Samsung assina acordo de indenização a vítimas de câncer
A Samsung se desculpou publicamente por doenças e mortes de
trabalhadores e assinou, na sexta‑feira (23/11), um acordo para compensar
funcionários que desenvolveram câncer em suas fábricas. A empresa sul-coreana
do setor de eletrônicos admitiu lapsos de segurança nas linhas de produção.
ACORDO COBRE 16 TIPOS DE CÂNCER E OUTRAS DOENÇAS,
O acordo cobre 16 tipos de câncer e outras doenças, como
esclerose múltipla e abortos espontâneos. Também foram incluídas condições
congênitas que afetam filhos dos trabalhadores. A Samsung terá de desembolsar
uma indenização de até 150 milhões de wons (cerca de 130 mil dólares) por caso.
"Não levamos a sério todas essas doenças e não
resolvemos rapidamente a questão", afirmou o copresidente da companhia,
Kim Ki-nam, em um ato de desculpa pública do qual participou junto a
representantes dos afetados. "Falhamos em gerenciar adequadamente os
riscos à saúde em nossas fábricas de semicondutores e LCD", lamentou Kim.
"Queridos colegas e suas famílias sofreram por um longo tempo, mas a
Samsung Electronics não enfrentou este tema antes."
VITIMAS AFETADAS
De acordo com estimativas de grupos que defendem as vítimas,
cerca de 240 pessoas sofreram de doenças relacionadas ao trabalho após terem
sido empregadas em linhas de produção de semicondutores e telas de cristal
líquido.
O caso está relacionado a funcionários que trabalharam em
fábricas nas cidades sul-coreanas de Suwon, Hwaseong e Pyeongtaek, assim como
em Xian, na China, a partir de 1984.
O escândalo veio à tona em 2007, quando o pai de uma
ex-funcionária da empresa se recusou a assinar um acordo sobre a morte de sua
filha de 23 anos, que morreu de leucemia. Em seguida, começaram a surgir outros
casos que afetaram antigos trabalhadores de fábricas de microprocessadores e
telas da Samsung.
Hwang Sang-gi, o pai de Hwang Yu-mi, disse estar satisfeito
por ter cumprido a promessa feita à filha de provar que a Samsung era a culpada
pela morte dela.
"Nenhum pedido de desculpas seria suficiente
considerando a decepção e a humilhação que sentimos nos últimos 11 anos, a dor
do sofrimento de doenças ocupacionais, a dor de perder entes queridos",
disse Hwang, após assinar formalmente o acordo.
Hwang, que é motorista de táxi, iniciou o grupo Banolim para
fazer campanha por trabalhadores afetados depois de tomar conhecimento do caso
de um trabalhador de 30 anos da mesma linha de produção de sua filha, que
também morreu de leucemia.
"A compensação por danos industriais é importante, mas
o mais importante é a prevenção", disse Hwang, cuja história familiar foi
transformada em filme em 2013.
SEGREDO INDUSTRIAL
Pouco se sabe sobre a possível conexão entre os processos de
produção e as doenças que os funcionários desenvolveram. Sob alegação de
segredo comercial, a Samsung se recusou a revelar os produtos químicos
específicos e as quantidades usadas, embora tenha havido movimentos em direção
a uma maior transparência. Em 2016, a Samsung concordou com a criação de um
comitê externo que supervisionaria a segurança nas fábricas. Fonte: Deutsche Welle-23.11.2018
Marcadores: acidente, doença ocupacional

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