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terça-feira, outubro 20, 2026

PAMPAS PERDERAM 11,3 MILHÕES DE HECTARES DE VEGETAÇÃO NATIVA EM 40 ANOS

 Região que se espalha por Brasil, Argentina e Uruguai perdeu 21% das pastagens naturais desde 1985. Brasil teve a maior redução proporcional de vegetação nativa.

 O QUE OS DADOS REVELAM?

Segundo o levantamento do MapBiomas Pampa, divulgado, os números se referem à região pampeana da América do Sul entre 1985 e 2024.

•O bioma dos Pampas perdeu 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024. Os dados são de um levantamento do MapBiomas divulgado nesta sexta-feira (4).

•Do total perdido nas quatro décadas, 10,5 milhões de hectares eram de vegetação campestre. No mesmo período, áreas de cultivos agrícolas cresceram 33% e florestas plantadas subiram 503%.

•O Brasil registrou a maior perda proporcional de vegetação nativa do período, com redução de 30%. A queda de 3,7 milhões de hectares foi associada à expansão da soja.

•A Argentina apresentou a maior perda em números absolutos no bioma. O país registrou uma diminuição de 4,8 milhões de hectares de sua cobertura original nas quatro décadas.

•No Uruguai, a redução da vegetação nativa alcançou 19%. A área agrícola uruguaia subiu de 1,4 milhão para 3,4 milhões de hectares no intervalo analisado.

ENTENDA:

A  região pampeana ocupa cerca de 109 milhões de hectares, ou 6% da América do Sul, e inclui o sul do Brasil, todo o Uruguai e áreas do centro-leste da Argentina. Sua vegetação típica é formada principalmente por gramíneas e outras plantas herbáceas nativas.

As mudanças no uso da terra, no entanto, começaram antes do período analisado. Em 1985, primeiro ano da série histórica, 35% da região já havia sido convertida para pastagens cultivadas, agricultura, florestas plantadas ou áreas urbanas.

Nas quatro décadas seguintes, essa transformação continuou. Em 2024, 46% da região estava ocupada por áreas cultivadas, segundo o levantamento.

Entre os três países analisados, o Brasil apresentou a maior perda proporcional de vegetação nativa.

Em 1985, havia 12,4 milhões de hectares de cobertura natural na porção brasileira da região.

Em 2024, eram 8,6 milhões. A redução foi de aproximadamente 3,7 milhões de hectares, ou 30%, e esteve associada principalmente à expansão da soja, segundo o MapBiomas.

A área de florestas plantadas também cresceu no período no Brasil, passando de 44 mil para 738 mil hectares.

A Argentina, por outro lado, teve a maior perda em números absolutos. Foram cerca de 4,8 milhões de hectares de vegetação nativa a menos entre 1985 e 2024, queda equivalente a 12% da cobertura registrada no início da série.

No Uruguai, a redução da vegetação nativa chegou a 19%. O país também registrou forte crescimento de outras formas de ocupação do solo: a área agrícola passou de 1,4 milhão para 3,4 milhões de hectares, e as florestas plantadas cresceram de 117 mil hectares para 1,3 milhão de hectares.

POR QUE ISSO IMPORTA?

Os campos nativos do Pampa abrigam grande diversidade de plantas e animais, ajudam a controlar a erosão e contribuem para a regulação da água. Sua conservação é essencial para manter o equilíbrio ecológico e a produção rural sustentável.

IMPACTOS ECOLÓGICOS E HIDROLÓGICOS:

Especialistas alertam que a perda de vegetação campestre nativa reduz drasticamente a capacidade de infiltração da água no solo, afeta a biodiversidade local e enfraquece a resiliência do bioma frente a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e inundações severas no Sul do país.   Fonte: g1-04/09/2026

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posted by ACCA@5:47 PM