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quarta-feira, maio 06, 2015

Tornado provoca destruição e mortes em Xanxerê/SC

Cenário:  
■Xanxerê, município do Estado de Santa Catarina, distante 500 km da capital. Localiza-se a oeste do Estado,  estando a uma altitude de 800 metros. Sua população estimada em 2014 é de 47.679 habitantes.
Possui uma área de 377,55 km². Com um PIB estimado de 991 milhões de reais (2012).
O orçamento da Prefeitura para o exercício de 2015 é estimado em R$ 87 milhões.

■Ponte Serrada, município do Estado de Santa Catarina, distante 493 km da capital. Localiza-se a oeste, do Estado, estando a uma altitude de 1067 metros. Sua população estimada em 2014 é de 11.405 habitantes. Possui uma área de 569,81 km². Com um PIB estimado de 158 milhões de reais (2012). O orçamento da Prefeitura para o exercício de 2015 é estimado em R$ 33 milhões.

Tornado
Os municípios de Xanxerê e Ponte Serrada localizados no Oeste de Santa Catarina foram atingidos por dois tornados  no final da tarde de segunda-feira, 20 de abril de 2015.

RASTRO DE DESTRUIÇÃO

XANXERÊ
Horário e duração - 15h durou entre 5 a 10 minutos
Bairros ou pessoas atingidas- 2,5 mil casas atingidas, 10 mil pessoas afetadas.
O que ficou destruído- As ruas de Xanxerê  foram tomadas por fios das redes elétrica e telefônica. Árvores caíram no pátio das casas. O chão está repleto de telhas quebradas e zinco retorcido. 65 mil casas ficaram sem luz na região. O telhado do Ginásio Municipal Ivo Sguissardi ficou todo retorcido. Havia crianças no local, mas ninguém ficou ferido. Entre os bairros mais atingidos estão Pinheiros, Primo Tacca, Bortolon, Esportes, São Jorge e Collato.
Vítimas- Duas mortes e 120 pessoas ficaram feridas
Infraestrutura – A cidade de Xanxerê está sem energia, água, combustível e internet. Corpo de Bombeiros acredita que situação não será normalizada antes de 48 horas.

PONTE SERRADA
Horário e duração - 16h e durou menos 5 minutos
Bairros ou pessoas foram atingidos- O tornado começou no Centro da cidade de Ponte Serrada e se deslocou por dois bairros, Cohab e Industrial, onde tiveram maior número de ocorrências. A diferença que não atingiram áreas tão populosas, como ocorreu em Xanxerê.
O que ficou destruído- Sete bairros foram atingidos e cerca de 200 casas foram afetadas com algum tipo de dano, a maioria destelhamento.
Vítimas-  Oito feridos leves, a maioria com cortes pelo corpo.
Outras informações básicas- O hospital Santa Luzia na cidade também foi atingido pelo destelhamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a situação, aparentemente, não é caótica como em Xanxerê, pelo fato de Ponte Serrada ser uma região menos populosa e a área atingida não ser urbana.

DEFESA CIVIL
Em Xanxerê e Ponte Serrada, foram seis coordenadores regionais que organizaram as ações emergenciais que tiveram início já nas primeiras horas, após o evento. Além desses, forças de segurança, como polícias militar, civil, exército, bombeiros, saúde pública estadual e municipal, secretarias municipais de Xanxerê, instituições que compõe o Grupo de Ações Coordenadas – Grac.





DOAÇÕES, TRIAGEM E ENTREGA DE MATERIAIS DOADOS.
O Parque de Exposições foi transformado em central de doações, triagem e entrega de materiais doados. No Centro de Referência em Assistência Social é feito o cadastramento e atualização de dados para os atingidos pelo tornado. No ginásio do Colégio Costa e Silva, outra equipe faz a separação de kit de mantimentos que são entregues pelo Corpo de Bombeiros e assistência social.
Clubes de serviço, entidades e voluntários de outros municípios fazem o trabalho de apoio, preparando refeições ou entregando lanches para os trabalhadores que estão na reconstrução dos bairros atingidos. Pessoas ligadas a igrejas também participam dos trabalhos.

POPULAÇÃO MOBILIZADA
A cidade de Xanxerê se mobilizou para atender às vitimas do tornado. Muitos moradores estão distribuindo alimentos e auxiliando parentes e amigos a retirar objetos de escombros. Padarias da cidade também estão distribuindo comida.

AJUDA FEDERAL
O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occh garantiu apoio do governo federal para reconstrução do município e anunciou o envio de 200 militares que  devem auxiliar nas ações de reconstrução. Os primeiros 100 desembarcaram no final da tarde de terça-feira, para ajudar na força-tarefa de recuperação da cidade, busca por vítimas e deslocamento das famílias, com ônibus  e caminhões do Exército à disposição.
Os militares farão atendimento aos atingidos, deslocamento de pessoas e distribuição de kits de  auxílio humanitário, contendo materiais de higiene e alimentos. 

ABASTECIMENTO
Aos poucos, a rotina das duas cidades começa a se normalizar. Carregamentos de doações chegam diariamente de várias regiões, para ajudar os atingidos. Equipes do Exército auxiliam na reconstrução.

TESTEMUNHA DO TORNADO
“Na hora, tu não acredita que saiu vivo. Na verdade, só pensa que vai morrer”, diz Pedro Antunes da Silva, que estava dirigindo quando teve o carro sugado pelo tornado. 
 “Dei de cara com o tornado. Parei o carro e foi onde ele jogou para cima e foi rodopiando. Eu girava de ponta cabeça, para baixo, girava de volta e voltava de novo. Eu não lembro quantas giradas ele deu. Quando perdia força, batia no chão”, relembra o moleiro Pedro Antunes.
O morador de Xanxerê conta que sentiu várias pancadas e conseguiu sair ileso. “Fiquei grudado no volante, por isso não aconteceu nada. O cinto me segurou e eu também não me assustei de me soltar”, detalha.
O carro teve todos os vidros quebrados e não anda. Para voltar a circular, será necessário, além de manutenções no motor, trocar o teto, as quatro portas, para-lamas e os vidros. A parte interna do carro também ficou com muita lama.
O moleiro seguia por uma estrada de Xanxerê quando se deparou com o tornado. No local onde o carro teria sido sugado e onde o carro “saiu” do tornado há marcas, além de pedaços de vidro e do farol.
Próximo ao local, algumas árvores tiveram os galhos arrancados. Pedro conta que, quando conseguiu sair do carro, só pensou na família e nos filhos.
Susto
Uma semana após o tornado, Pedro ainda está assustado. “Ele não consegue dormir bem à noite e não consegue chorar”, detalha a esposa, Marli Lurdes Vaz.
Apesar de ainda assustado, o moleiro está aliviado. “Estou vivo, não me machuquei. A gente vai tocar a vida. Carro a gente compra de novo, fazer o quê”, finaliza.

CLASSIFICAÇÃO DO TORNADO
Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos que formaram o tornado podem ter variado de 100 km/h até 330 km/h por volta das 15h, horário do fenômeno.
A escala de classificação de tornados começa em 65 km/h e chega a mais de 500 km/h. O F0 é o mais fraco e o F5 é considerado o mais forte. “Pelas características dos estragos e pela intensidade dos ventos, este deve ficar entre F2 e F3”, disse Mamedes Luiz Melo, meteorologista do Inmet Brasília.

VÍTIMAS
FATAIS: 02
Atualização:
■O menino Gabriel da Luz Sutil, de 8 anos, morreu na segunda-feira, 04 de maio, duas semanas após um tornado atingir a casa onde ele morava com a família, em Xanxerê, no oeste catarinense. Ele estava internado na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, em estado gravíssimo.
■Morreu na tarde de quarta-feira, 6 de maio, a quarta vítima do tornado que atingiu Xanxerê, no Oeste catarinense, no mês passado. A dona de casa Lurdes Lima de Oliveira, de 63 anos, estava internada na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, depois que a casa dela desabou..
Total de vítimas fatais: 04

FERIDOS
De acordo com a PM em Xanxerê, pelo menos 74 pessoas deram entrada somente no Hospital São Paulo, em Xanxerê. Outras dezenas de feridos foram levados a hospitais da região.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, duas crianças foram transferidas em estado grave para o Hospital Regional de Chapecó ainda na noite desta segunda (20).
O Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, informou na tarde desta terça-feira que cinco vítimas do tornado estão internadas no Hospital - entre elas um menino de nome Gabriel, que está na UTI. Ele é o filho de um dos homens que morreram em Xanxerê.
Em Xanxerê, 11 pessoas seguiam hospitalizadas até a tarde desta terça-feira - 11 na internação e 7 na emergência. Nenhuma delas está em estado grave, segundo o Hospital São Paulo. Os demais pacientes que deram entrada no hospital foram liberados após receberem atendimento.

FERIDOS GRAVES
Nove dias depois do tornado que atingiu Xanxerê  e Ponte Serrada, cinco feridos seguem internados.
Os casos mais graves são de Gabriel da Luz Sutil, 8 anos, e de Lourdes Lima de Oliveira, 63 anos, que estão na UTI do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.
Gabriel teve traumatismo craniano com a queda da residência onde morava no bairro Tacca. Seu pai, o motorista Alcimar Sutil, 31 anos, morreu tentando proteger o filho com o corpo. A irmã Ana, de cinco meses, e a avó Ivanir Ferreira da Luz, também foram hospitalizadas, mas passam bem. Lourdes está em coma induzido.
As outras três vítimas estão no Hospital São Paulo, em Xanxerê, mas não correm risco de morte. Valêncio de Camargo, 27 anos, trabalhava na obra de um supermercado, no Bairro Bortolon, quando parte da estrutura caiu sobre uma de suas pernas. Ela não chegou a ser amputada, mas ele teve que segurá-la para ir ao hospital.
Outra vítima é Claudemir Machado, que trabalhava na mesma obra e teve um pé amputado. Também está internada uma mulher que estava na rua, próximo ao Ginásio Ivo Sguissardi, e teve vários ferimentos com os destroços levados pelo vento. Ela não teve o nome divulgado a pedido da família.
  
BALANÇO GERAL
Xanxerê
Ponte Serrada
Velocidade dos ventos – 250 km/h
Velocidade dos ventos-250 km/h
Horário – 15 h
Horário – 16 h
Duração – 5 a 10 min
Duração – menos de 5 min
Pessoas afetadas – 10 mil
Pessoas afetadas – 800
Casas atingidas – 2.500
Casas atingidas – 200
Feridos - 120
Feridos – 8
Mortes – 2
Mortes - 0

DESABRIGADOS
Em Xanxerê, 4.275 pessoas ficaram desalojadas e 539, desabrigadas após os fortes ventos. Houve duas mortes e 97 feridos, segundo a Defesa Civil estadual.
Foram 2.178 casas atingidas, sendo 1.583 com danos apenas nos telhados, 360 parcialmente danificadas e 235 totalmente destruídas. Em relação às empresas, 38 tiveram prejuízos.
Ponte Serrada não registrou mortes. Houve 27 feridos, 1.050 desalojados e 77 desabrigados. Foram 180 casas com danos nos telhados, 148 parcialmente danificadas e 24 totalmente destruídas. Outras 31 empresas e uma edificação pública foram afetadas. Ao todo, mais de sete mil pessoas foram afetadas.

INFRAESTRUTURA

ELETRICIDADE
O tornado derrubou mais de 300 postes na cidade de Xanxerê, de acordo com a concessionária Iguaçu Energia. Torres de transmissão de energia também caíram. Às 15h de terça-feira, 100% das 34 mil unidades consumidoras da cidade permaneciam sem energia. No total, mais de 53 mil unidades consumidoras seguiam sem abastecimento em 14 cidades do Oeste.
A previsão, de acordo com a Iguaçu Energia e com a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), é de que a luz comece a ser restabelecida até o fim da tarde de terça-feira  (21). Equipes trabalham na reconstrução de um trecho do sistema.
Os  municípios também ficaram sem abastecimento de água devido a falta de energia elétrica.

TORRES DE TRANSMISSÃO
No cálculo dos prejuízos, 15 estruturas foram derrubadas pela força dos ventos em cinco linhas de transmissão diferentes. O impacto provocou a interrupção do fornecimento de energia elétrica para 29 municípios atendidos pela Celesc na região Oeste que foi, gradativamente, sendo restabelecido desde a noite da segunda-feira. No final da tarde do dia seguinte, cerca de 26h após o incidente, 97,5 % do sistema estava energizado por meio de circuitos principais ou alternativos.
A partir da SE Xanxerê partem oito linhas de transmissão, que abastecem diversas subestações. Destas, foram registradas a queda ou inclinação de estruturas (torres metálicas ou de concreto) em cinco:
■ Duas na linha de transmissão 138 kV Xanxerê com Chapecó Dois,
■ Três na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Chapecó,
■ Duas na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Seara
■ Quatro na linha de transmissão 69 kV Xanxerê com Faxinal dos Guedes
■ Três torres na linha de transmissão 138 kV Xanxerê Ponte Serrada

RESTABELECIMENTO DE ENERGIA
Na tarde de  quarta-feira, 22 de abril, praticamente 48horas após a passagem do tornado a Celesc finalizou os serviços de recomposição do sistema atingido pelo fenômeno.
Às 15h54min, segundo dados do Centro de Operação e Controle, foi religada a linha de transmissão que conecta a Subestação Seara à Subestação Xanxerê, reestabelecendo o sistema elétrico de 69.kV do oeste de Santa Catarina, que volta a operar em sua condição original.
A reconstrução da linha era a última etapa dos trabalhos de reconstrução do sistema da Empresa afetado pelo tornado. 
Mais de 100 profissionais das equipes de emergência, manutenção, construção e operação estiveram envolvidos no processo. Equipes de Chapecó, Concórdia,  Joaçaba, Blumenau, Lages e Florianópolis, com o apoio de empresas terceirizadas e empregados da Eletrosul, revezaram-se na operação de reconstrução do sistema.

DEFESA CIVIL, SITUAÇÃO EM 26 DE ABRIL – BALANÇO GERAL
Xanxerê
Desabrigados- 539 pessoas
Desalojados - 4. 275 pessoas
Vítimas - duas mortes e 97 feridos.
Edificações públicas danificadas-09
Prédios residenciais danificados - 2.188.
Empresas danificadas- 38.
Imóveis totalmente destruídos- 235 casas.
Imóveis parcialmente danificados- 360 imóveis.
Imóveis com danos apenas em telhados- 1.583.

Ponte Serrada
Desabrigados - 77 pessoas
Desalojadas - 1.050  pessoas
Vítimas - 27 feridos
Edificações públicas danificadas – 01
Prédios residenciais danificados - 252 residências
Empresas danificadas -31 empresas
Imóveis totalmente destruídos- 24 casas
Imóveis parcialmente danificados-148
Imóveis com danos apenas em telhados- 180

OBJETOS SÃO ARREMESSADOS PARA CIDADE VIZINHA
Foram encontrados por moradores da cidade de Lindóia do Sul, distante 100 km,  notas fiscais e pedaços de madeira, isopor, amianto, PVC, entre outros materiais. Uma receita médica encontrada no canavial do agricultor Valter Canton ganhou destaque. A estimativa é de que o papel com assinatura do médico e timbre da Secretaria de Saúde de Xanxerê, com data de nove de abril. Estava um pouco molhada, mas a gente deixou secar e conseguiu ler o que estava escrito, conta a mulher do agricultor, Salete Bertol Canton.
Além da receita, na mesma propriedade foi encontrado material em PVC com dois cerca de metros de comprimento por 10 centímetros de largura e uma folha de zinco com mais de dois metros. O lugar onde a lâmina estava retorcida também chamou a atenção dos agricultores: em cima de um pé de eucalipto.
O rastro do tornado foi deixado em pelo menos mais oito comunidades de Lindóia do Sul. Pedaços de isopor, material de forração em PVC e papeis, como notas fiscais e receitas médica e pedaços de fibras de caixas d'água atingiram terras em Linha Joana, Sertãozinho, Santo Isidoro, Linha Alegre, Acídio e Cotovelo. Na localidade de Mimosa foi encontrada uma placa de "vende-se" com um telefone de Xanxerê. Em Linha Acordi, notas fiscais de uma empresa também de Xanxerê.

PREJUIZOS
Conforme os relatórios, em Xanxerê, os prejuízos econômicos referentes às casas alcançam R$ 49. 597.184,00. Nas empresas, os danos superam R$ 45,3 milhões. As edificações públicas tiveram perdas de R$ 9,7 milhões.
Para Ponte Serrada, o prejuízo foi de pouco mais de R$ 8,1 milhões em casas e empresas e R$ 885 mil para edificações públicas.

SANTA CATARINA NÃO TEM EQUIPAMENTOS E CAPACIDADE PARA MONITORAR FENÔMENOS NO ESTADO

Santa Catarina ainda não tem condições de se defender adequadamente dos desastres naturais que atingem o Estado. Se na região do Vale do Itajaí, que já sofreu com grandes enchentes, há um plano de contingência melhor estruturado e uma população melhor informada sobre como agir nessas situações, no restante do território estadual ainda faltam equipamentos e informação para garantir o menor dano possível diante de eventos da natureza (inundação, tornados, et).
O secretário da Defesa Civil de Santa Catarina, Milton Hobus, reconhece que ainda faltam recursos ao Estado, mas ressalta que esse processo não ocorre de forma rápida. É preciso tempo para investir em equipamentos e treinar equipes para operar esses sistemas de monitoramentos e defesas.
— Não, não temos equipamentos para cobrir todo o Estado. Estamos no início do trabalho. Primeiro que não temos todas as informações centralizadas e tratadas. Não temos uma cobertura suficiente de radares e nem conhecimento para saber tratar todas essas informações. É algo que vai acontecer passo a passo. O importante é que existe planejamento e cada mês colhemos melhores resultados — avalia o secretário.
É necessário dar atenção ao treinamento de equipes e educar, instruir a população. Antes de pensar em equipamentos, é preciso informação em todos os segmentos. Informar e educar os envolvidos para agir nesses trabalhos. Precisamos ter um centro de estudos para esses fenômenos, pessoas treinadas para operar os instrumentos de pesquisa e principalmente, educar a população. Para então pensar em equipamentos — explica a professora e pesquisadora de meteorologia Márcia Fuentes, do Instituto Federal de Santa Catarina.

O que aconteceu em Xanxerê
1-As imagens de satélite mostram sobre a região, uma nuvem cúmulo‑nimbo, que pode alcançar 25 km de altura.

1A-Caracteriza-se por ter o topo mais gelado do que a base. A diferença de temperatura provoca ventos muito fortes no interior

2-A cúmulo-nimbo se caracteriza  por ter o topo mais gelado do que a base. A diferença de temperatura provoca ventos muito fortes no interior. Aviões, por exemplo, ao se depararem com elas, são obrigados a sobrevoá-las

3-Ela deu origem a um tornado. Uma rajada de vento escapou da nuvem e atingiu o solo com grande velocidade

3A-O ar quente no interior do tornado tem uma tendência natural de levantar e criar uma forte corrente para cima, enquanto o frio desce.

LEVANTAMENTO DA UFSC APONTA PELO MENOS 77 TORNADOS ENTRE 1976 E 2009
Santa Catarina é uma região favorável à formação de nuvens cúmulo-nimbo, as que permitem a ocorrência de grandes tempestades e podem resultar em tornados. O Estado está em uma área englobada pelo Sistema de Baixa Pressão do Chaco, localizado no Sul do Brasil junto às fronteiras da Argentina e Paraguai, que funciona como um berçário de grandes nuvens e após nascerem, elas rumam em direção a Santa Catarina.
Por isso, não é incomum a ocorrência de tornados no Estado, embora eles muitas vezes sejam classificados como tempestades ou outros fenômenos. Em levantamento realizado pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas Sobre Desastres (CEPED/UFSC), somente entre 1976 a 2009 foram registrados ao menos 77 tornados em Santa Catarina.

1948 - Canoinhas
A região Norte foi atingida por um tornado em 16 de maio, na localidade de Valinhos, interior do município de Canoinhas. Nos cálculos daquela época, estima-se que a velocidade do vento chegou a 300 km/h, causando a morte de 23 pessoas e de vários animais.

2003 - Painel
Menos de cinco minutos foram o suficiente para que quase todas as casas de Painel, na Serra Catarinense, fossem destelhadas. Os ventos de 130 km/h que atingiram a cidade também danificaram fios de telefone e rede elétrica. Mesmo com nenhuma pessoa ferida pelo tornado, o prefeito à época, Aldo Tadeu Vieira Waltrick, decretou situação de emergência.

2005 - Criciúma
Criciúma atingida por dois tornados em menos de um dia. Os ventos de 115 km/h atingiram em cheio duas ruas da Grande Santa Luzia e destelharam totalmente as casas, quebrou árvores e rompeu fios da rede elétrica. Pequenos incêndios, originados de curtos-circuitos também afetaram a cidade. O segundo tornado atingiu o Distrito de Rio Maina que afetou uma subestação de Celesc deixando milhares sem energia. Uma morte foi registrada.

2008 - Correia Pinto
O município de 15 mil habitantes da Serra foi quase todo destruído devido a ventos de 80 km/h que duraram 10 minutos. Casas e escolas foram destelhadas e árvores arrancadas desde a raiz ficaram no meio da rua. Cinco famílias ficaram desabrigadas, mas felizmente nenhuma vítima foi registrada durante o tornado.

2009 - Guaraciaba
No feriado de 7 de setembro, Guaraciaba, no Extremo-Oeste, teve casas arremessadas a até 50 metros de distância e grande parte da infraestrutura urbana da cidade, de 10 mil habitantes, arrasada. Os ventos foram estimados próximos dos 200 km/h.

2012 - Ponte Alta
O tornado destruiu a cidade de Ponte Alta, na Serra, no dia 2 de dezembro. O fenômeno ficou na categoria F3 (forte, com ventos de 254 a 331 km/h) na Escala Fujita, utilizada para medir a intensidade de tornados avaliando-os pelos danos causados.
Toda a área urbana de Ponte Alta foi castigada, e praticamente todos os cinco mil moradores foram afetados. Os prejuízos passaram dos R$ 30 milhões e a prefeitura decretou estado de calamidade pública. A cidade já havia sido atingida por tornado em 2009, mas não com tamanha intensidade.

2013 - São Joaquim
Em 11 de dezembro, a Serra foi atingida por uma série de fenômenos meteorológicos, como microexplosão e tornado. Moradores da região registraram o momento:
Para especialistas, os tornados devem ter ficado entre as categorias F0 (considerado leve, com ventos de 64 a 116 km/h conforme a Escala Fujita) e F1 (moderado, de 117 a 180 km/h).

2014 - Urubici
Acredita-se que um tornado da categoria F0 tenha atingido Urubici em 30 de outubro. Os danos pela cidade foram leves, como destelhamentos e quedas de árvores.  
Fontes: G1 Santa Catarina -21 a 26 de abril de 2015, Diário Catarinense, 21 de abril de 2015, Defesa Civil de Santa Catarina, 28 de abril de 2015, Gazeta do Povo, 2 de maio de 2015-05-05

Comentário
Os danos do tornado em Xanxerê equivalem  a 10,60% do valor do PIB ou ultrapassa o valor do orçamento da cidade (120, 69%). Podemos considerar a perda econômica muito grave e a recuperação econômica da cidade demorará no mínimo 1 ano.
Os danos do tornado em Ponte Serrado  equivalem  a 5,7% do valor do PIB ou 27% do valor do orçamento da cidade. Podemos considerar a perda econômica moderada e a recuperação econômica da cidade demorará no mínimo 6 meses.
A passagem de tornados  pelas cidades de Xanxerê e Ponte Serrada demonstraram as dificuldades do Estado e da população para lidar com desastres naturais. A ausência de treinamento e plano de contingência são os principais problemas.

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posted by ACCA@3:00 AM

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