Inundação arrasa Itaóca, no Vale do Ribeira
Um evento de chuva extrema
registrado entre a noite de domingo, 12 de Janeiro de 2014 e madrugada de segunda-feira arrasou o município de Itaóca, no
sul de São Paulo.
Uma enxurrada fez com que as
águas do rio Palmital, que corta a cidade, descessem como uma avalanche,
arrancando árvores, pedras, pontes e arrastando pontes, casas, carros e gente.
A passagem do satélite
Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM) da Agência Espacial Americana (NASA)
indicou precipitação acumulada até às 7 horas acima de 70 mm na região entre
Apiaí, Itaóca e Ribeira.
As avaliações técnicas do Instituto Geológico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, realizadas após a enchente, mostraram que o nível do Rio Palmital subiu entre 4 e 5 metros e acabou transbordando. No mesmo local e período, estima-se que, em 6 horas, choveu 150 milímetros. Para se ter uma ideia, uma chuva normal nos dias de verão pode chegar a 30 milímetros em média.
GEOGRAFIA
Relevo: ondulado com
densidade de drenagem moderada, constituído por morros com encostas convexas e
curtas, e topos também convexos e curtos.
A seção do rio onde se
localiza a cidade corresponde a uma área de drenagem do rio Palmital igual a 65
km2. Logo, em termos de macrodrenagem, a área urbana fica sujeita às
consequências dos fenômenos que acontecem na porção montante da bacia
hidrográfica.
Eventualmente, também recebe
as águas de cheias excepcionais do Rio Ribeira de Iguape, já que se situa em
planície aluvial e próxima a este.
A população urbana se espalha
por uma área de 37,32 ha, com um perímetro de 3,8 km.
Inserido nesse perímetro a
planície aluvial possui uma extensão de 1,0 km e largura média de 200 m,
perfazendo área de 20 ha. Assim, a área urbana é formada por terrenos
naturalmente submetidos à inundação, mesmo que ainda hoje estejam em parte
ocupados.
A rede hídrica que influencia
a área urbana de Itaóca é formada pelo rio Palmital, sendo este o principal
responsável pela enchente na área urbana do município, provavelmente pelo
remanso das suas águas em função do Rio Ribeira de Iguape. Um dos afluentes
pela margem esquerda do rio Palmital é o córrego da Laje e mais para jusante, há
outro pequeno curso d’água. Estes últimos são de domínio Estadual, enquanto que
o Rio Ribeira de Iguape é federal, como visto.
INFRAESTRUTURA
O município de 3.200 habitantes teve pontes e outras ligações viárias
destruídas pelas cheias. O rio Palmital (cujo nível subiu até cinco metros,
conforme a prefeitura) e outros cursos d'água que cortam a cidade transbordaram
devido à chuva.
DANOS MATERIAIS
A cidade ficou parcialmente
destruída após fortes chuvas e inundações causada pelo transbordamento do rio
Palmital. Dezenas de casas e pontes foram destruídas no município.
POPULAÇÃO AFETADA
Cerca de cem residências
foram afetadas. A maior parte das
famílias desabrigadas, um total de 83, foi para a casa de parentes e amigos.
Apenas três famílias estão em escolas da prefeitura.
Cerca de 80% da cidade já
tiveram a energia restabelecida em 14 de Janeiro, mas o fornecimento de água
ainda está sendo feito, em sua maior parte, por meio de caminhões-pipa.
CIDADE PARADA
As ruas do centro de Itaóca
ainda estão tomadas pela lama, dois dias depois da tragédia. Todas as
atividades na cidade, tanto comerciais quanto o serviço público, foram
suspensas.
BALANÇO PARCIAL DE VÍTIMAS E
DESAPARECIDOS
Em 13 de Janeiro, a Defesa Civil do Estado de São Paulo divulgou,
por volta das 20h, que foram encontrados
oito corpos e pelo menos 1 pessoas permanece desaparecida.
Em 15 de Janeiro, conforme
dados atualizados pela Defesa Civil e Polícia Civil da cidade, subiu para 27 o
número de possíveis vítimas além dos 12
corpos já encontrados, outras 15 pessoas estão desaparecidas. De acordo com a Defesa Civil, a atualização no
número de desaparecidos é feita depois que as equipes conseguem confrontar
informações dadas por vizinhos e moradores, já que em alguns casos famílias
inteiras desapareceram. Os bombeiros e equipes da Defesa Civil, com o apoio de
voluntários, trabalham nas buscas dos desaparecidos.
Em 18 de Janeiro, a Defesa
Civil e a Polícia Civil confirmaram, que
o número de mortos subiu para 22. Um dos corpos ainda permanece sem identificação.
Ainda segundo a Defesa Civil, pelo menos cinco pessoas permanecem desaparecidas
e uma hospitalizada. Trinta e quatro pessoas
continuam abrigadas na Escola Municipal Elias Lages de Magalhães e 180 pessoas
estão desalojadas.
BALANÇO DEFINITIVO DE VÍTIMA
Em 27 de Janeiro, equipe do
Corpo de Bombeiros encontrou o corpo da 25ª vítima. A identificação do corpo
que estava na lista dos desaparecidos, foi feita por familiares. Restam ainda
duas pessoas desaparecidas
MEDIDAS EMERGENCIAIS
Uma força-tarefa do Corpo de
Bombeiros está em Itaóca para auxiliar a população. Compõe a equipe 15
bombeiros, quatro cães farejadores e cinco carros.
Municípios vizinhos (Apiaí e
Ribeira) e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) disponibilizaram
caminhões e uma retroescavadeira para auxiliar nos trabalhos de limpeza e
desobstrução das vias. A Sabesp fornece ainda água potável e caminhão pipa para
limpeza das ruas.
2-Desobstrução do rio Palmital
O curso do Rio Palmital foi
desobstruído por volta das 18 horas de terça-feira, 14 de janeiro, permitindo a
vazão da água que ficou represada na ponte no centro da cidade. Nosso objetivo
era liberar o fluxo de água porque, caso venha a chover novamente, a água vai
passar de maneira tranquila. Era uma preocupação com o que ainda poderia
acontecer e, no entanto, o entulho acumulado no rio deverá demorar, ao menos,
uma semana para ser retirado, explicou o coordenador da Defesa Civil estadual,
coronel Aurélio Alves Pinto.
3-Defesa Civil
A CEDEC-SP (Coordenadoria
Estadual de Defesa Civil) já disponibilizou materiais de ajuda humanitária
(produtos de higiene e limpeza e colchões) e está enviando mais material,
saindo do município de Registro para o depósito de Apiaí, para, que, se
necessário, seja utilizado em Itaóca.
Foram disponibilizados também
pela CEDEC-SP, 10 banheiros químicos e 2 chuveiros para apoio a população da
cidade.
O DER (Departamento de
Estrada de Rodagem) a CODASP (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São
Paulo) e municípios vizinhos (Apiaí e Ribeira) disponibilizaram maquinários
(caminhões e retroescavadeira), para auxiliar nos trabalhos de limpeza e
desobstrução das vias, e a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de
São Paulo) fornece ainda água potável e caminhão pipa para limpeza das ruas.
TESTEMUNHAS
■ Graças a Deus, estamos
todos bem. As perdas foram só materiais, mas ficamos sem móveis,
eletrodomésticos, colchões... Em 12 anos que moro aqui, nunca vi isso. O relato
é do farmacêutico Victor Rafael Martins Borges, um dos 332 desalojados. A casa
onde mora com os pais e o irmão, no centro da cidade, foi uma das cerca de 100
moradias atingidas pela enxurrada. A 50 metros dali, na mesma avenida, fica a
farmácia da qual é proprietário onde nada se estragou, porque a porta de aço impediu a entrada de
barro no estabelecimento.
Eram umas 22h30, 23h de
domingo quando a chuva começou. A água subiu muito rápido, em uns 15 minutos.
Começamos a pôr no carro as coisas que pudemos e saímos. Estamos na casa de uma
irmã, também no centro, diz Borges.
■ Ouvi barulho de pedras
batendo, árvores quebrando e a luz apagou. Quando saí para ver meu carro, vi só
o capô brilhar no escuro, no meio do redemoinho, contou Jean Carlos dos Santos,
morador de Sumaré que passava uns dias
com a família na cidade. Quando amanheceu, ele achou o carro a trezentos
metros, sobre uma pilha de troncos. "Graças a Deus a casa não foi
atingida."
■Já a lavadeira Maria
Aparecida Mota, acordou com uma onda invadindo o quarto e levantando a cama.
"Gritei para as minhas filhas, vamos pra fora." Ela se lembra que
saiu com água quase no pescoço e viu o sobrinho Fernando ser atingido no peito
por um tronco como um aríete. Ele puxava o pai, Diocleciano, e a irmã Valquíria,
pelos braços para fora da correnteza quando foi atingido. O pau bateu no peito
e ele afundou, mas conseguiu se recuperar, só que não alcançou mais os dois.
■Pior cheia em 20 anos, diz
morador, Ivan Edson, residente em Itaóca há 20 anos. Afirma que nunca ter visto
situação semelhante na cidade. Essa enchente foi incomum. Foi uma chuva
torrencial na serra (do Mar), entre Apiaí e Itaóca, e a chuva veio toda para cá.
Parte do comércio foi embora; açougue, farmácia, loja de roupas, loja de
móveis... Não tive prejuízo porque estou na parte alta da cidade", comenta
ele.
PREJUIZOS
De acordo com a secretaria
municipal de Finanças, o valor alcançado pelos prejuízos causados pelas chuvas
é de R$ 13,5 milhões, o mesmo de um ano de arrecadação da prefeitura de Itaóca,
no Vale do Ribeira. Desse valor, R$ 4,5 milhões são danos na área pública,
englobando pontes, ruas e casas. Já R$ 9 milhões provêm da área privada,
agrupando patrimônio de moradores, comerciantes e agricultores.
A estimativa dos prejuízos
leva em conta os danos já levantados na rede urbana, em propriedades
particulares e na zona rural, incluindo as seis pontes que foram levadas pelas
águas. Conforme os dados da prefeitura, pelo menos 19 casas foram completamente
destruídas, cerca de 80 foram danificadas e mais de uma centena precisam de
algum tipo de reparo. O sistema viário foi afetado parcialmente na área urbana
e, na zona rural, algumas estradas sumiram do mapa.
ESTADO DE EMERGÊNCIA
O Estado de Calamidade
Pública decretado pelo município de Itaóca foi homologado por decreto pelo
governador e reconhecido também pela
União em 15 de janeiro. .A situação de
anormalidade é em decorrência das perdas humanas e materiais.
BAIRRO MAIS ATINGIDO,
GUARDA-MOR
Onde antes passava um córrego
estreito --o mesmo que dá nome ao bairro-- há agora uma fenda enorme. As pedras
desceram montanha abaixo pelo leito. "Onde tinha morro não tem mais; o
córrego virou rio e essas pedras também não são daqui", conta Cleuzires
Ribas.
Pelo caminho, água e pedras
destruíram 9 casas e levaram 21 pessoas. Algumas casas estão embaixo das
pedras, outras foram completamente levadas.
Centenas de metros adiante há
roupas, tijolos, restos de eletrodomésticos, além de cães e peixes mortos
enroscados em galhos e troncos. O pessoal tinha criação de porco, de boi aqui e
tudo se perdeu, explica Cleuzires.
CONSEQUÊNCIAS AO MEIO
AMBIENTE
A enxurrada d´água provocou desastre ambiental no Rio Ribeira, um
dos principais cursos d'água paulistas. Milhares de peixes morreram ao longo de
80 quilômetros do rio, entre as cidades de Iporanga, Eldorado e Sete Barras.
A avalanche de água, paus,
pedras e todo tipo de detritos que varreu os bairros Guarda Mão e Lageado e
parte da área urbana de Itaóca foi carreada pelo Rio Palmital até o Ribeira, do
qual é afluente, formando uma mancha de dezenas de quilômetros. Troncos e
detritos ainda eram lançados no mar, na foz do Ribeira, em Iguape.
Animais e peixes mortos
Moradores ribeirinhos constataram a morte dos
peixes por asfixia. Bagres, tilápias, traíras e até cascudos foram encontrados
boiando. Também foram parar no rio animais domésticos, como vacas, porcos, cães
e até um cavalo, além de muitos animais silvestres, entre eles capivaras,
porcos-do-mato e jacarés, abatidos pela força do aguaceiro.
Qualidade da água
A qualidade do rio piorou e
levou à suspensão da captação para abastecimento nas cidades cortadas pelo
Ribeira. Morador de Eldorado, o professor José Milton Galindo relaciona a
poluição aos depósitos abandonados de chumbo e produtos químicos deixados por
mineradoras que exploram a região. "Esses materiais devem ter sido levados
pelas águas e contaminado o rio."
A Companhia Ambiental do
Estado de São Paulo (Cetesb) informou que as análises não indicaram a presença
de chumbo e outros produtos químicos na água. A mortandade dos peixes ocorreu
devido à alta concentração de partículas orgânicas - algas, folhas e nutrientes
- e inorgânicas - silte e argila -, carreadas pelo temporal do dia 13.
"Esse material em suspensão foi lançado no Ribeira através do Rio
Palmital, que passa por Itaóca", informou a Cetesb.
Segundo os técnicos da
companhia, o material era tão denso que chegou a ser confundido com uma mancha
oleosa. Além de provocar a obstrução das brânquias, levando os peixes à morte
por asfixia, a turbidez acabou por limitar a quantidade de alimento disponível
no meio, ao reduzir a penetração da luz, afetando a cadeia alimentar. A Defesa
Civil alertou a população para não consumir peixes mortos. Não foram
notificados caso de intoxicação.
ESPECIALISTAS EXPLICAM COMO OCORREU A TRAGÉDIA
A enxurrada que atingiu a
cidade de Itaóca, no Alto Ribeira, no interior de São Paulo, foi o resultado de
uma forte chuva localizada em uma região cercada por rios, serras e montanhas.
A cidade de Itaóca acabou sendo o alvo, já que fica em meio a essa paisagem.
As avaliações técnicas do
Instituto Geológico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, realizadas após a
enchente, mostraram que o nível do rio Palmital subiu entre 4 e 5 metros e
acabou transbordando. No mesmo local e período, estima-se que, em 6 horas,
choveu 150 milímetros em Itaóca. Para se ter uma idéia, uma chuva normal nos
dias de verão pode chegar a 30 milímetros em média.
Segundo o Tenente Marcelo
Kamada, diretor do Núcleo de Gerenciamento de Emergência da Defesa Civil do
Estado de São Paulo aconteceu deslizamentos na serra, que acabaram movendo
árvores e as levando para o rio, que também transbordou devido a grande
quantidade de chuva. De acordo com Kamada, a chuva causou um fenômeno conhecido
como corrida de detritos que acabou invadindo a cidade. “Acabou acontecendo o
escorregamento que movimentou terra. A água levou todos os sedimentos para o
rio Palmital. Isso atinge uma grande velocidade, uma grande força que entrou na
cidade. A corrida de detritos é que tem o maior poder de destruição”, explica ele.
O geólogo Ney Ikeda, Diretor
da Bacia do Ribeira e Litoral Sul do Departamento de Águas e Energia Elétrica
(DAEE) mora há anos na região do Vale do Ribeira. Ele disse que, além do grande
volume de chuvas, a cidade de Itaóca, é rodeada de rios e montanhas, onde há
mais tendência de acontecer desastres naturais. “O rio está em um vale
encaixado. Ocorrem deslizamentos nas laterais, trazendo blocos de rochas e vem
tudo para baixo”, diz Ikeda. Ele também acredita que, além do rio transbordar,
ele mudou o seu curso. “O rio não deu vazão. Isso ocasionou um desvio do rio,
que procurou o lado direito e destruiu casas”, afirma ele.
De acordo com a Defesa Civil,
19 moradias foram completamente destruídas e arrastadas pela água. Ikeda esteve
nos bairros que foram mais atingidos pela enxurrada, para acompanhar os
trabalhos de resgate na cidade. De acordo com o geólogo, no lugar das casas, só
havia lama. “Parece-me que foi muito rápido. Várias casas foram invadidas,
outras ficaram apenas com o alicerce.
Não se vê quase nada, nem parece que tinham casas ali”, diz o geólogo.
Ikeda, que mora há anos no
Vale do Ribeira, presenciou uma situação semelhante em 1997. A cidade de Apiaí,
vizinha a Itaóca, foi atingida por uma grande enchente, uma das maiores do Vale
do Ribeira, quando, segundo ele, 540 milímetros de chuva caíram em quatro dias.
Mas, de acordo com Ikeda, Itaóca nunca tinha registrado uma situação
semelhante. Por isso, não havia prevenção a enchentes na cidade. “Não temos um
histórico de uma ocorrência como essa. Em 70 anos, nunca se viu isso. Esse foi
um fato excepcional”, diz. Uma equipe do DAEE junto a Defesa Civil irá definir
as áreas de risco e ações preventivas as fortes chuvas.
Marcelo Shinader,
meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), enfatiza que a
chuva foi bem localizada, um dos motivos do temporal ter sido tão forte. “Não é
apenas uma nuvem, é um aglomerado de nuvens que fica localizada na região e
provoca isso”, afirma. Ele comenta também que a região do Alto Ribeira foi alvo
de outros pequenos períodos de chuva nos dias anteriores à enxurrada, o que
pode ter ajudado a deixar o solo mais úmido.
Alguns moradores disseram que
a força da água na enxurrada parecia um tsunami. Para o geólogo Ikeda, a
associação é cabível, tamanha a força da água e seu poder de destruição. “É até
possível comparar porque o efeito é o mesmo”, diz.
UM ANO DEPOIS ITAÓCA AINDA AGUARDA VERBA PARA RECONSTRUÇÃO
O governo federal liberou recursos para a
limpeza da cidade; então todo aquele entulho, madeira e lama, foram removidos.
Mas a parte de reconstrução do município ficou a desejar, explicou Erli
Rodrigues Fortes, secretário de Agropecuária de Itaóca. A prefeitura utilizou R$ 1,9 dos R$ 2,6 milhões
disponibilizados pelo Ministério da Integração Nacional. O restante, vamos
devolver. Conseguimos contratar as máquinas por um menor preço. Esse dinheiro
era só para limpeza, justificou o secretário. O município entregou um plano de reconstrução
para aquele ministério em fevereiro de 2014, mas os recursos ainda não foram
liberados. Lá está prevista reconstrução de pontes e calçamento, explicou
Fortes.
Ao todo, dez pontes foram
destruídas pela enxurrada d'água, deixando comunidades ilhadas nos dias que se
seguiram ao desastre. As pontes foram refeitas de forma provisória e, segundo a
prefeitura, continuam dessa forma. No bairro do Lajeado, por exemplo, os
próprios moradores refizeram o caminho para atravessar o rio com os pedaços de
árvores que foram derrubadas pela chuva. A destruição do calçamento é o que
mais atrapalha quem mora no bairro Vila Ribas.
Localizado na margem direita
do rio, próximo à ponte principal, algumas ruas continuam intransitáveis.
Também permanecem complicados alguns trechos da estrada entre Apiaí, cidade
vizinha, e Itaóca.
As moradias e a reconstrução
da ponte principal ficaram a cargo do governo estadual. Foram prometidas 90
casas e o município desapropriou um terreno e entregou à CDHU (Companhia de
Desenvolvimento Habitacional e Urbano), mas até o momento não foram iniciadas
as obras, informou Fortes. A ponte, de acordo com ele, foi a única obra
iniciada depois da tragédia. O canteiro de obras foi feito em junho. "A
previsão de conclusão é março", informou o secretário.
A prefeitura calcula um
prejuízo total no município em torno de R$ 23 milhões.
Fontes: G1 Santos-13/01/2014 a
18/01/2014; UOL-14/01/2014 a12/01/2015, Defesa Civil do Estado de São
Paulo, 17-01-2014, O Estado de São
Paulo, 21/01/2014
Comentário
Enxurrada é a inundação
brusca ou relâmpago (flash flood) que ocorre devido a chuvas intensas
e concentradas. A elevação das vazões é súbita e seu escoamento é violento.
Ocorre em um tempo próximo ao evento da chuva que a causa.
O nome Itaóca é de origem
indígena, que no tupi-guarani significa “Casa de Pedra”. A região contem veios e bolsões de rochas
graníticas, fraturadas e com alta densidade de afloramentos rochosos sob forma
de blocos e grandes matacões.
O potencial de erosão hídrica
e de movimentos naturais de massas são bastante altos, principalmente nas áreas
montanhosas, correspondentes às encostas, onde formam-se enxurradas altamente
erosivas e é grande a possibilidade de ocorrerem grandes movimentos naturais de
massas, inclusive com rolamentos de grandes matacões. O potencial de movimentos de massas é maior nas
partes côncavas das encostas e em toda
sua extensão o escoamento superficial é bastante rápido.
As principais causas de
inundação seriam:
■ A morfologia da cidade a
região tem relevo altamente acidentado, formado por serras, morros, fundo de
vale, e encostas íngremes.
■ O clima: chove
torrencialmente na época de verão
■ Uso e ocupação do solo de
maneira desordenada
■ Não há mapeamento das áreas
inundáveis quanto a:
1-Conhecimento da relação
cota x risco de inundação
2- Definições dos riscos de
inundação de cada superfície
3- Incorporação a Legislação
Municipal de uso e ocupação do solo em
zona de risco
4- Uso de Sistema de
Informações Geográficas na análise de projetos de edificações e equipamentos
urbanos.
5- Controle público da
ocupação regular e irregular
■ a prática legalizada da
construção ilegal e construção de obras públicas que não respeita o ecossistema.
■ O aumento da
vulnerabilidade é atribuível ao uso do solo e da água que é muitas vezes ainda
não considera as limitações impostas pela hidrogeologia. É comum no país como
padrão, canalizar córrego, retificar e construção de avenidas ao logo das
margens dos córregos e rios. Em conseqüência disso há uma ocupação desordenada
do solo, principalmente construções, aumentando ainda mais a impermeabilização
do solo.
Marcadores: inundação, Meio Ambiente

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