ÓRGÃO AMBIENTAL APURA MORTE DE TONELADAS DE PEIXES EM PIRACICABA
Na segunda-feira (15/07), a região do Tanquã, conhecida como mini Pantanal paulista, amanheceu coberta por um tapete formado por peixes mortos.
O órgão ambiental ainda vai avaliar a quantidade exata de animais atingidos.
SUSPEITA, USINA DE ÁLCOOL
A suspeita é que a morte dos
animais no rio do interior de São Paulo possa ter sido provocada por despejo
irregular de substâncias pela Usina São José S/A Açúcar e Álcool.
A empresa, em nota, nega
irregularidades.
"Após cinco inspeções
realizadas pela Cetesb nas dependências da usina, nada foi informado à empresa
formalmente que explique o motivo ou a origem da morte de peixes registrada nos
últimos dias. Insinuações de envolvimento da usina nessa ocorrência são
precoces e não têm, até agora, qualquer comprovação ou fundamento", diz a
companhia.
"A empresa lembra que
diversos incidentes envolvendo morte de peixes no rio Piracicaba vêm ocorrendo
nos últimos anos, período este que a Usina São José estava inativa, tendo
retomado suas atividades somente em maio deste ano."
MULTA
De acordo com a Cetesb, a
multa aplicada pode chegar a R$ 50 milhões. O valor pode ser ainda maior se as
análises indicarem agravamento do dano à natureza.
INSPEÇÃO
O órgão tem realizado coletas
constantes de amostras da água para averiguar a situação do rio. Na terça, técnicos retornaram ao Tanquã para
realizar nova pesquisa.
Imagens do rio mostram uma
grande quantidade de peixes, de diversas espécies, mortos na superfície da
água. Segundo o órgão estadual, o fenômeno decorre de um descarte irregular que
pode ter sido cometido pela usina de etanol e açúcar localizada no município de
Rio das Pedras, na região de Piracicaba.
O Tanquã é abastecido pelo
rio Piracicaba. Segundo a prefeitura do município, a mortandade de peixes é
observada em alguns trechos do rio desde o último dia 7, quando teria ocorrido
o descarte da substância.
Segundo a administração,
somente na última quinta (11) foram recolhidas 2,9 toneladas de peixes. A ação
antecedeu a nova onda de mortes no Tanquã. Na
quinta‑feira (18/07), a prefeitura pretende começar um novo trabalho de
remoção por meio de contrato emergencial com empresa especializada.
LAUDO DA CETESB
Um laudo deve ser concluído
pela Cetesb até sexta-feira (19/07), indicando a substância despejada na água
e a penalidade a ser aplicada. A entidade também notificou a usina para que
faça a retirada imediata dos peixes do Tanquã.
O diretor de licenciamento e
controle do órgão, explica que o material descartado pela empresa é 20 vezes
mais poluente que esgoto bruto e resulta em diminuição instantânea do oxigênio
da água.
"A carga orgânica obtida
pelas amostras é muito elevada, de modo que o próprio rio não dá conta de
dissolver essa poluição, sobretudo na área do Tanquã, de águas calmas, menor
profundidade e menor movimentação da água que, naturalmente, promove oxigenação
através do contato com a atmosfera", diz o diretor.
As últimas amostras no rio
indicam 3.000 mg de O2 (oxigênio) por litro. Já a oxigenação da água no local
onde aconteceu a tragédia estava inferior a 1 mg de oxigênio por litro, quando
o índice ideal para a água ser considerada boa é superior a 5 mg/l.
Segundo a Cetesb, a usina tem
licença ambiental para realizar suas operações até 2025, mas estava com as
operações paralisadas e retomou as atividades sem notificar o órgão.
Local do descarte
O descarte aconteceu no
ribeirão Tijuco Preto, que deságua no rio Piracicaba. Entre o ponto de partida
do material e o Tanquã, a substância deve ter percorrido cerca de 80 km,
calcula o órgão ambiental.
"O estrago não foi maior
pois em outras áreas o rio tem mais corredeiras e maior capacidade de dissolver
o composto orgânico. O problema se agrava mesmo em áreas onde o produto se
concentra e impede a reabilitação da natureza", destaca o diretor.
A Cetesb solicitou à empresa
concessionária da usina hidrelétrica Salto Grande, em Americana, o vertimento
de águas de seu reservatório, para um aumento no volume de água do rio
Piracicaba que pode amenizar o problema e elevar a oxigenação.
Em nota, a prefeitura da
cidade disse ainda que acionou o Ministério Público Estadual para apurar o caso
e que pede que a prefeitura de Rio das Pedras seja responsabilizada pela
contaminação. O órgão respondeu à imprensa, durante a tarde, que vai apurar o
caso.
16.jul.2024 às 19h59
MULTA APLICADA
A Cetesb (Companhia Ambiental
do Estado de São Paulo) multou em R$ 18 milhões a Usina São José S/A Açúcar e
Álcool, suspeita de crime ambiental pela morte de dezenas de toneladas de
peixes em Piracicaba (a 157 km de São Paulo).
A aplicação de multa pelo acidente
no interior de São Paulo foi divulgada pelo órgão na manhã de sexta-feira
(19/07).
SUBSTÂNCIA IDENTIFICADA
Os primeiros peixes mortos
apareceram no rio Piracicaba entre os dias 7 —quando ocorreu a contaminação,
segundo análises— e 10 de julho. No dia 11, a prefeitura do município removeu
cerca de três toneladas de peixes mortos da água.
No dia 15, a substância,
agora identificada como melaço de cana-de-açúcar, atingiu uma área de
preservação ambiental, o Tanquã, conhecida como mini Pantanal paulista, resultando
em nova mortandade de animais.
MORTANDADE DE PEIXES
Estima-se que a tragédia
tenha resultado em mais de 20 toneladas de peixes mortos. Um número mais
preciso será divulgado ao decorrer do trabalho de limpeza do rio.
"A estimativa que temos
para o repovoamento daquela região [do Tanquã] é de que possa demorar dez anos.
Nos próximos cinco anos, as comunidades que vivem da pesca não terão a mínima
capacidade de explorar o rio, tampouco o turismo. A alternativa a isso é
cadastrar essas famílias e, em conjunto com estado e União, obter recursos para
ajudá-las", disse o prefeito de Piracicaba. "Teremos que soltar uma
média de 100 mil alevinos por ano para recuperar o rio. Isso exige estratégia,
estudos, análises. Não podemos apenas chegar e soltá-los."
INQUÉRITO POLICIAL
No inquérito policial
instaurado para investigar a contaminação, a polícia indica que houve vazamento
de melaço da usina para o ribeirão Tijuco Preto, afluente do rio Piracicaba.
"O produto é espesso e de difícil diluição", descreve o documento.
O material, uma vez no rio, teria
descido cerca de 80 km, partindo de Rio das Pedras (cidade onde a usina
funciona) e chegado ao Tanquã. Segundo a Cetesb, a área onde ocorreu a maior
mortandade de peixes tem características geográficas que facilitaram a
tragédia.
"O Tanquã é uma região
de águas paradas e menor profundidade, o que contribuiu para a desoxigenação da
água. O estrago só não foi maior rio acima pois o rio tem corredeiras e maior
movimentação de água, o que naturalmente promove oxigenação", disse o
diretor de licenciamento e controle da Cetesb.
Já no Tanquã, uma espécie de
tapete foi formada pelos peixes mortos boiando na superfície. Segundo relatos
de moradores e pescadores locais, o odor durante toda a semana foi piorando.
A camada formada pelos peixes mortos impede a visualização da água e é apontada como um outro problema ambiental, uma vez que prejudica a recuperação natural do rio e a oxigenação da água. Fontes: Folha de São Paulo-17.jul.2024; Folha de São Paulo-19.jul.2024
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