Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Lembrança:Incêndio no edifício Joelma

SITUAÇÃO E DESCRIÇÃO DO EDIFÍCIO
O edifício Joelma está situado na confluência da avenida 9 de Julho, da praça da Bandeira (antiga rua João Adolfo) e da rua Santo Antonio, na quadra completada pelo viaduto Jacarei. Trata-se de zona central, de característica comercial,  de intenso movimento de veículos e pedestres. Nas  imediações situam-se o edifício da Câmara Municipal de São Paulo, dotado de heliporto, o Vale do Anhangabaú, a Av. 23 de Maio e os diversos terminais de ônibus da praça da Bandeira.
O prédio foi construído em terreno irregular medindo:
- 35,3 m de frente para a avenida 9 de Julho;
- 16,9 m de frente para a praça da Bandeira (antiga rua João Adolfo);
- 54,85 m ele frente para a rua Santo Antonio;
Resultando numa área de 1.438,30 m2.
A topografia apresenta-se em ligeiro aclive nos sentidos da praça da Bandeira e rua Santo Antonio e Av.9 de julho e rua Santo Antonio.
O edifício é de ocupação mista e constituído de:
a) um bloco erigido no alinhamento das vias públicas; contendo subsolo (loja e entrada principal paro os elevadores de acesso aos andares dos escritórios). térreo com lojas e sete pavimentos para garagem;
b} quinze pavimentos para escritórios e um ático, constituídos por dois corpos interligados por uma estrutura que abrange as áreas de sanitários e dependências de serviço, o poço dos elevadores, a caixa da escadaria e respectivo hall.

As áreas construídas do edifício Joelma segundo a planta aprovada pela prefeitura de São  Paulo, são as seguintes:
Subsolo- 320 m2         .
Térreo (frente Av. 9 de Julho)- 1087 m2
Térreo (rua Santo Antonio)- 812 m2
Andar tipo de garagem: (7 x 1.335 m2) – 9.345 m2
Andar tipo de escritório: (15 x 508 m2) – 7.620 m2
Ático (casa de máquinas): 96 m2
Área  total construída : 19.280 m2

PROJETOS
Instalação elétrica
O projeto satisfaz as prescrições em vigor: Norma NB-3 da ABNT para execução de instalações elétrica de baixa tensão;
Analisando-se o projeto de instalações elétricas:
■Eletrodutos
Os  eletrodutos e os condutores foram dimensionados com bastante folga; os circuitos estavam bem protegidos com chaves eletromagnéticas (tipo quick-lag) e chaves tipo faca  com fusíveis adequados;
■Entrada de energia
A entrada de energia eram por meio de cabos subterrâneos ligados a um quadro geral de distribuição,  blindado, instalado no subsolo,  para seccionamento e dos circuitos alimentadores da rede subterrânea da Concessionária  e dos centros de medição; o suprimento de energia, em  baixa tensão, seria em 208/120 volts;
■Centro de medição e quadro de luz
Prevendo que o prédio seria ocupado por  vários usuários, projetou-se centros de medição agrupados em alguns pavimentos; (subsolo, 11º andar, 16º e 21º '). de acordo com aprovação da Concessionária;
Os quadros de luz, em número de três  por andar do escritórios, constituíam cada um, de uma chave geral tripolar e disjuntores monopolares de 15 a 20 ampéres, tipo "quick-lag" (interruptores automáticos com elementos de proteção termomagnético, com barramento bifásico e barra de neutro, sistema 208/120 V.
■Ar condicionado
No projeto de instalação para aparelhos de ar condicionado, o projeto previu; a colocação de tomadas especiais com circuitos independentes de 1.200 W cada um, protegidos nos respectivos quadros por disjuntores de 20 A.
■Gerador de emergência
O projeto de instalações elétrica previa  para aumentar sua segurança um circuito de emergência  com instalação de um gerador e chave reversora, para alimentação de dois elevadores, iluminação da escadaria e acionamento de bombas de drenagem.
■Estrutura do prédio
A construção obedeceu à planta aprovada pela prefeitura de São Paulo. As principais características de construção  e de acabamento :
- fundações e estrutura de concreto armado;
- alvenaria de blocos c/ou tijolos furados (ou comuns), revestidas com argamassa convencional;
- pisos, em geral de concreto desempenado na garagem, de placas de PVC nos salões para escritórios e hall dos elevadores, de granilite na escadaria e nas instalações sanitárias;
- tetos de laje de concreto arruado, revestido com argamassa convencional;
-  fachadas revestidas com pastilhas  e aberturas dotadas de caixilhos de alumínio de correr, envidraçadas;
- vitrôs basculantes nas instalações sanitárias, batentes e portas internas de madeira, pintados a óleo ou envernizados;
- luminárias fluorescentes simples, interruptores e tomadas;
- escadarias de granilite com divisão de grade de ferro entre os dois lances;
- cobertura de telhas onduladas de fibrocimento fixadas sobre estruturas de madeira;
- pintura em látex. sobre massa corrida nas paredes dos salões; em látex simples nos tetos;
- lambris de laminado plástico no hall dos elevadores;
- quatro elevadores “Atlas”  com  capacidade para 13 passageiros cada um, com 16 paradas;

OCORRÊNCIA
De acordo com o Instituto de Policia Técnica, o  incêndio  iniciou-se no 12º pavimento, na parte superior de um  caixilho de alumínio próximo do canto esquerdo e de uma coluna na fachada voltada para Av. 9 de Julho.
O fogo teve origem elétrica, provavelmente  curto-circuito, se propagou através de materiais de fácil combustão existente no local, tais como; forro falso, cortinas, tapetes, divisórias, tapetes, móveis, papéis, etc.  Constatou-se pelas fotografias do  Instituto de Policia Técnica, que os caixilhos externos estavam quase todos fechados na fase inicial do incêndio, por causa do sistema de ar condicionado. Por conseguinte, houve no início do incêndio deficiência de oxigênio para sua propagação.
Com o material de fácil combustão encontrado no local e a ruptura progressiva dos vidros, a ventilação supriu com oxigênio para aumentar a combustão e propagação do fogo. O caixilho praticamente ocupava o vão de cada andar

O FOGO PROPAGOU-SE COM RAPIDEZ INCRÍVEL
Foi testemunhado por inúmeras pessoas. Para tanto deve ter contribuído;
- o forro contínuo combustível, isolante térmico;
- a forração do piso, contínua e combustível;
- o potencial térmico  elevado
- ventilação 
O forro é um elemento crítico, pois recebe calor por convecção, através do ar e dos gases quentes (que sobem) e por radiação. A elevação superficial da temperatura foi muita rápida, facilitando a ignição e a propagação superficial.

A ignição-piloto da madeira ocorre entre 270º C e 290º C, quando começa a queimar em presença de uma chama externa. A 500º C, mais ou menos, verifica-se a auto¬-ignição. Como o forro era continuo, apresentava condições para uma rápida transmissão das chamas a todo o local atingido.

A evolução do fogo tem três fases características:
a) a inicial, de elevação progressiva da temperatura;
b) a de inflamação generalizada (flash¬over), na qual todos os materiais combustíveis existentes no local participam do fogo;
c) a de erradicação e extinçâo
É antes do "flash¬over” que o resgate das pessoas pode ser realizado com certa facilidade.

Pelo exame das fotografias, pelo noticiário dos jornais, concluí-se que a inflamação generalizada do edifício ocorreu num tempo extremamente curto, cerca de 40 min, todos os pavimentos destinados a escritórios, a partir do 12º andar estavam totalmente tomados pelas chamas. Tal fato está diretamente ligado com a velocidade e a facilidade de propagação, tendo cada andar funcionado como autentica chaminé horizontal, pelo fato do vento soprar no sentido do Vale do Anhangabaú a Av. 9 de Julho e rua Santo Antônio.

FUMAÇA - PRODUTOS DA COMBUSTÃO
Dos produtos da combustão, além da radiação, também a fumaça e os gases são extremamente nocivos,  Com temperaturas superiores  de 110º C a 115°C,  os níveis de tolerância humana são atingidos. Para uma radiação com uma intensidade crítica de 0,3 cal/cm2/s, normal num incêndio, o tempo de exposição tolerado pelo organismo  humano é de apenas 4 s (depois ocorrem a asfixia por ar quente e as queimaduras, com a dilatação dos vasos sanguíneos e extravasamento do plasma, reduzindo-se o volume de sangue, que se torna mais espesso ou coagulado; sobrevêm a perda de consciência e a morte pela falta de nutrição das células) .
Contudo, os casos fatais são causados, segundo e estatística estrangeira, mais pela ação dos gases quentes do que pela ação das chamas.

Pelas fotografias examinadas mostram grande quantidade de fumaça e é provável que o conteúdo de monóxido de carbono tenha sido elevado, especialmente ao verificar-se o "flash-over". A presença de plásticos pressupõe que também gases letais, como o cianídrico e o clorídrico, eram presentes  na fumaça. Em geral, eles são gerados do “flash¬over” em temperaturas mais baixas e seu efeito é mais crítico.
Um elevado número de mortes realmente ocorreu por asfixia, de acordo com resultados das autópsias.

PÂNICO
A ação da fumaça é extremamente nociva em relação ao pânico, pois impede a visão, dificultando a movimentação das pessoas. Ao pânico também deve ser atribuída à elevada incidência, acrescido pela extrema rapidez de propagação das chamas e por outros fatores de caráter psicológico.

INSTALAÇÕES EXECUTADOS PELOS USUÁRIOS
Foram constatadas diversas irregularidades nos andares não sinistrados;
Os usuários instalaram portas de vidro temperado e/ou de madeira entre o hall dos elevadores e os salões de ambas as alas do prédio, com isto, eliminaram o sistema de ventilação do hall e da escadaria pelas quatro janelas simétricas, corno previsto no projeto. No caso das portas de madeira eliminou-se o sistema de iluminação natural.
A escadaria passou a ser iluminada por  uma lâmpada do hall em cada pavimento, de forma precária. Com o desligamento da energia elétrica, durante  incêndio, o sistema de iluminação deixou de funcionar, aumentando o pânico e dificultando sobremaneira a fuga e o salvamento pela escadaria.
A alternativa para  solucionar o problema,  para iluminação de emergência através da instalação do gerador no circuito de emergência  existente no projeto não foi encontrado no edifício.

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Nos andares não sinistrados revelaram a existência de instalações elétricas muito precárias, de responsabilidade dos usuários em desacordo com as normas da ABNT  e desprovidas de segurança.
Foram encontradas diversas irregularidades nas instalações elétricas executadas pelos usuários. tais como:
■várias extensões de energia elétrica a partir de tomadas, com os condutores fixados nos rodapés  com pregos metálicos e correndo por sobre divisórias e batentes de madeira: um exemplo dessa anomalia é a instalação alimentadora da máquina de fotocópia,  na ala da Av.9 de Julho. Na copa dessa mesma ala foi encontrada uma cafeteira ligada a um circuito de 220 V,  executado com fios de capa cor de chumbo, vindos da caixa de um ponto de luz do teto.
O simples rebaixamento das luminárias fluorescentes, dos pontos de luz originais para o forro de placas acústicas, revela a qualidade inferior de mão obra empregada na execução.
■sistema de ar condicionado: O  que mais impressionou. de forma bastante negativa foi as instalações dos aparelhos de ar condicionado da ala da rua Santo Antônio: as tomadas especiais para sua alimentação, projetadas e executadas pela empresa construtora, não foram aproveitadas; em seu lugar foi instalado um circuito que saindo do quadro de luz a partir de uma chave adicional, atravessava o caixilho de alumínio, sem proteção mecânica e com os fios envolvidos apenas por um tubo plástico tipo “espagueti” seguindo em direção ao lado externo. Desse circuito saíam as derivações  que cruzando o parapeito de concreto, terminavam em tomadas localizadas nesse parapeito, do lado de dentro, entre o rodapé e a parte inferior do caixilho. Muito embora o cabo de cada condicionador estivesse situado do lado interno do caixilho, também atravessava-o para o lado de fora, após uma dobra de 180º,  descendo até o parapeito; aí tornava  a passar para dentro, através de um furo no concreto, ligando as tomadas. Sem dúvida, uma instalação complicada.
Os aparelhos de ar condicionado não estavam aterrados, apesar dos cabos de ligação serem constituídos por três condutores, sendo um deles para ligação à terra, mas havia sido cortado durante a ligação.
Muito provavelmente a precária instalação elétrica  executada foi uma das causas do início do incêndio.
As probabilidades maiores estão relacionadas com um eventual curto-circuito. A falta de proteção mecânica dos condutores nas travessias dos caixilhos de alumínio também poderia gerar a compressão excessiva da isolação, causando o contato dos mesmos e a consequente  sobrecorrente de curto-circuito.

 ELEVADORES
O exame  “ in loco" revelou que todos os componentes dos elevadores dos escritórios, localizados no interior do poço, tais como: trilhos, cabos, contrapesos etc., foram seriamente danificados, exigindo substituição e/ou revisão geral.

INSTALAÇÃO  HIDRÁULICA  
A tubulação embutida metálica (ferro galvanizado para água e ferro fundido para esgotos e águas pluviais), bem como suas respectivas conexões, registros, etc., aparentemente também nada sofreram: o mesmo não se pode afirmar com relação aos aparelhos e compartimentos sanitários, que a maior parte  foi bastante atingida pela elevada temperatura do incêndio.

COMBATE AO FOGO
O projeto da instalação de combate ao fogo, aprovado pelo Corpo de Bombeiros foi executado e considerado em condições satisfatórias, segundo o auto de vistoria no 1.395, de 24-10-1972.
Os extintores foram encontrados carregados. Os dois registros gerais dos barriletes dos hidrantes foram encontrados fechados, o que os tornou inoperantes. Foram constados  que os extintores  do 12º andar, onde teve início o incêndio, como nos demais, para onde se propagou, permite concluir que os mesmos não foram utilizados durante o sinistro.
O exame das condições locais e o confronto das informações obtidas evidenciam que os usuários não mantinham pessoal responsável e nem treinamento para enfrentar situações de emergência

EFEITO DO FOGO NA ESTRUTURA
Tendo havido fusão do alumínio (650º C) e do vidro (entre 700º C e 850º C), deve-se admitir que, internamente, tenham sido registradas temperaturas próximas desses valores. A temperatura das chamas externas durante o flash-over deve ter sido mais elevada.
O efeito sobre a estrutura foi mais sensível nas lajes. especialmente nos pavimentos inferiores, onde apresentam descascamentos de grande extensão, devido à ação direta das chamas, à dilatação inferior e ao choque térmico pela ação da  água de combate ao fogo.

Em vários pontos das lajes, o concreto apresenta uma coloração cinza esbranquiçada o que revela uma temperatura variável de 600º C a 1.000o C. Não se verificaram sinais de amarelo‑alaranjado, característico de temperaturas mais elevadas; nem tampouco a tonalidade esverdeada no concreto, que determina sua demolição.
 Quanto às vigas. as condições parecem melhores, não se tendo observado flechas anormais.
O comportamento dos pilares também parece ter sido razoável, sobretudo em virtude da espessura da camada de revestimento de argamassa. Foram notados fissuramentos e descascamentos, mas é provável que, em geral, os pilares possam ser recuperados com facilidade.
No entanto há que se recorrer a testes e provas de resistência das peças, bem como dos materiais que os compõem, já que nas peças mais atingidas devem ser verificadas as condições do aço e  da aderência,

RESGATE
O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03 da manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido a condições adversas no trânsito só chegaram no local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20° andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio .
O socorro mobilizou 1.500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros particulares, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para doação de sangue. Afim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento 9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi armado nas imediações do prédio onde se concentraram milhares de curiosos.
Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino, o fogo consumia só o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para subir.  

SEQUENCIA DO INCÊNDIO
8h45 - Início do incêndio no 12° andar.
8h49 - As chamas atingem o 13° andar. Tem início o pânico.
10h - Os bombeiros começam a retirar através de escadas alguns sobreviventes nas janelas do prédio e nos vãos dos andares. As operações de salvamento duram entre 20 e 30 minutos. Os helicópteros tentam encostar-se mais nas paredes para salvar pessoas nas janelas e no topo do edifício.
10h20 - Os helicópteros se movimentam rapidamente, enquanto a Praça da Bandeira é transformada num campo de feridos, sobreviventes e pessoas que são medicadas e depois levadas aos hospitais e pronto-socorros.
11h - Os bombeiros conseguem penetrar até o 11° andar.
11h55 - Um grupo de seis pessoas é retirado das janelas.
14h - Os dois últimos sobreviventes são retirados das janelas pelos bombeiros. O fogo já está sob controle e continua a operação de retirada dos corpos queimados que vai até o início da noite.

VÍTIMAS
Das 750 pessoas que estavam no prédio, 188 morreram e mais de 300 ficaram feridas.
Os bombeiros retiraram dezessete corpos no telhado e sessenta mortos sob o telhado na ala da Rua Santo Antonio e mais trinta e cinco sob a cobertura da ala voltada para a Avenida 9 de Julho .

ARMADILHA,  COBERTURA DO PRÉDIO
O prédio não possuía heliponto e isso causou um final trágico, pois muitas pessoas subiram em busca de salvamento e se depararam com uma laje e um telhado (feito com telhas de fibrocimento).
O único helicóptero que teve atuação efetiva na retirada de pessoas do teto do Joelma foi o helicóptero militar da FAB. Também participaram várias aeronaves civis no transportes de queimados e suprimentos, dentre elas aeronaves civis da Pirelli, Papel Simão, DERSA, etc. O helicóptero  ficava em vôo  pairado sobre o edifício e conseguia retirar as pessoas. Os feridos eram levados ao heliponto do prédio da Câmara Municipal, onde ficaram pousados os demais helicópteros, auxiliando as operações de salvamento, transportando-as aos hospitais.

RESPONSABILIDADE CIVIL
A investigação sobre as causas do acidente, concluída e encaminhada à Justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29.000 litros de água.
O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno, e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos.
Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por quatro anos. Com o fim das reformas, em outubro de 1978, foi rebatizado edifício Praça da Bandeira.

Fontes: Instituto de Engenharia – Fevereiro de 1974 - Comissão Especial constituída;
 Eng. Jan Arpad Mihalik (Presidente); Eng. José Carlos Pellegrino (Divisão de Avaliações e Perícias); Eng. Teodoro Rosso (Divisão da Construção Civil); Eng. Adriano Fidalgo dos Reis (Divisão de Eletricidade); Eng. Samuel Belk (Divisão de Engenharia de Segurança); Eng. José Nogueira (Divisão de Estruturas), Wikipédia


Comentário:
Consequências dessa tragédia;
■A prefeitura de São Paulo após essa tragédia edita o Decreto nº 10.878, de 7 De Fevereiro de 1974, que institui normas especiais para a segurança dos edifícios, a serem observadas na elaboração dos projetos e na execução, bem como no equipamento e no funcionamento, e dispõe ainda sobre sua aplicação em caráter prioritário.
■Em 1983, nove anos após a tragédia, o governo estadual edita a legislação estadual, Decreto no 20.811/83
  
Passados 40 anos (o incêndio ocorreu em 1 de fevereiro de 1974) as irregularidades apontadas na pericia continuam a provocar vítimas. Os desastres se repetem após um período  de poucos anos.As pessoas mudam e as  lições são esquecidas (Trevor Kletz).
A perícia apontou;
■Irregularidades na instalação elétricas, principalmente na fiação elétrica do sistema de ar condicionado;
■Excesso de material de fácil combustão na decoração e conteúdo (mobiliário)
■Inoperância  do sistema de incêndio
■Falta de gerador de emergência (o projeto recomendou sua instalação)
■Falta da iluminação de emergência causou pânico
No ano passado, 27 de janeiro de 2013, ocorreu uma grande tragédia na Boate Kiss, matou 242 jovens,  deixou dezenas de sequelas e doenças. As causas foram quase semelhantes;
■Falta de iluminação de emergência  e sinalização de emergência
■Material de fácil combustão e tóxico
■Falta de sistema de incêndio

No Brasil, após uma grande tragédia, indagamos: O que houve de errado? E nunca preocupamos com a prevenção. O que pode dar errado?
Passado algum tempo, voltamos à rotina das deficiências dos órgãos competentes, isto é, o ciclo dos quatro F’s;
■Falta de recursos dos órgãos responsáveis,
■Falta de fiscalização,
■Falta de aplicação das normas de segurança e
■Falta de prevenção.  

  

Marcadores:

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@5:39 AM

Assinar
Postagens [Atom]