Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

quinta-feira, outubro 22, 2009

Demanda por eletricidade se excede em era conectada

Com dois filhos usuários de laptops e um cachorro terrier contido por uma cerca elétrica, Peter Troast já sabia que sua família usava muita energia elétrica. Mas, na verdade, só percebeu o quanto em uma noite em que eles desligaram as luzes de sua casa no Maine (EUA) e começaram a caçar equipamentos que brilhavam no escuro. "Foi incrível ver todas aquelas luzes cintilando", disse Troast.

Assim como a casa dele, todo o planeta brilha. O uso de eletricidade em equipamentos famintos por energia está aumentando rapidamente em todo o mundo. Televisores de tela plana passaram a consumir mais eletricidade que alguns refrigeradores.

Proliferação de aparelhos eletrônicos
A proliferação de computadores pessoais, iPods, celulares, consoles de jogo etc. representa a fonte de uso energético de crescimento mais rápido no mundo. Os produtos eletrônicos hoje respondem por 15% da demanda energética de uma família, e isso deverá triplicar nas próximas duas décadas, segundo a Agência Internacional de Energia.

Necessidade de mais usinas
Para satisfazer a demanda desses equipamentos, os EUA deverão construir o equivalente a 560 usinas de carvão ou 230 nucleares, segundo a agência.
A maioria dos especialistas em energia só vê uma solução: regras de eficiência obrigatórias, especificando quanta energia os equipamentos podem usar. Os eletrodomésticos como geladeiras são cobertos por essas regras nos EUA. Mas iniciativas para incluir produtos eletrônicos como televisores e consoles de jogos foram combatidas pelos fabricantes, preocupados com o aumento dos preços.

Tudo está ligado o tempo todo
Parte do problema é que muitos equipamentos modernos não podem ser totalmente desligados; mesmo quando não estão sendo usados, eles gastam eletricidade enquanto esperam o sinal do controle de remoto ou aguardam para gravar um programa de TV.
"Entramos nessa nova era em que essencialmente tudo está ligado o tempo todo", disse Alan Meier, cientista sênior do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, e especialista em eficiência energética.
É claro que as pessoas podem reduzir esse desperdício -mas para tanto é necessário ter uma mentalidade decidida.

Reduzir o consumo
Troast, que vende equipamentos de consumo eficiente, não desanimou diante da ideia de verificar atrás de seus armários para encontrar cada tomada de equipamento que brilhava no escuro, como caixas de TV a cabo, roteadores de internet e computadores.
Os Troast reduziram seu consumo mensal de eletricidade em cerca de 16%, em parte ligando seus computadores e equipamentos de entretenimento em extensões inteligentes. As extensões se desligam quando os artefatos não estão em uso.

Aparelhos consomem mais energia
Embora a experiência de Troast demonstre que os consumidores podem limitar a energia desperdiçada pelos equipamentos inativos, outro problema não é tão fácil de resolver: hoje, muitos produtos exigem grandes quantidades de energia para funcionar.
O maior agressor é o televisor de tela plana. Enquanto as telas de cristal líquido e plasma substituem os tubos de raios catódicos, e com o aumento do tamanho das telas, os novos televisores consomem mais energia que os modelos antigos.

Consumo excessivo de energia, games
Outro ralo de energia é o console de videogame. Noah Horowitz, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, calculou que os consoles de jogos como Xbox 360, da Microsoft, PlayStation 3, da Sony, e Wii, da Nintendo, hoje usam mais ou menos a mesma quantidade de eletricidade por ano que San Diego, a nona maior cidade dos EUA.

Padrões de eficiência
Padrões de eficiência obrigatórios para equipamentos eletrônicos obrigariam os fabricantes a reprojetar seus produtos ou acrescentar componentes para controlar melhor o consumo de energia. Muitos fabricantes lutam contra essas obrigações porque aumentariam os custos, e eles também alegam que conteriam as inovações.
"As obrigatoriedades ignoram a natureza fundamental da indústria, que inova devido à demanda do consumidor e aos desenvolvimentos tecnológicos, e não aos regulamentos", disse Douglas Johnson, diretor de política tecnológica na Associação de Produtos Eletrônicos de Consumo.
Há estimativas variáveis sobre quanto custaria para os consumidores um programa de eficiência obrigatória. Para algumas mudanças, como garantir que os equipamentos utilizem energia mínima no modo de espera, os especialistas dizem que o custo poderá ser de apenas alguns centavos a mais. No outro extremo, o mais eficaz dos televisores hoje pode custar US$ 100 a mais que o de consumo menos eficiente.
(Essa despesa seria em parte compensada ao longo do tempo, é claro, pela menor necessidade de energia.) Mesmo hoje, quando o governo e o congresso americano se concentram em problemas energéticos, nenhuma legislação está sendo discutida para enfrentar a questão. Especialistas como Dan W. Reicher, que dirige as iniciativas energéticas da Google, afirmam que os EUA devem fazer melhor, dando um exemplo para o resto do mundo.
"Se não conseguirmos melhorar a eficiência de equipamentos simples e lhes dar maior utilidade, é difícil acreditar que teremos sucesso com coisas difíceis como limpar as usinas de energia movidas a carvão", disse Reicher.
Fonte: Folha de São Paulo - 05 de outubro de 2009

Comentário:
Hoje predomina a eletrônica descartável na sociedade de consumo. Compramos hoje um aparelho eletrônico, instalamos na residência já está quase obsoleto.
Agora houve o lançamento mundial do Windows 7, segundo os especialistas é mais rápido do que o Vista, muito provável os computadores terão mais memórias, maior consumo de energia e grande parte dos consumidores continuarão a fazer a mesma tarefas, com os computadores mais potentes e consumindo mais energia.
Com as máquinas fotográficas digitais seguem o mesmo caminho, compramos, usamos, já está obsoleto. Esquecemos na hora de comprar verificar o gasto de pilhas descartáveis ou recarregáveis. Dependendo do modelo o gasto de pilha é absurdo. Com o celular é a mesma coisa, com bateria recarregável.
O consumo eletrônico chegou até nos veículos, antigamente a bateria padrão era de 35 ampéres e hoje não existe mais, pois o os veículos de passeio exigem no mínimo de 60 ampéres. E qualquer variação da voltagem fora da especificação da eletrônica embarcada, o carro não funciona.
Se prestarmos atenção principalmente à noite no escuro em nossa residência veremos diversos pontinhos vermelhos brilhando, parecem estrelas fixas, são os chamados módulos inteligentes, não sei o porquê, pois gastam tanto energia que não percebemos. O termo técnico dessas luzinhas é standby
A maioria desconhece o consumo do standby.
■ Hoje discute-se muito consumo de energia, mas a energia depende da água e a água está sendo um bem escasso e é um produto estratégico.
■ Será que dispomos de suficiente oferta de energia para usufruirmos dessas maravilhas descartáveis ?
■ O standby é aquele que parece econômico, mas não é.
■ Grande parte dos equipamentos que dispomos hoje em dia podem causar maior impacto no consumo de energia não quando eles estão em uso, mas sim quando estão supostamente desligados.
■ Quanto de energia elétrica é consumido quando os mais diversos aparelhos encontram-se supostamente desligados, leia-se em standby?

Estar supostamente desligado ou em standby não significa estar desligado. Formalmente, tal problema é chamado de desperdício de energia do standby. Perceba que ele é crescente. Hoje em dia, qualquer dispositivo com mostrador digital, teclado por toque ou controle remoto precisa consumir alguma quantidade de energia quando estão em standby. Essa lista inclui desde equipamentos de áudio e vídeo até máquina de lavar pratos e portão eletrônico. Agora, quanto de energia o standby requer?

Alguns aparelhos de televisão, por exemplo, consomem em média 90 w (Watts) quando se encontram ligados. Todavia, considerando este mesmo aparelho no modo standby, seu consumo em média é de 20 w. Há aparelhos de TV com menor consumo no modo standby, algo próximo de 1 w. Outro caso interessante é o microondas que durante quase um terço do ano consome mais energia no modo standby (mantendo seu relógio e teclado por toque ativo) do que cozinhando ou esquentando alimentos. As caixas da TV a cabo é outro grande vilão. Podem ser vistas como verdadeiro sorvedouro de energia, podendo consumir de 5 a 25 w.
Atualmente, os PCs disponíveis no mercado consomem energia mesmo em modo de espera ou desligado, desde que estejam conectados à tomada. A energia é gasta por exemplo, com o transformador, a memória RAM - quando o computador está "hibernando" - e até com a luz indicativa de stand by. O consumo em repouso varia entre 1 e 4 Watts na maioria dos PCs
Muito dessa energia é consumida pelas fontes de potência que convertem energia na forma de corrente alternada (AC) para corrente contínua (DC).

Atualmente, aproximadamente de 5 a 10% do uso de energia elétrica nas residências nos Estados Unidos (EUA) – algo próximo a 65 w por residência – é para o modo standby. Esta quantidade de consumo de energia está crescendo, muito devido ao uso de aparelhos com algum tipo de conexão com a Internet, os quais utilizam o modo standby. Outros países desenvolvidos estão em situação similar. Por exemplo, no Japão, aproximadamente 10% do consumo residencial de energia vai para aparelhos que operam no modo standby. Assim, a menos que se faça uma gestão e uso adequado da energia seja feito, o resultado será residências (quase) completamente conectadas com elevado consumo de energia no modo standby. Estimativas indicam que caixas de TV a cabo mal projetadas, decodificadores de TV para recepção via satélite bem como uma variedade de aparelhos operando no modo standby poderiam dobrar o consumo atual das residências para mais de 120 w por residência, segundo Berkeley National Laboratory dos EUA. Fonte: Antonio Mendes d Silva Filho, Professor do Departamento de Informática da Universidade Estadual de Maringá

Marcadores: ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@8:25 AM