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terça-feira, junho 12, 2012

Mortes por CO: assassino silencioso

O monóxido de carbono, (CO), também conhecido como o “assassino silencioso”, é um gás venenoso incolor e inodoro que resulta da queima incompleta de combustíveis comuns como o gás natural ou o petróleo liquefeito, óleo, madeira ou carvão. Quando o CO é inalado, entra na corrente sanguínea e reduz a habilidade do sangue em transportar oxigeno aos órgãos vitais, como o coração e o cérebro.

FONTES POTENCIAIS DE MONÓXIDO DE CARBONO
Nas casas, os equipamentos de cozinha ou de aquecimento que queimam combustível são fontes potenciais de monóxido de carbono, motivo pelo qual os códigos e normas para equipamento com combustível enfatizam as disposições para ajustar a ventilação. Os veículos ou geradores que funcionam em garagem adjacente podem também produzir níveis perigosos de monóxido de carbono.

Por exemplo, em março 2004,  vazamento de monóxido de carbono de uma caldeira de gás deixou duas famílias sofrendo os efeitos de envenenamento por CO.  O vazamento começou no porão de uma casa, se propagou por toda a casa e na casa vizinha e resultou em envenenamento de CO e  morte de uma menina de 14 anos, que  morava  na casa onde originou o vazamento. Outras sete pessoas foram tratadas por envenenamento e sobreviveram ao incidente.

Em 2005, três crianças foram levadas ao hospital e tratadas por envenenamento por CO quando fumos de escape de um gerador penetraram na casa através da fenda em uma porta por várias horas. De acordo com a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo, (Consumer Product Safety Commission-CPSC),   a quantidade de escape de um gerador é equivalente a centenas de carros em marcha lenta. As três crianças tiveram sorte quando foram retiradas da área e tratadas para evitar a morte.

Outro menino não teve tanta sorte. A noite de natal, em 2004, um gerador estava funcionando no porão de uma casa e um menino de três anos foi encontrado sem resposta com um nível de CO acima de 500 partes por milhão (ppm). A Agência de Proteção Ambiental (EPA-  Environmental Protection Agency) fixa o nível normal de CO no ar em 3 ppm. O menino sofreu envenenamento por CO, parada cardíaca e morreu. Um vizinho, de 35 anos de idade, que entrou na casa para prestar ajuda, sofreu dores de cabeça, náusea e vômitos e foi tratado no hospital por envenenamento por CO.

OS PERIGOS DA EXPOSIÇÃO AO CO
Os perigos da exposição ao CO dependem de uma quantidade de variáveis, incluindo a saúde das vitimas e o nível de atividade. Os bebês, as mulheres grávidas, e as pessoas com condições físicas que limitam as sua habilidade a usar oxigeno  ( enfisema, asma, doenças cardíacas) podem ser mais severamente afetados por concentrações mais baixas de CO das que afetariam adultos saudáveis. 

O envenenamento por CO pode ser confundido com sintomas de gripe, de intoxicação alimentar ou de outras doenças. Alguns sintomas incluem falta de ar, enjôo, vertigens, delírio, ou dores de cabeça. Níveis altos de CO podem ser fatais, causando a morte em minutos. Embora a maioria dos envenenamentos por CO ocorra durante um único incidente, é possível sofrer de envenenamento crônico por CO caso uma pessoa seja exposta a níveis baixos de CO durante semanas ou meses e sofra sintomas durante esse período.

CONSEQÜÊNCIAS DE EXPOSIÇÕES A CO
Mesmo as exposições em um incidente único podem ter conseqüências de longo prazo na saúde, como manifestações cardiovasculares, disfunções neurológicas, ou danos cerebrais, ocorrendo dias ou semanas depois da exposição. Em 14 por cento dos casos de envenenamentos iniciais graves por CO, o individuo exposto enfrenta ainda a perspectiva de disfunções neurológicas retardadas.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention - CDC ),  cerca de 15.200 pessoas foi tratado a cada ano durante 2001-2003 em departamentos de emergência por exposições ao CO não fatais, não intencionais e não relacionadas com incêndios. Em 2001 e 2002, o CDC estima que 480 pessoas morreram em média, cada ano por exposição ao CO não intencional e não relacionada com incêndios.

PRODUTOS DE CONSUMO
A CPSC é uma agencia federal reguladora que trabalha para reduzir o risco de lesões e mortes resultantes especificamente de produtos de consumo.

Das mortes por CO não relacionadas com incêndios ligadas a produtos de consumo em 2003 e 2004:
■ 47% eram associadas ao uso de sistemas de aquecimento, na maioria dos casos de gás.
■ Outros 35% das mortes por CO eram associadas a equipamentos com motor.
Os relatórios de CPSC informam que 73% das mortes por CO ocorreram em casa, enquanto as mortes em barracas, trailers e outros abrigos temporários contribuíram com 14% as mortes durante 2003-2004.

O CPSC examinou os incidentes por monóxido de carbono associados especificamente a geradores alimentados por motores e outros equipamentos a motor que ocorreram entre 1990 e 2004. Durante esses 15 anos, os geradores resultaram em 264 mortes por exposição ao CO e foram os produtos de consumo a motor principalmente envolvidos em incidentes por exposição ao CO.

A NFPA 720 E A LEGISLAÇÃO ESTADUAL
A norma da NFPA aplicável é a NFPA 720, Norma para a Instalação de Equipamento de Aviso de Monóxido de Carbono em Unidades Residenciais. A edição de 2005 do código cobre a seleção, a aplicação, a instalação, a localização, os ensaios e a manutenção de equipamento de aviso de CO em unidades residenciais que contêm dispositivos de queima de combustível ou lareira, ou têm garagem juntos. O objetivo da norma é fornecer um aviso para a presença de CO em tempo suficiente para permitir aos ocupantes fugir ou tomar outra ação apropriada.

De acordo com a NFPA 720, um alarme ou detector de CO deve estar localizado centralmente fora de cada área de dormir nas imediações dos quartos de dormir. Cada alarme ou detector deve ser localizado na parede, no teto, ou em outros locais de acordo com as especificações das instruções de instalação que acompanham a unidade.

REDUZINDO AS MORTES E LESÕES POR CO
A NFPA recomenda os seguintes passos para garantir segurança nas residências;
■Instalem alarmes de CO (certificadas por um laboratório de ensaios independentes) no interior para proporcionar avisos precoces de acúmulo de CO. Os alarmes de CO deveriam ser instalados em uma localização central, fora de cada área de dormir. Se os quartos de dormir estiverem separados, cada área vai necessitar um alarme de CO.
■ Chamem o número não de emergência do Corpo de Bombeiros local para saber que número deve chamar se o alarme de CO tocar. Coloquem esse número perto do(s) telefone(s). Assegure-se que todas as pessoas na casa saibam a diferença entre a emergência de incêndio e os números de emergência de CO (caso houver). No Brasil temos dois serviços de emergência:
Samu - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Tel. – 192 e Corpo de Bombeiros – Tel. 193. Nesse caso o ideal é sempre chamar o Corpo de Bombeiros
■ Se o alarme de incêndio tocar mude-se imediatamente para um local com ar fresco e peça ajuda. Fiquem no local com ar fresco até que o pessoal de emergência diga que não há problemas. Caso o sinal sonoro de problema toque, verifiquem se há baterias baixas ou outros indicadores de problemas.
■ Ensaiem os alarmes de CO pelo menos uma vez por mês e substituam os alarmes de CO de acordo com as instruções do fabricante. Os alarmes de CO não substituem os alarmes de fumaça. Conheçam a diferença entre o som do alarme de incêndio e os alarmes de CO.
■Inspecionar anualmente equipamentos que queimam combustíveis (lareiras, caldeiras, aquecedores de água, estufas de lenha e de carvão, aquecedores fixos ou portáteis) e chaminés por técnicos especializados.
■Quando comprar equipamentos de aquecimento e de cozinha selecionem os produtos aprovados laboratórios de ensaios independentes. Quando usar lareira, abra o conduto de ar para ventilação adequada. Nunca usem o forno para aquecer a casa.
■Caso precisem aquecer um veículo, retirem-no da garagem imediatamente após a partida. Não coloque  a funcionar um veículo, um gerador, ou outro motor de combustão no interior, mesmo se as portas da garagem estiveram abertas.
■ Quando acampar lembre-se de usar iluminação alimentada por baterias em barracas, reboques e trailers.

Fonte: NFPA Journal Latinoamericano

Comentário:
No Brasil não temos estatísticas relacionadas a acidentes por monóxido de carbono. A maioria desses acidentes relacionados a CO  é devido a uso de aquecedores de água ou dispositivos à gás instalados de forma incorreta ou deficiente, ou localizados em ambientes carentes da ventilação adequada. 

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posted by ACCA@12:55 PM

1 Comments:

At 7:18 AM, Blogger Marcela said...

Olá, o texto é do ano de 2012. Hoje, 09/2013, já é possível achar dados a respeito das mortes por inalação de CO no Brasil devido aos perigos de aquecedores? Existe alguma estatística mostrando se o problema do vazamento é má instalação, falta de manutenção ou são os produtos que tem defeito?

 

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