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sexta-feira, dezembro 19, 2025

SP TEM O MAIOR VENDAVAL SEM CHUVA DA HISTÓRIA


 A cidade de São Paulo enfrentou uma ventania considerada inédita pelos meteorologistas: é a primeira vez que rajadas tão fortes atingem a capital sem a presença de chuva ou temporais. O vento começou ainda pela manhã da quarta‑feira (10/12/) e seguiu intenso até a noite, algo que também chamou a atenção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com meteorologistas, a longa duração do vendaval surpreende especialistas e não tem precedentes na capital paulista.

Desde as 9h, na quarta, as rajadas ultrapassaram 75 km/h em diversos bairros. No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Inmet registrou ventos de 80 km/h. A maior rajada do dia foi registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) na Lapa, Zona Oeste, e chegou a 98,1 km/h. É a maior velocidade desde 1963, quando o Inmet começou essa medição.

Os ventos fortes deixaram um rastro de destruição na capital e região metropolitana de São Paulo: mais de 2 milhões de imóveis sem luz, queda de 151 árvores, fechamento de parques, voos cancelados e até consultas em hospital precisaram ser canceladas.

O responsável pelo vendaval é um ciclone extratropical que atua no litoral do Rio Grande do Sul. Embora longe de São Paulo, o sistema tem grande área de influência — e por isso ventou tanto na cidade, segundo meteorologistas.

MUDANÇA DE PADRÃO

Segundo Cesar Soares, meteorologista do Climatempo, os dados confirmam uma mudança de padrão climático na região metropolitana de São Paulo.

“Essas rajadas de vento que antes eram valores inusitados, extremos, vão passar a ser frequentes. Com mais energia na atmosfera, mais aquecimento e mais calor retido, a gente terá condições cada vez mais severas e intensas”, disse Soares.

O especialista explica que, nos anos 2000, linhas de instabilidade capazes de provocar ventos tão fortes eram raras, mas passaram a se repetir anualmente.

“Agora a gente está vendo com frequência. Está acontecendo pelo menos uma ou duas vezes ao longo de cada ano. Os últimos anos têm registrado rajadas cada vez mais intensas”, afirmou.

O QUE ACONTECEU

O polo industrial da Mooca, SP,  é formado por 228 empresas e gera 16 mil empregos diretos. São empresas de diversos segmentos, incluindo da metalurgia, elétrica, plástico, de beneficiamento de vidro e peças agrícolas.

Indústrias são afetadas desde o início da tarde de ontem. Das 228 empresas que formam o polo industrial, apenas cerca de 30% têm geradores, que estão ficando sem combustível. "Agora, praticamente todas estão sem energia. Um caos absurdo, nosso polo está parado", lamentou o presidente do grupo, Anderson Festa.

Associação do polo industrial estima prejuízo diário de R$ 50 milhões. "O prejuízo deve chegar a esse valor a cada 24 horas sem energia. Mas não estão nessa conta os custos com multas por atrasos de fornecimento e horas extras para equalizar a carga de trabalho", disse Festa.

Grande SP tem 1,3 milhão de imóveis sem luz

Até 10/12, a  noite, eram 2,2 milhões de clientes sem energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a madrugada para resolver a situação.

Só na capital paulista, são mais de 900 mil unidades consumidoras sem o serviço. Isso significa que cerca de 16% da cidade segue afetada, uma vez que a concessionária atende 5,8 milhões de imóveis no território.

ANEEL NOTIFICA ENEL

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) notificou a Enel na tarde de ontem e pediu esclarecimentos sobre o apagão. Segundo a agência, a concessionária já sabia da formação do ciclone extratropical que impulsionou a ventania, mas mesmo assim milhões ficaram sem luz. Em nota, o órgão afirmou que a reincidência e a gravidade das falhas podem configurar descumprimento contratual e levar até à recomendação de caducidade da concessão.

A Enel informou que a área de concessão foi afetada por fortes rajadas de vento. Por causa disso, em alguns pontos a rede elétrica é atingida por objetos e galhos, o que prejudica o fornecimento, além da queda de árvores. Em caso de falta de luz, a companhia orienta que os clientes priorizem os canais digitais para agilizar o atendimento.

Queda de arvores e logística de reparos das redes

Os fortes ventos e chuvas que atingiram São Paulo causaram quedas de árvores e destruição da infraestrutura elétrica, afirmou Marcelo Puertas, diretor regional da Enel São Paulo. A queda de árvores derrubou postes, redes e transformadores, exigindo reconstrução completa em vários pontos. "Quando cai uma árvore, ela derruba o poste, ela derruba a rede, ela derruba o transformador, e a gente tem que reconstruir a rede, não se trata de uma emenda de cabo ou uma atividade simples. É uma atividade extremamente complexa", explicou Puertas.

A logística para o reparo envolve transporte de equipamentos pesados e mobilização de equipes. "Nós temos toda uma logística de atendimento na cidade, mas imagina que eu tenho que voltar para a base operacional, pegar todos esses equipamentos, um poste, para vocês terem uma ideia, ele pesa 1.500 quilos e precisa de guindaste", detalhou o diretor.

A Enel mobilizou 1.600 equipes para atuar desde o início dos problemas. "Nós estamos trabalhando desde ontem, nós estávamos preparados para esse efeito, a gente sabia que esse evento ia acontecer e a gente trabalhou com 1.600 equipes ontem e a gente repete esse número para hoje para fazer todo o restabelecimento", afirmou Puertas.

POR QUE A RECONSTRUÇÃO LEVA TEMPO

A reconstrução da rede elétrica é um processo demorado por envolver desafios técnicos e de segurança. Além da necessidade de substituir postes e transformadores, a Enel explica que o trabalho só pode ser feito após a remoção segura de árvores e avaliação de riscos de novas quedas ou deslizamentos.

O atendimento simultâneo a múltiplos pontos afetados dificulta a priorização dos reparos. Segundo relatos da Enel, a extensão dos danos e as condições climáticas adversas tornam o serviço mais lento, mesmo com reforço de equipes.

 

CONSEQUENCIAS

·        Até 10/12, a  noite, eram 2,2 milhões de clientes sem energia. De acordo com dados da Enel, atualizados por volta das 13h de 11/12, esse número diminuiu para 1,3 milhão. Equipes técnicas teriam trabalhado durante a madrugada para resolver a situação.

·        Mais de 48 horas após terem ficado sem energia, milhares de moradores de São Paulo continuam sem previsão de retorno do serviço. A Enel passou a classificar esses casos como "alta complexidade" e não informa mais prazo para solucionar o problema.

·        Cerca de 700 mil imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo após a passagem de um ciclone extratropical.  

·        Dois dias após o início do apagão causado pela passagem de um ciclone extratropical, mais de 619 mil imóveis ainda enfrentam a falta de energia elétrica no estado de São Paulo na madrugada de sexta-feira (12).

·        A falta de energia também afetou o abastecimento de água.  

·        CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que 218 semáforos estão apagados pela falta de energia.  

·        Voos cancelados: Ao menos 80 voos foram cancelados na manhã desta quinta-feira (11) nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas. Já são 15 no primeiro e 67 no segundo. Os cancelamentos seguem pelo 2º dia, com 380 voos ao total entre ontem e hoje, reflexo de ventos intensos.    

·        Mais de 50 horas depois do vendaval, a Região Metropolitana ainda tem 689 mil imóveis às escuras, segundo o boletim publicado pela concessionária Enel às 12h de sexta-feira (12). No pico, na quarta (10), o apagão atingiu 2,2 milhões de imóveis.

·        A falta de energia afeta serviços essenciais, como semáforos, abastecimento de água e mobilidade urbana. Já os aeroportos de Congonhas, na capital, e de Guarulhos, que tiveram dias de caos e cancelamentos, estão com operação normalizada.

·        O fim de semana começou com meio milhão de imóveis sem luz. Até a última atualização, de 15h52, eram 363.829 imóveis afetados. Na quarta-feira (10), eram 2,2 milhões afetados.

·        Só na capital paulista, são 263.367 pontos sem o serviço. Isso significa que 4,53% do território segue sem luz.

·        Na região metropolitana, Embu-Guaçu é o município que enfrenta a situação mais crítica. No local, há 13.962 imóveis sem energia, o equivalente a 61% dos clientes sem luz.

·        Quatro dias após a passagem de um ciclone extratropical por São Paulo, a Enel disse que restabeleceu, na manhã de 13/12, a energia para 99% dos clientes que tiveram o fornecimento. Mais de 95 mil imóveis na região metropolitana seguem sem luz.

·        Na cidade de São Paulo, mais de 56 mil clientes estão sem energia elétrica, de acordo com a Enel. O balanço é das 15h30 deste domingo (14).

·        Mais de 160 mil imóveis seguem sem luz na grande SP

·        Em razão da falta de energia elétrica, foram registrados prejuízos milionários ao comércio e danos incontáveis ao consumidor. Remédios e alimentos foram descartados prematuramente ao longo dos últimos dias.

·        Em 15/12, a  cidade de São Paulo, que tem o maior contingente de clientes, é a região que mais sofre: são quase 39 mil consumidores às escuras. Mais cidades da Grande São Paulo também continuam sendo atingidas. Em Itapevi, dos 98 mil consumidores, há 893 sem energia. É quase 1% do total. Ao todo, nesta manhã, 0,64% dos clientes está sem energia.

·        A Enel divulgou um comunicado de manhã, 15/12,  informando que havia conseguido restabelecer o padrão de normalidade de sua operação. Diz ainda que suas equipes de reparo continuam nas ruas trabalhando para restabelecer o serviço.

·        A concessionária explicou também que há uma variação normal ao longo do dia no número de clientes sem energia.  “Enquanto equipes restabelecem o fornecimento em alguns pontos, novas ocorrências podem ser registradas em outros trechos da rede, seja por fatores climáticos, objetos arremessados sobre a rede ou manobras técnicas necessárias para a execução dos reparos”.

PREJUÍZO NO COMÉRCIO

Comércio e serviços já perderam ao menos R$ 1,54 bilhão em faturamento entre a quarta-feira (11) e a quinta (12) na cidade de São Paulo por causa da falta de eletricidade, segundo levantamento feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O prejuízo é maior para os serviços, que deixaram de faturar pouco mais de R$ 1 bilhão nesse período, enquanto o comércio perdeu R$ 511 milhões.

O prejuízo para o setor de bares, restaurantes e hotéis, por conta do apagão em São Paulo, pode chegar a R$ 100 milhões, segundo estimativa da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp).

A entidade calcula que 5 mil estabelecimentos foram atingidos pela falta de energia na capital, municípios da região metropolitana e parte do interior devido às chuvas e fortes ventos. Os danos incluem perda de equipamentos, de alimentos e de clientes. A Fhoresp representa cerca de 500 mil estabelecimentos no estado e mais de 20 sindicatos patronais.

Fontes: g1 SP - 11/12/2025; UOL, em São Paulo - 11/12/2025; Folha de São Paulo - 12.dez.2025; g1 SP - 14/12/2025; Agência Brasil - 15/12/2025

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terça-feira, novembro 25, 2025

TORNADO ARRASA A CIDADE RIO BONITO DO IGUAÇU NO PARANÁ

LOCALIZAÇÃO 

Rio Bonito do Iguaçu é um município localizado na região Centro-Sul do estado do Paraná, a aproximadamente 400 quilômetros de Curitiba (capital do estado). O município, com  população estimada de cerca de 14 mil habitantes segundo dados do IBGE de 2020, encontra-se próximo à cidade de Laranjeiras do Sul, localizada a apenas 18 quilômetros de distância.

Registros mostram que as rajadas provocaram destelhamento de residências, além de quedas de árvores e postes.  A cidade está sem energia elétrica e quase 50% das estruturas da área urbana   foram deterioradas.

Estima-se que mais de 50% da zona urbana foi afetada por destelhamentos. Houve inúmeros colapsos estruturais  de edificações comerciais, de órgãos públicos e residências. A malhas viária foi comprometida e a rede elétrica foi danificada. Informou a Defesa Civil.

TORNADO

O tornado atingiu a cidade por volta das 17h30 de sexta‑feira (7/11). Segundo meteorologistas, o fenômeno foi causado por um ciclone extratopical que atinge o sul do país.

Rio Bonito do Iguaçu foi a cidade mais atingida, mas outros municípios da região, como Laranjeiras do Sul e Guarapuava também sentiram os efeitos do tornado. O tornado atingiu a cidade com temporal, vento forte e granizo, deixando um rastro de destruição.

A tempestade que atingiu a cidade foi causada por um tornado formado dentro de uma supercélula, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).

Na escala Fujita, que determina a intensidade dos tornados, a tempestade foi classificada inicialmente como um F2, quando são registrados ventos de 180 a 250 km/h. Horas depois, contudo, o Simepar alterou o diagnóstico, elevando o fenômeno para F3 (entre 250 e 330 km/h).

INFRAESTRUTURA

ENERGIA ELÉTRICA

Segundo a Copel, 280 postes e três torres de alta tensão da região foram derrubadas pelos ventos, deixando a cidade no escuro.

ESTRADAS

Diversas estradas e rodovias foram bloqueadas. As rodovias PRC-158, em Rio Bonito do Iguaçu, e PRC-466, em Guarapuava, tiveram o tráfego de veículos interrompidos  mas já estão liberadas. A desobstrução da PR-170, por outro lado, deve demorar cerca de 10 dias devido à intensidade dos estragos.

VÍTIMAS E RESGATE

Mortes – Ribeirão Bonito do Iguaçu (7); Guarapuava (1)

Feridos - o serviço médico e de socorro da região atendeu 835 pessoas. Mais de 30 pessoas  seguiam internadas, sendo quatro delas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

DEFESA CIVIL

A Defesa Civil enviou para a cidade 2.600 telhas, 1.200 cestas básicas, 565 colchões, 270 kits higiene, 204 kits limpeza, 150 kits dormitório e 54 bobinas de lona.

Mais de mil pessoas ficaram desalojadas e ainda dependem de abrigos ou da ajuda de vizinhos e parentes.

Na cidade, escolas, postos de saúde e centros comunitários estão sendo usados como abrigos temporários.

MEDIDAS DE EMERGÊNCIAS

Diversas corporações estaduais estão na região. Equipes dos bombeiros, da Polícia Militar, da Secretaria de Saúde e de outros órgãos prestam auxílio. Há suspeita de vítimas presas em escombros. Cães farejadores são usados nas buscas.

SAÚDE

Hospitais da região de Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Cascavel estão mobilizados para o atendimento às vítimas.

Em Laranjeiras do Sul, os atendimentos estão sendo realizados em duas unidades hospitalares, uma unidade de saúde e uma faculdade. Em um dos hospitais, 216 atendimentos foram realizados até o momento. Desse total, 51 foram transferidos para outras unidades, três passaram por cirurgia de ortopedia, uma por cirurgia geral e dois pacientes estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado instável.

Em outro hospital, 100 atendimentos foram realizados, sendo que cinco deles cirúrgicos, cinco pessoas foram transferidas e duas crianças e cinco gestantes atendidas. Os demais casos são de pacientes clínicos estáveis. Na Unidade de Saúde foram 103 atendimentos e, na faculdade, 18 casos. Os pacientes que precisaram de transferências foram levados para o Hospital Universitário de Cascavel e o Hospital Regional de Guarapuava.

Mais de 30 ambulâncias da 5ª e 7ª Regionais de Saúde estão disponíveis para atendimento, com mais de 100 profissionais de saúde e voluntários envolvidos. Os Pronto Atendimentos de Nova Laranjeiras, Cantagalo e Saudade do Iguaçu também foram disponibilizados para receber as vítimas.

O Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) foi acionado e enviou 1.000 unidades de soro 500 ml e 1.000 unidades de ringer (outro tipo de soro) para apoio aos hospitais de Laranjeiras do Sul. Municípios da região do desastre também estão doando medicamentos e insumos para as unidades que estão recebendo os pacientes.

A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) também está enviando cerca de 10 mil unidades de 17 tipos de materiais diferentes, incluindo ataduras, seringas, compressas, agulhas, entre outros insumos, que auxiliarão os hospitais nos atendimentos das vítimas.

TESTEMUNHAS DO EVENTO

·      A dona de casa Kelly, que viu sua casa desabar diante dos olhos. "Tudo aconteceu muito rápido. O céu escureceu, começou a ventar e derrubou a janela. Só deu tempo de pegar um colchão pra colocar em cima da minha família pra proteger. Mesmo assim, duas tias ficaram feridas. Da casa não sobrou nada", contou ainda em choque.

·      Vendaval durou de 30 a 40 segundos e "detonou tudo", disse Adilson Camilo, morador de Rio Bonito do Iguaçu."Começou a voar tudo. Voaram telhas, parede. Tudo o que você imaginar", contou. Corremos para o banheiro e o banheiro voou, começou a rachar. Corremos para o quarto de visitas e começou a desabar. Corremos para o nosso quarto, nos abraçamos a pedimos a Deus: 'Deus, ajuda a gente, por favor', disse Adilson Camilo.

·      Na quadra ao lado, Eliandro Felan, dono de uma conveniência, também não sabe como será o futuro. O telhado do estabelecimento foi arrancado pelo vento, a fachada voou longe e o ar‑condicionado despencou sobre um cliente que estava no local e precisou ser levado ao hospital. "Agora, na verdade, vai ser tudo do zero. Vamos ver como será, como virão as ajudas e ver como vai ficar", afirma.

·      Roseli Pereira de Souza é dona de uma panificadora, conta que, no momento em que o tornado atingiu a cidade, estavam trabalhando. O vento destruiu o estabelecimento, mas os cinco funcionários e os clientes que estavam no local não se feriram. "A gente ainda não parou pra pensar como será daqui para frente. Primeiro estamos vendo os estragos, ver o que dá para aproveitar." Ela não sabe estimar os prejuízos, mas diz que a destruição foi total.

·      A técnica de enfermagem aposentada Glaci Tereza Merlak, 63, estava em casa com o marido, Vilmar, quando o tornado iniciou. Eles conversavam sobre a possibilidade de temporal quando foram surpreendidos pelo vento forte. O marido tentou segurar uma porta de vidro, que acabou estourando e o jogou contra uma geladeira, arrastada por vários metros. Ferida, ela procurou ajuda dos vizinhos. "Tentamos abrir a porta para pedir socorro, mas não havia a quem, porque todos estavam na mesma situação", relata.

·      A aposentada Tereza Bittu, 88, conta que um fogão salvou sua vida. A parede da casa desabou em sua direção, mas um fogão que estava em um local mais elevado da residência serviu como proteção. Socorrida por um vizinho, com apoio de policiais, ela foi levada para um hospital de Laranjeiras. O olho roxo e marcas pelo corpo mostram o impacto de objetos contra ela. "Eu acho que escapei foi pelo amor de Deus", afirma. A aposentada está na casa de uma filha em Laranjeiras do Sul.

LIMPEZA DA CIDADE

O coordenador da Defesa Civil do estado, afirmou que a cidade deve estar limpa em dois ou três dias, com a retirada de entulhos e escombros.  

PREJUÍZOS

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) estimou que os prejuízos já ultrapassariam 114,5 milhões.

RECONSTRUÇÃO

Cerca de 40% dos imóveis da cidade precisarão ser totalmente reconstruídos, aponta relatório preliminar Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná) e da Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná).

Os outros imóveis atingidos, 60%, ainda teriam condições de passar apenas por reformas, sem necessidade de demolição.

Segundo a concessionária de energia, Copel, cerca de 200 profissionais estão na cidade para restabelecimento de energia elétrica. Fontes: Correio do Povo-08/11/2025; Folha de São Paulo - 8.nov.2025; BBC News Brasil - 8 novembro 2025; UOL- 08/11/2025; UOL- 09/11/2025; Folha de São Paulo - 9.nov.2025; Folha de São Paulo - 10.nov.2025; Folha de São Paulo - 11.nov.2025



ATUALIZAÇÕES DAS INFORMAÇOES – 26/11/2025

·      Tornado em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, Paraná, foi classificado como F4 com ventos de até 418 km/h, conforme laudo do Simepar.

·      Onze cidades foram atingidas; Turvo teve ventos F2. Inicialmente, ventos foram estimados em F2, mas elevou-se para F3 antes de confirmar F4.

·      Destruição em 90% de Rio Bonito do Iguaçu deixou mais de mil desalojados e sete mortos, incluindo um caso de morte por estresse pós-traumático.

O laudo técnico elevou para categoria F4 os ventos em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava. Nova avaliação foi divulgada hoje pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).

O que aconteceu

Um tornado de categoria F4 na escala Fujita, tem ventos estimados entre 332 km/h e 418 km/h. Simepar concluiu nesta semana o laudo técnico que detalha a trajetória e a classificação dos três tornados que atingiram 11 cidades do Paraná naquela data.

Ventos que atingiram cidade de Turvo foram mantidos na categoria F2. Neste caso, a velocidade do vento é estimada entre 180 km/h e 253 km/h.

Onze municípios foram atingidos: Rio Bonito do Iguaçu, Turvo, Guarapuava, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Cantagalo e Candói.

Inicialmente, o Simepar estimou ventos de 250 km/h (F2), mas dias depois elevaram para 330 km/h (F3). A escala Fujita, sistema usado para classificar tornados, vai até o nível F5.

Escala de tornados:

F0 > ventos entre 65 km/h e 116 km/h;

F1 > ventos entre 116 km/h e 180 km/h;

F2 > ventos entre 180 km/h e 253 km/h;

F3 > ventos entre 253 km/h e 332 km/h;

F4 > ventos entre 332 km/h e 418 km/h;

F5 > ventos entre 418 km/h e 511 km/h.

Fonte: UOL, em São Paulo - 26/11/2025 

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sexta-feira, novembro 07, 2025

TUFÃO KALMAEGI DEIXA UM RASTRO DE DESTRUIÇÃO NAS FILIPINAS

 Em 2 de novembro de 2025, o ciclone tropical Kalmaegi  tocou o solo na Filipinas como uma tempestade tropical e rapidamente se intensificou para um tufão enquanto se deslocava para oeste através das Visayas. O ciclone tropical atingiu a costa diversas vezes – primeiro em Silago, Leyte do Sul, seguido por Borbon, Cebu, Sagay City, Negros Ocidental, Iloilo City e El Nido, Palawan – trazendo chuvas torrenciais, ventos destrutivos e inundações generalizadas em grande parte do país. O tufão saiu da Filipinas em 6 de novembro de 2025, mantendo sua força como tufão.

ATÉ 7 DE NOVEMBRO, ESTIMA-SE QUE;

 2,4 milhões de pessoas (680.431 famílias) foram afetadas em oito regiões. Destas, 302.008 pessoas (83.139 famílias) estão atualmente em 2.936 centros de evacuação, enquanto 75.325 pessoas (22.184 famílias) estão temporariamente abrigadas com parentes ou amigos.

MORTES E FERIDOS

O Conselho Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMC) registrou 153 mortes, 135 feridos e 86 desaparecidos, principalmente nas Regiões 6 (Visayas Ocidental), 7 (Visayas Central) e 8 (Visayas Oriental), devido a graves inundações e deslizamentos de terra.

IMPACTO E ÁREAS AFETADAS

As chuvas fortes a intensas causaram inundações em pelo menos 41 municípios e deslizamentos de terra em várias províncias. Mais de 12.600 casas foram danificadas (487 totalmente e 12.190 parcialmente).

As províncias de Cebu, Ilhas Dinagat, Leyte e Surigao del Norte estão entre as mais afetadas. Cebu registrou 111 mortes e mais de 87.000 famílias desabrigadas ainda em locais de evacuação após inundações urbanas generalizadas.

Nas Ilhas Dinagat, aproximadamente 36% da população foi deslocada, com danos significativos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de água, saneamento e higiene Leyte e Biliran sofreram extensas inundações, contaminação da água e consequentes alertas de saúde devido ao saneamento precário e à água parada.

DANOS A INFRAESTRUTURA

Estimativas preliminares indicam danos à infraestrutura, perdas agrícolas afetando mais de 600 agricultores e pescadores e mais de 460 hectares de terras cultiváveis.

AS INSTALAÇÕES EDUCACIONAIS TAMBÉM SOFRERAM GRANDES DANOS.

Em cinco regiões, cerca de 1,9 milhão de alunos e 79 mil funcionários da educação foram afetados, com 3.478 escolas públicas relatando suspensão de aulas. Pelo menos 412 escolas em sete regiões foram convertidas em centros de evacuação, abrigando temporariamente famílias desabrigadas.

Uma avaliação rápida dos danos identificou 1.975 salas de aula com danos leves, 737 com danos graves e 548 totalmente destruídas.  

INTERRUPÇÕES NOS SERVIÇOS ESSENCIAIS

A tempestade causou graves interrupções nos serviços essenciais, deixando muitas áreas sem energia elétrica, água e comunicações, enquanto os centros de evacuação superlotados e os ambientes contaminados pelas enchentes continuam a aumentar os riscos à saúde e à segurança das populações afetadas.

 O Kalmaegi atingiu as Filipinas em um momento de fragilidade. O país lida com uma sucessão de desastres naturais nos últimos meses, entre eles, terremotos e tempestades. Em setembro, o supertufão Ragasa atingiu o norte de Luzon, provocando rajadas de ventos, chuvas torrenciais e a suspensão de atividades governamentais e escolares.


SITUAÇÃO NO VIETNÃ

Pelo menos cinco pessoas morreram no Vietnã depois que o tufão Kalmaegi atingiu regiões costeiras com ventos destrutivos e chuvas intensas, disseram autoridades nesta sexta-feira (7), após a passagem da tempestade pelas Filipinas.

 O tufão tocou o solo na noite de quinta-feira na costa central vietnamita —já devastada pela tempestade e de onde milhares de pessoas haviam fugido—, arrancando árvores, danificando casas e provocando blecautes, antes de enfraquecer ao avançar para o interior.

DANOS MATERIAIS

As autoridades locais ainda avaliavam os danos na manhã de sexta-feira, mas o governo informou que pelo menos cinco pessoas morreram e 57 casas foram destruídas em Gia Lai e na região vizinha de Dak Lak.

No país, cerca de 2.800 residências sofreram danos, e 11 embarcações afundaram, segundo as autoridades.

A empresa estatal de energia elétrica informou que 1,6 milhão de pessoas ficaram sem eletricidade quando o tufão atingiu a costa central, mas um terço do serviço foi restabelecido até a manhã de sexta-feira.

O governo mobilizou 268 mil soldados para operações de busca e resgate e emitiu alertas sobre possíveis inundações que poderiam afetar as chamadas Terras Altas Centrais —principal região produtora de café do país—, embora comerciantes tenham relatado que as plantações permaneceram intactas.

O tufão perdeu força ao avançar pelo interior, mas ainda são previstas chuvas fortes para grande parte da costa central, segundo o serviço meteorológico nacional.

O fenômeno atingiu o Vietnã enquanto o país se recuperava de uma semana de inundações e chuvas recordes que já haviam deixado 47 mortos.

O país asiático está localizado em uma das regiões tropicais mais ativas do planeta em termos de ciclones e registra, em média, dez tufões ou grandes tempestades por ano. O Kalmaegi, porém, foi o 13º de 2025, refletindo uma temporada mais intensa que o habitual. 

Fontes: OCHA  Posted 7 Nov 2025; Folha de São Paulo - 7.nov.2025 

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quarta-feira, novembro 05, 2025

FURACÃO MELISSA CAUSA DESTRUÇÃO NO CARIBE


O furacão Melissa atingiu o solo da Jamaica nesta terça-feira (28) como um fenômeno de categoria máxima, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. Mais cedo, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou que espera uma situação catastrófica no país caribenho, em decorrência das rajadas de vento superiores a 300 quilômetros por hora, sendo a pior tempestade a atingir a ilha neste século. A costa da cidade de New Hope, a oeste do país, foi a primeira região atingida pelos ventos.

Ondas de até quatro metros de altura são esperadas, com precipitação que deve ultrapassar 700 mm, cerca do dobro da quantidade normalmente esperada durante toda a estação chuvosa. "Isso significa que haverá inundações repentinas e deslizamentos de terra catastróficos".

A maioria dos jamaicanos ficou sem acesso à internet, e os principais aeroportos foram fechados, dificultando o trabalho das autoridades para avaliar a dimensão dos danos. O governo afirmou que o país é uma "zona de desastre" e que os moradores devem permanecer protegidos devido ao risco de inundações e deslizamentos de terra.

Fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam estradas e carros destruídos, além de árvores e destroços de telhados arrancados pelos ventos. O aeroporto de Montego Bay ficou com áreas de espera alagadas, vidros quebrados e tetos desabados.

Os locais, importantes pontos turístico do país, foram severamente atingidos. Resorts foram parcialmente destruídos, assim como o aeroporto.

O furacão Melissa atingiu Cuba na madrugada de quarta-feira (29), com ventos chegando a 195 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), após deixar um rastro de destruição na Jamaica.

Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Melissa tornou-se o furacão mais forte a atingir o solo na costa do Atlântico em 90 anos.

Situação

Jamaica

As autoridades relataram 19 mortes, 96 feridos, confirmados, inundações generalizadas e danos significativos à infraestrutura,  05 hospitais afetados, deixando mais de 460.000 pessoas sem energia elétrica.

Haiti

No Haiti, o número de mortos relatados 23, e muitos ainda estão desaparecidos após chuvas torrenciais e inundações de rios, particularmente em Petit-Goâve.

República Dominicana,

Na República Dominicana, o furacão causou inundações e deslizamentos de terra que colocaram vidas em risco, afetando mais de 60.000 pessoas.

Foram registrados 13 estabelecimentos de saúde afetados por falhas elétricas, limitações de acesso e inundações em outras províncias.

32 sistemas de abastecimento de água potável fora de operação em nível nacional, por altos níveis de turbidez da água..

Cuba

Em Cuba, mais de 60.000 casas foram total ou parcialmente destruídas, enquanto milhares continuam sendo evacuadas devido ao alto risco de novas inundações e deslizamentos de terra.

Foram relatados danos em mais de 40.000 hectares de plantações, principalmente de banana. Mais de 40% da produção de hortaliças foi danificada, limitando a disponibilidade e o acesso a alimentos.

Pelo menos 287 instituições de saúde foram afetadas, com danos em telhados e estruturas internas, além da perda de equipamentos médicos essenciais.

Quase 600 centros educacionais (dos 2.729 localizados nos 29 municípios mais afetados) sofreram danos na infraestrutura.

Mais de 700 mil crianças em todo o Caribe, foram afetadas pelo furacão, segundo a UNICEF. Fonte - OCHA  Publicado1 de novembro de 2025; Cuba, Hurricane Melissa - Flash Update No. 4 November 2, 2025 

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domingo, julho 26, 2020

“CICLONE BOMBA” NA REGIÃO SUL DO BRASIL

Durante fortes temporais que atingiram a Região Sul do Brasil em 30 de junho de 2020, cidades registraram ventos com mais de 120 km/h em diversos pontos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Esse fenômeno é conhecido como "ciclone-bomba", pois nessa região foi registrada uma queda acentuada na pressão atmosférica em um período de 24 horas, provocando ciclones que não eram previsíveis pelos meteorologistas. O ciclone bomba, como foi batizado, nada mais é do que um intenso sistema de baixa pressão atmosférica, e é chamado de extratropical.

CICLONE - DESTRUIÇÃO
O vento provocou estragos em um terço das cidades do estado. O que aconteceu foi a consequência da formação de um ciclone, um fenômeno meteorológico comum, mas não com essa intensidade - por isso é chamado de "ciclone bomba". "O processo de formação dele foi muito rápido. Isso faz com que as nuvens fiquem carregadas e alinhadas, uma do lado da outra e, quanto mais intenso é o ciclone, mais rápido é o deslocamento desta linha de instabilidade, e cada vez o vento é mais intenso por onde ele passa", explica o meteorologista Leandro Puchalski.

ESTADOS QUE RELATARAM  DANOS INICAIS

SANTA CATARINA
Ao menos 35 municípios catarinenses comunicaram estragos pelo temporal. Conforme a Defesa Civil, os ventos chegaram a 120 km/h no Morro da Igreja, no Parque Nacional de São Joaquim, localizado na divisa entre os municípios de Bom Jardim da Serra, Orleans e Urubici. 
O temporal deixou 1,4 milhão de consumidores sem luz em SC, de acordo com as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Além disso, o cabo de fibra ótica da operadora Oi foi rompido, o que deixou clientes sem internet e telefone, segundo a concessionária de energia.
Florianópolis e Balneário Camboriú, em Santa Catarina, a passagem do fenômeno deixou um rastro de destruição.

CHAPECÓ
A velocidade do vento chegou a 108 km/h por volta das 13h30 no município, segundo Marcelo Martins, que é o meteorologista da Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições climáticas no estado. Segundo a Defesa Civil do município, foram registradas até as 15h mais de 350 registros de destelhamentos, quedas de árvores e galhos, ruas e avenidas bloqueadas.
Mias de 350 casas ficaram destelhadas e o vento deixou mais da metade dos moradores sem energia elétrica.

CONCÓRDIA
Segundo a Prefeitura de Concórdia, o Terminal Rodoviário Neudi Massolini perdeu quase toda a cobertura, o telhado ruiu devido à ventania e atingiu ambulâncias que ficam estacionadas no local.
Pelo menos 15 escolas e centros municipais de educação infantil tiveram algum tipo de danos devido ao vento. Os centros de convivência do bairro dos Estados e Frei Lency, também foram prejudicados pelo temporal.
Oito equipes dos Bombeiros Voluntários e Defesa Civil trabalham retirando árvores e distribuindo lonas aos atingidos.

XANXERÊ E REGIÃO

O mau tempo também causa transtornos em cidades da região. Em Xanxerê, o vento por volta das 10h chegou a 81,4 km/h, também houve queda de granizo. Nos bairros Pinheiro e Veneza foram registrados destelhamentos e lonas foram distribuídas aos moradores.
São Domingos, Mondaí, Caibi e Palmitos também tiveram casos de destelhamentos. Em São José do Cedro, os prejuízos foram no sistema de abastecimento de água na Linha 21 de Novembro, sendo que três das quatro caixas d´água do local foram danificadas.
Em Ponte Serrada e Concórdia, o temporal causou problemas com o fornecimento de energia elétrica por conta do temporal.

LAGES, NA REGIÃO SERRANA
O vento chegou como uma explosão, arrebentou os vidros do prédio e arrastou tudo o que estava pela frente.

EM TIJUCAS, NA GRANDE FLORIANÓPOLIS
Um galpão desabou e matou três pessoas. Na cidade vizinha, Governador Celso Ramos, 80% dos imóveis foram danificados. Uma van e uma ambulância tombaram. No mar, mais estragos; vários barcos afundaram.
"Veio aquela nuvem escura e pela nuvem já dava de ver que ele vinha girando. E quando chegou aqui, ele começou a pegar as coisas por baixo e levantar", conta o aposentado Antônio Alves.

FLORIANÓPLIS
Na capital, parte do telhado de um condomínio voou e foi parar no pátio de uma casa.Árvores foram arrancadas pela raiz, interditaram ruas, atingiram carros e casas.

INTERRUPÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
Mais de 1,5 milhão de unidades consumidoras sem fornecimento de energia elétrica. Na manhã de quarta-feira (1º), cerca de 668 mil ainda continuavam sem luz. A companhia espera que 80% do sistema seja reestabelecido até o fim do dia, mas explicou que alguns locais podem ter o problema prolongado pela dificuldade para retirar os materiais que atingiram a rede elétrica. Segundo a concessionária, esse foi o maior dano da história da rede elétrica estadual.

RETOMADA TOTAL NA ENERGIA EM SANTA CATARINA PODE DEMORAR ATÉ DOMINGO
Até as 10h de sexta-feira (3), 156.680 unidades consumidoras continuavam sem luz; Grande Florianópolis é a região mais afetada
A região de Florianópolis segue como a mais afetada, com 50.598 unidades consumidoras ainda sem energia. Em seguida, aparece a região de Lages, com 34.960 imóveis com interrupções.
A Celesc informou que a energia já foi restabelecida em 95% das áreas atingidas. A previsão é de que os trabalhos para a normalização total continuem até domingo (5).
Conforme o órgão, a demora é por conta das regiões de difícil acesso e dos locais onde a rede terá que ser completamente reconstruída.
As equipes que concluíram os trabalhos no Sul do Estado foram encaminhadas para Florianópolis para auxiliar na recuperação do sistema.

CORPO DE BOMBEIROS E EMERGÊNCIAS
Segundo a corporação, todos os batalhões registraram ocorrências, e mais de 1.450 bombeiros militares, 674 bombeiros comunitários, 402 viaturas, além de duas equipes de força-tarefa e um cão de busca, atuam nas ocorrências.

SAMU TEVE MAIS DE MIL CHAMADOS
Durante o ciclone Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) atendeu 1.257 chamadas nas oito macrorregiões. Destas chamadas, 503 foram atendimentos que precisaram de Unidades de Suporte Avançado e Suporte Básico.

VÍTIMAS E DESABRIGADOS
De acordo com Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, nove pessoas perderam a vida.
·    Chapecó: uma idosa, de 78 anos, vítima de queda de árvore;
·    Santo Amaro da Imperatriz: um homem, atingido por fiação elétrica;
·    Tijucas: três vítimas após desabamento de galpão;
·    Ilhota: um homem de 59 anos;
·    Governador Celso Ramos: um homem de 59 anos;
·    Rio dos Cedros: um homem de 73 anos;
·    Itaiópolis: mulher, 37 anos, vítima de queda de árvore.

DESAPARECIDAS
Ainda, segundo os bombeiros, duas pessoas seguem desaparecidas. Uma na cidade de Canelinha e outra em Brusque. Na cidade do Vale do Itajaí, mergulhadores do Corpo de Bombeiros atuam nas buscas por um homem que caiu de uma ponte pênsil, em Brusque.

DESABRIGADAS
Outras 1.402 pessoas foram afetadas, seis ficaram feridas, 24 estão desabrigadas e 26 estão desalojadas.

BALANÇOS PERDAS MATERIAIS PROVISÓRIOS
Fábrica - Ciclone danifica 70% da área de fábrica em SC; prejuízo supera R$ 2 milhões
Uma fábrica de produtos domésticos foi atingida em cheio pelo ciclone bomba na terça-feira (30), em Rio do Sul (SC), a 188 quilômetros de distância de Florianópolis. Os sete galpões tiveram danos e se estima que 70% da estrutura da empresa foi danificada. O gerente de exportações, Daniel Stolf, calcula um prejuízo na casa de R$ 2 milhões.
"Entre R$ 800 mil a R$ 1 milhão serão para consertar os galpões. Uns foram bastante danificados e outros muito poucos", conta Stolf, sobrenome que dá o nome à empresa.
O restante do valor deve ser utilizado para reconstruir a rede de painéis solares, que fornecia quase toda a energia à empresa. Em operação desde o final do ano passado, o sistema custou R$ 1,8 milhão. Estima-se que 60% das placas tenham sido danificadas ou destruídas pelo ciclone. Além disso, algumas máquinas estragaram e vão ter que passar por reforma ou serem substituídas. E parte do estoque da empresa acabou molhando e também foi perdido.
No momento da tempestade, cerca de 140 funcionários estavam trabalhando no local e tiveram que encontrar lugar seguro. Entretanto, dois deles acabaram feridos, tiveram escoriações leves e foram levados para o hospital. Após receberem atendimento, foram liberados e estão de atestado médico.
Segundo a direção da empresa, calcula-se que a fábrica só vai voltar a operar a pleno em 90 dias, devido aos estragos do ciclone.

MAIS DE 230 ESCOLAS ATINGIDAS
Conforme levantamento da secretaria de Infraestrutura do Estado, pelo menos 238 escolas foram danificadas. Em termos de prédios públicos, esse foi o segmento mais atingido segundo o secretário Thiago Vieira. Destelhamentos, queda de árvores sobre os prédios e danos à estrutura foram as principais ocorrências.

AGRICULTURA
Mais de 2,5 milhões de pés de bananas  foram destruídos pela força do vento em Corupá. Cidade é a maior produtora e exportadora da fruta no estado. O fenômeno foi classificado como o maior prejuízo da história
A fruta é a principal fonte de renda de 500 famílias no município. A diretora da Associação dos Bananicultores de Corupá, afirmou que o fenômeno prejudicou todas elas.
"Todas as localidades foram afetadas e todos os produtores perderam muita fruta. Nós temos relatos de produtores que perderam 40%, 50%, 60% e até 90% da área plantada", afirmou.

O cultivo da fruta também foi afetado em municípios do Vale do Itajaí e do Sul do estado. Em Luiz Alves, 50% das plantações de bananas também foram destruídas. O número equivale a cerca de 400 propriedades afetadas. Muitos pés da fruta também tombaram em Jacinto Machado, e a maioria deles sequer estava pronta para a colheita. Os municípios ainda calculam o valor dos prejuízos.

CIDADE QUASE DEVASTADA
Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, foi uma das mais devastadas pelo "ciclone bomba" . O prefeito Juliano Duarte Campos afirmou que pelo menos 3 mil residências foram atingidas — a cidade tem 14.471 habitantes.
"De 30 a 40 residenciais foram implodidas, deixaram de existir. Só tem as fundações, a gente tá perplexo, porque não se acha nada. (...) Tem casas que não existem mais. É um cenário pós‑guerra", disse o prefeito.
De acordo com o prefeito, duas unidades de saúde e seis escolas ficaram destruídas pela força dos ventos e precisaram ser interditadas. Pelo menos 24 carros da prefeitura foram danificados e 11 barcos foram retirados do mar.
Outras repartições públicas também ficaram danificadas, como a Secretaria de Assistência Social, o Ginásio Municipal de Esportes, a delegacia e base da Polícia Militar. O prefeito afirmou que vai pedir recurso ao governo federal para reconstrução dos prédios.
"Nós estamos aguardando o apoio do governo do estado e do governo federal para restabelecer a vida normal dessas pessoas. Ficamos chocados com o tamanho do desastre que aconteceu", disse.

RIO GRANDE DO SUL
No Rio Grande do Sul, seis cidades registraram estragos, segundo último boletim da Defesa Civil .
Em Iraí, no norte do Estado, houve o destelhamento de cerca de 300 casas. Na cidade, mais de 3 mil metros quadrados de lonas já foram distribuídos e ao menos três pessoas ficaram feridas reparando danos nas moradias. Em Barracão, na mesma região, outras 100 residências e um hospital municipal também tiveram os telhados arrancados.
No RS, há falta de luz na noite de hoje em 145 mil moradias, segundo a RGE — desse total, 71 mil ficam em Erechim, no norte do Estado.
"A RGE está com suas equipes totalmente mobilizadas para restabelecer o fornecimento no menor tempo possível. No entanto, a complexidade dos danos, a dificuldade de acesso em alguns locais e, principalmente, a continuidade da chuva, dificultam o trabalho, impedindo informar uma previsão de retorno da energia", informou a empresa.
Já a CEEE, outra concessionária que atende o Estado, observou que o corte no fornecimento ocorre em pontos isolados.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que 16 cidades do estado foram atingidas pelo ciclone.

PESSOAS DESALOJADAS
No total, 1.035 pessoas estão desalojadas, sendo que a maior parte se concentra em duas cidades: Vacaria (com 520 atingidos) e Ibiaçá (400). Ambos os municípios ficam na região norte do estado. Em Sebastião do Caí, 73 pessoas foram levadas para o ginásio municipal ainda na madrugada de hoje.

PARANÁ
Ventos de quase 100 km/h derrubaram árvores e deixaram imóveis de Curitiba sem energia elétrica na tarde de  terça-feira (30). De acordo com a Copel, 193 mil unidades consumidoras estavam sem luz por volta das 18h30, o que representa 22% da cidade.
A Copel informou que mobilizou 208 equipes para restabelecer o serviço em Curitiba e na região metropolitana.  .
A Prefeitura de Curitiba informou que, até as 21h30, registrou 513 ocorrências de quedas de árvores ou galhos e 57 destelhamentos, por meio da Central 156.
Na capital, pelo menos 37 bairros foram afetados.  .

ENTENDA O QUE É CICLONE BOMBA, FENÔMENO QUE ATINGIU SANTA CATARINA
Com rajadas de vento que ultrapassaram 130km/h, estragos em mais de 135 municípios e pelo menos nove mortos, o fenômeno que atingiu Santa Catarina na terça-feira (30) é chamado de ciclone bomba. A formação ganha esse nome pois é um tipo de ciclone que se intensifica rapidamente, explica o meteorologista da NSC Comunicação Leandro Puchalski.
Sempre que um ciclone ganha intensidade em poucas horas, é chamado de ciclone bomba, segundo Puchalski. O ciclone bomba que atingiu Santa Catarina essa semana se formou no Rio Grande do Sul.
A explicação para a formação de um ciclone é que o ar quente e úmido (menos denso), vai para as camadas superiores da atmosfera. Enquanto isso, o ar frio e seco (mais denso) é rebaixado para a superfície, o que gera a redução da pressão atmosférica. A condensação do ar quente libera calor e gera instabilidade na área. Por consequência, o ciclone se forma, explica Puchalski.
Os fênomenos climáticos que atingiram os municípios catarinenses ainda estão sob análise da Epagri/Ciram, que vai emitir um comunicado sobre o que aconteceu no Estado. A meteorologista Laura Rodrigues ressalta que, embora o fenômeno possa ser visto como uma coisa só, houve também a formação de vários temporais.
Além do ciclone, a frente fria que estava no Estado também gerou temporais. Foi a junção dessas duas coisas que fez com que o estrago fosse maior, segundo Laura. Ela explica que a ação do ciclone ficou mais concentrada na parte Sul do Estado, e que o Norte e no Oeste, os danos foram causados pela ação dos temporais.
O vento do ciclone é o vento Sul que se mantém. O temporal é aquele rapidinho, associado a nuvem de chuvas. Em geral, os ventos de temporal que causam mais estragos. Em alguns locais, temporais acabaram resultando em micro-explosões - explica Laura.

DECRETO DE SITUAÇÃO DE EMERGENCIA
Os municípios que tiveram danos causados pelo ciclone que atingiu Santa Catarina terão uma linha direta com a Defesa Civil Nacional. A intenção é agilizar o envio de informações sobre as necessidades de cada local, para que o Governo Federal definida os recursos a serem encaminhados para o Estado.
Após o levantamento dos danos, o governo federal deverá liberar recursos, que serão usados para a reconstrução de áreas afetadas e para restabelecimento de infraestruturas essenciais.
Até agora, em Santa Catarina, foram contabilizados estragos em 3,2 mil moradias. No Rio Grande do Sul, segundo as autoridades, cerca mil pessoas e 800 residências foram afetadas durante as chuvas.

PIOR DESASTRE PROVOCADO POR VENTOS, DIZ DEFESA CIVIL
Dos 295 municípios catarinenses, 185 foram atingidos pela 'ciclone bomba' no estado, conforme balanço divulgado pela Defesa Civil de Santa Catarina na manhã de sábado (4).
Em muitos deles, as rajadas passaram de 100 km por hora, conforme monitoramento de satélite. O maior registro ocorreu na cidade de Siderópolis, no Sul do estado, aonde o vento chegou a 134 km por hora.
"Dados preliminares indicam que este é o pior desastre provocado por ventos da história do estado, superando o Furacão Catarina que atingiu o Litoral Sul em 2004 e o Tornado de Xanxerê em 2015", afirmou o órgão estadual, por meio de nota.

BALANÇO FINAL DE VÍTIMAS
As mortes ocorreram nos municípios de Balneário Piçarras (01), Brusque (01), Canelinha (01), Chapecó (01), Garuva (01), Governador Celso Ramos (01), Ilhota (01), Itaiópolis (01), Itapoá (01), Rio dos Cedros (01), Santo Amaro da Imperatriz (01).
Durante os eventos, 11 pessoas perderam a vida devido a desmoronamentos, afogamentos, quedas de árvores e choque elétrico.
 Já três mortes foram pós os eventos, mas de pessoas que caíram por estarem consertando o telhado.

LEVANTAMENTO FINAL DOS IMPACTOS ECONÔMICOS
1-Danos materiais – R$ 96.636.568,19, sendo os maiores  prejuízos;
§Edificações – R$54.525.958,95
§Infraestrutura pública – R$ 20.152.986,59
2-Prejuízos econômicos públicos – R$99.653.825,94, sendo os maiores prejuízos;
§Geração e distribuição de energia elétrica –R$ 70.620.031,93
§Telecomunicações –R$ 11.286.000,00
3-Prejuízos econômicos privados – 485.733.368,70, sendo os maiores prejuízos;
§Agricultura –R$ 322.560.716,50
§Comércio e indústria – R$ 110.377.733,20
TOTAL DE PERDAS – R$ 682.023.762,83
Fonte: Boletim da Defesa Civil – 09/07/2020 ; 19h















Fontes: G1 SC e NSC TV-04/07/2020 18h14;G1 SC e NSC TV-03/07/2020 09h11;Por G1 SC e NSC TV-03/07/2020 11h56;ND - 03/07/2020 ÀS 11H26;;NSC Total - 03/07/2020 - 12h26; UOL, em Porto Alegre-02/07/2020 20h48; ND-01/07/2020 ÀS 22H19;NSC Total - 30/06/2020 - 16h44 ;Jornal Nacional-01/07/2020 21h57; G1 SC-30/06/2020 12h51;;UOL, de Porto Alegre-30/06/2020 20h47; G1 PR-30/06/2020 17h34;  Defesa Civil de Santa Catarina











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