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segunda-feira, novembro 30, 2015

Situações de insegurança


Comentário: Algumas indagações ou reflexões
1-Os trabalhadores podem até desafiar o perigo e construir o que chama de "guarda-chuva defensivo" como mecanismo coletivo de proteção contra o medo. Esta é uma estratégia segundo a qual, diante de atividades reconhecidamente arriscadas, os trabalhadores tendem a desafiar o perigo se expondo a ele. Ao desafiarem o risco, eles teriam a sensação de dominá-lo. Como o trabalhador já está acostumado com a adversidade da vida, o perigo faz parte dessa vida.
2- O perigo mora dentro da vida. Por mais que tenhamos cuidado, o risco é intrínseco a vida. Viver é perigoso, mas é preciso continuar a viver. O que não podemos é gerar falhas humanas como; deficiência de julgamento (avaliação), deficiência de planejamento (falha de programação e de proteção), aspectos psicológicos (envolve a personalidade dos responsáveis pela execução) e indisciplina nos procedimentos de segurança.
3- A segurança parte do princípio; o que deu errado para depois corrigir. É um feedback que no meio do processo está o ser humano. A redução de acidentes é um processo de aprendizagem que passa por diversas etapas; nível cultural do trabalhador, sindicato do trabalhador que está mais preocupado com salário do que com a qualidade de vida do trabalhador, órgão fiscalizador e justiça de trabalho. No Brasil essas etapas não funcionam direito.
4- O grande erro nas normas de segurança é que não existe ênfase no desempenho e conduta segura. Partem do princípio que implantando as normas todos os problemas serão resolvidos. Esse é o cenário do filme brasileiro chamado “Trabalho”, os atores são quase os mesmos (governo, empresa, empregado, sindicato), o enredo é sempre atualizado (normas) e o resultado é sempre o mesmo;  acidentes e fatalidades. O Brasil está sempre fazendo do filme “Trabalho”, um remake.    
5- A maioria das empresas entrega apenas o uniforme de segurança (EPI), as autorizações de trabalho, para os trabalhadores. O jogo é entre os times de risco e dos trabalhadores. Geralmente o time dos trabalhadores não tem estratégia e tática para vencer o time de risco. Sempre está perdendo.
6- O risco refere-se à atitude humana consciente em face do perigo. Enquanto o perigo é destino, o risco constitui planejamento, estratégia de ação diante de diversas opções colocadas.. A ação é arriscada; a situação perigosa.
7- Não  adianta mostrar à  diretoria a necessidade de maior investimento em segurança se você não demonstrar a expectativa de perda. Qual é o custo de acidente  para empresas? Qual é o custo do dano moral do acidentado?  Qual é a perda da interrupção da produção por causa de um acidente? Qual é o custo de uma ação trabalhista? Qual é o custo das infrações cometidas? Em geral diretores enxergam são números, custos, perdas, etc. É uma coisa normal, mas a área de segurança não está acostumada a manipular esses dados e não foi treinada para associar perda x acidente x investimento. Nas escolas é matéria considerada para fazer apenas número de horas  na grade curricular. Na indústria tudo gira em torno de custo, despesa e investimento. São poucos os profissionais da área de segurança, sabem quanto custa um trabalhador para empresa?  Fonte: @ZR

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posted by ACCA@3:00 AM