A NEVASCA QUE ISOLOU A CIDADE DE SÃO JOAQUIM EM SC
Em 20 de julho de 1957, São
Joaquim sofreu uma nevasca excepcional, com neve caindo por cerca de sete
horas.
O acúmulo teria chegado a 80
cm a 1,30 m em alguns pontos, e a neve permaneceu no solo por cerca de uma
semana.
Com estradas bloqueadas por
até 1,30 metro de neve, São Joaquim precisou de ajuda aérea para receber
alimentos no inverno de 1957.
DESTRUIÇÃO E COLAPSO
O peso do gelo fez desabar telhados de várias residências, congelou os encanamentos de água (obrigando os moradores a derreterem a própria neve para consumo) e bloqueou completamente as estradas de acesso à cidade por cerca de uma semana.
AJUDA POR VIA AÉREA
Operação da FAB: Com a
população isolada e sem suprimentos básicos, a Força Aérea Brasileira (FAB)
mobilizou uma missão de socorro partindo de Curitiba.
Lançamento de mantimentos:
Dias após o temporal, um avião da FAB sobrevoou o município e lançou de
paraquedas pacotes com centenas de quilos de alimentos, remédios e roupas
diretamente sobre um campo de futebol local para abastecer os habitantes.
TESTEMUNHA OCULAR
O inverno de 1957 foi
diferente de qualquer outro vivido por Maria de Lurdes Hugen de Souza, de 82
anos. Nascida e criada em São Joaquim, cidade da Serra de Santa Catarina
acostumada a ter as menores temperaturas do Brasil, a idosa testemunhou, com 14
anos, a histórica nevasca que, naquele 20 de julho, transformou a paisagem ao
redor em um cenário inédito.
"Era um espetáculo para
a gente abrir a janela e ver aquela imensidão branca", relembra a catarinense.
Os flocos de neve que caíram
por cerca de 7 horas se acumularam e formaram montes de cerca de 1,30 metro de
altura nas portas de casas, ruas e estradas.
A memória de Maria de Lurdes
também remonta à rotina de interior e à surpresa com a neve. Naquela manhã, ela
lembra de ter visto o céu azul ficando cinza e a temperatura caindo à medida
que os flocos de neve aumentavam de intensidade.
"Foi uma coisa
impressionante porque não tem nenhum fenômeno que seja tão bom para contemplar
a natureza quanto a neve. Ela traz, assim, uma paz interior, a vontade de
quando sai abraçar todo mundo, contar que está nevando", diz.
Por alguns dias, ela e a
família precisaram ficar dentro de casa, sem ir à aula e ao trabalho e próximos
ao fogão a lenha. Da janela, conta a moradora, o pai pegava a água para
esquentar e usar na higiene, já que as baixas temperaturas o gelo congelava o
encanamento.
SÃO JOAQUIM
Se atualmente São Joaquim é
pequena, com 25 mil moradores e vastas áreas de campos, há 68 anos, quando um
fenômeno severo atingiu a região, a cidade era ainda menor. Registros
históricos apontam pouco mais de 10 mil habitantes espalhados pelos seus
1.888,6 km² de território.
O episódio também foi
importante para fomentar o potencial do turismo de frio na serra. Atualmente, a
Serra catarinense recebe milhares de visitantes em busca do frio.
DEFESA CIVIL
Os órgãos que monitoram o
clima em Santa Catarina não possuem registros das temperaturas da época, mas
destacam que a neve exige condições muito específicas. Segundo meteorologista
da Defesa Civil catarinense, essas situações são raras no Brasil, já que o ar
polar costuma ser seco.
Para nevar, é preciso que o frio se combine com uma instabilidade e alta umidade. Já uma nevasca depende de uma atmosfera ainda mais instável, o que torna o fenômeno registrado em São Joaquim ainda mais incomum. Fonte: g1 SC-07/06/2026; @ZR
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