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sexta-feira, agosto 23, 2013

Porta corta-fogo para saídas de emergência

INTRODUÇÃO
Um equipamento comum em nossa vida – quer estando em casa (para aqueles que residem em apartamentos) quer em nossos momentos de lazer, a porta corta-fogo não costuma chamar muito nossa atenção, salvo quando em um teatro ou cinema somos informados de que “...nas laterais há portas corta-fogo destravadas e com barras antipânico...”.
Utilizamos como passagem no dia-a-dia e muitas vezes ignoramos sua importância. Mais ainda: estando em um shopping center, não preocupamos em localizar a saída de emergência mais próxima do local que estamos com nossa família?

DEFINIÇÃO
Seu papel é o de conter as chamas e o calor provenientes do fogo, razão pela qual ela é o equipamento aplicado nas saídas de emergência e nas escadas de incêndio, oferecendo um caminho seguro tanto para a fuga das pessoas  quanto para o acesso dos bombeiros que irão combater o fogo.
 Por definição a porta corta-fogo é do tipo de abrir com eixo vertical, composta de batente, ferragens e da porta i, com a função de impedir ou retardar a propagação do fogo e calor. (NBR 11742, 3.1).

APLICAÇÃO
Há uma combinação entre a capacidade de resistência ao fogo (classe da porta) e sua aplicação nas edificações. Embora a norma técnica de referência (Norma ABNT NBR 11742) classifique as portas corta-fogo (P-30, P-60, P-90 e P-120) e até seu emprego (4,1 e  4,9), cada Corpo de Bombeiros Estadual estabelece um dos quatro tempos de resistência ao fogo (P) que a porta deve proporcionar, levando em conta a existência ou não de antecâmara e o cálculo de risco da edificação.

É exigência da norma  que a porta seja instalada com três dobradiças. Elas podem variar de modelo (fechamento por gravidade ou por dispositivo hidráulico – mola), mas nunca de quantidade. Também é determinado o uso da fechadura de sobrepor com trinco, item gerador de interpretações equivocadas. Devemos lembrar que a porta corta-fogo oferece duas condições de segurança ao usuário: a primeira conter e impedir a propagação do fogo, a segunda: oferecer um caminho de fuga para  as pessoas e fácil acesso aos bombeiros.

A fim de garantir o desempenho satisfatório da porta corta-fogo – conter as chamas e o calor –  ela deve estar fechada e não  trancada. Erro muito comum é a colocação de fechaduras de chave não previstas na norma ou cadeados. Em caso de incêndio quem irá buscar a chave no almoxarifado? Barras antipânico são acessórios previstos para situações de grande público.

 MANUTENÇÃO
Diferentemente de um extintor de incêndio ou de um sprinkler, a porta corta-fogo é utilizada em nosso dia-a-dia como passagem, quando subimos ou descemos um andar. Sendo assim, ela não fica inerte aguardando o momento de “entrar em cena”, pelo contrário: é manuseada diversas vezes em movimentos de abrir e fechar. São os dispositivos que garantem a abertura e o fechamento da porta que devem ser preocupação de manutenções mensais. Semestralmente, deve ser avaliada a condição da folha da porta e a lubrificação das dobradiças e fechadura com graxa.

 Tão importante quando a manutenção da porta corta-fogo é o estado da saída de emergência. É comum que sejam utilizadas como depósitos temporários de diversos objetos ou mercadorias.
 Acontece que emergências não têm o hábito de marcar hora, e no caso de um incêndio, dificultará a passagem das pessoas, além de ser extremamente combustível.

CUIDADOS
Deve-se observar também o uso de agentes corrosivos na limpeza das escadas de emergência, uma vez que água sanitária e cloro reagem com o material externo da porta (aço galvanizado) provocando sua oxidação (ferrugem). Sintoma comum do uso de tais agentes corrosivos é a presença de ferrugem ou “casca de laranja” na parte inferior da porta corta-fogo.

SEGURANÇA DO PRODUTO
As  empresas de portas corta-fogo submetem seus produtos a um processo de certificação, com o objetivo de atestar, assegurar  o cumprimento de exigências de Normas Técnicas, uma vez que o desempenho de um equipamento está diretamente relacionado às matérias-primas empregadas na sua confecção e no controle do processo produtivo.

Desde 1940 a ABNT atua no segmento de segurança contra incêndio, e por consequência junto aos fabricantes de portas corta-fogo, garantindo o desempenho mediante o acompanhamento de ensaios, e o controle das etapas de fabricação e do produto no mercado em auditorias.

Para portas corta-fogo foi criado o selo de marca de conformidade ABNT, fixado em cada porta, contendo um número de série e informando a classe (tempo de resistência ao fogo). Junto à esta etiqueta metálica deve haver outra com informações do nome do fabricante, e em conjunto estes dois selos são capazes de garantir a rastreabilidade do produto, isto é, chegar aos lotes originais de matéria-prima empregados na confecção daquela porta.
 Em cada lote de portas fornecido, o fabricante deve enviar um Manual de Instruções contendo informações sobre dimensões e massas nominais, cuidados de transporte, embalagem, armazenamento, instalação, funcionamento, manutenção e garantia. Fonte: ABNT
  
Comentário:
Para que as portas apresentem bom desempenho durante um possível incidente, é necessário realizar manutenções preventivas e reparadoras.
Verificar o funcionamento automático e de todos os acessórios, realizar a limpeza dos alojadores de trinco, do piso e do batente e remover resíduos e objetos estranhos que dificultem o funcionamento das partes móveis, são consideradas ações preventivas e devem ser feitas mensalmente.

É importante ressaltar que, o conjunto porta corta-fogo e o piso ao redor não devem ser lavados com água ou qualquer tipo de produto químico. A limpeza da superfície da porta e do batente deve ser feita com pano umedecido com água e em seguida com pano seco. No piso ao redor não devem ser utilizados  produtos químicos (água sanitária, cloro, removedores de todos os tipos, produtos de caráter ácido), pois são agressivos à pintura e ao aço que compõe o conjunto porta corta-fogo.

A verificação das condições gerais da porta quanto à pintura ou revestimento, à lubrificação ou desgaste das partes móveis, são medidas reparadoras, pois no caso de alguma irregularidade no funcionamento, deve ser providenciada, imediatamente, a regulagem e /ou substituição dos elementos. Essas ações devem ser feitas semestralmente junto com a verificação da legibilidade dos identificadores das portas.

Todos os serviços que envolvam substituição de peças devem ser executados pelo fabricante ou por empresas por ele recomendadas, a fim de garantir a qualidade e a eficiência do conjunto porta corta-fogo.

Lembre-se, a manutenção das portas corta-fogo é tão importante quanto à sua implantação, pois a simples presença física da porta corta-fogo não garante a segurança contra incêndio. Para proteger a vida e o patrimônio das pessoas é fundamental que as portas corta-fogo estejam em perfeito estado de funcionamento.

Check-list de inspeção de porta corta-fogo
SEMANALMENTE
1-O vão  livre de deslocamento da porta encontra-se livre de obstruções? Sim Não
2-A porta corta-fogo encontra-se em bom estado de conservação (pintura), não apresentando sinais de corrosão, batidas e empenamentos? Sim Não
3-Os batentes estão adequadamente instalados e em bom estado de conservação? Sim Não
4-O sistema de automatismo constituído pelos contrapesos, elemento fusível, cabos de aço e roldanas estão adequadamente instalados e em bom estado? Sim Não
5-O pino guia do chão que limita a movimentação lateral está adequadamente instalado? Sim Não
6-A folga máxima entre a porta e a soleira corresponde  no máximo, 10 mm? Sim Não

SEMESTRALMENTE
Foi efetuada a lubrificação das partes móveis com graxa e do trilho com grafite? Sim Não

ANUALMENTE
1-Foi realizado o ajuste dos mecanismos de fechamento, encontrando-se em boas condições de conservação/ operação? Sim Não
2-Foi realizada a lubrificação de todo o sistema de acionamento automático da porta corta-fogo, estando em condições normais de operação? Sim Não
3-Foi realizado o teste de fechamento da porta corta-fogo (desconectando-se os fusíveis), tendo operado satisfatoriamente vedando totalmente o vão livre da parede? Sim Não

OBSERVAÇÕES

Recomenda-se que, a cada dez anos, seja substituído o elemento fusível ou feito ensaio por amostragem para certificar quanto ao seu funcionamento.

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posted by ACCA@10:31 AM