Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Segurança, Meio Ambiente, Riscos, Ciência e Tecnologia

sábado, outubro 24, 2026

PARANAENSE ATINGIDO POR RAIO NA CABEÇA DURANTE TRILHA NO EQUADOR


Um curitibano de 32 anos sobreviveu depois de ser atingido na cabeça por um raio enquanto subia o vulcão extinto El Corazón, no Equador. O caso aconteceu em 13 de outubro, na Cordilheira dos Andes, e o cume do vulcão tem quase 5 mil metros de altitude.

COMO FOI:

O montanhista, experiente, que prefere não ser identificado, fazia a trilha com um grupo de cerca de 20 pessoas. O tempo estava bom no começo, mas uma neblina se formou perto do fim, e o raio o atingiu no ponto mais alto da montanha. Outras duas pessoas do grupo também foram atingidas e se feriram.

 FERIMENTOS:

Ele teve os tímpanos perfurados e queimaduras de segundo e terceiro graus. O raio entrou pela cabeça, percorreu o corpo e chegou aos pés. A bota ficou parcialmente destruída.

EQUIPE DE SUPORTE ACIONOU SOCORRO E AJUDOU NA DESCIDA

"Eu estava com uma equipe preparada. Eles estavam com o rádio, com tudo, e pediram socorro muito rápido. Eles que me carregaram para descer, porque eu tive que caminhar um pouco. Eles me ajudaram na caminhada, trouxeram um cavalo para que eu pudesse, em uma parte, ir a cavalo. Quando eu cheguei, a ambulância já estava me esperando. Foi tudo bem coordenado", relembra.

O curitibano foi levado a um hospital particular do Equador, onde passou por acompanhamento por cardiologista, cirurgião plástico, otorrino e médico clínico geral. Ele teve queimaduras de 2º grau no tórax e em membros inferiores e de 3º grau nos pés.

Além disso, teve perfuração no tímpano em ambos os ouvidos e, na cabeça, ficou uma marca do raio.

No hospital equatoriano, depois que os rins e o coração dele estabilizaram, a equipe médica passou a controlar as queimaduras. Com a situação estável, o homem pôde retornar ao Brasil.

SITUAÇÃO ATUAL:

Depois de ser atendido num hospital particular no Equador, ele voltou a Curitiba e segue em tratamento no Hospital Evangélico Mackenzie.

Do aeroporto de Curitiba, ele foi levado direto ao Hospital Evangélico Mackenzie, referência no tratamento de queimados, onde está dando continuidade ao tratamento.

Segundo a equipe médica, ele está estável, com previsão de internação de 3 a 4 semanas, a depender da evolução do quadro clínico. Ele está lúcido, bem e conversando.

Fontes:  g1 PR e RPC - Curitiba-22/10/2026; g1 PR e RPC — Curitiba - 20/10/2026; @ZR

Comentário

O que acontece com o corpo

 A maioria das pessoas atingidas por raios sobrevive (cerca de 90%), mas as lesões podem ser sérias.

Coração e respiração:

A principal causa de morte é a parada cardíaca ou respiratória no momento do impacto. Quem sobrevive à primeira hora geralmente tem bom prognóstico, se for socorrido rápido.

Sistema nervoso:

Perda  de consciência, confusão, amnésia e paralisia temporária das pernas (a chamada ceraunoparalisia), que costuma passar em horas.

Pele:

Queimaduras  geralmente superficiais, às vezes com marcas em forma de ramificação (figuras de Lichtenberg), que somem em dias.

Ouvidos e olhos:

Zumbido, tímpano rompido, perda auditiva, visão turva e, mais tarde, catarata.

Músculos e ossos:

Dor intensa,  e fraturas ou luxações causadas pela contração muscular violenta ou pela onda de choque.

Sequelas

A longo prazo: dor crônica, problemas de memória e concentração, distúrbios do sono, irritabilidade e alterações de humor.

A maioria das vítimas não é atingida diretamente. Muitas sofrem com a corrente que se espalha pelo solo ou com descargas laterais vindas de árvores e rochas próximas.

Se alguém for atingido: chame o resgate (Bombeiros 193) e comece a massagem cardíaca se a pessoa não respirar. A vítima não retém carga elétrica, então é seguro tocá-la. Se houver várias vítimas, atenda primeiro as que parecem mortas, porque são as que mais se beneficiam de ressuscitação imediata.

COMO SE PROTEGER EM TRILHAS

Antes de sair

Confira a previsão. Em boa parte do Brasil, as tempestades de verão se formam à tarde, então saia cedo para estar de volta antes do meio-dia ou início da tarde.

Defina um horário-limite de retorno e respeite, mesmo sem chegar ao topo.

DURANTE A TRILHA

Se o céu escurecer, as nuvens crescerem verticalmente ou você ouvir trovão, comece a descer na hora. Não espere a chuva chegar.

Regra dos 30-30:

Se o trovão vier menos de 30 segundos depois do clarão, a tempestade está perto o bastante para ser perigosa. Só retome a caminhada 30 minutos depois do último trovão.

ONDE EVITAR

Cumes, cristas, campos abertos e árvores isoladas.

Água, cercas de metal, cabos de aço e vias ferratas.

Boca de cavernas e paredões rochosos rasos, onde a corrente pode saltar.

ONDE FICAR

O melhor abrigo é uma construção fechada ou um carro.

Sem isso, procure um trecho baixo e com vegetação densa, de árvores todas de altura parecida. Fique afastado dos troncos mais altos.

SE FOR PEGO SEM ABRIGO

Afaste-se uns 10 metros dos outros membros do grupo, para que nem todos sejam atingidos de uma vez.

Agache-se sobre a ponta dos pés, com os pés juntos, cabeça baixa e mãos nos joelhos, o mínimo possível em contato com o chão. Se tiver uma mochila ou isolante, apoie-se sobre ele. Não se deite no chão.

Afaste de você bastões de caminhada, mochilas com armação metálica e outros objetos de metal.

Barraca não protege de raio.

SINAIS DE ALERTA IMEDIATO:

Cabelo  arrepiado, formigamento na pele ou zumbido nos objetos de metal indicam que a descarga está prestes a acontecer. Agache imediatamente e se afaste do local.

Marcadores: ,

posted by ACCA@5:34 PM