Lembrança:Incêndio no edifício Joelma
O edifício Joelma está situado na confluência da avenida 9
de Julho, da praça da Bandeira (antiga rua João Adolfo) e da rua Santo Antonio,
na quadra completada pelo viaduto Jacarei. Trata-se de zona central, de
característica comercial, de intenso
movimento de veículos e pedestres. Nas
imediações situam-se o edifício da Câmara Municipal de São Paulo, dotado
de heliporto, o Vale do Anhangabaú, a Av. 23 de Maio e os diversos terminais de
ônibus da praça da Bandeira.
O prédio foi construído em terreno irregular medindo:
- 35,3 m de frente para a avenida 9 de Julho;
- 16,9 m de frente para a praça da Bandeira (antiga rua João
Adolfo);
- 54,85 m ele frente para a rua Santo Antonio;
Resultando numa área de 1.438,30 m2.
A topografia apresenta-se em ligeiro aclive nos sentidos da
praça da Bandeira e rua Santo Antonio e Av.9 de julho e rua Santo Antonio.
O edifício é de ocupação mista e constituído de:
a) um bloco erigido no alinhamento das vias públicas;
contendo subsolo (loja e entrada principal paro os elevadores de acesso aos
andares dos escritórios). térreo com lojas e sete pavimentos para garagem;
b} quinze pavimentos para escritórios e um ático,
constituídos por dois corpos interligados por uma estrutura que abrange as
áreas de sanitários e dependências de serviço, o poço dos elevadores, a caixa
da escadaria e respectivo hall.
As áreas construídas do edifício Joelma segundo a planta
aprovada pela prefeitura de São Paulo,
são as seguintes:
Subsolo- 320 m2 .
Térreo (frente Av. 9 de Julho)- 1087 m2
Térreo (rua Santo Antonio)- 812 m2
Andar tipo de garagem: (7 x 1.335 m2) – 9.345 m2
Andar tipo de escritório: (15 x 508 m2) – 7.620 m2
Ático (casa de máquinas): 96 m2
Área total construída
: 19.280 m2
PROJETOS
Instalação elétrica
O projeto satisfaz as prescrições em vigor: Norma NB-3 da
ABNT para execução de instalações elétrica de baixa tensão;
Analisando-se o projeto de instalações elétricas:
■Eletrodutos
Os eletrodutos e os
condutores foram dimensionados com bastante folga; os circuitos estavam bem
protegidos com chaves eletromagnéticas (tipo quick-lag) e chaves tipo faca com fusíveis adequados;
■Entrada de energia
A entrada de energia eram por meio de cabos subterrâneos
ligados a um quadro geral de distribuição, blindado, instalado no subsolo, para seccionamento e dos circuitos alimentadores
da rede subterrânea da Concessionária e
dos centros de medição; o suprimento de energia, em baixa tensão, seria em 208/120 volts;
■Centro de medição e quadro de luz
Prevendo que o prédio seria ocupado por vários usuários, projetou-se centros de medição
agrupados em alguns pavimentos; (subsolo, 11º andar, 16º e 21º '). de acordo
com aprovação da Concessionária;
Os quadros de luz, em número de três por andar do escritórios, constituíam cada
um, de uma chave geral tripolar e disjuntores monopolares de 15 a 20 ampéres,
tipo "quick-lag" (interruptores automáticos com elementos de proteção
termomagnético, com barramento bifásico e barra de neutro, sistema 208/120 V.
■Ar condicionado
No projeto de instalação para aparelhos de ar condicionado,
o projeto previu; a colocação de tomadas especiais com circuitos independentes
de 1.200 W cada um, protegidos nos respectivos quadros por disjuntores de 20 A.
■Gerador de emergência
O projeto de instalações elétrica previa para aumentar sua segurança um circuito de emergência com instalação de um gerador e chave
reversora, para alimentação de dois elevadores, iluminação da escadaria e
acionamento de bombas de drenagem.
■Estrutura do prédio
A construção obedeceu à planta aprovada pela prefeitura de
São Paulo. As principais características de construção e de acabamento :
- fundações e estrutura de concreto armado;
- alvenaria de blocos c/ou tijolos furados (ou comuns),
revestidas com argamassa convencional;
- pisos, em geral de concreto desempenado na garagem, de
placas de PVC nos salões para escritórios e hall dos elevadores, de granilite na
escadaria e nas instalações sanitárias;
- tetos de laje de concreto arruado, revestido com argamassa
convencional;
- fachadas revestidas
com pastilhas e aberturas dotadas de
caixilhos de alumínio de correr, envidraçadas;
- vitrôs basculantes nas instalações sanitárias, batentes e
portas internas de madeira, pintados a óleo ou envernizados;
- luminárias fluorescentes simples, interruptores e tomadas;
- escadarias de granilite com divisão de grade de ferro
entre os dois lances;
- cobertura de telhas onduladas de fibrocimento fixadas
sobre estruturas de madeira;
- pintura em látex. sobre massa corrida nas paredes dos
salões; em látex simples nos tetos;
- lambris de laminado plástico no hall dos elevadores;
- quatro elevadores “Atlas”
com capacidade para 13
passageiros cada um, com 16 paradas;
OCORRÊNCIA
De acordo com o Instituto de Policia Técnica, o incêndio iniciou-se no 12º pavimento, na parte superior
de um caixilho de alumínio próximo do
canto esquerdo e de uma coluna na fachada voltada para Av. 9 de Julho.
O fogo teve origem elétrica, provavelmente curto-circuito, se propagou através de
materiais de fácil combustão existente no local, tais como; forro falso,
cortinas, tapetes, divisórias, tapetes, móveis, papéis, etc. Constatou-se pelas fotografias do Instituto de Policia Técnica, que os caixilhos
externos estavam quase todos fechados na fase inicial do incêndio, por causa do
sistema de ar condicionado. Por conseguinte, houve no início do incêndio
deficiência de oxigênio para sua propagação.
Com o material de fácil combustão encontrado no local e a
ruptura progressiva dos vidros, a ventilação supriu com oxigênio para aumentar
a combustão e propagação do fogo. O caixilho praticamente ocupava o vão de cada
andar
O FOGO PROPAGOU-SE COM RAPIDEZ INCRÍVEL
Foi testemunhado por inúmeras pessoas. Para tanto deve ter
contribuído;
- o forro contínuo combustível, isolante térmico;
- a forração do piso, contínua e combustível;
- o potencial térmico
elevado
- ventilação
O forro é um elemento crítico, pois recebe calor por
convecção, através do ar e dos gases quentes (que sobem) e por radiação. A
elevação superficial da temperatura foi muita rápida, facilitando a ignição e a
propagação superficial.
A ignição-piloto da madeira ocorre entre 270º C e 290º C,
quando começa a queimar em presença de uma chama externa. A 500º C, mais ou
menos, verifica-se a auto¬-ignição. Como o forro era continuo, apresentava
condições para uma rápida transmissão das chamas a todo o local atingido.
A evolução do fogo tem três fases características:
a) a inicial, de elevação progressiva da temperatura;
b) a de inflamação generalizada (flash¬over), na qual todos
os materiais combustíveis existentes no local participam do fogo;
c) a de erradicação e extinçâo
É antes do "flash¬over” que o resgate das pessoas pode
ser realizado com certa facilidade.
Pelo exame das fotografias, pelo noticiário dos jornais, concluí-se
que a inflamação generalizada do edifício ocorreu num tempo extremamente curto,
cerca de 40 min, todos os pavimentos destinados a escritórios, a partir do 12º
andar estavam totalmente tomados pelas chamas. Tal fato está diretamente ligado
com a velocidade e a facilidade de propagação, tendo cada andar funcionado como
autentica chaminé horizontal, pelo fato do vento soprar no sentido do Vale do
Anhangabaú a Av. 9 de Julho e rua Santo Antônio.
FUMAÇA - PRODUTOS DA COMBUSTÃO
Dos produtos da combustão, além da radiação, também a fumaça
e os gases são extremamente nocivos, Com
temperaturas superiores de 110º C a
115°C, os níveis de tolerância humana
são atingidos. Para uma radiação com uma intensidade crítica de 0,3 cal/cm2/s,
normal num incêndio, o tempo de exposição tolerado pelo organismo humano é de apenas 4 s (depois ocorrem a
asfixia por ar quente e as queimaduras, com a dilatação dos vasos sanguíneos e extravasamento
do plasma, reduzindo-se o volume de sangue, que se torna mais espesso ou
coagulado; sobrevêm a perda de consciência e a morte pela falta de nutrição das
células) .
Contudo, os casos fatais são causados, segundo e estatística
estrangeira, mais pela ação dos gases quentes do que pela ação das chamas.
Pelas fotografias examinadas mostram grande quantidade de
fumaça e é provável que o conteúdo de monóxido de carbono tenha sido elevado,
especialmente ao verificar-se o "flash-over". A presença de plásticos
pressupõe que também gases letais, como o cianídrico e o clorídrico, eram
presentes na fumaça. Em geral, eles são
gerados do “flash¬over” em temperaturas mais baixas e seu efeito é mais
crítico.
Um elevado número de mortes realmente ocorreu por asfixia,
de acordo com resultados das autópsias.
PÂNICO
A ação da fumaça é extremamente nociva em relação ao pânico,
pois impede a visão, dificultando a movimentação das pessoas. Ao pânico também
deve ser atribuída à elevada incidência, acrescido pela extrema rapidez de
propagação das chamas e por outros fatores de caráter psicológico.
INSTALAÇÕES EXECUTADOS PELOS USUÁRIOS
Foram constatadas diversas irregularidades nos andares não
sinistrados;
Os usuários instalaram portas de vidro temperado e/ou de
madeira entre o hall dos elevadores e os salões de ambas as alas do prédio, com
isto, eliminaram o sistema de ventilação do hall e da escadaria pelas quatro
janelas simétricas, corno previsto no projeto. No caso das portas de madeira eliminou-se
o sistema de iluminação natural.
A escadaria passou a ser iluminada por uma lâmpada do hall em cada pavimento, de forma
precária. Com o desligamento da energia elétrica, durante incêndio, o sistema de iluminação deixou de
funcionar, aumentando o pânico e dificultando sobremaneira a fuga e o salvamento
pela escadaria.
A alternativa para solucionar o problema, para iluminação de emergência através da
instalação do gerador no circuito de emergência existente no projeto não foi encontrado no
edifício.
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Nos andares não sinistrados revelaram a existência de
instalações elétricas muito precárias, de responsabilidade dos usuários em
desacordo com as normas da ABNT e
desprovidas de segurança.
Foram encontradas diversas irregularidades nas instalações elétricas
executadas pelos usuários. tais como:
■várias extensões de energia elétrica a partir de tomadas,
com os condutores fixados nos rodapés com pregos metálicos e correndo por sobre
divisórias e batentes de madeira: um exemplo dessa anomalia é a instalação alimentadora
da máquina de fotocópia, na ala da Av.9
de Julho. Na copa dessa mesma ala foi encontrada uma cafeteira ligada a um
circuito de 220 V, executado com fios de
capa cor de chumbo, vindos da caixa de um ponto de luz do teto.
O simples rebaixamento das luminárias fluorescentes, dos
pontos de luz originais para o forro de placas acústicas, revela a qualidade
inferior de mão obra empregada na execução.
■sistema de ar condicionado: O que mais impressionou. de forma bastante negativa
foi as instalações dos aparelhos de ar condicionado da ala da rua Santo Antônio:
as tomadas especiais para sua alimentação, projetadas e executadas pela empresa
construtora, não foram aproveitadas; em seu lugar foi instalado um circuito que
saindo do quadro de luz a partir de uma chave adicional, atravessava o caixilho
de alumínio, sem proteção mecânica e com os fios envolvidos apenas por um tubo
plástico tipo “espagueti” seguindo em direção ao lado externo. Desse circuito
saíam as derivações que cruzando o
parapeito de concreto, terminavam em tomadas localizadas nesse parapeito, do lado
de dentro, entre o rodapé e a parte inferior do caixilho. Muito embora o cabo
de cada condicionador estivesse situado do lado interno do caixilho, também
atravessava-o para o lado de fora, após uma dobra de 180º, descendo até o parapeito; aí tornava a passar para dentro, através de um furo no
concreto, ligando as tomadas. Sem dúvida, uma instalação complicada.
Os aparelhos de ar condicionado não estavam aterrados,
apesar dos cabos de ligação serem constituídos por três condutores, sendo um
deles para ligação à terra, mas havia sido cortado durante a ligação.
Muito provavelmente a precária instalação elétrica executada foi uma das causas do início do
incêndio.
As probabilidades maiores estão relacionadas com um eventual
curto-circuito. A falta de proteção mecânica dos condutores nas travessias dos
caixilhos de alumínio também poderia gerar a compressão excessiva da isolação,
causando o contato dos mesmos e a consequente
sobrecorrente de curto-circuito.
ELEVADORES
O exame “ in
loco" revelou que todos os componentes dos elevadores dos escritórios,
localizados no interior do poço, tais como: trilhos, cabos, contrapesos etc.,
foram seriamente danificados, exigindo substituição e/ou revisão geral.
INSTALAÇÃO
HIDRÁULICA
A tubulação embutida metálica (ferro galvanizado para água e
ferro fundido para esgotos e águas pluviais), bem como suas respectivas
conexões, registros, etc., aparentemente também nada sofreram: o mesmo não se
pode afirmar com relação aos aparelhos e compartimentos sanitários, que a maior
parte foi bastante atingida pela elevada
temperatura do incêndio.
COMBATE AO FOGO
O projeto da instalação de combate ao fogo, aprovado pelo
Corpo de Bombeiros foi executado e considerado em condições satisfatórias,
segundo o auto de vistoria no 1.395, de 24-10-1972.
Os extintores foram encontrados carregados. Os dois
registros gerais dos barriletes dos hidrantes foram encontrados fechados, o que
os tornou inoperantes. Foram constados
que os extintores do 12º andar,
onde teve início o incêndio, como nos demais, para onde se propagou, permite
concluir que os mesmos não foram utilizados durante o sinistro.
O exame das condições locais e o confronto das informações
obtidas evidenciam que os usuários não mantinham pessoal responsável e nem
treinamento para enfrentar situações de emergência
EFEITO DO FOGO NA ESTRUTURA
Tendo havido fusão do alumínio (650º C) e do vidro (entre
700º C e 850º C), deve-se admitir que, internamente, tenham sido registradas
temperaturas próximas desses valores. A temperatura das chamas externas durante
o flash-over deve ter sido mais elevada.
O efeito sobre a estrutura foi mais sensível nas lajes.
especialmente nos pavimentos inferiores, onde apresentam descascamentos de
grande extensão, devido à ação direta das chamas, à dilatação inferior e ao
choque térmico pela ação da água de
combate ao fogo.
Em vários pontos das lajes, o concreto apresenta uma
coloração cinza esbranquiçada o que revela uma temperatura variável de 600º C a
1.000o C. Não se verificaram sinais de amarelo‑alaranjado,
característico de temperaturas mais elevadas; nem tampouco a tonalidade esverdeada
no concreto, que determina sua demolição.
Quanto às vigas. as
condições parecem melhores, não se tendo observado flechas anormais.
O comportamento dos pilares também parece ter sido razoável,
sobretudo em virtude da espessura da camada de revestimento de argamassa. Foram
notados fissuramentos e descascamentos, mas é provável que, em geral, os
pilares possam ser recuperados com facilidade.
No entanto há que se recorrer a testes e provas de
resistência das peças, bem como dos materiais que os compõem, já que nas peças
mais atingidas devem ser verificadas as condições do aço e da aderência,
RESGATE
O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03 da
manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido
a condições adversas no trânsito só chegaram no local às 9h10, quando as chamas
já atingiam o 20° andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio .
O socorro mobilizou 1.500 homens, entre bombeiros e tropas
de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros particulares,
quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede
hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de
um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para
doação de sangue. Afim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos
dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento
9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações
Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi
armado nas imediações do prédio onde se concentraram milhares de curiosos.
Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um
destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia
de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando
a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino, o fogo consumia só
o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O
sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e
escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque
e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para
subir.
SEQUENCIA DO INCÊNDIO
8h45 - Início do incêndio no 12° andar.
8h49 - As chamas atingem o 13° andar. Tem início o pânico.
10h - Os bombeiros começam a retirar através de escadas
alguns sobreviventes nas janelas do prédio e nos vãos dos andares. As operações
de salvamento duram entre 20 e 30 minutos. Os helicópteros tentam encostar-se
mais nas paredes para salvar pessoas nas janelas e no topo do edifício.
10h20 - Os helicópteros se movimentam rapidamente, enquanto
a Praça da Bandeira é transformada num campo de feridos, sobreviventes e pessoas
que são medicadas e depois levadas aos hospitais e pronto-socorros.
11h - Os bombeiros conseguem penetrar até o 11° andar.
11h55 - Um grupo de seis pessoas é retirado das janelas.
14h - Os dois últimos sobreviventes são retirados das
janelas pelos bombeiros. O fogo já está sob controle e continua a operação de
retirada dos corpos queimados que vai até o início da noite.
VÍTIMAS
Das 750 pessoas que estavam no prédio, 188 morreram e mais
de 300 ficaram feridas.
Os bombeiros retiraram dezessete corpos no telhado e
sessenta mortos sob o telhado na ala da Rua Santo Antonio e mais trinta e cinco
sob a cobertura da ala voltada para a Avenida 9 de Julho .
ARMADILHA, COBERTURA
DO PRÉDIO
O prédio não possuía heliponto e isso causou um final
trágico, pois muitas pessoas subiram em busca de salvamento e se depararam com
uma laje e um telhado (feito com telhas de fibrocimento).
O único helicóptero que teve atuação efetiva na retirada de
pessoas do teto do Joelma foi o helicóptero militar da FAB. Também participaram
várias aeronaves civis no transportes de queimados e suprimentos, dentre elas
aeronaves civis da Pirelli, Papel Simão, DERSA, etc. O helicóptero ficava em vôo
pairado sobre o edifício e conseguia retirar as pessoas. Os feridos eram
levados ao heliponto do prédio da Câmara Municipal, onde ficaram pousados os
demais helicópteros, auxiliando as operações de salvamento, transportando-as
aos hospitais.
RESPONSABILIDADE CIVIL
A investigação sobre as causas do acidente, concluída e
encaminhada à Justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima,
empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo
incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava
sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam
inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29.000
litros de água.
O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de
1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três
anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o
eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno, e os eletricistas da Crefisul,
Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de
dois anos.
Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por
quatro anos. Com o fim das reformas, em outubro de 1978, foi rebatizado
edifício Praça da Bandeira.
Fontes: Instituto de Engenharia – Fevereiro de 1974 - Comissão
Especial constituída;
Eng. Jan Arpad Mihalik (Presidente); Eng. José
Carlos Pellegrino (Divisão de Avaliações e Perícias); Eng. Teodoro Rosso
(Divisão da Construção Civil); Eng. Adriano Fidalgo dos Reis (Divisão de
Eletricidade); Eng. Samuel Belk (Divisão de Engenharia de Segurança); Eng. José
Nogueira (Divisão de Estruturas), Wikipédia
Comentário:
Consequências dessa tragédia;
■A prefeitura de São Paulo após essa tragédia edita o Decreto
nº 10.878, de 7 De Fevereiro de 1974, que institui normas especiais para a
segurança dos edifícios, a serem observadas na elaboração dos projetos e na
execução, bem como no equipamento e no funcionamento, e dispõe ainda sobre sua
aplicação em caráter prioritário.
■Em 1983, nove anos após a tragédia, o governo estadual
edita a legislação estadual, Decreto no 20.811/83
Passados 40 anos (o incêndio ocorreu em 1 de fevereiro de
1974) as irregularidades apontadas na pericia continuam a provocar vítimas. Os
desastres se repetem após um período de
poucos anos.As pessoas mudam e as lições
são esquecidas (Trevor Kletz).
A perícia apontou;
■Irregularidades na instalação elétricas, principalmente na
fiação elétrica do sistema de ar condicionado;
■Excesso de material de fácil combustão na decoração e
conteúdo (mobiliário)
■Inoperância do
sistema de incêndio
■Falta de gerador de emergência (o projeto recomendou sua
instalação)
■Falta da iluminação de emergência causou pânico
No ano passado, 27 de janeiro de 2013, ocorreu uma grande
tragédia na Boate Kiss, matou 242 jovens,
deixou dezenas de sequelas e doenças. As causas foram quase semelhantes;
■Falta de iluminação de emergência e sinalização de emergência
■Material de fácil combustão e tóxico
■Falta de sistema de incêndio
No Brasil, após uma grande tragédia, indagamos: O que houve
de errado? E nunca preocupamos com a prevenção. O que pode dar errado?
Passado algum tempo, voltamos à rotina das deficiências dos
órgãos competentes, isto é, o ciclo dos quatro F’s;
■Falta de recursos dos órgãos responsáveis,
■Falta de fiscalização,
■Falta de aplicação das normas de segurança e
■Falta de prevenção.
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