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quarta-feira, fevereiro 01, 2017

A gestão das operações de rescaldo



O correto gerenciamento das operações de rescaldo é um componente crítico das atividades do Comandante de Incidente (CI).

À medida que a operação passa de um estágio de emergência para a fase de não emergência, o CI deve enfatizar a necessidade de uma ação cuidadosa e pensada. A correria para terminar o rescaldo pode resultar em lesões que poderiam ser evitadas, sendo portanto essencial que as medidas de segurança, inclusive o uso de equipamentos de proteção individual, sejam respeitadas durante o rescaldo e as operações de recuperação de salvados.

Não deve ser permitido que os bombeiros retirem parte da roupa durante o rescaldo porque muitos riscos, como fumaça, vidros quebrados, pregos no chão e objetos metálicos cortantes podem ainda existir. O equipamento pode proteger o bombeiro contra esses riscos.
Antes de iniciar as operações de rescaldo, os bombeiros devem eliminar ou reduzir ou riscos térmicos ou de inalação. Muitos corpos de bombeiros têm instrumentos que medem níveis de monóxido de carbono e oxigênio, mas estes não são os únicos riscos de inalação. Os componentes danificados da edificação podem liberar amianto, PCB, e outros contaminantes aéreos.

A maioria dos incêndios residenciais não dura muito, e por isso as operações formais de reabilitação não são sempre feitas. A reabilitação informal, que sinaliza a passagem de uma fase de emergência para uma não emergencial, deve ser feita somente quando a maior parte do incêndio tiver sido debelado, e a edificação tiver sido completamente ventilada. Essa reabilitação informal dá aos bombeiros uma oportunidade para se re-hidratar e descansar, e dá ao CI, ao oficial de segurança e a outros do comando, uma oportunidade de analisar as áreas danificadas e estabelecer um plano de rescaldo.

Durante incidentes maiores, ou sob condições meteorológicas extremas, as operações de rescaldo formais são necessárias. O CI deve permitir uma reabilitação informal mais longa do pessoal que atuou no combate antes de iniciar a operação de rescaldo, e talvez seja melhor usar pessoal que não esteve envolvido no combate ativo.

Quando a edificação for gravemente danificada, o rescaldo deve ser retardado até o nascer o dia ou até que engenheiros estruturais avaliem adequadamente a edificação. Se o CI ordenou um ataque ofensivo devido a preocupações com a integridade estrutural da edificação, os bombeiros devem ter muito cuidado antes de entrar novamente na edificação, particularmente quando está escuro.

Sistemas de imagens térmicas podem ser úteis durante as operações de rescaldo, porque a tecnologia permite aos bombeiros verificar áreas encobertas sem ser necessário abrir paredes, tetos e pisos. Entretanto, o equipamento não é sempre eficiente para identificar pontos quentes escondidos. Se as imagens térmicas se mostrarem inconclusivas, a remoção de paredes, tetos e pisos pode ser necessária para a extinção completa do fogo. Entretanto, uma “lavagem total” raramente é necessária. Existe uma linha divisória muito pouco definida entre operações de rescaldo e de recuperação de salvados e a quantidade desnecessária de danos materiais, mas essa linha pode ser melhor definida através de treinamento e experiência.

Após a extinção de um grande incêndio, os ocupantes da edificação estão normalmente ansiosos para voltar à edificação e retirar seus pertences. E podem ser muito persistentes, demandando ao CI que permita que entrem na propriedade, caso acreditem que o fogo foi extinto e que a edificação está segura. É responsabilidade do CI determinar se a estrutura está realmente segura, antes de permitir que os ocupantes entrem novamente na edificação. Os bombeiros às vezes podem ajudar a trazer os pertences para ocupantes para fora, mas os moradores não devem nunca ter permissão de ocupar novamente o edifício até que o rescaldo seja feito completamente e que o CI esteja convencido de que o edifício é seguro. Fonte: NFPA Journal Latinoamericano - 2006-03-20, Ben Klaene & Russ Sanders    

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posted by ACCA@8:57 AM