Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Caminhão sem freio provoca incêndio em posto

Em 27 de fevereiro de 2007, um posto de combustíveis foi atingido por incêndio parcialmente, na Vila João Jorge, em Campinas. O fogo foi provocado por um caminhão que perdeu os freios e bateu em uma das bombas, que incendiou e foi lançada contra outra. As chamas chegaram ao teto do posto e foram controladas por bombeiros.

Vítimas:
Ninguém ficou ferido.

Caminhão sem freio
Segundo o motorista, o caminhão ficou sem freio na descida da Avenida Monsenhor João Martins Ladeira. O veículo bateu primeiro em uma das bombas do posto, que foi lançada contra uma segunda bomba. O posto foi interditado e só volta a funcionar após a perícia da Polícia Técnica.

Fonte: EPTV Campinas - 27/02/2007

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Especialistas avaliarão os possíveis riscos de um componente químico do plástico, Bisfenol A

Um grupo de especialistas americanos estudará os possíveis riscos do bisfenol A (em português BFA, em inglês Bisphenol A, BPA), um agente químico que se pode encontrar em alguns vasilhames de plástico ou metálico. Análises prévias realizadas com animais mostraram que o BPA poderia afetar à capacidade reprodutiva.

O Centro de Avaliação de Riscos para a Reprodução Humana (CERHR, sigla em inglês), dependente do Instituto de Saúde dos E.U.A (NIH), foi o encarregado de constituir o painel com 15 especialistas. Eles serão os que, a partir do próximo cinco de março, analisarão o possível efeito prejudicial deste componente.

Para que o CERHR decida estudar um determinado agente químico, como ocorreu neste caso, devem cumprir-se uma série de requisitos: alto nível de produção; ampla exposição humana; evidência da toxicidade reprodutiva em estudos animais e preocupação pública.

O bisfenol A está presente nos plásticos e nas resinas. Os primeiros, tal e como indicam os NIH, utilizam-se em vasilhames de alimentos ou bebidas, CD's, DVD's, equipamento elétrico e eletrônico, automóveis e equipamento de segurança desportiva.

Quanto às resinas, estas se empregam com freqüência como revestimento de proteção nos vasilhames metálicos de alimentação e bebida e nas tubulações de água.

Portanto, a população pode‑se expor ao BPA de maneira direta ou ao ingerir alimentos ou bebidas que têm estado em contato com um material fabricado com este componente. Depois de dois dias e meio de reuniões, o referido painel de especialistas decidirá se esta exposição pode ser prejudicial para o desenvolvimento humano e/ou a reprodução.

Vide artigo editado no Blog: Bisfenol A - Estudo liga plástico à doenças embrionárias

Fonte: El Mundo - Martes, 27 febrero 2007.

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Bisfenol A - Estudo liga plástico à doenças embrionárias

Um produto químico largamente encontrado em embalagens de comida e outros plásticos pode causar severos defeitos genéticos em embriões, em níveis pelos quais as pessoas são comumente expostas, de acordo com estudo científico publicado em abril, na revista Current Biology, nos Estados Unidos.

O Bisfenol A, conhecido como BPA, é utilizado na fabricação de plásticos claros e duros, incluindo embalagens utilizadas para armazenar comida de microondas e material utilizado em dentes para prevenir cáries. Toxicologistas dizem que o produto químico é liberado de embalagens de plástico para comida e bebida, incluindo mamadeiras e utensílios de cozinha, especialmente quando utilizados em microondas ou lavados com detergentes ásperos. O BPA também foi encontrado em pequenas quantidades em reservatórios de água.

A pesquisa foi feita por geneticistas da Universidade de Case Western Reserve, em Ohio, mostrando que o Bisfenol A desfaz o modo como os cromossomas se alinham para produzir os ovos de ratos, levando a uma aneuploidia, a causa principal de abortos e Síndrome de Down em humanos.

Cientistas dizem que o estudo é o primeiro a mostrar que a exposição a uma pequena quantidade de um contaminador ambiental, que imita o hormômio estrogênio atrapalhando o crescimento dos embriões, matando-os ou levando a um aparecimento geneticamente anormal.

A descoberta dos médicos foi acidental. Em 1998, em três laboratórios diferentes em Cleveland, pesquisadores notaram um crescimento estranho em anormalidades cromossômicas em ovos de camundongos, quando estavam usando o BPA para estudar aneuploidia e o Mal de Alzheimer.

Fonte: Endocrine Society - Maio / 2003

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quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A garrafa plástica de álcool – Uma bomba incendiária em potencial

Explicando a dinâmica explosiva

O cuidado de enfermagem prestado ao paciente grande queimado, vítima da explosão da garrafa plástica de álcool líquido, foi o fator desencadeante para análise desse problema.
Na nossa atuação como enfermeiros pudemos conviver com contexto dramático, composto pela dor e o sofrimento deste tipo de paciente. A complexidade deste tratamento, que por vezes torna‑se imprevisível, face às inúmeras intercorrências que podem acontecer durante a evolução do seu quadro clínico abrange também um grande desgaste, físico e mental.

Desta forma constatamos que;
■ A queimadura extensa é um trauma catastrófico por ser uma agressão aflitiva ao paciente, nos seus aspectos psicológicos, de custos e de sofrimento para todos os envolvidos, seja o profissional, o paciente ou a sua família.
Além dos aspectos supracitados, outros autores comentam e afirmam que
■ O paciente queimado apresenta características peculiares, em decorrência do sofrimento físico, da incerteza de sua recuperação e ainda pela presença constante do fantasma do desfiguramento ao longo de sua vida

As manifestações patológicas apresentadas por um organismo vivo que foi submetido à uma explosão, decorre do impacto da onda de choque, mecanismo inicialmente descrito por Ambroise Paré no século XVI. Essas manifestações são denominadas de “blust”. Ainda segundo o mesmo autor, essas patologias inicialmente eram conhecidas dos profissionais que atuavam em conflito de guerra, mas hoje, em virtude da sua ocorrência são conhecidos de todos os profissionais que trabalham em emergência. As ondas de choque derivam de explosões ligadas a fagulhas ou incêndios”.

A partir de uma explosão, as lesões dela decorrente são de três tipos:
1 - “Blust” primário – Ação direta da onda de choque sobre o corpo.
2 - “Blust”secundário – Lesões resultantes de projéteis que atingem o organismo em decorrência da
explosão.
3 - “Blust” terciário – traumatismo cinético da própria vítima projetada contra um corpo ou superfície.

Considerando o objeto deste estudo, qual seja, o risco que a explosão da garrafa plástica de álcool líquido representa para a população, aliado à falta de ênfase veiculada pelos canais de comunicação, com relação ao seu mecanismo explosivo, podemos observar que a explosão da garrafa de álcool acarreta lesões decorrentes do “blust” primário, sendo essas conseqüências tão mais graves quanto mais próximo da explosão se encontrar o paciente, que na maioria das vezes está segurando a garrafa de plástico, que ao ser comprimida (possibilidade advinda da sua plasticidade), em direção à chama, num mecanismo de equiparação de pressão, tende a sugá‑la para o seu interior, provocando a explosão.

Neste ponto vale ressaltar, que a distância entre a vítima e a garrafa plástica de álcool líquido não interfere no perigo que ela representa, pois se o jato for ininterrupto, a 1 ou 10 metros de distância, haverá a explosão.

Porém, neste ponto, cumpre citar o atendimento a uma dona de casa, vítima de explosão da garrafa plástica de álcool líquido, que ao borrifá-lo sobre uma mesa de fórmica para limpá-la, provocou o acidente que lhe causou sérias lesões. A referida mesa estava acerca de 3 metros do fogão em uma cozinha fechada. Ocorre que o álcool, sob a forma de aerossol, ficou no ar, formando uma ponte entre a chama e a garrafa, promovendo a explosão ao sugar o fogo para dentro dela. Neste caso, mesmo não sendo direcionado diretamente à chama, o acidente aconteceu.

Outro ponto a ser observado é a relação existente entre a quantidade de álcool líquido existente dentro da garrafa e o perigo que ela representa. Por analogia seria como comparar o potencial explosivo de uma bomba, de acordo com a quantidade de pólvora contida em seu interior.

Desse modo, entender tão somente o paciente grande queimado como uma vítima de acidente tendo como agente causal, o álcool, não é o suficiente.

Há que se entender também, que uma vez submetido à onda de choque, uma das principais agressões à qual ele é submetido, é a ruptura alveolar que, conseqüentemente, induz à formação de edema alveolar, levando-o a um grave comprometimento respiratório.

Por um mecanismo de associação aos efeitos descritos podemos inferir que além desta agressão, outras decorrem pela explosão da garrafa plástica de álcool, pois há também a propagação da onda de choque em meio liquido.

Desta forma, as partes do corpo, tais como; o encéfalo, fígado, baço, rim, olho, testículo, que possuem líquido na sua constituição, ao serem afetados pela explosão, trazem ao paciente grande sofrimento, decorrente dos seus acometimentos, físico e funcional.

Ao considerarmos as estruturas das quais são compostos o corpo humano, podemos observar que as agressões decorrentes da propagação da onda de choque também afetam o meio sólido, representado pelo esqueleto, e propagam-se também no ar e meio ambiente, afetando ouvidos, pulmões e vísceras ocas.

Neste ponto é importante citar o comportamento do paciente grande queimado quando chega à emergência dos hospitais: entre os vários sinais que podem ser observados pela equipe que o atende, podemos citar a demora para responder às solicitações, o que pode ser creditado à uma surdez provocada pela onda de choque no ar e no meio ambiente.

A compreensão da dinâmica explosiva, supracitada em parágrafo anterior, nos permite, como enfermeiros, dimensionar a gravidade de que se reveste o evento da explosão de uma garrafa plástica de álcool, através dos seus efeitos no corpo humano.

Sendo assim, é possível, através do conhecimento da seqüência acima descrita, visualizar o corpo do paciente grande queimado quando chega às nossas mãos para ser cuidado, como uma vítima de um campo de guerra.

Um dos principais sinais observados durante a assistência de enfermagem ao paciente grande queimado, vítima de explosão da garrafa plástica de álcool líquido, é o seu estado de choque, expondo a sua vulnerabilidade emocional, causada pela surpresa do acidente. Além deste sinal, de acordo com a nossa prática cotidiana, outro se instala, que é a presença de sangue na ponta da sonda de aspiração traqueal, procedimento ao qual este tipo de paciente, normalmente, é submetido, em virtude da sua insuficiência respiratória, já citada anteriormente, causada não só, pela aspiração de vapor aquecido, como também, pela onda de choque decorrente do “blust” primário.

Considerando que a referência do álcool como agente causal dos acidentes que acometem a população, normalmente dão a idéia errônea de que a queimadura seria causada pelo seu contato em combustão com a pele, e não à idéia do que realmente representa, ou seja; uma bomba incendiária explodindo, observa-se este efeito a partir da superfície corporal queimada (S.C.Q.) de suas vítimas, classificado-as como grande queimado: “O paciente é considerado grande queimado a partir de um percentual acima de 20, de toda a superfície do seu corpo.

Neste ponto, vale enfatizar que a gravidade das lesões, mensurada normalmente pela unidade de superfície corporal queimada (S.C.Q.), diz respeito ao contato das chamas com o corpo. Na prática cotidiana de cuidar do paciente queimado, observa-se também, que tão importante para o diagnóstico e avaliação é a profundidade destas lesões, classificadas em lesões de primeiro, segundo e terceiro graus.

Outro fator importante a ser observado no diagnóstico do paciente grande queimado é sua área acometida pela lesão, que será tão mais grave, à medida que comprometer determinadas “áreas nobres”. Estas áreas são assim consideradas de acordo com o risco da morbi-mortalidade a que expuser o paciente: face, mãos, pés, genitália, região perianal, tórax.

Sendo assim, a gravidade das queimaduras pode ser creditada, não só à mortalidade dos pacientes por elas acometidos, mas também pela morbidade observada a partir da sua interferência nas funções das partes do corpo acima descrita e que, muitas vezes, incapacitam as suas vítimas para o trabalho e/ou para o convívio social.

As perdas; da vida, da função motora, do convívio humano, foram mencionadas e fazem parte de bibliografias consultadas, no entanto, observa‑se que nelas, não há qualquer menção relacionada à gravidade das lesões provocadas por explosões da garrafa plástica de álcool líquido, que além das queimaduras no corpo da vítima, que foram mencionadas, causam danos em sua estrutura interna, a partir da onda de choque, mecanismo apresentado anteriormente.

Fonte: Revista Escola de Enfermagem da USP - 2005

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sábado, fevereiro 17, 2007

A engenharia brasileira e o metrô de SP

Passado o impacto inicial, é hora de refletir sobre o acidente. Cabe relevar a competência técnica e empresarial unida ao projeto

O Instituto de Engenharia entende que, ante o acidente com as obras da linha 4 do metrô de São Paulo, todas as entidades ligadas à engenharia brasileira devem ter uma atitude de reflexão e colaboração. Entende também ser preciso analisar em profundidade as causas e as responsabilidades devidas. É necessária uma ampla análise desprovida de emoções para que, dela, se tirem as necessárias lições e aprendizados.

O acidente foi bastante explorado de forma precipitada e com certa manipulação, antes de qualquer laudo técnico. Interesses vários se aproveitaram de lamentável fatalidade para gerar vagas informações sobre suas causas e implicações jurídicas e críticas sobre contratos e relacionamento entre os agentes envolvidos. Agora que o impacto passou com o resgate das vítimas, é o momento de refletirmos sobre o acontecido.

De início, cabe ressaltar a competência técnica e empresarial agregada a esse projeto complexo. O Consórcio Via Amarela representa o que há de melhor na construção pesada brasileira e venceu a licitação em disputada concorrência, inclusive com grupos estrangeiros. Para os projetos executivos, foram contratadas as mais competentes empresas brasileiras de engenharia consultiva. Esse grupo empresarial, além das qualificações técnicas, apresenta todas as condições para desafios como esse da linha 4, com histórico de importantes realizações no país e no exterior.

O Metrô tem todas as condições para realizações desse tipo e é exemplo de competência técnica e grande impulsionador da engenharia brasileira. Desde os tempos pioneiros da implantação da primeira linha, o Metrô vem acumulando conhecimento e aperfeiçoando métodos gerenciais e construtivos. Não tem sido uma tarefa fácil, pois, de um lado, as verbas estão cada vez mais escassas, e, de outro, há uma enorme pressão por mais e melhores transportes. O Metrô tem se desincumbido brilhantemente dessa tarefa, mas sofre com a descontinuidade dos investimentos.

Com relação ao contrato utilizado, o chamado "turn key" é praticado no mundo inteiro. Nesse caso específico, o contrato segue sugestões do Banco Mundial, financiador da obra. Pelo modelo, cabem ao consórcio e seus contratados a execução e o gerenciamento da obra e o detalhamento técnico, e aos técnicos do Metrô, o acompanhamento e a fiscalização de sua implantação a partir do projeto básico desenvolvido pelo próprio Metrô.

Trata-se de uma obra pública e, como tal, o poder público não pode abdicar de suas tarefas e obrigações fiscalizadoras. Entendemos que as relações técnicas e contratuais estão plenamente definidas e, em função do que for apurado, tanto as empresas quanto o poder público são passíveis de responder, ao lado da seguradora, pelos danos pessoais, materiais e morais decorrentes.
Quanto à parceria público-privada da obra, ela se atém ao material rodante, aos sistemas de controle e de operação da linha. Nada tem a ver com o acidente nem com o estágio das obras. Portanto, qualquer referência a ela neste momento é descabida.

A história da engenharia está cheia de registros de acidentes, muitos dos quais impossíveis de serem previstos com os conhecimentos então disponíveis. Somente a partir deles é que se ampliam as informações e os critérios técnicos que permitem o progresso da engenharia pela melhora do conhecimento técnico, da forma de gerenciamento, de administração e de contratação.

A atual situação da engenharia brasileira, após tantos anos de escassos investimentos, também deve ser objeto de análise. Vivemos um momento de apagões. Os poucos investimentos públicos nos últimos 25 anos resultaram em poucas obras e na conseqüente diluição das equipes e competências técnicas.

O Instituto de Engenharia, com a tradição e a independência que caracterizam seus 90 anos, estará acompanhando de forma isenta e responsável a elucidação dos fatos.
Acidentes são sempre fatalidades e devem ser apurados de forma racional, e não emocional.
Há fatores humanos que não podem ser desconsiderados.
Há lições e conhecimentos a serem aprendidos.
O momento é de reflexão e reconstrução. É nisso que o Instituto de Engenharia pode e deve atuar.
Fonte: Folha de São Paulo - São Paulo, quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Eduardo Lafraia, engenheiro civil, é presidente do Instituto de Engenharia.

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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Máquina mortífera – Trânsito e Feriados

Comentário
Com a chegada do feriadão do carnaval, uma batalha silenciosa é travada nas estradas e ruas brasileiras, o duelo entre motoristas de carros, motos e pedestres. Alguns deles perecerão ou seus acompanhantes, principalmente familiares ou amigos ou desconhecidos e outros levarão para sempre as seqüelas, dores e fotografias virtuais dos seus entes queridos. É um grito ou clamor silencioso, que passa desapercebido pelas autoridades públicas. No país, 800 pessoas devem morrer segundo estimativa do SOS Estradas - Programa de Segurança nas Estradas no feriadão, até a meia-noite do dia 24. Na guerra do Iraque, os americanos perdem em média 3 soldados por dia ou na guerra do Vietnã os americanos perderam 50.000 soldados no período de dez anos, enquanto na guerra do trânsito, perdem a vida quase 42.000 brasileiros por ano (incluindo as mortes de vítimas em estados graves em convalescenças). O transito brasileiro é uma fábrica de encomenda contínua de mortes, vítimas, seqüelas e sonhos perdidos. ACCA

Se ouvissem o clamor que se eleva das enfermarias de hospitais, os motoristas gaúchos pensariam melhor antes de cometer qualquer imprudência no trânsito durante o feriadão de Carnaval – que deixou um saldo de pelo menos 26 mortos no Estado no ano passado.
Nos hospitais de Pronto Socorro (HPS) e Cristo Redentor na Capital, as vítimas da violência sobre o asfalto ocupam a maior parte dos leitos nas alas de politraumatizados. No HPS, costumam corresponder a pelo menos 80% das vítimas de múltiplas fraturas.
Na quinta-feira, 16 de fevereiro, à tarde, a sala prevista para atender 21 pacientes já contabilizava 30, com quatro macas tendo de ocupar o corredor por falta de espaço.

O temor dos funcionários é de que a situação fique ainda pior em razão dos acidentes que se multiplicam nesta época do ano, estimulados principalmente pela combinação fatal entre álcool, direção e imprudência.

Hoje, além de pernas e braços dilacerados pela ferocidade do trânsito, sobre cada leito ocupado por um sobrevivente há uma história dramática a servir de exemplo. Mas de nada adiantarão as advertências se não houver condutores e pedestres dispostos a ouvi-las.

Leia, os relatos de José Roberto Gonçalves, Ídolo Romano Queiroz, Ari Domingos Cemin e André Bonfim. Quatro vítimas do tráfego.

O último olhar - José Roberto Gonçalves
Desde 18 de janeiro, a mesma visão assombra as noites do guarda-costas José Roberto Gonçalves, 32 anos: ele acabou de bater seu Tipo contra um Xsara na Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre. Preso às ferragens, ele olha para trás, onde o filho de nove meses viajava no colo da cunhada. Todas as noites, José Roberto relembra o olhar do pequeno Luan nesse momento e não consegue dormir.

Naquela manhã, a família havia acordado cedo para levar Luan a uma consulta no Hospital Conceição. Depois de um casamento de nove anos, dois abortos naturais e uma longa luta para ter um bebê, José Roberto e a mulher, Patrícia, cercavam o filho de cuidados. José encheu a banheira, lavou Luan e saiu para a consulta com a família.

A viagem durou minutos. O guarda-costas viu um carro prateado vindo em sua direção. Olhou para o lado e percebeu uma parada de ônibus cheia de gente. Evitou invadir a parada, mas não conseguiu se safar do choque contra o automóvel. Conforme a Polícia Civil, a carteira do outro motorista estava vencida. Zonzo, José Roberto ouviu uma voz de mulher gritando do lado de fora:

- O seguro vai pagar tudo. O seguro paga.
Foi quando olhou para trás. Percebeu que o filho, machucado, fitava seus olhos. Tentou se desvencilhar das ferragens, mas estava preso. Tentou acordar a mulher, ao seu lado, mas ela estava desmaiada. Vencendo a dor, se esticou e conseguiu retirar o menino dos braços da cunhada, desfalecida.

- Eu vi que ele estava mal - recorda o guarda-costas.
Luan morreu pouco depois. Dele, José Roberto guarda a última foto, tirada no aparelho celular, as lembranças do último banho, as roupas que ficaram guardadas para quando o pequeno voltasse para casa e o último olhar de Luan para o pai.

Reza contra a dor - Ari Cemin
Sobre o travesseiro do motorista Ari Cemin, 60 anos, em um dos leitos do HPS, repousa com ele um pequeno crucifixo. É neste objeto que Cemin busca forças para enfrentar o drama vivido desde uma manhã no final de janeiro. Reza para para diminuir as dores.
Como funcionário de uma empresa de entregas, viajava pela BR-116 nos arredores de Tapes quando outro carro teria invadido sua pista. A força do impacto esmagou suas duas pernas contra as ferragens.

- Me tirem daqui. Me tirem daqui - implorou aos primeiros que vieram oferecer socorro.
Hoje, quase um mês depois, ainda não sabe quando poderá voltar a andar ou retomar o trabalho.
- Faz um mês que estou nessa posição. É terrível - afirma.

As duas pernas foram quebradas em inúmeros lugares, incluindo fêmur, perônio, tíbia e tornozelo. Os pés tiveram de ser praticamente reconstruídos cirurgicamente. Por isso, apela aos motoristas gaúchos:

- Eu queria estar vivendo, trabalhando, realizando meus planos. Estou aqui, preso por não sei quanto tempo. Quem vai pegar a estrada devia pensar nas conseqüências, não andar acima do limite de velocidade, não beber. Isso é respeitar a vida - suplica.

Perna esfacelada - Ídolo Queiroz
Um simples flerte com a imprudência valeu ao motorista de caminhão Ídolo Queiroz, 50 anos, pelo menos dois meses em um leito do HPS, oito meses com pinos atravessados na perna e a dúvida sobre que seqüelas poderão apresentar depois de recuperado.

A fim de buscar um comprador para a moto de um dos filhos, Queiroz foi com a família a um tradicional ponto de rachas no Lami, na zona sul da Capital, quinta-feira passada. Como lá costumam se encontrar muitos motociclistas, pensou em fazer negócio mais rapidamente. Quase encontrou a morte. Quando se preparava para estacionar, quatro motos em alta velocidade vieram em sua direção. Uma delas, fora de controle, o atropelou.

- Por sorte, minha mulher, que está grávida, havia descido da moto alguns segundos antes. Minha perna ficou esfacelada - conta.

Por um segundo - André Bonfim
Um intervalo de um segundo fez a diferença entre a vida e a morte de André Bonfim, 17 anos, na tarde de 26 de janeiro. Ele voltava do serviço em uma fábrica de Sapiranga quando sua bicicleta topou com um caminhão. Em um primeiro momento, ainda conseguiu desviar. Em seguida, o outro motorista fez uma curva brusca para a esquerda.
André estava na direção da roda do veículo quando saltou da bicicleta. Ainda assim, o pesado caminhão passou por cima de seu pé.

- Se eu tivesse esperado mais um segundo, um segundo só, o caminhão tinha me acertado em cheio - recorda o adolescente.

Agora, espera por resultados de exames e avaliações médicas para saber quando poderá voltar a andar, trabalhar e aproveitar a juventude.

- Disseram para mim que o motorista do caminhão havia saído de um bar. Acho que o mais importante para quem vai sair no Carnaval é não beber.

Estudo da Polícia Rodoviária Federal aponta que as falhas humanas respondem pela maior parte dos acidentes ao longo do ano
■ Falta de atenção: 31,11%
■ Excesso de velocidade: 8,55%
■ Não manter distância segura: 7,27%
■ Desobediência à sinalização: 4,10%
■ Falha mecânica: 3,30%
■ Ultrapassagem indevida: 3,19%
■ Defeito na via: 2,70%
■ Sono: 1,78%
Fonte: Zero Hora - 16 de fevereiro de 2007

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sábado, fevereiro 10, 2007

Caminhões são flagrados com excesso de peso


Em 01 de fevereiro de 2007, pela manhã a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, dois caminhões com 28 e 30,5 toneladas de excesso de peso, no Km 222 do trecho em duplicação da BR-101.

Baixa velocidade chamou a atenção dos policiais
De acordo com informações da PRF, os caminhoneiros foram parados porque seguiam em baixa velocidade, provocando filas na rodovia. Pela altura dos pneus, foi constatado o excesso de carga. Inicialmente, os motoristas apresentaram apenas parte das notas fiscais, mas diante dos questionamentos acabaram confirmando a irregularidade.

Transportava ferro para empresa Gerdau
Os caminhões com placas de Guaíba (RS) são de uma transportadora terceirizada e levavam ferro para a empresa Gerdau, de Porto Alegre (RS), para o interior de São Paulo. As cargas transportadas eram de 69 e 72 toneladas, enquanto o peso máximo para esse tipo de veículo (Scania T113) é 41,5 toneladas.

Retidos e multas
Os veículos ficaram retidos no posto de fiscalização de Palhoça, na Grande Florianópolis, e receberam multas de R$ 7 mil, que deverão ser divididas entre o embarcador e o transportador.

Excesso de peso
Para levar o excesso seriam necessários mais dois caminhões do mesmo porte e outro menor. As carretas permaneciam no posto aguardando a chegada de outros transportadores para dividir o carregamento.

Motoristas sabiam do transporte de carga acima do permitido
Os motoristas Ismael Augusto Valim de Souza e Luiz Silmar de Souza Toledo afirmaram saber que transportavam cargas acima do permitido. Mas, alegaram que, como funcionários, estavam simplesmente cumprindo ordens. Também disseram estar cientes dos perigos de trafegar nestas condições, já que os veículos estavam com a estabilidade e os freios comprometidos pelo peso.

A estrada não tem balanças
Segundo os policiais rodoviários, flagrantes como este seriam mais freqüentes caso houvesse balanças em funcionamento na rodovia. Hoje, o único posto de pesagem do trecho Sul da BR-101, que fica no km 418, está em manutenção. No trecho Norte, há apenas dois em operação, no Km 14 e no Km 151.

Fonte: Diário Catarinense - 02 de fevereiro de 2007


Comentário
O slogan de Responsabilidade Social da Gerdau; “O Grupo Gerdau segue os princípios do desenvolvimento sustentável e acredita que o crescimento de uma empresa está diretamente relacionado à evolução das comunidades onde atua. Dentro desta visão, construiu uma cultura empresarial fundamentada em valores éticos, no respeito às pessoas e ao meio ambiente”.
Imagina esse caminhão numa descida com esse excesso de peso, equivalente a transportar mais uma carga em outro caminhão, poderia provocar uma tragédia, pois os freios, pneus e eixos não foram projetados para suportar esse excesso de peso. Onde está a responsabilidade da empresa na fiscalização de transporte de mercadoria de sua propriedade? É fácil projetar a imagem de preocupação às pessoas e ao meio ambiente, através de um bom projeto de marketing e de comunicação.

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terça-feira, fevereiro 06, 2007

Acidentes de trabalho provocaram 2.708 mortes em 2005

O número é superior ao registrado em 2003, quando foram registradas 2.647 mortes. Os dados, mais recentes sobre o assunto, estão presentes em Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho divulgado pelos ministérios da Previdência e do Trabalho.

O maior número de mortes ocorreu em;
■ São Paulo, com 670 ocorrências, seguido;
■ Minas Gerais com 351 e
■ Paraná com 206.

Dados da publicação apontam que em 2005 foram registrados 491.711 casos de acidentes de trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT).

Principais acidentes de trabalho
■ a maioria foi ferimento do punho e da mão, com 68.034 casos, seguido
■ fratura do nível do punho e da mão, com 33.865 e
■traumatismo superficial do punho e da mão, com 27.252 ocorrências.

Especialista destaca construção civil e motoboys
O número de acidentes de trabalho pode ser três vezes superior aos empregados registrados com carteira assinada, segundo estimativa do coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Marco Perez.

O trabalhador que tem carteira assinada e sofre algum tipo de acidente pode recorrer à Previdência Social, enquanto aquele que não tem registro não tem esse direito. Além disso, Marco Perez aponta que ele pode estar fazer exercendo uma atividade de maior risco e sem proteção.

Atividades de maiores riscos
Segundo ele, um dos setores que apresenta uma freqüência elevada de acidentes;
■ construção civil
■ mineração
■ motoboys.

Falta educação, ambiente de trabalho
Você pode mostrar o risco. O trabalhador sabe, mas não tem condições de trabalhar de forma mais adequada. Então, você pode trabalhar essa questão, de educação, dizer como, mas não vai adiantar nada se as relações de trabalho não proverem condições melhores de trabalho - disse Marco Peres.

Fonte: Zero Hora - 5 de fevereiro de 2007

Comentário
O registro de 2.708 casos de morte decorrentes de acidentes de trabalho no ano de 2005, refere-se a uma população de trabalhadores com carteira assinada de 27,5 milhões
Segundo especialistas a subnotificação de comunicação de acidentes atinge 20%.
Se projetarmos para o universo total de trabalhadores formais, teremos;
■ De 491.711 casos de acidentes de trabalho registrados pelo INSS por meio da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) para 2.458.856 acidentes
■ De 2.708 casos de morte registrados pelo INSS para 13.452 casos de morte

Se projetarmos para População Economicamente Ativa 92,8 milhões de habitantes (2004) com carteira assinada ou não, teremos;
■ 8.297.521 acidentes registrados
■ 45.394 mortes

Segundos dados de 2001 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais matam no Brasil 57.409 por ano. Os acidentes sem mortes, representam 11,3 milhões calculados pelo organismo internacional.

Custo de acidentes no Brasil
■ Estimativa de acordo com 491.711 casos de acidentes de trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – R$ 25 bilhões por ano
■ Estimativa de acordo com 2.458.856 acidentes sem subnotificação - R$ 125 bilhões
■ Estimativa de acordo com 8.297.521 acidentes registrados (mercado formal e informal) – R$ 210 bilhões

Segundo estudo da OIT, o custo de acidentes de trabalho pode atingir 4% a 10% do PIB, na América Latina.
O PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) brasileiro totalizou R$ 1,937 trilhão no ano de 2005.
■ O custo de acidentes no Brasil pode variar entre R$ 77 bilhões a R$ 194 bilhões

Com esses valores astronômicos o Ministério de Trabalho ainda continua focado em apenas na arrecadação, esquecendo de uma atuação mais rigorosa na inspeção e divulgação das normas de segurança do trabalho. As principais agências de segurança de trabalho no mundo (inglesa e americana) atuam não apenas na fiscalização das normas, mas principalmente na divulgação de boas praticas de segurança, em prevenção de riscos.

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Acidentes do Metrô, Acidentes de Trabalho e Outros

Interessante a nossa sociedade, o trágico acidente com a construção do Metrô, Estação Pinheiros, transformou-se em cavalo de tróia, para os políticos, Ministério Público e o Estado. Os beneficiários das vítimas, proprietários e moradores de imóveis estão recebendo indenizações e pensões em valores substanciais, se comparado com as indenizações de acidentes de trabalho.

Quando morre, o Zé Pedreiro, o Zé Pintor, o Zé Metalúrgico são como gatos pingados, somente aos poucos vão se avolumando as mortes, mas não se transformam em notícias, como foi o acidente do Metrô. Não há o efeito midiático para o jornal, Ministério Público e a sociedade civil em geral.
Lembra mais as notas publicadas nos jornais, tipo tira, ou saem publicadas na coluna de boa morte e missa de 7o dia .

Aqui o Zé Pedreiro, aos 35 anos, morreu vítima de acidente de trabalho, deixando viúva e filhos. O enterro será no cemitério Paraíso dos Trabalhadores ou uma nota para missa; Aqui a mulher do Zé Pedreiro e filhos convidam parentes e amigos para a missa do 7o dia, do falecimento do inesquecível Zé Pedreiro, que será celebrada na Igreja dos Acidentes de Trabalho.

Quando as partes intervenientes estão em comum acordo, a justiça é rápida. A Defensoria Pública é ágil devido ao efeito midiático, as empresas em questão para aparentar a boa imagem de responsabilidade social ou apagar a imagem negativa aprovam rapidamente os valores indenizatórios.

Mas quando é o Zé Pedreiro sofre o acidente de trabalho, quem socorrerá? O jornal fará manchete? O Ministério Público intervirá? A igreja rezará uma missa para boa alma do trabalhador, de graça?
Ou ele será mais um daquelas subnotificações, não foi acidente de trabalho, foi morte de causa desconhecida?
E as indenizações serão imediatas ou aquelas que demorarão dez ou quinze anos, só Deus sabe?
Essa é a nossa sociedade, com cidadãos brasileiros de 1a classe, 2a classe e os párias que trabalham duramente.
A letra da musica do Chico Buarque retrata bem o cotidiano do trabalhador;
"Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego"
(Construção - Chico Buarque de Holanda)
ACCA

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Gás vaza na Castelo Branco


O acidente ocorreu na sexta-feira, 15 de Junho de 2001, quando funcionários da empresa Queiroz Galvão trabalhavam com um bate‑estaca no local, que perfurava no solo um dos pilares de sustentação para obra do Rodoanel Mário Covas. O serviço havia sido contratado pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A).
O funcionário Valdelins Brandão da Silva descreveu o acidente: "Foi igual a um terremoto. O chão tremeu e logo em seguida uma grande nuvem de gás branco tomou conta do lugar. Saímos desesperados tentando interromper a passagem de carros na estrada." Segundo ele, a nuvem de gás tinha 8 metros de altura. "Estou tremendo até agora, pensei na hora que alguém poderia acender um cigarro e tudo ir pelos ares."

Vazamento de gás
O rompimento do poliduto (um tubo que transporta mais de um produto), de 35,5 centímetros de diâmetro, provocou o vazamento, em um primeiro momento, de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo, gás de cozinha), e, posteriormente, de gasolina pura.

Isolamento da tubulação
Logo que o duto foi perfurado, a Petrobrás isolou uma parte de 6 km da tubulação, acionando válvulas à distância. Com a contenção, o gás e a gasolina que restavam no duto escaparam.

Contaminação e risco de explosão
Era possível sentir o cheiro forte do gás a 3 km de distância do local do acidente, após apenas duas horas do rompimento. O vento forte, na direção da capital e de Osasco, ajudou a espalhar as nuvens.Devido ao risco de explosão, a Eletropaulo cortou a energia dos bairros próximos ao vazamento.No início da noite, nos bairros Santa Cecília, em Osasco, e Mutinga (que engloba áreas de Barueri, Carapicuíba e Osasco), ainda existiam pontos com 100% de risco de haver explosão -com quantidade de gás no ar suficiente para provocar combustão.
Segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a gasolina que saiu da tubulação atingiu um córrego que deságua no rio Tietê.

Evacuação de moradores
Cerca de 2.000 pessoas que residem em quatro bairros, num raio de 2 km do acidente - Jardim Mutinga, Jardim Munhoz Júnior, Jardim Santa Cecília e Piratininga, na divisa com Osasco, tiveram de ser removidas às pressas e passaram a madrugada fora de casa por causa do alto risco de explosão.

Interdição da estrada
Os acessos para veículos foram fechados em um círculo imaginário de 6 km de largura. O Exército chegou a ficar de prontidão para ajudar na remoção das famílias.
O mesmo perigo obrigou a Polícia Rodoviária a desviar o tráfego da Castelo Branco para cidades da Grande São Paulo, causando congestionamentos. Em um dia normal, a rodovia recebe nesse trecho cerca de 100 mil veículos.

Vítimas
Segundo a Defesa Civil de Osasco, 22 pessoas passaram mal por causa do gás que vazou da tubulação da Petrobrás em Barueri e foram encaminhadas ao pronto-socorro de Mutinga. Cinco delas ficaram em observação por mais tempo por apresentarem dor de cabeça e náusea.
Funcionários do pronto-socorro informaram que a maioria dos pacientes apresentava dificuldades para respirar. Eles foram medicados e liberados em seguida.

GLP
O GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), que vazou da tubulação, é inflamável, explosivo, e pode levar à morte se for inalado em grandes concentrações, principalmente em ambientes fechados.
De acordo com o pneumologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Clystenes Odir Soares Silva, mesmo em concentrações menores, o GLP causa náusea, dor de cabeça e incômodo. "Doenças respiratórias como asma e bronquite podem ser agravadas se o gás for inalado. Uma grande quantidade de GLP leva a uma deficiência de oxigenação cerebral e pode matar."
O GLP é uma mistura de butano e propano, compostos formados por hidrogênio e carbono. A substância é líquida quando mantida dentro de botijões ou tubulações, mas torna-se gasosa em contato com a atmosfera.
"Na forma de gás, o GLP é facilmente dispersado. Isso tem um lado bom, porque evita grandes concentrações do gás, que pode explodir, mas faz com que a substância alcance lugares distantes", diz a química da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara Mary Rosa Santiago Silva.
Em concentrações menores, segundo a especialista, o gás tem menor risco de entrar em combustão, mas, em ambientes fechados, é asfixiante e pode explodir por qualquer faísca ou atrito.

Indenização e reclamação
Para atender às reclamações das famílias atingidas, a Dersa montou um posto de atendimento ao lado do terminal da Petrobrás. Cerca de 200 cadastros foram preenchidos, a maioria por parte de moradores que perderam comida ou que tiveram aparelhos eletrônicos danificados com o corte de energia elétrica.

‘Risco a vizinhança, só faltou ignição para explosão, diz Cetesb
Medição feita pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) apontou alto risco de explosão em galerias próximas ao duto que foi perfurado, segundo o gerente de operações de emergência da empresa, Edson Haddad. "Em vários momentos, a concentração de gás estava altíssima em diversas áreas próximas. Bastava uma fonte de ignição para provocar um incêndio ou uma explosão. Foi uma sorte muito grande isso não ter ocorrido", disse. As medições, feitas com explosímetros (equipamentos que medem a concentração de vapor inflamável no ambiente), serviram para orientar os bombeiros no trabalho de dispersão do gás com jatos de água. O gerente da Cetesb classificou o incidente como de "extrema gravidade".

Poliduto passa por áreas populosas
Segundo o engenheiro Wong Loon, diretor da Petrobrás Transportes (Transpetro), a tubulação tem cinco metros de profundidade no ponto em que foi atingida. "Trata-se de um poliduto, uma tubulação que pode levar GLP, gasolina e óleo diesel". O duto, com 50 km de extensão e diâmetro de 14 polegadas, liga o terminal da Petrobrás que fica em Tamboré ao de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
No momento do acidente, explicou Loon, estava sendo transportado o GLP, e em seguida já havia sido liberado um bombeamento de gasolina. Por terem diferentes densidades, os produtos não se misturam e seguem pelo mesmo cano. Segundo a Petrobrás, o gás de cozinha que era transportado no duto é produzido na refinaria da estatal em Mauá, de onde vai para o centro de distribuição de São Caetano e depois para Barueri.
Por uma questão de diferença de densidades, quando o duto se rompeu, primeiro vazou gás e depois gasolina. O gás, por ser mais leve, tende a sair primeiro.

Uma central informatizada da Petrobrás, que acompanha o oleoduto, detectou o furo no mesmo instante, segundo o engenheiro. "Interrompemos o bombeamento de gasolina e fechamos duas válvulas de bloqueio." A medida isolou um trecho de 6 km de tubulação, no meio do qual estava o vazamento.
O duto passa por áreas metropolitanas, como região de favelas em Santo André (Grande ABC).
Passando por baixo de áreas populosas, o duto, se tivesse explodido e incendiado, poderia ter repetido a tragédia de Vila Socó, em Cubatão.

Falta de coordenação
Petrobrás, Polícia Militar e prefeitura de Barueri não conseguiam entender-se sobre o que fazer com os desabrigados por conta do acidente. De acordo com a Defesa Civil do Estado e com o Corpo de Bombeiros, foram removidas cerca de 400 moradores, o que poderia resultar em um número total de 1.500 a 2 mil desalojados.

Causa do acidente
O desconhecimento do local exato onde ficava o duto também foi apontado pelo engenheiro da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/ A) Pedro da Silva, que fiscaliza a obra. No lugar, estavam sendo cravadas estacas de perfil metálico para criar um suporte para a remoção de dois dutos da Petrobrás.
A obra era necessária para permitir a construção do Rodoanel no trecho e havia sido discutida com técnicos da Petrobrás. "Onde nós cravamos a estaca, não tínhamos consciência de que havia um duto", afirmou Silva.
O engenheiro disse que uma comissão formada por Dersa, Queiroz Galvão e Petrobrás discutirá as causas do acidente.

Estimativa de vazamento de gás e gasolina
Wong Loon, diretor da Petrobrás Transportes (Transpetro) informou que o bate-estaca rompeu uma linha de 14 polegadas de diâmetro com 50 quilômetros de extensão, que traz gás liquefeito de petróleo (GLP), gasolina e óleo diesel de São Caetano para os tanques de armazenagem da Petrobrás em Barueri. "Durante cerca de três horas vazou o produto inicial (GLP) e depois, gasolina", disse. "O risco maior de explosão era quando escapava gás. Embora a gasolina também seja inflamável, o perigo de explosão é menor." Loon explicou que "as válvulas localizadas a 6 quilômetros dos pontos de vazamento foram fechadas".
A Petrobrás informou, que a perfuração do duto, causou o vazamento de 150 toneladas de gás GLP. Isso equivale a mais de 11,5 mil botijões de gás de cozinha. Segundo a empresa, não há estimativas sobre a quantidade de gasolina que vazou, mas ela teria sido "insignificante".

Petrobrás diz desconhecer falha
"Desconheço falhas de cadastro (plantas do terreno), afirmou em Barueri (Grande São Paulo) Wong Loon, diretor da Transpetro (Petrobrás Transporte S.A.), sobre a hipótese de os mapas fornecidos pela empresa à Dersa não indicarem a presença do duto danificado”.
Loon afirmou que um fiscal da Petrobrás acompanhava as obras do Rodoanel, mas que não dá para dizer quem errou."Neste momento, não tenho uma explicação para o que houve. Estamos todos concentrados em uma operação de emergência."

Mapeamento do solo desatualizado
O secretário estadual dos Transportes, disse que a Queiroz Galvão tinha cadastro das tubulações e que, antes de começar as perfurações, fez uma prospecção eletromagnética dos tubos. Os mapas da tubulação nos subsolo tem 30 anos. Por isso, a Dersa e a secretaria acham que poderia haver uma curva na tubulação não indicada nos mapas, o que teria provocado o erro que levou a perfuração do duto.

Limpeza
Foi usado um equipamento conhecido como "pig", uma espécie de esponja que é impulsionada por um forte jato d'água, mecanismo que atravessa o tubo internamente. A operação demoraria meia hora e poderia provocar a interrupção da Castelo Branco.

Multa aplicada
A Cetesb multou a construtora Queiroz Galvão em R$ 98 mil pelo vazamento de gás e gasolina em Barueri.A empresa ainda pode recorrer. A Petrobrás ainda não está livre de uma penalização. Técnicos da Cetesb farão durante a semana um relatório detalhado que pode apontar responsabilidades da estatal. Nesse caso, a empresa também seria multada, em um valor ainda a ser fixado.

Relatório Oficial Final : Laudo apontou três responsáveis por perfuração de duto
O relatório oficial apontou a Petrobrás, por meio da subsidiária Transpetro, como uma das responsáveis pelo acidente com vazamento de gás em 15 de junho, durante serviços no Rodoanel Mário Covas, no km 20 da Rodovia Castelo Branco. As outras empresas responsabilizadas são a Queiroz Galvão, executora dos trabalhos, e a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), contratante da obra. O relatório, de uma comissão de sindicância nomeada pela Dersa, diz que a estatal, por ser encarregada de dar prévia aprovação aos trabalhos, teve responsabilidade na liberação do serviço que causou o acidente, quando um bate-estaca furou um duto da Petrobrás, causando liberação de gás.

Fonte: O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Folha de São Paulo no período de 15.06 a 29.09 de 2001.

Comentário:
Com a construção do gasoduto Bolívia-Brasil, passando nos principais centros populosos do país, região sul e sudeste, e às vezes as tubulações margeando ao longo das principais rodovias do país, estamos descobrindo o lado negro desse tipo de energia que será utilizado com insumo da matriz energética brasileira (termoelétricas) e equipamentos industriais.
Nos países em que predomina como fonte energética produtos inflamáveis (gás, óleo) os acidentes ocorrem quase todos os anos, provocando tragédias (mortes, contaminação, evacuação de população,etc).

As autoridades envolvidas com a defesa civil não estão preparadas para atuar numa emergência de desastre de grandes proporções, devido:
▪ Falta de um mapa de riscos atualizado das linhas de tubulações que passam pelo Estado, que transportam produtos perigosos,
▪ Número insuficiente de hospitais especializados em queimaduras em locais estratégico (os hospitais devem ter um plano de emergência para atuar nesse tipo de desastre, pois poderá receber inúmeras vítimas simultaneamente). Os hospitais deverão ser classificados para receberem as vítimas conforme a gravidade, a fim de evitar que um paciente com ferimentos leves seja enviado para um hospital especializado.
▪ Número insuficiente de equipes de resgate com paramédicos para primeiros socorros.
▪ O mais importante à falta de um plano de emergência para desastre em geral (elaboração, preparação e treinamento), envolvendo as autoridades responsáveis e comunidades.

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Normas de incêndio do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo

O decreto no 46.076 , de 31 de agosto de 2001 do Estado de São Paulo, instituiu o Regulamento de Segurança contra Incêndio das edificações e áreas de risco.

Os objetivos deste Regulamento são:
– proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco, em caso de incêndio;
– dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao meio ambiente e ao patrimônio;
– proporcionar meios de controle e extinção do incêndio; e
– dar condições de acesso para as operações do Corpo de Bombeiros.

Para a execução e implantação das medidas de segurança contra incêndio foram criadas as Instruções Técnicas (IT’s) elaboradas pelo Corpo de Bombeiros do Estado São Paulo
Vide no site a relação das instruções técnicas
http://200.136.89.251/its/instrucao_tec.htm

ACCA

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