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terça-feira, maio 02, 2017

Furacão Catarina- Primeiro furacão brasileiro

Em 26 de março de 2004, sexta-feira, meteorologistas do Climerh (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina) estão monitorando o ciclone extratropical que, girando no sentido horário, tem forte atividade de chuva e vento na área.. Sexta-feira à noite, ciclone estava a pouco mais de 400 quilômetros da costa catarinense, com tendência de deslocamento lento para a costa.

DADOS CRONOLÓGICOS DO MONITORAMENTO DO CICLONE EFETUADO PELA ESTAÇÃO DE CLIMATOLOGIA URBANA DE SÃO LEOPOLDO, RS.
 

SEXTA-FEIRA, 26 DE MARÇO DE 2004, 17 H 56 MIN
Um sistema de baixa pressão com características de ciclone tropical, o que torna difícil a sua classificação enquanto fenômeno, está atuando na costa do sul do Brasil. Trata-se de um sistema com características incomuns e que merece monitoramento constante nas próximas 48 horas.
Os modelos indicam e as imagens de satélite confirmam que o centro de instabilidade move-se para oeste, quando o normal seria o sistema afastar-se do continente numa trajetória leste. Além disso, o ciclone possui o seu núcleo extremamente bem definido, o que também é incomum nesta área do planeta.
Não bastasse, o sistema originou-se de uma baixa pressão sobre águas quentes em latitudes médias próximas aos trópicos, o que também não é um padrão que se observe comumente na costa atlântica da América do Sul. 

SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 2004 , 10 H
O ciclone tropical 1-T Alfa, foi classificado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos como um furacão categoria 1 na escala Safir Simpson (ventos entre 120 e 150 km/h), está localizado neste momento a aproximadamente 300 km a leste de Torres.


Foto: Waves/Terra - Porto Alegre, 28/03/2004 - Imagem de satélite mostra a aproximação do ciclone Catarina ao litoral Sul brasileiro. É a primeira vez que um fenômeno deste tipo é registrado na América do Sul.

O sistema apresenta um lento deslocamento para oeste/sudoeste e já provoca aumento de nebulosidade e chuva predominantemente fraca no leste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.Nas próximas horas se espera que a nebulosidade mais densa associada ao ciclone alcance o continente, trazendo chuva ocasionalmente forte a torrencial e trovoadas para o leste da Serra Gaúcha, litoral norte e região metropolitana.
A tendência é idêntica para o litoral de Santa Catarina. Adverte-se que em pontos localizados há o risco das precipitações serem excessivas, o que pode trazer alagamentos. O vento na área continental é ainda fraco no momento, mas deve se intensificar no decorrer das próximas 24 horas.

É na zona costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, especialmente nas regiões próximas da divisa dos dois estados, que o vento deve soprar mais forte. Para a faixa litorânea gaúcha e catarinense prevê-se vento com intensidade moderada a forte, com velocidade média de 40 a 70 km/h e rajadas mais fortes, principalmente a partir da tarde de hoje.
Embarcações em alto mar já constatam ondas elevadas e que devem afetar também as praias, onde pode se produzir também o fenômeno da elevação da maré. 

SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 2004, 15 H 23 MIN
O sistema segue apresentando um lento deslocamento para oeste/sudoeste e provoca aumento de nebulosidade e chuva no leste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Em alguns pontos estão sendo registradas pancadas fortes e rápidas de chuva devido ao desenvolvimento vertical de nuvens carregadas.
Dados analisados pela Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo confirmam que se trata de um sistema de baixa pressão com características de um ciclone tropical, apesar da sua natureza híbrida (ciclone tropical com ciclone extratropical).
O ciclone na costa brasileira é apenas o terceiro já observado no Atlântico Sul, porém confirmando-se a definição de um furacão pelo National Hurricane Center dos Estados Unidos e estaríamos diante do primeiro furacão já registrado pela ciência no Atlântico Sul.
Estimativas do NHC/NOAA da intensidade da tempestade usando imagens de satélite enquadram o 1-T Alfa como um furacão fraco de categoria 1 na Escala Safir Simpson (ventos em seu núcleo de 120 a 150 km/h). Entretanto, estimativas dos ventos máximos contínuos do satélite Quikscat colocam os ventos em apenas 56 km/h.
Deve ser ressaltado, contudo, que tal instrumento não consegue medir precisamente o vento na presença de chuva forte, logo a intensidade do vento deve na realidade ser mais forte junto ao centro da área de instabilidade. Informações do NOAA norte-americano processadas nas últimas 24 horas confirmam a evolução do sistema para oeste/sudoeste, em direção ao continente, além de sinalizarem a intensificação e o aumento das dimensões do ciclone.
Com o deslocamento mais para sudoeste do sistema, desde o começo da tarde as bandas ciclônicas ao redor do "olho" do ciclone começaram a atingir o continente, particularmente o extremo nordeste do Rio Grande do Sul e o sudeste de Santa Catarina.
As imagens de satélite e as projeções realizadas por computadores recebidas pela Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo indicam a possibilidade da área de instabilidade atingir o continente entre hoje à noite e o começo da tarde de domingo em algum ponto entre Quintão (Rio Grande do Sul) e Araranguá (Santa Catarina). A esta hora, a trajetória do sistema parece destiná-lo mesmo à área de divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, onde a instabilidade pode ser mais forte. 

SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 2004, 18 H 30 MIN
O ciclone tropical 1-T Alfa está localizado agora a cerca de 180 / 200 km a leste de Torres.
O sistema segue apresentando um lento deslocamento para oeste e provoca aumento de nebulosidade e chuva no leste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. As áreas de instabilidade concentram-se mais a esta hora sobre o estado catarinense, onde o sistema de detecção de descargas elétricas RINDAT acusa a queda de raios na região. Agora a pouco, o Centro de Meteorologia de Santa Catarina (Climerh) informava sobre vento de até 90 km/h no Cabo de Santa Marta, acompanhado de chuva forte e ondas no mar que atingiam até cinco metros.
Com o deslocamento mais para sudoeste do sistema, desde o começo da tarde as bandas ciclônicas ao redor do "olho" do ciclone começaram a atingir o continente, particularmente o extremo nordeste do Rio Grande do Sul e o sudeste de Santa Catarina. 
É na zona costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, especialmente nas regiões próximas da divisa dos dois estados, que o vento deve soprar mais forte. Para a faixa litorânea gaúcha e catarinense prevê-se vento com intensidade moderada a forte, com velocidade média de 40 a 90 km/h e rajadas mais fortes, principalmente na noite de hoje e próxima madrugada.

Foto – Satélite Terra - Furacão Catarina – posição em 26 de março de 2004
2005 

SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 2004, 21 H 25 MIN
O ciclone tropical 1-T Alfa, está localizado agora a apenas 50 km a nordeste de Torres. O sistema mudou de direção e, conforme a análise das últimas imagens de satélite, desloca-se agora para noroeste.
Ademais, as imagens revelam que o ciclone intensificou-se sobre águas mais quentes da corrente do Brasil e passou a avançar com maior rapidez. A esta hora é possível afirmar que é muito provável que o sistema toque terra (landfall) em algum ponto do litoral sul catarinense nas próximas 2 a 3 horas. Informações repassadas pelo Climerh à Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo dão conta de fortes ventos em alto mar associados ao ciclone que, como dito, já está muito próximo da costa.

Além disso, o acompanhamento por satélite revela a intensificação das áreas de mau tempo ao redor do núcleo, principalmente ao norte e nordeste do olho do sistema que se extremamente bem definido e amplo.

Com o deslocamento mais para sudoeste do sistema, desde o começo da tarde as bandas ciclônicas ao redor do "olho" do ciclone começaram a atingir o continente, particularmente o extremo nordeste do Rio Grande do Sul e o sudeste de Santa Catarina. 

DOMINGO-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 2004, 23 H 58 MIN
O presente boletim inclui informações importantes e de último momento sobre a intensidade e trajetória do ciclone que acaba de tocar‑terra na costa do sul do Brasil.
O ciclone tropical 1-T Alfa, classificado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos como um furacão categoria 1 na escala Safir Simpson (ventos entre 120 e 150 km/h), acaba de tocar terra (landfall) no extremo sul do litoral de Santa Catarina a poucos quilômetros da divisa estadual com o Rio Grande do Sul.

Pouco depois das 23:50, horário de Brasília, o olho do ciclone com fortes características de furacão já se posicionava sobre o continente e movia-se para oeste/noroeste. Internacionalmente, considera‑se que um ciclone toca terra (landfall) quando o seu olho se posiciona sobre terra firme, o que ocorreu há poucos minutos no sul de Santa Catarina.

Neste exato momento, existe um grande número de relatos sobre chuva intensa e fortes rajadas de vento afetando o litoral sul catarinense, particularmente na região entre Araranguá e Criciúma. Os ventos alcançariam até cem quilômetros por hora ou mais em alguns momentos, o que já teria provocado inclusive queda de árvores. Nesta área, o mar se encontra extremamente revolto com ondas de até cinco metros de altura.

Surgem também os primeiros informes de que o mar em algumas praias está avançando devido à maré elevada (storm,  surge). Seguem intensas as áreas de instabilidade ao redor do olho do ciclone, mostrando as imagens de satélite que bandas ciclônicas de nebulosidade muito ativas, originadas do movimento rotacional do sistema, avançam para o litoral norte do Rio Grande do Sul.

Em face desta circulação de nuvens muito carregadas próximas do olho do ciclone, cumpre advertir que é ainda elevado o risco de tempo severo na região nordeste do Rio Grande do Sul, já que o centro do ciclone está localizado a menos de cinqüenta quilômetros a nordeste de Torres.

A Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo prevê chuva forte a torrencial e trovoadas para o sul catarinense, leste da Serra Gaúcha e litoral norte nas próximas 6 a 12 horas. A instabilidade deve ser ainda maior no litoral sul catarinense que começa a ser atingido diretamente pelo olho do ciclone.

Adverte-se que em pontos localizados há o risco das precipitações serem excessivas, o que pode trazer alagamentos. Adverte-se igualmente para o risco de súbitas inundações (flash flooding) especialmente junto à Serra Geral no litoral norte gaúcho e o sudeste catarinense por força do levantamento do relevo.
As condições do tempo ao longo da BR 101 entre Osório e Florianópolis devem ser atentamente monitoradas nas próximas horas devido ao posicionamento geográfico (proximidade da Serra Geral e do litoral).

O vento no litoral sul de Santa Catarina deve soprar muito forte com rajadas intensas até mesmo acima dos 120 km/h na primeira metade da madrugada em face da presença do núcleo do ciclone sobre a costa. O vento deve ser igualmente forte no litoral norte do Rio Grande do Sul e leste da Serra Gaúcha na região dos Aparados.
Nas próximas horas, para a faixa litorânea gaúcha e catarinense prevê-se vento com intensidade moderada a forte, com velocidade média de 50 a 90 km/h e rajadas mais fortes, principalmente até a metade desta madrugada.

DOMINGO, 28 DE MARCO DE 2004, 2 H 45MIN (MADRUGADA)
O presente boletim inclui informações importantes e de último momento sobre estragos, a intensidade e trajetória do ciclone que acaba de tocar terra na costa do sul do Brasil.
Neste momento, o olho do ciclone com fortes características de furacão segue deslocando-se muito lentamente no sentido oeste/noroeste. São inúmeros os relatos recebidos das autoridades e moradores da região afetada sobre condições de tempo severo no litoral norte do Rio Grande do Sul e litoral sul catarinense.

Equipe da Coordenadoria de Defesa Civil Estadual do Rio Grande do Sul informa que em Torres o vento intenso das últimas três horas provocou inúmeros destelhamentos na cidade, além de falta de energia em alguns pontos do balneário. Em contato com o Centro de Meteorologia Catarinense (Climerh), com sede em Florianópolis, foi possível apurar que os danos são igualmente generalizados no litoral sul catarinense. Há relatos de queda de árvores, destelhamentos e prejuízos para a rede elétrica. Falta energia em diversas áreas de Sombrio e Araranguá.

Tanto o litoral sul catarinense com o extremo nordeste gaúcho estão enfrentando há pelo menos três horas chuva por vezes intensa e rajadas de vento com velocidade constante de 60 a 80 km/h com rajadas iguais ou superiores a 100 km/h em alguns momentos.

Conforme o Climerh, pontos localizados do sul catarinense registraram até 40 milímetros de chuva em apenas uma hora. Tanto na costa norte gaúcha como no sul de Santa Catarina o mar se encontra extremamente revolto com ondas de até cinco metros de altura. Em algumas praias está avançando devido à maré elevada (storm, surge) e já foi decretado estado de ressaca.

As condições do tempo ao longo da BR 101 entre Osório e Florianópolis devem ser atentamente monitoradas nas próximas horas devido ao posicionamento geográfico da rodovia (proximidade da Serra Geral e do litoral). 

DOMINGO, 28 DE MARÇO DE 2004, 10 H
Salvo mudanças significativas no quadro meteorológico, o presente boletim encerra a série sobre o monitoramento do violento ciclone tropical que atingiu o sul do Brasil nas últimas horas.

O ciclone tropical 1-T Alfa, atingiu com violência sem precedentes o extremo sul do litoral de Santa Catarina e o litoral norte do Rio Grande do Sul na noite de sábado e madrugada deste domingo.

O olho da tempestade ingressou no continente junto ao litoral sul catarinense e região de Torres por volta da meia noite, trazendo condições meteorológicas extremamente perigosas. As duas regiões foram afetadas por ventos com força de furacão categoria 1 e estimados entre 50 e 150 km/h.

Foram registradas chuvas torrenciais e excessivas com volumes superiores a 50 milímetros em curtos períodos. O balanço inicial do evento pelas autoridades e a imprensa indica a ocorrência de danos generalizados, alguns significativos, típicos da passagem de um furacão, no sul catarinense e nordeste do Rio Grande do Sul.

Dados analisados pela Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo confirmam que o fenômeno se trata de um sistema de baixa pressão com características de um ciclone tropical, apesar da sua natureza inicial híbrida (ciclone tropical com ciclone extratropical).

A caracterização definitiva deste fenômeno sem precedentes ainda carecerá de estudos complementares, porém a Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo está inclinada a acompanhar a classificação oferecida por agências internacionais de forma a caracterizar o sistema de fato como um furacão, especialmente diante do nível e a magnitude dos danos observados, o padrão sinótico do ciclone tropical e as características singulares apresentadas pelo sistema e que são por demais diferentes das apresentadas pelos ciclones extratropicais (comuns no sul do Brasil), como vem sendo chamado o sistema por parte da Meteorologia nacional.

Este ciclone tropical na costa brasileira foi apenas o terceiro já observado no Atlântico Sul, porém confirmando-se a definição de um furacão e estar-se-á diante do primeiro furacão já registrado pela ciência no Atlântico Sul.

Assim como ocorre com os furacões, o ciclone perdeu intensidade e desorganizou-se nas últimas horas ao avançar sobre terra firme no sul de Santa Catarina. A esta hora não é mais possível observar-se o olho da tempestade que ainda provoca chuva forte em pontos localizados e rajadas de vento moderadas a forte.

Adverte-se que ainda existe o risco de inundações, especialmente junto à Serra Geral no litoral norte gaúcho e o sudeste catarinense, considerando que já choveu forte nestas áreas e que as precipitações ainda devem ser ocasionalmente intensas nas próximas horas. Há a agravante de que choveu muito também nos Aparados da Serra e Planalto Sul Catarinense, o que indica que grande quantidade de água ainda deve descer dos morros em direção ao litoral.

Outro foco de preocupação segue sendo a BR 101 entre Osório e Florianópolis, já interrompida pela queda de cem árvores no trecho catarinense. O volume excessivo de chuva pode determinar alagamentos sobre a pista e o transbordamento de rios e córregos junto à rodovia, logo recomenda‑se constante monitoramento da rodovia.























O deslocamento muito lento do ciclone agravou a ocorrência de danos no nordeste gaúcho e sul de Santa Catarina. De acordo com a análise dos meteorologistas da Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo, a evolução mais vagarosa do sistema junto à costa fez com que ao mesmo tempo os ventos intensos e contínuos perdurassem por um número maior de horas e que as chuvas torrenciais se concentrassem e fossem mais duradouras sobre as áreas adjacentes ao ingresso do olho do ciclone no continente (faixa de Arroio do Sul a Araranguá).

Conforme a Rede de Climatologia de São Leopoldo, o ciclone na costa brasileira foi o terceiro já observado no Atlântico Sul. Porém, se confirmada a definição de um furacão, seria o primeiro já registrado pela ciência no Atlântico Sul.
  
BALANÇO DOS DANOS CAUSADOS PELO FURACÃO CATARINA

 SANTA CATARINA
O furacão raro que atingiu o sul de Santa Catarina e causou rajadas de vento de até 150 km/h, segundo informações da Defesa Civil dos Estados.
Com o forte vento e chuva, provocaram os  seguintes danos;
■ casas foram destelhadas,
■ houve alagamento e interdição de estrada,
■ árvores e postes foram derrubados e
■ o fornecimento de energia foi interrompido em algumas regiões.
As ondas do mar atingiram cinco metros de altura.

LEVANTAMENTO DOS PREJUÍZOS PRELIMINARES

Os órgãos públicos realizam um levantamento dos estragos e do número de desabrigados, atingidos pelo fenômeno.
DANOS MATERIAIS URBANOS

■Dos 40 municípios atingidos em uma faixa de 200 quilômetros do litoral sul de Santa Catarina, 20 foram severamente atingidas pelo furacão.
■ Em Santa Catarina, diversas casas foram destelhadas em Araranguá, Arroio Silva, Balneário Rincão, Criciúma, Içara, Sombrio, Maracajá e Passo de Torres.
■ Os prejuízos sobre a economia local dos municípios atingidos vão desde a restauração de todas as vidraças de um hospital em Araranguá e outra em Criciúma, todas quebradas pelos fortes ventos, até a recuperação de indústrias de cerâmica da região, que respondem por 25% a 35% da produção em valor e volume, no País.
■ Em Santa Catarina, cerca de 20 mil casas foram atingidas, sendo que 500 ficaram totalmente destruídas, prejudicando 70 mil pessoas em 21 municípios, informou o governo do Estado. Ficaram destruídas casas nas cidades de Maracajá, Balneário Gaivota e Arroio do Silva. Em Sombrio e Rincão, os postes de luz foram arrancados pela força dos ventos.


AGRICULTURA
A agricultura muito forte nos municípios atingidos, na faixa de 200 quilômetros do litoral catarinense, também foi atingida pelo furacão. 
Os rios não foram atingidos, garantindo abastecimento de água potável (não salinizada) à população.

EMERGÊNCIA
A cidade de Criciúma, município catarinense de 180 mil habitantes, a 200 quilômetros de Florianópolis e a 300 km de Porto Alegre (RS), foi um dos mais atingidos pelo furacão. Mais de 500 pessoas foram atendidas em dois hospitais e três pronto-socorros da cidade. Dos pacientes, cinco estão internados em estado grave.
Grande parte dos atendimentos fica por conta de ocorrências ligadas ao furacão, tais como;
■ ocorreram ataques cardíacos antecipados pela angústia causada pela situação,
■ acidentes de automóveis e motos, pelo nervosismo sobre o que poderia ocorrer,
■ e antecipação de partos.

FALTA ENERGIA EM MUNICÍPIOS DE SANTA CATARINA
Diversas cidades catarinenses, entre as quais Araranguá, Criciúma, Arroio do Silva, Tubarão, Laguna, Maracajá e Nova Veneza tiveram sérios problemas de abastecimento de energia elétrica em conseqüência do fenômeno climático, caracterizado como ciclone extratropical, por alguns técnicos, ou furacão, por outros -, que atingiu o Estado, segundo avaliação feita no final da manhã de domingo, pela Central de Atendimento das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).

REDE ELÉTRICA MAIS AFETADA;
■A regional da Celesc em Criciúma foi a mais demandada pela população, registrando 325 ocorrências de interrupção de energia elétrica, provocadas por quedas de árvores e destelhamentos que partiram cabos da rede elétrica, além de causarem avarias em caixas de distribuição.
■A estimativa é que 40 municípios foram atingidos pelo ciclone no Estado. A força do fenômeno foi tal que em São João do Sul e Balneário Gaivota todos os postes foram arrancados.
■Araranguá, Arroio do Silva, Balneário Rincão, Maracajá e Sombrio estão sem energia.
A empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina disse que a situação só deve se normalizar em 72 horas. Os sistemas de telefonia também foram atingidos.

PREJUÍZOS
Em Santa Catarina, foram registrados muitos estragos, especialmente ao longo da BR-101. De acordo com o balanço da Defesa Civil, 21 municípios do estado foram afetados pelos ventos fortes, 20 mil residências estão danificadas e 500 foram totalmente destruídas.
Apesar das ocorrências, ainda não se tem o número exato de desabrigados, porque muitas pessoas deixaram o litoral depois do alerta da Defesa Civil. Pelo menos 15 cidades continuavam sem luz, 7 sem serviço telefônico, e 9 sem água encanada até o final da tarde deste domingo.

VÍTIMAS
Uma árvore caiu sobre um veículo que trafegava na estrada e causou a morte de um homem. Outras duas pessoas que estavam no carro ficaram feridas.
Dos 34 feridos, vários têm lesões leves, mas existe uma pessoa em estado grave.

DESAPARECIDOS
Duas embarcações pesqueiras naufragaram e uma ficou a deriva durante a passagem do furacão  Catarina. A Marinha iniciou as buscas depois de ter interceptado um pedido de socorro, enviado pelos barcos à Rádio Farol Santa Marta. O Valio 2 estava com seis tripulantes e o Antônio Venâncio com sete.

INTERRUPÇÃO DE ESTRADA
O trecho da BR-101, que foi interditado na madrugada de domingo, devido à queda de árvores provocada pela passagem do ciclone Catarina na região, está liberado pela Polícia Rodoviária Federal.
Na região do Km 417, próximo ao município de Araranguá, até a divisa do estado de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, centenas de árvores tombaram com a força do vento que chegou a atingir 150 km/h impedindo o tráfego no local. O local foi liberado depois das 16h e chegou a provocar congestionamento de 30 km.


MADRUGADA DE TERROR, MANHÃ DE PREJUÍZOS
Sem energia, problemas na rede de telefonia e dificuldades de acesso deixaram os municípios do extremo sul-catarinense praticamente ilhados. Em um trajeto de 30 quilômetros que normalmente é realizado em média em 25 minutos, foram necessárias duas horas para chegar ao destino.
A visão da BR-101 durante o percurso era desoladora e dava idéia dos estragos causados. Veículos, casas, empresas e lojas destruídas eram o panorama próximo aos municípios do extremo-sul.
“Todos os bairros foram atingidos. O espelho da tragédia é a praça central”, afirmava o prefeito de Araranguá. No entanto, segundo o administrador municipal, não havia registros de desabrigados. “Muitas casas foram destelhadas e encaminhamos lonas para estes locais”, destacou.
O Coronel Aliatar, da Defesa Civil, afirmou que muitas vítimas não saíram de seus imóveis com medo de saques. Sem telefones, um QG foi montado pelas autoridades na sede da Secretaria Regional, que não estava com problemas nas linhas de comunicação. “Não dá tempo de colocar o telefone no gancho, que em seguida já toca novamente. São pessoas com casas destelhadas, outros com árvores sobre os imóveis”, relatou um bombeiro.
Em Arroio do Silva, igualmente ao município vizinho de Araranguá, moradores e comerciantes trabalhavam no retelhamento e limpeza das casas. Na beira mar, as ondas chegaram a 4 metros no momento mais crítico do fenômeno que atingiu o Sul. (relato de uma equipe de jornalistas do Jornal da Manhã de Criciúma que percorreu a região)

CAOS NO TRECHO-SUL DA BR-101
Contrariando as previsões céticas dos informativos nacionais, o furacão Catarina causou grande destruição. Ao longo da BR-101 provocou transtornos que não foram maiores graças ao aviso prévio dos climatologistas do Estado de Santa Catarina e providências tomadas pelas autoridades competentes.
No entanto, aqueles que insistiram ou que foram obrigados a enfrentar a rodovia da morte permaneceram horas nos congestionamentos, tiveram que ter paciência com o fluxo lento e cuidados com as mais de 150 árvores e centenas de galhos que caíram às margens do Km 300 e 458, compreendidos entre os municípios de Imbituba e Sombrio.

“Após ficar quase oito horas interditada em vários pontos e causar mais de 30 quilômetros de engarrafamento, às 15h30min (domingo) o trânsito foi liberado nos dois sentidos em Araranguá”, afirma o policial rodoviário da Central de Operações da Polícia Rodoviária Federal em Florianópolis, Júlio César Matte.

Segundo o patrulheiro, as intervenções se deram em função da grande quantidade de árvores e galhos arrancados com a força dos ventos, que conforme ele atingiram 150 km/h, e caíram sobre a pista.”
 Os pontos mas críticos foram registrados entre os municípios de Sombrio e Criciúma. Para amenizar os transtornos causados pelas derrubadas, o Exército, patrulheiros rodoviários estaduais e federias, além de policiais militares, munidos de machados e motosserras, cortaram os destroços que caíram nas margens, além de limparem as pistas.

 DADOS PRELIMINARES DA DEFESA CIVIL DE SANTA CATARINA

Cidades atingidas
23
Residências danificadas
20 mil
Residências destruídas
500
Morto
01
Ferido grave
01
Ferido leve
74
Desaparecidos
11
Estabelecimentos comerciais danificados
286
Estabelecimentos comerciais destruídos
30
Instalações públicas danificadas
64
Instalações públicas destruídas
02
Municípios sem água
09
Municípios sem energia
14
Municípios sem comunicação
07
Municípios com transporte prejudicado
03
  
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

No Rio Grande do Sul, mais de 430 casas foram destelhadas em seis cidades.
■Torres foi a mais atingida (300 casas e 150 desabrigados).
■Rondinha, os telhados de 30 casas ficaram parcialmente destruídos.
■Paraíso, mais 90 casas destelhadas 
■Dom Pedro de Alcântara, cinco casas destelhadas 
■Curumim, 3 casas  destelhadas 
■Arroio do Sal, 3 casas destelhadas 
 
ABRIGO
Desabrigados estão sendo alojados em escolas, igrejas e prédios públicos. O prefeito de Torres, decretou situação de emergência no município.

SEM ENERGIA ELÉTRICA
Estão sem energia elétrica as localidades gaúchas de Torres, Mampituba, Dom Pedro de Alcântara e Morrinhos do Sul. Com energia parcial encontram-se os municípios de Três Forquilhas e Itati.
O fornecimento de energia foi interrompido em algumas regiões.

VÍTIMAS
Cinco pessoas ficaram levemente feridas.
Em Torres (RS), um homem de 61 anos foi encontrado morto por volta das 2h da madrugada, a 50 metros de sua casa. Segundo a Defesa Civil do RS, não há ainda informação precisa sobre a causa da morte. Suspeita-se de ataque cardíaco ou morte súbita durante a passagem do ciclone.
Em Torres cinco pessoas tiveram ferimentos leves e foram atendidas no Hospital N.Sa. Navegantes, e logo liberadas. 

TORRES DECRETA ESTADO DE EMERGÊNCIA
Já na sexta-feira 26 de março, a mídia anunciava a chegada de uma forte tempestade, ainda sem definição exata de ciclone ou furacão. O evento é desconhecido no Brasil e, portanto,  população e autoridades foram pegas de surpresa. Muitos não acreditavam ser verdade os ventos anunciados com velocidade de até 150 km/h. Pois durante a madrugada o vento passou arrasando tudo que encontrava pela frente.

Fios e postes, árvores com mais de 15 metros de altura, casas, telhados inteiros... tudo no chão. Vidraças de prédios inteiros vieram parar no meio da rua.

O prefeito de Torres, decretou situação de emergência no município, em conseqüência dos prejuízos causados pelo ciclone que atingiu a região durante a madrugada. O município fica no litoral norte do Rio Grande do Sul e faz divisa com Santa Catarina.

Na tarde deste domingo, 400 famílias que tiveram suas casas destruídas ou semidestruídas se cadastraram na Prefeitura para receber ajuda. A Defesa Civil e a Prefeitura, com auxílio do Governo estadual, já providenciaram comida, colchões e cobertores para os mais de 300 desabrigados que estão alojadas em uma escola pública do município.
O balneário, que tem uma população fixa de 35 mil pessoas e no verão chega a receber mais de 500 mil turistas, está sem luz e com problemas na rede de telefonia.  

PREJUÍZOS NA AGRICULTURA

AGRICULTURA - RIO GRANDE DO SUL
As lavouras de arroz e os pomares de banana foram às culturas mais afetadas pelo ciclone extratropical . O fenômeno chegou à região com ventos de até 150 km/h. Segundo levantamento da Emater, datados de 02 de abril, as perdas totais na atividade agrícola alcançaram o valor de R$ 16 milhões.

O levantamento da Emater/RS aponta que;
■ em Dom Pedro de Alcântara as perdas nos 650 hectares com a fruta oscilaram entre 80% e 90%. Em Três Cachoeiras, dos 2,6 mil hectares cultivados com banana, os danos alcançam cerca de 10%. Em Torres, 90% dos 167 hectares cultivados foram perdidos.
■ A interrupção das linhas telefônicas causada pela ação dos ventos impediu que os técnicos contabilizassem os prejuízos com a fruta em municípios como Morrinhos do Sul, onde a área plantada ocupa 2,5 mil hectares. Informações indicam que também ocorreram perdas em Terra de Areia, onde o plantio ocupa 240 hectares, e Três Forquilhas, com área de 450 hectares.
■Na lavoura de arroz os prejuízos também são significativos. Em Torres, ainda não é possível contabilizar a perda, que pode alcançar 40% da área plantada de 1,5 mil hectares.
■As cooperativas também constatam prejuízos, ainda não quantificados. O destelhamento dos silos ajuda a ampliar o quadro de perdas de grãos da produção da safra passada.
A Emater ainda está verificando os danos causados na agricultura dos municípios de Maquiné, Itati, Três Forquilhas e Osório. Com relação à banana, os técnicos lembram que, por ser cultura perene, que rebenta e desfolha, a recuperação levará 14 meses, o que significa a entrada no ciclo novo da colheita. Nos 11 municípios do Litoral Norte onde a banana é cultivada, o perfil produtivo aponta a existência de 3.012 fruticultores. Os pomares ocupam 11.320 hectares, e a produção esperada para esta safra era de 118.100 toneladas. 

AGRICULTURA NO SUL DE SANTA CATARINA
De acordo com os dados apresentados pela Epagri deixou um prejuízo superior a R$ 100 milhões.

Os rastros são visíveis em toda região do Morro Estevão;
■Onde os bananais aparecem derrubados ou quebrados. As perdas chegam a 52% da produção, totalizando um prejuízo de R$ 4,8 milhões.
■Em seguida vem o feijão, com 33% e arroz com 14%.
■Mas foi a lavoura de milho a mais atingida, com quebra de 56% da safra.
■Ao todo foram mais de R$ 18 milhões em perdas reais.

Na região do Vale do Araranguá os números também assustam e ultrapassam os R$ 83 milhões de prejuízo. Deste valor, R$ 68 milhões foram prejuízos diretos com as lavouras;
■A safra de milho está 90% perdida nos campos.
■A produção de mel foi afetada, já que o furacão derrubou a floração de eucalipto, principal alimento das abelhas.
■O arroz acusou perdas de 18%, a mandioca, 37% e o maracujá, 66%.
■O feijão e a banana alcançaram 70%, preocupando os agricultores.
Os outros R$ 15 milhões são resultado de destruição em aviários, estufas e depósitos. 
 perdas registradas na agricultura
R$ 100 milhões  - US$ 34,60    milhões
casas parcialmente destruídas
R$ 340 milhões  - US$ 117,65  milhões
casas totalmente destruídas
R$ 150 milhões  - US$ 51,90    milhões
indústrias atingidas, 300 indústrias
R$ 150 milhões  - US$ 51,90    milhões
maquinários industriais e utensílios domésticos danificados
R$ 170 milhões  - US$ 58,82    milhões
ICMS não recolhido
R$ 90 milhões    - US$ 31,13     milhões

SEGURO
As principais seguradoras do Brasil desembolsaram cerca de R$ 10 milhões (US$ 3,46 milhões) às vítimas do ciclone Catarina.Foram mais de 1,67 mil pedidos de indenizações.

VÍTIMAS
Em terra: 01 morto em Santa Catarina; 01 morto no Rio Grande do Sul
No mar: 03 pescadores resgatados, 02 mortos , 7 desaparecidos
 
Balanço Final de Danos em Santa Catarina
  Danos Humanos
                         Danos materiais



Danificados
Destruídos
Desalojados
21.582
Residências
34.036
955
Desabrigados
2.285
Comércios
2.217
462
Deslocados
2.556
Públicos
151
03
Feridos
305



Mortes
1



População da região 408.600  - Domicílios  da região : 155.179

DESALOJADO: Pessoa que foi obrigada a abandonar temporária ou definitivamente sua habitação, em função de evacuações preventivas, destruição ou avaria grave, decorrentes do desastre, e que, não necessariamente, necessita de abrigo público.Os desalojados estão ou em casa de parentes ou já voltaram para suas casas, que estão danificadas.

DESABRIGADO:  É quem está em abrigo sob gestão pública. .

DESLOCADO:Pessoa que, por motivo de desastre é obrigado a migrar da região que habita para outra que lhe seja mais propícia.

RIO GRANDE DO SUL

DANOS MATERIAIS

Em Torres, segundo levantamento final realizado pela Subchefia de Defesa Civil da Casa Militar, cerca de
■4.500 residências urbanas foram danificadas pela passagem do ciclone Catarina,
■16 escolas públicas,
■150 estabelecimentos comerciais e 20 estabelecimentos industriais.
Segundo informações prestadas pela Subchefia de Defesa Civil da Casa Militar do Governo do Estado, a passagem do ciclone Catarina afetou 31.500 pessoas em Torres, 2.478 pessoas em Dom Pedro de Alcântara e 1.988 pessoas em Mampituba.
Prejuízos : R$ 3,8 milhões .(US$ 1,31 milhões) 

AGRICULTURA
Segundo levantamento da Emater, datados de 02 de abril,  as perdas totais na atividade agrícola alcançaram o valor de:  R$ 16 milhões (US$ 5,54 milhões)
  
SITUAÇÃO DOS MUNICÍPIOS APÓS 60 DIAS DA PASSAGEM DO FURACÃO CATARINA
Passados 60 dias, as marcas do furacão Catarina continuam presentes no Sul do Estado. Em praticamente todos os municípios atingidos pelo furacão ainda há muito trabalho para ser feito. Dezenas de casas continuam destelhadas e as famílias seguem aguardando a chegada de auxilio para conseguirem fazer a vida retomar ao ritmo normal.

PASSO DE TORRES
Na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a ajuda que chegou ainda não foi suficiente e várias casas seguem cobertas apenas com pedaços de lonas.
  
REGIÃO DE ARARANGUÁ
No Vale do Araranguá, região mais atingida pelo vento, diversas casas continuam destelhadas e em muitas cidades as aulas ainda não voltaram ao normal, já que as escolas também foram bastante afetadas pelo fenômeno.
De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Regional do Vale do Araranguá, a expectativa é de que a secretaria receba ainda mais recursos para atender as cidades atingidas pelo Catarina. O secretário deve solicitar mais 100 mil telhas para a região.
  
MUNICÍPIO DE ERMO
O prefeito acredita que serão necessários dois meses de trabalho intenso para deixar "a casa em ordem". "Os estragos ainda são vistos por toda a cidade. Temos também prédios públicos e uma ponte que vai nos custar R$ 150 mil para recuperar", explica o prefeito, que aguarda a chegada de recursos dos governos federal e estadual.
Segundo o prefeito, muitas casas ainda estão cobertas apenas com lonas e 20% dos alunos da rede municipal continuam sem aula. "Não deu tempo para consertar tudo", admite. Outra preocupação é com os agricultores que foram os mais atingidos e agora precisam de apoio para preparar a nova safra. "Estamos buscando linhas de crédito, tentando prorrogar os financiamentos, pois se não fizermos isso eles vão ter muita dificuldades para se reerguer".
  
BALNEÁRIO GAIVOTA
Percorrendo a beira-mar do município de Balneário Gaivota, a impressão que se tem é que o furacão atingiu a cidade ontem, tamanho o rastro de destruição. Casas ainda completamente destelhadas demonstram a dificuldade que a população está tendo na reconstrução.
  
SÃO JOÃO DO SUL
Em São João do Sul, a Prefeitura também não conseguiu recuperar os prejuízos. A estimativa é de pelo menos mais 30 dias de trabalho intenso, isso se os recursos chegarem.
Um levantamento prévio feito pela Secretaria de Obras constatou a necessidade de 20 mil telhas para reconstruir todas as casas atingidas. Cerca de 300 estufas de fumo foram destruídas. Os maiores prejuízos foram nas lavouras, que ficaram danificadas. Prejuízo de 80% na lavoura de milho e 100% nas de frutas. 

 METEOROLOGIA DIZ QUE SUBESTIMOU CICLONE
O diretor do Inmet (Instituto de Meteorologia), Antonio Divino Moura, disse que os técnicos do seu instituto subestimaram a velocidade com que os ventos atingiriam parte do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. "Pode-se chamar de imprecisão, de erro, a previsão de intensidade dos ventos", afirmou.
Ao chegar ao litoral brasileiro, em alguns pontos, as rajadas atingiram velocidades de até 150 quilômetros por hora. O Inmet trabalhava com a possibilidade de os ventos soprarem, no máximo, entre 80 e 100 quilômetros por hora.
Foram atingidos 40 municípios entre Laguna (SC) e Torres (RS), em uma extensão de 200 quilômetros. 

FALTA DE EQUIPAMENTOS DE MONITORAMENTO
Na avaliação de Moura, o órgão poderia ter previsto com maior precisão a intensidade dos ventos, se contasse com bóias meteorológicas na região do Atlântico em que se formou o ciclone Catarina. Queixou-se da falta de recursos.
"Nos ajudaria na medida do vento", disse o diretor, ao comentar que o Inmet planeja adquirir o equipamento, mas ainda não conta com verba para a compra das bóias. "Gostaríamos de ter algumas bóias nessa região."

Sem esse instrumento meteorológico, o Inmet recorreu a estimativas baseadas nas fotos de satélites dos EUA. Segundo o diretor, ao ir de encontro à serra gaúcha, os ventos se aceleraram.
Moura disse, no entanto, que o Inmet alertou a Defesa Civil sobre o deslocamento de um ciclone para a costa sul do país. "A trajetória foi prevista corretamente", disse ele. Segundo ele, o alerta dado às autoridades dizia que o fenômeno "seria extremamente intenso".

No sábado, segundo nota divulgada pelo Inmet, "as imagens de satélite indicavam que as nuvens do ciclone estavam perdendo força e que os ventos no mar indicavam velocidades moderadas de aproximadamente 60 quilômetros por hora". Moura afirma que mesmo assim o alerta foi mantido e que foi feito a ressalva de que os ventos poderiam se acelerar ao atingir a região costeira. 

CONTROVÉRSIA: FURACÃO X CICLONE EXTRATROPICAL
No comunicado do Inmet, o fenômeno foi classificado de ciclone. Segundo a nota, um furacão é formado em águas quentes (temperatura maior que 27º C). O Catarina surgiu em águas frias. "O processo de formação do furacão é diferente do ciclone observado", diz o comunicado.
Os técnicos do Inmet, no entanto, afirmam que, depois de sua formação, o ciclone perdeu o seu núcleo frio e adquiriu características de um furacão. Concluem a parte explicativa da nota, afirmando que trata-se um "sistema de característica híbridas, que deverá ser analisado com maior profundidade". 

FURACÃO DENUNCIA FRAGILIDADE DAS PREVISÕES
A passagem do furacão que arrasou o litoral Sul de Santa Catarina será um divisor de águas para a meteorologia brasileira. Especialistas apontam que o fenômeno irá chamar a atenção das autoridades brasileiras para investimentos na área e incentivo à pesquisa deste tipo de manifestação climática. A principal reivindicação, que começará a ganhar força pós-furacão, é a implantação de um radar meteorológico no Estado, equipamento que já existe no Rio Grande do Sul e no Paraná. "É preciso vários equipamentos e uma rede complexa de radares e estações em alto-mar para não sermos mais surpreendidos", entende o meteorologista da Universidade da Região de Blumenau (Furb), Helio dos Santos Silva.
  
DEPOIMENTOS DE PESSOAS QUE PRESENCIARAM O FURACÃO
■ Pânico, medo e impotência na BR-101. Pânico, medo e impotência são as palavras que mais se aproximam na tentativa de expressar os momentos de quem estava no trecho entre Araranguá e Maracajá, da rodovia BR-101, entre às 00:45 h e 02:00 horas da madrugada de sábado pra domingo. São nestes momentos que se percebe que nada pode ser feito contra a força da natureza em desequilíbrio.

Ao voltar da festa de formatura do meu cunhado em Criciúma, apesar dos avisos amplamente divulgados, fui surpreendido com a tempestade ao entrar na rodovia federal, quando já havia uma enorme quantidade de folhas e galhos de árvores na pista. Ao passar em frente ao parque do Maracajá, já se percebia árvores caídas na pista, mas na ânsia de chegar em casa, continuei em frente até passar pela curva do ‘’S’’, quando repentinamente uma enorme árvore caiu na pista, não dando tempo de desviá-la, conseqüentemente, entrei ou bati na mesma. Rapidamente engatei ré, não sei como consegui tirar o carro, apesar de sair sem os limpadores do pára-brisa e da sinaleira dianteira e o espelho do motorista pendurado, tudo isto ao altíssimo som do vento, da intensa chuva, num cenário de escuridão total (confesso que ao vivo, é muito pior que nos filmes).

Mesmo assim continuei em direção a Araranguá, quando me deparei com uma carreta atravessada na pista, que estava tentando desviar de uma enorme árvore. Em determinado momento o motorista saiu da carreta e alguns minutos depois, retornou gritando que era para eu voltar, porque não havia mais condições de continuar, que tentaria manobrar para voltar. Ao voltar, como não havia mais limpador do pára-brisa, tive que dirigir com a cabeça para fora do carro, pegando muito vento e chuva, além de desviar dos empecilhos na pista. Procurei não estacionar nos postos de combustíveis por causa do perigo que proporcionam nestas situações, mas após algum tempo acabou a bateria do celular, então procurei um posto pra telefonar pra família e estacionei no posto de gasolina Mazzuco, porque era o único com geração própria de energia.

Por volta das 02:45 horas, apareceu o Pelotão da Polícia Ambiental procurando óleo para a abastecer a moto serra, com a intenção de tentar a desobstrução da pista. Quando tudo estava aparentemente sob controle, o vento mudou de direção, de sul passou para nordeste e, foi quando o telhado do posto começou a desabar, mais uma vez tive que procurar outro local seguro. Só consegui chegar em casa, às 11:00 horas da manhã de domingo, felizmente, só com os estragos no carro, mas os estragos que me preocupam são os sofridos pelas famílias desabrigadas.

Registro a bravura dos Policiais da Ambiental que corajosamente enfrentaram a tempestade. Que entre as 00:45 h e 09:00 horas os caminhoneiros reclamavam da ausência da Polícia Rodoviária. O engarrafamento ultrapassou os 30 km de extensão. Acho que a Defesa Civil precisa repensar suas estratégias de prevenção e apoio às comunidades afetadas por sinistros como este, que infelizmente, passarão a ocorrer com mais intensidade.. Tadeu Santos - Araranguá/SC, 28/03/04 

■ Moro em Torres (RS), e passei por esta experiência e digo a vocês que a sensação de impotência perante a grandeza do evento combinado com a escuridão é realmente uma coisa inesquecível, quando o dia amanheceu me dei conta por o que tínhamos passado, tamanha era destruição em minha volta, sai a rua a procura de um telefone público pois celulares não estavam funcionando e caiu parte da sacadas do 8o  andar do prédio em cima dos fios, para contatar os meus parentes e saber como estavam, vi cenas que jamais esquecerei, pessoas correndo sem direção e pasmem um pedaço de uma piscina que voou do 14º de um prédio. no prédio que fica em frente ao meu o vento arrancou a porta da garagem e esta era de alumínio rebitado.

Eucalipto de 20 metros de altura foram quebrados como se fora palitos de dente, e um dos fatos que me chamaram muita atenção foi que as arvores da av. beira mar que não foram arrancadas estavam como se tivessem passado por um jato de areia ou seja descascadas. Foram momentos terríveis, mas devemos aprender com o acontecido e tentar saber o porquê. Cesar dos Santos ( 22/04/2004 )

■ Vivenciei as horas de tensão sob a ação do "fenômeno" (ainda se discute se foi furacão ou ciclone). Aqui no extremo sul do litoral de Santa Catarina, em Passo de Torres, as rajadas de vento e chuva mais fortes iniciaram por volta de 0h:40min (madrugada de domingo 28/03/2004) e só começaram a atenuar sua ação pelas 3h:30min. Horas que pareceram dias. Tive lá meus prejuízos materiais, bem menores do que a maioria das famílias daqui que ainda estão alojadas em abrigos improvisados pela prefeitura e comunidade local.

Acompanhei a discussão pela TV, e um detalhe me chamou a atenção. Meteorologistas diziam que se o núcleo fosse quente ou frio então saberiam qualificar o fenômeno. Naquela madrugada, durante a sua passagem, o que se sentíamos era calor. Mesmo quando saía do quarto para buscar outra vela, sentindo no breu a chuva e o vento que entravam nas outras peças da casa, não sentia frio. Sei que existem equipamentos que medem e identificam estas características. Mas queria deixar a nossa impressão. Admar A. Godoy ( 06/04/2004 )

■ Mais de 48 horas sem dormir atendendo a telefones de familiares e chamados das embarcações pesqueiras pelo rádio. Assim foi o final de semana das mulheres da Rádio Costeira de Navegantes, durante a passagem do ciclone Catarina. Bernadete Felício e Rosangela Rabito se revezam no rádio para passar informações sobre a previsão do tempo e a situação das embarcações. Na sexta-feira à noite, o mestre do barco Marlene Gregório 1 fez um relato emocionante pelo rádio. "Ele contou que no final da tarde viu uma massa de nuvem negra se formando em círculo e ela começou a girar cada vez mais forte. Quando ele viu, o barco estava cheio de água e rodava sobre o mar. De repente o vento começou a acalmar e ele sentiu o barco bater na água", contou Bernardete. O Marlene Gregório 1 estava a cerca de 370,2 quilômetros da costa. "O furacão passou por ele em alto mar e seguiu em direção à costa. Foi um relato emocionante. Chorei ouvindo ele se despedir pelo rádio dos companheiros, pois chegou a pensar que o barco iria afundar", revelou. (depoimentos retirados do site Apolo)
     
 Mapa dos Municípios atingidos pelo furacão “Catarina” 

Fontes: Pesquisa realizada no período de 26 de Março de 2004 a 18 de abril de 2004, nos seguintes jornais;
A Noticia – Joinville - Santa Catarina – Brasil; Gazeta Mercantil – São Paulo; Jornal da Praia – Sombrio/SC; Terra Noticias – São Paulo; Defesa Civil – SC ; Folha de São Paulo - São Paulo; Jornal da Manhã – Criciúma; O Estado de São Paulo – Ciência e Meio Ambiente; Jornal da Cidade –Torres/RS; Folha Online - São Paulo; Tribuna do Dia – Criciúma/SC; Notisul – SC; Jornal do Commercio – RS; Gazeta do Povo – Paraná; CNN News – USA; BrazilPost – USA; Fire Engineering e-Newsletter – USA, @ZR.

Comentário:
O furacão Catarina foi considerado pelos meteorologistas , como furacão de categoria I, de acordo com a escala Saffir-Simpson. A escala descreve os seguintes danos;

CATEGORIA 1
Causa poucos danos, com ventos de 118 a 152 km/h e pressão barométrica mínima igual ou superior a 980 milibares. Não causa danos a estruturas de construções. Pode arrastar trailers, arbustos e árvores. Também pode causar pequenas inundações em vias costeiras e pequenos danos em marinas.
Pela descrição o furacão de categoria I, afeta apenas o ambiente (árvores, inundação, etc).
Mas pelas informações dos jornais, fotos e pessoas que presenciaram o fenômeno, foram arrancadas estruturas de telhados, milhares de casas destruídas , etc.
Neste caso, pela escala, os ventos de rajada poderiam ter ultrapassado a  152 km/h, pelos danos apresentados, tais como; centenas de arvores foram arrancadas na BR-101, centenas de postes da Celesc, foram derrubados,  destruição total de edificações e danos parciais (destruição de telhados, portas, janelas, etc).  De acordo com esta descrição, o furacão poderia ter assumido a categoria II,  com ventos de rajada.

CATEGORIA 2
Causa danos moderados, com ventos de 153 a 178 km/h. Pressão barométrica mínima de 965 a 979 milibares.
Provoca danos consideráveis em árvores, arbustos, trailers, letreiros e anúncios. Pode destruir parcialmente telhados, portas e janelas e causa poucos danos em construções. Ruas e estradas próximas à costa podem ser inundadas. As marinas ficam inundadas.e é obrigatória a retirada dos moradores das áreas costeiras.

A estimativa dos prejuízos avaliados (R$ 1 Bilhão) equivale a 1,47% do PIB de Santa Catarina.
Os prejuízos da agricultura estimados em (R$ 100 milhões) equivale a 2% do PIB do valor bruto da produção da agricultura de Santa Catarina.
Poderíamos estimar que os prejuízos do furacão Catarina estariam numa faixa  de US$ 346 milhões (prejuízo estimado pela Defesa Civil de SC, na época) a US$ 420 milhões, incluindo danos materiais, agricultura e perda econômica (desemprego, lucros cessantes da população afetada, etc).  

FALTA DE REGISTRO HISTÓRICO NO PAÍS SOBRE FENÔMENOS DA NATUREZA
No Estados Unidos existem bancos de dados, cuja responsabilidade é de uma agencia federal. Também, existem diversas entidades particulares que analisam e processam as informações de acordo com esses bancos de dados. As informações são detalhadas por estados, freqüência dos acidentes, horários, etc, ocasionados por fatores climáticos, que são  agrupados em um banco de dados denominados “Storm” (raio, tornado, inundação ,  furacão).

No Brasil não temos esse tipo de banco de dados  e como conseqüências não analisamos  os custos sociais e econômicos  causados por fenômenos da natureza, os quais podem atingir custos extremamente elevados (interrupção de energia elétrica por queda de raio, incêndio, explosão, queda de torres de transmissão provocada por vendaval, inundação, tornado, furacão, etc) .

Isto deveria alertar as autoridades, pelo volume de recursos que às vezes é desperdiçado por falta de informações (prevenção) dos acidentes e investimentos em coleta de dados.

Por exemplo, no caso do furacão Catarina, quais seriam os fatores de riscos envolvidos ?
■Perda de receita financeira do município, da população afetada, comércio, indústria  e agricultura
■Paralisação ou interrupção da infraestrutura da cidade (luz, água, comunicação, ruas, estradas, etc)
■Paralisação de fábricas, que poderá atingir valores elevados, cujo produto agrega outros insumos. (há perda na cadeia produtiva).
■Agricultura,  perdas nas lavouras , infra-estrutura e construções rurais. A perda de produção na agricultura é grave, pois o agricultor depende da  produção para saldar dívidas
■Comércio, consumidores, etc.
■Recuperação ou reconstrução de prédios da rede pública, principalmente escolas, hospitais e centros de saúde
■Recuperação ou reconstrução de edificações particulares (moradores) , comerciais e industriais

É necessário que o País tenha uma agência federal de desastres naturais, que congrega os institutos ou centro de pesquisas ligadas às universidades, que fazem pesquisas nas áreas  de climatologia e fenômenos naturais, com intuito de gerenciar as informações sobre catástrofes naturais e assim oferecendo a sociedade às informações das áreas propensas a riscos ou acidentes naturais.

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posted by ACCA@3:00 PM