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quarta-feira, maio 21, 2014

Lembrança: Gás vaza, pára estrada e esvazia casas

O duto, que margeia a rodovia, foi perfurado por volta das 11h na altura do km 19,5, entre Osasco (SP) e Barueri, a menos de 20 km da capital paulista.
O acidente ocorreu na sexta-feira, 15 de Junho de 2001, quando funcionários da empresa Queiroz Galvão trabalhavam com um bate estaca no local, que perfurava no solo um dos pilares de sustentação para obra do Rodoanel Mário Covas. O serviço havia sido contratado pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A).
O funcionário Valdelins Brandão da Silva descreveu o acidente: "Foi igual a um terremoto. O chão tremeu e logo em seguida uma grande nuvem de gás branco tomou conta do lugar. Saímos desesperados tentando interromper a passagem de carros na estrada." Segundo ele, a nuvem de gás tinha 8 metros de altura. "Estou tremendo até agora, pensei na hora que alguém poderia acender um cigarro e tudo ir pelos ares."

VAZAMENTO DE GÁS
O rompimento do poliduto (um tubo que transporta mais de um produto), de 35,5 centímetros de diâmetro, provocou o vazamento, em um primeiro momento, de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo, gás de cozinha), e, posteriormente, de gasolina pura.

ISOLAMENTO DA TUBULAÇÃO
Logo que o duto foi perfurado, a Petrobrás isolou uma parte de 6 km da tubulação, acionando válvulas à distância. Com a contenção, o gás e a gasolina que restavam no duto escaparam.

CONTAMINAÇÃO E RISCO DE EXPLOSÃO
Era possível sentir o cheiro forte do gás a 3 km de distância do local do acidente, após apenas duas horas do rompimento. O vento forte, na direção da capital e de Osasco, ajudou a espalhar as nuvens.
Devido ao risco de explosão, a Eletropaulo cortou a energia dos bairros próximos ao vazamento.
No início da noite, nos bairros Santa Cecília, em Osasco, e Mutinga (que engloba áreas de Barueri, Carapicuíba e Osasco), ainda existiam pontos com 100% de risco de haver explosão -com quantidade de gás no ar suficiente para provocar combustão.
Segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a gasolina que saiu da tubulação atingiu um córrego que deságua no rio Tietê.

EVACUAÇÃO DE MORADORES
Cerca de 2.000 pessoas que residem em quatro bairros, num raio de 2 km do acidente - Jardim Mutinga, Jardim Munhoz Júnior, Jardim Santa Cecília e Piratininga, na divisa com Osasco,  tiveram de ser removidas às pressas e passaram a madrugada fora de casa por causa do alto risco de explosão.
A Polícia Militar, a Defesa Civil e a Guarda Municipal de Barueri, juntos com cerca de 200 homens, evacuaram casas que estavam em um raio de até 500 metros do local do vazamento
A Petrobrás não tinha previsão de quando as famílias poderiam voltar para suas casas. Isso dependeria da limpeza do duto, que começou por volta das 17h30 de sexta-feira (15.06). Segundo a Defesa Civil do Estado, apenas 645 das 2.000 pessoas dos bairros Jardim Mutinga, em Barueri, e Jardim Santa Cecília, em Osasco, passaram a noite em 11 hotéis da capital e de Osasco (Grande São Paulo).
O restante passou a noite em casas de parentes ou amigos. Até às 12h de sábado (16.06.01), a Petrobrás não havia liberado a entrada dos moradores em suas casas. A previsão é que as famílias retornassem para o local depois das 15h.

INTERDIÇÃO DA ESTRADA
Os acessos para veículos foram fechados em um círculo imaginário de 6 km de largura. O Exército chegou a ficar de prontidão para ajudar na remoção das famílias.
O mesmo perigo obrigou a Polícia Rodoviária a desviar o tráfego da Castelo Branco para cidades da Grande São Paulo, causando congestionamentos. Em um dia normal, a rodovia recebe nesse trecho cerca de 100 mil veículos.
O tráfego na pista interior-capital da Castelo foi liberado algumas vezes, conforme variava a concentração de gás no ar. A outra pista estava interrompida.

VÍTIMAS
Segundo a Defesa Civil de Osasco, 22 pessoas passaram mal por causa do gás que vazou  da tubulação da Petrobrás em Barueri e foram encaminhadas ao pronto-socorro de Mutinga. Cinco delas ficaram em observação por mais tempo por apresentarem dor de cabeça e náusea.
Funcionários do pronto-socorro informaram que a maioria dos pacientes apresentava dificuldades para respirar. Eles foram medicados e liberados em seguida.
De acordo com Eudes Oliveira da Silva, coordenador de operação da Defesa Civil, os moradores estavam nervosos e corriam com seus pertences, mas a maioria deles acabava caindo por não conseguir respirar.
"O número de pessoas que passou mal é muito grande. Elas precisavam de máscaras de oxigênio para poder respirar", afirma.
Segundo Silva, a Defesa Civil organizou três pontos de deslocamento dos moradores da região. O trabalho dos bombeiros ficou mais difícil, afirma, porque tiveram que aumentar o cordão de isolamento no local, com a dispersão do gás por causa da lavagem da tubulação.
O GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), que vazou da tubulação, é inflamável, explosivo, e pode levar à morte se for inalado em grandes concentrações, principalmente em ambientes fechados.

De acordo com o pneumologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Clystenes Odir Soares Silva, mesmo em concentrações menores, o GLP causa náusea, dor de cabeça e incômodo. "Doenças respiratórias como asma e bronquite podem ser agravadas se o gás for inalado. Uma grande quantidade de GLP leva a uma deficiência de oxigenação cerebral e pode matar."
O GLP é uma mistura de butano e propano, compostos formados por hidrogênio e carbono. A substância é líquida quando mantida dentro de botijões ou tubulações, mas torna-se gasosa em contato com a atmosfera.
"Na forma de gás, o GLP é facilmente dispersado. Isso tem um lado bom, porque evita grandes concentrações do gás, que pode explodir, mas faz com que a substância alcance lugares distantes", diz a química da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara Mary Rosa Santiago Silva.
Em concentrações menores, segundo a especialista, o gás tem menor risco de entrar em combustão, mas, em ambientes fechados, é asfixiante e pode explodir por qualquer faísca ou atrito.

INDENIZAÇÃO E RECLAMAÇÃO
Para atender às reclamações das famílias atingidas, a Dersa montou um posto de atendimento ao lado do terminal da Petrobrás. Cerca de 200 cadastros foram preenchidos, a maioria por parte de moradores que perderam comida ou que tiveram aparelhos eletrônicos danificados com o corte de energia elétrica.
De acordo com a Polícia Militar de Barueri e de Osasco, não foi confirmada nenhuma queixa em relação a saques durante o período em que as famílias foram removidas de suas casas.
Quanto aos pedidos de indenização, tanto o secretário dos Transportes como a Petrobrás afirmaram que só terão uma posição após a divulgação do relatório que apontará os responsáveis pelo acidente, a ser concluído em, no mínimo, 15 dias.

‘RISCO A VIZINHANÇA, SÓ FALTOU IGNIÇÃO PARA EXPLOSÃO, DIZ CETESB
Medição feita pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) apontou alto risco de explosão em galerias próximas ao duto que foi perfurado, segundo o gerente de operações de emergência da empresa, Edson Haddad.
"Em vários momentos, a concentração de gás estava altíssima em diversas áreas próximas. Bastava uma fonte de ignição para provocar um incêndio ou uma explosão. Foi uma sorte muito grande isso não ter ocorrido", disse.
As medições, feitas com explosímetros (equipamentos que medem a concentração de vapor inflamável no ambiente), serviram para orientar os bombeiros no trabalho de dispersão do gás com jatos de água.
Se houvesse qualquer faísca, poderia ter acontecido uma grande catástrofe. A explosão poderia romper a canalização e isso teria grandes proporções. À medida que o gás fosse se misturando
com o oxigênio, iria queimar", disse Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico, professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
O gerente da Cetesb classificou o incidente como de "extrema gravidade" e disse que a companhia poderá autuar e multar a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), contratante da obra que provocou o acidente, e a construtora Queiroz Galvão, empreiteira que executava o serviço.

POLIDUTO PASSA POR ÁREAS POPULOSAS
Segundo o engenheiro Wong Loon, diretor da Petrobrás Transportes (Transpetro), a tubulação tem cinco metros de profundidade no ponto em que foi atingida. "Trata-se de um poliduto, uma tubulação que pode levar GLP, gasolina e óleo diesel". O duto, com 50 km de extensão e diâmetro de 14 polegadas, liga o terminal da Petrobrás que fica em Tamboré ao de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
No momento do acidente, explicou Loon, estava sendo transportado o GLP, e em seguida já havia sido liberado um bombeamento de gasolina. Por terem diferentes densidades, os produtos não se misturam e seguem pelo mesmo cano.
Segundo a Petrobrás, o gás de cozinha que era transportado no duto é produzido na refinaria da estatal em Mauá, de onde vai para o centro de distribuição de São Caetano e depois para Barueri.

Por uma questão de diferença de densidades, quando o duto se rompeu, primeiro vazou gás e depois gasolina. O gás, por ser mais leve, tende a sair primeiro.
Uma central informatizada da Petrobrás, que acompanha o oleoduto, detectou o furo no mesmo instante, segundo o engenheiro. "Interrompemos o bombeamento de gasolina e fechamos duas válvulas de bloqueio." A medida isolou um trecho de 6 km de tubulação, no meio do qual estava o vazamento.
O duto passa por áreas metropolitanas, como região de favelas em Santo André (Grande ABC).
Passando por baixo de áreas populosas, o duto, se tivesse explodido e incendiado, poderia ter repetido a tragédia de Vila Socó, em Cubatão.

FALTA DE COORDENAÇÃO 
Petrobrás, Polícia Militar e prefeitura de Barueri não conseguiam entender-se sobre o que fazer com os desabrigados por conta do acidente. De acordo com a Defesa Civil do Estado e com o Corpo de Bombeiros, foram removidas cerca de 400 moradores, o que poderia resultar em um número total de 1.500 a 2 mil desalojados.
A Defesa Civil trabalhava com a hipótese de colocar os desabrigados em três escolas de Barueri. No entanto, os moradores da Favela Área Livre, que deveriam ser alojados no Ginásio de Esportes pela prefeitura, se recusavam a deixar o local do acidente.
Às 18 horas, o cheiro voltou a ficar muito forte no local. Famintos e nervosos, os moradores passavam mal. Várias ambulâncias foram utilizadas na remoção dessas pessoas para o PS de Osasco. .

CAUSA DO ACIDENTE
O desconhecimento do local exato onde ficava o duto também foi apontado pelo engenheiro da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/ A) Pedro da Silva, que fiscaliza a obra.
No lugar, estavam sendo cravadas estacas de perfil metálico para criar um suporte para a remoção de dois dutos da Petrobrás.
A obra era necessária para permitir a construção do Rodoanel no trecho e havia sido discutida com técnicos da Petrobrás. "Onde nós cravamos a estaca, não tínhamos consciência de que havia um duto", afirmou Silva.
O engenheiro disse que uma comissão formada por Dersa, Queiroz Galvão e Petrobrás discutirá as causas do acidente.

ESTIMATIVA DE VAZAMENTO DE GÁS E GASOLINA
A Petrobrás informou, que a perfuração do duto em Barueri (Grande SP), causou o vazamento de 150 toneladas de gás GLP. Isso equivale a mais de 11,5 mil botijões de gás de cozinha. Segundo a empresa, não há estimativas sobre a quantidade de gasolina que vazou, mas ela teria sido "insignificante".

PETROBRÁS DIZ DESCONHECER FALHA
"Desconheço falhas de cadastro (plantas do terreno), afirmou em Barueri (Grande São Paulo) Wong Loon, diretor da Transpetro (Petrobrás Transporte S.A.), sobre a hipótese de os mapas fornecidos pela empresa à Dersa não indicarem a presença do duto danificado”.
Loon afirmou que um fiscal da Petrobrás acompanhava as obras do Rodoanel, mas que não dá para dizer quem errou.
"Neste momento, não tenho uma explicação para o que houve. Estamos todos concentrados em uma operação de emergência."
COMISSÃO MISTA VAI INVESTIGAR VAZAMENTO
O secretário estadual dos Transportes, Michael Zeitlin, afirmou que vai formar uma comissão mista para identificar a causa do acidente. "É óbvio que houve um erro. Tanto a Dersa quanto a Petrobrás vão estudar de onde a falha partiu", afirmou Zeitlin, que esteve no local onde houve vazamento de gás na Rodovia Castelo Branco.

SINDICÂNCIA - A PETROBRÁS TRANSPORTE S.A.
A Transpetro (subsidiária da Petrobrás) responsável pelos gasodutos e oleodutos, vai abrir sindicância para apurar a responsabilidade pelo rompimento do duto de transporte de derivados de petróleo.
Wong Loon, diretor da Petrobrás Transportes (Transpetro) informou que o bate-estaca rompeu uma linha de 14 polegadas de diâmetro com 50 quilômetros de extensão, que traz gás liquefeito de petróleo (GLP), gasolina e óleo diesel de São Caetano para os tanques de armazenagem da Petrobrás em Barueri. "Durante cerca de três horas vazou o produto inicial (GLP) e depois, gasolina", disse. "O risco maior de explosão era quando escapava gás. Embora a gasolina também seja inflamável, o perigo de explosão é menor."
Loon explicou que "as válvulas localizadas a 6 quilômetros dos pontos de vazamento foram fechadas". Não há definição de quando o duto estará consertado.

LIMPEZA
Os técnicos e engenheiros da Dersa, da Petrobrás, da Queiroz Galvão, bombeiros e Defesa Civil trabalhavam para liberação do duto e para permitir o retorno das famílias retiradas do local .
Por volta das 12h de domingo, (17.06), a Petrobrás começou a limpar o duto internamente para eliminar os últimos bolsões de gás confinados.
Foi usado um equipamento conhecido como "pig", uma espécie de esponja que é impulsionada por um forte jato d'água, mecanismo que atravessa o tubo internamente. A operação demoraria meia hora e poderia provocar a interrupção da Castelo Branco.
Feito isso, a Queiroz Galvão e a Petrobrás tirariam a estaca que provocou a perfuração.
Por volta das 13h, a Petrobrás iria notificar as famílias que foram alojadas em dez hotéis em São Paulo e em Osasco.

INFRAÇÃO E MULTA
O valor da multa deve ser definido até segunda-feira (18.06). A maior punição possível para a Dersa e a Queiroz Galvão seria ter de pagar até R$ 98 mil cada uma.
A multa seria aplicada pelo vazamento de gás e pelo odor gerado na região, pela contaminação de um córrego e pelos riscos de incêndio e de explosão a que estiveram sujeitos os moradores.
Há também uma possibilidade de o incidente ser classificado pela Cetesb como "crime ambiental", o que aumentaria o valor da multa, de acordo com o gerente.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Ricardo Tripoli, classificou o acidente de muito grave e adiantou que a Cetesb deverá multar as empresas culpadas.

FALTA DE MAPEAMENTO DA INFRAESTRUTURA
"O episódio demonstrou, mais uma vez, a necessidade de mapear os sistemas localizados próximo de habitações e áreas de proteção ambiental", disse Tripoli. O alerta havia sido feito por ele há três semanas, quando houve vazamento num oleoduto da Petrobrás, no condomínio Tamboré.

Em qualquer um dos casos, a multa poderá ser aplicada pelo fato de a Dersa ser a contratante da obra e a construtora estar executando o serviço que acabou provocando o vazamento.

MULTA APLICADA
A Cetesb multou a construtora Queiroz Galvão em R$ 98 mil pelo vazamento de gás e gasolina em Barueri.A empresa ainda pode recorrer.
A Petrobrás ainda não está livre de uma penalização. Técnicos da Cetesb farão durante a semana um relatório detalhado que pode apontar responsabilidades da estatal. Nesse caso, a empresa também seria multada, em um valor ainda a ser fixado.

MAPEAMENTO DO SOLO DESATUALIZADO
O secretário estadual dos Transportes, Michael Zeitlin, disse que a Queiroz Galvão tinha cadastro das tubulações e que, antes de começar as perfurações, fez uma prospecção eletromagnética dos tubos. Os mapas da tubulação nos subsolo tem 30 anos. Por isso, a Dersa e a secretaria acham que poderia haver uma curva na tubulação não indicada nos mapas, o que teria provocado o erro que levou a perfuração do duto.
Zeitlin disse que, para fazer a obra na área da Petrobrás, seria preciso a remoção dos dutos, que era a obra que estava sendo feita. Por esse trabalho, o governo do Estado pagou à estatal R$ 830 mil, o equivalente a ocupação da área pelo Rodoanel e a transposição dos tubos.

RELATÓRIO OFICIAL FINAL : LAUDO APONTA TRÊS RESPONSÁVEIS POR PERFURAÇÃO DE DUTO
A Petrobrás, por meio da subsidiária Transpetro, informou (sexta-feira, em 28.09.01) que não quer comentar um relatório oficial que aponta a empresa como uma das responsáveis pelo acidente com vazamento de gás em 15 de junho, durante serviços no Rodoanel Mário Covas, no km 20 da Rodovia Castelo Branco. As outras empresas responsabilizadas são a Queiroz Galvão, executora dos trabalhos, e a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), contratante da obra.
O relatório, de uma comissão de sindicância nomeada pela Dersa, diz que a estatal, por ser encarregada de dar prévia aprovação aos trabalhos, teve responsabilidade na liberação do serviço que causou o acidente, quando um bate-estaca furou um duto da Petrobrás, causando liberação de gás.
O relatório diz também que houve falha da Queiroz Galvão, que executou serviços em desacordo com o projeto. A construtora prometeu manifestar-se em nota oficial. A Dersa e o Consórcio Engevix, contratado para fiscalização, não tomaram providências para que o serviço seguisse o projeto.

CONSTRUTORA NEGA ERRO EM PERFURAÇÃO DE DUTO
A Construtora Queiroz Galvão divulgou (sexta-feira, em 28.09.01) nota à imprensa afirmando que os serviços que resultaram na perfuração de duto da Petrobrás no Rodoanel Mário Covas, no km 20 da Rodovia Castelo Branco, foram feitos sob orientação e fiscalização dos órgãos competentes - no caso as empresas Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) e Petrobrás. A empresa negou-se a comentar o relatório da Dersa, que a responsabiliza.
Fonte: O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Folha de São Paulo.

Comentário: Com a construção de gasoduto/oleoduto,  passando nos principais centros populosos do país,  região sul e sudeste,  e às vezes as tubulações margeando ao longo das principais rodovias do país, estamos descobrindo o lado negro desse tipo de energia que será utilizado com insumo da matriz energética brasileira (termoelétricas) e equipamentos industriais.
Nos países em que predomina como fonte energética produtos inflamáveis (gás, óleo) os acidentes ocorrem quase todos os anos, provocando  tragédias (mortes, contaminação, evacuação de população,etc).

As autoridades envolvidas com a defesa civil  não estão preparadas para atuar numa emergência  de desastre de grandes proporções, devido:
1. Falta de um mapa de riscos atualizado das linhas de tubulações que passam pelo Estado, que transportam produtos perigosos, 
2. Número insuficiente de hospitais especializados em queimaduras em locais estratégico (os hospitais devem ter um plano de emergência para atuar nesse tipo de desastre, pois poderá receber inúmeras vítimas simultaneamente). Os hospitais deverão ser classificados para receberem as vítimas conforme a gravidade, a fim de evitar que um paciente com ferimentos leves seja enviado para um hospital especializado.
3.  Número insuficiente de equipes de resgate com paramédicos para primeiros socorros.
4. O mais importante à falta  de um plano de emergência para desastre em geral (elaboração, preparação e treinamento), envolvendo as autoridades responsáveis e comunidades.

Linhas de dutos no Estado de São Paulo 

Dutos e Produtos Transportados:Petróleo e derivados
No Estado de São Paulo, são transportados petróleo ou óleo cru, os quais são recebidos pelo Terminal Marítimo de São Sebastião, da Petrobras, diretamente dos navios petroleiros e posteriormente bombeados para as refinarias da mesma companhia, localizadas em Cubatão, Paulínea e São José dos Campos. Depois de serem processados, há a distribuição de gasolina, diesel, nafta e, óleo combustível entre outros produtos, por entre as diversas bases da Petrobras e também de outras companhias envolvidas com o armazenamento e distribuição destes produtos, localizadas em todo o estado, formando uma extensa malha de dutos.

Gás Natural e GLP
Há também um outro complexo de dutos, destinados a transportar gás natural e gás liqüefeito do petróleo (GLP). Esta rede de dutos é administrada pela Petrobras, Comgas, Gás Brasiliano e gás natural.
O gás natural chega de forma canalizada, pela rede de distribuição de gasodutos da Comgas para São Paulo proveniente de três origens distintas: Bacia de Campos (RJ), pelo Gaspal - gasoduto Rio de Janeiro /São Paulo, da Bacia de Santos (SP) pelo Gasan - gasoduto Santos-SP, e também da Bolívia, vindo pelo Gasbol - gasoduto Brasil-Bolívia, gerenciados pela Transpetro. É distribuído para residências, estabelecimentos comerciais e industriais, entre outros, por intermédio de uma extensa rede de dutos, sob praticamente toda região da Grande São Paulo, passando principalmente em áreas de intensa concentração urbana. O gás natural veicular é distribuído pela Comgas para determinados postos de combustíveis, situados na região metropolitana de São Paulo, Campinas e Vale do Paraíba.O GLP é composto basicamente por propano e butano, gases altamente inflamáveis. É transportado e armazenado em butijões de diversos tamanhos e, recebe uma substância odorizante, mercaptana, a qual permite a percepção olfativa em caso de vazamento

Estimativas de linhas de dutos no Estado de São Paulo
Dutos Estaduais – 1.900 km
Dutos Interestaduais – 1.700km
Gasoduto Brasil-Bolivia – parte de São Paulo – 1.700 km
Comgas- mais de 3.700 km de rede
Os Estados Unidos, possuem 485 mil quilômetros de dutos. 

HISTÓRICO DE ACIDENTES

BRASIL
■15 de Junho de  2001          
Durante as obras de construção do complexo rodoviário Rodoanel Mário Covas, junto à Rodovia Castelo Branco, próximo ao km 20, um "bate-estacas" perfurou o gasoduto do Sistema da Petrobras, causando a liberação do produto em grande quantidade, o qual rapidamente se dispersou pelas imediações. Como conseqüência, foi necessário proceder a evacuação de duas mil pessoas, residentes nas proximidades, devido ao alto teor de explosividade presente no local.
■ 30 de maio de 2001
O oleoduto procedente da Base de Barueri, da Petrobras, sentido capital - interior, rompeu no interior de um condomínio de luxo, na região de Tamboré, prejudicando residências, atingindo ruas, galerias de águas pluviais e um córrego afluente do Rio Tietê. O condomínio precisou ser parcialmente interditado para as atividades de limpeza e moradores foram removidos. Uma ave, uma rolinha, morreu após ter caído em uma poça de óleo.
■25 de fevereiro de 1984 – Cubatão - SP
A explosão de um duto da Petrobrás em Cubatão (58 km de São Paulo) matou 93 pessoas na favela de Vila Socó. Vazaram 700 mil litros de gasolina de um duto da Petrobrás, devido à excessiva pressão de bombeamento, incendiando cerca de 500 barracos.
Investigações apontaram a possibilidade de haver mais de 500 vítimas, pois mais de 400 pessoas não foram encontradas.

OUTROS PAÍSES
■30 de novembro de 2000 – Nigéria
Mais de 30 pessoas morreram na Nigéria em um incêndio provocado por um vazamento em um oleoduto em uma vila de pescadores próxima à cidade de Lagos - o maior centro comercial do país.
■19 de agosto de 2000 – Novo México - EUA
O oleoduto, que pertence à El Paso Energy Corp., explodiu formando uma enorme bola de fogo que atingiu 12 membros de duas famílias do Estado do Novo México que estavam acampando nas margens do rio Pecos. Entre os mortos estavam cinco crianças com menos de seis anos, incluindo dois gêmeos de 6 meses.
■10 de Julho de 2000 - Nigéria
A explosão de um oleoduto em uma localidade do sul da Nigéria provocou a morte de pelo menos 250 pessoas que estavam roubando gasolina.
■Março de 2000 - Nigéria
Pelo menos 50 pessoas morreram queimadas quando o petróleo que vazava de um oleoduto pegou fogo em Umuichiechi-Umingbede, pequena cidade na Nigéria. As vítimas estavam recolhendo o líquido em baldes quando houve o acidente. As autoridades ainda não determinaram as causas do início do fogo. Em 1998 mais de 700 pessoas morreram num incêndio de um oleoduto na Nigéria.
■Outubro de 1998 – Nigéria
Mais de mil pessoas morreram em outubro de 1998, muitas totalmente carbonizadas, quando as tubulações de onde roubavam gasolina na região de Jesse, sul da Nigéria, pegaram fogo.
■28 de setembro de 1993 – Terejias - Venezuela
Uma retroescavadeira, da Companhia  Telefônica, executava serviços de colocação de cabos de fibra óptica no local (rodovia Caracas)  e chocou-se contra a tubulação.
O acidente provocou um incêndio, cujas chamas chegaram a 50 m de altura.
Carros e ônibus que circulavam no local no momento do acidente, foram atingidos pelas chamas. Vítimas : 53 mortes e 60 feridos. Fontes: Cetesb, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo

Vídeo:
Uma nova análise de segurança de gasoduto e oleoduto  nos Estados Unidos revela um histórico preocupante de derramamentos, contaminação, ferimentos e mortes. 
Este vídeo  mostra no intervalo de tempo  incidentes em dutos  no período de 1986-2013, com dados públicos disponíveis a partir da agência Pipeline and Hazardous Materials Safety Administration (PHMSA), ligada ao Departamento dos Transportes, de atuação Federal, que fiscaliza as atividades de transportes e distribuição.
 Somente os incidentes classificados como " significativo" pela agência são mostrados no vídeo. Incidentes "significativos" incluem aquelas em que alguém foi hospitalizado ou morto, os danos totalizaram mais de US $ 50.000, mais de 5 barris de substâncias altamente voláteis ou 50 barris de outro líquido foram liberados, ou em que o líquido explodiu ou queimado.
De acordo com os dados, desde 1986, houve cerca de 8.000 incidentes ( quase 300 por ano , em média ), o que resultou em mais de 500 mortes (pontos vermelhos no vídeo ), mais de 2.300 feridos (pontos amarelos no vídeo ), e cerca de $ 7 bilhões em danos.

Desde 1986 os acidentes de dutos derramaram em média 76 mil barris por ano ou mais de 3 milhões de litros. Isto é equivalente a 200 barris por dia.

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posted by ACCA@7:43 AM

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