia. A equipe de cientistas só explorou até uma profundidade de dez centímetros de areia, nas áreas de falésias o acesso foi menor, e muitos pedaços de plástico eram pequenos demais para serem contados.

Recipientes de plástico, boias de pesca, redes, escovas de dente e isqueiros são parte dos resíduos que cobrem a ilha. Embora a maioria seja de “objetos não identificados”, como os milhares de pedaços medindo apenas um milímetro, disse Lavers à agência Efe.

“O que vemos na Ilha Henderson demonstra que nenhum lugar do mundo escapa da poluição pelo plástico, nem mesmo os mais remotos nos oceanos”, disse Lavers. A especialista alertou que 25% das espécies marinhas e algumas aves comem plástico em algum momento. “E se alguém comer um peixe com tecidos contaminados na verdade está comendo seu próprio lixo”, insistiu.

PRODUÇÃO DE PLÁSTICO
Os cientistas estimam que, enquanto na década de cinquenta a produção de plástico era inferior a dois milhões de toneladas, em 2014 ultrapassou os 300 milhões de toneladas em todo o mundo. O plástico que não é reciclado e termina no mar, onde flutua durante anos, representa uma ameaça para os animais que o ingerem ou se enredam no lixo, explica o estudo. Fonte: El Pais - Madri 16 MAI 2017  

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terça-feira, maio 23, 2017

Paiol da Imbel, fábrica de material bélico explode

Um paiol da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) de Juiz de Fora, Minas Gerais,  explodiu e se incendiou na noite de terça-feira, 16 de agosto de 2016. No momento da explosão, que ocorreu por volta das 23h, não havia ninguém no paiol, que fica distante da área fabril da empresa. A apuração sobre as causas da explosão ficará a cargo do Exército Brasileiro.
O local foi monitorado por um drone do Exército e foram feitas ações de segurança e controle para evitar o risco de propagação.  

VÍTIMAS
Segundo o 4º Batalhão dos Bombeiros Militares (BBM), não houve registro de feridos e mortos. 



DANOS MATERIAIS NA CIRCUNVIZINHANÇA
A explosão causou prejuízo a moradores de diversos pontos da Zona Norte da cidade, que tiveram portas, janelas e outras estruturas de suas casas danificadas. Além do Bairro Araújo, onde fica a empresa e há muitas pessoas afetadas pelo incidente, há registro de estragos nos bairros Nova Era, São Judas Tadeu, Santa Cruz, Nova Benfica. Em Benfica, a explosão destruiu vidros de uma agência bancária na Praça Jeremias Garcia e também de diversos outros comércios e moradias. Trechos da Avenida Juscelino Kubitschek ficaram tomados por estilhaços de vidros.
Engenheiros da Defesa Civil e funcionários da Imbel cadastraram e vistoriaram casas vizinhas da fábrica. Segundo a assessoria da Defesa Civil, foram 166 casas cadastradas, apenas com avarias e sem risco estrutural.

DESESPERO NOS PRIMEIROS MINUTOS
A onda de choque causou danos em várias residências e alguns veículos. A explosão quebrou vidros de janelas de casa e de carros, além de deslocamento de telhas e danos em portas no entorno da fábrica, no Bairro Araújo.
Os moradores apavorados, alguns deixaram suas casas e foram para locais distantes do ponto. Quem permaneceu no bairro saiu para a rua e foi em busca de informações sobre o ocorrido. Apenas por volta de 1h, após checar a real situação, é que o Exército se pronunciou.

Quase todos os moradores da Rua Coronel Ancino Nunes Pereira tiveram prejuízos. Um deles, Tarcísio Ribeiro, estava deitado quando as telhas de amianto se quebraram e caíram pedaços de tijolo no cômodo. “Na hora, não sei nem o que pensei, foi um susto enorme. Eu ia mudar minha cama de lugar, e ia cair exatamente em cima de mim, foi livramento.”

Os tijolos que quebraram as telhas da casa de Tarcísio foram arremessadas do segundo andar da residência vizinha. O dono deste imóvel, o aposentado Adolfo Gonçalves, contou que assistia a um jogo de vôlei pela TV com sua esposa quando ouviu o estrondo. “Na hora pensei que fosse uma bomba, parecia que meu terraço estava sendo arrancado. A minha cobertura tinha tijolos vazados em cima do beiral, eles foram arrancados. Além disso, tive janelas quebradas e porta danificada. Estamos com medo de ficar aqui, mas não tem como sair e deixar a casa toda aberta”, disse.

Na mesma rua, a moradora Maria Rosângela, que também teve muitos prejuízos em seu imóvel, relatou que, no momento da explosão, as ruas do bairro viraram um caos. “Ninguém sabia o que tinha acontecido, foi uma correria na rua, todos apavorados. A gente não sabia de onde tinha vindo o barulho, parecia que um trator tinha invadido minha casa. Foi horrível”, disse, acrescentando que ela e o marido estavam fazendo obras na casa, e uma das coisas trocadas foram os vidros das janelas e portas que se quebraram.

 “Foi um grande susto. A nossa preocupação é se teve algum abalo estrutural em alguma residência, é o que estamos mais preocupados, se houve algum dano, se alguma casa está comprometida e se tem risco de algum telhado ruir, coisas desse jeito”, explicou o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Deotti.

BOMBEIROS
Bombeiros do 4º Batalhão com 12 bombeiros e 05 viaturas, foram acionados para atender a ocorrência.

DANOS MATERIAIS NA EMPRESA
Um paiol com munições ficou totalmente destruído.
Um segundo paiol ao lado do primeiro teve o seu telhado danificado.
Um terceiro paiol ao lado deste, nada sofreu. Os paióis são separados por uma barreira composta por terra, o que possibilitou a preservação dos outros dois.
Um depósito de materiais químicos teve um princípio de incêndio, o qual foi prontamente debelado pelos bombeiros. Neste depósito havia cerca de 36 bombonas com ácido sulfúrico, sendo a maioria apresentou  vazamento, porém o material  ficou contido na bacia de contenção. Será realizada a retirada por empresa especializada.


1-O paiol de numero 1, onde estavam as granadas em processo de montagem, foi o atingido pelo fogo. Ainda não se sabe o que teria iniciado o incêndio. Além deste paiol, um depósito com ácido sulfúrico foi parcialmente danificado pelas chamas.
 2- O espaço onde ficam armazenados os insumos para a fabricação de munições é formada por sete depósitos e três paióis. Trata-se de uma área de segurança, com acesso restrito, na margem esquerda do Rio Paraibuna.
3- Fábrica



CAUSA
O assessor da Imbel, coronel Malbatan Leal, explicou que a distribuição física de paióis e depósitos é uma medida para minimizar impactos em caso de explosão, como a que houve nesta quarta-feira e que, por enquanto, o Exército não antecipa causas.
“São várias possibilidades, mas seria prematuro falar alguma coisa. A área dos paióis e do depósito da fábrica fica afastada fisicamente da área de circulação de pessoas. E caso haja uma explosão, como houve, a onda de choque sobe e por isso é possível ser observada de outros bairros. Houve estilhaços de materiais frutos da onda de choque. Os paióis existentes foram isolados”, explicou.
Até o momento, o Exército não informou quais materiais estavam guardados no paiol afetado e destacou que não havia necessidade dos moradores vizinhos deixarem as suas casas.

NOTA DA EMPRESA
“Por volta das 23:00h de 3ª feira, 16 de agosto, ocorreu uma explosão no paiol nº 1 da Fábrica de Juiz de Fora, sem a ocorrência de vítimas. A equipe de controle de danos da fábrica e o Corpo de Bombeiros isolaram a área e realizaram o rescaldo do incêndio gerado pela explosão. A instalação localizada em área afastada de locais de circulação de pessoas e da área urbana destina-se ao armazenamento de explosivos, cujas condições de temperatura e umidade são permanentemente controladas.
 A despeito da intensidade da explosão, o projeto de construção do paiol, em conformidade com as normas técnicas vigentes, fez com que ela se desse de forma verticalizada e que a onda de choque resultante fosse contida pela existência de uma barreira de terra circundante. Foi determinada a abertura de inquérito técnico-administrativo interno a fim de apontar as causas do acidente.
A IMBEL está tomando as medidas necessárias ao restabelecimento da normalidade e tranquiliza a população Juiz de Fora, assegurando que todos os requisitos de segurança previstos para as atividades de suas unidades de produção são rigorosamente cumpridos. Por fim a empresa reitera o seu firme compromisso com a segurança dos seus empregados, das comunidades circunvizinhas e do patrimônio sob sua responsabilidade”.
Também por meio de nota, a Imbel voltou a afirmar que não houve feridos na explosão. Segundo a empresa, os danos causados às moradias estão sendo levantados.

HISTÓRICO DE ACIDENTES
Já foram registrados três acidentes na Indústria de Materiais Bélicos (Imbel), antes chamada de Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia do Exército (FEEA).
Em 5 de março de 1944, 14 pessoas, sendo 11 mulheres e três homens, morreram em uma explosão no paiol 4 da fábrica.
Dois anos depois, em 1946, dois operários morreram quando munições velhas explodiram, ao serem desmontadas.
Em  24 de janeiro de 1984, uma explosão no reservatório de ar comprimido matou o operário Paulo Roberto Marques Coragem, 32 anos, e feriu outro funcionário. O acidente ocorreu por volta das 10h, na Central de Ar Comprimido da Imbel.

INTERDIÇÃO DA FÁBRICA
Os auditores da Gerência Regional do Trabalho de Juiz de Fora decidiram pela interdição da fábrica da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), no Bairro Araújo. A decisão ficará em vigor até a administração tomar providências para garantir a segurança dos 270 funcionários. As atividades no local estão suspensas desde a explosão de um paiol há uma semana, que causou danos materiais em dependências da indústria e em imóveis vizinhos.

De acordo com o auditor José Miguel Campos Júnior, a empresa já foi notificada da interdição, que foi definida na segunda-feira, 22 de agosto, após a análise do relatório das vistorias feitas até a última sexta-feira (19).

"A fábrica possui 92 edificações e todas precisaram ser vistoriadas, não apenas o local do incidente. Por isso que o laudo foi finalizado nesta segunda. Foram determinadas providências técnicas para que a indústria volte a manter trabalhadores no local. Uma parte da interdição diz respeito às edificações, porque algumas foram comprometidas", explicou.
A interdição é por tempo indeterminado porque cabe à empresa resolver os problemas e pedir uma nova vistoria. "A Imbel precisa apresentar uma solicitação do levantamento de interdição, que pode ser total ou parcial. A partir disso, os auditores voltam ao local para analisar o que for pedido pela empresa", afirmou.

Ainda segundo ele, outros detalhes da interdição não podem ser divulgados por envolver o sigilo referente à natureza da atividade da fábrica, que é a produção de material bélico.

O assessor da Imbel, coronel Malbatan Leal, confirmou a entrega do termo de interdição no fim da tarde de segunda-feira e disse que as providências estão em andamento. "Estamos definindo o planejamento do cronograma, mas ainda não há prazo. O objetivo é retornar à normalidade, atendendo ao rigor que confira segurança para todos. A interdição veio de encontro à decisão do chefe da fábrica de suspender as atividades, o que indica uma convergência de interesses dos envolvidos", afirmou.

A princípio, a meta será solicitar a suspensão parcial da interdição, segundo o assessor. "Houve áreas mais impactadas do que outras, que vão demandar mais tempo de reparo. Por isso, provavelmente será priorizado o retorno parcial das atividades", explicou.

INQUÉRITO CIVIL VAI APURAR FALHAS NA SEGURANÇA DA IMBEL
O Ministério Público do Trabalho (MPT) quer saber quais falhas ocorreram para que o sistema de armazenamento de explosivos da Indústria de Materiais Bélicos do Brasil (Imbel) se tornasse inseguro. Esse é um dos questionamentos que deverão ser respondidos no inquérito civil instaurado um dia após o incidente de 16 de agosto que resultou na explosão do paiol de número 1, onde havia centenas de granadas em processo de confecção. Até agora, os dados não apontam para participação humana no episódio, embora a própria fábrica não descarte nenhuma hipótese, inclusive a de incêndio criminoso. Ontem o procurador do MPT, José Reis Santos Carvalho, e cinco auditores fiscais da Gerência Regional do Trabalho voltaram a entrar na empresa para inspecionar o local.

“O objetivo é avaliar as medidas que estão sendo adotadas para que o meio ambiente do trabalho possa voltar a ser saudável, garantindo a segurança dos trabalhadores”, afirmou, logo na entrada, o procurador José Reis.

O auditor fiscal do Ministério do Trabalho, José Miguel Campos Júnior, informou que essa é a terceira inspeção do órgão na Imbel e que a intenção é verificar o que está sendo realizado de mudanças na área afetada, já que parte das 92 edificações da fábrica sofreu danos com a violência do impacto provocado pela explosão. O auditor disse ainda que o processo envolvendo a recuperação de áreas e a adoção das normas exigidas pelo Ministério do Trabalho é lento. No caso do inquérito civil, o Ministério Público do Trabalho tem até um ano para conclusão, mas pode terminar antes do prazo.

MATERIAL EXPLOSIVO É TRANSFERIDO PARA UNIDADE DO EXÉRCITO
Começou na segunda-feira, 5 de setembro,  a transferência dos materiais explosivos da Imbel, em Juiz de Fora. Essa é uma das exigências para que a fábrica volte a funcionar depois da explosão..
O trânsito próximo a Imbel foi controlado para que os caminhões com o armamento pudessem sair. Eles levaram materiais explosivos e munições semi-acabadas que estavam nos paióis 2 e 3 da indústria. Os veículos foram escoltados até o campo de instrução do Exército, que também fica na zona Norte da cidade.

“O transporte será feito tendo em vista a característica do material, que tem que ser separado. No destino final no Exército também serão colocados [os materiais] em paióis diferentes, então é uma logística especializada”, explica o assessor da Imbel, Coronel Malbatan Leal.

As munições ficaram comprometidas depois da explosão que aconteceu no paiol 1. A transferência era uma das exigências para a reabertura parcial da unidade interditada pelos auditores da Gerência Regional do Trabalho em Juiz de Fora.
Malbatan destacou que o local é adequado e seguro. "É uma área da companhia do 4º Depósito de Suprimento, específica e isolada com estrutura apropriada para armazenar munição. Será completamente seguro, sem oferecer riscos aos moradores", garantiu.

Após a transferência, a próxima etapa será o reparo dos danos causados pela explosão.
"A retirada dos materiais dos demais paióis era uma das condicionantes colocadas pelo Ministério Público do Trabalho, com propriedade, para o início das obras de engenharia necessárias. Nosso objetivo é, reunindo as condições de segurança, corrigir os pontos apontados no termo de interdição e entregar os laudos solicitados para conseguir a liberação parcial do funcionamento", explicou coronel Malbatan Leal.

De acordo com ele, a meta é liberar primeiro a parte administrativa. No entanto, ainda não há uma previsão porque depende do andamento das obras, das emissões de laudos e de novas vistorias do Ministério do Trabalho e MPT.
"É um trabalho gradativo, que depende do cumprimento de todos estes processos. Deste acidente, vamos tirar todas as lições para reforçar ainda mais nossas normas de segurança", afirmou.

RESSARCIMENTO DOS MORADORES
A empresa já começou a ressarcir os moradores que tiveram prejuízos com a explosão. Até o dia 31 de agosto, já tinham sido ressarcidas 59 das 279 pessoas que reclamaram.

EMPRESA
A Imbel é uma empresa estatal vinculada ao Ministério da Defesa, em função de sua natureza, já que fabrica produtos estratégicos destinados a defesa e segurança do país. Ela não faz parte da estrutura organizacional do Exercito, embora seja o seu principal cliente. Por ser uma empresa pública, ela é dependente do orçamento da União.
Além da unidade da Zona da Mata, a Imbel também está presente no Rio de Janeiro (RJ), Magé (RJ), Itajubá (MG) e Piquete (SP). A fábrica de Juiz de Fora foi inaugurada em 1938, mas já funcionava em 1937.
A empresa tem tecnologia própria para a fabricação de materiais de emprego militar, com qualidade assegurada por Certificado de Sistemas da Qualidade e Serviços Pós-entrega para Material Bélico Aeroespacial, foguetes e munições de 40 a 155 milímetros e suas embalagens.
No local, são produzidas munições para morteiros 60, 81 e 120 milímetros, para canhões de 90 milímetros e para obuseiros 105 e 155 milímetros; motor foguete SBAT 70 M4B1 e cabeças de guerra AP e AC.

IMBEL DIVULGA RELATÓRIO PARCIAL EM 19/09/2016
A explosão de um dos paióis pode ter sido causada por instabilidade química de componentes de munições armazenadas na empresa. De acordo com o assessor da Imbel, Coronel Malbatan Leal, dentre as hipóteses investigadas, a causa mais provável para o acidente seria uma ação de natureza química.

“Para excluir algumas hipóteses e apresentar um diagnóstico das causas, o pessoal especializado da fábrica elaborou um relatório, porém, é um documento preliminar, pois os resultados de exames laboratoriais ainda não estão finalizados”, ressaltou o assessor. Ainda não há prazo para divulgação do resultado desses exames, que está a cargo de um grupo especializado da empresa.

Segundo Assessoria de Comunicação Institucional da fábrica, foram destacadas as medidas adotadas pela empresa para a prevenção de acidentes, como o recolhimento das munições não detonadas às instalações preparadas, das munições que não oferecem risco, das que foram parcialmente danificadas com a explosão e a realização de uma varredura na área do incidente e nas imediações.

Os materiais explosivos e as munições semi-acabadas que estavam nos paióis 2 e 3 da indústria foram transferidos para o campo de instrução do Exército, no Bairro Nova Era, em Juiz de Fora, no início deste mês. Essa é uma das exigências para que a fábrica volte a funcionar depois da explosão

IMBEL DIVULGA RELATÓRIO FINAL 20/109/2016
O resultado confirmado foi o de “instabilidade química do material”, de acordo com o assessor de comunicação da unidade, Coronel Malbatan Leal.
Um relatório preliminar foi divulgado no dia 19 de setembro e apontava que a causa mais provável para o acidente seria uma ação de natureza química.
O documento será encaminhado ao Ministério do Trabalho, para que eles venham até a fábrica e verifiquem a situação, afirmou Leal.

Fonte:Tribuna de Minas - 17 de agosto de 2016;Tribuna de Minas - 17 de agosto de 2016; O Tempo - 17/08/16; Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais - Qua, 17 de Agosto de 2016; G1 Zona da Mata-17/08/2016; G1 Zona da Mata-23/08/2016; G1 Zona da Mata-05/09/2016; G1 Zona da Mata-20/09/2016; G1 Zona da Mata-11/10/2016

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segunda-feira, maio 15, 2017

Memória: Petroleiro explode em S. Sebastião

O petroleiro Alina P. chegou ao Terminal Almirante Barroso (Tebar), dia 23 de dezembro de 1991, carregando 47 mil toneladas de óleo cru, procedentes do poço de Piraúna, na Bacia de Campos (RJ). O navio concluiu a operação de descarregamento em 30 de dezembro de 1991, às 14h 10.

Depois de desatracar, às 19 horas, rumou para a entrada sul do canal de São Sebastião, onde permaneceria ancorado. Às 20h10, no momento da ancoragem, a 7,5 quilômetros do píer de Tebar, próximo à praia de Baraqueçaba, em São Sebastião (215 km a leste de São Paulo), no local conhecido como Ponta do Guaecá, uma violenta explosão em um dos 15 tanques de compartimento de carga deu início ao incêndio.

INCÊNDIO
Seis rebocadores da Petrobrás foram ao local para apagar o incêndio. Até as 23 h , o navio estava com a popa submersa.

RELATO DE TESTEMUNHAS - CHAMAS ATINGIRAM DUAS VEZES A ALTURA DO NAVIO

A explosão do petroleiro "Alina P" foi notada até em Parati, cidade litorânea do Rio de Janeiro que fica a 155 km de São Sebastião, onde turistas afirmaram ter visto um clarão no momento do acidente. Na praia de Junquei (50 km ao sul de São Sebastião), foi visto um clarão no céu e se ouviu um estrondo.

Em Ilhabela  (7 km leste de São Sebastião), o gerente do Hotel Itapemar, declarou que viu as labaredas atingiram duas vezes a altura do navio. Segundo o gerente, que observou o acidente com um binóculo, o  navio estava tão próximo do continente que as chamas iluminavam as casas da praia de Baraqueçaba.

O publicitário Carlos Castelo Branco, disse, que estava em sua casa a cerca de 100 m da praia da Baraqueçaba (local do acidente), quando ouviu um "enorme explosão que vinha da praia". Segundo ele, "foi um estrondo co¬mo o estouro de um botijão de gás de cozinha."

A população de São Sebastião comentava nas ruas da cidade que o acidente mais parecia um terremoto, já que tudo tremia dentro das casas e parecia que tudo ia desabar, conforme a psicóloga Yara Moraes. Segundo Yara, que estava na praia no momento da explosão, "tudo começou com. pequenas explosões e, logo em seguida, houve uma grande explosão". "Uma nuvem densa de fumaça preta e labaredas altas apareciam no horizonte", afirmou.

A estudante Alessandra Santos, em férias em Baraqueçaba, disse que, por volta das 20h10 min, ela e seus familiares ouviram um barulho "forte, co¬mo se fosse um terremoto". Saí¬ram à sacada e viram gente correndo, pela rua, em direção à praia. Quando chegaram, o petroleiro tinha explodido e estava "virando para o lado". .

O casal Vera e Roberto Mele, que está passando férias na praia de Maresias, disse que ouviu um "estrondo forte" e depois viu uma "fumaça preta" no céu.

VÍTIMAS
O petroleiro, que opera na rota entre São Sebastião e a Bacia de Campos desde 1985,  levava 24 tripulantes de diferentes nacionalidades. Parte da tripulação foi lançada ao mar com a explosão.
Segundo o médico Marcelo Ferraz Coelho, do porto de São Sebastião,  seis feridos foram internados na Santa Casa de Misericórdia da cidade. Um deles em estado grave. Um tripulante morreu.
Na Santa Casa, informava-se que oito tripulantes de¬ram entrada no hospital. As 23 h, quatro já haviam sido liberados. Os feridos sofreram queimaduras de primeiro e segundo graus.

PETROLEIRO
O Alina P. pode carregar 54.715 toneladas de óleo cru. Tem 224 metros de comprimento e foi construído em 1975. Está fretado pela Petrobrás há cinco anos.

NAVIO NAUFRAGADO
O navio está naufragado a profundidade de 300 metros e distante 5,5 km da costa.

CAUSAS PROVÁVEIS
De acordo com técnicos da Petrobrás, o acidente que destruiu o Alina P. pode ter sido causado pela combustão de gases no compartimento de carga do navio. Mesmo depois de descarregar, os petroleiros mantêm em seus porões borras de óleo cru e uma variedade de gases combustíveis. O acidente poderia ter sido evitado se o navio dispusesse de um sistema de injeção de gases inertes no compartimento. A instalação de sistemas de segurança como esse é uma norma internacional de navegação marítima desde 1988.
O acidente pode ter sido provocado pelo atrito da corrente da âncora do navio com o casco, durante manobras. Com o atrito, faíscas teriam atingido o porão do navio, onde havia gás acumulado. De acordo com o Corpo de Bombeiros, essas informações foram transmitidas pelo comandante do navio. Fontes: Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo de 31 de dezembro de 1991

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terça-feira, maio 09, 2017

Coral-sol avança pelo litoral e vira motivo de preocupação

Foto:Apelidado de "sol" pelo formato e cores amarela e laranja, esse coral pode ser comparado a uma "erva daninha" do mar, por suprimir outros corais e proporcionar perda em funções do ecossistema

Bonito para contemplação em mergulhos, mas um vilão para o ambiente marinho. Assim pode ser definido o coral-sol, espécie nociva que vem ganhando cada vez mais espaço na costa brasileira e preocupa especialistas por sua rápida proliferação.

Apelidado de "sol" pelo formato e cores amarela e laranja, esse coral pode ser comparado a uma "erva daninha" do mar, por suprimir outros corais e proporcionar perda em funções do ecossistema.

"É o típico exemplo de que as aparências enganam. É muito bonito, mas também muito malvado para o habitat marinho", diz Kelen Luciana Leite, chefe em Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, do núcleo de gestão integrada do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Por não ser nativo, explica, o coral-sol não faz integração com outros animais marinhos e causa uma das mais graves consequências, que é a quebra da cadeia alimentar.

Segundo Kelen, os corais estão na base dessa cadeia. Quando algo se altera, todo o ciclo é prejudicado. "O coral-sol se prolifera absurdamente mais rápido que os demais tipos e domina o sistema que serve de alimentação para várias espécies, incluindo peixes e tartarugas."

Algumas áreas do litoral norte paulista já estão infestadas pelo animal, que se reproduz liberando larvas. Essas larvas buscam costões rochosos para se estabelecer e, como se multiplicam numa velocidade maior do que as demais, em pouco tempo dominam o espaço.

NAVIOS
De acordo com Augusto Alberto Valero Flores, pesquisador do Cebimar (Centro de Biologia Marinha), da USP, as duas espécies de coral-sol que foram registradas no Brasil estavam inicialmente restritas ao Arquipélago das Galápagos, no Indo-Pacífico.

Não se sabe como os corais chegaram à costa brasileira. "O mais provável é que tenha sido através da incrustação de cascos de embarcações comerciais ou grandes estruturas rebocadas, como plataformas de petróleo."

O pesquisador diz que dentre as áreas mais afetadas está a Ilha Grande (RJ). Também há registros no litoral da Bahia, do Espírito Santo e de Santa Catarina. No litoral norte paulista, os locais com maior incidência são as ilhas de Búzios e Vitória, em Ilhabela.

Ambientalistas tentam evitar que o mesmo aconteça com outras áreas, como o Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, conhecido por ser uma área preservada e onde já estão instaladas muitas colônias do coral invasor.

Para evitar avanço maior, expedições são realizadas para retirar as colônias. Segundo Kelen, as ações são difíceis e caras, mas importantes. Cada colônia forma outras cinco a cada três meses. Fonte: Folha de São Paulo - 02/05/2017 


Comentário:
O Brasil tem mais de 50 espécies invasoras marinhas. Esse número deve aumentar, já que não se sabe como barrar a chamada bioinvasão, que pega carona no lastro de navios em 55% dos casos.
O dado é do Ministério do Meio Ambiente, que aponta a água de lastro das embarcações internacionais como a principal vilã do problema.
Para aumentar a estabilidade quando descarregados, os navios se enchem de água num tanque que atua como lastro. Entre um porto e outro, espécies viajam clandestinas nos tanques e chegam aos novos habitats.
Isso acarreta perda da biodiversidade na costa, pois as espécies nativas, forçadas a concorrer com as invasoras, podem acabar extintas. Desde 1600, 39% das extinções com causas conhecidas estavam relacionadas à competição com espécies invasoras.
Com os barcos trazendo espécies marinhas para cá e para lá, a biodiversidade também diminui. "É uma homogeneização, podemos acabar tendo uma biota global", diz Rosa de Souza, bióloga da Universidade Federal Fluminense, que apresentou os dados no encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal.
Os biólogos estão preocupados, porque há espécies invasoras especialmente problemáticas, como algas tóxicas que afloram em praias turísticas ou espécies que causam danos à saúde, como a bactéria do cólera.
No Brasil, o caso mais famoso é o do mexilhão-dourado, espécie asiática que chegou ao país em 1998 e, sem predadores, virou praga. Ele gruda nos equipamentos das usinas hidrelétricas, atrapalhando o fluxo de água.
"Há mais de dez anos os países procuram soluções", diz o biólogo Flávio da Costa Fernandes, do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, da Marinha.

CONVENÇÃO
Em 2004, a Organização Marítima Internacional propôs uma convenção sobre a água de lastro, com medidas como fazer com que os navios renovem o conteúdo dos tanques no meio do oceano. No entanto, mesmo essa troca não eliminaria totalmente o problema, já que muitos organismos resistiriam a ela.
Outra sugestão seria obrigar os barcos a tratar a água de lastro. "Mas ainda não há tecnologia desenvolvida para isso", diz Fernandes.
A convenção já foi ratificada por 26 países (inclusive o Brasil), mas precisa de pelo menos 30 para entrar em vigor. O Brasil já obriga os navios que passam pelos seus portos a fazer a troca oceânica, entre outras exigências.
A bioincrustação (acúmulo de organismos no casco) também leva espécies pelo mundo. O uso de tintas especiais poderia evitar o problema, mas muitos navios não fazem a pintura periódica.Fonte: Folha de São Paulo

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