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domingo, novembro 16, 2014

Feito histórico o módulo Philae faz aterrissagem inédita em cometa

Após dez anos de viagem, o módulo Philae, da sonda Rosetta, tornou-se na quarta-feira (12) a primeira espaçonave a fazer um pouso suave num cometa.

DEZ ANOS E SETE HORAS
O pouso se deu às 13h35, sete horas depois que o veículo se desprendeu de sua nave-mãe, a Rosetta, e cerca de dez anos após a decolagem da Terra, realizada em 2004.
A confirmação do toque no solo do cometa Churyumov-Gerasimenko veio 28 minutos depois, tempo necessário para a mensagem se propagar no espaço até a Terra, para o alívio dos angustiados engenheiros e cientistas.
"É um grande passo para a civilização humana", disse Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da ESA (Agência Espacial Europeia), enfatizando o pioneirismo da iniciativa.

ATERRISSAGEM NO COMETA
Vindo de uma altura de 22 km, quando se desprendeu da sonda rosetta, o módulo subiu 1 km depois de bater pela primeira vez no cometa. Esse primeiro pulo durou quase 2 horas. A segunda rebatida demorou poucos minutos, e foi muito menor.
O chefe do Departamento de Engenharia de Sistemas de terra da ESA, Juan Miró, disse à Agência Efe que se mantém a comunicação com a Philae e que está estável, e isso é o mais importante.
Agora também é preciso ver se o módulo recebe energia solar suficiente para continuar sua atividade.
Miró qualificou a aterrissagem de "muito boa", "perfeita do ponto de vista da trajetória". O pequeno laboratório, do tamanho de uma geladeira e com 100 quilos de peso, aterrissou sete horas depois sobre o cometa para estudar sua composição, porque os cometas são os corpos celestes mais antigos do Universo e se considera que puderam ter trazido a água e a vida para a Terra.
"O Philae passou a noite sobre o cometa e temos três boas notícias. A primeira é que está pousado sobre o núcleo do cometa. A segunda é que recebe energia: seus painéis solares estão ligados e permitem encarar o futuro. E a terceira é que estamos em contato permanente com o Philae, já que o robô emite e envia informações à Rosetta e depois à sonda, que está em órbita ao redor do cometa, as transmite à Terra", declarou Jean-Yves Le Gall, presidente do CNES, localizado no sul da França.
"O sinal de rádio funciona bem e estamos em contato direto com o Philae", completou.
Ao ser questionado sobre a ancoragem do robô na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e o funcionamento do sistema de ancoragem que possui na parte inferior, Le Gall destacou que "o mais importante é que estamos bem posicionados. Depois veremos o que faremos com os 'arpões'. Estamos fazendo uma checagem do Philae. Estamos em contato, isto é o mais importante".
Os engenheiros ainda precisam descobrir o que levou o robô a falhar no lançamento do par de ganchos na superfície do cometa, desenvolvidos para evitar que se afaste do corpo celeste, que tem baixíssima gravidade.

MISSÃO DE PHILAE
A missão de Philae inclui perfurar a superfície do cometa e analisar amostras de marcadores de isótopos de água e moléculas complexas de carbono.
Segundo a teoria corrente, os cometas bombardearam a nascente Terra há 4,6 bilhões de anos, trazendo moléculas de carbono e a preciosa água, partes importantes da "caixa de ferramentas" fundamental para a vida no nosso planeta.
O módulo Philae tem bateria suficiente para realizar cerca de 60 horas de trabalho, mas pode continuar operando até março, com uma recarga solar.
O que quer que aconteça com sua carga, a Rosetta continuará a acompanhar o cometa, analisando-o com 11 instrumentos quando orbitar o Sol no ano que vem. A missão está prevista para terminar em dezembro de 2015.

DURAÇÃO DA BATERIA DO PHILAE?
O módulo Philae está bem afixado e ativou seu instrumento de perfuração, informou na sexta-feira (14) a ESA (Agência Espacial Europeia).
Os engenheiros não têm certeza se a altura da sonda com relação ao chão permitirá que o solo seja efetivamente escavado pela perfuratriz, chamada de SD2, e amostras sejam encaminhadas para o laboratório interno. Os resultados só virão com o próximo contato entre o Philae e a Rosetta — que pode ou não acontecer.
Depende basicamente de as baterias durarem até lá. Nas últimas simulações de carga, a conta está no limite para que o módulo de pouso permaneça operacional até a Rosetta voltar a sobrevoá-lo para restabelecer contato.
As tentativas de mover o módulo e melhorar a quantidade de radiação solar que chega a seus painéis solares não tiveram resultado. O Philae realmente parece bem preso ao chão e cercado por rochas. Imagens subsequentes das câmeras ÇIVA mostraram que o veículo não se moveu desde que pousou ali, confirmando que ele está bem preso ao solo.
Depois da noite de hoje, provavelmente o Philae irá dormir, sem baterias para permanecer em operação. Existe a possibilidade que ele volte a despertar conforme o cometa se aproxime mais do Sol e o nível de energia que chega ao painel solar aumente.  

SEM CONTATO VISUAL
Em paralelo, a Rosetta segue procurando fazer contato visual com o Philae na superfície. Sua órbita foi alterada para obter as melhores imagens possíveis da região onde ele deve estar.
Esta missão já bateu baixas chances de sucesso antes, então ainda é cedo para dizer que é o fim. Mas, ao que parece, antes que o dia termine o Philae deve estar sem energia, encerrando suas transmissões.

A avaliação dos cientistas, contudo, é bastante positiva. Entre 80% e 90% dos dados que tinham de ser colhidos na missão primária do Philae foram efetivamente obtidos, segundo Stephan Ulamec, gerente do módulo de pouso na DLR (agência espacial alemã).

ROBÔ PHILAE TRANSMITE DADOS DE PERFURAÇÃO DE COMETA E FICA INATIVO
O robô Philae transmitiu durante a noite os dados da perfuração do cometa antes de entrar em modo inativo por falta de bateria, anunciou no sábado (15) o cientista Jean-Pierre Bibring.
"Recebemos tudo. Tudo aconteceu exatamente como estava previsto. Conseguimos, inclusive, fazer a rotação para otimizar a recepção da luz nos painéis solares", declarou Bibring em uma entrevista por telefone no centro de controle de Philae em Colonia, Alemanha.
"O Philae está em modo inativo. Todos os dados da primeira sequência científica foram baixados com êxito", anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA) .
no Twitter. Philae, que chegou na quarta-feira ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, está a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra.
Agora devem ser utilizadas as baterias solares, mas como o Philae pousou em uma zona escura deve ser mantido em modo repouso. "É muito importante que consiga sobreviver até que cheguem momentos melhores", completou Bibring.
Fontes: Folha de São Paulo e  G1-15/11/2014 09h35 - Atualizado em 15/11/2014 09h40

DADOS TÉCNICOS

SONDA ROSETTA
Em  12 de novembro de 2014, quarta-feira, pela primeira vez, uma sonda espacial pousou no núcleo de um cometa, a 500 milhões de km da Terra

MISSÃO AMBICIOSA
A sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia, quer estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que contém materiais restantes da formação do Sistema Solar, há 4,56 bilhões de anos. A pesquisa ajudará a entender a formação dos planetas e o surgimento da vida na Terra
Nome: Menção à Pedra de Rosetta, fragmento do Egito Antigo com inscritos que ajudaram a compreender os hieróglifos
Peso: 3 mil kg (o módulo Philae pesa 100 kg)
Custo da missão:  O custo total do projeto foi de € 1,2 bilhão (cerca de R$ 4,45 bilhões).

CALENDÁRIO DA MISSÃO
2/03/2004 – lançamento
4/03/2005- 1° sobrevoo da Terra
25/02/2007- Sobrevoo de Marte
13/11/2009- 3° sobrevoo da Terra
08/06/2011- Entra no estágio de hibernação
20/01/2014- Desperta do estágio de hibernação
Maio a Agosto de 2014- Manobras de aproximação do cometa
6/08/2014 - Liberação e pouso do módulo Philae
12/11/2014 a até dez de 2015 - Captação de dados enquanto cometa se aproxima do Sol

DESCENDO NO COMETA
A sonda Rosetta liberou o módulo Philae a 22,5 km de distância do núcleo do cometa

MÓDULO PHILAE
Tamanho: 1 m x 1 m x 1 m
Peso: 100 kg

O Cometa: 67P/Churyumov-Gerasimenko
Descoberta: 1969
Características: Pertence à família de cometas do planeta Júpiter. Tem núcleo congelado desde a formação do Sistema Solar

DESCIDA
1-Rosetta faz manobra de afastamento para receber dados do módulo
2-Procedimento de pouso durou cerca de 7h
3-Segundo a ESA, a sonda tocou o cometa às 14h03, hora de Brasília
4-Módulo terá 64 h de bateria para colher amostras do solo, fotografar e enviar os dados aos cientistas. Philae está equipada para recarregar com a luz solar, mas isso vai depender do local do pouso

EXPERIMENTOS:
Depois do pouso, a Philae vai perfurar o cometa para colher amostras, que serão analisadas remotamente. O robô vai fotografar o cometa e medir o núcleo. Os dados vão para a sonda e serão rebatidos para a Terra.
Fontes: Folha de São Paulo - 13 de novembro de 2014 ,  G1-15 e 16/11/2014 

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posted by ACCA@11:06 AM

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