PNEUS: O ITEM POLUIDOR MENOS CONHECIDO DOS CARROS ELÉTRICOS
A venda de veículos elétricos
disparou, e a indústria de pneus vem tentando inovar para atender às
necessidades desses carros relativamente mais pesados. E ainda há outro
problema a ser resolvido.
A cada rotação, pneus soltam
pequenas partículas que contaminam o ar e o solo e chegam até os oceanos
Sendo o único ponto de
contato do carro com o asfalto, os pneus muitas vezes têm sua importância
menosprezada. Eles precisam aderir à pista com firmeza suficiente para que os
carros acelerem, façam curvas e freiem sem derrapar, mas também precisam
reduzir a resistência ao rolamento o suficiente para manter a eficiência do uso
de combustível.
Para os fabricantes de pneus,
criar o pneu perfeito — que equilibre desempenho e durabilidade — é uma tarefa
interminável. Nos últimos anos, esse trabalho foi ainda mais complicado pelos
veículos elétricos.
VEÍCULOS MAIS PESADOS
Devido às suas grandes
baterias, esses veículos tendem a ser significativamente mais pesados do que
seus equivalentes com motores de combustão interna. O e-Golf da Volkswagen, por
exemplo, é cerca de 400 quilos mais pesado que o Golf VII movido a gasolina.
Esse peso adicional recai sobre os pneus do carro, por isso os veículos
elétricos precisam de pneus mais resistentes.
Os veículos elétricos também
tendem a ter mais torque do que os com motor de combustão, fazendo com que seus
pneus precisem ser capazes de transferir tração para a estrada em segundos.
Os principais fabricantes de
pneus estão trabalhando para melhorar o design dos pneus e inovar com novas
fórmulas químicas para atender às necessidades dos veículos elétricos. Algumas
marcas introduziram produtos especificamente para uso em veículos movidos a
bateria, enquanto outras dizem que adaptaram todos os seus pneus para um melhor
desempenho tanto para veículos elétricos quanto para veículos com motor de
combustão.
"Otimizamos nossa linha
de produtos há muito tempo, especialmente em termos de vida útil, resistência
ao rolamento e ruído de rolamento – fatores que são particularmente benéficos
para veículos elétricos", disse um porta-voz da fabricante de pneus
Continental.
COMO OS PNEUS CAUSAM POLUIÇÃO
Quando se fala no impacto
ambiental dos carros, o foco tende a ser a poluição do ar pelo sistema de
escape. Mas os pneus também contribuem. Eles se desgastam com o tempo – a cada
rotação, soltam pequenas partículas. As menores vão para o ar, onde podem ser
inaladas ou saem da estrada para se acomodar no solo próximo.
"O uso dos pneus é
provavelmente o problema mais complicado de resolver nos veículos", disse
Nick Molden, fundador e CEO da empresa britânica Emissions Analytics. "Com
muitos outros tipos de poluição, é possível efetivamente retê-la usando algum
tipo de filtro ou catalisador. Mas o pneu é um sistema aberto – você não pode
encapsular um pneu."
A Emissions Analytics realiza
testes independentes em carros, incluindo de sistemas de escape e emissões de
pneus. A empresa compilou dados que confirmam que a poluição de partículas dos
pneus superou significativamente a dos escapamentos.
De acordo com um relatório da
Emissions Analytics, um único carro perde, em média, quatro quilos de peso de
partículas de pneus por ano. Multiplicado por toda a frota global, isso
equivale a seis milhões de toneladas de partículas de pneus anualmente.
"Medimos a quantidade de
material sólido que sai do escapamento na estrada e fazemos o mesmo medindo a
massa que é eliminada pelos pneus", explicou Molden. "A cada ano, a
quantidade que vem do escapamento fica cada vez menor, e a quantidade que vem
dos pneus está crescendo, porque os veículos estão ficando mais pesados."
Um estudo de caso publicado
pela Emissions Analytics comparou as emissões dos pneus de um Tesla Model Y com
um Kia Niro e descobriu que as emissões particulares pelo desgaste dos pneus do
carro da Tesla eram 26% maiores.
PREJUÍZO AO MEIO AMBIENTE
A poluição por partículas de
pneus tem dois impactos negativos primários na saúde ambiental. O próprio
particulado é levado para os cursos d'água e foi considerado uma fonte
significativa de microplástico oceânico. Além disso, os pneus contêm compostos
orgânicos voláteis (COVs), que são perigosos para a saúde humana e reagem na
atmosfera criando névoa seca.
PRODUTO QUÍMICO 6PPD
Um produto químico
particularmente preocupante nos pneus é o 6PPD, usado para evitar que a
borracha rache ou quebre. O 6PPD também é solúvel em água, por isso é levado
para fora das estradas pela chuva e chega a rios e oceanos, onde tem sido
associado à mortandade em massa de salmões e trutas. Estudos posteriores
descobriram que o 6PPD é absorvido por plantas comestíveis como alface e que o
composto pode ser encontrado na urina humana.
"É missão da indústria
de pneus garantir uma viagem segura e confortável com tranquilidade e,
portanto, a adição de 6PPD à borracha de pneus é hoje indispensável",
disse a fabricante de pneus Bridgestone à DW.
O PROBLEMA TEM SOLUÇÃO?
A eliminação gradual de
veículos movidos a combustível fóssil é um aspecto urgentemente necessário para
mitigar as mudanças climáticas. Mas se isso vier a piorar as emissões dos
pneus, isso também é problemático.
"A solução óbvia é
dirigir e vender menos carros", disse o ativista climático Tadzio Müller à
DW. "A mudança para veículos elétricos visa nos convencer de que vai
salvar o planeta, mas é claro que isso não é verdade, porque o problema sempre
foi o crescimento capitalista", acrescenta.
Questionado se reduzir o uso
geral do carro é a melhor solução para os impactos ambientais dos pneus, Molden
disse à DW: "Sim, isso reduziria as emissões dos pneus. Mas, em termos de
atividade econômica perdida, valeria a pena?"
"É melhor criar um
mecanismo de mercado onde seja do interesse das empresas de pneus investir
muito e apresentar as melhores formulações", disse Molden, acrescentando
que atualmente há uma diferença de duas a três vezes em termos de toxicidade de
COV entre certos pneus. Molden disse que, em geral, as principais marcas de
pneus da Europa estão entre as melhores, enquanto as importações baratas tendem
a ser as piores.
No nível individual, evitar acelerações rápidas e freagens bruscas pode reduzir o desgaste dos pneus. Também é aconselhável usar os pneus até o final de sua vida útil, pois os pneus novos liberam o dobro de partículas durante os primeiros dois mil quilômetros. Fonte: Deutsche Welle - 13/07/2023
Marcadores: Meio Ambiente, veículo elétrico pneus

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